Poemas de Álvaro Campos
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Fernando Pessoa
Fernando Pessoa, one of the founders of modernism, was born in Lisbon in 1888. He grew up in Durban, South Africa, where his stepfather was Portuguese consul. He returned to Lisbon in 1905 and worked as a clerk in an import-export company until his death in 1935. Most of Pessoa's writing was not published during his lifetime; The Book of Disquiet first came out in Portugal in 1982. Since its first publication, it has been hailed as a classic.
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Poemas de Álvaro Campos - Fernando Pessoa
Sumário
Apresentação
Sobre Fernando Pessoa 11
Álvaro de Campos, o homem da modernidade 23
Poemas de Álvaro de Campos 33
Quando olho para mim não me percebo 35
A praça da Figueira de manhã, 35
Soneto já antigo 36
Opiário 37
Ode triunfal 44
Dois excertos de odes (fins de duas odes, naturalmente) 54
Como eu desejaria ser parte da noite 60
* Chove muito, chove excessivamente... 60
Ode marítima 61
* Os mortos! Que prodigiosamente 96
Ah, os primeiros minutos nos cafés de novas cidades! 97
* Através do ruído do café cheio de gente 98
Saudação a Walt Whitman 99
Walt Whitman 109
Saudação 111
Saudação 111
Heia o quê? Heia porquê? Heia para onde? 113
Para saudar-te 114
Abram falência à nossa vitalidade! 114
Para cantar-te, 115
O verdadeiro poema moderno é a vida sem poemas, 115
A Fernando Pessoa 116
Passagem das horas 117
* Diário na sombra 141
A Casa Branca Nau Preta 143
No lugar dos palácios desertos e em ruínas 146
Não sei. Falta-me um sentido, um tacto 146
Passagem das horas 147
Meu coração, bandeira içada 148
Lisbon Revisited (1923) 149
Lisbon Revisited (1926) 150
Se te queres matar, porque não te queres matar? 153
* Faróis distantes, 156
* O florir do encontro casual 157
* Nas praças vindouras –
talvez as mesmas que as nossas – 157
Perdi a esperança como uma carteira vazia... 159
Tabacaria 160
Escrito num livro abandonado em viagem 167
Apostila 167
Demogorgon 169
Adiamento 170
* Mestre, meu mestre querido! 172
* Na última página de uma antologia nova 175
* Na noite terrível, substância natural de todas as noites, 175
Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra, 177
Nuvens 180
* ...Nocturno de dia 181
The Times
181
Canção à inglesa 182
Gazetilha 182
O soslaio do operário estúpido ao engenheiro doido – 183
* Talvez não seja mais do que o meu sonho... 184
Insónia 185
* Acaso 187
* Ah, abram-me outra realidade! 189
Marinetti, académico 190
* A luz cruel do estio prematuro 190
Reticências 191
Apontamento 193
* Ah a frescura na face de não cumprir um dever! 194
* Poema de canção sobre a esperança 195
* Não se preocupem comigo: também tenho a verdade 197
* Ah, no terrível silêncio do quarto 197
* A liberdade, sim, a liberdade! 197
* Diluente 199
De la Musique 200
Aniversário 200
P-há 203
Nunca, por mais que viaje, por mais que conheça 203
Ah, o som do jantar nas casas felizes! 204
* Hoje que tudo me falta, como se fosse o chão, 206
* Há tantos deuses! 207
* Cesário, que conseguiu 207
* Paragem Zona 208
* Diagnóstico 209
* Bicarbonato de soda 209
* A rapariga inglesa, tão loura, tão jovem, tão boa 210
Cul de lampe 212
* Sim, é claro, 214
Não! Só quero a liberdade! 215
Trapo 216
Chega através do dia de névoa alguma coisa do
esquecimento, 217
Grandes são os desertos, e tudo é deserto 218
* Cruz na porta da tabacaria! 220
Tenho escrito mais versos que verdade 221
* Tenho uma grande constipação 222
* Oxfordshire 223
Sim, sou eu, eu mesmo, tal qual resultei de tudo 224
Não sei se os astros mandam neste mundo, 225
* Ah! Ser indiferente! 226
Regresso ao lar 227
* Sim, está tudo certo 228
Ah, um soneto... 228
Bamboleamos, moscas, com asas e presas, 229
* É inútil prolongar a conversa de todo este silêncio... 230
* Acordo de noite, muito de noite, no silêncio todo 231
Quero acabar entre rosas, porque as amei na infância 232
* Notas em Tavira 232
Realidade 233
E o esplendor dos mapas, caminho abstracto para a
imaginação concreta, 235
Psiquetipia (ou Psicotipia) 236
Magnificat 237
Pecado original 238
Dactilografia 239
Puseram-me uma tampa – 240
Não será melhor 241
Lisboa com suas casas 241
Esta velha angústia, 242
Na casa defronte de mim e dos meus sonhos, 244
Saí do comboio, 245
A música, sim, a música... 246
Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros, 247
Começa a haver meia-noite, e a haver sossego, 247
Há tanto tempo que não sou capaz 248
...Como, nos dias de grandes acontecimentos no centro da
cidade, 249
Depus a máscara e vi-me ao espelho – 250
* Depois de não ter dormido, 251
Na véspera de não partir nunca 252
O que há em mim é sobretudo cansaço – 253
* Subiste à glória pela escada abaixo 254
* Às vezes tenho ideias, felizes, 255
* Símbolos? Estou farto de símbolos... 256
* Ali não havia electricidade 257
* Não: devagar 258
* Os antigos invocavam as Musas 259 ]
* Há mais de meia hora 260
* Depois de quando deixei de pensar em depois 261
Eu, eu mesmo... 262
Estou cansado, é claro, 263
Não estou pensando em nada 264
O sono que desce sobre mim, 265
Estou tonto, 266
Todas as cartas de amor são 267
Ode marcial 268
* Là-bas, je ne sais où 270
* Dobrada à moda do Porto 272
Poema em linha recta 273
Trapos somos, trapos amamos, trapos agimos – 274
O horror sórdido do que, a sós consigo, 274
* Vilegiatura 275
* O Chiado (a ideia do Chiado) sabe-me a açorda 277
* Quase sem querer (se o soubéssemos!) os grandes homens
saindo dos homens vulgares 277
* Mais vale o clássico seguro, 277
* Já sei: alguém disse a verdade – 278
* Clearly non-Campos! 278
Minha imaginação é um Arco do Triunfo 279
Barrow-on-Furness 281
O frio especial das manhãs de viagem, 284
No fim de tudo dormir 284
* A vida é para os inconscientes (ó Lídia, Celimène, Daisy) 284
* Gostava de gostar de gostar 285
Encostei-me para trás na cadeira de convés e fechei os olhos, 285
O tumulto concentrado da minha imaginação intelectual... 286
* Ah, perante esta única realidade, que é o mistério, 288
* Contudo, contudo, 290
* Acordar da cidade de Lisboa, mais tarde do que as outras, 291
* Dá-me rosas, rosas, 294
* Hoje estou triste como um barco negro ao sol 296
* Ah quando nos fazemos ao mar 299
* Sucata de alma vendida pelo peso do corpo, 300
Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir 300
Uma vontade física de comer o universo 304
Toda a gente é interessante se a gente souber ver toda a gente 305
Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite, 305
Mas eu não tenho problemas; tenho só mistérios 306
Não tenho sinceridade nenhuma que te dar 306
O melodioso sistema do Universo, 306
O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo 306
Ai, Margarida, 307
No conflito escuro e besta 308
Ora porra! 308
Arre, que tanto é muito pouco! 309
* Não, não é cansaço... 309
* Mas eu, em cuja alma se reflectem 310
* O descalabro a ócio e estrelas... 310
* Todos julgamos que seremos vivos depois de mortos 311
* Meu corpo é a minha roupa de baixo; que me importa 312
* Ora até que enfim..., perfeitamente... 313
* O mesmo Teucro duce et auspice Teucro 314
* Ah, onde estou ou onde passo, ou onde não estou nem passo, 314
* Que lindos olhos de azul inocente os do pequenito do agiota! 315
* Que noite serena! 315
* O ter deveres, que prolixa coisa! 316
* Começo a conhecer-me. Não existo 317
* Vai pelo cais fora um bulício de chegada próxima, 317
Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa 318
A alma humana é porca como um cu 320
Está frio. 320
Na ampla sala de jantar das tias velhas 321
Névoas de todas as recordações juntas 322
Não ter emoções, não ter desejos, não ter vontades, 322
O que é haver ser, o que é haver seres, o que é haver cousas, 322
Mas não é só o cadáver 323
A plácida face anónima de um morto 323
Desfraldando ao conjunto fictício dos céus estrelados 324
* Canção do mocho (aeroplano ao natural) 325
* Saudação a todos quantos querem ser felizes 325
* O futuro 326
Cronologia 327
Apresentação
Sobre Fernando Pessoa
Falar de Fernando Pessoa não é apenas falar do maior poeta de língua portuguesa do século XX, é falar, também, de uma personalidade extremamente controvertida (como a de todo o gênio) e de uma obra vasta; afinal, Pessoa é vários poetas num só.
Filho de Joaquim de Seabra Pessoa, funcionário público e crítico musical, e de Maria Madalena Pinheiro Nogueira, Fernando António Nogueira Pessoa nasce em 13 de junho de 1888 na cidade de Lisboa, e sua primeira infância é marcada por acontecimentos que deixam cicatrizes para toda a vida. Com apenas cinco anos de idade, em 1893, Pessoa perde o pai, que morre de tuberculose, e ganha um irmão, Jorge. A morte de Joaquim traz tantas dificuldades financeiras à família que Madalena e seus filhos são obrigados a baixar o nível de vida, passando a viver na casa de Dionísia, a avó louca do poeta.
São as duas primeiras perdas do menino: o pai, a quem era muito apegado, e a casa. No ano seguinte, 1894, morre também Jorge. E, como para que compensar tudo isso, é nesse ano que Fernando Pessoa encontra
um amigo invisível: o Chevalier de Pas, ou o Cavaleiro do Nada, por quem escrevia cartas dele a mim mesmo
, diz o poeta, na carta de 1935 ao crítico Casais Monteiro.
Em 1895, dois anos após a morte de Joaquim, Madalena se casa com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal na cidade de Durban, uma colônia inglesa na África do Sul, e é para lá que a família se muda no ano seguinte.
Pouco se sabe a respeito da família nesse período africano, a não ser o nascimento dos irmãos Henriqueta Madalena, Madalena (que morre aos três anos) e João e algumas notícias sobre a escolaridade de Fernando. Em 1896, ele inicia o curso primário na escola de freiras irlandesas da West Street. Três anos depois, ingressa na Durban High School. Considerado um aluno excepcional, em 1900 é admitido no terceiro ano do liceu e, antes do final do ano letivo, é promovido ao quarto ano. Faz em três o que deveria fazer em cinco anos.
O ano seguinte é um ano de alegria, surpresa e descoberta para o adolescente Pessoa: as férias são em Portugal, e só em setembro de 1902 ele regressa a Durban. Foi nessa época, aos catorze anos, que escreveu seu primeiro poema em português que chegou até nós:
(...)
Quando eu me sento à janela,
P’los vidros que a neve embaça
Julgo ver a imagem dela
Que já não passa... não passa...
Em 1903, o jovem Fernando Pessoa é admitido na Universidade do Cabo, cursa apenas um ano; alguma coisa no poeta fala mais forte, e, nesse período, ele cria várias personalidades literárias
, ou seja, vários poetas fictícios que vão assinar as poesias que eles próprios
escrevem. Entre os poetas saídos da imaginação de Pessoa nessa época, destacam-se dois: Alexander Search, um adolescente, como o seu criador, que, inclusive, nasceu no dia do seu aniversário, e Charles Robert Anon, também adolescente, mas totalmente oposto ao temperamento de Fernando. De alguma maneira, começava a se delinear aquilo que faria de Fernando Pessoa um poeta como nenhum outro no mundo: um poeta que, sendo um, era muitos poetas.
Em 1904, a família aumenta; é a vez do nascimento da irmã Maria Clara.
Um ano depois, há uma virada na vida do poeta: ele retorna a Portugal, onde passa a viver com a tia-avó Maria e inscreve-se na Faculdade de Letras, mas, com a criação poética pulsando em toda a sua intensidade, quase não frequenta o curso. No ano seguinte, Pessoa mora com a mãe e o padrasto, que estão em férias em Lisboa; mas morre a irmã Maria Clara, a família volta para Durban, e ele vai morar com a avó e com as tias. É então que desiste, definitivamente, do curso de Letras.
Com a morte da avó, em 1906, Fernando Pessoa recebe uma pequena herança e aplica-a integralmente numa tipografia. Falta-lhe, entretanto, experiência, e o empreendimento logo fracassa. Isso faz com que, em 1908, comece a trabalhar como correspondente de línguas estrangeiras
, ou seja, encarrega-se da correspondência comercial em inglês e francês em escritórios de importações e exportações, profissão que, junto com a de tradutor, desempenhará até o fim da vida.
É em 1912 que Fernando Pessoa conhece outro jovem poeta, de quem se torna grande amigo e parceiro na aventura literária: Mário de Sá-Carneiro. É um momento interessante na vida de Pessoa, e, ao contrário do que se pensa, ele não estreia na literatura com poesias, mas publicando artigos na revista A Águia, cujo editor e organizador é o também poeta Teixeira de Pascoais. Seus artigos provocam polêmica junto à intelectualidade portuguesa, até porque ele mexe com o grande ícone da nação: Pessoa anuncia a chegada, para Portugal, de um poeta maior do que Luís de Camões; um supra-Camões, o que faz com que seja imediatamente criticado. Essa é também a época em que ele passa a viver com a tia preferida, Anica.
O ano seguinte é de muita produção. Ligado às ciências ocultas, escreve os primeiros poemas esotéricos; Epithalamium
, um poema erótico em inglês; Gládio
, que depois usará em Mensagem, o poema que conta a história de Portugal; e uma peça de teatro de um único ato chamada O marinheiro – diz-se, inclusive, que escreveu a peça em apenas 48 horas. É também nesse ano que publica, na revista A Águia, um texto chamado Floresta do Alheamento
, que, mais tarde, fará parte do Livro do desassossego, uma obra escrita durante toda a sua vida de criador.
Mas nenhum dia foi igual àquele 8 de março de 1914: o dia triunfal
. Deixemos que o poeta nos conte:
...foi em 8 de março de 1914 – acerquei-me de uma cómoda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de pé, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa espécie de êxtase cuja natureza não conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um título, O guardador de rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de alguém em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensação imediata que tive. E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, também, os seis poemas que constituem a Chuva oblíqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente... Foi o regresso de Fernando Pessoa-Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele só. Ou, melhor, foi a reacção de Fernando Pessoa contra a sua inexistência como Alberto Caeiro. Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir – instintiva e subconscientemente – uns discípulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura já o via. E, de repente, e em derivação oposta à de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indivíduo. Num jacto, e à máquina de escrever, sem interrupção nem emenda, surgiu a Ode triunfal de Álvaro de Campos – a ode com esse nome e o homem com o nome que tem. Criei, então, uma coterie inexistente. Fixei aquilo tudo em moldes de realidade. Graduei as influências, conheci as amizades, ouvi, dentro de mim, as discussões e as divergências de critérios, e em tudo isto me parece que fui eu, criador de tudo, o menos que ali houve. Parece que tudo se passou independentemente de mim. E parece que assim ainda se passa. [...]Eu vejo diante de mim, no espaço incolor mas real do sonho, as caras, os gestos de Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Construí-lhes as idades e as vidas.
(Carta a Casais Monteiro, janeiro de 1935.)
Ou seja, em 8 de março de 1914 nascem os heterônimos Alberto Caeiro – que ele logo toma por seu mestre –, Ricardo Reis e Álvaro de Campos; nascem dele, com suas respectivas obras.
Por que heterônimos, e não pseudônimos? Porque, quando usa um pseudônimo, um poeta se esconde atrás de um nome falso. É para esconder o nome verdadeiro que o pseudônimo existe. O heterônimo, ao contrário, não esconde ninguém, é um personagem, criado pelo poeta, que escreve a sua própria obra. Tem nome próprio, obra própria, biografia própria e, sobretudo, um estilo próprio. Esse nome, essa obra, essa biografia e esse estilo são diferentes do nome, da obra, da biografia e do estilo do poeta criador do personagem. Ao criador do heterônimo se dá o nome de ortônimo; foi Fernando Pessoa quem criou essa designação e é o único caso de heteronímia na literatura universal.
E quem são esses heterônimos, esses personagens criados por Pessoa? Deixemos que o poeta mesmo os apresente como os vê
, tal como o fez na carta a Casais Monteiro, em 1935:
Alberto Caeiro nasceu em 1889 e morreu em 1915; nasceu em Lisboa, mas viveu quase toda a sua vida no campo. Não teve profissão nem educação quase alguma. [...]Caeiro era de estatura média e, embora realmente frágil (morreu tuberculoso), não parecia tão frágil como era. [...]Cara rapada todos – o Caeiro louro sem cor, olhos azuis; [...]Caeiro, como disse, não teve mais educação que quase nenhuma – só instrução primária; morreram-lhe cedo o pai e a mãe, e deixou-se ficar em casa, vivendo de uns pequenos rendimentos. Vivia com uma tia velha, tia-avó.[...]Como escrevo em nome desses três?... Caeiro, por pura e inesperada inspiração, sem saber ou sequer calcular o que iria escrever [...]Caeiro escrevia mal o português [...]
Quanto a Ricardo Reis:
Ricardo Reis nasceu em 1887 (não me lembro do dia e mês, mas tenho-os algures) no Porto, é médico e está presentemente no Brasil. [...]Ricardo Reis é um pouco, mas muito pouco, mais baixo, mais forte, mas seco. (Do que Caeiro, que era de estatura média) [...]
Cara rapada todos – [...] Reis de um vago moreno mate; [...] Ricardo Reis, educado num colégio de jesuítas, é, como disse, médico; vive no Brasil desde 1919, pois se expatriou espontaneamente por ser monárquico. É um latinista por educação alheia, e um semi-helenista por educação própria.[...]Como escrevo em nome desses três? [...] Ricardo Reis, depois de uma deliberação abstrata, que subitamente se caracteriza numa ode. [...] Reis escreve melhor do que eu, mas com um purismo que considero exagerado. [...]
Quanto a Álvaro de Campos:
[...] Álvaro de Campos (o mais histericamente histérico de mim) [...] Álvaro de