Cartilha Pesca
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Legislao de Pesca
Legislao de Pesca
4 Integrantes do Grupo de Trabalho (Resolues SMA/SAA/SSP 001/2011 e 002/2011; Portaria CBRN 48/2011): Coordenao: Cristina Azevedo e Claudia Terdiman Schaalmann Departamento de Proteo da Biodiversidade DPB/CBRN/SMA; Equipe: Anglica Midori Sugieda FPZSP/SMA Fernanda Terra Stori CBRN/SMA Vincius Vendramini Cesrio CBRN/SMA Guilherme Casoni da Rocha CBRN/SMA Raphael Estupinham Arajo CBRN/SMA Delegado Claudine Pascoetto Polcia Civil/ SSP Cap PM Joo Soares da Costa Vieira Polcia Militar Ambiental/SSP Cap PM Marcos Aurlio Venncio Polcia Militar Ambiental/SSP Paula Maria Gnova de Castro Campanha Instituto de Pesca/SAA Srgio Luiz Tutui Instituto de Pesca/SAA. Estagiria: Camila Garcia Fernandes Apoio: Ercilia Cristina Constantino Maria do Carmo Silva Sobral Reviso de Texto Maria Cristina de Souza Leite Assessoria de Comunicao/CETESB Projeto Grfico Vera Severo Assessoria de Comunicao/SMA Capa Ilustrao: Epinephelus guaza (Garoupa)
Sumrio
I Apresentao 6 II Metodologia adotada 6 III Anlise e recomendaes do GT 8 IV Concluso e produtos 21 V Agradecimentos 23
I Apresentao
Buscando dirimir conflitos ocasionados por leituras diferenciadas das diversas legislaes, incluindo a publicao da lista de espcies ameaadas de extino do estado de So Paulo, e tendo em vista que cabe ao Poder Pblico promover o ordenamento pesqueiro, conciliando a preservao dos ecossistemas aquticos e o desenvolvimento socioeconmico das atividades de pesca responsvel e dos que a exercem; foi realizada, a princpio, breve pesquisa sobre a legislao pertinente pesca. Para essa pesquisa, tomou-se por base atos normativos dos nveis federal e estadual, voltados ao fomento e organizao da atividade pesqueira ou proteo das espcies. A legislao encontrada mostrou-se complexa, detalhada e com lacunas, o que dificulta sua implementao. Foi possvel perceber que vrios so os rgos com competncia para tratar da matria e muitos so os aspectos relacionados atividade pesqueira. Desse modo, a anlise e a sistematizao da legislao incidente no estado de So Paulo foram encaradas como tarefas importantes para subsidiar o aprimoramento da gesto. Considerou-se que a anlise da legislao pertinente deveria ser realizada por um grupo de trabalho interinstitucional, envolvendo representantes das Secretarias de Meio Ambiente, de Agricultura e Abastecimento e da Segurana Pblica. As Resolues Conjuntas SMA/SAA/SSP n 001/2011, de 30/3/11 e n 002/2011, de 26/10/11, instituram o Grupo de Trabalho (GT) com dois objetivos: Levantamento da legislao federal e estadual referente pesca e proteo da ictiofauna no estado de So Paulo. Anlise dessa legislao, identificando limites e possibilidades de aperfeioamento, bem como lacunas e dificuldades para implementao.
II Metodologia adotada
O Grupo de Trabalho contou com um levantamento preliminar da legislao pertinente realizado pelo Centro de Fauna Silvestre, do Departamento de Proteo da Biodiversidade (CBRN/SMA-SP) em maio de 2011. A esse levantamento foram inseridas novas normas legais, sugeridas pelos membros do GT. Foi tambm utilizada a publicao Ementrio da Legislao de Aquicultura e Pesca do Brasil, 3 edio, de autoria do Dr Glaucio Gonalves Tiago
como fonte de dados, bem como o banco temtico de normas do IBAMA, cedido pela Polcia Militar Ambiental. Esse levantamento indicou aproximadamente 400 diplomas legais referentes ao tema pesca. Para objetivar a anlise, o GT estabeleceu que analisaria, conforme estabelecido na Resoluo Conjunta que o instituiu, apenas as normas referentes pesca, optando por adotar o conceito de pesca presente nas principais normas federais, a saber: Art. 2 - ...III pesca: toda operao, ao ou ato tendente a extrair, colher, apanhar, apreender ou capturar recursos pesqueiros;... (Lei Federal n 11.959/2009) Art. 36. Para os efeitos desta Lei, considera-se pesca todo ato tendente a retirar, extrair, coletar, apanhar, apreender ou capturar espcimes dos grupos dos peixes, crustceos, moluscos e vegetais hidrbios, suscetveis ou no de aproveitamento econmico, ressalvadas as espcies ameaadas de extino, constantes nas listas oficiais da fauna e da flora. (Lei Federal n 9.605/1998) Desse modo no foram contempladas na anlise as normas referentes aquicultura, bem como aspectos da cadeia produtiva da pesca, por exemplo, qualidade do pescado, normas de proteo ao pescador, ou normas apenas indiretamente relacionadas ao tema como remoo de populaes em decorrncia de barragens. As normas referentes captura de espcies de mamferos e rpteis aquticos foram analisadas e includas no grupo de normas correlatas. O Grupo considerou importante tambm estabelecer um limite temporal, assim, as normas publicadas, depois de maro de 2011, no foram consideradas. Para otimizar a anlise, o Grupo de Trabalho optou por separar as normas por temas: rgos Competentes e Atribuies; Pesca Amadora; Pesca Profissional; Pesca Cientfica; Aquariofilia; Infraes, Penalidades e Fiscalizao; Legislao Correlata. Posteriormente a separao por temas, foi realizada separao por hierarquia, iniciando a anlise pelas Leis e Decretos Federais; em seguida, pelas normas infralegais federais (Instrues Normativas, Portarias). Esse procedimento foi repetido para as normas estaduais. Cada norma legal identificada foi inserida em tabelas, disponveis no site da SMA: www.ambiente.sp.gov.br
Finalizada a anlise de todas as normas, os resultados preliminares do GT foram apresentados em duas reunies locais com o Setor Pesqueiro uma em Barra Bonita, para a pesca continental e outra em Santos, para a pesca marinha; atendendo ao disposto no art. 2, pargrafo nico da Resoluo Conjunta SMA/SAA/ SSP n 001/2011. A partir da apresentao realizada, o Setor foi convidado a apresentar subsdios para a concluso dos trabalhos do GT. Foram recebidas cerca de 10 contribuies, as quais foram analisadas e, na medida do possvel, incorporadas nessa publicao.
Atualmente, a Lei Federal n 11.958/2009 uma das principais normas federais, pois, alm de transformar a Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca em Ministrio, estabelece as diretrizes sobre a matria, prevendo a emisso de autorizaes e permisses, bem como o Registro Geral da Pesca. Estabelece ainda as competncias comuns do MPA e do MMA com respeito ao uso sustentvel dos recursos pesqueiros, alm de manter o poder de polcia do IBAMA. A Lei Federal n 11.959/2009 considerada o Cdigo de Pesca vigente no Brasil, j que estabeleceu a Poltica Nacional de Desenvolvimento Sustentvel da Aquicultura e da Pesca, em substituio ao Decreto-Lei Federal n 221/1967. A Poltica define conceitos e diretrizes que devem ser observados no ordenamento da gesto dos recursos pesqueiros. essa norma que traz o conceito de pesca, incluindo em sua definio o ato tendente . Dentre os Decretos federais sobre esse tema, o Grupo de Trabalho destacou as seguintes: Decreto Federal n 1.694/1995 institui o Sistema Nacional de Informaes de Pesca e Aquicultura, atribuindo ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) a competncia para coordenar a implantao, o desenvolvimento e a manuteno do Sistema, contando com dados e informaes produzidos por rgos federais, estaduais, municipais, instituies de ensino e pesquisa e entidades envolvidas com o setor pesqueiro. importante ressaltar que essas informaes so essenciais para subsidiar a gesto/conservao. No estado de So Paulo, os dados sobre pesca marinha so levantados pelo Instituto de Pesca, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento. J o levantamento de dados sobre a pesca continental falho, sendo necessrio aprimor-lo. Decreto Federal n 5.069/2004 cria o Conselho Nacional de Pesca (CONAPE) rgo colegiado de carter consultivo. Compete ao CONAPE subsidiar a formulao da poltica nacional para a pesca e aquicultura, propondo diretrizes para o desenvolvimento e o fomento da produo pesqueira e aqucola. Conta com a participao do Poder Executivo e sociedade civil organizada, como entidades e organizaes dos movimentos sociais e dos trabalhadores da pesca. Decreto Federal n 6.981/2009 dispe sobre a atuao conjunta do MMA e MPA com respeito ao uso sustentvel dos recursos pesqueiros e cria a Comisso Tcnica de Gesto Compartilhada (CTGP), rgo consultivo e coordenador das atividades do sistema de gesto compartilhada.
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Dentre as normas infralegais sobre esse tema, o Grupo de Trabalho destacou as seguintes: Instruo Normativa IBAMA n 29/2002, regulamenta os Acordos de Pesca, importantes instrumentos de gesto dos recursos pesqueiros, ainda subutilizados no estado de So Paulo. Portaria Interministerial MPA/MMA n 02/2009 regulamenta o Sistema de Gesto compartilhada, prevendo a criao de grupos paritrios para propor plano de gesto por unidade de gesto. O Grupo de Trabalho ressaltou a importncia da incorporao desses instrumentos de gesto em nvel estadual. Destaques do GT sobre o tema: Encaminhamento ao Ministrio da Pesca e Aquicultura (MPA) e ao Ministrio do Meio Ambiente (MMA) dos resultados do GT e solicitao para que sejam revistas especialmente as normas infralegais (Instrues Normativas, Portarias etc.), de modo a revogar aquelas em desuso; uniformizar a utilizao de termos; disponibilizar, por meio de banco de dados, as normas aplicveis, atualizadas e classificadas, viabilizando assim sua disseminao entre os agentes pblicos e o Setor Pesqueiro.
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Reviso premente da legislao estadual sobre pesca, de modo a torn-la consonante com a legislao federal.
2. Categorias de pesca
A Lei Federal n 11.959/2009, em seu art. 8 define as categorias de pesca. importante compreender a classificao das categorias, pois h normas especficas para cada uma delas.
Pesca Comercial/Profissional (Registro Geral de Pesca) Artesanal Industrial Pesca no Comercial Cientfica (autorizao pelo rgo ambiental competente Instruo Normativa MMA n 04/2005) Amadora (inclui a Esportiva) (licena de pescador amador) Subsistncia
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c) Pesca de subsistncia A categoria Pesca de Subsistncia tratada na Lei Federal n 11.959/2009 e de acordo com o disposto nessa norma, caber a legislao especfica definir os petrechos previstos para a categoria. Porm, no foi identificada legislao especfica para essa categoria. Segundo as informaes colhidas pelo GT, a modalidade atualmente tratada como pesca amadora, porm com a possibilidade de exercer escambo.
3. Pesca continental
As guas continentais do estado de So Paulo compreendem as bacias hidrogrficas do rio Paran e Atlntico Sudeste, conforme Diviso Hidrogrfica Nacional, estabelecida pela Resoluo CNRH n 32/2003. A bacia hidrogrfica do rio Paran
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banha a maior parte do estado de So Paulo. Rios como o rio Paranapanema, o rio Tiet, o rio Pardo e o rio Grande esto entre os tributrios do Paran. A bacia do Atlntico Sudeste abrange, no estado de So Paulo, a bacia do rio Paraba do Sul, a bacia do rio Ribeira de Iguape e a bacia de rios situados ao longo do litoral que drenam diretamente para o mar.
No levantamento realizado pelo GT foram encontrados tanto diplomas que incidem igualmente em todas essas bacias, quanto aqueles que incidem especificamente em alguma delas. Foram analisadas normas referentes pesca continental que tratam de recursos (espcies alvo da pesca); locais (reas com restrio pesca); defeso (perodo em que a pesca restringida para garantir a reproduo das espcies) e petrechos (instrumentos utilizados para a pesca). As informaes levantadas pelo GT indicam que a pesca profissional continental no estado de So Paulo est restrita pesca artesanal ou de pequena escala.
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Dentre as normas federais, o GT destaca: Instrues Normativas do MMA n 05/2004 e n 52/2005, que indicam as espcies ameaadas de extino. Instruo Normativa do IBAMA n 43/2004, que probe a pesca com determinados petrechos em guas continentais. Instruo Normativa IBAMA n 26/2009, que estabelece as normas gerais de pesca para bacia do rio Paran. Instruo Normativa IBAMA n 195/2008, que estabelece perodo de defeso na bacia do Atlntico Sudeste (de 1 de novembro a 28 de fevereiro). Instruo Normativa IBAMA n 25/2009, que estabelece perodo de defeso na bacia do Paran (de 1 de novembro a 28 de fevereiro). Dentre as normas estaduais de importncia para a pesca continental, o GT destaca: Decreto Estadual n 25.341/1986, que probe a pesca no interior dos limites de Parques Estaduais. Decreto Estadual n 56.031/2010, que em seu Anexo 1, indica as espcies ameaadas de extino, que no podem ser pescadas. importante ressaltar que o art. 4 desse Decreto prev a possibilidade de suspender a aplicao da categoria de ameaa por conta de programas de repovoamento. A fim de facilitar a compreenso das restries de pesca sobre as espcies ameaadas, foram comparadas as listas de espcies ameaadas estabelecidas pelas normas federais e estaduais: Nmero de Espcies listadas no Anexo I do Decreto Estadual n 56.031/2010, com interesse para pesca e tambm consideradas ameaadas pela norma federal:
N de espcies com interesse para a pesca continental e constantes tambm como ameaadas de extino na Instruo Normativa MMA n 05/2004 2
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No includo
Anexo I
Bastante utilizada em programas de repovoamento: AES-Tiet, CESP, Duke-Energy e FURNAS Interesse para pesca amadora. Ocorre na bacia do rio Paraba do Sul Interesse para pesca comercial e amadora Interesse para pesca amadora e comercial Interesse para pesca comercial e amadora ( nativa da bacia do rio Ribeira de Iguape)
lacerdae
No includo
Anexo I
Em relao pesca continental, o GT sugere avaliar a possibilidade de: Ampliar a harmonizao das normas, por exemplo, no que tange ao uso de petrechos. Estabelecer uma poltica pblica para ampliar a infraestrutura existente (entrepostos de beneficiamento), de modo a facilitar o atendimento ao art. 3 da Instruo Normativa IBAMA n 26/2009 (que probe transporte de peixe sem cabea/em fil). Permitir a pesca de exticas, como a captura de tilpias pela pesca de batida, desde que no cause impacto sobre as espcies nativas. Propor a aplicao do art. 4 do Decreto Estadual n 56.031/2010, prevendo a no aplicao da categoria de ameaa sobre espcies que so amplamente utilizadas em repovoamentos, tendo j sido identificado a recuperao das populaes.
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4. Pesca marinha
H diferentes reas definidas nas zonas costeira e marinha, conforme a legislao pertinente analisada. A figura abaixo ilustra as principais: LIMITES DO MAR
LINHA BASE MAR TERRITORIAL 12 MILHAS (22.2 Km) ZONA ECONMICA EXCLUSIVA (ZEE) 200 MILHAS (370,4 Km) 1 MILHA NUTICA = 1,852m
PLATAFORMA CONTINENTAL
PLATAFORMA
DE LU TA
CROSTA CONTINENTAL
ELEVAO
CROSTA OCENICA
Imagem retirada do link: http://www.ambito-juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6069 O texto do qual a imagem foi retirada remete ao site da Comisso Interministerial para os Recursos do Mar (CIRM).
Foram analisadas normas referentes pesca marinha que tratam de recursos (espcies alvo da pesca); locais (reas com restrio pesca); defeso (perodo em que a pesca restringida para garantir a reproduo das espcies); petrechos (instrumentos utilizados para a pesca); frota e embarcaes. Dentre essas, o GT identificou vrias que estabelecem o tamanho mnimo permitido para captura de exemplares de diferentes espcies, admitindo um percentual de tolerncia. Tambm foram identificadas normas que indicam o percentual mximo de tolerncia para captura incidental de espcies em perodo de defeso. A maior dificuldade na aplicao dessas normas a inexistncia de previso de aplicar metodologia por amostragem nas aes de fiscalizao. Algumas normas federais foram destacadas pelo GT: Portaria IBAMA n 15/1996, que torna obrigatrio o mapa de bordo para embarcaes na Zona Econmica Exclusiva e no Mar Territorial. Portaria IBAMA n 95/1997, que limita a frota de arrasto de fundo sob qualquer modalidade (peixes demersais e fauna acompanhante). Instruo Normativa Interministerial SEAP/MMA/Comandante da Marinha
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n 02/2006, que institui o PREPS (Programa de Rastreamento de Embarcaes por Satlite). Instruo Interministerial MPA/MMA n 03/2011, que estabelece o ordenamento da frota de pesca de arrasto (camaro sete barbas). Ainda dentre as normas federais, o GT identificou os decretos que criaram unidades de conservao: o Decreto Federal n 92.964/1986, que institui a Estao Ecolgica dos Tupiniquins, abrangendo o entorno marinho de cada uma das ilhas e da laje (ilhas de Perube, Cambri, do Castilho, Queimada Pequena, ilhote e laje Noite Escura) num raio de um quilmetro a partir da rebentao; e o Decreto Federal n 94.656/1987, que cria a Estao Ecolgica dos Tupinambs, incluindo o entorno marinho de cada uma das ilhas e da laje (quatro ilhotas prximas a Alcatrazes, lajes do NE e do Forno, ilha das Palmas e ilhote, ilhota das Cabras) num raio de um quilmetro a partir da rebentao. Dentre as normas estaduais, o GT identificou as seguintes como sendo de grande importncia para o ordenamento da pesca marinha no Estado de So Paulo: Lei Estadual n 10.019/1998 institui o Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro e estabelece o Zoneamento Ecolgico Econmico (ZEE) como instrumento de gesto, com as tipologias de cada Zona, indicando que a delimitao das mesmas ser realizada por meio de decreto. Indica as atividades que esto proibidas na zona costeira (at a isbata 23,6m), dentre elas a pesca de arrasto com utilizao de parelhas. Decreto Estadual n 49.215/2004 institui o ZEE do Setor do Litoral Norte, indicando as atividades permitidas em cada Zona. Decretos de criao das reas de Proteo Ambiental Marinhas (APAs Marinhas) que tm por atribuio proteger, ordenar, garantir e disciplinar o uso racional dos recursos ambientais da regio, inclusive suas guas, bem como ordenar o turismo recreativo, as atividades de pesquisa e pesca e promover o desenvolvimento sustentvel da regio. Permite a pesca necessria garantia da qualidade de vida das comunidades tradicionais, bem como aquela de natureza amadora e esportiva. O Decreto Estadual n 53.525/2008 criou a APA Litoral Norte; o Decreto Estadual n 53.526/2008 criou a APA Litoral Centro e o Decreto Estadual n 53.527/2008, a APA Litoral Sul. Resoluo SMA n 69/2009 define os parmetros tcnicos que estabelecem a
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proibio da pesca de arrasto, com utilizao de sistema de parelha de barcos de grande porte, e a pesca com compressor de ar ou outro equipamento de sustentao artificial nas APAs Marinhas criadas pelos decretos acima mencionados. O quadro a seguir ilustra o disposto na Resoluo SMA n 69/2009:
APA Litoral Centro Proibida pesca de arrasto com sistema de parelhas, em profundidades < 23,6 m, qualquer Arqueaes Brutas Embarcaes devero integrar o PREPS (Programa de Rastreamento de Embarcaes por Satlite) APA Litoral Norte APA Litoral Sul
Proibida a atividade de pesca de arrasto com a utilizao de sistema de parelhas de embarcaes, independentemente das suas Arqueaes Brutas
importante citar ainda o Decreto Estadual n 53.528/2008, que cria o Mosaico das Ilhas e reas Marinhas Protegidas do Litoral Paulista. Entretanto, o Conselho do Mosaico, previsto no Decreto, de carter consultivo, devendo atuar na gesto integrada das reas que compe o mosaico, ainda no foi constitudo. Alm das APAs Marinhas, tambm importante citar o Parque Estadual XixovJapu, criado pelo Decreto Estadual n 37.536/1993, cujo Plano de Manejo prev a proibio de pesca no entorno (250m a partir da linha da costa) e no permite pesca industrial e arrasto de parelha na Zona de Amortecimento Setor 1. E o Parque Estadual da Laje de Santos, criado pelo Decreto Estadual n 37.537/1993, que probe, na rea do parque a captura ou coleta de quaisquer organismos marinhos ou terrestres, com finalidade outra que no a pesquisa cientfica.
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Decreto Federal n 6.514/2008, alterado pelo Decreto Federal n 6.686/2008, dispe sobre as infraes e sanes administrativas ao meio ambiente e estabelece o processo administrativo federal para apurao dessas infraes. A Portaria IBAMA n 44/1994 trata da destinao de aparelhos, petrechos, instrumentos, equipamentos e produtos de pescaria apreendidos pela fiscalizao. A Resoluo SMA n 05/2009 institui normas para apreenso do produto e do instrumento de Infrao Administrativa Ambiental ou do Crime Ambiental. A Resoluo SMA n 32/2010 regulamenta em nvel estadual as infraes e sanes administrativas ambientais e procedimentos administrativos para imposio de penalidades. Com relao a esse tpico, o GT prope avaliar a possibilidade de: Definir os casos pertinentes para devoluo de barco, motor, petrechos e produtos apreendidos. Rever critrio para advertncias, possibilitando enquadrar alguns casos com menor lesividade, por exemplo, quando no forem apreendidos produtos da pesca. Rever o enquadramento de casos de captura de espcies exticas. Rever a Resoluo SMA n 32/2010 incluindo metodologias por amostragem para anlise da quantidade do pescado, com a previso de porcentagem mxima de tolerncia para os indivduos capturados fora dos padres estipulados (avaliar situaes especficas), auxiliando na fiscalizao. Estabelecer cooperao com Ministrio da Pesca e Aquicultura para operar o PREPS. No computar no valor da multa a captura de espcies exticas.
IV Concluso e produtos
Baseado nas sugestes do Grupo de Trabalho, as quais incorporaram vrios subsdios recebidos do Setor, o Secretrio de Meio Ambiente do Estado de So Paulo decidiu implementar aes para aprimorar a legislao incidente no estado de So Paulo sobre a pesca, de modo a garantir a conservao da biodiversidade, estimulando a atividade pesqueira. Para isso, ainda sero publicadas as Resolues que: define a criao de um novo grupo interestadual, sob a coordenao do Institu-
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to de Pesca/SAA, para a elaborao de uma politica estadual para a pesca. define a criao de comisso para atualizao da lista de fauna ameaada de extino no estado de So Paulo, conforme determinado no artigo 6 do Decreto Estadual n 56.031/2010, considerando o Setor Pesqueiro. dispe sobre a no aplicao de categorias de ameaa no que concerne a espcies da fauna ictiolgica utilizada em programas especficos de reintroduo em reservatrios, conforme previsto no Decreto Estadual n 56031/2010. altera a Resoluo SMA n 32/10. O GT identificou a necessidade de rever essa Resoluo, que trata de fiscalizao e sanes, facilitando as mensuraes de quantidade e tamanho do pescado, minimizando a lesividade de algumas condutas, envidando maior esforo para a devoluo de embarcaes e petrechos quando possvel, atendendo o pleito do setor. O Secretrio emitir tambm outras Resolues que afetam o Setor Pesqueiro, que: dispe sobre o licenciamento ambiental da aquicultura. dispe sobre a restrio da atividade pesqueira do setor Itaguau da APA Marinha do Litoral Centro. A fim de buscar solucionar outras questes ressaltadas pelo GT, o secretrio solicitou o envio de ofcio ao Ministrio do Meio Ambiente sobre a aplicao de normas estaduais em rios federais e s Concessionrias dos Reservatrios de Energia sobre o estmulo para o repovoamento, principalmente das espcies ameaadas. As contribuies recebidas pelo Grupo de Trabalho do Setor Pesqueiro, depois das reunies presenciais em Santos e Barra Bonita, no final de fevereiro/2012, foram analisadas e muitas delas j foram contempladas pelas Resolues citadas. As propostas que exigem a alterao de normas federais sero encaminhadas ao Ministrio da Pesca e Aquicultura e ao Ministrio do Meio Ambiente. As propostas que se referem a alteraes nas normas estaduais vigentes sero encaminhadas aos rgos competentes e ao Grupo de Trabalho que ser criado por meio de Resoluo, j citada, a ser publicada.
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V Agradecimentos
Muitas pessoas contriburam com os trabalhos do GT e viabilizaram a realizao das reunies em Barra Bonita e Santos. Como seria impossvel nomear a todos, optamos por relacionar as organizaes que participaram das reunies e enviaram contribuies. Assessoria do Deputado Sebastio Santos Associao Brasileira de Lojas de Aquariofilia Associao Nacional de Ecologia e Pesca Esportiva Associao VIVAMAR Colnia de Pescadores Z-1 Colnia de Pescadores Z-3 Colnia de Pescadores Z-4 Colnia de Pescadores Z-5 Colnia de Pescadores Z-15 Colnia de Pescadores Z-20 Colnia de Pescadores Z-23 Colnia de Pescadores Z-25 Colnia de Pescadores Z-27 Comit da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura Cooperativa de Pesca de Barra Bonita Federao de Pescadores do Estado de So Paulo Fundao Florestal, por meio das APAs Marinhas IBAMA/SUPES-SP Ministrio da Pesca e Aquicultura - ERPA-Santos/SFPA-SP Prefeitura de Bertioga Prefeitura de Mongagu Sindicato das Indstrias de Pesca Sindicato dos Armadores de Pesca Sindicato dos Pescadores Assemelhados do Estado de So Paulo Sociedade dos Amigos do Perequ