RevTRT - 52 - PDF Completa e Lins No Sumário PDF
RevTRT - 52 - PDF Completa e Lins No Sumário PDF
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Av. Presidente Antonio Carlos, 251 - Centro
Rio de Janeiro (RJ)
CEP: 20020-010
PABX: (21) 2380-6150
Julho / Dezembro 2012
PJe
Processo Judicial Eletrnico
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1
A Revista do Tribunal
Regional do Trabalho
da 1 Regio, de
periodicidade semestral,
oferecida gratuitamente
aos interessados nas
questes jurdicas que
permeiam as relaes
trabalhistas. Seu objetivo
primordial divulgar o
pensamento jurdico
produzido no mbito do
TRT sediado no Rio de
Janeiro, fomentando
refexes acadmicas e
doutrinrias. , ainda,
fonte ofcial de publicao
de julgados, conforme
disposto no art. 226,
pargrafo nico,
do Regimento Interno
do TST.
Tribunal Regional
do Trabalho
da 1
a
Regio
Doutrina Jurisprudncia Legislao
Revista do
Poder Judicirio
Justa do Trabalho
Repositrio ofcial de julgados
(TST, RI, art. 226, pargrafo nico)
R. TRT/RJ 1
a
Regio Rio de Janeiro v. 23 n. 52 p. 1-328 jul./dez. 2012
DISTRIBUIO GRATUITA.
PROIBIDA A VENDA.
COMISSO DA REVISTA
Des. Marcos de Oliveira Cavalcante
Juiz Ivan da Costa Alemo Ferreira
Juiz Eduardo Henrique von Adamovich
ORGANIZAO, INDEXAO e EDITORAO
Anna Rachel Tavares Estevam
Brbara Rosmaninho Garcia Lopez
Hilda McComb Pessoa
Maria de Ftma Cardoso Fontes Ferreira
Tatana Rodrigues Parreira
Teresa Cristna Vinhas Cato
CAPA
Marcelo Mendanha de Mesquita
Fotos: as duas primeiras, da esquerda para direita, fazem parte do acervo do TRT/RJ, disponveis na BIblioteca Digital,
em Memria Iconogrfca; a terceira de autoria da servidora Raquel Albano de Almeida; a quarta, tratamento de
imagem (servidor Marcelo Mendanha de Mesquita).
CONTATO
Diviso de Pesquisa e Publicao
Avenida Augusto Severo, 84, 4 andar, sala 42 Rio de Janeiro (RJ), CEP 20021-040
Telefone: (21) 2380-7254 / (21) 2380-7255 / (21) 2380-7403
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Walprint Grfca e Editora Ltda.
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4.200 exemplares
Disponvel em formato eletrnico no site www.trt1.jus.br
As opinies expressas nos artgos doutrinrios publicados nesta Revista so de nica e exclusiva responsabilidade
de seus autores.
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio / Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio. n. 1,
(jan. 1970). Rio de Janeiro: TRT 1 Regio, 1970-
Semestral.
Mensal, n. 1-10; irregular, n. 11-32; quadrimestral, n. 33-38; semestral, n. 39-44; anual, n. 45-46.
Edies de n. 39 (jan./jun. 2005)-n. 46 (2009) tm o ttulo: Revista do TRT/EMATRA-1 Regio.
ISSN 2178-5651
1. Direito do trabalho. 2. Direito processual do trabalho. 3. Jurisprudncia
trabalhista. 4. Justa do Trabalho. I. Brasil. Tribunal Regional do Trabalho (1. Regio).
CDD 344.01
Ficha catalogrfca: Cristane Ferreira de Souza
APRESENTAO ................................................................................................................ 7
INSTITUCIONAL ................................................................................................................ 9
COMPOSIO DO TRIBUNAL ............................................................................................... 11
GALERIA DE FOTOS ............................................................................................................... 25
GRANDES TEMAS PRocESSo JuDiciAl ElETRNico ................................ 41
MEMRIA DA JUSTIA DO TRABALHO ............................................................................... 43
LEGISLAO PERTINENTE .................................................................................................... 49
TRANSCRIES DE VDEOS ExIBIDOS NO
II FRUM GESTO JUDICIRIA O PROCESSO JUDICIAL ELETRNICO ........................... 75
CERTIFICAO DIGITAL ........................................................................................................ 81
CONHEA O SIGNIFICADO DAS SIGLAS
MAIS IMPORTANTES DA CERTIFICAO DIGITAL .............................................................. 99
DOUTRINAS ......................................................................................................................... 103
Processo Judicial Eletrnico: um desafo necessrio ............................................................ 105
Cesar Marques Carvalho
Processo judicial eletrnico o novo e o antgo .................................................................. 117
Marcos Cavalcante
O Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho:
vantagens, desvantagens e algumas novidades ................................................................... 121
Gustavo Carvalho Chehab
A padronizao de procedimentos no processo do trabalho e sua aplicabilidade
no processo eletrnico o constante aperfeioamento da prestao jurisdicional ............ 133
Rmulo Soares Valentni
Sumrio
Processo eletrnico e ius postulandi o verso e o anverso da inovao tecnolgica .......... 139
Clarisse Ins de Oliveira
Patrcia Garcia dos Santos
Processo Judicial Eletrnico: tecnologia e novo trabalho judicirio ..................................... 149
Marcelo Pereira de Mello
Jos Antonio Callegari
Ergonomia aplicada ao Processo Judicial Eletrnico
no Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio .................................................................... 155
Henriete de Almeida Azevedo
Maria Aparecida dos Santos Fonseca
Waldemir Maciel Bretas
Gesto do lado humano da mudana para o sucesso
do PJe-JT - Melhores prtcas mundiais para conduzir mudanas ousadas e vencer ........... 165
Armando Kokitsu
O jus postulandi e a implantao do processo eletrnico
nas Varas do Trabalho do TRT/PB, capital ............................................................................. 181
Lucas Emmanuel Silveira Camlo
DECISES DO CNJ......................................................................................................... 193
DECISES DA 2 INSTNCIA .................................................................................... 227
Agravo de Peto: 0057800-50.2006.5.01.0057
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 231
Desembargadora do Trabalho Mirian Lippi Pacheco
Agravo de Instrumento: 0000720-68.2010.5.01.0064
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 235
Desembargadora do Trabalho Edith Maria Corra Tourinho
Recurso Ordinrio: 0000369-20.2011.5.01.0013
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Preparo/Desero ..................................... 239
Desembargadora do Trabalho Rosana Salim Villela Travesedo
Recurso Ordinrio: 0000032-30.2010.5.01.0057
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 241
Desembargador do Trabalho Antnio Carlos de Azevedo Rodrigues
Agravo de Instrumento: 0001664-75.2011.5.01.0342
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 243
Desembargador do Trabalho Flvio Ernesto Rodrigues Silva
Recurso Ordinrio: 0240000-56.2000.5.01.0341
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 247
Desembargador do Trabalho Ricardo Damio Areosa
Agravo Regimental em Mandado de Segurana: 0370600-09.2009.5.01.0000
Direito Processual Civil e do Trabalho. Partes e Procuradores.
Procurao/Mandato ........................................................................................................... 253
Desembargador do Trabalho Marcos de Oliveira Cavalcante
Agravo de Instrumento: 0001076-80.2012.5.01.0068
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 257
Desembargador do Trabalho Rildo Albuquerque Mousinho de Brito
Agravo de Instrumento: 0000659-90.2012.5.01.0048
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade ......................................... 259
Desembargador do Trabalho Mrio Srgio Medeiros Pinheiro
Recurso Ordinrio: 0000192-48.2010.5.01.0027
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 261
Desembargadora do Trabalho Mrcia Leite Nery
Recurso Ordinrio: 0001474-09.2011.5.01.0247
Direito Processual Civil e do Trabalho. Partes e Procuradores.
Representao em Juzo ....................................................................................................... 267
Desembargadora do Trabalho Sayonara Grillo Coutnho Leonardo da Silva
Agravo de Instrumento: 0000201-22.2011.5.01.0044
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 273
Juiz Convocado Bruno Losada Albuquerque Lopes
Recurso Ordinrio: 0143900-58.2008.5.01.0341
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Preparo/Desero ..................................... 277
Juiz Convocado Marcelo Antero de Carvalho
Agravo de Instrumento: 0001046-98.2012.5.01.0018
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 281
Juza Convocada Vlia Bomfm Cassar
Agravo de Instrumento: 0000760-30.2012.5.01.0048
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 285
Juiz Convocado Leonardo Dias Borges
Agravo de Instrumento: 0000630-05.2011.5.01.0071
Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006) ................................................................................................. 287
Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira
SMULAS ........................................................................................................................ 289
PRECEDENTES DO RGO ESPECIAL ................................................................... 297
EMENTRIO .................................................................................................................... 307
NDICES ............................................................................................................................. 317
NDICE DE ASSUNTOS ......................................................................................................... 319
NDICE ONOMSTICO ........................................................................................................ 321
NDICE REMISSIVO ............................................................................................................. 323
APRESENTAO
Uma revoluo na forma do processo
O Conselho Superior da Justa do Trabalho (CSJT), em
cumprimento aos artgos 8 e 18 da Lei 11.419, de 19 de dezembro
de 2006, fez publicar a Resoluo n 94, de 23 de maro de 2012,
que insttuiu e normatzou o Processo Judicial Eletrnico da Justa
do Trabalho (PJe-JT). Cumpre, assim, as metas 3 e 16 do Conselho
Nacional de Justa (CNJ). Segundo o prprio CSJT,
O Processo Judicial Eletrnico (PJe) um sistema de
informtca criado para dar fm tramitao de autos
em papel no Poder Judicirio. O desenvolvimento
da ferramenta tecnolgica coordenado pelo
Conselho Nacional de Justa, em parceria com
diversos tribunais brasileiros. As funcionalidades
especfcas da Justa do Trabalho (PJe-JT) esto sendo
desenvolvidas pelo Conselho Superior da Justa do
Trabalho, Tribunal Superior do Trabalho e Tribunais
Regionais do Trabalho
1
.
Tanto a Lei 11.419/06 (art. 1, 1) como a Resoluo
94/12 (art. 1) deixam claro que o processo judicial eletrnico
obrigatrio, aps a sua implantao, bem como o procedimento
nelas previsto, obviamente com a aplicao subsidiria da
legislao original (Consolidao das Leis Trabalhistas e legislao
extravagante).
A Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
Regio n 52 dedicada integralmente ao assunto. Para tal, so
apresentadas opinies de profssionais diversos, que militam
principalmente na Justa do Trabalho. Esta edio objetva auxiliar
juzes, servidores, advogados e todos os que se interessam pelo
tema a entenderem a relevante questo. Afnal, almeja contribuir
nesta difcil fase de transio entre os autos do processo judicial
em papel e os autos virtuais.
Desembargador do Trabalho Marcos de Oliveira Cavalcante
Presidente da Comisso da Revista do
Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio
1. BRASIL. Tribunal Superior do Trabalho. Disponvel em: <htp://www.tst.jus.br/
web/rio20/processo-judicial-eletronico-da-jt>. Acesso em: 8 jan. 2013.
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 9
INSTITUCIONAL
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 11
COMPOSIO DO TRIBUNAL
(vigente em 19 de dezembro de 2012)
PRESIDENTE
Desembargadora Maria de Lourdes DArrochella Lima Sallaberry
VICE-PRESIDENTE
Desembargador Carlos Alberto Araujo Drummond
CORREGEDOR
Desembargador Fernando Antonio Zorzenon da Silva
VICE-CORREGEDOR
Desembargadora Ana Maria Soares de Moraes
RGO ESPECIAL
Des. Luiz Augusto Pimenta de Mello
Des. Nelson Tomaz Braga
Des. Mirian Lippi Pacheco
Des. Maria de Lourdes DArrochella Lima Sallaberry (Presidente)
Des. Carlos Alberto Araujo Drummond
Des. Gloria Regina Ferreira Mello
Des. Maria das Graas Cabral Viegas Paranhos
Des. Tania da Silva Garcia
Des. Ana Maria Soares de Moraes
Des. Jos Nascimento Araujo Neto
Des. Rosana Salim Villela Travesedo
Des. Jos Antonio Teixeira da Silva
Des. Jorge Fernando Gonalves da Fonte
Des. Gustavo Tadeu Alkmim
Des. Evandro Pereira Valado Lopes
Des. Marcos de Oliveira Cavalcante
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
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a
Regio
SEO ESPECIALIZADA EM DISSDIOS COLETIVOS
Des. Maria de Lourdes DArrochella Lima Sallaberry (Presidente)
Des. Carlos Alberto Araujo Drummond
Des. Edith Maria Corra Tourinho
Des. Mery Bucker Caminha
Des. Cesar Marques Carvalho
Des. Jos Luiz da Gama Lima Valentno
Des. Flvio Ernesto Rodrigues Silva
Des. Ricardo Areosa
Des. Angela Fiorencio Soares da Cunha
Des. Clio Juaaba Cavalcante
Des. Mrio Srgio Medeiros Pinheiro
Des. Rogrio Lucas Martns
SEO ESPECIALIZADA EM DISSDIOS INDIVIDUAIS
Subseo Especializada em Dissdios Individuais I
Des. Jos da Fonseca Martns Junior
Des. Luiz Alfredo Mafra Lino
Des. Antnio Carlos de Azevedo Rodrigues
Des. Jos Geraldo da Fonseca
Des. Theocrito Borges dos Santos Filho (Presidente)
Des. Valmir de Araujo Carvalho
Des. Marcos Antonio Palacio
Des. Maria Aparecida Coutnho Magalhes
Des. Roque Lucarelli Datoli
Des. Marcelo Augusto Souto de Oliveira
Des. Mrcia Leite Nery
Des. Cludia de Souza Gomes Freire
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 13
Subseo Especializada em Dissdios Individuais II
Des. Theocrito Borges dos Santos Filho (Presidente)
Des. Alexandre Teixeira de Freitas Bastos Cunha
Des. Rildo Albuquerque Mousinho de Brito
Des. Roberto Norris
Des. Sayonara Grillo Coutnho Leonardo da Silva
Des. Jos Antonio Piton
Des. Bruno Losada Albuquerque Lopes
Des. Dalva Amlia de Oliveira
Des. Paulo Marcelo de Miranda Serrano
PRIMEIRA TURMA
Des. Jos Nascimento Araujo Neto (Presidente)
Des. Mery Bucker Caminha
Des. Gustavo Tadeu Alkmim
Des. Mrio Srgio Medeiros Pinheiro
SEGUNDA TURMA
Des. Jos Geraldo da Fonseca (Presidente)
Des. Valmir de Araujo Carvalho
Des. Maria Aparecida Coutnho Magalhes
Des. Mrcia Leite Nery
TERCEIRA TURMA
Des. Gloria Regina Ferreira Mello (Presidente)
Des. Jorge Fernando Gonalves da Fonte
Des. Marcos Antonio Palacio
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
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a
Regio
QUARTA TURMA
Des. Luiz Augusto Pimenta de Mello (Presidente)
Des. Luiz Alfredo Mafra Lino
Des. Cesar Marques Carvalho
Des. Angela Fiorencio Soares da Cunha
QUINTA TURMA
Des. Mirian Lippi Pacheco (Presidente)
Des. Tania da Silva Garcia
Des. Rogrio Lucas Martns
Des. Roberto Norris
Des. Bruno Losada Albuquerque Lopes
SEXTA TURMA
Des. NeIson Tomaz Braga (Presidente)
Des. Jos Antonio Teixeira da Silva
Des. Theocrito Borges dos Santos Filho
Des. Marcos de Oliveira Cavalcante
Des. Jos Antonio Piton
STIMA TURMA
Des. Maria das Graas Cabral Viegas Paranhos (Presidente)
Des. Evandro Pereira Valado Lopes
Des. Alexandre Teixeira de Freitas Bastos Cunha
Des. Sayonara Grillo Coutnho Leonardo da Silva
Des. Paulo Marcelo de Miranda Serrano
OITAVA TURMA
Des. Edith Maria Corra Tourinho (Presidente)
Des. Roque Lucarelli Datoli
Des. Marcelo Augusto Souto de Oliveira
Des. Rildo Albuquerque Mousinho de Brito
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 15
NONA TURMA
Des. Jos da Fonseca Martns Junior (Presidente)
Des. Jos Luiz da Gama Lima Valentno
Des. Antnio Carlos de Azevedo Rodrigues
Des. Cludia de Souza Gomes Freire
Des. Dalva Amlia de Oliveira
DCIMA TURMA
Des. Rosana Salim Villela Travesedo (Presidente)
Des. Flvio Ernesto Rodrigues Silva
Des. Ricardo Areosa
Des. Clio Juaaba Cavalcante
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
16 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
DESEMBARGADORES
1
Luiz Augusto Pimenta de Mello
Nelson Tomaz Braga
Mirian Lippi Pacheco
Maria de Lourdes DArrochella Lima Sallaberry
Carlos Alberto Araujo Drummond
Gloria Regina Ferreira Mello
Maria das Graas Cabral Viegas Paranhos
Jos da Fonseca Martns Junior
Tania da Silva Garcia
Ana Maria Soares de Moraes
Fernando Antonio Zorzenon da Silva
Jos Nascimento Araujo Neto
Edith Maria Corra Tourinho
Luiz Alfredo Mafra Lino
Rosana Salim Villela Travesedo
Jos Antonio Teixeira da Silva
Mery Bucker Caminha
Cesar Marques Carvalho
Jos Luiz da Gama Lima Valentno
Antnio Carlos de Azevedo Rodrigues
Jos Geraldo da Fonseca
Flvio Ernesto Rodrigues Silva
Jorge Fernando Gonalves da Fonte
Gustavo Tadeu Alkmim
Evandro Pereira Valado Lopes
Theocrito Borges dos Santos Filho
Valmir de Araujo Carvalho
Ricardo Areosa
Angela Fiorencio Soares da Cunha
Marcos Antonio Palacio
Alexandre Teixeira de Freitas Bastos Cunha
Marcos de Oliveira Cavalcante
Maria Aparecida Coutnho Magalhes
Clio Juaaba Cavalcante
Roque Lucarelli Datoli
Marcelo Augusto Souto de Oliveira
Rildo Albuquerque Mousinho de Brito
Mrio Srgio Medeiros Pinheiro
Rogrio Lucas Martns
1. Por ordem de antguidade.
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 17
Mrcia Leite Nery
Roberto Norris
Cludia de Souza Gomes Freire
Sayonara Grillo Coutnho Leonardo da Silva
Jos Antonio Piton
Bruno Losada Albuquerque Lopes
Dalva Amlia de Oliveira
Paulo Marcelo de Miranda Serrano
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
18 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
JUZES TITULARES
2
Nuria de Andrade Peris
Marcelo Antero de Carvalho
Ivan da Costa Alemo Ferreira
Leonardo da Silveira Pacheco
Angelo Galvo Zamorano
Giselle Bondim Lopes Ribeiro
Vlia Bomfm Cassar
Leonardo Dias Borges
Alvaro Luiz Carvalho Moreira
Glucia Zuccari Fernandes Braga
Francisco de Assis Macedo Barreto
Patrcia Pellegrini Baptsta da Silva
Cludia Regina Vianna Marques Barrozo
Monica Batsta Vieira Puglia
Maria Helena Mota
Eduardo Henrique R. von Adamovich
Jorge Orlando Sereno Ramos
Carlos Henrique Chernicharo
Daniela Collomb Michet
Raquel de Oliveira Maciel
Alba Valria Guedes Fernandes da Silva
Lucia Maria Mota de Oliveira Barros
Antonio Paes Araujo
Maurcio Caetano Loureno
Marise Costa Rodrigues
Jos Veillard Reis
Cludia Maria Samy Pereira da Silva
Srgio Rodrigues Heckler
Marta Vernica Borges Vieira
Alvaro Antonio Borges Faria
Benimar Ramos de Medeiros Marins
Evelyn Corra de Guam Guimares
Cludio Jos Montesso
Moises Luis Gerstel
Heloisa Juncken Rodrigues
Mrcia Regina Leal Campos
Rosane Ribeiro Catrib
Dalva Macedo
Jacqueline Lippi Rodrigues Moura
Jos Monteiro Lopes
2. Por ordem de antguidade.
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 19
Jos Mateus Alexandre Romano
Hugo Schiavo
Marcel da Costa Roman Bispo
Jos Horta de Souza Miranda
Roberto da Silva Fragale Filho
Jos Saba Filho
Mrcia Cristna Teixeira Cardoso
Claudia Maia Teixeira
Rosangela Kraus de Oliveira Moreli
Mauricio Paes Barreto Pizarro Drummond
Andr Gustavo Bitencourt Villela
Henrique da Conceio Freitas Santos
Marcelo Segal
Silvia Regina da Silva Barros da Cunha
Nelie Oliveira Perbeils
Luiz Nelcy Pires de Souza
Mnica Rocha de Castro
Denise Ferreira de Souza Barros Pacheco
Nathalia Thami Chalub Prezot
Kata Emilio Louzada
Mauren xavier Seeling
Paulo Guilherme Santos Priss
Maria Letcia Gonalves
Marcelo Jos Duarte Rafaele
Cissa de Almeida Biasoli
Gabriela Canellas Cavalcant
Anna Elizabeth Junqueira A. M. C. Jansen
Gisela vila Lutz
Oswaldo Henrique Pereira Mesquita
Alexandre Armando Couce de Menezes
Gisele Rosich Soares Velloso
rico Santos da Gama e Souza
Cludio Olimpio Lemos de Carvalho
Mcio Nascimento Borges
Paulo de Tarso Machado Brando
Americo Cesar Brasil Corra
Maria Thereza da Costa Prata
Cla Maria Carvalho do Couto
Miriam Valle Bitencourt da Silva
Hlio Ricardo Silva Monjardim da Fonseca
Luciana Gonalves de O. Pereira das Neves
Eliane Zahar
Raquel Rodrigues Braga
Ana Rita Lugon Ramacciot
Anlita Assed Pedroso
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
20 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
urea Regina de Souza Sampaio
Maria Alice de Andrade Novaes
Mirna Rosana Ray Macedo Corra
Claudio Aurelio Azevedo Freitas
Juliana Ribeiro Castello Branco
Sonia Maria Martnez Tomaz Braga
Otavio Amaral Calvet
Maria Bernadete Miranda Barbosa da Silva
Renata Jiquiri
Marcelo Antonio de O. Alves de Moura
Ana Celina Laks Weissblth
Flvia Alves Mendona Aranha
Renato Abreu Paiva
Simone Poubel Lima
Fernando Reis de Abreu
Ricardo Georges Afonso Miguel
Roseana Mendes Marques
Patricia da Silva Lima
Jos Augusto Cavalcante dos Santos
Patrcia Vianna de Medeiros Ribeiro
Eduardo Henrique Elgarten Rocha
Mauricio Madeu
Monica de Almeida Rodrigues
Derly Mauro Cavalcante da Silva
Claudia Regina Reina Pinheiro
Danielle Soares Abeijon
Claudia de Abreu Lima Pisco
Marcos Dias de Castro
Nelise Maria Behnken
Glener Pimenta Stroppa
Andre Corra Figueira
Fernanda Stpp
Ana Paula Moura Bonfante de Almeida
George Luis Leito Nunes
Fabio Rodrigues Gomes
Elsio Corra de Moraes Neto
Daniela Valle da Rocha Mller
Lila Carolina Mota Pessoa Igrejas Lopes
Carlos Eduardo Diniz Maudonet
Alessandra Jappone Rocha Magalhes
Edson Dias de Souza
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 21
JUZES SUBSTITUTOS
3
Anita Natal
Adriana Maria dos R. B. de M. C. Tarazona
Gilberto Garcia da Silva
Cristna Almeida de Oliveira
Rosemary Mazini
Airton da Silva Vargas
Rodrigo Dias Pereira
Marcelo Alexandrino da Costa Santos
Ana Cristna Magalhes Fontes
Teresa Aparecida Farinchon Carelli
Marco Antonio Belchior da Silveira
Flvio Alves Pereira
Francisco Antonio de Abreu Magalhes
Aline Maria de Azevedo Leporaci
Adriana Malheiro Rocha de Lima
Eplogo Pinto de Medeiros Baptsta
Monique da Silva C. Kozlowski de Paula
Kria Simes Garcia
Marcelo Ribeiro Silva
Wanessa Donyella Mateucci de Paiva
Valeska Facure Neves de Salles Soares
Letcia Costa Abdalla
Luciana dos Anjos Reis Ribeiro
Regina Celia Silva Areal
Claudia Marcia de Carvalho Soares
Ronaldo da Silva Callado
Bruno de Paula Vieira Manzini
Evandro Lorega Guimares
Robert de Assuno Aguiar
Antnio Carlos Amigo da Cunha
Rita de Cssia Ligiero Armond
Celio Baptsta Bitencourt
Andr Luiz Amorim Franco
Valria Couriel Gomes Valladares
Andre Luiz da Costa Carvalho
Mnica de Amorim Torres Brando
Roberto Alonso Barros Rodrigues Gago
Cludia Siqueira da Silva Lopes
Raquel Pereira de Farias Moreira
Paulo Rogrio dos Santos
Gustavo Farah Corra
Roberta Ferme Sivolella
3. Por ordem de antguidade.
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
22 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Astrid Silva Brito
Aline Tinoco Boechat
Robson Gomes Ramos
Adriana Maia de Lima
Adriana Freitas de Aguiar
Stella Fiuza Canado
Fernando Resende Guimares
Ana Beatriz de Melo Santos
Renata Orvita Leconte de Souza
Elisabeth Manhes Nascimento Borges
Juliana Pinheiro de Toledo Piza
Neila Costa de Mendona
Marco Antonio Matos de Lemos
Filipe Ribeiro Alves Passos
Debora Blaichman Bassan
Paula Cristna Neto G. Guerra Gama
Roberta Lima Carvalho
Leonardo Saggese Fonseca
Leandro Nascimento Soares
Glaucia Alves Gomes
Helen Marques Peixoto
Rossana Tinoco Novaes
Maria Gabriela Nut
Roberta Torres da Rocha Guimares
Denise Mendona Vieites
Josneide Jeanne Carvalho Nascimento
Raquel Fernandes Martns
Andr Braga Barreto
Glaucio Guagliariello
Diane Rocha Trocoli Ahlert
Marly Costa da Silveira
Anelise Haase de Miranda
Marcela de Miranda Jordo
Michael Pinheiro McCloghrie
Luciana Muniz Vanoni
Elisangela Figueiredo da Silva
Maria Candida Rosmaninho Soares
Raphael Viga Castro
Janice Bastos
Admar Lino da Silva
Eduardo Almeida Jeronimo
Sergio Silveira Mouro
Filipe Bernardo da Silva
Patricia Lampert Gomes
Delano de Barros Guaicurus
| Insttucional |
| Composio do Tribunal |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 23
Elisa Torres Sanvicente
William Martns
Fabiano de Lima Caetano
Ana Paula Almeida Ferreira
Adriana Leandro de Sousa Freitas
Lus Guilherme Bueno Bonin
Camila Leal Lima
Paulo Cesar Moreira Santos Junior
Francisco Montenegro Neto
Carlos Eduardo Almeida Martns de Andrade
Bruno Andrade de Macedo
Elen Cristna Barbosa Senem
Mariella de Oliveira Garziera
Gustavo Pusch
Fabricia Aurelia Lima Rezende Guterrez
Letcia Cavalcant Silva
Taciela Cordeiro Cylleno
Renato Alves Vasco Pereira
Eletcia Marinho Mendes Gomes da Silva
Carlos Medeiros da Fonseca
Letcia Bevilacqua Zahar
Renata Andrino An de SantAnna Reis
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 25
GALERIA DE FOTOS
O desembargador Roberto Norris recebe a primeira ao impetrada no 2 grau do
TRT/RJ via PJe-JT. O mandado de segurana protocolado no dia 3/7/2012, na Seo
Especializada em Dissdios Individuais (Sedi), solicitou o desbloqueio de penhora
on-line determinada pelo Juzo da 68 VT/RJ.
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26 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
Em 9/7/2012, falece o ministro e jurista renomado Arnaldo Lopes Sssekind, data
em que tambm completou 95 anos. nico remanescente da comisso nomeada por
Getlio Vargas para elaborar a Consolidao das Leis do Trabalho (CLT) em 1942, quando
tnha apenas 24 anos, foi procurador-geral da Justa do Trabalho (1961), ministro do
Trabalho e Previdncia Social, no governo Castello Branco (1964-1965), e ministro do
Tribunal Superior do Trabalho (1965-1971). O Edifcio-sede do TRT/RJ recebeu o seu
nome h alguns anos, confrmado em solenidade no dia 18/8/2008.
Na despedida, o presidente do TST e do CSJT, ministro Joo Oreste Dalazen, e a
presidente do TRT/RJ, desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry (da esquerda para
a direita), aplaudem o ministro Arnaldo Sssekind, ao lado do neto Bernardo Sssekind
e da esposa, Olga Sssekind.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 27
A Vara do Trabalho de Trs Rios realiza, em 10/7/2012, a primeira audincia do primeiro
processo eletrnico do TRT/RJ. A juza ttular Nathalia Thami Chalub Prezot celebra o
acordo entre as partes, representadas pelos advogados Gerson Guilhermino e Srgio de
Souza (da esquerda para a direita).
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28 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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A Escola Judicial do TRT/RJ, em parceria com o Grupo de Trabalho Interinsttucional
(Getrin), promove seminrio sobre Preveno de Acidentes do Trabalho em 27/7/2012,
Dia Nacional de Preveno de Acidentes do Trabalho. As conferncias Trabalho
Decente e Empregos Verdes e Preveno como Investmento na Reduo de Acidentes
do Trabalho foram ministradas, respectvamente, pelos professores Ren Mendes
( esquerda), mdico especialista em Medicina do Trabalho, e Jaques Sherique,
engenheiro e vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio
de Janeiro (Crea-RJ), no Edifcio-sede.
No encerramento, a presidente do TRT/RJ, desembargadora Maria de Lourdes
Sallaberry, apresenta viso otmista do futuro em virtude de vrias aes voltadas para
um ambiente de trabalho mais seguro e saudvel, ao lado da gestora do Getrin, Maria
Christna Menezes (da esquerda para a direita).
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 29
O Comit Gestor Regional do Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho
(CGRPJe-JT) na 1 Regio rene-se pela primeira vez no dia 2/8/2012. Formado por
magistrados e servidores do TRT/RJ, procuradores do Trabalho e advogados, ele
responsvel por gerenciar as aes relacionadas ao PJe-JT no mbito do Rio de Janeiro,
dirimir dvidas dos operadores do sistema e mostrar sociedade a importncia da
partcipao de todos para acabar com o processo em meio fsico. Estveram presentes
reunio os desembargadores Cesar Marques Carvalho, Gustavo Tadeu Alkmim e
Alexandre Teixeira de Freitas; os juzes Marcelo Jos Duarte Rafaele e Flvio Alves
Pereira; a procuradora do Trabalho Ericka Rodrigues Duarte; a advogada Ana Amlia
Menna Barreto Ferreira; os servidores Luciano Pereira, Joo Machado Fonseca Neto,
Sandro Soares da Cruz e Leonardo Fontes Bollentni.
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30 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
Desembargadores e juzes do TRT/RJ orientam moradores do Complexo do Alemo
sobre direitos trabalhistas, no dia 3/8/2012. A atvidade marca o lanamento da
campanha Juiz do Trabalho: sempre ao seu lado, de iniciatva da Associao Nacional
dos Magistrados da Justa do Trabalho (Anamatra) e apoio do TRT/RJ e da Associao
dos Magistrados a Justa do Trabalho da 1 Regio (Amatra1). O atendimento, que
comeou em 1/2/2012, prestado pelo Tribunal na sede da Fora de Pacifcao do
Complexo do Alemo e visa aproximao dos juzes com a sociedade.
Da direita para a esquerda: desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry, presidente
do TRT/RJ; juiz Renato Henry SantAnna, presidente da Anamatra; desembargadora
Ana Maria Soares de Moraes, vice-corregedora do TRT/RJ; juza Cla Maria Carvalho de
Couto, diretora de comunicao da Anamatra.
O desembargador Gustavo Tadeu Alkmim e a juza Mrcia Cristna Teixeira Cardoso
prestam atendimento aos moradores do Complexo do Alemo.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 31
O Passadio Cultural inaugurado em 18/9/2012. O corredor que interliga os fruns
trabalhistas da Rua do Lavradio e da Avenida Gomes Freire foi construdo por meio
de parceria entre o TRT/RJ, a Prefeitura do Rio, o Insttuto Justa & Cidadania e a
Petrobras. O espao oferece economia de tempo no deslocamento entre os prdios (o
percurso a p passou de 800 para 150 metros) e fca aberto para a circulao do pblico
das 7h30 s 17h30.
A desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry, presidente do TRT/RJ, revela em seu
discurso que o Passadio Cultural a realizao de um antgo sonho, acalentado desde
2004. Da esquerda para a direita: Jos Alcides Santoro Martns, diretor de Gs e Energia
da Petrobras; Gustavo Schmidt, secretrio-chefe do Gabinete do prefeito Eduardo Paes;
juiz Mauricio Pizarro Drummond, diretor do Foro da Capital; Tiago Salles, presidente do
Insttuto Justa & Cidadania.
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32 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
O II Frum Gesto Judiciria, realizado de 24 a 26/10/2012 no auditrio do 4 andar
do Edifcio-sede do TRT/RJ, apresenta como tema o Processo Judicial Eletrnico da
Justa do Trabalho. Por meio de vrias palestras, discutu-se o impacto da utlizao
do PJe-JT como ferramenta de trabalho e o desenvolvimento das novas competncias
profssionais necessrias para o bom funcionamento do sistema. O evento foi
promovido pela Escola Judicial e pela Presidncia do TRT/RJ, com o apoio da Amatra1,
para desembargadores e juzes.
Ao centro, a presidente do TRT/RJ, desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry,
ladeada pelo procurador-chefe substtuto da PRT1, Artur de Azambuja Rodrigues,
pelos desembargadores Alexandre Teixeira de Freitas e Cesar Marques Carvalho e pela
presidente da Amatra1, juza urea Regina de Souza Sampaio.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 33
O Conselho Nacional de Justa (CNJ) promove evento para a divulgao do Justa
em Nmeros referente a 2011, nos dias 29 e 30/10/2012. Segundo o relatrio,
apresentado pelo ministro Ayres Brito, presidente do CNJ (ao centro), h trs grandes
fatores positvos em relao ao TRT/RJ: total de processos baixados 11% superior
ao total de casos novos o melhor ndice da Justa do Trabalho ; menor taxa de
congestonamento dos ltmos trs anos (de 43%, consideradas as duas instncias e
as fases de conhecimento e de execuo); curva decrescente, desde 2009, quanto ao
estoque de processos.
O TRT/RJ tambm foi considerado o mais efciente quando analisadas as correlaes
entre despesa com pessoal atvo/quantdade de sentenas prolatadas por magistrado;
despesa por servidor/quantdade de sentenas prolatadas por magistrado; despesa
com contratos de Tecnologia da Informao/quantdade de sentenas prolatadas
por magistrado; nmero de magistrados e nmero de servidores/quantdade
de sentenas prolatadas por magistrado. O Tribunal tambm obteve o melhor
desempenho na relao casos novos/sentenas por magistrado.
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34 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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O TRT/RJ inaugura o novo arquivo de So Cristvo, em 19/11/2012, localizado na
Rua Figueira de Melo, 406. O espao de 4.200 metros quadrados destna-se a receber
aproximadamente 440 mil processos arquivados, oriundos das unidades de fora da
Capital e do 2 grau.
A desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry (centro), presidente do TRT/RJ,
parabeniza os servidores que contriburam para a conquista. Da esquerda para a
direita: Fbio Petersen, diretor da Secretaria de Gesto do Conhecimento (SGC); juza
urea Regina de Souza Sampaio, presidente da Amatra1; Jos Mrcio da Silva Almeida,
diretor-geral; juiz Jorge Ramos, diretor do Frum de Niteri.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 35
O TRT/RJ promove solenidade para a entrega da medalha da Ordem do Mrito Judicirio
no dia 30/11/2012. Insttuda em 2004, a insgnia tem por fnalidade agraciar cidados
que se destacaram por suas atvidades em prol da Justa do Trabalho ou que prestaram
relevantes servios cultura jurdica e Justa do Trabalho, em especial ao TRT/RJ.
O ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Brito, primeiro homenageado,
recebe a medalha das mos da presidente do TRT/RJ, desembargadora Maria de
Lourdes Sallaberry. Tambm foram condecorados os deputados federais Alessandro
Molon, Solange de Almeida e Walney da Rocha Carvalho; os ministros do TST Renato de
Lacerda Paiva e Kta Magalhes Arruda; os prefeitos dos municpios de Queimados e
Nilpolis, Max Lemos e Srgio Sessim, respectvamente; o arcebispo do Rio de Janeiro,
Dom Orani Joo Tempesta; o neurocirurgio e professor Paulo Niemeyer Filho; alm de
servidores do TRT/RJ e advogados.
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36 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
Em 6/12/2012, o TRT/RJ elege a sua nova Administrao para o binio 2013-2015.
Ao centro, a presidente no binio 2011-2013, desembargadora Maria de Lourdes
Sallaberry, com o novo presidente, desembargador Carlos Alberto Araujo Drummond,
e as desembargadoras Maria das Graas Cabral Viegas Paranhos, vice-presidente, Ana
Maria Soares de Moraes, corregedora, e Gloria Regina Ferreira Mello, vice-corregedora.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 37
O TRT/RJ inaugura a 2 Vara do Trabalho de Itagua em 10/12/2012, a sua primeira
unidade jurisdicional que j surge com o PJe-JT.
Da esquerda para direita: juza do trabalho Lila Carolina Mota Pessoa Igrejas Lopes,
que assume a ttularidade da nova VT; o vice-presidente da Amatra1, Paulo Guilherme
Santos Priss; o vice-presidente do TRT/RJ, desembargador Carlos Alberto Araujo
Drummond; a presidente do TRT/RJ, desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry; os
juzes do trabalho Marcos Dias de Castro e Mrcia Regina Leal Campos; Jos Ananias
Silva de Oliveira, presidente da Subseo da OAB de Itagua.
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38 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
O primeiro audiolivro jurdico produzido pelo TRT/RJ entregue ao Insttuto Benjamim
Constant (IBC) no dia 17/12/2012, onde est disponvel a pessoas com defcincia visual
de todo o Brasil. A realizao do projeto foi possvel graas dedicao de servidores
voluntrios, que gravaram, revisaram e editaram o audiolivro Trabalho Decente, de Jos
Cludio Monteiro Brito Filho. So eles: Suzana Maria Fernandes (instrutora), Claudio
Saraiva de Souza (instrutor), Jane Acosta (ledora), Flria Milato Pinheiro, Liane Iracy
de Brito, Licena Carvalho de Castro, Marcia Andrea Loureiro da Silva, Marta da Costa
Braga, Marta Neves, Nerine Gonalves, Rosane Alves Monteiro, Vitor Antoneone Paiva,
Javier Rapp (arte grfca) e Marcelo Mesquita (arte grfca).
Da esquerda para a direita: Maria da Glria de Souza Almeida, professora do IBC e
chefe de gabinete; Maria Odete Santos Duarte, diretora-geral do IBC; desembargadora
Maria das Graas Cabral Viegas Paranhos, presidente da Comisso Permanente de
Responsabilidade Socioambiental (CPRSA) do TRT/RJ; desembargadora Maria de
Lourdes Sallaberry, presidente do TRT/RJ.
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Regio 39
Os desembargadores Fernando Antonio Zorzenon da Silva, Carlos Alberto Araujo
Drummond e Cesar Marques Carvalho inauguram a Seo de Apoio ao Usurio do PJe-
JT. A unidade dispe de funcionrios capacitados e apoio da equipe de Tecnologia da
Informao do Tribunal para auxiliar advogados e partes nesse primeiro momento.
Em 19/12/2012, o TRT/RJ inaugura a 3 Vara do Trabalho de So Joo de Merit, no
Frum Desembargador Pizarro Drummond, a segunda VT que j nasce com o PJe-JT.
Como seu ttular, toma posse o juiz Moiss Luiz Gerstel. O novo sistema foi tambm
instalado nas outras duas VTs da Comarca, perfazendo um total de 19 unidades
judicirias do TRT/RJ aptas a utliz-lo.
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40 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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GRANDES TEMAS
Processo Judicial
Eletrnico
O desembargador Alberto Fortes Gil se aposenta em 21/9/2012. Ele iniciou sua carreira
no TRT/RJ como juiz substtuto, em 21/3/1979, na ento 26 Junta de Conciliao e
Julgamento, tendo atuado em outras diversas unidades. Em junho de 1998, tornou-se
desembargador e comps, tambm, a 1, 5 e 9 Turmas. Foi presidente da 8 Turma e
integrou a Seo Especializada em Dissdios Individuais (Sedi), a Seo Especializada em
Dissdios Coletvos (Sedic) e o rgo Especial.
Falece em 27/10/2012 a desembargadora Elma Pereira de Melo Carvalho, aos 69 anos,
dos quais 43 dedicados ao TRT/RJ. Em 1969, ela ingressou no Tribunal como servidora e,
de 1970 a 1975, fcou lotada na 1 Junta de Conciliao e Julgamento de Nova Friburgo
como tcnico judicirio. Em 1979, tomou posse como juza do trabalho substtuta e, em
1984, foi promovida a juza ttular na 1 JCJ de Campos dos Goytacases. Atuou, ainda, na
1, 2 e 3 JCJs de So Gonalo e na JCJ de Cordeiro. A sua promoo desembargadora
do TRT/RJ ocorreu em 1999.
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GRANDES TEMAS
Processo Judicial
Eletrnico
| Grandes Temas - Processo Judicial Eletrnico |
| Memria da Justa do Trabalho |
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Regio 43
MEMRIA DA JUSTIA DO TRABALHO
| Grandes Temas - Processo Judicial Eletrnico |
| Memria da Justa do Trabalho |
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Regio
| Grandes Temas - Processo Judicial Eletrnico |
| Memria da Justa do Trabalho |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 45
| Grandes Temas - Processo Judicial Eletrnico |
| Memria da Justa do Trabalho |
46 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
| Grandes Temas - Processo Judicial Eletrnico |
| Memria da Justa do Trabalho |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 47
| Grandes Temas - Processo Judicial Eletrnico |
| Legislao Pertnente |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 49
LEGISLAO PERTINENTE
Lei n 11.419, de 19 de dezembro de 2006
1
Dispe sobre a informatzao do processo judicial; altera a Lei n
5.869, de 11 de janeiro de 1973 Cdigo de Processo Civil; e d
outras providncias.
O PRESIDENTE DA REPBLICA Fao saber que o Congresso Nacional decreta e eu
sanciono a seguinte Lei:
CAPTULO I
DA INFORMATIZAO DO PROCESSO JUDICIAL
Art. 1 O uso de meio eletrnico na tramitao de processos judiciais, comunicao de
atos e transmisso de peas processuais ser admitdo nos termos desta Lei.
1 Aplica-se o disposto nesta Lei, indistntamente, aos processos civil, penal e
trabalhista, bem como aos juizados especiais, em qualquer grau de jurisdio.
2 Para o disposto nesta Lei, considera-se:
I - meio eletrnico qualquer forma de armazenamento ou trfego de documentos e
arquivos digitais;
II - transmisso eletrnica toda forma de comunicao a distncia com a utlizao de
redes de comunicao, preferencialmente a rede mundial de computadores;
III - assinatura eletrnica as seguintes formas de identfcao inequvoca do signatrio:
a) assinatura digital baseada em certfcado digital emitdo por Autoridade Certfcadora
credenciada, na forma de lei especfca;
b) mediante cadastro de usurio no Poder Judicirio, conforme disciplinado pelos rgos
respectvos.
Art. 2 O envio de petes, de recursos e a prtca de atos processuais em geral por meio
eletrnico sero admitdos mediante uso de assinatura eletrnica, na forma do art. 1 desta Lei,
sendo obrigatrio o credenciamento prvio no Poder Judicirio, conforme disciplinado pelos
rgos respectvos.
1 O credenciamento no Poder Judicirio ser realizado mediante procedimento no
qual esteja assegurada a adequada identfcao presencial do interessado.
2 Ao credenciado ser atribudo registro e meio de acesso ao sistema, de modo a
preservar o sigilo, a identfcao e a autentcidade de suas comunicaes.
1. Fonte: htp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11419.htm
| Grandes Temas - Processo Judicial Eletrnico |
| Legislao Pertnente |
50 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
3 Os rgos do Poder Judicirio podero criar um cadastro nico para o
credenciamento previsto neste artgo.
Art. 3 Consideram-se realizados os atos processuais por meio eletrnico no dia e hora
do seu envio ao sistema do Poder Judicirio, do que dever ser fornecido protocolo eletrnico.
Pargrafo nico. Quando a peto eletrnica for enviada para atender prazo processual,
sero consideradas tempestvas as transmitdas at as 24 (vinte e quatro) horas do seu ltmo dia.
CAPTULO II
DA coMuNicAo ElETRNicA DoS AToS PRocESSuAiS
Art. 4 Os tribunais podero criar Dirio da Justa eletrnico, disponibilizado em sto da
rede mundial de computadores, para publicao de atos judiciais e administratvos prprios e
dos rgos a eles subordinados, bem como comunicaes em geral.
1 O sto e o contedo das publicaes de que trata este artgo devero ser assinados
digitalmente com base em certfcado emitdo por Autoridade Certfcadora credenciada na
forma da lei especfca.
2 A publicao eletrnica na forma deste artgo substtui qualquer outro meio e
publicao ofcial, para quaisquer efeitos legais, exceo dos casos que, por lei, exigem
intmao ou vista pessoal.
3 Considera-se como data da publicao o primeiro dia tl seguinte ao da
disponibilizao da informao no Dirio da Justa eletrnico.
4 Os prazos processuais tero incio no primeiro dia tl que seguir ao considerado
como data da publicao.
5 A criao do Dirio da Justa eletrnico dever ser acompanhada de ampla
divulgao, e o ato administratvo correspondente ser publicado durante 30 (trinta) dias no
dirio ofcial em uso.
Art. 5 As intmaes sero feitas por meio eletrnico em portal prprio aos que
se cadastrarem na forma do art. 2 desta Lei, dispensando-se a publicao no rgo ofcial,
inclusive eletrnico.
1 Considerar-se- realizada a intmao no dia em que o intmando efetvar a consulta
eletrnica ao teor da intmao, certfcando-se nos autos a sua realizao.
2 Na hiptese do 1 deste artgo, nos casos em que a consulta se d em dia no tl,
a intmao ser considerada como realizada no primeiro dia tl seguinte.
3 A consulta referida nos 1 e 2 deste artgo dever ser feita em at 10 (dez)
dias corridos contados da data do envio da intmao, sob pena de considerar-se a intmao
automatcamente realizada na data do trmino desse prazo.
4 Em carter informatvo, poder ser efetvada remessa de correspondncia
eletrnica, comunicando o envio da intmao e a abertura automtca do prazo processual nos
termos do 3 deste artgo, aos que manifestarem interesse por esse servio.
5 Nos casos urgentes em que a intmao feita na forma deste artgo possa causar
prejuzo a quaisquer das partes ou nos casos em que for evidenciada qualquer tentatva de burla
| Grandes Temas - Processo Judicial Eletrnico |
| Legislao Pertnente |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 51
ao sistema, o ato processual dever ser realizado por outro meio que atnja a sua fnalidade,
conforme determinado pelo juiz.
6 As intmaes feitas na forma deste artgo, inclusive da Fazenda Pblica, sero
consideradas pessoais para todos os efeitos legais.
Art. 6 Observadas as formas e as cautelas do art. 5 desta Lei, as citaes, inclusive
da Fazenda Pblica, excetuadas as dos Direitos Processuais Criminal e Infracional, podero ser
feitas por meio eletrnico, desde que a ntegra dos autos seja acessvel ao citando.
Art. 7 As cartas precatrias, rogatrias, de ordem e, de um modo geral, todas as
comunicaes ofciais que transitem entre rgos do Poder Judicirio, bem como entre os deste
e os dos demais Poderes, sero feitas preferentemente por meio eletrnico.
CAPTULO III
Do PRocESSo ElETRNico
Art. 8 Os rgos do Poder Judicirio podero desenvolver sistemas eletrnicos de
processamento de aes judiciais por meio de autos total ou parcialmente digitais, utlizando,
preferencialmente, a rede mundial de computadores e acesso por meio de redes internas e
externas.
Pargrafo nico. Todos os atos processuais do processo eletrnico sero assinados
eletronicamente na forma estabelecida nesta Lei.
Art. 9 No processo eletrnico, todas as citaes, intmaes e notfcaes, inclusive da
Fazenda Pblica, sero feitas por meio eletrnico, na forma desta Lei.
1 As citaes, intmaes, notfcaes e remessas que viabilizem o acesso ntegra
do processo correspondente sero consideradas vista pessoal do interessado para todos os
efeitos legais.
2 Quando, por motvo tcnico, for invivel o uso do meio eletrnico para a realizao
de citao, intmao ou notfcao, esses atos processuais podero ser pratcados segundo
as regras ordinrias, digitalizando-se o documento fsico, que dever ser posteriormente
destrudo.
Art. 10. A distribuio da peto inicial e a juntada da contestao, dos recursos e das
petes em geral, todos em formato digital, nos autos de processo eletrnico, podem ser
feitas diretamente pelos advogados pblicos e privados, sem necessidade da interveno do
cartrio ou secretaria judicial, situao em que a autuao dever se dar de forma automtca,
fornecendo-se recibo eletrnico de protocolo.
1 Quando o ato processual tver que ser pratcado em determinado prazo, por meio
de peto eletrnica, sero considerados tempestvos os efetvados at as 24 (vinte e quatro)
horas do ltmo dia.
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a
Regio
2 No caso do 1 deste artgo, se o Sistema do Poder Judicirio se tornar indisponvel
por motvo tcnico, o prazo fca automatcamente prorrogado para o primeiro dia tl seguinte
resoluo do problema.
3 Os rgos do Poder Judicirio devero manter equipamentos de digitalizao e de
acesso rede mundial de computadores disposio dos interessados para distribuio de
peas processuais.
Art. 11. Os documentos produzidos eletronicamente e juntados aos processos
eletrnicos com garanta da origem e de seu signatrio, na forma estabelecida nesta Lei, sero
considerados originais para todos os efeitos legais.
1 Os extratos digitais e os documentos digitalizados e juntados aos autos pelos rgos
da Justa e seus auxiliares, pelo Ministrio Pblico e seus auxiliares, pelas procuradorias, pelas
autoridades policiais, pelas repartes pblicas em geral e por advogados pblicos e privados
tm a mesma fora probante dos originais, ressalvada a alegao motvada e fundamentada de
adulterao antes ou durante o processo de digitalizao.
2 A argio de falsidade do documento original ser processada eletronicamente na
forma da lei processual em vigor.
3 Os originais dos documentos digitalizados, mencionados no 2 deste artgo,
devero ser preservados pelo seu detentor at o trnsito em julgado da sentena ou, quando
admitda, at o fnal do prazo para interposio de ao rescisria.
4 (VETADO)
5 Os documentos cuja digitalizao seja tecnicamente invivel devido ao grande
volume ou por motvo de ilegibilidade devero ser apresentados ao cartrio ou secretaria no
prazo de 10 (dez) dias contados do envio de peto eletrnica comunicando o fato, os quais
sero devolvidos parte aps o trnsito em julgado.
6 Os documentos digitalizados juntados em processo eletrnico somente estaro
disponveis para acesso por meio da rede externa para suas respectvas partes processuais e
para o Ministrio Pblico, respeitado o disposto em lei para as situaes de sigilo e de segredo
de justa.
Art. 12. A conservao dos autos do processo poder ser efetuada total ou parcialmente
por meio eletrnico.
1 Os autos dos processos eletrnicos devero ser protegidos por meio de sistemas
de segurana de acesso e armazenados em meio que garanta a preservao e integridade dos
dados, sendo dispensada a formao de autos suplementares.
2 Os autos de processos eletrnicos que tverem de ser remetdos a outro juzo ou
instncia superior que no disponham de sistema compatvel devero ser impressos em papel,
autuados na forma dos arts. 166 a 168 da Lei n 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Cdigo de
Processo Civil, ainda que de natureza criminal ou trabalhista, ou pertnentes a juizado especial.
3 No caso do 2 deste artgo, o escrivo ou o chefe de secretaria certfcar os
autores ou a origem dos documentos produzidos nos autos, acrescentando, ressalvada a
hiptese de existr segredo de justa, a forma pela qual o banco de dados poder ser acessado
para aferir a autentcidade das peas e das respectvas assinaturas digitais.
4 Feita a autuao na forma estabelecida no 2 deste artgo, o processo seguir a
tramitao legalmente estabelecida para os processos fsicos.
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Regio 53
5 A digitalizao de autos em mdia no digital, em tramitao ou j arquivados, ser
precedida de publicao de editais de intmaes ou da intmao pessoal das partes e de seus
procuradores, para que, no prazo preclusivo de 30 (trinta) dias, se manifestem sobre o desejo
de manterem pessoalmente a guarda de algum dos documentos originais.
Art. 13. O magistrado poder determinar que sejam realizados por meio eletrnico a
exibio e o envio de dados e de documentos necessrios instruo do processo.
1 Consideram-se cadastros pblicos, para os efeitos deste artgo, dentre outros
existentes ou que venham a ser criados, ainda que mantdos por concessionrias de servio
pblico ou empresas privadas, os que contenham informaes indispensveis ao exerccio da
funo judicante.
2 O acesso de que trata este artgo dar-se- por qualquer meio tecnolgico disponvel,
preferentemente o de menor custo, considerada sua efcincia.
3 (VETADO)
CAPTULO IV
DISPOSIES GERAIS E FINAIS
Art. 14. Os sistemas a serem desenvolvidos pelos rgos do Poder Judicirio devero
usar, preferencialmente, programas com cdigo aberto, acessveis ininterruptamente por meio
da rede mundial de computadores, priorizando-se a sua padronizao.
Pargrafo nico. Os sistemas devem buscar identfcar os casos de ocorrncia de
preveno, litspendncia e coisa julgada.
Art. 15. Salvo impossibilidade que comprometa o acesso justa, a parte dever
informar, ao distribuir a peto inicial de qualquer ao judicial, o nmero no cadastro de
pessoas fsicas ou jurdicas, conforme o caso, perante a Secretaria da Receita Federal.
Pargrafo nico. Da mesma forma, as peas de acusao criminais devero ser instrudas
pelos membros do Ministrio Pblico ou pelas autoridades policiais com os nmeros de
registros dos acusados no Insttuto Nacional de Identfcao do Ministrio da Justa, se houver.
Art. 16. Os livros cartorrios e demais repositrios dos rgos do Poder Judicirio
podero ser gerados e armazenados em meio totalmente eletrnico.
Art. 17. (VETADO)
Art. 18. Os rgos do Poder Judicirio regulamentaro esta Lei, no que couber, no mbito
de suas respectvas competncias.
Art. 19. Ficam convalidados os atos processuais pratcados por meio eletrnico at a
data de publicao desta Lei, desde que tenham atngido sua fnalidade e no tenha havido
prejuzo para as partes.
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a
Regio
Art. 20. A Lei n 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Cdigo de Processo Civil, passa a
vigorar com as seguintes alteraes:
Art. 38. ...........................................................................
Pargrafo nico. A procurao pode ser assinada digitalmente com base em certfcado
emitdo por Autoridade Certfcadora credenciada, na forma da lei especfca. (NR)
Art. 154. ........................................................................
Pargrafo nico. (Vetado). (VETADO)
2 Todos os atos e termos do processo podem ser produzidos, transmitdos,
armazenados e assinados por meio eletrnico, na forma da lei. (NR)
Art. 164. .......................................................................
Pargrafo nico. A assinatura dos juzes, em todos os graus de jurisdio, pode ser feita
eletronicamente, na forma da lei. (NR)
Art. 169. .......................................................................
1 vedado usar abreviaturas.
2 Quando se tratar de processo total ou parcialmente eletrnico, os atos processuais
pratcados na presena do juiz podero ser produzidos e armazenados de modo integralmente
digital em arquivo eletrnico inviolvel, na forma da lei, mediante registro em termo que
ser assinado digitalmente pelo juiz e pelo escrivo ou chefe de secretaria, bem como pelos
advogados das partes.
3 No caso do 2 deste artgo, eventuais contradies na transcrio devero ser
suscitadas oralmente no momento da realizao do ato, sob pena de precluso, devendo o juiz
decidir de plano, registrando-se a alegao e a deciso no termo. (NR)
Art. 202. .....................................................................
.....................................................................................
3 A carta de ordem, carta precatria ou carta rogatria pode ser expedida por meio
eletrnico, situao em que a assinatura do juiz dever ser eletrnica, na forma da lei. (NR)
Art. 221. ....................................................................
....................................................................................
IV - por meio eletrnico, conforme regulado em lei prpria. (NR)
Art. 237. ....................................................................
Pargrafo nico. As intmaes podem ser feitas de forma eletrnica, conforme regulado
em lei prpria. (NR)
Art. 365. ...................................................................
...................................................................................
V - os extratos digitais de bancos de dados, pblicos e privados, desde que atestado pelo
seu emitente, sob as penas da lei, que as informaes conferem com o que consta na origem;
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Regio 55
VI - as reprodues digitalizadas de qualquer documento, pblico ou partcular, quando
juntados aos autos pelos rgos da Justa e seus auxiliares, pelo Ministrio Pblico e seus
auxiliares, pelas procuradorias, pelas repartes pblicas em geral e por advogados pblicos ou
privados, ressalvada a alegao motvada e fundamentada de adulterao antes ou durante o
processo de digitalizao.
1 Os originais dos documentos digitalizados, mencionados no inciso VI do caput deste
artgo, devero ser preservados pelo seu detentor at o fnal do prazo para interposio de ao
rescisria.
2 Tratando-se de cpia digital de ttulo executvo extrajudicial ou outro documento
relevante instruo do processo, o juiz poder determinar o seu depsito em cartrio ou
secretaria. (NR)
Art. 399. ................................................................
1 Recebidos os autos, o juiz mandar extrair, no prazo mximo e improrrogvel de
30 (trinta) dias, certdes ou reprodues fotogrfcas das peas indicadas pelas partes ou de
ofcio; fndo o prazo, devolver os autos reparto de origem.
2 As repartes pblicas podero fornecer todos os documentos em meio eletrnico
conforme disposto em lei, certfcando, pelo mesmo meio, que se trata de extrato fel do que
consta em seu banco de dados ou do documento digitalizado. (NR)
Art. 417. ...............................................................
1 O depoimento ser passado para a verso datlogrfca quando houver recurso da
sentena ou noutros casos, quando o juiz o determinar, de ofcio ou a requerimento da parte.
2 Tratando-se de processo eletrnico, observar-se- o disposto nos 2 e 3 do art.
169 desta Lei. (NR)
Art. 457. .............................................................
.............................................................................
4 Tratando-se de processo eletrnico, observar-se- o disposto nos 2 e 3 do art.
169 desta Lei. (NR)
Art. 556. ............................................................
Pargrafo nico. Os votos, acrdos e demais atos processuais podem ser registrados
em arquivo eletrnico inviolvel e assinados eletronicamente, na forma da lei, devendo ser
impressos para juntada aos autos do processo quando este no for eletrnico. (NR)
Art. 21. (VETADO)
Art. 22. Esta Lei entra em vigor 90 (noventa) dias depois de sua publicao.
Braslia, 19 de dezembro de 2006; 185 da Independncia e 118 da Repblica.
LUIZ INCIO LULA DA SILVA
Mrcio Thomaz Bastos
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Regio 57
Resoluo n 121, de 5 de outubro de 2010
2
Dispe sobre a divulgao de dados processuais eletrnicos na
rede mundial de computadores, expedio de certdes judiciais e
d outras providncias.
O PRESIDENTE DO CONSELHO NACIONAL DE JUSTIA, no uso de suas atribuies
conferidas pela Consttuio da Repblica, especialmente o disposto no inciso I, 4, art. 103-B
CONSIDERANDO que o Estado Democrtco de Direito sob o qual alicerada a Repblica
Federatva do Brasil adotou o princpio da publicidade como garanta da prestao de contas da
atvidade jurisdicional;
CONSIDERANDO a necessidade de divulgao dos atos processuais a fm de conferir
transparncia e garantr o direito de acesso informao, conforme dispe o art. 5, xxxIII e
xxxIV, b da Consttuio;
CONSIDERANDO que o art. 93, xI, da Consttuio garante o exerccio da publicidade
restrita ou especial dos atos processuais, segundo a qual a divulgao pode e deve ser
restringida sempre que a defesa da intmidade ou o interesse pblico o exigir;
CONSIDERANDO a exigncia de tratamento uniforme da divulgao dos atos processuais
judiciais no mbito de toda a magistratura nacional, de molde a viabilizar o exerccio da
transparncia sem descurar da preservao do direito intmidade, vida privada, honra e
imagem das pessoas;
CONSIDERANDO as difculdades enfrentadas pela justa brasileira em razo da
estgmatzao das partes pela disponibilizao na rede mundial de computadores de dados
concernentes aos processos judiciais que fguraram como autoras ou rs em aes criminais,
cveis ou trabalhistas;
CONSIDERANDO a necessidade da defnio de diretrizes para a consolidao de
um padro nacional de defnio dos nveis de publicidade das informaes judiciais, a
fm de resguardar o exerccio do devido processo legal, com todos os meios e instrumentos
disponibilizados;
CONSIDERANDO que o art. 11, 6, da Lei 11.419/2006, estabelece que os documentos
eletrnicos somente estaro disponveis para acesso por meio da rede externa para suas
respectvas partes processuais e para o Ministrio Pblico, respeitado o disposto em lei para as
situaes de sigilo e de segredo de justa;
2. Fonte: htp://www.cnj.jus.br/atos-administratvos/atos-da-presidencia/323-resolucoes/12239-resolucao-no-121-
de-5-de-outubro-de-2010
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Regio
CONSIDERANDO o que foi deliberado pelo Plenrio do Conselho Nacional de Justa
na sua 114 Sesso Ordinria, realizada em 5 de outubro de 2010, no julgamento do Ato n
0001776-16.2010.2.00.0000.
RESOLVE:
Art. 1 A consulta aos dados bsicos dos processos judiciais ser disponibilizada na rede
mundial de computadores (internet), assegurado o direito de acesso a informaes processuais
a toda e qualquer pessoa, independentemente de prvio cadastramento ou de demonstrao
de interesse.
Pargrafo nico. No caso de processo em sigilo ou segredo de justa no se aplica o
disposto neste artgo.
Art. 2 Os dados bsicos do processo de livre acesso so:
I nmero, classe e assuntos do processo;
II nome das partes e de seus advogados;
III movimentao processual;
IV inteiro teor das decises, sentenas, votos e acrdos.
Art. 3 O advogado cadastrado e habilitado nos autos, as partes cadastradas e o membro
do Ministrio Pblico cadastrado tero acesso a todo o contedo do processo eletrnico.
1 Os sistemas devem possibilitar que advogados, procuradores e membros do
Ministrio Pblico cadastrados, mas no vinculados a processo previamente identfcado,
acessem automatcamente todos os atos e documentos processuais armazenados em meio
eletrnico, desde que demonstrado interesse, para fns, apenas, de registro, salvo nos casos de
processos em sigilo ou segredo de justa.
2 Dever haver mecanismo que registre cada acesso previsto no pargrafo anterior.
Art. 4 As consultas pblicas disponveis na rede mundial de computadores devem
permitir a localizao e identificao dos dados bsicos de processo judicial segundo os
seguintes critrios:
I nmero atual ou anteriores, inclusive em outro juzo ou instncias;
II nomes das partes;
III nmero de cadastro das partes no cadastro de contribuintes do Ministrio da
Fazenda;
IV nomes dos advogados;
V registro junto Ordem dos Advogados do Brasil.
1 A consulta ficar restrita ao previsto no inciso I da cabea deste artigo nas seguintes
situaes:
I nos processos criminais, aps o trnsito em julgado da deciso absolutria, da
extno da punibilidade ou do cumprimento da pena;
II nos processos sujeitos apreciao da Justa do Trabalho.
2 Os nomes das vtimas no se incluem nos dados bsicos dos processos criminais.
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a
Regio 59
Art. 5 A disponibilizao de consultas s bases de decises judiciais impedir, quando
possvel, a busca pelo nome das partes.
Art. 6 A certdo judicial se destna a identfcar os termos circunstanciados, inquritos
ou processos em que a pessoa a respeito da qual expedida fgura no plo passivo da relao
processual originria.
Art. 7 A certdo judicial dever conter, em relao pessoa a respeito da qual se
certfca:
I nome completo;
II o nmero do cadastro de contribuinte no Ministrio da Fazenda;
III se pessoa natural:
a) nacionalidade;
b) estado civil;
c) nmeros dos documentos de identdade e dos respectvos rgos expedidores;
d) fliao; e
d) o endereo residencial ou domiciliar.
IV se pessoa jurdica ou assemelhada, endereo da sede; e
V a relao dos feitos distribudos em tramitao contendo os nmeros, suas classes e
os juzos da tramitao originria.
1 No ser includo na relao de que trata o inciso V o processo em que houver gozo
do benefcio de sursis (art. 163, 2 da Lei no. 7.210, de 1984) ou quando a pena j tiver sido
extinta ou cumprida, salvo para instruir processo pela prtica de nova infrao penal ou outros
casos expressos em lei (art. 202, da Lei 7.210, de 1984).
2 A ausncia de alguns dos dados no impedir a expedio da certido negatva se
no houver dvida quanto identfcao fsica da pessoa.
Art. 8 A certdo judicial, cvel ou criminal, ser negatva quando no houver feito em
tramitao contra a pessoa a respeito da qual foi solicitada.
1 A certido judicial criminal tambm ser negativa:
I quando nela constar a distribuio de termo circunstanciado, inqurito ou processo
em tramitao e no houver sentena condenatria transitada em julgado.
II em caso de gozo do benefcio de sursis (art. 163, 2. da Lei no. 7.210, de 1984) ou a
pena j tver sido extnta ou cumprida.
2 Tambm dever ser expedida certido negativa quando, estando suficientemente
identificada a pessoa a respeito da qual se solicitou a certido, houver registro de processo
referente a homnimo e a individualizao dos processos no puder ser feita por carncia de
dados do Poder Judicirio, caso em que dever constar essa observao.
Art. 9 O requerente de certdo negatva sobre a sua situao poder, na hiptese do
1 inciso I, do artgo anterior, solicitar a incluso do resumo da sentena absolutria ou que
determinou o arquivamento.
Art. 10. A certdo requisitada mediante determinao judicial dever informar todos os
registros constantes em nome da pessoa.
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Art. 11. A certdo judicial negatva ser expedida eletronicamente por meio dos portais
da rede mundial de computadores.
Art. 12. A certdo judicial positva poder ser expedida eletronicamente queles
previamente cadastrados no sistema processual, contendo, se for o caso, o resumo da sentena
criminal (Art. 2. da Lei 11.971, de 2009).
Pargrafo nico. A pessoa no cadastrada solicitar a expedio de certdo conforme
regulamentado pelo tribunal respectvo.
Art. 13. Os rgos jurisdicionais de que tratam os incisos I-A a VII do art. 92 da
Consttuio devero observar os termos desta Resoluo a partr de 180 (cento e oitenta) dias
da data de sua publicao.
Pargrafo nico. A pessoa prejudicada pela disponibilizao de informao na rede
mundial de computadores em desconformidade com esta Resoluo poder solicitar a
retfcao ao rgo jurisdicional responsvel.
Art. 14. Est Resoluo entra em vigor a partr de sua publicao.
Ministro CEZAR PELUSO
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Regio 61
Resoluo n 94, de 23 de maro de 2012, do
conselho Superior da Justa do Trabalho
3
Insttui o Sistema Processo Judicial Eletrnico da Justa do
Trabalho PJe-JT como sistema de processamento de informaes
e prtca de atos processuais e estabelece os parmetros para sua
implementao e funcionamento.
O CONSELHO SUPERIOR DA JUSTIA DO TRABALHO, em sesso ordinria realizada em
23 de maro de 2012, sob a presidncia do Ex.mo Ministro Conselheiro Joo Oreste Dalazen,
presentes os Ex.mos Ministros Conselheiros Maria Cristna Irigoyen Peduzzi, Antonio Jos
de Barros Levenhagen, Renato de Lacerda Paiva, Emmanoel Pereira e Lelio Bentes Corra,
os Ex.mos. Desembargadores Conselheiros Mrcio Vasques Thibau de Almeida, Jos Maria
Quadros de Alencar, Cludia Cardoso de Souza, Maria Helena Mallmann e Andr Genn de
Assuno Barros, o Ex.mo Procurador-Geral do Trabalho, Dr. Lus Antnio Camargo de Melo, e o
Ex.mo Presidente da ANAMATRA, Juiz Renato Henry SantAnna,
Considerando as diretrizes contdas na Lei n. 11.419, de 19 de dezembro de 2006, que
dispe sobre a informatzao do processo judicial, especialmente o disposto no art. 18, que
autoriza os rgos do Poder Judicirio a regulamentarem-na;
Considerando os benefcios advindos da substtuio da tramitao de autos em meio
impresso pelo meio eletrnico, como instrumento de celeridade e qualidade da prestao
jurisdicional;
Considerando a necessidade de racionalizao da utlizao dos recursos oramentrios
pelos Tribunais Regionais do Trabalho;
Considerando a necessidade de regulamentar a implantao do sistema de processo
eletrnico na Justa do Trabalho;
Considerando o teor das metas 3 e 16, do Conselho Nacional de Justa, para o ano de
2012, respectvamente: 3. Tornar acessveis as informaes processuais nos portais da rede
mundial de computadores (internet), com andamento atualizado e contedo das decises dos
processos, respeitando o segredo de justa; e 16. Implantar o Processo Judicial Eletrnico
(PJe) em, pelo menos, 10% das Varas de Trabalho de cada tribunal,
3. Fonte: Dirio Eletrnico da Justa do Trabalho, Braslia, DF, n. 946, 26 mar. 2012. Caderno Jurdico do Conselho
Superior da Justa do Trabalho, p. 5-12.
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62 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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RESOLVE:
Insttuir o Sistema Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho - PJe-JT como
sistema informatzado de processo judicial na Justa do Trabalho e estabelecer os parmetros
para a sua implementao e funcionamento, na forma a seguir:
CAPTULO I
Do PRocESSo JuDiciAl ElETRNico DA JuSTiA Do TRABAlHo
Seo I
Das Disposies Gerais
Art. 1 A tramitao do processo judicial no mbito da Justa do Trabalho, a prtca de
atos processuais e sua representao por meio eletrnico, nos termos da Lei 11.419, de 19
de dezembro de 2006, sero realizadas exclusivamente por intermdio do Sistema Processo
Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho - PJe-JT regulamentado por esta Resoluo.
Pargrafo nico. A implantao do sistema mencionado no caput deste artgo ocorrer
de forma gradual, conforme cronograma defnido pela Presidncia do Conselho Superior da
Justa do Trabalho CSJT.
Art. 2 O PJe-JT compreender o controle do sistema judicial trabalhista nos seguintes
aspectos:
I o controle da tramitao do processo;
II a padronizao de todos os dados e informaes compreendidas pelo processo
judicial;
III a produo, registro e publicidade dos atos processuais; e
IV o fornecimento de dados essenciais gesto das informaes necessrias aos
diversos rgos de superviso, controle e uso do sistema judicirio trabalhista.
Art. 3 Para o disposto nesta Resoluo, considera-se:
I assinatura digital: assinatura em meio eletrnico, que permite aferir a origem e a
integridade do documento, baseada em certfcado digital, padro ICP-BRASIL, tpo A-3 ou A-4,
emitdo por Autoridade Certfcadora Credenciada, na forma de lei especfca;
II autos do processo eletrnico ou autos digitais: conjunto de documentos digitais
correspondentes a todos os atos, termos e informaes do processo;
III digitalizao: processo de converso de um documento originalmente confeccionado
em papel para o formato digital por meio de dispositvo apropriado, como um scanner;
IV documento digital: documento codifcado em dgitos binrios, acessvel por meio de
sistema computacional;
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a
Regio 63
V meio eletrnico: qualquer forma de armazenamento ou trfego de documentos e
arquivos digitais;
VI transmisso eletrnica: toda forma de comunicao distncia com a utlizao de
redes de comunicao, preferencialmente a rede mundial de computadores;
VII usurios internos: magistrados e servidores da Justa do Trabalho, bem como
outros a que se reconhecer acesso s funcionalidades internas do sistema de processamento
em meio eletrnico (estagirios, prestadores de servio, etc.);
VIII usurios externos: todos os demais usurios, includos partes, advogados, membros
do Ministrio Pblico, peritos e leiloeiros.
1 Os usurios tero acesso s funcionalidades do PJe-JT, de acordo com o perfl que
lhes for atribudo no sistema e em razo de sua natureza na relao jurdico-processual.
2 A Presidncia do Conselho Superior da Justia do Trabalho adotar as providncias
necessrias para fornecer, pelo menos, dois certificados digitais para cada magistrado e pelo
menos um para os demais usurios internos.
Art. 4 Os atos processuais tero registro, visualizao, tramitao e controle
exclusivamente em meio eletrnico e sero assinados digitalmente, contendo elementos que
permitam identfcar o usurio responsvel pela sua prtca.
1 A cpia de documento extrada dos autos digitais dever conter elementos que
permitam verifcar a sua autentcidade no endereo referente consulta pblica do PJe-JT, cujo
acesso tambm ser disponibilizado nos stos do Conselho Superior da Justa do Trabalho,
do Tribunal Superior do Trabalho e dos Tribunais Regionais do Trabalho na Rede Mundial de
Computadores.
2 O usurio responsvel pela exatido das informaes prestadas, quando de seu
credenciamento, assim como pela guarda, sigilo e utlizao da assinatura eletrnica, no sendo
oponvel, em qualquer hiptese, alegao de uso indevido, nos termos da Medida Provisria n.
2.200-2, de 24 de agosto de 2001.
Seo II
Do Acesso ao Sistema
Art. 5 Para acesso ao PJe-JT obrigatria a utlizao de assinatura digital a que se
refere o inciso I do artgo 3 desta Resoluo.
Pargrafo nico. No caso de ato urgente em que o usurio externo no possua certfcado
digital para o petcionamento, ou em se tratando da hiptese prevista no art. 791 da CLT, a
prtca ser viabilizada por intermdio de servidor da unidade judiciria destnatria da peto
ou do setor responsvel pela reduo a termo e digitalizao de peas processuais.
Art. 6 Para o uso da assinatura digital o credenciamento dar-se- pela simples
identfcao do usurio por meio de seu certfcado digital e remessa do formulrio eletrnico,
devidamente preenchido, disponibilizado no portal de acesso ao PJe-JT.
1 Alteraes de dados cadastrais podero ser feitas pelos usurios, a qualquer
momento, na seo respectiva do portal de acesso ao PJe-JT.
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64 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
2 O credenciamento implica a aceitao das normas estabelecidas nesta Resoluo,
assim como nas demais normas que vierem a regulamentar o uso do processo eletrnico no
mbito dos Tribunais e a responsabilidade do credenciado pelo uso indevido da assinatura
digital.
Art. 7 O PJe-JT estar disponvel 24 horas por dia, ininterruptamente, ressalvados os
perodos de manuteno do sistema.
Pargrafo nico. As manutenes programadas do sistema sero sempre informadas
com antecedncia e realizadas, preferencialmente, no perodo das 00h dos sbados s 22h do
domingo, ou no horrio entre 00h e 06h nos demais dias da semana.
Art. 8 Considera-se indisponibilidade dos sistemas de tramitao
eletrnica de processos a falta de oferta ao pblico externo de qualquer um dos
seguintes servios:
I - consulta aos autos digitais;
II - transmisso eletrnica de atos processuais; ou
III - citaes, intmaes ou notfcaes eletrnicas.
1 As falhas de transmisso de dados entre as estaes de trabalho do pblico externo
e a rede de comunicao pblica, assim como a impossibilidade tcnica que decorra de falhas
nos equipamentos ou programas dos usurios, no caracterizam indisponibilidade.
2 de responsabilidade do usurio:
I - o acesso ao seu provedor da internet e a confgurao do computador utlizado nas
transmisses eletrnicas;
II - o acompanhamento do regular recebimento das petes e documentos transmitdos
eletronicamente.
Art. 9 A indisponibilidade defnida no artgo anterior ser aferida por sistemas de
auditoria estabelecidos por ato e fornecidos pelo Conselho Superior da Justa do Trabalho.
1 Os sistemas de auditoria verificaro a disponibilidade externa dos servios referidos
no art. 8 com a periodicidade mnima de 5 (cinco) minutos.
2 Toda indisponibilidade dos sistemas de tramitao eletrnica de processos ser
registrada em relatrio de interrupes de funcionamento a ser divulgado ao pblico na rede
mundial de computadores, devendo conter, pelo menos, as seguintes informaes:
I - data, hora e minuto de incio da indisponibilidade;
II - data, hora e minuto de trmino da indisponibilidade; e,
III - servios que fcaram indisponveis.
Art. 10. Os prazos que se vencerem no dia da ocorrncia de indisponibilidade de
quaisquer dos servios referidos no art. 8 sero prorrogados para o dia tl seguinte retomada
de funcionamento, quando:
I - a indisponibilidade for superior a 60 minutos, ininterruptos ou no, se ocorrida entre
06h00 e 23h00; e
II - ocorrer indisponibilidade entre 23h00 e 24h00.
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a
Regio 65
1 As indisponibilidades ocorridas entre 00h00 e 06h00 dos dias de expediente forense
e as ocorridas em feriados e finais de semana, a qualquer hora, no produziro o efeito do
caput.
2 Aos prazos fixados em hora no se aplica a regra prevista no inciso I deste artgo
e sero prorrogados na mesma proporo das indisponibilidades ocorridas no intervalo entre
06h00 e 23h00.
3 A prorrogao de que trata este artigo ser feita automatcamente nos sistemas
que controlem prazo.
Art. 11. A indisponibilidade previamente programada produzir as consequncias
defnidas pela autoridade que a determinar e ser ostensivamente comunicada ao pblico
externo com, pelo menos, 5 (cinco) dias de antecedncia.
Seo III
Do Funcionamento do Sistema
Art. 12. O sistema receber arquivos com tamanho mximo de 1,5 megabytes e apenas
nos seguintes formatos:
I - arquivos de texto, no formato PDF (portable document format), com resoluo
mxima de 300 dpi e formatao A4.
II - arquivos de udio, no formato MPEG-1 ou MP3 (Moving Picture Experts Group).
III - arquivos de udio e vdeo (AV), no formato MPEG-4 (Moving Picture Experts Group).
IV - arquivos de imagem, no formato JPEG (Joint Photographic Expertes Group), com
resoluo mxima de 300 dpi.
1 Partes ou terceiros interessados desassistidos de advogados podero apresentar
peas processuais e documentos em papel, segundo as regras ordinrias, nos locais competentes
para o recebimento, que sero digitalizados e inseridos no processo pela Unidade Judiciria.
2 O sistema de armazenamento dos documentos digitais dever conter
funcionalidades que permitam identfcar o usurio que promover excluso, incluso e alterao
de dados, arquivos baixados, bem como o momento de sua ocorrncia.
3 A parte ou o advogado poder juntar quantos arquivos se fzerem necessrios
ampla e integral defesa de seus interesses, desde que cada um desses arquivos observe o limite
de tamanho mximo fxado no caput deste artgo.
4 O recebimento de arquivos nos formatos definidos nos incisos II, III e IV deste artigo
somente ocorrer a partir da implantao da verso correspondente do sistema, divulgada por
meio de ato a ser posteriormente editado.
Art. 13. Os documentos produzidos eletronicamente, os extratos digitais e os documentos
digitalizados e juntados aos autos pelos rgos da Justa do Trabalho e seus auxiliares, pelos
membros do Ministrio Pblico, pelas procuradorias e por advogados pblicos e privados tm
a mesma fora probante dos originais, ressalvada a alegao motvada e fundamentada de
adulterao.
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66 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
1 Incumbir parte zelar pela qualidade dos documentos juntados por qualquer
meio, especialmente quanto sua legibilidade, para o que se recomenda no utilizar papel
reciclado, em virtude de dificultar a respectiva visualizao posterior.
2 Os originais dos documentos digitalizados, mencionados no caput deste artgo,
devero ser preservados pelo seu detentor at o trnsito em julgado da sentena ou, quando
admitda, at o fnal do prazo para propositura de ao rescisria.
3 A arguio de falsidade do documento original ser processada eletronicamente na
forma da lei processual em vigor.
4 Os documentos cuja digitalizao mostre-se tecnicamente invivel devido ao grande
volume ou por motvo de ilegibilidade devero ser apresentados em secretaria no prazo de 10
(dez) dias contados do envio de peto eletrnica comunicando o fato. Aps o trnsito em
julgado, os referidos documentos sero devolvidos, incumbindo-se parte preserv-los, at o
fnal do prazo para propositura de ao rescisria, quando admitda.
Art. 14. Excetuando-se os documentos referidos no artgo anterior, todos os demais
documentos apresentados devero ser retrados pelos interessados, no prazo de 30 dias, para
os efeitos do artgo 11, 3, da Lei n. 11.419/2006.
Pargrafo nico. Findo o prazo estabelecido no caput, a Unidade Judiciria
correspondente poder inutlizar os documentos mantdos sob sua guarda em meio impresso.
Art. 15. Os documentos que forem juntados eletronicamente em autos digitais e
reputados manifestamente impertnentes pelo Juzo tero sua visualizao tornada indisponvel
por expressa determinao judicial.
Art. 16. Os documentos digitalizados e anexados s petes eletrnicas sero
adequadamente classifcados e organizados de forma a facilitar o exame dos autos eletrnicos,
podendo o juiz determinar a sua reorganizao e classifcao, caso no atenda ao disposto
neste artgo.
Art. 17. Os Tribunais Regionais do Trabalho mantero instalados equipamentos
disposio das partes, advogados e interessados para consulta ao contedo dos autos digitais e
envio de peas processuais e documentos em meio eletrnico.
Seo IV
Dos Atos Processuais
Art. 18. No processo eletrnico, todas as citaes, intmaes e notfcaes, inclusive da
Fazenda Pblica, far-se-o por meio eletrnico.
1 As citaes, intimaes, notificaes e remessas que viabilizem o acesso ntegra
do processo correspondente sero consideradas vista pessoal do interessado para todos os
efeitos legais.
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a
Regio 67
2 Quando, por motivo tcnico, for invivel o uso do meio eletrnico para a realizao
de citao, intmao ou notfcao, esses atos processuais podero ser pratcados segundo as
regras ordinrias, digitalizando-se e destruindo-se posteriormente o documento fsico.
Art. 19. No instrumento de notfcao ou citao constar indicao da forma de acesso
ao inteiro teor da peto inicial no endereo referente consulta pblica do PJe-JT, cujo acesso
tambm disponibizar-se- nos stos do Conselho Superior da Justa do Trabalho e dos Tribunais
Regionais do Trabalho na Rede Mundial de Computadores.
Art. 20. Para efeito da contagem do prazo de 10 (dez) dias corridos de que trata o art. 5,
3, da Lei n 11.419/2006, nos sistemas de tramitao eletrnica de processos:
I - o dia inicial da contagem o dia seguinte ao da disponibilizao do ato de comunicao
no sistema, independentemente de esse dia ser, ou no, de expediente no rgo comunicante;
II - o dia da consumao da intmao ou comunicao o dcimo dia a partr do dia
inicial, caso seja de expediente judicirio, ou o primeiro dia tl seguinte, conforme previsto no
art. 5, 2, da Lei n 11.419/2006.
Pargrafo nico. A intercorrncia de feriado, interrupo de expediente ou suspenso de
prazo entre o dia inicial e o dia fnal do prazo para concluso da comunicao no ter nenhum
efeito sobre sua contagem, excetuada a hiptese do inciso II.
Art. 21. A distribuio da peto inicial e a juntada da contestao, dos recursos e
das petes em geral, todos em formato digital, nos autos de processo eletrnico devem ser
feitas diretamente pelos advogados pblicos e privados, sem necessidade da interveno da
secretaria judicial, situao em que a autuao ocorrer de forma automtca, fornecendo-se o
recibo eletrnico de protocolo.
1 No caso de petio inicial, o sistema fornecer, imediatamente aps o envio,
juntamente com a comprovao de recebimento, informaes sobre o nmero atribudo ao
processo, o rgo Julgador para o qual foi distribuda a ao e, se for o caso, a data da audincia
inicial, designada automatcamente e da qual ser o autor imediatamente intmado.
2 Os dados da autuao automtica sero conferidos pela unidade judiciria, que
proceder sua alterao em caso de desconformidade com os documentos apresentados, de
tudo fcando registro no sistema.
Art. 22. Os advogados devidamente credenciados devero encaminhar eletronicamente
as contestaes e documentos, antes da realizao da audincia, sem prescindir de sua
presena quele ato processual.
Pargrafo nico. Fica facultada a apresentao de defesa oral, pelo tempo de at 20
minutos, conforme o disposto no art. 847 da CLT.
Art. 23. A comprovao da entrega de expedientes por ofciais de justa ser feita por
certdo circunstanciada acerca do cumprimento da diligncia, dispensando-se a juntada aos
autos de contraf digitalizada e subscrita pelos destnatrios.
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68 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Art. 24. As atas e termos de audincia sero assinados digitalmente apenas pelo juiz,
assim como o documento digital, no caso de audincias gravadas em udio e vdeo, os quais
passaro a integrar os autos digitais, mediante registro em termo.
Art. 25. Os atos processuais pratcados por usurios externos considerar-se-o realizados
na data e horrio do seu recebimento no PJe-JT.
1 A postulao encaminhada considerar-se- tempestiva quando recebida,
integralmente, at as vinte e quatro horas do dia em que se encerra o prazo processual,
considerado o horrio de Braslia.
2 A suspenso dos prazos processuais no impedir o encaminhamento de petes
e a movimentao de processos eletrnicos, podendo a apreciao dos pedidos decorrentes
desses prazos ocorrer, a critrio do juiz, aps o trmino do prazo de suspenso, ressalvados os
casos de urgncia.
3 O sistema fornecer ao usurio externo recibo eletrnico da prtca do ato
processual contendo o nmero do protocolo gerado pelo sistema, a data e o horrio da
prtca do ato, a identfcao do processo, o nome do remetente e/ou do usurio que assinou
eletronicamente o documento e, se houver, o assunto, o rgo destnatrio da peto e as
partcularidades de cada arquivo eletrnico, conforme informados pelo remetente.
4 Ser de integral responsabilidade do remetente a equivalncia entre os dados
informados para o envio e os constantes da peto remetda.
5 No sero considerados, para fins de tempestividade, o horrio inicial de conexo
do usurio internet, o horrio de acesso do usurio ao sto eletrnico do Tribunal ou ao PJe-
JT, tampouco os horrios registrados pelos equipamentos do remetente.
6 A no obteno de acesso ao PJe-JT e eventual defeito de transmisso ou recepo
de dados no-imputveis indisponibilidade ou impossibilidade tcnica do sistema no serviro
de escusa para o descumprimento de prazo processual.
Art. 26. A partr da implantao do PJe na segunda instncia das Regies da Justa do
Trabalho, ser dispensada a formao de autos suplementares em casos como de agravos de
instrumento, precatrios, agravos regimentais e execuo provisria.
Art. 27. Nas classes processuais em que haja a designao de revisor, caber ao relator
determinar a incluso do processo em pauta, observado o prazo mnimo de 15 (quinze) dias.
Pargrafo nico. Determinada a incluso, o revisor ser cientfcado pelo sistema do
incio do prazo para emisso do seu voto.
Seo V
Da Consulta e do Sigilo
Art. 28. A consulta ao inteiro teor dos documentos juntados ao PJe-JT somente estar
disponvel pela rede mundial de computadores, nos termos da Lei 11.419/2006 e da Resoluo
n 121, de 5 de outubro de 2010, do Conselho Nacional de Justa - CNJ, para as respectvas
partes processuais, advogados em geral, Ministrio Pblico e para os magistrados, sem prejuzo
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 69
da possibilidade de visualizao nas Secretarias dos rgos Julgadores, exceo daqueles que
tramitarem em sigilo ou segredo de justa.
Pargrafo nico. Para a consulta de que trata o caput deste artgo ser exigido o
credenciamento no sistema.
Seo VI
Do Uso Inadequado do Sistema
Art. 29. O uso inadequado do sistema que cause prejuzo s partes ou atvidade
jurisdicional poder importar, aps determinao da autoridade judiciria competente, no
bloqueio provisrio do cadastro do usurio, relatvamente ao processo em que se deu o evento,
ou mesmo ao sistema, dependendo da gravidade do fato, sem prejuzo de outras medidas
processuais e legais, observadas as prerrogatvas legais, no caso de magistrados, advogados e
membros do Ministrio Pblico.
CAPTULO II
DA ADMINISTRAO DO SISTEMA
Seo I
Dos Comits Gestores
Art. 30. A administrao do PJe-JT caber ao Comit Gestor Nacional e aos Comits
Gestores Regionais, compostos por usurios internos e externos do sistema.
Subseo I
Do Comit Gestor Nacional
Art. 31. O Comit Gestor Nacional supervisionar o gerenciamento, a especifcao, o
desenvolvimento, a implantao, o suporte e a manuteno corretva e evolutva do Processo
Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho PJe-JT.
Art. 32. So atribuies do Comit Gestor Nacional:
I garantr a adequao do PJe-JT aos requisitos legais e s necessidades da Justa do
Trabalho;
II defnir as premissas e as estratgias utlizadas para a especifcao, desenvolvimento,
testes, homologao, implantao e integridade de operao do PJe-JT;
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70 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
III garantr a padronizao do PJe-JT nos rgos da Justa do Trabalho;
IV defnir o escopo do sistema no que concerne s partcularidades da Justa do
Trabalho;
V promover a integrao com demais rgos e entdades necessrios ao
desenvolvimento e implantao do PJe-JT;
VI colaborar com as reas de Gesto de Pessoas dos Tribunais Regionais do Trabalho
e do Conselho Superior da Justa do Trabalho para a capacitao necessria dos servidores da
Justa do Trabalho nas competncias afetas a este projeto;
VII interagir com as reas de comunicao social do Conselho Superior da Justa
do Trabalho e dos Tribunais Regionais do Trabalho, dando cincia a todos os magistrados,
servidores e demais usurios, de qualquer tema pertnente ao PJe-JT;
VIII priorizar e deliberar sobre as necessidades de manuteno do sistema e
encaminh-las s reas pertnentes;
Ix propor a criao de grupos de trabalho com o objetvo de acompanhar iniciatvas
de desenvolvimento de projetos similares ao PJe-JT, com vistas sua avaliao e possvel
aproveitamento.
Art. 33. As aes e deliberaes decorrentes dos trabalhos do Comit sero submetdas
aprovao da Presidncia do Tribunal Superior do Trabalho e do Conselho Superior da Justa
do Trabalho.
Art. 34. O Comit Gestor Nacional ser composto por:
I trs magistrados designados para compor o Comit Gestor do desenvolvimento do
sistema de Processo Judicial Eletrnico - PJe, de que trata a Portaria do Conselho Nacional de
Justa CNJ n 65, de 22 de abril de 2010, com a redao dada pela Portaria n 95, de 17 de
maio de 2010;
II um magistrado indicado pelo Colgio de Presidentes e Corregedores de Tribunais
Regionais do Trabalho COLEPRECOR;
III um Secretrio ou Diretor de Tecnologia da Informao de Tribunal Regional do
Trabalho designado pela Presidncia do Tribunal Superior do Trabalho e do Conselho Superior
da Justa do Trabalho;
IV o Assessor-Chefe de Tecnologia da Informao e das Comunicaes do Conselho
Superior da Justa do Trabalho;
V o Secretrio de Tecnologia da Informao do Tribunal Superior do Trabalho;
VI um representante indicado pelo Presidente do Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil - OAB;
VII um representante indicado pelo Procurador-Geral do Trabalho.
Pargrafo nico. A Presidncia do CGPJe-JT caber a um dos magistrados, a ser
designado pela Presidncia do Tribunal Superior do Trabalho e do Conselho Superior da Justa
do Trabalho.
Subseo II
Dos Comits Gestores Regionais
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 71
Art. 35. Compete aos Comits Gestores Regionais, no mbito das respectvas reas de
atuao:
I administrar o sistema nos aspectos relacionados sua estrutura, implementao e
funcionamento, de acordo com as diretrizes fxadas pelo Comit
Gestor Nacional;
II avaliar a necessidade de promover a manuteno corretva e evolutva;
III organizar a estrutura de atendimento s demandas de seus usurios internos e
externos;
IV determinar a realizao de auditorias no sistema, especialmente no que diz respeito
integridade das suas informaes e segurana;
V garantr a integridade do sistema, no que diz respeito sua taxonomia e classes
processuais;
VI propor ao Comit Gestor Nacional alteraes visando ao aprimoramento do sistema;
VII observar as normas expedidas pelo Conselho Superior da Justa do Trabalho e pelo
Comit Gestor Nacional.
Art. 36. Cada Comit Gestor Regional ser composto por:
I um Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho;
II um Juiz do Trabalho, preferencialmente ttular de Vara do Trabalho;
III dois servidores da rea judiciria, compreendendo cada grau de jurisdio;
IV um servidor da rea de tecnologia da informao e comunicao;
V um representante da Ordem dos Advogados do Brasil, indicado pela Seo respectva,
ou pelo Conselho Federal em caso de atuao em mais de um Estado;
VI um representante do Ministrio Pblico do Trabalho, indicado pela Procuradoria
Regional do Trabalho.
Pargrafo nico. Os membros dos Comits Gestores Regionais sero designados pelo
Tribunal Regional do Trabalho e sua presidncia ser exercida pelo Desembargador.
CAPTULO III
DA IMPLANTAO
Art. 37. Os Tribunais Regionais do Trabalho devero formar grupo de trabalho
multdisciplinar responsvel pela coordenao e execuo das aes de implantao do PJe-
JT, na forma prevista no art. 3o, pargrafo nico, do Ato Conjunto n. 16/TST.CSJT.GP, de 19 de
agosto de 2011.
Pargrafo nico. A implantao dever observar os padres de infraestrutura defnidos
pelo Comit Gestor do PJe-JT, ouvida a gerncia tcnica.
Art. 38. A implantao do PJe-JT implicar, para os processos novos, a superao dos
atuais sistemas de gesto das informaes processuais mantdos pelos Tribunais.
Art. 39. A partr da implantao do PJe-JT em unidade judiciria, o recebimento de
peto inicial ou de prosseguimento, relatvas aos processos que nele tramitam, somente pode
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72 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
ocorrer no meio eletrnico prprio do sistema, sendo vedada a utlizao do e-DOC ou qualquer
outro sistema de petcionamento eletrnico.
Art. 40. Durante a fase de implantao, os Tribunais Regionais do Trabalho podero
estabelecer horrios diversos daqueles previstos no art. 7 desta Resoluo, desde que
devidamente autorizados pela Presidncia do Conselho Superior da Justa do Trabalho, bem
como publicar no Dirio Ofcial Eletrnico os atos mencionados no art. 18 desta Resoluo.
Art. 41. Os Tribunais Regionais do Trabalho submetero Presidncia do CSJT a ordem
dos rgos julgadores de primeiro e segundo graus nos quais ser implantado o PJe-JT, alm da
respectva proposta de cronograma.
Pargrafo nico. O ato de que trata o caput deste artgo prever a data de ingresso no
sistema de cada uma das classes processuais da segunda instncia, o que dever ser concludo
em, no mximo, 90 (noventa) dias.
Art. 42. A implementao das verses atualizadas do sistema fcar a cargo das equipes
tcnicas de cada um dos Tribunais Regionais do Trabalho e no prazo mximo de 07 (sete) dias, a
partr da liberao e sob a superviso da gerncia tcnica do PJe-JT do CSJT.
1 Na atvidade a que se refere o caput deste artgo est includa a realizao de
testes por servidores designados pelos Tribunais Regionais do Trabalho, os quais atuaro sob a
superviso direta da gerncia tcnica do PJe-JT.
2 Durante o perodo inicial de implantao, a gerncia tcnica do PJe-JT poder
promover a liberao de verses observada a seguinte periodicidade:
a) at dia 30 de abril de 2012, uma verso semanal;
b) de 1 de maio a 30 de junho de 2012, uma verso quinzenal.
3 A partr do ms de julho de 2012, a atualizao das verses do sistema obedecer
as regras defnidas pela gerncia de confgurao e observar cronograma a cargo da gerncia
tcnica do PJe-JT.
CAPTULO IV
DAS DISPOSIES FINAIS E TRANSITRIAS
Art. 43. As intervenes que impliquem alteraes estruturais do sistema somente
podero ser promovidas quando autorizadas pela Presidncia do Conselho Superior da Justa
do Trabalho.
Art. 44. Os Tribunais Regionais do Trabalho mantero, no mbito de suas atribuies,
estruturas de atendimento e suporte aos usurios do PJe-JT.
Art. 45. As cartas precatrias expedidas para as unidades judicirias nas quais tenha sido
implantado o PJe-JT tramitaro tambm em meio eletrnico e quando da devoluo ao juzo
deprecante ser encaminhada certdo constando o seu cumprimento com a materializao
apenas de peas essenciais compreenso dos atos realizados.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 73
Art. 46. vedada a criao de novas solues de informtca para o processo judicial,
bem como a realizao de investmentos nos sistemas eventualmente existentes nos tribunais e
implantaes em unidades judicirias de primeiro e segundo graus.
Pargrafo nico. A vedao contda no caput deste artgo no se aplica s manutenes
necessrias ao funcionamento dos sistemas j implantados.
Art. 47. Os Tribunais Regionais do Trabalho promovero investmentos para a formao
dos usurios internos, com o objetvo de prepar-los para o aproveitamento adequado do
PJe-JT.
Art. 48. A partr da vigncia da presente Resoluo vedada a instalao de novas Varas
do Trabalho sem a concomitante implantao do Processo Judicial Eletrnico da Justa do
Trabalho PJe-JT.
Art. 49. Os casos no disciplinados na presente Resoluo sero resolvidos pela
Presidncia do Conselho Superior da Justa do Trabalho.
Art. 50. Esta Resoluo entra em vigor na data de sua publicao.
Braslia, 23 de maro de 2012.
Ministro JOO ORESTE DALAZEN
Presidente do Conselho Superior da Justa do Trabalho
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 75
Transcries de vdeos exibidos no II Frum
Gesto Judiciria O Processo Judicial Eletrnico
1
Ministro do TST Joo Oreste Dalazen
Colega,
Como voc sabe, o Processo Judicial Eletrnico est chegando de forma irreversvel na
Justa do Trabalho, como tantas outras revolues tecnolgicas da histria da humanidade. As
vantagens so tantas e to expressivas que muito em breve ns teremos apenas lembrana,
no saudade, do processo em autos de papel, em autos fsicos. Vamos ter um ganho notvel
em celeridade, na reduo de gastos pblicos, na acessibilidade, em produtvidade, na
portabilidade do processo, e, no menos importante, ganho formidvel na construo de um
mundo ecologicamente melhor e mais saudvel, pela reduo do consumo de papel, de gua,
de energia eltrica, e na emisso de gs carbnico.
A Justa do Trabalho, como voc sabe, adaptou e desenvolveu para si o PJe-JT. Trata-
se de um sistema novo, moderno, uno e nacional de processo eletrnico, mediante o qual
poderemos nos integrar com outros sistemas, pois ele dotado de interoperabilidade. Ele
promover certamente a mais importante e impactante, a meu juzo, transformao positva da
histria da Justa do Trabalho brasileira. Uma silenciosa revoluo cultural que nos permitr
fazer mais com menos esforo, fazer melhor em menos tempo, atender, enfm, de forma
defnitva e verdadeira, aos princpios consttucionais da efcincia e da durao razovel do
processo.
O PJe-JT nos permitr extrpar, defnitvamente, aquele tempo morto e aquelas
atvidades braais a ele relacionadas, mediante o uso da tecnologia. importante ressaltar,
todavia, que o PJe-JT no o projeto de uma gesto, no um projeto pessoal de quem
quer que seja, mas um projeto insttucional que nos fortalece a todos pela maior efcincia e
integrao, substtuindo as atuais 24 ilhas em que se estruturam as 24 Regies da Justa do
Trabalho, no que eu chamaria de um belo contnente.
Por isso, todos os que integramos hoje a Justa do Trabalho devemos nos sentr
responsveis pela contnuidade e xito do PJe-JT, pois um projeto que nos permite, a todos,
mirar o mesmo horizonte e enxergar o mesmo cu. Com a sua indispensvel ajuda, com o
seu envolvimento, com o seu engajamento, a Justa do Trabalho, estou seguro, muito em
breve ser o primeiro segmento do Poder Judicirio nacional a contar com um sistema uno e
integrado de processo eletrnico. J caminhamos a passos largos neste sentdo. So as portas
desse admirvel mundo novo da tecnologia que agora queremos abrir para voc.
No tenha medo. Entre sem receio. Disse o pensador francs Anatole France: Para
conseguir grandes coisas, necessrio no apenas planejar, mas tambm acreditar; no apenas
agir, mas tambm sonhar.
1. Material divulgado no II Frum Gesto Judiciria O Processo Judicial Eletrnico, realizado de 24 a 26 de outubro de
2012 no Auditrio do TRT/RJ.
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| Transcries |
76 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Convido voc a sonhar e a lutar conosco. Conclamo voc a que conjuguemos os nossos
esforos, unidos em torno deste projeto insttucional, que certamente reservar melhores dias
muito em breve Justa do Trabalho e aos que dela necessitam. Venha conosco construir essa
histria.
Ministro do TST Aloysio Corra da Veiga
Amigos, vivemos uma transformao sem precedentes na histria do Poder Judicirio,
do Poder Judicirio brasileiro, do Poder Judicirio como um todo, do Poder Judicirio no mundo.
Desde o Pacto, a Conveno Europeia sobre direitos humanos, a preocupao era no sentdo de
criar uma mudana, uma mudana de costume, para que a relao jurdica pudesse ser mais
contempornea ao fato controvertdo.
Essa mudana se transforma com o Pacto de San Jos da Costa Rica, que ns ratfcamos,
no sentdo de o art. 8, inciso I, cuidar tambm da razovel durao do processo, da soluo do
processo contempornea ao fato controvertdo. No cabia mais, no h mais lugar para que a
leso de direito seja entregue esse bem da vida ao herdeiro e sucessor da vtma, do credor,
enfm, daquele que busca uma soluo, uma atuao do Poder Judicirio.
A Justa do Trabalho, com o Processo Judicial Eletrnico da prpria Justa do Trabalho,
traz esse contedo, contribui com esse contedo para uma mudana. Ns, da Escola Nacional
de Formao e Aperfeioamento do Magistrado do Trabalho, no podemos estar distantes
disto. Nem ns, nem toda a comunidade jurdica, nem todos os juzes do trabalho que integram
a nossa insttuio. preciso que todos estejam parceiros, sejam parceiros, invistam nessa
mudana, que s ser uma contribuio especfca, frme, nessa mudana de paradigma, nessa
troca de hbito, que trar para o processo judicial uma possibilidade de que seja realmente
realizado num prazo razovel, que quer a sociedade moderna.
preciso que ns demos a resposta. E vamos dar uma resposta sociedade rpida e
bem feita, e para isso precisamos estar preparados. E esse convite que a Escola Nacional, que
a Enamat, faz a todos os juzes. Esse processo de integrao, de capacitao, de formao, o ED
que ora disponvel, um mecanismo, um instrumento que pode o juiz com facilidade ter
acesso a qualquer tempo, e se inteirar, participar, conhecer e se motivar pela mudana, pelo
Processo Judicial Eletrnico. A fase presencial tambm indispensvel, porque nela haver o
contato direto com essa nova ferramenta. Tudo isso uma disponibilidade, tudo isso uma
participao da prpria escola nessa mudana, nesse contedo, nesse envolvimento com a
prpria Justia do Trabalho, com o Tribunal Superior do Trabalho, com o Conselho Superior
da Justia do Trabalho, proporcionando ou procurando dinamizar esse conhecimento, esse
acesso ao conhecimento, desse novo, dessa mudana, desse processo que ser naturalmente
um marco, um marco diferenciador, um marco que trar uma possibilidade maior para que
ns possamos atuar com mais celeridade e eficincia. E esse o convite que fazemos, que
a Escola faz. A Escola faz um convite, um convite engajado nessa mudana, proporcionando,
dando condies para que todos possam participar, efetivamente, com convico de que
valer a pena investir para mudar e atingir um objetivo maior de uma eficincia na prestao
jurisdicional, possibilitando sociedade ser feliz.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 77
Desembargador do TRT/RJ Alexandre Teixeira de Freitas Bastos Cunha
Muita coisa vai mudar com o Processo Judicial Eletrnico. S que o processo contnua
sendo o meio. O meio onde o juiz pode desenvolver o seu trabalho, esse trabalho que todos ns
temos o orgulho de poder desempenhar, temos o privilgio de poder levar justa sociedade
brasileira. O momento de ns compreendermos bem essas mudanas que ocorrem, e a
Enamat aproveita exatamente todo esse momento de transformao para que atravs dele ns
possamos contnuar distribuindo justa, s que com melhor qualidade e adequada aos tempos
em que estamos vivendo.
Juiz Titular da 1 Vara do Trabalho de So Joo de Merit/RJ, Roberto da
Silva Fragale Filho
Na verdade, as possibilidades inseridas no mbito do Processo Judicial Eletrnico so
to grandes que at difcil imaginar o que isso vai ter de impacto e como vai ser o processo de
transformao da nossa atvidade profssional, do nosso ofcio; como que essa mudana vai
ocorrer, o que que a gente vai observar ao longo desse processo.
Na verdade, a primeira grande mudana se d com a modifcao do meio, do processo
pelo qual feita a intermediao entre as diferentes linguagens colocadas no rito processual.
Todo o nosso processo de intermediao um processo de reduo ao meio fsico, ao papel.
Quando eu colho um depoimento, eu transcrevo as palavras para um papel; quando eu colho e
tento observar os fatos, eu consigo e tento traduzir esses fatos em um papel, ou seja, eu tento
trazer todas as atvidades envolvidas no mbito do processo para aquele contexto especfco do
papel.
Com a nova intermediao, numa intermediao feita pelo intertexto, pela linguagem
virtual, pela linguagem eletrnica, a gente vai vivenciar um processo bastante complicado
um processo de desintermediao, em que ns vamos ser obrigados a repensar as nossas
atvidades, as nossas funes. E esse repensar passa por uma dupla circunstncia: a eliminao
das noes de tempo e a eliminao das noes de espao. O que que isto signifca? A
eliminao da noo de tempo est atrelada prpria forma como ns fazemos a contagem dos
prazos, ou seja, toda a nossa atvidade processual construda dentro de uma linguagem linear,
uma linguagem linear em que a um fato, a um ato processual se segue um ato subsequente. O
que a nova perspectva, o que a tecnologia, o que a linguagem virtual, o intertexto vai propiciar
uma simultaneidade, ou seja, eu no tenho a intermediao que produzida pelo papel. Eu
vou passar a ver a prpria linguagem sendo produzida instantaneamente, e com isso a nossa
lgica de uma contagem de tempo, em que as audincias esto limitadas a um horrio, em que
o meu prazo se encerra s 18 horas, tudo isso vai modifcar, vai sofrer uma mudana, porque vai
haver muito mais instantaneidade. Uma notfcao, por exemplo. O advogado, ao receber essa
notfcao, pode instantaneamente replicar se ele j tver algum documento pronto; alguma
exigncia de um documento, ela simultaneamente oferecida, o que vai fazer com que aquele
processo quase artesanal de receber, juntar, abrir concluso, tudo isso tenda a desaparecer.
Por outro lado, a segunda dimenso que eu mencionava, ou seja, a ideia de uma
eliminao da noo de espao, na verdade est atrelada prpria subverso da noo de
jurisdio. A jurisdio, ela me determina o espao fsico em torno do qual eu posso atuar,
mas que com a linguagem virtual, com o processo eletrnico, na medida em que se abre a
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78 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
possibilidade de uma interao a distncia, eu elimino as barreiras e as limitaes que me seriam
impostas pela circunstncia fsica. Eu posso assinar petes, eu posso realizar despachos a uma
distncia absolutamente gigantesca da minha comarca, uma vez que isso se faz pela certfcao
digital, pelo reconhecimento da autentcidade daquele ato realizado, esteja eu em Nova Iorque,
em Paris, no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Sul, enfm, em qualquer local. Eu elimino aquela
noo de jurisdio. E, ao eliminar a noo de jurisdio, que est atrelada a uma circunstncia
espacial, eu elimino boa parte da estrutura de funcionamento, que construda a partr da
noo de espao. Signifca dizer: a secretaria vai sofrer um impacto com a introduo de um
modelo virtual, uma vez que toda a intermediao que se faz pelo atendimento do balco, pelo
fornecimento de informaes, pode ser modifcado, pode ser submetdo, pode ser eliminado.
A estrutura do trabalho processual passa a ser diferente, e eu posso inclusive comear a pensar
e a cogitar e aqui talvez v uma especulao bastante interessante para a gente pensar em
termos de carga de trabalho, ou seja, no mais ter uma carga de trabalho distribuda a partr
de uma noo de espao, signifca dizer, uma comarca com 500 processos, uma outra comarca
com 1.500 processos e uma outra comarca com 6.000 processos. Mas comear a pensar, por
exemplo, que eu posso ter 3.000 processos distribudos igualmente por juiz, na medida em que
aquela noo espacial deixa de ser um delimitador, deixa de ser uma circunscrio, um espao
de atuao para realizao daqueles atos especfcos.
Ou seja, o Processo Judicial Eletrnico tem uma tentao, o risco da tentao da
resistncia de quem vai imaginar que apenas eu vou fazer mais do mesmo, apenas numa outra
linguagem, apenas num outro meio. Mas ele tem sobretudo uma potencialidade, uma ampla
gama de possibilidades, para a gente pensar num novo modelo de jurisdio, num novo modelo
de atuao, que vai certamente modifcar radicalmente o modo pelo qual a gente exerce ainda a
magistratura. No vai eliminar, eu tenho absoluta certeza, no vai eliminar o contato fsico, no
vai eliminar a necessidade de encontrar as pessoas, a necessidade de dialogar, a necessidade de
conversar, mas certamente vai eliminar muito do processo de intermediao que a gente hoje
realiza no mbito da nossa profsso.
Juza do Trabalho Substituta do TRT da 2 Regio Letcia Neto Amaral
As principais mudanas da rotna do magistrado com a implantao do PJe se referem
possibilidade de maior controle das atvidades desenvolvidas na Secretaria, que fcam visveis
no sistema. Em relao Secretaria, o prprio visual diferente. um visual mais limpo;
ns no temos os autos dos processos nas estantes. E alm disso, na rotna, no dia a dia dos
servidores, houve inmeras alteraes tambm, j que aquelas tarefas mais burocrtcas so
eliminadas com o PJe. Penso que o principal desafo a implementao desse novo sistema no
maior nmero de Varas possveis. Alm disso, o sistema excelente. Mas um sistema que est
em desenvolvimento, ento a ideia que as funcionalidades j existentes sejam aperfeioadas,
e que sejam criadas novas funcionalidades.
Minha avaliao pessoal do PJe uma avaliao extremamente positva: eu acho que
um sistema que veio para fcar, um sistema que veio para aperfeioar a celeridade processual,
conferindo mais qualidade de vida aos servidores, aos magistrados, aos advogados, e
aperfeioando cada vez mais a prestao jurisdicional aqui na Justa do Trabalho.
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Regio 79
Juiz Titular da 17 Vara do Trabalho de curitba/PR, Jos Aparecido dos
Santos
Eu acredito que as alteraes mais visveis que o processo eletrnico acarreta so de trs
ordens.
Primeiro, a agilidade no trabalho. Efetvamente o processo eletrnico atende nossa
necessidade de aumentar, acelerar mesmo, o trmite dos processos.
O segundo aspecto, que tambm me parece ser muito relevante, que o processo
eletrnico automatza vrias das rotnas entre o juiz e a secretaria. O juiz ganha muito em
produtvidade porque vrios daqueles trabalhos principalmente despachos meramente
ordinatrios desaparecem com o processo eletrnico, pois possvel automatzar as rotnas..
O terceiro aspecto, que tambm me parece muito relevante, que o processo eletrnico
permite um melhor controle do andamento dos processos. Com o processo eletrnico
possvel ao juiz saber efetvamente o que ele tem para fazer, o que falta fazer e se h servios
em atraso na secretaria.
Para o trabalho do juiz propriamente dito, creio que h duas grandes vantagens. A
primeira delas a possibilidade de o juiz trabalhar remotamente. A possibilidade de voc fazer
despachos, sentenas e assin-las de casa ou de qualquer outro local uma grande facilidade
para o trabalho do juiz. O segundo aspecto que, com a diminuio dos trabalhos burocrtcos,
h no s um aumento da agilidade, mas efetvamente diminui a quantdade de despachos e
outros trabalhos que so realizados pelo juiz. Com isso h um grande aumento da produtvidade
individual dos juzes.
Eu acredito que o processo eletrnico da Justa do Trabalho dever enfrentar dois
grandes desafos.
O primeiro deles como ns vamos conceber o processo eletrnico que ao mesmo
tempo seja unifcado em todo o pas, que seja consistente e que atenda, ao mesmo tempo,
s diversas rotnas que existem, s diversidades que existem, no s de tecnologia, mas de
procedimento de trabalho mesmo em todo o pas. O processo do trabalho foi feito basicamente
por juzes e servidores que, na tentatva de melhorar, de dar mais agilidade e celeridade ao
processo, esto constantemente transformando e modifcando suas rotnas. O processo
eletrnico dever ser fexvel a ponto que possa contnuar a atender essa expectatva.
O segundo desafo decorre do primeiro: como ns vamos fazer com que o processo
eletrnico efetvamente conte com a partcipao de todos os juzes e servidores que precisam
efetvamente estar frente desse processo, de modo que no o engessem, no impeam que
novos avanos sejam construdos no processo do trabalho.
Juiz Titular da 4 Vara do Trabalho de curitba/PR, Brulio Gabriel
Gusmo
A Lei 11.419 trata da informatzao do processo judicial. Com essa lei alguns autores at
defendem a existncia de princpios do processo eletrnico, princpios especfcos dessa nova
modalidade de representao do processo judicial.
Voc concorda com isso? Voc acredita que realmente ns estamos num novo momento
do processo? Esperamos que com este texto e com o material apresentado voc possa pensar
melhor a respeito.
---
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80 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
A proposta desse mdulo tratar deste momento de transio que vive o Judicirio,
de transio de um suporte do papel para o suporte eletrnico. Isso ocorre num momento
diferenciado da sociedade, que est, cada vez mais, digital. Esperamos que voc consiga
compreender essa proposta, avaliar isso, e que possa ser aproveitado para o dia a dia do seu
trabalho.
---
Este mdulo trata de dois temas. O primeiro mostra que a atvidade judiciria j est
totalmente permeada pela tecnologia, e isto j vem ocorrendo h algum tempo. O segundo
tema diz respeito ao confito que existe hoje, desta convivncia entre dois mundos. Na verdade,
ns j temos muito de um processo eletrnico, j temos muito de uma atvidade voltada para
o digital no dia a dia do servio judicirio. O objetvo que voc refita a respeito disso e possa
observar melhor como isso tem acontecido no dia a dia das suas atvidades.
---
A informao, de certa maneira, a base do nosso trabalho. Ns lidamos com a
informao a todo momento. Mas como que ela ocorre num mundo digital? O que um
objeto digital? O que um documento digital? Como isso ocorre, como isso se transmite,
como a informao fui nesse mundo digital? Esperamos que nesse mdulo voc possa ter
informaes a respeito disso e poder pensar melhor sobre o tema.
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 81
certfcao digital
Nesta nova fase da Justa brasileira, a certfcao digital um dos seus principais
aspectos. A opo por ela, feita pelo Conselho Nacional de Justa (CNJ), seguiu a tendncia
mundial em segurana da informao.
Assim, para propor uma ao trabalhista ou pratcar qualquer ato processual dentro
do Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho (PJe-JT), o advogado precisa de um
certfcado digital. Mas do que se trata exatamente isso?
Certfcao digital uma tecnologia que fornece mecanismos de segurana capazes
de garantr confabilidade, privacidade, integridade e inviolabilidade em mensagens e diversos
tpos de transaes eletrnicas. Ela imprescindvel para o processamento de dados e a troca
de mensagens e documentos entre cidados, governo e empresas.
O certfcado digital, por sua vez, um documento eletrnico que contm o nome,
um nmero pblico exclusivo denominado chave pblica e outros dados de identfcao
do usurio, seja este pessoa fsica ou jurdica. Ele exerce a funo da assinatura pessoal em
ambientes virtuais. Ou seja, certfcado digital no sinnimo de senha, mas um procedimento
complexo que a inclui.
Para a utlizao do Sistema PJe-JT, o certfcado digital somente no necessrio no
momento em que o ru precisa ver os documentos iniciais no processo. Nesse caso, ele dever
utlizar as chaves de acesso que constam da citao recebida pelo Correio. De qualquer forma, o
acompanhamento processual no fca comprometdo, pois possvel consult-lo pela Internet
sem restrio. Apenas as peas do processo exigem a certfcao digital para serem visualizadas
a qualquer tempo.
A seguir, apresentam-se defnies e explicaes mais detalhadas sobre a certfcao
digital e o Sistema PJe-JT, no intuito de tornar o seu usurio mais familiarizado com o tema.
82 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
1 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
Os computadores e a Internet so largamente utilizados para o processamento de dados
e para a troca de mensagens e documentos entre cidados, governo e empresas. No en-
tanto, estas transaes eletrnicas necessitam da adoo de mecanismos de segurana
capazes de garantir autenticidade, confidencialidade e integridade s informa-
es eletrnicas. A certificao digital a tecnologia que prov estes mecanismos.
No cerne da certificao digital est o certificado digital, um documento eletrnico que
contm o nome, um nmero pblico exclusivo denominado chave pblica e muitos outros
dados que mostram quem somos para as pessoas e para os sistemas de informao. A cha-
ve pblica serve para validar uma assinatura realizada em documentos eletrnicos.
A certificao digital tem trazido inmeros benefcios para os cidados e para as
instituies que a adotam. Com a certificao digital possvel utilizar a Internet como
meio de comunicao alternativo para a disponibilizao de diversos servios com uma
maior agilidade, facilidade de acesso e substancial reduo de custos. A tecnologia da cer-
tificao digital foi desenvolvida graas aos avanos da criptografia nos ltimos 30 anos.
1. Material divulgado no II Frum Gesto Judiciria O Processo Judicial Eletrnico, realizado de 24 a 26 de
outubro de 2012 no Auditrio do TRT/RJ.
1
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 83
A palavra criptografia tem origem grega e significa a arte de escrever em cdigos de
forma a esconder a informao na forma de um texto incompreensvel. A informao co-
dificada chamada de texto cifrado. O processo de codificao ou ocultao chama-
do de cifragem, e o processo inverso, ou seja, obter a informao original a partir do
texto cifrado, chama-se decifragem.
A cifragem e a decifragem so realizadas por programas de computador chamados
de cifradores e decifradores. Um programa cifrador ou decifrador, alm de receber a
informao a ser cifrada ou decifrada, recebe um nmero chave que utilizado para
definir como o programa ir se comportar. Os cifradores e decifradores se comportam de
maneira diferente para cada valor da chave. Sem o conhecimento da chave correta no
possvel decifrar um dado texto cifrado. Assim, para manter uma informao secreta,
basta cifrar a informao e manter em sigilo a chave.
2
O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
| CRIPTOGRAFIA
84 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
Atualmente existem dois tipos de criptografia: a simtrica e a de chave pblica. A
criptografia simtrica realiza a cifragem e a decifragem de uma informao atravs de
algoritmos que utilizam a mesma chave, garantindo sigilo na transmisso e armazena-
mento de dados. Como a mesma chave deve ser utilizada na cifragem e na decifragem,
a chave deve ser compartilhada entre quem cifra e quem decifra os dados. O processo
de compartilhar uma chave conhecido como troca de chaves. A troca de chaves deve
ser feita de forma segura, uma vez que todos que conhecem a chave podem decifrar a
informao cifrada ou mesmo reproduzir uma informao cifrada.
Os algoritmos de chave pblica operam com duas chaves distintas: chave privada e
chave pblica. Essas chaves so geradas simultaneamente e so relacionadas entre si,
o que possibilita que a operao executada por uma seja revertida pela outra. A chave
privada deve ser mantida em sigilo e protegida por quem gerou as chaves. A chave
pblica disponibilizada e tornada acessvel a qualquer indivduo que deseje se comu-
nicar com o proprietrio da chave privada correspondente.
ALGORITMOS CRIPTOGRFICOS DE CHAVE PBLICA
Os algoritmos criptogrficos de chave pblica permitem garantir tanto a confidenciali-
dade quanto a autenticidade das informaes por eles protegidas.
CONFIDENCIALIDADE
O emissor que deseja enviar uma informao sigilosa deve utilizar a chave pblica do des-
tinatrio para cifrar a informao. Para isto importante que o destinatrio disponibilize
sua chave pblica, utilizando, por exemplo, diretrios pblicos acessveis pela Internet.
3 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
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Regio 85
4 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
O sigilo garantido, j que somente o destinatrio que possui a chave privada con-
seguir desfazer a operao de cifragem, ou seja, decifrar e recuperar as informaes
originais. Por exemplo, para Alice compartilhar uma informao de forma secreta com
Beto, ela deve cifrar a informao usando a chave pblica de Beto. Somente Beto pode
decifrar a informao pois somente Beto possui a chave privada correspondente.
AUTENTICIDADE
No processo de autenticao, as chaves so aplicadas no sentido inverso ao da confiden-
cialidade. O autor de um documento utiliza sua chave privada para cifr-lo de modo a
garantir a autoria em um documento ou a identificao em uma transao. Esse resulta-
do s obtido porque a chave privada conhecida exclusivamente por seu proprietrio.
Sigilo utilizando criptografia assimtrica
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Regio
Assim, se Alice cifrar uma informao com sua chave privada e enviar para Beto,
ele poder decifrar esta informao pois tem acesso chave pblica de Alice. Alm
disto, qualquer pessoa poder decifrar a informao, uma vez que todos conhecem a
chave pblica de Alice. Por outro lado, o fato de ser necessrio o uso da chave priva-
da de Alice para produzir o texto cifrado caracteriza uma operao que somente Alice
tem condies de realizar.
5 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
Autenticidade utilizando criptografia assimtrica
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Regio 87
6 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
O mesmo mtodo de autenticao dos algoritmos de criptografia de chave pblica
operando em conjunto com uma funo resumo, tambm conhecido como funo de
hash, chamada de assinatura digital.
O resumo criptogrfico o resultado retornado por uma funo de hash. Este pode
ser comparado a uma impresso digital, pois cada documento possui um valor nico de
resumo e at mesmo uma pequena alterao no documento, como a insero de um
espao em branco, resulta em um resumo completamente diferente.
A vantagem da utilizao de resumos criptogrficos no processo de autenticao
o aumento de desempenho, pois os algoritmos de criptografia assimtrica so muito
lentos. A submisso de resumos criptogrficos ao processo de cifragem com a chave pri-
vada reduz o tempo de operao para gerar uma assinatura por serem os resumos, em
geral, muito menores que o documento em si. Assim, consomem um tempo baixo e uni-
forme, independente do tamanho do documento a ser assinado.
| ASSINATURA DIGITAL
010011
100101
010101
Assinatura digital utilizando algoritmos de chave pblica
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Regio
Na assinatura digital, o documento no sofre qualquer alterao e o hash cifrado
com a chave privada anexado ao documento.
Para comprovar uma assinatura digital necessrio inicialmente realizar duas oper-
aes: calcular o resumo criptogrfico do documento e decifrar a assinatura com a chave
pblica do signatrio. Se forem iguais, a assinatura est correta, o que significa que foi
gerada pela chave privada corresponde chave pblica utilizada na verificao e que o
documento est ntegro. Caso sejam diferentes, a assinatura est incorreta, o que sig-
nifica que pode ter havido alteraes no documento ou na assinatura pblica.
7 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
Conferncia da assinatura digital
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 89
8 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
A semelhana da assinatura digital e da assinatura manuscrita restringe-se ao princpio de
atribuio de autoria a um documento. Na manuscrita, as assinaturas seguem um padro,
sendo semelhantes entre si e possuindo caractersticas pessoais e biomtricas de cada indi-
vduo. Ela feita sobre algo tangvel, o papel, responsvel pela vinculao da informao
impressa assinatura. A veracidade da assinatura manuscrita feita por uma comparao
visual a uma assinatura verdadeira tal como aquela do documento de identidade oficial.
ASSINATURA MANUSCRITA
Nos documentos eletrnicos no existe um modo simples para relacionar o documento
com a assinatura. Ambos so compostos apenas pela representao eletrnica de
dados, ou seja, por uma seqncia de bits (0s e 1s), que necessitam de um computa-
dor para a sua visualizao e conferncia. Na assinatura digital, a assinatura gerada
diferente para cada documento, pois est relacionada ao resumo do documento.
ASSINATURA DIGITAL
Apesar das diferenas, a tcnica de assinatura digital uma forma eficaz de garantir
autoria de documentos eletrnicos. Em agosto de 2001, a Medida Provisria 2.200
garantiu a validade jurdica de documentos eletrnicos e a utilizao de certificados dig-
itais para atribuir autenticidade e integridade aos documentos. Este fato tornou a assi-
natura digital um instrumento vlido juridicamente.
O texto acima demonstra que o provimento de autenticao em documentos eletr-
nicos vivel tecnicamente, mas ainda restam duas questes fundamentais: como con-
seguir as chaves pblicas? Como garantir a identidade do proprietrio do par de
chaves? A resposta a ambas as questes o certificado digital.
| DOCUMENTO EM PAPEL X DOCUMENTO ELETRNICO
90 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
O certificado digital um documento eletrnico assinado digitalmente e cumpre a
funo de associar uma pessoa ou entidade a uma chave pblica. As informaes pbli-
cas contidas num certificado digital so o que possibilita coloc-lo em repositrios pblicos.
Um Certificado Digital normalmente apresenta as seguintes informaes:
t nome da pessoa ou entidade a ser associada chave pblica
t perodo de validade do certificado
t chave pblica
t nome e assinatura da entidade que assinou o certificado
t nmero de srie.
Um exemplo comum do uso de certificados digitais o servio bancrio provido via
Internet. Os bancos possuem certificado para autenticar-se perante o cliente, asseguran-
Certificado Digital da Autoridade Certificadora Raiz Brasileira ICP Brasil
9 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
| CERTIFICADO DIGITAL
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Regio 91
10 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
do que o acesso est realmente ocorrendo com o servidor do banco. E o cliente, ao soli-
citar um servio, como por exemplo, acesso ao saldo da conta corrente, pode utilizar o
seu certificado para autenticar-se perante o banco.
Servios governamentais tambm tm sido implantados para suportar transaes
eletrnicas utilizando certificao digital, visando proporcionar aos cidados benefcios
como agilidade nas transaes, reduo da burocracia, reduo de custos, satisfao do
usurio, entre outros. Alguns destes casos de uso so:
GOVERNO FEDERAL: o Presidente da Repblica e Ministros tm utilizado certificados
digitais na tramitao eletrnica de documentos oficiais, que sero publicados no Dirio
Oficial da Unio. Um sistema faz o controle do fluxo dos documentos de forma
automtica, desde a origem dos mesmos at sua publicao e arquivamento.
ESTADO DE PERNAMBUCO: primeiro estado brasileiro a utilizar a Certificao Digital. A
Secretaria de Fazenda de Pernambuco disponibilizou um conjunto de servios pela
Internet com base na certificao digital que proporcionou diversos benefcios como:
entrega de diversos documentos em uma nica remessa; reduo drstica no volume de
erros de clculo involuntrios; apurao automtica dos impostos; minimizao de
substituies de documentos e reduo de custos de escriturao e armazenamento de
livros fiscais obrigatrios.
IMPRESSA OFICIAL DO ESTADO DE SO PAULO: implantou certificao digital de ponta
a ponta em seu sistema que automatiza o ciclo de publicaes na Internet, permitindo
a eliminao das ligaes interurbanas e dos constantes congestionamentos telefnicos
em horrios de pico, uma vez que se utiliza a Internet com garantias de sigilo e privaci-
dade, alm da obteno de garantia de autoria por parte do autor das matrias.
92 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
POR QUE CONFIAR EM UM CERTIFICADO DIGITAL?
Entre os campos obrigatrios do certificado digital encontra-se a identificao e a assi-
natura da entidade que o emitiu, os quais permitem verificar a autenticidade e a inte-
gridade do certificado. A entidade emissora chamada de Autoridade Certificadora ou
simplesmente AC. A AC o principal componente de uma Infra-Estrutura de Chaves
Pblicas e responsvel pela emisso dos certificados digitais. O usurio de um certifi-
cado digital precisa confiar na AC.
A escolha de confiar em uma AC similar ao que ocorre em transaes convencionais,
que no se utilizam do meio eletrnico. Por exemplo, uma empresa que vende parcelado
aceita determinados documentos para identificar o comprador antes de efetuar a
transao. Estes documentos normalmente so emitidos pela Secretaria de Segurana de
Pblica e pela Secretaria da Receita Federal, como o RG e o CPF. Existe, a, uma relao de
confiana j estabelecida com esses rgos. Da mesma forma, os usurios podem esco-
lher uma AC qual desejam confiar a emisso de seus certificados digitais.
11 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 93
12 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
Para a emisso dos certificados, as ACs possuem deveres e obrigaes que so
descritos em um documento chamado de Declarao de Prticas de Certificao DPC.
A DPC dever ser pblica, para permitir que as pessoas possam saber como foi emitido
o certificado digital. Entre as atividades de uma AC, a mais importante verificar a iden-
tidade da pessoa ou da entidade antes da emisso do certificado digital. O certificado
digital emitido deve conter informaes confiveis que permitam a verificao da iden-
tidade do seu titular.
Por estes motivos, quanto melhor definidos e mais abrangentes os procedimentos
adotados por uma AC, maior sua confiabilidade. No Brasil, o Comit Gestor da ICP-Brasil
o rgo governamental que especifica os procedimentos que devem ser adotados
pelas ACs. Uma AC que se submete s resolues do Comit Gestor pode ser credenci-
ada e com isso fazer parte da ICP-Brasil. O cumprimento dos procedimentos auditado
e fiscalizado, envolvendo, por exemplo, exame de documentos, de instalaes tcnicas
e dos sistemas envolvidos no servio de certificao, bem como seu prprio pessoal. A
no concordncia com as regras acarreta em aplicaes de penalidades, que podem ser
inclusive o descredenciamento. As ACs credenciadas so incorporadas estrutura
hierrquica da ICP-Brasil e representam a garantia de atendimento dos critrios estab-
elecidos em prol da segurana de suas chaves privadas.
94 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
A certificao digital traz diversas facilidades, porm seu uso no torna as transaes
realizadas isenta de responsabilidades. Ao mesmo tempo que o uso da chave privada
autentica uma transao ou um documento, ela confere o atributo de no-repdio
operao, ou seja, o usurio no pode negar posteriormente a realizao daquela
transao. Por isto, importante que o usurio tenha condies de proteger de forma
adequada a sua chave privada.
Existem dispositivos que incrementam a proteo das chaves, como os cartes
inteligentes (smart cards). Eles se assemelham em formato e tamanho a um carto de
crdito convencional. Os smart cards so um tipo de hardware criptogrfico dotado de um
microprocessador com memria capaz de armazenar e processar diversos tipos de infor-
maes. Com eles possvel gerar as chaves e mant-las dentro de um ambiente seguro, uma
vez que as operaes criptogrficas podem ser realizadas dentro do prprio dispositivo.
Alguns usurios preferem manter suas chaves privadas no prprio computador.
Neste caso, so necessrias algumas medidas preventivas para minimizar a possibili-
dade de se comprometer a sua chave privada:
| RESPONSABILIDADES
13 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 95
14 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
t caso o software de gerao do par de chaves oferea a opo de proteo do acesso
chave privada atravs de senha, essa opo deve ser ativada, pois assim h a ga-
rantia de que, na ocorrncia do furto da chave privada, a mesma esteja cifrada;
t no compartilhar com ningum a senha de acesso chave privada;
t no utilizar como senha dados pessoais, palavras que existam em dicionrios ou so-
mente nmeros, pois so senhas facilmente descobertas. Procurar uma senha longa,
com caracteres mistos, maisculos e minsculos, nmeros e pontuao;
t em ambiente acessvel a vrias pessoas, como em um escritrio, usar produtos de
controle de acesso ou recursos de proteo ao sistema operacional, como uma senha
de sistema ou protetor de tela protegido por senha;
t manter atualizado o sistema operacional e os aplicativos, pois verses mais recentes
contm correes que levam em considerao as vulnerabilidades mais atuais;
t no instalar o certificado com a chave privada em computadores de uso pblico.
Em caso de suspeita de comprometimento da chave privada, seja por uma invaso
sofrida no computador ou pelo surgimento de operaes associadas ao uso da chave
que no sejam de conhecimento do seu proprietrio, a revogao do certificado deve
ser solicitada o mais rapidamente possvel AC responsvel pela sua emisso. Alm
disso, necessrio estar alerta s recomendaes da DPC quanto aos procedimentos
necessrios a revogao do certificado.
96 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
O certificado digital, diferentemente dos documentos utilizados usualmente para identi-
ficao pessoal como CPF e RG, possui um perodo de validade. S possvel assinar
um documento enquanto o certificado vlido. possvel, no entanto, conferir as assi-
naturas realizadas mesmo aps o certificado expirar.
O certificado digital pode ser revogado antes do perodo definido para expirar. As solic-
itaes de revogao devem ser encaminhadas AC que emitiu o certificado ou para quem
foi designada essa tarefa. As justificativas podem ser por diversos fatores como comprome-
timento da chave privada, alteraes de dados do certificado ou qualquer outro motivo.
A AC, ao receber e analisar o pedido, adiciona o nmero de srie do certificado a
um documento assinado chamado Lista de Certificados Revogados (LCR) e a publica. O
local de publicao das LCRs est declarado na DPC da AC que emitiu o certificado, e
em muitos casos o prprio certificado possui um campo com apontador para um
endereo WEB que contm o arquivo com a LCR. As LCRs so publicadas de acordo com
a periodicidade que cada AC definir. Essas listas so pblicas e podem ser consultadas
a qualquer momento para verificar se um certificado permanece vlido ou no.
Aps a revogao ou expirao do certificado, todas as assinaturas realizadas com
este certificado tornam-se invlidas, mas as assinaturas realizadas antes da revogao
do certificado continuam vlidas se houver uma forma de garantir que esta operao foi
realizada durante o perodo de validade do certificado. Mas como obter essa caracters-
tica? Existem tcnicas para atribuir a indicao de tempo a um documento, chamadas
carimbo de tempo. Estes carimbos adicionam uma data e hora assinatura, permitindo
determinar quando o documento foi assinado.
| VALIDADE
15 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 97
16 O QUE CERTIFICAO DIGITAL?
O usurio pode solicitar a renovao do certificado para a AC aps a perda de val-
idade deste. Na solicitao, o usurio pode manter os dados do certificado e at mesmo
o par de chaves, se a chave privada no tiver sido comprometida. Mas, por que no
emitir os certificados sem data final de validade? Porque a cada renovao da validade
do certificado renova-se tambm a relao de confiana entre seu titular e a AC.
Essa renovao pode ser necessria para a substituio da chave privada por uma
outra tecnologicamente mais avanada ou devido a possveis mudanas ocorridas nos
dados do usurio. Essas alteraes tm como objetivo tornar mais robusta a segurana
em relao s tcnicas de certificao e s informaes contidas no certificado.
Linha do tempo do certificado e assinatura digital
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 99
conhea o signifcado das siglas
mais importantes da certfcao Digital
1
certfcao Digital
A certfcao digital uma ferramenta de segurana que permite ao cidado brasileiro
realizar transaes, no meio eletrnico, que necessitem de segurana, como assinar contratos e
obter informaes sensveis do governo e do setor privado, entre outros exemplos.
O Brasil conta com um Sistema Nacional de Certfcao Digital que mantdo pelo
Insttuto Nacional de Tecnologia da Informao. Aqui voc encontra a traduo das siglas
dos rgos e dos processos que compem esse Sistema, para assim poder entender o seu
funcionamento.
iTi insttuto Nacional de Tecnologia da informao
O Insttuto Nacional de Tecnologia da Informao (ITI) uma autarquia federal vinculada
Casa Civil da Presidncia da Repblica, cujo objetvo manter a Infraestrutura de Chaves
Pblicas Brasileira (ICP-Brasil), sendo a primeira autoridade da cadeia de certfcao AC Raiz.
A Medida Provisria 2.200-2, de 24 de agosto de 2001, deu incio implantao
do Sistema Nacional de Certfcao Digital da ICP-Brasil. Isso signifca que o Brasil possui
uma infraestrutura pblica, mantda e auditada por um rgo pblico no caso, o Insttuto
Nacional de Tecnologia da Informao , que segue regras de funcionamento estabelecidas
pelo Comit Gestor da ICP-Brasil, cujos membros so nomeados pelo Presidente da Repblica,
entre representantes dos poderes da Repblica, bem como de segmentos da sociedade e da
academia, como forma de dar estabilidade, transparncia e confabilidade ao sistema.
ICP-Brasil Infraestrutura de Chaves Pblicas Brasileira
A Infraestrutura de Chaves Pblicas Brasileira (ICP-Brasil) uma cadeia hierrquica e
de confana que viabiliza a emisso de certfcados digitais para identfcar o cidado quando
estver transacionando no meio virtual, como a Internet.
Observa-se que o modelo adotado pelo Brasil foi o de certfcao com raiz nica, sendo
que o ITI, alm de desempenhar o papel de Autoridade Certfcadora Raiz (AC Raiz), tambm
tem o papel de credenciar e descredenciar os demais partcipantes da cadeia, supervisionar e
fazer auditoria dos processos.
1. Material divulgado no II Frum Gesto Judiciria O Processo Judicial Eletrnico, realizado de 24 a 26 de outubro de
2012 no Auditrio do TRT/RJ.
100 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
certfcado Digital
O certfcado digital da ICP-Brasil, alm de personifcar o cidado na rede mundial de
computadores, garante, por fora da legislao atual, validade jurdica aos atos pratcados com
seu uso. A certfcao digital uma ferramenta que permite que aplicaes como comrcio
eletrnico, assinatura de contratos, operaes bancrias, iniciatvas de governo eletrnico,
entre outras sejam realizadas. So transaes feitas de forma virtual, ou seja, sem a presena
fsica do interessado, mas que demandam identfcao inequvoca da pessoa que a est
realizando pela Internet.
Tecnicamente, o certfcado um documento eletrnico que, por meio de procedimentos
lgicos e matemtcos, assegura a integridade das informaes e a autoria das transaes. Esse
documento eletrnico gerado e assinado por uma terceira parte confvel, ou seja, uma Autoridade
Certfcadora que, seguindo regras emitdas pelo Comit Gestor da ICP-Brasil e auditada pelo ITI,
associa uma entdade (pessoa, processo, servidor) a um par de chaves criptogrfcas.
Os certfcados contm os dados de seu ttular, tais como nome, nmero do registro
civil e assinatura da Autoridade Certfcadora que o emitu, conforme detalhado na Poltca de
Segurana de cada Autoridade Certfcadora.
Ac-Raiz Autoridade certfcadora Raiz
A Autoridade Certfcadora Raiz da ICP-Brasil a primeira autoridade da cadeia de certfcao.
Executa as Poltcas de Certfcados e normas tcnicas e operacionais aprovadas pelo Comit
Gestor da ICP-Brasil. Portanto, compete AC-Raiz emitr, expedir, distribuir, revogar e gerenciar os
certfcados das autoridades certfcadoras de nvel imediatamente subsequente ao seu.
A AC-Raiz tambm est encarregada de emitr a lista de certfcados revogados e de
fscalizar e auditar as autoridades certfcadoras, autoridades de registro e demais prestadores de
servio habilitados na ICP-Brasil. Alm disso, verifca se as Autoridades Certfcadoras (ACs) esto
atuando em conformidade com as diretrizes e normas tcnicas estabelecidas pelo Comit Gestor.
Ac Autoridade certfcadora
Uma Autoridade Certfcadora uma entdade, pblica ou privada, subordinada
hierarquia da ICP-Brasil, responsvel por emitr, distribuir, renovar, revogar e gerenciar
certfcados digitais. Desempenha como funo essencial a responsabilidade de verifcar se o
ttular do certfcado possui a chave privada que corresponde chave pblica que faz parte do
certfcado. Cria e assina digitalmente o certfcado do assinante, em que o certfcado emitdo
pela AC representa a declarao da identdade do ttular, que possui um par nico de chaves
(pblica/privada).
Cabe tambm AC emitr Listas de Certfcados Revogados (LCR) e manter registros
de suas operaes, sempre obedecendo s prtcas defnidas na Declarao de Prtcas de
Certfcao (DPC), alm de estabelecer e fazer cumprir, pelas Autoridades Registradoras a ela
vinculadas, as poltcas de segurana necessrias para garantr a autentcidade da identfcao
feita.
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 101
AR Autoridade de Registro
Entdade responsvel pela interface entre o usurio e a Autoridade Certfcadora.
Vinculada a uma AC, tem por objetvo o recebimento, validao, encaminhamento de
solicitaes de emisso ou revogao de certfcados digitais s ACs e identfcao, de forma
presencial, de seus solicitantes. responsabilidade da AR manter registros de suas operaes.
Pode estar fsicamente localizada em uma AC ou ser uma entdade de registro remota.
DOUTRINAS
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 105
Processo Judicial Eletrnico:
um desafo necessrio
Cesar Marques Carvalho
1
Introduo
O maior desafo do mundo contemporneo neste incio de sculo possibilitar a
adaptao dos avanos tecnolgicos s diversidades sociais.
O desconhecimento do modo de vida dos pases distantes do centro social mais evoludo
no permita refexo alguma acerca dos efeitos causados pela ausncia de igualdade de
comportamento dos seres humanos e das agresses sofridas pelo homem em todo o seu meio
de convivncia.
Os chamados grandes descobrimentos e a rpida evoluo humana ao longo do tempo
que cada vez mais se acentua, com o alcance das descobertas cientfcas e tecnolgicas no
poderiam deixar de produzir reflexos no mundo social e, na outra ponta da linha, na realidade
judicial.
Como ponto de partda para a busca de um mundo melhor, o Conselho Nacional de
Justa (CNJ), insttudo pela Emenda Consttucional n 45, de 30 de dezembro de 2004, passou
a estabelecer metas de desempenho para cumprimento pelos tribunais, observadas a rapidez
e a efccia do processo, sem afastar a preservao da natureza, por intermdio do consumo
consciente de papel, energia, gua etc.
A instalao do processo eletrnico se encontra em andamento nos diversos Tribunais
Regionais do Trabalho, e o desafo se torna mais acentuado medida que surgem incidentes
no previstos no projeto inicial e que dependem de criatvidade para uma soluo provisria.
Outro ponto, no menos complexo, a mudana de comportamento de servidores, de
advogados, de magistrados e, agora, das partes, que j buscam informaes acerca da forma de
acompanhamento de seus processos pela rede mundial de computadores.
A rapidez do avano tecnolgico e a difuso do conhecimento sobre como extrair
vantagens dos novos meios de acesso informao, com certeza, contribuiro em muito no
apenas para o novo conceito do tempo razovel do processo, mas, sobretudo, para a rapidez na
efetvidade da Justa.
Histrico
Em muitas exposies feitas sociedade em geral, a indagao que se repete a
seguinte: Por que outros pases mais desenvolvidos no adotaram o processo eletrnico e o
Brasil resolveu inovar?.
1. Desembargador do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio e presidente do Comit Gestor Regional
do Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho (PJe-JT) no Rio de Janeiro.
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106 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
A resposta merece uma exposio histrica mais complexa, que ora reduzida. Ela
comea com o crescimento da imigrao em meados do sculo xIx, com a ampliao do comrcio
e da agricultura, e o incio do sculo xx, com a Primeira Guerra Mundial e, posteriormente,
com a chamada gripe espanhola. Esses incidentes fzeram com que o Brasil recebesse grande
massa de estrangeiros em busca de empregos e, tambm, investmentos em diversas reas da
economia. Destacam-se, dessa poca, o incremento do comrcio e da agricultura, sobretudo
quanto ao planto de caf, e o incio, ainda tmido, da indstria de tecelagem.
O Brasil desse perodo era totalmente desprovido de legislao que tratasse dos direitos
de trabalhadores, at por conta da mo de obra escrava, que, no por coincidncia, passou,
desde ali, a ser reduzida. A situao comea a mudar com a promulgao da Consttuio
Imperial de 1824, que proibiu a organizao de corporaes e assegurou a liberdade de
trabalho, seguindo-se da Lei n 396, de 2 de setembro de 1846 esta regulamentou a
contratao de trabalhadores estrangeiros , e do Cdigo Comercial de 1850, que tratou da
produo e do comrcio. De outro ngulo, com a exigncia de concesso de aviso prvio, em
caso de despedidas imotvadas, a enumerao de situaes de justa causa, a indenizao por
acidente de trabalho etc.
O aumento da produo e do consumo no Brasil, alm do incremento das exportaes de
caf, trouxe maior quantdade de imigrantes, muitos com prtcas de agricultura e de comrcio,
bem como o conhecimento das conquistas estrangeiras quanto aos direitos dos trabalhadores,
o que levou o governo a sancionar o Cdigo Civil.
Tal ato, ainda assim, no foi sufciente, gerando confitos no campo e na cidade, entre
trabalhadores, na maioria imigrantes, e donos de fazendas e indstrias, que acabaram sendo
submetdos ao Poder Judicirio, sem estrutura alguma para a apreciao das demandas. Dessa
poca data a implantao de um esboo do que seria a Justa do Trabalho, com representantes
dos trabalhadores e dos donos da produo, mediados por um magistrado, o que produziu
efeito positvo por pequeno espao de tempo e veio a ser desfeito.
Posteriormente, os refexos da quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, em 1929,
levaram mudana de rumo da economia do Brasil, aps o susto da perda de mercado do caf,
com a incrementao da produo industrial.
A situao era perfeita. O pas possua uma extenso inigualvel, o avano tecnolgico
chegava com os imigrantes estrangeiros, o crescimento populacional nas cidades movimentava
o consumo e os recursos naturais eram inexaurveis, diante do volume de rios e forestas
natvas. A diversifcao e o aumento de aplicaes fnanceiras no Brasil, contudo, trariam
novos confitos, que seriam submetdos ao Poder Judicirio, consolidando, tambm, a ideia de
necessidade da criao da Justa do Trabalho.
Adiantando muito no tempo, chegamos ao incio da primeira dcada do sculo xxI,
quando iremos encontrar um pas que j avanara politcamente, mas que ainda deixava muito
a desejar com relao aos aspectos sociais, econmicos e preservao ambiental.
Verifcou-se, ao longo dos anos, que o chamado modo capitalista de produo no trazia
o crescimento anunciado e, o que pior, apontava para o esgotamento dos recursos naturais, o
excesso de resduos poluentes e a ampliao das desigualdades sociais. No preciso ir muito
longe para verificar a conjuntura em que se encontra a Grande So Paulo (com enchentes,
engarrafamentos, onda de violncia, doenas respiratrias etc.) ainda nos dias de hoje.
A situao acima tem refexo direto em todos os ramos do Poder Judicirio, sobretudo na
Justa do Trabalho, com a rotatvidade de mo de obra, as doenas profssionais e os acidentes
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 107
de trabalho, sem falar nos desvios de conduta tca em diversos setores da administrao
pblica e no descumprimento de regras contratuais.
A globalizao, contudo, no restringe ou escolhe a ptria para investr. Nem os locais
de investmento podem deixar de evoluir em seu padro de comportamento, a fm de atrair o
capital permanente. Os clientes so mais exigentes e buscam mais informao. A bandeira da
criatvidade, com mesclas da diferenciao, deve ser erguida para atrair investmentos. E uma
das estrelas que mais brilham no dia de hoje a da responsabilidade socioambiental, como
diferencial estratgico.
No h dvida de que o crescimento inevitvel e o desenvolvimento, desejvel. Porm,
nada se construir, de forma segura e duradoura, sem a equivalente preservao do ambiente
e dos recursos naturais. Dentro dessa linha, conclui-se que, para insttuir um projeto duradouro
de desenvolvimento sustentvel, necessrio que ele seja visto por um prisma com trs
dimenses: progresso social, preservao ambiental e crescimento econmico, a fm de que
seja mantdo equilbrio socioambiental e socioeconmico que tenha como base a ecoefcincia.
Para a garanta do chamado desenvolvimento sustentvel, necessrio que o pas tenha
o seu Poder Judicirio preocupado com a rapidez da prestao jurisdicional, ainda que, por fora
do aumento do volume de conciliaes e da efccia da coisa julgada, garantndo o resultado do
processo de execuo, seja possvel antever a reduo drstca da utlizao de papel, tnta e
equipamentos de impresso.
Diante de tais premissas, o Banco Mundial, na presidncia de Sir James Wolfensohn
(1995-2005), advogado corporatvo e banqueiro, chegou a promover um encontro de
investdores com a magistratura brasileira em So Paulo. Ele exps que uma das maiores
difculdades de investmentos no Brasil decorria justamente da falta de transparncia do
Poder Judicirio e de clareza dos julgados, j que difcilmente conseguiam entender como
era possvel a Consttuio Federal estabelecer uma regra, a lei dar interpretao diversa, o
decreto fxar limites outros e, por fm, o juiz decidir totalmente contrrio a tudo. Foi salientada,
ainda, a grande difculdade de acompanhamento dos processos pelos advogados corporatvos
estrangeiros, que no conseguiam captar o motvo para a demora na tramitao das aes e,
quando da sentena, a execuo j no era mais vivel, ante o desaparecimento do devedor.
Aps tal evento, teve incio um grande movimento pela modernizao do Poder Judicirio, sem
perder a preocupao com a responsabilidade socioambiental, trazida pelas organizaes no
governamentais que aliceram o meio ambiente.
Em pases mais desenvolvidos, o volume de demandas muito menor e h maior rapidez
na entrega da prestao jurisdicional, fatores que tornam desnecessria a preocupao com
inovaes como o processo judicial eletrnico, o que no ocorria no Brasil.
No foi por outro motvo que, em 12 de julho de 2001, promulgou-se a Lei n 10.259,
insttuindo os juizados especiais cveis e criminais no mbito da Justa Federal. Ela estabeleceu
que Os tribunais podero organizar servio de intmao das partes e de recepo de petes
por meio eletrnico. Isso foi embrio para que o Tribunal Regional Federal da 4 Regio
lanasse o sistema e-Proc e, posteriormente, o da 5 Regio insttusse o sistema Creta.
Aps 2005, com a formao do CNJ, passaram a ser traadas metas de desempenho
voltadas para a celeridade processual com segurana do resultado tl das execues e
comprometdas com a questo socioambiental.
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108 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Para tanto, foi promulgada a Lei n 11.419, de 19 de dezembro de 2006, que insttuiu,
fnalmente, o processo eletrnico. A referida norma legal traz uma redao muito mais didtca
do que regulamentar, autorizando, assim, a construo do chamado novo processo judicial.
Mas, afnal, o que o Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho (PJe-JT)? um
servio que exige uma infraestrutura, que gera um produto (entrega da prestao jurisdicional),
que tem de ser tl ao usurio. E podemos cham-lo de servio? De fato no um servio, e,
sim, o servio: o sistema nico que integrar todos os ramos do Poder Judicirio.
implantao do Processo Judicial Eletrnico na Justa do Trabalho
Depois de haver mantdo contato com os Tribunais Regionais Federais, o CNJ houve por
bem convocar todos os demais rgos do Judicirio, que celebraram o Termo de Cooperao
Tcnica n 51, de 29 de maro de 2010, para a insttuio do Processo Judicial Eletrnico em
todas as reas do Poder Judicirio. Na mesma data, por meio do Acordo de Cooperao Tcnica
n 01/2010, assinado entre o Tribunal Superior do Trabalho (TST), o Conselho Superior da
Justa do Trabalho (CSJT) e os 24 Tribunais Regionais do Trabalho, todos os rgos do Judicirio
Trabalhista passaram a integrar o projeto, denominado Processo Judicial Eletrnico da Justa
do Trabalho (PJe-JT).
Inicialmente, a ideia era comear a implantao do novo sistema pelo processo de
execuo, o que foi promovido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 23 Regio, Mato Grosso,
mediante o lanamento do piloto em Cuiab, em fevereiro de 2011. Vrias foram as crtcas
feitas, j que seriam misturadas peas produzidas em papel, para posterior execuo de forma
eletrnica.
Novo rumo foi dado ao projeto, de forma que os tribunais passaram a se empenhar na
construo do sistema a partr da fase processual de conhecimento, vindo a ser instalado o PJe-
JT na Vara do Trabalho de Navegantes (SC), em 5 de dezembro de 2011. A partr da, unidades
em outros Regionais comearam a implantar o PJe-JT, como o caso da Vara do Trabalho de
Trs Rios (RJ), que recebeu o novo sistema em 18 de junho de 2012.
Rapidamente, o processo eletrnico foi estendido para os rgos da segunda instncia,
tendo o Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio optado pela 4 Turma como piloto, no
aspecto recursal, e pela Seo de Dissdios Individuais (Sedi) para a as aes originrias na
segunda instncia. Agora, superando os parmetros fxados para o cumprimento da Meta 16
do CNJ para o ano de 2012, o TRT/RJ j expandiu o sistema para todas as Turmas e Sees
Especializadas, as quais passaram a apreciar as aes de competncia originria da segunda
instncia pelo PJe-JT, que ser instalado em mais dezoito Varas do Trabalho (duas em Itagua,
trs em So Joo de Merit, seis em Nova Iguau e sete em Duque de Caxias) at o fnal de
dezembro de 2012.
Expanso do Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho
Para a expanso do Processo Judicial Eletrnico, em especial no mbito da Justa do
Trabalho, necessrio encontrar formas de vencer as vrias etapas da implantao, alm de
enfrentar difculdades imprevisveis. H algumas medidas adotadas nesse sentdo:
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 109
criao do Comit Gestor Nacional do Processo Judicial Eletrnico da Justa do
Trabalho (CGNPJe-JT), formado por quatro magistrados, secretrios e assessores
de Tecnologia da Informao, alm de representantes da Ordem dos Advogados do
Brasil (OAB) e do Ministrio Pblico do Trabalho (MPT), segundo o Ato Conjunto n
9/TST.CSJT.GP, de 25 de abril de 2011. O mesmo Ato criou a coordenadoria executva
do projeto, no mbito da Justa do Trabalho;
insttuio dos Comits Gestores Regionais, com o objetvo de gerenciar e planejar a
expanso do PJe-JT no mbito do respectvo Tribunal;
acompanhamento, teste, homologao e divulgao das alteraes realizadas no
sistema quinzenalmente, quando se tratar de medidas de ajuste ou de manuteno,
e mensalmente, no caso de tratar de alterao evolutva;
registro de solicitaes de reparo e sugestes de incrementao do sistema,
encaminhadas ao Comit Nacional pelos Comits Regionais, alm da anlise de
propostas apresentadas pela rea tcnica;
busca de melhorias na arquitetura do programa, a fm de facilitar o acesso e a
utlizao do sistema;
manuteno da estabilidade do sistema, com vistas a evitar a interrupo do
trabalho;
superao de entraves burocrtcos, sobretudo nas contrataes e aquisies
realizadas, fazendo o mximo para agilizar o andamento dos processos internos e
a realizao de adeso a atas, licitaes e/ou registros de preo, no que se refere
aquisio de cartes com chip ou pen drives USB, equipamentos (monitores,
desktops, leitoras de cartes etc.) e mobilirio adequado;
automatzao do lanamento de movimentos (estatstca), o que de suma
importncia para as unidades e, sobretudo, para as corregedorias e o controle do
TST, e evita o controle manual do volume de processos, do nmero de pessoas
envolvidas, das classes processuais e de assunto.
Independentemente disso, existem algumas contrataes que esto sendo feitas
diretamente pelo TST para utlizao por todos os tribunais, que devem ser apoiadas e
agilizadas:
remessa eletrnica de correspondncias, que sero impressas e entregues pela
Empresa Brasileira de Correios e Telgrafos (EBCT);
aumento da capacidade das redes de transmisso, tendo em vista o volume de
utlizao dos meios eletrnicos de comunicao.
Esses dois exemplos so sufcientes para observar que a expanso deve ser gradatva, e
no imediata.
Gesto de mudana
A implantao do Processo Judicial Eletrnico importar, como j se viu nas unidades-
piloto, uma grande mudana nos mtodos de trabalho e at no comportamento dos atores
diretamente envolvidos, como adiante se pode conferir.
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110 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
Servidores
O refexo da implantao do Processo Judicial Eletrnico no meio dos servidores no
ser percebido de imediato, mas aos poucos, com a substtuio gradual do acervo fsico pelo
eletrnico. A reduo do nmero de processos convencionais j provocar certa reao dos
servidores envolvidos, sendo muito importante a instruo para o novo mtodo de trabalho e o
aconselhamento, se for o caso, acerca da preparao para o desligamento ou a aposentadoria.
O trabalho sem o contato com autos fsicos acarreta certa difculdade inicial, mas nada
que no possa ser contornado com adequado treinamento.
De outro ngulo, o PJe-JT torna real o teletrabalho no mbito do Poder Judicirio, em vrios
setores. O trabalho em casa, contudo, deve ser sempre seguido de um perodo de experincia,
quer em funo do afastamento do contato com outros servidores, quer em razo da permanncia
em casa, que demanda o envolvimento com problemas domstcos enquanto se trabalha.
Magistrados
Em que pese ao fato de nos dias atuais os magistrados se utlizarem de sistemas
eletrnicos para a realizao de seus trabalhos, em seus gabinetes ou em suas residncias, a
verdade que o Processo Judicial Eletrnico afastar o contato fsico com os autos, colocando
disposio dele, se assim desejar, o acesso a todos os processos, de forma eletrnica, a qualquer
hora e em qualquer parte do mundo.
Alm disso, para os integrantes do segundo grau, todos podero acessar os votos dos
relatores, de forma prvia, e antecipar os seus prprios votos antes da sesso de julgamento.
importante fixar, tambm, que no h interrupo de petcionamento, ou mesmo de
distribuio de aes, em feriados, fnais de semana ou perodos de recesso, embora o prazo
esteja suspenso, o que poder levar o magistrado, apesar de tudo, a permanecer trabalhando
em momentos destnados ao repouso.
Advogados
Da mesma forma, os advogados tambm podero acessar os autos e a integralidade
do contedo dos processos, a qualquer tempo, salvo aqueles classifcados como sigilosos ou
sujeitos ao segredo de justa. Isso ser uma vantagem para fns de realizao de determinados
trabalhos, mas poder gerar a permanncia do profssional na labuta.
De outro ngulo, o advogado tambm dever se adaptar nova realidade tecnolgica do
processo, devendo aprender a forma de petcionar, recorrer, anexar documentos etc.
O que se tem observado que advogados mais antgos tm procurado contratar estagirios
ou advogados jovens, com experincia em informtca, para auxiliar no processo eletrnico.
Sade
No h dvida que o ato de abaixar para apanhar processos ou carregar volumes
pesados de autos deixar de existr, todavia o trabalho permanente com o processo eletrnico
tambm poder acarretar problemas de sade, em caso de digitao permanente, com leitura
em tela e, ainda, sem caminhar. Logo, essencial que os operadores do sistema do processo
eletrnico saibam interromper o trabalho em perodos previamente estabelecidos e realizar
rpidos exerccios durante o expediente.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 111
Independentemente, o acesso ao sistema deve se dar de forma moderada,
estabelecendo-se horrios especfcos para o trabalho, exerccios e descanso.
Regimentos internos
O Processo Judicial Eletrnico possui regras estabelecidas pelo Comit Gestor Nacional,
que muitas vezes confitam com os regimentos internos do Tribunais Regionais. Um dos
exemplos que se pode apresentar, desde logo, a discusso acerca da obrigatoriedade da
existncia de revisor em todos os processos ou se a fgura do revisor se tornou desnecessria
em razo do acesso de todos os membros dos rgos colegiados a todos os votos apresentados
para colocao do processo em pauta. Outro ponto diz respeito forma de processamento do
agravo regimental, se nos prprios autos e sob a mesma relatoria, ou se em autos apartados e
com relator prprio.
Muitos so os confitos que devem ser solucionados ao longo do tempo, com base nas
sugestes apresentadas por todos os tribunais.
Encurtamento das distncias
A difculdade de acesso ao Poder Judicirio muitas vezes resulta da distncia fsica
do frum ou, em outros casos, da restrio forada pelo trnsito das grandes cidades. Em
jurisdies como a de Itaperuna, no noroeste fuminense, que conta com a integrao de doze
municpios, muitos trabalhadores deixam de procurar os direitos trabalhistas em razo da
distncia e dos reduzidos meios de transporte. Fato semelhante se d na prpria cidade do Rio
de Janeiro, onde diversas pessoas e vrios advogados deixam de distribuir aes, tendo em vista
a difculdade de deslocamento, principalmente em virtude do congestonamento do trfego. O
processo eletrnico poder reduzir tais problemas, j que somente para as audincias as partes
e os advogados necessitaro comparecer sede do Juzo.
Requisitos mnimos do sistema
Para o funcionamento adequado do Processo Judicial Eletrnico, so necessrias
confguraes mnimas, que devem ser atendidas pelos usurios em geral:
certfcado digital vlido, baseado na ICP-Brasil (tpo A3 ou A4), seja em mdia do tpo
carto, seja do tpo token;
sistema operacional: atualmente o PJe-JT somente compatvel com o sistema
operacional Windows. recomendado o uso do Windows xP ou de verses
superiores, devendo-se evitar o uso do Windows 95, Windows 98 e Millenium;
navegador de Internet: o navegador para uso no PJe-JT o Firefox verso 6.0 (ou
verso superior). Ele pode ser de obtdo gratuitamente no site htp://br.mozdev.
org/download/. Para a verso atual do PJe-JT, o uso do Internet Explorer no
aconselhado, por problemas de compatbilidade com o Java (JRE);
Java Runtme Environment (JRE): deve ser instalado o JRE, tambm chamado de Java
ou Mquina Java, verso 1.6 ou superior. Trata-se de um plugin (programa acessrio)
necessrio para a execuo de tarefas no navegador de Internet. Verses atualizadas
do JRE podem ser obtdas gratuitamente no site htp://www.java.com/pt_br;
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112 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
leitora de carto ou token USB: caso o certfcado digital do usurio esteja armazenado
em um carto inteligente (carto com chip), ser necessria uma leitora de carto
compatvel para fazer a autentcao do usurio. Outra opo utlizar o certfcado
digital por meio do token USB, dispositvo semelhante a um pen drive, com memria
sufciente para armazenar dados e senhas, a fm de difcultar sua utlizao por outras
pessoas que no seus proprietrios. Instale o driver da sua leitora de carto (ou token
USB), programa que normalmente acompanha o produto;
gerenciador do certfcado digital: o SafeSign o programa responsvel pela
administrao do certfcado digital do usurio. por intermdio dele que o Windows
gerencia sua leitora de carto (ou token), acessando o seu certfcado digital quando
este for requisitado. O programa poder ser obtdo gratuitamente no site htp://
www.certsign.com.br/atendimento-suporte/downloads/leitoras;
cadeias de Certfcao ICP-Brasil e da autoridade certfcadora: devero ser
instaladas as cadeias de certfcao da ICP-Brasil e da autoridade certfcadora,
preferencialmente com base no site da autoridade que emitu seu certfcado;
conversor de arquivos para o formato PDF: o PJe s aceita documentos em formato
PDF. Para criar um arquivo desse tpo, preciso dispor de um programa que converta
seu documento original para PDF. Em diferentes sites da Internet possvel encontrar
programas gratuitos para esse fm, como o PDF Creator (htp://sourceforge.net/
projects/pdfcreator/).
Problemas de acesso
Apesar de todas as informaes disponibilizadas, muitas vezes os usurios tm problemas
para acessar o Processo Judicial Eletrnico, o que pode ocorrer por diversos motvos, sendo os
seguintes os mais comuns:
confgurao incorreta da mquina (driver da leitora, plugin Java, cadeias de
certfcado, navegador etc.), no tendo sido observados integralmente os requisitos
relacionados no item anterior;
usurio no est cadastrado no PJe. Exemplo de mensagem: Usurio ou login
invlidos. preciso lembrar que no basta possuir certfcao digital o usurio
deve estar cadastrado no sistema;
usurio j est cadastrado, mas existem inconsistncias em seus dados Exemplo
de mensagem: No foi possvel realizar a autentcao: Houve erro ao consultar os
dados da pessoa fsica na Secretaria da Receita Federal do Brasil.. Muitas vezes os
erros derivam de incorreo no endereo indicado (entre o que foi fornecido para o
cadastramento e o constante da Receita Federal), da indicao do estado civil ou do
nome, que pode se alterar em virtude de casamento ou de separao;
senha incorreta: trata-se de erro comum, mas necessrio no esquecer que
a repeto do erro por mais de dez vezes poder acarretar o cancelamento do
certfcado do usurio.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 113
O meio ambiente e os efeitos do processo eletrnico
O CNJ, preocupado com o consumo desenfreado de papel, gua, energia etc.,
estabeleceu metas de desempenho voltadas justamente para a reduo de gastos de elementos
que possam comprometer, pelo uso ou pelo consumo, o meio ambiente.
Com a adoo do processo eletrnico, a utlizao de papel e tnta tender a ser reduzida,
quase totalmente eliminada, devendo-se afastar qualquer forma de resistncia que venha a
tender pela permanncia do atual sistema.
Outro ponto de relevo diz respeito interoperabilidade, possibilitando a interao do
sistema do PJe-JT com outros programas necessrios celeridade do processo tais como
PJe-CALC (clculos), RENAJUD/BACEN JUD/INFOJUD, Dirio Eletrnico da Justa do Trabalho
(DEJT), AUD, MPT DIGITAL, V POST (ECT) , o que reduz, em muito, a utlizao de impressos e
de servios de mensageria.
O processo eletrnico, como j implantado e em franca expanso, busca eliminar a
primeira barreira formal utlizada ainda no suporte papel: a citao. Para tanto, est sendo
fnalizada a contratao do sistema V-POST, por meio do qual, como j mencionado, a unidade
judiciria expedir a comunicao a determinado endereo eletrnico da Empresa Brasileira
de Correios e Telgrafos, que providenciar a impresso e a entrega da correspondncia. Em
breve, espera-se que at mesmo essa formalidade seja defnitvamente abandonada, como
bem colocado, de forma sincera e correta, pelo eminente Desembargador Jos Renato Nalini,
corregedor-geral da Justa de So Paulo:
No crvel que em pleno sculo xxI, albores do terceiro milnio, a comunicao
na Justa convencional se faa por mtodo medieval, como se a humanidade no
dispusesse de um acervo enorme de instrumentos propiciadores de efccia e efcincia
comprovadamente maiores. importante arregimentar as mentes esclarecidas e
convencer os parceiros a se servirem da citao eletrnica, assim como de todas as
demais alternatvas comunicao fsica ainda em uso. Os maiores litgantes muito
ajudariam o Judicirio se aderissem a tais prtcas. (REVISTA JUSTIA & CIDADANIA.
urgente uma conscincia virtual. Rio de Janeiro: JC, ed. 147, nov. 2012).
O TRT/RJ tem se preocupado com tal aspecto, empenhando-se em projeto de crescimento
sustentvel que preserve a relao entre as partes e, tambm, o meio ambiente. Assim, busca-
se racionalizar meios para produzir um resultado que seja bom para toda a sociedade e para o
planeta, com a partcipao de todos, tendo sido lanado o seguinte compromisso: FAA PARTE
- FAZENDO A SUA PARTE.
Alm disso, o programa denominado Conciliar a Nossa Praia, integrante do Sistema
Permanente de Conciliao, tem procurado equilibrar a reduo da concentrao de demandas
com a agilizao das execues e o incentvo, em todas as fases processuais, da celebrao
de conciliao. O pedido para incluir o feito em pauta com vistas negociao realizada por
meio eletrnico, sendo desnecessrio emitr peto. O Processo Judicial Eletrnico permitr a
ampliao do sistema, j que as partes podero rapidamente ter acesso a todos os elementos
dos autos, facilitando a negociao, que poder ser realizada, em breve, por simples debate
eletrnico.
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114 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Para ampliar a partcipao no referido programa, tm sido realizadas reunies com
os maiores litgantes, com excelentes resultados, nas quais h razovel volume de processos
em que se eles se dispem a celebrar acordos. A prxima etapa, para a qual se espera igual
cooperao, a campanha de recebimento eletrnico de citaes, o que importaria em grande
avano na preservao do meio ambiente e nos efeitos do PJe-JT.
Desafos desconhecidos
Como todo e qualquer projeto realizado sob uma nova perspectva de mudana radical,
a transio para o Processo Judicial Eletrnico no ser diferente. No se tem ainda a dimenso
da capacidade do sistema em uso dirio, com volume excessivo de tramitaes, nem do padro
de estabilidade da rede, o que dever ser monitorado permanentemente.
Desafos sempre se apresentaro, alguns de soluo conhecida e outros que no
poderiam sequer ter sido previstos.
O Tribunal de Contas da Unio (TCU), ao realizar auditoria no Sistema Nacional de
Integrao de Informaes em Justa e Segurana Pblica (Infoseg), j apontou cuidados
tcnicos e de gesto que devem ser observados para evitar problemas no funcionamento, na
manuteno e at na evoluo dos sistemas eletrnicos, ressaltando estes como os mais graves:
gesto insatsfatria das cpias de segurana;
estrutura insatsfatria de recursos humanos;
funcionamento inadequado do servio de atendimento ao usurio;
falhas nos contratos de locao de prestao de servios;
desenvolvimento, manuteno e operao de sistemas sem superviso.
Para evit-los, o TRT/RJ tem adotado cuidados especiais, mantendo cpias de segurana,
sala-cofre e controle atento sobre a prestao de servios decorrente dos contratos de locao
celebrados.
De se registrar que Mitchell Baker, advogada especializada em direito digital e criadora
do Firefox navegador que revolucionou a Internet e est sendo usado pelo Processo Judicial
Eletrnico , declarou o seguinte em entrevista Revista VEJA, de 21 de novembro de 2012
(edio 2.296, p. 21), respondendo indagao do reprter acerca de ser bom ou ruim o Brasil
ser considerado hoje como um dos grandes celeiros de hackers:
Depende de como o Brasil educa seus hackers. Podem surgir garotos com habilidades
extraordinrias para empreender, gerar empregos e criar uma sociedade melhor. Ou
o Brasil poder ver aumentar as fraudes, os crimes virtuais, sem os benefcios de ter
gente talentosa.
No se pode deixar de comentar, neste ponto, a importncia do sistema educacional
em adotar, o mais rpido possvel, o ensino da informtca nas primeiras sries escolares e,
mesmo, nos cursos superiores, inclusive de Direito, com o apoio da prpria OAB. Cabe registrar
que o TRT/RJ, no ltmo concurso para o ingresso de servidores, incluiu matrias relatvas ao
conhecimento bsico da legislao que trata do processo eletrnico.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 115
Por outro lado, no que se refere aos recursos humanos, a estrutura teve de ser
integralmente revista, de forma a atender o volume de demandas decorrentes do Processo
Judicial Eletrnico. O volume de demandas de ajuste, de reparo e de manuteno tem crescido
mensalmente, o que auxilia no desenvolvimento do sistema, mas tambm preocupa, ante o
aumento imprevisvel do montante de processos eletrnicos aps o funcionamento pleno do
sistema em mais de uma dezena de Varas do Trabalho e nas Turmas do segundo grau.
O servio de atendimento ao usurio, interno e externo, tem sido motvo de preocupao
permanente, pois envolve aumento de mo de obra disponvel para prestar informaes e
solucionar demandas, alm do permanente treinamento, em face das frequentes alteraes
corretvas e evolutvas.
O novo sistema poder, ainda, provocar diversos pronunciamentos jurisdicionais em
casos concretos, determinando solues e, at, alteraes do prprio sistema, que no podero
deixar de ser atendidas, ainda que com alguma demora.
De toda sorte, s o tempo poder dizer se os caminhos escolhidos para a implantao
e a expanso foram os corretos e, caso contrrio, apontar outras solues, mas sempre com
o objetvo de manter ntegra a realizao da Justa, diante da irreversibilidade do sistema do
Processo Judicial Eletrnico.
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Regio 117
Processo judicial eletrnico o novo e o antgo
Marcos Cavalcante
1
Desde 2007, alguns livros que se debruaram sobre o tema processo judicial eletrnico
procuraram, na onda das novidades, diferenciar o novo do antgo, porm acabaram por mesclar
conceitos que confundem mais do que ajudam. Vamos fazer uma refexo sobre o assunto,
numa tentatva de entender o novo sem esquecer o antgo.
A primeira novidade que temos visto em tais l ivros diz respeito aos novos princpios
ou princpios peculiares do PJe. No entendemos que seja exatamente assim. O Processo no
mudou essencialmente. A reforma do Cdigo de Processo Civil (CPC), que aguarda aprovao
no Congresso, muda alguma coisa, verdade, mas a Lei n 11.419/06 e a Resoluo n 94/2012
do CSJT, no. Vamos por partes.
Processo, procedimento e princpios
Processo o sistema judicial de resoluo de confitos intersubjetvos que so
apresentados ao Estado. Fala-se tambm em processo como uma relao jurdica especfca
(processual) que se desenvolve entre o Estado, na fgura do juiz (e auxiliares) e partes.
Finalmente, diz-se que processo a sequncia de atos entre juiz e partes que visam soluo
do conflito. Seja como for, o PJe, conceitualmente, no muda nada disso.
Princpio, como afrma Ana Luiza Berg Barcellos, [...] designa a estruturao de um
sistema de ideias, pensamentos ou normas, por uma ideia mestra, por um pensamento-chave,
por uma baliza normatva, donde todas as demais ideias, pensamentos ou normas derivam, se
reconduzem e/ou se subordinam
2
. J Miguel Reale afrma que princpios so
[...] verdades ou juzos fundamentais, que servem de alicerce ou de garanta de
certeza a um conjunto de juzos, ordenados em um sistema de conceitos relatvos
a dada poro da realidade. s vezes tambm se denominam princpios certas
proposies que, apesar de no serem evidentes ou resultantes de evidncias, so
assumidas como fundantes da validez de um sistema partcular de conhecimentos,
como seus pressupostos necessrios
3
. (Grifo nosso).
Entendemos que este ltmo sentdo aquele que orienta a cincia jurdica em seu
dogmatsmo.
1. Desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio (TRT/RJ), ps-graduado em Administrao Judiciria
pela Fundao Getlio Vargas (FGV) e mestre em Cincias Jurdico-Filosfcas pela Universidade de Coimbra (UC),
Portugal.
2. In: Algumas consideraes sobre os princpios do devido processo legal e do contraditrio e as provas no direito
processual ptrio. Disponvel em: <www.ucpel.tche.br/direito/revista/vol6/01AnaLuiza.pdf>. Acesso em: 31 maio
2007.
3. REALE, Miguel. Lies Preliminares de Direito. 19. ed. So Paulo: Saraiva, 1991. p. 299.
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118 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
Princpio , pois, um dever-ser. Em termos de processo, o que no Brasil, hoje, queremos
dele. Podemos dizer que a me de todos os princpios do processo pode ser identfcada numa
palavra: efetvidade. Ou seja, que se resolva o confito, fazendo justa, com respeito s leis e de
forma rpida.
O PJe o mesmo processo, com os mesmos princpios e (quase) o mesmo procedimento.
Vejamos ento alguns princpios e caracterstcas do processo que so afetados pelo
Processo Judicial Eletrnico, mormente em seu matz trabalhista: PJe-JT.
Princpios procedimentais e caracterstcas do PJe-JT
Celeridade
Acreditamos que a maior mudana se dar no tempo morto do processo aquele
tempo em que os autos esto numa gaveta aguardando que algum tome uma providncia,
como expedir um ofcio ou uma notfcao ao advogado. Provavelmente, de 60% a 80% do
tempo total de um processo so consumidos nessa inrcia.
Com a informatzao e a criao de rotnas em que o prprio sistema cria, notfca,
intma os cadastrados (art. 4 da Lei 11.419/06) e gera um ofcio ou alvar , todo o servio
cartorrio desaparece e o ato processual correspondente imediato. Sem dvida, essa inovao
revoluciona o processo e diminui em muito o tempo de sua tramitao.
H motvos reais para sua celebrao e otmismo. Os casos relatados at agora (nos
lugares em que j foi implantado total ou parcialmente) notciam processos que diminuram
de meses para dias ou de anos para meses o tempo normal de tramitao. O PJe-JT, portanto,
ataca o mais grave problema do Judicirio brasileiro: a lentdo.
H tambm crtcas a serem feitas
4
, muita coisa a ser descoberta durante e aps a
implantao de todo o sistema. Eventualmente, muitos erros podero ocorrer, mas nada com
fora sufciente para postergar ou no iniciar sua efetvao.
Ubiquidade processual
No incio deste texto falamos em mudana. Algo que realmente muda a forma como
os atos processuais so registrados; noutras palavras, a parte formal do procedimento. Nesse
sentdo, uma nica caracterstca peculiar ao PJe-JT (que todos chamam de princpio, mas
ainda pensamos que mera caracterstca): ele ubquo.
A ubiquidade processual ocorre pelo fato de no haver mais autos fsicos como reunio
dos termos processuais em meio fsico, mas sim armazenados numa grande mquina, cujo
acesso pode ser feito de qualquer lugar no mundo, por qualquer pessoa, fazendo com que tais
atos se materializem na tela de qualquer dispositvo fxo ou mvel. Nas palavras de Alexandre
Atheniense, o tomo substtudo pelo bit
5
.
4. Vide texto do Exm procurador de Justa no Rio Grande do Sul Lenio Streck. CONSULTOR JURDICO. O processo
eletrnico e os novos hermeneutas. Disponvel em: <htp://www.conjur.com.br/2013-jan-03/senso-incomum-
processo-eletronico-novos-hermeneutas-parte>. Acesso em: 8 jan. 2013.
5 ATHENIENSE, Alexandre. Comentrios Lei 11.419/06 e as prtcas processuais por meio eletrnico nos tribunais
brasileiros. Curitba: Juru, 2010. p. 105.
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Regio 119
Essa , sem dvida, uma alterao de grande efeito. Traz, de imediato, mais concretude
ao princpio da publicidade. Na verdade, pode tornar a publicidade um princpio na prtca.
Abre-se um parntese: preciso, no entanto, interpretar o artgo 5 da Resoluo n
94, pois o que ali se regulamenta o acesso para o advogado ou para a prpria parte aqueles
que podem pratcar um ato processual. O referido artgo diz o seguinte, in verbis:
Art. 5 Para acesso ao PJe-JT obrigatria a utlizao de assinatura digital a que se
refere o inciso I do artgo 3 desta Resoluo.
Pargrafo nico. No caso de ato urgente em que o usurio externo no possua
certfcado digital para o petcionamento, ou em se tratando da hiptese prevista
no art. 791 da CLT, a prtca ser viabilizada por intermdio de servidor da unidade
judiciria destnatria da peto ou do setor responsvel pela reduo a termo e
digitalizao de peas processuais.
Para dar efetvidade ao princpio consttucional da publicidade do processo, o sistema
precisa dar oportunidade a qualquer cidado de ter acesso aos autos para consulta. No
apenas ao andamento processual, mas tambm ao seu contedo salvo se o juiz lhe restringiu
essa possibilidade (segredo de justa) nos casos legais. O artgo 28 e seu pargrafo nico, se
entendidos literalmente, parece-nos inconsttucionais, por ferirem o princpio da publicidade.
Fecha-se o parntese.
J vai longe o tempo em que se faziam grandes flas nos bancos para obteno de
informaes sobre contas. Hoje, de qualquer dispositvo seja nos caixas 24h, seja no aparelho
celular , podemos acess-las e fazer movimentaes fnanceiras. O mesmo ocorrer com o PJe-
JT quanto s informaes processuais, o que facilitar a vida de estagirios, advogados e partes.
No PJe-JT, num primeiro momento, quase todos ao atos sero codifcados em textos.
Entretanto, tambm j se vislumbra a realidade de arquivamento em som e udio (art. 12,
especialmente o 4 da Res. 94/12), no apenas por meio de pen drive ou outro dispositvo
para se conectar ao computador, mas por um link ou caminho, nos autos virtuais, para acesso
direto, on-line, ao arquivo. Os juzes podero ver lugares, coisas e pessoas nos autos digitais.
Em relao a essa probabilidade de udio e vdeo, pensamos que as potencialidades
do PJe-JT esto muito acima das possibilidades atuais, seja pela carncia (considerando todo
o Brasil, especialmente o interior dos Estados) de estrutura de hardware e/ou equipamentos
perifricos, seja pela ausncia de mentalidade, informao, treinamento, enfm, de pessoas
capacitadas para a implementao total. Os passos devero ser dados, mas de forma segura e
sem precipitaes que gerem pane no Sistema.
Os grupos gestores j devem estar pensando nas consequncias do impacto dessa
ubiquidade em termos de mudana da (des)necessidade de espao, pois, sem autos fsicos,
uma nova logstca tem de ser desenhada. Conforme artgo do desembargador Cludio Brando,
publicado na LTr de janeiro de 2013, 22% do espao fsico das instalaes dos tribunais e das
Varas so destnados ao arquivo de processos. Tambm se deve pensar em termos de nova
sistemtca para cartas precatrias, oitva de testemunhas e at para a localizao do servidor
da Vara, que pode atuar num processo de Vara do interior mesmo se estver lotado no
edifcio-sede.
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120 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Muito mais se poderia escrever sobre o impacto do PJe-JT, mas preciso tambm calar
e fazer, observar, critcar e aprender. O importante, neste momento ainda de transio, ter
pacincia e boa vontade. Entender que no se pode voltar. necessrio avanar, sem abrir mo,
no entanto, dos princpios que norteiam a prpria prestao jurisdicional: efetividade, devido
processo legal e justa.
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Regio 121
O Processo Judicial Eletrnico da
Justa do Trabalho: vantagens,
desvantagens e algumas novidades
Gustavo Carvalho Chehab
1
A Justa do Trabalho passa, neste momento, por uma transformao histrica na qual o
processo judicial trabalhista abandona, a passos largos, o secular registro de seus atos em papel
e entra na era digital do ciberespao. A limitao de tempo e de espao para a prtca de atos
processuais ganha novo contorno no mundo virtual. Realidades fsica e digital miscigenam-se
nas telas dos computadores dos operadores do direito.
Diante da rpida expanso desse ambicioso projeto, no h como ignor-lo, esconder-se
ou fngir que nada mudou. Saber e compreender a nova realidade do processo judicial virtual
uma necessidade urgente, que se impe a jurisdicionados, estudantes de direito, estagirios,
advogados, procuradores, servidores e magistrados.
O processo eletrnico apresenta vantagens e desvantagens em relao aos autos em
meio fsico que deveriam ser conhecidas, refetdas e debatdas pela comunidade jurdica. Alm
disso, ele tem partcularidades que mudam procedimentos e rotnas h muito consolidadas.
Entend-las importante para o bom uso da nova ferramenta digital, que j invade os fruns e
os tribunais do trabalho deste Pas.
1. Conceito e origem
O Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho (PJe-JT) o sistema informatzado
de processo judicial desenvolvido pelo Conselho Superior da Justa do Trabalho (CSJT), por
delegao do Conselho Nacional de Justa (CNJ), para substtuir os autos fsicos dos processos
trabalhistas por registros eletrnicos de dados e de andamento processual disponibilizados na
rede mundial de computadores (internet).
A plataforma de informtca que originou o PJe-JT nasceu do sistema eletrnico
desenvolvido pelo Tribunal Regional Federal da 5 Regio e foi adotado em 29 de maro de 2010
pelo CNJ
2
. Na mesma data, o CSJT e o CNJ frmaram o Termo de Acordo de Cooperao Tcnica
1. Juiz do Trabalho Substtuto no Tribunal Regional do Trabalho da 10 Regio (DF e TO), mestrando em Direito
Consttucional no Insttuto Brasiliense de Direito Pblico (IDP/DF), especialista em Direito do Trabalho e em
Processo do Trabalho pelo Centro Universitrio de Braslia (UniCEUB) e gerente de implantao do Processo Judicial
Eletrnico da Justa do Trabalho (PJe-JT) no TRT da 10 Regio.
2. BRASIL. Conselho Nacional de Justa. Termo de Cooperao 03/2010. Disponvel em: <htp://www.cnj.jus.br/
images/acordos_termos/TCOT_003_2010.pdf>. Acesso em: 29 out. 2012.
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122 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
51/2010, que inseriu a [...] Justa do Trabalho nas aes atnentes ao desenvolvimento de
sistema de Processo Judicial Eletrnico a ser utlizado em todos os procedimentos judiciais.
3
.
Tambm em 29/3/2010, todos os Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) do pas, o
Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o CSJT, por seus presidentes, frmaram o Termo de
Acordo de Cooperao Tcnica 01/2010, em que aderiram aos esforos de desenvolvimento do
Processo Judicial Eletrnico (PJe)
4
.
O CSJT, com o apoio de servidores e magistrados recrutados nos TRTs com extenso rol de
bons servios prestados
5
, montou equipes de desenvolvimento do sistema PJe-JT. As primeiras
Varas do Trabalho que o receberam foram Navegantes (SC), em 5 de dezembro de 2011; Caucaia
(CE), em 16 de janeiro de 2012; Vrzea Grande (MT), em 8 de fevereiro de 2012; Aruj (SP), em
27 de fevereiro de 2012; e Gama (DF), em 21 de maro de 2012. Os TRTs pioneiros, por sua vez,
foram o da 12, em 19 de maro de 2012; da 7, em 23 de abril de 2012; da 23, em 7 de maio
de 2012; da 2, em 14 de maio de 2012; e da 5 Regio, em 21 de maio de 2012.
At o fnal de 2012, todos os TRTs e mais de 200 Varas instalaram o PJe, superando a
Meta 16 do CNJ para a Justa do Trabalho referente a esse ano.
2. Vantagens e desvantagens do PJe
O sistema do PJe traz inmeras vantagens e desvantagens para magistrados, servidores,
procuradores, advogados e usurios em geral, que merecem amplos debates. Pela prtca
vivenciada na implantao e no funcionamento do PJe em unidades judicirias, observaram-se
algumas, descritas na tabela a seguir:
Parmetro Vantagens Desvantagens
acesso Justa amplia o acesso Justa
(24h por dia, durante todo
o ano, de qualquer lugar)
de quem possui internet de
banda larga e identdade
digital;
facilita o protocolo de
petes e de aes dirigidas
ao Tribunal nas localidades
mais distantes.
difculta o acesso Justa nos locais
sem internet de alta velocidade e de
quem no pode adquirir ou manter
certfcado digital.
3. BRASIL. Conselho Superior da Justa do Trabalho. Termo de Acordo de Cooperao Tcnica 51/2010.
Disponvel em: <htp://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_fle?uuid=31bc9b7b-4e7b-47ef-8ea8-
4fa0347b41ee&groupId=955023>. Acesso em: 29 out. 2012.
4. BRASIL. Conselho Superior da Justa do Trabalho. Termo de Acordo de Cooperao Tcnica 01/2010.
Disponvel em: <htp://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_fle?uuid=684898e1-f648-4be6-848e-
b8e467025ab0&groupId=955023>. Acesso em: 29 out. 2012.
5. Merecem destaques, pela inteligncia, amor e dedicao ao projeto e alta capacidade de trabalho, o desembargador
Cludio Brando, o juiz Alexandre de Azevedo e o servidor Paulo Camaro.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 123
celeridade
processual
elimina etapas burocrtcas
de secretaria (juntada,
autuao, numerao,
distribuio, etc.);
rapidez na concluso do
processo ao magistrado;
agilidade e pratcidade
no petcionamento pelos
advogados.
perda de tempo com difculdades
ocorridas na operao do sistema
(como concluso de tarefa,
localizao de funcionalidades, bugs,
travamentos, etc.);
sobrecarga de trabalho do juiz em
face do aumento de petcionamentos.
comparecimento
nas unidades
judicirias
diminui a necessidade de
deslocamentos at os rgos
judiciais e os custos da
advindos;
reduz o atendimento de
partes e procuradores no
balco, proporcionando
otmizao dos servios
judicirios;
permite o teletrabalho.
possibilidade de isolamento,
fragmentao e descontrole
decorrentes do teletrabalho.
requisitos para
a prtca de atos
processuais
restringe a atuao profssional
de operadores do direito que no
tenham certfcado digital vlido
ou no possuam equipamentos e
programas mnimos exigidos para
o funcionamento do PJe (ex.: Java,
internet, browser, etc.).
intmaes torna mais geis, prtcas e
efetvas as intmaes feitas
em meio eletrnico.
difculta o controle de prazos e
recebimento de intmaes dos
grandes escritrios, do MPT e das
procuradorias pblicas.
sade
ocupacional
elimina riscos advindos
de contato com agentes
biolgicos (caros, poeiras,
etc.).
aumenta riscos sade em face da
m postura (ergonomia), do esforo
repettvo e do sedentarismo.
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124 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
meio ambiente reduz a necessidade
de desmatamento para a
produo de papel;
diminui o lixo decorrente
de insumos (cartuchos,
impressoras, etc.);
reduz o espao para os
rgos judiciais funcionarem,
diminuindo a necessidade de
obras de construo civil para
abrigar novas unidades.
aumento do consumo de energia
eltrica pelo acrscimo do uso de
equipamentos eletrnicos;
ampliao das redes de informtca,
inclusive fbras interligando unidades
judicirias.
layout das telas facilita a familiarizao com
o sistema e a sua operao.
aumenta situaes de fadiga visual
ou ocular.
uniformidade do
sistema
facilita o acesso e manuseio
pelo usurio, que ter apenas
um sistema unifcado para
trabalhar.
limita a independncia judicial e a
autonomia dos tribunais, que devem
observar o fuxo das tarefas e as
rotnas pr-programadas.
organizao do
trabalho
abandono do modelo
fordista de organizao das
secretarias (por carteiras ou
tarefas).
adoo de prtcas toyotstas nas
secretarias das Varas e nos tribunais.
qualifcao dos
servidores
aumenta a necessidade de
servidores mais qualifcados
nas reas de direito e de
informtca.
necessidade de readaptao de
muitos serventurios da Justa;
aumento das situaes que exigiro
a requalifcao de servidores;
necessidade de constante
reciclagem e treinamento em face das
novas funcionalidades e verses do
sistema.
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a
Regio 125
gesto de dados
estatstcos
possibilidade de maior
controle dos dados
estatstcos e processuais
pelas partes, advogados,
juzes e tribunais (quando
estver implementado).
concentrao das
informaes do processo,
audincias, sesses e
movimentao processual em
um mesmo ambiente;
interoperabilidade do PJe
com outros sistemas (quando
estver implantado).
risco de a vigilncia se tornar
excessiva e gerar estresse e assdio
moral e/ou processual;
a jurisprudncia gerada no PJe ainda
no pode ser consultada e pesquisada
nos sites dos tribunais.
rapidez na
implantao
torna o PJe-JT um caminho
sem volta, consolidando-o;
possibilita que todos os
TRTs conheam, discutam
e contribuam para o
aperfeioamento das
funcionalidades do sistema;
acelera o desenvolvimento
de novas funcionalidades e a
correo de bugs.
difculdades do CSJT em atender
todas as queixas, unidades e
advogados de maneira clere e
efciente;
existncia de poucos multplicadores
capacitados nas diversas
funcionalidades do sistema;
defcincia pontual no treinamento
de magistrados, advogados e
servidores;
Implementao de funcionalidades
sem o devido amadurecimento,
treinamento e teste;
apario de erros e bugs que
difcultam o uso do sistema;
ausncia de funcionalidades
essenciais para o bom andamento
processual (como a baixa do recurso
ordinrio, o funcionamento do
planto judicirio, etc.);
sobrecarga das atuais equipes das
reas de tecnologia e de negcios;
incompatbilidades eventuais com
procedimentos, normas regimentais e
administratvas dos tribunais;
problemas de link, conexo,
certfcados digitais, equipamentos,
etc., difcultam a ampliao do PJe.
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126 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Em que pese s difculdades encontradas na implantao e no funcionamento do PJe e
s inmeras crtcas e elogios acerca de suas vantagens e desvantagens, o PJe-JT j realidade.
Ele traz um novo modelo de gesto processual que est sendo aperfeioado a cada verso do
sistema. Com o desenvolvimento de todas as suas funcionalidades, inclusive de integrao
com outros sistemas, o PJe-JT trar agilidade, segurana, rapidez, confabilidade e, sobretudo,
efcincia no novo processo eletrnico do trabalho.
3. Algumas novidades trazidas pelo PJe-JT
O PJe-JT possui diversas novidades em relao a alguns procedimentos comumente
observados nos processos fsicos que tramitam na Justa do Trabalho. Algumas delas merecem
especial destaque:
3.1. Credenciamento e habilitao no sistema
O art. 2 da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006, estabelece a obrigatoriedade do
credenciamento dos usurios do processo eletrnico no Poder Judicirio. O art. 6 da Resoluo
n 94, de 23 de maro de 2012, do CSJT regulamenta esse credenciamento no PJe-JT, e o seu
2 assim determina:
2 O credenciamento implica a aceitao das normas estabelecidas nesta Resoluo,
assim como nas demais normas que vierem a regulamentar o uso do processo
eletrnico no mbito dos Tribunais e a responsabilidade do credenciado pelo uso
indevido da assinatura digital.
Alm do credenciamento, os advogados e os procuradores (seus escritrios e estagirios)
devem estar habilitados para atuar em determinado processo eletrnico. Para isso, no basta
a mera juntada da procurao ou do substabelecimento o sistema do PJe exige a incluso
eletrnica do nome do profssional do direito em cada processo. Essa incluso pode ser feita no
momento em que forem elaboradas as petes iniciais ou pela secretaria do rgo judicial, em
virtude de requerimento do advogado habilitado ou do que deseja a habilitao (por caminhos
diferentes).
Os advogados habilitados nos autos eletrnicos recebem as intmaes eletrnicas
emitdas pelo sistema e visualizam os processos que lhe digam respeito no prprio PJe. H
agrupadores que indicam, por exemplo, as intmaes pendentes de cincia.
Para simplifcar, o PJe poderia, em caso de solicitao de habilitao, apresentar um
formulrio eletrnico, com efeitos de substabelecimento. Isso eliminaria a juntada de mais um
documento e facilitaria o trabalho da secretaria e dos advogados.
Como os sistemas de PJe-JT dos TRTs e das instncias da Justa do Trabalho ainda no
esto completamente integrados entre si, o credenciamento dos usurios deve ser feito em
cada TRT e em cada instncia (1 e 2 graus).
3.2. cadastro da peto inicial
A fm de dar plena vigncia aos arts. 10 da Lei 11.419/2006 e 21 da Resoluo n
94/2012 do CSJT, o cadastro processual das novas aes trabalhistas, com o PJe, passa a ser
feito pelo advogado, sem a interveno do cartrio da unidade judiciria, salvo nos casos de jus
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a
Regio 127
postulandi. Alguns TRTs j exigiam que o protocolo das novas demandas em meio fsico fosse
precedido de pr-cadastramento processual feito pelo advogado.
O advogado, ao fazer o cadastro da exordial, ter de preencher diversos campos
considerados obrigatrios pelo sistema. Um deles o CPF ou CNPJ do autor da demanda, sem
o qual no consegue incluir o seu nome. Caso o advogado no tenha o nmero do CPF ou do
CNPJ, na verso atual do PJe, somente o servidor da unidade judiciria poder inserir o nome
do autor.
Como a busca dos nomes no sto da Receita Federal feita pelo CPF/CNPJ, a princpio,
no h como editar o nome das partes no PJe, ainda que tenha sido alterado o nome da pessoa
(em virtude de casamento, divrcio, averbao de deciso judicial, mudana da denominao
social, etc.).
A falta de qualquer dado obrigatrio impede o ajuizamento da ao trabalhista no PJe.
3.3. Juntada de documentos
Diferentemente dos processos em meio fsico, no PJe-JT cada parte faz a juntada dos
documentos que deseja incluir. Na verso atual, o sistema aceita apenas anexar documentos
no formato PDF com 1,5 MB para cada documento e 300 DPi de resoluo, o que tem gerado
muitas crtcas de advogados. No h limites, porm, para a quantdade de documentos a
serem juntados. As partes, nesse contexto, devem digitaliz-los, identfc-los, organiz-los
(agrupando-os ou dividindo-os) e anex-los ao PJe, observados os limites de tamanho e de
resoluo grfca fxados pela atual verso do sistema.
O atual art. 16 da Resoluo n 94/2012 do CSJT estabelece que os documentos e as
petes juntados devem ser adequadamente organizados e classifcados para facilitar o
exame dos autos eletrnicos, podendo o juiz determinar sua reorganizao e classifcao. Na
prtca, ele permite que o juiz fxe prazo para que a parte identfque e agrupe logicamente a
documentao, sob pena do seu no conhecimento ou de indeferimento da peto inicial.
Uma vez juntado qualquer documento nos autos eletrnicos, ele estar publicado
na rede mundial de computadores. O juiz, verdade, poder torn-lo indisponvel para
visualizao. Essa medida tem efeito semelhante ao desentranhamento existente nos autos
fsicos, embora a pea contnue nos autos eletrnicos, em que ser identfcada com uma tacha,
mas sem permitr acesso ao usurio do sistema.
Segundo os arts. 11 da Lei 11.419/2006 e 13 da Resoluo n 94/2012 do CSJT, os
documentos juntados aos autos eletrnicos pelos profssionais de direito tm a mesma fora
probante dos originais. Permanece no PJe, contudo, a possibilidade de arguio de incidente de
falsidade documental, que ser processada em meio eletrnico, em caso de alegao motvada
e fundamentada de adulterao.
Partcularmente, entendo que permanece aplicvel o art. 355 do Cdigo de Processo
Civil, mesmo no PJe, podendo o juiz determinar a exibio do original do documento produzido
em meio fsico sempre que entender necessrio, inclusive para a audincia inaugural.
Documentos ilegveis ou cuja digitalizao se mostre invivel pelo grande volume (ou por
qualquer outro fator relevante) devem ser apresentados, em meio fsico, em dez dias, contados
do envio da peto que comunica a difculdade no procedimento.
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128 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
3.4. Petcionamento
O petcionamento nos autos eletrnicos feito mediante aba prpria aberta no PJe
quando ele acessado. No h, ainda, atalho que possibilite faz-lo diretamente apenas com
a identfcao do nmero do processo. O advogado deve, na verso atual, abrir os autos
eletrnicos e, s depois, a aba para anexar peto ou documentos.
Excepcionalmente, para os processos em que o advogado ou procurador no esteja
habilitado nos autos eletrnicos, possvel o petcionamento por meio da tarefa outras aes/
solicitar habilitao na aba processo. Essa opo originalmente destnada parte r ou ao
terceiro interessado que deseja intervir.
Os usurios podem contnuar usando seus editores de texto e colar a peto no editor do
PJe. Outra alternatva anexar a peto em PDF no mesmo local destnado ao petcionamento.
Em qualquer caso, no necessrio identfcar a data de elaborao do documento e do nome
do seu subscritor.
O CSJT tem exigido dos tribunais que, aps a implementao do PJe, as novas aes
trabalhistas somente tramitem eletronicamente. Nesse caso, diversamente do que tem
acontecido em alguns rgos da Justa Federal, o protocolo para o petcionamento fsico de
novas demandas e de requerimentos em autos eletrnicos fca fechado para as partes.
3.5. Comunicao dos atos processuais
O ponto mais controvertdo e questonado pelos usurios externos do PJe a
comunicao dos atos processuais, em especial as intmaes e as citaes.
Todas as citaes, intmaes e notfcaes feitas no processo eletrnico, inclusive as
das procuradorias pblicas e do Trabalho, sero feitas no processo eletrnico (art. 9 da Lei
11.419/2006), dispensada a publicao em rgo ofcial (art. 5, caput, in fne). Como no PJe
os autos esto disponveis na internet, essas comunicaes so consideradas vista pessoal para
todos os efeitos de lei (arts. 5, 6, e 9, 1).
A intmao ser considerada feita no dia em que o intmado fzer a consulta eletrnica
no sistema ou no dia tl subsequente, se a consulta tver sido realizada em dia no tl (art. 5,
1 e 2). Se no prazo de dez dias corridos da data do envio da intmao no houver acesso
comunicao do ato processual, a intmao ser considerada feita automatcamente ( 3). Ou
seja, o procurador da parte tem dez dias corridos para acess-la.
A princpio, as citaes emitdas em meio eletrnico no precisam ser acompanhadas
de contraf, nem de documentos (como no mandado de segurana), inclusive para a Fazenda
Pblica basta que as peas sejam acessveis ao citando (art. 6). No PJe-JT, o mandado de
citao costuma identfcar o endereo na web da consulta pblica de documentos daquele
rgo, em que cada pea do processo eletrnico pode ser acessada pelo seu cdigo numrico.
H, tambm, informao se aquele documento sigiloso.
3.6. Alvars eletrnicos
O sistema do PJe tambm prev a expedio de alvars eletrnicos, cujo original
estar acessvel ao usurio externo (como Bancos) da mesma forma que os documentos que
acompanham a exordial, isto , pela consulta pblica de documentos por meio do seu cdigo
numrico. Com isso, no ser necessria a impresso do alvar, pois o caixa do Banco o acessar
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a
Regio 129
diretamente da internet. possvel que, com a integrao do sistema, o alvar, no futuro, seja
disponibilizado para os Bancos.
3.7. identfcao das peas dos autos eletrnicos
No PJe-JT no existe a identfcao das peas pelo nmero da folha em que se encontram
nos autos. Cada documento que os compe recebe um cdigo de identfcao, denominado ID,
que o singulariza. A referncia a essa pea feita pelo ID (ex.: ID 0001, p. 2).
3.8. Carga e vista dos autos
No PJe-JT no cabe mais pedido de carga ou vista dos autos. Eles esto disponveis na
internet e podem ser acessados livremente pelos usurios cadastrados. Somente em caso de
segredo de justa ou de sigilo de documentos que ser necessria a permisso de acesso pelo
magistrado.
Os documentos enumerados no mandado de citao podero ser acessados, salvo sigilo
ou segredo de justa, mediante a consulta pblica j mencionada. Portanto, tambm aqui no
h que se falar em pedido de vista ou carga dos autos.
Os advogados podem consultar, inclusive, processos de terceiros. Nesse caso, porm, o
sistema registra a data, o horrio e o profssional que os acessou.
3.9. Apresentao de contestao nas Varas do Trabalho
A atual redao do art. 22 da Resoluo n 94/2012 do CSJT estabelece que os advogados
credenciados devem apresentar as contestaes eletrnicas e documentos antes da realizao
da audincia, sem que isso desonere o seu comparecimento a ela. Muitos TRTs fxaram o prazo
de at uma hora antes da audincia para a juntada, no PJe-JT, da defesa e de documentos.
Permanece, como no poderia deixar de ser, a possibilidade de apresentao de defesa
oral, nos termos do art. 847 da Consolidao das Leis Trabalhistas (art. 22, pargrafo nico, da
Resoluo n 94 do CSJT). Nessa situao, alguns juzes tm concedido prazo para a juntada de
documentos e, se for o caso, de credenciamento e de habilitao do advogado no PJe.
A vedao da juntada em audincia da defesa eletrnica e de documentos decorre,
principalmente, da economia do tempo a ser destnado a essa tarefa e da poltca de segurana
da informao dos tribunais. Alguns advogados de reclamados asseveraram que essa prtca
difculta a conciliao na primeira audincia. Sugestes de juntada em sigilo desses documentos
ou de apenas deixar o protocolo deles em audincia esto sendo encaminhadas para anlise de
Comit Gestor Regional do PJe e, caso aprovadas, ao Comit Gestor Nacional.
3.10. Peculiaridade nas audincias e sesses
No PJe-JT, apenas o magistrado assina a ata da audincia trabalhista (art. 24 da Resoluo
n 94/2012 do CSJT). At mesmo as testemunhas deixam de subscrev-la
6
.
Tanto nas sesses de julgamento nos tribunais como nas audincias trabalhistas nas
Varas, as partes passaro a dispor de terminais de computadores para acessar livremente os
autos do Processo Judicial Eletrnico (art. 17 da Resoluo n 94/2012 do CSJT).
6. O que pode ser um problema para fns de responsabilizao do crime de falso testemunho.
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130 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Com o futuro aprimoramento do PJe, ser possvel inserir a gravao das audincias (ou
de parte delas) em arquivos de udio (MP3 ou MPEG-1), udio e vdeo (MPEG-4) e imagem
(JPEG), conforme art. 12, II a IV e 4, da Resoluo n 94/2012 do CSJT. Nesse caso, a dinmica
das audincias possivelmente mudar. As perguntas dirigidas s partes e s testemunhas
podero ser feitas por temas objeto da prova (jornada de trabalho, motvo da resciso, etc.).
Concludo o tema e passado para o seguinte, haver precluso para o tpico cuja inquirio
fndou. Isso facilitar a indexao dos temas objeto da prova e seu exame, consulta e reviso
pelos operadores do direito. Juzes e advogados, provavelmente, podero fazer marcaes de
trechos de declaraes que possibilitaro o uso como links em petes, recursos e decises e
tornaro desnecessria a transcrio de depoimentos em sentena, acrdos e outras peas
processuais.
3.11. Formao de autos suplementares
Estabelece o art. 26 da Resoluo n 94/2012 do CSJT que, aps a instalao do PJe
na segunda instncia, ser dispensada a formao de autos suplementares para agravos de
instrumento, precatrios, agravos regimentais e execuo provisria. Nesses casos, sero
aproveitados os autos eletrnicos do PJe-JT.
3.12. Deslocamento de competncia acolhido em autos fsicos
Uma difculdade que as unidades judicirias que j utlizam o PJe encontram quando
recebem os autos fsicos em que foi acolhida exceo ou preliminar de incompetncia ou
preveno. Como tem sido vedada a tramitao dos autos em papel, eles somente poderiam
tramitar em meio eletrnico.
A converso dos autos fsicos para eletrnicos, por meio de digitalizao das peas,
pode ser bastante trabalhosa para a secretaria da Vara do Trabalho. Alm disso, as partes e
seus procuradores, caso no estejam credenciados no PJe, devem ser intmados por meio fsico,
inclusive para providenciarem o referido credenciamento em prazo razovel.
Diante disso, boa parte dos juzes que usam o PJe tem extnto o pedido formulado em
autos fsicos, sem resoluo de mrito, para que a parte ingresse diretamente com a ao
trabalhista no sistema do PJe. Essa soluo bastante discutvel luz do art. 311 do CPC.
consideraes fnais
O Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho est em rpido processo de
expanso e instalao nas unidades judicirias trabalhistas. Esse novo meio digital tem
inmeros benefcios para partes, advogados, servidores e magistrados, mas tambm diversas
desvantagens, que precisam ser mais conhecidas, refetdas e debatdas.
A nova realidade dos autos eletrnicos traz diversas mudanas em procedimentos
e rotnas comumente adotados na prxis trabalhista. Entre essas novidades destacam-se a
necessidade de credenciamento e habilitao de usurio no PJe, cadastro da peto inicial
feito pelo advogado, mudana na politca de juntada de documentos, maneira de realizar o
petcionamento eletrnico, nova sistemtca da comunicao dos atos processuais, expedio
de alvars eletrnicos, identfcao das peas dos autos eletrnicos, supresso da carga e
vista dos autos, apresentao de contestao nas Varas do Trabalho, aspectos relacionado s
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 131
audincias e s sesses de julgamento, supresso de autos suplementares e extno de pedido
em caso de deslocamento da competncia de autos fsicos para Vara que utliza o PJe.
importante conhecer e entender essas novidades, essenciais para o bom desempenho
dos operadores de direito no novo Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho brasileira.
Referncia bibliogrfca
BRASIL. Conselho Nacional de Justa. Termo de Cooperao 03/2010-CNJ. Disponvel em:
<htp://www.cnj.jus.br/images/acordos_termos/TCOT_003_2010.pdf>. Acesso em: 29 out.
2012.
______. Conselho Superior da Justa do Trabalho. Termo de Acordo de Cooperao Tcnica
51/2010. Disponvel em: <htp://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_fle?uuid=31bc9b7b-
4e7b-47ef-8ea8-4fa0347b41ee&groupId=955023>. Acesso em: 29 out. 2012.
______. Conselho Superior da Justa do Trabalho. Termo de Acordo de Cooperao Tcnica
01/2010. Disponvel em: <htp://www.csjt.jus.br/c/document_library/get_fle?uuid=684898e1-
f648-4be6-848e-b8e467025ab0&groupId=955023>. Acesso em: 29 out. 2012.
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a
Regio 133
A padronizao de procedimentos no processo
do trabalho e sua aplicabilidade no processo
eletrnico o constante aperfeioamento
da prestao jurisdicional
Rmulo Soares Valentni
1
1. Introduo
Nesta fase de consolidao da chamada terceira onda do acesso Justa, percebe-se a
tendncia de realizar uma srie de reformas na estrutura de funcionamento do Poder Judicirio,
que inclui [...] alteraes nas formas de procedimento, mudanas na estrutura dos tribunais ou
a criao de novos tribunais [...]
2
. A facilidade de acesso Justa possibilita a uma quantdade
maior de cidados ingressar nela, embora a sua estrutura de trabalho e a legislao processual
tenham sido projetadas para uma realidade distnta.
A lgica processual do sculo xx se baseia em uma concepo atomista, limitada ao
processo em si, sem pensar que a no resoluo de um processo no diz apenas respeito s
partes envolvidas no confito, mas tambm implica o retardamento dos demais processos e no
assoberbamento do servio judicirio.
Portanto, o acmulo de processos e a morosidade do seu trmite so uma consequncia,
at certo ponto, esperada. Em uma poca na qual a dinmica das relaes empresariais e a
agilidade proporcionada pelos novos meios de comunicao importam em um nmero cada vez
maior de processos que clamam por solues mais rpidas, necessrio pensar em reformas
legislatvas e jurisprudenciais
3
e, sobretudo, na criao de novas estruturas organizacionais e
planejamentos estratgicos no mbito do Poder Judicirio.
Entretanto, a forma mais barata, efetva e imediata de transformao da estrutura
judiciria para atender satsfatoriamente aos anseios sociais consiste na padronizao dos
procedimentos processuais e na reduo da burocracia procedimental no mbito das prprias
Varas. Importante esclarecer que isso no signifca tratar todos os processos do mesmo modo,
ignorando as partcularidades de cada caso concreto. Tampouco deve ser vista como afronta
ao devido processo legal e s instrues emitdas pelos rgos superiores. O que se pretende
no reduzir os direitos processuais, mas racionalizar os procedimentos e mtodos pelos quais
eles podem ser exercidos para encontrar as rotnas de trabalho mais efetvas, possibilitando
1. Servidor do Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio, assistente de juiz da 2 Vara do Trabalho de Maca (RJ) e
mestre em Direito do Trabalho pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
2. CAPPELLETTI, Mauro. Acesso Justa. Traduo de Ellen Gracie Northfeet. Porto Alegre: Fabris, 1988. p. 71.
3. Como exemplo comum e ilustratvo, tem-se a seguinte situao: razovel supor que o recebimento de um
mandado de intmao para realizar o pagamento de uma dvida trabalhista em 48 horas, sob pena de penhora de
seus bens, poderia exercer o temor da coao no devedor trabalhista nos idos das dcadas de 1940 e 1950, mas
nem tanto em uma poca na qual uma transao de internet banking pode ser feita em cinco minutos, e a parte
pode ter conhecimento da expedio do mandado, em tempo real, dentro do conforto de sua residncia.
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134 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
conciliar a busca pela celeridade na tramitao dos feitos com os princpios que norteiam o
devido processo legal.
Nesse aspecto, o processo do trabalho, por ser mais especializado e abraar a
instrumentabilidade e a simplicidade processuais, revela-se mais propenso a possibilitar uma
padronizao de procedimentos mais efciente do que o processo civil. Neste, entre outras
limitaes legais, incumbe s partes o dever de impulsionar o andamento processual. Em
outras palavras, a prtca de atos de ofcio pelo juiz e pela secretaria extremamente restrita,
o que faz com que cada processo da Vara caminhe no ritmo do advogado que o impulsiona.
Por outro lado, no processo do trabalho o princpio da inrcia relatvizado e sua interpretao
deve ser feita em consonncia com o artgo 765 da Consolidao das Leis Trabalhistas (CLT), o
qual permite que o juiz do trabalho o impulsione.
Percebe-se, assim, uma clara vantagem em termos funcionais do processo do trabalho
em relao ao civil: o juiz tem maior liberdade para conduzi-lo e mais contato com as partes
por meio de audincias obrigatrias, alm da irrecorribilidade de suas decises interlocutrias.
Encontra-se, portanto, em posio privilegiada para se valer da instrumentabilidade do processo
com vistas a possibilitar decises mais cleres e efcientes.
O juiz tambm duplamente benefciado com a padronizao e a racionalizao dos
despachos, pois tem a garanta de que as suas ordens e o seu entendimento sobre o processo
trabalhista sero seguidos pelas partes e pela secretaria durante todo o processo, sem que
seja necessrio analisar cada um deles vrias vezes, e, ao mesmo tempo, poder se concentrar
unicamente em sua atvidade-fm primordial: proferir sentenas que resolvam defnitvamente
a controvrsia jurdica existente no processo e entregar s partes o direito material postulado.
2. A lgica da padronizao no processo do trabalho tradicional
A padronizao de procedimentos pode e deve ser adequada ao entendimento jurdico
do juiz ttular da Vara do Trabalho e s partcularidades de cada unidade jurisdicional. Como
premissa geral, so estes os elementos gerais que norteiam essa padronizao:
elaborao de ordens de servio para regulamentar a prtca de atos ordinatrios
pelos servidores da Vara do Trabalho, conforme determinado no art. 162, 4,
do CPC, o que diminui a quantdade de despachos a serem proferidos e facilita o
estabelecimento de rotnas de secretaria mais efcientes;
publicao de despachos-padro mais completos, que j contemplem as situaes
mais comuns, seguindo a experincia forense, para nortear o rumo provvel do
processo, abrangendo as variaes mais comuns que podem ocorrer. o caso de
uma determinao de ata de audincia que j regulamenta, de imediato, data de
realizao da percia, prazo para entrega do laudo pericial, prazo de vista do laudo
pericial s partes, levantamento de alvar ao perito e designao de audincia de
prosseguimento. Nessa hiptese, salvo se ocorrer algum evento inesperado, nenhum
novo despacho precisar ser proferido, e o contato do juiz com os autos ocorrer
apenas durante a realizao da audincia de prosseguimento;
despachos-padro que autorizem a juntada da maior parte das petes interpostas
por ordem de servio (elimina-se, assim, a necessidade de aguardar a assinatura
do juiz), tornando desnecessrio remeter o processo concluso, caso siga o rumo
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 135
previsto. Trata-se, afnal, de cumprimento da mesma ordem judicial j proferida,
ainda que em lapsos temporais diversos.
Com a concentrao de ordens secretaria em despachos-padro, haver decrscimo
do tempo gasto para o cumprimento sucessivo de diversas ordens, ao passo que, sem a
padronizao, apenas ser cumprida aquela que for imediata. Ainda, os servidores tero
seu trabalho facilitado, haja vista que podero prestar informaes com maior segurana.
Isso porque a padronizao de despachos torna mais fcil, para todos os servidores da Vara,
a compreenso do rumo que cada processo ir tomar. O resultado a maior celeridade nos
trmites de secretaria.
Ainda, como um efeito esperado no mdio prazo, tem-se que os advogados atuantes
na jurisdio iro se acostumar com os novos procedimentos e com a maior celeridade
proporcionada e tendero a reduzir tambm o nmero de petes protocoladas.
Os momentos oportunos para realizar a concentrao de despachos no processo do
trabalho so aqueles em que so obrigatrios a concesso de vista s partes e o contato do juiz
com os autos.
O primeiro momento de vista obrigatria a citao das partes para a audincia inicial.
Embora a CLT, em seu art. 841, delegue essa tarefa ao diretor de secretaria, a anlise prvia
dos autos pelo juiz (triagem) como primeira etapa de saneamento do processo compatvel
com o processo do trabalho e, inclusive, necessria para averiguar a existncia de pedidos de
antecipao de tutela.
Sendo assim, esse momento pode ser aproveitado para a prolao de despachos que
visem adequao do processo, por meio da extno de feitos que se revelarem eivados de
vcios insanveis ou da determinao de procedimentos que garantam que o processo possa
seguir de maneira clara, minimizando incidentes desnecessrios ou nulidades futuras.
Caso o processo passe pela triagem, recomendvel que as notfcaes para
comparecimento audincia tragam tambm esclarecimentos prvios sobre o entendimento
do Juzo acerca de determinadas matrias. Trata-se de aproveitar esse primeiro momento
processual indispensvel para informar s partes os rumos e as diretrizes gerais a serem
seguidos no decorrer da ao.
O segundo momento interessante para a prolao de despachos a audincia inicial, por
meio da padronizao das atas de audincia. importante ter em mente que um dos princpios
bsicos do processo do trabalho a oralidade, como concentrao dos atos processuais em
audincia. A premissa contda no art. 849 da CLT era a de que o juiz do trabalho pudesse
resolver todas as controvrsias processuais em audincia una.
Na prtca, devido ao aumento da complexidade das demandas trabalhistas e ao
excessivo nmero de audincias designadas por dia, as audincias unas tornaram-se raras. Com
isso, alguns magistrados passaram a no sanear de maneira adequada o processo nas audincias
que so fracionadas. Isso pode gerar consequncias graves e fazer com que as partes venham a
formular requerimentos, providncias e provas por meio de petes, e no oralmente.
Tal prtca acaba por esvaziar os princpios desejados pelo processo do trabalho,
aproximando-o do processo civil. Essa aproximao tem o efeito perverso de trazer as falhas
deste ltmo, em especial a morosidade. A concentrao dos atos processuais em audincia
est diretamente relacionada com a celeridade do processo do trabalho, de modo que o no
saneamento do processo na audincia inicial implica, necessariamente, a renncia celeridade.
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Regio
Os mtodos mais simples e efetvos de saneamento so a declarao de precluso das
provas no requeridas expressamente e a fxao de prazos pr-defnidos para realizar atos
processuais. Restringe-se, dessa forma, a retrada dos autos do cartrio, de modo a evitar que
futuras intmaes desnecessrias sejam efetuadas pela secretaria e a proliferao de pedidos
de dilao de prazo e/ou requerimentos referentes a assuntos que no foram declarados
expressamente preclusos em audincia.
O terceiro momento a intmao para a audincia de prosseguimento. Do mesmo modo
que ocorre com a intmao para a audincia inicial, revela-se uma excelente oportunidade para
a concentrao de intmaes. Em primeiro lugar, porque se trata de publicao necessria; em
segundo, porque de interesse processual que ela seja realizada de maneira a efetvamente
solucionar a lide e evitar novos adiamentos.
O quarto momento a prpria sentena, que pode estabelecer a padronizao de
determinados procedimentos, sobretudo se se tratar de sentena lquida esta j pode prever,
inclusive, os procedimentos executrios. Do contrrio, esse momento poder ser substtudo
pela sentena homologatria, a qual pode vir acompanhada das determinaes executrias e
de levantamento de alvar.
3. As possibilidades trazidas pelo processo eletrnico
O processo eletrnico previsto na Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006, surge como
alternatva no para a padronizao de procedimentos, mas sim como alterao normatva e
instrumental que possibilita a eliminao de tarefas e expedientes meramente burocrtcos.
O sistema desenvolvido do Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho (PJe-JT)
permite, entre outras inovaes, o acesso integral dos autos s partes e procuradores torna
desnecessrios os requerimentos de vista e a publicao dos despachos no Dirio Ofcial e
elimina a juntada fsica das petes. Dessa feita, a Secretaria dispe de maior tempo livre para
se concentrar em outras tarefas, como a expedio de ofcios e alvars.
Tais inovaes tecnolgicas permitem ganhos imediatos para a prestao jurisdicional.
No entanto, essas facilidades imediatas no invalidam a necessidade de uma busca permanente
pela racionalizao dos procedimentos. preciso compreender que o processo eletrnico no
apenas um meio, mas um novo e complexo insttuto jurdico de direito processual, criado por lei.
Nesse sentdo, a advertncia feita pelo desembargador Jos Eduardo de Resende Chaves Jnior
4
:
No se pode caminhar na linha da mera digitalizao dos autos, na lgica do scanner, mas,
sim, comear um processo novo, e no apenas um novo procedimento. Digitalizar signifca
decalcar para o processo eletrnico a lgica viciada do processo de papel, da escritura.
O receio incidirmos em mera informatzao da inefcincia. No se pode perder a
oportunidade de aproveitar o advento do processo eletrnico para fazer uma revoluo no
processo, que at o momento no passa seno de promessa no cumprida. Em outras palavras,
importante aproveitar a desmaterializao dos autos, para tentar desmaterializar os vcios
arraigados na cultura da escrita no processo. (Grifo do autor).
4. CHAVES JNIOR, Jos Eduardo de Resende (Coord.). Comentrios Lei do Processo Eletrnico. So Paulo: LTr, 2009.
p. 37-38.
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Dito de outra forma, no se pode transplantar para os processos eletrnicos a
concepo atomista da teoria processual do sculo xx, mas sim os novos patamares de
celeridade e efcincia necessrios para dar respostas satsfatrias massa social que clama
pela concretzao da terceira onda de acesso Justa no Brasil.
Por esse motvo, a padronizao e a racionalizao dos procedimentos, de modo
a otmizar as rotnas de trabalho nas Varas, no devem ser relegadas a plano de menor
importncia com o advento do processo eletrnico. Ao contrrio, devem ser incentvadas e
divulgadas, para potencializar os efeitos benfcos trazidos pela tecnologia.
Certamente ser necessrio estabelecer uma nova compreenso do conceito de atos
ordinatrios sob o novo paradigma do processo eletrnico, a fm de elaborar novas ordens de
servio e aguardar as experincias concretas para identfcar os gargalos que iro surgir e as
rotnas de trabalho mais efcientes, em conformidade com o sistema de dados do PJe-JT.
Contudo, razovel supor que as diretrizes bsicas que norteiam a padronizao de
procedimentos concentrao de despachos em momentos processuais especfcos visando a
criar maior previsibilidade para o trmite do processo e rotnas de trabalho mais efcientes para
a Secretaria tambm serviro, mutats mutandis, para os processos que tramitaro em meio
eletrnico.
4. Concluses
Independentemente da implementao do processo eletrnico, a padronizao dos
procedimentos no mbito das Varas do Trabalho pode promover avanos signifcatvos para a
celeridade da prestao jurisdicional.
O processo eletrnico possibilita a racionalizao ainda maior desses procedimentos,
uma vez que, ao eliminar a necessidade de diversos servios meramente burocrtcos, permite
que a secretaria da Vara se concentre nas atvidades produtvas que efetvamente contribuem
para o andamento dos processos.
No entanto, de nada serviro as facilidades trazidas pelo processo eletrnico se ele no
vier acompanhado de releitura da lgica do processo judicial para adapt-lo ao sculo xxI,
ou seja, com a compreenso de que a padronizao de procedimentos possibilita conciliar
a celeridade processual e a segurana jurdica para atender s demandas de uma massa de
indivduos que somente neste momento histrico esto tendo efetvo acesso Justa.
Sem essa mudana de paradigma, o processo eletrnico ir, na verdade, criar a
burocracia eletrnica e servir apenas para que [...] as partes e advogados no mais precisem
sair de casa para saber que o processo est parado [...]
5
.
Referncia bibliogrfca
CAPPELLETTI, M. Acesso Justa. Traduo de Ellen Gracie Northfeet. Porto Alegre: Fabris, 1988.
CHAVES JNIOR, J. E. de R. (Coord.) Comentrios Lei do Processo Eletrnico. So Paulo: LTr,
2009.
5. Como dizia exaustvamente o desembargador Antnio lvares da Silva em suas aulas no Programa de Ps-Graduao
em Direito na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
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Processo eletrnico e ius postulandi
o verso e o anverso da inovao tecnolgica
Clarisse Ins de Oliveira
1
Patrcia Garcia dos Santos
2
1. Introduo
Aps o advento da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006, implementou-se no Judicirio
brasileiro o denominado processo eletrnico, considerado o marco legislatvo que uniformizou
os procedimentos de utlizao de meios ciberntcos para tramitar processos judiciais. Eles
incluem petes, recursos, intmaes, notfcaes, comprovao de custas e taxas judiciais,
alm do reconhecimento da autentcidade na assinatura eletrnica de documentos por parte
de juzes, desembargadores, ministros, advogados e demais operadores do Direito.
A Lei 11.419/06 deriva de um anteprojeto de lei de iniciatva popular da Associao dos
Juzes Federais do Brasil (Ajufe), que encaminhou o projeto inicial Comisso de Legislao
Partcipatva da Cmara dos Deputados, aprovado sem restries.
Um dos argumentos utlizados no projeto de lei visava a pr fm morosidade na
tramitao dos feitos no Judicirio. Assim, a inovao tecnolgica se apresentava como
uma soluo alvissareira ao problema de maior repercusso que afigia o jurisdicionado em
pesquisas: a ausncia de uma resposta clere s provocaes Justa.
Contudo, cabe o registro de que, entre os ramos do Judicirio brasileiro, a Justa do
Trabalho a mais demandada pela sociedade. De acordo com a pesquisa feita pelo Insttuto
Brasileiro de Geografa e Estatstca (IBGE), denominada Caracterstcas da Vitmizao e
do Acesso Justa no Brasil
3
, de 2009, dos 12,6 milhes de entrevistados que disseram ter
recorrido Justa, 23,3% afrmaram t-lo feito para resolver problemas de trabalho e emprego,
ao passo que 22% das aes estavam ligadas ao Direito de Famlia e 12,6% rea criminal.
Apesar de congestonada em virtude da demanda, a Justa do Trabalho ainda o ramo
do Judicirio mais clere, de acordo com o Anurio da Justa do Trabalho de 2012, do sto
eletrnico Consultor Jurdico (Conjur), em notcia veiculada aos 7 de agosto de 2012.
Segundo o Anurio, um processo judicial na esfera trabalhista leva, em mdia, quatro
meses at o julgamento em 2011, o tempo mdio estmado foi de 118 dias , enquanto que,
em outras esferas do Judicirio, a espera pode chegar a um ano.
Assim, preciso considerar que a iniciatva do processo eletrnico, oriunda da Ajufe,
teve por escopo buscar uma alternatva para um problema essencialmente da Justa Federal
que se dissipou para os demais ramos do Judicirio.
1. Advogada, professora de Prtca Forense Trabalhista da Faculdade de Direito Ibmec RJ e mestranda do Programa de
Ps-graduao em Direito e Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
2. Advogada, professora de Direito e Processo do Trabalho da Faculdade de Direito Ibmec/RJ e doutoranda do
Programa de Ps-graduao em Direito e Sociologia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
3. Na pesquisa, consideraram-se apenas as informaes prestadas pelas pessoas fsicas entrevistadas, excluindo-se as
outras aes ajuizadas por pessoas fsicas ou propostas pelo Poder Pblico.
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Durante a tramitao do projeto de lei que levou aprovao da Lei n 11.419/06,
foi apresentada pelo Poder Executvo, e posteriormente sancionada, a Lei 11.280, de 16 de
fevereiro de 2006. Ela alterou a redao do art. 154 do Cdigo de Processo Civil para introduzir
o pargrafo nico, que passou a conter a seguinte redao:
Art. 154. Os atos e termos processuais no dependem de forma determinada seno
quando a lei expressamente a exigir, reputando-se vlidos os que, realizados de outro
modo, lhe preencham a fnalidade essencial.
Pargrafo nico. Os tribunais, no mbito da respectva jurisdio, podero disciplinar
a prtca e a comunicao ofcial dos atos processuais por meios eletrnicos, atendidos
os requisitos de autentcidade, integridade, validade jurdica e interoperabilidade da
Infra-Estrutura de Chaves Pblicas Brasileira - ICP - Brasil.
2 Todos os atos e termos do processo podem ser produzidos, transmitdos,
armazenados e assinados por meio eletrnico, na forma da lei.
Preocupou-se o Executvo, portanto, em normatzar a operacionalidade dos meios
eletrnicos judiciais vinculados ICP-Brasil, a fm de resguardar a segurana jurdica nas
operaes. A medida, inclusive, constou da Mensagem de Veto 1.147, de 19 de dezembro
de 2006, do Presidente da Repblica ao Presidente do Senado Federal, tendo em vista que a
redao do PL 5.828/2001 vetava o pargrafo nico, quando, em verdade, ele vigia de acordo
com a redao supra-aduzida.
Aps a vigncia da Lei 11.419/06, alguns tribunais comearam a implementar o processo
eletrnico, sendo os precursores o Supremo Tribunal Federal (STF), o Superior Tribunal de
Justa (STJ) e os Tribunais Regionais Federais da 3 e da 4 Regio (TRF3 e TRF4).
A Justa do Trabalho vem adotando regramentos do processo eletrnico de forma
paulatna. Contudo, alguns questonamentos emergem no caso da efetvao do processo de
forma exclusivamente eletrnica, uma vez que possui peculiaridades no encontradas nas
demais esferas do Judicirio, como o caso do ius postulandi, prerrogatva prevista em lei
parte que deseja postular em Juzo sem o auxlio de advogados, nas instncias ordinrias.
As barreiras com que porventura podem se deparar o trabalhador, ou mesmo o
empregador, em face da implantao exclusiva de mtodos eletrnicos para impulso ao
processo judicial so as indagaes trazidas no presente artgo. Tais mtodos, em vez de
possibilitar o acesso Justa, podem causar um obstculo intransponvel para aqueles que
desejam fazer uso de seu ius postulandi.
2. A montante e a jusante do Processo Judicial Eletrnico da Justa do
Trabalho
O denominado processo eletrnico apresentava vantagens aparentemente incontestes,
atendendo s demandas sociais por celeridade; segurana; economia de custos operacionais,
oramentrios e ambientais; modernidade; dinamismo. Alm disso, tnha a proposta de poupar
arquivos e gavetas para a manuteno de documentos e papis impressos.
O Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho (PJe-JT) visa a implementar no
apenas a tramitao eletrnica, mas uma forma unifcada de conduzir os processos, abolindo-
se em defnitvo os autos fsicos para a prevalncia dos digitalizados.
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Assim, o Conselho Superior da Justa do Trabalho (CSJT), atento vigncia do princpio
do ius postulandi, por meio de sua Presidncia editou atos e resolues interna corporis com o
fto de regulamentar o procedimento no Judicirio Trabalhista e convidou todos os operadores
de Direito a enfrentar um novo desafo que se avizinhava, para o qual era necessrio sair da
zona de conforto para assumir o novo projeto.
Contestar a implantao do processo eletrnico parece tarefa de fato intl ele
irreversvel. O Conselho Nacional de Justa (CNJ) estabeleceu como Meta 3 para o ano de 2012
que a Justa do Trabalho deve tornar as informaes processuais acessveis nos portais da rede
mundial de computadores (Internet), enquanto que a Meta 16 prev a utlizao do PJe-JT em,
pelo menos, 10% das Varas do Trabalho de cada tribunal.
Em face das metas estpuladas pelo CNJ, o CSJT editou a Resoluo n 94, de 23 de maro
de 2012
4
, que insttuiu o Sistema Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho (PJe-JT). O
seu artgo 1 determina que a prtca de todos os atos processuais se dar exclusivamente por
seu intermdio, de forma gradual. O art. 2, por sua vez, estabelece que ele compreender o
controle do sistema judicial trabalhista nos seguintes aspectos:
I - o controle da tramitao do processo;
II - a padronizao de todos os dados e informaes compreendidas pelo processo
judicial;
III - a produo, registro e publicidade dos atos processuais;
IV - o fornecimento de dados essenciais gesto das informaes necessrias aos
diversos rgos de superviso, controle e uso do sistema judicirio trabalhista.
O art. 3 regulamenta questes sobre assinatura digital, digitalizao e documentos
eletrnicos, nos seguintes termos:
I - assinatura digital: assinatura em meio eletrnico, que permite aferir a origem e a
integridade do documento, baseada em certfcado digital, padro ICP-BRASIL, tpo A-3
ou A-4, emitdo por Autoridade Certfcadora Credenciada, na forma de lei especfca;
II - autos do processo eletrnico ou autos digitais: conjunto de documentos digitais
correspondentes a todos os atos, termos e informaes do processo;
III - digitalizao: processo de converso de um documento originalmente
confeccionado em papel para o formato digital por meio de dispositvo apropriado,
como um scanner;
IV - documento digital: documento codifcado em dgitos binrios, acessvel por meio
de sistema computacional;
V - meio eletrnico: qualquer forma de armazenamento ou trfego de documentos e
arquivos digitais;
VI - transmisso eletrnica: toda forma de comunicao distncia com a utlizao de
redes de comunicao, preferencialmente a rede mundial de computadores;
VII - usurios internos: magistrados e servidores da Justa do Trabalho, bem como
outros a que se reconhecer acesso s funcionalidades internas do sistema de
processamento em meio eletrnico (estagirios, prestadores de servio, etc.);
4. Publicada no Dirio Eletrnico da Justa do Trabalho aos 26/3/2012.
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Regio
VIII - usurios externos: todos os demais usurios, includos partes, advogados,
membros do Ministrio Pblico, peritos e leiloeiros.
A obrigatoriedade de utlizao de assinatura digital est prevista no art. 5 da Resoluo
n 94, nos seguintes termos:
Art. 5 Para acesso ao PJe-JT obrigatria a utlizao de assinatura digital a que se
refere o inciso I do artgo 3 desta Resoluo.
Pargrafo nico. No caso de ato urgente em que o usurio externo no possua
certfcado digital para o petcionamento, ou em se tratando da hiptese prevista
no art. 791 da CLT, a prtca ser viabilizada por intermdio de servidor da unidade
judiciria destnatria da peto ou do setor responsvel pela reduo a termo e
digitalizao de peas processuais.
Do acima afrmado, verifca-se que o manuseio do PJe-JT pressupe alguns requisitos
que muitas vezes distanciam o jurisdicionado da resposta clere que vem buscando, o que pode
funcionar como um paradoxo do sistema implantado.
preciso, portanto, que o profssional que opera o PJe-JT disponha de uma certfcao
digital reconhecida pela ICP-Brasil, tpo A-3 ou A-4, alm de obter os sofwares e hardwares
adequados operacionalizao do sistema, consistentes em mdia tpo pen drive ou leitor
ptco do chip da carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no caso dos advogados.
necessrio ainda que o operador instale em seu computador os programas compatveis
com o leitor ptco e um navegador da web atualizado
5
. Trata-se de acessrios, tecnologias e
termos tcnicos muitas vezes incompreensveis e inacessveis ao trabalhador menos abastado.
Nesse sentdo, cabe indagar acerca dos desafos a serem enfrentados pelo PJe-JT, levando
em considerao as peculiaridades desse ramo do Judicirio, das quais uma o insttuto do ius
postulandi.
3. O ius postulandi e o PJe-JT
O ius postulandi, isto , a capacidade de a parte postular pessoalmente perante o
Judicirio Trabalhista, previsto no art. 791 da Consolidao das Leis do Trabalho (CLT), alm
do disposto no art. 4 da Lei 5.584, de 26 de junho de 1970, que possuem a seguinte redao:
Art. 791. Os empregados e os empregadores podero reclamar pessoalmente perante
a Justa do Trabalho e acompanhar as suas reclamaes at o fnal.
Art. 4 Nos dissdios de alada exclusiva das Juntas e naqueles em que os empregados
ou empregadores reclamarem pessoalmente, o processo poder ser impulsionado de
ofcio pelo Juiz.
O TST, por sua vez, entende que as partes podem postular sem o auxlio de advogados
nas instncias ordinrias, ou seja, at o reexame no segundo grau do que restou sentenciado.
5. Exemplos: Internet Explorer, Google Chrome, Mozilla Firefox.
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Isso signifca que, em instncia extraordinria de recurso e em causas consideradas
complexas como a ao rescisria, a ao cautelar e o mandado de segurana , obrigatria
a assistncia do advogado. Tal entendimento consubstanciado na Smula n 425 do TST
6
.
Em verdade, o manejo do ius postulandi pelas partes pode gerar um efeito protelatrio
enviesado. Tal ocorre no caso de situaes jurdicas que demandam maior fundamentao do
pedido, fazendo com que magistrados, ao receberem as aes aviadas por trabalhadores sem
conhecimento tcnico, ofciem aos respectvos sindicatos de classe para emenda e aditamento
de peas iniciais carecedoras de fundamentao ou mesmo de pedido.
Muitos juzes e advogados militantes estes, por questes corporatvistas e de reserva
de mercado no enxergam com bons olhos o insttuto do ius postulandi. Contudo, o artgo 791
da CLT no restou revogado at a presente data, embora o TST j tenha frmado entendimento
acerca de sua abrangncia, limitada s instncias ordinrias, conforme a Smula n 425.
Na hiptese de a parte pretender postular em Juzo sozinha, o CSJT entendeu que
o serventurio da Justa deve reduzir a termo o requerimento e digitaliz-lo, segundo a
Resoluo n 94, art. 5, pargrafo nico. Contudo, a prtca do cotdiano j demonstra os
percalos decorrentes da inovao tecnolgica implantada que devem ser transpostos.
O ius postulandi um princpio do Direito do Trabalho, um insttuto peculiar seu. No
mbito federal ou no estadual, no foi observado bice semelhante ante a exigncia da fgura
do advogado no pleito de qualquer ao judicial, salvo as hipteses abrangidas por Juizados
Especiais Cveis ou Criminais, e, ainda, limitadas alada de 20 salrios mnimos.
Assim que o CSJT necessitou regulamentar a situao do trabalhador ou mesmo do
empregador que desejasse fazer uso da prerrogatva legal, o que fez por meio da reduo a
termo dos requerimentos das partes pelos serventurios da Justa, aumentando a sua
atribuio funcional.
A questo de ordem administratva-executva que se coloca perpassa pelo
aprimoramento, capacitao e aumento do nmero de servidores da Justa do Trabalho com
aptdo para atender demanda que exsurge da inovao tecnolgica.
certo que os operadores do Direito do Trabalho sejam juzes, desembargadores,
ministros, advogados, serventurios, procuradores, peritos ou qualquer ator do cenrio do PJe-
JT que se pronuncie nos autos devem se adequar nova sistemtca, at porque se trata
de exigncia do CNJ. Contudo, no menos certa a total ausncia de operacionalidade dos
instrumentos por parte do trabalhador carente de recursos, que fcar merc do trabalho
exercido por serventurios da Justa, muitas vezes em nmero insufciente para atender nova
demanda.
Ainda que de forma tmida, o ius postulandi est em plena vigncia em nosso
ordenamento jurdico e permite s partes entrar em comunicao com o juiz de forma direta,
sem intermediadores, bastando para tal a reduo a termo do requerimento, com a sua prpria
fala, mesmo que carea de termos tcnicos.
Entretanto, com a implementao do PJe-JT, esse insttuto pode fcar comprometdo
na medida em que a reduo a termo ser realizada pelos serventurios e alocada em algum
ponto ciberntco do mundo digitalizado, uma dimenso por vezes intangvel para muitos
6. Smula n 425 do TST: JUS POSTULANDI NA JUSTIA DO TRABALHO. ALCANCE. O jus postulandi das partes,
estabelecido no art. 791 da CLT, limita-se s Varas do Trabalho e aos Tribunais Regionais do Trabalho, no alcanando
a ao rescisria, a ao cautelar, o mandado de segurana e os recursos de competncia do Tribunal Superior do
Trabalho..
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trabalhadores , assim como a obrigatoriedade de certfcao digital para a partcipao efetva
no processo pode desfgurar a prerrogatva processual das partes de livre acesso aos autos.
Cabe a refexo de que os sindicatos de classe tambm devero se operacionalizar e
instrumentalizar para garantr sua partcipao processual doravante, sendo certo que vrios
deles carecem de recursos mnimos para o atendimento dos trabalhadores, quanto mais para
as exigncias tecnolgicas do PJe-JT. Na mesma linha de raciocnio so os escritrios de prtca
jurdica que atendem a tais demandas, muitas vezes sem os recursos que passaro a ser exigidos
de seus advogados.
O mote da celeridade processual pode ter efeitos colaterais e mesmo inibir o uso do ius
postulandi, causando um problema refexo de impedimento de acesso Justa para resolver
a questo da morosidade, problema este no verifcado em outras esferas do Judicirio, mas
existente no Judicirio Trabalhista.
Hoje qualquer trabalhador pode se dirigir Justa do Trabalho e requisitar a reduo
a termo de seu pleito, podendo compulsar os autos fsicos nas secretarias da Varas a qualquer
tempo, se eles estverem disponveis, sem a interveno de terceiros. Em autos digitalizados,
essa consulta talvez no seja verifcada com tanta facilidade, ou fcar condicionada
interveno de serventurios capacitados para o manejo da zona de desconforto.
Para a implementao de tais desafos, preciso no somente que o Estado subsidie e
capacite serventurios, sindicatos, advogados, juzes, peritos e desembargadores como tambm
permita pleno acesso dos autos digitalizados aos trabalhadores, com a disponibilizao de
monitores com amplo acesso a todas as peas processuais produzidas, sob pena de restringir a
efccia do art. 791 da CLT.
Cabe o registro de que o ius postulandi no se limita ao petcionamento em si, mas
tambm diz respeito ao acesso das partes aos autos, que possuem a prerrogatva legal de
acompanhar a deciso at o seu desfecho, ou seja, de verifcar depoimentos, documentos, atas
ou, ainda, o que est sendo despachado, julgado, periciado ou petcionado pelos advogados.
Observa-se, portanto, que algumas solues pensadas para problemas usualmente
propagados na mdia a morosidade na Justa, por exemplo podem afetar outras variveis
dependentes, como a viabilidade do acesso Justa.
O presente artgo no se prope a demonizar a implementao do processo eletrnico
na Justa do Trabalho, mas oferecer questonamentos acerca de solues promissoras, por
vezes originrias de outras esferas do Judicirio e determinadas por rgos de cpula para
resolver problemas imediatos, sem o necessrio e prvio estudo de impacto das inovaes
trazidas.
Os desafos para a implementao do processo eletrnico, portanto, no so poucos
e perpassam problemas de ordem fsica, tecnolgica, econmica e mesmo cultural. Oferecer
s partes um sistema de digitalizao clere e efcaz est entre os de ordem tcnica a serem
superados, j que pode at mesmo paralisar o regular andamento do feito, ante a espera
indefnida por digitalizaes de peas e documentos.
Criam-se, assim, novos problemas em funo de novas solues perpetradas. A questo
da celeridade deve ser sopesada com outras variveis, como a qualidade dos julgados, que
demandam tempo para o amadurecimento. A presso para se atngirem metas pode levar
muitos magistrados a um entendimento prematuro.
Nada obstante, o anseio da sociedade civil por maior celeridade nos andamentos
processuais foi o ovo da serpente da poltca pblica adotada pelo CNJ para privilegiar a maior
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rapidez no trmite dos processos, em detrimento de melhor anlise do conjunto probatrio
colhido e de um estudo minucioso da matria sob julgamento.
Critrios quanttatvos vm sendo prestgiados por parte do CNJ em desfavor de critrios
qualitatvos, por meio da edio de suas consecutvas metas de produo e estatstcas.
No se pode olvidar que o Brasil possui um dos acessos rede Internet mais onerosos
do mundo, e vrios trabalhadores no o tm. Se a transparncia vendida pelo produto PJe-JT se
baseia na disponibilidade de dados por esse meio, apenas quem o detm poder, efetvamente,
ter acesso ao que ela contm.
4. consideraes fnais
A existncia do processo eletrnico uma tendncia de todo o Judicirio brasileiro, e
a Justa do Trabalho no retrocedeu em tal aspecto. Diversas Varas do Trabalho espalhadas
por todo o territrio nacional j operam pelo sistema PJe-JT. Aps tal experincia de xito,
difcilmente os autos fsicos podero ter sobrevida longeva.
As mudanas da advindas em prazos, atos, intmaes e citaes desafam os novos
paradigmas processuais e tambm colocam em xeque insttuies, princpios e profsses
jurdicas at ento intocveis como ocorre com a funo de ofcial de justa, o mandatrio do
juiz, que termina por cair em obsolescncia, e em personagens dos livros de Joaquim Manuel
de Macedo, tal como a fgura do facilitador, comum nos corredores da Justa do Trabalho nos
idos de 1970.
O princpio do ius postulandi, contudo, permanece em plena vigncia, ratfcado pelo
entendimento consolidado pelo TST por meio da Smula n 425, ao menos nas instncias
ordinrias e nas aes de menor complexidade processual. um postulado da Justa do
Trabalho, com a mesma vivncia da prpria CLT e seus 70 anos de existncia.
Contudo, o trabalhador que no possui acesso assinatura digital, nem sofwares ou
hardwares para acessar o sistema quando muito, apenas Internet , pode restar alijado do
PJe-JT, colocando em xeque a vigncia do ius postulandi. Merece registro o fato de que diversos
trabalhadores no sabem assinar manualmente seu nome, que dir possuir uma assinatura
digital!
Note-se que o art. 791 da CLT dispe no somente sobre a prerrogatva das partes de
reclamarem pessoalmente na Justa do Trabalho sem a presena de advogados, mas tambm,
e sobretudo, da faculdade de acompanharem suas decises at o fnal.
Na sistemtca hoje existente, milhares de trabalhadores podem se dirigir s Varas do
Trabalho e compulsar os autos de seus processos sem a interferncia de advogados, estagirios,
serventurios ou quem quer que seja. Podem, igualmente, petcionar ao juiz na forma que lhes
seja mais acessvel, sem a exigncia de tecnicismos ou outras formalidades.
No se deve olvidar que o Judicirio Trabalhista o ramo mais demandado pela
sociedade civil. Logo, um contngente expressivo de trabalhadores no somente reclamantes,
mas tambm testemunhas, que devem justfcar eventual ausncia s audincias, sob pena de
pagamento de multa, terceiros interessados e at mesmo rus utliza-se de tais prerrogatvas
legais.
Em outras esferas do Judicirio, em especial na Justa Federal, o xito da operacionalidade
do processo eletrnico pode ser explicado, em parte, por seu pblico-alvo e pelo objeto de
sua competncia material. As peculiaridades no Judicirio Trabalhista o distnguem dos demais
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146 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
ramos, seja pela maior demanda da sociedade civil, seja por sua clientela, seja por outras
variveis, que devem sempre ser analisadas em conjunto.
Em ltma anlise, cabe registrar que a justfcatva fundamental de implementao do
processo eletrnico, qual seja, imprimir maior celeridade Justa, no resolveu o problema
no mbito federal, que permanece to moroso quanto poca dos autos fsicos. Tornou-se,
portanto, operacionalmente digital e processualmente moroso.
O excesso de recursos, de rplicas e de prazos permanece sendo uma das causas da
ausncia de celeridade do Judicirio, acentuada pela poltca de judicializao do confito, que
traz para a esfera interna do Judicirio e de sua tcnica jurdica os meios de se operacionalizar e
apaziguar a demanda, para alcanar a almejada paz social.
O processo eletrnico pode ser um meio alternatvo de processamento do feito e
certamente ser mais clere com a depurao do sistema. Todavia, estar restrito aos
detentores da tcnica jurdica e da mdia eletrnica, por excluir a partcipao dos trabalhadores
e aproximar a Justa do Trabalho dos demais ramos do Judicirio, afastando-a daquilo que
justamente a distnguia como insttuio mais prxima da sociedade civil, por isso mesmo mais
demandada.
Conclui-se o presente artgo com a refexo de que, primeira vista, a soluo mais
vivel para todos os males, assim como o Emplastro Brs Cubas, do romance de Machado de
Assis, pode se tornar uma barreira de acesso dos trabalhadores carentes de recursos Justa.
5. Referncia bibliogrfca
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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agosto de 2012. Disponvel em: <htp://www.conjur.com.br/2012-ago-07/justca-trabalhista-
celere-anuario-justca-trabalho>. Acesso em: 30 nov. 2012.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 149
Processo Judicial Eletrnico:
tecnologia e novo trabalho judicirio
Marcelo Pereira de Mello
1
Jos Antonio Callegari
2
Nova esfera pblica
A nova competncia da Justa do Trabalho ultrapassou os limites da relao de emprego
normatzada na Consolidao das Leis do Trabalho (CLT) e em legislao extravagante. Nesse
sentdo, o estudo amplo das relaes de produo sugere incurses tambm no trabalho
organizado no setor pblico. Diante da mudana estrutural da esfera pblica judiciria
(HABERMAS, 2003), constatamos que o trabalho nela executado vem sofrendo progressivas
transformaes, tais como implementao do Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho
(PJe-JT), supresso e otmizao de rotnas nos rgos judicirios, formao e aperfeioamento
contnuado de seus quadros e aumento da intensidade do trabalho.
As estratgias, adotadas vertcalmente pelo Conselho Nacional de Justa (CNJ),
materializam-se em trabalhos prescritos que nem sempre so executados segundo
planejamento. Isso porque entre o prescrito e o real existe um hiato correspondente histria
de vida de cada ator, cultura organizacional e ambiente em que as normas nacionalmente
padronizadas devem ser executadas. Sem contar que processos de mudanas demandam tempo
e, por vezes, resistncias legtmas, como se d quando os juzes defendem seu poder de direo
processual. Cada vez mais, atos administratvos de corregedorias e do CNJ afetam os poderes
de direo processual da magistratura, ferindo competncias fxadas consttucionalmente e,
por via refexa, o princpio do juiz natural.
Emerge da uma grave tenso. Como conciliar a legtma atuao do CNJ e dos demais
rgos de controle com as prerrogatvas da magistratura concebidas como garantas dos direitos
fundamentais e do Estado Democrtco de Direito?
No contexto da globalizao, cujos efeitos prtcos se tornam mais evidentes nas dcadas
de 80 e 90, os Estados nacionais tveram de promover adaptaes e transformaes em sua
estrutura administratva. Entre as urgentes demandas de ajuste da governabilidade, impunha-
se tratar da questo referente ao tamanho do Estado. Assim, as reformas que se seguiram no
signifcavam to somente o desmantelamento da mquina administratva. Representavam,
ao contrrio, o abandono de posies refratrias da racionalidade burocrtca consolidada.
Percebe-se de imediato que o termo reforma do Estado mais amplo do que simples reforma
de Governo. A pretenso reformista tnha como propsito modifcar as estruturas fundamentais
do Estado, como sntese da sociedade politcamente organizada, irradiando efeitos para todos
os subsistemas sociais, como tem ocorrido ao longo dos anos de turbulncia econmica.
1. Ps-doutor pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Programa de Ps-Graduao em Sociologia e Direito
(PPGSD), e-mail mpmello@unisys.com.br.
2. Mestre da Universidade Federal Fluminense (UFF), Programa de Ps-Graduao em Sociologia e Direito (PPGSD),
e-mail calegantonio@yahoo.com.br.
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Regio
A nova confgurao administratva, assim implantada, procura dar efetvidade aos
seguintes princpios consttucionais: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade
e efcincia. Uma anlise do contedo de tais emendas comprova, em tese, argumentos
apresentados por Bresser Pereira em 2007 sobre o novo paradigma da gesto pblica: modelo
gerencial e gesto partcipatva. A respeito desse paradigma, foram assegurados ao usurio
os seguintes mecanismos de atuao: reclamao, assegurada a manuteno de servios
de atendimento e avaliao peridica da qualidade de servios (externa e interna); acesso
a registros administratvos e a informaes sobre atos de governo; representao contra
o exerccio negligente ou abusivo de cargo, emprego ou funo pblica. Resta saber como
ordenar o trabalho judicirio nesse contexto de mudanas de paradigmas. Equilibrar a equao
entre celeridade x segurana jurdica, produtvidade x dignidade dos trabalhadores, controle
externo x garantas consttucionais tem se mostrado o grande desafo da nova administrao
pblica judiciria.
Novas tecnologias de gesto e trabalho judicirio
As mudanas implementadas por emendas consttucionais no provocaram somente
uma alterao no texto consttucional. Elas dinamizaram mudanas concretas nas insttuies
judicirias brasileiras. No plano consttucional, criou-se o Conselho Nacional de Justa como rgo
central do sistema, com atribuies administratvas e correcionais. Houve signifcatva alterao
da competncia da Justa do Trabalho. Alm disso, foram instalados conselhos superiores de
Justa. O modelo de gesto gerencial ingressou defnitvamente nesse subsistema social.
No podemos esquecer o princpio da razovel durao do processo e a possibilidade
de delegao de atos judiciais no decisrios como indicatvos da nova gesto judiciria em
curso. Esses critrios, entre outros, passaram a infuenciar diretamente a organizao e diviso
do trabalho, implicando aumento de sua intensidade para juzes e servidores.
Importante fator para a acelerao de tais mudanas, sem dvida alguma, a
consolidao de uma sociedade complexa (GIDDENS, 1991) que dialoga e trabalha em rede
(CASTELLS, 2011). Nem mesmo os mais refratrios setores da administrao pblica quedaram-
se imunes aos efeitos da informatzao. At o processo ganhou ares digitais. No incio, somente
os atos de tramitao processual eram lanados no computador, e conviviam na mesma
ambincia uma realidade virtual e outra realidade de processos manufaturados.
Mas isso aos poucos vai se tornando coisa do passado. O PJe-JT j uma realidade em
fase de progressiva implantao. Gradualmente, a racionalidade burocrtca (WEBER, 2004)
cede espao para uma racionalidade virtual comprometda com a efcincia e a razovel durao
do processo. No entanto, ainda hoje, no se dispe de interligao entre todos os tribunais do
pas. Isso porque a construo de um sistema dessa magnitude complexa e custosa. Ainda
sofremos com alguns entraves para a consecuo de um projeto de comunicao virtual como
proposto no PJe-JT: ausncia de um corpo tcnico; terceirizao de mo de obra; custo elevado
de implantao do sistema e operacional, bem como de formao e atualizao permanente de
juzes e servidores; falta de um padro na linguagem jurdica, administratva e informacional;
etc. Mesmo assim, o PJe-JT vai se tornando uma realidade concreta, uma nova maneira de
instaurar, instruir e julgar os processos judiciais.
Inegavelmente, o PJe-JT representa um profundo impacto de gesto no Poder Judicirio.
No plano ambiental, ocorrer a supresso dos documentos materializados em toneladas de
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 151
papis. Haver reduo de gastos com a logstca de arquivamento e incinerao dos autos
fndos. Quanto gesto tcnica, o processo digital representar o fm de vrias tarefas que
ocupam os juzes e servidores, tais como furar e carimbar folhas de papel; assinar folha a folha
para identfcar quem pratcou o ato processual; transportar pilhas de autos de processo para os
gabinetes dos juzes; abri-los, marcando as folhas em que os magistrados devem assinar atos de
sua incumbncia; retrar centenas de autos dos gabinetes, depois de assinados os atos judiciais;
lanar no sistema a localizao de cada processo; depositar cada um deles em arquivos de ao
onde devero aguardar que outro servidor venha peg-los para executar outra tarefa e dar
incio a todo o ritual j descrito, numa sequncia de atos que se repete com o tdio das tarefas
mecanizadas. A isso a voz comum dos fruns chama enxugar gelo.
Mas, seria o PJe-JT o fm da racionalidade burocrtca weberiana? A redeno do
homem diante da tcnica libertadora? Ou apresenta-se agora uma nova forma de controle e
dominao do trabalhador judicirio em virtude da onipresena, onipotncia e oniscincia do
grande irmo?
Se por um lado o trabalho informatzado representa a supresso de rotnas burocrtcas
mecanizadas, otmizando a realizao de tarefas, h que se dar nfase a um efeito perverso
no meio ambiente laboral: supresso do tempo livre, intensifcao do trabalho, assdio
insttucional, isolamento, Leso por Esforo Repettvo (LER), doenas emocionais e tantas
outras molstas ocupacionais.
A invaso de privacidade tem sido uma caracterstca da sociedade em rede. No
porque o trabalhador se encontra em determinado espao pblico insttucional ou no que
a sua esfera ntma pode ser violada. Pelo contrrio, na esfera pblica que mais se devem
oferecer garantas de respeito a esse direito fundamental da pessoa humana.
Muito se discutem os limites tcos e morais do poder de direo do empregador,
diante das crescentes violaes dos direitos fundamentais dos empregados. O mesmo se
aplica relao dos servidores pblicos com o Estado. No a natureza do vnculo de trabalho
que amplia ou restringe as protees da pessoa humana. Normas de proteo de direitos
fundamentais so aplicadas em favor da pessoa por fora de sua dignidade existencial,
como um fm em si mesma. O acoplamento do trabalhador ao sistema informatzado no
implica, por conta disso, reduo de sua dignidade existencial. O risco de violao da esfera
ntma do trabalhador se dramatza quando ele se encontra s diante do computador, sob o
olhar do Leviat informatzado. As questes que podem surgir nesse contexto so de ordem
administratva, jurdica, social, tca, moral e de sade pblica.
Note-se, por exemplo, o que ocorre com a supresso das horas livres do trabalhador
do Judicirio. inquestonvel que o tempo destnado ao trabalho vem progressivamente
sendo desviado da esfera pblica profssional. O pior que esse deslocamento para o mbito
privado domiciliar no se d mediante compensao de jornada. Em casa, o tempo dedicado
ao trabalho tende a ser mais intenso porque o sistema de monitoramento eletrnico cobra
dele maior produtvidade. O fato que isso pode tambm ser percebido na atvidade dos juzes
que rotneiramente levam centenas de processos para despachar e julgar em casa casos
existem de relaes conjugais atribuladas e desfeitas por causa da supresso do tempo para
a vida familiar. comum tambm servidores que exercem a funo de assistente de juiz ou
votante executarem tarefas na esfera pblica profssional e na privada domiciliar, sentndo-se
constantemente em ambiente de trabalho. Poderamos sugerir que se trata de um tpo de
servio conglobante, que envolve at mesmo a famlia do trabalhador.
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Mas outro efeito nocivo deve ser considerado. A supresso de tarefas diante da crescente
informatzao do trabalho judicirio no implica aumento do tempo livre dos trabalhadores.
Pelo contrrio, para cada supresso de tarefa mecnica, vo se criando vrias rotnas virtuais com
alto grau de complexidade. Isso porque o sistema de informtca ainda muito primrio e no
consegue oferecer ao usurio trabalho com menos tarefas. No raro haver incompatbilidade
entre a linguagem utlizada pelos profssionais de informtca, que, desconhecendo a linguagem
jurdica, geram tarefas incompatveis com regras processuais fxadas por lei. Para piorar o cenrio
comunicatvo, dois sistemas de linguagens tcnicas confitam em um mesmo ambiente: o
juridiqus e o informatqus, quando no agravado pela ingerncia do administratvs.
Na prtca, observa-se que juzes e servidores, ao chegarem aos seus postos de trabalho,
gastam alguns segundos logando-se no sistema, quer dizer, conectando-se ao computador
em rede. Dessa forma, seu tempo de trabalho j est sendo monitorado, bem como todas as
tarefas desempenhadas estas, diga-se, so rastreadas, sendo permitdos somente acessos a
sites e pginas autorizadas.
Muitas das vezes, ouvimos depoimentos de servidores que desejam acessar pginas do
Governo Federal e no conseguem porque so bloqueados pelo moderador. Outro relato que
temos ouvido em observao de campo quanto ao tempo gasto na execuo de tarefas no
computador. Tudo porque a velocidade na sua execuo no depende somente da destreza
do servidor, e sim da velocidade com que se d o processamento de dados na central de
informtca. Quando o sistema est muito lento, a velocidade na execuo das tarefas diminui
e consequentemente o rendimento do operador. No entanto, essa falha sistmica no
computada na ocasio em que so elaborados relatrios de produtvidade. Aqui se nota um
grave erro sistmico que compromete a fdelidade dos mapas estatstcos do tpo Justa em
Nmeros. Se uma varivel no considerada, a variao percebida no representa a realidade,
sacrifcando o esforo de gesto que tambm ocorre nas unidades menores do Poder Judicirio.
Outra disfuno a ser considerada diante da intensifcao do trabalho diz respeito ao
aumento da delegao de atos judiciais; diminuio da qualidade dos despachos e decises
proferidas nos processos; aumento da produtvidade acrtca; esgotamento fsico e mental;
cinismo e hipocrisia; desiluso; racionalidade instrumental reversa; doenas ocupacionais e
profssionais; etc.
certo e legtmo que os juzes podem delegar atos no decisrios, com fundamento
em permissivo consttucional e no seu amplo poder de direo processual. No entanto, no
qualquer ato que pode ou deve ser delegado. No por causa da sua qualidade, mas porque
o cidado espera que as questes relatvas ao seu destno no processo sejam apreciadas por
quem est legitmado para tanto: o juiz natural.
Visto que as causas judiciais so consideradas segundo a sua repercusso geral, aspectos
como relevncia econmica e social dos bens em questo devem orientar o juiz quanto aos
limites da delegao dos atos a serem pratcados no processo. Em determinadas situaes, um
ato formalmente delegvel mostra-se substancialmente indelegvel. Cremos que se trata de uma
questo de poder discricionrio do juiz, a merecer acurado senso de oportunidade e convenincia
no momento de sua delegao. O que pretendemos sugerir que, na prtca, a intensifcao do
trabalho judicirio, com a proliferao de tarefas, tende a provocar uma racionalidade instrumental
reversa. Se o empregado possui o direito de resistncia em face de condutas abusivas do seu
empregador, pode-se intuir que trabalhadores do Poder Judicirio, premidos pelo aumento da carga
e intensidade do trabalho, desenvolvam uma racionalidade instrumental como forma de resistncia.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 153
Note-se, por exemplo, que a CLT, o Cdigo de Processo Civil e a Consttuio Federal
delimitam objetvamente as competncias e atribuies de juzes e servidores. O artgo 765
da CLT, por exemplo, concede ao juiz amplos poderes de direo do processo. No entanto, o
CNJ e as corregedorias esto editando atos administratvos, sugerindo com isso interesse em
monitorar e controlar a produo do trabalho judicirio. O gigantsmo dos nmeros de atos
administratvos dessa natureza vem provocando colises constantes com normas legais e
consttucionais. No se trata somente de violao da hierarquia normatva, mas, sobretudo, de
afronta a garantas consttucionais da pessoa humana.
Na prtca, as atribuies dos juzes e servidores so fxadas pela Consttuio, leis
e atos administratvos. Nesse partcular, as presidncias dos tribunais, corregedorias e CNJ
editam atos administratvos com o propsito de defnir atribuies, tais como a atvao de
Bacen-Jud, pesquisa de contrato social na Junta Comercial; pesquisas no sistema de dados da
Receita Federal e do Departamento de Trnsito (Detran); restrio ao arquivamento dos autos
do processo; normatzao a respeito dos atos de execuo, muitas vezes em confronto com
normas processuais, etc. A ateno do juiz e dos servidores vai se deslocando gradualmente do
eixo jurdico (material, processual e consttucional) para o eixo da gesto administratva. Em face
do estado de subordinao, presente no sistema de hierarquia piramidal, resta-lhes cumprir
as determinaes impostas vertcalmente, com srios prejuzos para a ordem democrtca,
jurisdicionados e o prprio Poder Judicirio.
No desdobramento desse quadro que pode surgir uma forma de assdio moral
insttucional. Sim, muitas das vezes o estabelecimento de metas e resultados funciona como
poderosa ferramenta de gesto cujo efeito simblico expor o trabalhador a situaes
vexatrias. Para termos uma ideia, o CNJ instaurou um sistema de monitoramento em tempo
real do trabalho judicirio. Trata-se do processmetro. Funciona como um relgio digital que
marca a cada segundo o desempenho de juzes em todo o Brasil. Nele, so lanadas informaes
referentes produo de juzes das mais variadas competncias, lotados em comarcas com
realidades distntas. Em um cenrio heterogneo, como fazer anlise correta do trabalho,
monitorado por meio de dados estatstcos homogeneizadores? Imagine-se a situao de um
juiz trabalhista lotado em uma vara da capital do Rio de Janeiro e outro em uma vara do interior
do mesmo Estado. Como no considerar diferenas substanciais que impactam a produo de
cada um deles, tais como complexidade da causa, densidade demogrfca, grau de litgiosidade
na comarca e perfl da atvidade econmica preponderante?
O que se espera de um sistema moderno de produo judiciria que as tenses
decorrentes da transio de um modelo de produo manufaturado para outro informacional
sejam superadas em benefcio de todos. Espera-se que o controle do trabalho sirva para
monitorar reais disfunes sistmicas, sendo aceitos com naturalidade. O que se deseja a
construo de um ambiente laboral solidrio e sem ressentmentos, onde juzes, servidores e
rgos de gesto e controle atuem em benefcio das insttuies judicirias e dos jurisdicionados.
consideraes fnais
Diante da implantao do PJe-JT, vislumbramos ocasio para transcrever algumas refexes
decorrentes de trabalho de pesquisa que desenvolvemos no Programa de Ps-Graduo em
Sociologia e Direito na Universidade Federal Fluminense. Na UFF trabalhamos com a mudana
estrutural na esfera pblica e novas tecnologias de controle do trabalho judicirio.
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154 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Nesse sentdo, abordamos mudanas estruturais decorrentes do processo de reforma
da administrao pblica aps a dcada de 1990. O modelo de gesto gerencial adotado foi se
difundindo at chegar ao Poder Judicirio por meio de aes estratgicas do CNJ e tribunais
brasileiros.
O trabalho executado nessa nova esfera pblica judiciria vem sofrendo profundos
impactos provocados pelas metas de desempenho e avaliao quanttatva do trabalho de
juzes e servidores. Em tal contexto, o PJe-JT apresenta-se como nova ferramenta de gesto
administratva e processual que ir provocar intensas repercusses no trabalho judicirio.
Certamente, a tecnologia informacional atngiu um estgio de sofstcao crescente
que parece irreversvel. Emerge da uma tenso importante: conciliar a moderna gesto
processual com as garantas da pessoa humana. No se pretende, ingenuamente, supor algum
tpo de resistncia contra a implementao do processo eletrnico. Pelo contrrio, a utlidade
desse sistema processual para todos os envolvidos requer tambm um olhar crtco para as
disfunes decorrentes com o propsito de superao das tenses por meio de consensos em
que prevaleam aes de entendimento em prol do bem comum.
Referncia bibliogrfca
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 155
Ergonomia aplicada ao
Processo Judicial Eletrnico no
Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio
Henriete de Almeida Azevedo
1
Maria Aparecida dos Santos Fonseca
2
Waldemir Maciel Bretas
3
As mudanas no mundo do trabalho tm ocorrido em uma intensa velocidade, resultado
das crescentes e igualmente velozes inovaes tecnolgicas, que, associadas a outros fatores,
fazem emergir a necessidade de atualizaes constantes e de criao de novas ferramentas de
trabalho, bem como a exigncia de profssionais cada vez mais especializados.
A demanda no Poder Judicirio, por parte da sociedade e dos entes pblicos, tem
aumentado consideravelmente, refetndo-se no nmero crescente dos processos em
tramitao e, consequentemente, no nmero de litgios a serem solucionados. Parte desse
considervel aumento deu-se, nas ltmas dcadas, aps o cidado tomar maior conhecimento
a respeito de seus direitos e do que fazer para conquist-los ou resgat-los (CINTRA, 2009).
O Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio (TRT/RJ), adequando-se modernidade e
aos avanos tecnolgicos da atualidade, deu origem ao Processo Judicial Eletrnico, buscando,
assim, atngir maior acessibilidade, celeridade e efetvidade.
Sob essa perspectva, a ergonomia, reconhecida inicialmente em virtude da luta pela sade
do trabalhador contra os acidentes e da melhoria das condies de trabalho, trouxe contribuies
signifcatvas para a adequao do sistema tcnico, propiciando vantagens econmicas, no
momento da introduo das novas tecnologias (WISNER, 1995, apud OLIVEIRA, 2007).
Defnida por Iida (2005) como o estudo da adaptao do trabalho ao homem, a
ergonomia estuda os diversos fatores que infuem no desempenho do sistema produtvo e
procura reduzir as suas consequncias nocivas sobre o trabalhador, bem como promover o
ajuste mtuo entre o ser humano e seu ambiente de trabalho de forma confortvel, produtva,
segura e que determine bem-estar e efccia.
1. informatzao e ergonomia
A interface ergonomia-informatzao tem sido bastante requisitada graas ao
surgimento de novas tecnologias, em busca da anlise tanto dos sistemas informatzados em si
quanto do impacto da implementao desses para os usurios. A ergonomia vem trabalhando,
1. Servidora do Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio (TRT/RJ), mdica e chefe da Diviso de Promoo de Sade
(DPROS).
2. Servidora do TRT/RJ, fsioterapeuta lotada na Coordenadoria de Sade (CSAD/DPROS).
3. Fisioterapeuta e professor de Educao Fsica com especializao em Ergonomia pelo Insttuto Alberto Luiz Coimbra
de Ps-Graduao e Pesquisa de Engenharia (COPPE)/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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156 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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de forma sistemtca, no estudo da introduo dessas novas tecnologias e tem demonstrado
a transformao do contedo e da natureza do trabalho, bem como as consequncias dessas
mudanas na sade dos trabalhadores e na efccia das organizaes (OLIVEIRA, 2007).
Ao longo dos ltmos 20 anos, surgiram, no mundo do trabalho, diversos problemas de
natureza ergonmica, consequncia do uso intensivo do computador. Segundo Couto (2002),
inicialmente eles foram detectados entre os digitadores e estavam relacionados frequncia
de digitao. Atualmente, acometem no apenas os digitadores, mas todos aqueles que fazem
uso regular do computador como parte do trabalho.
Os computadores foram concebidos em substtuio s mquinas de datlografa, e
uma questo instgante surgiu no campo da ergonomia referente ao aumento dos relatos de
problemas vinculados nova tecnologia. Couto (2002) nos prope algumas respostas.
A primeira delas est relacionada diversifcao de movimentos. Antgamente, o
usurio de mquina de datlografa usava o equipamento e depois tnha de fazer uma srie
de tarefas independentes do uso da mquina. Com o computador e a possibilidade de
armazenamento de dados, a internet, o sistema interno integrado, o correio eletrnico, h uma
maior tendncia permanncia de posturas esttcas do trabalhador no seu posto de trabalho,
com pouca mobilidade.
A segunda est ligada ao prprio hardware, pois pode-se verifcar uma srie de
desacertos ergonmicos, tais como teclados muito compridos, mouse sendo operado em
posio de abduo do ombro direito, CPU e monitor de vdeo que difcultam o posicionamento
de papis, processos e outros aspectos, alm dos refexos na tela do monitor.
Uma terceira considerao refere-se adaptao do posto de trabalho s novas
exigncias. O espao sobre a mesa, necessrio realizao das tarefas laborais, teve de ser
compartlhado com o conjunto do computador CPU, teclado, mouse, monitor de vdeo. A essa
escassez de espao soma-se, ainda, a utlizao de mobilirio inadequado s atvidades.
2. Postos de trabalho
O posto de trabalho a unidade elementar de um processo produtvo, que envolve o
homem e o equipamento que ele utliza para realizar o trabalho, bem como o ambiente que o
circunda. o local onde o trabalhador desenvolve suas atvidades, sendo, portanto, o elemento
bsico de sua atuao (IIDA, 2005).
Para a concepo de postos de trabalho ergonomicamente adequados, aplicam-se
conhecimentos de anatomia, fsiologia e antropometria.
O dimensionamento deve ser projetado para que seus usurios tenham uma postura
confortvel. Para isso, devem-se considerar diversos fatores, como a posio adequada do
corpo; movimentos corporais necessrios; alcances dos movimentos; medidas antropomtricas
dos ocupantes do posto; necessidades de iluminao e ventlao; dimenses dos equipamentos
e ferramentas; interao com outras estaes de trabalho e o ambiente externo.
Dimenses equivocadas das estaes de trabalho podem provocar um esforo fsico intl
ou exagerado, impondo difculdades na manipulao de objetos, na percepo de elementos da
tarefa e no controle dos movimentos. Para Bridger (1995), garantr uma boa postura requisito
bsico no projeto ergonmico dos postos de trabalho.
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A postura de trabalho determinada pela atvidade desenvolvida, exigncia da tarefa
(visuais, emprego de foras, preciso dos movimentos, etc.), espaos de trabalho e relao do
trabalhador com mquinas e equipamentos.
Mesmo quando bem projetado do ponto de vista antropomtrico, um posto de
trabalho pode se revelar desconfortvel se os fatores organizacionais, ambientais e sociais no
forem levados em conta. Estes devem ser adaptados s caracterstcas psicofsiolgicas dos
trabalhadores e natureza do trabalho, levando em conta tambm a sensao de conforto.
Os mveis e equipamentos devem ser projetados de modo a permitr mudanas
posturais e favorecer a adoo de posturas dinmicas durante as atvidades laborais.
3. A importncia das pausas
A troca rtmica entre gastos energtcos e reposio de fora ou, dito de outra forma,
entre trabalho e descanso indispensvel para o funcionamento de todos os sistemas
orgnicos (GRANDJEAN, 2005). A principal funo das pausas proporcionar alvio para os
grupos musculares que esto sendo mais exigidos.
As posturas esttcas devem ser reduzidas ao mximo, pois todo esforo de manuteno
postural implica uma contrao muscular isomtrica que pode ser nociva sade. Por
favorecerem um aporte adequado de oxignio e nutrientes para os msculos, as alternncias
de posturas devem ser sempre privilegiadas porque reduzem a fadiga muscular.
O tempo de manuteno de uma postura deve levar em conta, por um lado, o perodo
unitrio de manuteno (sem possibilidades de modifcaes posturais) e, por outro, o tempo
total de manuteno registrado durante a jornada de trabalho.
4. Mobilirios e equipamentos dos postos de trabalho
O mobilirio no deve apenas ser adaptado s caractersticas antropomtricas da
populao, mas tambm atender aos requisitos de conforto que contemple tanto a boa postura
quanto as exigncias da tarefa, a includas a boa visualizao e a movimentao adequada dos
vrios segmentos corporais.
No planejamento/adaptao do posto de trabalho na posio sentada, devem-
se contemplar sempre duas medidas principais: a altura da cadeira e a altura da mesa.
Considerando que as dimenses corporais so muito diversas, pelo menos uma dessas alturas
tem de ser regulvel, para facilitar a adaptao do posto maioria dos trabalhadores.
Mesa
A mesa de trabalho deve proporcionar ao usurio condies de boa postura, visualizao
e operao, alm de ter espao sufciente em profundidade, altura e largura, para permitr ao
servidor a livre movimentao das pernas sob a sua superfcie. Ainda, necessrio atender aos
seguintes requisitos mnimos, de acordo com a Norma Regulamentadora n 17 (Ergonomia):
a) ter altura e caracterstcas da superfcie de trabalho compatveis com o tpo de
atvidade, com a distncia requerida dos olhos ao campo de trabalho e com a altura
do assento;
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b) ter rea de trabalho de fcil alcance e visualizao pelo trabalhador;
c) ter caracterstcas dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentao
adequados dos segmentos corporais.
Para Dul & Weerdmeester (1995), a altura das mesas de trabalho com terminais de vdeo
deve ser ajustvel entre 54 e 79cm a fm de acomodar as diferenas individuais. Essa altura
deve ser facilmente regulvel, a partir da posio sentada.
Deve haver um vo de 20cm, no mnimo, entre o assento e a parte inferior do tampo da
mesa, para permitr acomodao e movimentao livre das coxas do usurio. Sob a mesa deve
haver espao sufciente para que o trabalhador possa estcar as pernas completamente. Essa
rea no deve ser ocupada por objetos como processos, CPU, cesto de lixo e estabilizador, nem
por caixa de tomada eltrica de piso.
importante que o trabalhador possa entrar, sair e se movimentar para os lados,
inclusive quando girar a cadeira. Iida (2005) recomenda deixar um espao livre na altura da
cintura, de 5cm de cada lado, e na altura dos ombros, de 10cm de cada lado, para que haja
ampla mobilidade.
Cadeira
A cadeira forma um conjunto integrado com os outros elementos do posto de trabalho e
deve ser adequada natureza da tarefa e s dimenses antropomtricas do usurio. No existe
uma cadeira que seja ergonmica independentemente da funo exercida pelo trabalhador.
De acordo com estudos anatmicos, fsiolgicos e clnicos da postura sentada, os
assentos devem obedecer aos seguintes princpios gerais:
altura: a regulagem de altura do assento deve ser defnida de forma que os ps
estejam bem apoiados. A partr da, ajusta-se a altura em funo da superfcie de
trabalho. A Norma Brasileira (NBR) 139628 da Associao Brasileira de Normas
Tcnicas (ABNT) estabelece que as cadeiras devem ter regulagem de altura do
assento entre 42 e 50cm. Iida (2005), no entanto, recomenda que a altura do assento
deve ser regulvel, entre o mnimo de 37 e o mximo de 53cm, para acomodar as
diferenas individuais. Afrma, ainda, que as pessoas de menor estatura devem
providenciar apoio para os ps a fm de compensar a diferena entre a altura mnima
da cadeira e o comprimento da perna do trabalhador. A altura do assento deve ser
defnida tambm em funo da altura da mesa, de modo que a superfcie da mesa
fque aproximadamente na altura do cotovelo da pessoa sentada;
largura e profundidade do assento: a NBR 13962 recomenda que o assento tenha
largura mnima de 40cm e profundidade entre 38 e 44cm. O usurio, quando
sentado, no deve sentr as bordas laterais do assento. A profundidade deve ser tal
que a borda do assento fque pelo menos 2cm afastada do oco poplteo para evitar
a compresso de vasos sanguneos, tendes e nervos na parte posterior do joelho;
revestmento e densidade: o tecido de revestmento deve ter caracterstca
antderrapante e capacidade de dissipar o calor e suor gerados pelo corpo.
Recomenda-se estofamento com pequena camada de espuma de alta densidade
montado sobre uma base rgida para suportar o peso do corpo, de forma a ajudar
a distribuir a presso e proporcionar maior estabilidade ao corpo, contribuindo
para reduzir o desconforto e a fadiga. A conformao do assento deve permitr
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alteraes de postura, aliviando, assim, as presses sobre os discos intervertebrais e
as tenses sobre os msculos dorsais de sustentao. Portanto, so desaconselhveis
assentos moldados (formato anatmico), em que as ndegas se encaixam neles, pois
difcultam as mudanas de posio;
borda anterior: a borda da frente do assento deve ser arredondada para evitar a
compresso de vasos, nervos e tendes que passam atrs do joelho;
inclinao do assento: conforme recomendao da norma tcnica da ABNT,
prefervel que o assento no seja exatamente horizontal, mas ligeiramente inclinado
para trs, de 0 a 5 graus em relao horizontal. Essa pequena inclinao favorece
o apoio das costas no encosto e ajuda a evitar que a pessoa escorregue para frente;
encosto: o encosto da cadeira deve ter forma cncava, ser regulvel em inclinao e
altura para favorecer a adaptao da maioria das pessoas e oferecer um bom suporte
para a regio lombar. Para Iida (2005) o ngulo assento/encosto deve variar de 90 a
120 graus. A ABNT recomenda que o ponto mdio do encosto lombar (na metade da
altura do encosto) possa variar sua altura entre 17 e 23cm acima do assento;
apoio de antebraos: as cadeiras devem possuir braos laterais com dispositvo
de regulagem que os ajustem aproximadamente mesma altura, ou um pouco
abaixo, da superfcie da mesa. Os ombros dos usurios devem estar relaxados, seus
antebraos apoiados (e ainda assim livres para se moverem durante a digitao) e
seus punhos posicionados em uma posio neutra confortvel;
base: deve possuir assento giratrio, base de cinco ps com rodzios e regulagens
fceis de usar.
A NR n 17 determina as seguintes caracterstcas mnimas de conforto para cadeiras:
a) altura ajustvel estatura do trabalhador e natureza da funo exercida;
b) caracterstcas de pouca ou nenhuma conformao na base do assento;
c) borda frontal arredondada;
d) encosto com forma levemente adaptada ao corpo para proteo da regio lombar.
Supedneo
As mesas tradicionais possuem altura padro de 74 cm e geralmente so muito altas
para as pessoas de baixa estatura. Para que esses usurios se posicionem adequadamente em
relao superfcie da mesa, Grandjean (2005) recomenda que elevem a altura do assento e
utlizem um supedneo para evitar que seus ps fquem pendentes.
Para as atvidades em que os trabalhos devem ser realizados na posio sentada, a NR n
17 determina que, com base na anlise ergonmica, poder ser exigido suporte para os ps que
se adapte ao comprimento da perna do trabalhador.
Brandimiller recomenda suportes para ps com pequena inclinao (10 a 25 graus), com
superfcie antderrapante tanto na zona superior como em seus apoios, com possibilidade de
graduao de altura em trs posies a fm de promover o adequado ajuste do usurio.
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Teclado, mouse, suporte de antebrao e mouse pad
Para evitar sintomas de desconforto nas artculaes e msculos dos membros
superiores, o teclado e o mouse devem ser posicionados prximos e no mesmo plano, estando
a mo e o antebrao na mesma linha horizontal com os cotovelos flexionados entre 90 e 110
graus e prximos ao tronco. Angulaes de punho devem ser evitadas.
Quando o conforto e a ausncia de inconvenientes forem comprovados pelo prprio
usurio, este poder utlizar um suporte de antebrao, fxado mesa, para apoiar o antebrao,
evitando sobrecarga sobre o membro superior durante a utlizao do mouse.
Carter e Banister, citados por IIda (2005) recomendam que o teclado deva fcar na altura
do cotovelo ou at 3cm abaixo, variando de 60 a 85cm do solo.
Brandimiller (2002) recomenda a utlizao do mouse pad com almofada para evitar a
presso e o atrito da borda da mesa ou do prprio mouse pad contra o punho. O punho deve ser
mantdo em uma posio confortvel e neutra e o mouse no mesmo alinhamento do antebrao.
A NR n 17 afrma que o teclado deve ser independente e ter mobilidade, permitndo ao
trabalhador ajust-lo de acordo com as tarefas a serem executadas.
Monitor
A mobilidade absoluta do monitor sobre a superfcie de trabalho muito importante.
O usurio deve poder girar, inclinar, realizar ajustes com o objetvo de evitar refexos, reduzir o
esforo de acomodao visual e manter uma postura de trabalho natural.
O posicionamento adequado do monitor proporcionar ao usurio uma diminuio no
esforo dos olhos e da fadiga muscular no pescoo, nos ombros e nas costas.
A NR n 17 determina que os equipamentos utlizados no processamento eletrnico de
dados com terminais de vdeo devem observar os seguintes requisitos:
a) condies de mobilidade sufcientes para permitr o ajuste da tela do equipamento
iluminao do ambiente, protegendo-a contra refexos, e proporcionar corretos
ngulos de visibilidade ao trabalhador;
b) a tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados de maneira
que as distncias olho-tela, olho-teclado e olho-documento sejam aproximadamente
iguais;
c) devem ser posicionados em superfcies de trabalho com altura ajustvel.
A disposio do monitor vai determinar o posicionamento da cabea do usurio que
pode, por sua vez, infuenciar a postura do tronco, levando o trabalhador a adotar posturas
inadequadas prolongadas ou repettvas da nuca em fexo ou extenso extrema ou de
inclinao/toro do tronco. Um exemplo tpico desta situao o funcionrio posicionar
seu monitor de vdeo na lateral da mesa, bem como muito acima ou muito abaixo da linha
horizontal dos olhos.
O monitor deve estar situado perpendicularmente s janelas, a fim de evitar os reflexos
que se originariam se o monitor estivesse voltado para as janelas e o ofuscamento que sofreria o
usurio, se fosse ele quem estivesse nessa posio. Essas medidas podem ser complementadas
mediante a utlizao de cortnas ou persianas que diminuam a luminosidade externa.
Carter e Banister, citados por Iida (2005), recomendam as seguintes medidas para o
posicionamento do monitor:
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a) altura de 90 a 115cm, medida entre o centro da tela e o piso;
b) distncia visual, ou seja, olhotela, entre 41 e 93cm;
c) ngulo visual (zona de conforto visual) de 0-30 graus, medida da parte superior da
tela para baixo, tendo como referncia a linha horizontal dos olhos.
Suporte de monitor
Quando os monitores esto colocados diretamente sobre a mesa de trabalho, em geral
fcam numa posio muito baixa para o trabalhador. Alguns instalam a CPU sob o monitor, mas
isso costuma deix-lo muito elevado.
A NR n 17 preconiza que os monitores devem ser posicionados em superfcies de
trabalho com altura ajustvel. Quando isso no ocorre, pode-se improvisar a sua instalao
sobre livros ou resmas de papel, com vistas a torn-los compatveis com o usurio.
Contudo, h disponibilidade, no mercado, de modelos de suporte de monitor mecnico,
com recurso de fxao mesa, com braos artculados que permitem uma adequada
regulagem de altura e tambm seu deslocamento para frente, para trs e para os lados. Esses
equipamentos, alm de favorecerem ajuste ergonmico adequado para a altura e distncia do
monitor, possuem a vantagem de no ocupar espao sobre a mesa de trabalho.
5. A viso e o trabalho com computador
Trabalhar em frente a um monitor uma prtca cada vez mais habitual no mundo
laboral e implica que os olhos foquem um visor durante perodos prolongados e ininterruptos
de tempo. Aps duas horas de trabalho consecutvo, podem surgir vrios sintomas como,
irritao ocular, olhos vermelhos, coceira, sensao de olhos secos, fadiga, sensibilidade luz,
sensao de plpebras pesadas e difculdade em focar as imagens (AFONSO, 2011).
Segundo o ofalmologista Queiroz Neto (2012), uma pessoa frente de um computador
apresenta diminuio dos movimentos do globo ocular e pisca menos. A frequncia de piscadas
reduz de 20 vezes por minuto para 15 vezes, em mdia. Isso prejudica a troca do flme lacrimal,
uma pelcula responsvel pela umidade na superfcie do globo ocular. Aqueles que usam lentes
de contato tm uma agravante na situao, pois as lentes so hidroflicas, ou seja, absorvem a
umidade do olho. Os ambientes refrigerados tambm acentuam o ressecamento da vista por
reduzirem a umidade relatva do ar.
Os milhes de cores geradas pelos monitores de vdeo sobrecarregam a musculatura
que regula a entrada de luz, porque as imagens em pixels exigem ajuste de foco milhares de
vezes por dia.
Os monitores, quando posicionados muito altos em relao ao nvel dos olhos, tambm
exigem esforo extra da vista.
O correto planejamento da iluminao contribui para aumentar a satsfao no trabalho,
melhorar a produtvidade e reduzir a fadiga e os acidentes. A iluminao geral deve ser
uniformemente distribuda e difusa. Portanto, os locais de trabalho devem ser projetados de
forma a evitar ofuscamento, refexos incmodos e sombras (IIDA, 2005).
Sempre que possvel, as estaes de trabalho devem ser dispostas em ngulo reto com a
janela, pois, se o monitor estver voltado para ela, haver sombras e refexos na tela; se o usurio
estver de frente, ofuscamento. Cortnas e persianas podem ser de grande ajuda para controlar o
nvel de luz durante certas horas do dia.
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162 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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O ofalmologista deve ser consultado regularmente, e, se necessrio, o usurio de
computador dever utlizar culos ou lentes de contato para corrigir algum defeito como
miopia, astgmatsmo, etc.
Brandimiller (2002) recomenda que as estaes de trabalho sejam mantdas com uma
iluminao adequada em quantdade e qualidade. Esse autor d outras orientaes, como
colocar o monitor e documentos em posies e distncias adequadas para a viso; afastar o
olhar da tela do monitor durante alguns instantes e olhar para longe (alm de 6 metros) no
interior do local de trabalho ou, preferivelmente, atravs da janela; introduzir pausas e alternar
atvidades. Ressalta, ainda, a importncia da nitdez dos caracteres e dos detalhes das imagens
nos documentos e na tela.
6. consideraes fnais
Com a implantao do Processo Judicial Eletrnico, os servidores do TRT/RJ passaro
mais tempo da jornada numa mesma postura, principalmente sentada, com aumento da
sobrecarga do sistema musculoesqueltco. Haver tambm exigncia maior sobre seu sistema
visual, por passarem mais tempo focando dois monitores de vdeo.
A grande maioria das mudanas empreendidas pelas insttuies almeja o aumento
da produtvidade. importante que a ergonomia faa parte da flosofa gerencial e de valores
compatveis com a insttuio que a adota, visando qualidade de vida no trabalho, haja vista
que a ergonomia funciona como um contraponto, ao questonar as repercusses sobre o
trabalhador e, de certa forma, humanizar as transformaes em curso.
Portanto, as consideraes ergonmicas dos postos de trabalho devem ser priorizadas a
fm de proporcionar o mximo conforto aos servidores. Eles devem ser projetados de modo a
facilitar as alternncias de posturas durante a realizao das atvidades laborais, levando-se em
considerao a natureza da tarefa e as atvidades desenvolvidas para realiz-la.
Um novo paradigma organizacional vai, paulatnamente, se afrmando: no basta
somente garantr a qualidade fnal dos produtos e servios, vital que ela venha acompanhada
de qualidade de vida no trabalho, considerando os colaboradores (FERREIRA et al., 2009).
Cabe insttuio promover uma boa qualidade de vida no trabalho com base em uma
viso integral do trabalhador, o chamado enfoque biopsicossocial, segundo o qual qualidade
de vida no se refere apenas ausncia de doenas, mas tambm ao completo bem-estar
biolgico, psicolgico e social. Logo, os servidores devem ser conscientzados da melhor
postura para trabalhar com computador e orientados a realizar pequenas pausas peridicas a
fm de interromper as posturas esttcas, promovendo, dessa forma, a compensao do sistema
osteomuscular e visual.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 165
Gesto do lado humano da mudana
para o sucesso do PJe-JT
Melhores prtcas mundiais para conduzir
mudanas ousadas e vencer
Armando Kokitsu
1
Introduo
Gesto da mudana organizacional ou, simplesmente, Gesto da Mudana (GM) um
processo estruturado de aplicao de princpios, conhecimentos, tcnicas e instrumentos,
bem como de exerccio de attudes para gerenciar o lado humano de cada pessoa que precisa
mudar sua forma de trabalhar, a fm de produzir os resultados desejados de um projeto
ou iniciatva de mudana. Essa disciplina trata, por exemplo, da resistncia das pessoas da
organizao (usurios e clientes internos do produto do projeto) mudana nos seus hbitos
de trabalho. Isso obsta a que uma mudana organizacional seja efetvamente implementada.
Assim, importante considerar o envolvimento e a atuao de dirigentes e gerentes, que
precisam passar pelos seus prprios processos individuais de transio e, ao mesmo tempo,
liderar e apoiar os processos individuais de transio das pessoas impactadas pela mudana.
A gesto da mudana organizacional abrange todas as atvidades que uma organizao
precisa executar para com sucesso fazer com que as pessoas que utlizaro o produto de um
projeto aceitem e adotem novas tecnologias e, principalmente, um novo modelo de trabalho.
Gesto da mudana mais do que o gerenciamento tcnico do projeto
De acordo com Bridges (2009),
No se trata de mudanas, mas de transies. No so a mesma coisa. Mudana
situacional: a movimentao para um novo local, a aposentadoria do fundador, a
reorganizao dos papis da equipe, as revises do plano de penso. Transio, por
outro lado, psicolgica; um processo de trs fases pelo qual as pessoas passam na
medida em que internalizam e se conformam com os detalhes da nova situao que
a mudana produz.
1. Analista judicirio e analista de sistemas do CSJT; mestre em Administrao pela Universidade de Braslia (UnB);
doutorando em administrao pela Universidad Nacional de Misiones, Argentna; membro-fundador da Associaton
of Change Management Professionals (ACMP: www.acmpglobal.org); lder da Latn America and Caribbean Regional
Network da ACMP; professor convidado da Fundao Getlio Vargas (FGV), da disciplina Mudana Organizacional
do MBA em Gesto Estratgica e Econmica de Projetos; professor convidado do Insttuto Brasileiro de Mercado
de Capitais (IBMEC)-DF das disciplinas Gesto de Comunicaes e das Partes Interessadas e Sustentabilidade em
Projetos; certfcado em trs metodologias internacionais para liderana/gesto da mudana; membro-fundador do
Project Management Insttute (PMI)-DF.
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166 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
Ento, uma coisa a mudana fsica, tcnica, de procedimentos de trabalho; outra
a mudana interior, psicolgica, comportamental, a que Bridges chamou de transio. Esta
precisa ocorrer para que as mudanas organizacionais fsicas realmente aconteam e produzam
os resultados desejados dentro do prazo e do oramento e a transio, regra geral, mais
difcil e mais lenta que a mudana fsica, alm de requerer cuidados prprios, ou seja, ela deve
ser vista como um processo (Figura 1).
No se trata de mudanas, mas de transies. No so a mesma
coisa. Mudana situacional: a movimentao para um novo local, a
aposentadoria do fundador, a reorganizao dos papis da equipe, as
revises do plano de penso. Transio, por outro lado, psicolgica;
um processo de trs fases pelo qual as pessoas passam na medida
em que internalizam e se conformam com os detalhes da nova
situao que a mudana produz.
Ento, uma coisa a mudana fsica, tcnica, de procedimentos de trabalho;
outra a mudana interior, psicolgica, comportamental, a que Bridges chamou de
transio. Esta precisa ocorrer para que as mudanas organizacionais fsicas realmente
aconteam e produzam os resultados desejados dentro do prazo e do oramento e a
transio, regra geral, mais difcil e mais lenta que a mudana fsica, alm de requerer
cuidados prprios, ou seja, ela deve ser vista como um processo (Figura 1).
Figura 1 A mudana no aspecto humano deve ser compreendida como um processo.
O PMBOK
2
, no captulo Ciclo de Vida e Organizao do Projeto, ao tratar das
partes interessadas (seo 2.3 do guia), afirma que elas so pessoas ou organizaes
cujos interesses podem ser positiva ou negativamente afetados pela execuo ou trmino
do projeto, e que podem exercer influncia sobre o projeto. Assevera tambm que o
gerente do projeto precisa gerenciar a influncia das vrias partes interessadas em
relao aos requisitos do projeto para garantir um resultado bem-sucedido (PMI, 2008).
Uma parte interessada crtica so as pessoas que precisaro mudar sua forma de
trabalhar ao utilizar o produto de um projeto. Por exemplo, um novo sistema
informatizado, como o Processo Judicial Eletrnico da Justia do Trabalho (PJe-JT).
2
Project Management Body of Knowledge, publicao do Project Management Institute.
Figura 1 A mudana no aspecto humano
deve ser compreendida como um processo.
O PMBOK
2
, no captulo Ciclo de Vida e Organizao do Projeto, ao tratar das partes
interessadas (seo 2.3 do guia), afrma que elas so pessoas ou organizaes cujos interesses
podem ser positva ou negativamente afetados pela execuo ou trmino do projeto, e que
podem exercer infuncia sobre o projeto. Assevera tambm que o gerente do projeto precisa
gerenciar a infuncia das vrias partes interessadas em relao aos requisitos do projeto
para garantr um resultado bem-sucedido (PMI, 2008). Uma parte interessada crtca so as
pessoas que precisaro mudar sua forma de trabalhar ao utlizar o produto de um projeto. Por
exemplo, um novo sistema informatizado, como o Processo Judicial Eletrnico da Justa do
Trabalho (PJe-JT).
Gesto da mudana contribui decisivamente para o sucesso de um
projeto de mudana
Muitas vezes, quando uma organizao tem um problema a resolver ou oportunidade
de melhoria a explorar, a soluo depende de uma mudana que afeta a forma de trabalhar das
pessoas. Tambm comum a organizao se preocupar com a qualidade da soluo tcnica,
como ao desenvolver e colocar em produo um sistema de informao, mas ser surpreendida
com a difculdade em obter os resultados esperados. Por que isso acontece? como se uma
2. Project Management Body of Knowledge, publicao do Project Management Insttute.
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a
Regio 167
soluo apresentasse dois lados (Figura 2). Um deles a Qualidade da Soluo (QS), no que se
refere ao produto em si do projeto por exemplo, a qualidade de um sistema de informao
(sofware e hardware) como o PJe-JT ; o outro, a Qualidade da Aceitao da soluo (QA), que
pode variar desde a assimilao e o engajamento pleno e rpido at a resistncia mudana,
com posterior abandono, ou mesmo rejeio, desde o incio. Ento, assim como a rea de
um retngulo igual multplicao de seus lados, o sucesso de uma iniciatva de mudana
depende do produto da multplicao da Qualidade da Soluo tcnica (ex.: Sistema PJe-JT) pela
Qualidade da Aceitao pelas pessoas e proporcional a ele (ex.: o quanto o PJe-JT ser aceito e
efetvamente utlizado com profcincia pelas pessoas).
Gesto da mudana contribui decisivamente para o sucesso de um
projeto de mudana
Muitas vezes, quando uma organizao tem um problema a resolver ou
oportunidade de melhoria a explorar, a soluo depende de uma mudana que afeta a
forma de trabalhar das pessoas. Tambm comum a organizao se preocupar com a
qualidade da soluo tcnica, como ao desenvolver e colocar em produo um sistema de
informao, mas ser surpreendida com a dificuldade em obter os resultados esperados. Por
que isso acontece? como se uma soluo apresentasse dois lados (Figura 2). Um deles a
Qualidade da Soluo (QS), no que se refere ao produto em si do projeto por exemplo, a
qualidade de um sistema de informao (software e hardware) como o PJe-JT ; o outro, a
Qualidade da Aceitao da soluo (QA), que pode variar desde a assimilao e o
engajamento pleno e rpido at a resistncia mudana, com posterior abandono, ou
mesmo rejeio, desde o incio. Ento, assim como a rea de um retngulo igual
multiplicao de seus lados, o sucesso de uma iniciativa de mudana depende do produto
da multiplicao da Qualidade da Soluo tcnica (ex.: Sistema PJe-JT) pela Qualidade da
Aceitao pelas pessoas e proporcional a ele (ex.: o quanto o PJe-JT ser aceito e
efetivamente utilizado com proficincia pelas pessoas).
Figura 2 Resultado como produto da multiplicao da qualidade da soluo pela qualidade da aceitao.
Estudo (HAY GROUP, 2001) mostrou que muitas iniciativas de mudana
apresentam resultados que ficam aqum das expectativas e que as maiores dificuldades
para mudar uma organizao tm relao com as pessoas. Ele cita uma pesquisa sobre
eficcia organizacional do Instituto de Psicologia do Trabalho da Universidade de
Sheffield na Inglaterra que mostrou, entre as indstrias de fabricao, melhores prticas
de gesto de pessoas aumentarem a produtividade em 18% e a lucratividade em 19%. Os
pesquisadores descobriram tambm que essas prticas prediziam melhor o desempenho
da companhia do que a estratgia, a tecnologia ou a pesquisa e desenvolvimento.
A gesto da mudana no apenas reduz a resistncia das pessoas mudana
como contribui para que elas se comprometam com o sucesso dela. Estudo realizado por
pesquisadores da McKinsey (LACLAIR e RAO, 2002) mostra o seguinte:
Figura 2 Resultado como produto da
multplicao da qualidade da soluo pela
qualidade da aceitao.
Estudo (HAY GROUP, 2001) mostrou que muitas iniciatvas de mudana apresentam
resultados que fcam aqum das expectatvas e que as maiores difculdades para mudar uma
organizao tm relao com as pessoas. Ele cita uma pesquisa sobre efccia organizacional
do Insttuto de Psicologia do Trabalho da Universidade de Shefeld na Inglaterra que mostrou,
entre as indstrias de fabricao, melhores prtcas de gesto de pessoas aumentarem a
produtvidade em 18% e a lucratvidade em 19%. Os pesquisadores descobriram tambm que
essas prtcas prediziam melhor o desempenho da companhia do que a estratgia, a tecnologia
ou a pesquisa e desenvolvimento.
A gesto da mudana no apenas reduz a resistncia das pessoas mudana
como contribui para que elas se comprometam com o sucesso dela. Estudo realizado por
pesquisadores da McKinsey (LACLAIR e RAO, 2002) mostra o seguinte:
h correlao direta entre efccia da gesto da mudana e o gap entre ROI
3
esperado e ROI obtdo (R2 = 0,7)
4
;
3. ROI: Acrnimo em ingls de Return On Investment, ou seja, retorno do investmento.
4. O coefciente de determinao R2 usado no contexto de modelos estatstcos cujo principal propsito predizer
resultados futuros. Regra geral: quanto maior o valor de R2 entre 0 e 1, maior a probabilidade de predizer o futuro
com base no modelo. Um R2 = 0,7 pode ser interpretado assim: cerca de 70% de variao da varivel dependente
podem ser explicados pela varivel independente.
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168 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
projetos que apresentaram valores altos em fatores que contribuem para a gesto
da mudana alcanaram 143% do resultado esperado, ou seja, alm da expectatva;
projetos que apresentaram valores baixos em fatores que contribuem para a gesto
da mudana alcanaram apenas 35% do resultado esperado.
A pesquisa sugere que a maioria das organizaes no apresenta pontos fortes nos trs
nveis da organizao (gerentes em alto nvel, em nvel intermedirio e empregados da linha
de frente). Cerca de 73% das organizaes pesquisadas apresentaram pontos fracos em um
ou dois nveis, ou seja, cerca de apenas 28% eram fortes em todos os trs nveis (11 de 40). Os
autores do artgo afrmam que Organizaes que tveram problemas em um ou dois nveis da
organizao conseguiram, todavia, todos ou a maioria dos retornos esperados das iniciatvas
de mudana. Em outras palavras, organizaes que tveram problemas em apenas um nvel
conseguiram 129% do valor esperado, enquanto organizaes que tiveram problemas em
dois nveis gerenciais alcanaram 68% do resultado esperado da iniciatva.
Portanto, no necessrio s organizaes ter pontos fortes em gesto das mudanas
nos seus trs nveis organizacionais (alto, intermedirio e da linha de frente) para melhorar
e obter parte dos resultados esperados com os projetos. Por outro lado, se a organizao
deseja alcanar 100%, ou at 143%, de retorno do resultado esperado, ela deve investir no
atendimento de todos os fatores para o sucesso das mudanas em todos os trs nveis.
interessante observar que o fato de 11 organizaes (cerca de 28% das
organizaes pesquisadas) terem obtido 143% de retorno em relao ao valor do resultado
esperado sugere que as organizaes esperam menos do que realmente possvel
conseguir. Prosseguindo com esse raciocnio, as organizaes que apresentaram problemas
em dois nveis gerenciais e que conseguiram 68% do resultado esperado provavelmente
alcanaram bem menos de 68% do valor de melhoria ou retorno possvel. Em outras palavras
(ou nmeros), se voc aplica a regra de trs para os valores abaixo, voc obtm o valor ao redor
de 48 para x:
h correlao direta entre eficcia da gesto da mudana e o gap entre ROI
3
esperado e ROI obtido (R2 = 0,7)
4
;
projetos que apresentaram valores altos em fatores que contribuem para a gesto
da mudana alcanaram 143% do resultado esperado, ou seja, alm da expectativa;
projetos que apresentaram valores baixos em fatores que contribuem para a gesto
da mudana alcanaram apenas 35% do resultado esperado.
A pesquisa sugere que a maioria das organizaes no apresenta pontos fortes
nos trs nveis da organizao (gerentes em alto nvel, em nvel intermedirio e
empregados da linha de frente). Cerca de 73% das organizaes pesquisadas
apresentaram pontos fracos em um ou dois nveis, ou seja, cerca de apenas 28% eram
fortes em todos os trs nveis (11 de 40). Os autores do artigo afirmam que
Organizaes que tiveram problemas em um ou dois nveis da organizao conseguiram,
todavia, todos ou a maioria dos retornos esperados das iniciativas de mudana. Em
outras palavras, organizaes que tiveram problemas em apenas um nvel conseguiram
129% do valor esperado, enquanto organizaes que tiveram problemas em dois nveis
gerenciais alcanaram 68% do resultado esperado da iniciativa.
Portanto, no necessrio s organizaes ter pontos fortes em gesto das
mudanas nos seus trs nveis organizacionais (alto, intermedirio e da linha de frente)
para melhorar e obter parte dos resultados esperados com os projetos. Por outro lado,
se a organizao deseja alcanar 100%, ou at 143%, de retorno do resultado
esperado, ela deve investir no atendimento de todos os fatores para o sucesso das
mudanas em todos os trs nveis.
interessante observar que o fato de 11 organizaes (cerca de 28% das
organizaes pesquisadas) terem obtido 143% de retorno em relao ao valor do
resultado esperado sugere que as organizaes esperam menos do que realmente
possvel conseguir. Prosseguindo com esse raciocnio, as organizaes que
apresentaram problemas em dois nveis gerenciais e que conseguiram 68% do
resultado esperado provavelmente alcanaram bem menos de 68% do valor de melhoria
ou retorno possvel. Em outras palavras (ou nmeros), se voc aplica a regra de trs para
os valores abaixo, voc obtm o valor ao redor de 48 para x:
68
143
=
100
=
68 . 100
143
(1)
Em outras palavras, organizaes que capturaram 68% do valor esperado provavelmente
capturaram em torno de 48% do valor possvel. A equao 1 indica que aparentemente a
maioria das organizaes desconhece o potencial da gesto da mudana como
instrumento estratgico para aumentar consideravelmente o valor de retorno dos seus
3
ROI: Acrnimo em ingls de Return On Investment, ou seja, retorno do investimento.
4
O coeficiente de determinao R2 usado no contexto de modelos estatsticos cujo principal propsito
predizer resultados futuros. Regra geral: quanto maior o valor de R2 entre 0 e 1, maior a probabilidade de
predizer o futuro com base no modelo. Um R2 = 0,7 pode ser interpretado assim: cerca de 70% de variao da
varivel dependente podem ser explicados pela varivel independente.
Em outras palavras, organizaes que capturaram 68% do valor esperado provavelmente
capturaram em torno de 48% do valor possvel. A equao 1 indica que aparentemente a
maioria das organizaes desconhece o potencial da gesto da mudana como instrumento
estratgico para aumentar consideravelmente o valor de retorno dos seus projetos.
Pesquisas mostraram que, apesar do maior estudo e aplicao da disciplina gerenciamento
de projetos, muitas iniciatvas de mudana organizacional contnuavam a apresentar resultados
aqum do esperado. Essas pesquisas constataram que em tais projetos faltava melhor
gerenciamento do lado humano da mudana (Figura 3).
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a
Regio 169
O ltmo CHAOS Report 2009 mostrou um decrscimo das taxas de
sucesso de projetos de tecnologia, com somente 32% de todos os projetos
com entregas no prazo e oramento com o escopo previsto, 44% com
falhas de prazo, oramento e objetvos e 24% com falha total, cancelados
antes do trmnio e nunca utlizados. Fonte: The Standish Group.
Um estudo de 2005, em 200 empresas, revelou uma clara conexo entre
Gesto da Mudana e a alta performance e o alto grau de maturidade
em gerenciamento de projetos. Problemas humanos (comportamentais,
culturais e poltcos) causaram 59% das falhas nos projetos. Fonte:
PriceWaterHouseCoopers.
Figura 3 Defcincias em projetos devido a problemas humanos e falta de gesto da mudana
(extrado com permisso do material didtco do curso de Mudana Organizacional da FGV).
Pesquisa internacional
5
realizada em 65 pases com cerca de 2 mil projetos em
organizaes privadas, pblicas e acadmicas concluiu que, quando se aplica gesto da mudana
em nvel excelente, em comparao com projetos onde ela no foi aplicada ou foi aplicada de
forma pobre, a quantdade de projetos de mudana organizacional que:
alcanam ou superam os objetvos cerca de seis vezes maior;
cumprem ou adiantam o cronograma mais de quatro vezes maior;
no ultrapassam ou gastam menos do que o oramento previsto mais de uma vez
e meia maior.
Princpios para gesto da mudana organizacional
essencial promover a abertura e a confana, que aumentam as chances de sucesso
do projeto, bem como garantr a alocao de um ou mais membros da equipe para gesto
da mudana organizacional (isso inclusive demonstra e sinaliza que a organizao leva a srio o
aspecto humano da mudana).
Pessoas a serem impactadas pela mudana devem receber os recursos e apoio ao
longo de todo o seu processo. H princpios que, quando compreendidos e adotados, ajudam
a comunicar e ganhar dos envolvidos a aceitao quanto necessidade de uma mudana
organizacional que seja eficaz e realizada dentro do cronograma e do oramento. Seguir estes
princpios para gesto da mudana fundamental para o sucesso de um projeto de mudana
ousada como o PJe-JT:
A resposta certa no sufciente Reconhecer que no basta uma soluo e um
projeto tecnicamente excelente se os clientes/usurios da soluo no adotarem
efetivamente a mudana.
As aes do patrocinador e lderes falam mais alto do que as palavras Os
patrocinadores e lderes precisam demonstrar apoio atvo e visvel ao projeto. Os
objetivos da gesto da mudana organizacional vo alm da mera obteno de
5. PROSCI. Best practces in change management 2009 editon.
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170 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
recursos (assinatura do termo de abertura do projeto ou autorizao para alocao
oramentria) e buscam garantir o exerccio da liderana e o apoio atvo e visvel, ao
longo de todo o projeto, a comear pelos dirigentes de mais alto nvel interessados
no seu sucesso.
Comprometimento por meio da partcipao Envolvidos no projeto devem ser
encorajados a abertamente partcipar de dilogos sobre as mudanas organizacionais
e seus impactos, para que suas opinies e sugestes sejam consideradas no
planejamento. Isso fortalecer o comprometimento das pessoas com a execuo do
plano e a adoo da mudana.
Comunicao, emissores e receptores Identfcar mudanas que impactaro
a organizao e quem ser impactado como resultado da implementao do
projeto. Identficar os emissores mais adequados. Explicar aos receptores porque
as mudanas so importantes e quando precisam acontecer. Assegurar que as
mudanas e seus impactos so adequadamente compreendidos por todos e que h
um plano de comunicao/marketing abrangente para lidar com as preocupaes
dos envolvidos. Comunicar mensagens uma vez no suficiente. Repetr cada
mensagem vrias vezes, para cada envolvido, por diferentes canais de comunicao.
Cultura da organizao Considerar a cultura da organizao, o histrico de
mudanas anteriores e os valores dos colaboradores para adequar a metodologia
adot ada para a gesto da mudana e os instrumentos a serem utlizados.
rvores velhas tm razes profundas, e o grau de comprometimento da organizao
com o passado pode difcultar a mudana.
Mudana um processo Os objetivos para a gesto da mudana organizacional
devem ser realistas e mensurveis, e o progresso deve ser compartilhado com todos
os principais envolvidos. O planejamento, para ser efetvo, deve ser estruturado e
todos os planos acordados quanto aos objetvos, papis e recursos para a gesto da
mudana organizacional.
Mudana incremental vs. radical Dimensionar adequadamente a estratgia e as
atvidades para a gesto da mudana, considerando-se o tamanho e a complexidade
da mudana, bem como a cultura da organizao. Reconhecer que a velocidade de
transio diferente de individuo para indivduo. Levar em conta o fenmeno de
saturao de mudanas para defnir o ritmo apropriado de implantao da mudana.
Mudana organizacional a soma de mudanas individuais Reconhecer que a
organizao muda medida que cada indivduo e todos os envolvidos mudam sua
forma de trabalhar, ao efetvamente adotarem uma inovao tcnica.
No comunique apenas razo; conquiste o corao Mudar tambm emocional
(e muitas vezes , principalmente, emocional). Conquiste o corao levando em
conta o que a mudana signifca para cada pessoa.
Status quo e resistncia A resistncia inevitvel. Compreender quo poderoso o
estado atual que faz as pessoas manterem sua maneira antga de trabalhar e qual a
causa-raiz da resistncia, que pode variar muito de uma pessoa para outra. Facilitar
a ao, removendo obstculos que difcultam a adoo da mudana e ouvindo
feedbacks construtvos. Usar abordagens criatvas para prevenir a resistncia, antes
que prejudique o projeto. Reconhecer e premiar a mudana e o sucesso.
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a
Regio 171
Contnuidade da mudana depende de reforo Mudana duradoura depende de
aes planejadas de reforo e sustentao, at que os novos hbitos faam parte da
cultura organizacional. Na falta desse reforo, as pessoas tendem a voltar aos antgos
hbitos e sistema de trabalho.
Abordagem estruturada para gesto da mudana
Um dos fatores que contribuem para o sucesso de um projeto de mudana de grande
impacto comportamental como o PJe-JT adotar uma abordagem estruturada para a gesto
da mudana com base nos seguintes princpios:
assimilar conhecimento prtico para a gesto da mudana e elaborar um plano bem
orquestrado que inclua um modelo e processo claramente defnidos;
desenvolver a estrutura e a equipe com as habilidades adequadas para gerenciar a
mudana;
realizar uma anlise pr-mudana (avaliaes situacionais);
planejar a gesto da mudana desde o incio, junto e integrado com o planejamento
do gerenciamento tcnico do projeto;
estabelecer metas para a gesto da mudana organizacional em termos especfcos
para realizar os resultados desejados;
identfcar e mitgar riscos potenciais que acompanham a gesto da mudana
organizacional;
disponibilizar instrumentos adequados para realizar as avaliaes, planejar e executar
os planos para a gesto da mudana conforme o modelo e o processo adotados
(metodologia);
nomear indivduos para atvidades e tarefas especfcas, tornando-os responsveis
pelas metas de gesto da mudana organizacional e pelos resultados desejados;
tornar as mudanas permanentes, insttucionalizando-as, para que se tornem parte
da cultura da organizao por meio de aes planejadas (sistmicas e estruturais) de
reforo.
Ao se falar em estruturao da gesto da mudana, deve-se lembrar que a mudana
organizacional resultado da soma de mudanas de indivduos. Assim, importante adotar-
se um modelo que facilite a compreenso do processo de transio individual pelo qual cada
envolvido precisa passar para mudar. Com base na anlise de pesquisas internacionais e na
literatura sobre gesto da mudana que apresenta modelos como o ADKAR (HIATT, 2006),
o The Change Management 101 Model (NELSON e AARON, 2005) e o modelo de estgios de
comprometmento (NELSON e AARON, 2008), bem como em refexes sobre o papel do
diagnstco organizacional, criou-se o Modelo CoMCHaI (KOKITSU, 2011/2012. Figura 4). Este
modelo mostra como o processo de mudana individual ocorre e de que modo ferramentas
organizacionais podem ser aplicadas para apoiar os envolvidos na passagem de uma fase para a
fase seguinte do processo, at que a mudana seja internalizada.
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172 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
individual ocorre e de que modo ferramentas organizacionais podem ser aplicadas para
apoiar os envolvidos na passagem de uma fase para a fase seguinte do processo, at que a
mudana seja internalizada.
Figura 4 Modelo CoMCHaI de processo de mudana individual que conduz mudana organizacional com
ferramentas para apoiar os envolvidos na transio pelo processo.
O modelo pode ser assim compreendido: na Figura 4, direita, na segunda
coluna, h cinco fases pelas quais cada envolvido no projeto precisa passar, at que a
mudana desejada na forma de trabalhar se torne um hbito e faa parte de sua cultura.
O indivduo precisa passar por cada fase na sequncia, de modo que a fase anterior pr-
requisito para a seguinte. Assim, o envolvido precisa primeiro Compreender racionalmente
o que a mudana planejada (ex.: projeto PJe-JT) e as razes para se mudar. Porm, isso
no suficiente, ele precisa em seguida ter Motivao, ou seja, querer mudar sua forma
de trabalhar. Aqui predominam as emoes de cada envolvido resultantes no apenas da
sua compreenso racional sobre a mudana, mas tambm de vrios outros fatores
relacionados com sua pessoa (ex.: histria profissional, pessoal, valores, circunstncias
atuais). Uma vez que o envolvido esteja motivado o suficiente, a prxima fase o de
assimilao do Conhecimento necessrio para mudar (ex.: aprender a usar o novo sistema
de informao PJe-JT). Mas muitas vezes no basta um treinamento que fornea
conhecimento terico. Para aplicar esse conhecimento, ele precisa desenvolver a
Habilidade, que adquirida com certo tempo, por meio da prtica. Por outro lado, o
desenvolvimento da habilidade pode no ser suficiente para que o envolvido adote a
inovao de modo duradouro e espontneo. A literatura mostra casos em que, por falta
de reforo e aes sistmicas e estruturais de sustentao da mudana, os envolvidos
naturalmente abandonaram a nova forma de trabalhar para retornarem antiga.
Finalmente, e no menos importante, para que o novo comportamento profissional
desejado pela organizao realmente se torne um hbito natural, uma atitude do
envolvido, necessrio haver a Internalizao da mudana. relevante observar que a
referncia deve ser sempre a pessoa do envolvido. Portanto, diferentemente de alguns
Figura 4 Modelo CoMCHaI de processo de mudana individual que conduz
mudana organizacional com ferramentas para apoiar os envolvidos na
transio pelo processo.
O modelo pode ser assim compreendido: na Figura 4, direita, na segunda coluna, h
cinco fases pelas quais cada envolvido no projeto precisa passar, at que a mudana desejada
na forma de trabalhar se torne um hbito e faa parte de sua cultura. O indivduo precisa passar
por cada fase na sequncia, de modo que a fase anterior pr-requisito para a seguinte. Assim,
o envolvido precisa primeiro Compreender racionalmente o que a mudana planejada (ex.:
projeto PJe-JT) e as razes para se mudar. Porm, isso no sufciente, ele precisa em seguida
ter Motvao, ou seja, querer mudar sua forma de trabalhar. Aqui predominam as emoes
de cada envolvido resultantes no apenas da sua compreenso racional sobre a mudana,
mas tambm de vrios outros fatores relacionados com sua pessoa (ex.: histria profssional,
pessoal, valores, circunstncias atuais). Uma vez que o envolvido esteja motvado o sufciente, a
prxima fase o de assimilao do Conhecimento necessrio para mudar (ex.: aprender a usar
o novo sistema de informao PJe-JT). Mas muitas vezes no basta um treinamento que fornea
conhecimento terico. Para aplicar esse conhecimento, ele precisa desenvolver a Habilidade,
que adquirida com certo tempo, por meio da prtca. Por outro lado, o desenvolvimento da
habilidade pode no ser sufciente para que o envolvido adote a inovao de modo duradouro
e espontneo. A literatura mostra casos em que, por falta de reforo e aes sistmicas e
estruturais de sustentao da mudana, os envolvidos naturalmente abandonaram a nova
forma de trabalhar para retornarem antga. Finalmente, e no menos importante, para que
o novo comportamento profssional desejado pela organizao realmente se torne um hbito
natural, uma attude do envolvido, necessrio haver a Internalizao da mudana. relevante
observar que a referncia deve ser sempre a pessoa do envolvido. Portanto, diferentemente
de alguns modelos que denominam essa fase de Reforo ou Sustentao termo que foca
aes organizacionais externas ao indivduo que podem no ser efcazes o Modelo CoMCHaI
adota o termo Internalizao, o qual pressupe que, do ponto de vista do envolvido, a mudana
efetvamente passou a ser parte natural dele como profssional e como pessoa. Esse o
resultado que se quer obter e verifcar.
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a
Regio 173
como a construo de uma casa que serve de pano de fundo do modelo na Figura 4.
Para edifc-la, deve-se primeiro construir a fundao, e depois o piso, as paredes, a laje e, por
fm, o telhado, que representa o sucesso da mudana internalizada. Caso a organizao conduza
a mudana de um modo que os envolvidos pulem uma ou mais fases, isso provavelmente
trar consequncias negatvas traduzidas em retrabalhos, perda de tempo, desperdcios de
recursos ou resultados defcientes. Bom momento para lembrar o seguinte ditado: Voc pode
no pagar agora, mas pagar mais caro depois. Ou pior, voltando ao exemplo da casa: assim
como ela poder desabar com uma fundao ou paredes fracas, o projeto poder fracassar
ou apresentar resultados aqum do possvel ou com mais tempo (atraso) ou recursos do que
seria necessrio, por no se lidar adequadamente com o lado humano da mudana, como as
pesquisas internacionais tm registrado.
Planos de ao para a gesto da mudana devem ser elaborados e executados
considerando-se modelos como o CoMCHaI. Assim, evitam-se desperdcios, que ocorrem,
por exemplo, quando um envolvido enviado para treinamento sem compreender o que a
mudana e suas razes e sem motvao para aprender.
Na fgura 4, do lado esquerdo, na primeira coluna, tm-se os vrios tpos de ferramentas
organizacionais que podem ser utlizados. Cada um est ligado por uma seta fase do lado
direito, pela qual o envolvido precisa passar. A seta relaciona o tpo de ferramenta que, a
princpio, o mais adequado para apoiar a transio do envolvido para a fase apontada.
Diagnstco aqui no considerado apenas um meio tradicional de coletar dados para
planejar aes ou verifcar a efccia de aes executadas para a gesto da mudana (HOWARD,
1994). Mais do que isso, ele faz parte do Modelo CoMCHaI, porque, alm de fornecer
informaes para o uso das demais ferramentas, , por si s, considerado um instrumento de
interveno para mudana individual e desenvolvimento organizacional.
A aplicao de diagnstcos faz com que os colaboradores refitam sobre a mudana e
suas consequncias para a organizao e para eles mesmos, contribuindo para as transies
individuais necessrias dos envolvidos no processo da mudana organizacional. Diagnstcos
valorizam os colaboradores, na medida em que a organizao sinaliza que considera importante
o que eles pensam e que deseja aperfeioar seus planos de ao levando em conta suas ideias
e sentmentos (retroalimentao). Diagnstcos so oportunidades para a partcipao dos
envolvidos, que leva ao engajamento para o sucesso do projeto de mudana, desde que os
dados levantados sejam utlizados para a tomada de decises corretvas ou de melhoria. Alm
disso, diagnstcos perguntam se o envolvido est ou no planejando ou aplicando uma boa
prtca e so uma ferramenta educatva, sem ser impositva, ao apresentar e recomendar aes
complementares (boas prtcas), bem como faz-lo refetr, por meio de perguntas, sobre a
possibilidade de adot-las.
Nesse aspecto, diagnstcos so teis para todas as fases de transio, desde a
compreenso at a internalizao (Figura 4).
No nvel de macroprocesso para gesto da mudana organizacional, existem vrios
modelos, entre os quais o Kokitsu (KOKITSU, 2012), representado pela Figura 5, que
complementa o modelo CoMCHaI para a gesto da mudana individual e se apoia nos princpios
do modelo de Koter para a liderana da mudana (KOTTER, 1996 e 2002), considerando-se no
apenas a racionalidade como principalmente as emoes dos envolvidos durante um processo
de mudana (KOTTER, 2002).
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174 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Nesse aspecto, diagnsticos so teis para todas as fases de transio, desde a
compreenso at a internalizao (Figura 4).
No nvel de macroprocesso para gesto da mudana organizacional, existem
vrios modelos, entre os quais o Kokitsu (KOKITSU, 2012), representado pela Figura 5, que
complementa o modelo CoMCHaI para a gesto da mudana individual e se apoia nos
princpios do modelo de Kotter para a liderana da mudana (KOTTER, 1996 e 2002),
considerando-se no apenas a racionalidade como principalmente as emoes dos
envolvidos durante um processo de mudana (KOTTER, 2002).
Figura 5 Modelo Kokitsu para gesto da mudana organizacional
O estudo e aplicao da gesto da mudana de uma forma estruturada
contribui para o sucesso de mudanas ousadas, como o PJe-JT, que impactam a forma de
trabalhar das pessoas. Ela propicia vrios benefcios (Figura 6), entre os quais:
A. A gesto da mudana acelera a mudana por meio da aceitao e a obteno mais
rpida dos benefcios da mudana.
B. A gesto da mudana reduz o impacto durante a implementao e minimiza a
queda na produtividade, que tipicamente ocorre durante projetos de mudana.
C. A organizao comea a ver melhores resultados em relao s expectativas
baseadas na sua histria.
D. A gesto da mudana assegura a continuidade dos resultados desejados.
Figura 6 Benefcios de aplicao da Gesto da Mudana.
Figura 5 Modelo Kokitsu para gesto da mudana organizacional.
O estudo e aplicao da gesto da mudana de uma forma estruturada contribui para o
sucesso de mudanas ousadas, como o PJe-JT, que impactam a forma de trabalhar das pessoas.
Ela propicia vrios benefcios (Figura 6), entre os quais:
A. A gesto da mudana acelera a mudana por meio da aceitao e a obteno mais
rpida dos benefcios da mudana.
B. A gesto da mudana reduz o impacto durante a implementao e minimiza a queda
na produtvidade, que tpicamente ocorre durante projetos de mudana.
C. A organizao comea a ver melhores resultados em relao s expectatvas baseadas
na sua histria.
D. A gesto da mudana assegura a contnuidade dos resultados desejados.
Nesse aspecto, diagnsticos so teis para todas as fases de transio, desde a
compreenso at a internalizao (Figura 4).
No nvel de macroprocesso para gesto da mudana organizacional, existem
vrios modelos, entre os quais o Kokitsu (KOKITSU, 2012), representado pela Figura 5, que
complementa o modelo CoMCHaI para a gesto da mudana individual e se apoia nos
princpios do modelo de Kotter para a liderana da mudana (KOTTER, 1996 e 2002),
considerando-se no apenas a racionalidade como principalmente as emoes dos
envolvidos durante um processo de mudana (KOTTER, 2002).
Figura 5 Modelo Kokitsu para gesto da mudana organizacional
O estudo e aplicao da gesto da mudana de uma forma estruturada
contribui para o sucesso de mudanas ousadas, como o PJe-JT, que impactam a forma de
trabalhar das pessoas. Ela propicia vrios benefcios (Figura 6), entre os quais:
A. A gesto da mudana acelera a mudana por meio da aceitao e a obteno mais
rpida dos benefcios da mudana.
B. A gesto da mudana reduz o impacto durante a implementao e minimiza a
queda na produtividade, que tipicamente ocorre durante projetos de mudana.
C. A organizao comea a ver melhores resultados em relao s expectativas
baseadas na sua histria.
D. A gesto da mudana assegura a continuidade dos resultados desejados.
Figura 6 Benefcios de aplicao da Gesto da Mudana.
Figura 6 Benefcios de aplicao da Gesto da Mudana.
Exemplos de boas prtcas de gesto da mudana na implementao do
PJe-JT
Se por um lado no se tem notcia de existr algum programa insttucional j implantado
na Justa do Trabalho, com desenvolvimento ou adoo de uma metodologia para aplicao
estruturada de gesto da mudana, por outro tm sido observadas aes que, conforme a
literatura internacional, esto alinhadas com as melhores prtcas mundiais. Na Tabela 1, o
autor apresenta algumas delas, com exemplos selecionados de forma aleatria entre as notcias
veiculadas no ano passado na seo sobre o projeto PJe-JT do portal do CSJT, bem como as
relaciona com as fases e as ferramentas do modelo CoMCHaI apresentadas neste artgo:
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a
Regio 175
Tabela 1 Exemplos de boas prtcas e a sua relao com o modelo CoMCHaI de fases de
transio individual e tpos de ferramentas organizacionais utlizadas.
BOAS PRTICAS
FASES DO MODELO
COMCHAI
FERRAMENTAS DO MODELO
Legislao (prtca necessria no setor
pblico)
Eventos em que se explicam as razes e os
benefcios resultantes da mudana PJe-JT, com
discurso e palestras de
- Patrocinador maior, ou seja, lder de mais
alto nvel interessado no sucesso do projeto
(presidente do CSJT, ministro Joo Oreste
Dalazen, discursou em 3/10/2012 em evento
de instalao no Esprito Santo do PJe-JT);
- Outros lderes e pares (magistrados),
bem como especialistas que apresentam
resultados de diagnstcos e ganhos
potenciais com o PJe-JT (Ex. II Frum Gesto
Judiciria do TRT 1 Regio RJ)
Compreenso e
Motvao
Diagnstcos
Liderana do patrocinador
Liderana dos chefes
imediatos
Assimilao do conhecimento para utlizar o
PJe-JT por meio de treinamentos presenciais ou
a distncia:
- cursos no CSJT e TRTs
- manuais
- vdeos demonstratvos
- curso autoinstrucional
(Ex.: TRT-PA/AP agradece ao TRT-CE por
apoio na implantao do PJe-JT, materiais no
portal do CSJT, Escola Judicial do TRT-DF/TO
disponibiliza material do PJe-JT)
Conhecimento e
Habilidade
Treinamento (tambm
mentoria e coaching)
Liderana do chefe imediato
Aes de alterao do sistema de trabalho
e da estrutura organizacional que favoream,
reforcem e sustentem a mudana, de modo que
faa parte da nova cultura da insttuio:
- legislao do PJe-JT, tais como a Lei n
11.419, Resoluo CSJT n 94, termos de
acordo de cooperao tcnica, atos para
criao de comits e grupos de trabalho;
- alinhamento da estrutura organizacional
com o novo sistema de trabalho;
- projeto de lei para a criao de estrutura
organizacional e funes comissionadas para
gerentes de projetos ou membros de equipes
de desenvolvimento e manuteno do PJe-JT.
Internalizao Aes sistmicas e estruturais
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a
Regio
Como medir o sucesso da aplicao de gesto da mudana
Gesto profssional e efetva signifca, entre outras coisas, usar indicadores. Mas que
indicadores podem ser utlizados em gesto da mudana?
Quando se quer implantar uma mudana como o PJe-JT, o que falta para que um
sistema de informao (sofware e hardware) realmente funcione e produza os resultados
organizacionais desejados? Resta s pessoas serem motvadas e capacitadas para utliz-
lo. Contudo, o que caracteriza o sucesso do lado humano da mudana? Quais parmetros
podem variar, para mais ou para menos, ao longo do tempo? Basicamente, trs parmetros ou
indicadores:
Velocidade de adoo: quo rapidamente as pessoas adotam a mudana?
Grau de utlizao: quantos ou qual o percentual de empregados est usando a nova
soluo, considerando-se o total dos que deveriam utliz-la?
Profcincia: os indivduos esto trabalhando da nova maneira com o nvel planejado
de habilidade e desempenho?
Os indicadores citados so aqueles que podem e idealmente devem ser monitorados
ao longo dos primeiros meses. Por exemplo, aps se colocar um sistema de informao em
funcionamento. Assim, evita-se que a organizao meramente suponha que a instalao,
confgurao e atvao de um sistema de informao signifque que automatcamente as
pessoas (ex.: tcnicos, usurios internos e externos) passem a utliz-lo da melhor forma, de
modo permanente. A literatura mostra que muitas vezes essa suposio se mostra equivocada,
da porque importante observar e de alguma forma medir os trs indicadores apresentados
periodicamente, ao menos de amostras representatvas do universo em que se quer implantar
a inovao com sucesso e de maneira duradoura.
Ganhos potenciais
As duas primeiras fases do modelo CoMCHaI so crtcas para a gesto da mudana:
compreender racionalmente e motvar emocionalmente. Nesse aspecto, faz muito sentdo
registrar em um local de fcil acesso e divulgar repetdas vezes, por diferentes canais, quais so
os benefcios. Por exemplo, o ganho estmado potencial a ser obtdo com a automao de uma
atvidade manual pelo PJe-JT.
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Regio 177
de habilidade e desempenho?
Os indicadores citados so aqueles que podem e idealmente devem ser
monitorados ao longo dos primeiros meses. Por exemplo, aps se colocar um sistema de
informao em funcionamento. Assim, evita-se que a organizao meramente suponha
que a instalao, configurao e ativao de um sistema de informao signifique que
automaticamente as pessoas (ex.: tcnicos, usurios internos e externos) passem a utiliz-
lo da melhor forma, de modo permanente. A literatura mostra que muitas vezes essa
suposio se mostra equivocada, da porque importante observar e de alguma forma
medir os trs indicadores apresentados periodicamente, ao menos de amostras
representativas do universo em que se quer implantar a inovao com sucesso e de
maneira duradoura.
Ganhos potenciais
As duas primeiras fases do modelo CoMCHaI so crticas para a gesto da
mudana: compreender racionalmente e motivar emocionalmente. Nesse aspecto, faz
muito sentido registrar em um local de fcil acesso e divulgar repetidas vezes, por
diferentes canais, quais so os benefcios. Por exemplo, o ganho estimado potencial a ser
obtido com a automao de uma atividade manual pelo PJe-JT.
Figura 7 Ganho potencial ao se automatizar um trabalho de autuao feito manualmente por um Tcnico
Judicirio em um ano.
Obs.: Neste dado, a empresa de consultoria considerou que as informaes referentes aos valores de salrio
tomaram como base a tabela de cargos e salrios, utilizando a mdia da faixa B de todos os cargos empregados
para o clculo. As horas de trabalho contaram com o valor de 260 dias teis e carga horria semanal de 40 horas.
Figura 7 - Ganho potencial ao se automatzar um trabalho de
autuao feito manualmente por um Tcnico Judicirio em um
ano.
Obs.: Neste dado, a empresa de consultoria considerou que as
informaes referentes aos valores de salrio tomaram como
base a tabela de cargos e salrios, utlizando a mdia da faixa
B de todos os cargos empregados para o clculo. As horas de
trabalho contaram como valor de 260 dias teis e carga horria
semanal de 40 horas.
A disseminao de informaes quanttatvas e qualitatvas quanto aos ganhos a
serem obtdos com a agilizao dos processos, reduo de custos e menor impacto ambiental
(ex.: grande reduo no uso de papel e economia de espao, Figura 8) contribuem para
a compreenso racional, motvao emocional e, portanto, para um maior e mais rpido
engajamento das pessoas na adoo do PJe-JT.
A questo do menor impacto ambiental merece destaque. A Resoluo n 103 do CSJT
aprova o Guia Prtco para a incluso de critrios de sustentabilidade nas contrataes de bens
e servios no mbito da Justa do Trabalho do primeiro e segundo graus. Um dos princpios
para o desenvolvimento sustentvel refetr sobre a real necessidade de um rgo pblico
comprar um material cuja produo ou uso impacta o meio ambiente. No caso de um processo
fsico, a compra de papel est sendo muito reduzida com a implantao do PJe-JT (alm do
papel, outros materiais e aparelhos acessrios utlizados na produo dos processos fsicos
tambm passam a ser desnecessrios, e a reduo de sua compra, uso e diminuio de sua
produo pelo mercado para atender demanda da Justa do Trabalho propiciam menor
impacto ambiental e o desenvolvimento sustentvel).
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a
Regio
A disseminao de informaes quantitativas e qualitativas quanto aos ganhos a
serem obtidos com a agilizao dos processos, reduo de custos e menor impacto
ambiental (ex.: grande reduo no uso de papel e economia de espao, Figura 8)
contribuem para a compreenso racional, motivao emocional e, portanto, para um
maior e mais rpido engajamento das pessoas na adoo do PJe-JT.
A questo do menor impacto ambiental merece destaque. A Resoluo n 103
do CSJT aprova o Guia Prtico para a incluso de critrios de sustentabilidade nas
contrataes de bens e servios no mbito da Justia do Trabalho do primeiro e segundo
graus. Um dos princpios para o desenvolvimento sustentvel refletir sobre a real
necessidade de um rgo pblico comprar um material cuja produo ou uso impacta o
meio ambiente. No caso de um processo fsico, a compra de papel est sendo muito
reduzida com a implantao do PJe-JT (alm do papel, outros materiais e aparelhos
acessrios utilizados na produo dos processos fsicos tambm passam a ser
desnecessrios, e a reduo de sua compra, uso e diminuio de sua produo pelo
mercado para atender demanda da Justia do Trabalho propiciam menor impacto
ambiental e o desenvolvimento sustentvel).
Figura 8 Exemplo de ganho potencial em economia de espao resultante da implantao do PJe-JT estimado
por uma empresa de consultoria.
Concluso
Pesquisas internacionais mostram que projetos ousados de mudana que
impactam consideravelmente a forma de trabalhar das pessoas encontram dificuldades
no apenas no seu gerenciamento tcnico, mas principalmente na forma de lidar com o
lado humano da mudana com ocorrncia de problemas de resistncias mudana,
Figura 8 Exemplo de ganho potencial em economia de espao resultante
da implantao do PJe-JT estmado por uma empresa de consultoria.
Concluso
Pesquisas internacionais mostram que projetos ousados de mudana que impactam
consideravelmente a forma de trabalhar das pessoas encontram difculdades no apenas no seu
gerenciamento tcnico, mas principalmente na forma de lidar com o lado humano da mudana
com ocorrncia de problemas de resistncias mudana, aumento no previsto de despesas,
atrasos, maior estresse das pessoas impactadas e resultados defcientes.
O estudo e a aplicao de uma gesto estruturada da mudana contribuem para
minimizar os problemas e para que uma organizao alcance os resultados desejados de
melhoria dentro de prazos, muitas vezes apertados, e do oramento previsto, com maior
efcincia e realizao plena dos objetvos de modo duradouro.
Uma abordagem profssional na aplicao da gesto da mudana que abrange o estudo
em maior ou menor grau de princpios, modelos, processos estruturados, tcnicas e uso de
ferramentas organizacionais permite a gerentes, assessores e s prprias pessoas impactadas
compreenderem como lderes e liderados passam por um processo de transio interior
durante um processo de mudana organizacional. Esse conhecimento contribui para um melhor
diagnstco da situao e o planejamento de aes adequadas e em tempo hbil que evitem ou
minimizem difculdades e maximizem a probabilidade de sucesso de um projeto de mudana.
Projetos ousados de mudana como o PJe-JT que impacta dezenas de milhares de
pessoas, altera muitas rotnas de procedimentos e fuxos de trabalho e demanda o aprendizado
de novos conhecimentos sobre como utlizar um sistema de informao inovador tm muito a
ganhar com uma abordagem profssional e estruturada de gesto da mudana.
A gesto estruturada do lado humano da mudana ou Gesto da Mudana, entre outras
coisas, permite organizao poupar tempo ao adotar um processo previamente defnido e
utlizar ferramentas como listas de verifcao para selecionar, planejar e executar aes para
engajar os envolvidos e quem precisa mudar sua forma de trabalhar. Mesmo quando sabemos,
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a
Regio 179
consciente ou intuitvamente, o que dever ser feito, a Gesto da Mudana nos ajuda a no
esquecer (afnal, somos seres humanos imperfeitos) e rapidamente defnir o que precisa ser
feito, em que sequncia, quando, por quem e como, benefcio partcularmente importante em
condies adversas de pouco tempo para realizao do projeto ou estabelecimento de metas
ousadas de implantao.
Hoje, principalmente em pases desenvolvidos, existem grandes empresas transnacionais
lderes em seus segmentos de mercado que possuem equipes dedicadas e vice-presidentes
corporatvos em Gesto da Mudana. No setor pblico, h vrios casos de adoo da Gesto
da Mudana, como nos tribunais do Estado de Oregon (EUA), que conta com o programa
Organizatonal Change Management
6
.
Uma Gesto da Mudana adequada contribui para o sucesso do projeto PJe-JT, que
est propiciando reduo de custos, melhor uso dos recursos pblicos, maior agilidade no
atendimento dos cidados usurios da Justa do Trabalho e menor impacto ambiental.
Na verdade, mais do que isso, na medida em que o PJe-JT colabora para defnitvamente
mudarmos o paradigma de um mundo baseado em um modelo econmico capitalista
insustentvel para um novo modelo de desenvolvimento socioeconmico sustentvel, em prol
da qualidade de vida no apenas da nossa, mas tambm das futuras geraes.
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Regio
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a
Regio 181
O jus postulandi e a implantao do
processo eletrnico nas Varas do Trabalho
do TRT/PB, capital
Lucas Emmanuel Silveira Camlo
1
1. Introduo
Partndo da premissa jurdica de que o jus postulandi um insttuto bastante peculiar
do Direito Processual do Trabalho que facilita o acesso do jurisdicionado Justa pois, como
se sabe, no se faz necessrio consttuir advogado para provocar a prestao jurisdicional
estatal , e de que o processo eletrnico, criado pela Lei n 11.419, de 19 de dezembro de
2006, tambm guarda essa mesma caracterstca, alm da economia e celeridade, resolvemos
analisar a real situao prtca em que se encontra o jus postulandi constante do art. 791 da
CLT de 1943. Para tanto, o estudo ter como base a supramencionada lei federal, no mbito das
Varas Trabalhistas do Tribunal Regional do Trabalho da 13 Regio (TRT/PB), criado em 1985, e
levar em considerao o fato de ele tambm prestar uma tutela jurdica em sintonia com os
aludidos postulados.
Em um primeiro momento do nosso estudo, explanaremos os motvos, as causas
poltcas, econmicas e sociais que deram origem ao jus postulandi; observaremos o local onde
ele se originou e para onde migrou. Em seguida, mesmo tendo cincia da rdua misso que
conceituar e defnir qualquer preceito da cincia do Direito, tentaremos realizar tal objetvo
com o auxlio e a competncia de grandes doutrinadores da seara trabalhista, tais como Carlos
Henrique Bezerra Leite, Srgio Pinto Martns e Dlio Maranho.
Noutra perspectva, explicaremos sobre o processo eletrnico, isto , como ocorreu e
se desenvolveu a implantao do novo ramo do direito perante o clere Regional Trabalhista
paraibano.
Por derradeiro, observaremos se no dia a dia forense o jus postulandi ainda utlizado
aps o surgimento e implemento do processo eletrnico no TRT/PB, bem como se o cidado
comum que faz uso dessa faculdade processual logra xito ou no em sua reclamao perante o
poder judicante obreiro da capital paraibana.
Portanto, em virtude dessa problemtca que mexe com o mago de qualquer pessoa
que almeja maior acesso Justa, em consonncia com o preceito consttucional da razovel
durao do processo (art. 5, LxxVIII, da Consttuio Federal de 1988), resolvemos tratar sobre
o tema em comento. Para tanto, aliceramo-nos em dados obtdos por meio de uma pesquisa
de campo que foi realizada com o TRT-PB e suas respectvas unidades: Distribuio de Feitos
de Joo Pessoa (PB), Setor de Estatstca e Central de Atendimentos do Frum Maximiano
Figueiredo (Cenaten).
1. Advogado, especialista em Direito Material e Processual do Trabalho pela Escola Superior da Magistratura Trabalhista
da Paraba (Esmat 13) e especialista em Direito Processual Civil pelo Unip - Centro Universitrio de Joo Pessoa.
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182 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
2. Consideraes histricas sobre o jus postulandi
2.1. Histrico
Desde a antguidade, vivemos em um mundo bastante dinmico, repleto de
transformaes nas diversas reas importantes do Estado, tais como a poltca, a econmica e
a social. Essas mudanas ocorrem em virtude de os indivduos se encontrarem em constante
atvidade, visando ao aprimoramento das condies necessrias para estar em sociedade.
No incio da atvidade laboral, predominou o trabalho escravo, que fez do trabalhador
um objeto, uma coisa, sem possibilidade sequer de se equiparar a um sujeito de direito. Nessa
poca no havia um sistema de normas jurdicas de direito do trabalho, e, consequentemente,
tampouco direitos trabalhistas. No diferiu muito da servido, em que os vassalos (empregados)
prestavam servios subordinados e contnuos aos suseranos (donos das terras) - estes concediam
proteo militar e poltca aos trabalhadores que no tnham liberdade. Em contrapartda, os
camponeses que trabalhavam nas glebas dos grandes senhores feudais (empregadores) tnham
a obrigao de entregar parte da produo rural como preo pela fxao na terra e pela defesa
que recebiam.
Na Idade Mdia, surgiram as corporaes de ofcio, em que o trabalho dispunha de maior
liberdade, compostas pelos mestres (proprietrio das ofcinas), companheiros (trabalhadores
livres que percebiam salrios dos mestres) e aprendizes (menores no remunerados que
recebiam ensinamentos dos mestres).
No trmino do sculo xVIII e incio do sculo xIx, com o surgimento da Revoluo
Industrial, a Europa passou por um perodo de grandes transformaes socioeconmicas. As
pequenas ofcinas de artesos cederam espao s fbricas e logo houve a sua substtuio. As
mquinas foram erradicando as ferramentas, to utilizadas na Idade Mdia e at mesmo na
Idade Moderna. As tradicionais fontes de energia, como gua, vento e fora muscular, deram
lugar ao carvo.
Tais mudanas geraram grande crescimento industrial e econmico para a classe dos
empresrios industriais daquela poca. Entretanto, tambm trouxeram fatos negatvos para a
sociedade, como a explorao do trabalho humano. Os operrios laboravam incessantemente
mais de 14 horas por dia, em ambientes insalubres e de alta periculosidade, sem nenhum
Equipamento de Proteo Individual (EPI) e com salrios de fome.
Diante da situao acima, o legislador europeu constatou a necessidade da elaborao
de normas que buscassem solucionar de forma efcaz as controvrsias existentes entre
empregados e empregadores. Destarte, as primeiras leis trabalhistas, quanto forma, foram
ordinrias e, depois, consttucionais. Com relao finalidade, visaram a proibir o trabalho
humano em determinadas condies, como o dos menores at uma certa idade e o das
mulheres em ambientes ou sob condies incompatveis (NASCIMENTO, 1993).
Entre as leis ordinrias, destacaram-se, na Inglaterra, a Lei de Peel (1802), para proteo
aos menores nas fbricas, que limitava a 12 horas a jornada diria de trabalho; na Frana, a lei
que proibiu o trabalho de menores de oito anos (1814); na Alemanha, as leis sociais de Bismarck
(1883) e a proibio do trabalho de menores de nove anos (1869); na Itlia, as leis de proteo
ao trabalho da mulher e do menor (1886).
Quanto s leis consttucionais, faz-se necessrio mencionar a grande importncia das
Consttuies do Mxico (1917), Alemanha (1919) e Itlia (1947). A primeira consttuio do
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 183
mundo que disps sobre o direito trabalhista foi a do Mxico. Em seu artgo 123, ela assegurou
a jornada diria de trabalho de oito horas, o direito ao salrio mnimo e o direito de greve,
entre outros. A segunda Consttuio foi a da Alemanha, de Weimar, que repercutu muito na
Europa. J a Carta Del Lavoro, da Itlia (1927), foi a base dos sistemas poltcos corporatvistas
no s daquele pas, mas da Espanha, Portugal e Brasil. Ela teve, como princpio, a interveno
do Estado na ordem econmica, o controle do direito coletvo do trabalho e, em contrapartda,
a concesso, por lei, de direitos aos trabalhadores. O lema da Carta del Lavoro, ao proclamar
Tudo dentro do Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado, , por si, sufcientemente
expressivo para dar a ideia das concepes do corporatvismo (NASCIMENTO, 1993).
No Brasil, essas consttuies infuenciaram consideravelmente a elaborao das normas
trabalhistas brasileiras. A Carta italiana citada anteriormente introduziu, no mundo forense
trabalhista, um insttuto bastante interessante e polmico, causador de grandes divergncias
doutrinrias e jurdicas: o jus postulandi.
Na dcada de 30, o Brasil passou por um perodo de grandes mudanas poltcas: incio
da era Vargas, que compreendeu de 1930 a 1945, quando o presidente Getlio administrou os
interesses da nao, e o segundo perodo, de 1951 at 1954.
Foi durante os anos 30 que o insttuto do jus postulandi iniciou-se na prtca forense
laborista, sendo primeiramente utlizado pelo Estado como um instrumento de estmulo
sindicalizao dos trabalhadores, reconhecido apenas aos empregados sindicalizados. Aqueles
que no o fossem no tnham o direito de invocar o jus postulandi com o fto de reclamar perante
o Juzo trabalhista sem advogado, devendo intentar sua ao na Justa Comum. Entretanto,
a excelsa Corte de Justa do nosso pas, o Supremo Tribunal Federal (STF), manifestando-se
a respeito, indeferiu tal posicionamento discriminatrio e injustfcvel por atentar contra os
artgos 122 da Consttuio de 1934 e 139 da Carta Poltca de 1937.
Diante dos fatos supracitados, podemos constatar que a Justa do Trabalho passava por
um perodo conturbado, haja vista a grande quantdade de leis que eram editadas sem nenhum
controle, tornando-as esparsas e de difcil utlizao.
Com o escopo de solucionar tal problema, o legislador brasileiro sentu a necessidade
de unifcar e sistematzar as leis j existentes em um nico diploma legal. Logo, foi editada, no
Brasil por infuncia de normas trazidas de outros pases, principalmente do Velho Mundo , a
to almejada Consolidao das Leis do Trabalho (CLT), por meio do Decreto-Lei n 5.452, de 1
de maio de 1943.
Com o advento da CLT, observaram-se paulatnamente grandes avanos para a sociedade,
pois foi concedida maior estabilidade ao empregado no desempenho de suas funes. Verifcou-
se, tambm, a presena de diversos direitos e garantas asseguradas ao trabalhador, como o
que consta em seus arts. 791 e 843, mais especifcamente o jus postulandi e sua real efccia.
2.2. Etmologia, denominao e conceito
O jus postulandi expresso de origem latna que, segundo o doutrinador Carlos
Henrique Bezerra Leite (2004, p. 245), [...] nada mais do que a capacidade de postular em
Juzo. Nos domnios do processo do trabalho, como j vimos, a capacidade postulatria
facultada diretamente s partes, nos termos do art. 791 da CLT.
Assim, podemos concluir que o jus postulandi um instituto processual que facilita
o acesso Justa, pois a parte que almeja uma prestao jurisdicional efcaz pode ingressar
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184 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
com sua reclamao ou se defender em Juzo sem estar obrigatoriamente representada por
advogado.
No processo do trabalho, segundo o jurista Srgio Pinto Martns (2005, p. 181), ius
postulandi, expresso utlizada por ele, [...] o direito que a pessoa tem de ingressar em
Juzo, pratcando pessoalmente todos os atos autorizados para o exerccio do direito de ao,
independentemente do patrocnio de advogado.
Outro grande estudioso da matria trabalhista, Dlio Maranho (apud GIGLIO, 1997, p.
98) lembra que o jus postulandi [...] o direito de pratcar todos os atos processuais necessrios
ao incio e ao andamento do processo: a capacidade de requerer em juzo.
Diante das defnies supramencionadas, podemos conceituar o jus postulandi como
uma faculdade processual conferida em lei, para que as partes (reclamante e reclamado ou
autor e ru) possam reclamar ou postular em Juzo, at o fnal da lide, sem a obrigatoriedade de
estar assistdas por advogado.
3. O surgimento e a implantao do processo eletrnico no TRT/PB
3.1. Breves notas sobre o processo eletrnico e a Lei n 11.419/2006
Com as incessantes e rpidas modifcaes sociais, poltcas, econmicas e tecnolgicas,
o operador do direito se depara com novos litgios e lides que merecem uma soluo rpida
e efetva. O legislador ptrio, atento ao fato, criou o regramento processual eletrnico (Lei n
11.419/06), que termina modifcando substancialmente o antgo direito processual no tocante
celeridade, economicidade e efetvidade.
Diante desse contexto, vrios tribunais do nosso pas, a exemplo do TRT/PB, passaram
a utlizar a tecnologia da informao com o escopo de prestar uma tutela jurdica estatal em
sintonia com a razovel durao do processo e os anseios dos jurisdicionados, sempre com os
olhos voltados para os princpios reitores do direito processual.
Pois bem. Ento o que processo eletrnico? Segundo Cludio Mascarenhas Brando,
um sistema de processamento de dados aplicado ao processo judicial com
funcionalidades que habilitem a promover o tratamento, compilao, armazenamento
e transmisso dos dados nele existentes, com um nvel de organizao das atvidades
que permita a automao das rotnas procedimentais, de maneira a minimizar a
ao humana na prtca dos atos repettvos, e possibilite ganhos de produtvidade
no servio jurisdicional prestado, bem como o atendimento dos requisitos de
rastreabilidade (do processo) e acessibilidade das informaes pertnentes s partes
interessadas.
Nessa senda, podemos asseverar que o processo eletrnico, ao mesmo tempo em
que uma ferramenta tecnolgica de modernizao e aperfeioamento do processo judicial
tradicional, tambm surge na cincia do direito como um novo ramo do direito processual,
em plena consonncia com os desgnios consttucionais da celeridade, economicidade e
publicidade.
Noutra esteira, a ttulo de curiosidade, cumpre relatar que a denominao processo
judicial eletrnico ainda no defnitva, pois so muitos os debates a esse respeito. Alguns
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estudiosos o denominam processo virtual, processo eletrnico, processo digital, e-processo e
at mesmo processo judicial telemtco.
A par dessa divergncia, utlizaremos as expresses processo eletrnico e processual
virtual, que so as mais conhecidas entre os usurios da Justa brasileira.
Noutro giro, insta consignar algumas consideraes sobre leis e regras que infuenciaram
a concepo do processo eletrnico. Ilustratvamente, frise-se que, na Lei n 8.245, de 18 de
outubro de 1991 (Lei do Inquilinato), o legislador ordinrio permitu a utlizao do telex ou
fac-smile para fns de intmao ou notfcao, em seu art. 58, inciso IV, atentando para o
inevitvel avano tecnolgico. Note-se, aqui, que essa j foi uma pequena introduo do avano
tecnolgico que os tribunais viriam a adotar no futuro.
Em seguida, foi insttuda a Lei n 9.800, de 26 de maio de 1999 (Lei do Fax), a qual
permitu s partes utlizar o sistema de transmisso de dados para a prtca de atos processuais.
Posteriormente, foi editada a Lei n 10.259, de 12 de julho de 2001, que insttuiu a utlizao
de meios eletrnicos para a prtca e a comunicao de atos processuais nas circunscries dos
Juizados Especiais Cveis e Criminais no mbito da Justa Federal, cujo objetvo seria garantr
um processo totalmente eletrnico.
Ato contnuo, em 27 de julho de 2001 foi editada a Medida Provisria n 2.200, de 28
de junho de 2011, o qual insttuiu a Infra-Estrutura de Chaves Pblicas Brasileira (ICP-Brasil),
para garantr a autentcidade, a integridade e a validade jurdica de documentos em forma
eletrnica, das aplicaes de suporte e das aplicaes habilitadas que utlizem certfcados
digitais, bem como a realizao de transaes eletrnicas seguras (art. 1).
Anos aps, foi editada a Lei n 11.280, de 16 de fevereiro de 2006, que, alm de
alterar diversos artgos do Diploma Processual Civil, introduziu o pargrafo nico no art. 154.
Este autorizava os tribunais, no mbito da respectva jurisdio, a disciplinarem a prtca
e a comunicao ofcial dos atos processuais por meios eletrnicos, desde que atendidos os
requisitos de autentcidade, integridade, validade jurdica e interoperabilidade da ICP-Brasil.
Ainda no ano de 2006 foi publicada a Lei n 11.382, de 6 de dezembro de 2006. Ela
alterou dispositvos do Diploma Instrumental Civil concernentes ao processo de execuo, a fm
de permitr, exemplifcatvamente, a utlizao do sistema eletrnico para efetvar a penhora on-
line, por meio do convnio Bacen-Jud (art. 655-A do CPC), e autorizar a realizao de alienao,
pela rede mundial de computadores, com o uso de pginas virtuais criadas pelos tribunais ou
por entdades pblicas ou privadas em convnio frmado com eles (art. 689-A do CPC).
Ultrapassadas essas fases e etapas, aps cinco longos anos, o Projeto de Lei n 5.828,
que tramitou na Cmara dos Deputados desde 4 de dezembro 2001, terminou dando origem
Lei n 11.419/2006 (Lei de Informatzao do Processo Judicial), sendo de bom tom aduzir que
o supramencionado PL foi apresentado pela Associao dos Juzes Federais do Brasil (Ajufe).
Por corolrio, a Lei n 11.419 foi sancionada em 19 de dezembro de 2006, com alguns
vetos, e publicada no Dirio Ofcial da Unio no dia 20 de dezembro de 2006. Essa lei vigora como
marco inicial da nova era da informatzao do sistema processual brasileiro, cuja aplicao
cuidaremos de analisar no mbito do TRT/PB, antes e depois do seu surgimento. Pontlhe-se que
a supracitada norma pode ser considerada o pice da concretzao do processo eletrnico na
Repblica Brasileira, sem se olvidar que no transcurso de sua elaborao, aceitao e aplicao,
ela foi alvo de crtcas no que tange sua viabilidade e segurana. Entrementes, aprovada e
sancionada, pblico e notrio ser de grande importncia para os operadores do direito.
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3.2. A implantao e aperfeioamento do processo eletrnico no TRT/PB
Em uma digresso cronolgica do passado, insta consignar as linhas esclarecedoras de
Mayara Arajo dos Santos (2011):
A Justa do Trabalho da Paraba, interessada em modernizar-se, adquiriu nos anos 90
os primeiros terminais de IBM. Estes foram instalados na sede do Tribunal Regional
do Trabalho da Paraba e no Frum Maximiniano Figueiredo, sede das Juntas de
Conciliao e Julgamento de Joo Pessoa Paraba.
Os referidos terminais eram aqueles que ocupavam grande espao, possuam telas
escuras e curvadas, alm de letras verdes, o que difcultava de forma considervel o
trabalho dos serventurios da justa. Simples trabalhos duravam horas, j que para
lanar ou extrair informaes dos bancos de dados gastava-se longas horas, sendo
muitas vezes necessrio adentrar o horrio noturno para que no houvesse atraso em
demasia no labor do dia seguinte.
Nesta poca o banco de dados localizava-se na sede do TST, em Braslia DF. Tendo sido
iniciada apenas em 1994 a implantao das redes locais, com a migrao simultnea
dos dados armazenados no banco de dados do TST para o banco de dados da rede
regional, TRT da 13 Regio.
O primeiro sistema de informatzao implantado na 13 Regio foi o SAP1 (Sistema de
Administrao de Processos de 1 Instncia), que fazia uso da programao Clipper. A
Junta de Conciliao e Julgamento de Mamanguape foi a primeira a ser informatzada.
O referido sistema atuava desde a autuao do processo at a sua concluso, o
que facilitou de forma considervel o servio dos servidores e magistrados daquele
Tribunal.
Em seguida, ainda no mesmo ano, foi implantado o banco de dados Oracle. Entre os
anos de 1995 e 1997 foram instaladas redes locais nas demais regies, salvo nas da
Capital.
No ano de 1996 ocorreu a implantao efetva do SAP de 2 Instncia (Sistema de
Administrao de Processos) do TRT da 13 Regio, substtuindo o remoto programa e
eliminando a dependncia do banco de dados do Tribunal Superior do Trabalho.
Destarte, com o trmino da dependncia do banco de dados do TST, foi possvel iniciar
a efetva e defnitva informatzao do TRT da Paraba atravs da informatzao
imediata do Servio de Cadastramento Processual e da Secretaria do Tribunal Pleno.
Neste mesmo perodo, foi possvel a to almejada interligao entre as unidades
judicirias da Capital de 1 e 2 Instncia.
Em 2000, foi implantada nas Varas do Trabalho de Joo Pessoa a nova verso do SAP1
Sistema de Administrao de Processos da 1 Instncia , com a utlizao do banco
de dados Oracle.
Foi publicado o Ato GDGCJ.GP n 450/2001 do TST, prescrevendo a numerao
unifcada para os processos da Justa do Trabalho. A fnalidade da unifcao dar
efeito a interligao dos sistemas de tecnologia da informao de todas as Varas e
Tribunais integrantes da Justa do Trabalho, facilitando, assim, o andamento dos
processos e, consequentemente, a resoluo dos mesmos.
A aludida estrutura da numerao permaneceu at 2009 [...].
Assevera Santos (2011), ainda, o seguinte:
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O binio 2003/2004 pode ser considerado o mais importante desta dcada de ouro
para a informatzao da Justa do Trabalho da Paraba, em se tratando de tecnologia
e informatzao. Neste perodo, foi criada a comisso especializada e voltada para a
informatzao do Regional. As mudanas comearam com a substtuio dos antgos
monitores grandes e pesados, por novos monitores leves, fnos e de LCD, passando
pela aquisio de leitores tcos, impressoras a laser e o mais importante, a criao do
Sistema nico de Administrao de Processos SUAP.
A criao e implantao do SUAP destacam-se principalmente, por terem
estabelecido um padro de trabalho nos procedimentos operacionais das Varas de
Trabalho, proporcionando a todos os operadores acesso a um ambiente interligado
e estandardizado, e que permite a utlizao do sistema independentemente da
localizao. Desta forma, as partes, os advogados, magistrados e serventurios
da justa passaram a ter a sua disposio o andamento das aes, em tempo real,
podendo inclusive consultar sentenas e despachos na ntegra por meio da internet,
no necessitando, assim, deslocar-se at os fruns ou tribunais a fm de obterem tais
informaes.
Neste diapaso, mesmo antes do surgimento da Lei n 11.419/2006, [...] j era possvel
atravs do SUAP a produo eletrnica de algumas peas processuais, como despachos,
sentenas, atas de audincias e insero de resultados de incidentes processuais (SANTOS,
2011).
Exemplifcatvamente, anote-se que o SUAP passou a
[...] aceitar no apenas peas produzidas eletronicamente, mas tambm as produzidas
fsicamente e posteriormente digitalizadas e includas no sistema por meio de
protocolos. Os documentos digitalizados entram no SUAP pelo formato de PDF
(Portable Document Format), formato este que garante a segurana e integridade das
informaes e dos documentos.
Igualmente, vale mencionar que outro grande passo em relao ao processo
completamente eletrnico foi a criao do Dirio de Justa Eletrnico do Trabalho DJET,
atravs da aprovao das resolues administratvas n 33/2008 e 34/2008 pelo Tribunal Pleno
[...], pois trouxe uma enorme economia para a Justa do Trabalho da Paraba, no apenas de
papel e dinheiro, como tambm de tempo e mo de obra (SANTOS, 2011).
Por fm, transcrevo ainda outras elucidatvas informaes de Santos (2011):
Posteriormente foi criado o Portal de Servios, que possibilitou aos advogados que
atuam na Justa do Trabalho da Paraba a interveno integral no processo, sendo
necessrio para isto apenas a utlizao da tecnologia JAVA. Atravs desse Portal
possvel, alm da consulta integral ao caderno processual, o protocolo de petes,
o agendamento de sustentao oral, ajuizamento de aes, dentre outros atos
processuais, de qualquer lugar em que se encontre, sendo necessrio, para isto,
apenas um computador e acesso a rede mundial de computadores, internet.
Para coroar o excelente trabalho do TRT da 13 Regio, em 2008, foram criadas no
municpio de Santa Rita as duas primeiras varas do trabalho eletrnicas do Brasil.
Nestas todos os atos processuais, desde o ajuizamento da ao at ser proferida a
sentena, so pratcados na forma digital, no existndo autos processuais fsicos.
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Nessa toada, o ilustre doutrinador Wolney de Macedo Cordeiro (2009) preleciona
que [...] a insero do processo eletrnico por meio da Lei n. 11.419/2006 fez aforar um
novo paradigma de catalogao e documentao dos atos processuais [...], no mais sendo
necessria a existncia de autos materiais, e sim [...] lastreado em uma diagramao digital
fundada em bases eletrnicas independentes das bases fsicas, que em um futuro prximo,
provavelmente deixaram de existr totalmente.
Transcrevem-se, tambm, linhas norteadoras da lavra de Elenilson Lopes da Silva (2011):
Em consequncia da tma receptvidade e desempenho das Varas do Trabalho de
Santa Rita, as demais Varas do Trabalho de Joo Pessoa, Capital da Paraba, comearam,
paulatnamente, a digitalizar seus processos, tornando-se eletrnicas em junho do ano
de 2009, atravs do Provimento TRT SCR n 2/2009, vindo a estabelecer critrios para
processamento das aes judiciais, por meio eletrnico.
Desde tal data, nenhum processo foi inicializado em papel, de sorte que, em novembro
de 2010, todas as Varas Trabalhistas da Capital se encontram totalmente eletrnicas, com mais
de 30 mil processos protocolados, conforme notcia disponibilizada no portal eletrnico do TRT/
PB (SILVA, 2011).
Ainda de acordo com Silva (2011),
Seguindo a evoluo tecnolgica, na esfera judicial trabalhista, em junho do ano de
2009 o sistema do processo eletrnico tambm foi implantado em Capina Grande, e
seguindo o mesmo ritmo, nas demais Varas dos municpios do Estado da Paraba, a
exemplo de Guarabira, Areia, Patos, Itabaiana, Monteiro e Picu.
Conclui-se, portanto, que o TRT/PB foi responsvel pelas principais descobertas e
desenvolvimento de sistemas eletrnicos necessrios para a utlizao do processo virtual.
4. O jus postulandi e o processo eletrnico no TRT/PB
Neste item, observaremos o jus postulandi na prtca, como uma via entre o
jurisdicionado e o poder jurisdicional. Analisaremos no mais o subjetvismo que peculiar s
normas, mas sim a real utlidade do jus postulandi para aqueles que fazem uso dele na Justa
obreira da capital paraibana.
Para tanto, utlizamos os dados colhidos no Setor de Estatstca do TRT/PB, no Setor de
Distribuio dos Feitos e na Cenaten, os quais nos mostraram a real situao do insttuto em
estudo, antes e aps a implementao do clere e festejado processo eletrnico.
Com base nos dados coletados de 2005 at 2012, podemos perceber que naquele
ano foram ajuizadas 13.665 reclamaes trabalhistas em Joo Pessoa. Em 2006, esse nmero
reduziu para 11.143. J em 2007, ltmo ano antes da utlizao do processo eletrnico na
capital paraibana, foram protocoladas 10.631 aes.
Outrossim, das 13.665 reclamaes ajuizadas em 2005 na Capital, apenas 115 tratavam
do jus postulandi, ou seja, menos de 1% (um por cento) de todas as demandas mais
especifcamente, 0,84%.
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Em 2006, salientando-se que nesse perodo comearam a funcionar a 8 e a 9 Varas
do Trabalho da Capital, das 11.143 aes, somente 126 foram manejadas por pessoas que se
utlizaram da faculdade processual do jus postulandi, isto , 1,13%.
No ano de 2007, das 10.631 lides consttudas, somente 109 diziam respeito ao uso do
jus postulandi por uma ou ambas as partes que confguravam no processo, ou 1,02%.
Em consequncia da averiguao dos nmeros trazidos ao nosso conhecimento,
podemos inferir que tramita na Justa laboral de Joo Pessoa uma boa quantdade de
processos, e que, para nossa surpresa, so pouqussimas as reclamaes nas quais o cidado
se utiliza da faculdade processual do jus postulandi. Estes casos tratavam de demandas que
tnham como pedido apenas a baixa na Carteira de Trabalho e Previdncia Social (CTPS). Em
2005, por exemplo, das 115 reclamaes, 33 tnham esse pleito; em 2006, das 126 aes, 50;
em 2007 relembrando, mais uma vez , das 109 demandas, 32.
Por outro lado, urge mencionar que, aps o incio da implantao do processo eletrnico
na Justa obreira paraibana, em 2008, podemos observar que das 10.065 reclamaes
ajuizadas na Capital no aludido ano, apenas 148 recorreram ao jus postulandi. Em 2009, esse
insttuto foi utlizado apenas 50 vezes em 11.931 aes. J em 2012, de um universo de 8.172
reclamaes, 68 se basearam no jus postulandi, do que se infere que as aes ajuizadas sem o
auxlio de causdico no ultrapassaram 1%.
Com efeito, insta sublinhar que, conforme dados coletados nas unidades do TRT/PB,
muitas das reclamaes trabalhistas que tramitam na Justa do Trabalho de Joo Pessoa em que
a parte se socorre da faculdade do jus postulandi tratam de demandas que tm, como pedidos
isolados, a baixa na CTPS, a liberao do Fundo de Garanta e Previdncia Social (FGTS) e do
seguro-desemprego e o pagamento do Programa de Integrao Social (PIS). Em outros casos,
cumulam-se todos os pedidos supramencionados e, em remotssimas hipteses, postulam-se
verbas trabalhistas, horas extras, domingos, feriados, etc. Diante dessa partcularidade ftca,
cumpre esclarecer que aquele que se utliza desse preceito to peculiar do direito processual do
trabalho consegue, nas causas menos complexas e de pequena monta, o seu intento principal,
que a prestao jurisdicional clere e efcaz a seu favor, na maioria das vezes.
Apesar de no ser o objetvo do nosso estudo, ante a sua importncia, imperioso
informar ser o jus postulandi efcaz no solucionamento de reclamaes simples e de pequenos
valores. Quanto s demandas mais complexas que porventura possuam incidentes processuais,
arguies de preliminares, suspeies, impedimentos e nulidades processuais ou que versem
sobre questes de altos valores, ressalta-se ser imprescindvel a representao em Juzo
por meio de advogado, mesmo quando as partes possuem certo conhecimento tcnico
sobre a matria. Isso porque o advogado capacitado, na maioria das vezes, saber utlizar
os mecanismos processuais adequados para a maior celeridade da prestao jurisdicional e,
consequentemente, para uma soluo favorvel do litgio.
Outrossim, impende destacar que nos socorremos de uma relao de processos
fornecida pela Cenaten de Joo Pessoa (PB), em virtude de no haver em unidade alguma do
TRT/PB dados estatstcos sobre qual a resposta judicial dos pleitos que so formulados via jus
postulandi aps a instalao do processo judicial em seu mbito jurisdicional, ou seja, de
quantas aes foram julgadas procedentes ou improcedentes. Por meio de uma amostragem,
na qual analisamos 15 processos eletrnicos referentes aos anos de 2010 e 2011, pudemos
concluir quais as principais reivindicaes e resultados que os jurisdicionados obtveram
mediante o jus postulandi eletrnico.
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Efetvamente, entre as 15 aes ofertadas via jus postulandi, em 2010, que foram alvo
de nosso acompanhamento, 7 tnham como objeto apenas e to somente a baixa na CTPS, 2
pleiteavam a baixa na CTPS e a liberao do FGTS e 6 tnham pleitos mais amplos, referentes s
verbas resilitrias. No ano de 2011, o resultado no foi distnto, visto que, das 15 reclamatrias,
8 versavam sobre o pedido de baixa na CTPS, 1 sobre a baixa na CTPS e liberao das verbas do
FGTS e 6 tnham o incremento das verbas rescisrias como causa de pedir e pedido.
Nessa perspectva, em virtude de tais dados, percebemos que, em relao ao ano de
2010, das 15 reclamaes via jus postulandi, 5 foram acordadas, 7 julgadas procedentes
e, nas outras 3 reclamaes restantes, pode-se asseverar que o demandante tnha grande
chance de ter sucesso em seu pleito. Entretanto, no compareceu a Juzo (art. 844 da CLT),
tendo sido arquivada a ao. Igualmente, no tocante ao ano de 2011, pode-se concluir que
das 15 reclamatrias intentadas pelo jurisdicionado sem o auxlio de advogado, 2 terminaram
em acordo, 9 foram julgadas procedentes e 4 foram arquivadas pelo no comparecimento do
reclamante.
Dessa forma, diante de tudo o que foi levantado e analisado neste item, obtvemos
algumas respostas de grande importncia: o jus postulandi efcaz na Justa Trabalhista da
capital do Estado da Paraba, especifcamente nas lides menos complexas e de pequeno valor.
Porm, seria de bom alvitre consignar que, quando a demanda versar sobre matria de difcil
compreenso e traquejo, aconselhamos o jurisdicionado, sem dvida alguma, a utlizar o ofcio
de um advogado, mesmo diante das comprovaes favorveis ao jus postulandi que foram
verifcadas neste estudo.
Tambm podemos concluir que, com a implantao do clere processo eletrnico no
TRT/PB, o insttuto do jus postulandi no desapareceu no dia a dia forense, nem, por outro
lado, foi utlizado com mais amplitude. Apesar da reconhecida celeridade, economicidade e
publicidade que o processo digital trouxe prestao jurisdicional paraibana, a observncia e a
aplicao da Lei n 11.419/2006 no foram sufcientes para aumentar o acesso Justa via jus
postulandi. Ao revs, houve uma diminuio da quantdade de aes, talvez, no nosso sentr,
por falta de mais conhecimento por parte da populao sobre a sua existncia. A situao ainda
remanesce, entretanto, mesmo aps o surgimento e a implementao do processo eletrnico.
Por essa razo, entendemos que se faz necessria a publicidade do jus postulandi nos
meios de comunicao, para que possa cumprir o seu desiderato consttucional e legal, diante
da importncia e celeridade inerentes ao processo eletrnico, to bem apreendido e executado
pelo TRT/PB. Repita-se: necessrio maior publicidade na comunidade paraibana, pelos meios
de comunicao, acerca do fato de haver possibilidade gratuita de acesso Justa mediante
o jus postulandi, por meio da ferramenta do processo digital. Tal iniciatva ser um rduo,
porm nobre, desafo de tentar harmonizar o mecanismo processual eletrnico com uma das
principais peculiaridades principiolgicas do direito processual do trabalho o multcitado
insttuto jurdico , nunca se olvidando de que sua utlizao efcaz em demandas trabalhistas
de menor complexidade.
5. consideraes fnais
Ante tudo o que foi exposto, verifcamos que o jus postulandi se originou na Europa, na
poca da Revoluo Industrial, em virtude da necessidade de leis que apaziguassem os confitos
de interesses existentes entre a classe dos empresrios e a dos operrios.
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No fnal da dcada de 1930, o Brasil passava por uma grande turbulncia poltca,
econmica e social estava sob o governo do presidente Getlio Vargas. Foi, portanto, durante
esse perodo que o insttuto do jus postulandi surgiu na prtca forense trabalhista, sendo
utlizado pelo Estado como uma arma que facilitava a sindicalizao dos trabalhadores. Em
outras palavras, somente o indivduo sindicalizado poderia fazer uso dele.
de se registrar que, no transcorrer do presente trabalho, tambm tvemos a
oportunidade de descobrir como se deu toda a trajetria de modernizao do TRT/PB,
desde quando adquiriu nos anos 90 os primeiros terminais de IBM. Estes ocupavam grande
espao e possuam telas escuras e curvadas, alm de letras verdes, o que difcultava de forma
considervel o trabalho dos serventurios da Justa. At os dias atuais, o Tribunal Regional do
Trabalho da 13 Regio vem se destacando no cenrio nacional, uma vez que est entre os
mais desenvolvidos e atuantes na rea do processo eletrnico, no apenas devido ao nmero
elevado de processos completamente virtuais, mas tambm agilidade da sua resoluo, bem
como ao sucesso das suas Varas completamente eletrnicas.
Por derradeiro, tvemos como resposta e concluso principal que, com a implantao
do clere processo eletrnico no TRT/PB, o insttuto do jus postulandi no desapareceu no dia
a dia forense, nem foi utlizado com mais amplitude. Noutros termos, apesar da reconhecida
celeridade, economicidade e publicidade que o processo digital trouxe prestao jurisdicional
paraibana, a observncia e a aplicao da Lei n 11.419/2006 no foram sufcientes para
aumentar o acesso Justa via jus postulandi. Ao revs, houve diminuio da quantdade de
aes, talvez, no nosso sentr, por falta de mais conhecimento por parte da populao sobre a
sua existncia. O quadro ainda remanesce, mesmo aps o surgimento e a implementao do
processo eletrnico. Por essa razo, entendemos que se faz necessria a publicidade do jus
postulandi nos meios de comunicao, para que possa cumprir o seu desiderato consttucional
e legal. Seria de bom alvitre consignar que, quando uma demanda versar sobre uma matria de
difcil compreenso e traquejo, aconselhamos o jurisdicionado, sem dvida alguma, a utlizar o
ofcio de um advogado.
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MARTINS, Srgio Pinto. Direito do Trabalho. 21. ed. So Paulo: Atlas, 2005.
NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciao ao direito do trabalho. 20. ed. So Paulo: LTr, 1993.
SANTOS, Mayara Arajo dos. Processo Eletrnico na Justa do Trabalho da Paraba: a
quebra de paradigmas em prol de uma tutela jurisdicional clere e efetva. 70 f. Monografa
(Bacharelado em Direito) Centro Universitrio de Joo Pessoa Unip, Joo Pessoa, 2011.
SILVA, Elenilson Lopes da. Processo eletrnico trabalhista: controvrsias na sistemtca
processual eletrnica trabalhista na Paraba. 72 f. Monografa (Bacharelado em Direito)
Centro Universitrio de Joo Pessoa Unip, Joo Pessoa, 2011.
DECISES
DO CNJ
| Decises do CNJ |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 195
EXCELENTSSIMO SENHOR MINISTRO DO CONSELHO NACIONAL DE
JUSTIA
A ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL - SECCO DE
PERNAMBUCO, servio pblico independente, dotado de personalidade
jurdica e forma federativa, com sede na Rua do Imperador D. Pedro II, 235
- Santo Antnio, CEP 50010-240 - Recife/PE, inscrita no CNPJ sob o n
09.791.484/0001-09, representada neste ato por seu Presidente, PEDRO
HENRIQUE BRAGA REYNALDO ALVES, OAB-PE n 13.576 (doc. 01),
vem, presena de Vossa Excelncia, com espeque nos arts. 103-B, 4,
III, da Constituio Federal, c/c com o art. 98 e seguintes do Regimento
Interno do Conselho Nacional de Justia, promover o presente
PEDIDO DE PROVIDNCIAS
COM REQUERIMENTO DE ANTECIPAO DE TUTELA
em face do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 5 REGIO, CNPJ n.
24.130.072/0001-11, com endereo no Cais do Apolo, s/n., Edifcio
Ministro Djaci Falco, Bairro do Recife, Recife/PE, do TRIBUNAL DE
JUSTIA DO ESTADO DE PERNAMBUCO, CNPJ n. 11.432.327/0001-34,
com endereo na Rua do Imperador, s/n., CEP 50010-040, Recife/PE, e do
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 6 REGIO, situado no Cais
do Apolo, 739, Bairro do Recife, CEP 50030-902, Recife/PE, pelos fatos e
fundamentos que sero doravante apresentados.
I - Dos Fatos
Os Tribunais do Estado de Pernambuco, quais sejam, Tribunal
Regional Federal da 5 Regio - TRF5, Tribunal de Justia do Estado
de Pernambuco - TJPE e Tribunal Regional do Trabalho da 6 Regio
- TRT6 passaram a adotar o sistema do Processo Judicial eletrnico - PJe
no Estado de Pernambuco.
Na Justia Federal, as 1 e 2 instncias, no tocante s Aes
Ordinrias, o processamento somente se d atravs do Processo Judicial
eletrnico, tendo a implantao dos sistemas sido concluda em dezembro
de 2012, estando em funcionamento por fora da Resoluo n 16 de
25/04/2012 (doc. 02 - Resoluo TRF-5 n. 16/2012).
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2
A Justia do Trabalho adotou o Processo Judicial eletrnico
para, por exemplo, Mandados de Segurana, Habeas Corpus, Peties
apresentadas durante o planto judicirio, Ao Originria no 2 grau e
recursos de processos que se originaram a partir do PJe na 1 Instncia.
Ento todos os trmites processuais que evolvam os citados casos so,
obrigatoriamente, pelo meio eletrnico. A adoo de tal medida tem como
base o Ato TRT GP n 443/2012, baixado em 26/12/2012, com entrada
em vigor em 01/01/2013. (doc. 03 - Ato TRT GP n. 443/2012) No mbito da
primeira instncia da Justia do Trabalho, a implantao vem sendo
realizada de modo paulatino desde set/2012 (doc. 04 - Cronograma de
implantao do PJe-JT na 6 Regio)
Com relao ao Tribunal de Justia do Estado de Pernambuco,
os Juizados Especiais, desde novembro de 2011, somente possuem o
Processo Judicial eletrnico para o processamento de aes judiciais, tendo
esteio na Portaria n 47/2012 c/c Instruo Normativa de n 10 de
18/11/2011. (doc. 05 - Instruo Normativa TJPE n. 10/2011)
Dessa forma, verifica-se que no um problema enfrentado
pelos advogados apenas na esfera Federal no Estado de Pernambuco,
igualmente sendo observado no mbito do Judicirio Estadual.
Ocorre que a forma de interposio de atos e acompanhamento
processual de forma eletrnica, ou seja, virtual, tem causado inmeros
problemas ao livre exerccio profissional dos advogados pernambucanos,
uma vez que o meio eletrnico passou a ser obrigatrio, o que cerceia o
livre acesso justia dos advogados. Ademais, os sistemas no se
encontram suficientemente desenvolvidos, sendo deveras vulnerveis,
havendo inmeros obstculos e falhas tcnicas, na alimentao de dados e
outros problemas, como ser exposto ao longo da presente pea.
Assim, diante dos obstculos encontrados pelos advogados
pernambucanos e dos prejuzos evidenciados igualmente aos
jurisdicionados, urge pugnar pela observncia da boa ordem jurdica, de
forma a garantir o princpio constitucional do acesso justia, para que o
processo por meio eletrnico seja implantado de forma mais gradual e
eficiente, observando-se, sempre, a necessria alternativa de acesso
jurisdio pela via tradicional (comum, ou fsica), o que cuida de postular a
OAB/PE atravs do presente Pedido de Providncia.
II - Das Finalidades Institucionais da Ordem dos Advogados do
Brasil
As finalidades institucionais da Ordem dos Advogados do Brasil
esto previstas no artigo 44, inciso I, da Lei Federal n 8.906/94 - Estatuto
da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil, que segue abaixo:
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3
Art. 44. A Ordem dos Advogados do Brasil - OAB, servio
pblico, dotada de personalidade.jurdica e forma federativa,
tem por finalidade:
I - defender a Constituio, a ordem jurdica do Estado
democrtico de direito, os direitos humanos, a justia
social, e pugnar pela boa aplicao das leis, pela rpida
administrao da justia e pelo aperfeioamento da cultura
e das instituies jurdicas;
Outrossim, tendo em vista que a obrigatoriedade do Processo
Judicial Eletrnico - Pje afeta diretamente o exerccio da advocacia
pernambucana, de forma negativa e imediata, compete exclusivamente a
Ordem dos Advogados do Brasil - Seco de Pernambuco promover a
defesa de sua classe nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei Federal n
8.906/94, que segue:
II - promover, com exclusividade, a representao, a
defesa, a seleo e a disciplina dos advogados em toda a
Repblica Federativa do Brasil.
Assim, esta Seccional no pode abster-se de promover os atos
necessrios para assegurar o livre exerccio profissional dos advogados
pernambucanos diante das aludidas violaes que igualmente
comprometem o acesso justia.
Bastante pertinente so as palavras do professor Paulo Lbo
acerca do tema apresentado:
A defesa da Constituio inclui-se entre as finalidades poltico-
institucionais da OAB: I - no campo poltico geral, pela
vigilncia, denncia e mobilizao pblica, quando entender
ameaados os princpio constitucionais, em virtude da ao ou
omisso de pessoas, autoridade ou entidades pblicas e privas.
Outra finalidade poltico-institucional a luta pela boa
aplicao das leis e pela rpida administrao da Justia.
A aplicabilidade das leis d-se por sua observncia
espontnea pelos destinatrios ou por aplicao
mediante o Poder Judicirio. Cabe Ordem promover
com todos os meios disponveis.
Dessa forma, resta inconteste que a Ordem dos Advogados do
Brasil - Seccional de Pernambuco, promovendo a interposio deste Pedido
de Providncias, est, indubitavelmente, buscando os objetivos traados
legalmente para a mesma.
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4
III - Da legitimidade da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional
de Pernambuco
A Constituio Federal de 1988 estabelece que o advogado
essencial funo jurisdicional do Estado, tendo sido outorgado Ordem
dos Advogados do Brasil, dentre outras, a incumbncia de "defender a
Constituio, a ordem jurdica do Estado democrtico de direito, os
direitos humanos, a justia social, e pugnar pela boa aplicao das leis,
pela rpida administrao da justia e pelo aperfeioamento da
cultura e das instituies jurdicas (art. 44, I, da Lei n. 8.906/94)
O art. 57 da Lei n 8.906/1994 confere ao Conselho Seccional
as mesmas atribuies do Conselho Federal, conforme adiante se colaciona:
Art. 57. O Conselho Seccional exerce e observa, no
respectivo territrio, as competncias, vedaes e
funes atribudas ao Conselho Federal, no que couber e
no mbito de sua competncia material e territorial, e as
normas gerais estabelecidas nesta lei, no regulamento geral, no
Cdigo de tica e Disciplina, e nos Provimentos.
Por fora das finalidades institucionais da OAB, anteriormente
citadas, deve, esta Seccional, promover todos os atos pertinentes com o fito
de afastar qualquer leso aos direitos dos advogados, motivo pelo qual tem
legitimidade e interesse para promover o presente Pedido de Providncias.
IV - Da Pertinncia Temtica Absoluta Conferida OAB
Em relao ao requisito objetivo da pertinncia entre a defesa
do interesse especfico do legitimado e objeto do pedido de providncia ora
apresentado, resta devidamente preenchido, uma vez que o Supremo
Tribunal Federal, no julgamento da ADI n 1.096-4, cujo Relator foi o
Ministro Celso de Mello, entendeu que o Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil, e por analogia seus Conselhos Seccionais, encontram-
se dentre os que observam o requisito da pertinncia temtica absoluta,
conforme ensina o professor e constitucionalista Alexandre de Moraes
1
, em
seu livro Direito Constitucional.
V - Da competncia do Conselho Nacional de Justia
A Constituio Federal da Repblica do Brasil, em seu artigo
103-B, 4, incisos I e II, determina que o Conselho Nacional de Justia
poder desconstituir, rever ou fixar prazo para que sejam adotadas as
1
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional, So Paulo: Editora Atlas, 13 ed, 615.
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5
providncias pertinentes com o fito de afastar atos administrativos que
violem a lei, conforme segue:
Art. 103-B, 4 Compete ao Conselho o controle da
atuao administrativa e financeira do Poder Judicirio e
do cumprimento dos deveres funcionais dos juzes, cabendo-
lhe, alm de outras atribuies que lhe forem conferidas pelo
Estatuto da Magistratura:
I - zelar pela autonomia do Poder Judicirio e pelo
cumprimento do Estatuto da Magistratura, podendo expedir
atos regulamentares, no mbito de sua competncia, ou
recomendar providncias;
II - zelar pela observncia do art. 37 e apreciar, de ofcio
ou mediante provocao, a legalidade dos atos
administrativos praticados por membros ou rgos do
Poder Judicirio, podendo desconstitu-los, rev-los ou
fixar prazo para que se adotem as providncias
necessrias ao exato cumprimento da lei, sem prejuzo da
competncia do Tribunal de Contas da Unio;
Ocorre que os ato administrativos emanados dos Tribunais
pernambucanos, que fixam a obrigatoriedade e exclusividade da utilizao
do PJe, sem oferecer as condies necessrias para que os advogados
possam exercer a advocacia plenamente e de forma eficiente, viola no
apenas a Lei Federal n 8.906/94, mas tambm o artigo 133 da
Constituio Federal de 1988.
Ressalte-se que as providncias ora solicitadas impugnam o
fato de que o PJe ainda no oferece as condies tcnicas
necessrias prestao jurisdicional eficiente e segura, como ser
demonstrado, e se fundamentam na sua obrigatoriedade e exclusividade de
forma imediata - sem transio ou adaptao adequada, configurando bice
de acesso jurisdio (pelos advogados e, por via de consequncia, pelos
cidados).
Portanto, a competncia do Conselho Nacional de Justia est
plenamente configurada, nos termos dos argumentos apresentados.
VI - Mrito
Trata-se de Pedido de Providncias apresentado em desfavor
do Tribunal Regional Federal da 5 Regio, Tribunal de Justia do Estado de
Pernambuco e do Tribunal Regional do Trabalho da 6 Regio, perante esse
Conselho Nacional de Justia, com o fito de obter a suspenso da
exclusividade e obrigatoriedade da prtica dos atos processuais atravs do
sistema de Processo Judicial Eletrnico no mbito do Estado de
Pernambuco, tanto na primeira quanto na segunda instncia e nos Juizados
Especiais, e obter determinao desse Conselho para que seja feita uma
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reviso de todos os atos que envolvem o processo judicial eletrnico para
que, caso o advogado opte pelo meio eletrnico, este seja um facilitador e
no um meio que traga prejuzos ao advogado e aos jurisdicionados.
VI.I - Da Faculdade do Processo Judicial Eletrnico
A busca pela maior celeridade na tramitao processual e
diante do enorme volume, crescente, de demandas no Poder Judicirio tem
sido uma preocupao constante no s para os que compem este Poder,
mas tambm para todos os operadores de direito, em especial, os
advogados.
Um dos meios que poderiam viabilizar e proporcionar maior
rapidez e simplicidade o processamento das informaes constantes no
processo judicial pelo meio digital, uma vez que evitaria o acmulo de
papis, poderia ser um meio seguro e prtico para ser seguido.
Ocorre que a realidade brasileira, tanto para os que utilizariam
o processo por meio digital, dito eletrnico, como para os que elaboram e
realizam a manuteno dos sistemas, ainda no esto em condies
satisfatrias para que possam ser a nica alternativa de acesso ao Poder
Judicirio.
Diante desta incapacidade presente em ambos os lados, a
possibilidade de acesso atravs do meio fsico ainda se faz necessria e no
pode ser abolida, como j se evidencia em vrios Tribunais, sob pena de
violao direta ao Princpio de acesso justia, como previsto na
Constituio Federal de 1988, artigo 5, inciso XXXV: "a lei no excluir
da apreciao do Poder Judicirio leso ou ameaa a direito. E
tambm ao Princpio do livre exerccio profissional, conforme previso
do artigo 5, inciso XIII da Constituio Federal: " livre o exerccio de
qualquer trabalho, ofcio ou profisso, atendidas as qualificaes
profissionais que a lei estabelecer.
No Estado de Pernambuco os Tribunais, em algumas
modalidades de acesso, j no permitem mais a interposio de aes
judiciais ou protocolo de peties pelo meio fsico, o que vem tolhendo a
atividade advocatcia de um modo bastante preocupante, como ser
detalhada a seguir.
a) Justia Federal - em 05/03/2012 foi exarada determinao pelo
TRF da 5 Regio referente utilizao do meio eletrnico para prtica dos
atos processuais, sendo obrigatrio e exclusivo o uso do sistema do
Processo Judicial Eletrnico - PJe na cidade do Recife/PE.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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7
b) Tribunal de Justia do Estado de Pernambuco - tornou
obrigatrio e exclusivo a prtica dos atos judiciais atravs do sistema PJe no
mbito dos seus Juizados Especiais.
c) Justia do Trabalho em Pernambuco - na mesma linha, vem
implementando o PJe, progressivamente, em sua base territorial, estando,
hoje, toda a 2 instncia sendo feita atravs do processamento eletrnico.
A Constituio diz ser livre o exerccio profissional, atendidos
os requisitos exigidos em lei. Como no existe lei determinando o
certificado digital e capacidade tcnica especfica para sua
utilizao como requisito para advogar, a exigncia
inconstitucional.
A advocacia indispensvel administrao da justia, nos
termos do artigo 133 da CF/88. E falando neste artigo da Constituio
Federal, c/c o art. 5, inciso XIII, que determina ser "livre o exerccio de
qualquer trabalho, ofcio ou profisso, atendidas as qualificaes
profissionais que a lei estabelecer, fcil perceber que as atividades do
labor advocatcio esto sendo impedidas de serem realizadas livremente.
VI.I.I. Dos prejuzos da obrigatoriedade e exclusividade do
Processual Judicial Eletrnico
Em muitas situaes os advogados encontram diversos
obstculos para a interposio de aes judiciais pelo meio eletrnico e
diante dos bices esta interposio pode ser impraticvel, o que poderia
acarretar na desistncia do ingresso, ou seja na desistncia de pleitear pelo
direito do jurisdicionado, assim como o interposio pode ser falha, por no
ter, o advogado, em certas situaes, condies mnimas exigidas pelo
sistema do processo eletrnico para que a alimentao dos dados seja feita
com sucesso, o que a pode tornar incompleta ou mesmo inapta pela
ausncia de meios para ingress-la.
No h no ordenamento jurdico ptrio norma exigindo a
propositura de aes apenas pela via eletrnica. Ao contrrio, verifica-se
que a lei que disciplina a matria apresenta o processo eletrnico como
mera faculdade, pois a Lei n 11.419/2006
2
, sempre que menciona o uso
do meio eletrnico, exibe a expresso ". Ou seja, h sempre a
possibilidade de ser desta ou de OUTRA forma, no prescrevendo a forma
exclusivamente eletrnica. Inclusive, a prpria norma especfica prev no
artigo 1, 2, III a possibilidade de duas formas de assinatura eletrnica
vlidas para o meio eletrnico: assinatura digital (ou certificado digital) e
tambm mediante cadastro de usurio (login e senha).
2
Dispe sobre a informatizao do processo judicial; altera a Lei n
o
5.869, de 11 de janeiro de 1973 -
Cdigo de Processo Civil; e d outras providncias.
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8
A Lei n 11.419/2006 prev que a insero de documentos no
sistema "pode ser realizada por servidor do Judicirio (artigo 11, 1), o
que justifica a necessidade de recebimento de peties em meio
fsico, mesmo para processos eletrnicos, cabendo ao respectivo
Tribunal a responsabilidade por receber o documento fsico, digitalizar,
juntar a verso impressa no sistema e armazenar a pea fsica.
A citada Lei reza que a distribuio e juntada "poder ser
feita pelo advogado (artigo 10, caput), o que revela mais uma vez ser mera
faculdade - e nunca obrigatoriedade como acontece com o PJe - tal
comando normativo.
Ademais, o artigo 1 da mesma Lei diz que "o uso de meio
eletrnico ... ser admitido nos termos desta lei" e o artigo 10 que "a
distribuio da petio inicial, a juntada da contestao, dos recursos e das
peties em geral, todos em formato digital, nos autos de processo
eletrnico, podero ser feitas diretamente pelos advogados pblicos e
privados, sem necessidade de interveno do cartrio ou secretaria
judicial". Trata-se sempre de mera faculdade, e no obrigatoriedade.
O sistema do processo eletrnico compatvel com a prtica de
atos em meio fsico, tanto que o TJPE recebe peties em meio fsico das
partes que no estejam assistidas por advogados (vide artigo 2, 4 e 5
da Instruo Normativa TJPE n 10/2011) e, tambm, daquelas
patrocinadas no processo por Defensores Pblicos (cf. ofcio TJPE
Coordenadoria Geral dos Juizados sobre os processos nos quais o patrocnio
exercido pela Defensoria Pblica - doc. 06). Neste mesmo sentido, h a
Resoluo n 94/CSJT, que autoriza a prtica em meio fsico, quando
invivel o uso do meio eletrnico (como ocorre no caso de ausncia de
certificado digital), fato que no vem sendo cumprido no mbito dos
Tribunais pernambucanos, especialmente do Tribunal Regional do
Trabalho da 6 Regio.
Portanto, no se pode entender como obrigatria a utilizao
do meio eletrnico, o que constituiria um contrassenso que atenta contra o
princpio do acesso justia, tamanho o fosso digital ainda existente em
nosso pas, notadamente nas regies mais remotas e menos desenvolvidas,
como no Nordeste.
Nem s de advogados com satisfatria situao financeira e
com capacidade de aquisio de equipamentos modernos e com ideal
acesso internet composto o quadro de advogados da Seccional da OAB
de Pernambuco.
A OAB-PE preocupa-se com os advogados de um modo geral e
neste mister no pode olvidar os advogados idosos, os advogados do
interior do Estado, os recm formados, os de baixo padro aquisitivo.
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Para estes, o acesso ao mundo virtual ainda no uma
realidade e a obrigatoriedade do uso do Processo Judicial Eletrnico, sem
dvida alguma, impede o livre exerccio profissional e o acesso justia,
direitos consubstanciados constitucionalmente.
A Constituio Federal de 1988 dispe a todos os tribunais
requeridos, a necessidade de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado
justia em todas as fases do processo. Vejamos:
Art. 107. (...)
3 Os Tribunais Regionais Federais podero funcionar
descentralizadamente, constituindo Cmaras regionais, a fim
de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado justia
em todas as fases do processo.
Art. 115. (...)
2 Os Tribunais Regionais do Trabalho podero funcionar
descentralizadamente, constituindo Cmaras regionais, a fim
de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado justia
em todas as fases do processo.
Art. 125. (...)
6 O Tribunal de Justia poder funcionar
descentralizadamente, constituindo Cmaras regionais, a fim
de assegurar o pleno acesso do jurisdicionado justia
em todas as fases do processo.
Resta evidente, assim, que o meio exclusivamente eletrnico,
alm de criar requisito para advogar no previsto em lei, tambm
restringe o acesso do jurisdicionado justia.
Em suma, so casos que a obrigatoriedade do uso do Processo
Judicial Eletrnico prejudica o livre exerccio da advocacia:
a) A baixa cobertura da internet no interior do estado causa
enormes danos aos advogados do interior que possuam aes na capital.
Sem internet de qualidade, o advogado estaria obrigado a se deslocar
capital do Estado, Recife, para acessar a internet e at mesmo para receber
suas intimaes a cada 10 (dez) dias, j que estas se realizam por meio
exclusivamente eletrnico. Fato totalmente descabido e que torna
impossvel o livre exerccio profissional. fato notrio inexistir servio de
internet rpida ( ) em toda a extenso territorial de
Pernambuco.
b) A exigncia de certificado digital impede o exerccio da profisso
por grande parte dos advogados, assim como impossibilita o acesso
justia, sendo o principal prejudicado o jurisdicionado, uma vez que muitos
deles no possuem condies financeiras suficientes para tanto. E mesmo
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para aqueles advogados aptos ao uso do meio eletrnico, o eventual
extravio de um certificado digital no pode impedi-lo de exercer a profisso
e sujeitar o seu constituinte a prejuzos significativos com a eventual perda
de um prazo.
c) Os advogados idosos possuem grande dificuldade para realizarem o
processamento nos moldes exigidos para o uso do Processo Judicial
Eletrnico, sendo o meio fsico bem mais prtico e acessvel para eles, pois
h gradual processo de aculturao dos advogados, de idade mais
avanada, com o ambiente da comunicao eletrnica e o chamado mundo
virtual.
d) Tempo para o protocolo de peties tambm fator, muitas
vezes, que acarreta danos ao advogado, pois caso seu equipamento
apresente defeito, o advogado ter que ter custo adicional para se dirigir
a algum local que possibilite a alimentao dos dados do sistema e realizar
o protocolo de pea processual, o que poderia ser facilmente resolvido se
fosse possvel o protocolo fsico, em que necessitaria unicamente de
computador e impressora, ou mesmo papel e caneta para redigir petio a
prprio punho.
e) O livre arbtrio de cada um, isto , a faculdade de cada profissional
em escolher o caminho para o protocolo e interposio de aes judiciais,
porquanto no existe lei que o obrigue a somente se fazer valer do meio
eletrnico para a interposio e aes judiciais, sendo a obrigatoriedade
uma violao ao Princpio da Legalidade, presente no artigo 5, inciso II
da CF, o qual dispe: Ningum ser obrigado a fazer ou deixar de fazer
alguma coisa seno em virtude de lei.
Diante das consideraes acima inaceitvel a exigncia de
um nico caminho para o acesso justia, qual seja, pelo meio eletrnico. A
faculdade previso legal e tem que ser restabelecida pelos diversos
rgos do Poder Judicirio no estado de Pernambuco.
E mesmo sendo faculdade, caso o advogado opte pelo meio
eletrnico, os Tribunais devem oferecer um sistema capaz de atender as
demandas existentes com preciso, rapidez e segurana ao labor
advocatcio, fato este que no vem sendo evidenciado na realidade do
Processo Judicial Eletrnico e, ao revs, acarreta diversos malefcios e
contratempos, quando no apresentam verdadeiros prejuzos e danos como
a perda de prazo e mesmo perda de todo o processo, como nos casos que
sero agora abordados.
VI.I.II. Da Deciso desse Conselho pela no obrigatoriedade do PJe
Importante destacar que esse Conselho j decidiu pela no
obrigatoriedade da utilizao do meio eletrnico no Procedimento de
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Controle Administrativo de n 0006549-41.2009.2.00.0000 (doc. 07 -
Precedente do Conselho Nacional de Justia reconhecendo o meio eletrnico como
facultativo), de relatoria do Conselheiro Jos Adonis Callou de Arajo S, com
a seguinte ementa:
ADMINISTRATIVO. SEO JUDICIRIA FEDERAL DO RIO DE
JANEIRO. PORTARIA RJ-PGD-2009/00063, ART. 23 1.
OBRIGATORIEDADE DO MEIO ELETRNICO PARA FORMULAO
DE PETIES INTERCORRENTES EM PROCESSOS
ELETRNICOS. LEGALIDADE. LEI 11.419/2006.
1. Pretenso de desconstituio de norma da Portaria n
RJPGD-2009/00063 (art. 23, 1), que estabelece a
obrigatoriedade da utilizao de meio eletrnico para
formulao de peties intercorrentes em processos eletrnicos
que tramitam na Seo Judiciria Federal do Estado do Rio de
Janeiro, a partir de janeiro de 2010.
2. A opo do Judicirio pelo sistema do processo
eletrnico, nos termos da Lei 11.419/2006, com o
armazenamento de documentos em meio digital, no acarreta
a obrigatoriedade da transmisso de peties distncia
por meio exclusivamente eletrnico.
3. "Os rgos do Poder Judicirio devero manter equipamentos
de digitalizao e de acesso rede mundial de computadores
disposio dos interessados para distribuio de peas
processuais (Lei 11.419/2006, art. 10, 3). Procedncia
parcial do pedido.
(sem grifos no original).
O nobre Relator entende que:
Em sntese, no h obrigatoriedade da transmisso
exclusivamente eletrnica de peties, segundo o
conceito fixado no artigo 1, 2, inciso II, da Lei
n 11.419/2006.
(grifo nosso).
VI.II. Das falhas do Sistema do Processo Judicial Eletrnico
VI.II.I. Da ausncia de envio de carta de citao/notificao com a
contra-f
De inicio, podemos citar a seguinte situao problemtica
constatada na Justia do Trabalho em que no enviada carta de
notificao com a respectiva contra-f, em contraposio ao que preceitua o
artigo 841 da CLT, a saber:
Art. 841 - Recebida e protocolada a reclamao, o escrivo ou
secretrio, dentro de 48 (quarenta e oito) horas, remeter a
segunda via da petio, ou do termo, ao reclamado,
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notificando-o ao mesmo tempo, para comparecer audincia do
julgamento, que ser a primeira desimpedida, depois de 5
(cinco) dias.
A legislao determina que deve o reclamado receber cpia da
petio inicial ou do termo, sendo certo que, luz do regulamento em vigor
do PJe, no h qualquer remessa de contra-f, mas to somente a indicao
de endereo eletrnico onde o citando poder consult-la (artigo 19 da
Resoluo CSJT n. 94/2012):
Art. 19. No instrumento de notificao ou citao constar
indicao da forma de acesso ao inteiro teor da petio
inicial no endereo referente consulta pblica do PJe-
JT, cujo acesso tambm disponibizar-se- nos stios do
Conselho Superior da Justia do Trabalho e dos Tribunais
Regionais do Trabalho na Rede Mundial de Computadores.
No modelo eletrnico, como de conhecimento desse Egrgio
Colegiado, a carta de notificao eletrnica se faz acompanhar de um link
para o citando acessar e tomar conhecimento daquilo que est sendo
demandado, o que no preenche a exigncia legal supra-referida.
No s a CLT aborda tal exigncia, o Cdigo de Processo Civil -
CPC, que rege os demais processos em trmite perante os trs Tribunais
em questo - TRF5, TRT6 e TJPE - tambm violado diante da ausncia de
envio da contra-f ao demandado.
Art. 223. Deferida a citao pelo correio, o escrivo ou chefe
da secretaria remeter ao citando cpias da petio inicial
e do despacho do juiz, expressamente consignada em seu
inteiro teor a advertncia a que se refere o art. 285, segunda
parte, comunicando, ainda, o prazo para a resposta e o juzo e
cartrio, com o respectivo endereo.
(...)
Art. 225. O mandado, que o oficial de justia tiver de cumprir,
dever conter:
(...)
II - o fim da citao, com todas as especificaes
constantes da petio inicial, bem como a advertncia a que
se refere o art. 285, segunda parte, se o litgio versar sobre
direitos disponveis;
(...)
Pargrafo nico. O mandado poder ser em breve relatrio,
quando o autor entregar em cartrio, com a petio inicial,
tantas cpias desta quantos forem os rus; caso em que
as cpias, depois de conferidas com o original, faro parte
integrante do mandado.
Art. 226. Incumbe ao oficial de justia procurar o ru e, onde o
encontrar, cit-lo:
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 207
13
I - lendo-lhe o mandado e entregando-lhe a contraf;
II - portando por f se recebeu ou recusou a contraf;
(sem grifos no original).
O artigo 223, da mesma forma que exposto na CLT, enfoca que
dever ser remetido ao citando as cpias da petio inicial e do
despacho do juiz. Assim, ao enviarem somente a carta de notificao,
pode-se verificar o descumprimento da legislao cabvel.
VI.II.II. Da impossibilidade de assinatura digital da procurao e da
ata de audincia
Com a utilizao do Processo Judicial eletrnico nos moldes em
que se encontra, h negativa de vigncia do artigo 38, Pargrafo nico, do
CPC, pois no h possibilidade da procurao ser assinada digitalmente por
terceiro (assinante externo).
No mesmo sentido, o sistema no permite a assinatura dos
advogados nem das partes na ata de audincia, o que viola o artigo 169
3
do
mesmo diploma legal referido.
A assinatura apenas pelo Juiz em todo o sistema PJe (TJPE,
TRF-5 e TRT-6), alm de violar o 2 do artigo 169 do CPC, tambm
impossibilita a eventual caracterizao do delito de falso testemunho por
quem seja ouvido mediante compromisso legal com a verdade.
VI.II.III. A restrio quanto ao formato de arquivo anexo
Os artigos 365, inciso V e 399, 2, ambos do Cdigo de
Processo Civil, dispem acerca da possibilidade de juntada aos autos de
extratos digitais de bancos de dados.
A correta apreciao do dispositivo exige a possibilidade de
juntada de tais documentos em formato eletrnico em forma de banco de
dados, de modo que as partes e eventuais auxiliares da Justia pudessem
analisar os dados eletronicamente.
3
CPC, Art. 169. Os atos e termos do processo sero datilografados ou escritos com tinta escura e
indelvel, assinando-os as pessoas que neles intervieram. Quando estas no puderem ou no quiserem
firm-los, o escrivo certificar, nos autos, a ocorrncia.
1 vedado usar abreviaturas.
2 Quando se tratar de processo total ou parcialmente eletrnico, os atos processuais praticados na
presena do juiz podero ser produzidos e armazenados de modo integralmente digital em arquivo
eletrnico inviolvel, na forma da lei, mediante registro em termo que ser assinado digitalmente
pelo juiz e pelo escrivo ou chefe de secretaria, bem como pelos advogados das partes.
(Includo pela Lei n 11.419, de 2006). (grifo nosso).
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A despeito de tal disposio, o sistema PJe como implantado no
mbito da Justia Estadual, Federal e Trabalhista no estado de Pernambuco
vedam tal possibilidade, na medida em que no admitem a juntada de
arquivos em formato diferente do PDF.
VI.II.IV. Da falta de comunicao da implantao com antecedncia
Ordem dos Advogados do Brasil
Outro problema comum a falta de comunicao da
implantao com antecedncia e realizao de aes de divulgao e
capacitao destinada aos usurios externos.
A Ordem dos Advogados do Brasil, por exemplo, no recebeu
qualquer informao sobre a implantao do Processo Judicial Eletrnico,
pelo Tribunal de Justia do Estado de Pernambuco, nas Comarcas de Olinda
e do Cabo de Santo Agostinho.
No mesmo sentido, o Tribunal Regional do Trabalho da 6
Regio instituiu a obrigatoriedade do meio eletrnico para todos os
processos de competncia originria do 2 grau atravs de ato de
26/12/2012 e com vigncia em 01/01/2013. Ocorre que alm do pequeno
intervalo e ausncia de antecedncia, o ato foi baixado e entrou em
vigor durante pleno recesso da Justia do Trabalho institudo pela Lei
5.010/66 (de 20/dez a 06/jan). Ou seja, os advogados que militam perante
a Justia laboral trabalharam at o dia 19/dez e, quando retornaram do
perodo de descanso, se depararam com a obrigatoriedade para todos os
feitos de competncia originria do 2 grau do TRT-6.
VI.II.V. Da Lentido do Sistema Eletrnico
No caso do Sistema do PJe na esfera do Tribunal de Justia do
Estado de Pernambuco, recorrente a situao de excessiva lentido
para operar, alm de falhas constantes e demora para atualizao das
verses disponibilizadas pelo Conselho Nacional de Justia.
A ttulo de comparao, o PJe do TJPE utiliza atualmente a
verso 1.0.23, enquanto o PJe do TRF5 e do TRT6j funcionam,
respectivamente, com as verses 4.7 e 1.4.5. (doc. 08).
A existncia de diferentes verses priva os advogados das
melhorias e aperfeioamentos constantemente desenvolvidos e implantados
nas verses mais atualizadas.
VI.II.VI. Da falta de explicao de como operar o sistema de forma
clara e precariedade do suporte disponvel
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Os Tribunais no esclarecem de modo claro a forma de
utilizao do sistema aos advogados, que se deparam com dificuldades e
verdadeiras "armadilhas para o exerccio profissional.
A despeito da perspectiva de uniformizao em torno do
sistema PJe desenvolvido por esse Egrgio Conselho Nacional de Justia, os
advogados precisam acessar uma mirade de sites e portais para o exerccio
profissional.
As intimaes so disponibilizadas em painis junto a cada
Tribunal. No bastasse, at mesmo dentro de um Tribunal existem mltiplos
painis que precisam ser acessados, sendo um painel para a primeira
instncia do TRT-6 e outro para a segunda instncia, outro para a Justia
Federal em Pernambuco e outro para o TRF-5, e tantos mais quantas sejam
as sesses judicirias onde o profissional atue.
A multiplicidade de painis expe o advogado a considervel
prejuzo para si e para o jurisdicionado, caso deixe de acessar um desses
portais em tempo hbil.
VI.II.VII. Da Impossibilidade de terceiro verificar publicao de
outro advogado
O sistema PJe coordenado por esse Conselho Nacional de
Justia e todas as intimaes se do exclusivamente por meio eletrnico. Os
advogados e demais usurios externos so obrigados a acessar o sistema a
cada intervalo de no mximo 10 (dez) dias para receberem suas
intimaes, na forma definida pelo artigo 3 da Lei 11.419/2006.
A questo que o sistema PJe implantado pelos Tribunais
requeridos no permite, sequer, um filtro de intimaes para que terceiros
possam consultar intimaes e prazos que estejam fluindo em nome
de determinado advogado e atos dos Tribunais.
Nesse particular, o sistema PJe priva os advogados de um
servio importantssimo para a rotina advocatcia, que consiste em
empresas que monitoram as intimaes dos advogados que as contratam e
os comunicam periodicamente acerca dos prazos iniciados.
Caso o advogado perca o seu certificado digital ou por qualquer
motivo deixe de acessar o sistema naquele intervalo, o prazo ser
deflagrado a sua revelia. E nem mesmo outros advogados ou empresas
especficas podero monitorar os prazos deflagrados.
O sistema PJe, portanto, atualmente exige exaustiva ao de
cada um dos advogados que atue no meio eletrnico, e representa trabalho
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excessivamente burocrtico para o advogado que milite em vrios tribunais
nos diversos estados da Federao.
H ainda mais. Havendo mltiplos advogados habilitados nos
autos, o PJe disponibiliza a intimao simultaneamente para todos eles, sem
sequer permitir uma prtica bem comum no meio fsico que consiste na
possibilidade de declinar o nome daqueles advogados em nome dos quais
devem ser realizadas as intimaes.
Assim, se um advogado em nome de quem no deveria ser
realizada a intimao acidentalmente acess-la, o prazo ser deflagrado
revelia daquele que deveria faz-lo. Por exemplo, caso isso acontea no
primeiro dia da disponibilizao e o prazo assinalado para atendimento for
de 05 (cinco) dias, o lapso acabar ainda durante o tempo em que o
advogado disporia para acess-la.
Por fim, ainda quanto ao painel de intimaes, o PJe restringe
a publicidade dos atos processuais, tornando-a passiva. Explico. A
Constituio Federal, em seu artigo 93, IX
4
, determina a publicidade dos
julgamentos e necessidade de fundamentao das decises sob pena de
nulidade, alm de tambm dispor sobre o interesse pblico informao.
Ocorre que o artigo 5 da Lei 11.419 autoriza que as
intimaes sejam realizadas por meio eletrnico, dispensando-se as
publicaes no rgo oficial
5
.
Para harmonizar a Carta Magna com a Lei 11.419/2006,
impe-se dispensar a publicao na imprensa oficial to somente das
intimaes, mas NUNCA das decises judiciais, sob pena de nulidade por
inconstitucionalidade.
A despeito de tal disposio, o sistema PJe atualmente limita e
restringe a publicidade dos julgamentos, tornando-a exclusivamente
passiva, j que se limita comunicao aos representantes processuais das
partes envolvidas.
Os julgamentos precisam ser pblicos. A transparncia
medida que se impe. A forma atual do sistema PJe exige de quem desejar
acompanhar a jurisprudncia de um determinado tribunal a acessar todos
os processos para saber em quais deles houve deciso, o que viola os
princpios da razoabilidade, publicidade e eficincia.
4
Art. 93. (...)
IX todos os julgamentos dos rgos do Poder Judicirio sero pblicos, e fundamentadas
todas as decises, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presena, em determinados atos,
s prprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservao do direito
intimidade do interessado no sigilo no prejudique o interesse pblico informao;
5
Art. 5 As intimaes sero feitas por meio eletrnico em portal prprio aos que se cadastrarem
na forma do art. 2o desta Lei, dispensando-se a publicao no rgo oficial, inclusive eletrnico.
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VI.II.VIII. Da Impossibilidade de cadastro concomitante de
advogado que atue na esfera pblica e na privada - caso dos
Procuradores
A demora na atualizao da verso do PJe do Tribunal de
Justia de Pernambuco revela problema persistente e denunciado h
bastante tempo aos seus responsveis, cuja soluo ainda no foi at hoje
implementada.
que o sistema impede a atuao simultnea de procuradores
estaduais e municipais como advogados pblicos e privados, como de fato e
efetivamente podem atuar livremente em meio fsico.
Uma vez cadastrados no sistema do PJe na qualidade de
advogados pblicos, os procuradores ficam impedidos de se cadastrarem
como advogados atuantes na esfera privada, porquanto ficam vinculados ao
ente pblico que inicialmente incluram no sistema. A Lei n 8.906/94 -
Estatuto da Advocacia e da OAB - no seu artigo 30, inciso I, permite o
exerccio concomitante dos procuradores em ambas as esferas,
impossibilitando-a to somente contra a Fazenda que o remunere
6
. A
restrio imposta exclusivamente pelo sistema, sem que tenha respaldo em
nenhum dispositivo legal, mais uma vez, cerceia o livre exerccio
profissional. (doc. 09).
VI.II.IX. Da impossibilidade de assinatura conjunta de um
documento por vrios advogados
A fragilidade do sistema e necessidade de melhor
desenvolvimento est demonstrado pela precariedade dos recursos
disponibilizados aos advogados.
O sistema simplesmente no comporta a assinatura conjunta
de uma petio por mltiplos advogados.
Outra funcionalidade imprescindvel diz respeito possibilidade
de mltiplos advogados atuarem em um processo e s alguns deles receber
intimaes, na forma acima discriminada.
E mais. A intimao da parte adversa destinada a ela apenas,
de sorte que nem mesmo o advogado da parte contrria tem conhecimento
6
Art. 30. So impedidos de exercer a advocacia:
I - os servidores da administrao direta, indireta e fundacional, contra a Fazenda Pblica que os
remunere ou qual seja vinculada a entidade empregadora;
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daquela intimao para monitorar o prazo para atendimento e, sendo do
seu interesse, comparecer espontaneamente para respond-la. Nesse
particular, o meio eletrnico praticamente impede o advogado de
impulsionar o processo, seno atravs de rduo trabalho de monitorar
individualmente os processos para identificar aqueles onde tenha havido
despacho ou manifestao da parte contrria.
VI.II.X. Da ausncia de certificao das intimaes nos autos
O artigo 5, 2 da Lei n 11.419/2006, do PJe, prev a
certificao das intimaes nos autos, o que hoje no feito (apenas
aparece em campo especfico), e sequer h previso de implantao, o que
implica numa insegurana quanto ao decurso dos prazos processuais.
Para aferir a tempestividade de determinada manifestao, o
advogado precisa acessar locais diferentes, a fim de verificar a data do
recebimento da intimao, depois consultar em outro local a data do
peticionamento etc.
VI.II.XI. Do recebimento do processo fsico que venha de outro
Tribunal - impossibilidade
O artigo 12, 2 da Lei n 11.419/2006
7
, dispe sobre a
possibilidade do recebimento de processo em meio fsico quando vier de
outro tribunal quando no houver compatibilidade entre os sistemas.
O dispositivo em comento demonstra a necessidade do
processo eletrnico ser compatvel com a prtica de atos processuais em
meio fsico.
Ocorre que, da forma como os Tribunais requeridos implantam
o PJe, a prtica no possvel. Isso porque exigem que todas as peas
sejam confeccionadas diretamente no sistema, no sendo admitido
peticionar na forma de documento anexo em formato digitalizado, sempre
havendo necessidade de uma petio especfica.
Nesse particular, alm de limitar a atuao do advogado que
no esteja familiarizado com o meio eletrnico, o sistema PJe nega vigncia
ao prprio 2 do artigo 12 da Lei 11.419/2006.
7
Art. 12. (...)
2 Os autos de processos eletrnicos que tiverem de ser remetidos a outro juzo ou instncia superior
que no disponham de sistema compatvel devero ser impressos em papel, autuados na forma
dos arts. 166 a 168 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Cdigo de Processo Civil, ainda
que de natureza criminal ou trabalhista, ou pertinentes a juizado especial.
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VI.II.XII. Da falta de homologao externa - falta de segurana no
sistema
A despeito de todos os vultuosos investimentos realizados para
o desenvolvimento do sistema PJe, a segurana ainda precisa de
considerveis melhorias.
A ausncia de homologao externa sujeita o sistema a falhas
considerveis de segurana, como ocorreu com determinado usurio
externo que teve acesso a botes do PJe que permitiam excluir peties e
at processos onde ele sequer era advogado (doc. 10).
Em outra situao, a verso mais recente do PJe-JT instalado
na Justia do Trabalho da 6 Regio, o sistema informou a um usurio
externo que um documento teria sido assinado por milhares de pessoas, em
data anterior quela de insero no sistema (doc..11).
Os defeitos indicam vulnerabilidade do sistema e, para conferir
a segurana mnima necessria, impe-se a realizao de auditoria por
empresa independente e de renomada idoneidade ou, qui, submeter o
sistema a de testes abertos de vulnerabilidade - nos moldes daqueles
periodicamente promovidos pelo TSE - Tribunal Superior Eleitoral com
relao s urnas eletrnicas.
VI.II.XIII. Da Falta de conhecimento dos tcnicos em informtica
So constantes as reclamaes recebidas pela instituio
requerente quanto precariedade do servio de suporte tcnico da equipe
de informtica, cujos profissionais no teriam a competncia necessria
para minimizar os erros verificados.
O problema geral e toma propores ainda maiores no
mbito do Tribunal de Justia de Pernambuco, onde o telefone de suporte
disponvel se limita a servir como ponto de contato responsvel to
somente pela abertura do chamado, informando em seguida que um tcnico
dar um retorno em at 48h (quarenta e oito horas). Nesse Tribunal
especfico, os atendentes sequer possuem acesso ao sistema PJe!!!
Mais grave o caso do advogado que tem um problema para
alimentar algum dado do sistema, quando lhe aparece a mensagem "erro
inesperado e tudo expira. O advogado procura o suporte tcnico e no
consegue lograr xito, uma vez que no atendem a ligao ou submetem o
advogado a horas aguardando na chamada e ao atenderem apenas justifica
o erro porque "o sistema est lento (doc. 12).
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VI.II.XIV. Da constante tentativa da Ordem do Advogados do Brasil
de apontar os erros e buscar formas de san-los, sem xito.
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seco Pernambuco,
constantemente, vem demonstrando as irregularidades no Processo Judicial
Eletrnico, tal como pode ser verificado atravs do diversos ofcios que
foram enviados aos Tribunais, dentre eles o de n 176/2012-GP,
direcionado ao Presidente do Tribunal Regional Federal da 5 Regio,
enviado no dia 20 de abril de 2012, em que solicita o adiamento da
obrigatoriedade para dada futura, quando o sistema estiver com mais
ferramentas que permitam aos advogados a atuao em meio eletrnico
com mais segurana e tambm quando mais advogados estiverem com
seus certificados digitais, levando em considerao que somente 15% dos
advogados pernambucanos possuem este certificado (doc. 13).
Diante deste ofcio, o Tribunal Regional Federal da 5 Regio
apenas informa, em resposta atravs do ofcio e n 00807/2012, que
existem manuais e tutoriais disponveis na internet e que existe suporte
tcnico por telefone e e-mail, finalizando com recusa a submeter o pleito ao
rgo colegiado por entender que "no o caso de nova apreciao da
matria (doc. 14).
Outro ofcio, o de n 268/2012, enviado em 26 de junho de
2012 ao Presidente do Tribunal de Justia de Pernambuco, o qual expe as
dificuldades na utilizao do PJe, dentre elas a baixa qualidade do
atendimento por telefone do TJPE; a impossibilidade enfrentada pelos
Procuradores do Municpio de Recife e do Estado em cadastrar a advocacia
particular e a advocacia pblica, tal como permitido pela legislao (doc.
15).
VI.II.XV. Outras falhas evidenciadas
Alm das falhas acima relacionadas, h outros defeitos que
precisam ser apurados. Por exemplo, durante treinamento de capacitao
realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 6 Regio, houve simulao
do ajuizamento de uma ao em cuja etapa final deveria haver a
designao de audincia e intimao da parte. Ocorre que, ao concluir a
propositura da ao, o sistema travou e a intimao da audincia designada
no foi visualizada. Apesar disto, no houve intimao disponibilizada no
painel do advogado e o erro s foi constatado porque o instrutor sabia como
o sistema deveria ter se comportado.
Outra situao irregular consiste na ausncia de exibio do
nmero de identificao (ID) dos documentos quando utilizada a
visualizao atravs do modo "paginador. Nesse mesmo modo de
visualizao, h campo prprio onde deveriam ser exibidos os documentos
| Decises do CNJ |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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associados a determinada petio e, em outro, todos os documentos do
processo, cuja funcionalidade est prejudicada.
H defeito, ainda, quanto ao editor de texto do sistema, funo
de bastante importncia mas que no permite a correta importao de texto
redigido em editor externo (como o Word), quando os recursos de
formatao so alterados aleatoriamente, at mesmo com supresso de
trechos. Ou seja, Eminentes Conselheiros, uma petio confeccionada num
editor de texto externo no corretamente importada para o sistema.
Os Tribunais no disponibilizam ambiente de testes para os
advogados conhecerem o sistema antes de us-lo oficialmente; no
fornecido protocolo eletrnico devidamente assinado pelo Tribunal (o que
fere os artigos 3 e 10 da Lei n 11.419/2006); h prazos computados de
modo errado pelo sistema; PJe-JT, da Justia do Trabalho, diz que
documento foi assinado por mltiplas pessoas em data anterior quela em
que anexado ao sistema; dentre outras muitas irregularidades na
implantao do processo eletrnico, as quais chegam OAB-PE por meio de
denncias e reivindicaes de advogados (docs. 16 e 17).
Os inmeros fatos acima elencados revelam que, mesmo em se
tratando a via eletrnica como facultativa, o sistema hoje no oferece as
condies de utilizao adequadas dadas as inmeras falhas existentes, as
quais no esto sendo acima elencadas de modo exaustivo.
Assim, em face de todas as constataes de que o sistema de
Processo Judicial Eletrnico ainda precrio e cheio de distores e falhas,
cabe a esse Egrgio Conselho determinar imediata reviso de todo o
sistema eletrnico, com a participao conjunta e ativa da Ordem dos
Advogados do Brasil, com o fito de buscar identificar os erros e, deste
modo, dirimi-los e chegar a um sistema que oferea uma porta para dar
maior celeridade justia e alcanar o fim idealizado para que fora criado,
sempre assegurando a possibilidade de utilizao do meio fsico.
VII - A velocidade de implantao no TRT-6
O Conselho Nacional de Justia e o Conselho Superior da
Justia do Trabalho recomendaram a implantao do meio eletrnico em
10% das Varas do Trabalho ao longo do ano de 2012, atravs da Meta 16.
A despeito disto e embora tenha iniciado a implantao
somente na segunda quinzena do ms de setembro, o Tribunal Regional do
Trabalho da 6 Regio implantou o PJe-JT em 20% das suas unidades.
Atingiu, assim, o dobro daquela meta estabelecida. Para o ano de 2013, a
meta de atingir o percentual de 40% das Varas da Justia do Trabalho de
cada Tribunal.
| Decises do CNJ |
216 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio
22
Numa verdadeira corrida para atingir a totalidade da
virtualizao em menos tempo, o Tribunal Regional do Trabalho da 6
Regio vem imprimindo ritmo acelerado implantao do sistema de
processo eletrnico nas suas unidades.
Segundo notcia veiculada pelo prprio TRT-6
8
, esse Tribunal
implantou o dobro da meta estipulada pelo CNJ no ano de 2012 e, no
corrente ano de 2013, pretende novamente superar em muito o objetivo e
tornar o meio eletrnico como obrigatrio em mais de 80% das suas
unidades.
A despeito do louvvel esforo dos gestores, preciso no
apenas possuir um sistema suficientemente confivel para o processo, mas
tambm dar tempo para que os usurios externos se familiarizem com os
recursos tecnolgicos disponveis.
No interior do estado, muitos advogados residem e trabalham
na regio rural, onde no existe conexo internet de qualidade e,
justamente por isso, no podem ser obrigados a mudar seus locais de
trabalho por fora de uma deliberao da justia.
Tambm por esse motivo, impe-se a necessidade de
manuteno do meio fsico como alternativa ao peticionamento eletrnico.
VIII - Da antecipao dos efeitos da tutela
Dispe o artigo 5, inciso XXXV, da Constituio Federal, que a
lei no poder excluir da apreciao do Poder Judicirio qualquer leso de
direito ou ameaa de leso a esse direito.
Consequentemente, o princpio constitucional que garante o
acesso tutela jurisdicional assegura, tambm, a garantia de obter deciso
potencialmente eficaz, capaz de evitar dano irreparvel a direito relevante.
urgente a concesso da medida liminar por esse Conselho
Nacional de Justia, sob pena de se persistir a leso do interesse pblico e,
diretamente, o interesse dos cidados pernambucanos, tendo em vista a
potencialidade do dano prestao jurisdicional, bem como ao prprio
direito de acesso Justia, tendo em vista que a obrigatoriedade e
exclusividade para promoo dos atos processuais, apenas pelo sistema
PJe, sem a estrutura e condies necessrias, impe srios problemas para
o exerccio da advocacia no estado de Pernambuco, conforme amplamente
exposto.
8
Notcia no site do TRT-6 atestando implantao do processo eletrnico em velocidade superior ao dobro
da meta estipulada pelo Conselho Nacional de Justia
http://www.trt6.gov.br/manut_portal/noticias/2013/jan/pje_petrolina_inaugurado/
http://www.trt6.gov.br/manut_portal/noticias/2013/jan/pje_implantacao/
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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23
Os posicionamentos acima transcritos comprovam a forte
densidade do direito, sendo evidente a presena do fumus boni juris, que
decorre tambm com clareza da prpria exegese sistemtica das normas
constitucionais pertinentes, ao observarmos que a situao, acaso no
revertida, tolhe o regular exerccio profissional dos advogados e fere o
direito do amplo acesso justia, podendo provocar danos irreparveis
inerentes negativa da jurisdio.
Destarte, preenchidos os requisitos legais suscitados
9
, com o
fito de que seja exercido o dever de guardio da Constituio e defensor da
ordem jurdica, mostra-se oportuna a concesso da medida liminar
requerida, por ser esta a nica forma de se evitar a continuidade de ainda
mais danos ao exerccio da advocacia e ao acesso dos cidados Justia.
evidente, pois, que esto reunidos os pressupostos que
ensejam o deferimento da medida liminar do art. 273 ou, ainda, do art. 461
do CPC
10
, dada a ameaa de leso irreparvel ordem pblica, razo pela
qual requer a concesso de liminar para que seja determinado que o
Tribunal Regional Federal da 5 Regio, Tribunal Regional do
Trabalho da 6 Regio e o Tribunal de Justia do Estado de
Pernambuco promovam a imediata suspenso da obrigatoriedade e
exclusividade de processamento e acompanhamento de processos
atravs do sistema eletrnico PJe, assegurando-se que o acesso
jurisdio pela via eletrnica se d como uma alternativa facultada ao
advogado, e no como via compulsria exclusiva.
VIII - Dos pedidos
Por todo o exposto, requer seja, inaudita altera pars, concedida
a liminar pleiteada e, no mrito, seja julgado PROCEDENTE o presente
Pedido de Providncias, com o fito de:
a) Convalidar a medida liminar pleiteada, determinando em definitivo
que o Tribunal Regional Federal da 5 Regio, Tribunal Regional do Trabalho
da 6 Regio e o Tribunal de Justia do Estado de Pernambuco promovam a
imediata suspenso da obrigatoriedade e exclusividade de
processamento e acompanhamento de processos atravs do sistema
eletrnico PJe, em virtude de ser uma faculdade legal, para que no
ocorram prejuzos como os descritos nos itens VI.I.I, alneas a, b, c, d, e;
9
Art. 273 ou 461 do Cdigo de Processo Civil ptrio.
10
Art. 461. Na ao que tenha por objeto o cumprimento de obrigao de fazer ou no fazer, o juiz
conceder a tutela especfica da obrigao ou, se procedente o pedido, determinar providncias que
assegurem o resultado prtico equivalente ao do adimplemento.
| Decises do CNJ |
218 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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24
b) Assegurar que, doravante, aqueles Tribunais pernambucanos se
abstenham de impor como via exclusiva e de acesso compulsrio
jurisdio, o Processo Judicial Eletrnico, garantindo que seja sempre
aceito o meio fsico para desenvolvimento dos atos judiciais e processuais,
determinando-se o recebimento de peas em meio fsico e insero no
sistema por servidores dos respectivos rgos judiciais, conforme permite o
1 do artigo 11 da Lei 11.419/2006
11
;
c) Determinar que os multireferidos Tribunais pernambucanos realizem
imediatamente uma REVISO do sistema do Processo Judicial
Eletrnico, com prazo de concluso de at 90 (noventa) dias, com a
participao conjunta da OAB/PE na citada Reviso, bem como nas novas
medidas a serem adotadas para o sistema, no processo de planejamento e
deliberao da implantao do processo eletrnico, como alternativa de
acesso mais econmico jurisdio, prevenindo medidas abruptas
implementadas revelia da classe dos advogados, para que no mais
ocorram as falhas descritas nos itens VI.II.I a V.II.XIV.
d) Determinar a realizao de testes de vulnerabilidade no sistema
PJe por empresa de auditoria independente, de modo que sejam
identificados os defeitos e corrigidas as falhas existentes, minimizados os
riscos de prejuzos ao jurisdicionado e aos advogados por inconsistncias do
sistema, devendo dita anlise ser periodicamente renovada;
e) Determinar ao Tribunal Regional do Trabalho da 6 Regio o envio
das cartas de citao instrudas com segunda via da petio inicial,
assegurando ao citando o imediato conhecimento da demanda contra si
aforada nos termos da lei vigente (CLT e CPC);
f) Determinar aos Tribunais requeridos a publicao das decises
judiciais, mesmo em processos eletrnicos, nos termos do artigo 93, IX da
Constituio Federal de 1988, assegurando a publicidade plena e evitando
seja ela contida, limitada e passiva;
g) Determinar aos Tribunais que viabilizem uma forma para o
acesso de terceiros s intimaes com prazo deflagrado, permitindo a
prestao de servios de monitoramento e informao de intimaes
publicadas (empresas que atualmente renem as intimaes de
determinados advogados) imprescindveis para a atividade advocatcia;
11
Art. 11. (...)
1 Os extratos digitais e os documentos digitalizados e juntados aos autos pelos rgos da
Justia e seus auxiliares, pelo Ministrio Pblico e seus auxiliares, pelas procuradorias, pelas
autoridades policiais, pelas reparties pblicas em geral e por advogados pblicos e privados tm a
mesma fora probante dos originais, ressalvada a alegao motivada e fundamentada de
adulterao antes ou durante o processo de digitalizao.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 219
25
h) Determinar que o acesso ao sistema PJe seja admitido por
qualquer das formas de assinatura eletrnica previstos na Lei
11.419/2006, seja por assinatura digital ou mediante cadastro.
Termos em que pede deferimento.
Recife, 28 de janeiro de 2013.
PEDRO HENRIQUE BRAGA REYNALDO ALVES
Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil
Seccional de Pernambuco
Anexos:
1) Termo de posse da Diretoria da OAB-PE - 2013 e procurao
2) Resoluo TRF-5 n. 16/2012
3) Ato TRT GP n. 443/2012
4) Cronograma de implantao do PJe-JT na 6 Regio
5) Instruo Normativa TJPE n. 10/2011
6) Ofcio TJPE Coordenadoria Geral dos Juizados sobre os processos
nos quais o patrocnio exercido pela Defensoria Pblica
7) Precedente do Conselho Nacional de Justia reconhecendo o meio
eletrnico como facultativo
8) Artigo de Alexandre Atheniense;
9) Impossibilidade de Advogados pblicos poderem advogar em causas
particulares - Ofcio 009/2012, da Associao dos Procuradores do
Municpio do Recife OAB/PE
10) Tela que demonstra a possibilidade do usurio excluir peties
e processos
11) Documento que teria sido assinado por milhares de pessoas
12) Suporte tcnico falho - sistema lento
13) Ofcio de n 176/2012-GP, da OAB/PE para o Presidente do
TRF5
14) Ofcio n 00807/2012, Resposta do TRF5 OAB/PE
15) Ofcio n 268/2012, da OAB/PE ao Presidente do TJPE
16) Denncias / reclamaes 01 de advogados OAB/PE
17) Denncias / reclamaes 02 de advogados OAB/PE
18) Artigo da autoria do Desembargador do TRF5 e professor Dr.
Lzaro Guimares criticando o PJe
19) Nota publicada pelo presidente do Conselho Federal da
OAB/PE, Ophir Cavalcante, no dia 31.05.2012.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 221
PEDIDO DE PROVIDNCIAS - CONSELHEIRO 0000374-
89.2013.2.00.0000
Requerente: Ordem dos Advogados do Brasil Seccional
de Pernambuco
Requerido: Tribunal de Justia do Estado de
Pernambuco
Tribunal Regional Federal 5 Regio
Tribunal Regional do Trabalho - 6 Regio (PE)
Advogado(s): PE025900D - Paulo Henrique Limeira
Gordiano (REQUERENTE)
DECISO LIMINAR
Trata-se de pedido de providncias
formulado pela OAB - Seco de Pernambuco em face do
TRF da 5 Regio, Tribunal de Justia do Estado de
Pernambuco e TRT da 6 Regio em razo da adoo do
PJE-Processo Judicial Eletrnico nos referidos
tribunais de maneira obrigatria.
Alega a requerente, entre outros muitos
argumentos da extensa petio, que h problemas
tcnicos para funcionamento do PJE; baixa cobertura
de internet no Estado; impedimento ao exerccio da
advocacia para advogados que no tm certificao
eletrnica ou no tem familiaridade com o meio
eletrnico; tempo e dificuldade para realizar o
protocolo; a possibilidade de defeitos na mquina,
etc.
Requereu antecipao da tutela para
determinar que os tribunais requeridos suspendam a
| Decises do CNJ |
222 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
obrigatoriedade do uso exclusivo do processo
eletrnico, assegurando que a via eletrnica seja
apenas alternativa.
O RELATRIO. DECIDO:
Estou efetivamente prevento para
processar e julgar o presente pedido. Redistribua-se
para minha relatoria, com posterior compensao.
A questo trazida neste procedimento
grave e embora imponha anlise criteriosa, que
somente poder ser feita aps os devidos
esclarecimentos tcnicos, merece cautela imediata,
inaudita altera pars.
O impedimento de acesso dos advogados ao
foro por meio que no seja eletrnico, pode
ocasionar leses de difcil, grave ou impossvel
reparao, na medida em que inmeros conflitos
exigem urgente e impostergvel anlise judicial.
H fundado receio de que o acesso ao
judicirio, por meio exclusivamente eletrnico,
prejudique o acesso justia, porque pode ainda no
haver condies do sistema para seu pleno
funcionamento, assim como os profissionais podem
ainda no estar aptos a acessar o PJE adequadamente.
A natureza da providncia solicitada
neste procedimento indica urgncia e relevncia
suficientes, evidenciando o fumus boni juris e, sem
dvida, o periculum in mora, requisitos necessrios
para a concesso da liminar pretendida.
Por outro lado, a oitiva dos trs
tribunais, mais as medidas periciais necessrias
neste caso, levariam tempo demais, suficiente para
ocasionar, eventualmente, algum dano aos
jurisdicionais do Estado de Pernambuco.
| Decises do CNJ |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 223
Por estas razes, concedo a liminar
pleiteada, suspendendo a obrigatoriedade do uso
exclusivo do PJE para protocolo de peties, no
Estado de Pernambuco, ao menos at que os tribunais
prestem as relevantes informaes, no prazo
regimental.
Intimem-se.
Braslia, 01 de fevereiro de 2013.
EMMANOEL CAMPELO DE SOUZA PEREIRA
Conselheiro
| Decises do CNJ |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 225
Poder Judicirio
Y.. -. . _. Y.. -. . _. Y.. -. . _. Y.. -. . _.
Secretaria Processual
CERTIDO DE JULGAMENTO
162 SESSO ORDINRIA
PEDIDO DE PROVIDNCIAS 0000374-89.2013.2.00.0000
Relator: Conselheiro EMMANOEL CAMPELO
Requerente:
Ordem dos Advogados do Brasil Seccional de Pernambuco
Requerido:
Tribunal de Justia do Estado de Pernambuco
Tribunal Regional Federal da 5 Regio
Tribunal Regional do Trabalho da 6 Regio (PE)
Advogado:
Paulo Henrique Limeira Gordiano - PE025900D
CERTIFICO que o PLENRIO, ao apreciar o processo em epgrafe,
em sesso realizada nesta data, proferiu a seguinte deciso:
O Conselho decidiu:
I por unanimidade, incluir em pauta o presente procedimento, nos
termos do 1 do artigo 120 do Regimento Interno;
II por maioria, cassar a liminar. Vencidos os Conselheiros
Emmanoel Campelo (Relator), Bruno Dantas, Jefferson Kravchychyn, Jorge Hlio.
Votou o Presidente. Ausente, circunstancialmente, o Conselheiro Neves Amorim.
Presidiu o julgamento o Conselheiro Joaquim Barbosa. Plenrio, 5 de fevereiro de
2013.
Presentes sesso os Excelentssimos Senhores Conselheiros
Joaquim Barbosa, Francisco Falco, Carlos Alberto, Tourinho Neto, Ney Freitas,
Vasi Werner, Silvio Rocha, Jos Lucio Munhoz, Wellington Cabral Saraiva,
Gilberto Martins, Jefferson Kravchychyn, Jorge Hlio, Emmanoel Campelo e
Bruno Dantas.
Presentes o Subprocurador-Geral da Repblica Francisco de Assis
Sanseverino e, representando o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do
Brasil, o Secretrio-Geral Cludio Pereira de Souza Neto.
Manifestou-se o Dr. Cludio Pereira de Souza Neto.
Braslia, 5 de fevereiro de 2013.
Mariana Sil va Campos Dutra
Secretria Processual
| Grandes Temas - Processo Judicial Eletrnico |
| Doutrinas |
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a
Regio 227
DECISES DA
2 INSTNCIA
| Grandes Temas - Processo Judicial Eletrnico |
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 229
O Sistema Integrado de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos da Justa
do Trabalho, o e-DOC, foi lanado ofcialmente pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) em
2 de setembro de 2005. Um dos principais sistemas do Projeto de Gesto Integrada de
Informatzao da Justa do Trabalho, ele permite o envio de documentos pela Internet ao
TST, Tribunais Regionais do Trabalho (TRTs) e Varas do Trabalho por meio de um site nico e
centralizado (www.tst.jus.br/web/guest/petcionamento-eletronico).
Desenvolvido pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4 Regio, no Rio Grande do
Sul, o e-DOC trouxe mais agilidade ao processamento de documentos, ao facilitar o acesso e
propiciar economia de tempo e custo aos usurios da Justa do Trabalho, que no precisam
mais apresentar os originais posteriormente. Ao rgo judicirio que recebe os documentos
eletrnicos cabe imprimi-los e anex-los aos processos com o respectvo comprovante de
recepo gerado pelo sistema.
O servio prestado pelo e-DOC est sendo gradatvamente substtudo pelo Sistema
Processo Judicial Eletrnico da Justa do Trabalho (PJe-JT), em fase de implantao em todos
os TRTs. E como todas as medidas inovadoras, tambm esteve sujeito a questonamentos pela
via judicial, ao longo desse tempo. Apresentam-se, a seguir, algumas decises a respeito, que,
talvez, prenunciem o futuro acerca do PJe-JT.
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 231
Agravo de Peto: 0057800-50.2006.5.01.0057
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: e-DOC, tempestvidade, processo eletrnico, embargos execuo.
Turma: 5
Relatora: Desembargadora do Trabalho Mirian Lippi Pacheco
Data de julgamento: 7/2/2012
Publicao: 23/2/2012
Petcionamento eletrnico (e-Doc). Tempestvidade. Nos termos
do art. 10 da Lei n 11.419/2006, A distribuio da peto inicial
e a juntada da contestao, dos recursos e das petes em geral,
todos em formato digital, nos autos de processo eletrnico, podem
ser feitas diretamente pelos advogados pblicos e privados, sem
necessidade da interveno do cartrio ou secretaria judicial. Por
sua vez, versa o 2 da referida lei que, No caso do 1 deste
artgo, se o Sistema do Poder Judicirio se tornar indisponvel por
motvo tcnico, o prazo fca automatcamente prorrogado para o
primeiro dia tl seguinte resoluo do problema. Dessa forma,
tempestvo o apelo interposto no primeiro dia subsequente
demonstrada indisponibilidade do sistema.
Vistos, relatados e discutdos os presentes autos de agravo de peto interposto contra
sentena da MM. 57 Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, em que so partes Prossegur Brasil
S.A. Transporte de Valores e Segurana, como agravante, e Saulo da Silva Gonalves, como
agravado.
RELATRIO
Inconformada com o r. despacho de f. 635 , que no conheceu dos embargos execuo,
por intempestvos, agrava de peto a executada, a fs. 639/662.
Sustenta, em sntese, que, ao contrrio do que entendeu o MM. Juzo de origem, a
apresentao dos embargos no foi intempestva, em face da indisponibilidade do sistema
e-DOC, alm de reafrmar sua condio de parte ilegtma para fgurar no polo passivo da
execuo.
Contraminuta a fs. 668/680.
o relatrio.
| Decises da 2 Instncia |
232 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
VOTO
Conhecimento
Por preenchidos os pressupostos legais de admissibilidade, conheo do agravo.
Mrito
Da tempestvidade dos embargos execuo
Registre-se, inicialmente, que a anlise do presente agravo de peto fcar limitada
questo relatva tempestvidade dos embargos execuo, nica matria abordada pelo MM.
Juzo a quo.
Discute-se, na hiptese dos autos, acerca da possibilidade de prorrogao (ou no)
dos prazos processuais quando a parte, pretendendo transmitr eletronicamente peto de
embargos execuo, deparar-se com sistema indisponvel.
O MM. Juzo de origem entendeu por bem considerar intempestva a pea, ao
fundamento de que [...] mesmo com indisponibilidade do Sistema Integrado de protocolizao
e Fluxo de Documentos Eletrnicos da Justa do trabalho, no perodo de 29 de julho de 2011 a
02 de agosto de 2011, os prazos no foram suspensos.
Ou seja, para o MM. Juzo a quo, na impossibilidade de transmisso eletrnica, caberia
parte interessada promover juntada de sua peto por meios convencionais, comparecendo
diretamente ao Protocolo Geral (ou ao Protocolo Integrado).
A concluso, data venia, comporta reparos.
Com efeito, a Lei n 11.419/2006 admite, em seu art. 1, O uso de meio eletrnico na
tramitao de processos judiciais, comunicao de atos e transmisso de peas processuais,
defnindo nos incisos I e II do respectvo 2, que se considera meio eletrnico qualquer
forma de armazenamento ou trfego de documentos e arquivos digitais e que transmisso
eletrnica toda forma de comunicao distncia com a utlizao de redes de comunicao,
preferencialmente a rede mundial de computadores.
O art. 10, por seu turno, fxa que
A distribuio da peto inicial e a juntada da contestao, dos recursos e das petes
em geral, todos em formato digital, nos autos de processo eletrnico, podem ser feitas
diretamente pelos advogados pblicos e privados, sem necessidade da interveno do
cartrio ou secretaria judicial, situao em que a autuao dever se dar de forma
automtca, fornecendo-se recibo eletrnico de protocolo.
Como no se ignora, e experimentado diuturnamente por qualquer cidado, a
instabilidade do sistema no fato raro no Brasil, constituindo desculpa padro de qualquer
empresa prestadora de servios, seja no mbito privado ou pblico, que no consiga atender s
demandas do usurio.
No por outra razo, os pargrafos 1 e 2 do citado art. 10 disciplinam que
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 233
1 Quando o ato processual tver que ser pratcado em determinado prazo, por meio
de peto eletrnica, sero considerados tempestvos os efetvados at as 24 (vinte e
quatro) horas do ltmo dia.
2 No caso do 1 deste artgo, se o Sistema do Poder Judicirio se tornar indisponvel
por motvo tcnico, o prazo fca automatcamente prorrogado para o primeiro dia tl
seguinte resoluo do problema.
Deve ser ressaltado, por outro lado, que, quando a Instruo Normatva n 30 do C.
TST afrma no 1 do art. 11 que A no-obteno, pelo usurio, de acesso ao Sistema, alm
de eventuais defeitos de transmisso ou recepo de dados, no serve de escusa para o
descumprimento dos prazos legais, est considerando anomalias funcionais que no digam
respeito aos Tribunais. Estas, como visto supra, esto disciplinadas em lei.
Na espcie dos autos, restou incontroverso que o sistema de transmisso eletrnica de
dados permaneceu indisponvel das 8h do dia 29/7/2011 at as 12h do dia 02/8/2011 (vide
Histrico de Indisponibilidade do Sistema, no sto deste Regional).
No h, assim, que se considerarem intempestvos os embargos execuo opostos no
dia 02/8/2011 s 12h44min, tendo em vista a garanta da execuo ocorrida em 27/7/2011 (f.
673).
Impe-se, desse modo, seja afastada a intempestvidade pronunciada, determinando-se
o retorno dos autos ao MM. Juzo de origem, a fm de que prossiga no exame dos embargos
execuo opostos pela reclamada.
Dou provimento.
CONCLUSO
Dou provimento ao agravo, na forma da fundamentao supra.
ACORDAM os Desembargadores que compem a Quinta Turma do Tribunal Regional do
Trabalho da 1 Regio, por unanimidade, dar provimento ao agravo, nos termos do voto da
desembargadora relatora.
Rio de Janeiro, 7 de fevereiro de 2012.
Desembargadora do Trabalho Mirian Lippi Pacheco
Relatora
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 235
Agravo de Instrumento:
0000720-68.2010.5.01.0064
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: e-DOC, admissibilidade, documentos, peto.
Turma: 3
Relatora: Desembargadora do Trabalho Edith Maria Corra Tourinho
Data de julgamento: 13/12/2010
Publicao: 11/1/2011
Agravo de instrumento. Enviado recurso ordinrio pelo sistema
eletrnico e-DOC, deve ser conhecido o recurso se cumpridos
os requisitos de admissibilidade, ainda que haja equvoco de
formatao constatado pela Vara, a quem incumbe sua impresso,
pois em caso de ilegitmidade deve se dar oportunidade para que a
parte traga o original ( 5 do art. II da Lei n 11.419/06).
Vistos, relatados e discutdos os presentes autos de agravo de instrumento em que so
partes, como agravante, Tam linhas Areas S.A. e, como agravada, Graciane Campos Filgueiras
Lima.
Trata-se de agravo de instrumento contra despacho que negou seguimento ao recurso
ordinrio por no protocolizado corretamente (fs. 150).
Contraminuta a fs. 155/162.
Despacho determinando que a Vara de origem informasse sobre a juntada sem
assinatura digital e cdigo de barras das razes recursais (fs. 169).
Autos retornaram da Vara com as informaes solicitadas atravs da certdo a fs. 174.
o relatrio.
Conhecimento
Conheo do agravo de instrumento por satsfeitos os pressupostos de admissibilidade.
| Decises da 2 Instncia |
236 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Mrito
Insurge-se a agravante em face do despacho que negou seguimento ao seu recurso
ordinrio por no protocolizado corretamente, eis que no h assinatura digital (e cdigo de
barras) nas laudas de razes recursais, diferentemente das demais petes anteriormente
protocolizadas atravs da via digital pela mesma r, como decidiu o Juzo de origem (fs. 150).
A agravante sustenta que cumpriu corretamente os requisitos de envio de documentos
atravs do Sistema Integrado de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos, inclusive
quanto formatao do documento. Aduz que as barras de cdigo so geradas pelo referido
sistema mas no so visualizadas no momento do envio, cabendo ao Tribunal a correta
impresso dos documentos com a assinatura digital.
Afrma que a deciso agravada violou o artgo 1 da Medida Provisria n 2.200-2, de
24 de agosto de 2001, a Instruo Normatva 28 do TST, que normatza a utlizao do Sistema
Integrado de Protocolizao e Fluxo de Documentos (e-DOC), com expedio de recibo ao
remetente que servir como comprovante de entrega da peto (art. 5), e que incumbe aos
tribunais, por intermdio das respectvas unidades administratvas responsveis pela recepo
das petes, a sua impresso e a dos documentos enviados, anexando-lhes o comprovante de
recepo gerado pelo sistema (art. 6 e seu inciso I).
Por tais razes, defende que no sua responsabilidade a conferncia de que seu
recurso foi juntado na ntegra e corretamente, sendo comprovado pelo protocolo que anexa o
evidente equvoco na impresso dos documentos enviados, assim pretendendo o provimento
de seu agravo para que seja determinado o imediato processamento e seguimento do seu
recurso ordinrio.
A Lei n 11.419, de 19 de dezembro de 2006, criou a informatzao do processo judicial,
sendo regulamentada pela Instruo Normatva n 30 do C. TST, que revogou a de n 28, que
estabelece, no mbito da Justa do Trabalho, o envio de petes, de recursos e a prtca de
atos processuais em geral por meio eletrnico, mediante uso de assinatura eletrnica, digital ou
cadastrada, atravs do Sistema Integrado de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos
(e-DOC), servio de uso facultatvo, disponibilizado no Portal-JT, na Internet, e veda apenas o
envio de petes destnadas ao Supremo Tribunal Federal.
A assinatura digital baseada em certfcado digital emitdo pela Infra-Estrutura de
Chaves Pblicas Brasileira - ICP/Brasil, insttuda pela Medida Provisria n 2.200-2, de 24 de
agosto de 2001, que garante a autentcidade, a integridade e a validade jurdica de documentos
em forma eletrnica, bem como a realizao de transaes eletrnicas seguras. J a cadastrada
obtda perante o Tribunal Superior do Trabalho ou Tribunais Regionais do Trabalho, com
fornecimento de login e senha
O Sistema Integrado de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos (e-DOC), no
momento do recebimento da peto, expede recibo ao remetente, como comprovante de
entrega da peto e documentos, constando o nmero de protocolo da peto gerado pelo
Sistema; o nmero do processo e o nome das partes, se houver; o assunto da peto e o
rgo destnatrio da peto, informados pelo remetente; a data e o horrio do recebimento
da peto no Tribunal e as identfcaes do remetente da peto e do usurio que assinou
eletronicamente o documento, sendo estabelecido para utlizao deste sistema o formato
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 237
PDF (Portable Document Format), no tamanho mximo, por operao, de 2 megabytes, sendo
dispensada a apresentao posterior dos originais ou de fotocpias autentcadas, inclusive
aqueles destnados comprovao de pressupostos de admissibilidade do recurso.
Aos tribunais incumbe, por intermdio das respectvas unidades administratvas
responsveis pela recepo das petes transmitdas pelo e-DOC, imprimir as petes e
seus documentos, caso existentes, anexando-lhes o comprovante de recepo gerado pelo
sistema, enquanto no generalizada a virtualizao do processo, que dispensar os autos
fsicos, verifcando, diariamente, no sistema informatzado, a existncia de petes eletrnicas
pendentes de processamento.
No caso dos autos, apresentado o recurso (fs. 130/145), observa-se que o acompanham
as guias de custas e o depsito recursal com a assinatura digital e o cdigo de barras, bem
como a certfcao de assinatura digital pelo sistema e-DOC e seu respectvo recibo de envio de
documento, constando o recurso ordinrio e os seus anexos (fs. 146/149).
O fato de no ter constado nas razes recursais a assinatura digital est explicado na
certdo do Diretor da Secretaria da Vara de origem, a fs. 174, verbis:
[...] Certfco que a impresso da peto de fs. 306/321 do processo 0038000-
83.2004.5.01.0064 foi feita de acordo com o sistema e-DOC, sendo certo que a
formatao foi feita pela parte que remeteu a peto.
Certfco, ainda, visvel o equvoco da parte quanto ao tamanho do documento,
estando, inclusive, vrias partes do texto cortadas. Certfco, por fm, que caso seja
alterada a formatao do documento enviado a fm de conter integralmente o texto da
peto numa folha, o tamanho da letra fcar reduzido a ponto de inviabilizar a leitura.
Por tudo exposto, enviado recurso ordinrio pelo sistema eletrnico e-DOC, com
aparente equvoco quanto ao tamanho do documento que levou ao corte de partes do texto e
certamente a omisso da assinatura digital em suas laudas, no pode este ser motvo a ensejar
o seu no conhecimento, pois foi aceito pelo sistema sem qualquer restrio quando de seu
envio, somente verifcada a irregularidade pela Vara de destno, a quem incumbe a impresso.
Ressalte-se que os documentos produzidos eletronicamente so considerados originais
para todos os efeitos legais e, tratando-se de irregularidade sanvel, deveria ter sido concedido
prazo para que a parte apresentasse o original, como nos casos em que a digitalizao seja
tecnicamente invivel devido ao grande volume ou por motvo de arguio de ilegalidade,
previstos no 5 do artgo 11 da Lei 11.419/06, verbis:
5 Os documentos cuja digitalizao seja tecnicamente invivel devido ao grande
volume ou por motvo de ilegibilidade devero ser apresentados ao cartrio
ou secretaria no prazo de 10 (dez) dias contados do envio de peto eletrnica
comunicando o fato, os quais sero devolvidos parte aps o trnsito em julgado.
Sendo legvel o recurso, deve ser o mesmo conhecido.
| Decises da 2 Instncia |
238 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Do exposto, conheo e dou provimento ao agravo de instrumento para determinar que
os presentes autos sejam apensados aos principais para o regular processamento do recurso
ordinrio interposto pela reclamada, tudo nos termos da fundamentao supra.
ACORDAM os Desembargadores que compem a Terceira Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 1 Regio, por unanimidade, conhecer e, no mrito, dar provimento ao agravo
de instrumento para determinar que os presentes autos sejam apensados aos principais para o
regular processamento do recurso ordinrio interposto pela reclamada.
Rio de Janeiro, 13 de dezembro de 2010.
Desembargadora do Trabalho Edith Maria Corra Tourinho
Relatora
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 239
Recurso Ordinrio: 0000369-20.2011.5.01.0013
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Preparo/Desero.
Palavras-chave: e-DOC, desero, depsito recursal.
Turma: 10
Relatora: Desembargadora do Trabalho Rosana Salim Villela Travesedo
Data de julgamento: 19/10/2011
Publicao: 3/11/2011
Desero. Petcionamento eletrnico. Guia de depsito recursal
ilegvel. bice ao conhecimento do apelo. Optando a parte
pelo uso do petcionamento eletrnico, deve cercar-se de todas
as garantas para que os documentos apresentados sejam
devidamente recebidos. A responsabilidade pela transmisso
de documentos via e-DOC do usurio. Logo, a irregularidade
concernente inadequada comprovao do recolhimento do
depsito recursal, por se encontrar ilegvel a autenticao bancria
na cpia do respectivo documento, acarreta a desero do apelo.
Vistos, relatados e discutdos estes autos de recurso ordinrio em que so partes
Sociedade de Ensino Superior Estcio de S, como recorrente, e Carla Rodrigues Bahiense,
como recorrida.
Trata-se de recurso ordinrio interposto pela r objetvando a reforma da sentena de
fs. 181/192, proferida pela MM. Juza Janice Bastos, da 13VT/RJ, que julgou procedente em
parte o pedido. Refuta o reconhecimento do vnculo empregatcio e a condenao em frias,
indenizao por dano moral, multas dos arts. 467 e 477 da CLT.
Contrarrazes s fs. 209/212.
Depsito recursal e custas processuais s fs. 204/205.
o relatrio.
VOTO
Da desero pronunciada de ofcio
Defui dos elementos dos autos que a cpia do depsito recursal trasladada f. 205v,
por defcincia de reproduo, no permite a verifcao do valor recolhido e, tampouco, da
autentcao bancria.
Com efeito, se a transmisso ocorreu via e-DOC, do petcionante o nus da verifcao
do recebimento, sem qualquer mcula.
| Decises da 2 Instncia |
240 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Nesse rumo, a atual jurisprudncia do TST, verbis:
Agravo em agravo de instrumento em recurso de revista. Petcionamento eletrnico.
Desero do recurso de revista. Guia de depsito recursal. Autentcao mecnica
do banco ilegvel. Nos termos do art. 7 da Instruo Normatva n 30 do Tribunal
Superior do Trabalho, o envio da peto por intermdio do e-DOC (Sistema Integrado
de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos) dispensa a apresentao
posterior dos originais ou de fotocpias autentcadas, inclusive aqueles destnados
comprovao de pressupostos de admissibilidade do recurso. Assim, o envio da peto
e dos documentos destnados comprovao de pressupostos de admissibilidade
do recurso, de forma legvel, consttui providncia obrigatria. Optando a parte pelo
uso do petcionamento eletrnico, deve se cercar de todas as garantas para que os
documentos apresentados sejam devidamente recebidos. Logo, a responsabilidade
pela transmisso de documentos via e-DOC do usurio. Diante disso, a irregularidade
concernente inadequada comprovao do recolhimento do depsito recursal, por se
encontrar ilegvel a autenticao bancria na cpia do respectivo documento, acarreta
a desero do recurso de revista. Agravo desprovido.
(Ag-AIRR - 60740-94.2008.5.10.0015, data de julgamento: 1/9/2010, Relator: Ministro
Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, 1 Turma, data de divulgao: DEJT 10/9/2010).
Deixo, pois, de conhecer do apelo, pronunciando sua desero.
CONCLUSO
No conheo do recurso ordinrio, pronunciando sua desero.
ACORDAM os Desembargadores que compem a Dcima Turma do Tribunal Regional do
Trabalho da 1 Regio, por unanimidade, no conhecer do recurso ordinrio, pronunciando sua
desero, nos termos do voto da Excelentssima Desembargadora Relatora.
Rio de Janeiro, 19 de outubro de 2011.
Desembargadora do Trabalho Rosana Salim Villela Travesedo
Relatora
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 241
Recurso Ordinrio: 0000032-30.2010.5.01.0057
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: e-DOC, desero, admissibilidade, recurso.
Turma: 9
Relator: Desembargador do Trabalho Antnio Carlos de Azevedo Rodrigues
Data de julgamento: 24/7/2012
Publicao: 30/7/2012
A Lei n 11.419/06 regulamenta o uso do meio eletrnico na
tramitao de processos judiciais, permitndo, na forma de seu art.
2, o envio de petes, recursos e a prtca de atos processuais em
geral por meio eletrnico, mediante uso de assinatura eletrnica.
permitda, ainda, a produo eletrnica de documentos para serem
juntados ao processo, os quais possuem a mesma fora probante
que os originais, devendo, todavia, estar reproduzidos nos autos de
forma completa e legvel, sob pena de no atngirem a fnalidade
colimada.
Vistos, relatados e discutdos estes autos de recurso ordinrio, em que so partes Rio de
Janeiro Refrescos Ltda., como recorrente, e Anderson Caldeira Prisco, como recorrido.
Inconformada com a r. sentena proferida pela D. Juza Alba Valeria Guedes Fernandes
da Silva, da MM. 57 Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, que complementada pela deciso
de embargos declaratrios de fs. 105, julgou parcialmente procedentes os pedidos constantes
da inicial, interpe a 1 demandada (Rio de Janeiro Refrescos) recurso ordinrio, insurgindo-
se contra o reconhecimento do vnculo empregatcio e, bem assim, contra a condenao ao
pagamento das parcelas contratuais e resilitrias da decorrentes, bem como quantos s horas
extras e s multas previstas nos artgos 467 e 477 da CLT.
Contrarrazes do autor s fs. 128/9.
o relatrio.
VOTO
Conhecimento
| Decises da 2 Instncia |
242 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Da desero arguida ex ofcio
A Lei n 11.419/06 regulamenta o uso do meio eletrnico na tramitao de processos
judiciais, permitndo, na forma de seu art. 2, o envio de petes, recursos e a prtca de atos
processuais em geral por meio eletrnico, mediante uso de assinatura eletrnica.
permitida, ainda, a produo eletrnica de documentos para serem juntados ao
processo, os quais possuem a mesma fora probante que os originais consoante o disposto no
art. 11, caput e 1, da referida lei.
Os documentos transmitdos em ambiente eletrnico, todavia, devem estar reproduzidos
nos autos de forma completa e legvel, sob pena de no atngirem a fnalidade colimada,
incumbindo parte que dessa via se utliza para a prtca do ato processual a escorreita
transmisso dos documentos. A 1 demandada (Rio de Janeiro Refrescos), entretanto, assim
no o fez. Com efeito, a guia de custas colacionada s fs. 122 foi reproduzida parcialmente
nos autos, permitndo to somente a identfcao da Vara em que tramita o processo, no se
prestando, portanto, ao fm colimado, exsurgindo ntda a desero do apelo interposto.
Colhe-se, no mesmo sentdo, o seguinte julgado do C. TST:
Recurso de revista. Desero. Recurso ordinrio. Guias de custas e do depsito
recursal ilegveis. Transmisso pelo sistema e-DOC. Ao optar pelo sistema de
petcionamento eletrnico para interposio do recurso ordinrio, a Reclamada
assumiu a responsabilidade por eventual problema na qualidade dos documentos
enviados. Constatado que os comprovantes de custas e do depsito recursal estavam
completamente ilegveis, confgura-se a desero do recurso ordinrio, na medida em
que resta inviabilizada a aferio da regularidade do preparo, tal como decidido pelo e.
Tribunal Regional. Recurso de revista no conhecido.
(RR 142991.2010.5.15.0039, Relator: Ministro Horcio Raymundo de Senna Pires, data
de julgamento: 30/4/2012, 3 Turma, data de publicao: 04/5/2012)
No conheo do recurso interposto, porque deserto. Ante o exposto, no conheo do
recurso interposto, por deserto.
ACORDAM os componentes da Nona Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1
Regio, por unanimidade, nos termos da fundamentao do voto do Exm Sr. Relator, no
conhecer do recurso interposto, por deserto.
Rio de Janeiro, 24 de julho de 2012.
Desembargador Antnio Carlos de Azevedo Rodrigues
Relator
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 243
Agravo de Instrumento:
0001664-75.2011.5.01.0342
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: e-DOC, intempestvidade, peto eletrnica.
Turma: 10
Relator: Desembargador do Trabalho Flvio Ernesto Rodrigues Silva
Data de julgamento: 12/9/2012
Publicao: 19/9/2012
Agravo de instrumento. intempestvidade. Peto eletrnica. O
e-DOC um servio oferecido como convenincia aos usurios,
mas sua indisponibilidade no servir de justfcatva para a
inobservncia dos prazos. Inteligncia da Instruo Normatva n
30/2007 do Colendo TST.
Vistos, relatados e discutdos os presentes autos de agravo de instrumento em que
so partes Rogrio Alves de oliveira, como agravante, e Brasiltec Administrao e Servios
Tcnicos ltda., como agravada.
RELATRIO
Trata-se de agravo de instrumento oposto pelo reclamante, s fs. 2/6, pretendendo a
reforma do despacho de fs. 116, da MM. Juza Monique da Silva Caldeira Kozlowski de Paula,
da 2 Vara do Trabalho de Volta Redonda, que negou seguimento ao seu recurso ordinrio por
consider-lo intempestvo.
Em sntese, o autor sustenta que o prazo fnal para a interposio do recurso deveria ter
sido prorrogado do dia 25/5/2011 para o dia seguinte, pois o sistema e-DOC (Sistema Integrado
de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos) encontrava-se inoperante entre as 16h e
as 24h naquela data.
O ru foi dado como intmado na forma do artgo 39, II, pargrafo nico, do CPC (fs.
122).
Os autos no foram remetdos ao douto Ministrio Pblico do Trabalho por no se tratar
de hiptese de sua interveno.
o relatrio.
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244 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
VOTO
Conhecimento
Conheo do agravo por presentes seus pressupostos de admissibilidade.
Mrito
Do afastamento da intempestvidade
Nego provimento.
O autor sustenta que o prazo fnal para a interposio do recurso deveria ter sido
prorrogado do dia 25/5/2011 para o dia seguinte, pois o sistema e-DOC (Sistema Integrado de
Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos) encontrava-se inoperante entre as 16h e as
24h naquela data.
certo que o artigo 12, 1, da Instruo Normatva n 30/2007 do Colendo TST
estabelece que as petes eletrnicas sero consideradas tempestvas quando recebidas at as
24h do termo fnal do prazo.
Contudo, o artgo 11, 1, do mesmo diploma dispe:
1 A no-obteno, pelo usurio, de acesso ao Sistema, alm de eventuais defeitos
de transmisso ou recepo de dados, no serve de escusa para o descumprimento
dos prazos legais;
[...]
Com efeito, o e-DOC um servio oferecido como uma convenincia aos usurios, mas
o Colendo TST deixou expressamente ressalvado que a sua indisponibilidade no servir de
justfcatva para a inobservncia dos prazos.
Como a sentena foi publicada em 17/5/2011 (tera-feira), o prazo se encerrou no dia
25/5/2011 (tera-feira). Assim, o recurso protocolado em 26/5/2011 intempestivo.
Ademais, o Histrico de Indisponibilidade do Sistema juntado pelo agravante (fs. 7) indica
problemas nos dias 24 e 26/5/2011, mas no precisamente no dia 25. De toda forma, ainda que o
sistema estvesse inoperante, razo no assistria ao autor pelos motvos j explicitados.
Do exposto, conheo do agravo de instrumento e, no mrito, nego-lhe provimento na
forma da fundamentao supra.
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 245
ACORDAM os Desembargadores da Dcima Turma do Tribunal Regional do Trabalho
da 1 Regio, por unanimidade, conhecer do agravo de instrumento e, no mrito, negar-lhe
provimento, nos termos do voto do Excelentssimo Desembargador Relator.
Rio de Janeiro, 12 de setembro de 2012.
Desembargador do Trabalho Flvio Ernesto Rodrigues Silva
Relator
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 247
Recurso Ordinrio: 0240000-56.2000.5.01.0341
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: e-DOC, peto eletrnica, admissibilidade, recurso, custas.
Turma: 10
Relator: Desembargador do Trabalho Ricardo Damio Areosa
Data de julgamento: 15/2/2012
Publicao: 24/2/2012
Desero. Petcionamento eletrnico. Guia de depsito recursal
e de custas incompletas. No se admite o apelo protocolizado
pelo reclamado, por inobservado pressuposto extrnseco de
admissibilidade recursal. Remetdos por via eletrnica (e-DOC) o
recurso, a guia comprobatria do depsito recursal, assim como
das custas, encontram-se parciais, haja vista que somente cerca da
metade da GFIP e da GRU foram recebidas, impossibilitando aferir
a regularidade desses recolhimentos. Refra-se que, nos termos do
disposto no artgo 11, IV, da Instruo Normatva n 30/2007 do
TST, que regulamentou a Lei 11.419/2006, e, tambm, no artgo
4 da Lei 9.800/99, aqui aplicado por analogia, a responsabilidade
pela qualidade dos documentos do usurio. Dessarte, no
sendo possvel averiguar a regularidade do depsito recursal e do
recolhimento de custas, resta prejudicada a anlise de requisito
essencial ao acolhimento do apelo, impondo-se sua no admisso.
Vistos, relatados e discutdos os autos do recurso ordinrio em que so partes Companhia
Siderrgica Nacional (assistda pelo ilustre advogado Dr. Afonso Cesar Burlamaqui, OAB/RJ
15925/D), como recorrente, e Jos Jorge de Freitas Silva (assistdo pelo ilustre advogado Dr.
Marcus Vincius Keenan Salgado, OAB/RJ /D), como recorrido.
RELATRIO
1. Trata se de reclamao trabalhista, protocolizada em 06/11/2000, notciando que
o autor foi admitdo em 10/3/1980, classifcado por ltimo na funo de ferreiro, sendo
dispensado de forma imotvada em 1/02/2000. Esclarece que h mais de dez anos apresenta
problemas de ordem psiquitrica, que perdurou at a data de interposio desta ao. O
| Decises da 2 Instncia |
248 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
primeiro afastamento ocorreu em janeiro de 1985, quando teve a primeira crise, com tentatva
de suicdio. Em 1987, esteve internado em clnica psiquitrica no Vale do Paraba, tambm
por quinze dias, aps outra tentatva de suicdio. Desde ento, faz rigoroso acompanhamento
especializado, fazendo uso de medicamentos controlados. Afrma que, ao dispens lo, a
reclamada, alm de no respeitar seu estado de sade, expediu exame demissional enganoso,
haja vista que no se submeteu a nenhum exame, apenas tendo sido atendido superfcialmente
pelo mdico, o qual o reputou apto ao labor. Diante disso, cego e com problemas psiquitricos,
no consegue nova colocao no mercado, sequer possuindo condies de trabalhar, haja
vista no saber quando ter nova crise. A par de o estado de sade do autor, por si s, j se
consttuir em bice ruptura contratual, tambm foi vtma de acidente de trabalho, em 1988.
Na ocasio, foi registrado o acidente pela empresa, contudo no se fez necessrio afastamento
do trabalho, tendo a documentao referente ao infortnio desaparecido da empresa. A partr
deste fato, o olho direito do reclamante passou a apresentar alteraes, sendo que, a partr
de 1992, esta situao agravou se, aliando se ao distrbio psiquitrico. Assim, do acidente em
diante, as dores fortes foram se agravando at a perda total da viso. Em 21/7/92 foi licenciado
pelo INSS, perdurando o afastamento at 03/01/2000. Na data marcada para nova percia por
junta mdica, compareceu Prisma, situada na reclamada, onde lhe foi concedida alta. Prisma
resultado de convnio entre a r e o INSS, por meio do qual se instalou, nas dependncias
daquela, departamento com fnalidade de exercer algumas atvidades da autarquia. Com a alta,
protocolizou recurso no INSS, objetvando reverter a deciso. Os fatos expostos revelam ter
sido o autor vtma de arbitrariedades por parte de sua empregadora, autorizando reparao
por dano moral. No bastasse, com a despedida, deixou de fazer jus complementao
de aposentadoria pela CBS (Caixa Benefcente dos Empregados da CSN) e, no obstante
permanea doente, perdeu o plano de sade decorrente do contrato de trabalho. Postulou, em
decorrncia: I) antecipao parcial dos efeitos da tutela: a) permisso pra que o autor e seus
dependentes contnuem a utlizar o plano de sade, conforme fundamentao, at o trnsito
em julgado da deciso defnitva; b) fxao de multa diria pecuniria revertda em favor do
autor, nos termos dos artgos 461, pargrafo 4, e 287 do CPC, em valor a ser fxado pelo Juzo,
para o caso de desobedincia determinao judicial; II) a) nulidade da despedida arbitrria
com determinao para reintegrao do reclamante ao emprego e imediato afastamento para
tratamento de sade, com pagamento dos salrios devidos no perodo do afastamento, at
que ocorra nova licena pela Previdncia Social; b) indenizao pelo dano moral; c) fxao
de astreintes; d) garanta de que permanea o autor associado CBS, at deciso liminar do
processo, restando a patrocinadora, enquanto isso, responsvel pelas contribuies de ambas
as partes.
2. Despacho de fs. 67/70, deferindo a antecipao de tutela, para determinar que a
reclamada mantvesse inalteradas as condies do plano de sade at o julgamento fnal.
3. Contestao, fs. 84/95, arguindo incompetncia absoluta desta Especializada,
aduzindo a aptdo do autor para o trabalho e a legalidade da dispensa, posto que decorrente
de seu poder potestatvo, inexistndo nos autos documento comprobatrio de que havia
bice ruptura contratual. Diz, ademais, que, em 1993, o autor requereu sua sada da Caixa
Benefciente, recolhendo o valor de suas contribuies e jias, sem qualquer ingerncia ou
conhecimento da reclamada. Aduz alcanada pela prescrio total qualquer insurgncia
decorrente do acidente de trabalho.
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 249
4. Audincia, fs. 107, na qual estveram presentes as partes, regularmente assistdas,
na qual a parte r aditou a defesa, alegando ser inepto o pleito posto no item d da exordial
e concedeu se prazo parte autora para manifestao sobre a defesa, trazida aos autos s fs.
110/115.
5. Deciso, fs. 117/118, rejeitando as preliminares de incompetncia e inpcia da inicial.
6. Audincia, fs. 131, na qual foi assinado prazo parte r para manifestao sobre os
documentos colacionados pelo autor, o que fez por meio da peto de fs. 132/134.
7. Audincia, fs. 157/159, determinando expedio de ofcio ao rgo previdencirio
para que realize percia mdica no autor, por profssionais habilitados nas reas de psiquiatria e
ofamologia, objetvando comprovar as alegaes iniciais. Inquirido o autor.
8. Laudo pericial, elaborado perante o Juzo da 3 Vara Federal de Volta Redonda,
jungido s fs. 228/280, a ttulo de prova emprestada, concluindo que o autor portador de
esquizofrenia de forma paranoide. Portanto, portador de doena mental caracterizada e em
evoluo, em razo da qual, consoante entender do mdico que elaborou o laudo, o paciente,
desde caracterizada a doena, no deveria retornar a qualquer tpo de trabalho em uma usina
como a CSN. A molsta no reversvel. Encontra se incapaz para o trabalho.
9. Peto do autor, fs. 195, notfcando estar sendo representado por sua curadora,
Maria de Ftma Simino Silva.
10. Audincia, fs. 234, na qual o juzo de instruo originria autorizou a juntada dos
documentos pelo autor, sob protestos da r. Encerrada a instruo processual.
11. Convertdo o julgamento para elaborao de percia por mdicos de confana do
Juzo, fs. 235/237.
12. Laudo pericial, fs. 320/330, complementado por esclarecimentos de fs. 368/369,
elaborado por mdico ofamologista e, s fs. 385/393, por psiquiatra. O autor se encontrava
aposentado por invalidez desde 2003.
13. Encerrada a instruo processual na assentada de fs. 459, nas quais houve
apresentao de razes remissivas orais pelo autor.
14. Proferida sentena pela 1 Vara do Trabalho de Volta Redonda, fs. 460/473,
complementada por embargos de declarao de fs. 477/479, da lavra da Juza Alessandra
Regina Trevisan Lambert, rechaando a nulidade do laudo psiquitrico e a prescrio total. No
mrito, determinada a reintegrao do autor e a manuteno de seu contrato de trabalho por
tempo indeterminado, assegurando se r formular pedido incidental de reviso, perante o
juzo da execuo, por reputar se invivel a fxao de limite temporal para a subsistncia do
direito reconhecido ao autor, diante de sua atual incapacidade para o trabalho. Rejeitado o
pedido de pagamento dos salrios pelo perodo de afastamento, em face de deciso da Justa
Federal, o benefcio previdencirio, auxlio doena, ser restabelecido desde sua cessao
administratva, em 3/1/2000, ou seja, anterior dispensa imotvada, ocorrida em 1/2/2000.
Confrmados os efeitos da tutela antecipada, para manter inalteradas as condies do plano
de sade do autor. Deferida indenizao por danos morais no valor de R$200.000,00, restando
procedentes em parte os pedidos.
15. Recurso ordinrio da reclamada, fs. 481/488.
16. Contrarrazes, fs. 493/501.
17. Manifestao do Ministrio Pblico do Trabalho, fs. 505, opinando pelo
prosseguimento do feito.
| Decises da 2 Instncia |
250 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
VOTO
Conhecimento
1. Da desero do recurso interposto pelo reclamante
1.1. No se admite o apelo protocolizado pelo reclamado, por inobservado pressuposto
extrnseco de admissibilidade recursal. Remetdos por via eletrnica o recurso, a guia
comprobatria do depsito recursal, assim como das custas, fs. 489 e 490, encontram-se
parciais, haja vista que somente cerca da metade da GFIP e da GRU foi recebida, impossibilitando
aferir a regularidade desses recolhimentos.
1.2. Refra se, por relevante, que nos termos do disposto no artgo 11, IV, da Instruo
Normatva n 30/2007 do TST, que regulamentou a Lei 11.419/2006, e, tambm, no artgo 4 da
Lei 9.800/99, aqui aplicado por analogia, a responsabilidade pela qualidade dos documentos
do usurio, consoante a seguir se transcreve:
IN 30/2007
[...]
Art. 11. So de exclusiva responsabilidade dos usurios:
IV a edio da peto e anexos em conformidade com as restries impostas pelo
servio, no que se refere formatao e tamanho do arquivo enviado; [...]
Lei 9.800 (regula a transmisso por meio de fac smile)
[...]
Art. 4 Quem fzer uso de sistema de transmisso torna se responsvel pela qualidade
e fdelidade do material transmitdo, e por sua entrega ao rgo judicirio.
1.3. Dessarte, no sendo possvel averiguar a regularidade do depsito recursal e do
recolhimento de custas, resta prejudicada a anlise de requisito essencial ao acolhimento do
apelo.
1.4. Refra se, por relevante, que o posicionamento ora abraado no viola a garanta
consttucional da ampla defesa ou o devido processo legal, haja vista que estas no afastam a
exigncia de observncia dos pressupostos de admissibilidade recursal.
1.5. Com mesmo posicionamento, a juriprudncia atual do TST:
Agravo de instrumento. Recurso de revista. Petcionamento eletrnico. comprovante
de depsito recursal incompleto. Desero. Ao optar pelo sistema de petcionamento
eletrnico para interposio do recurso de revista, o reclamado assumiu a
responsabilidade por eventual problema na qualidade dos documentos enviados.
Constatada a transmisso incompleta do comprovante de depsito recursal, confgura-
se a desero da revista.
(Processo: AIRR 4117 95.2010.5.06.0000, data de julgamento: 01/6/2011, Relatora:
Ministra Rosa Maria Weber, 3 Turma, data de publicao: DEJT 10/6/2011.)
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 251
Agravo de instrumento em recurso de revista. Recurso ordinrio. Desero. Guias de
recolhimento de depsito recursal e de custas ilegveis. Petcionamento eletrnico.
A reclamada, ao escolher interpor seu recurso por petcionamento eletrnico (e DOC),
deveria ter se certfcado de que a peto enviada fosse documento hbil a produzir
os efeitos pretendidos, o que, no caso, no ocorreu, tendo em vista a ilegibilidade das
guias de custas e de depsito recursal. Assim, o no conhecimento do recurso por
ausncia de observncia de pressuposto de admissibilidade recursal previsto em lei,
no caso, a satsfao do preparo, no viola o art. 5, LV, da Consttuio Federal. Agravo
de instrumento conhecido e no provido.
(Processo: AIRR 156600 72.2009.5.06.0121, data de julgamento: 14/12/2011, Relatora:
Ministra Dora Maria da Costa, 8 Turma, data de publicao: DEJT 19/12/2011.)
Recurso de revista. Desero. Petcionamento eletrnico e Doc. Guia de recolhimento
do depsito recursal ilegvel. No provimento. O artgo 11, item IV, da Instruo
Normatva n 30/2007 dispe que de responsabilidade exclusiva dos usurios
do sistema de transmisso eletrnica de dados e imagens a transmisso correta de
documentos. No presente caso, tendo a 1 reclamada transmitdo por meio de
petcionamento eletrnico (e DOC) as guias do depsito recursal e de custas relatvo
ao seu recurso de revista, estas se encontram ilegveis de tal forma que no foi
possvel a verifcao da autentcao mecnica do agente bancrio recebedor, torna se
imperioso o reconhecimento da desero do recurso.
(Processo: AIRR 1048 88.2010.5.03.0016, data de julgamento: 14/12/2011, Relator: Ministro
Guilherme Augusto Caputo Bastos, 2 Turma, data de publicao: DEJT 19/12/2011.)
1.6. Ante o exposto, no sendo possvel aferir a regularidade do recolhimento das custas
e do depsito recursal, pressupostos extrnsecos de admissibilidade recursal, no admito o
apelo patronal.
CONCLUSO
Ante o exposto, no admito o recurso ordinrio interposto pela reclamada, por deserto,
haja vista que no esto ntegras as guias referentes ao depsito recursal e s custas processuais,
obstando aferir se a regularidade desses pressupostos extrnsecos de admissibilidade recursal.
ACORDAM os Desembargadores da Dcima Turma do Tribunal Regional do Trabalho
da 1 Regio, por unanimidade, no admitr o recurso ordinrio interposto pela reclamada,
por deserto, haja vista que no esto ntegras as guias referentes ao depsito recursal e s
custas processuais, obstando aferir se a regularidade desses pressupostos extrnsecos de
admissibilidade recursal, nos termos do voto do Excelentssimo Desembargador Relator.
Rio de Janeiro, 15 de fevereiro de 2012.
Desembargador do Trabalho Ricardo Damio Areosa
Relator
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 253
Agravo Regimental em Mandado de Segurana:
0370600- 09.2009.5.01.0000
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Partes e Procuradores.
Procurao/Mandato.
Palavras-chave: e-DOC, mandado de segurana, representao, procurao.
rgo Julgador: Seo Especializada em Dissdios Individuais
Redator Designado: Desembargador do Trabalho Marcos de Oliveira Cavalcante
Data de julgamento: 11/2/2010
Publicao: 19/4/2010
Mandado de segurana. Agravo regimental. Regularidade de
representao. Procurao. Transmisso pelo sistema e-DOC.
Autentcao. A procurao assinada pelo outorgante, de
prprio punho, digitalizada e transmitda pelo sistema e-DOC, a
qual acompanha peto com assinatura eletrnica, considera-
se autntca e, por isso, apta a comprovar a regularidade de
representao. Interpretao dos artgos 11 da Lei n 11.419/2006
e 365, inciso VI, do CPC c/c artgo 7 da IN n 30 do TST.
Vistos, relatados e discutdos os presentes autos do Mandado de Segurana n TRT-
MS-0370600 09.2009.5.01.0000, em que o impetrante Valdeci coitnho Pimenta ope agravo
regimental deciso de folhas 54/55, no qual fguram Valdeci coitnho Pimenta, como
impetrante, Juzo da 1 Vara do Trabalho de Itaperuna, como impetrado, e Companhia
Estadual de guas e Esgotos do Rio de Janeiro, como terceiro interessado.
RELATRIO
Trata-se de agravo regimental oposto s folhas 58/64, com documentos, em face da
deciso de folhas 54/55, proferida pelo Desembargador Antnio Carlos de Azevedo Rodrigues,
que indeferiu liminarmente a peto inicial, sob o argumento de haver irregularidade de
representao decorrente da ausncia de assinatura digital do outorgante na procurao que
acompanhou a inicial, bem como de autentcao do instrumento de mandato apresentado.
Inconforma-se o agravante com essa deciso, sustentando que a procurao de folhas
11 foi assinada de prprio punho pelo impetrante e remetda eletronicamente, via internet,
dispensando, por isso, a assinatura eletrnica do outorgante. Destaca, tambm, que o
impetrante no tem condies fnanceiras de arcar com as despesas de certfcao digital.
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Regio
Alm disso, aduz que, mesmo que houvesse irregularidade na representao, deveria ter havido
intmao para regularizao da representao, na forma do artgo 13 do CPC.
Por outro lado, insurge-se contra o pagamento das custas processuais fxadas na deciso
de folhas 54/55, requerendo que lhe sejam concedidos os benefcios da gratuidade de justa.
Parecer do Ministrio Pblico do Trabalho s folhas 81/85, da lavra do ilustre procurador
Jos Claudio Codeo Marques, opinando pelo no provimento do recurso, pois em seu
entendimento os documentos juntados com a inicial do mandado de segurana, incluindo a
procurao, no so autntcos, e o fato de no constar assinatura eletrnica do outorgante no
instrumento de mandato de folhas 11 acarreta a irregularidade de representao, ressaltando
que pelo procedimento do mandado de segurana no se admite a aplicabilidade do artgo 13
do CPC.
o relatrio.
FUNDAMENTAO
Conhecimento
Conheo do agravo regimental, por presentes os pressupostos legais para sua
admissibilidade.
Mrito
O impetrante ajuizou o presente mandamus, visando cassar a deciso do Juiz da 1
Vara do Trabalho de Itaperuna, que negou seu pedido de gratuidade de justa e determinou
que procedesse ao depsito dos honorrios do perito nomeado para verifcao de direito a
adicional de insalubridade, pleitado na RT n 01070-2008-471-01-00-5.
O relator, Desembargador Carlos Azevedo Rodrigues, indeferiu liminarmente a peto
inicial do mandado de segurana, aduzindo que h irregularidade na representao. Em sua
avaliao, a procurao outorgada pelo impetrante ao advogado que subscreve o mandado de
segurana est em cpia no autentcada, sem assinatura eletrnica do outorgante, e, por isso,
em desacordo com o artgo 830 da CLT. Menciona, tambm, que a assinatura eletrnica aposta
na procurao no valida o instrumento de mandato apresentado, pois no do outorgante, e
sim do suposto outorgado.
Inconformado com a deciso que indeferiu liminarmente a peto inicial do mandado
de segurana, ops o impetrante agravo regimental.
A deciso merece reparos.
A procurao de folhas 11, em que o impetrante outorga aos advogados Anderson
Poubel Batsta, OAB/RJ n 148.606, e Samira Tavares Pimentel, OAB/ES n 13539, poderes para
represent-lo em Juzo, especialmente para impetrar mandado de segurana, no se trata de
cpia, mas da prpria procurao digitalizada e transmitda eletronicamente, pelo Sistema
Integrado de Protocolizao e Fluxo de Documentos (e-DOC), conforme se pode concluir da
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 255
aposio de assinatura eletrnica dos outorgados na lateral da procurao e do protocolo de
folhas 12, com a identfcao do remetente da peto e de seu usurio, na forma da Instruo
Normatva n 30 do TST.
Pelo artgo 11, 1, da Lei n 11.419/2006 e artgo 365, inciso VI, do CPC,
[...] os documentos digitalizados e juntados aos autos pelos rgos da Justa e
seus auxiliares, pelo Ministrio Pblico e seus auxiliares, pelas procuradorias, pelas
autoridades policiais, pelas repartes pblicas em geral e por advogados pblicos e
privados tem a mesma fora probante dos originais, ressalvada a alegao motvada e
fundamentada de adulterao antes ou durante o processo de digitalizao.
Alm disso, pelo artgo 7 da Instruo Normatva n 30 do TST,
O envio da peto por intermdio do e-DOC dispensa a apresentao posterior dos
originais ou de fotocpias autentcadas, inclusive aqueles destnados comprovao
de pressupostos de admissibilidade do recurso.
donde se insere, por conseguinte, a procurao do advogado, destnada comprovao da
regularidade de representao do recorrente.
Antes mesmo da Lei n 11.419/2006, o Cdigo Civil, no artgo 225, j preconizava a
validade do documento digital, ao prever que
As reprodues fotogrfcas, cinematogrfcas, os registros fonogrfcos e, em geral,
quaisquer outras reprodues mecnicas e eletrnicas de fatos ou de coisas fazem
prova plena destes, se a parte, contra quem foram exibidos, no lhes impugnar a
exatdo.
Os documentos transmitdos, via eletrnica, e digitalizados consideram-se, portanto,
autntcos at que seja comprovada a sua inidoneidade pelos meios devidos, aps impugnao
da parte adversa. Pensar de maneira contrria negar a funcionalidade do processo eletrnico,
indo de encontro s mudanas impostas por lei.
O ordenamento jurdico, notadamente as normas de direito civil e processual civil,
aplicvel subsidiariamente ao processo do trabalho (artgo 769 da CLT), tem, de maneira
crescente, prestgiado o princpio da verdade documental, ainda mais diante das transformaes
impostas ao Direito pela inovaes tecnolgicas e pela busca da celeridade e efetvidade da
atvidade jurisdicional.
o que se extrai no s da disciplina sobre a validade dos documentos eletrnicos feita
pela Lei n 11.419/2006, mas tambm dos dispositvos do CPC, anteriores a essa norma, como
a previso do artgo 38 do CPC, introduzida pela Lei n 8.952/94, no sentdo de conferir efccia
jurdica procurao geral para o foro, independentemente do reconhecimento de frma, e dos
artgos 544, 1, e 365, IV, seguido pela CLT no artgo 830, que permitem conferir autentcidade
a documentos, por declarao do advogado da parte, sob sua responsabilidade pessoal.
Nesse contexto, no se h de falar em irregularidade na representao do impetrante,
pois se pressupe autntca a procurao de folhas 11, assinada pelo impetrante de prprio
punho, por ser, em princpio, o prprio instrumento de mandato repassado eletronicamente,
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Regio
ainda mais que a transmisso pelo e-DOC se deu conforme a IN 30 do TST e no existe
impugnao a sua validade ou no sentdo de que seja apenas cpia do instrumento de mandato.
Dou provimento ao agravo regimental para afastar o indeferimento da inicial, devendo,
em consequncia, prosseguir o mandamus, na forma da lei. Como decorrncia, no h que se
falar em pagamento de custas fxadas folha 55.
DISPOSITIVO
ACORDAM os Desembargadores que compem a Seo Especializada em Dissdios
Individuais do Tribunal Regional do Trabalho da 1 Regio, por maioria, vencidos os Exm
os
Desembargadores Ricardo Damio Areosa (Primeiro votante) e Antnio Carlos Areal, dar
provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Exm Desembargador Marcos
Cavalcante, que redigir o acrdo. Ausentou-se, momentaneamente, o Exm desembargador
Marcos Antnio Palcio.
Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 2010.
Desembargador do Trabalho Marcos Cavalcante
Redator Designado
Jos Antonio Vieira de Freitas Filho
Procurador do Trabalho
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Regio 257
Agravo de Instrumento:
0001076-80.2012.5.01.0068
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: e-DOC, tempestvidade, recurso, prorrogao.
Turma: 3
Relator: Desembargador do Trabalho Rildo Albuquerque Mousinho de Brito
Data de julgamento: 21/11/2012
Publicao: 3/12/2012
Ementa: agravo de instrumento. Sistema e-DOC. Indisponibilidade
no ltmo dia do prazo. oposio no dia seguinte. Tempestvidade.
Porquanto tempestvos os embargos de declarao protocolizados
no dia seguinte ao trmino do prazo, por indisponibilidade do
sistema e-DOC, opera-se a interrupo do prazo para interposio
do recurso ordinrio.
Vistos, relatados e discutdos os presentes autos do agravo de instrumento em que
fguram, como agravante, Sociedade Michelin de Partcipaes, indstria e comrcio ltda. e,
como agravado, Valmir Rodrigues Jean Jacques.
Insatsfeita com o despacho que negou seguimento ao recurso ordinrio (por
irregularidade de representao), proferido pelo Juzo da 68 Vara do Trabalho do Rio de
Janeiro, recorre a reclamada, nas fs. 02/26, aduzindo que os embargos declaratrios foram
tempestvamente opostos, ensejando a interrupo do prazo para o recurso ordinrio.
O agravado ofereceu contraminuta nas fs. 380/387.
O Ministrio Pblico do Trabalho no interveio no processo.
o relatrio.
VOTO
Conhecimento
Porque presentes os pressupostos de admissibilidade, conheo do agravo.
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Regio
Mrito
Sustenta a agravante que o sistema e-DOC estava indisponvel no ltmo dia do prazo
para os embargos de declarao, razo pela qual somente no dia subsequente (10/04/2012)
pde op-los.
Razo lhe assiste.
De acordo com o art. 10, 1 e 2, da Lei n 11.419/2006, consideram-se tempestvos
os recursos interpostos por meio eletrnico at s 24 horas do ltmo dia, e, havendo
indisponibilidade do sistema, o prazo fca automatcamente prorrogado para o dia seguinte.
Na presente hiptese, comprovou a recorrente a indisponibilidade do sistema e-DOC em
9/4/2012, prazo fatal para a oposio do recurso em questo, das 18h30 s 00h02 do dia seguinte
(folha 309). Portanto, os embargos declaratrios foram protocolizados tempestvamente em
10/4/2012, motvo pelo qual o recurso ordinrio de folhas 332/356 foi interposto no prazo de
lei, uma vez que este foi interrompido.
Desse modo, o agravo deve ser provido para destrancar o recurso ordinrio da reclamada
e determinar o seu imediato e regular processamento, na forma do art. 897, 7, da CLT.
CONCLUSO
Ante o exposto, conheo do agravo de instrumento e, no mrito, dou-lhe provimento
para destrancar o recurso ordinrio da reclamada e determinar o seu imediato e regular
processamento, na forma do art. 897, 7, da CLT.
ACORDAM os Desembargadores que compem a Terceira Turma do Tribunal Regional do
Trabalho da 1 Regio, por unanimidade, conhecer do agravo de instrumento e, no mrito, dar-
lhe provimento para destrancar o recurso ordinrio da reclamada e determinar o seu imediato
e regular processamento, na forma do art. 897, 7, da CLT.
Rio de Janeiro, 21 de novembro de 2012.
Desembargador do Trabalho Rildo Albuquerque Mousinho de Brito
Relator
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 259
Agravo de Instrumento:
0000659-90.2012.5.01.0048
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
Palavras-chave: intempestvidade, e-DOC, prazo, recurso.
Turma: 1
Relator: Desembargador do Trabalho Mrio Srgio Medeiros Pinheiro
Data de julgamento: 14/8/2012
Publicao: 24/8/2012
Agravo de instrumento. Recurso ordinrio intempestvo. No
provimento. O prazo para interposio de recurso ordinrio de
8 (oito) dias, conforme dispe o artgo 895, a, da CLT. O sistema
e-DOC de uso facultatvo da parte, e sua indisponibilidade no
servir de escusa para o cumprimento dos prazos, nos termos da
Instruo Normatva 30/2007 do TST.
Vistos, relatados e discutdos estes autos de agravo de instrumento, oriundos da 1 Vara
do Trabalho de Barra Mansa/RJ, de lavra da Exm Juiz Andr Braga Barreto, em que fguram,
como agravante, Ita Unibanco S.A. e, como agravada, Lydiana Maria de Assis e Silva.
Com a r. deciso proferida pela 48 Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, que negou
seguimento a seu recurso ordinrio por intempestvo, agrava de instrumento a reclamada,
consoante razes de fs. 02/06.
Afrma o agravante merecer reforma o despacho que negou seguimento ao recurso
ordinrio por intempestvo, tendo em vista a indisponibilidade do sistema e-DOC por 5h32m no
ltimo dia para apresentao do recurso ordinrio (fs. 127). Frisa que a interposio do RO no
dia imediatamente seguinte encontra amparo no art. 10 da Lei n 11.419/2006.
Pleiteia, ao fnal, o conhecimento do agravo de instrumento, para destrancar o recurso
ordinrio.
Contraminuta s fs. 142/144.
o relatrio.
VOTO
Conhecimento
Conheo do agravo de instrumento por preenchidos os pressupostos legais de
admissibilidade.
| Decises da 2 Instncia |
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Regio
Mrito
Insurge-se o agravante contra o r. despacho de f. 110, que deixou de receber o recurso
ordinrio de fs. 110/119, por intempestvo, visto que, tendo sido a sentena publicada em
27/3/2012, a contagem do prazo teve incio em 28/3/2012, fndando em 9/4/2012. Em vista do
recesso forense da Semana Santa, o recurso ordinrio somente foi interposto no dia 10/4/2012.
Alegou o agravante que o sistema e-DOC do Tribunal fcou indisponvel no dia 9/4/2012,
no horrio das 18h s 00h02, e que, por tal motvo, no recebeu nenhuma peto no respectvo
perodo. Ressalta que, desta forma, o protocolo no dia seguinte no gera a intempestvidade do
recurso, pois no foi a empresa-recorrente que deu origem ao erro de funcionamento. Aduz
ainda que se o equvoco decorreu do erro de sistema, no recebendo os prazos processuais, sua
prorrogao se torna necessria.
Sem razo.
A Instruo Normatva 30/2007 do TST, que regulamenta, no mbito da Justa
do Trabalho, a Lei n 11.419, de 19 de dezembro de 2006, que, por sua vez, dispe sobre a
informatzao do processo judicial, clara no art. 5, 1:
Art. 5 A prtca de atos processuais, por meio eletrnico, pelas partes, advogados
e peritos ser feita, na Justa do Trabalho, atravs do Sistema Integrado de
Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos (e-DOC);
1 O e-DOC um servio de uso facultatvo, disponibilizado no Portal-JT, na Internet;
[...].
Por sua vez, o art. 11, 1, da mesma Instruo Normatva:
Art. 11. So de exclusiva responsabilidade dos usurios:
1 A no-obteno, pelo usurio, de acesso ao Sistema, alm de eventuais defeitos
de transmisso ou recepo de dados, no serve de escusa para o descumprimento
dos prazos legais; [...].
Via de consequncia, o sistema e-DOC to somente um dos meios de acesso, no
podendo sua indisponibilidade ser alegada como bice ao descumprimento dos prazos
processuais.
Nego provimento ao agravo.
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da
1 Regio, por unanimidade, conhecer do agravo e, no mrito, negar-lhe provimento.
Rio de Janeiro, 14 de agosto de 2012.
Desembargador do Trabalho Mrio Srgio Medeiros Pinheiro
Relator
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 261
Recurso Ordinrio: 0000192-48.2010.5.01.0027
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: custas, depsito recursal, desero, e-DOC.
Turma: 2
Relatora: Desembargadora do Trabalho Mrcia Leite Nery
Data de julgamento: 22/10/2012
Publicao: 5/11/2012
Recurso ordinrio da primeira reclamada. Custas judiciais.
Depsito recursal. comprovantes. ilegibilidade. intmao.
Juntada posterior. No convalidao. Desero. da parte
interessada a responsabilidade pelo encaminhamento e entrega
Justa do Trabalho dos documentos que comprovam o
preenchimento dos pressupostos de admissibilidade dos recursos
por ela interpostos, inclusive quando se serve, para a prtca dos
referidos atos, do Sistema Integrado de Protocolizao e Fluxo
de Documentos Eletrnicos (e-DOC). Dessa forma, a posterior
juntada de comprovantes completos e legveis dos recolhimentos
no convalida o ato, na medida em que o prazo recursal, dentro
do qual devem ser realizados e comprovados os recolhimentos
legalmente exigidos, peremptrio, consttuindo pressuposto de
admissibilidade do apelo. Recurso ordinrio da primeira reclamada
no conhecido.
Vistos, relatados e discutdos estes autos de recurso ordinrio, em que fguram Super
Clean Servios Ltda., como recorrente, e Juciara Gouveia dos Passos e Associao Atltca
Banco do Brasil (AABB-RIO), como recorridas.
Irresignada com a r. sentena de fs. 106/109, da lavra da Exm Juza do Trabalho Denize
Pinto DAssumpo, que julgou parcialmente procedentes os pedidos formulados nos autos
da presente ao trabalhista que tramitou perante a 27 Vara do Trabalho do Rio de Janeiro,
recorre ordinariamente a primeira reclamada pelas razes de fs. 118/130.
Requer a reforma do r. julgado no que respeita s horas extraordinrias pela parcial
concesso do intervalo intrajornada, prescrio quinquenal, ao FGTS, ao perodo de prestao
de servios segunda reclamada e deduo/compensao.
Contrarrazes oferecidas pelo reclamante (fs. 140/143) e pela segunda reclamada (fs.
153/155), sem preliminares.
| Decises da 2 Instncia |
262 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Autos no remetdos ao Ministrio Pblico do Trabalho, por ausentes as hipteses
especfcas de interveno (incisos II, xII e xIII do artgo 83 da Lei Complementar n 75/93).
o relatrio.
VOTO
Conhecimento
No conhecimento do apelo, por deserto - declarao ex ofcio
O exame quanto possibilidade de processamento do recurso ordinrio, inicialmente,
exige a verifcao da presena dos requisitos extrnsecos de admissibilidade. A ausncia de um
ou mais desses requisitos importa na impossibilidade de conhecimento do apelo interposto.
No presente caso, a anlise dos autos revela irregularidade no preparo e no depsito
recursal. que a primeira reclamada anexou ao seu apelo, interposto atravs do sistema
e-DOC, com objetvo de comprovar o recolhimento das custas judiciais e do depsito recursal,
documentos que no ostentam todas as informaes necessrias verifcao do cumprimento
das exigncias legais.
Assim dispe o 1 do artgo 789 da CLT:
As custas sero pagas pelo vencido, aps o trnsito em julgado da deciso. No caso de
recurso, as custas sero pagas e comprovado o recolhimento dentro do prazo recursal.
J o artgo 7 da Lei 5.584/1970 ordena que
A comprovao do depsito da condenao (CLT, art. 899, 1 a 5) ter que ser feita
dentro do prazo para a interposio do recurso, sob pena de ser este considerado
deserto.
Por sua vez, os textos do inciso IV e do 1 do artgo 11 da Instruo Normatva 30/2007,
que regulamenta, no mbito da Justa do Trabalho, a Lei n 11.419, de 19 de dezembro de
2006, que dispe sobre a informatzao do processo judicial, assim estabelecem:
So de exclusiva responsabilidade dos usurios:
IV a edio da peto e anexos em conformidade com as restries impostas pelo
servio, no que se refere formatao e tamanho do arquivo enviado.
1 A no-obteno, pelo usurio, de acesso ao Sistema, alm de eventuais defeitos
de transmisso ou recepo de dados, no serve de escusa para o descumprimento
dos prazos legais.
Dos dispositvos supramencionados, infere-se que da parte interessada a
responsabilidade pelo encaminhamento e entrega Justa do Trabalho dos documentos
que comprovam o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade dos recursos por ela
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 263
interpostos, inclusive quando se serve, para a prtca dos referidos atos, do Sistema Integrado
de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos (e-DOC).
In casu, o recurso ordinrio interposto pela primeira reclamada s fs. 118/130 atravs
do Sistema e-DOC foi acompanhado de fragmentos de imagens de guias Darf e GFIP, que no
comprovam a regularidade do recolhimento das custas judiciais e do depsito recursal, na
medida em que, ou no contm identfcao das partes e do processo ao qual se refere (caso
da guia Darf), ou no contm a autentcao bancria que comprova o recolhimento do valor
indicado (caso da guia GFIP).
Dessa forma, a posterior juntada de comprovantes completos e legveis dos recolhimentos
no convalida o ato, na medida em que o prazo recursal, dentro do qual devem ser realizados e
comprovados os recolhimentos legalmente exigidos, peremptrio, constituindo pressuposto
de admissibilidade do apelo.
Tambm assim entende o Colendo Tribunal Superior do Trabalho, como constata dos
arestos a seguir transcritos:
Recurso de revista. Desero. Guia Darf com autentcao incompleta.
Petcionamento eletrnico (e-Doc). A Instruo Normatva n 30 desta Corte, que
regulamenta a Lei n 11.419/2006 no mbito da Justa do Trabalho, permite parte,
provida de habilitao da assinatura digital, fazer uso da transmisso eletrnica de
dados e imagens (art. 3), para a prtca de atos processuais, via sistema e-DOC (art.
5), dispensando, na forma do art. 7, a apresentao posterior dos originais ou de
fotocpias autentcadas, inclusive aqueles destnados comprovao de pressupostos
de admissibilidade do recurso. Assim, a falta de autentcao bancria impede a
aferio do efetvo pagamento das custas, conduzindo o apelo desero. Recurso de
revista no conhecido.
(RR - 587300-26.2008.5.12.0026, Rel. Min. Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira,
3T, DEJT 16/4/2010).
Agravo de instrumento em recurso de revista. Sumarssimo. Guia de comprovao
de recolhimento do depsito recursal do recurso ordinrio. Ilegibilidade da
autentcao bancria. Sistema e-Doc. Desero. Nos termos dos artgos 4 da Lei
n 9.800/1999 e 11, 1, da Resoluo n 140/2007 desta Corte, a reclamada, ao se
utlizar do sistema e-DOC, assumiu a responsabilidade por eventual problema que
viesse a ocorrer, seja na recepo, transmisso, qualidade, fdelidade ou entrega do
material transmitdo ao rgo judicirio. Assim, diante da ausncia de comprovao
hbil do correto recolhimento do depsito recursal do recurso ordinrio, o apelo no
merecia ser conhecido. Agravo de instrumento conhecido e no provido.
(AIRR - 50340-64.2009.5.03.0020, Rel. Min. Dora Maria da Costa, 8 T, DEJT 9/4/2010).
Agravo regimental. Desero. Valor nfmo. concesso de prazo para
complementao de depsito recursal. Impossibilidade. No alcana conhecimento,
por estar irremediavelmente deserta, a revista, quando o valor depositado possua
expresso monetria, poca da interposio do recurso. Depsito recursal consttui
pressuposto de recorribilidade e deve ser realizado no prazo fatal e peremptrio, que,
por isso mesmo, no admite prorrogao para sua prtca extempornea, sob pena de
| Decises da 2 Instncia |
264 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
ofensa ao devido processo legal, garanta consttucional assegurada s partes. Agravo
regimental no provido.
(E-RR - 650805-91.2000.5.04.5555, data de julgamento: 24/10/2001, Relator: Ministro
Milton de Moura Frana, 4 Turma, data de publicao: DJ 9/11/2001).
Agravo de instrumento em recurso de revista. 1. Recurso ordinrio. Desero. Guias
de custas e de recolhimento do depsito recursal ilegveis. Petcionamento eletrnico.
A reclamada, ao escolher interpor seu recurso por petcionamento eletrnico, deveria
ter-se certfcado de que a peto enviada era documento hbil a produzir os efeitos
pretendidos, o que, no caso, no ocorreu, tendo em vista a ilegibilidade das guias de
depsito recursal e de custas processuais. Assim, o no conhecimento do recurso por
ausncia de observncia de pressuposto de admissibilidade recursal previsto em lei,
no caso a satsfao do preparo, no viola o art. 5, inciso LV, da Consttuio Federal.
2. Equiparao salarial. Como o recurso ordinrio da recorrente no foi conhecido por
deserto, no houve anlise do presente tema pelo Regional. Incidncia da Smula 297
do TST. Agravo de instrumento conhecido e no provido.
(AIRR - 1800-37.2009.5.02.0432, Relatora: Ministra Dora Maria da Costa, data de
julgamento: 27/6/2012, 8 Turma, data de publicao: 29/6/2012).
Recurso de revista. Rito sumarssimo. Guia de comprovao do recolhimento do
depsito recursal do recurso ordinrio e das custas processuais. Ilegibilidade.
Sistema e-DOC. Desero. facultado s partes fazer uso do sistema de transmisso
eletrnica de dados e imagens para a prtca de atos processuais, sistema e-DOC,
assumindo a responsabilidade pela correta transmisso das peas, fcando dispensadas
da apresentao posterior dos originais ou de fotocpias autentcadas. Inteligncia do
art. 4 da Lei n 9.800/99 e do art. 11 da Instruo Normatva n 30 do TST. No caso,
constatada a ilegibilidade das guias referentes s custas processuais e ao depsito
recursal, que acompanharam o recurso ordinrio interposto pelo sistema e-DOC, resta
patente a desero do recurso ordinrio. Ileso o art. 5, LV, da Consttuio Federal.
Recurso de revista no conhecido.
(RR - 37600-30.2009.5.02.0076, Relatora: Ministra Dora Maria da Costa, data de
julgamento: 16/2/2011, 8 Turma, DEJT: 18/2/2011).
Agravo. Agravo de instrumento. Recurso de revista. Recurso ordinrio. Desero.
Depsito recursal. ilegibilidade da autentcao mecnica. O art. 11 da Instruo
Normatva n 30 do TST, que regulamenta o Sistema Integrado de Protocolizao e
Fluxo de Documentos Eletrnicos (e-DOC), registra ser de exclusiva responsabilidade
dos usurios, dentre outros, defeitos de transmisso ou recepo de dados. Na
hiptese, o recolhimento do depsito recursal por ocasio da interposio do
recurso ordinrio foi comprovado de forma irregular, pois a respectva guia est com
a autentcao mecnica do banco ilegvel, o que impossibilita se verifcar o valor
recolhido. Agravo a que se nega provimento.
(Ag-AIRR - 7400-11.2009.5.23.0026, data de julgamento: 26/10/2011, Relator: Ministro
Walmir Oliveira da Costa, 1 Turma, DEJT: 28/10/2011).
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 265
Recurso de revista. Comprovantes do preparo ilegveis. Sistema e-DOC.
Responsabilidade da parte usuria. Nos termos do art. 7 da Instruo Normatva
n 30 do Tribunal Superior do Trabalho, o envio da peto por intermdio do e-DOC
(Sistema Integrado de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos) dispensa a
apresentao posterior dos originais ou de fotocpias autentcadas, inclusive aqueles
destnados comprovao de pressupostos de admissibilidade do recurso. Assim,
o envio da peto e dos documentos destnados comprovao de pressupostos
de admissibilidade do recurso, de forma legvel, consttui providncia obrigatria.
Optando a parte pelo uso do petcionamento eletrnico, deve se cercar de todas as
garantas para que os documentos apresentados sejam devidamente recebidos;
logo, a responsabilidade pela transmisso da peto e documentos via e-DOC do
usurio. Diante disso, a irregularidade concernente inadequada comprovao do
recolhimento do depsito recursal e das custas, em decorrncia da ilegibilidade das
guias, acarreta a desero do recurso ordinrio. Recurso de revista no conhecido.
(RR - 269- 76.2010.5.18.0191, data de julgamento: 11/10/2011, Relator: Ministro Luiz
Philippe Vieira de Mello Filho, 1 Turma, DEJT 21/10/2011).
Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Guias de recolhimento
do depsito recursal e custas processuais. Autentcao bancria ilegvel. Sistema
de petcionamento eletrnico. Desero do recurso ordinrio. A jurisprudncia desta
Corte frme no sentdo de que os riscos pelas eventuais incorrees tcnicas na
transmisso de dados e imagens pelo sistema de petcionamento eletrnico devem ser
suportados integralmente pela parte que dele faz uso. Logo, a apresentao defciente
das guias Darf e GFIP, por intermdio do Sisdoc (Sistema de Protocolizao de Petes
e Documentos em Meio Fsico e Eletrnico), em que se constata a ilegibilidade das
autentcaes bancrias, indispensveis comprovao do recolhimento do depsito
recursal e das custas processuais, compromete o regular processamento do recurso.
Recurso de revista de que no se conhece.
(RR - 195000-22.2009.5.03.0063, Relator: Ministro Joo Batsta Brito Pereira, data de
julgamento: 17/8/2011, 5 Turma, DEJT: 26/8/2011).
As partes devem ser diligentes, observando as normas pertnentes a todos os atos
processuais e, neste caso, o regramento estabelecido para o preparo e depsito recursais.
Consttui dever da recorrente observar e recolher corretamente o valor devido a ttulo de custas
judiciais e efetuar, em conformidade com as disposies regulamentares, o depsito recursal, o
que no foi realizado.
A comprovao do recolhimento das custas processuais e da realizao do depsito
recursal, em valor correto e no tempo hbil, consttui pressuposto do juzo de admissibilidade
para o conhecimento do recurso, consoante preconizam os artgos 789, 1, e 899, 1, da CLT,
e a no observncia de tais requisitos resulta na desero do apelo.
certo que meras formalidades no tm o condo de impedir a apreciao de recurso
legtmo, sob pena de ofensa aos artgos 5, xxxV e LV, da Consttuio da Repblica e 244 do
Cdigo de Processo Civil, mas os documentos juntados no atngem a sua fnalidade, qual seja,
a comprovao tempestva da efetvao do depsito recursal na conta vinculada da reclamante
e do recolhimento das custas aos cofres do Tesouro Nacional para o fm de efetuar o preparo do
recurso interposto nos autos dessa ao trabalhista.
| Decises da 2 Instncia |
266 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Dessa forma, verifcada a desero do recurso ordinrio interposto pela primeira
reclamada, no h como conhecer do apelo.
Pelo exposto, no conheo do recurso ordinrio interposto pela primeira reclamada, por
deserto.
DISPOSITIVO
ACORDAM os Desembargadores que compem a Segunda Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 1 Regio, por unanimidade, no conhecer do recurso ordinrio interposto pela
primeira reclamada, por deserto.
Rio de Janeiro, 22 de outubro de 2012.
Desembargadora do Trabalho Mrcia Leite Nery
Relatora
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 267
Recurso Ordinrio: 0001474-09.2011.5.01.0247
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Partes e Procuradores.
Representao em Juzo.
Palavras-chave: revelia, e-DOC, representao, dano moral.
Turma: 7
Relator: Desembargadora do Trabalho Sayonara Grillo Coutnho Leonardo
da Silva
Data de julgamento: 31/10/2012
Publicao: 18/1/2013
Recurso ordinrio da reclamada. Preliminar de no conhecimento
do recurso por irregularidade de representao processual.
Nos termos do art. 7 da Instruo Normatva n 30-2007 do
TST, editada pela Resoluo n 140, de 13 de setembro de
2007, O envio da peto por intermdio do e-DOC dispensa
a apresentao posterior dos originais ou de fotocpias
autentcadas, inclusive aqueles destnados comprovao de
pressupostos de admissibilidade do recurso. Assim, no se cogita
de irregularidade de representao processual. Mrito. Eliso da
revelia. encargo das partes o comparecimento nos dias e horas
marcados para realizao dos atos processuais, devendo suportar
as consequncias processuais de eventuais ausncias. O trnsito
lento uma realidade dos grandes centros urbanos e, na ausncia
de prova de algum acontecimento excepcional, no pode ser usado
como justfcatva para o atraso. Recurso conhecido e desprovido.
Vistos, relatados e discutdos os presentes autos de recurso ordinrio em que so partes
Avon cosmtcos ltda., como recorrente, e Elisangela Santana de Holanda Tavares, como
recorrida.
Cuida-se de recurso ordinrio interposto pela r em face da respeitvel sentena das fs.
50/51-v, proferida pela MM. 7 Vara do Trabalho de Niteri/RJ, da lavra da Exm Juza Maria
Cristna T. Cardozo, que julgou parcialmente procedentes os pedidos.
Em suas razes recursais s fs. 53/57, pretende a r a reforma da sentena para que seja
afastada a revelia e determinada a reabertura da instruo, bem como reformada a sentena
em relao aos danos morais.
Devidamente intmada, a reclamante apresentou contrarrazes s fs. 64/69, suscitando
a preliminar de no conhecimento do recurso por irregularidade de representao processual e
pugnando, no mrito, pela manuteno do julgado.
| Decises da 2 Instncia |
268 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Dispensvel a remessa dos autos ao Ministrio Pblico do Trabalho por no se tratar de
uma das hipteses de interveno do Parquet.
o relatrio.
VOTO
Preliminar de no conhecimento do recurso por irregularidade de representao
processual suscitada pela recorrida em contrarrazes
Suscitou a recorrida a preliminar em epgrafe, alegando que os atos consttutvos
juntados pela reclamada s fs. 41-v a 45-v. no esto autentcados, nem o patrono da r frmou
compromisso em relao autentcidade dos referidos documentos. Assim, defende que h
irregularidade de representao processual.
Sem razo.
Verifca-se que os atos consttutvos da reclamada foram juntados pelo sistema e-DOC,
constando das fs. 41-v a 45-v. cpias escaneadas dos originais, nas quais foram acostados
selos de autentcao do 5 Tabelionato de Notas de So Paulo. De toda sorte, observa-se
que o art. 7 da Instruo Normatva n 30-2007 do TST, editada pela Resoluo n 140, de
13 de setembro de 2007 dispe que O envio da peto por intermdio do e-DOC dispensa
a apresentao posterior dos originais ou de fotocpias autentcadas, inclusive aqueles
destnados comprovao de pressupostos de admissibilidade do recurso. Assim, no se
cogita de irregularidade de representao processual.
Nesses termos, rejeito a preliminar de no conhecimento do recurso ordinrio da
reclamada por irregularidade de representao processual suscitada pela recorrida em
contrarrazes e conheo do apelo patronal, porquanto esto presentes os requisitos legais de
admissibilidade recursal.
Mrito
Eliso da revelia
Pretende a r a reforma da sentena para que seja afastada a revelia e determinada
a reabertura da instruo, alegando que a sua ausncia na assentada designada ocorreu em
virtude de grande reteno no trnsito.
A sentena no merece reforma. A ata de audincia (f. 35) comprova que o patrono da
recorrente compareceu audincia que estava designada para s 9h45min do dia 15/02/2012
(e ocorreu rigorosamente no horrio) s 9h54, sendo que a audincia havia sido encerrada s
9h52, e a preposta da empresa chegou apenas s 10h01.
Todavia, no existe base legal para pedidos de tolerncia injustfcados para atrasos
das partes. O trnsito tumultuado uma realidade diria dos grandes centros urbanos e no
pode ser invocado como justfcatva para o atraso. A magistrada apregoou o feito entre 9h45 e
9h52, quando foi realizado o ltimo prego. O advogado adentrou na sala de audincia aps o
encerramento da instruo. Impossvel, pois, retornar fase antecedente.
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 269
Nesse sentdo, cite-se o seguinte precedente desta Turma:
Revelia. Tolerncia para atraso no comparecimento da parte audincia. Ausncia
de base legal. Reteno no trnsito. encargo das partes o comparecimento nos
dias e horas marcados para realizao dos atos processuais, devendo suportar as
conseqncias processuais de eventuais ausncias. O trnsito lento uma realidade
dos grandes centros urbanos e, na ausncia de prova de algum acontecimento
excepcional, no pode ser usado como justfcatva para o atraso.
(TRT1, 7 R, RO 01228019020065010021, Relator: Des. Jos Geraldo da Fonseca, data
da publicao: 15/7/2009).
Pelo exposto, nego provimento.
Indenizao por danos morais
Insurge-se a recorrente contra a sentena que a condenou ao pagamento de
indenizao por danos morais equivalente a dez maiores remuneraes da reclamante. Alega a
reclamada que o valor arbitrado irrazovel e postula a minorao do quantum para um valor
correspondente a, no mximo, um salrio da recorrida.
Assiste-lhe razo em parte.
No se pode olvidar que o insttuto jurdico da reparao dos danos morais se apresenta
hodiernamente no Direito do Trabalho como a resposta necessria tutela da dignidade,
protegendo no s a pessoa em sua integridade psicofsica, bem como a solidariedade, a
igualdade e a liberdade humanas. Afnal, o Direito existe para proteger as pessoas, e inmeras
situaes jurdicas subjetivas demandam proteo, exigindo garantas imediatas e tutela. Neste
sentdo, a importncia de conceituar o dano moral como a leso dignidade humana pode ser
medida pelas consequncias que gera, como explica Maria Celina Bodin de Morais:
Assim, em primeiro lugar, toda e qualquer circunstncia que atnja o ser humano em
sua condio humana, que (mesmo longinquamente) pretenda t-lo como objeto, que
negue a sua qualidade de pessoa, ser automatcamente considerada violadora de sua
personalidade e, se concretzada, causadora de dano moral a ser reparado. Acentue-se
que o dano moral, para ser identfcado, no precisa estar vinculado leso de algum
direito subjetvo da pessoa da vtma, ou causar algum prejuzo a ela. A simples
violao de uma situao jurdica subjetva extrapatrimonial (ou de um interesse no
patrimonial) em que esteja envolvida a vtma, desde que merecedora de tutela, ser
sufciente para garantr a reparao.
(In: Danos Pessoa Humana: uma leitura civil-consttucional dos Danos Morais.
Renovar, p. 188)
No caso, a integridade psicofsica do reclamante foi lesionada pela ao da reclamada,
em intensidade sufciente para assegurar a reparao da leso subjetividade/integridade do
ser humano que labora em relao de subordinao jurdica, assim defnida, pois no pode
ensejar uma relao de sujeio. S h sentdo para o direito do trabalho se tutelar, antes de
mais nada, o SER, e os bens jurdicos concernentes ao humano, postos em relao de absoluta
primazia e superioridade em relao aos bens jurdicos decorrentes do TER.
| Decises da 2 Instncia |
270 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Insta salientar que a CRFB erigiu a princpio fundamental a dignidade da pessoa
humana e o valor social do trabalho (art. 1, incisos III e IV). Assim, tanto a doutrina quanto a
jurisprudncia trabalhistas admitem a reparao dos prejuzos que ultrapassam o patrimnio,
atngindo a esfera emocional do empregado, quando causados dolosamente pelo empregador.
A consttucionalizao do Direito do Trabalho imps a releitura de seus insttutos
no contexto contemporneo, de modo que a consequncia mais bsica do dito fenmeno
consiste em conceber que os direitos fundamentais exibem uma extraordinria fora expansiva
que se irradia pelo conjunto do sistema jurdico e, partcularmente, no terreno das relaes
trabalhistas.
Aperfeioa-se, nesse cenrio, a nova fsionomia do Direito do Trabalho, evidenciando
que no mais possvel interpretar e aplicar as normas trabalhistas sem emprego da tcnica
consttucional, sendo certo que, na oposio entre os valores humanos e os interesses materiais
da empresa, a justa impe a supremacia dos primeiros.
Aps a promulgao da Carta Cidad de 1988, a qual erigiu a princpio fundamental a
dignidade da pessoa humana CF, art. 1 , surge a obrigao de o empregador reparar os
danos imateriais causados ao trabalhador por conta de sua conduta abusiva.
Formou-se o consenso inclusive no Direito comparado de que o sistema jurdico deva
proteger determinados direitos e bens, no apenas pelo eventual proveito que possam trazer a
uma ou a algumas pessoas, mas pelo interesse geral da sociedade na sua satsfao.
Presentes, no caso, os requisitos para a procedncia do pedido, consoante os artgos
186, 187, 927, 944 e 953 do Cdigo Civil e o art. 5, V e x, da Consttuio Federal.
A conduta antjurdica est confgurada. Todo aquele que por ao ou omisso voluntria,
negligncia ou imprudncia, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente
moral, comete ato ilcito, que tambm ocorre quando o exerccio de um direito pelo ttular
excede manifestamente os limites impostos pelo seu fm econmico ou social e pela boa-f
(arts. 186 e 187 do Cdigo Civil).
Ante a revelia, presume-se como verdadeiro o fato de que a superiora hierrquica da
reclamante a chamava de incompetente e improdutva, alm de outros termos pejoratvos e
humilhantes, e cobrava metas inalcanveis. Assim, resta confgurado o dano moral, o qual
deve ser devidamente compensado. A quantfcao do valor que pretende compensar a dor
da pessoa atngida em um seu direito personalssimo requer por parte do julgador grande bom
senso.
A pecunia doloris tem carter exemplar e expiatrio, segundo a lio de Ripert, devendo
o magistrado observar os princpios da razoabilidade e proporcionalidade, para que, a despeito
da certeza de que a dor moral jamais poder ser ressarcida convenientemente por bens
materiais, sua fxao no se torne to elevada que a converta em fonte de enriquecimento,
nem to pequena que a torne inexpressiva.
Para fxar a extenso do dano deve-se levar em conta duas fnalidades: punir o infrator
e compensar a vtma, em valor razovel, o sufciente para que se reprima a attude lesiva, sem
que se trate de valor incuo ou que propicie o enriquecimento sem causa. Para tanto, devem
ser levados em conta o porte da reclamada e sua conduta (nimo de ofender), o salrio do
empregado, a gravidade e a repercusso do dano, o tempo de contrato de trabalho e o carter
pedaggico da pena infigida ao responsvel, diretrizes extradas do art. 84 da Lei n 4.117/62 e
do art. 53 da Lei n 5.250/67. Tais parmetros so indicados por Maurcio Godinho Delgado (in
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
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Regio 271
Curso de Direito do Trabalho. 2. ed. So Paulo: LTr, 2003. p. 617), a fm de que se faa um juzo
de equidade.
No caso em apreo, considerado o valor da remunerao auferida pelo recorrente
(aproximadamente R$7.000,00) (f. 03), bem como os princpios da razoabilidade e da
proporcionalidade, dou parcial provimento ao recurso para reduzir o valor indenizatrio para
R$14.000,00 (catorze mil reais).
Pelo exposto, rejeito a preliminar de no conhecimento do recurso ordinrio da
reclamada por irregularidade de representao processual, suscitada pela recorrida em
contrarrazes, conheo do apelo patronal e, no mrito, dou-lhe parcial provimento para reduzir
a indenizao a ttulo de danos morais para R$14.000,00 (catorze mil reais), na forma da
fundamentao supra.
Vistos e examinados,
ACORDAM os Desembargadores que compem a Stma Turma do Tribunal Regional do
Trabalho da 1 Regio, por unanimidade, rejeitar a preliminar de no conhecimento do recurso
ordinrio da reclamada por irregularidade de representao processual suscitada pela recorrida
em contrarrazes, conhecer do apelo patronal e, no mrito, dar-lhe parcial provimento para
reduzir o valor do dano moral para R$14.000,00 (quatorze mil reais). Presente o Dr. Marcelo
Valente Ricardo.
Rio de Janeiro, 31 de outubro de 2012.
Desembargadora do Trabalho Sayonara Grillo coutnho leonardo da Silva
Relatora
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a
Regio 273
Agravo de Instrumento:
0000201-22.2011.5.01.0044
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: e-DOC, erro, peto eletrnica.
Turma: 5
Relator: Juiz Convocado Bruno Losada Albuquerque Lopes
Data de julgamento: 16/5/2011
Publicao: 24/5/2011
Agravo de instrumento. Interposio de recurso ordinrio via
e-DOC. Restries de transmisso devido ao grande volume.
Responsabilidade exclusiva do usurio. Tendo o recorrente
optado por utlizar o sistema eletrnico, diante do grande
volume digitalizado, deveria ter observado o 5 do art. 11 da Lei
11.419/2006 e apresentado peto eletrnica comunicando tal
fato e o recurso na secretaria, dentro dos respectvos prazos legais,
mas no o fez. Recurso desprovido.
Vistos, relatados e discutdos os presentes autos de agravo de instrumento em que so
partes VRG linhas Areas S.A., como agravante, e Anna Lucia Vale Castro, como agravada.
Insurge-se a reclamada contra o despacho denegatrio do recurso ordinrio. Diz que
o recurso no foi admitdo pela limitao no envio das petes atravs do sistema e-DOC,
atualmente em 2 MB, ou 50 folhas impressas, conforme o art. 2 do Ato 97/08 do TRT/RJ. Diz
que a Lei 11.419/2006 no prev tal limitao, e que tal restrio caracteriza cerceamento de
defesa.
Decorrido em branco o prazo para contraminutar.
No verifcadas as hipteses do art. 85, e seus incisos, do Regimento Interno deste Eg.
Tribunal, o Ministrio Pblico do Trabalho no se manifestou nos autos.
o relatrio.
VOTO
Conhecimento
Conheo do agravo.
| Decises da 2 Instncia |
274 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Mrito
Questo prvia
Embora o objeto recursal seja o procedimento de encaminhamento de peas pelo sistema
e-DOC, registro que o recurso ordinrio de fs. 09/52 no seria conhecido, por apcrifo (f. 07 e
52) - inexistente (OJ-SBDI-1 n 120). Ressalvo que o recurso no est assinado digitalmente. O
que existe o recibo de encaminhamento de um arquivo, assinado digitalmente, ato processual
diverso (art. 22 da IN 30/TST). Esclarecida a apocrifa do recurso indicado, vejamos o objeto do
presente recurso de agravo de instrumento.
Encaminhamento de documentos pelo sistema e-DOC
Registro que o art. 897, 5, dispe que Sob pena de no conhecimento, as partes
promovero a formao do agravo de instrumento de modo a possibilitar, caso provido, o
imediato julgamento do recurso denegado, ou seja, compete s partes a correta formao do
instrumento do agravo.
A agravante diz que o recurso ordinrio no foi admitdo pela restrio imposta pelo
servio de envio de petes e-DOC, devido ao volume de peas enviadas, conforme disciplinado
pelo art. 2 do Ato 98/2008 (alterado pelos Atos 2/2010 e 45/2009) deste Eg. Regional.
Art. 2 As petes, acompanhadas ou no de anexos, apenas sero aceitas em
formato PDF (Portable Document Format), no tamanho mximo, por operao, de 50
folhas impressas, respeitado o limite de 2 Megabytes, sendo que as pginas devero
ser numeradas, seqencialmente, no canto inferior do lado direito.
Pargrafo nico. No se admitr o fracionamento de peto, tampouco dos
documentos que a acompanham, para fns de transmisso.
De fato, f. 788 consta a certdo o i. Diretor de Secretaria e despacho do juzo singular,
verbis:
Levo ao conhecimento de V. Ex.
a
que foi recebido neste juzo e-DOC de VRG Linhas
Areas contendo mais de 50 pginas, o que impede a sua aceitao, conforme previsto
no artgo 2 do Ato 97/2008 da Presidncia deste Tribunal.
Autos conclusos.
Rio, 04/11/2010
Ricardo C. Espnola
Diretor de Secretaria
Certfque-se o decurso do prazo recursal e intme-se a reclamante para que aponte o
valor de seu crdito devidamente atualizado e acrescido de juros.
Rio, 04/11/2010
Juza Cludia Samy
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 275
Embora a agravante faa referncia s restries impostas pelo servio no artgo 2 do
Ato 97/2008, lembro que a Instruo Normatva 30/TST regulamenta no mbito da Justa do
Trabalho a Lei 11.419/2006, esclarecendo no artgo 11 que so de exclusiva responsabilidade
dos usurios IV - a edio da peto e anexos em conformidade com as restries impostas
pelo servio, no que se refere formatao e tamanho do arquivo enviado; [...]. Alm disso,
esclarece o 1: A no-obteno, pelo usurio, de acesso ao Sistema, alm de eventuais
defeitos de transmisso ou recepo de dados, no serve de escusa para o descumprimento
dos prazos legais..
Diante de tal circunstncia, o 5 do art. 11 da Lei 11.419/2006, que trata da produo
de documentos eletrnicos, adverte expressamente quanto s restries impostas pelo servio,
no que se refere formatao e tamanho do arquivo enviados, disciplinadas por este Eg. TRT:
5 Os documentos cuja digitalizao seja tecnicamente invivel devido ao grande
volume ou por motvo de ilegibilidade devero ser apresentados ao cartrio
ou secretaria no prazo de 10 (dez) dias contados do envio da peto eletrnica
comunicando tal fato, os quais sero devolvidos parte aps o trnsito em julgado.
No caso, ao contrrio do afrmado pela agravante, no se trata de limitao, mas sim de
restries impostas pelo servio, no que se refere formatao e tamanho do arquivo enviado,
disciplinadas por este Eg. TRT, valendo remarcar que
Quando a parte se utliza do sistema e-DOC, assume a responsabilidade por eventual
problema que venha a ocorrer, seja na recepo, transmisso, qualidade, fdelidade e
entrega do material transmitdo ao rgo judicirio.
(5 Turma, AIRR 5940-02.2009.5.03.0137, Rel. Min. Kta Magalhes Arruda,
j. 23/3/2011, pub. 1/4/2011; ibidem: Ag-AIRR 167340- 91.2005.5.15.0020,
j.09/02/2011, pub. 18/02/2011).
Assim, tendo a recorrente optado por utlizar o sistema eletrnico, diante do grande
volume digitalizado, deveria ter observado o 5 do art. 11 da Lei 11.419/2006 e apresentado
peto eletrnica comunicando tal fato e o recurso na secretaria, dentro dos respectvos prazos
legais, mas no o fez.
Nego provimento.
ACORDAM os componentes da Quinta Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1
Regio, por unanimidade, conhecer do agravo de instrumento e negar-lhe provimento, nos
termos do voto do juiz relator.
Rio de Janeiro, 16 de maio de 2011.
Juiz Convocado Bruno Losada Albuquerque Lopes
Relator
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Regio 277
Recurso Ordinrio: 0143900-58.2008.5.01.0341
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Preparo/Desero.
Palavras-chave: depsito recursal, custas, desero, e-DOC.
Turma: 10
Relator: Juiz Convocado Marcelo Antero de Carvalho
Data de julgamento: 28/3/2012
Publicao: 16/4/2012
Admissibilidade recursal. utlizao do recurso e-Doc. Possvel
falha de impresso das guias das custas e do depsito recursal.
Desero. O e-DOC um servio de uso facultatvo, sendo
induvidoso que a responsabilidade por eventuais defeitos de
transmisso ou recepo de dados relatvos pea processual
tramitada no sistema, incluindo os seus anexos, do litgante que
dele fez uso, na forma da Instruo Normatva n 30 do TST, que
regulamenta a Lei n 11.419, de 19 de dezembro de 2006, que
dispe sobre a informatzao do processo judicial. No tocante s
custas processuais e ao depsito recursal, constata-se que as folhas
foram impressas pela metade. No h como se ter certeza, assim,
que o valor do depsito recursal est correto, porque ausente essa
informao, ou at mesmo se houve o recolhimento das guias, por
ausncia da autentcao bancria nas duas folhas, em que pese
constarem dos documentos os dados relatvos ao presente feito.
Recurso ordinrio deserto.
Vistos, relatados e discutdos os presentes autos de recurso ordinrio em que so partes
Companhia Siderrgica Nacional - CSN como recorrente, sendo recorrido Joaquim Alves
Pereira.
Inconformando-se com a r. sentena de fs. 299/306, confrmada f. 310 pela deciso
proferida em sede de embargos declaratrios, prolatada pela juza Monique da Silva Caldeira
Kozlowski de Paula, da MM. 1 Vara do Trabalho de Volta Redonda, que julgou procedente em
parte o feixe de pedidos, recorre ordinariamente a reclamada s fs. 312/317.
A recorrente afrma que no perodo de suspenso do contrato de trabalho, in casu pela
concesso de aposentadoria por invalidez ao recorrido, no h como ser mantdo o benefcio
do plano de sade, uma vez que o pacto fca paralisado, sendo garantdos, no retorno ao
trabalho, todos os benefcios decorrentes de sentena normatva, de acordo coletvo ou de
disposio regulamentar da empresa (STF, Smula n 217), e, por ocorrer a paralisao total
do contrato de trabalho, em face da inexistncia da prestao pessoal dos servios, as partes
fcam desobrigadas de todas as obrigaes dele advindas, inclusive a concesso do citado
| Decises da 2 Instncia |
278 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
plano. Afrma que somente os empregados da CSN que constam da folha de pagamento que
tm direito manuteno do plano de sade, sobretudo porque partcipam do correspondente
custeio, como estpulado no acordo coletvo de trabalho. Tambm assevera que os pressupostos
legais que servem de fundamento para o deferimento da tutela antecipada, nos termos
do artgo 273 do CPC, no se encontram presentes. Tambm recorre quanto aos honorrios
advocatcios e gratuidade de justa.
Contrarrazes s fs. 325/329, sem preliminares, requerendo a confrmao do julgado.
Deixei de remeter os autos ao douto Ministrio Pblico do Trabalho em razo de a
hiptese no se enquadrar na previso de sua interveno legal (Lei Complementar n 75/1993)
e/ou das situaes arroladas no Ofcio PRT/1 Regio n 27/08-GAB, de 15/01/2008.
o relatrio.
Da admissibilidade
H interesse recursal e observncia do princpio da dialetcidade. A parte r encontra-se
regularmente representada (fs. 61/63). A tempestvidade do recurso foi comprovada f. 320.
Todavia, no tocante s custas processuais e ao depsito recursal, de fs. 318 e 318-v,
claramente se constata que as folhas foram impressas pela metade. No h como se ter certeza,
assim, que o valor do depsito recursal est correto, porque ausente essa informao, ou at
mesmo se houve o recolhimento das guias, por ausncia da autentcao bancria nas duas
folhas, em que pese constarem dos documentos os dados relatvos ao presente feito.
O e-DOC um servio de uso facultatvo, sendo induvidoso que a responsabilidade por
eventuais defeitos de transmisso ou recepo de dados relatvos pea processual tramitada
no sistema, incluindo os seus anexos, do litgante que dele fez uso, na forma da Instruo
Normatva n 30 do TST, que regulamenta a Lei n 11.419, de 19 de dezembro de 2006, que
dispe sobre a informatzao do processo judicial:
Sistema de petcionamento eletrnico
Art. 5 A prtica de atos processuais por meio eletrnico pelas partes, advogados
e peritos ser feita, na Justa do Trabalho, atravs do Sistema Integrado de
Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos (e-DOC).
1 O e-DOC um servio de uso facultatvo, disponibilizado no Portal-JT, na Internet.
[...]
Art. 11. So de exclusiva responsabilidade dos usurios:
[...]
IV a edio da peto e anexos em conformidade com as restries impostas pelo
servio, no que se refere formatao e tamanho do arquivo enviado;
[...]
1 A no-obteno, pelo usurio, de acesso ao Sistema, alm de eventuais defeitos
de transmisso ou recepo de dados, no serve de escusa para o descumprimento
dos prazos legais.
[...]
Nesse sentdo, a seguinte deciso do c. TST, que acompanho como minhas razes de
decidir:
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 279
Recurso de revista. Petcionamento eletrnico. Guias referentes ao depsito recursal
e s custas ilegveis. Responsabilidade da parte. IN 30/07 e art. 4 da Lei 9.800/99.
No conhecimento do recurso ordinrio.
1. Nos termos dos arts. 5 e 11, 1, da Instruo Normatva 30/07 do TST e 4 da Lei
9.800/99, possvel a prtca de atos processuais por meio eletrnico pelas partes,
advogados e peritos. Trata-se de sistema facultatvo conferido aos litgantes, que tm
exclusiva responsabilidade pelos eventuais defeitos de transmisso ou recepo de
dados.
2. Na hiptese dos autos, a Reclamada efetuou a interposio do recurso ordinrio
por meio do petcionamento eletrnico (o denominado SisDoc no 2 TRT) e o Regional
consignou expressamente que no h como aferir as importncias mencionadas nas
guias de pagamento das custas processuais e do depsito recursal, o nmero do
processo, a identfcao do contribuinte nem a chancela bancria.
3. Conclui-se, portanto, que os riscos pelas eventuais incorrees tcnicas na
transmisso de dados e imagens pelos sistemas de petcionamento eletrnico devem
ser suportados integralmente pela parte que faz uso desses sistemas.
4. Assim, como o nus pela legibilidade do arquivo encaminhado pela via eletrnica
da Reclamada, e no do Regional, pois ao Poder Judicirio apenas compete a impresso
dos documentos tal como so enviados, a irregularidade concernente ao arquivo de
recurso ordinrio e anexos, por se encontrarem ilegveis, obsta o conhecimento do
recurso ordinrio, como decidido pelo 2 Regional.
Recurso de revista no conhecido.
(Processo: RR - 72100-42.2008.5.02.0211, data de julgamento: 7/3/2012, Relator:
Ministro Ives Gandra Martns Filho, 7 Turma, data de publicao: DEJT 09/03/2012).
Assim, julgo deserto o recurso ordinrio.
Ante o exposto, ex ofcio deixo de conhecer do recurso porque deserto, nos termos da
fundamentao supra.
ACORDAM os Desembargadores da Dcima Turma do Tribunal Regional do Trabalho da
1 Regio, por unanimidade, no conhecer do recurso ordinrio por desero, nos termos do
voto do Juiz Relator.
Rio de Janeiro, 28 de maro de 2012.
Juiz Convocado Marcelo Antero de Carvalho
Relator
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 281
Agravo de Instrumento:
0001046-98.2012.5.01.0018
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: contraditrio, ampla defesa, e-DOC, peto eletrnica.
Turma: 2
Relatora: Juza Convocada Vlia Bomfm Cassar
Data de julgamento: 15/10/2012
Publicao: 22/10/2012
Protocolo de peto por e-Doc. inobservncia das limitaes
impostas por regulamento. O protocolo eletrnico de peas
processuais em processos que ainda existem em meio fsico
apenas uma alternatva ao jurisdicionado, que deve observar as
limitaes previstas em lei e regulamento. Caso a pea no observe
tais critrios, dever ser protocolada fsicamente, o que respeita os
princpios do contraditrio e ampla defesa.
Vistos, relatados e discutdos estes autos de Agravo de Instrumento n TRT-
AIAP-0001046-98.2012.5.01.0018, em que so partes Unibanco S.A., sucessor de Banco
Nacional do Norte S.A., como agravante, Sindicato dos Empregados dos Estabelecimentos
Bancrios do Municpio do Rio de Janeiro e outros, como agravados.
RELATRIO
Trata-se de agravo de instrumento interposto pelo executado contra a r. deciso de f.
1530, prolatada pelo MM. Juiz Gustavo Eugnio de Carvalho Maya, da 18 Vara do Trabalho do
Rio de Janeiro, que determinou a expedio de alvars e o arquivamento dos autos com baixa,
com base na certdo de trnsito em julgado constante da mesma folha, uma vez que no foi
recebida a peto de agravo de peto, enviada por sistema e-DOC, por no observar o limite
de folhas previsto em regulamento.
O agravante requer a reforma da deciso, mediante os fundamentos artculados s fs.
02/07, afrmando que o nico limite a ser observado o de 2 MB para a transmisso do arquivo,
e que o regulamento que delimita nmero de pginas para a impresso viola os princpios do
contraditrio e da ampla defesa.
| Decises da 2 Instncia |
282 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Contraminuta dos agravados s fs. 1720/1722, requerendo a manuteno do julgado.
Os autos no foram remetdos Procuradoria do Trabalho, por no ser hiptese de
interveno legal (Lei Complementar n 75/1993 e Ofcio PRT/1 Regio n 27/08).
o relatrio.
FUNDAMENTAO
Conhecimento
Por preenchidos os pressupostos legais de admissibilidade, conheo do agravo.
Mrito
Sustenta o agravante, em resumo, que o nico limite a ser observado o de 2 MB
para a transmisso do arquivo, e que o regulamento que delimita o nmero de pginas para a
impresso viola os princpios do contraditrio e da ampla defesa.
A Secretaria do Juzo do 1 grau certfcou, f. 1.530, o trnsito em julgado da deciso
que rejeitou os embargos execuo de f. 1.499, integrada pela deciso de f. 1.526, que
rejeitou os embargos de declarao do executado, uma vez que o agravo de peto interposto
pelo sistema e-DOC no observou o limite de folhas previsto no regulamento deste E. TRT da 1
Regio, conforme certdo de f. 1.527/verso.
No h o que se modifcar.
A Lei n 11.419/06, em seu artgo 18, delegou a competncia regulamentar aos rgos
do Poder Judicirio.
O C. TST editou, assim, a Resoluo n 140/07, que, em seu artgo 6, dispe
Art. 6 As petes, acompanhadas ou no de anexos, apenas sero aceitas em
formato PDF (Portable Document Format), no tamanho mximo, por operao, de 2
Megabytes.
Pargrafo nico. No se admitr o fracionamento de peto, tampouco dos
documentos que a acompanham, para fns de transmisso.
A mesma limitao foi observada por este E. TRT da 1 Regio, no Ato n 98/2007, artgo
2, acrescentando-se apenas que tambm houve a estpulao de que somente poderiam
ser impressas 50 pginas, o qual, inclusive, costuma ser superior ao nmero de pginas que
comporta um arquivo em PDF de 2MB, salvo se utlizados mecanismos de reduo do tamanho
do arquivo. Portanto, foi respeitado o limite nico de 2MB previsto pelo C. TST.
O agravo de peto que o agravante pretendia interpor por meio eletrnico possui 166
pginas (fs. 1347/1713). Nesse caso, ter protocolado fsicamente a peto, como determinam
os artgos 11, 5, da Lei n 11.419/06; 11, IV, da Resoluo n 140/07 do C. TST; e 7, IV, do Ato
n 97/2008 do TRT da 1 Regio.
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 283
O protocolo eletrnico de peas processuais em processos que ainda existem em meio
fsico apenas uma alternatva ao jurisdicionado, portanto, no h afronta aos princpios da
ampla defesa e do contraditrio.
O simples fato de o sistema aceitar o protocolo de peto em desconformidade com os
requisitos estabelecidos em lei e regulamento no gera direito ao seguimento do recurso, pois
a apreciao da conformidade da pea faz parte do juzo de admissibilidade, que no pode ser
feito de forma automtca, mas sim por rgo judicial.
Assim, nego provimento ao agravo de instrumento.
CONCLUSO
Pelo exposto, conheo e, no mrito, nego provimento ao agravo de instrumento.
ACORDAM os Desembargadores que compem a Segunda Turma do Tribunal Regional
do Trabalho da 1 Regio, por unanimidade, conhecer do agravo de instrumento e, no mrito,
negar-lhe provimento.
Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2012.
Juza convocada Vlia Bomfm cassar
Relatora
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Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 285
Agravo de Instrumento:
0000760-30.2012.5.01.0048
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: e-Doc, intempestvidade, peto eletrnica.
Turma: 8
Relator: Juiz Convocado Leonardo Dias Borges
Data de julgamento: 16/10/2012
Publicao: 8/11/2012
Sistema e-DOC. Adoo facultativa. Recurso ordinrio.
intempestvo. O Ato 97/2008 deste e. Tribunal, que dispe sobre
a insttuio e funcionamento nesta e. Corte do e-DOC (Sistema
Integrado de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos),
expressamente dispe que o uso desse servio facultatvo. Assim,
havendo qualquer problema no envio de petes eletrnicas por
essa via, dever a parte atentar para o correto cumprimento do seu
prazo processual, utlizando o protocolo geral disponvel neste e.
Tribunal.
Vistos estes autos de agravo de instrumento em que fguram, como agravante, Ita
Unibanco S.A. e, como agravado, Valdir Alves Mallet.
RELATRIO
Agravo de instrumento interposto pelo ru contra a r. deciso proferida pelo MM. Juiz da
48 Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, Dr. Andr Braga Barreto, que denegou seguimento ao
seu recurso ordinrio, sob o fundamento de intempestvidade.
Requer o agravante, pelas razes de fs. 03/05, o acolhimento do agravo de instrumento
e a anlise do recurso ordinrio, argumentando que o apelo trancado foi proposto
tempestvamente. Acrescenta que nos termos do disposto no 2 do art. 10 da Lei 11.419/2006,
ante a indisponibilidade do sistema e-DOC deste e. Tribunal, o apelo tempestvo.
Contraminuta, a fs. 82, sem preliminares.
| Decises da 2 Instncia |
286 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
VOTO
In casu, o recorrente interpe agravo de instrumento da deciso que denegou
seguimento ao seu recurso ordinrio, por intempestvidade.
As partes foram intmadas da deciso dos embargos de declarao atravs da publicao
de fs. 74, em 28/3/2012, sendo que o recurso ordinrio s foi interposto pelo ru em
10/4/2012, de modo que no resta dvida quanto intempestvidade do apelo.
Assim, em que pese suspenso dos prazos nos dias 4, 5 e 6 de abril, em conformidade
com o Ato 1/12 deste e. Tribunal, o prazo fnal para a interposio do apelo do agravante era o
dia 09/4/2012, segunda-feira.
Ressalte-se, por oportuno, que no h que se falar em tempestvidade do recurso
ordinrio em razo do disposto no 2 do art. 10 da Lei 11.419/06, que dispe sobre a
informatzao do processo judicial, tendo em vista que a interposio do apelo trancado no
deveria ser realizada exclusivamente por meio de peto eletrnica, mas tambm atravs do
protocolo geral desta Corte.
Ademais, cabe ainda lembrar que o Ato 97/2008 deste e. Tribunal, que dispe sobre a
insttuio e funcionamento nesta e. Corte do e-DOC (Sistema Integrado de Protocolizao e
Fluxo de Documentos Eletrnicos), expressamente dispe que o uso desse servio facultatvo.
Assim, havendo qualquer problema no envio de petes eletrnicas por essa via, dever
a parte atentar para o correto cumprimento do seu prazo processual, utlizando o protocolo
geral disponvel neste e. Tribunal.
Desse modo, no preenchidos os pressupostos extrnsecos de admissibilidade do recurso
ordinrio interposto pelo ru, de se negar provimento ao agravo de instrumento.
Pelo exposto, nego provimento ao agravo de instrumento, porque no atendidos os
pressupostos extrnsecos de admissibilidade do recurso ordinrio interposto.
Relatados e discutdos,
ACORDAM os Desembargadores Federais que compem a Oitava Turma do Tribunal
Regional do Trabalho da 1 Regio, por unanimidade, negar provimento ao agravo de
instrumento, porque no atendidos os pressupostos extrnsecos de admissibilidade do recurso
ordinrio interposto.
Rio de Janeiro, 16 de outubro de 2012.
Juiz Convocado Leonardo Dias Borges
Relator
| Decises da 2 Instncia |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 287
Agravo de Instrumento:
0000630-05.2011.5.01.0071
Titulao: Direito Processual Civil e do Trabalho. Recurso. Tempestvidade.
e-DOC (Lei n 11.419/2006).
Palavras-chave: e-DOC, peto eletrnica, documentos, intempestvidade.
Turma: 7
Relator: Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira
Data de julgamento: 28/9/2011
Publicao: 4/10/2011
Agravo de instrumento. Razes de no conhecimento. No se
conhece do agravo de instrumento interposto pelo sistema e-DOC,
quando a parte agravante, alm de fracionar os documentos, o faz
em dias alternados. Aplicao do art. 6, da IN/TST n 30/2007.
Vistos, relatados e discutdos os presentes autos do Agravo de Instrumento n TRT-
AI-0000630-05.2011.5.01.0071, em que so partes Recall do Brasil Ltda., como Agravante, e
Viviane Pontes de Oliveira, como Agravada.
RELATRIO
Trata-se de agravo de instrumento interposto pelo executado contra a deciso proferida
pelo MM. Juzo da 71 Vara do Trabalho do Rio de Janeiro, que negou seguimento ao agravo de
peto por ele interposto. A parte agravante pretende o processamento do recurso, mediante
os fundamentos artculados s fs. 03/08.
No houve contraminuta da exequente, conforme certdo de fs. 157-v.
Os autos no foram remetdos d. Procuradoria do Trabalho, por no ser hiptese de
interveno legal (Lei Complementar n 75/1993) e/ou das situaes arroladas no Ofcio PRT/1
Regio n 27/08-GAB, de 15/01/2008.
o relatrio.
| Decises da 2 Instncia |
288 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
FUNDAMENTAO
Razes de no conhecimento
No h como ser conhecido o agravo de instrumento interposto.
Conforme o art. 6 da Instruo Normatva n 30/2007 do c. TST, o envio de petes
e documentos a elas anexados pelo sistema e-DOC dever ter o tamanho mximo de 2
Megabytes, por operao, no se admitndo o seu fracionamento, para fns de transmisso. O
Ato n 97/2008 deste Tribunal no mesmo sentdo.
O executado realizou o envio dos documentos que deseja instruir o agravo de
instrumento por 12 (doze) vezes: protocolos n 352079, 3520496, 3520551, 3520660, 3520672,
3520865, 3520904, 3565773, 3566700, 3566777, 3567218 e 3567381 (fs. 16, 34, 48, 56, 65, 79,
93, 102, 120, 134, 147 e 156).
O envio eletrnico se deu, ainda, em dias diferentes, 19/5/2011 (fs. 16, 34, 48, 56, 65,
79 e 93) e 26/5/2011 (fs. 102, 120, 134, 147 e 156), caracterizando a precluso consumatva do
primeiro ato processual.
Ao enviar desse modo, o executado fracionou no apenas a formao do instrumento,
mas, tambm, os prprios documentos que pretendia instru-lo, como o caso da sentena,
em que parte dela, fs. 73/77, foi enviada pelo protocolo n 3520865 (fs. 79) e o restante, fs.
87/91, pelo protocolo de n 352094 (fs. 93).
A teologia do ato normatvo supramencionado o de impedir a utlizao de recursos
pblicos, de forma desmedida, por partculares. Isso porque o envio feito eletronicamente
pelo partcular, mas o Tribunal quem realiza a impresso das petes e documentos.
Como se no bastasse, deixou a parte agravante de efetuar o traslado da deciso
denegatria do recurso ordinrio, pea indispensvel formao do instrumento, conforme
determina o art. 897, 5, inc. I, da CLT.
A fnalidade do 5 do art. 897 da CLT possibilitar, caso provido o agravo de
instrumento, o imediato julgamento do recurso denegado, exigncia esta no cumprida pelo
agravante.
Destarte, no conheo do agravo de instrumento.
DISPOSITIVO
ACORDAM os Desembargadores que compem a Stma Turma do Tribunal Regional do
Trabalho da 1 Regio, por unanimidade, no conhecer do agravo de instrumento interposto
pelo executado.
Rio de Janeiro, 28 de setembro de 2011.
Juiz Convocado Alvaro Luiz Carvalho Moreira
Relator
SMULAS
| Smulas |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 291
SMULA N 1
Cooperatva. Fraude. Vnculo de emprego. Responsabilidade subsidiria da administrao
pblica. Quando arregimenta, de forma fraudulenta, associados para prestar servios a
terceiros, a cooperatva distancia-se de seu escopo, transmutando a relao jurdica mantda
com o pseudocooperado em autntco contrato de emprego, implicando a responsabilidade
subsidiria da Administrao Pblica, benefciria direta pela prestao laboral do trabalhador,
ainda que a contratao haja ocorrido com base na Lei de Licitaes.
SMULA N 2
Corretor de seguros. Vnculo de emprego. empregado, e no corretor autnomo de seguros, o
trabalhador que rena os requisitos do art. 3 da CLT.
SMULA N 3
Bloqueio de proventos de aposentadoria, salrios, penses e honorrios profssionais. Absoluta
impenhorabilidade. Vedao legal. So os proventos de aposentadoria, salrios, remuneraes,
penses e honorrios laboratcios, a exemplo dos vencimentos, subsdios, peclios e montepios,
absoluta e integralmente impenhorveis, ante disposio legal expressa do inciso IV do art. 649
do CPC, com a redao conferida pela Lei n 11.382/2006, de 6 de dezembro de 2006.
SMULA N 4
Contagem de juros. Depsito garantdor da dvida ou adimplemento total da obrigao.
Cessao da contagem. CLT e lei de execuo fscal. I - A incidncia de juros de mora, assim
como da correo monetria, sobre o crdito trabalhista regulada integralmente pela Lei
8.177/1991 e, portanto, nesse aspecto, no aplicvel o artgo 9, 4, da Lei de Executvo
Fiscal. II Somente o adimplemento integral da dvida, assim considerado o depsito que
propicia o imediato levantamento, far cessar a contagem de juros moratrios.
SMULA N 5
Cedae. Teto remuneratrio. Inaplicabilidade. A Cedae no est submetda ao limite remuneratrio
estabelecido no art. 37, inciso xI, da CRFB, por no se inserir na hiptese prevista em seu 9, visto
que no recebe recursos pblicos para pagamento de despesas de pessoal ou custeio em geral.
SMULA N 6
Cedae. Progresso horizontal por antguidade e por merecimento. I - A Cedae sociedade
de economia mista regida pelo art. 173, 1, da Carta Magna, dispondo de oramento por
ela prpria elaborado, no autorizando a falta de disponibilidade fnanceira a omisso nas
progresses horizontais por antguidade. II - A progresso horizontal por antguidade no viola
o princpio concursivo, por no acarretar a alterao do cargo. III - Cabvel a concesso das
progresses horizontais por antguidade, uma vez por ano, sempre no ms de agosto e nos anos
mpares, observando-se o interstcio mnimo de 24 meses na faixa anterior do cargo ocupado,
conforme regras estabelecidas no PCCS. IV - A concesso das progresses horizontais por
merecimento envolve critrios subjetvos, o que obsta a sua apreciao pelo Poder Judicirio,
que no pode substtuir o poder conferido ao empregador na avaliao de seus subordinados.
| Smulas |
292 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
SMULA N 7
Aviso prvio indenizado. No incidncia de contribuio previdenciria. O salrio-de-
contribuio no integrado pelo aviso prvio indenizado, mas to somente pelas parcelas que
remuneram o trabalho efetvamente prestado ou o tempo disposio do empregador, no
servindo de base de incidncia de contribuio previdenciria.
SMULA N 8
Trabalhador porturio avulso. Vale-transporte. assegurado ao trabalhador porturio avulso o
direito aos vales-transporte relatvos aos dias efetvamente laborados.
SMULA N 9
Vale-transporte. No incidncia da contribuio previdenciria. A parcela correspondente ao vale-
transporte, quando exigvel por fora de deciso ou acordo judicial, assume carter eminentemente
indenizatrio, no consttuindo base de clculo para a contribuio previdenciria.
SMULA N 10
Cedae. Plus salarial. Vantagem concedida de forma irregular. Negatva do princpio isonmico
aos servidores pblicos de nvel universitrio da sociedade de economia mista estadual. I- Se
houve contratao irregular de servidor com remunerao superior aos demais servidores
na mesma situao profssional, fato isolado e violador dos princpios da legalidade e da
moralidade administratva, a vantagem verifcada no pode servir de parmetro remuneratrio
para todos os empregados pblicos de nvel universitrio da companhia. II- O plus salarial
recebido por alguns por fora de deciso judicial tambm no pode ser estendido a outros
servidores, ante o que dispe o art. 37, inciso xIII, da Consttuio Federal de 1988, que veda a
equiparao de qualquer natureza para efeito de remunerao de pessoal do servio pblico,
sendo juridicamente impossvel a aplicao da norma contda no art. 461 da CLT.
SMULA N 11
Execuo defnitva. Penhora em dinheiro. Ordem preferencial. Em se tratando de execuo
defnitva, a determinao de penhora em dinheiro, para garantr crdito exequendo, no fere
direito do executado, j que obedecida a gradao prevista no art. 655 do Cdigo de Processo
Civil, de aplicao subsidiria ao processo trabalhista.
SMULA N 12
Impossibilidade de satsfao do dbito trabalhista pelo devedor principal. Execuo imediata do
devedor subsidirio. Frustrada a execuo em face do devedor principal, o juiz deve direcion-la
contra o subsidirio, no havendo amparo jurdico para a pretenso de prvia execuo dos
scios ou administradores daquele.
SMULA N 13
Cominaes dos artgos 467 e 477 da CLT. Terceirizao. Responsabilidade subsidiria. Nos
casos de terceirizao de mo de obra, inserem-se na responsabilidade subsidiria do tomador
| Smulas |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 293
de servios, ainda que se tratando de ente da Administrao Pblica Direta ou Indireta, as
cominaes dos artgos 467 e 477 da CLT.
SMULA N 14
Controle de jornada - iseno de marcao prevista em norma coletva. Inefccia da clusula.
Tendo o empregador mais de dez empregados, a obrigatoriedade de controle da jornada de
trabalho imperatvo legal (CLT, artgo 74, 1 e 2), sendo inefcaz, de pleno direito, a clusula
normatva que dispe em sentdo contrrio.
SMULA N 15
Cumulao de indenizaes por danos esttco e moral. O dano moral no se confunde com o
dano esttco, sendo cumulveis as indenizaes.
SMULA N 16
Revista ntma. Dano moral. Limites dos poderes de direo e fscalizao. Violao honra e
intmidade do trabalhador. Princpio da dignidade da pessoa humana (art 1, inc.III, CF). Cabe
reparao por dano moral, por ferir o princpio da dignidade da pessoa humana, o ato patronal
consubstanciado em revistas ntmas de trabalhadores de qualquer sexo, incluindo a vigilncia
por meio de cmeras instaladas em banheiros e vestrios.
SMULA N 17
Imposto de renda. No incidncia sobre os juros de mora. Os juros moratrios decorrentes
de parcelas deferidas em reclamao trabalhista tm natureza indenizatria e sobre eles no
incide imposto de renda.
SMULA N 18
Companhia estadual de engenharia de transportes e logstca - CENTRAL. Adicional de projetos
especiais. A concesso do Adicional de Projetos Especiais a algum empregado no obriga a
empresa a estender o benefcio aos demais trabalhadores.
SMULA N 19
Trabalhador domstco. Diarista. Prestao laboral descontnua. Inexistncia de vnculo
empregatcio. A prestao laboral domstca realizada at trs vezes por semana no enseja
confgurao do vnculo empregatcio, por ausente o requisito da contnuidade previsto no art.
1 da Lei 5.859/72.
SMULA N 20
Responsabilidade subsidiria. Falncia do devedor principal. Contnuao da execuo
trabalhista em face dos devedores subsidirios. Possibilidade. A falncia do devedor principal
no impede o prosseguimento da execuo trabalhista contra os devedores subsidirios.
| Smulas |
294 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
SMULA N 21
Declarao de inconsttucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. Procedncia do corte
rescisrio. A desconsttuio da situao jurdica criada sob a gide do dispositvo declarado
inconsttucional pelo Supremo Tribunal Federal pode ser alcanada pelo manejo de ao
rescisria.
SMULA N 22
Execuo trabalhista. Penhora. Citao pessoal do executado. Artgo 880 da CLT. Princpio
consttucional do devido processo legal. indispensvel a citao pessoal do executado,
inclusive na hiptese de desconsiderao da personalidade jurdica, antes que se determine a
penhora de seus bens.
SMULA N 23
Litspendncia. Inexistncia. Ao individual e ao coletva. Coisa julgada da ao coletva.
Efeito ultrapartes. Requisitos. A demanda coletva no induz litspendncia em relao s aes
individuais, com mesma causa de pedir e pedido, ajuizadas pelo prprio detentor do direito
subjetvo material (CDC, art. 104, primeira parte). Os efeitos da coisa julgada na ao coletva
benefciaro o demandante individual, salvo se, intmado para tomar cincia da ao coletva, no
requerer a suspenso, em 30 (trinta) dias, da demanda individual (CDC, art. 104, segunda parte).
SMULA N 24
Responsabilidade subsidiria de ente pblico. Inaplicabilidade do que dispe o art. 1-F da Lei n
9.494/97. No se aplica o disposto no art. 1-F da Lei n 9.494, de 10/09/1997, quando o ente
pblico figurar no ttulo executivo judicial na condio de devedor subsidirio.
SMULA N 25
Acidente do trabalho. Dano moral. Teoria do risco. Quando a atvidade exercida pelo empregador
implicar, por sua prpria natureza, risco acentuado para o empregado, a obrigao patronal
de indenizar o dano moral decorrente de acidente do trabalho depende, exclusivamente, da
comprovao do dano e do nexo de causalidade com o trabalho desenvolvido. Art. 927 do
Cdigo Civil.
SMULA N 26
Contribuio previdenciria. Execuo. Responsabilidade pela liquidao. A competncia
atribuda Justa do Trabalho, para executar de ofcio as contribuies sociais, no abrange a
responsabilidade pela elaborao dos clculos do crdito previdencirio.
SMULA N 27
Enquadramento como fnancirio de empregado de administradora de carto de crdito
ou agente fnanceiro. Os empregados de agentes fnanceiros e administradoras de carto
de crdito que exercem atribuies relacionadas atvidade-fm de referidas insttuies
fnanceiras so fnancirios, benefciando-se, portanto, das normas coletvas da categoria e da
jornada reduzida do art. 224 da CLT.
| Smulas |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 295
SMULA N 28
Artgo 879, 3, da CLT. Precluso temporal limitada impugnao aos clculos. A precluso
temporal prevista no pargrafo terceiro do artgo 879 da CLT limita-se impugnao aos
clculos da contribuio previdenciria e no ao direito da Unio de execut-la.
SMULA N 29
Servio de telemarketng/teleatendimento: enquadramento sindical e durao do trabalho.
I - Os operadores de teleatendimento/telemarketng esto sujeitos s normas coletvas
da categoria profssional dos empregados em empresas de prestao de servios de
telecomunicaes, sendo inafastvel, por acordo coletvo menos benfco, a incidncia das
normas da conveno coletva intersindical ou de sentena normatva; II - Na ausncia de
norma coletva mais benfca, prevalecem as disposies do Anexo II da NR-17, que estabelece
a jornada de seis horas, com duas pausas remuneradas e um intervalo no remunerado de vinte
minutos para descanso e alimentao e a durao semanal de trinta e seis horas de trabalho
(itens 5.3, 5.3.1, 5.4.1 e 5.4.2).
SMULA N 30
Sano do artgo 477, 8, da CLT. Reconhecido o vnculo de emprego ou desconsttuda a justa
causa, impe-se a cominao.
SMULA N 31
Petros. Complementao de aposentadoria. No repactuantes. Valor monetrio. No faz
jus ao incentivo econmico denominado valor monetrio a parte que no aceitou os
termos da repactuao e optou por manter as condies de reajuste da complementao de
aposentadoria previstas no artigo 41 do Regulamento do Plano de Benefcios da Petros.
SMULA N 32
Companhia Siderrgica Nacional - CSN. Aposentadoria por invalidez. Suspenso do contrato
de trabalho. Manuteno do plano de sade. Suspenso o contrato de trabalho, em virtude de
aposentadoria por invalidez, o empregado tem direito manuteno do plano de sade.
SMULA N 33
Empresa em recuperao judicial. Art. 477, 8, da CLT. O deferimento da recuperao judicial
no desonera a empresa do pagamento das verbas trabalhistas dentro do prazo legal. O atraso
na quitao das parcelas da resciso sujeita o empregador cominao estabelecida no art.
477, 8, da CLT.
SMULA N 34
Exceo de pr-executvidade rejeitada. Deciso interlocutria. Agravo de peto. No
conhecimento. O ato jurisdicional que rejeita exceo de pr-executvidade tem natureza
interlocutria, razo pela qual, consoante o artgo 893, 1, da CLT, somente poder ser
impugnado em recurso da deciso defnitva.
| Precedentes do rgo Especial |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 297
PRECEDENTES DO
RGO ESPECIAL
| Precedentes do rgo Especial |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 299
PRECEDENTE N 1
Agravo Regimental. Falta de dialetcidade. No-conhecimento. No se conhece de recurso cujas
razes se distanciam dos termos da deciso recorrida, impossibilitando o seu reexame por falta
de dialetcidade.
Agravo regimental 0012451-25.2011.5.01.0000 - Des. Alberto Fortes Gil
DOERJ 10/5/2012 Deciso por maioria.
Agravo regimental 0011312-38.2011.5.01.0000 - Des. Jorge Fernando Gonalves da Fonte
DOERJ 29/3/2012 Deciso unnime.
AGOR 0005273-25.2011.5.01.0000 - Des. Rosana Salim Villela Travesedo
DOERJ 29/9/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 2
Agravo regimental. Tempestvidade. Aferio. No tendo a parte comprovado a tempestvidade
da correio parcial, no h como processar a medida, devendo ser extnto o feito, sem
resoluo de mrito
AGOR 0001666-67.2012.5.01.0000 - Des. Nelson Tomaz Braga
DOERJ 2/7/2012 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 3
Carta de sentena. Formao. A determinao de formao de carta de sentena, quando os
autos originais se encontram no juzo de origem, aguardando apenas o julgamento do agravo
de instrumento no Tribunal Superior do Trabalho, atenta contra a boa ordem processual.
AGOR 0005274-10.2011.5.01.0000 - Des. Damir Vrcibradic
DOERJ 30/9/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 4
Centralizao. Execuo. Agravo de peto. Descabimento. Competncia da Presidncia do
Tribunal. da competncia da Presidncia deste Tribunal decidir as questes envolvendo a
centralizao das execues dos clubes de futebol, avaliando acerca de sua convenincia,
visando o interesse pblico, bem como dos eventuais descumprimentos do ato presidencial.
Descabe, assim, a interposio de agravo de peto, competndo ao Presidente deferir ou no
o pedido, cabendo recurso dessa deciso para o rgo Especial.
Agravo regimental 0012754-73.2010.5.01.0000 - Des. Gustavo Tadeu Alkmim
DOERJ 16/8/2012 Deciso unnime.
| Precedentes do rgo Especial |
300 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
PRECEDENTE N 5
Confito de atribuies. Juzes em exerccio no mesmo rgo jurisdicional. Em se tratando de
confito negatvo de atribuies entre juzes em exerccio no mesmo rgo jurisdicional, revela-
se impertnente a via do confito de competncia eleita pelo juiz suscitante, impondo-se a
remessa dos autos Corregedoria desta Corte para a adoo das providncias e medidas que
entender cabveis e pertnentes.
CC 0012643-89.2010.5.01.0000 - Des. Jos da Fonseca Martns Junior
DOERJ 2/6/2011 Deciso unnime.
CC 0013145-28.2010.5.01.0000 - Des. Jos da Fonseca Martns Junior
DOERJ 2/6/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 6
Confito de atribuies. Preveno. Havendo conexo entre os agravos regimentais em razo
da identdade de partes e afnidade entre as matrias, torna-se prevento o desembargador que
recebeu como relator o primeiro agravo regimental.
Pet 0014980-17.2011.5.01.0000 - Des. Jos Antnio Teixeira da Silva
DOERJ 14/6/2012 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 7
Confito de competncia. Conexo e contnncia. Preveno do juzo. O critrio de preveno
previsto no art. 106 do CPC deve ser entendido como aplicvel tanto para a conexo strictu
sensu como para a contnncia.
CC 0001864-07.2012.5.01.0000 - Des. Marcelo Augusto Souto de Oliveira (Redator Designado)
DOERJ 1/6/2012 Deciso por maioria.
CC 0001736-84.2012.5.01.0000 - Des. Marcelo Augusto Souto de Oliveira (Redator Designado)
DOERJ 1/6/2012 Deciso por maioria.
PRECEDENTE N 8
Confito negatvo de competncia. Ao anterior extnta com resoluo de mrito. Conexo.
Tendo ocorrido o julgamento do processo, ainda que no transitada em julgado a sentena
proferida, torna-se impossvel a reunio dos feitos eventualmente conexos.
CC 0002637-52.2012.5.01.0000 - Des. Jorge F. Gonalves da Fonte
DOERJ 31/5/2012 Deciso unnime.
CC 0001680-85.2011.5.01.0000 - Des. Evandro Pereira Valado Lopes
DOERJ 2/9/2011 Deciso unnime.
| Precedentes do rgo Especial |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 301
PRECEDENTE N 9
Confito negatvo de competncia. Ajuizamento pretrito de protesto interruptvo da prescrio.
Preveno. Inocorrncia O ajuizamento pretrito de protesto judicial no tem o condo
de frmar a competncia do juzo para o qual foi distribudo quando da propositura de ao
trabalhista.
CC 0012456-47.2011.5.01.0000 - Des. Rosana Salim Villela Travesedo
DOERJ 26/3/2012 Deciso unnime.
CC 0000241-05.2012.5.01.0000 - Des. Mirian Lippi Pacheco
DOERJ 8/8/2012 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 10
Confito negatvo de competncia. Conexo. Fica caracterizada a hiptese de conexo
entre aes, quando a identdade de causa de pedir e de partes alicera a distribuio por
dependncia, sendo prevento o juzo que conheceu da primeira ao ajuizada.
CC 0009899-87.2011.5.01.0000 - Des. Evandro Valado Lopes (Redator Designado)
DOERJ 2/8/2012 Deciso por maioria.
CC 0000440-27.2012.5.01.0000 - Des. Nelson Tomaz Braga
DOERJ 2/7/2012 Deciso unnime.
CC 0009891-13.2011.5.01.0000 - Des. Evandro Valado Lopes (Redator Designado)
DOERJ 9/5/2012 Deciso por maioria.
CC 0007433-23.2011.5.01.0000 - Des. Damir Vrcibradic
DOERJ 18/11/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 11
Confito de Competncia. Renovao de ao trabalhista anteriormente extnta sem resoluo
de mrito. Distribuio aleatria. Impossibilidade. Preveno. Prevento o juzo que extnguiu o
processo, sem resoluo de mrito, para o julgamento de ao idntca quela anteriormente
ajuizada (art. 253, II, do CPC).
CC 0003746-04.2012.5.01.0000 - Des. Nelson Tomaz Braga
DOERJ 14/8/2012 Deciso unnime.
CC 0013527-84.2011.5.01.0000 - Des. Evandro Pereira Valado Lopes
DOERJ 11/7/2012 Deciso unnime.
CC 0000178-77.2012.5.01.0000 - Des. Nelson Tomaz Braga
DOERJ 2/7/2012 Deciso unnime.
CC 0000128-51.2012.5.01.0000 - Des. Gustavo Tadeu Alkmim
DOERJ 25/5/2012 Deciso unnime.
CC 0016576-36.2011.5.01.0000 - Des. Jos Antonio Teixeira da Silva
DOERJ 25/5/2012 Deciso unnime.
CC 0000072-18.2012.5.01.0000 - Des. Mirian Lippi Pacheco
| Precedentes do rgo Especial |
302 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
DOERJ 15/5/2012 Deciso unnime.
CC 0000046-20.2012.5.01.0000 - Des. Alberto Fortes Gil
DOERJ 10/5/2012 Deciso unnime.
CC 0010544-15.2011.5.01.0000 - Des. Rosana Salim Villela Travesedo
DOERJ 3/4/2012 Deciso unnime.
CC 0005716-73.2011.5.01.0000 - Des. Damir Vrcibradic
DOERJ 30/9/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 12
Confito negatvo de competncia. Suspeio do juiz ttular. Juiz substtuto. Aps a fxao
da lide, a suspeio do juiz ttular da Vara no acarreta a redistribuio do feito e sim o
encaminhamento dos autos ao seu substtuto legal (CPC, art. 313).
CC 0012631-75.2010.5.01.0000 - Des. Luiz Augusto Pimenta de Mello
DOERJ 27/10/2011 Deciso unnime.
CC 0002555-55.2011.5.01.0000 - Des. Maria Das Graas Cabral Viegas Paranhos
DOERJ 2/9/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 13
Desentranhamento de recurso ordinrio. Subverso ordem processual. O despacho que
determina o desentranhamento do recurso ordinrio deixa de observar a disposio contda
no artgo 895 da CLT, o que, por si s, traduz erro de procedimento e manifesta inverso da boa
ordem processual a ensejar a reclamao correicional.
AGOR 0009636-55.2011.5.01.0000 - Des. Maria de Lourdes Sallaberry (Redatora Designada)
DOERJ 2/4/2012 Deciso por maioria.
PRECEDENTE N 14
Exceo de pr-executvidade. Deciso. Reclamao Correicional. No subverte a boa ordem
processual deciso que acolhe ou rejeita exceo de pr-executvidade.
Agravo regimental - 0014584-74.2010.5.01.0000 Des. Jos da Fonseca Martns Junior
DOERJ 2/6/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 15
Execuo. Deciso terminatva do feito. Reclamao correicional. A correio parcial no
meio destnado a afastar deciso atacvel por recurso prprio. Deciso terminatva do feito em
execuo passvel de agravo de peto, sendo incabvel o manejo de reclamao correicional.
| Precedentes do rgo Especial |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 303
AGOR 0007453-14.2011.5.01.0000 - Des. Maria das Graas Viegas Paranhos
DOERJ 28/9/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 16
Exceo de suspeio. Prazo para arguio. O prazo para oferecimento da exceo de suspeio
em face de magistrado de 15 (quinze) dias a contar do fato que a originou, sob pena de
precluso (CPC, art. 305).
ExcSusp 0008661-33.2011.5.01.0000 - Des. Gloria Regina Ferreira Mello
DOERJ 24/10/2011 Deciso por maioria
ExcSusp 0014215-80.2010.5.01.0000 - Des. Evandro Pereira Valado Lopes
DOERJ 8/7/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 17
Inspeo judicial. Corregedoria. No h qualquer ilegalidade ou irregularidade na delegao do
Corregedor a serventurios para realizao de inspees nas Varas do Trabalho, uma vez que
no h transferncia de poder hierrquico ou decisrio, mas, to somente, para, em eventual
inspeo extraordinria, constatar fatos e os relatar, de forma circunstanciada, apreciao da
Corregedoria.
RecAdm 0006214-72.2011.5.01.0000 - Des. Evandro Pereira Valado Lopes
DOERJ 3/5/2012 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 18
Litspendncia. Suspenso do feito. Subverso boa ordem processual. Subverte a boa ordem
processual deciso monocrtca que, pronunciando a litspendncia, ao invs de extnguir o
processo, determina a sua suspenso.
AGOR 0008648-34.2011.5.01.0000 - Des. Gustavo Tadeu Alkmim
DOERJ 28/11/2011 Deciso por maioria.
PRECEDENTE N 19
Mandado de Segurana. Ato administratvo pratcado pelo Exm Desembargador Presidente
deste Tribunal Regional do Trabalho. Incompetncia da Justa Federal. Compete Justa
do Trabalho processar e julgar mandado de segurana impetrado contra ato administratvo
pratcado pelo Exmo. Desembargador Presidente de Tribunal Regional do Trabalho da Primeira
Regio. Interpretao conjugada dos artgos 109, inciso VIII, da Consttuio da Repblica, 21,
inciso VI, da LC 35/79 e 15, inciso V, do Regimento Interno desta egrgia Corte. Precedentes do
Excelso Supremo Tribunal Federal e do Colendo Superior Tribunal de Justa.
| Precedentes do rgo Especial |
304 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
Agravo regimental 0001571-71.2011.5.01.0000 - Des. Evandro Pereira Valado Lopes
DOERJ 22/3/2012 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 20
Mandado de Segurana. Desistncia. Homologao. A desistncia da ao de segurana, assim
como das aes em geral, s produzir efeitos depois de homologada por sentena ou acrdo,
como dispe art. 158, pargrafo nico, do CPC.
MS 0003367-97.2011.5.01.0000 - Des. Gloria Regina Ferreira Mello
DOERJ 13/7/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 21
Pedido de Providncia. Prazo. O estabelecimento de prazo, no previsto regimentalmente,
para apresentao de pedidos de providncia, caracteriza usurpao de competncia, sendo
foroso declarar-se, em carter incidental, a nulidade da parte fnal do art. 13 do Provimento n
04/2011 da Corregedoria Regional deste Tribunal.
Agravo regimental 0000823-05.2012.5.01.0000 - Des. Gloria Regina Ferreira Mello
DOERJ 14/8/2012 Deciso por maioria.
PRECEDENTE N 22
Penso post mortem. A alegao de unio estvel exige prova cabal, no apenas com os
documentos obrigatrios, mas tambm com outros elementos que forneam ao administrador
a plena convico de que o casal consttua uma entdade familiar.
RecAdm 0009252-29.2010.5.01.0000 - Des. Gustavo Tadeu Alkmim
DOERJ 13/10/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 23
Permuta entre Juzes do Trabalho Substtutos integrantes de regies distntas. Possibilidade. A
Consttuio da Repblica Federatva do Brasil dedica especial proteo do Estado famlia
art. 226. Da se infere que a permuta possui habitat consttucional, na medida em que outra
especial proteo famlia no se poderia esperar seno aquela que garantsse aos magistrados
requerentes o direito de exercer a jurisdio nas regies em que residem seus familiares e,
assim, manter a integridade dos laos que os prendem.
PA 0005834-49.2011.5.01.0000 - Des. Rosana Salim Villela Travesedo (Redatora Designada)
DOERJ 12/7/2011 Deciso por maioria.
| Precedentes do rgo Especial |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 305
PRECEDENTE N 24
Peto de embargos de declarao. Despacho que determina a sua juntada em pasta prpria.
Subverso ordem processual. O despacho que determina a juntada em pasta prpria, da
peto de embargos de declarao opostos mediante o sistema e-DOC por encontrar-se
incompleta, vulnera a norma inserta no art. 777 da CLT, o que traduz erro de procedimento e
manifesta inverso da boa ordem processual.
Agravo regimental 0015888-74.2011.5.01.0000 - Des. Maria de Lourdes Sallaberry (Redatora
Designada)
DOERJ 29/6/2012 Deciso por maioria.
PRECEDENTE N 25
Prazo recursal. Requerimento de devoluo do prazo. Agravo regimental. Ausncia de
previso no Regimento Interno. H bice ao conhecimento de Agravo Regimental quando no
confguradas quaisquer das hipteses previstas no art. 236 do Regimento Interno desta egrgia
Corte.
AGOR 0002556-40.2011.5.01.0000 - Des. Evandro Pereira Valado Lopes
DOERJ 8/7/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 26
Preveno. Agravo de instrumento improvido. Incidncia da norma inserta no inciso II do art. 92
do Regimento Interno deste Tribunal. Livre distribuio. Improvido o agravo de instrumento os
recursos interpostos no mesmo feito sero submetdos livre distribuio.
RecAdm 0013839-60.2011.5.01.0000 - Des. Fernando Antonio Zorzenon da Silva (Redator
Designado)
DOERJ 29/3/2012 Deciso por maioria.
PRECEDENTE N 27
Recurso de revista. Despacho denegatrio de seguimento. Agravo regimental recurso
inadequado para impugnar despacho que nega seguimento a recurso de revista.
AGOR 0001790-84.2011.5.01.0000 - Des. Evandro Pereira Valado Lopes
DOERJ 8/7/2011 Deciso unnime.
Agravo Regimental 0015395-34.2010.5.01.0000 - Des. Mirian Lippi Pacheco
DOERJ 7/6/2011 Deciso unnime.
| Precedentes do rgo Especial |
306 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
PRECEDENTE N 28
Suspenso do processo. Deciso que determina a suspenso do processo sem causa legalmente
prevista caracteriza, em tese, subverso boa ordem processual.
AGOR 0005739-19.2011.5.01.0000 Des. Damir Vrcibrdic
DOERJ 30/9/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 29
URV. Juros. O recebimento judicial de quanta a ttulos de juros sobre o passivo da URV,
calculados apenas a partr da citao da r, no retra o direito aos juros de perodo anterior,
entendidas como devidas pela administrao desde a leso do direito.
RecAdm 0014210-58.2010.5.0000 - Des. Gustavo Tadeu Alkmim
DOERJ 10/8/2011 Deciso unnime.
PRECEDENTE N 30
Tutela Antecipada. Processo Administratvo. Competncia. competente o colegiado do rgo
Especial para apreciar pedido de liminar ou de antecipao de tutela em sede de processo
administratvo.
RecAdm 0005330-09.2012.5.01.0000 - Agravo Regimental - Des. Marcos Cavalcante (Redator
Designado)
DOERJ 11/9/2012 Deciso por maioria.
PRECEDENTE N 31
Confito Negatvo de Competncia. Extno do processo, sem resoluo de mrito. Preveno.
Competncia absoluta. A competncia, nos termos do artgo 253, II, do CPC, funcional
e, portanto, absoluta e inderrogvel, razo por que pode ser alegada a qualquer tempo, por
qualquer das partes, em qualquer grau de jurisdio, ou reconhecida, inclusive, ex ofcio, pelo
juiz (CPC, art. 113).
CC 0010459-29.2011.5.01.0000 - Des. Evandro Pereira Valado Lopes (Redator Designado)
DOERJ 5/12/2011 Deciso por maioria.
EMENTRIO
| Ementrio |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 309
1 DIREITO DO TRABALHO
1.1 Durao do Trabalho
1.1.1 Controle de jornada
1. No ter direito jornada de trabalho reduzida prevista no caput do art. 224 o empregado
em bancos, casas bancrias e Caixa Econmica Federal que exera funes de direo,
gerncia, fscalizao, chefa e equivalentes ou que desempenhe outros cargos de confana.
Todavia, no h, nos autos, o que permita enquadrar o reclamante na hiptese de que trata
o art. 224, 2, da CLT, apenas por ele ocupar o cargo de assistente I. O reclamado no
fez prova de que o reclamante efetvamente desempenhasse cargo de confana, encargo
processual que sobre ele recairia, nos exatos termos do art. 333, inciso II, do CPC (por ter o
ru suscitado fato impeditvo do direito perseguido pelo autor). (TRT1 - 8 Turma - Rel. Roque
Lucarelli Datoli - 0000494-89.2010.5.01.0411 - 14/6/2012).
1.1.1.1 Carto de ponto
2. Jornada extraordinria. Controles de ponto. A empregadora tem a obrigao de anotar a
real jornada de trabalho dos empregados e apresentar os cartes de ponto em juzo, fazendo
prova pr-consttuda. A falta de apresentao dos controles de jornada ou seu preenchimento
incorreto geram para a r o nus de comprovar por outros meios a jornada efetvamente
laborada pelo trabalhador (art. 74, 2, da CLT e Smula 338 do C. TST.). (TRT1 - 9 Turma - Rel.
Dalva Amlia de Oliveira - 0002030-46.2011.5.01.0203 - 11/12/2012).
1.2 Remunerao, Verbas indenizatrias e Benefcios
1.2.1 Salrio/Diferena Salarial
1.2.1.1 Salrio por Acmulo de Cargo/Funo
3. Acmulo de funes. Diferenas salariais. No havendo prova do acmulo de funes, mas
to somente de atvidades acessrias, decorrentes de mero coleguismo entre profssionais
de uma mesma empresa, no h que se falar em diferenas salariais pelo exerccio de tais
tarefas. (TRT1 - 9 Turma - Rel. Claudia de Souza Gomes Freire - 0001933-46.2011.5.01.0203
- 18/9/2012).
2 DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO
2.1 Partes e Procuradores
2.1.1 Representao em Juzo
4. Irregularidade de representao. e-DOC. Na forma da Lei n 11.419/2006, os documentos
produzidos eletronicamente e juntados aos processos eletrnicos com garanta de origem e de
seu signatrio sero considerados originais para todos os efeitos legais. (TRT1 - 3 Turma - Rel.
Gloria Regina Ferreira Mello - 0149900-87.2001.5.01.0028 - 25/5/2012).
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2.2 Recurso
5. Agravo regimental. Correio parcial contra despacho que determina a juntada em pasta
prpria de peto de embargos de declarao opostos pela parte. Subverso ordem
processual. O despacho que determinou a juntada em pasta prpria da peto de embargos de
declarao opostos mediante o sistema e-DOC por encontrar-se incompleta vulnerou a norma
inserta no art. 777 da CLT, o que, por si s, traduz erro de procedimento e manifesta inverso da
boa ordem processual a ensejar a procedncia da correio parcial. (TRT1 - rgo Especial - Rel.
Gustavo Tadeu Alkmim - 0015888-74.2011.5.01.0000 - 29/6/2012).
2.2.1 Preparo/Desero
6. Custas. Ausncia de comprovao do pagamento juntado em cpia no autentcada.
O art. 789, pargrafo 1, da CLT estabelece que o pagamento das custas deve ocorrer e ser
comprovado o seu recolhimento dentro do prazo recursal. (TRT1 - 4 Turma - Rel. Luiz Augusto
Pimenta de Mello - 0088000-56.2008.5.01.0029 - 26/10/2012).
7. Depsito recursal e custas. Recolhimento eletrnico. Inobservncia s instrues normatvas
20/2002 e 26/2004 do C. TST. Desero. Inobservadas as determinaes do TST acerca dos
procedimentos a serem adotados quanto ao depsito recursal e ao recolhimento das custas.
Assim, impe-se o no conhecimento do apelo interposto, ante ao manifesto descumprimento
de pressuposto legal de admissibilidade do recurso ordinrio. (TRT1 - 10 Turma - Rel. Clio
Juaaba Cavalcante - 0151500-64.2007.5.01.0051 - 4/6/2009).
8. Desero. No conhecimento. Cabe parte a comprovao do recolhimento correto do
preparo no prazo alusivo ao recurso. A juntada, pelo sistema e- Doc, de cpias ilegveis das
guias de pagamento torna, por isso, deserto o apelo. (TRT1 - 10 Turma - Rel. Marcos Cavalcante
- 0067300-40.2005.5.01.0037 - 25/11/2009).
9. Desero. Petcionamento eletrnico. Guia de depsito recursal ilegvel. bice ao
conhecimento do apelo patronal. Optando a parte pelo uso do petcionamento eletrnico, deve
cercar-se de todas as garantas para que os documentos apresentados sejam devidamente
recebidos. A responsabilidade pela transmisso de documentos via e-DOC do usurio. Logo, a
irregularidade concernente inadequada comprovao do recolhimento do depsito recursal,
por se encontrar ilegvel a autentcao bancria na cpia do respectvo documento, acarreta
a desero do apelo. (TRT1 - 10 Turma - Rel. Rosana Salim Villela Travesedo - 0000926-
85.2010.5.01.0451 - 11/7/2012).
10. Desero. Petcionamento eletrnico. Guia de depsito recursal. Impossibilidade de aferir
a regularidade do recolhimento. 1. No se admite o apelo protocolizado pela reclamada,
por inobservado pressuposto extrnseco de admissibilidade recursal. 2. Remetdos por via
eletrnica (e-DOC) o recurso, a guia comprobatria do depsito recursal juntada aos autos no
comprova o recolhimento do depsito recursal no valor correspondente, impossibilitando aferir
a regularidade desse recolhimento. 3. Refra-se que, nos termos do disposto no artgo 11, IV da
Instruo Normatva n 30/2007 do TST, que regulamentou a Lei n 11.419/2006 e, tambm, no
artgo 4 da Lei n 9.800/99, aqui aplicado por analogia, a responsabilidade pela qualidade dos
documentos do usurio. 4. Dessarte, no sendo possvel averiguar a regularidade do depsito
recursal, resta prejudicada anlise de requisito essencial ao acolhimento do apelo, impondo-se
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sua no admisso. Recurso ordinrio a que no se admite. (TRT1 - 10 Turma - Rel. Ricardo
Areosa - 0001055-04.2010.5.01.0221 - 8/8/2012).
11. Guias de depsito recursal e de custas transmitdas via e-DOC. Impossibilidade de aferio
do correto preparo do apelo. Desero. O e-DOC um servio facultatvo e a parte que opta
pela sua utlizao fca responsvel por eventuais defeitos de transmisso ou recepo dos
dados encaminhados (art. 11 da Instruo Normatva n 30 do TST). Encontrando-se ilegveis as
guias de depsito recursal e de custas processuais, no se permitndo aferir se houve o correto
recolhimento no exato valor devido e dentro do prazo recursal , dever o apelo interposto ser
considerado deserto. (TRT1 - 3 Turma - Rel. Rildo Albuquerque Mousinho de Brito - 0049200-
76.2006.5.01.0045 - 3/8/2011).
12. No se admite o recurso, por deserto, se as verses digitais das guias comprobatrias das
custas e do depsito recursal (enviadas por meio do sistema de petcionamento eletrnico
denominado e-DOC), esto incompletas por culpa de quem as enviou ao rgo judicial. (TRT1 -
4 Turma - Rel. Luiz Alfredo Mafra Lino - 0000303-05.2011.5.01.0057 - 14/9/2012).
13. Recurso ordinrio da primeira reclamada. Custas judiciais. Depsito recursal. Comprovantes.
Ilegibilidade. Intmao. Juntada posterior. No convalidao. Desero. da parte interessada
a responsabilidade pelo encaminhamento e entrega Justa do Trabalho dos documentos
que comprovam o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade dos recursos por ela
interpostos, inclusive quando se serve, para a prtca dos referidos atos, do Sistema Integrado
de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos (e-DOC). Dessa forma, a posterior juntada
de comprovantes completos e legveis dos recolhimentos no convalida o ato, na medida em
que o prazo recursal, dentro do qual devem ser realizados e comprovados os recolhimentos
legalmente exigidos, peremptrio, consttuindo pressuposto de admissibilidade do apelo.
Recurso Ordinrio da primeira reclamada no conhecido. (TRT1 - 2 Turma - Rel. Mrcia Leite
Nery - 0000192-48.2010.5.01.0027 - 5/11/2012).
14. Recurso ordinrio. Depsito recursal com autentcao bancria ilegvel. Ausncia de
juntada da guia GRU. Desero. No merece ser conhecido recurso ordinrio interposto em
que a autentcao bancria da guia de recolhimento do depsito recursal est ilegvel e a
comprovao do recolhimento das custas processuais no realizada mediante a juntada da
Guia de Recolhimento da Unio - GRU Judicial. (TRT1 - 7 Turma - Rel. Alexandre Teixeira de
Freitas Bastos Cunha - 0000262-97.2012.5.01.0511 - 5/12/2012).
15. Recurso ordinrio. No conhecimento. Desero. Recolhimento de custas e depsito
recursal em cpias inautntcas. considerado deserto o recurso ordinrio que traz aos autos
os comprovantes de recolhimento de custas e depsito recursal em cpias inautntcas,
exceo dos casos em que interposto o recurso ordinrio por e-DOC, o que no a hiptese dos
autos. (TRT1 - 8 Turma - Rel. Marcelo Augusto Souto de Oliveira - 0090500-39.2009.5.01.0004
- 28/9/2011).
2.2.2 Regularidade Formal
16. Agravo de instrumento. Inexistncia de traslado. No conhecimento. Impe-se o no
conhecimento do agravo quando a parte agravante no traslada qualquer pea para a sua
formao. Ao teor do que dispe o artgo 897, 5, I, da CLT, dever das partes zelar pela
correta formao do instrumento. Enviado o agravo por e-DOC, e tendo que os documentos
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seriam apresentados na Secretaria da Vara no prazo do 5, art. 11 da Lei n 11.419, de 2006,
dever da parte faz-lo, sob pena de no conhecimento. (TRT1 - 7 Turma - Rel. Sayonara Grillo
Coutnho Leonardo da Silva - 0001693-54.2011.5.01.0010 - 26/10/2012).
17. Agravo de instrumento. No conhecimento. O agravo de instrumento deve conter
obrigatoriamente cpias dos documentos previstos no inciso I do pargrafo 5 do artgo 897
da CLT e no item III da IN/TST n 16/1999. (TRT1 - 2 Turma - Rel. Valmir de Araujo Carvalho -
0000770-17.2012.5.01.0261 - 2/10/2012).
2.2.3 Tempestvidade
18. Agravo de instrumento. Recurso ordinrio intempestvo. Inaplicvel no mbito desta Corte o
3, do art. 4, da Lei n 11.419/2006, pela simples razo de que ainda no foi criado por este
Regional o Dirio Eletrnico de que trata o caput do art. 4 da referida lei, para publicao de
atos judiciais e comunicaes em geral. Deciso agravada mantda. (TRT1 - 9 Turma - Rel. Jos
da Fonseca Martns Junior - 0001253-71.2011.5.01.0038 - 14/3/2012).
19. Recurso ordinrio intempestvo. Publicao atravs de dirio ofcial fsico. A publicao
por meio eletrnico, prevista na Lei n 11.419/2006, s produz efeitos jurdicos aps a efetva
implementao e regulamentao do Dirio Ofcial Eletrnico, o que ainda no ocorreu
no mbito deste E. TRT. (TRT1 - 9 Turma - Rel. Giselle Bondim Lopes Ribeiro - 0000471-
06.2012.5.01.0046 - 23/7/2012).
20. Recurso ordinrio. Embargos declatrios. Provada a tempestvidade dos embargos
declaratrios, necessria se faz a baixa dos autos para a devida apreciao pelo juzo a quo.
(TRT1 - 3 Turma - Rel. Patrcia Pellegrini Baptsta da Silva - 0001235-02.2011.5.01.0054
- 5/12/2012).
2.2.3.1 e-DOC (Lei n 11.419/2006)
21. A Lei n 11.419/2006 regulamenta o uso do meio eletrnico na tramitao de processos
judiciais, permitndo, na forma de seu art. 2, o envio de petes, recursos e a prtca de atos
processuais em geral por meio eletrnico, mediante uso de assinatura eletrnica. permitda,
ainda, a produo eletrnica de documentos para serem juntados ao processo, os quais
possuem a mesma fora probante que os originais, devendo, todavia, estar reproduzidos nos
autos de forma completa e legvel, sob pena de no atngirem a fnalidade colimada. (TRT1 - 9
Turma - Rel. Antnio Carlos de Azevedo Rodrigues - 0000032-30.2010.5.01.0057 - 30/7/2012).
22. A Lei n 11.419/2006, que regula a informatzao do processo judicial, no cria nenhuma
limitao quanto ao tamanho dos arquivos enviados eletronicamente, no cabendo ao
intrprete faz-lo. Dou provimento. (TRT1 - 1 Turma - Rel. Marcos Palacio - 0000562-
22.2010.5.01.0061 - 8/2/2011).
23. A parte que pretende se valer do sistema e-DOC para transmisso de documentos deve
ter o cuidado de se certfcar da legibilidade dos documentos eletronicamente transmitdos,
providenciando, se for o caso, a juntada dos originais, no prazo legal, a fm de garantr
o conhecimento de seu recurso. (TRT1 - 5 Turma - Rel. Tania da Silva Garcia - 0160800-
98.2009.5.01.0077 - 17/3/2011).
24. A transmisso incompleta de Embargos Execuo atravs do Sistema e-DOC resulta na
impossibilidade de apreciao de questes inexistentes na pea processual, competndo ao
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petcionante o dever de zelar pela adequada emisso do documento, na forma do pargrafo
quinto do artgo 11 da Lei n 11.419/2006. (TRT1 - 6 Turma - Rel. Theocrito Borges dos Santos
Filho - 0006200-49.2007.5.01.0026 - 29/9/2010).
25. Admissibilidade recursal. Utlizao do recurso e-DOC. Possvel falha de impresso das guias
das custas e do depsito recursal. Desero. O e-DOC um servio de uso facultatvo, sendo
induvidoso que a responsabilidade por eventuais defeitos de transmisso ou recepo de dados
relatvos pea processual tramitada no sistema, incluindo os seus anexos, do litgante que
dele fez uso, na forma da Instruo Normatva n 30 do TST, que regulamenta a Lei n 11.419,
de 19 de dezembro de 2006, que dispe sobre a informatzao do processo judicial. No tocante
s custas processuais e ao depsito recursal, constata-se que as folhas foram impressas pela
metade. No h como se ter certeza, assim, que o valor do depsito recursal est correto,
porque ausente essa informao, ou at mesmo se houve o recolhimento das guias, por
ausncia da autentcao bancria nas duas folhas, em que pese constar dos documentos os
dados relatvos ao presente feito. Recurso ordinrio deserto. (TRT1 - 10 Turma - Rel. Marcelo
Antero de Carvalho - 0143900-58.2008.5.01.0341 - 16/4/2012).
26. Agravo de instrumento. Cpias de peas sem autentcao. A ausncia de autentcao
das peas que formam o agravo de instrumento, na forma prevista na Instruo Normatva
16/1999, impede o seu conhecimento. A Lei n 11.419/2006 introduziu o inciso IV do artgo
365 do CPC, aplicvel ao processo do trabalho, dispondo que fazem a mesma que os originais
as cpias reprogrfcas do prprio processo judicial, declaradas autntcas pelo prprio
advogado. Contudo, inexistndo qualquer ato nesse sentdo, a medida de agravo encontra bice
intransponvel ao seu conhecimento. (TRT1 - 10 Turma - Rel. Flvio Ernesto Rodrigues Silva -
0000337-69.2012.5.01.0016 - 12/6/2012).
27. Agravo de instrumento. Enviado recurso ordinrio pelo sistema eletrnico e-DOC, deve
ser conhecido o recurso se cumpridos os requisitos de admissibilidade, ainda que haja
equvoco de formatao constatado pela Vara, a quem incumbe sua impresso, pois em caso
de ilegitmidade deve se dar oportunidade para que a parte traga o original ( 5, do art. II,
da Lei n 11.419/2006). (TRT1 - 3 Turma - Rel. Edith Maria Corra Tourinho - 0000720-
68.2010.5.01.0064 - 11/1/2012).
28. Agravo de instrumento. Intempestvidade. Recurso ordinrio por e-mail. No h como se
aferir a tempestvidade do recurso ordinrio interposto atravs de e-mail aps o horrio de
expediente fxado pelo Tribunal Regional, na forma do artgo 172, 3, do Cdigo de Processo
Civil. Peto eletrnica. e-DOC. Lei n 11.419/2006. O horrio mencionado no pargrafo nico
do artgo 3 da Lei n 11.419/2006, ou seja, at as 24 (vinte e quatro) horas, no se presta para
o caso de remessa de recurso ordinrio, seja por fax ou e-mail, eis que a referida lei pertnente
ao uso de meio eletrnico, mediante credenciamento, assinatura, transmisso e fornecimento
do respectvo protocolo, o que no a hiptese dos autos. Agravo de instrumento a que se
nega provimento. (TRT1 - 1 Turma - Rel. Mery Bucker Caminha - 0057901-74.2008.5.01.0071
- 16/9/2010).
29. Agravo de instrumento. Interposio de recurso ordinrio via e-DOC. Restries de
transmisso devido ao grande volume. Responsabilidade exclusiva do usurio. Tendo o
recorrente optado por utlizar o sistema eletrnico, e, diante do grande volume digitalizado,
deveria ter observado o 5 do art. 11 da Lei n 11.419/2006, apresentado peto eletrnica
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comunicando tal fato e o recurso na secretaria, dentro dos respectvos prazos legais, mas no
o fez. Recurso desprovido. (TRT1 - 5 Turma - Rel. Bruno Losada Albuquerque Lopes - 0000201-
22.2011.5.01.0044 - 24/5/2011).
30. Agravo de instrumento. Razes de no conhecimento. No se conhece do agravo de
instrumento interposto pelo sistema e-DOC, quando a parte agravante, alm de fracionar os
documentos, o faz em dias alternados. Aplicao do art. 6 da IN/TST n 30/2007. (TRT1 - 7
Turma - Rel. Alvaro Luiz Carvalho Moreira - 0000630-05.2011.5.01.0071 - 4/10/2011).
31. Agravo de instrumento. Recurso ordinrio interposto por meio eletrnico. Indisponibilidade
excepcional do sistema no ltimo dia do prazo recursal. Motvo no imputvel ao recorrente.
Apelo transmitdo no dia seguinte. Tempestvidade. Agravo provido. Considerando que o art.
3, pargrafo nico, da Lei n 11.419/2006 reconhece a tempestvidade da peto eletrnica
transmitda at s 24 (vinte e quatro) horas do ltimo dia do prazo processual e que a
indisponibilidade do sistema no foi proveniente de manuteno programada, ou ato imputvel
parte, no h como considerar intempestvo o recurso interposto eletronicamente no dia
seguinte ao trmino do prazo recursal, data em que o sistema voltou a fcar disponvel. (TRT1 -
9 Turma - Rel. Rogrio Lucas Martns - 0001692-86.2009.5.01.0027 - 22/6/2010).
32. Agravo de peto do reclamante. Conhecimento. Cingindo-se o apelo autoral ao
reconhecimento da intempestvidade dos embargos execuo opostos pela r e ao
inconformismo com a deciso recorrida ao excluir o adicional de periculosidade da base de
clculo dos valores devidos, resta delimitada a matria, consoante o artgo 897, 1, da CLT.
Agravo de peto da reclamada. No logrando a agravante demonstrar robustamente erros
no laudo pericial e no demonstratvo de atualizao e juros, devem prevalecer os clculos
homologados pelo Juzo de 1 grau. Agravo de peto do reclamante parcialmente provido.
Agravo de peto da r negado. (TRT1 - 2 Turma - Rel. Maria Aparecida Coutnho Magalhes
0149600-20.2003.5.01.0202 - 6/9/2012).
33. Agravo de peto. Sistema e-DOC. Indisponibilidade do sistema. Aplicao do artgo 24,
2 da instruo normatva n 30/2007. O pargrafo 2 do artgo 24, da Instruo Normatva
n 30/2007 estabelece que se o servio respectvo do Portal - JT se tornar indisponvel por
motvo tcnico que impea a prtca do ato no termo fnal do prazo, este fca automatcamente
prorrogado para o primeiro dia til seguinte resoluo do problema -, no havendo que se falar
em intempestvidade, quando o recurso protocolado no dia seguinte da indisponibilidade.
(TRT1 - 7 Turma - Rel. Paulo Marcelo de Miranda Serrano - 0093300-06.2007.5.01.0038
- 9/10/2012).
34. Guia do depsito recursal ilegvel. O entendimento majoritrio das turmas do TST
no sentdo de se incumbir, ao usurio do e-DOC, a responsabilidade pela transmisso dos
documentos. Assim, ao se utlizar do sistema e-DOC, a parte assume a responsabilidade por
eventual problema na recepo, transmisso, qualidade, fdelidade e entrega do material
transmitdo, nos termos dos arts. 4 da Lei n 9.800/99 e 11, 1, da Resoluo n 140/2007 do
TST. Agravo de instrumento a que se nega provimento. (TRT1 - 5 Turma - Rel. Roberto Norris -
0000481-58.2012.5.01.0011 - 28/8/2012).
35. Intempestvidade. Inocorrncia. Tempestvo o recurso quando transmitdo, por meio
eletrnico ao sistema do Poder Judicirio, at s 24 horas do ltimo dia do prazo previsto
em lei, ex vi da norma inserta no art. 3 e pargrafo nico, da Lei n 11.419, de 19/12/2006,
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Regio 315
que dispe sobre a informatzao do processo judicial. Irregularidade de representao. No
confgurao. Preclusa a oportunidade (em sede de contrarrazes) para o reclamante suscitar a
irregularidade de representao da reclamada, na medida em que, pelos seus atos anteriores,
aceitou tacitamente a representao da r. Estabilidade provisria. Pr-aposentadoria.
Norma coletva. No discriminando a norma coletva as pessoas para as quais concedida a
estabilidade provisria, foroso concluir que se destna s aposentadorias integrais. A par de
as situaes especiais deverem ser especifcadas para se inserirem nas regras gerais, tem-se que
interpretao diversa implicaria na dilatao do perodo pactuado para a garanta de emprego.
(TRT1 - 5 Turma - Rel. Angela Fiorencio Soares da Cunha - 0091200-94.2009.5.01.0204
- 15/4/2011).
36. Petcionamento eletrnico (e-DOC). Tempestvidade. Nos termos do art. 10, da Lei n
11.419/2006 a distribuio da peto inicial e a juntada da contestao, dos recursos e das
petes em geral, todos em formato digital, nos autos de processo eletrnico, podem ser
feitas diretamente pelos advogados pblicos e privados, sem necessidade da interveno do
cartrio ou secretaria judicial. Por sua vez, versa o 2 da referida lei que, no caso do 1
deste artgo, se o Sistema do Poder Judicirio se tornar indisponvel por motvo tcnico, o prazo
fca automatcamente prorrogado para o primeiro dia til seguinte resoluo do problema.
Dessa forma tempestvo o apelo interposto no primeiro dia subsequente demonstrada
indisponibilidade do sistema. (TRT1 - 5 Turma - Rel. Mirian Lippi Pacheco - 0057800-
50.2006.5.01.0057 - 23/2/2012).
37. Petcionamento eletrnico. Guia inelegvel. Desero. A utlizao do petcionamento
eletrnico (Lei n 11.419/2006) faculdade das partes; e no desonera o recorrente de
comprovar, no ato do ajuizamento do apelo, que preenche os requisitos ao conhecimento
do mesmo. Como j salientado na deciso monocrtca, a autentcao mecnica aposta na
guia de recolhimento do depsito recursal (fs. 77) est ilegvel, de modo que no pode o
juzo verifcar o preenchimento do requisito preparo. A comprovao do preenchimento dos
requisitos recursais deve ser feita no ato do ajuizamento do recurso. No observado isso, o
recurso ordinrio interposto encontra-se deserto. Agravo improvido. (TRT1 - 6 Turma - Rel.
Jos Antonio Teixeira da Silva - 0000721-66.2011.5.01.0501 - 11/5/2012).
38. Protocolo de peto por e-DOC. Inobservncia das limitaes impostas por regulamento.
O protocolo eletrnico de peas processuais em processos que ainda existem em meio fsico
apenas uma alternatva ao jurisdicionado, que deve observar as limitaes previstas em lei
e regulamento. Caso a pea no observe tais critrios, dever ser protocolada fsicamente, o
que respeita os princpios do contraditrio e ampla defesa. (TRT1 - 2 Turma - Rel. Vlia Bomfm
Cassar - 0001046-98.2012.5.01.0018 - 22/10/2012).
39. Recurso ordinrio. Indisponibilidade do sistema e-DOC. Intempestvidade. No conhecimento.
De acordo com o Ato 97/2008, que dispe sobre a insttuio e o funcionamento do Sistema
Integrado de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos, denominado e-DOC no mbito
do TRT da 1 Regio, art. 7, nico, a no obteno, pelo usurio, de acesso ao Sistema,
alm de eventuais defeitos de transmisso ou recepo de dados, no servir de escusa para
o descumprimento dos prazos legais. (TRT1 - 1 Turma - Rel. Mrio Srgio Medeiros Pinheiro -
0000849-41.2010.5.01.0010 - 3/5/2012).
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Regio
40. Recurso ordinrio. Petcionamento eletrnico (e-DOC). Comprovantes de custas processuais
e depsito recursal ilegveis. Ausncia de recolhimento no prazo recursal. No conhecimento. I -
A Instruo Normatva n 30 do Tribunal Superior do Trabalho, que regulamenta a Lei n 11.419,
de 19 de dezembro de 2006, a qual dispe sobre a informatzao do processo judicial, dispe
no art. 7 que O envio da peto por intermdio do e-DOC dispensa a apresentao posterior
dos originais ou de fotocpias autentcadas, inclusive aqueles destnados comprovao de
pressupostos de admissibilidade do recurso. II - No caso concreto, os documentos apresentados
pelo recorrente a fm de comprovar o recolhimento dos valores pertnentes s custas e depsito
recursal so ilegveis, impedindo, assim, a aferio da tempestvidade (Smula 245 do TST),
bem como a constatao do valor depositado. Desta forma, a comprovao aps o octdio legal
atrai o no conhecimento do recurso. (TRT1 - 7 Turma - Rel. Evandro Pereira Valado Lopes -
0000760-09.2010.5.01.0013 - 29/9/2011).
41. Recurso ordinrio. Petcionamento por meio e-DOC. O petcionamento por meio eletrnico
(sistema e-DOC) dispensa a apresentao de cpias. Esta a dico que se extrai do art. 7 da
Instruo Normatva 30/2007 do C. TST. (TRT1 - 8 Turma - Rel. Ivan da Costa Alemo Ferreira -
0000147-26.2010.5.01.0033 - 27/7/2010).
42. Sistema e-DOC. Adoo facultatva. Recurso ordinrio. Intempestvo. O Ato 97/2008 deste
E. Tribunal, que dispe sobre a insttuio e funcionamento nesta E. Corte do e-DOC (Sistema
Integrado de Protocolizao e Fluxo de Documentos Eletrnicos), expressamente dispe que
o uso deste servio facultatvo. Assim, havendo qualquer problema no envio de petes
eletrnicas por esta via, dever a parte atentar para o correto cumprimento do seu prazo
processual, utlizando o protocolo geral disponvel neste E. Tribunal. (TRT1 - 8 Turma - Rel.
Leonardo Dias Borges - 0000760-30.2012.5.01.0048 - 8/11/2012).
NDICES
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 319
NDICE DE ASSUNTOS
(Os nmeros indicados correspondem s pginas da Revista)
1 DIREITO DO TRABALHO ..........................................................................................309
1.1 Durao do Trabalho ..................................................................................................309
1.1.1 Controle de jornada ...................................................................................................309
1.1.1.1 Carto de ponto .........................................................................................................309
1.2 Remunerao, Verbas Indenizatrias e Benefcios .....................................................309
1.2.1 Salrio/Diferena Salarial ...........................................................................................309
1.2.1.1 Salrio por Acmulo de Cargo/Funo ......................................................................309
2 DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO TRABALHO ......................................................309
2.1 Partes e Procuradores ................................................................................................309
2.1.1 Representao em Juzo .............................................................................................309
2.2 Recurso.......................................................................................................................310
2.2.1 Preparo/Desero ......................................................................................................310
2.2.2 Regularidade Formal ..................................................................................................311
2.2.3 Tempestvidade ..........................................................................................................312
2.2.3.1 e-DOC (Lei n 11.419/2006) .......................................................................................312
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 321
ALKMIM, Gustavo Tadeu, 5
AREOSA, Ricardo, 10
BORGES, Leonardo Dias, 42
BRITO, Rildo Albuquerque Mousinho de, 11
CAMINHA, Mery Bucker, 28
CARVALHO, Marcelo Antero de, 25
CARVALHO, Valmir de Araujo, 17
CASSAR, Vlia Bomfm, 38
CAVALCANTE, Clio Juaaba, 7
CAVALCANTE, Marcos, 8
CUNHA, Alexandre Teixeira de Freitas Bastos, 14
CUNHA, Angela Fiorencio Soares da, 35
DATTOLI, Roque Lucarelli, 1
FERREIRA, Ivan da Costa Alemo, 41
FREIRE, Claudia de Souza Gomes, 3
GARCIA, Tania da Silva, 23
LINO, Luiz Alfredo Mafra, 12
LOPES, Bruno Losada Albuquerque, 29
LOPES, Evandro Pereira Valado, 40
MAGALHES, Maria Aparecida Coutnho, 32
MARTINS JUNIOR, Jos da Fonseca, 18
MARTINS, Rogrio Lucas, 31
MELLO, Gloria Regina Ferreira, 4
MELLO, Luiz Augusto Pimenta de, 6
MOREIRA, Alvaro Luiz Carvalho, 30
NERY, Mrcia Leite, 13
NORRIS, Roberto, 34
OLIVEIRA, Dalva Amlia de, 2
OLIVEIRA, Marcelo Augusto Souto de, 15
PACHECO, Mirian Lippi, 36
PALACIO, Marcos Antonio, 22
PINHEIRO, Mrio Srgio Medeiros, 39
RIBEIRO, Giselle Bondim Lopes, 19
RODRIGUES, Antnio Carlos de Azevedo, 21
SANTOS FILHO, Theocrito Borges dos, 24
NDICE ONOMSTICO
(As indicaes correspondem ao nmero da ementa pginas 309 a 316)
| ndices |
| ndice Onomstco |
322 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
SERRANO, Paulo Marcelo de Miranda, 33
SILVA, Flvio Ernesto Rodrigues, 26
SILVA, Jos Antonio Teixeira da, 37
SILVA, Patrcia Pellegrini Baptsta da, 20
SILVA, Sayonara Grillo Coutnho Leonardo da, 16
TOURINHO, Edith Maria Corra, 27
TRAVESEDO, Rosana Salim Villela, 9
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 323
A
Acmulo de funo, 3
Adicional de periculosidade, 32
Admissibilidade, 7, 10, 13, 25, 27, 40
Advogado, 26, 36
Agravo
- de instrumento, 16, 17, 18, 26, 27, 28, 29,
30, 31, 34
- de peto, 32, 33
- regimental, 5
Analogia (aplicao por), 10
Aposentadoria, 35
Assinatura eletrnica, 21, 28
Ato judicial, 18
Autentcao
- bancria, 9, 14, 25
- de peas, 26
- mecnica, 37
B
Banco (Caixa Econmica Federal), 1
Base de clculo, 32
C
Clculo, 32
Cargo de confana, 1
Consulte tambm Funo, 1, 3
Carto de ponto, 2
Cartrio, 36
Cdigo de Processo Civil, 1, 26, 28
Consolidao das Leis do Trabalho (CLT), 1, 2,
5, 6, 16, 17, 32
Contestao, 36
Correio parcial, 5
Culpa, 12
Custas
NDICE REMISSIVO
(As indicaes correspondem ao nmero da ementa pginas 309 a 316)
- guia comprobatria, 12, 13, 14, 25
- processuais, 11, 14, 25, 40
- recolhimento, 6, 7, 15
D
Deciso monocrtca, 37
Declarao (embargos de), 5
Depsito recursal, 7, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15,
25, 34, 40
Desero, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 25, 37
Dirio Ofcial, 19
Diferena salarial, 3
Dispensa, 40, 41
Distribuio, 36
Documento, 4, 9, 13, 16, 17, 21, 23, 24, 25,
30, 34, 40, 42
E
Efeito jurdico, 4, 19
E-DOC (Sistema Integrado de Protocolozao
e Fluxo de Documentos Eletrnicos), 4, 5, 9,
10, 11, 12, 13, 15, 16, 23, 24, 25, 27, 28, 29,
30, 33, 34, 36, 38, 39, 40, 41, 42
Consulte Peto eletrnica
E-mail, 28
Embargo
- execuo, 24, 32
- de declarao, 5, 20
Erro
- de procedimento (error in procedendo), 5
- no laudo pericial, 32
Estabelecimento bancrio, 1
Estabilidade provisria, 35
| ndices |
| ndice Remissivo |
324 Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio
F
Fato impeditvo, 1
Funo
- acmulo de, 3
- de direo, 1
G
Guia de Recolhimento da Unio (GRU), 14
Fato impeditvo, 1
Funo (acmulo de), 3
I
Ilegitmidade, 27
Interveno, 36
Intmao, 13
Inverso, 5
J
Jornada
- de trabalho, 1, 2
- extraordinria, 2
Juros, 32
Justa do Trabalho, 13
L
Laudo pericial, 32
Lei
- n 9.800/99 (Permite s partes a utlizao
de sistema de transmisso de dados para a
prtca de atos processuais), 34
- n 11.419/06 (Informatizao do proces-
so judicial), 4, 10, 16, 18, 19, 21, 22, 24, 25,
26, 27, 28, 29, 31, 35, 36, 37, 40
N
Norma coletva, 35
O
Obrigao, 2
Ordem processual, 5
rgo
- Especial, 5
- judicial, 12
P
Pagamento, 6, 8
Periculosidade, 32
Peto
- agravo de, 32, 33
- de embragos, 5
- eletrnica, 28, 29, 31, 36, 37, 38, 40, 42
- inicial, 36
Petcionamento, 9, 10, 12, 36, 37, 40, 41
Poder Judicirio, 35, 36
Prazo
- (em geral), 33, 35, 36, 39
- legal, 23, 29
- peremptrio, 13
- processual, 42
- recursal, 6, 8, 11, 13, 16, 31, 40
Precluso, 35
Princpio do Contraditrio e da Ampla Defesa,
38
Processo eletrnico, 36
Protocolo, 38
Prova
- (em geral), 1, 3
- pr-consttuda, 2
| ndices |
| ndice Remissivo |
Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 1
a
Regio 325
R
Recurso
- admissibilidade do, 7, 13
- conhecimento, 23
- deserto, 12
Consulte tambm Desero, 12
- ordinrio, 10, 13, 14, 15, 18, 19, 20, 25, 27,
28, 29, 31, 37, 39, 40, 41, 42
- tempestvidade, 33, 35, 36
Remessa, 28
Representao irregular, 4, 35
Responsabilidade
- do usurio, 29
- na transmisso de documentos, 9, 10, 11,
13, 25, 34
S
Secretaria da Vara, 16, 29, 36
Sistema de Protocolizao e Fluxo de
Documentos Eletrnicos (e-DOC), 5, 8, 12, 13,
23, 24, 25, 27, 29, 30, 31, 33, 34, 35, 36, 39,
41, 42
Smula, 2, 40
T
Tarefa, 3
Tempestvidade, 20, 28, 31, 35, 36, 40
Termo fnal, 33
Trabalhador, 2
Trabalho jornada de, 1, 2
Tramitao processual, 21
Tribunal
- Regional, 28, 42
- Superior do Trabalho, 2, 7, 10, 11, 17, 25,
30, 34, 41
U
Uso
- (em geral), 9, 25
- assinatura eletrnica, 21
- do servio, 42
-meio eletrnico, 28
V
Vara do Trabalho, 27
52
52
J
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l
h
o
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D
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m
b
r
o
2
0
1
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Av. Presidente Antonio Carlos, 251 - Centro
Rio de Janeiro (RJ)
CEP: 20020-010
PABX: (21) 2380-6150
Julho / Dezembro 2012
PJe
Processo Judicial Eletrnico
R
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I
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2
1
7
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-
5
6
5
1
A Revista do Tribunal
Regional do Trabalho
da 1 Regio, de
periodicidade semestral,
oferecida gratuitamente
aos interessados nas
questes jurdicas que
permeiam as relaes
trabalhistas. Seu objetivo
primordial divulgar o
pensamento jurdico
produzido no mbito do
TRT sediado no Rio de
Janeiro, fomentando
refexes acadmicas e
doutrinrias. , ainda,
fonte ofcial de publicao
de julgados, conforme
disposto no art. 226,
pargrafo nico,
do Regimento Interno
do TST.