1 - Manual 1 Ao 7
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1 - Manual 1 Ao 7
beneficiamento
do algodo
Cuiab/mt
manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
O IMAmt foi criado pela AMPA em 2007 afim de desenvolver pesquisa, extenso e difuso
de tecnologia para atender os produtores Mato-grossenses.
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AMPA - IMAmt 2014
PALAVRA DO DIRETOR
sumrio
CAPTULO 1
HISTRIA DO BENEFICIAMENTO DO ALGODO............................................................................ 9
CAPTULO 2
CULTIVO DO ALGODOEIRO NO CERRADO BRASILEIRO.............................................................17
CAPTULO 3
COLHEITA DO ALGODO, ARMAZENAGEM E TRANSPORTE....................................................27
CAPTULO 4
CUSTO DE PRODUO NO BENEFICIAMENTO.............................................................................49
CAPTULO 5
GESTO DE PTIOS NA ALGODOEIRA..............................................................................................65
CAPTULO 6
IMPLANTAO DE ALGODOEIRA E PROCESSOS DE BENEFICIAMENTO..............................79
CAPTULO 7
O PROCESSO DE BENEFICIAMENTO..................................................................................................87
CAPTULO 8
TRANSPORTE DE MATRIAS NA ALGODOEIRA.......................................................................... 171
CAPTULO 9
quem somos UTILIZAO E CONSERVAO DA ENERGIA EM ALGODOEIRAS......................................... 195
O Instituto Mato-grossense CAPTULO 10
do Algodo tem o propsito AUTOMAO NA ALGODOEIRA...................................................................................................... 219
de oferecer total suporte CAPTULO 11
a pesquisas necessrias MANUTENO NAS ALGODOEIRAS.............................................................................................. 229
para o desenvolvimento CAPTULO 12
e fortalecimento da SEGURANA EM USINAS DE BENEFICIAMENTO DE ALGODO........................................... 247
cotonicultura. Alm de
CAPTULO 13
profissionais altamente
capacitados, possui uma FUNES DA EQUIPE DA ALGODOEIRA....................................................................................... 271
ampla infra-estrutura CAPTULO 14
no campo experimental QUALIDADE DA FIBRA E DO CAROO.......................................................................................... 285
em Primavera do Leste, CAPTULO 15
com laboratrios de A CLASSIFICAO DO ALGODO................................................................................................... 299
fitopatologia, sementes CAPTULO 16
e entomologia, estrutura A INDSTRIA TXTIL E A QUALIDADE DA FIBRA DE ALGODO........................................... 315
para beneficiamento, CAPTULO 17
armazenamento de
O BENEFICIAMENTO DO ALGODO ADENSADO...................................................................... 339
sementes, deslintamento,
cmaras frias. CAPTULO 18
O BENEFICIAMENTO DE ROLO......................................................................................................... 351
CAPTULO 19
MEDIDORES PORTTEIS DE UMIDADE DO ALGODO E DO AR........................................... 359
6 7
captulo 1
HISTRIA DO BENEFICIAMENTO DO ALGODO
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
Brasil. Atualmente, a produo est altamente concentrada nos estados de Mato Grosso, bem feita. Pensar em aumentar
Bahia e Gois, assim como o parque fabril de beneficiamento. os seus rendimentos colhendo
O beneficiamento do algodo no Brasil comeou na mesma poca. Contando com fora das normas recomendadas
a mo-de-obra de escravos, tambm utilizava a Churka oriental, embora os processos (principalmente de umidade do
mecanizados j estivessem iniciando em outros pases. algodo, velocidade e ajustes)
Com a expanso da cultura no Paran, na dcada de 1980, as usinas que estavam um erro, pois tanto o custo do
desativadas, no Nordeste do Brasil e algumas em So Paulo, foram deslocadas para o es- descaroamento ser elevado
tado, a fim de suprir a demanda de beneficiamento criada pelo crescimento. O mesmo como a qualidade da fibra ser
aconteceu quando, por problemas financeiros e de manejo fitossanitrio, ocorreu a mi- reduzida.
grao da lavoura para a zona do cerrado brasileiro. Os produtores que empreenderam Considerando que, no Brasil,
nestas regies trouxeram consigo as usinas desativadas no Paran. a colheita essencialmente me-
Em Mato Grosso, a expanso inicial do algodo gerou a instalao da primeira usina cnica, o algodo em caroo
de beneficiamento na cidade de Rondonpolis, em 1966, conhecida como Algodoeira carregado de matrias estranhas
Centro-Oeste (FREIRE, 2007). A partir de ento, diversas outras foram implantadas, prin- e a poca de descaroamento
cipalmente entre 1998 e 2004. Atualmente, o estado conta com, aproximadamente, 120 pode muitas vezes chegar ao
usinas de diversos modelos, entre antigas e modernas, que processam o ouro branco perodo mido, as usinas anti-
do Cerrado. Para a safra de 2010/11, segundo dados da AMPA, estas usinas atenderam gas apresentam limites de pro-
uma rea em torno de 670 mil hectares. cesso ou de gesto. No entanto,
Em Mato Grosso, o ndice de usinas com processos modernos similar ao montante h a vontade de melhorar e pro-
no Brasil (Figura 1.4), com cerca de 20%, enquanto as usinas que possuem processos de gredir constantemente, apesar
modelo e fabricao antigas somam 80%. das crises que se apresentam.
As usinas antigas so as de pequena capacidade, concebidas para algodes colhidos A capacitao um instrumen-
manualmente. A sequncia de mquinas desenvolvidas nos Estados Unidos nos anos to essencial e que traz muitos Figura 1.5. Conjunto tpico de uma usina antiga.(Foto: Cotimes, 2007).
1950 baseada num conjunto de 5 a 6 descaroadores de tipo Murray 80 ou 90 serras resultados positivos, desde que
(Figura 1.5). Estas usinas produzem, em mdia, de 8 a 12 fardos de 200 kg por hora e aplicada devidamente e de for-
por conjunto, a um custo bastante elevado. As usinas comportam de 1 a 4 conjuntos. A ma continuada. A conscientiza-
qualidade da fibra obtida no est totalmente de acordo com as ambies da cadeia de o e a profissionalizao por
produo para o mercado internacional. Equipamentos deste tipo ainda so fabricados parte dos produtores, proprie-
no Brasil por dois dos construtores nacionais. trios, prestadores de servio,
Usinas modernas e de capacidade elevada so de fabricao americana ou brasileira. gestores, pesquisadores, ope-
Os seus processos so tecnologicamente bem mais avanados e mais adaptados co- radores e demais indivduos
lheita mecnica (secagem, lim- que se envolvem na atividade
peza do algodo em caroo e da podem melhorar a qualidade
fibra, automatizao), com 2 a 3 do beneficiamento e a utiliza-
Modernas descaroadores de capacidade o planejada do processo para
20% individual mxima de 15 fardos reduzir o custo de produo e,
por hora (Figura 1.6). As usinas assim, dar continuidade a uma
modernas so amplamente au- histria de sucesso na cotoni-
tomatizadas e precisam de pou- cultura brasileira.
ca mo-de-obra.
Antigas
O beneficiamento um dos
80%
processos mais importantes da
cadeia produtiva do algodo.
Sua qualidade totalmente
Figura 1.4. Proporo de usinas antigas e modernas no Brasil. dependente de uma colheita
Figura 1.6. Usina moderna de fabricao brasileira. (Foto: Cotimes, 2007).
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS
ANTHONY, W. S. MAYFIELD, W. D.; Cotton Ginners Handbook US Depar-
tament of Agriculture, Agricultural Handbook 503. 348pp.
1. Os sistemas de cultivo
Atualmente, coexistem diversos sistemas de cultivo do algodoeiro no
cerrado de Mato Grosso: 1.2. Sistema de segunda safra
Plantio muito difundido na parte norte de Mato Grosso, com perodo de chuvas mais
1.1. Sistema de cultivo de safra extenso e altitudes mais baixas, o que favorece o encurtamento do ciclo do algodo.
Depois de uma cultura de soja precoce (semeada em setembro ou incio de outu-
Requer espaamento de 0.90 m ou 0.76 m entre linhas, com plantios bro), ela colhida em janeiro e, imediatamente aps, o algodo semeado em plantio
de final de novembro at incio de janeiro, em funo do estado e da direto, geralmente com espaamentos de 0.76 m. A populao de planta usada maior
distribuio pluviomtrica. Geralmente, este sistema estabelecido em do que em sistema convencional e a colheita realizada com colheitadeiras de fusos.
cima de um manejo convencional do solo em sistema de monocultivo,
poucas vezes com rotaes de culturas. Depois da destruio da soqueira 1.3. Sistema de plantio adensado do algodoeiro
da cultura de algodo anterior e a eventual correo do solo, caso as chu-
vas cheguem cedo, pode ser semeada uma cobertura de milheto, no in- O plantio comercial deste sistema iniciou no estado de Mato Grosso na safra 2008/09.
cio de setembro. Esta cobertura dessecada 15 dias antes da semeadura Em 2011, ele ocupava mais de 80.000 ha. Como no caso da safrinha, o algodo semeado
do algodo, que ser feito em plantio direto. Este sistema chamado de em plantio direto depois de uma soja precoce. Porm, devido ao encurtamento do ciclo da
semi-direto. lavoura adensada, o plantio pode ser realizado at o incio de fevereiro e permite encaixar o
O sistema de plantio direto uma realidade em Mato Grosso, mas sistema de duplo cultivo soja-algodo em quase todas as regies do Mato Grosso e alguns
enfrenta ainda resistncia na sua adoo por parte dos produtores, de- outros estados. O plantio realizado a 0.45 m de espaamento, para poder usar as planta-
vido a diversos fatores tcnico-econmicos. Os produtores de algodo deiras de soja, com populaes de 230 a 250.000 plantas/ha. As plantas so trabalhadas para
precisam se estruturar com material especfico e as fazendas devem se chegar colheita com uma altura mxima de 90 cm, sendo as lavouras colhidas com colhei-
especializar, deixando pouco espao para a soja ou o milho entrarem em tadeiras tipo stripper de pentes ou de escovas (Figuras 2.2 e 2.3). Poucas reas so colhidas
rotao. Outro fator importante a necessidade de destruio de soquei- com plataformas de fusos, modificadas com o sistema Pro12 VRS da John Deere.
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cada por Colletotrichum gossypii, e da ramulria, provocada por Ramulria No caso do sistema adensado, foi necessrio modificar esses conceitos para regu-
arola, mas tambm de outros fungos secundrios, como alternria, stem- lar a altura das plantas a, no mximo, 0,90 m no momento da colheita (Figura 2.6).
phylium ou mirotcio. recomendado adiantar a primeira aplicao de regulador de crescimento, com quase
As viroses, transmitidas pelos pulges, so controladas em variedades 20 dias aps a emergncia, depois de ter passado o estresse ligado ao herbicida ps
sensveis atravs do controle dos pulges, necessitando, geralmente, de 3 -emergente, quando usado. A frequncia das aplicaes subsequentes aumentada,
a 4 aplicaes de inseticidas especficos. assim como as doses aplicadas. No raro fechar o ciclo do algodo adensado com
mais do triplo da dose usada no sistema convencional.
2.6. Controle do crescimento das plantas
A regulao do crescimento em altura das plantas fundamental em 2.7. Preparao da lavoura para a colheita
ambientes chuvosos, como em Mato Grosso, principalmente para o cultivo
de safra. uma maneira de equilibrar melhor os fluxos de nutrientes entre A maioria das lavouras de algodo de Mato Grosso desfolhada antes da colheita,
as partes vegetativa e reprodutiva. com produtos especficos ou com maturadores.
O uso dos reguladores de crescimento bem dominado pelos produto- O principal produto desfolhante usado no cultivo algodoeiro o Thidiazuron. O mo-
res de algodo do cerrado. A primeira aplicao realizada por ocasio do mento da sua aplicao tem que obedecer a certas regras; caso contrrio, podem ocor-
aparecimento do primeiro boto floral e as aplicaes sucessivas de acordo rer problemas com a qualidade de fibra. Geralmente, considera-se que os desfolhan-
com o crescimento dirio das plantas. Em sistema convencional ou de safri- tes podem ser aplicados quando, no mnimo, 80% dos capulhos estiverem abertos ou
nha, o objetivo ter plantas de altura final no muito superior a 1,4 m; caso quando se constatar a maturao fisiolgica da ltima ma que compensa ser colhida.
contrrio, podem ocorrer perdas na colheita ou contaminaes do algodo O uso dos desfolhantes uma ferramenta importante para a colheita de um algodo
em caroo. de mxima qualidade, com grau de folha baixo e sem impurezas, como a pimenta
Os produtos mais usados so o cloreto de mepiquat PIX ou PIX HC (pequenas partculas de folhas ou resduos secos das plantas).
e o cloreto de chlormequat (TUVAL). Dependendo da formulao, eles Os maturadores ajudam na abertura dos capulhos. Muitas vezes, so usados depois
devem ser reaplicados quando ocorrer chuvas, de duas a 12 horas aps da aplicao dos desfolhantes, atingindo diretamente as mas para elas se abrirem
a aplicao. Em todos os casos, estes reguladores no podem ser usados mais rapidamente. O principal produto usado o Ethephon, cuja eficincia muito
quando a planta estressada, devido aplicao de herbicidas ou em caso ligada temperatura ambiente.
de estresse hdrico. Finalmente, com a lavoura limpa e sem plantas daninhas, a altura da planta regulada
em funo do sistema convencional ou adensado, depois de ser preparada com desfo-
lha e abertura da maioria dos capulhos, a colheita poder ser efetuada, nas melhores
condies possveis.
Figura 2.6. Uso de Pix para reduzir a altura da planta, em sistema adensado e convencional.
(Fonte: Jean-Louis Belot, 2010).
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captulo 3
COLHEITA DO ALGODO, ARMAZENAGEM E
TRANSPORTE
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
te, transportado por ar at os 1.1.3. Colheitadeiras de fusos para o adensado sistema VRS
cestos de recolhimento. Para a
mxima eficincia deste tipo J existe tecnologia, porm ainda pouco difundida, que utiliza unidades de fusos
de colheita, preciso ter plan- para sistemas de cultivo adensado, com espaamentos de 0,38 e 0,50 m entre linhas e,
tas com haste fina, sem ramifi- recentemente, para espaamentos de 0,45 m.
caes laterais compridas. O sistema PRO12-VRS ou 16-VRS baseado sobre o corte das plantas de uma fileira
Plataforma tipo escova: As e do seu transporte na fileira adjacente, onde ser realizada a extrao do algodo dos
mquinas denominadas es- capulhos. assim chamado em funo do nmero de fusos por barra (Figura 3.8). A uni-
cova (Figura 3.7) so um pou- dade equipada com uma faca
co mais complexas. Monta- rotativa para o corte das plan-
das por unidades individuais tas a uma altura de 5 a 15 cm
ou de duas linhas, cada linha e condutores rotativos que as
composta de dois rolos com, transportam em posio ver-
aproximadamente, 16 a 18 cm tical, para se juntarem fileira
de dimetro, com as escovas adjacente no cortada.
nas extremidades que giram
em direes contrrias e rolos
tipo rosca sem fim para trans-
portar o algodo at uma rosca
maior. A plataforma caracteri-
za-se por ser montada em n-
Figura 3.6. Plataforma de pente. gulo que chega a 30 de altura
(Foto: Jean-Louis Belot, 2009). em relao ao solo. A planta
passa entre os rolos e o mate-
rial extrado. Neste tipo de Figura 3.8. Sistema de colheita PRO 12 VRS.
colheita, h uma seletividade (Foto: John Deere Brasil, [200-]).
maior das impurezas recolhi-
das em relao plataforma
tipo pente. Muitas mas ver-
1.2. Dispositivos de limpeza embarcados na colheitadeira
des conseguem ser expelidas Trata-se de utilizar na colheitadeira, equipamentos limpadores tipo extratores (po-
pelo movimento centrfugo pularmente conhecidos como HLs) similares aos utilizados em algodoeiras para a pr
e pela angulao dos rolos. -limpeza do algodo. So equipamentos que atuam na remoo de impurezas maiores
Esta mquina tambm usa o que se juntam ao algodo no momento da colheita de tipo Stripper, com pente ou es-
sistema pneumtico para co- cova. O uso do extrator embarcado no se d em sua totalidade no Brasil. uma opo
letar o material e armazen-lo avaliada caso a caso pelos produtores. Porm, o tipo de colheita com pente ou escova
no cesto da colheitadeira. A recomenda como indispensvel o uso desse dispositivo, justamente para minimizar a
sincronizao do movimento entrada e a mistura de material estranho com a fibra, afetando diretamente a qualida-
dos rolos, assim como o tama- de e onerando muito os custos de beneficiamento.
nho das ps, pode minimizar a
agressividade da colheita. J o
ndice de impurezas pode ser
1.3. Tipo de colheita e caractersticas do algodo em caroo
menor, conforme a regulagem O tipo de colheita impacta diretamente nos ndices de impureza do algodo colhi-
de abertura dos rolos. A veloci- do. A Figura 3.9 mostra a composio tpica dos fardes convencional e adensado, lim-
dade da colheita condiciona o pos na colheitadeira ou no, nas experimentaes conduzidas pelo IMAmt, em 2009 e
aumento na quantidade de pe- 2010. Os resduos representam 7% do peso do algodo colhido com fusos, contra 29%
daos de plantas e cascas, por- no caso da colheita com pente sem limpeza embarcada. O algodo adensado colhi-
Figura 3.7. Plataforma tipo escova. tanto piora a classificao do
(Foto: Cotimes, IMA, 2009).
algodo. Em mdia, o patamar
acima de 8 km/h j crtico.
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
do com pente contm muito projetada, porm prejudica muito o beneficiamento e a qualidade da fibra e do caroo.
100% mais sujeira. Neste contexto, O custo-benefcio global (colheita + beneficiamento) deve ser considerado, principal-
27.6
a taxa de fibra no fardo di- mente nos processos de tipo antigo.
36.2
80% 39.1 minui de 39.1% para 27.6% A colheita com pente, comparada colheita com fusos, tem efeito significativo so-
(CHANSELME e RIBAS, 2010). bre vrios parmetros da qualidade de fibra, particularmente nos anos de difceis con-
60%
No algodo colhido com dies de lavoura. Em Mato Grosso, nos anos 2009 e 2010, as experimentaes condu-
43.4
40%
fusos, o tipo de sujeira ma- zidas pelo IMAmt confirmaram, de maneira quase sempre significativa, as concluses
49.5
53.9 joritria a fina (folha e pi- dos pesquisadores americanos. Pode-se observar diferenas significativas nos resulta-
20% mentinha), representando ti- dos de anlises HVI com diminuies da reflectncia e aumento da folha e da matria
27.4
12.7
picamente 48% do peso das estranha visvel, bem como, baixa do ndice micronaire com aumento do ndice de fi-
5.8
0% impurezas (Tabela 3.1). No bras imaturas.
Convencional Adensado Adensado
Fusos Pente + HL Pente sem HL algodo colhido com pente, o Na classificao visual, algodes convencionais e adensados produziram tipos e fo-
Sujeira Fibrilha Caroo Fibra
tipo de sujeira mais represen- lhas bastante variveis. Dependendo do processo de beneficiamento, os fardos de al-
tado a casquinha, com 65%. godo adensado foram classificados com 0 a 1 tipo a menos e 0 a 1.5 grau de folha a
A proporo de caules no va- mais.
Figura 3.9. Composio tpica do fardo por tipo de colheita ria significativamente com o
em Mato Grosso. (Fonte: Cotimes do Brasil, 2011).
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
Carro tanque, que tem operador. neste documento que constam todas as regulagens e orientaes quanto
por finalidade apoiar a operao, manuteno e o bom funcionamento da mquina, devendo estar sempre pre-
preveno e o combate sente e acessvel no veculo. A evoluo tecnolgica e as constantes mudanas dessas
a incndios; mquinas reforam a importncia do operador e tambm da sua evoluo profissional.
Carro de apoio de
manuteno, tambm
1.4.2. Cuidados com as colheitadeiras
conhecido por melosa A manuteno preventiva deve ser rotina dos operadores. Acessrios e peas que
ou comboio, cuja apresentam desgastes ou mau funcionamento necessariamente devem ser substitu-
finalidade prestar a das antes de iniciar a colheita.
manuteno de rotina, A segurana do operador e da mquina, bem como, o desempenho na operao da
preventiva e corretiva, colheitadeira, deve-se muito ateno e concentrao do operador. A possibilidade de
alm de abastecer embuchamentos, consequente atrito do algodo com peas da mquina, aliado faci-
mquinas e tratores. lidade de combusto tornam indispensvel um operador treinado e equipamentos ne-
A definio de um bom cessrios, como por exemplo, o extintor de incndio, para uma situao de emergncia.
nmero de colheitadei- Em caso de fogo no cesto, no se deve tentar apag-lo, mas derrubar o algodo ao cho.
ras por prensa depender Evitar frenagens bruscas para no danificar os tambores, no caso de plataformas de
da produo prevista e da fusos, e andar numa velocidade baixa quando o terreno for acidentado.
questo operacional das O operador deve suspender bem alto a plataforma quando for manobrar e no ope-
mquinas. Prever muitas rar a mquina com o cesto erguido.
Figura 3.10. Conjunto de equipamentos de colheita. colheitadeiras por prensa As turbinas proporcionam o ar em alta velocidade, o que leva o algodo at o cesto,
(Foto: Cotimes do Brasil, 2008).
pode resultar em ineficin- necessitando de ateno e cuidados com limpeza e lubrificao.
cia, causada pela impossibilidade da prensa acompanhar o ritmo de colhei- Aps cada cesto de algodo ser despejado, as unidades de coleta e de transporte
ta. J uma previso com poucas colheitadeiras pode resultar em ineficin- devem ser verificadas, para o controle de impurezas e contaminantes.
cia, pela baixa utilizao da prensa. importante fazer o equilbrio entre A limpeza imperativa para evitar perda do fluxo de ar de dentro para fora e tam-
essas duas variveis. Tambm a colheita condicionada por sua operao. bm de eliminar algumas impurezas mais leves, que se misturam no momento da co-
A capacitao do pessoal torna-se um elemento imprescindvel para que lheita. Aconselha-se a limpeza sistemtica a cada dois cestos colhidos.
a produtividade e a qualidade no sejam afetadas negativamente, assim A limpeza diria da mquina deve ser efetuada ao final das atividades, de modo a deix-la
como os custos. A operao no adequada e a falta de experincia podem pronta para as regulagens dirias, antes de colher. Essa limpeza deve ser completa e efetuada
levar perda de tempo em manobras simples, maior consumo de combus- com muita eficincia, uma vez que, essencial para que se obtenha o mximo desempenho
tvel e, principalmente, danos fsicos aos equipamentos e s plantas. e resulte num algodo mais limpo, economize energia e minimizem-se os riscos de incndio.
A melhor forma de retirar os detritos e plumas presos nas telas, tampas, grelhas, mo-
tor e cesto, entre outras, utilizar ar comprimido com alta presso, porm existem par-
1.4.1. Os operadores da colheita tes sensveis que devem ser manejadas com a mo, tais como, as conexes eltricas.
Como visto em todo o captulo, a ao da colheita do algodo exige tec- Para a lavagem das unidades colhedoras, recomendada a utilizao de gua sob pres-
nicidade e cuidados especiais, para que o produto final no seja desvalori- so, para remover resduos de terra dos fusos, barras, escovas e outros componentes.
zado ou at mesmo perdido. Os dutos condutores do algodo ao cesto devem ser desobstrudos, para evitar em-
Na colheita mecnica, a tecnicidade aumenta consideravelmente e im- buchamentos e perda de suco (de fusos).
portante o nvel de conhecimento, comprometimento e responsabilidade O excesso de leo e graxa deve ser lavado antes de as mquinas irem para o campo.
do operador. imperativo dominar a mquina, seus dispositivos de operao O manual de lubrificao fornecido pelo fabricante deve ser seguido risca.
e tambm os instrumentos de controle disponveis na cabine e nos painis. O A segurana deve ser sempre priorizada, portanto os ajustes e limpeza devem sem-
alto investimento e o grau de tecnologia dessas mquinas reforam a necessida- pre ser feitos com a mquina desligada e sinalizada.
de de capacitao dos profissionais que as manuseiam, o que deve ser uma cons-
tante nas empresas que efetuam a colheita, sejam elas prprias ou prestadoras 1.4.2.1. Colheitadeira de fusos
de servio.
Neste tipo de colheitadeira, imprescindvel que o operador conhea o manual de operao
O manual tcnico um instrumento essencial e indispensvel para o
e tenha um bom treinamento, para no comprometer a produo. A ateno deve ser diria,
36 37
manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
antes e no decorrer da colheita, especialmente sobre: devem estar sempre em bom estado.
a regulagem da presso das placas, que pode determinar a entrada ou Na plataforma de escova, os cuidados so com: as condies dos rolos de escovas,
no de impurezas junto com o algodo e impactar na qualidade, no seu estado e regulagens entre si e de velocidades, sensores de solo, roscas sem fim das
beneficiamento e tambm na perda do algodo, deixando-o na lavoura. unidades e rosca transportadora de coleta das unidades.
No tambor dianteiro, d-se, em mdia, 75% da colheita e o restante no Para ambas as mquinas, os cuidados quanto ao embuchamento se estendem aos
tambor traseiro. A presso nas placas um ajuste importante e deve dutos de conduo do algodo at o limpador embarcado, ou direto ao cesto, e os du-
ser feita com base nas condies da cultura. A placa com muita presso tos entre o limpador (quando existir) e o cesto.
deixa menos algodo na lavoura, mas pode levar muitas impurezas No equipamento de limpeza embarcado (extrator), deve-se ater para as condies
provenientes da planta junto (cascas, folhas, brcteas, caules, etc.). J das serrilhas, escovas, barras fixas de limpeza (alinhamento) e rolamentos. Devem-se
uma placa com pouca presso tem o efeito inverso, porm com perdas observar tambm as regulagens de distncia em relao s serrilhas, das barras fixas de
de algodo que ficam nas plantas da lavoura. importante monitorar a limpeza (1/2 a 3/4) e das escovas (aproximadamente 1 mm). O dimensionamento do
presso das placas durante os dias de muito sol, para evitar o risco de equipamento deve estar de acordo com as normas do fabricante e com a capacidade
incndio pelo atrito com a fibra; de colheita da mquina.
Ajustes dirios e/ou a cada hora podem ser necessrios, por isto aconselhvel efe-
os tambores, que devem ser ajustados de acordo com a altura das tuar inspees visuais espordicas durante a operao.
plantas e a posio dos capulhos; A limpeza deve ser acentuada e rigorosa, pois a quantidade de impurezas bem mais
significativa.
a distncia entre o desfibrador e os fusos para evitar embuchamentos,
risco de incndio e as perdas na produtividade do trabalho e na colheita.
Esta regulagem deve obedecer risca as orientaes do fabricante, pois 1.4.3. Monitoramento da umidade na colheita
se estiver mais alta ou mais baixa acarretar algum prejuzo; importante o controle da umidade na colheita, tanto para definir o momento de
iniciar e finalizar os trabalhos como para o caso de armazenagem do algodo em far-
a limpeza dos fusos pelas escovas, que podem acarretar uma grande
des e a deciso de priorizar ou no o seu beneficiamento.
perda na colheita, assim como, prejuzos qualidade da fibra. A trilha
A umidade exagerada no momento da colheita gera muitos embuchamentos nas
dos fusos deve estar livre e desimpedida, para retirar o algodo do
plataformas e consequentes paradas, afetando o ritmo e a sua produtividade. A colhei-
capulho ou cpsula. As condies climticas e de umidade na colheita
ta deve ser efetuada com umidade baixa, sempre que possvel. Na regio do Cerrado,
influenciam muito na eficincia dessa limpeza. O monitoramento e os
a umidade do algodo mais indicada para a colheita est entre 5 e 7%. A colheita deve
ajustes devem ser feitos vrias vezes por dia. Tambm se deve observar
comear aps a secagem do orvalho, quando a umidade relativa estiver abaixo de 60%.
e monitorar o desgaste das escovas, para evitar esse distanciamento.
Entretanto, muitos operadores trabalham tambm com faixas de umidade do algodo
Para a eficincia da colheita, os fusos devem ter ranhuras profundas e entre 8 e 10%. Neste patamar, a possibilidade de embuchamentos e paradas de m-
afiadas. Um problema importante, bastante encontrado neste tipo de co- quina so maiores, com probabilidade maior de encarneiramento do algodo e sujeira.
lheitadeira, so as tores dos fusos, que podem ser ocasionadas por ajus- Com o controle efetivo da umidade do algodo antes de colher, muitas vezes, conse-
tes imprprios, plantas daninhas, plantas verdes, etc. Uma forma visual de gue-se alongar o perodo de trabalho e efetivamente a produtividade do dia. impor-
detectar um problema deste tipo observar a baixa eficincia da colheita, tante que este controle seja feito a cada hora e em pontos distintos do mesmo talho,
manchas verdes, resduos em forma de goma ou fibra enrolada nos fusos. em virtude das variaes ambientais e climatolgicas que se formam no decorrer dos
Produtos umidificantes, limpadores de fusos ou leos solveis, podem trabalhos. Para o procedimento de medio, deve-se utilizar o equipamento termo-hi-
tambm ser adicionados gua. Esses aditivos so geralmente teis quan- grmetro para algodo, que difere dos equipamentos para gros. Sugere-se efetuar,
do os algodes colhidos tm folhas verdes. Com colheitadeiras de fusos, pelo menos, trs medies momentneas em plantas distintas, para que haja maior
a limpeza essencial. As janelas de impurezas nos tambores devem ser representatividade do ponto e calcular a mdia destas.
limpas regularmente. A falta de equipamentos adequados para efetuar as medies de umidade ainda na
lavoura faz com que esse controle seja feito por inspees visuais ou por tato. A falta
1.4.2.2. Colheitadeiras de pente ou escova de um controle mais tcnico cria o risco de sobrecarregar uma colheita, aumentar seus
custos e prejudicar os planejamentos e as decises sobre o beneficiamento.
A plataforma tipo pente bastante simples e a ateno maior deve ser
sobre pontos de possveis embuchamentos, entre as barras/hastes do pen-
te e nas roscas transportadoras. Uma vez que a colheita se d por arrasto e
no por captao como nos fusos, os rolos levantadores sob as plataformas
38 39
manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
2. Armazenamento do algodo em caroo madeira, para aumentar a altura e o peso dos fardes, e, consequentemente, diminuir
os custos com frete. Esta prtica no recomendada, por dois motivos: exceder o peso
Uma das formas encontradas pelos produtores Americanos para armaze- permitido pelo Departamento de Trnsito; e compactar demais o algodo, exigindo
nar a grande quantidade de algodo em caroo colhido sem riscos de para- maior fora mecnica para desmanch-lo, provocando um beneficiamento antecipado
das das usinas, por desabastecimento e falta de espao, foi a construo de da fibra e perdas pelo transporte pneumtico e etapas de limpeza, bem como, maior
mdulos de algodo direto na lavoura, por intermdio de prensas hidruli- demanda de energia e desgaste de peas e dos equipamentos da usina. No Brasil, no
cas compactadoras. h um padro fixo para o dimensionamento do fardo, porm deve ser coerente com a
Antigamente, o algodo era geralmente armazenado em tulhas. Os cus- capacidade de carga do transmdulo e o tamanho do desmanchador de fardes.
tos disso limitavam a quantidade de algodo que poderia ser armazenado Diferentemente dos Estados Unidos, no Brasil, o algodo adensado colhido pelo sis-
e a colheita era geralmente atrasada quando elas estavam cheias. Como a tema de pente ou escova, que ainda uma tecnologia recente, utiliza a mesma prensa
utilizao de tulhas era muito limitada, alguns cotonicultores comearam a usada para o algodo de cultivo convencional, pelo custo. Segundo pesquisas (SILVA,
utilizar containers abertos (gaiolas) especiais, que podiam ser colocados em 2008), a rea atendida por uma prensa pode variar entre 500 e 700 ha por safra.
caminhes, possibilitando assim alguma capacidade de armazenamento A equipe para a prensagem do algodo necessita de um operador de prensa que
sistema bastante popular no Brasil, nos anos 1980. deve ser o responsvel por prensar e coordenar o desembarque dos Bass Boys, assim
como, o fechamento e a cobertura do fardo; isso normalmente requer mais outros
dois colaboradores. Antes de iniciar a colheita, dever ser providenciado o local ade-
quado para a sua armazenagem e disposio, o qual precisa ser seguro, drenado, lim-
2.1. Confeco dos fardes po, plano, acessvel em qualquer condio climtica, longe de possveis fontes de in-
Desde 1972, nos Estados Unidos, e meados dos anos 1990, no Brasil, o uso cndio, vandalismo (auto-estradas) e obstrues (redes eltricas). Preferencialmente,
de fardes para o armazenamento do algodo colhido mecanicamente foi deve estar localizado nas proximidades de estradas vicinais, carreadores (corredores)
aumentando consideravelmente. A ideia dos fardes foi a de possibilitar o que facilitem o acesso e o transporte s usinas; e tambm seguir a melhor orientao
armazenamento em campo do algodo que no pudesse ser processado geogrfica nas regies mais chuvosas (Norte-Sul).
imediatamente, permitindo que a colheita seguisse independentemente do Antes de colocar a prensa no local previsto, devem-se dispor as cordas para amarra-
beneficiamento (Figura 3.11). As usinas podem utiliz-los, sob qualquer con- o da cobertura, sempre confeccionadas de algodo.
dio climtica. Possuir um estoque torna a operao mais previsvel, mane- J a descarga do algodo na prensa deve ser feita uma de cada vez e, preferencial-
mente, pelas extremidades e em lados opostos da prensa, com as demais prximas ao
jvel e economicamente vivel.
meio. O nivelamento e a compactao devem comear imediatamente. O ideal nive-
A formao do fardo inicia
lar a cada descarga do Bass Boy.
aps o despejo, pelo Bass Boy, do
Outros pontos importantes de se observar no momento da formao dos fardes
material colhido na prensa com-
so:
pactadora. A prensagem pode
chegar a uma densidade de 180 Assegurar a segurana do operador e colaboradores, assim como, do equipamento
at 250 kg/m3, o que permite e do produto;
que o fardo no se desmanche
quando for retirado da prensa. Acessar e usar o Manual de Instrues do fabricante;
Atualmente, no Brasil, encon-
Verificar se no h pessoas nem veculos perto do porto traseiro quando este esti-
tram-se prensas de diversas di-
ver aberto;
menses, que variam entre 10,5
at 15,0 metros de comprimen- No fumar perto das prensas carregadas com algodo;
to, 2,15 a 3,0 metros largura e de
2,4 a 5,8 metros altura (modelo Averiguar as condies das mangueiras hidrulicas. Checar vazamentos no sistema
GIGA/Mantovani), com capaci- que est sob alta presso;
dades que chegam at 70 m de
algodo, possibilitando fardes Compactar o algodo um pouco mais nas extremidades, para evitar quebras;
mais pesados.
Alguns produtores costumam Cuidar para que haja uniformidade na prensagem, a fim de obter uma boa formao
Figura 3.11. Fardes armazenados na beira dos do fardo e evitar acmulos de gua em cima dele. Uma boa compactao evita a
talhes colhidos. (Foto: Cotimes do Brasil, 2010). elevar a prensa sobre tocos de
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
42 43
manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
Figura 3.15. Caminho com transmdulo. Figura 3.17. Caminho com transmdulo adaptado para
(Foto: Cotimes do Brasil, 2011). vias expressas. (Foto: Cotimes do Brasil, 2011).
44 45
manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
Observar as condies fsicas do fardo, da embalagem e protees/ CHANSELME, J. L.; RIBAS, P. V. Beneficiamento do algodo adensado e qualidade de fibra. In:
amarraes, antes e durante o carregamento; BELOT, J. L; VILELA, P. M. C. A. (Orgs.). O sistema de cultivo do algodoeiro adensado em
Mato Grosso. Cuiab: IMAmt, 2010. p. 311-327.
Observar a limpeza da plataforma e das pranchas, antes do carregamen-
to; FAULKNER W. B.; SHAW, B. W.; HEQUET, E. Effect of harvesting method on foreign matter
content, fiber quality, and yarn quality from irrigated cotton on the high plains. In: Proceeding
Observar a condio da rampa de acesso do transmdulo, para o carre-
of the Beltwide Cotton Conferences, Memphis-USA: National Cotton Council, 2008.
gamento e/ou a descarga da prancha;
LALOR, W. F.; WILLCUTT, H.; CURLEY, R. G. Seed Cotton Storage and Handling. Cotton Ginners
Atentar para a manobra de marcha r em cima da prancha, durante a
Handbook USDA, [s.l.:s.n.], p.16-25, 1994.
carga ou a descarga do fardo;
SILVA, O. R. R. F. et al. O agronegcio do algodo no Brasil. v. 2. Campina Grande-AL:
Levantar a lona, para que no se prenda nas correntes do transmdulo
Embrapa, 2008.
e venha a se rasgar, contaminando a pluma com pedaos de plstico.
Posteriormente, deve-se fix-la abaixo da carga, para reforar o calo e WILLIFORD, J. R. et al. Cotton Ginners Handbook USDA, [s.l.:s.n.], p.11-16, 1994.
evitar que se levante com o vento;
46 47
captulo 4
CUSTO DE PRODUO NO BENEFICIAMENTO
CUSTO DE PRODUO NO Nesse sentido, as informaes de custos, desde que devidamente apresentadas em
relatrios, passam a ser um importante subsdio para o controle e o planejamento em-
BENEFICIAMENTO presarial. Porm, devido ao grande volume de informaes que o setor produtivo e de
beneficiamento tende a gerar, importante a implantao de um sistema adequado
para gerenci-la de preferncia, que seja simples e eficiente, adaptado para a realida-
de de cada empresa.
A informao sobre o custo de produo uma das mais importantes para qualquer
Lucilio Rogerio 1. Conceito atividade produtiva. Para os beneficiadores, torna-se fundamental, a fim de auxiliar nas
A. Alves
ESALQ/USP tomadas de decises e planejamentos de cada safra. Em geral, o objetivo de clculo do
A gesto e a contabilidade dos custos de produo um ponto pri-
Piracicaba-SP custo pode servir de base, por exemplo, para subsidiar uma deciso gerencial de curto
mordial em qualquer negcio. Segundo Santos, Marion e Segatti (2008),
lralves@usp.br prazo, propostas ou implementao de investimentos, para medir a sustentabilidade e
os objetivos da correta dimenso do sistema gerador de informaes so-
a capacidade de pagamento de um empreendimento, a viabilidade econmica de uma
bre os custos refletem-se no seu papel relevante como ferramenta bsica
tecnologia alternativa, entre outras (FERREIRA FILHO, ALVES e VILLAR, 2009).
para a tomada de deciso em qualquer empreendimento, especialmente
No mercado de produtos agrcolas, a estrutura que prevalece o de concorrncia
na agropecuria, onde os espaos de tempo entre produo e vendas,
perfeita, em que os preos so definidos pelas foras de oferta e demanda pelo pro-
ou seja, entre custos e receitas, fogem simplicidade de outros tipos de
duto, sendo que cada agente, individualmente, no tem influncia sobre esse preo.
negcios. Sua importncia aumenta, considerando que todo empresrio
Nestes mercados, os preos so dados aos agricultores, tornando-se ainda mais rele-
necessita conhecer exatamente a quantidade e o valor de cada bem que
vante o controle dos custos como instrumento de obteno de rentabilidade. Assim,
constitui o capital da empresa que dirige, assim como se a atividade est
enquanto variaes de preos de mercado esto fora do controle do produtor, este
proporcionando retornos aos investimentos necessrios para a sua exe-
pode melhorar sua perspectiva de rentabilidade da cultura atravs de melhor controle
cuo. Esses retornos devem ser atrativos o suficiente para compensar
Paulo V. Ribas dos custos de produo. Para isto, utilizam-se planilhas de dados capazes de auxiliar
o custo de oportunidade e risco do capital investido que poderia estar
Cotimes do Brasil e disponibilizar, cada vez com mais rapidez, os custos necessrios para a obteno do
aplicado no mercado de capitais.
Primavera do fardo, produto final do beneficiamento, elencando-se os custos fixos e variveis do pro-
Mas o que custo? Segundo Silva e Lins (2010), custos so os recursos
Leste-MT cesso como um todo.
consumidos no processo produtivo de um bem ou servio que se espera
paulo@ Custos Fixos So aqueles que no variam com a quantidade de fardos produzidos, mesmo
cotimesdobrasil. que tragam benefcios futuros para a entidade, aps a concluso e a ven-
da do produto. J para Holanda (1975), custo todo e qualquer sacrifcio que o nvel de produo seja zero. Podem ser desembolsveis ou no. So exemplos de
com.br
realizado para produzir determinado bem ou servio, atribuindo-se a ele custos fixos:
um preo como compensao ao sacrifcio imposto aos proprietrios dos
RH pessoal efetivo (salrios, vales, etc.);
fatores de produo. Desta forma, para as usinas, custos so medidas mo-
netrias dos recursos consumidos para atingir o objetivo de beneficiar Aluguel;
o algodo que lhes foi disponibilizado, seja de produo prpria ou por
servio contratado. Tarifas pblicas;
Em geral, comum agentes apontarem que os custos esto em alta e/
ou que sua margem de retorno est em queda. Normalmente, este o Telefones;
resultado: da intensificao do processo produtivo; da evoluo tecnol- Energia sob contrato;
gica das usinas, em que algumas unidades esto dispostas a produzir rece-
bendo preos menores, por terem maior produtividade, das oscilaes ex- Manuteno: prdios, veculos, equipamentos;
pressivas de preos de comercializao e variaes cambiais, da exigncia
cada vez maior de compradores quanto a produtos de melhor qualidade e Seguro da unidade industrial;
uniformidade, entre outros. Com isso, h a necessidade de aperfeioar os Depreciao de mquinas, equipamentos, instalaes e prdios;
mecanismos de planejamento e controle das empresas, para obter maior
eficincia, produtividade e lucratividade no beneficiamento. Juros, multas e investimentos (leasing);
Neste nterim, a importncia em se calcular custos est em se conhe-
cer quanto custa o produto da empresa, quanto est ganhando na ati- Impressos, materiais de escritrio e de limpeza, etc.
vidade, ou seja, qual a rentabilidade da atividade e a margem de lucro
obtido, e, acima de tudo, em orientar a tomada de decises na empresa.
50 51
manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
Custos Variveis So os custos que variam de acordo com a produo, ou seja, modelos no Brasil, so inmeros e variados os itens movimentados em uma usina de benefi-
que aumentam quando o nmero de fardos beneficiados aumenta, e vice-versa. So ciamento e que podem resultar em custos. Estes itens esto relacionados aos investimentos,
exemplos de custos variveis: operacionalizao e ao funcionamento da empresa, passando por aqueles relacionados aos
Matrias-primas; administrativos e operacionais. Para uma descrio geral e auxiliar na identificao de alguns
itens, porm sem utilizar uma classificao contbil, o Quadro 4.1 apresenta algumas contas
Insumos diretos (arames, saco, etc.); que so movimentadas frequentemente em uma algodoeira. Claramente, a quantidade de
contas expressiva, assim como os dados a serem coletados.
Energia no vinculada ou acima do valor de contratos; H diferentes sistemas (softwares), disponveis para empresas, que facilitam a digitaliza-
o das informaes geradas pela algodoeira e que disponibilizam relatrios peridicos que
Gs, gua, combustvel; possibilitam anlises da relao benefcio / custo. importante aproveitar esse instrumento,
mas deve-se atentar para sistemas que disponibilizem uma gesto integrada entre a contabi-
Impostos sobre faturamento (empresas de prestao de servios);
lidade gerencial e os dados de operao e produo, para obter-se uma gesto eficiente dos
Impostos diretos de venda (ICMS, ISS, Pis, Confins, IRPJ); custos. Uma simples contabilidade nem sempre permite uma anlise global e as possveis
melhorias da usina, avaliando-se o benefcio / custo. De qualquer forma, h a possibilidade
Fretes de vendas; de uso de planilhas eletrnicas e manuais, na contabilizao da movimentao das empresas.
O primeiro item a ser computado deve ser os investimentos efetuados para a mon-
RH pessoal temporrio; tagem da usina de beneficiamento. Como a unidade industrial ser utilizada por vrios
anos e para o beneficiamento de uma expressiva quantidade de algodo, preciso
Mo-de-obra terceirizada. diluir o custo inicial para o perodo em que a algodoeira estar em funcionamento.
Observe que, inicialmente, h o desembolso para a implantao da unidade, mas
Custos Totais a soma de Cus- apenas uma questo de fluxo financeiro e no econmico.
tos Variveis mais Custos Fixos, re- Os custos fixos so diludos para o perodo produtivo atravs do cmputo da de-
presentados pela frmula CT = CV + preciao. A depreciao corresponde perda de valor que os ativos sofrem duran-
Unidades Monetrias ($)
CF (Figura 4.1). te um determinado perodo. Pode ser originada por fatores fsicos (uso ou desgaste)
Em uma anlise grfica sobre os ou fatores funcionais (obsolescncia). Assim, a produo que causou a perda de valor
custos de produo, com inclinao deve assumir o custo. Uma das formas de clculo aceita pelo fisco a depreciao pelo
Custo Total constante, observa-se que o custo mtodo uniforme, em que se desconta, do valor inicial do bem, o valor residual ou de
total somente oscila com o custo va- venda, no final da vida til. Este valor dividido pela vida til (em anos, horas ou fardos
rivel total. O Custo Fixo dado, in- gerados), resultando na depreciao. A frmula normalmente utilizada :
Custo Varivel
dependentemente da produo de
cada perodo.
Custo Fixo importante ressaltar a colaborao
dada pelos sistemas de processamento
eletrnico de dados contabilidade de
Quantidade (Q)
custos Sistema Integrado de Gesto
(SIG). Em geral, estes softwares permi- em que Vi o valor inicial, Vr o valor residual e n a vida til em anos. Dep ser o valor
Figura 4.1. Composio grfica do custo total.
tem a elaborao de relatrios com ve- anual da depreciao.
locidade expressiva e baixa margem de O valor residual (valor de sucata, em geral) deve ser considerado com base nas tran-
erros. saes normalmente observadas no mercado. No Brasil, o valor das mquinas antigas
varia muito, sempre mais do que o valor de sucata, por causa da demanda no mercado.
2. Contabilizao de custos Em perodos de procura, o valor de um processo antigo, de mais de 20 anos de uso,
pode ultrapassar 50% do valor de um equipamento novo, quando, em geral, o plano de
H diferentes formas de contabilizao de custos. O importante, porm, que todos amortizao para um equipamento industrial, internacionalmente, considera uma vida
os itens envolvidos nos investimentos e operacionalizao da algodoeira sejam conta- econmica de 10 a 15 anos e um valor residual de 20%, no mximo.
bilizados e analisados permanentemente.
Inicialmente, vale considerar que, nas mais de duas centenas de algodoeiras dos diversos
52 53
manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
COMBUSTVEL PESSOAL TAXAS INSUMOS SERVIOS OUTROS Para os demais itens movimentados na empresa, preciso ter uma tabela para ano-
Etanol Folha mensal
FGTS / INSS / Tela para
enfardamento
Dobra de arame
Aluguel de imveis e
equipamentos
tao das entradas e sadas, passando inclusive por um controle de estoques. Uma das
IRPJ / IRPF
Adiantamento de
ICMS
Saco para Mo-de-obra com formas possveis de tabela para este controle apresentada na Tabela 4.1. Uma impor-
Gs Diferencial de manuteno de internet / Aluguel de mquinas
salrio alquota enfardamento rede / computadores tante deciso saber como o algodo em caroo ser considerado na algodoeira. Se for
Gasolina Estadia e viagem Impostos e Lona para Frete mquinas e Computadores / uma prestao de servio, a unidade deve anotar quanto de algodo em caroo estar
colaboradores taxas fardes equipamentos perifricos
IPVA beneficiando e quanto de produtos sero gerados. Se o algodo for prprio, preciso
leo diesel Frias Licenciamentos Arame para Frete Materiais Mquinas / equipamentos
e seguros enfardamento diversos saber, inicialmente, onde termina o custo agrcola e onde recomea o custo industrial.
Uniformes
Licenas e Etiquetas de Frete fardes da usina Mveis / utenslios / Em muitas usinas de produtores, os custos especficos da usina no so individua-
projetos identificao equipamentos
Material
lizados (consumo de energia, por exemplo). Em outros termos, se a usina faz parte de
Cursos e Manuteno de Compra de equipamentos
treinamentos
classificao /
Manut. Pluma
camionetas oficina uma empresa maior (fazenda, grupo de usinas), os custos unitrios devem ser repas-
Atendimentos Material de Manuteno de Compra de materiais de sados em tempo real para a usina, a fim de permitir um gerenciamento efetivo dirio
consumo / computadores consumo / Manuteno
hospitalares Alimentao perifricos oficina do custo de produo. Lembre-se sempre de que, sem o conhecimento dos consumos,
Material de Manuteno de Despesas de manuteno no h controle; sem controle, no h gesto; e, sem gesto, no haver melhoria. A
Medicamentos de instalaes e
escritrio equipamentos / oficina
benfeitorias reduo do custo do beneficiamento comea por seu conhecimento detalhado.
Compra de E.P.C.
Material de Manuteno de
Despesas diversas O ideal que este controle de estoques ou movimentao das contas seja feito per-
limpeza equipamentos / peas
Manuteno de mveis /
manentemente, para que, a todo o momento, seja possvel analisar quanto de produto
Compra de E.P.I. Energia eltrica
instalaes est disponvel ou o seu custo. Alm disso, no se pode deixar de considerar os impos-
Horas extras e Manuteno de
DSC maquinrios
Seguro Algodoeira tos envolvidos na operao e outros que possam incidir na venda da produo. Apesar
Pcmso Sade / Manuteno de
Depreciao da usina
de no ser o objetivo deste texto, preciso ressaltar tambm a forma de contabilizao
Mdico equipamentos
de custos para os itens variveis, que deve levar em considerao o que aceito para
Ppra Segurana Depreciao do
no trabalho Manuteno de motos equipamento o imposto de renda e o que mais adequado para fins gerenciais. Um breve resumo
Rescises Manuteno de mveis Custo de construo da
usina
dos principais critrios pode ser analisado com mais detalhes em J. C. Marion (2009).
Manuteno de p- importante o conhecimento do custo das peas de reposio e da mo-de-obra para
Confraternizaes carregadeira Custo de equipamentos
poder avaliar o custo da manuteno, otimiz-la e selecionar fontes de peas com me-
Manuteno de
Contribuio
confederativa telefones / softwares / lhor benefcio / custo.
rdios
Estadia e viagem Manuteno de
Com a descrio dos custos, preciso distribu-los entre os diferentes produtos ge-
Administrao transmdulos rados. No caso da usina de beneficiamento, so gerados e comercializados a pluma, o
Contribuio Manuteno de veculos caroo de algodo, a fibrilha e outros resduos. Neste caso, no h custos diretos para
sindical utilitrios
Despesas gerais cada produto, pois o beneficiamento resultar na produo de todos os itens ao mes-
Correios / EBCT
de treinamentos mo tempo. Assim, pode-se utilizar o mesmo critrio na distribuio dos custos diretos
Despesas gerais
de Segurana do Fotocpias
e indiretos.
Trabalho
54 55
manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
Tabela 4.1. Planilha de controle de estoques. Assim, com base no custo total de beneficiamento, pode-se calcular quanto ser dilu-
do para cada subproduto gerado:
Veculos
Aps a computao dos custos para cada produto, o passo seguinte compar-los
com a receita gerada, podendo ser a receita de cada produto ou a total da usina de be-
neficiamento. As comparaes podem ser feitas em relao ao Custo Varivel (CV) ou
Entre as formas de distribuio dos custos para os diferentes produtos gerados, po- sobre o Custo Total (CT). Com isto, ter-se-ia a taxa de retorno sobre cada real investido:
de-se considerar a proposta por Barros (1987). Nesse caso, o objetivo ser analisar o
custo econmico de cada produto e no o custo contbil. Segundo o autor, ao se ter
a soma do custo total de produo da usina de beneficiamento (fixos e variveis), a P1 Q1 P1 Q1
distribuio do custo pode ser feita de acordo com a contribuio de cada produto na rrCT 1 = ou rrCV 1 =
gerao de receita bruta da unidade industrial. CT1 CV1
Inicialmente, preciso saber a quantidade de matria-prima (algodo em caroo) P2 Q2 P Q2
que foi beneficiada pela unidade industrial e a quantidade de subprodutos gerados e rrCT 2 = ou rrCV 2 = 2
que estaro disponveis para a venda. Assim, pode-se considerar: CT2 CV2
P3 Q3 P Q3
rrCT 3 = ou rrCV 3 = 3
RT = P1 Q1 + P2 Q2 + P3 Q3 + ... + Pn Qn CT3 CV3
Onde: :
RT = Receita total;
:
Pi = Preo de venda do produto i; Pn Qn P Qn
rrCTn = ou rrCVn = n
Qi = Quantidade gerada do produto i. CTn CVn
56 57
manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
Tabela 4.2. Exemplo de como apresentar os resultados da empresa, discriminando receitas e custos. O mesmo raciocnio vale para os investimentos de adequaes, incrementos e adap-
taes a serem avaliados em usinas existentes, seja qual for o tipo de processo (antigo-
Descrio $
moderno). Neste caso, deve-se considerar o dimensionamento para definir a capacida-
Receita bruta de e atender s necessidades que se apresentem. Quanto maior o volume de algodo
(-) Impostos sobre vendas em caroo, de acordo com o dimensionamento estabelecido, menor ser o custo fixo
= Receita Lquida por produo unitria de fardos. A ociosidade devido a um dimensionamento no
(-) Custos Diretos Matria-prima e embalagens adequado, ou uso sem planejamento do equipamento ou processo acarretar, natu-
Indiretos Mo-de-obra ralmente, a indesejvel elevao do custo fixo unitrio. Como o custo varivel ir oscilar
Depreciao
de acordo com o aumento da produo, o projeto deve ser elaborado para que opere
Soma dos custos sempre com o maior volume possvel, com baixa ociosidade, em um perodo maior de
= Resultado (lucro) bruto tempo possvel. A sazonalidade da disponibilidade de algodo para beneficiamente
(-) Despesas Pessoal eleva a necessidade de um bom planejamento da disponibilidade de matria-prima
Contador
Taxa da prefeitura
para a indstria.
Outras As usinas modernas de alta performance e rendimento so projetadas com inmeros pon-
Soma das despesas tos importantes, que auxiliam na reduo dos custos fixos, como o elevado nvel de automa-
= Resultado (lucro) operacional
o e o uso de controladores de dispndio, de consumos de energia eltrica e de gs. Aliados
(-) Imposto de Renda
a isso, um ritmo de beneficiamento mais uniforme e regular torna a operao eficiente e com
maior produtividade. Para isso, essencial um eficiente planejamento de safra e de abaste-
= Resultado (lucro) lquido
cimento da usina, para que a matria-prima no falte e a manuteno seja adequada, sem
paradas inesperadas de mquinas, cujos aspectos aumentariam os custos.
J as usinas antigas, que no Brasil representam em torno de 80% do parque indus-
trial, normalmente apresentam baixa performance e rendimento, o que consequen-
3. Os investimentos e os custos nas usinas temente reduz a produtividade da indstria. Porm, podem ser uma boa alternativa,
desde que ajustadas para produtores e industriais do beneficiamento que no plane-
Para que haja uma deciso coerente quanto a um projeto de implantao de uma usina jam investimentos em usinas novas ou no possuem o aporte de recursos necessrios
de beneficiamento, assim como de investimentos em novos equipamentos, alteraes e/ou para este tipo de investimento. bom lembrar que estas usinas demandam um custo
adequaes de processos, indispensvel que seja levado em conta o dimensionamento operacional alto, principalmente em energia eltrica, que pode corresponder entre 15
desses investimentos e seus custos. A relao benefcio / custo essencial. A demanda de ser- a 22% do valor de um fardo de 200 kg.
vios e a oferta de produo so fatores que determinam que caminhos devem ser seguidos. Em geral, estas unidades constituem uma boa alternativa em relao aos pesados
O dimensionamento da usina deve ser de acordo com o volume de matria-prima investimentos necessrios em uma usina moderna. Cabe salientar que, da mesma for-
que ser disponibilizada, que depende diretamente da rea prpria a ser cultivada, ma, o volume de matria-prima continua sendo o ponto essencial para o equilibrio dos
assim como de oferta de algodo em caroo de produtores da regio, que geraro a custos, agora somados necessidade de estar com um processo muito bem dimensio-
demanda para a prestao de servios. A capacidade de produo deve ser ajustada nado, definido, adaptado e adequado para a produo que se espera. Investir em es-
de forma que se evite tanto a ociosidade quanto a sobrecarga do parque industrial. tudos e diagnsticos tcnicos dos processos de beneficiamento, atravs de empresas
Ambos so tens que implicam diretamente no aumento do custo de produo, ora por especializadas, ser de vital importncia para levantar as reais necessidades, os proces-
elevar o custo fixo, ora o varivel. sos mais adequados, as adaptaes e melhorias corretas e coerentes da empresa, mi-
Os fabricantes indicam valores nominais a seus equipamentos, que, somados, per- nimizar e melhor adequar os custos com energia eltrica que pesam no mbito geral,
mitem o clculo do valor da capacidade nominal da usina como um todo. Na prtica, analisar as fontes de custos e obter a melhor rentabilidade.
existem inmeros fatores e condies que incidem diretamente no funcionamento dos Em ambos os casos, a questo da competncia gerencial imprescindvel para ob-
equipamentos e reduzem a produtividade mdia e a capacidade total, tais como, os ter-se a mxima eficincia e controlar os custos. Seja na usina antiga ou moderna, o au-
dias no trabalhados, horrios de pico, manuteno, organizao, a forma de opera- mento do uso das tecnologias disponveis demandam cada vez mais investimentos em
o (carga e ritmo de alimentao do processo), caractersticas do algodo, carga de mo-de-obra capacitada. Nesse contexto, o aumento desse custo fixo (mo-de-obra)
impurezas, manutenes preventivas e corretivas peridicas, objetivos de qualidade deve ser compensado pela eficcia dos resultados, com a reduo de outros custos e
e de produtividade da empresa. Desta forma, sensato considerar, a ttulo de clculo maior produtividade.
para dimensionamento, prximo capacidade nominal, um fator de uso na ordem de Desta forma, considerando a usina existente ou um novo projeto de unidade moder-
0.65 a 0.9, que reflita a realidade da explorao, para que se obtenham resultados mais na ou antiga, preciso haver controles adequados, bom planejamento, acompanha-
seguros de produo com um clculo mais realista. mento sistemtico, apoio de instrumental tecnolgico e de sistemas informatizados
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
de gesto integrada. Com isso, ser possvel considerar a usina como centro de custo, participao se reduz para, aproximadamente, 8%, sendo ainda expressivo.
conhecer e controlar diariamente o custo de produo, e manter a qualidade, gerando Desta forma, o beneficiamento, alm de ser um ponto essencial para se ter o pro-
um sistema de beneficiamento rentvel ao empresrio. duto a ser consumido pelas fiaes, tem uma participao importante no custo de
produo, podendo impactar de forma expressiva na rentabilidade do produtor. Um
beneficiamento bem controlado e manejado poder trazer um bom lucro, confiabili-
4. Breve anlise da distribuio de custos do be- dade e credibilidade. Um beneficiamento sem controle, emprico e mal manejado tem
neficiamento grandes chances de colher prejuzos, perda de credibilidade e confiabilidade, alm de
afetar a imagem de quem o beneficia, da regio, do estado e at do pas.
Para reduzir custos, alm de controles contbeis, so necessrias muitas aes ge-
Neste ponto, sero feitas breves consideraes sobre a distribuio de custos na uni-
renciais e operacionais que, devidamente aplicadas e controladas, tendem a gerar re-
dade de beneficiamento. O objetivo apresentar aspectos econmicos da estrutura de
sultados satisfatrios. Muitas vezes, estas aes so consideradas de pequena magni-
custos de produo e no a forma contbil propriamente dita. Alm disso, tambm se
tude, que demandam ateno apenas em um ponto do processo produtivo, sendo,
considera a unidade de beneficiamento como prestadora de servio, sem, portanto, o
portanto, marginalizadas, deixadas em segundo plano. Somente quando o problema
custo de compra do algodo em caroo. Os dados da Tabela 4.3 foram obtidos no Centro
se destaca que as atenes se voltam para ele, mas o custo j pode ter ultrapassado
de Estudos Avanados em Economia Aplicada (CEPEA, 2010).
os limites desejveis. Controlar o custo fixo um grande potencial para conseguir re-
Ao considerar a unidade de beneficiamento como uma empresa, o principal item na
duo de gastos. Os custos variveis no devem ser deixados de lado. Jamais deve-se
composio do custo de um fardo de algodo so as embalagens e materiais de con-
sacrificar a manuteno para alcanar ndices de reduo de custos, pois isso manifes-
sumos, com 43% do custo total, seguido da energia e gastos com mquinas (gs, por
tar, mais cedo ou mais tarde, prejuzos indesejveis.
exemplo). No entanto, no se pode deixar de computar a recuperao dos investimentos
Segundo Chanselme (2008), dentre as aes que podem ser estabelecidas pela ge-
feitos para a construo da algodoeira que, neste caso, ficou em 26,6% do custo total.
rncia da usina para iniciar um trabalho de reduo de custos, esto:
Observe que, neste exemplo, caso no se compute a recuperao do investimento, o
industrial estar subavaliando seu custo em, pelo menos, 26,6%. Instalar medidores de consumos (combustveis e energia);
Conhecer muito bem e em detalhes a composio dos custos;
Tabela 4.3. Distribuio do custo de processamento de algodo em caroo. Definir e difundir os custos em todos os nveis da usina;
Participao
Monitorar permanentemente o funcionamento da usina, conhecendo quem o
Custo de Produo
(%) responsvel por cada etapa do processo;
Energia e operao de mquinas 19,0 Avaliar diariamente, sempre que possvel, os ganhos e as perdas que resultam das
Embalagens e materiais de consumo 43,0
prticas de produo (consumo, rendimento de fibra, caroo, fibrilha);
Reparos e manuteno 4,4
Mo-de-obra 5,2 Respeitar nveis de desempenho estabelecidos a cada processo;
Despesas gerais e licenas 1,8
Respeitar o incondicional registro de ocorrncias em relatrios dirios (dirio de bordo).
Custos Operacionais 73,4
Em geral, na questo operacional, algumas formas de reduzir os custos fixos so:
Custo de investimento 26,6
Manuteno cuidadosa dos equipamentos, para evitar paradas;
TOTAL 100,0
Qualidade das peas de reposio;
Fonte: CEPEA, 2010.
Investimento em pessoal competente e treinado.
Uma ateno especial poder ser direcionada para diluir os custos fixos atravs da
5. Reduzir custos essencial reduo dos gastos na operao, tais como:
Energia (ventilao, secagem);
Economicamente falando, alguns instrumentos favorecem a sustentabilidade de um Equipamentos modernos e automatizados;
negcio. O primeiro produzir eficientemente, atravs de cortes de custos e/ou maior
receita. Outro atuar dinamicamente no mercado, comprando na baixa e vendendo na Organizao e reduo da mo-de-obra;
alta. Por fim, avaliar risco e precaver-se deles primordial. Pessoal competente e treinado;
Considerando o custo de produo do algodo, para se ter a pluma para comerciali-
Zelo pela segurana
zao, o operacional de 10 a 14% se refere ao beneficiamento. Sobre o custo total, esta
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captulo 5
GESTO DE PTIOS NA ALGODOEIRA
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
ou instaladas faixas refletivas e fosforescentes do mesmo tipo. regamento de fardes devem ser treinados e orientados com os procedimentos de
O operador do equipamento de descarga e carga de fardes redondos preveno e combate a incndio. Em dias de mau tempo e incidncias de raios, as
deve se manter atento ao realizar as atividades (Figura 5.5). O operador vistorias no ptio de espera de fardes devero ser intensificadas. No perodo notur-
nunca dever movimentar a mquina prxima a pessoas e/ou carretas no, recomenda-se deixar um vigia treinado e orientado quanto aos procedimentos a
devido ao uso de garfos ou espetos para a carga dos fardes redondos; serem tomados no caso de incndio. Este colaborador dever ter disponvel um equi-
recomenda-se transitar com os espetos suspensos e inclinados para trs. pamento de comunicao para emergncia e eventualidades. O caminho pipa citado
Ao transitar com o fardo preso aos espetos, o operador dever deix-lo acima dever estar equipado com rdio, quatro mangueiras de 1 polegada de dime-
a uma altura segura, para que no cubra sua viso na parte dianteira do tro e comprimento de 15 m cada, com bico regulvel e uma motobomba. A mangueira
equipamento, evitando assim a coliso ou o atropelamento de pessoas de 1 polegada recomendada neste caso, pois a potncia da motobomba menor que
(Figura 5.6). O operador sempre dever usar o cinto de segurana para a de um hidrante fixo.
que, em um possvel acidente, no venha a cair da mquina. Ao carregar
os fardes redondos em carretas, jamais se deve permitir que pessoas
permaneam prximas ao veculo e deve-se estar atento para no colidir 2. Armazenagem da pluma (ptios externos e armazns)
os espetos contra o caminho. A mquina dever sempre estar equipada
com sinal sonoro de r, buzina e extintor de classe ABC. Antes de serem armazenados, os fardos devem ficar em um local designado de es-
Antes de realizar os trabalhos com a mquina, o operador dever rea- pera, de 24 a 48 horas. Para controle de risco de incndio, este local dever ser afastado
lizar um chek-list, para verificar possveis defeitos na mquina, que, no do depsito de pluma. Em casos de suspeita de fogo, os 10 fardos anteriores e os 10
decorrer da atividade, poder ocasionar acidentes ou perda de tempo na posteriores sados da prensa devero ser mantidos em observao, de 24 a 48 horas.
atividade. Nos locais onde houver circulao de pessoas prximas a cur-
vas, a buzina dever sempre ser utilizada, como forma de advertncia. 2.1. Estrutura do ptio externo de pluma
Para evitar contaminao ao beneficiar o algodo, o operador dever
se certificar de que o plstico do fardo no esteja rompido e, ao depo- O dimensionamento do ptio deve se dar conforme a demanda de produo e es-
sit-lo na piranha, posicionar a emenda fora da linha de corte da lona. tocagem da algodoeira. Deve-se avaliar o local para estruturar o ptio externo de ar-
Os operadores de veculo de transporte devem ser treinados especifi- mazenamento de pluma. Este local deve conter bom escoamento de gua, ser afasta-
camente, conforme a NR 11. do de redes energizadas, com para-raios nas proximidades e, de preferncia, com solo
resistente para pocas de chuva.
recomendado colocar p de
1.4. Preveno de incndios brita para evitar a contaminao
da fibra pela poeira de terra ou
Nos locais destinados a fardes de algodo redondos e retangulares,
areia, e avaliar a possibilidade
necessrio tomar algumas precaues para evitar incndios. Este local
de cascalhar ou asfaltar as ruas
no dever conter gramas, para que no se propaguem chamas em pe-
de circulao de empilhadeiras
rodos de seca. A unidade de produo dever sinalizar o local com placas
e carretas nos locais destinados
de advertncia contra chamas e, se possvel, desviar o trnsito de carretas
montagem dos blocos de plu-
e mquinas que possam emitir fagulhas em seus escapamentos para ou-
ma. Em relao ao espaamen-
tras estradas. Nos casos de mquinas destinadas a trabalhos nestes locais,
to entre blocos, deve-se manter
estas devero ser equipadas com corta-fagulhas em seus escapamentos.
um limite mnimo de 1 m entre
O local deve ser interditado a fumantes e preparo de alimentos.
os mesmos e de 10 m entre blo-
No caso de ptios afastados da usina de beneficiamento onde haja hi-
cos e ruas, para uma margem de
drantes, deve-se deixar um caminho pipa diariamente abastecido e pr-
segurana em caso de incndio
ximo do local para uso em casos de emergncia. Devem-se manter os far-
(Figura 5.7).
des monitorados para a certificao de sua temperatura interna devido
Este procedimento, junta-
a possveis incndios, principalmente em perodos de chuvas devido ao
mente com outras aes, so
aumento da temperatura interna destes fardes ocasionado pela umida-
quesitos para avaliaes de se-
de e o calor. Neste caso, o fardo dever ser imediatamente encaminhado
guradoras em relao a valores a
para a usina, a fim de ser desmanchado e beneficiado.
serem pagos.
Os trabalhadores envolvidos no processo de carregamento e descar-
O equipamento de proteo re- Figura 5.7. Organizao do ptio. (Fonte: SLC Agrcola, 2013).
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tro de eletrodutos antichamas. No carregamento destes fardos, o conferente mangueiras atingindo 60 m no total.
jamais dever checar o nmero dos fardos sobre a pilha, devido ao risco de Para um melhor dimensionamento
queda. recomendado que a empilhadeira desa os fardos e que seja feita a destes equipamentos, deve-se rea-
conferncia no solo. No se deve permitir que as pessoas circulem no depsi- lizar o projeto de um Programa de
to no momento da quebra de lotes (separao), por causa do risco de queda Preveno e Combate a Incndio e
dos fardos. Pnico (PPCIP).
Deve-se manter a sinalizao de rea restrita nas portas de acesso dos de- Um reservatrio de armazena-
psitos de pluma, pois existe risco de acidente com leso e esmagamento mento de gua deve ser mantido
fatal. O pessoal envolvido deve ser treinado. O equipamento de proteo re- somente para alimentar a rede de hi-
comendado nos armazns de pluma composto de capacete, botina, luvas drantes. Este depsito de gua varia
de vaqueta, culos de segurana, mscara respiratria e protetor auditivo. conforme a demanda do nmero de
hidrantes em relao capacidade
2.4. Carregamento de fardos de pluma de fogo do material armazenado (al-
godo). Juntamente com o reserva-
No carregamento de fardos de pluma, o local dever estar equipado com trio, duas bombas de gua devero
linha de vida para os colaboradores prenderem o cinto de segurana, no tra- ser mantidas, uma eltrica e outra a
balho em altura. A linha de vida dever estar em uma altura que possibilite o combustvel (leo diesel), em casos
trabalho de empilhadeiras e que seja mais alta do que a ltima linha de fardos de falta ou possvel corte de energia
colocados sobre a carreta. O cabo utilizado ter dimetro de 8 mm e no de- eltrica. O estabelecimento tambm Figura 5. 13. Caixa de hidrante no armazm.
ver ter emendas ou desgastes em sua extenso. O projeto deve ser realizado pode manter um caminho pipa (Foto: SLC Agrcola, 2011).
por profissional habilitado e pessoa responsvel por construir a estrutura. O equipado com rdio amador, mangueiras e bicos de jato regulvel, sempre disponvel em caso
motorista no deve permanecer prximo carreta durante o carregamento, de emergncia.
devendo ficar na cabine do veculo ou em local apropriado indicado para tal As bombas e hidrantes devero ser testados periodicamente, para avaliar suas condies de
fim. Aps o carregamento concludo, os fardos devem ser amarrados com cin- funcionamento, e as bombas que abastecem os reservatrios de gua devem estar sempre em
ta para evitar a sua queda no deslocamento para a pesagem, antes do enlo- funcionamento. Quando for necessria a limpeza do reservatrio de gua, deve-se deixar o cami-
namento da carreta. nho pipa parado no local, para dar auxlio em caso de incndio. As mangueiras somente devem
O pessoal envolvido na atividade sobre a carreta deve ser treinado para tra- ser usadas para o fim a que se destinam e no para molhar ptios ou lavar barraces, a fim de evi-
balho em altura. O equipamento de tar que se danifiquem. Tambm depois de usadas, devem ser mantidas abertas e, de preferncia,
proteo recomendado composto erguidas at se secarem totalmente. Aps, enrolar e guardar nas caixas de hidrantes (Figura 5.13).
de cinto de segurana, capacete, bo- O depsito interno de pluma, alm de hidrantes, deve conter extintores de classe A (gua) em
tina, luvas de vaqueta, culos de se- locais especficos e em quantidade determinada no PPCIP. Em locais de acesso aos ptios exter-
gurana, mscara respiratria e pro- nos e armazns internos, sugerido que se coloquem placas de advertncia para no provocar
tetor auditivo. ali chamas ou fagulhas. Quando for necessrio realizar trabalhos a quente (solda, oxicorte, lixa-
mento e esmerilhamento) nestes locais, dever ser feito um plano para que no ocorra incndio
2.5. Preveno e com- (uso de tapumes, resfriamento e retirada dos fardos de algodo, se possvel). Este tipo de trabalho
sempre ser realizado com o auxlio de uma pessoa equipada com extintor de classe A.
bate a incndio Todos os meses, as condies dos equipamentos para combater incndio e de emergncia
Nos armazns internos e externos, devem ser avaliadas com check-lists. Os colaboradores devero estar orientados sobre como
obrigatrio o uso de equipamen- agir em caso de incndio e a quem comunicar. Um treinamento de 20 h de durao dever ser
tos de combate a incndio, devido realizado, para a formao de brigadistas de combate a incndio. Normalmente, o brigadista
ao grande risco de fogo. Os ptios e mais prximo dever ser comunicado e o alarme de emergncia acionado. Se o estabeleci-
depsitos destinados a armazenar al- mento no possuir alarme, a buzina de um veculo pode ser utilizada, de forma intermitente,
godo devem estar equipados com para avisar os demais. O estabelecimento poder dispor de um quadro ou placa com os ramais
rede de hidrantes com mangueiras a serem contatados em caso de emergncia.
50 mm, de 15 m cada e com bico de Brigadistas treinados, hidrantes e extintores suficientes para a carga de material armazena-
Figura 5. 12. Mangueira com dimetro jato regulvel (Figura 5.12). Em cada do (PPCIP), alarme e spinclers, entre outros, so itens indispensveis aquisio e baixo custo
de 50 mm. (Foto: SLC Agrcola, 2011). caixa de hidrante, recomenda-se ter 4 de seguros.
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PROCESSOS DE BENEFICIAMENTO No mundo e no Brasil, a tendncia atual proteger o meio ambiente. A atividade de
beneficiamento do algodo no gera poluio qumica, mas produz poeira, barulho e
trnsito. A localizao da usina deve evitar reas protegidas e a proximidade de reas
povoadas. A direo do vento predominante deve sempre ser considerada, para evitar
transtornos em reas mais ou menos distantes.
Jean-Luc
Chanselme
1. Regras para a escolha do lugar de
1.4. A disponibilidade de energia eltrica
Cotimes do Brasil
Cascavel-PR
implantao
A concessionria de energia local deve ser contatada, para saber sobre a disponibi-
jean@
lidade e o preo dos servios. Frequentemente, a energia no est disponvel no local
cotimesdobrasil.
Como qualquer indstria, a rentabilidade de uma algodoeira fortemente ou a rede deve ser modificada para atender a usina. Trazer a energia at o local tem
com.br
determinada pela localizao e organizao espacial do processo utilizado custo. Uma pesquisa nas indstrias j implantadas na regio com relao qualidade
(layout). Vrios elementos devem ser considerados para escolher um lugar da energia tambm essencial antes de escolher um local.
para uma usina nova ou realocar uma usina existente. Enfim, podem existir diferenas significativas entre locais com relao s cargas tri-
A acessibilidade do local fundamental, sendo de fcil acessibilidade butrias. As instituies e autarquias locais devem ser consultadas sobre a questo de
para clientes, donos e funcionrios. impostos, para uma anlise sobre a propriedade e os servios que sero cobrados.
No caso do produtor, a usina deve ser instalada na parte central da
rea cultivada da fazenda ou do conjunto de fazendas para limitar os cus-
tos e o tempo de seu abastecimento. 2. Regras para o layout da rea da usina
No caso da usina prestadora de servio, o acesso um critrio impor-
tante de escolha pelos clientes e a proximidade de uma via boa e, se pos- No existe nenhum layout padro, pois cada lugar tem suas caractersticas prprias,
svel, pavimentada um ponto muito positivo. tais como tamanho e forma de rea, instalaes preexistentes, restries, etc. No entan-
to, vrias regras devem ser aplicadas para se desenhar corretamente o arranjo de uma
1.1. A rea disponvel algodoeira para eficincia e segurana (Figura 6.1).
importante dispor de uma rea de tamanho suficiente para poder 2.1. Ter espao para movimentao
desenhar um layout geral da unidade industrial, que seja funcional.
A funcionalidade inclui uma boa movimentao para o abastecimento Um espao bem proporcionado melhora a produtividade e reduz o risco de aciden-
da usina e o manuseio dos produtos acabados, assim como uma capacida- te com equipamentos e pessoas.
de suficiente de armazenagem, de acordo com as regras de segurana Caminhos permanentes e de largura suficiente devem ser delimitados e materiali-
estabelecidas. zados e, se possvel, pavimentados, para evitar desmanchamento do solo com trfego
intenso (Figura 6.2). So importantes para o movimento do algodo em caroo (trans-
1.2. As caractersticas fsicas locais mdulos entrando, saindo ou deslocando fardes) e para o trnsito dos caminhes que
transportam caroo, pluma ou resduos.
As caractersticas do solo so importantes. Os terrenos acidentados O armazenamento de fardos de algodo frequentemente feito em forma de pilhas
necessitam de obras caras, para terraplanagem e preparao. A obra civil numa rea exclusiva do ptio ou do armazm, porm o armazenamento em galpes
de uma usina comporta muitas infraestruturas subterrneas, tais como bastante comum.
valetas para tubulaes e fossa para prensa. Solos rochosos ou mal drena- Amplos espaos devem ser deixados para que visitantes e clientes estacionem perto
dos tornam a construo muito cara e at podem compromet-la. do escritrio e o entorno da usina deve dispor de locais adequados para a espera dos
reas baixas so sujeitas a inundaes, deixando o acesso difcil, a caminhes que faro o carregamento de caroo e pluma ou a descarga de fardes de
construo mais difcil e demorada, ameaam os equipamentos (prensas) algodo em caroo.
e os produtos armazenados.
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
de fardes
das valetas, espessura do piso de concreto, etc.). A configurao inicial da usina muito
Bloco de fardos rea de extenso futura do
complexo de beneficiamento importante, pois, devido s construes abaixo do nvel do piso de concreto, grandes
mudanas, como localizao de descaroadores ou prensa, so muito difceis e caras.
Por isso, o remodelamento das algodoeiras antigas geralmente limitado quando se
substitui maquinrio antigo por moderno.
Balana No Brasil, comum o deslocamento de usinas antigas de uma regio para outra ou dentro
Oficina e depsito
Escritrio
Casa Casa da mesma regio (ver captulo histrico) sem o desenho e o layout do maquinrio. O arranjo
dos equipamentos fora e dentro da sala de beneficiamento se faz de maneira emprica,
Vento predominante
segundo os hbitos de montadores ou funileiros. Para conseguir nveis bons de operao
e desempenho, facilitar os trabalhos de manuteno e reduzir riscos para operadores
importante trabalhar com engenharia, a fim de selecionar ou construir prdios de tamanhos
Figura 6.1. Exemplo de layout respeitando regras suficientes e adaptados para receber um maquinrio bem organizado, baseados num layout
bsicas. (Fonte: Cotimes do Brasil, 2011). apropriado e funcional e com possibilidade de evoluo posterior (Figura 6.3).
Ciclones
CG
D= Descaroador
LP LP LP
Prensa
S= Torre de sobra
T T Sep. = Separador de sobra
Cent. Cent. Cent. Cent. = Limpador de pluma centrfugo
Emb.
LP = Limpador de pluma de serra
PL2 Sep PL2
S CG = Condensador geral
D D D
Reg
Emb. = Embaladora
PF = Prensa de fibrilha
Bat. = Batedor de fibrilha
PC GH = Grupo hidrulico
Sala de beneficiamento
Pir.
Pir.
Sala dos desmanchadores de fardes
O PROCESSO DE BENEFICIAMENTO
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
1.1.1. Opes dos se torna unidirecional), comporta, em geral, 7 cilindros. A taxa de sujeira fina elimina-
da alta, o que explica o sucesso desta adaptao. No entanto, nas adaptaes exis-
desmanchadores tentes, o algodo no pode ser desviado, o que apresenta um inconveniente grande
Nos estacionrios, comum ins- no caso do algodo mido, que batido e rolado pelos pinos sem nenhuma possibi-
talar um limpador de cilindros de lidade de secagem, o que provoca o encarneiramento da fibra e de sua sujeira, que
pinos embaixo da mquina. Em ge- fica mais difcil de separar nas demais etapas de pr-limpeza, aumentando, no final,
ral, o objetivo separar areia. as perdas de fibra no limpador de pluma;
No Brasil, encontram-se vrias
adaptaes destinadas a aumentar Sistemas de captao da poeira emitida dentro da mquina pela ao de desman-
a funo de limpeza no desman- chamento e batida (Figura 7.7).
chador mvel:
Batendo o algodo, os cilin-
dros desmanchadores con- 1.1.2. Automao do desmanchador de fardes
seguem a separao de uma
parte da sujeira. Ao bater na Quando no tem dispositivo especfico de regulao do fluxo de algodo introdu-
chapa traseira, a sujeira cai em zido no processo (torre de regulao), o que o caso de todas as usinas antigas e de
cima do algodo que est se algumas modernas, o fluxo de algodo jogado no processo depende diretamente da
deslocando transversalmen- velocidade de andamento dos desmanchadores de fardes. Nas usinas antigas, acon-
te nas roscas. Para resolver tecem muitos embuchamentos individuais dos descaroadores e o ritmo de benefi-
parcialmente esse problema, ciamento dos conjuntos no estvel. Sem torre de regulao, todas essas variaes
Figura 7.6. Troca da chapa traseira por
grelha. (Foto: Cotimes, 2006). a chapa traseira pode ser tro- obrigam, frequentemente, a ajustar a velocidade de andamento dos desmanchadores
cada por uma grade de barras para tentar conseguir uma alimentao fina e regular, suficiente, de todos os descaro-
horizontais de 9 mm, separa- adores ou evitar um exagero de sobra. Devido ao longo tempo que o algodo que
das em at 10 mm (Figura 7.6); sai do desmanchador leva para chegar at os descaroadores (que aumenta com a
distncia entre o desmanchador e o ponto de suco), o ajuste manual difcil, e fre-
O transporte lateral pelas ros- quente observar o operador mexendo continuamente, criando uma flutuao grande
cas deve tambm ser aprovei- da alimentao e do funcionamento do processo.
tado para separar uma parte Neste caso, a automao da regulao da velocidade impossvel, porm uma me-
dos resduos, utilizando grade lhoria simples e necessria pode ser providenciada, consistindo em parar automatica-
de barras embaixo das roscas. mente o desmanchamento e a esteira quando o beneficiamento parar, ou ainda redu-
As barras de 9 mm tm espa- zir as velocidades metade quando um dos dois conjuntos parar.
amento de 10 a 12 mm para Outro fator que dificulta a regulao da alimentao unicamente pela velocidade de
permitir a separao das cas- andamento do desmanchador a heterogeneidade da densidade do algodo dentro
quinhas; devem ser orientadas do fardo e entre os fardes.
paralelamente ao eixo das ros-
cas para evitar perdas de algo- 1.2. O descarregamento por telescpios
do;
Antes da apario dos fardes, o algodo era acondicionado em reboques, poden-
Acrscimo de um batedor do ser compactado ou no. O descarregamento devia ento ser feito diretamente no
inclinado no desmanchador reboque, utilizando um sistema pneumtico com suco atravs de tubos verticais mo-
mvel: o batedor recebe o vidos manualmente, os telescpios.
algodo projetado atrs dos O descarregamento por telescpios operados manualmente apresenta a vantagem
cilindros desmanchadores. da simplicidade (poucas peas em movimento), mas tem o inconveniente do custo
Acrescido na mquina unidi-
recional ou aproveitando dos
Figura 7.7. Sistema de catao de
cilindros de um lado da m-
poeira no desmanchador mvel.
(Foto: Cotimes do Brasil, 2008). quina bidirecional (que ento
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
da mo-de-obra e inadaptado te, ventiladores modernos e de melhor desempenho permitem trabalhar com motores
s usinas de grande porte (30 far- menores1.
dos por hora ou mais). Somente
algumas algodoeiras antigas de 1.3. O controle da alimentao em algodo em caroo
pequena capacidade ainda uti-
lizam o telescpio manual para Para conseguir um funcionamento e desempenho perfeitamente regulares das mquinas
descarregar fardes e alimentar do processo no decorrer do tempo e poder ajustar o nvel da alimentao do processo de ma-
o processo (Figura 7.8). neira fina, preciso um sistema de regulao na entrada da sequncia de mquinas. Como
Telescpios hidrulicos e auto- foi demonstrado, tal sistema justifica-se, seja qual for a tcnica de descarregamento. Nas usi-
matizados foram desenvolvidos nas modernas e de alta capacidade, o desempenho e a produtividade so mais sensveis s
para poder alimentar usinas de flutuaes do fluxo de algodo. Neste caso, o sistema de regulao de fluxo indispensvel.
alta capacidade, com at 60 far- O sistema deve possuir dois componentes para satisfazer as necessidades de regula-
dos por hora. O operador instala- o: uma caixa de armazenagem e um dispositivo dosador. Tambm deve ser automa-
do numa cabine elevada aciona tizado, para evitar as flutuaes inevitavelmente geradas pelas intervenes humanas.
os telescpios por intermedirio As mquinas chamadas de torre de regulao respondem as estes critrios. Os com-
de joysticks. O sistema, bastante ponentes destas torres so os seguintes (Figura 7.9):
sofisticado, requer operadores Um separador, para separar o ar de transporte do algodo em caroo. Pode ser um
treinados, junto com ajustes e separador clssico, com rolo de palhetas limpando uma tela fixa, ou um separador
manuteno, seguindo risca de cilindros de pinos (em geral 3), que providencia uma pr-abertura no caso de
Figura 7.8. Descarregamento por telescpio as recomendaes do constru- descarregamento por telescpio;
manual. (Foto: Cotimes, 2004). tor. Com a armazenagem em far-
des, desmanchadores so muito mais simples de se usar, mais baratos e Uma caixa de armazenagem do algodo, para neutralizar as flutuaes do fluxo de
com manuteno simplificada, no entanto o descarregamento por teles- algodo geradas pelo desmanchador ou o telescpio, e representando uma reserva
cpios hidrulicos quase no se encontra no Brasil. mnima de 30 segundos de beneficiamento. Para calcular o volume da caixa de
Com equipamentos manuais ou hidrulicos, o descarregamento por alimentao, deve-se considerar uma densidade mdia de algodo de 70 a 80 kg/m3.
telescpio gera um fluxo de algodo muito irregular. imprescindvel en- Para no gerar embuchamentos na sada da caixa, a altura de armazenamento no
to regular este fluxo descarregando o algodo, primeiro, numa caixa de deve ultrapassar de 2.5 a 2.6 m, que a altura de instalao do sensor de nvel alto. A
regulao, para poder providenciar ao processo um fluxo constante de caixa tem altura um pouco maior, variando de 3.2 a 3.6 m, dependendo do fabricante e
matria-prima. do modelo. Por exemplo, para uma usina que produz 25 fardos por hora, uma caixa de
O sistema pneumtico de descarregamento deve ser calculado to- volume 4.2 m3 dar uma reserva de 1 minuto de beneficiamento, aproximadamente;
mando-se em conta o fluxo de algodo potencial por unidade de tem- Um dispositivo de dosagem do algodo com motorredutor e velocidade varivel,
po, ele mesmo estimado em funo da produo nominal de fardos por para jogar, na sequncia de mquinas, um fluxo controlado, sem flutuaes e
hora. Sabendo que a velocidade de ar para conseguir transportar o algo- correspondente ao ritmo de produo desejado. Em geral, os rolos dosadores so
do em caroo, inclusive quando ele est mido, de 23 m/s e utilizando seguidos de um rolo dispersador, para abrir o algodo novamente aps a compresso
uma relao ar/algodo de 1.2 m3/kg, possvel calcular o dimetro das na caixa pelo prprio peso e entre os dosadores, e favorecer a retomada pelo ar de
tubulaes de suco. O ventilador deve ser escolhido para poder gerar secagem embaixo da torre (Figura 7.10);
este fluxo, acrescentado de um fator devido s perdas por entrada de ar
falso, contra uma presso esttica a ser calculada em funo do trajeto Uma ou duas vlvulas de vcuo, para isolar a caixa de armazenamento da caixa de
das tubulaes (comprimento e curvas) das mquinas transitadas pelo ar sopro, onde o algodo liberado pela torre misturado ao ar de retomada.
e do sistema de separao de sujeira. A torre de regulao um elemento essencial da automao da alimentao do pro-
No sistema de telescpio, pelo fato de o ar arrancar o algodo da mas- cesso. Ela interligada e interage com o descarregamento a montante e com a sobra
sa compactada, a velocidade de ar deve ser superior, a princpio de 30 automtica e os descaroadores a jusante. Sensores fotoeltricos ou de fim de curso,
m/s, o que, considerando o fluxo de ar nas tubulaes, permite definir o instalados na caixa de armazenamento, controlam o nvel alto (caixa cheia) e o nvel bai-
dimetro do telescpio, sempre inferior ao das tubulaes horizontais.
Sistemas de descarga (suco) nas usinas antigas utilizam ventiladores
de tamanho 45/50, com motores de 60 CV por conjunto. Frequentemen-
1
- Para mais detalhes sobre ventilao, ver o Captulo 8 deste manual.
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
96 97
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2. Gesto da umidade 21 C e 60% de umidade relativa, alcanar uma umidade de equilbrio de 7,2%, e o
caroo de 10,5%. O teor de umidade do algodo em caroo ficar entre os dois e de-
pende da proporo de fibra (40%, no caso da figura). Baixando-se a umidade relativa
2.1. Generalidades e justificativas para 30% (nvel muito frequente durante a safra brasileira), o teor de umidade da fibra
A gesto da umidade do algodo importante para o bom funcionamen- baixa para 4,2%.
to do processo de beneficiamento e a qualidade da fibra produzida. O al-
godo em caroo de umidade alta pode causar embuchamentos e danos
aos equipamentos, fica difcil de abrir, no pode ser adequadamente limpo Fig 12: Umidade do ar e umidade do algodo
e resulta em rendimentos de fibra baixos e fibra de aspecto encarneirado, 20
com graus baixos. O algodo seco demais ir gerar eletricidade esttica e Caroo Algodo em caroo Fibra
18
embuchamentos. Limpar-se- facilmente, mas quebras de fibra iro ocorrer
98 99
manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
sua umidade no decorrer do dia, com possibilidade de atingir nveis bastante altos ou rados e o subdimensionamento dos sistemas de secagem. Os sistemas de alto volume,
baixos. muito comum ouvir os operadores falarem que o funcionamento da usina pela potncia de secagem disponvel, no precisam de temperatura alta. Eles so mais
mais redondo de noite. A explicao que o ar ambiente condiciona naturalmente a cuidadosos quanto qualidade e favorecem o comprimento.
fibra, umidificando-a naturalmente, eliminando os problemas devidos eletricidade A secagem deve ocorrer o mais cedo possvel, antes de qualquer tratamento me-
esttica, deixando-a mais pronta para o descaroador e mais fcil de prensar. cnico, porm, para secar, o algodo em caroo deve ser bastante aberto. A secagem
A gesto da umidade do algodo no beneficiamento dever levar em conta essas favorece a limpeza, a abertura e aumenta o rendimento de beneficiamento, pois evita
variaes, medindo regularmente a umidade relativa do ar e ajustando a secagem ou as perdas de fibra que ocorrem no limpador de pluma quando a sujeira est encarnei-
a umidificao. rada na fibra mida, no batedor. Na entrada no processo, a umidade da fibra deve ser
reduzida e homogeneizada a um nvel que permita uma boa circulao da matria e
uma limpeza eficiente, sem apario de eletricidade esttica. Este nvel de umidade
de 4 a 5%. Considerando que a fibra e o caroo dentro de um fardo esto em equil-
Primavera do Leste-MT, outubro de 2011 brio, uma umidade de fibra de 5% corresponde a uma umidade de algodo em caroo
38
prxima de 6%. Para conseguir a umidade certa para a limpeza do algodo em caroo,
Umidade relativa Temperatura a secagem deve, ento, ser aplicada a partir de uma umidade de fardo de 6 7%.
35 A secagem do algodo em caroo justificada na maioria das reas produtivas do
Temperatura (C)
Brasil, principalmente no incio e no fim da safra de beneficiamento. Devido s condi-
Umidade (%)
("# 32
es climticas no momento da colheita, fardes podem chegar na usina com umida-
*"# 29
de de 10% ou mais. No caso de prolongamento da safra (capacidades do processo de
beneficiamento ou produtividade insuficientes), o beneficiador deve, ento, praticar a
%"# 26 secagem. Algumas regies mais ao sul, com clima bastante frio e chuvoso, impem a
instalao de sistemas de secagem potentes e seu uso frequente durante a safra.
'"# 23
O princpio da secagem colocar o algodo em contato com uma corrente de ar
)"# 20 quente. A umidade dentro e em torno dele cria uma presso de vapor de gua de-
terminada pelo teor de umidade e temperatura. Se a presso de vapor de gua no ar
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7:
9:
1:
3:
5:
7:
ambiente menor do que aquela produzida pelo algodo, a secagem ocorrer. A fora
:
11
13
15
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19
21
23
Hora
que remove a umidade do algodo, portanto, corresponde diferena de presso de
Figura 7.13. Variaes dirias da temperatura e da vapor de gua. Quanto maior esta diferena, mais rpida a secagem. Ao aquecer o ar
umidade relativa do ar. (Fonte: Cotimes do Brasil, 2011). ambiente, a umidade relativa diminui e a sua capacidade de absorver a umidade do
algodo aumenta. A secagem mais rpida ocorre no incio, quando o ar bem mais
quente que o algodo. A diferena de presso do vapor de gua e a taxa de secagem
diminuem ao longo do processo.
2.2. A secagem do algodo em caroo Quando a umidade do algodo no muito elevada, possvel a secagem com ar
ambiente e sem aquecimento, se a umidade relativa baixa. Por exemplo, para secar
2.2.1. Justificativa e princpio uma pluma at uma umidade de 5%, a umidade relativa do ar ambiente no sistema de
transporte ou de secagem deve ser de, aproximadamente, 40% ou menos (Figura 7.12).
Um sistema de secagem bem desenhado e dimensionado permite combinar os ob- No cerrado do Brasil e em uma boa parte da safra, o ar frequentemente apresenta, du-
jetivos do produtor, do beneficiador e do fiandeiro. Facilita a limpeza e a abertura do rante o dia, uma umidade relativa baixa que permite fazer uma secagem sem gastar
algodo em caroo e reduz o encarneiramento; aumenta o rendimento de fibra, pelas energia.
menores perdas de fibra no limpador de pluma, e aumenta a produo da usina, evi- Vrios fatores influenciam a secagem:
tando reduzir o ritmo para tratar os algodes midos e embuchamentos. A temperatura e a umidade do ar: quanto mais quente e seco o ar, maior o potencial
A secagem bem desenhada e operada no perigosa para a fibra. No campo, nos de remoo de umidade da fibra;
dias secos e com temperatura alta, a fibra chega a umidades muito baixas (2% ou me-
nos). O que fica perigoso descaroar uma fibra seca. O sistema de secagem deve ser O volume de ar disponvel: haver maior potencial de secagem quanto maior for a
poderoso o suficiente para poder tratar qualquer tipo de algodo que chega na usina, relao ar/algodo;
a fim de no ter que reduzir a cadncia de produo para poder aguentar quantidades
elevadas de algodo mido e sujo. Temperaturas altas no devem ser utilizadas, para O tempo de contato entre o algodo e o ar: a quantidade de gua retirada da fibra
no danificar a fibra. Em geral, elas so utilizadas para tentar compensar desenhos er- aumenta com o tempo de exposio;
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O deslizamento do ar sobre o algodo favorece a troca de vapor de dade. Para evitar temperaturas altas, preciso alto volume de ar, sistema pneumtico
gua por conveco; e equipamentos bem dimensionados, e controle automtico de temperatura. Sistemas
de secagem potentes no gastam mais energia, pelo fato de serem de alto volume.
A abertura do algodo: o algodo em caroo aberto seca mais Geralmente, utilizam somente suco e aproveitam melhor o potencial de secagem do
rapidamente. ar ambiente, durante uma boa parte da safra.
Para uma determinada instalao de secagem, quanto mais mido o algo- O uso de secadores sem gavetas ou de alto volume permite trabalhar com menos
do, mais alta dever ser a temperatura do ar, para poder reduzir a umidade da energia (menos resistncia ao deslocamento do ar), eliminando a necessidade de ven-
fibra at o nvel desejado. tilao dupla (ventiladores de empurrar e de puxar). O fluxo de ar gerado por um
A secagem tem duas fases: inicialmente e constantemente, durante ventilador de suco. As vantagens de uma secagem por suco so a ausncia de
alguns segundos, a secagem retira a umidade de superfcie; durante a se- emisso de poeira na usina e a menor temperatura de trabalho das tiras de borracha
gunda fase, a mais significativa, a umidade interna migra at a superfcie, das vlvulas de vcuo. O dimensionamento do sistema de ar deve levar em conta as
de onde extrada. entradas de ar falso no circuito.
Um sistema de secagem bem dimensionado e potente, respondendo rapidamente
s variaes do algodo em caroo, o segredo para manter a produo em situaes
2.2.2. Normas e dimensionamento de umidade altas, evitando embuchamentos e paradas. Uma secagem potente, com
O algodo em caroo uma matria natural, agrcola e heterognea, resposta rpida, permite economia de combustvel e proteo da fibra. O sistema deve
tambm com relao umidade, que pode variar muito dentro de um ser calculado e desenhado para cada usina, por um estudo de engenharia que dever
mesmo fardo. O sistema de secagem deve ser desenhado e dimensio- levar em conta o custo de investimento e de uso.
nado para poder tratar todos os tipos de algodo que chegam usina em
todas as condies climticas habitualmente encontradas na rea. Deve 2.2.3. Equipamentos
respeitar normas para manter a produtividade da usina, gastar o mnimo
de energia e poder aumentar o valor comercial da fibra, sem agredi-la. Em O sistema de secagem comum usa uma fonte de calor (queimador e ventilador), tubu-
nenhum caso, a temperatura de qualquer poro do sistema de secagem laes, um secador (torre de secagem) e um dispositivo de separao (batedor). Equipa-
deve exceder a 177 C. Acima desta temperatura, a fibra sofre queimadu- mentos complementares so importantes para operar o sistema, tais como medidores,
ras. Ela pega fogo por volta de 232 C (ANTHONY E MAYFIELD, 1994). sensores e controladores, no caso de sistema automatizado.
Desenhar um sistema de secagem no se limita a instalar uma fonte de A fonte de calor condiciona a eficincia do sistema de secagem. Ela deve ser adaptada
calor e secador. Devem-se considerar os equipamentos anteriores e pos- a grandes fluxos de ar. Por isso queimadores de tipo cortina so preferidos aos de tipo
teriores no processo, alteraes eventuais de mquinas existentes, calcu- canho.
lar o dimetro e os trajetos de tubulaes e ventiladores em funo das Baseando-se no fluxo de ar no sistema de secagem e no acrscimo de temperatura
caractersticas arulicas do sistema, para consumir o mnimo de energia. procurado, possvel calcular a quantidade de calor necessria para aquecer o fluxo de
As matrias estranhas usam uma boa parte da energia calrica e, conse- ar, utilizando a seguinte frmula:
quentemente, do potencial de secagem. Os sistemas de secagem devem kcal por hora = 0.29 x (fluxo de ar m3/h) x (T2-T1)
ser dimensionados de acordo com o tipo de colheita.
O dimensionamento de um sistema de secagem obedece a normas Onde
de fluxo de ar e de temperatura de ar. A velocidade do ar nas tubulaes
deve ser mantida entre 22 e 25 m/s. Numa torre de gavetas, a velocidade T1 = temperatura do ar ambiente (em C); e
menor (entre 7,5 e 10 m/s). O fluxo de ar necessrio calculado com-
T2 = temperatura do ar aps o aquecedor (em C).
binando-se a capacidade da usina com a relao volume de ar/peso de
algodo desejada (entre 1,9 e 3,1 m3/kg). A combinao do fluxo (m3/h)
com a velocidade (m/s) permite definir a seco das tubulaes e dos Por exemplo, se o sistema de ar est puxando 17.000 metros cbicos de ar por hora e o
secadores. O algodo em caroo se move mais devagar que o ar de se- acrscimo de temperatura procurado de 80 C, o calor a ser providenciado de 394.400
cagem. Progressivamente, seca, afofa e chega a uma velocidade similar kcal/h. No Brasil, o gs utilizado para a secagem do algodo nas algodoeiras o propano
ao ar. No caso dos algodes muito midos e para evitar reduzir muito o lquido (PL), que tem um teor mnimo de calor de 6.000 kcal por litro. Assumindo uma eficin-
ritmo de beneficiamento, o sistema de secagem deve ser de alto volume. cia de combusto de 95%, a quantidade de combustvel necessria para gerar 394.400 kcal
Os sistemas de alto volume, pela potncia de secagem disponvel, no por volta de 69 litros de LP.
precisam de temperatura alta. Eles so mais cuidadosos quanto quali- Os queimadores devem ter uma combusto eficiente e uma grande amplitude de
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se simplesmente dizer que a
30 9 umidade protege o compri-
29 mento da fibra, reduzindo o
8
28 risco de romp-la.
27 7 Para proteger a fibra nos
26
25 6
descaroadores e limpadores
2 3 4 5 6 7 8 de pluma, conseguir compri-
Umidade da fibra limpa (%) mento e reduzir a taxa de fi-
bras curtas, interessante ter
Comprimento UQL (mm) Comprimento mdio (mm) Fibras curtas (%) a umidade mais alta possvel
(Figura 7.27). Reduzindo a Figura 7.28. Caixa de umidificao do algodo em caroo (aspecto
exterior e interior). (Foto: Cotimes do Brasil, 2009-2010).
Figura 7.27. Umidade da fibra e umidade da fibra de 7.4 para
comprimento. (Fonte: CIRAD, 2005). 3.4%, o comprimento comer- zir a condensao. Como na secagem, grandes diferenas nas velocidades do ar e do
cial baixa em quase 1.5 mm e a taxa de fibras curtas passa de 4.6 para 8.7%. algodo so importantes.
No Brasil, uma grande parte da produo de algodo colhida durante perodos Para umidificar, preciso um gerador de ar mido e um dispositivo de aplicao. Os
de baixa umidade e chega na algodoeira com uma umidade de fibra de 3 a 5%. A fibra sistemas modernos de umidificao do algodo em caroo disponveis comercialmen-
corretamente seca para ser limpa na pr-limpeza tambm chega ao descaroador com te utilizam geradores de ar mido, que combinam aquecimento do ar por queimador a
umidade de cerca de 5%. So umidades baixas, muito insuficientes ao entrar no desca- gs e aquecimento e pulverizao de gua. O combustvel utilizado o gs ou o quero-
roador, que resultam em perdas de comprimento comercial, uniformidade, aumento sene, para tempo de reao curto e automao. O ar quente e de umidade relativa alta
da taxa de fibras curtas e impacto comercial a curto ou mdio prazo. Alm da preser- levado por um ventilador at o ponto de contato com o algodo, numa caixa insta-
vao da qualidade de fibra, a umidificao do algodo em caroo permite aumentar a lada entre a rosca distribuidora e os alimentadores de descaroadores. A umidificao
produtividade no descaroador. eficiente, por causa da relativa compactao do algodo e o famoso deslizamento
O mercado valoriza pouco as caractersticas de comprimento do algodo brasileiro, criado pela grande diferena de velocidade entre o ar e o algodo. Caixas especiais
ao contrrio de outras origens. Isso pode explicar a falta de motivao e conscientiza- devem ser instaladas, com dispositivo de fechamento automtico do cano de ar mido
o para umidificar o algodo em caroo no Brasil. Uma remunerao do comprimento quando parar o descaroador, a fim de evitar umidificao em excesso (Figura 7.28).
pelo mercado favoreceria a proteo da fibra no beneficiamento, assim como a quali- Outras tcnicas de umidificao do algodo em caroo devem ser desconsideradas,
dade e a produtividade da indstria txtil. tais como asperso de gua diretamente sobre o algodo na rosca distribuidora ou
com injeo de ar mido ou vapor no alimentador de descaroador, pois apresentam
muitas desvantagens dependendo da tcnica, tais como umidificao de superfcie,
2.3.2. Normas e dimensionamento grande heterogeneidade de umidade, risco de molhamento do algodo e degradao
de componentes das mquinas. Um ponto comum dessas tcnicas a perda de produ-
A umidade de fibra fraca desfavorvel produtividade e qualidade, bem como a tividade e a ineficincia em proteger a fibra.
umidade em excesso, que reduz o tipo (encarneiramentos) e a produtividade (embu-
chamentos). A taxa de umidade da fibra na entrada do descaroador deve ento ser
controlada. A taxa deve ser mantida numa faixa de 6.5 a 8%.
2.3.4. Operao e gesto
Os operadores da algodoeira devem monitorar a umidificao da fibra na entrada
dos descaroadores. Devido ao impacto da umidificao do algodo em caroo so-
2.3.3. Equipamentos bre a produtividade do descaroador e a qualidade da fibra, qualquer anomalia deve
ser detectada muito rapidamente. Por isso, indispensvel um controle sistemtico da
A tcnica recomendada de colocar um ar quente e mido em contato com o al- umidade na sada de cada alimentador (por exemplo, a cada 15 minutos). O controle
godo. O ar aquecido para conseguir carregar gua e gerar uma presso de vapor manual possvel utilizando um umidmetro de algodo porttil (Figura 7.29). custo-
de gua alta, a fim de fazer com que a gua migre para a fibra. A isolao trmica das so em mo-de-obra, mas muito melhor do que nenhum controle. Os valores mdios
tubulaes importante para a economia de energia, eficincia, e tambm para redu- de umidade dos vrios alimentadores devem ser comparados para garantir o equilbrio
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e a homogeneidade de qualida- O ganho de peso dos fardos muito significativo e, junto com as economias na pren-
de da fibra entre as diferentes sagem, justifica amplamente o investimento que pago, em geral, em menos de uma
linhas de beneficiamento. Em safra. A ttulo de exemplo e considerando somente o aumento de peso, com um ganho
caso de desvio recorrente com de umidade de 2 pontos e um valor da fibra base Cotlook ndice A de R$ 2,60 por quilo,
relao ao nvel desejado (6.5 a o lucro adicional de R$ 10,40 por fardo de 200 kg, ou seja, R$ 520.000 para uma safra
8%), providncias imediatas de- de 50.000 fardos, produo mdia de uma usina antiga de 2 conjuntos.
vem ser tomadas para corrigir a A umidificao da fibra na prensagem apresenta vantagens para a fiao, tais como
umidificao e voltar aos nveis abertura dos fardos com altura uniforme e umidificao posterior facilitada, para me-
procurados. nos quebras no decorrer do processo e aspecto melhor do fio.
A automao da umidificao
do algodo ainda um desafio 2.4.2. Normas e dimensionamento
tcnico para os fabricantes espe-
O interesse do produtor de ter as umidades de fardos mais altas possveis para ven-
cializados que no conseguem
der gua ao preo da fibra. O interesse da indstria txtil de comprar uma fibra com
aproveitar, para esta funo, os
taxa de umidade suficiente para ajudar na fabricao, sem gastar muito comprando
sensores atualmente disponveis.
gua ao preo da fibra. As normas internacionais autorizam uma umidade da fibra no
fardo de at 8%.
2.4.3. Equipamentos
Figura 7.29. Controle manual da Para conseguir todos esses efeitos positivos, imprescindvel conseguir uma umi-
umidade do algodo em caroo nos dificao uniforme e regularmente repartida na espessura e rea da manta de fibra
alimentadores. (Foto: Cotimes, 2005).
que entra na prensa. Os sistemas que respondem a estes critrios funcionam com ar
mido. Como no caso da umidificao do algodo em caroo, utilizam geradores de ar
2.4. Umidificao da fibra na prensagem mido que combinam o aquecimento do ar e a pulverizao de gua. O combustvel
utilizado o gs ou o querosene. O ar quente e saturado em umidade levado por um
ventilador at o ponto de contato com o algodo, num dispositivo de aplicao locado
2.4.1. Justificativa e princpio entre o condensador geral e a prensa, ou no prprio condensador. A umidade da fibra
aumenta de 2 a 4 pontos, dependendo do dispositivo:
A umidificao da fibra favorecida pela umidificao do algodo em
caroo. Os objetivos da umidificao da fibra antes da prensagem so de O dispositivo mais simples a bica coberta com fundo perfurado (escamas): a manta
facilit-la, e aumentar o peso dos fardos e o rendimento de fibra dentro das de fibra atravessada pela corrente de ar quente. A diferena de velocidade entre
normas admissveis. A fibra mida mais fcil de prensar. A diminuio da a fibra e o ar mido grande, permitindo uma umidificao significativa em toda a
presso hidrulica necessria para a prensagem tem vrios efeitos positivos: espessura da manta (Figura 7.30);
Reduo do tempo de prensagem: a capacidade da prensa aumenta,
assim como a produtividade da usina. uma vantagem determinante
quando a prensa constitui um gargalo na usina;
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O sinal do sensor utilizado pelo controlador lgico (CLP), para atuar sobre 3.1. Os limpadores de cilindros
a produo de ar mido. possvel efetuar uma medio indireta da umida-
de do fardo, combinando dados de peso, de fora de prensagem e de altura O limpador de algodo em caroo comporta rolos com pinos de 25 a 75 mm, que ro-
do fardo na compresso final. dam por cima de uma grelha cncava de barras (Figura 7.35). A mquina mais comum
A fibra prensada em fardo vai seguir trocando umidade com o ar ambien- o batedor inclinado. Antes de tudo, ele permite abrir, espalhar e esponjar o algodo
te. O peso aumenta ou diminui, dependendo se o fardo absorve ou perde em caroo. Ao mesmo tempo, a limpeza ocorre por agitao e frico, que so mais
umidade. A rapidez da troca de umidade influenciada pela umidade ini- eficazes quanto mais o algodo em caroo estiver seco. A sujeira fina, separada ao nvel
cial do fardo e a umidade do ar ambiente, a densidade do fardo e o tipo de da grelha, cai por gravidade e levada pela corrente de ar.
embalagem. Quanto maior a densidade, mais lenta a troca. Embalagens
de tecido polipropileno ou algodo permitem uma troca bastante rpida,
como, por exemplo, um ganho de peso de 4 a 6 kg para um fardo de 200 kg A B
de fibra, inicialmente com 4.5% de umidade e armazenada durante mais de
60 dias (ANTHONY e MAYFIELD, 1994).
No Brasil, nas regies de clima muito seco, pratica-se a umidificao por
asperso nos prdios de armazenagem de fardos. uma prtica interessan-
te para manter ou aumentar a umidade e o peso dos fardos durante o pe-
rodo de armazenamento. Devido lentido relativa da troca de umidade
neste caso (fibra prensada e fardos empilhados), esta prtica no elimina
o interesse pela umidificao da fibra antes da prensagem, em funo de
suas numerosas vantagens.
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PS Cotton batedor inclinado 72/183, 96/244 e 120/305 6 cilndrico nc nc nc nc 3.2.2. O extrator de algodo em caroo (Stick Machine)
Candeloro
Batedor Inclinado 72/183 e 96/244 7 cilndrico 8 13 a 19 410 - 450 20/30
O extrator de algodo em caroo comporta rolos dentados (segmentos dentados,
Batedor de impacto 72/183 e 96/244 5 cilndrico 12 15 660 ? serrilhas, serras canais) que rodam a uma velocidade alta em frente das grades de bar-
Murray/Piratininga batedor inclinado 72/183 e 96/244 5a7 poligonal 4 16 450 20/30 ras (Figura 7.43). A mquina dedicada a separar a sujeira grossa (caules e casquinhas),
e chamada de Stick Machine (mquina de talos), nos Estados Unidos. A limpeza do
RV batedor inclinado 72/183 7 nc nc nc nc nc
algodo em caroo, aplicado sobre os rolos dentados por meio de escovas estticas,
Fonte: Cotimes do Brasil, 2011. ocorre por centrifugao e batimento sobre as barras, posicionadas de maneira preci-
sa para ajudar a controlar as perdas de algodo e extrair as casquinhas e caules. Para
conseguir eficincia, o extrator deve ser alimentado por um batedor, para receber um
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Tabela 7.2. Caractersticas dos extratores utilizados no Brasil. a alimentao feita por rosca. O tambor de serrilhas trabalha sem escova fixa e tem rotao
Larguras disponveis Nmero de rolos Nmero de Tipos de barras RPM rolos RPM rolo Motor
suficiente para conseguir uma extrao por centrifugao e batimento sobre barras fixas. O
Fabricante Nome (modelo)
(pol./cm) de serrilhas barras rolo 1 rolo 1 extratores recuperador (HP) algodo carregado, assim ejetado, segue para a parte inferior extratora, enquanto a matria
Limpador Extrator grade de 1 barra chata
Busa Ltda
HLST 72/183 e 120/305 3 6 e barras redondas 400 e 215 215 15/25 limpa (at 50%) sai diretamente para a prxima mquina.
Limpador Extrator grade de 1 barra chata
HLST 72/183 e 120/305 2 6
e barras redondas
405 205 15/20
As mquinas esto disponveis nas larguras de 183 a 366 cm, com capacidades mximas
Continental Eagle Corp.
Super III
Stick Machine 96/244 e 120/305 3 3 redondas 362 362 20/25 de 12 a 24 fardos de 227 kg de fibra por hora. Este tipo de mquina de desenho adequado
Stripper Cleaner 96/244 e 120/305 1 2 redondas 122 - nc com a colheita com Stripper nos EUA e no encontrada nas usinas antigas do Brasil.
grade de barras
Little Giant SM 96/244 e 144/366 2 4 325 285 15/20
redondas
Lummus Corp.
S&GH 96/244 e 144/366 1+2 2 Chapas dobradas 355 e 365 365 30/40
3.3. Os alimentadores de descaroador
PS Cotton Limpador tipo HLST 72/183, 96/244 e 120/305 3 nc
grade de barras
redondas
nc nc 20/30 O alimentador de descaroador recebe o algodo em caroo da rosca alimentadora.
Candeloro Extrator tipo HLST 72/183 e 96/244 3 3 quadradas/cantoneiras 330/350 285/300 15/20 Sua funo alimentar o descaroador uniformemente e de forma controlada, garan-
72/183 e 96/244 3 quadradas/cantoneiras 330 264 15/20
tindo uma limpeza e abertura complementares e finais do algodo em caroo.
HLST Super 2
Murray/Piratininga
1 barra quadrada e
HLST Compacto 72/183 e 96/244 2 330 264 10/15
3.3.1. Os alimentadores modernos
2 4 barras redondas
RV Extrator nc nc nc nc nc nc nc
As regulagens padres recomendadas so geralmente as mesmas para os batedores etapas anteriores de pr-limpeza. A instalao de motorredutores para a movimentao
e extratores: dos rolos alimentadores permite ganhar em preciso de alimentao, regularidade
Espaamento entre a ponta dos pinos e a grelha (13 a 16 mm); de funcionamento e produtividade dos descaroadores. As chapas furadas devem ser
sistematicamente substitudas por grelhas de barras de 6 a 7 mm, espaadas de 8 mm.
Espaamento de 13 mm entre a ponta dos dentes de serrilha e as barras de batida.
Entretanto, recomendado consultar os manuais, pois existem muitos modelos que 3.4. Sequncias e gesto da limpeza do algodo em caroo
podem necessitar de regulagens especficas. As velocidades podem variar muito de
um modelo para outro. A limpeza do algodo em caroo participa muito da qualidade da fibra, mas tem um
Os alimentadores aproveitam um algodo bem aberto e so mquinas que tratam custo. Ela deve ser desenhada e operada em funo da carga do algodo em caroo,
de um fluxo de algodo por unidade de largura menor do que as mquinas de pr-lim- considerando os seguintes componentes de rentabilidade:
peza. Isso permite uma boa eficincia. Utilizado sozinho, o alimentador moderno pode Ganho em melhoria da qualidade e do valor de mercado da fibra;
separar at 40% da matria estranha do algodo em caroo, 70% da casquinha, 15% do
piolho e 40% da outra sujeira (ANTHONY e MAYFIELD, 1994). Ganho pela proteo do material nas etapas posteriores do processo;
1 ou 2 cilindros de serrilhas de dime- 2 etapas de pr-limpeza (cada uma com 1 extrator, no caso das usina antigas); e
tro mdio sem escova fixa e sem gra-
de de barras, que ento no realizam 1 extrator-alimentador por descaroador.
um verdadeiro trabalho de extrao; As mquinas devem ser organizadas em sequncia, de forma a otimizar o desempe-
nho de cada uma. Um extrator no pode ser instalado em posio 1, pois deve sempre
2 ou 3 cilindros de retorno, com aspas
receber um algodo aberto e preparado por um batedor. O dimensionamento, a ali-
ajudando na separao das casqui-
mentao e a disposio no espao devem ser definidos por estudos de engenharia, a
nhas;
fim de garantir o desempenho mximo com custos mnimos de instalao e operao.
1 ou 2 cilindros recuperadores de ser- A eficincia de limpeza do algodo em caroo por uma sequncia de 4 mquinas
rilhas de pequeno dimetro, com es- modernas (1 batedor + 1 extrator + 1 batedor + 1 alimentador-extrator) varia entre 40
cova fixa; a 80%, dependendo dos ritmos de produo, do estado, das regulagens e da limpeza
das mquinas (ANTHONY e MAYFIELD, 1994).
Escovas giratrias. A exposio das mquinas limpadoras a uma matria suja e abrasiva impe cuidados
dirios, tais como abertura, limpeza e verificao das peas submetidas a desgaste. Os
Nos processos antigos beneficiando principais pontos de danos ou de desgaste se situam junto aos extratores e alimenta-
algodes colhidos mecanicamente, o dores de descaroadores (segmentos dentados e escovas fixas ou giratrias). Matrias
desempenho limitado dos alimentadores estranhas grandes podem provocar desgastes importantes nas mquinas (deforma-
Mitchell e Super Mitchell, em termos de es, empenamento, quebras). Um plano de manuteno rigorosamente desenhado
Figura 7.49. Alimentador de descaroador de tipo antigo limpeza e regularidade da alimentao, deve e efetuado a nica maneira de conseguir manter os equipamentos de pr-limpeza
Super Mitchell. (Fonte: Murray-Piratininga Ltda., [19--]). ser compensado por uma eficincia forte das
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
com o mximo de eficincia. No caso das usinas antigas que tm eficincia limitada na 4.1. O princpio de
pr-limpeza, os cuidados com as mquinas so ainda mais importantes.
O sistema de transporte do algodo nas etapas de pr-limpeza pneumtico. O funcionamento 5 2
funcionamento eficiente e regular desta parte do processo, com um mnimo de embu- O peito do descaroador
chamentos, depende da boa vedao das mquinas e, particularmente, dos batedores constitudo do antepeito
(portas de visita) e das vlvulas de vcuo (tiras de borracha). e da cmara de beneficia- 7 4
mento (Figura 7.51). a par-
te mvel do descaroador.
Pr-limpeza Pr-limpeza Pode ser levantado em po- 3
Etapa 2 Etapa 1 sio de espera ou baixado
Recomendado em posio de beneficia- 1
usinas antigas mento. O antepeito a par-
te frontal (1) que recebe o 6
Batedor
algodo em caroo que cai
do alimentador e alimenta
a cmara de beneficiamen-
to (2), colocando o algodo
8
+1 HLST em caroo em contato com
Batedor as serras (3). A cmara de
Batedor de beneficiamento delimi-
grelha aberta
tada por chapas curvadas Figura 7.51. Princpio de funcionamento do descaroador.
e, na parte baixa e interna, (Fonte: Continental Eagle Corp., [19--]).
por costelas (4) entre as quais penetram as serras quando o peito est na posio baixa.
bastante circular, o que permite ao rolo de algodo em caroo girar, apresentando
continuamente nova fibra aos dentes. A fibra agarrada pelas serras separada do caro-
Opcional e com o no ponto de beneficiamento (5), onde os dentes penetram entre as costelas. Atrs
by-pass nas das costelas, a fibra extrada dos dentes por escovas rotativas (6) ou jato de ar e levada
por ar at o limpador de pluma ou o condensador geral. A centrifugao da fibra que
usinas modernas
ocorre no descaroador pelas serras aproveitada para uma primeira limpeza de vrios
Extrator
resduos vegetais e de caroo abortado no cata-piolho (7). O caroo desfibrado por
passagens sucessivas em contato com as serras perde velocidade e cai por gravidade
Figura 7.50. Sequncia recomendada para a pr-limpeza
(algodo convencional). (Fonte: Cotimes do Brasil, 2011).
entre as serras at um dispositivo transportador (8). O tratamento mecnico violento
responsvel por quebras e encarneiramentos de fibras, ocasionando a produo de
fibras curtas e neps de fibra e de casca de caroo. As aes mecnicas no caroo podem
levar a danos ou quebras. Em tal situao, alm da poluio da fibra, o poder germina-
tivo afetado.
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
Tabela 7.3. Caractersticas dos descaroadores utilizados no Brasil. Para algumas mquinas, a posio do rolo de alimentao do antepeito (picker roller)
pode ser ajustada durante o beneficiamento. Afastado, no permite s serras pegar
Capacidade Tipo
Fabricante Nome (modelo) Nmero de serras
Dimetro serras
(fardos/hora)
RPM serras extrao Motor serras todo o algodo em caroo e, prximo demais das serras, no permite s cascas carem
da fibra (HP)
(pol") 227 200 sem serem fragmentadas pelas serras. O rolo deve estar posicionado o mais longe pos-
Busa Ltda Descaroador 200 200 12 15.0 17.0 828 escova 150
svel das serras, sem deixar cair nenhum algodo.
Model C 80 12 1.8 2.0 at 700 15
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
regulado com relao aos dentes de serra (3), bem como as tomadas de das (Figura 7.58). A distncia A en-
ar das escovas (4) e o cata-piolho inferior (5). Deve-se montar o peito sem tre a ponta dos dentes e a ponta
o antepeito, fazer a centragem lateral das costelas nas serras, regular a das costelas tem um impacto so- A
penetrao das serras nas costelas (6) e o deslocamento do peito (7); fi- bre a produtividade. Uma distn-
nalmente, deve-se montar o antepeito. cia insuficiente favorece a perda
de algodo em caroo e caroo no
4.4.1. O costelado cata-piolho, pois a distncia entre
costelas, em geral, aumenta perto
Os peitos devem ser identifica- da ponta (para reduzir a formao
dos, pois no podem ser trocados de buchas). A distncia B tem im-
entre mquinas. O atrito entre ser- pacto sobre a produtividade. Quan- C
ras e costelas provoca o desgaste to maior a penetrao, mais as ser-
de ambas e pode provocar incn- ras entram profundamente no rolo
dio. Devido ao grande nmero de caroo, aumentando a rotao
de costelas no descaroador, sua e o nmero de dentes em contato B
montagem deve ser muito cuida- com a fibra. Uma distncia C grande
dosa, com espaamentos perfei- entre a ponta dos dentes e as coste-
tamente regulares para facilitar a las de antepeito ajuda na captao
centragem das serras e evitar atri- do algodo em caroo, favorecen-
tos e passagem de caroo na fibra. do a produtividade, mas aumenta Figura 7.58. Relao costelas-serras.
Costelas originais permitem con- tambm a captao de casquinhas. (Foto: Cotimes do Brasil, 2011).
seguir espaamentos regulares e A posio do antepeito no peito
de dimenso adequada (Figura sendo fixa, B e C variam juntas.
7.57). A qualidade da fabricao
e a regularidade das costelas so
importantes para conseguir um 4.4.2. As serras
Figura 7.57. Espaamento regulares entre costelado adequado e o benefi-
costelas. (Foto: Cotimes, 2007). ciador deve comprar unicamente A maioria das especificaes e regulagens referentes s serras tem impacto direto
de fabricantes que produzem cos- tanto sobre a produtividade quanto sobre as perdas e a qualidade da fibra produzida
(fibras curtas, neps, limpeza). A velocidade de rotao um critrio importante, pois
telas regulares e padro. As reformadas complicam muito ou at impedem
velocidades baixas resultam em capacidade baixa e velocidades altas em danos fibra
uma boa montagem, por serem em geral muito irregulares (deformao
(neps e fibras curtas). A inclinao e o perfil dos dentes so crticos e foram objeto de
pelo aquecimento e lixao manual). Nas mquinas antigas, principalmen-
numerosos estudos para se chegar ao melhor desempenho. Ao entrar entre as costelas
te, calos de papelo devem ser utilizados para conseguir espaamentos e
no ponto de beneficiamento, a borda anterior do dente deve ficar paralela superfcie
a disposio correta das costelas. Elas se desgastam no ponto de beneficia-
da costela. A ponta do dente pode entrar um pouco antes da base, que nunca pode
mento, por causa da abraso provocada pelas fibras e o caroo. O desgaste
entrar antes da ponta, pois aconteceria um deslizamento e sada da fibra pela ponta do
aumenta a distncia entre costelas, com o aumento gradual da passagem
dente, com efeito de tesoura e perda de produtividade.
de caroo na fibra e quebras de caroo. O desgaste progressivo. mais
O paralelismo entre dentes e costelas pode ser obtido pela regulagem do peito, mas
rpido com algodes carregados com matria estranha, particularmente
imprescindvel conferir a conformidade dos dentes ao comprar as serras, pois exis-
areia. Depende ento da eficincia da pr-limpeza e do algodo mesmo.
tem no mercado serras com dentes de perfil errado, com inclinao e profundidade
Por isso, as normas recomendadas pelos construtores para preserv-las de-
insuficientes (Figura 7.59), que provocam um prejuzo muito alto, pelas perdas de fibra
vem ser consideradas com cuidado e estar sempre em consonncia com a
no cata-piolho (pode chegar at a 3 fardos de pluma por dia para um conjunto de 6
observao das costelas e da fibra produzida.
descaroadores de 90 serras) e pelo fraco rendimento dos dentes (perda de produtivi-
A penetrao das serras com as costelas uma regulagem importante
dade de at 20%). Pela mesma razo, no aconselhado o uso de serras afiadas, pois
que condiciona a produtividade e influencia na carga de matria estranha
a afiao raramente feita de maneira correta, ou seja, com restaurao do perfil alm
na fibra. Essa regulagem se refere a trs pontos principais, para os quais as
s da afiao lateral.
recomendaes dos construtores devem ser escrupulosamente respeita-
Dentes tortos lateralmente ou na ponta devem ser corrigidos, pois a extrao da
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desperdiando-se o mnimo de fibra. Considerando que as mechas de fi- bricante (Figura 7.70). O cilindro de serra tem
bras encarneiradas tm uma densidade maior do que a fibra solta, existe dimetro de 41 cm (Lummus, Busa e mqui-
uma possibilidade de o limpador centrfugo eliminar uma parte das me- nas antigas), de 51 cm (Busa) ou 61 cm (Conti-
chas geradas pelo descaroador. Para aproveit-la, o beneficiador deve nental Eagle). O nmero das barras de batida
aceitar a perda de um pouco de fibra neste nvel. A regulagem certa con- (facas) varia de 5 a 8, dependendo da marca
siste em abrir a ranhura at comear a perder fibra e fechar um pouco e do modelo.
para perder fibra somente na forma de mechas. Na mquina Sentinel, da Lummus, a man-
Este tipo de limpador elimina os resduos grossos (piolhos, caroos, ta no controlada e no se usa rolos de ali-
fragmentos de casca de caroo, miolo, mechas de fibra), com 10% de efi- mentao, mas tem um cilindro separador,
ccia. No h nenhuma pea em movimento, ou seja, nenhum desgaste uma barra de alimentao, um cilindro de
na fibra, mas faz pouca limpeza e no corrige o aspecto, porque no abre serra, barras de batida e tambor de escovas
a massa de fibra. O limpador centrfugo dificilmente pode ser instalado (Figura 7.71).
nos conjuntos de descaroadores de tipo antigo, onde a fibra produzida A capacidade normal de trabalho dos lim-
por vrios descaroadores juntada e transportada numa tubulao co- padores de pluma de serra antigos de 1 a 1,3
mum e redonda. fardos de 227 kg/30 cm de largura. A capaci-
dade dos limpadores modernos superior, al-
canando 1,7 fardos com serra de 51 e 61 cm.
5.2. O Limpador de serra (limpa-pluma)
Neste tipo de limpador, um condensador separa a fibra do ar de trans-
porte e forma uma manta de fibra, que mantida sob presso enquanto
penteada pelos dentes do rolo de serra. As fibras so individualizadas e
Figura 7.68. O limpador de fibra de serra.
as manchas so disseminadas (penteagem). A fibra arremessada contra (Fonte: Continental Eagle Corp., [19--]).
as barras afiadas, eliminando as matrias estranhas afrouxadas por cen-
trifugao, batimento, gravidade e circulao de ar.
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
Grau HVI
dade de rotao do condensador
deve ser ajustada ao ritmo do be- 80
neficiamento, a fim de conseguir 75
uma manta fina e regular, sem fu-
ros. Isso pode ser feito com polias 70
mltiplas ou por ajuste eletrni- Alim. Alim. Alim.
+ Desc. + Desc. + Desc.
co das rotaes do motorredutor
+ Bat. + 1 LP
da parte alimentadora.
Sequncia
Figura 7.71. Limpador Sentinel da Lummus. O acrscimo da velocidade Alim. = Alimentador, Desc. = Descaroador
(Fonte: Lummus Corp., 2007). tangencial ou perifrica (Vt) do Bat. = Batedor LP = Limpa pluma
cilindro de serra aumenta a for-
a centrfuga, com tendncia a Figura 7.72. Efeito do limpador de pluma
melhorar a limpeza, aumentar as sobre o grau HVI. (Fonte: CIRAD, 2005).
Tabela 7.6. Caractersticas dos limpadores de pluma utilizados no Brasil. perdas de fibra e baixar certos
parmetros de qualidade (neps
Larguras Barras Regulagens (mm)
Fabricante Modelo disponveis Diametro
Dimetro
de
condensador serras
Utilizao Cilindros
alimentadores
de
RPM
serras
Motor
(CV)
e comprimento). A velocidade Taxa de fibras curtas
(pol./cm) limpeza flutuante/serra barras/serra
de rotao recomendada para o
Busa Ltda
1600 103/262 50/127 16 Linha 7 6 1045 2.0 1.2 a 1.6 30 + 7.5 cilindro de serra diminui quando 8
% em peso
2000 103/262 50/127 20 Linha 7 7 950 2.0 1.2 a 1.6 30 + 7.5 aumenta o seu dimetro. Para ci- 6
16-D antigo 66/168 24/61 16 Linha 3 8 866 1.6 1.6 15 lindros de 41 cm (com Vt de 22
Continental 4
Eagle Corp. 16-D 66/168 e 94/239 24/61 16 Linha 3 5 1214 0.8 1.6 15/30 at 25 m/s), so recomendados
24-D Golden Eagle 102/259 24/61 24 Linha 3 8 908 0.8 1.6 40 de 1.000 at 1.200 RPM, contra 2
Lummus Corp.
86 e108 86/218 e 108/274 30/76 16 Linha 2 6 1000 1.6 0.8 30/40 900 RPM no caso do cilindro de 0
Sentinel 86/218 e 108/274 22/56 16 Linha 0 8 1000 / 0.8 30/40 61 cm com Vt de 29 m/s). A Vt das Alim. + Desc. Alim. + Desc.
PS Cotton PS 1800, 2200 e 2800 180/220 e 280 nc 16 Linha 2 7 nc nc nc 25 a 40 escovas rotatrias deve ser de 1,5 + 1 LP
Candeloro Tipo Constellation 66/168 e 86/218 50/127 16 Bateria 7 6 1050 3 3.2, 2, 1.6 25/30 a 2 vezes a do cilindro de serra.
Sequncia
Moss Gordin Constellation 66/168 50/127 16 Bateria 7 5 1068 1.6 0.6 a 0.9 25 A relao de penteagem a da Alim. = Alimentador, Desc. = Descaroador
Murray/Piratininga Tipo Constellation 66/168 e 86/218 50/127 16 Bateria 7 5 1018 1.6 3.2 e 1.6 25/30 velocidade perifrica do rolo de LP = Limpa pluma
RV Tipo Constellation 66/168 e 86/218 50/127 16 Bateria nc nc nc nc nc nc serra com a do rolo alimentador.
Fonte: Cotimes do Brasil, 2011 Ela pode ser modificada alteran- Figura 7.73. Efeito do limpador de pluma sobre as
do a velocidade da alimentao fibras curtas. (Fonte: CIRAD, 2005).
e, em casos mais raros, a veloci-
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dade de rotao do rolo de serra. peza clssica) ou no passar por nenhuma mquina (by-pass ou desvio).
Quanto maior for, mais impor- A Candeloro supera o subdimensionamento dos limpadores de 168 cm (LP 66) e
tante ser a abertura da manta e 218 cm (86) nos conjuntos de 6 descaroadores de tipo Murray 90 serras de 30,5 cm,
a individualizao das fibras. Isso colocando 2 mquinas de 168 cm encostadas de traseira uma na outra, com fluxo divi-
favorece a limpeza e a pentea- dido (Figura 7.74). No caso de limpadores de 168 cm funcionando com fluxo dividido,
gem, mas pode tambm afetar a altura de instalao deve ser suficiente (mnimo com a base do condensador a 2 ou
a qualidade da fibra, sobretudo 3 metros acima do cho) para permitir uma boa diviso da fibra entre as 2 mquinas e
em caso de coeficientes eleva- a velocidade dos condensadores deve ser reduzida at obter uma manta sem furos. As
dos de alimentao da mquina mquinas ento devem ser equipadas com motorredutor com inversor de frequncia.
(subdimensionamento ou ritmos A opo de duas mquinas de 168 cm com fluxo dividido no recomendada para
de beneficiamento elevados). os conjuntos de fabricao antiga, pois os embuchamentos permanentes dos desca-
O limpador de serra elimina roadores impedem uma alimentao suficiente das duas mquinas, que no podem
os resduos finos (fragmentos de funcionar normalmente e perdem muita fibra. Para os conjuntos antigos de 5 descaro-
casca, piolhos, folhas) com 40% adores de 80 ou 90 serras, deve-se utilizar um limpador de 218 cm e, para 6 descaro-
a 50% de eficcia. A limpeza adores de construo antiga, recomendado instalar, de preferncia, uma mquina
puxada e a fibra se torna homo- larga de tipo moderno, que tem largura em torno de 260 cm.
gnea graas penteagem. To-
davia, ela sofre danos. Utilizan-
Figura 7.74. Limpa-pluma duplo de 66, com do a limpeza da pluma em boas 5.2.3. Regulagens e ma-
fluxo dividido. (Foto: Cotimes, 2007).
condies de umidade de fibra e nuteno
regulagens, os danos fibra so mnimos. A operao pode ser rentvel. fundamental observar todas
Caso contrrio, perdas e danos fibra podem ser importantes e reduzir as regulagens recomendadas pe-
ou at inverter a rentabilidade da operao. As caractersticas de fibra los fabricantes, particularmente
afetadas pela limpeza da pluma so numerosas. A limpeza reduz a folha os espaamentos entre rolo de
e a penteagem melhora o tipo e a cor (Figura 7.72). Os neps de fibra so alimentao/barra/serra (Figura
criados na formao da manta e na limpeza, enquanto outros so elimi- 7.75). A regulagem mais impor-
nados. Os neps de casca de caroo so fragmentados. A fora de trao tante a distncia entre o rolo
sobre as fibras gera quebras, reduzindo o comprimento comercial, a uni- flutuante e a barra de alimenta-
formidade e aumentando a taxa de fibras curtas (Figura 7.73). As quebras o. O espaamento recomenda-
aumentam com a velocidade da serra e a relao de penteagem. do por todos os fabricantes de
A disposio dos limpadores de pluma de serra no processo pode va- 0,25 mm sobre toda a curva da
riar. No caso de descaroadores antigos de baixa capacidade, uma mes- barra. Uma folga excessiva deixa
ma mquina atende vrios descaroadores (limpador de pluma bateria a manta frouxa, reduz a abertu-
dos processos de desenho antigo). No caso de usina utilizando desca- ra, a limpeza e a penteagem, e
roadores de capacidade intermediria e alta (de 5 fardos por hora para acarreta perdas irremediveis
cima), cada limpador de pluma atende um descaroador. de fibra (Figura 7.76). A distncia
Para aumentar o desempenho da limpeza de pluma, duas mquinas entre a barra e a serra tambm Figura 7.75. Relao rolo de alimentao/barra/serra
podem ser utilizadas juntas (em bateria ou atrs de cada descaroador), importante, com valores reco- no 24D. (Fonte: Continental Eagle Corp., 2000).
com vrias alternativas de tratamento permitindo dosar limpeza, pentea- mendados geralmente de 1 a 2
gem e desgastes na fibra, que pode ser dividida entre as duas mquinas.
mm, quando a mquina trabalha com mantas de espessura normal. No se consegue
No caso do fluxo dividido, cada mquina trata a metade do fluxo de fibra
regular adequadamente o conjunto flutuante, barra e serra sem ter visores laterais (Fi-
que sai dos descaroadores, com um excelente balano entre eficincia e
gura 7.77). Uma vez obtida a regulagem, as molas laterais devem ser firmadas at impe-
desgastes na fibra. Ela pode passar por uma mquina e depois por outra
dir a oscilao permanente do flutuante, sem comprometer o seu afastamento no caso
(srie). A limpeza e penteagem so mximas e tambm os desgastes na
de necessidade (bucha de fibra).
fibra. Hoje, essa configurao no recomendada no Brasil, salvo caso
O cilindro de serra recoberto por uma guarnio de dentes de 4 a 5 mm de com-
excepcional, pois economicamente no rentvel (ver concluso sobre
primento. O perfil dos dentes importante para a performance da mquina. A troca
limpeza). A fibra pode passar por somente uma mquina das duas (lim-
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Grau de Cor
94
sujeira.
255
Nas usinas antigas, poss-
92
vel melhorar a pr-limpeza e a 250
limpeza da fibra para conseguir
melhorias muito importantes da 90 245
9 Bat. + 0 LP 7 Bat. + 1 LP 4 Bat. + 2 LP
qualidade, sem aumentar muito
o custo de produo. O projeto Sequncia de limpeza
da Associao Mato-grossen- Bat. = Batedor LP = Limpa pluma
% em peso
6
o) combinada com a secagem
4
nmero e da posio das barras fechadas. e implantao de limpeza de plu-
Os limpadores sem controle da manta reduzem danos fibra. A manta de fibra cai ma moderna e bem dimensiona- 2
diretamente do condensador no cilindro de serras, sem ficar presa entre um rolo e uma da (Figura 7.83) (CHANSELME et 0
barra, reduzindo a ao mecnica sobre as fibras, mas tambm a penteagem. A redu- al., 2007). Alim. Alim. Alim.
o dos danos fibra, sem a reduo das perdas de fibra e com a diminuio da pente- Adaptar a limpeza a matria + Desc. + Desc. + Desc.
+ Bat. + 1 LP
agem, pode ser rentvel ou no, dependendo da matria-prima (caso da colheita me- -prima a ser beneficiada e aos
cnica) e dos contratos comerciais, e a alternativa de limpadores clssicos (com manta contratos comerciais, desviar (by Sequncia
Alim. = Alimentador, Desc. = Descaroador
controlada) deve ser disponvel, para uma verdadeira gesto da limpeza. -passar) mquinas para reduzir as Bat. = Batedor LP = Limpa pluma
Para os algodes sujos, a melhoria de grau geralmente compensa as perdas de fibra. perdas, ou equilibrar pr-limpeza
A limpeza da fibra deve ser aumentada, utilizando o sistema de fluxo dividido, um rit- e limpeza da pluma, so decises Figura7.82. Efeito da limpeza sobre as
mo de beneficiamento diminudo ou a passagem por duas mquinas em srie. de gesto do beneficiamento. A fibras curtas. (Fonte: CIRAD, 2005).
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6.5. A prensa
Figura 7.90. Prensa up-packing. Figura 7.91. Prensa up-packing antiga.
A prensa hidrulica responsvel pela prensagem da fibra e formao do (Fonte: Continental Eagle Corp., [19--]). (Foto: Cotimes, 2006).
fardo. Os principais componentes so a estrutura (feixes e colunas), as cai-
te alta das caixas e sai delas pre-
xas e os pistes. Para a operao, a prensa precisa de uma unidade hidruli-
so entre o pisto principal e um
ca com reservatrio de leo, bombas e vlvulas e um sistema de comando
contrapisto superior, o tempo
eltrico que pode ser atuado manualmente ou automaticamente (CLP). O
necessrio para a aramao. Nas
grau de automao varia muito entre as geraes de prensas e a capacida-
prensas de baixo para cima, o ni-
de. As prensas modernas de alta produo so totalmente automatizadas.
co pisto tem um dimetro entre
A capacidade das prensas propostas pelos construtores de equipamentos
30,5 e 46 cm. O pisto de tipo
de beneficiamento varia muito, desde 15 fardos/h at 60 fardos/h, ou mais.
simples efeito (desce pelo prprio
possvel distinguir diferentes tipos de prensas, principalmente confor-
peso).
me sua direo de prensagem e o tipo de caixa (com ou sem portas, caixas
No caso da prensagem de cima
fixas ou suspensas, etc.).
para baixo (prensas de tipo down-
A direo de prensagem pode ser de baixo para cima (prensas de tipo
packing), a prensa fica totalmente
up-packing). O pisto fica totalmente ou parcialmente embaixo do cho e
em cima do cho e a obra civil
necessita a construo de um poo profundo. O investimento em obra civil
limitada construo de um piso
alto (Figura 7.90). As prensas antigas ou de pequena capacidade utilizadas
de resistncia adequada (Figura
no Brasil (12 a 15 fardos por hora) pertencem a esta categoria (Figura 7.91).
7.93). So prensas de capacida-
As prensas antigas de tipo up-packing sempre tm portas movimentadas
de de at 45 fardos por hora, que
manualmente. As prensas modernas deste tipo possuem alta capacidade
usam geralmente caixas suspen-
(de 45 a 60 fardos/hora, ou mais). Pelo pouco tempo disponvel para o ciclo,
sas que se levantam rapidamente, Figura 7.92. Prensa up-packing de alta capacidade.
no podem ter portas (Figura 7.92). Neste caso, o fardo formado na par-
liberando o fardo para aramao (Foto: Continental Eagle Corp., 2002).
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
tambm simples, com duas vlvulas instaladas perto da coluna e acionadas manu-
almente, comandando a subida ou a descida do pisto a simples efeito. Neste caso, o
controle totalmente manual.
O sistema hidrulico das prensas modernas mais complexo, em funo do nmero
de atuadores. Assim como todos os sistemas hidrulicos industriais, formado por um
grupo de gerao (reservatrio, bombas e motores eltricos), um grupo de controle
(blocos de vlvulas de presso, de segurana, direcionais e elementos lgicos) e um
grupo de atuao (pistes e motores hidrulicos). Os atuadores hidrulicos da prensa
moderna so os pistes do empurrador, do calcador, da prensagem, do levantamento
e travas de caixas, da ejeo do fardo, e motor de rotao das caixas.
importante lembrar que mais de 75% das falhas em sistemas hidrulicos e de lubri-
ficao ocorrem devido ao excesso de contaminao. As partculas de sujeira podem
fazer com que as prensas falhem. O excesso de contaminao do fluido hidrulico pro-
voca perda de produo, custo de reposio de componentes, trocas constantes de
fluido, custo no descarte do fluido e aumento geral dos custos de manuteno.
A automao da prensa apareceu com o aumento de capacidades, sistemas hidru-
licos mais complexos e disponibilidade de tecnologia (sensores e autmatos). Foi justi-
ficada tambm pelo interesse em reduzir a mo-de-obra e a necessidade de segurana
dos operadores.
A automao das numerosas pren-
sas de tipo antigo que operam no Bra-
Figura 7.93. Prensa down-packing. sil possvel, mas limitada. A melhoria
(Fonte: Continental Eagle Corp., [19--]).
mais comum a instalao de um siste-
ma eltrico de rotao das caixas. No
(Figura 7.94). Existem prensas realmente uma automao quando o
down-packing com portas, porm giro tem que ser iniciado pelo operador,
de capacidade limitada (30 far- mas merece ser recomendado princi-
dos/hora). A compresso do far- palmente por razo de segurana, pois,
do faz-se com um a trs pistes, quando o giro das caixas feito manu-
com dimetro entre 21,6 e 34,2 almente, os dois operadores esto ex-
cm. Os pistes so de tipo duplo postos a riscos de ferimentos graves.
efeito, para poder retornar at a possvel implementar uma automao
posio alta. parcial utilizando um Controlador Lgi-
As Unidades de Bombeamen- co Programvel (CLP), controlando:
to Hidrulico (UBH) permitem a pr-compresso (parada do
acionar a prensa, gerando fluxos calcador e alimentador, baseada
de fluido hidrulico. No caso das na amperagem do motor do cal-
prensas antigas, a UBH simples, cador);
com um reservatrio de leo e a subida do pisto, baseada no
uma bomba. A bomba antiga, de alinhamento das caixas;
tipo vertical de quatro pistes, o funcionamento em sequncia
ocupa espao e bastante exi- das bombas de alta presso; e
gente em manuteno, sendo, a presso de compresso final
Figura 7.94. Prensa de caixas suspensas. atualmente, quase sempre subs- no pisto.
(Foto: Cotimes do Brasil, 2008). tituda por bombas modernas e A automao das prensas modernas Figura 7.95. Sistema de filtrao porttil.
compactas. O circuito de fluido utiliza sistematicamente um CLP para (Foto: Parker, [200-]).
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manual de BENEFICIAMENTO AMPA - IMAmt 2014
poder manejar, de maneira lgica e com segurana, os sistemas hidrulico, eltrico e Tabela 7.8. Dimenses padro de fardos.
mecnico. Alm do CLP, outros equipamentos clssicos para automao so necess- Comprimento Largura Altura Densidade
(mm) (mm) (mm) (kg/m3)
rios3 . Em particular, muitos sensores de tipo fim de curso, detectores de proximidade e
fotoeltricos so instalados para o controle de posio de pisto e caixas, alinhamento 1060 530 780-950 360-500
de caixas, trava de caixas, presena de fardo, deteco de abertura de portas. 1400 530 700-900 360-500
Sensores de presso e detectores de nveis de fluido so instalados para o monito- Fonte: Norma ISO 8115/1986.
ramento do sistema hidrulico. O CLP e a Interface Homem x Mquina so instalados
sobre uma das colunas ou num painel de controle perto da prensa.
pamento. A USDA mostrou que a
Trabalhar com prensas modernas exige pessoal bem treinado para operar o equipa-
umidade da fibra na prensagem
mento em condies adequadas. Tambm imprescindvel o conhecimento tcnico
traz redues enormes da for-
referente aos sistemas hidrulicos e automao, para uma manuteno preventiva r-
a necessria para a prensagem
gida, evitar prticas erradas e intervenes empricas e perigosas como, por exemplo,
final do fardo (Figura 7.96). No
alteraes de regulagens de presso. Possuir um diagrama hidrulico e um mnimo de
caso descrito (1 pisto de 35,6
equipamentos especficos indispensvel, tais como conjuntos de manmetros com
cm e fardo de densidade uni-
tomadores de presso e o utilssimo sistema porttil de filtrao (Figura 7.95).
versal de 227 kg com base 140 x
53 cm), a fora de prensagem
6.6. Os fardos reduzida em 14 a 17%, quando
a umidade aumenta de 3 pon-
tos. O ganho em energia, tempo
6.6.1. Caractersticas e normas de prensagem e manuteno
Historicamente, dimenses e densidades de fardos no mundo eram muito variveis, muito significativo. importante
dependendo das exigncias das indstrias txteis locais. A internacionalizao do mer- ressaltar que s a umidificao
cado da fibra de algodo levou padronizao progressiva dos fardos. Hoje, existem por ar mido ou vapor de gua
especificaes que representam um compromisso para armazenagem, transporte e permite conseguir esse ganho.
energia para compresso. A asperso de gua em cima da
Figura 7.97. Fardo padro USA.
As prensas modernas so fabricadas de forma a produzir fardos de densidade uni- manta que sai do condensador (Foto: Cotimes do Brasil, 2011).
versal (450 kg/m3) e de peso de 227 kg. Fardos de maior densidade so interessantes, no traz reduo de fora.
pois tm mais peso por um mes- As dimenses da prensa de-
400 mo volume, o que traz reduo terminam as dimenses trans-
Fardo de 227 kg
1 pisto de 36 cm de custo na embalagem, arma- versais do fardo. Nos Estados Uni-
Presso necessria (bar)
idnticas s da norma ISO 8115/1986. A maioria dos fardos tem o padro pessoas. A altura de compresso
de dimenses transversais de 106 x 53 cm, devido s dimenses das caixas final do fardo deve ser reduzida
de prensas antigas. A altura mdia de 95 a 100 cm. Com uma densidade o suficiente para permitir a co-
de 430 a 450 kg/m3 dentro da norma ISO 8115/1986 (densidade universal), nexo manual de cada arame.
o fardo brasileiro tem um peso mdio de 200 kg (Figura 7.98). No caso da conexo manual,
os operadores esto expostos
a possveis chicotadas por que-
6.6.2. Aramao bras de arames e tambm a es-
magamento dos dedos ao soltar
Os fardos so formados por
o pisto, por isso devem estar
alta compresso. Deve ser utiliza-
devidamente equipados com
do material de amarrao de alta
EPI especficos, tais como aven-
resistncia para manter o fardo
tal, luvas de couro e mscara de
nas dimenses desejadas. O ma-
proteo do rosto.
terial deve ser suficientemente
Usinas de maior produo
resistente para aguentar a for-
(at 40 fardos por hora) realizam
a elstica da fibra comprimida/
aramao manual com mais
prensada e os impactos durante
pessoas (quatro, em geral). Po-
a manipulao. Fardos pesados
dem conseguir com duas pes- Figura 7.100. Dispositivo guia para arames.
(a fora aumenta exponencial-
soas se dispuserem de sistemas (Foto: Cotimes do Brasil, 2009).
mente com a densidade), fibra
semiautomticos simples. Um
seca, repartio desigual da fibra
sistema utiliza chapas curvas
na caixa e compresso final insu-
de retorno de arames (Figura
ficiente na prensa so fatores de
7.100). Os operadores ficam de
aumento muito significativo da
um lado do fardo, onde intro-
fora exercida pela fibra sobre o
duzem os arames e, no retorno,
material de amarrao. Depen-
Figura 7.99. Arames de ao. fazem a conexo. Outro sistema
(Foto: Cotimes do Brasil, 2011). dendo da posio no fardo, o utiliza dispositivos de conexo
arame pode sofrer uma fora que
na bandeja superior da prensa.
varia do simples (lados) para o dobro (centro), por isso o material deve ter
Com produo alta (acima de
uma margem de resistncia grande, com valores de at 1.000 kgf. Quebras
40-45 fardos por hora), o tempo
de arames devem ser evitadas, pois representam um risco para o pessoal,
disponvel para a aramao
dificuldade de manipulao e possvel contaminao da fibra.
incompatvel com a aramao
Vrios materiais de amarrao esto sendo utilizados. Fitas de metal e ara-
manual ou semi-automtica
mes de ao-carbono so os mais comuns. Fitas de metal de largura 1,6 a 1,9
simples. Sistemas semi-autom-
cm so colocadas manualmente ou automaticamente. Com a fita (6 a 8 por
ticos rpidos e mais sofisticados
fardo), possvel deslizar o cinto formado at levar a conexo na parte supe-
devem ser utilizados para que a
rior (coroa) do fardo, onde a fora sobre a conexo menor.
aramao no limite a produo.
No Brasil, o dispositivo mais utilizado o arame de ao-carbono. As bito-
A ao do operador limitada
las de dimetro variam entre 3,4 a 4,2 mm, de acordo com a dimenso e o
para colocar os arames no sis- Figura 7.101. Sistema de amarrao automtica
peso do fardinho. H empresas que utilizam arames com at 4,2 mm de di-
tema na posio aberta. Todas com arames. (Foto: Cotimes, 2011).
metro, por fazerem fardinhos de at 250 kg (fora de padro). O mais utilizado
as demais operaes so feitas
o de 3,5 mm, com 253 cm de comprimento, j com as dobras (Figura 7.99).
Tem fardinhos amarrados com 8 arames, porm a maioria que o padro pelo sistema mecnico e pneumtico (Figura 7.101).
utilizado no Brasil uma amarrao com 6 arames. Com arames, a aramao manual ou com a ajuda de chapas de retorno deixa o n
Nas usinas antigas, a colocao dos arames se faz, em geral, manualmen- do arame no lado do fardo, onde a fora elstica mais alta. Os sistemas semi-autom-
te e, apesar do baixo ritmo de produo (8 a 14 fardos por hora), ocupa duas ticos deixam o n na coroa do fardo, onde a fora menor, reduzindo assim o risco de
quebra do arame.
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