Elementos Do Rap e Do Funk
Elementos Do Rap e Do Funk
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RESUMO
INTRODUÇÃO
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Docente do curso de Bacharelado em Musicoterapia, Mestrando em Música pela UFPR,
Bacharel em Musicoterapia pela UNESPAR – FAP. E-mail:
frederico.musicoterapia@gmail.com.
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Gêneros que compõe a Música Eletrônica Negra Popular Brasileira (FRANCIO, 2016).
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DESENVOLVIMENTO
A palavra RAP pode conter vários significados. Pedro Francio (2016), diz
que RAP é uma sigla para a expressão em inglês rhythm and poetry (ritmo e
poesia). A palavra designa em um estilo musical em que um Master of Cerimony
(MC) versa em rima sobre uma base rítmica reproduzida eletronicamente pelo DJ
– que é o responsável pela produção e execução da sonoridade eletrônica.
Loureiro (2016), no entanto, problematiza tal fato ao dizer a palavra rap, presente
nos dicionários de língua inglesa, remonta ao século XIV e que dizer algo como
bater, criticar.
Nos ano 60 do século passado houve grande imigração jamaicana para o
bairro do Bronx, em Nova York. A partir da influência desta imigração e com a
cultura dos toasters10 levada a cabo por esta população, criou-se, na década de
70, a música RAP nos Estados Unidos da América. Esta musicalidade aporta no
10
Rimadores jamaicanos.
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Brasil na década de 8011, a partir dos bailes blacks, impactando, em maior medida,
dois locais diferentes, de formas diferentes, com atores diferentes.
Em São Paulo predominou-se o uso desta musicalidade no RAP que se
desenvolveu a partir de artistas como Miele, Black Junior’s, Buffalo Girls, Eletric
Boogies, Villa Box e Pepeu (TV GAZETA, 2016). No Rio de Janeiro esta
musicalidade verteu no funk a partir dos bailes Black realizados na casa de shows
Canecão, localizada na região do Botafogo) e depois se descentraliza em direção
às periferias12.
Esta nova geração propõe novidades e inovações para o RAP nacional, por
exemplo, elementos musicais de outros gêneros (como afrobeat, jazz, baião,
coco), procuram utilizar – também – de instrumentos reais e criam versos a partir
de outras formas de se fazer, como exemplo, a técnica chamada multissilábica. Na
música Sau, feita pelos MC Sal em parceria com MCs Flow, Amiri, R Sapiência,
Bitrinho e Jota Gheto (que é também o produtor), percebe-se a estrutura poética
multissilábica (TREEZE, 2016), bem como a rítmica baseada em um timeline14
diferente daquele que é comum ao RAP:
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O conceito de timeline será abordado mais adiante.
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Figura 5: Beatbox transcrito por Lucas Ferrari (apud PALOMBINI, 2015). “Dum
tcha-tchatztu-gutcha tu-”.
O referido autor comenta ainda que a forma com que os atores do Funk
Carioca utilizam elementos importados (sejam faixas de Eletro, sejam técnicas de
Discotecagem Compton) ilustra modos de circulação e apropriação entre as
culturas da diáspora africana. Desta forma, no próximo item analisaremos
recorrências musicais nestes estilos que são elementos que também são
incidentes na música africana.
Menezes (S/D) argumenta, também que não existe “batucada” nos Estados
Unidos porque foi proibido, em 1740, o uso dos instrumentos percussivos em
retaliação à uma marcha por liberdade. Assim, a musicalidade – principalmente a
rítmica – de raiz afro, nos EUA, se deu a partir de instrumentos melódicos e
harmônicos restando aos instrumentos rítmicos executarem o duple (bumbo,
caixa, bumbo, caixa – cada um em uma semínima num compasso quaternário).
Composição
Improvisação
Audição
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Como é possível ouvir em Bate na Porta do Céu de Face da Morte, Depoimento de um
Viciado de Detentos do RAP e Sing for theMoment de Eminem.
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Recreação
CONCLUSÃO
que reflete sistemas culturais e redes de crenças e tradições, mas pode ser uma
janela que abre novas possibilidades” (p. 19)
REFERÊNCIAS
LOUREIRO. B.R.C. Arte, cultura e política na história do rap nacional. In: Revista
do Instituto Estudos Brasileiros. N. 63, abr-2016.