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Marianne Bernardes
Tecnóloga em Química Ambiental pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná - Curitiba (UTFPR).
Livia Mari Assis(1)
Docente do Departamento Acadêmico de Química e Biologia (DAQBI). Universidade Tecnológica do Paraná -
Curitiba (UTFPR).
Endereço(1): Av. Sete de Setembro, 3165 - Curitiba - PR - CEP: 80230-901 - Brasil - Tel: (41) 3310-4666 - e-
mail: livia@utfpr.edu.br
RESUMO
O custo elevado dos carvões ativados comerciais, eficientes na remoção de contaminantes de efluentes gasosos
e líquidos, tem motivado estudos sobre novas fontes de matérias-primas para a sua produção. Este trabalho
apresenta um estudo preliminar sobre a produção de carvões ativados derivados de biomassa amilácea residual
(restos da produção agrícola de batatas e mandiocas). Verificou-se que existe viabilidade técnica do uso da
biomassa amilácea residual para a produção de carvões ativados em fornos convencional e de microondas ,
visto que as propriedades avaliadas são similares as dos carvões ativados comercias.
INTRODUÇÃO
A adsorção ocorre quando há acúmulo de uma substância em uma interface. É empregada para descrever o
fenômeno que ocorre por interações químicas ou físicas, cujos átomos ou moléculas concentram-se
espontaneamente sobre uma superfície (CAVALCANTE, 2006).
O adsorvente mais empregado em processos industriais é o carvão ativado, devido a sua alta capacidade de
adsorção seletiva, porém seu elevado custo inibe o seu uso em grande escala (MÉNDEZ, 2005). Em virtude
disto, existe um crescente interesse pela busca de materiais alternativos de baixo custo e com características
similares. Portanto, o emprego de materiais adsorventes não convencionais torna-se uma opção em substituição
aos materiais adsorventes convencionais como carvão ativado, zeólita, sílica-gel, argilas (CRINI, 2006;
SANTOS et al., 2007).
O Brasil produz grande quantidade de bimassa amilácea, como a batata e a mandioca. Entretanto parte do
produzido não apresenta condições adequadas para a comercialização, gerando grande quantidade de produtos
residuais. O aproveitamento destes produtos residuais para a obtenção de carvão ativado visam agregar valor
ao resíduo e disponibilizar uma alternativa para a sua destinação.
Este trabalho apresenta um estudo preliminar sobre a produção de carvão ativado de biomassa amilácea
residual (batata e mandioca) em fornos mufla e de microondas.
MATERIAIS E MÉTODOS
As amiláceas (batata inglesa – B e mandioca – M) ambas in natura, foram lavadas, picadas em pequenos cubos
e desidratadas em estufa (Modelo 315 SE – FANEN) a 70° C durante 48 horas. Após a secagem as amostras
foram trituradas em moinho de facas, peneiradas (100 mesh) e armazenadas em frascos de vidro fechados.
Os teores de umidade e cinzas das amostras foram determinados de acordo com a ASTM D 2867-70 adaptada
e ASTM D 2886-83, respectivamente.
- Pirólise em forno mufla com adição de ácido fosfórico (10%): Às amostras de biomassa amilácea previamente
preparadas e contidas em cápsulas de porcelana com tampas foram adicionadas soluções de ácido fosfórico
(10%) até a completa umidificação. As cápsulas foram parcialmente cobertas com as tampas de porcelana, para
evitar o contato direto com o ar, e inseridas em forno mufla, previamente aquecido a 700 °C. O processo de
carbonização, em atmosfera pobre em oxigênio, foi programado para 120 minutos. Posteriormente as amostras
foram resfriadas em dessecador, lavadas com água até a eliminação das acidez residuais e secas em estufa a 100
°C. .
- Pirólise em forno de microondas com adição de ácido fosfórico (10%): As amostras foram carbonizadas
durante 20 minutos em copos de teflon de forma alta, especialmente construídos para esta aplicação. O forno
de microondas da marca Sharp Carousel II usado nos experimentos teve a potência máxima calculada de 279
W. O preparo das amostras para a carbonização em forno de microondas e o tratamento das amostras
realizado após as carbonizações foram conduzidos como descrito para o forno mufla.
As amostras de carvões ativados foram caracterizadas quanto a sua morfologia, empregando a técnica de
microscopia eletrônica de varredura (MEV) e porosidade, considerando-se o índice de iodo (microporosidade),
combinando-se os procedimentos MA20 (AWWA B 600-78) (ASTM D 4607-94) e mesoporosidade,
determinada através da retenção do corante azul de metileno (650 mg/L), através da adaptação do
procedimento CEFIC :European Council of Chemical Manufacturers’ Federations (1986) e CARBOMAFRA,
(1999).
Os carvões ativados obtidos de mandioca, em forno mufla (MM) e batata, em forno de microondas (Bµ) foram
testados na remoção de fenol de uma solução de 100 mg/L. Os resultados foram usados para a obtenção das
isotermas, que foram avaliadas quanto a adequação aos modelos de Langmuir e Freundlich, de acordo com
STACHIW, 2006 e 2008.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As determinações dos teores de umidade nas amostras in natura indicaram que a batata apresenta teor de água,
superior ao encontrado na mandioca, aproximadamente 84% e 60%, respectivamente. Foram necessários 12,5
kg de batata in natura para produzir 2 kg de batata desidratada e 5 kg de mandioca in natura para 2 kg de
mandioca seca.
A umidade da batata pode ser comparada com outras amiláceas como o açafrão e a ahipa (LEONEL e
CEREDA, 2002), e também com o jacatupé (LEONEL et al., 2003). Para a mandioca, os teores de umidade
foram inferiores aos valores encontrados para amiláceas como a araruta e batata doce (LEONEL e CEREDA,
2002) e similares aos encontrados por DIAS et al. (2006) e CHISTÉ et al. (2007), que utilizaram mandioca em
seus experimentos.
Verificou-se, ainda, que a quantidade de substâncias inorgânicas constituintes da batata (cerca de 4%) é maior
do que a da mandioca (menor que 2%). Os porcentuais de cinzas da mandioca são comparáveis aos de outras
amiláceas, tais como: batata doce e o biri (LEONEL e CEREDA, 2002).
As microporosidades dos carvões de biomassa amilácea obtidos em fornos mufla e de microondas estão na
mesma faixa de remoção de iodo (731 - 786±10 mg/g). A amostra Bµ (629 ±10 mg/g) apresentou uma
microporosidade cerca de 20% inferior a obtida para a amostra em forno mufla (786±10 mg/g). A Figura 1a
apresenta a morfologia da amostra Bµ, obtida em um microscópio eletrônico de varredura em magnificação de
1000 vezes.
Quanto às mesoporosidades, verificou-se que os resultados de remoção de azul de metileno para as amostra
BM, Bµ e Mµ se encontram na mesma faixa (56,4 – 61,6±10 mg/g). Entretanto a amostra MM apresentou um
valor de mesoporosidade cerca de 44% inferior ao obtido para a amostra produzida em forno de microondas
(59,8±10 mg/L). A Figura 1b apresenta a morfologia da amostra MM, obtida em um microscópio eletrônico de
varredura em magnificação de 1000 vezes.
Os resultados dos ensaios de adsorção de fenol nas amostras Bµ e MM. indicaram que as isotermas obtidas
apresentam comportamento favorável para o modelo de Langmuir, considerando os valores de RL, (0 < RL < 1).
Através da constante 1/n, do modelo de Freundlich, pode-se verificar que a amostra MM (0,37) teve maior
afinidade pelo fenol que a amostra Bµ na faixa de concentração considerada.
(a) (b)
CONCLUSÕES
Existe viabilidade técnica do uso da biomassa amilácea residual para a produção de carvões ativados, visto que
as propriedades avaliadas são similares as dos carvões ativados comercias.
Os carvões obtidos em fornos convencional e de microondas apresentaram as mesmas características.
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