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Miolo Scrib

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Copyright © 2021, Mundo Contemporâneo Edições

Editora
Léa Carvalho
Capa
Design: MaLu Santos
Ilustração: Prof. Affonso Pedro de Savignon Pereira
Projeto gráfico
Design: MaLu Santos

CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO


SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
A795

Arquitetura e urbanismo no século XXI : ensaios, pesquisas e relatos de experiência /


organização José Lucio N. Jr ... [et al.]. - 1. ed. - Rio de Janeiro : Mundo Contemporâneo,
2021.
334 p. : il.; 23 cm.

Inclui bibliografia
ISBN 978-65-86290-13-4

1. Arquitetura - Rio de Janeiro (RJ) - Séc. XXI. 2. Planejamento urbano - Rio de


Janeiro (RJ) - Séc. XXI. I. N. Jr, José Lucio.
21-69488 CDD: 711.4098153
CDU: 728.1(815.3) “20”
Leandra Felix da Cruz Candido - Bibliotecária - CRB-7/6135
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por escrito da Editora
poderá ser utilizada ou reproduzida - em qualquer meio ou forma, seja mecânico ou eletrônico, fotocó-
pia, gravação, etc. - nem apropriada ou estocada em sistema de bancos de dados.

Um selo da Metanoia Editora


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Rio de Janeiro - RJ - Cep: 21020-400
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21 2018-3656 | 21 96478-5384

Associada:
Liga Brasileira de Editoras - www.libre.org.br
Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) - www.snel.org.br

Impresso no Brasil
HOMENAGEM

Este livro não poderia deixar de lembrar do nosso companheiro,


o professor Affonso Pedro de Savig on Pereira, que faleceu no
início de setembro de 2019, enquanto estávamos gestando esse
projeto. Amante da cidade, professor que encantava seus alunos
e colegas de t abalho. Saiba que esse livro também é uma home-
nagem à sua memória.

De todos os professores e alunos da FAU-UNISUAM


SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO, 6

PARTE I – ESTUDOS SOBRE O ESPAÇO URBANO


1 - Transformação de espaços em lugares em comunidades de baixa renda o caso da
Favela Vila Parque da Cidade, 10
Eliene Jomara Tozetto

2 - A autoconstrução em cenários populares: reflexões sobre o habitar


e a arquitetura dos não arquitetos, 35
Sonia Dique Fragozo

3 - Infraestruturas técnicas no século XXI: considerações sobre os impactos das


implantações convencionais e os potenciais de reconfiguração espacial para a
qualidade do espaço urbano, 52
Miriam Victoria Fernandez Lins

4 - O Uso de Metodologias de Percepção Ambiental e Sistemas de Informações


Georreferenciadas no Estudo e no Planejamento das Cidades
Turísticas no séc. XXI, 71
Fernando Antonio Lima Damasceno

5 - A centralidade urbana do bairro de Campo Grande, RJ, 86


Eduardo Silva dos Santos, Helena Julião da Silva e Jose Roberto Moreira Ribeiro
Gonçalves

PARTE II – O URBANISMO E A ARQUITETURA FRENTE À QUESTÃO SOCIOAMBIENTAL


6 - Corredor Ecológico como vetor de desenvolvimento sustentável em áreas
degradadas: Belford Roxo – RJ, 103
Andréa Borges de Souza Cruz e Ana Flávia S. Souza

7 - Pensando as cidades do séc. XXI: os sistemas de parques-jardim como vetor


para a revitalização no ambiente urbano, 118
Adriana Colafranceschi Durante, Andrea Borges de Souza Cruz e Nathalia de Souza
Cruz Baylac

8 - Arquitetura Sustentável através da mudança do pensamento, 143


Dafne Sampaio Almeida
PARTE III – QUANDO A ARQUITETURA SE ENCONTRA COM A HISTÓRIA E O
PATRIMÔNIO: OLHARES PARA O PASSADO E O PRESENTE
9 - Moradia e trabalho: fábrica de Pólvora da Estrela e fábrica
de Tecidos Santo Aleixo, 169
Rosane Lopes dos Santos Sá

10 - Ornamento na Arquitetura: Historiografia, Teoria e Atualidade. Os Forros


de Estuque do Século XIX, na Cidade do Rio de Janeiro, 194
Jaime da Costa Nogueira e Teresa Cristina Menezes Oliveira

11 - Patrimônio em risco: uma reflexão em torno da política de preservação, 209


Teresa Cristina Menezes de Oliveira

12 - Metodologias ativas aplicadas à disciplina de História das Artes


para alunos de Arquitetura e Urbanismo, 246
Fernando Rabello Valle Rego

PARTE IV - REFORMAS URBANAS NO RIO DE JANEIRO: SOBRE ONTEM,


HOJE E AMANHÃ

13 - Parque do Flamengo: diretrizes para a preservação da modernidade


e do espaço público na contemporaneidade, 261
Vinicius Ferreira Mattos

14 - City marketing, a Orla Conde e o (des)acordo do espaço público, 286


Alessandra de Figueiredo Tarcsay, Aline Cordeiro Rodrigues e Tarciso Binoti Simas

15 - O Rio Antigo e as reformas urbanas no século XXI: a presença


do Centenário da Independência às vésperas do Bicentenário, 307
José Lúcio N. Jr.

SOBRE OS AUTORES, 325


APRESENTAÇÃO

A presente coletânea marca um novo momento da Faculdade de


Arquitetura e Urbanismo do Centro Universitário Augusto Motta (FAU-
UNISUAM). A equipe de professores está engajada em diferentes projetos de
pesquisa e extensão, em suas aulas e no relacionamento educador-educando.
Falta algo para completar tal momento e pensamos que uma obra coletiva
poderia ser a cereja do bolo.
Escrito por professores da FAU-UNISUAM, a presente obra conta com
a participação de alunos, ex-alunos e colegas de outras instituições, porque
sabemos que o conhecimento não se faz sozinho. Esta obra deve ser vista
como uma fotografia de parte dessa equipe, pois nem todos os professores
participaram desse projeto, o que não significa que não devam se sentir
representados. A cereja do bolo não é todo o bolo, apenas ajuda a dar aquele
sabor especial.
O curso de Arquitetura e Urbanismo da UNISUAM, atualmente, ocorre
em dois campi, o de Bonsucesso e o de Bangu, contando com vinte e cinco
professores com formações em diferentes áreas. Se há o predomínio de
Arquitetos e Urbanistas, não podemos deixar de apontar a contribuição
multidisciplinar que os professores com formação em Agronomia,
Engenharia e História trazem para o curso. Todos regidos pelo coordenador
Gustavo Jucá.
A diversidade na formação dos professores poderá ser vista nos artigos
que compõem este livro que está organizado em quatro partes. A primeira,
traz como tema Estudos sobre o espaço urbano. Composta por cinco capítulos
contendo estudos e relatos de experiência onde a questão urbana é o
objeto principal, mas vista por recortes bem distintos que passam pela
análise sobre a atuação de arquitetos em favelas, nos capítulos escritos por
Eliene Tozzeto e Sonia Fragoso; pelo estudo sobre a centralidade de áreas
periféricas, capitaneado por José Roberto Gonçalves em parceria com os
discentes Eduardo Santos e Helena Silva; além de dois estudos que são
verdadeiras aulas de metodologia, assinados por Mirian Lins e Fernando
Damasceno.
A segunda parte traz como título O Urbanismo e a Arquitetura frente
à questão socio ambiental. Nela será possível ver a potência dos trabalhos
colaborativos, pois os capítulos são assinados coletivamente, tais como os
escritos por Andrea Borges e Ana Flávia Souza, que tratam de um corredor
ecológico em Belford Roxo (região metropolitana do Rio de Janeiro);
Adriana Durante, Andrea Borges e Nathalia Baylac, sobre os sistemas
de parques-jardim. A seção se encerra com o debate sobre Arquitetura
Sustentável escrito por Dafne Sampaio.
Como dissemos nas linhas subjacentes, a equipe é multidisciplinar e
isso irá aparecer com força nas duas últimas partes; na terceira, intitulada
Quando a arquitetura se encontra com a História e o Patrimônio: olhares para o
passado e o presente. A seção tem início com um estudo sobre a história
de uma fábrica e de um lugar no século XIX, relacionando moradia e
trabalho, assinado por Rosane Sá. Mantendo-se no século XIX, Jaime
Nogueira e Teresa Cristina Oliveira nos apresentam um belo estudo
sobre os ornamentos, em especial os forros de estuque. Em seguida, a
professora Teresa Cristina nos oferece uma análise comparada entre o
incêndio na Quinta da Boa Vista e na Catedral de Notre-Dame. E como
ORGANIZAÇÃO JOSÉ LÚCIO N. JR. | 7

somos professores, essa seção se encerra com um relato de experiência


sobre como ensinar História, Arte e Arquitetura, assinado por Fernando
Rabello.
A última parte, e não menos importante, nos lembra o momento em
que o vivemos: Rio de Janeiro – capital da Arquitetura. A cidade seria
sede do 27º Congresso Internacional dos Arquitetos promovidos pela
União Internacional dos Arquitetos (UIA). A pandemia do coronavírus
(Sars-Cov-2) iniciada em janeiro, e declarada em março pela Organização
Mundial de Saúde, levou ao adiamento de vários eventos que ocorreriam
no Mundo e no Rio de Janeiro. Mas a quarta parte, intitulada Reformas
ARQUITETURA E URBANISMO NO SÉCULO XXI | 8

urbanas no Rio de Janeiro: sobre ontem, hoje e amanhã, não trata da pandemia, e
sim, da cidade maravilhosa trazendo estudos sobre espaço da cidade que
foram ou poderiam ser remodelados para grandes eventos e para o melhor
viver da população carioca.
Vinícius Mattos apresenta um estudo sobre uma possível revitalização
do Parque do Flamengo, ampliando a integração entre Centro e Zona Sul
da cidade já iniciadas em outros projetos. As obras do Porto Maravilha são
objeto de dois estudos: o primeiro assinado por Alessandra Figueiredo,
Aline Rodrigues e Tarciso Simas, que analisa as transformações na
Orla Conde; e o segundo escrito por mim, José Lúcio N. Jr, sobre as
permanências do Centenário do Independência no entorno da Praça XV
e suas relações com transformações recentes.
Os estudos apresentados partem de diversas linhas teórico-
metodológicas, mas possuem o mesmo fim: demonstrar a riqueza que
existe nos estudos de Arquitetura e Urbanismo. Além disso, eles, mais que
apresentam parte do trabalho que desenvolvemos na FAU-UNISUAM.
Para conhecer melhor, vá além das páginas de livro, nos visite e venha
conferir outros trabalhos que desenvolvemos. Você é nosso convidado.

Rio de Janeiro, 20 de junho de 2020


José Lúcio N. Jr.
Organizador
PARTE I
ESTUDOS SOBRE
O ESPAÇO URBANO
1

TRANSFORMAÇÃO DE ESPAÇOS
EM LUGARES EM COMUNIDADES DE BAIXA RENDA
O CASO DA FAVELA VILA PARQUE DA CIDADE
ELIENE TOZETTO

Figura 1 Vila Parque da Cidade vista da Estrada da Gávea


Foco: Eliene Tozetto - Ilustração: Márcio de Castro
O LABIRINTO E NOSSAS ANDANÇAS

Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não


os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas
(...) das portas surgiam cabeças congestionadas de sono; (...) o
cheiro quente do café aquecia, suplantando todos os outros (...)
reatavam-se conversas interrompidas à noite; a pequenada cá
fora traquinava já, e lá dentro vinham choros abafados de crian-
ças que ainda não andam. (...) destacavam-se sons de risos, sons
de vozes que altercavam, sem se saber onde (...)1.

O universo da favela difere-se do restante da cidade, apresentando uma


dinâmica própria, não construída por pessoas especializadas, conforme
observamos, em grande parte, na cidade formal. Ainda assim, compõe
a paisagem urbana, desde seu princípio, com suas primeiras formas de
ocupação, seus primeiros ‘barracos’ e prossegue em constante crescimento.
As transformações nas favelas ocorreram mediante possibilidades,
necessidades, disponibilidade de materiais e mão de obra, normalmente
encontrada entre amigos moradores da própria comunidade. Crescimento
individual e coletivo. Uma troca constante, uma relação de parceria entre
os formadores dessas grandes comunidades.
Espaço vivido e cotidiano. Dois eventos indissociáveis. Um é, ao
mesmo tempo, fruto e produto do outro. As transformações sofridas
pelos espaços livres e espaços construídos na favela estão, dessa forma,
relacionados diretamente à cultura local, ou melhor, ao modo de vida,
tradições, costumes, crenças, comportamento, a transformações em
pequena escala, nas próprias habitações e, em grande escala, na malha
ORGANIZAÇÃO JOSÉ LÚCIO N. JR. | 11

urbana do assentamento irregular. Traçado irregular, impreciso e


inacabado. Por vezes, um labirinto, mas não como os planejados. É mais
complexo. São percursos em constantes transformações, compondo uma
malha urbana de conexões inesperadas, imprevisíveis.
Assim, perdida em um labirinto, foi como me senti quando fui
apresentada à favela Vila Parque da Cidade, situada no Bairro da Gávea,
Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro. Minha primeira visita ao local
aconteceu em agosto de 2000, quando fui contratada, como estagiária de
arquitetura, para integrar uma pequena equipe do Programa APD-Rio

1. Azevedo, Aluísio, 1998, p.25.

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