Aula 03 - Classes de Palavras - Parte II - Verbos.: Prof. José Maria C. Torres
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José Maria
Língua Portuguesa para PC AM Aula 03
Aula 03 – Classes de
Palavras – Parte II -
Verbos.
Língua Portuguesa p/ PC AM
Sumário
VERBOS ................................................................................................................................................... 4
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Vale a pena cada gota de suor derramada nesta aula, moçada! Trata-se de um assunto cobrado em
demasia nas provas de concurso. Ao final, devemos estar aptos a identificar e empregar corretamente os
MODOS, TEMPOS e VOZES VERBAIS.
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Verbos
É essencial um estudo aprofundado de verbos, em especial dos tópicos referentes à conjugação verbal e às
vozes verbais, assuntos de frequente cobrança em provas de concurso. Os verbos são uma das mais importantes
classes de palavras, pois, a partir deles, estrutura-se toda a análise sintática. Podem fazer referências a ações (falar,
cantar, vender, etc.), processos (acontecer, suceder, esquentar, etc.), estados (ser, estar, ficar, etc.) ou fenômenos
naturais (chover, trovejar, amanhecer, etc.).
Vamos passo a passo destrinchar TUDO de verbos, começando por uma breve classificação:
1ª conjugação
Assim são classificados os verbos com terminação –AR. Exemplos: amar, falar, pular, etc.
2ª conjugação
Assim são classificados os verbos com terminação –ER e –OR (pôr e derivados). Exemplos: fazer, vender,
comer, pôr, repor, dispor, etc.
Professor, por que o verbo ‘pôr’ e suas formas derivadas são classificadas como de 2ª conjugação. Caro aluno
curioso, uma antiga grafia - mas bem antiga mesmo – desse verbo era “poer”. Por esse motivo, convencionou-se a
classificação do pôr e derivados na 2ª conjugação.
3ª conjugação
Assim são classificados os verbos com terminação –IR. Exemplos: proibir, permitir, imprimir, etc.
Sossego total, né gente?
Verbos Regulares
Assim são chamados os verbos que seguem um modelo estabelecido e não se afastam dele em toda a
conjugação. Em termos mais técnicos, são verbos que preservam intacto seu radical. Lembra o que é radical? Se
não, volte lá na aula anterior e reveja na seção Estrutura de Palavras minha explanação acerca de radical, ok?
Observe a seguir algumas conjugações aleatórias do verbo “falar”:
falei, falou, falaríamos, falássemos, falaremos, falarão, etc.
Note que o radical “fal” permanece intacto, sinalizando que se trata de um verbo regular.
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Seria maravilhoso se todos os verbos do planeta fossem regulares. Por que, professor? Ora, bastava decorar
a conjugação de um regular de 1ª conjugação e fazer os demais da mesma conjugação imitarem esse exemplo.
Como assim, professor? Falamos anteriormente que o verbo “falar” é regular, correto? Dessa forma, todos os
regulares de 1ª conjugação imitarão a flexão de “falar”. Por exemplo, pegue as flexões aleatórias do verbo “falar”
anteriormente apresentadas e troque nelas o radical “fal” pelo radical do verbo de 1ª conjugação também regular
“comentar” – “coment”. Teríamos as seguintes flexões:
Verbos Irregulares
Assim são chamados os verbos que se afastam do modelo geral, por apresentarem alterações no radical em
algumas flexões.
Exemplos: dizer (eu digo), caber (eu caibo), fazer (eu faço), medir (eu meço)
Veremos daqui a pouco como lidar com verbos irregulares, dominando os passos da formação dos tempos
derivados a partir dos primitivos. Seremos capazes de prever em que momento as alterações de radical
ocorrerão.
IMPORTANTE!
Deve-se tomar o devido cuidado com as conjugações de alguns verbos irregulares, principalmente os derivados de
ter, ver, vir e pôr
Exemplos:
tenho(ter) – detenho (deter) – retenho (reter) – obtenho (obter)
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Corrigindo-as, teremos:
Verbos Defectivos:
Assim são chamados os verbos que não possuem conjugação completa, ou seja, são defeituosos.
Exemplos:
A flexão de “colorir” na 1ª pessoa do singular do Presente do Indicativo é “Eu ...”. Se você pensou “coloro”,
essa forma não existe! O verbo “colorir” é, portanto, defectivo!
A flexão de “falir” na 1ª pessoa do singular do Presente do Indicativo é “Eu ...”. Se você pensou “falo”, aí é
verbo “falar”; se você falou “falho”, aí é verbo “falhar”. Essa flexão não existe! O verbo “falir” é, portanto, defectivo!
Um famoso verbo defectivo, bastante presente em provas de concurso, é o verbo “precaver-se”, na 1ª
pessoa do singular do Presente do Indicativo. Não existe a flexão “Eu me precavejo” nem “Eu me precavenho”.
CUIDADO! Aparecendo essas formas, já pode apontar o erro! Poxa, professor? E como eu vou fazer para me
precaver? Querido aluno, é só utilizar um sinônimo. Que tal “prevenir-se”? Escreva “Eu me previno...”.
Professor, outra pergunta! Tenho notado que a falha ocorre frequentemente na 1ª pessoa do singular! É sempre
nela que ocorre a falha? Não, meu caro aluno, não somente! Mas ela tem sido citada muitas vezes, pois dessa
pessoa nascem vários tempos derivados, daí sua importância. Espere chegarmos a Formação dos Tempos
Derivados e você entenderá o que estou falando, ok? Aff, professor! Toda hora o senhor pede para esperar! Calma,
jovem! Confie em mim! Continuemos a classificar nossos amigos verbos!
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Verbos Anômalos:
Assim são chamados os verbos anormais, pois não possuem radical fixo. Os exemplos mais citados de
verbos anômalos são “ser” e “ir”, pois apresentam alterações profundas no radical. Alguns gramáticos consideram
ter, ver, vir e pôr anômalos também, mas são interpretações bem particulares. Para efeito de concurso, considere
anômalos SER e IR.
Para que você visualize essas mudanças bruscas de radical, conjugue aleatoriamente os verbos ser e ir:
SER: eu sou, tu és, ele é, eu fui, tu foste, ele foi, eu era, tu eras, ele era, eu serei, tu serás, ele será...
IR: eu vou, tu vais, ele vai, eu fui, tu foste, ele foi, eu ia, tu ias, ele ia, eu irei, tu irás, ele irá...
Verbos Abundantes:
Assim são chamados os verbos que apresentam duas ou mais formas para uma mesma conjugação,
normalmente no particípio. Para efeito de concurso, interessa saber quais verbos possuem mais de um particípio
e quando usamos uma ou outra forma.
Professor, e o que seria particípio? O particípio é uma das três formas nominais – infinitivo, gerúndio e particípio
– e caracteriza-se pela terminação “-ado” e “-ido” na forma regular. Portanto, o particípio de “comentar” é
“comentado”; o particípio de “aprender” é “aprendido”; o particípio de “proibir” é “proibido”; o particípio de
“fazer” é ... ops! Não existe a forma “fazido”, ok? Existe sim a forma irregular “feito”.
Dessa forma, os particípios podem se apresentar na forma regular, caracterizada pelas terminações “ado”
e “ido”; ou na forma irregular, também chamada de reduzida, com terminações diversas. Há verbos que só
possuem a forma regular de particípio – é o caso dos verbos CHEGAR (CHEGADO) e TRAZER (TRAZIDO); há verbos
que só possuem a forma irregular de particípio – é o caso dos verbos FAZER (FEITO) e ESCREVER (ESCRITO); e há
os verbos abundantes, que admitem tanto a forma regular como a irregular – vide lista a seguir.
IMPORTANTE
No dia a dia, equivocadamente se utilizam as formas “chego” e “trago” como particípios, acompanhadas
geralmente pelos verbos auxiliares ter e haver. Muito cuidado! Os particípios de “chegar” e “trazer” são
“chegado” e “trazido”, respectivamente!
Exemplos:
As formas “chego” e “trago” até existem, mas são flexões de 1ª pessoa do singular do Presente do Indicativo – eu
chego; eu trago.
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Eis uma lista dos principais verbos abundantes: aceitar (aceitado e aceito); acender (acendido e aceso); eleger
(elegido e eleito); entregar (entregado e entregue); expulsar (expulsado e expulso); extinguir (extinguido e extinto);
imprimir (imprimido e impresso); limpar (limpado e limpo); pagar (pagado e pago); pegar (pegado e pego); prender
(prendido e preso); salvar (salvado e salvo); soltar (soltado e solto); suspender (suspendido e suspenso).
Eis uma lista dos principais verbos que possuem apenas um particípio: abrir (aberto); beber (bebido); chegar
(chegado); cobrir (coberto); escrever (escrito); fazer (feito); trazer (trazido).
No caso de verbos com mais de um particípio (verbos abundantes), emprega-se a forma regular do particípio
(terminada em ADO ou IDO) com os auxiliares TER ou HAVER. Já a forma irregular é utilizada com a presença
dos auxiliares SER, ESTAR ou FICAR.
Exemplos:
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Verbos Pronominais
Assim são chamados os verbos empregados acompanhados de pronome oblíquo átono, que pode
exercer função reflexiva (= a mim mesmo; a ti mesmo; a si mesmo...), recíproca (um ao outro, um para o outro,
um com o outro, etc.) ou simplesmente ser uma parte integrante do verbo.
Há verbos que sempre serão pronominais, como é o caso de “suicidar-se”, “queixar-se”, “(in)dignar-se”,
“arrepender-se”, “esforçar-se”.
Não dá para escrever “Fulano arrependeu do erro.”. Sem o pronome, não dá! O certo é “Fulano se
arrependeu do erro.”.
Há verbos que ocasionalmente serão pronominais, como é o caso de “enganar-se”, “orgulhar-se”, “alegrar-
se”, “lembrar-se” e “esquecer-se”. Queria que você desse bastante destaque para os verbos “lembrar” e
“esquecer”, pois, dependendo do emprego deles na forma pronominal ou não, muda o tipo de complemento.
Veja:
(Os verbos “esquecer” e “lembrar” são pronominais nessa frase. Dessa forma, esses verbos pedem
objeto indireto como complemento. E o objeto indireto deve ser introduzido pela preposição DE).
Verbos Auxiliares:
Assim são chamados os verbos que se juntam às formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) de um
verbo principal, flexionando-se em número, pessoa, tempo e modo.
Exemplos:
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Verbos Principais:
Assim são chamados aqueles verbos que conservam seu significado pleno nas frases em que são
empregados. Quando acompanhados de auxiliares, apresentam-se numa das três formas nominais –
infinitivo, gerúndio ou particípio.
Exemplos:
Os auxiliares sempre vêm antes e o principal vem por último, moçada, numa das três formas nominais.
Os principais verbos auxiliares são ter, haver, ser, estar. Há outros que são ocasionalmente auxiliares,
como ir, vir, andar, tornar, ficar, dever, acabar, começar e outros.
Verbos Vicários
Assim são chamados os verbos que substituem outros verbos, com o intuito de evitar repetições
desnecessárias. Como assim, professor?
Observe a seguinte frase:
Não consigo ler tantos livros hoje como conseguia ler no passado.
Note que a forma verbal “conseguir ler” está repetida na frase. Podemos evitar essa incômoda repetição,
substituindo-a pelo verbo “fazer”, acompanhado do pronome demonstrativo “o”. Veja como fica:
Não consigo ler tantos livros hoje como o fazia no passado.
Se ele não veio para aula, foi por razões excepcionais, pois não costuma faltar!
Os verbos vicários mais empregados nas frases são “ser” ou “fazer”. Muitas vezes, para dar melhor
coesão, pedem companhia do demonstrativo “o”.
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Os verbos causativos são assim chamados porque exprimem uma relação de causa. São eles: "fazer",
"mandar" e "deixar".
Na frase “Fiz Patrícia chorar.”, o entendimento é que Patrícia chorou porque eu fiz alguma coisa. Na frase
“Mandei Patrícia sair.”, o entendimento é que Patrícia saiu porque eu mandei. Na frase “Deixei Patrícia falar
sozinha.”, o entendimento é que Patrícia falou sozinha porque eu deixei
Já os verbos sensitivos são assim chamados porque indicam a existência de um dos sentidos. São eles:
“ver", "sentir", "ouvir", “imaginar”, etc.
Formas Nominais
São três as formas nominais: Infinitivo, Gerúndio e Particípio. Elas assim são chamadas, pois podem exercer
funções sintáticas próprias de nomes – substantivos, adjetivos e advérbios.
Exemplos:
Estudar faz bem para a alma.
O infinitivo “Estudar” desempenha o papel sintático de sujeito, função típica dos substantivos.
O gerúndio “correndo” corresponde ao modo como o indivíduo saiu da sala, exercendo um papel similar ao
dos advérbios de modo. Sintaticamente, isso se traduz num adjunto adverbial de modo.
Já o particípio “iluminada” exerce função adjetiva, modificando o substantivo “pessoa”. Sintaticamente, isso
se traduz num adjunto adnominal.
Infinitivo
O Infinitivo pode se apresentar na forma impessoal, ou seja, na forma não flexionada, com as terminações
AR (verbos de 1ª conjugação), ER (verbos de 2ª conjugação) ou IR (verbos de 3ª conjugação).
Pode também se apresentar na forma pessoal, ou seja, na forma flexionada, concordando com a pessoa
gramatical. Veja a seguir as formas flexionadas de infinitivo e fique atento às desinências de número e pessoa:
Esse assunto é para eu estudar
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IMPORTANTE
Quando inserido numa locução verbal como um dos auxiliares ou como verbo principal, o infinitivo não
admite a forma flexionada. É obrigatório, nesse caso, o emprego da forma não flexionada por razões de boa
sonoridade.
Exemplos:
Cuidado com as redações em que o auxiliar é isolado do principal no infinitivo por alguma expressão intercalada!
Esse distanciamento entre auxiliar e principal pode mascarar erros de flexão do infinitivo. Observe:
Os alunos devem, a partir de hoje até o final da semana que vem, tendo em vista a necessidade de atualização
cadastral periódica, comparecerem aos postos de saúde munidos da documentação comprobatória.
A frase apresenta ERRO no uso da forma flexionada de infinitivo “comparecerem”. Note que ela integra uma
locução verbal, cujo auxiliar é a forma verbal “devem”. Esse erro é mascarado devido às expressões intercaladas
posicionadas entre o auxiliar e o principal. Elas poluem nossa visão e acabam nos induzindo ao erro. Fique atento,
pois é assim que as bancas tentarão enganar você! Se essas intercalações não estivessem presentes, ficaria bem
mais fácil perceber o erro em “Os alunos devem... comparecerem”.
Como dito, não se flexiona infinitivo em locução verbal. A redação correta, portanto, seria:
Os alunos devem, a partir de hoje até o final da semana que vem, tendo em vista a necessidade de atualização
cadastral periódica, comparecer aos postos de saúde munidos da documentação comprobatória.
Saiu a mais nova lista de coisas que devem ou não ser feitas.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Não se flexiona o infinitivo presente em uma locução verbal, seja esse infinitivo um dos auxiliares ou o verbo
principal.
No caso, a forma “devem” e o infinitivo “ser” são auxiliares do verbo principal no particípio “feitas”. A forma “ser”,
portanto, não pode ser flexionada, sob pena de incorrermos num erro gramatical.
Resposta: CERTO
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Gerúndio
O Gerúndio apresenta como desinência característica a terminação NDO (lendo, fazendo, trabalhando,
estudando, etc.).
Essa forma nominal expressa uma ideia de continuidade da ação. Observe a seguinte frase:
A ideia de continuidade do gerúndio pode ser expressada pelo infinitivo antecedido da preposição “a”,
construção bem comum em Portugal. Observe:
Estou a trabalhar em um importante projeto.
Outra observação importante é relativa ao vício de linguagem do gerundismo, que consiste no uso
desnecessário do gerúndio em locuções verbais. Observe:
Particípio
Como já mencionado, o particípio pode se apresentar na forma regular, com as terminações ADO (para
verbos de 1ª conjugação) e IDO (para verbos de 2ª e 3ª conjugações); e na forma irregular, também chamada de
reduzida.
É uma forma nominal bastante empregada na voz passiva, nos tempos compostos e nas orações reduzidas.
Tudo isso será detalhado nos próximos itens e aulas.
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Locuções Verbais
As locuções verbais (ou perífrases verbais) são formadas por verbos auxiliares ligados a um verbo
principal no infinitivo, gerúndio ou particípio. Constituem uma única unidade de sentido, como se equivalessem
a um único verbo. É muito importante que você tenha isso em mente: as locuções são formadas por dois ou mais
verbos, mas se comportam como algo único, indissociável, inseparável.
Lá na Sintaxe, por exemplo, pedirei para você contar quantas orações há no período. Para isso, você precisará
contar quantas unidades verbais nela há. Tantas unidades verbais corresponderão a tantas orações: por exemplo,
se há apenas uma unidade verbal, isso significa que há apenas uma oração; se há duas unidades verbais, isso significa
que há duas orações; e assim sucessivamente. Imaginemos que, na nossa frase, tenhamos 5(cinco) verbos e 1(uma)
locução verbal. Quantas orações teremos? É isso mesmo! Teremos 6(seis) orações. A locução verbal, apesar de
ser formada por mais de um verbo, constitui apenas uma unidade de sentido, formando apenas uma oração.
Mas, professor, como eu saberei se aqueles dois verbos juntinhos formam uma unidade de sentido? Em outras
palavras, como saber se aquela união de verbos forma uma locução? Essa pergunta é importantíssima e sua resposta
precisa ser bem elaborada, de modo a não ficar dúvida alguma.
A primeira e mais importante evidência da presença de uma locução verbal é que tanto o verbo auxiliar
como o verbo principal devem se referir ao mesmo sujeito. Na frase “O professor vai resolver muitos exercícios
na aula.”, tanto o verbo auxiliar “vai” como o principal “resolver” compartilham do mesmo sujeito. Se
perguntarmos “Quem vai?” ou “Quem resolverá?”, a resposta será a mesma: o professor!
Esse primeiro filtro já nos leva a importante conclusão: verbos causativos e sensitivos acompanhados de
infinitivos ou gerúndios nunca irão formar locuções verbais, pois os sujeitos são diferentes.
Veja a frase:
Eu me vejo trabalhando neste Tribunal.
Note que o verbo sensitivo “vejo” tem como sujeito “eu”. Já a forma de gerúndio “trabalhando” tem como
sujeito acusativo (Lembra a definição de sujeito acusativo na aula passada?) o pronome oblíquo “me”. Portanto,
não ocorre uma locução verbal, pois os sujeitos são diferentes!
Mais um exemplo:
Eu te mandei fazer as malas.
Note que o verbo causativo “mandar” tem como sujeito “eu”. Já a forma de infinitivo “fazer” tem como
sujeito acusativo o oblíquo “te”. Portanto, não ocorre uma locução verbal, pois os sujeitos são diferentes!
No entanto, mesmo constatando que os dois verbos que estão juntinhos possuem o mesmo sujeito, podem
restar algumas dúvidas! Ora, se formos capazes de desenvolver a oração introduzida pelo infinitivo ou gerúndio,
fazendo aparecer algum conector, provamos que não ocorre uma locução verbal. Veja:
Não nos cabe julgar a preferência alheia. (= Não nos cabe que julguemos a preferência alheia).
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Portanto, para efeito de prova, teremos uma locução verbal quando os dois verbos – auxiliar e principal -
compartilharem do mesmo sujeito. No entanto, se houver a presença de um verbo sensitivo ou causativo ou
se o infinitivo ou gerúndio puderem ser desenvolvidos com o aparecimento de um conector, NÃO teremos
locução verbal.
Um caso particular de locução verbal é o tempo composto: trata-se da locução formada pelos auxiliares
ter ou haver conjugados, acompanhados do verbo principal no particípio, fazendo parte da conjugação normal
de um verbo. Dessa forma, todo tempo composto é uma locução verbal, mas nem toda locução verbal é um
tempo composto, pois as locuções não restringem seus auxiliares aos verbos ter e haver nem impõem que seus
verbos principais estejam no particípio. Conheceremos, no detalhamento dos tempos verbais, as principais formas
compostas.
Flexões Verbais
Os verbos são palavras variáveis, que se flexionam em número, pessoa, tempo, modo e voz. Daremos
grande destaque às flexões de modos, tempos e vozes, que são os carros-chefes nas provas de concurso.
Número e Pessoa
Aqui não há grandes mistérios, pois já detalhamos, na aula relativa a pronomes, as pessoas do discurso: 1ª
pessoa – a que fala; 2ª pessoa – a com quem se fala; a 3ª pessoa – a de quem se fala.
Um ponto interessante a ser citado diz respeito a um vício de linguagem muito comum na linguagem
coloquial: trata-se do desrespeito à uniformidade de tratamento das pessoas. Costuma-se, por exemplo, tratar
a mesma pessoa por “tu” e “você” na linguagem falada. Em textos ou discursos que exijam o emprego da norma
culta, é necessário se ater a esse detalhe e corrigir esse equívoco.
Exemplo:
Pedi para você não se importar com isso, pois o objetivo deles era propositadamente te chatear.
Observe que houve mistura de tratamentos: a mesma pessoa é tratada por “tu” e “você”.
Correções:
Pedi para você não se importar com isso, pois o objetivo deles era propositadamente chateá-lo.
Pedi para tu não te importares com isso, pois o objetivo deles era propositadamente te chatear.
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Modos Verbais
A flexão de modo é fácil e importante! Olha que combinação rara, moçada! Algo fácil geralmente não é
importante; já algo importante não é geralmente fácil. E aqui temos algo fácil e importante ao mesmo tempo!
Os modos verbais indicam as diversas maneiras como um fato pode realizar-se. São três os modos verbais:
Indicativo, Subjuntivo e Imperativo.
Indicativo
O modo Indicativo apresenta o fato como certo ou real no momento da fala. Expressa, assim, uma realidade
do ponto de vista de quem fala ou escreve.
Exemplo:
Eu te ligarei depois da aula (Trata-se de um fato tido como certo no momento da fala).
Subjuntivo
O modo Subjuntivo apresenta o fato como duvidoso, provável, incerto no momento da fala. Expressa,
assim, uma hipótese, condição ou um desejo do ponto de vista de quem fala ou escreve.
Uma maneira rápida de se identificar verbos no Subjuntivo é perceber a presença de alguns sinalizadores
desse modo. E o que seriam esses sinalizadores, professor? Seriam palavras ou expressões que, por indicarem
dúvida, possibilidade, desejo, acompanham verbos no Subjuntivo. Seriam elas: se (condicional, equivalendo a
“caso”), caso, talvez, é possível, é provável, pode ser, quem sabe, etc. Aparecendo essas palavras ou
expressões, fatalmente o verbo que as acompanha estará flexionado no Subjuntivo.
Exemplo:
Talvez eu te ligue depois da aula (Trata-se de um fato tido como incerto no momento da fala).
Ainda no Subjuntivo, veio à memória um lindo verso da saudosa Cassia Eller: “Quem sabe eu ainda sou uma
garotinha.”. A expressão “Quem sabe” indica possibilidade. Logo, o modo verbal a ser empregado deveria ser o
Subjuntivo. Se fôssemos abraçar os purismos gramaticais, seria necessário substituir a forma verbal sou (flexão de
Indicativo) por seja (flexão de Subjuntivo). Ter-se-ia, assim, de acordo com a norma culta: Quem sabe ainda seja
uma garotinha...
Claro que uma linda canção como essa não seria nunca desmerecida por uma discreta licença poética, não é
mesmo?
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Imperativo:
O modo Imperativo indica ordem, pedido, conselho. Os verbos de Imperativo são de interlocução, ou seja,
são verbos que se dirigem a um falante, expressando uma solicitação, uma sugestão ou um mandamento.
Exemplo:
Nos versos da cantora Pitty, os verbos em destaque estão no modo Imperativo, pois expressam ordem.
IMPORTANTE
A mesma forma verbal pode pertencer a distintos tempos e modos. É o contexto em que ela se insere que vai
definir a correta flexão.
Suponha que envie uma mensagem para minha esposa, dizendo: “Amor, talvez eu saia mais tarde hoje do
trabalho.”. Ora, eu nem completo a mensagem e ela já responde: “Negativo! Saia mais cedo hoje, pois temos o
aniversário da Bia para ir e você havia prometido me fazer companhia!”.
Perceba que a forma “saia” apareceu duas vezes. Na minha fala, ela está flexionada no Subjuntivo, indicando uma
possibilidade, uma hipótese. Na fala da minha esposa, porém, essa forma verbal está no Imperativo e expressa
uma ordem (Ai de mim se não obedecer! Rs).
Uma dica sempre pertinente: antes de atacar o tempo verbal, amarre o modo. Repita: antes de atacar o
tempo verbal, amarre o modo. Não se convenceu de que essa dica é importante?
Veja o exemplo a seguir:
Quando eu passar num concurso público, professor, farei um churrasco de comemoração e convidarei o senhor
e toda a sua família.
Que bom saber disso! Vou cobrar, hein? Galera, brincadeiras à parte, a forma verbal “passar” está flexionada em
que tempo? Como vou saber, professor? O senhor ainda não falou nada acerca de tempos verbas, ora! Que tal amarrar
o modo verbal primeiro, hein? Note que, ao se dizer “Quando eu passar”, está-se fazendo menção a um fato ainda
incerto, estão de acordo? Quando digo incerto, não fique triste! Apenas não temos a certeza do dia, hora e minuto
da sua nomeação, por isso a incerteza. O fato pode ser incerto, mas ele é bem possível. Eu diria até provável, dado
o seu esforço de preparação. Voltemos à pergunta: em que tempo está flexionada a forma verbal “passar”?
Alguns poderiam afirmar que ela está no Infinitivo. De fato, o Infinitivo apresenta essa forma, mas não é o caso.
Por quê, professor? O Infinitivo corresponde a uma forma nominal, que, como vimos, é um estágio do verbo anterior
à flexão de modo e tempo. Não é o caso da frase em questão, pois o verbo está flexionado no modo Subjuntivo.
Uma prova disso é a presença do “SE” ou “QUANDO”, sinalizando hipóteses temporais ou condicionais. Mas,
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professor, o senhor não queria saber o tempo? Exato! Com o modo verbal definido, fica mais fácil a identificação do
tempo. Pensemos um pouco. O cenário hipotético de passar num concurso se desenha em que momento? No
futuro, correto? Vamos ligar os pontos: a forma verbal “passar” está flexionada, portanto, no Futuro do
Subjuntivo.
As pessoas ouvem falar em Futuro do Subjuntivo e pensam que estamos falando grego. Viram que não é um bicho
de sete cabeças, certo? Trata-se de um futuro hipotético, possível, provável.
Tempos Verbais
A flexão de tempo serve para situar a ocorrência do fato em relação ao momento em que se fala. Essa é
uma distinção importante: não se pode confundir o momento em que ocorre o fato com o momento em que este
fato é narrado.
Eis a lista de tempos distribuídos em cada um dos modos verbais. Vamos detalhá-los um a um:
Tempos do Indicativo: Presente, Pretérito (Perfeito – Simples/Composto, Imperfeito, Mais-que-Perfeito –
Simples/Composto), Futuro (do Presente – Simples/Composto, do Pretérito - Simples/Composto)
Tempos do Subjuntivo: Presente, Pretérito (Imperfeito, Perfeito – Composto, Mais que Perfeito –
Composto), Futuro – Simples/Composto.
Observações
O Imperativo pode ser classificado em Afirmativo ou Negativo. O segundo vem acompanhado por palavras ou
expressões de caráter negativo (não, nunca, jamais, etc.).
Exemplos:
Não se esqueça de mim, por favor!
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Aspecto Verbal
Para usar os tempos e modos verbais de forma adequada, além do conhecimento das flexões, é necessário
inferir também a duração e momento de percurso da ação ou do processo verbal. Esse conceito é denominado de
Aspecto Verbal. Essa noção será muito importante na análise dos tempos compostos.
Aspecto Pontual
Exemplos:
A bomba estourou.
O bêbado caiu.
Aspecto Durativo
Exemplos:
Ele gritava de dor
O sol está brilhando
Aspecto Habitual/Iterativo
Exemplos:
Ele dá comida aos pombos todos os dias.
Ele joga bola aos domingos com os colegas.
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Aspecto Cursivo
Exemplo:
Aspecto Conclusivo
Não são muito comuns questões solicitarem essas nomenclaturas, mas é muito importante ter essas noções.
As questões geralmente nos apresentarão algum tempo composto ou locução verbal e nos questionarão acerca
do seu início (se é que a ação já iniciou), seu final (se é que a ação já terminou) e sua duração.
Na frase “Eu tenho estudado Português feito louco.”, a forma verbal “tenho estudado” dá a entender que a
ação teve seu início no passado e ainda não chegou ao seu final, pois ainda dura no presente. Captou? Pergunte
nesse tipo de questão o início (se é que já iniciou), o fim (se é que já terminou) e a duração.
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A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a todos. Muitas pessoas são
suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que deve ser combatida por meio de uma vacina: a
educação. Uma educação de qualidade para todos os brasileiros deverá exercitar o pensamento e a crítica
argumentada e, principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a solidariedade e a ética. Devemos preparar
uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do passado. Nesse futuro não tão remoto, teremos
conquistado a utopia de uma verdadeira justiça social.
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item a seguir.
A substituição de “teremos conquistado” por conquistaremos manteria os sentidos originais do texto.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Observemos o trecho original: “Nesse futuro não tão remoto, TEREMOS CONQUISTADO a utopia...”.
A forma verbal destacada dá a entender que a conquista da utopia da justiça social se concretizou no futuro ANTES
de outras ações também no futuro.
A substituição pela forma CONQUISTAREMOS resulta em: “Nesse futuro não tão remoto, CONQUISTAREMOS a
utopia...”.
A forma verbal em destaque faz menção a uma ação futura, mas sem a ideia da redação original de ação futura
anterior a outras ações.
Resposta: ERRADO
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Presente do Subjuntivo
Deriva diretamente da 1a pessoa do singular do Presente do Indicativo. Como é o procedimento? Na 1ª
pessoa do Presente do Indicativo, retira-se a vogal final e acrescenta-se a desinência de modo e tempo – vogal “e”
para verbos de 1ª conjugação; vogal “a”, para verbos de 2ª e 3ª conjugação.
Exemplos:
APROXIMAR
TRAZER
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TER VIR
ELE TEM CASO ELE TENHA ELE VEM CASO ELE VENHA
NÓS TEMOS CASO NÓS TENHAMOS NÓS VIMOS CASO NÓS VENHAMOS
VÓS TENDES QUE VÓS TENHAIS VÓS VINDES QUE VÓS VENHAIS
ELES TÊM QUE ELES TENHAM ELES VÊM QUE ELES VENHAM
VER PÔR
NÓS VEMOS CASO NÓS VEJAMOS NÓS POMOS CASO NÓS PONHAMOS
VÓS VEDES QUE VÓS VEJAIS VÓS PONDES QUE VÓS PONHAIS
ELES VEEM QUE ELES VEJAM ELES PÕEM QUE ELES PONHAM
ATENÇÃO
Não seguem estritamente esse padrão de formação os verbos haver, ser, estar, dar, ir, querer e saber. As
formas de Presente do Subjuntivo desses verbos são: haja, seja, esteja, dê, vá, queira e saiba.
Verbos que não possuem a flexão de 1ª pessoa do singular do Presente do Indicativo não possuem Presente
do Subjuntivo. É o caso de abolir, emergir/imergir, viger, falir, precaver-se, colorir, etc.
Cuidado com os verbos aderir, polir, competir, repelir, gerir! Eles admitem SIM 1ª pessoa do singular do
Presente do Indicativo: eu adiro; eu pulo; eu compito; repilo; eu giro. A flexão de Presente do Subjuntivo,
portanto, fica assim: talvez eu adira; talvez tu adiras; talvez ele adira...; talvez eu pula; talvez tu pulas;
talvez ele pula...; talvez eu compita; talvez tu compitas; talvez ele compita...; talvez eu repila; talvez tu
repilas; talvez ele repila...; talvez eu gira; talvez tu giras; talvez ele gira...; etc.
Como já alertado, os verbos TER, VER, VIR e PÔR influenciarão as conjugações de MANTER, RETER, DETER,
OBTER, REVER, PREVER, INTERVIR, CONVIR, REPOR, DISPOR, DEPOR e tantos outros derivados.
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Imperativo Afirmativo
Como é o procedimento?
o Tomam-se as segundas pessoas do presente do indicativo, com eliminação do s final.
o Tomam-se as demais pessoas do presente do subjuntivo, reproduzindo-as literalmente.
TER
VER
VIR
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PÔR
Observação:
É muito comum, não só na linguagem falada, mas também na escrita, haver mistura de pessoas gramaticais no
emprego do modo Imperativo.
Exemplos:
Decide o seu caminho para não perder o foco.
(2ª p) (3ª p)
Note que “decide” está flexionado na 2ª pessoa do singular do Imperativo Afirmativo - TU DECIDES – S = DECIDE
(TU). No entanto, o possessivo “seu” é de 3ª pessoa. Não ocorre, assim, uniformidade no tratamento das
pessoas.
Correção: Decide o teu caminho para não perderes o foco.
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Imperativo Negativo:
A formação do Imperativo Negativo é bem mais simples que a do Afirmativo. No Negativo, simplesmente
se tomam formas do Presente do Subjuntivo, reproduzindo-as literalmente.
Vejamos o comportamento dos verbos TER, VER, VIR e PÔR:
TER VER
TALVEZ TU TENHAS NÃO TENHAS (TU) TALVEZ TU VEJAS NÃO VEJAS (TU)
CASO ELE TENHA NÃO TENHA (VOCÊ) CASO ELE VEJA NÃO VEJA (VOCÊ)
CASO NÓS TENHAMOS NÃO TENHAMOS (NÓS) CASO NÓS VEJAMOS NÃO VEJAMOS (NÓS)
QUE VÓS TENHAIS NÃO TENHAIS (VÓS) QUE VÓS VEJAIS NÃO VEJAIS (VÓS)
QUE ELES TENHAM NÃO TENHAM (VOCÊS) QUE ELES VEJAM NÃO VEJAM (VOCÊS)
VIR PÔR
TALVEZ TU VENHAS NÃO VENHAS (TU) TALVEZ TU PONHAS NÃO PONHAS (TU)
CASO ELE VENHA NÃO VENHA (VOCÊ) CASO ELE PONHA NÃO PONHA (VOCÊ)
CASO NÓS VENHAMOS NÃO VENHAMOS (NÓS) CASO NÓS PONHAMOS NÃO PONHAMOS (NÓS)
QUE VÓS VENHAIS NÃO VENHAIS (VÓS) QUE VÓS PONHAIS NÃO PONHAIS (VÓS)
QUE ELES VENHAM NÃO VENHAM (VOCÊS) QUE ELES PONHAM NÃO PONHAM (VOCÊS)
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No caso do verbo TER, a flexão de 2ª pessoa do singular do Pretérito Perfeito do Indicativo é “TU TIVESTE”.
O radical formador dos tempos derivados será, portanto, “TIVE”.
No caso do verbo VER, a flexão de 2ª pessoa do singular do Pretérito Perfeito do Indicativo é “TU VISTE”. O
radical formador dos tempos derivados será, portanto, “VI”.
No caso do verbo VIR, a flexão de 2ª pessoa do singular do Pretérito Perfeito do Indicativo é “TU VIESTE”. O
radical formador dos tempos derivados será, portanto, “VIE”.
No caso do verbo PÔR, a flexão de 2ª pessoa do singular do Pretérito Perfeito do Indicativo é “TU PUSESTE”.
O radical formador dos tempos derivados será, portanto, “PUSE”.
TER VER
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VIR PÔR
Futuro do Subjuntivo:
As desinências identificadoras do Futuro do Subjuntivo coincidem com as do Infinitivo Pessoal (ou
Flexionado), porém o radical nem sempre coincide. Daí o cuidado que se deve ter para não flexionar o Futuro do
Subjuntivo da mesma forma que o Infinitivo Pessoal. Note a diferença:
Pediram para nós FAZERMOS uma festa.
Além disso, as flexões de Futuro do Subjuntivo são comumente acompanhadas das conjunções
temporais e condicionais “QUANDO” e “SE”.
TER VER
Pretérito Perfeito do Indicativo Futuro do Subjuntivo Pretérito Perfeito do Indicativo Futuro do Subjuntivo
NÓS TIVEMOS QUANDO NÓS TIVERMOS NÓS VIMOS QUANDO NÓS VIRMOS
VÓS TIVESTES QUANDO VÓS TIVERDES VÓS VISTES QUANDO VÓS VIRDES
ELES TIVERAM QUANDO ELES TIVEREM ELES VIRAM QUANDO ELES VIREM
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VIR PÔR
Pretérito Perfeito do Indicativo Futuro do Subjuntivo Pretérito Perfeito do Indicativo Futuro do Subjuntivo
NÓS VIEMOS QUANDO NÓS VIERMOS NÓS PUSEMOS QUANDO NÓS PUSERMOS
VÓS VIESTES QUANDO VÓS VIERDES VÓS PUSESTES QUANDO VÓS PUSERDES
ELES VIERAM QUANDO ELES VIEREM ELES PUSERAM QUANDO ELES PUSEREM
TER VIR
Pretérito Perfeito do Indicativo Pretérito Imperfeito do Pretérito Perfeito do Indicativo Pretérito Imperfeito do
Subjuntivo Subjuntivo
NÓS TIVEMOS QUANDO NÓS TIVÉSSEMOS NÓS VIEMOS QUANDO NÓS VIÉSSEMOS
VÓS TIVESTES QUANDO VÓS TIVÉSSEIS VÓS VIESTES QUANDO VÓS VIÉSSEIS
ELES TIVERAM QUANDO ELES TIVESSEM ELES VIERAM QUANDO ELES VIESSEM
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VER PÔR
Pretérito Perfeito do Indicativo Pretérito Imperfeito do Pretérito Perfeito do Indicativo Pretérito Imperfeito do
Subjuntivo Subjuntivo
NÓS VIMOS QUANDO NÓS VÍSSEMOS NÓS PUSEMOS QUANDO NÓS PUSÉSSEMOS
VÓS VISTES QUANDO VÓS VISSEIS VÓS PUSESTES QUANDO VÓS PUSÉSSEIS
ELES VIRAM QUANDO ELES VISSEM ELES PUSERAM QUANDO ELES PUSESSEM
IMPORTANTE!
As formas verbais de vir, ver e pôr e derivados no Pretérito Imperfeito e no Futuro do Subjuntivo costumam gerar
dúvidas.
Exemplos:
Quando você compor uma boa música, será recompensado pelo público. (ERRADO)
Quando você compuser uma boa música, será recompensado pelo público. (CERTO)
As flexões previstas pela gramática normativa são “Se eu VIR... Quando eu VIR... Se você VIR... Quando você
VIR... Se nós VIRMOS... Quando nós VIRMOS...”. Esse padrão será seguido por seus derivados. Observe:
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São derivados da forma impessoal do Infinitivo os seguintes tempos: Pretérito Imperfeito do Indicativo,
Futuro do Presente do Indicativo, Futuro do Pretérito do Indicativo, Infinitivo Pessoal. Vejamos a formação de cada
um desses tempos, atendo-se às terminações e desinências, ok?
O verbo VER obedece ao padrão acima, porém os verbos TER, VIR e PÔR seguem um padrão diferente. Veja:
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Observação
Uma conjugação interessante é a do verbo QUERER, no Futuro do Presente e no Futuro do Pretérito do
Indicativo. Veja:
Futuro do Presente do Indicativo: eu quererei; tu quererás; ele quererá; nós quereremos; vós querereis; eles
quererão.
Futuro do Pretérito do Indicativo: eu quereria; tu quererias; ele quereria; nós quereríamos; vós quereríeis; eles
quereriam.
Deve-se tomar o devido cuidado para não confundir algumas flexões de Pretérito Imperfeito do Indicativo
com o Futuro do Pretérito do Indicativo, nos verbos de 2ª e 3ª pessoa. As terminações são bem similares.
Veja:
Infinitivo Pessoal
A formação desse tempo já foi detalhada na seção Formas Nominais.
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Tempos Compostos
Infelizmente precisamos recorrer ao deboreba aqui. Precisamos simplesmente saber quais os tempos
compostos e como estes são formados. Lembremo-nos de que os tempos compostos são espécies de locuções
verbais, em que os auxiliares são os verbos TER e HAVER e os verbos principais estão no PARTICÍPIO. Vamos a
eles:
Moacir Gadotti. Escola cidadã – educação para e pela cidadania. Internet: <http://acervo.paulofreire.org> (com
adaptações).
A correção gramatical, a coerência e o sentido do texto seriam mantidos caso a forma verbal “tem ajudado”
fosse substituída por
a) vem ajudando.
b) ajudou.
c) ajudaria.
d) vinha ajudando.
e) pode ajudar.
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RESOLUÇÃO:
A forma “tem ajudado” corresponde ao Pretérito Perfeito do Indicativo na forma composta e expressa ação
que se iniciou no passado e perdura no presente.
Já a forma “ajudou” é flexão de Pretérito Perfeito do Indicativo na forma simples e expressa ação já concluída,
finalizada no passado.
Sendo assim, a substituição de “tem ajudado” por “ajudou” alteraria o sentido original.
Resposta: A
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Exemplos:
Teria estudado com mais dedicação se soubesse o quão importante era.
Teria me esforçado mais se tivesse a exata noção da recompensa.
Aqui se nota uma equivalência entre as formas simples e composta. É possível, portanto, substituir “Teria
estudado” e “Teria me esforçado” por “Estudaria” e “Esforçar-me-ia”, respectivamente, mantendo a correção e o
sentido original.
O Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo pode expressar um desejo de algo tenha ocorrido ou fazer
menção a um fato futuro já encerrado em relação a outro. Nas duas primeiras frases, por exemplo, temos a
manifestação de um desejo e, na última, temos a menção a um possível fato futuro encerrado – o jogo -, antes de
outro fato também futuro – a chegada ao estádio.
Exemplos:
Se tivessem respondido com clareza as indagações, não teria havido tantas polêmicas.
Aqui se nota uma equivalência entre as formas simples e composta. É possível, portanto, substituir “tivessem
prestado” e “tivessem respondido” por “prestassem” e “respondessem”, respectivamente, mantendo a correção
e o sentido original.
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Futuro Composto:
(Verbo Auxiliar TER/HAVER no Futuro do Subjuntivo + Verbo Principal no Particípio)
Exemplos:
Quando vocês tiverem encerrado os estudos, organizem a sala, por favor!
Modo Indicativo
Presente:
Na sua acepção literal (sentido tomado ao pé da letra), o Presente do Indicativo faz menção a uma ação que
ocorre no momento da fala.
Exemplo:
Escuto um rock pesado enquanto escrevo esta aula.
(E é verdade mesmo! Rs. Quando o assunto é desafiador, como é o caso de verbos, nada como um bom rock para
estimular a mente! Queridos, trata-se de ações que ocorrem no momento da fala, daí o emprego das formas
verbais no Presente do Indicativo.).
No entanto, pode-se empregar esse tempo verbal com outros sentidos, além do literal. Vejamos a seguir
algumas dessas possibilidades.
Exemplos:
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Exemplos:
Aos 45 minutos do 2º tempo, o time adversário empata o jogo para desespero da torcida.
Usa-se o Presente do Indicativo para fazer menção a definições, conceitos e fatos atemporais:
Exemplos:
Usa-se o Presente do Indicativo para enfatizar certeza ou conferir assertividade em ações futuras:
Exemplos:
Amanhã eu te ligo!
Semana que vem, eu publico as demais aulas.
Pretérito Perfeito:
Na sua acepção literal (sentido tomado ao pé da letra), o Pretérito Perfeito do Indicativo faz menção a uma
ação já concluída, finalizada, consumada no passado, tomando-se como referência o momento da fala.
Exemplo:
A sua forma composta, como já detalhamos, faz menção a fatos que se iniciaram no passado e perduram no
presente.
Ele tem feito um excelente trabalho na Instituição.
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Pretérito Imperfeito:
Na sua acepção literal (sentido tomado ao pé da letra), o Pretérito Imperfeito do Indicativo faz menção a uma
ação do passado durativa, repetitiva, cujo final não é possível apontar com exatidão.
Não é não! Vamos ver a seguir um comparativo para você entender o emprego desse tempo.
Exemplos:
Joguei bola ontem com meus amigos.
Note que as formas “joguei” e “visitei” estão flexionadas no Pretérito Perfeito. Fazem menção a ações do
passado já concluídas, finalizadas, consumadas.
Já as formas “jogava” e “visitava” estão flexionadas no Pretérito Imperfeito. Fazem menção a ações do
passado que se repetiram, que tiveram uma duração. A ação “jogar bola” se repetia às quartas-feiras; e a ação
“visitar os pais” se repetia todo fim de semana. Essas ações, portanto, eram habituais no passado e deixaram
de ser. Quando exatamente deixaram de se repetir? Não sabemos com exatidão. Daí o motivo de chamá-las
de imperfeitas.
Moçada, fiquem ligados! Quando o enunciado falar em “ação habitual no passado”, “ação que teve
continuidade no passado”, “ação que teve duração no passado”, “ação do passado cujo final não é possível
apontar com exatidão”, vocês já podem associar essas descrições ao Pretérito Imperfeito do Indicativo.
Além disso, pode-se empregar esse tempo verbal com outros sentidos. Vejamos a seguir algumas dessas
possibilidades.
Usa-se o Pretérito Imperfeito do Indicativo para fazer menção a tempo imaginário, comumente empregado
em narrativas ficcionais.
Quem nunca, quando criança, escutou historinhas do tipo “Era uma vez um monstro chamado Português, que
devorava os concurseiros aflitos...”. O emprego do Pretérito Imperfeito se justifica por se tratar de algo imaginário,
ficcional.
Usa-se o Pretérito Imperfeito do Indicativo para expressar polidez (gentileza, educação).
Exemplos:
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Pretérito Mais-que-Perfeito:
Na sua acepção literal (sentido tomado ao pé da letra), o Pretérito Mais-que-Perfeito indica um fato já
concluído e anterior a outro também concluído em relação ao momento da fala. Em outras palavras, pode-se
dizer que se trata de um passado de um passado.
Num primeiro momento, não parece ser algo de Deus, é verdade! Mas calma! Veja o exemplo seguir!
Exemplo:
Vamos organizar os acontecimentos numa linha do tempo, ok? O que ocorreu primeiro? O término do jantar
ou a chegada dele? Primeiro o jantar se encerrou, todos concordam? E, depois de algum tempo, com o jantar já
encerrado, ele chega.
Ora, vamos pensar um pouco agora! A forma “chegou” está no passado, certo? Se “chegou” é passado,
“terminara” é mais passado ainda, pois ocorreu antes, todos concordam? Ora, se “chegou” é perfeito, “terminara”
é, portanto, mais perfeito ainda. Eis o Pretérito Mais-que-Perfeito, uma ação anterior a outra ação já concluída.
Guarde essa descrição, pois ela chove em provas.
O Pretérito Mais-que-Perfeito costuma ocorrer com mais frequência em sua forma composta. Veja:
Exemplo:
A bola já tinha entrado quando o juiz apitou o final do jogo.
A forma verbal “tinha entrado” faz menção a uma ação anterior a outra já concluída – no caso, a ação
representada pela forma verbal “apitou”. Note que primeiro a bola entra no gol e só depois o juiz apita o final da
partida.
Gente, vamos fazer uma síntese dos pretéritos: o Perfeito faz menção a uma ação concluída, finalizada; o
Imperfeito, a uma ação habitual no passado; e o Mais-que-Perfeito, a uma ação anterior a outra ação já
concluída.
Além desse sentido, é possível empregar o Pretérito Mais-que-Perfeito para indicar desejo, vontade, anseio.
Veja:
Exemplos:
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Futuro do Presente:
Na sua acepção literal (sentido tomado ao pé da letra), o Futuro do Presente indica um fato posterior ao
momento da fala. É, portanto, um futuro tomando-se como referência o agora, o presente.
Exemplos:
(Se Deus quiser! Note que a forma verbal “serei” faz menção a um fato posterior, tomando-se como
referência o momento da fala.)
No entanto, pode-se empregar esse tempo verbal com outros sentidos, além do literal. Vejamos a seguir
algumas dessas possibilidades.
Usa-se o Futuro do Presente, em muitas ocasiões, com valor imperativo, expressando ordens,
mandamentos:
Exemplos:
Exemplos:
Conseguiremos superar todas essas adversidades?
Daqui a alguns meses, serei um funcionário público, professor! Antes disso, terei gabaritado a prova de
Português e obtido minha tão suada aprovação.
(A forma verbal “terei gabaritado” e “serei” correspondem a eventos futuros, sendo que o primeiro
antecede o segundo.)
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Futuro do Pretérito:
Na sua acepção literal (sentido tomado ao pé da letra), o Futuro do Pretérito indica um fato posterior ao a
um acontecimento passado. É, portanto, um futuro tomando-se como referência o passado.
Que negócio complicado é esse, professor?
Outro exemplo?
Em 2002 Felipão, à frente da seleção brasileira como técnico, trouxe o pentacampeonato mundial. Anos mais
tarde, em 2014, passaria uma vergonha homérica no Mineirão, levando um sonoro 7 a 1 da Alemanha.
Desculpe-me lembrá-lo dessa tragédia, ok? Observe que a forma verbal “passaria” faz menção a uma ação
posterior – 2014 – a outra já concluída – 2002. Trata-se de um Futuro do Pretérito.
No entanto, pode-se empregar esse tempo verbal com outros sentidos, além do literal. Vejamos a seguir
algumas dessas possibilidades.
Usa-se o Futuro do Pretérito em muitas perguntas, expressando incerteza em relação a eventos passados.
Exemplo:
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Modo Subjuntivo
Presente:
Deus me proteja!
Atenção!
Construções do tipo “Você quer que eu faço isso? ” são consideradas graves equívocos gramaticais e mostram
desconhecimento por parte do falante de regras básicas que regem a norma culta.
Note que a forma verbal se insere numa frase que expressa desejo, possibilidade. Dessa forma, deve-se empregar
a flexão de Presente do Subjuntivo: “Você quer que eu faça isso? ”.
A sua forma composta, como já detalhamos, faz menção a desejos de que algo já tenha ocorrido ou a eventos
futuros já encerrados em relação a outros eventos.
(Trata-se de um evento futuro possivelmente já encerrado - tenha encerrado - antes de outro evento -
chegarmos.)
Pretérito Imperfeito:
O Pretérito Imperfeito do Subjuntivo faz menção a uma condição não realizável no passado.
Exemplo:
Se ele estivesse aqui mais cedo, veria a catástrofe que foi o evento.
Caso ele tivesse manifestado vontade por escrito, teríamos reservado a sala.
Futuro:
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Exemplo:
Se o Prefeito estiver aqui amanhã, mostrarei a ele os estragos causados pela chuva.
Modo Imperativo
Como já detalhado, o Imperativo expressa uma ordem, um pedido ou um conselho.
No entanto, em algumas construções, o emprego do Imperativo pode ser associado à ideia de condição.
Como assim, professor? Veja:
E aí? O que achou? Professor, está esquisita essa frase. Eu não saberia explicar o problema, mas que está
esquisita, está sim! Tente explicar do seu jeito, ora! Ah, professor, na minha cabeça, não estão combinando as formas
“Quero” e “passassem”. Como eu havia dito, está estranho! O que você falou está correto, meu amigo! Quando você
diz que as forma verbais não combinam, em outras palavras está dizendo que não há entre elas uma correlação.
Ocorre, assim, uma ruptura lógica na frase! Tá bom, professor! Mas como corrigi-la? Tente, eu tenho certeza de que
você conseguirá!
Deixe-me ajudá-lo! Se mantivermos a forma “Quero”, será preciso alterar a forma “passassem” para...
“passem”, professor? Exato! E se mantivermos a forma “passassem”, será preciso alterar a forma “Quero” para...
“Queria”, professor? Exato!
Guiando-se apenas pelo bom senso, você conseguiu estabelecer as corretas correlações.
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Não é preciso decorar todas as correlações entre tempos verbais, pois muitas delas ocorrerão naturalmente.
Há duas correlações, no entanto, que temos que ter atenção! Elas não são tão imediatamente reconhecidas, daí a
atenção que devemos ter. A primeira delas corresponde ao par “Futuro do Subjuntivo – Futuro do Presente do
Indicativo”. Já a segunda, ao par “Pretérito Imperfeito do Subjuntivo – Futuro do Pretérito do Indicativo”.
Principais Correlações
Exemplos:
Se você vier, faremos uma festa.
Exemplos:
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Outras Correlações
Há uma série de outras correlações. Você não precisa decorá-las, pois elas ocorrerão naturalmente. E
qualquer desvio resultará numa ruptura lógica na frase bem perceptível. É muito importante ler os exemplos de
redações e perceber a combinação entre os pares de tempos verbais. Vejamos:
Exemplos:
Atenção: Construções do tipo “Você quer que eu faço isso?” são consideradas graves equívocos gramaticais e
mostram desconhecimento por parte do falante de regras básicas que regem a norma culta.
Exemplos:
Exemplos:
Exemplos:
Informaram que o técnico não daria entrevistas.
Observação:
Na linguagem coloquial, costuma-se usar o pretérito imperfeito do indicativo no lugar do futuro do pretérito.
Exemplo:
Você prometeu que vinha. (ERRADO)
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Verbos Notáveis
Alguns verbos merecem especial atenção. É o caso dos verbos TER, VER, VIR, PÔR e derivados, amplamente
cobrados em provas, cujas conjugações foram exaustivamente detalhadas anteriormente. Outros verbos também
ganham destaque.
É muito importante que você tenha a conjugação do SER e IR na ponta língua, por serem auxiliares de
frequente uso e pelo fato de serem anômalos. Além disso, ganham destaque os falsos cognatos QUERER e
REQUERER; VER e REAVER; VER e PROVER. Por fim, devemos tomar cuidado com verbos terminados em UAR,
EAR e IAR .
Vamos lá!
Verbos SER e IR
SER
INDICATIVO
ELE É ELE FOI ELE ERA ELE FORA ELE SERÁ ELE SERIA
NÓS SOMOS NÓS FOMOS NÓS ÉRAMOS NÓS FÔRAMOS NÓS SEREMOS NÓS SERÍAMOS
VÓS SOIS VÓS FOSTES VÓS ÉREIS VÓS FÔREIS VÓS SEREIS VÓS SERÍEIS
ELES SÃO ELES FORAM ELES ERAM ELES FORAM ELES SERÃO ELES SERIAM
SUBJUNTIVO IMPERATIVO
TALVEZ ELE SEJA SE ELE FOSSE SE ELE FOR SEJA (VOCÊ) NÃO SEJA (VOCÊ)
TALVEZ NÓS CASO NÓS QUANDO NÓS SEJAMOS (NÓS) NÃO SEJAMOS
SEJAMOS FÔSSEMOS FORMOS (NÓS)
CASO VÓS SEJAIS CASO VÓS FÔSSEIS QUANDO VÓS SEDE (VÓS) NÃO SEJAIS (VÓS)
FORDES
CASO ELES SEJAM CASO ELES FOSSEM QUANDO ELES SEJAM (VOCÊS) NÃO SEJAM (VOCÊS)
FOREM
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IR
INDICATIVO
ELE VAI ELE FOI ELE IA ELE FORA ELE IRÁ ELE IRIA
NÓS VAMOS NÓS FOMOS NÓS ÍAMOS NÓS FÔRAMOS NÓS IREMOS NÓS IRÍAMOS
VÓS IDES VÓS FOSTES VÓS ÍEIS VÓS FÔREIS VÓS IREIS VÓS IRÍEIS
ELES VÃO ELES FORAM ELES IAM ELES FORAM ELES IRÃO ELES IRIAM
SUBJUNTIVO IMPERATIVO
TALVEZ NÓS VAMOS CASO NÓS QUANDO NÓS VAMOS (NÓS) NÃO VAMOS (NÓS)
FÔSSEMOS FORMOS
CASO VÓS VADES CASO VÓS FÔSSEIS QUANDO VÓS IDE (VÓS) NÃO VADES (VÓS)
FORDES
CASO ELES VÃO CASO ELES FOSSEM QUANDO ELES VÃO (VOCÊS) NÃO VÃO (VOCÊS)
FOREM
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QUERER
INDICATIVO
ELE QUER ELE QUIS ELE QUERIA ELE QUISERA ELE QUERERÁ ELE QUERERIA
NÓS QUEREMOS NÓS QUISEMOS NÓS QUERÍAMOS NÓS QUISÉRAMOS NÓS QUEREREMOS NÓS QUERERÍAMOS
VÓS QUEREIS VÓS QUISESTES VÓS QUERÍEIS VÓS QUISÉREIS VÓS QUEREREIS VÓS QUERERÍEIS
ELES QUEREM ELES QUISERAM ELES QUERIAM ELES QUISERAM ELES QUERERÃO ELES QUERERIAM
SUBJUNTIVO IMPERATIVO
TALVEZ ELE QUEIRA SE ELE QUISESSE SE ELE QUISER QUEIRA (VOCÊ) NÃO QUEIRA VOCÊ)
TALVEZ NÓS CASO NÓS QUANDO NÓS QUEIRAMOS (NÓS) NÃO QUEIRAMOS
QUEIRAMOS QUISÉSSEMOS QUISERMOS (NÓS)
CASO VÓS QUEIRAIS CASO VÓS QUANDO VÓS QUEREI (VÓS) NÃO QUEIRAIS
QUISÉSSEIS QUISERDES (VÓS)
CASO ELES QUEIRAM CASO ELES QUANDO ELES QUEIRAM (VOCÊS) NÃO QUEIRAM
QUISESSEM QUISEREM (VOCÊS)
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REQUERER
INDICATIVO
ELE REQUER ELE REQUEREU ELE REQUERIA ELE REQUERERA ELE REQUERERÁ ELE REQUERERIA
NÓS REQUEREMOS NÓS REQUEREMOS NÓS REQUERÍAMOS NÓS REQUERÊRAMOS NÓS REQUEREREMOS NÓS
REQUERERÍAMOS
VÓS REQUEREIS VÓS VÓS REQUERÍEIS VÓS REQUERÊREIS VÓS REQUEREREIS VÓS REQUERERÍEIS
RESQUERESTES
ELES REQUEREM ELES REQUERERAM ELES REQUERIAM ELES REQUERERAM ELES REQUERERÃO ELES REQUERERIAM
SUBJUNTIVO IMPERATIVO
TALVEZ NÓS CASO NÓS QUANDO NÓS REQUEIRAMOS (NÓS) NÃO REQUEIRAMOS
REQUEIRAMOS REQUERÊSSEMOS REQUERERMOS (NÓS)
CASO VÓS CASO VÓS QUANDO VÓS REQUEREI (VÓS) NÃO REQUEIRAIS
REQUEIRAIS REQUERÊSSEIS REQUERERDES (VÓS)
CASO ELES CASO ELES QUANDO ELES REQUEIRAM (VOCÊS) NÃO REQUEIRAM
REQUEIRAM REQUERESSEM REQUEREREM (VOCÊS)
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Cuidado com os falsos cognatos VER e REAVER! As provas vão tentar empurrar para você o verbo REAVER
como derivado de VER. Cuidado! Eles não têm nada a ver um com outro! O verbo REAVER deriva de HAVER
Exemplos:
EU VI > EU REAVI (ERRADO)
HAVER
INDICATIVO
ELE HÁ ELE HOUVE ELE HAVIA ELE HOUVERA ELE HAVERÁ ELE HAVERIA
NÓS HAVEMOS NÓS HOUVEMOS NÓS HAVÍAMOS NÓS HOUVÉRAMOS NÓS HAVEREMOS NÓS HAVERÍAMOS
VÓS HAVEIS VÓS HOUVESTES VÓS HAVÍEIS VÓS HOUVÉREIS VÓS HAVEREIS VÓS HAVERÍEIS
ELES HÃO ELES HOUVERAM ELES HAVIAM ELES HOUVERAM ELES HAVERÃO ELES HAVERIAM
SUBJUNTIVO IMPERATIVO
TALVEZ ELE HAJA SE ELE HOUVESSE SE ELE HOUVER HAJA (VOCÊ) NÃO HAJA VOCÊ)
TALVEZ NÓS CASO NÓS QUANDO NÓS HAJAMOS (NÓS) NÃO HAJAMOS
HAJAMOS HOUVÉSSEMOS HOUVERMOS (NÓS)
CASO VÓS HAJAIS CASO VÓS QUANDO VÓS HAVEI (VÓS) NÃO HAJAIS (VÓS)
HOUVÉSSEIS HOUVERDES
CASO ELES HAJAM CASO ELES QUANDO ELES HAJAM (VOCÊS) NÃO HAJAM
HOUVESSEM HOUVEREM (VOCÊS)
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REAVER
INDICATIVO
- ELE REOUVE ELE REAVIA ELE REOUVERA ELE REAVERÁ ELE REAVERIA
NÓS REAVEMOS NÓS REOUVEMOS NÓS REAVÍAMOS NÓS NÓS REAVEREMOS NÓS REAVERÍAMOS
REOUVÉRAMOS
VÓS REAVEIS VÓS REOUVESTES VÓS REAVÍEIS VÓS REOUVÉREIS VÓS REAVEREIS VÓS REAVERÍEIS
- ELES REOUVERAM ELES REAVIAM ELES REOUVERAM ELES REAVERÃO ELES REAVERIAM
SUBJUNTIVO IMPERATIVO
- SE EU REOUVESSE SE EU REOUVER - -
- SE TU REOUVESSES SE TU REOUVERES - -
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Cuidado com os falsos cognatos VER e PROVER! As provas vão tentar empurrar para você o verbo PROVER
como derivado de VER. Cuidado! Eles não têm nada a ver um com outro, embora em algumas conjugações sejam
similares.
PROVER
INDICATIVO
ELE PROVÊ ELE PROVEU ELE PROVIA ELE PROVERA ELE PROVERÁ ELE PROVERIA
NÓS PROVEMOS NÓS PROVEMOS NÓS PROVÍAMOS NÓS PROVÊRAMOS NÓS PROVEREMOS NÓS PROVERÍAMOS
VÓS PROVEDES VÓS PROVESTES VÓS PROVÍEIS VÓS PROVÊREIS VÓS PROVEREIS VÓS PROVERÍEIS
ELES PROVEEM ELES PROVERAM ELES PROVIAM ELES PROVERAM ELES PROVERÃO ELES PROVERIAM
SUBJUNTIVO IMPERATIVO
TALVEZ ELE PROVEJA SE ELE PROVESSE SE ELE PROVER PROVEJA (VOCÊ) NÃO PROVEJA
(VOCÊ)
TALVEZ NÓS CASO NÓS QUANDO NÓS PROVEJAMOS (NÓS) NÃO PROVEJAMOS
PROVEJAMOS PROVÊSSEMOS PROVERMOS (NÓS)
CASO VÓS PROVEJAIS CASO VÓS QUANDO VÓS PROVEDE (VÓS) NÃO PROVEJAIS
PROVÊSSEIS PROVERDES (VÓS)
CASO ELES CASO ELES QUANDO ELES PROVEJAM (VOCÊS) NÃO PROVEJAM
PROVEJAM PROVESSEM PROVEREM (VOCÊS)
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FREAR
INDICATIVO
ELE FREIA ELE FREOU ELE FREAVA ELE FREARA ELE FREARÁ ELE FREARIA
NÓS FREAMOS NÓS FREAMOS NÓS FREÁVAMOS NÓS FREÁRAMOS NÓS FREAREMOS NÓS FREARÍAMOS
VÓS FREAIS VÓS FREASTES VÓS FREÁVEIS VÓS FREÁREIS VÓS FREAREIS VÓS FREARÍEIS
ELES FREIAM ELES FREARAM ELES FREAVAM ELES FREARAM ELES FREARÃO ELES FREARIAM
SUBJUNTIVO IMPERATIVO
TALVEZ ELE FREIE SE ELE FREASSE SE ELE FREAR FREIE (VOCÊ) NÃO FREIE (VOCÊ)
TALVEZ NÓS CASO NÓS QUANDO NÓS FREEMOS (NÓS) NÃO FREEMOS
FREEMOS FREÁSSEMOS FREARMOS (NÓS)
CASO VÓS FREEIS CASO VÓS QUANDO VÓS FREAI (VÓS) NÃO FREEIS (VÓS)
FREÁSSEIS FREARDES
CASO ELES FREIEM CASO ELES QUANDO ELES FREIEM (VOCÊS) NÃO FREIEM
FREASSEM FREAREM (VOCÊS)
A vontade que temos é de falar “EU MEDIO”, “EU REMEDIO”, “EU INTERMEDIO”, “ELE MEDIA”, “ELE
REMEDIA”, “ELE INTERMEDIA”, certo? Galera, essas flexões estão ERRADAS!
Maluco, né?
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INTERMEDIAR
INDICATIVO
ELE INTERMEDEIA ELE INTERMEDIOU ELE INTERMEDIAVA ELE INTERMEDIARA ELE INTERMEDIARÁ ELE INTERMEDIARIA
SUBJUNTIVO IMPERATIVO
QUE EU SE EU SE EU INTERMEDIAR - -
INTERMEDEIE INTERMEDIASSE
CASO VÓS CASO VÓS QUANDO VÓS INTERMEDIAI (VÓS) NÃO INTERMEDIEIS
INTERMEDIEIS INTERMEDIÁSSEIS INTERMEDIARDES (VÓS)
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AVERIGUAR
INDICATIVO
ELE AVERIGUA OU ELE AVERIGUOU ELE AVERIGUAVA ELE AVERIGUARA ELE AVERIGUARÁ ELE AVERIGUARIA
AVERÍGUA
VÓS AVERIGUAIS VÓS AVERIGUASTES VÓS AVERIGUÁVEIS VÓSAVERIGUÁREIS VÓS AVERIGUAREIS VÓS AVERIGUARÍEIS
SUBJUNTIVO IMPERATIVO
CASO VÓS CASO VÓS QUANDO VÓS AVERIGUAI (VÓS) NÃO AVERIGUEIS
AVERIGUEIS AVERIGUÁSSEIS AVERIGUARDES (VÓS)
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Vozes Verbais:
A flexão de voz faz referência à relação que o verbo assume com o sujeito. Trata-se de uma flexão bem
tranquila de se trabalhar, pois as questões são bem previsíveis.
Para entendermos bem essa flexão, precisamos de antemão de dois conceitos bem simples: agente e
paciente. O primeiro é aquele que executa uma ação, ao passo que o segundo sofre uma ação. O agente,
portanto, pratica uma ação e paciente é alvo desta.
Há, portanto, três tipos de vozes: a VOZ ATIVA (sujeito = agente); a VOZ PASSIVA (sujeito = paciente); e
a VOZ REFLEXIVA (sujeito = agente + paciente)
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Bem, professor! Há um “se” presente! No exemplo de voz reflexiva que o senhor apresentou, apareceu um “se”
chamado de pronome reflexivo. Ora, aqui também há um “se”. A voz, portanto, é ...
Antes que você diga reflexiva, já te digo que não é!
Vamos pensar um pouco! Ora, se a voz fosse reflexiva, o sujeito – no caso, o termo “A porta” – deveria ser
agente e paciente ao mesmo tempo da ação verbal “abrir”. Mas, meu caro aluno, é a porta o agente da ação abrir?
É a porta, esse ser inanimado, que executa a ação abrir? Claro que não! Moçada, quem abriu a porta foi uma pessoa,
ou a força de uma ventania, ou - não descartemos essa hipótese - uma alma penada! Em suma, não foi a porta que
executou a ação “abrir”, e sim algo natural ou sobrenatural. A “porta” é sim o alvo da ação, ou seja, o paciente da
ação verbal. Trata-se, dessa forma, de um tipo de VOZ PASSIVA.
Tá certo, professor! E como se chama esse SE? Ele é o famosíssimo pronome apassivador, também conhecido
pelo nome de partícula apassivadora.
Vamos detalhar mais!
A voz passiva se apresenta em dois formatos: a VOZ PASSIVA ANALÍTICA e a VOZ PASSIVA SINTÉTICA
OU PRONOMINAL.
A VOZ PASSIVA ANALÍTICA se caracteriza pela presença de locução verbal formada pelo AUXILIAR SER
na companhia de VERBO PRINCIPAL NO PARTICÍPIO.
Exemplos:
Observação:
A VOZ PASSIVA ANALÍTICA é construída tipicamente com verbo auxiliar SER. No entanto, admite outros
verbos auxiliares, como ESTAR e FICAR.
Exemplos:
Nada impede que outros auxiliares acompanhem o auxiliar SER. O fator que identifica a voz passiva como
analítica é a presença do auxiliar SER acompanhado do principal no PARTICÍPIO.
Exemplos:
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Exemplos:
Consertam-se bicicletas.
Logo a seguir, analisaremos com mais detalhes o SE apassivador! Trata-se de uma função importantíssima,
de alto impacto sintático. Reservaremos um tópico específico para esse moço, ok?
A VOZ REFLEXIVA, como vimos, indica que o sujeito pratica e sofre a ação verbal, ou seja, 0 sujeitos é, ao
mesmo tempo, agente e paciente. Seu verbo está acompanhado pelos pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos,
que podem indicar reflexividade (a mim mesmo/mesma, a ti mesmo/mesma, a si mesmo/mesma, etc.) ou
reciprocidade (um ao outro, um para o outro, um com outro). Algumas gramáticas classificam a voz reflexiva
acompanhada de pronome reflexivo de VOZ REFLEXIVA PROPRIAMENTE DITA; já a voz passiva acompanhada
de pronome recíproco é chamada de VOZ REFLEXIVA RECÍPROCA.
Exemplos:
Ele se escondeu sob a escada.
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Note que as duas frases expressam a mesma ideia, mas suas formas verbais se flexionam em distintas vozes.
A primeira está construída em voz ativa, ao passo que a segunda é a conversão desta na voz passiva.
Se substituirmos a forma “resolveu” por “resolverá”, a frase resultante na voz passiva seria: “A questão será
resolvida pelo aluno durante a aula.”; se substituirmos a forma “resolveu” por “resolveria”, a frase resultante na
voz passiva seria: “A questão seria resolvida pelo aluno durante a aula.”; se substituirmos a forma “resolveu” por
“resolvia”, a frase resultante na voz passiva seria: “A questão era resolvida pelo aluno durante a aula.”;....
Acho que você entendeu, certo?
O fato relevantíssimo é que “o verbo “ser”, na voz passiva analítica, será flexionado no mesmo tempo do
verbo principal na voz ativa”.
Professor, e quanto ao verbo principal? Como disse, ele será flexionado na forma nominal particípio e deverá
concordar em gênero e número com o sujeito paciente.
Dessa forma, na segunda frase, somamos ao sujeito paciente “Uma questão” o auxiliar “ser”, no pretérito
perfeito “foi” – flexionado nesse tempo, pois o verbo principal na voz ativa “resolveu” assim está flexionado na voz
ativa – acompanhado do verbo principal no particípio “resolvida” – flexionado no feminino singular, para concordar
com o sujeito paciente “A questão”.
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Na sequência, soma-se o agente da passiva, nome dado à função sintática resultado da fusão da preposição
“por” com o agente da ação verbal. A junção da preposição “por” com o agente “o aluno” resulta no agente da
passiva “pelo aluno”.
Observação:
Por fim, resta o elemento “durante a aula”. Note que ele não teve papel significativo na conversão da voz
ativa em passiva. Podemos posicioná-lo em qualquer lugar da frase. Posicionando-o ao final da frase, o resultado
será:
Podemos resumir, dessa forma, o processo de conversão de voz ativa em passiva analítica da seguinte forma:
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Não importa a complexidade frase que se queira converter da ativa para a passiva, pois sempre precisaremos
dos mesmos elementos para fazer a conversão: o sujeito agente, o verbo principal (sozinho ou na companhia
de auxiliares) e o objeto direto paciente. Os elementos presentes na voz ativa além desses citados serão somados
à frase resultante após a conversão.
Vamos a um exemplo? Converta para a voz passiva analítica a frase a seguir:
O Governador, em caráter emergencial, deverá contratar, ainda neste ano, devido à alta demanda por
atendimento nos diversos órgãos da Administração Pública, 10.000 novos servidores.
Assustou-se com o tamanho? Por quê? Não há razão para pânico. Para converter da voz ativa em passiva
analítica, necessitamos dos seguintes elementos: sujeito agente – O Governador; o verbo principal (sozinho ou
na companhia de auxiliares) – deverá contratar; o objeto direto paciente: 10.000 novos servidores.
Os demais elementos – “em caráter emergencial”, “ainda neste ano” e “devido à alta demanda por
atendimento nos diversos órgãos da Administração Pública” – serão somados à frase após concluída a conversão
para a voz passiva analítica. Vamos ao passo a passo:
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A estrutura convertida para a voz passiva será “10.000 novos servidores deverão ser contratados pelo
Governador.”.
Somando os elementos que ficaram “de fora”, o resultado final será: “Ainda neste ano, 10.000 novos
servidores deverão ser contratados pelo Governador, em caráter emergencial, devido à alta demanda por
atendimento nos diversos órgão da Administração Pública.”.
Pronto! Você agora sabe converter da voz ativa para a passiva não só frases bobas, mas também frases
complexas. O contrário você também sabe fazer – é só fazer o inverso do caminho.
Faz o seguinte! Já que você domina o procedimento de conversão, converta as seguintes frases para a voz
passiva analítica, por favor!
Preciso de ajuda!
Estou feliz!
E aí, como que converte?
Galera, não converte! Não é possível a conversão para a voz passiva nesses casos! Por quê, professor? Não
entendi!
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IMPORTANTE!
Só é possível voz passiva com verbos que possuam objeto direto, ou seja, os verbos precisam ser VTD
(transitivos diretos) ou VTDI (verbos transitivos diretos e indiretos). Você não precisa nem ficar muito
preocupado em classificar os verbos agora não, ok? Basta que checar se o verbo pede objeto direto. Se sim,
haverá voz passiva; se não, ela não será possível!
Voltemos às frases “Preciso de ajuda” e “Estou feliz”. Os verbos nela presentes NÃO pedem OBJETO
DIRETO – o primeiro é VTI (Transitivo Indireto); o segundo, VL (de Ligação). Portanto, não admitem transposição
para a voz passiva!
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A resposta está dentro do retângulo anterior. Vimos que só é possível voz passiva com verbos que pedem
objeto direto, lembra? É justamente esse objeto direto que se converte em sujeito paciente na transposição
para voz passiva. Ora, o SE, sendo apassivador, precisa se unir a um verbo VTD ou VTDI, ou seja, um verbo
que peça OD.
DIGA-ME COM QUEM O “SE” ANDA, QUE LHE DIREI QUEM O “SE” É.
Moçada, isso é muito sério. Se o “se” estiver grudado com um verbo que solicite OD, ele assumirá o papel de
PARTÍCULA APASSIVADORA ou PRONOME APASSIVADOR.
Em construções do tipo “Alugam-se casas.”, “Vendem-se apartamentos.”, “Contrata-se professor”, o
pronome SE está ladeado de verbos que pedem objeto direto (Quem aluga aluga ALGO; Quem vende vende
ALGO; quem contrata contrata ALGUÉM). Logo, o SE assume o papel de PARTÍCULA APASSIVADORA e as
frases se apresentam na VOZ PASSIVA SINTÉTICA OU PRONOMINAL.
Veremos, nas próximas aulas, mais funções do SE, entre elas a importantíssima função denominada ÍNDICE
DE INDETERMINAÇÃO DO SUJEITO. No caso desta, o SE estará ladeado de verbos que NÃO pedem OD (VI,
VTI ou VL). Em breve veremos!
Uma vez identificado que o SE é apassivador, vamos em busca do OBJETO DIRETO, esteja ele onde estiver
na frase. Esse objeto direto será convertido pelo SE apassivador em SUJEITO PACIENTE.
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Vamos agora complicar um pouco mais, distanciando sujeito paciente e verbo na frase. Observe:
Descobriu-se, após minuciosa investigação conduzida pela Polícia Federal, em parceria com autoridades
do Ministério Público da Suíça, a fraude contábil na renomada estatal.
Precisamos ficar muito atentos com a concordância entre verbo e sujeito paciente, gente!
Na primeira frase, vimos que “professor de Português” atua como sujeito, certo? Se no lugar pusermos
“professores de Português”, deveremos flexionar a forma verbal acompanhada do SE no plural – “Contratam-se”.
A frase resultante seria:
Contratam-se professores de Português.
Já na segunda frase, mais complicada, vimos que “a fraude contábil... ” atua como sujeito, certo? Se no lugar
pusermos “as fraudes contábeis”, deveremos flexionar a forma verbal acompanhada do SE no plural –
“Descobriram-se”. A frase resultante seria:
Descobriram-se, após minuciosa investigação conduzida pela Polícia Federal, em parceria com
autoridades do Ministério Público da Suíça, as fraudes contábeis na renomada estatal.
Professor, finalmente, como converter da voz passiva sintética para a passiva analítica?
O passo a passo é o seguinte:
1. Surge o auxiliar SER flexionado na mesma pessoa, número, tempo e modo do verbo principal na
passiva sintética.
2. Na sequência, soma-se o verbo principal no particípio, tomando-se o devido cuidado para que este
concorde em gênero e número com o sujeito paciente.
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Descobriu-se, após minuciosa investigação conduzida pela Polícia Federal, em parceria com autoridades
do Ministério Público da Suíça, a fraude contábil na renomada estatal.
= Foi descoberta, após minuciosa investigação conduzida pela Polícia Federal, em parceria com
autoridades do Ministério Público da Suíça, a fraude contábil na renomada estatal.
Descobriram-se, após minuciosa investigação conduzida pela Polícia Federal, em parceria com
autoridades do Ministério Público da Suíça, as fraudes contábeis na renomada estatal.
= Foram descobertas, após minuciosa investigação conduzida pela Polícia Federal, em parceria com
autoridades do Ministério Público da Suíça, as fraudes contábeis na renomada estatal.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
O SE presente na locução “pode-se considerar” é PARTÍCULA APASSIVADORA. É possível constatar isso, pois o
verbo “considerar” pede objeto direto. Sabemos que o SE apassivador estará acompanhado de verbos VTD ou
VTDI.
O SE apassivador transformará o OD em SUJEITO PACIENTE. É o que ocorre com o termo “a própria colonização
do país”, convertido em sujeito pelo SE apassivador.
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A reescrita pede que essa construção seja convertida para a VOZ PASSIVA ANALÍTICA, caracterizada pela
presença do auxiliar SER acompanhado do verbo principal no PARTICÍPIO.
Logo “pode-se considerar marco... a própria colonização do país” equivale a “a própria colonização do país pode
ser considerada marco ...”.
Acrescentando os demais elementos e fazendo os devidos ajustes, é possível chegar à reescrita proposta:
A própria colonização do país [do Brasil], ainda no século XVI, pode ser considerada marco da história da
assistência jurídica, ou justiça gratuita no Brasil [no país].
Resposta: CERTO
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Não consigo pensar em um cargo público mais empolgante que o desse homem. Claro que o cargo, se existia, já
foi extinto, e o homem da luz já deve ter se transferido para o mundo das trevas eternas.
A correção gramatical e os sentidos do texto seriam mantidos caso a forma verbal “existia” fosse substituída por
“existisse”.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Até é possível fazer a substituição pela forma “existisse”, no entanto, para que isso preserve a correção
gramatical, é necessário alterar as formas verbais seguintes para “teria sido extinto” e “deveria ter se transferido”.
Só assim teríamos uma adequada correlação de tempos verbais.
Resposta: ERRADO
Liszt, no entanto, registraria que um erro tipográfico invertera, no programa do concerto, os nomes de Pixis e
Beethoven...
Os sentidos originais e a correção gramatical do texto 1A11-I seriam preservados se a forma verbal “invertera”
(R.20) fosse substituída por
a) inverteria.
b) teria invertido.
c) invertesse.
d) havia invertido.
e) houve de inverter
RESOLUÇÃO:
A forma “invertera” corresponde ao pretérito mais-que-perfeito do indicativo, cuja forma composta é “tinha
(havia) invertido”.
Resposta: D
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A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a todos. Muitas pessoas são
suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que deve ser combatida por meio de uma vacina: a
educação. Uma educação de qualidade para todos os brasileiros deverá exercitar o pensamento e a crítica
argumentada e, principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a solidariedade e a ética. Devemos preparar
uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do passado.
Nesse futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma verdadeira justiça social.
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item a seguir.
A substituição de “teremos conquistado” por conquistaremos manteria os sentidos originais do texto.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Observemos o trecho original: “Nesse futuro não tão remoto, TEREMOS CONQUISTADO a utopia...”.
A forma verbal destacada dá a entender que a conquista da utopia da justiça social se concretizou no futuro
ANTES de outras ações também no futuro.
A substituição pela forma CONQUISTAREMOS resulta em: “Nesse futuro não tão remoto,
CONQUISTAREMOS a utopia...”.
A forma verbal em destaque faz menção a uma ação futura, mas sem a ideia da redação original de ação
futura anterior a outras ações.
Dessa forma, o sentido original sofre mudança com a reescrita proposta!
Resposta: ERRADO
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4. CESPE - PM MA/2018
Texto CG2A1BBB
A forma verbal empregada no trecho “ENTRE NESTA LUTA!” sinaliza a intenção do autor do texto de levar os
leitores a executarem determinada ação ou a desenvolverem determinado comportamento.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Na frase “ENTRE NESTA LUTA”, o cartaz faz uso do imperativo afirmativo de terceira pessoa. A função é
injuntiva, argumentativa. O texto publicitário tem por objetivo, portanto, convencer o interlocutor a aderir à
campanha, o que comprova a intenção persuasiva da propagada.
Resposta: CERTO
Texto 1A9AAA
Estas memórias ficariam injustificavelmente incompletas se nelas eu não narrasse, ainda que de modo breve, as
andanças em que me tenho largado pelo mundo na companhia de minha mulher e de meus fantasmas particulares.
Desde criança fui possuído pelo demônio das viagens. Essa encantada curiosidade de conhecer alheias terras e
povos visitou-me repetidamente a mocidade e a idade madura. Mesmo agora, quando já diviso a brumosa porta
da casa dos setenta, um convite à viagem tem ainda o poder de incendiar-me a fantasia.
Na minha opinião, existem duas categorias principais de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para
buscar. Considero-me membro deste último grupo, embora em 1943, nauseado pelo ranço fascista de nosso
Estado Novo, eu haja fugido com toda a família do Brasil para os Estados Unidos, onde permanecemos dois anos.
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O que pretendo fazer agora é apresentar ao leitor, por assim dizer, alguns diapositivos e filmes verbais dos lugares
por onde passamos e das pessoas que encontramos, tudo assim à maneira impressionista, e sem rigorosa ordem
cronológica.
Usei como título deste capítulo, dedicado a minhas viagens, uma expressão popular que suponho de origem
gauchesca: mundo velho sem porteira. Tenho-a ouvido desde menino, da boca de velhos parentes e amigos, de
tropeiros, peões de estância, índios vagos, gente da rua... Minha própria mãe empregava-a com frequência e
costumava pontuá-la com um fundo suspiro de queixa. As pessoas em geral pareciam usar essa frase para
descrever um mundo que se lhes afigurava não só incomensurável como também misterioso, absurdo, sem pé
nem cabeça...
Parece a mim, entretanto, que na sua origem essa exclamação manifestava apenas a certeza popular de que Deus
fizera o mundo sem nenhuma porteira a fim de que nele não houvesse divisões e diferenças entre países e povos
— gente rica e gente pobre, fartos e famintos, uns com terra demais, outros sem terra nenhuma. Em suma, o que
o Velho queria mesmo era um mundo que fosse de todo mundo. É neste sentido que desejo seja interpretada a
frase que encabeça esta divisão do presente volume.
Quem me lê poderá objetar que basta a gente passar os olhos pelo jornal desta manhã para verificar que o mundo
nunca teve tantas e tão dramáticas porteiras como em nossos dias... Mas que importa? Um dia as porteiras hão de
cair, ou alguém as derrubará. “Para erguer outras ainda mais terríveis” — replicará o leitor cético. Ora, amigo,
precisamos ter na vida um mínimo de otimismo e esperança para poder ir até ao fim da picada. Você não concorda?
Ô mundo velho sem porteira!
Erico Veríssimo. Solo de clarineta: memórias. Porto Alegre: Globo, v. 2, 1976, p. 57-58 (com adaptações).
Assinale a opção que apresenta uma forma / locução verbal do texto 1A9AAA que denota uma ação / um fato que
ocorreu repetidamente no passado e que se prolonga até o momento da narração do texto.
a) “tenho largado”
b) “fui possuído”
c) “tem”
d) “haja fugido”
e) “narrasse”
RESOLUÇÃO:
ALTERNATIVA A: O pretérito perfeito composto do indicativo “tenho largado” denota um fato que teve início no
passado com prolongamento até o presente.
ALTERNATIVA B: A frase, na voz passiva, indica um fato passado, marcando apenas o tempo (infância) em que a
ação teve início na vida do personagem.
ALTERNATIVA D: Em “haja fugido”, temos o pretérito perfeito composto do subjuntivo. Nele há menção a um
fato já encerrado – a viagem aos EUA. O Pretérito Perfeito Composto do Subjuntivo pode expressar um desejo de
algo tenha ocorrido ou fazer menção a um fato futuro já encerrado em relação a outro.
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ALTERNATIVA E: A forma “narrasse” está no pretérito imperfeito do subjuntivo. Esse tempo verbal, geralmente,
expressa desejo, probabilidade ou possibilidade de uma ação ocorrer no passado.
Resposta: A
6. CESPE - AJ (STM)/2018
Texto CB1A1AAA
Não sou de choro fácil a não ser quando descubro qualquer coisa muito interessante sobre ácido
desoxirribonucleico. Ou quando acho uma carta que fale sobre a descoberta de um novo modelo para a estrutura
do ácido desoxirribonucleico, uma carta que termine com “Muito amor, papai”. Francis Crick descobriu o desenho
do DNA e escreveu a seu filho só para dizer que “nossa estrutura é muito bonita”. Estrutura, foi o que ele falou.
Antes de despedir-se ainda disse: “Quando chegar em casa, vou te mostrar o modelo”. Não esqueça os dois
pacotes de leite, passe para comprar pão, guarde o resto do dinheiro para seus caramelos e, quando chegar, eu
mostro a você o mecanismo copiador básico a partir do qual a vida vem da vida.
Não sou de choro fácil, mas um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que
coordenam o desenvolvimento e o funcionamento de todos os seres vivos me comove. Cromossomas me animam,
ribossomas me espantam. A divisão celular não me deixa dormir, e olha que eu moro bem no meio das montanhas.
De vez em quando vejo passarem os aviões, mas isso nunca acontece de madrugada — a noite se guarda toda para
o infinito silêncio.
Acho que uma palavra é muito mais bonita do que uma carabina, mas não sei se vem ao caso. Nenhuma palavra
quer ferir outras palavras: nem desoxirribonucleico, nem montanha, nem canção. Todos esses conceitos têm os
seus sinônimos, veja só, ácido desoxirribonucleico e DNA são exatamente a mesma coisa, e os do resto das
palavras você acha. É tudo uma questão de amor e prisma, por favor não abra os canhões. Que coisa mais linda
esse ácido despenteado, caramba. Olhei com mais atenção o desenho da estrutura e descobri: a raça humana é
toda brilho.
Matilde Campilho. Notícias escrevinhadas na beira da estrada. In: Jóquei. São Paulo: Editora 34, 2015, p. 26-7 (com
adaptações).
Julgue o item, a seguir, com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, no qual a autora
Matilde Campilho aborda a descoberta, em 1953, da estrutura da molécula do DNA, correalizada pelos
cientistas James Watson e Francis Crick.
A forma verbal “termine”, que denota uma ação incerta ou irreal, foi empregada para indicar que a carta que Crick
escreveu a seu filho, na realidade, não se encerra com as palavras ‘Muito amor, papai`.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “termine” está no presente do subjuntivo, por isso denota uma ação incerta ou irreal. No
parágrafo, desde a primeira linha, o autor está falando daquilo que o faz chorar fácil. Ele cita fatos que o
emocionam, como uma carta que ele poderia escrever ao filho terminando com uma declaração de amor: “Muito
amor, papai”. Assim, ele discorre que, entre aquilo que o pode levar ao choro, estaria a possível declaração de amor
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ao filho no final de uma carta. De fato, ele não escreveu nenhuma carta ao filho, visto que o autor do texto apenas
cria uma situação hipotética.
Resposta: ERRADO
Texto CB4A1BBB
O Zoológico de Sapucaia do Sul abrigou um dia um macaco chamado Alemão. Em um domingo de Sol, Alemão
conseguiu abrir o cadeado de sua jaula e escapou. O largo horizonte do mundo estava à sua espera. As árvores do
bosque estavam ao alcance de seus dedos. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado. Quando conseguiu,
em vez de mergulhar na liberdade, desconhecida e sem garantias, Alemão caminhou até o restaurante lotado de
visitantes. Pegou uma cerveja e ficou bebericando no balcão.
Um zoológico serve para muitas coisas, algumas delas edificantes. Mas um zoológico serve, principalmente, para
que o homem tenha a chance de, diante da jaula do outro, certificar-se de sua liberdade e da superioridade de sua
espécie. Ele pode então voltar para o apartamento financiado em quinze anos satisfeito com sua vida. Pode abrir
as grades da porta contente com seu molho de chaves e se aboletar no sofá em frente à TV; acordar na segunda-
feira feliz para o batente.
Há duas maneiras de se visitar um zoológico: com ou sem inocência. A primeira é a mais fácil e a única com
satisfação garantida. A outra pode ser uma jornada sombria para dentro do espelho, sem glamour e também sem
volta.
Os tigres-de-bengala são reis de fantasia. Têm voz, possuem músculos, são magníficos. Mas, nascidos em
cativeiro, já chegaram ao mundo sem essência. São um desejo que nunca se tornará realidade. Adivinham as selvas
úmidas da Ásia, mas nem sequer reconhecem as estrelas. Quando o Sol escorrega sobre a região metropolitana,
são trancafiados em furnas de pedra, claustrofóbicas. De nada servem as presas a caçadores que comem carne de
cavalo abatido em frigorífico. De nada serve a sanha a quem dorme enrodilhado, exilado não do que foi, mas do
que poderia ter sido.
Eliane Brum. O cativeiro. In: A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago, 2006, p. 53-4 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB4A1BBB, julgue o item que se segue.
A forma verbal “passara” denota um fato ocorrido antes de duas outras ações também já concluídas, as quais são
descritas nos dois períodos imediatamente anteriores ao período em que ela se insere.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
A forma “passara” está no pretérito mais-que-perfeito. Esse tempo verbal indica sim uma ação que ocorreu
antes de outra, que também está no passado. No trecho em que ocorre, a forma verbal “passara” ocorre antes das
ações “conseguiu abrir” e “escapou”, presentes no período “Em um domingo de Sol, Alemão conseguiu abrir o
cadeado de sua jaula e escapou”. O erro do item está em afirmar que essas ações são descritas nos dois períodos
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imediatamente anteriores, o que não é verdade. Os dois períodos imediatamente anteriores são: “O largo
horizonte do mundo estava à sua espera. As árvores do bosque estavam ao alcance de seus dedos”.
Resposta: ERRADO
Texto
O Juca era da categoria das chamadas pessoas sensíveis, dessas a que tudo lhes toca e tange. Se a gente lhe
perguntasse: “Como vais, Juca?”, ao que qualquer pessoa normal responderia “Bem, obrigado!” — com o Juca a
coisa não era assim tão simples. Primeiro fazia uma cara de indecisão, depois um sorriso triste contrabalançado
por um olhar heroicamente exultante, até que esse exame de consciência era cortado pela voz do interlocutor, que
começava a falar chãmente em outras coisas, que, aliás, o Juca não estava ouvindo... Porque as pessoas sensíveis
são as criaturas mais egoístas, mais coriáceas, mais impenetráveis do reino animal. Pois, meus amigos, da última
vez que vi o Juca, o impasse continuava... E que impasse!
Estavam-lhe ministrando a extrema-unção. E, quando o sacerdote lhe fez a tremenda pergunta, chamando-o pelo
nome: “Juca, queres arrepender-te dos teus pecados?”, vi que, na sua face devastada pela erosão da morte, a
Dúvida começava a redesenhar, reanimando-a, aqueles seus trejeitos e caretas, numa espécie de ridícula
ressurreição. E a resposta não foi “sim” nem “não”; seria acaso um “talvez”, se o padre não fosse tão compreensivo.
Ou apressado. Despachou-o num átimo e absolvido.
Que fosse amolar os anjos lá no Céu!
E eu imagino o Juca a indagar, até hoje:
— Mas o senhor acha mesmo, sargento Gabriel, que ele poderia ter-me absolvido?
Mário Quintana Prosa & Verso Porto Alegre: Globo, 1978, p 65 (com adaptações)
Com relação às estruturas linguísticas e aos sentidos do texto, julgue o item a seguir.
Caso a forma verbal “era” fosse substituída por seria, a respectiva afirmação sobre o comportamento de Juca seria
mais categórica que a que se verifica no texto.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “era” está no pretérito imperfeito, expressando um fato anterior à fala, ao discurso, que pode
ter seu curso prolongado. Com a forma verbal “seria”, que está no futuro do pretérito, enuncia-se um fato que
pode vir a ocorrer, posteriormente a um determinado fato passado. Assim, a respectiva ação sobre o
comportamento de Juca não seria mais categórica do que a que se verifica no texto, com a substituição de “era”
por “seria”.
Resposta: ERRADO
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9. CESPE - TJ STJ/STJ/Administrativa/2018
Texto CB4A1AAA
As discussões em torno de questões como “o que é justiça?” ou “quais são os mecanismos disponíveis para produzir
situações cada vez mais justas ao conjunto da sociedade?” não são novidade. Autores do século XIX já procuravam
construir análises para identificar qual o sentido exato do termo justiça e quais formas de promovê-la eram
possíveis e desejáveis ao conjunto da sociedade à época. O debate se enquadra em torno de três principais ideias:
bem-estar; liberdade e desenvolvimento; e promoção de formas democráticas de participação. Autores
importantes do campo da ciência política e da filosofia política e moral se debruçaram intensamente em torno
dessa questão ao longo do século XX, e chegaram a conclusões diversas uns dos outros. Embora a perspectiva
analítica de cada um desses autores divirja entre si, eles estão preocupados em desenvolver formas de promoção
de situações de justiça social e têm hipóteses concretas para se chegar a esse estado de coisas.
Para Amartya Sen, por exemplo, a injustiça é percebida e mensurada por meio da distribuição e do alcance social
das liberdades. Para Rawls, ela se manifesta principalmente nas estruturas básicas da sociedade e sua solução
depende de uma nova forma de contrato social e de uma definição de princípios básicos que criem condições de
promoção de justiça. Já para Habermas, a questão gira em torno da manifestação no campo da ação comunicativa,
na qual a fragilidade de uma ação coletiva que tenha pouco debate ou pouca representação pode enfraquecer a
qualidade da democracia e, portanto, interferir no seu pleno funcionamento, tendo, por consequência,
desdobramentos sociais injustos. Em síntese, os autores argumentam a favor de instrumentos variados para a
solução da injustiça, os quais dependem da interpretação de cada um deles acerca do conceito de justiça.
Augusto Leal Rinaldi. Justiça, liberdade e democracia. In: Pensamento Plural. Pelotas [12]: 57-74, jan.-jun./2013
(com adaptações).
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Considerando que a frase está no modo verbal subjuntivo, a substituição de “divirja” por “difere” não está
correta. Para haver correção gramatical no período, a substituição de “divirja” deve ser pela forma verbal “difira”,
presente do subjuntivo.
Resposta: CERTO
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Texto
No começo dos anos 40, os submarinos alemães estavam dizimando os cargueiros dos aliados no Atlântico Norte.
O jogo virou apenas em 1943, quando Alan Turing desenvolveu a Bomba, um aparelho capaz de desvendar os
segredos da máquina de criptografia nazista chamada de Enigma. A complexidade da Enigma — uma máquina
eletromagnética que substituía letras por palavras aleatórias escolhidas de acordo com uma série de rotores —
estava no fato de que seus elementos internos eram configurados em bilhões de combinações diferentes, sendo
impossível decodificar o texto sem saber as configurações originais. Após espiões poloneses terem roubado uma
cópia da máquina, Turing e o campeão de xadrez Gordon Welchman construíram uma réplica da Enigma na base
militar de Bletchey Park. A máquina replicava os rotores do sistema alemão e tentava reproduzir diferentes
combinações de posições dos rotores para testar possíveis soluções. Após quatro anos de trabalho, Turing
conseguiu quebrar a Enigma, ao perceber que as mensagens alemãs criptografadas continham palavras
previsíveis, como nomes e títulos dos militares. Turing usava esses termos como ponto de partida, procurando
outras mensagens em que a mesma letra aparecia no mesmo espaço em seu equivalente criptografado.
Gabriel Garcia. 5 descobertas de Alan Turing que mudaram o rumo da história. In: Exame, 2/fev./2015. Internet:
<https://exame.abril.com.br> (com adaptações).
Considerando os aspectos linguísticos do texto, julgue o item subsequente.
Do emprego da forma “estavam dizimando” infere-se que a ação de dizimar foi contínua durante a época citada
no início do primeiro período do texto.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “estavam dizimando” apresenta “pretérito imperfeito + gerúndio”. Essa estrutura sinaliza
prolongamento de ação, dando ideia de continuidade e de duração no tempo. Assim, pode-se inferir que a ação
de dizimar foi contínua durante a época citada no primeiro período do texto.
Resposta: CERTO
Ainda existem pessoas para as quais a greve é um “escândalo”: isto é, não só um erro, uma desordem ou um delito,
mas também um crime moral, uma ação intolerável que perturba a própria natureza. “Inadmissível”,
“escandalosa”, “revoltante”, dizem alguns leitores do Figaro, comentando uma greve recente. Para dizer a
verdade, trata-se de uma linguagem do tempo da Restauração, que exprime a sua mentalidade profunda. É a
época em que a burguesia, que assumira o poder havia pouco tempo, executa uma espécie de junção entre a moral
e a natureza, oferecendo a uma a garantia da outra. Temendo-se a naturalização da moral, moraliza-se a natureza;
finge-se confundir a ordem política e a ordem natural, e decreta-se imoral tudo o que conteste as leis estruturais
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da sociedade que se quer defender. Para os prefeitos de Carlos X, assim como para os leitores do Figaro de hoje, a
greve constitui, em primeiro lugar, um desafio às prescrições da razão moralizada: “fazer greve é zombar de todos
nós”, isto é, mais do que infringir uma legalidade cívica, é infringir uma legalidade “natural”, atentar contra o bom
senso, misto de moral e lógica, fundamento filosófico da sociedade burguesa.
Nesse caso, o escândalo provém de uma ausência de lógica: a greve é escandalosa porque incomoda precisamente
aqueles a quem ela não diz respeito. É a razão que sofre e se revolta: a causalidade direta, mecânica, essa
causalidade é perturbada; o efeito se dispersa incompreensivelmente longe da causa, escapa-lhe, o que é
intolerável e chocante. Ao contrário do que se poderia pensar sobre os sonhos da burguesia, essa classe tem uma
concepção tirânica, infinitamente suscetível, da causalidade: o fundamento da moral que professa não é de modo
algum mágico, mas, sim, racional. Simplesmente, trata-se de uma racionalidade linear, estreita, fundada, por
assim dizer, numa correspondência numérica entre as causas e os efeitos. O que falta a essa racionalidade é,
evidentemente, a ideia das funções complexas, a imaginação de um desdobramento longínquo dos
determinismos, de uma solidariedade entre os acontecimentos, que a tradição materialista sistematizou sob o
nome de totalidade.
Roland Barthes. O usuário da greve. In: R. Barthes. Mitologias. Tradução de Rita Buongermino, Pedro de Souza e
Rejane Janowitzer. Rio de Janeiro: DIFEL, 2007, p. 135-6 (com adaptações).
No texto, com o emprego da forma verbal “assumira”, exprime-se
ALTERNATIVA C: Não se trata de resultado presente de ação ocorrida no passado, como afirma a alternativa, mas
passado remoto.
ALTERNATIVA D: “Assumira”, que é um passado remoto, não sinaliza o ponto inicial de ação ocorrida no passado.
ALTERNATIVA E: “Assumira” é o pretérito mais-que-perfeito do verbo assumir e é usado para se referir a um fato
anterior a outro que também está no passado. Representa, pois, o passado mais remoto.
Resposta: E
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Texto CB1A1BBB
Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida é um sintoma da revivescência de
um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio sobre a mulher. Há outros casos. (...)
Todos esses senhores parece que não sabem o que é a vontade dos outros. Eles se julgam com o direito de impor
o seu amor ou o seu desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito diferentes dos ladrões à mão armada;
mas o certo é que estes não nos arrebatam senão o dinheiro, enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo
que há de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão. O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o
dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não; matam logo. Nós
já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas. De
resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de se supor que quem quer casar deseje que a sua futura mulher venha
para o tálamo conjugal com a máxima liberdade, com a melhor boa- vontade, sem coação de espécie alguma, com
ardor até, com ânsia e grandes desejos; como é então que se castigam as moças que confessam não sentir mais
pelos namorados amor ou coisa equivalente?
Todas as considerações que se possam fazer tendentes a convencer os homens de que eles não têm sobre as
mulheres domínio outro que não aquele que venha da afeição não devem ser desprezadas. Esse obsoleto domínio
à valentona, do homem sobre a mulher, é coisa tão horrorosa que enche de indignação.
Todos os experimentadores e observadores dos fatos morais têm mostrado a insanidade de generalizar a
eternidade do amor. Pode existir, existe, mas excepcionalmente; e exigi-la nas leis ou a cano de revólver é um
absurdo tão grande como querer impedir que o Sol varie a hora do seu nascimento. Deixem as mulheres amar à
vontade.
Não as matem, pelo amor de Deus.
Lima Barreto. Não as matem. In: Vida urbana. São Paulo: Brasiliense, 1963, p. 83-5 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB1A1BBB, julgue o item que se segue.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Em “Eles se julgam”, o “se” é pronome reflexivo. Isso se dá porque o sujeito pratica ação que incide sobre si
mesmo. Nesse caso, havendo dúvida, pode-se substituir o “se” por “a si mesmo(s)”. Havendo equivalência, o “se”
está corretamente analisado com pronome reflexivo.
No segundo caso, o “se” de “se castigam” é partícula apassivadora. Vale lembrar que, com verbo transitivo
direto+se (VTD+SE) ou com verbo transitivo direto e indireto+se (VTDI+SE), a partícula “se” tem essa classificação.
Resposta: ERRADO
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Texto CG2A1AAA
A vida de Florence Nightingale, a criadora da moderna enfermagem, daria um romance. Florence estava destinada
a receber uma boa educação, a casar-se com um cavalheiro de fina estirpe, a ter filhos, a cuidar da casa e da família.
Mas logo ficou claro que a menina não se conformaria a esse modelo. Era diferente; gostava de matemática, e era
o que queria estudar (os pais não deixaram). Aos dezesseis anos, algo aconteceu: Deus falou-me — escreveu depois
— e convocou-me para servi-lo.
Servir a Deus significava, para ela, cuidar dos enfermos, e especialmente dos enfermos hospitalizados. Naquela
época, os hospitais curavam tão pouco e eram tão perigosos (por causa da sujeira, do risco de infecção) que os
ricos preferiam tratar-se em casa. Hospitalizados eram só os pobres, e Florence preparou-se para cuidar deles,
praticando com os indigentes que viviam próximos à sua casa. Viajou por toda a Europa, visitando hospitais. Coisa
que os pais não viam com bons olhos: enfermeiras eram consideradas pessoas de categoria inferior, de vida
desregrada. Mas Florence foi em frente e logo surgiu a oportunidade para colocar em prática o que aprendera.
Sidney Herbert, membro do governo inglês e amigo pessoal, pediu-lhe que chefiasse um grupo de enfermeiras
enviadas para o front turco, uma tarefa a que Florence entregou-se de corpo e alma; providenciava comida,
remédios, agasalhos, além de supervisionar o trabalho das enfermeiras. Mais que isso, fez estudos estatísticos (sua
vocação matemática enfim triunfou) mostrando que a alta mortalidade dos soldados resultava das péssimas
condições de saneamento.
Isso tudo não quer dizer que Florence fosse, pelos padrões habituais, uma mulher feliz. Para começar, não havia,
em sua vida, lugar para ligações amorosas. Cortejou-a o político e poeta Richard Milnes, Barão Houghton, mas ela
rejeitou-o. Ao voltar da guerra, algo estranho lhe aconteceu: recolheu-se ao leito e nunca mais deixou o quarto.
É possível, e até provável, que isso tenha resultado de brucelose, uma infecção crônica contraída durante a guerra;
mas havia aí um óbvio componente emocional, uma forma de fuga da realidade. Contudo — Florence era Florence
—, mesmo acamada, continuou trabalhando intensamente. Colaborou com a comissão governamental sobre
saúde dos militares, fundou uma escola para treinamento de enfermeiras, escreveu um livro sobre esse
treinamento.
Estranha, a Florence Nightingale? Talvez. Mas estranheza pode estar associada a qualidades admiráveis. Grande
e estranho é o mundo; grandes, ainda que estranhas, são muitas pessoas. E se elas têm grandeza, ao mundo pouco
deve importar que sejam estranhas.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Em “Florence preparou-se”, o “se” é pronome reflexivo, visto que a ação incide sobre o sujeito. Nesse caso,
podemos dizer que ela preparou a si mesma. Em “Florence entregou-se”, o “se” é parte integrante do verbo. Por
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essa razão, o verbo é pronominal. Assim, está incorreto afirmar que a partícula se nos trechos “Florence preparou-
se” e “Florence entregou-se”, a partícula “se” classifica-se como pronome apassivador.
Resposta: ERRADO
Texto
O Brasil, durante a maior parte da sua história, manteve uma cultura familista e pró-natalista. Por cerca de 450
anos, o incentivo à fecundidade elevada era justificado em função da prevalência de altas taxas de mortalidade,
dos interesses da colonização portuguesa, da expansão da ocupação territorial e do crescimento do mercado
interno.
Durante o período do Estado Novo (1937-1945), no governo de Getúlio Vargas, foram adotados dispositivos legais
para fortalecer a família numerosa, por meio de diversas medidas: desestímulo ao trabalho feminino; facilidades
para a aquisição de casa própria pelos indivíduos que pretendessem se casar; complemento de renda dos casados
com filhos e regras que privilegiavam os homens casados e com filhos quanto ao acesso e à promoção no serviço
público.
O artigo 124 da Constituição Brasileira de 1937 afirmava: “A família, constituída pelo casamento indissolúvel, está
sob a proteção especial do Estado. Às famílias numerosas serão atribuídas compensações na proporção de seus
encargos”. Naquele período, além dos incentivos ao casamento e à reprodução, vigia uma legislação que proibia
o uso de métodos contraceptivos e o aborto: o Decreto Federal n.º 20.291, de 1932, que vedava a prática médica
que tivesse por fim impedir a concepção ou interromper a gestação, e a Lei das Contravenções Penais, sancionada
em 1941, que proibia “anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar o aborto ou evitar a gravidez”.
José Eustáquio Diniz Alves O planejamento familiar no Brasil Internet: <www ecodebate com br> (com
adaptações)
Com relação a aspectos linguísticos do texto, julgue o item seguinte.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
De fato! A forma “vigia” corresponde à flexão de pretérito imperfeito do indicativo, que corresponde a uma
ação que teve continuidade no passado. Essa mesma ideia está expressada na forma “estava vigente”, formada
pelo verbo “estar” flexionado no pretérito imperfeito do indicativo, acompanhado do adjetivo “vigente”.
Resposta: CERTO
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Ainda existem pessoas para as quais a greve é um “escândalo”: isto é, não só um erro, uma desordem ou um delito,
mas também um crime moral, uma ação intolerável que perturba a própria natureza. “Inadmissível”,
“escandalosa”, “revoltante”, dizem alguns leitores do Figaro, comentando uma greve recente. Para dizer a
verdade, trata-se de uma linguagem do tempo da Restauração, que exprime a sua mentalidade profunda. É a
época em que a burguesia, que assumira o poder havia pouco tempo, executa uma espécie de junção entre a moral
e a natureza, oferecendo a uma a garantia da outra. Temendo-se a naturalização da moral, moraliza-se a natureza;
finge-se confundir a ordem política e a ordem natural, e decreta-se imoral tudo o que conteste as leis estruturais
da sociedade que se quer defender. Para os prefeitos de Carlos X, assim como para os leitores do Figaro de hoje, a
greve constitui, em primeiro lugar, um desafio às prescrições da razão moralizada: “fazer greve é zombar de todos
nós”, isto é, mais do que infringir uma legalidade cívica, é infringir uma legalidade “natural”, atentar contra o bom
senso, misto de moral e lógica, fundamento filosófico da sociedade burguesa.
Nesse caso, o escândalo provém de uma ausência de lógica: a greve é escandalosa porque incomoda precisamente
aqueles a quem ela não diz respeito. É a razão que sofre e se revolta: a causalidade direta, mecânica, essa
causalidade é perturbada; o efeito se dispersa incompreensivelmente longe da causa, escapa-lhe, o que é
intolerável e chocante. Ao contrário do que se poderia pensar sobre os sonhos da burguesia, essa classe tem uma
concepção tirânica, infinitamente suscetível, da causalidade: o fundamento da moral que professa não é de modo
algum mágico, mas, sim, racional. Simplesmente, trata-se de uma racionalidade linear, estreita, fundada, por
assim dizer, numa correspondência numérica entre as causas e os efeitos. O que falta a essa racionalidade é,
evidentemente, a ideia das funções complexas, a imaginação de um desdobramento longínquo dos
determinismos, de uma solidariedade entre os acontecimentos, que a tradição materialista sistematizou sob o
nome de totalidade.
Roland Barthes. O usuário da greve. In: R. Barthes. Mitologias. Tradução de Rita Buongermino, Pedro de Souza e
Rejane Janowitzer. Rio de Janeiro: DIFEL, 2007, p. 135-6 (com adaptações).
No texto, com o emprego da forma verbal “assumira”, exprime-se
A forma verbal “assumira” está flexionada no pretérito mais-que-perfeito do indicativo, que corresponde
a uma ação anterior a outra já concluída.
Resposta: E
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Eis que se inicia então uma das fases mais intensas na vida de Geraldo Viramundo: sua troca de correspondência
com os estudantes, julgando estar a se corresponder com sua amada. E eis que passo pela rama nesta fase de meu
relato, já que me é impossível dar a exata medida do grau de maluquice que inspiraram tais cartas: infelizmente se
perderam e de nenhuma encontrei paradeiro, por maiores que tenham sido os meus esforços em rebuscar
coleções, arquivos e alfarrábios em minha terra. Sou forçado, pois, a limitar-me aos elementos de que disponho,
encerrando em desventuras as aventuras de Viramundo em Ouro Preto, e dando viço às suas peregrinações.
Fernando Sabino. O grande mentecapto. 62.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2002.
Com referência aos sentidos do texto precedente e às estruturas linguísticas nele empregadas, julgue os itens
a seguir.
Os sentidos do texto seriam alterados caso o trecho “estar a se corresponder” (R.3) fosse assim reescrito: estar se
correspondendo.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Uma outra forma de expressar o gerúndio é reescrevê-lo com verbo no infinitivo antecedido da preposição
“a”. É uma forma muito comumente empregada em Portugal, mas não tanto no Brasil.
Exemplos:
Resposta: ERRADO
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Observemos o seguinte trecho:
Saiu a mais nova lista de coisas que devem ou não ser feitas.
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Não se flexiona o infinitivo presente em uma locução verbal, seja esse infinitivo um dos auxiliares ou o verbo
principal.
No caso, a forma “devem” e o infinitivo “ser” são auxiliares do verbo principal no particípio “feitas”. A forma
“ser”, portanto, não pode ser flexionada, sob pena de incorrermos num erro gramatical.
Resposta: CERTO
Texto CB1A1AAA
Não há dúvida de que a televisão apresenta ao público uma visão distorcida de como a ciência forense é conduzida
e sobre o que ela é capaz, ou não, de realizar. Os atores que interpretam a equipe de investigação, por exemplo,
são uma mistura de policial, detetive e cientista forense — esse perfil profissional não existe na vida real. Toda
profissão, individualmente, já é complexa o bastante e demanda educação, treinamento e métodos próprios. A
especialização dentro dos laboratórios tornou-se uma norma desde o final da década de 80 do século passado. O
cientista forense precisa conhecer os recursos das outras subdisciplinas, mas ninguém é especialista em todas as
áreas da investigação criminal. Além disso, os laboratórios frequentemente não realizam todos os tipos de análise
devido ao custo, à insuficiência de recursos ou à pouca procura.
As séries da TV retratam incorretamente os cientistas forenses, mostrando-os como se tivessem tempo de sobra
para todos os casos. Os programas mostram diversos detetives, técnicos e cientistas dedicando toda sua atenção
a uma investigação. Na realidade, cada cientista recebe vários casos ao mesmo tempo. A maioria dos laboratórios
acredita que o acúmulo de trabalho é o maior problema que enfrentam, e boa parte dos pedidos de aumento no
orçamento baseia-se na dificuldade de dar conta de tanto serviço.
RESOLUÇÃO:
Os programas mostram diversos detetives, técnicos e cientistas dedicando toda sua atenção a uma investigação.
Com a alteração proposta, teremos:
Os programas mostram diversos detetives, técnicos e cientistas que dedicam toda sua atenção a uma
investigação.
Originalmente, a forma verbal no gerúndio “dedicando” transmite uma ideia de ação em curso.
Já com a oração desenvolvida “que dedicam”, o emprego do presente do indicativo transmite uma ideia de
ação costumeira.
Explicando com exemplos mais simples: em “Vi meu primo estudando para concurso.”, o gerúndio dá a
entender ação em curso, ou seja, a ação está se realizando num determinado momento; já em “Vi meu primo que
estuda para concurso”, o emprego do presente do indicativo dá a entender ação costumeira, ou seja, uma ação
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que se processa não em um momento específico, mas sim que se processa já desde um certo tempo, pois é
costumeira.
Dessa forma, a alteração proposta mantém a correção gramatical, mas altera o sentido original.
Resposta: ERRADO
Texto 12A1AAA
A polícia parisiense — disse ele — é extremamente hábil à sua maneira. Seus agentes são perseverantes,
engenhosos, astutos e perfeitamente versados nos conhecimentos que seus deveres parecem exigir de modo
especial. Assim, quando o delegado G... nos contou, pormenorizadamente, a maneira pela qual realizou suas
pesquisas no Hotel D..., não tive dúvida de que efetuara uma investigação satisfatória (...) até o ponto a que chegou
o seu trabalho.
— Até o ponto a que chegou o seu trabalho? — perguntei.
— Sim — respondeu Dupin. — As medidas adotadas não foram apenas as melhores que poderiam ser tomadas,
mas realizadas com absoluta perfeição. Se a carta estivesse depositada dentro do raio de suas investigações, esses
rapazes, sem dúvida, a teriam encontrado.
Ri, simplesmente — mas ele parecia haver dito tudo aquilo com a máxima seriedade.
— As medidas, pois — prosseguiu —, eram boas em seu gênero, e foram bem executadas: seu defeito residia em
serem inaplicáveis ao caso e ao homem em questão. Um certo conjunto de recursos altamente engenhosos é, para
o delegado, uma espécie de leito de Procusto, ao qual procura adaptar à força todos os seus planos. Mas, no caso
em apreço, cometeu uma série de erros, por ser demasiado profundo ou demasiado superficial. (...) E, se o
delegado e toda a sua corte têm cometido tantos enganos, isso se deve (...) a uma apreciação inexata, ou melhor,
a uma não apreciação da inteligência daqueles com quem se metem. Consideram engenhosas apenas as suas
próprias ideias e, ao procurar alguma coisa que se ache escondida, não pensam senão nos meios que eles próprios
teriam empregado para escondê-la. Estão certos apenas num ponto: naquele em que sua engenhosidade
representa fielmente a da massa; mas, quando a astúcia do malfeitor é diferente da deles, o malfeitor,
naturalmente, os engana. Isso sempre acontece quando a astúcia deste último está acima da deles e, muito
frequentemente, quando está abaixo. Não variam seu sistema de investigação; na melhor das hipóteses, quando
são instigados por algum caso insólito, ou por alguma recompensa extraordinária, ampliam ou exageram os seus
modos de agir habituais, sem que se afastem, no entanto, de seus princípios. (...) Você compreenderá, agora, o
que eu queria dizer ao afirmar que, se a carta roubada tivesse sido escondida dentro do raio de investigação do
nosso delegado — ou, em outras palavras, se o princípio inspirador estivesse compreendido nos princípios do
delegado —, sua descoberta seria uma questão inteiramente fora de dúvida. Este funcionário, porém, se enganou
por completo, e a fonte remota de seu fracasso reside na suposição de que o ministro é um idiota, pois adquiriu
renome de poeta. Segundo o delegado, todos os poetas são idiotas — e, neste caso, ele é apenas culpado de uma
non distributio medii, ao inferir que todos os poetas são idiotas.
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— Mas ele é realmente poeta? — perguntei. — Sei que são dois irmãos, e que ambos adquiriram renome nas letras.
O ministro, creio eu, escreveu eruditamente sobre o cálculo diferencial. É um matemático, e não um poeta.
— Você está enganado. Conheço-o bem. E ambas as coisas. Como poeta e matemático, raciocinaria bem; como
mero matemático, não raciocinaria de modo algum, e ficaria, assim, à mercê do delegado.
— Você me surpreende — respondi — com essas opiniões, que têm sido desmentidas pela voz do mundo.
Naturalmente, não quererá destruir, de um golpe, ideias amadurecidas durante tantos séculos. A razão
matemática é há muito considerada como a razão par excellence.
Edgar Allan Poe. A carta roubada. In: Histórias extraordinárias. Victor Civita, 1981. Tradução de Brenno Silveira e
outros.
A correção gramatical do texto seria mantida caso a forma verbal “compreenderá” (R.42) fosse substituída
por compreende, embora o sentido original do período em que ela ocorre fosse alterado: no original, o
emprego do futuro revela uma expectativa de Dupin em relação a seu interlocutor; com o emprego do
presente, essa expectativa seria transformada em fato consumado.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO
Reproduzamos o seguinte trecho:
Você compreenderá, agora, o que eu queria dizer ao afirmar que, se a carta roubada tivesse sido escondida
dentro do raio de investigação do nosso delegado — ou, em outras palavras, se o princípio inspirador estivesse
compreendido nos princípios do delegado —, sua descoberta seria uma questão inteiramente fora de dúvida.
De fato, o emprego do futuro do presente “compreenderá” dá a entender que a ação ainda está pendente de
consumação. Trata-se de algo que irá ocorrer a partir de agora. Já o emprego do presente do indicativo
“compreende” dá a entender que a ação se consuma no momento da fala. Trata-se de algo que acaba de ocorrer,
que se consumou neste instante.
Resposta: CERTO
No fim do século XVIII e começo do XIX, a despeito de algumas grandes fogueiras, a melancólica festa de punição
de condenados foi-se extinguindo. Em algumas dezenas de anos, desapareceu o corpo como alvo principal da
repressão penal: o corpo supliciado, esquartejado, amputado, marcado simbolicamente no rosto ou no ombro,
exposto vivo ou morto, dado como espetáculo. Ficou a suspeita de que tal rito que dava um “fecho” ao crime
mantinha com ele afinidades espúrias: igualando-o, ou mesmo ultrapassando-o em selvageria, acostumando os
espectadores a uma ferocidade de que todos queriam vê-los afastados, mostrando-lhes a frequência dos crimes,
fazendo o carrasco se parecer com criminoso, os juízes com assassinos, invertendo no último momento os papéis,
fazendo do supliciado um objeto de piedade e de admiração.
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A punição vai-se tornando a parte mais velada do processo penal, provocando várias consequências: deixa o campo
da percepção quase diária e entra no da consciência abstrata; sua eficácia é atribuída à sua fatalidade, não à sua
intensidade visível; a certeza de ser punido é que deve desviar o homem do crime, e não mais o abominável teatro.
Sob o nome de crimes e delitos, são sempre julgados corretamente os objetos jurídicos definidos pelo Código.
Porém julgam-se também as paixões, os instintos, as anomalias, as enfermidades, as inadaptações, os efeitos de
meio ambiente ou de hereditariedade. Punem-se as agressões, mas, por meio delas, as agressividades, as
violações e, ao mesmo tempo, as perversões, os assassinatos que são, também, impulsos e desejos. Dir-se-ia que
não são eles que são julgados; se são invocados, é para explicar os fatos a serem julgados e determinar até que
ponto a vontade do réu estava envolvida no crime. As sombras que se escondem por trás dos elementos da causa
é que são, na realidade, julgadas e punidas.
O juiz de nossos dias — magistrado ou jurado — faz outra coisa, bem diferente de “julgar”. E ele não julga mais
sozinho. Ao longo do processo penal, e da execução da pena, prolifera toda uma série de instâncias anexas.
Pequenas justiças e juízes paralelos se multiplicaram em torno do julgamento principal: peritos psiquiátricos ou
psicológicos, magistrados da aplicação das penas, educadores, funcionários da administração penitenciária
fracionam o poder legal de punir. Dir-se-á, no entanto, que nenhum deles partilha realmente do direito de julgar;
os peritos não intervêm antes da sentença para fazer um julgamento, mas para esclarecer a decisão dos juízes.
Todo o aparelho que se desenvolveu há anos, em torno da aplicação das penas e de seu ajustamento aos
indivíduos, multiplica as instâncias da decisão judiciária, prolongando-a muito além da sentença.
Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Trad. Raquel Ramalhete. Petrópolis, Vozes, 1987, p. 8-26
(com adaptações).
Embora tanto o primeiro quanto o segundo parágrafo do texto tratem de acontecimentos passados, o emprego
do presente no segundo parágrafo tem o efeito de aproximar os acontecimentos mencionados ao tempo atual, o
presente.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO
De fato, o emprego do Presente do Indicativo dá vivacidade aos fatos narrados, ou seja, faz com que o leitor
associe esses acontecimentos não só ao tempo da narrativa, mas à realidade vivida.
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Dir-se-á, no entanto, que nenhum deles partilha realmente do direito de julgar; os peritos não intervêm antes da
sentença para fazer um julgamento, mas para esclarecer a decisão dos juízes.
A expressão “Dir-se-á” (R.40) poderia ser corretamente substituída por Será dito.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
O “se” em destaque é pronome apassivador, haja vista estar ladeado de um verbo que solicita objeto direto.
É o caso do verbo DIZER, pois QUEM DIZ DIZ ALGO A ALGUÉM.
Sabemos que o SE apassivador tem como função transformar o objeto direto em sujeito.
Observe o trecho:
O trecho em destaque é de natureza substantiva e pode ser substituído pela forma pronominal substantiva
ISTO.
Subentende-se a forma verbal “intervêm” (R.42) logo após o vocábulo “mas” em “mas para esclarecer a decisão
dos juízes” (R.43).
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO:
Observemos o trecho:
... os peritos não intervêm antes da sentença para fazer um julgamento, mas para esclarecer a decisão dos
juízes...
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De fato, pela coerência do contexto, é sim possível subentender a forma verbal “intervêm” após a conjunção
“mas”.
... os peritos não intervêm antes da sentença para fazer um julgamento, mas (intervêm) para esclarecer a decisão
dos juízes...
Um detalhe a ser observado diz respeito ao acento diferencial circunflexo na forma “intervêm”. Ele é
necessário, haja vista que ocorre a concordância com o sujeito plural “peritos”.
Dói. Dói muito. Dói pelo corpo inteiro. Principia nas unhas, passa pelos cabelos, contagia os ossos, penaliza a
memória e se estende pela altura da pele. Nada fica sem dor. Também os olhos, que só armazenam as imagens do
que já fora, doem. A dor vem de afastadas distâncias, sepultados tempos, inconvenientes lugares, inseguros
futuros. Não se chora pelo amanhã. Só se salga a carne morta.
No princípio, se um de nós caía, a dor doía ligeiro. Um beijo seu curava a cabeça batida na terra, o dedo espremido
na dobradiça da porta, o pé tropeçado no degrau da escada, o braço torcido no galho da árvore. Seu beijo de mãe
era um santo remédio. Ao machucar, pedia-se: mãe, beija aqui!
Há que experimentar o prazer para, só depois, bem suportar a dor. Vim ao mundo molhado pelo desenlace. A dor
do parto é também de quem nasce. Todo parto decreta um pesaroso abandono. Nascer é afastar-se — em lágrimas
— do paraíso, é condenar-se à liberdade. Houve, e só depois, o tempo da alegria ao enxergar o mundo como o mais
absoluto e sucessivo milagre: fogo, terra, água, ar e o impiedoso tempo. Sem a mãe, a casa veio a ser um lugar
provisório.
Uma estação com indecifrável plataforma, onde espreitávamos um cargueiro para ignorado destino. Não se
desata com delicadeza o nó que nos amarra à mãe. Impossível adivinhar, ao certo, a direção do nosso bilhete de
partida. Sem poder recuar, os trilhos corriam exatos diante de nossos corações imprecisos. Os cômodos sombrios
da casa — antes bem- aventurança primavera — abrigavam passageiros sem linha do horizonte. Se fora o lugar da
mãe, hoje ventilava obstinado exílio.
Bartolomeu Campos de Queirós. Vermelho amargo. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 5 (com adaptações).
Ainda a respeito de aspectos linguísticos e dos sentidos do texto 1A1-I, julgue o item que se segue.
No segundo parágrafo do texto, as formas verbais “caía”, “doía”, “curava” e “pedia” designam ações frequentes
ou contínuas no passado.
( ) CERTO ( ) ERRADO
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RESOLUÇÃO:
As formas verbais em destaque estão flexionadas no Pretérito Imperfeito do Indicativo. Utiliza-se esse tempo
para ações do passado que tiveram duração, que se repetiram, e cujo encerramento não se sabe precisamente.
Dessa forma, ações que tiveram continuidade no passado ou se mostraram frequentes, habituais são
expressadas pelo Pretérito Imperfeito do Indicativo.
O item está, portanto, CORRETO!
Observação:
Há três tipos de pretérito: o perfeito - que faz menção a uma ação concluída, finalizada; o Imperfeito - ação
do passado costumeira; o mais que perfeito - ação anterior a uma ação já concluída.
Exemplos:
A aula já TINHA INICIADO (INICIARA) quando você chegou. (ação anterior a outra já concluída)
RESPOSTA: CERTO
Uma das grandes cousas que se veem hoje no mundo, e nós pelo costume de cada dia não admiramos, é a
transmigração imensa de gentes e nações etíopes, que da África continuamente estão passando a esta América.
Entra uma nau de Angola, e desova no mesmo dia quinhentos, seiscentos e talvez mil escravos. Os israelitas
atravessaram o Mar Vermelho, e passaram da África à Ásia, fugindo do cativeiro; estes atravessam o mar oceano
na sua maior largura, e passam da mesma África à América e para viver e morrer cativos. Os outros nascem para
viver, estes para servir. Nas outras terras do que aram os homens, e do que fiam e tecem as mulheres, se fazem os
comércios: naquela o que geram os pais e o que criam a seus peitos as mães, é o que se vende, e se compra. Oh
trato desumano, em que a mercancia são homens! Oh mercancia diabólica, em que os interesses se tiram das
almas alheias, e os riscos das próprias!
Já se depois de chegados olharmos para estes miseráveis, e para os que se chamam seus senhores: o que se viu
nos dous estados de Jó, é o que aqui representa a fortuna, pondo juntas a felicidade e a miséria no mesmo teatro.
Os senhores poucos, e os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os senhores
banqueteando, os escravos perecendo à fome; os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de
ferros; os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores
em pé apontando para o açoute, como estátuas da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos
atadas atrás como imagens vilíssimas da servidão, e espetáculos da extrema miséria.
Antônio Vieira. Sermão vigésimo sétimo do rosário. In: Essencial padre Antônio Vieira. Organização e introdução
de Alfredo Bosi. São Paulo: Penguin Classics, Companhia das Letras, 2011, p. 532-3 (com adaptações).
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Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO
De fato! A forma nominal de gerúndio exprime uma ação em curso, duradoura.
RESPOSTA: CERTO
Texto 1A12-I
Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após
a natureza tê-los declarado livres da orientação alheia, ainda permanecem, com gosto e por toda a vida, na
condição de menoridade. As mesmas causas explicam por que parece tão fácil outros afirmarem-se como seus
tutores. É tão confortável ser menor! Tenho à disposição um livro que entende por mim, um pastor que tem
consciência por mim, um médico que me prescreve uma dieta etc.: então não preciso me esforçar. Não me é
necessário pensar, quando posso pagar; outros assumirão a tarefa espinhosa por mim.
A maioria da humanidade vê como muito perigoso, além de bastante difícil, o passo a ser dado rumo à maioridade,
uma vez que tutores já tomaram para si de bom grado a sua supervisão. Após terem previamente embrutecido e
cuidadosamente protegido seu gado, para que essas pacatas criaturas não ousem dar qualquer passo fora dos
trilhos nos quais devem andar, os tutores lhes mostram o perigo que as ameaça caso queiram andar por conta
própria. Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, após algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar;
basta, entretanto, o exemplo de um tombo para intimidá-las e aterrorizá-las por completo para que não façam
novas tentativas.
Kant. Resposta à pergunta: Que é esclarecimento? Tradução de Pedro Caldas. In: Danilo Marcondes. Textos
básicos de ética: de Platão a Foucault. Zahar, 4.ª edição, 2008 (com adaptações).
A forma verbal “assumirão” expressa uma ação futura, ainda não concretizada, mas que se acredita que
certamente se realizará, de acordo com os sentidos do texto.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO
De fato! Trata-se do futuro do presente do indicativo, que corresponde a uma ação futura de
concretização tida como certa.
RESPOSTA: CERTO
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Texto
Pode-se dizer que a cidadania é essencialmente consciência de direitos e deveres e exercício da democracia:
direitos civis, como segurança e locomoção; direitos sociais, como trabalho, salário justo, saúde, educação,
habitação etc.; direitos políticos, como liberdade de expressão, de voto, de participação em partidos políticos e
sindicatos etc.
Não há cidadania sem democracia. O conceito de cidadania, contudo, é um conceito ambíguo. Em 1789,
a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão estabelecia as primeiras normas para assegurar a liberdade
individual e a propriedade. Nascia a cidadania como uma conquista liberal. Hoje, o conceito de cidadania é mais
complexo.
Com a ampliação dos direitos, nasceu também uma concepção mais ampla de cidadania. De um lado, existe uma
concepção consumerista de cidadania (direito de defesa do consumidor) e, de outro, uma concepção plena, que
se manifesta na mobilização da sociedade para a conquista de novos direitos e na participação direta da população
na gestão da vida pública, por meio, por exemplo, da discussão democrática do orçamento. Esta tem sido
uma prática, sobretudo no nível do poder local, que tem ajudado na construção de uma democracia participativa,
superando os limites da democracia puramente representativa.
Moacir Gadotti. Escola cidadã – educação para e pela cidadania. Internet: <http://acervo.paulofreire.org> (com
adaptações).
A correção gramatical, a coerência e o sentido do texto seriam mantidos caso a forma verbal “tem ajudado”
fosse substituída por
a) vem ajudando.
b) ajudou.
c) ajudaria.
d) vinha ajudando.
e) pode ajudar.
RESOLUÇÃO:
A forma “tem ajudado” corresponde ao Pretérito Perfeito do Indicativo na forma composta e expressa ação
que se iniciou no passado e perdura no presente.
Já a forma “ajudou” é flexão de Pretérito Perfeito do Indicativo na forma simples e expressa ação já concluída,
finalizada no passado.
Sendo assim, a substituição de “tem ajudado” por “ajudou” alteraria o sentido original.
Resposta: A
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Texto CB1A1BBB
A principal finalidade da investigação criminal, materializada no inquérito policial (IP), é a de reunir(e) elementos
mínimos de materialidade e autoria delitiva antes de se instaurar o processo criminal, de modo a evitarem-se,
assim, ações infundadas, as quais certamente implicam(a) grande transtorno para quem se vê acusado por um
crime que não cometeu.
Acrescente-se que o estigma provocado por uma ação penal pode perdurar(d) por toda a vida e, por isso, para ser
promovida, a acusação deve conter fundamentos fáticos e jurídicos suficientes, o que, em regra, se consegue por
meio do IP.
Carlos Alberto Marchi de Queiroz (Coord.). Manual de polícia judiciária: doutrina, modelos, legislação. 6.ª ed. São
Paulo: Delegacia Geral de Polícia, 2010 (com adaptações).
No texto CB1A1BBB, uma ação que se desenvolve gradualmente é introduzida pela
a) forma verbal “implicam”.
A junção do auxiliar “vir” acompanhado do gerúndio “ganhando” confere à ação uma ideia de progressão,
dando a entender que a ideia de “ganhar espaço” está se dando paulatinamente (gradativamente).
Resposta: B
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Texto
Dei em passear de bonde, saltando de um para outro, aventurando-me por travessas afastadas, para buscar o
veículo em outros bairros. Da Tijuca ia ao Andaraí e daí à Vila Isabel; e assim, passando de um bairro para outro,
procurando travessas despovoadas e sem calçamento, conheci a cidade — tal qual os bondes a fizeram
alternativamente povoada e despovoada, com grandes hiatos entre ruas de população condensada e toda ela,
agitada, dividida, convulsionada pelas colinas e contrafortes da montanha em cujas vertentes crescera. Jantava,
uns dias; em outros, almoçava unicamente; e houve muitos que nem uma coisa ou outra fiz. (...) Abelardo Leiva, o
meu recente conhecimento, era poeta e revolucionário. Como poeta tinha a mais sincera admiração pela beleza
das meninas e senhoras de Botafogo. Não faltava às regatas, às quermesses, às tômbolas, a todos os lugares em
que elas apareciam em massa; (...). Como revolucionário, dizia-se socialista adiantado, apoiando-se nas prédicas
e brochuras do Senhor Teixeira Mendes, lendo também formidáveis folhetos de capa vermelha, e era secretário
do Centro de Resistência dos Varredores de Rua. Vivia pobremente, curtindo misérias e lendo, entre duas refeições
afastadas, as suas obras prediletas e enchendo a cidade com os longos passos de homem de grandes pernas.
( ) CERTO ( ) ERRADO
RESOLUÇÃO
As formas verbais “Jantava”, “almoçava” e “vivia” estão flexionadas no pretérito imperfeito do indicativo,
tempo que faz menção a ações habituais no passado. Dessa forma, é incorreto afirmar que essas flexões denotam
início de ação. Elas, a verdade, indicam a continuidade de uma ação no passado.
RESPOSTA: ERRADO
A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto, julgue o próximo item.
Susanita emprega verbos no imperativo em todas as falas dirigidas a Mafalda, pois, a todo momento, dá ordens a
ela.
( ) CERTO ( ) ERRADO
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RESOLUÇÃO
( ) CERTO ( ) ERRADO
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RESOLUÇÃO
A forma verbal “for”, em “Se você for”, é flexão de futuro do subjuntivo do verbo SER. Já “vir”, em “... ou
(se) vir alguém...”, é flexão de futuro do subjuntivo do verbo VER.
RESPOSTA: ERRADO
A experiência dos Anjos da Noite confirma a percepção que tem qualquer cidadão dos maiores centros urbanos
brasileiros: o número de pessoas que vivem nas ruas elevou-se, e muito, nos últimos anos. As estatísticas são
esporádicas e, por isso, não é fácil saber com exatidão a proporção desse crescimento.
(Giovanni Magliano. A rua como único refúgio. Veja, 6.12.2017. Adaptado)
Assinale a alternativa que substitui as expressões destacadas no trecho seguinte, em conformidade com a norma-
padrão.
Basta estacionar o carro, e um grupo de pessoas carentes faz fila para ganhar o alimento.
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Resposta: D
Há emprego correto das formas verbais e correlação adequada entre tempos e modos, conforme a norma -padrão,
em:
a) Talvez seja válido considerar que o que nos desagradasse na adaptação de determinado livro seja a ausência de
nossa própria leitura, pois sempre esperarmos ver nossas expectativas correspondidas na tela.
b) Por mais que uma adaptação se proposse a ser fiel à obra em que se baseou, sempre haveria aspectos de
divergência, uma vez que o filme tivera uma linguagem própria e traduzira uma leitura particular.
c) Considerando que os leitores tenham modos peculiares de pensar e sentir, a apreensão de um texto literário não
será a mesma para todos, ainda que determinadas interpretações possam ser partilhadas.
d) Se as pessoas manterem o hábito de ler textos literários,teriam muito a ganhar, pois a literatura não apenas é
fundamental para que desenvolvêssemos nosso intelecto mas também é importante para expandirmos a
imaginação.
e) Quando as pessoas passassem a dedicar mais tempo à leitura e à introspecção, será possível ampliar suas
potencialidades intelectuais e emocionais, de modo que isso alterará a maneira como elas executariam todas as
suas atividades cotidianas.
RESOLUÇÃO:
ALTERNATIVA A: OPÇÃO INCORRETA. O Pretérito Imperfeito do Subjuntivo (desagradasse) deve
correlacionar-se com mesmo tempo nesse caso: (...) o que nos desagradasse na adaptação de determinado livro
seja (FOSSE) a ausência de nossa própria leitura (...).
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Antes, porém, de imprecar contra a ganância dos capitalistas, convém perguntar se os consumidores não desejam
ser enganados. E há motivos para acreditar que pelo menos uma parte deles queira.
No recém-lançado Dollars and Sense (dinheiro e juízo), Dan Ariely e Jeff Kreisler relatam um experimento natural
que mostra que pessoas podem optar por ser “ludibriadas” voluntariamente e que, em algum recôndito do cérebro,
isso faz sentido.
A JCPenney é uma centenária loja de departamentos dos EUA que se celebrizou por jogar seus preços na lua para
depois oferecer descontos “irresistíveis”. Ao fim e ao cabo, os preços efetivamente praticados estavam em linha
com os da concorrência, mas os truques utilizados proporcionavam aos consumidores a sensação, ainda que
ilusória, de ter feito um bom negócio, o que lhes dava prazer.
Em 2012, o então novo diretor executivo da empresa Ron Johnson, numa tentativa de modernização, resolveu
acabar com a ginástica de remarcações e descontos e adotar uma política de preços “justa e transparente”.
Os clientes odiaram. Em um ano, a companhia perdera US$ 985 milhões e Johnson ficou sem emprego. Logo em
seguida, a JCPenney remarcou os preços de vários de seus itens em até 60% para voltar a praticar os descontos
irresistíveis. Como escrevem Ariely e Kreisler, “os clientes da JCPenney votaram com suas carteiras e escolheram
ser manipulados”.
Num mundo em que o cliente sempre tem razão, não é tão espantoso que empresas se dediquem a vender-lhe as
fantasias que deseja usar, mesmo que possam ser desmascaradas com um clique de computador.
* Jornal Folha de São Paulo
Assinale a alternativa em que a forma verbal em destaque no trecho expressa a ideia de possibilidade de que um
fato ou evento se realize.
a) E há motivos para acreditar que pelo menos uma parte deles queira.
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RESOLUÇÃO:
ALTERNATIVA D: OPÇÃO INCORRETA. O Pretérito Mais Que Perfeito do Indicativo (PERDERA) indica ideia
ou sentido do que ocorreu num passado mais distante em relação, mas com certeza, com convicção, em relação a
outro fato ou evento também no passado.
ALTERNATIVA E: OPÇÃO INCORRETA. O Presente do Indicativo (TEM) indica ideia ou sentido do que ocorre
ou existe no momento da fala, e com certeza, com convicção.
Resposta: A
Se a frase do 2º quadrinho for reescrita na perspectiva de tempo futuro, em conformidade com a norma-padrão,
ela assumirá a seguinte redação:
a) Quando você querer escrever alguma monstruosidade, será possível comentar de forma anônima.
b) Quando você queira escrever alguma monstruosidade, é possível comentar de forma anônima.
c) Quando você quisesse escrever alguma monstruosidade, seria possível comentar de forma anônima.
d) Quando você quiser escrever alguma monstruosidade, será possível comentar de forma anônima.
e) Quando você quererá escrever alguma monstruosidade, é possível comentar de forma anônima.
RESOLUÇÃO:
ALTERNATIVA A: OPÇÃO INCORRETA. “Quando você querer” já apresenta um erro claro, pois a conjunção
temporal “quando” exige forma futura de Futuro do Subjuntivo, que é QUISER.
ALTERNATIVA B: OPÇÃO INCORRETA. “Quando você queira” já apresenta um erro claro, pois a conjunção
temporal “quando” repele o tempo Presente do Subjuntivo. Em se querendo usar esse tempo, tem-se de usar
conjunções ou locução conjuntiva como: caso, desde que etc, a saber: caso/desde que você queira...
ALTERNATIVA C: OPÇÃO INCORRETA. “Quando você quisesse” já apresenta um erro claro, pois a conjunção
temporal “quando” repele o tempo Pretérito Imperfeito do Subjuntivo. Em se querendo usar esse tempo, tem-se
de usar conjunções ou locução conjuntiva como: se, caso, desde que etc, a saber: se/caso/desde que você
quisesse...
ALTERNATIVA D: OPÇÃO CORRETA. A conjunção “quando” aceita o Futuro do Subjuntivo (quando você
quiser), bem assim está correta a correlação com ou outro tempo posterior que é o Futuro do Presente do
Indicativo (SERÁ).
ALTERNATIVA E: OPÇÃO INCORRETA. O erro está na indevida correlação dos tempos verbais: QUERERÁ
(futuro do presente) e É (presente do indicativo). Acrescente-se que, nesse caso, se terá de mudar também a
primeira forma verbal para QUISER (futuro do subjuntivo), se se mantiver a conjunção “quando”: quando você
quiser (...), será possível(...).
Resposta: D
Marieta
Sei que é falta de educação (mas pouca gente sabe hoje o que quer dizer falta de educação, ou mesmo educação)
falar em idade de mulher.
São múltiplas as teorias sobre idade feminina. Eu envelheceria ainda mais, se fosse anotar aqui todos os conceitos
alusivos a essa matéria; enquanto isso, as mulheres ficariam cada vez mais jovens. Depois, não estou interessado
em compendiar a incerta sabedoria em torno do tema incerto. Meu desejo é só este: contar a idade de Marieta,
por estranho que pareça.
E não é nada estranho, afinal. Marieta fazer 90 anos é tão simples quanto ela fazer 15. No fundo, está fazendo seis
vezes 15 anos, esta é talvez sua verdadeira idade, por uma graça da natureza que assim o determinou e assim o
fez. Privilégio.
Ah, Marieta, que inveja eu sinto de você, menos pelos seus 90, perdão, 6 x 15 anos, do que pelo sinal que iluminou
seu nascimento, sinal de alegria serena, de firmeza e constância, de leve compreensão da vida, que manda chorar
quando é hora de chorar, rir o riso certo, curtir uma forma de amor com a seriedade e a naturalidade que todo
amor exige.
Sei não, Marieta (de batismo e certidão, Maria Luísa), mas você é a mais agradável combinação de gente com
gente que eu conheço.
Na passagem “Eu envelheceria ainda mais, se fosse anotar aqui todos os conceitos alusivos a essa matéria;
enquanto isso, as mulheres ficariam cada vez mais jovens.”, tal como estão flexionados, os verbos
a) exprimem incerteza ou dúvida acerca de fatos ocorridos em tempo próximo.
RESOLUÇÃO:
Os tempos destacados envelheceria (futuro do pretérito) e fosse (pretérito imperfeito do subjuntivo) indicam
invariavelmente hipótese, possibilidade, o que leva à conclusão clara de que os verbos empregados nesse tempo
aludem a fatos, episódios, eventos que não ocorreram ou não existiram.
Resposta: B
A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade, estou
adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco
no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto
da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina,
quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador. Sem mais nada para
contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso de um poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria
o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem
os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim, um casal acaba de sentar-se numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de
espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de
uma menininha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à
mesa. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade.
Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom e
aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta
para atendê-lo. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção
do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A menininha olha a garrafa de refrigerante e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Vejo que os três, pai,
mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante,
retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um
animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve o refrigerante,
o pai risca o fósforo e acende as velas. A menininha sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se
a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra
você, parabéns pra você...”. A menininha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-
lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo, limpa o farelo de bolo que lhe cai
ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da
celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila,
ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
e) ... mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.(6º parágrafo)
RESOLUÇÃO:
ALTERNATIVA B: OPÇÃO CORRETA. “Gostaria”, Futuro do Pretérito, tempo verbal que indica naturalmente
“desejo”, “vontade”, “volição”.
ALTERNATIVA C: OPÇÃO INCORRETA. “curvo”, Presente do Indicativo (momento atual, da fala), ação que
é praticada no instante da fala, descrição do que ocorre no presente.
ALTERNATIVA D: OPÇÃO INCORRETA. “aguarda”, Presente do Indicativo (momento atual, da fala), ação
que é praticada no instante da fala, descrição do que ocorre no presente.
Sentado no coletivo, observo a roupa que cada um está usando e fico imaginando como escolheu aquele modelito
pra sair de casa.
Tem de tudo. Gente bem vestida, gente de qualquer jeito, bom gosto, mau gosto, roupa limpa, roupa suja.
Toda vez que penso nisso, lembro-me do poeta Paulo Leminski, com quem trabalhei no final dos anos 1980.
Leminski era o que chamamos de “figuraça”. Fazíamos o Jornal de Vanguarda juntos na TV Bandeirantes.
Lema, como o chamávamos, ia trabalhar de qualquer jeito. Uma calça Lee surrada, sem cinto, caindo, camiseta
branca encardida e muitas vezes aparecia na redação de chinelo franciscano.
Um dia, foi surpreendido no corredor da Band pelo comentarista de economia Celso Ming.
– Paulo Leminski, você percebeu que está usando uma meia de cada cor?
Lema levantou ligeiramente sua calça Lee e constatou que Ming – que ele chamava de Dinastia Ming – estava
certo. Não pensou duas vezes e respondeu na lata.
– Dinastia Ming, eu estou me lixando! Acordo, me visto no escuro e só vejo como estou quando chego na rua.
Uma expressão verbal que designa uma ação habitual realizada no passado está em:
RESOLUÇÃO:
ALTERNATIVA A: OPÇÃO CORRETA. “ia trabalhar” (ia - Pretérito Imperfeito do Indicativo) com infinitivo
impessoal – trabalhar –, destacando-se o valor do Pretérito Imperfeito para a ideia de habitualidade, ou seja, ação
repetitiva, constante, habitual.
ALTERNATIVA B: OPÇÃO INCORRETA. “foi surpreendido” (foi – Pretérito Perfeito do Indicativo, ato
concluído; surpreendido – particípio), voz passiva, ação concluída no passado em que o sujeito é paciente.
ALTERNATIVA C: OPÇÃO INCORRETA. “está usando”: (está – Presente do Indicativo, momento atual, da
fala; usando – Gerúndio, ideia ou valor de desenvolvimento, continuidade, em processamento).
a) Há pessoas que escolhem com bom gosto a roupa que vestem, independentemente das circunstâncias.
b) No coletivo, alguns vestiam-se com cuidado, enquanto outros parecia ser mais displicente.
c) Roupas belas ou feias, limpas ou sujas, tudo levavam a imaginar como devia viver aqueles estranhos.
d) Muitos são os fatores que é levado em conta quando cada um de nós escolhem o que vestir.
e) São importantes lembrar que nossa personalidade e nossos valores não se define pela roupa que usamos.
RESOLUÇÃO:
ALTERNATIVA A: OPÇÃO CORRETA. “Há pessoas” – verbo HAVER, no sentido de existir, é impessoal, o
sujeito é inexistente, e o verbo HAVER ficará sempre no singular; “que escolhem” – verbo “escolher”, embora tenha
como sujeito o pronome relativo “que” (=as quais), que se refere a “pessoas”, deve concordar com o referente
“pessoas” na 3ª pessoa do plural, assim como o verbo “vestem”, cujo sujeito é também “pessoas”, daí a 3ª pessoa
do plural.
ALTERNATIVA B: OPÇÃO INCORRETA. “enquanto outros parecia ser” – erro claro em que o sujeito está na
3ª pessoa do plural (outros) e o verbo está na 3ª pessoa do singular (parecia).
ALTERNATIVA D: OPÇÃO INCORRETA. “muitos são os fatores que é levado”, o pronome relativo “que” tem
como referente “fatores”, com o qual o verbo ou locução verbal deve concordar: muitos são os fatores QUE (OS
QUAIS) SÃO LEVADOS. Além disso, deve-se empregar a forma singular “escolhe”, para que haja concordância
com a forma indefinida “cada um”.
ALTERNATIVA E: OPÇÃO INCORRETA. São importantes lembrar (...), sujeito da oração inicial é a oração
seguinte: é importante LEMBRAR QUE NOSSA PERSONALIDADE E NOSSSOS VALORES NÃO (...), nesse caso o
verbo da oração principal tem de ficar no singular; há outro erro: nossos valores não se define, pois o SE (pronome
apassivador) indica que o sujeito – valores – e o verbo – define – têm de concordar entre si: nossos valores não se
definem, o que na voz passiva analítica equivalerá a: nossos valores não são definidos.
Resposta: A
De patas para o ar
Rafiki é um angolano, filho de uma economista e de um funcionário de multinacional. Veio para o Brasil estudar
medicina e foi surpreendido pela carga de preconceito que encontrou aqui. Já enfrentou o constrangimento de
perceber que pessoas fecham os vidros dos carros nos sinais quando o veem, ou mulheres se agarram a suas bolsas
ao cruzarem com ele na calçada.
O universitário Rafiki mora em um bairro de classe média alta e uma noite, quando estava para entrar em seu
prédio, viu um casal passar por ele, entrar e bater a porta.
O angolano entrou em seguida e encontrou o casal esperando o elevador. Como a mulher o encarava
insistentemente, ele perguntou:
─ Estou sujo? Tem alguma coisa errada comigo? Qual é o problema?
O marido se desculpou dizendo:
─ Sabe como é hoje em dia, né? A gente tem que ficar ligado...
Quando as pessoas, porém, ficam sabendo que Rafiki é estudante de medicina, mudam a forma de tratá-lo.
Rafiki também não compreende um comportamento que chama sua atenção no Brasil: as pessoas pedirem
informações na rua sem antes dizer “bom dia”, “por favor”, “com licença”. Mas ele não acredita que essa falta de
educação seja maior aqui do que em outros países. A gentileza tem sido pouco valorizada. Rafiki costuma dizer
ultimamente que o mundo todo está de patas para o ar.
(Leila Ferreira. A arte de ser leve. São Paulo: Globo, 2010. Adaptado)
No trecho – O universitário Rafiki mora em um bairro de classe média alta e uma noite, quando estava para entrar
em seu prédio... – as formas verbais destacadas estão, respectivamente, nos tempos
a) presente e futuro.
b) passado e presente.
c) futuro e presente.
d) presente e passado.
e) futuro e passado.
RESOLUÇÃO:
A forma “mora” (presente do indicativo) é tempo verbal que indica momento atual da fala, instante presente.
Já “estava” (pretérito imperfeito do indicativo) é tempo verbal que indica passado, pretérito, momento anterior à
fala, no caso com ideia de fato que estava na iminência de ocorrer.
Resposta: D
Ao ouvir o comentário da amiga “Eu não sei nada de George Washington. Eu odeio fazer redações!”, Calvin,
POR POLIDEZ, CORTESIA, EDUCAÇÃO, sugere ou aconselha sua amiga a procurar na enciclopédia. Não há
sentido figurado em qualquer passagem do discurso em questão, muito menos valor categórico na expressão
verbal, bem assim “sarcasmo” ou ideia de “futuro remoto”.
Resposta: C
A revolução digital fortalece as previsões de que as casas ou lares inteligentes oferecerão mais conveniência e
menos dispêndio de energia em um futuro.
A definição de conveniência para esses novos lares tecnológicos, com redução ou eliminação de trabalhos
domésticos. Portanto, para que as edificações inteligentes tenham sucesso, elas deverão se estruturar com base
nessa visão de conveniência como solução para os que vivem em um mundo acelerado e estar ancoradas em uma
grande variedade de sistemas tecnológicos acessíveis e fáceis de operar, tornando a vida das pessoas mais simples.
Além da conveniência, outro relevante benéfico das casas inteligentes, para os consumidores é a sua capacidade
de incorporar aspectos relacionados à administração do gasto de energia, principalmente com iluminação,
condicionamento de ar eletrodomésticos. Um conjunto de sensores, adequadamente configurados para gerenciar
esses sistemas, pode gerar diminuição considerável nos gastos com energia, com reflexos ambientais e
econômicos importantes.
Naturalmente, a tecnologia das casas inteligentes continuará a evoluir, tornando-se acessível e barata. Com isso,
mais pessoas poderão utilizar-se dela, e novos padrões, modelos e estilos de vida devem se consolidar,
principalmente nas áreas urbanas.
(Claudio Bernades. Casas inteligentes trarão conveniência e reduzirão gasto de energia. Folha de S. Paulo. www.folha.uol.com.br. 22.01.18. Adaptado)
Considere a frase:
A empresa de pesquisa Zion Research prevê que a tecnologia das casas inteligentes deve alcançar, um
faturamento de US$ 53 bilhões (R$ 170 bi) em 2002.
a) recomendação
b) obrigatoriedade
c) refutação
d) probabilidade
e) comprovação
RESOLUÇÃO:
Se tomarmos por base, além do trecho indicado por base do comando da questão, esta passagem completa
“A tendência de crescimento desse mercado é clara. A empresa de pesquisa Zion Research prevê que a tecnologia
das casas inteligentes deve alcançar um faturamento de US$ 53 bilhões (R$170 bi) em 2022. O crescimento estará
calcado, principalmente, na conexão da casa (...)”, e levarmos em conta os vocábulos sublinhados fica clara a ideia
de “probabilidade” (tendência, prevê, estará – tempo futuro).
Resposta: D
A revolução digital fortalece as previsões de que as casas ou lares inteligentes oferecerão mais conveniência e
menos dispêndio de energia em um futuro.
A definição de conveniência para esses novos lares tecnológicos, com redução ou eliminação de trabalhos
domésticos. Portanto, para que as edificações inteligentes tenham sucesso, elas deverão se estruturar com base
nessa visão de conveniência como solução para os que vivem em um mundo acelerado e estar ancoradas em uma
grande variedade de sistemas tecnológicos acessíveis e fáceis de operar, tornando a vida das pessoas mais simples.
Além da conveniência, outro relevante benéfico das casas inteligentes, para os consumidores é a sua capacidade
de incorporar aspectos relacionados à administração do gasto de energia, principalmente com iluminação,
condicionamento de ar eletrodomésticos. Um conjunto de sensores, adequadamente configurados para gerenciar
esses sistemas, pode gerar diminuição considerável nos gastos com energia, com reflexos ambientais e
econômicos importantes.
Naturalmente, a tecnologia das casas inteligentes continuará a evoluir, tornando-se acessível e barata. Com isso,
mais pessoas poderão utilizar-se dela, e novos padrões, modelos e estilos de vida devem se consolidar,
principalmente nas áreas urbanas.
(Claudio Bernades. Casas inteligentes trarão conveniência e reduzirão gasto de energia. Folha de S. Paulo. www.folha.uol.com.br. 22.01.18. Adaptado)
Considere o trecho:
Esse trecho está reescrito, conforme a norma -padrão, com a forma verbal na voz passiva correspondente em:
a) Um estudo foi desenvolvido pelo departamento de engenharia da computação da Academia Árabe de Ciências
e Tecnologia.
b) Um estudo foi que desenvolveu o departamento de engenharia da Academia Árabe de Ciências e Tecnologia.
RESOLUÇÃO:
O modo verbal em “não digite” expressa um conselho, assim como ocorre com a expressão destacada em:
a) Como não haverá expediente bancário na sexta-feira, o boleto poderá ser pago na segunda-feira.
b) O morador não autorizou a entrada do técnico para a medição do consumo de gás no imóvel.
c) Atenção: não se esqueçam de usar o cinto de segurança também no banco de trás do automóvel.
d) Pesquisadores canadenses descobriram que o macarrão não induz o ganho de peso.
e) Os candidatos que não apresentarem um documento com foto não poderão realizar a prova.
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “não digite” está flexionada no modo imperativo, que expressa ordem, pedido ou conselho,
o mesmo que ocorre na letra C. O imperativo necessariamente implica uma interação entre autor e interlocutor, o
que só ocorre na letra C.
O aspecto mais perverso da brutal recessão de 2014-16 – e da lenta recuperação que a sucedeu até agora – é o
custo desproporcional imposto aos mais pobres.
Como primeiro impacto, o fechamento de vagas no mercado de trabalho e a queda da renda reverteram uma
trajetória de avanços sociais que já completava uma década. Durante o longo ciclo de retração, a taxa de
desemprego subiu de 6,5% para 13,7%, ou, dito de outro modo, 5,9 milhões de pessoas perderam seus postos de
trabalho.
A retomada do crescimento econômico, iniciada no ano passado, tem se mostrado tímida e, embora a
desocupação tenha caído um pouco, a qualidade das vagas geradas deixa a desejar.
Não surpreende, pois, que os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE
mostrem um quadro deteriorado.
A partir deles, a consultoria LCA calculou que em 2017 a pobreza extrema se elevou em 11%. Conforme os números
publicados pelo jornal Valor Econômico, 14,8 milhões de brasileiros são miseráveis – considerando uma linha de R$
136 mensais. O Nordeste abriga 55% desse contingente.
Embora não se possa afirmar com certeza, uma vez que o IBGE alterou a metodologia da Pnad e ainda não divulgou
as novas séries históricas, é plausível que também a exorbitante desigualdade social brasileira tenha aumentado
com a recessão.
(Miséria brasileira, editorial. Folha de S.Paulo. 14.04.2018. Adaptado)
Exprime ideia de possibilidade a expressão verbal destacada na passagem:
a) Conforme os números publicados pelo jornal Valor Econômico, 14,8 milhões de brasileiros são miseráveis...
b) ... dito de outro modo, 5,9 milhões de pessoas perderam seus postos de trabalho.
c) ... é plausível que também a exorbitante desigualdade social brasileira tenha aumentado com a recessão.
d) ... a qualidade das vagas geradas deixa a desejar.
e) ... reverteram uma trajetória de avanços sociais que já completava uma década.
RESOLUÇÃO:
Nas letras D e E, as formas verbais se apresentam no indicativo – tempos presente e pretérito imperfeito,
respectivamente.
Já na letra C, nosso gabarito, a forma verbal “tenha aumentado” corresponde ao pretérito perfeito composto
do subjuntivo.
Resposta: C
Mas era preciso matar Frei Caneca de qualquer jeito, como exemplo para desencorajar futuros conspiradores. O
juiz então ordenou que ele fosse fuzilado. Percebendo que os soldados tremiam com as armas na mão, Frei Caneca
procurou exortá-los:
– Vamos, meus amigos. Não me façam sofrer muito. Virgem Maria há de compreender os vossos temores. Tenham
fé, ela já os perdoou.
E os tiros provocaram um arrepio na multidão silenciosa.
(Eloy Terra. 500 anos: Crônicas pitorescas da história do Brasil. Adaptado)
Ele tinha participado da revolta da Confederação do Equador. (III) Vestia o hábito da Irmandade da Madre de
Deus.
As formas “caminhava” e “vestia” são flexões do pretérito imperfeito do indicativo. Correspondem a ações
do passado que tiveram continuidade, repetição. Guardam entre si uma ideia de concomitância.
Dessa forma, a participação na Confederação do Equador (II) é anterior à caminhada em direção à forca (I).
Resposta: A
Considerando a correlação entre as formas verbais, conforme a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas,
respectivamente, com:
a) visse ... reporta
RESOLUÇÃO:
Na letra A, o pretérito imperfeito do subjuntivo “visse” não é compatível com o presente do subjuntivo
“reporta”.
Na letra B, está errada a flexão de futuro do subjuntivo do verbo “ver”. O certo não é “Se você ver”, e sim “Se
você vir”.
Na letra C, está errada a flexão na 1ª lacuna. Nesta se pede uma forma verbal no subjuntivo, e não no
indicativo. O mesmo ocorre na letra E.
Na letra D, a forma de futuro do subjuntivo “vir” está corretamente correlacionada com a forma de
imperativo afirmativo “reporte”, flexionada na terceira pessoa do singular, para atender ao tratamento “você”.
Resposta: D
A senhora – o que foi que tomou mesmo? Comprimidos. Não sabe que comprimidos? Gardenal. Tomou Gardenal.
Muitos? Cuidado, não pise no fio do microfone. Dez comprimidos. E o que foi que sentiu? Uma tontura gostosa!
Vejam só, uma tontura gostosa! Não é notável? Uma tontura gostosa. E foi por causa de quem? Olha o fio. Do
marido. O marido bebia. Batia também? Batia. Voltava bêbado e batia. Quebrava toda a louça. Agora prometeu
se regenerar. E ela não vai mais tomar Gardenal. Palmas. Olha o fio. Fica ali, à esquerda. Ali, junto com as outras.
Depois recebe o brinde. Aproveito este breve intervalo para anunciar que a moça loira da semana passada –
lembram, aquela que tomou ri-do-rato? Morreu. Morreu ontem. A família veio aqui me avisar. Foi uma dura lição,
infelizmente ela não poderá aproveitar. Outros o farão. E a senhora? Ah, não foi a senhora, foi a menina. Que idade
tem ela? Dez. Tomou querosene? Por que a senhora bateu nela? A senhora não bate mais, ouviu? E tu não toma
mais querosene, menina. A propósito, que tal o gosto? Ruim. Não tomou com guaraná? Ontem esteve aqui uma
que tomou com guaraná. Diz que melhorou o gosto. Não sei, nunca provei. De qualquer modo, bem-vinda ao nosso
Clube. Fica ali, junto com as outras. Cuidado com o fio. Olha um homem! Homem é raro aqui. O que foi que houve?
A mulher lhe deixou? Miserável. Ah, não foi a mulher. Perdeu o emprego. Também não é isto. Fala mais alto! Está
desenganado. É câncer? Não sabe o que é. Quem foi que desenganou? Os doutores às vezes se enganam. Fica ali
à esquerda e aguarde o brinde. E esta moça? Foi Flit? Tu pensas que é barata, minha filha? Vai ali para a esquerda.
Olha o fio, olha o fio. E esta senhora, tão velhinha – já me disseram que a senhora quis se enforcar. É verdade? Com
o fio do ferro elétrico, quem diria! E dá? Mostra para nós como é que foi. Pode usar o fio do microfone.
Nos trechos “Cuidado, não pise no fio do microfone.”, “Fica ali, à esquerda.” e “Mostra para nós como é que foi.”,
o apresentador emprega o verbo no imperativo, respectivamente, com as seguintes finalidades:
RESOLUÇÃO:
A forma de imperativo “não pise” expressa uma advertência. A evidência disso é o alerta manifestado com o
emprego de “Cuidado”.
Já a forma “Fica” expressa um pedido, uma solicitação, uma orientação. Não tem o caráter assertivo que
caracteriza a ordem. O mesmo ocorre com a forma “Mostra”.
Resposta: D
Não foi pouco para um único dia de fiscalização. Dois caminhões, um trator, uma camionete e uma pá carregadeira
foram inutilizados pelo Ibama*, por servirem à extração ilegal de madeira na divisa entre Rondônia e Mato Grosso.
Embora os agentes do instituto tivessem o que comemorar, seria incorreto qualificar como êxito o que ocorreu –
pelo menos de uma perspectiva mais alongada no tempo.
A facilidade com que se encontraram sinais flagrantes de desmatamento nada mais revela do que o extremo de
sem-cerimônia dos madeireiros ilegais na Amazônia.
Autorizada por decreto de 2008, a destruição dos equipamentos empregados nessa atividade predatória parece
ser uma das poucas punições efetivamente ressentidas pelos infratores. Levada a cabo por meio de helicópteros,
a ação do Ibama afugenta, pelo mero estardalhaço de sua aproximação, os responsáveis diretos pelo crime.
Porém, mal os helicópteros levantam voo novamente, o desmatamento prossegue. Operações dessa monta se
fazem de raro em raro, e os madeireiros não chegam a abalar-se da área protegida.
Além da óbvia extensão da floresta, outros fatores tornam complexa a fiscalização. Madeireiros possuem, por
exemplo, licença para a exploração sustentável do recurso natural, mas a utilizam para enveredar em áreas
protegidas.
Iniciativas mais extensas e difíceis, mas de maior alcance, envolveriam o engajamento da população em outras
atividades atraentes do ponto de vista econômico. A falta de alternativas de trabalho sem dúvida explica por que
madeireiros ilegais encontram algum apoio entre os habitantes da região. Ainda que fulgurante, a ação de poucos
fiscais será incapaz de interromper o desmatamento.
No trecho do penúltimo parágrafo do texto “Iniciativas mais extensas e difíceis, mas de maior
alcance, envolveriam o engajamento da população...”, a forma verbal em destaque expressa sentido de
a) improbabilidade.
b) certeza.
c) ação concluída.
d) dúvida.
e) possibilidade.
RESOLUÇÃO:
A forma “envolveriam” está flexionada no futuro do pretérito do indicativo. Entre tantos empregos dessa
forma verbal, está a ideia de possibilidade concreta.
As letras A e D estão erradas, pois partem do pressuposto de que a ação tem mais chances de não ocorrer.
Resposta: E
Álvaro fugia e evitava Isabel; tinha medo desse amor ardente que o envolvia num olhar, dessa paixão profunda e
resignada que se curvava a seus pés sorrindo melancolicamente. Sentia-se fraco para resistir, e entretanto o seu
dever mandava que resistisse.
Ele amava, ou cuidava* amar ainda Cecília; prometera a seu pai ser seu marido; e na situação em que se achavam,
aquela promessa era mais do que um juramento, era uma necessidade imperiosa, uma fatalidade que se devia
cumprir.
Como podia ele pois alimentar uma esperança de Isabel? Não seria infame, indigno, aceitar o amor que ela lhe
oferecera suplicando? Não era seu dever destruir naquele coração esse sentimento impossível?
(José de Alencar, O guarani)
* imaginava
A passagem em que a primeira forma verbal destacada está flexionada de modo a expressar uma ação ocorrida
em um tempo anterior ao da segunda forma verbal destacada é:
d) ... prometera a seu pai ser seu marido; e na situação em que se achavam...
RESOLUÇÃO:
A descrição apresentada corresponde ao pretérito mais-que-perfeito do indicativo, forma identificada na
letra D, com a flexão “prometera”.
Resposta: D
Tentação do imediato
É difícil definir o status de uma época quando ainda se está nela, mas certamente uma das características
marcantes do momento atual é o imediatismo. Percebo a tendência de simplificação nos procedimentos e a opção
pelas ações que oferecem vantagens imediatas e menores riscos, sem considerar as consequências futuras.
Esse comportamento pode ser resultante da dificuldade de se lidar com as frustrações geradas, basicamente, por
três motivos: demora, contrariedade e conflito. Seus efeitos podem ser agressão, regressão e fuga.
Um experimento famoso feito na Universidade Stanford (EUA), no final dos anos 1960, testou a capacidade de
crianças resistirem à atração da recompensa instantânea – e rendeu informações úteis sobre a força de vontade e
a autodisciplina. Aquelas que resistiram tiveram mais sucesso na vida.
A atitude imediatista praticamente impacta todas as decisões, desde a vida pessoal à rotina das empresas,
chegando até à condução do país. O que importa é o hoje e o agora!
Muitas vezes, o valor da durabilidade e da consistência – o longo prazo – parece uma história fantasiosa.
Entretanto, a vida prática confirma que o investimento em educação de qualidade e a dedicação aos estudos, por
exemplo, geram bons resultados futuros. Profissionais bem qualificados e competentes em suas áreas de atuação,
ou seja, aqueles que se dedicaram, aprofundaram seus conhecimentos e os praticaram, costumam encontrar
melhores opções na vida profissional.
É preciso, todavia, acreditar nessa equação e investir tempo e dinheiro para colher seus frutos.
Os atalhos são tentadores, mas seus resultados a longo prazo tendem a ser frustrantes.
Se a pessoa _________ nessa equação e investir tempo e dinheiro, poderá colher bons frutos.
A lacuna dessa frase deve ser preenchida, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, com:
a) ter crença
b) pôr foco
c) querer apostar
d) poder crer
e) vir sentido
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “poderá”, flexionada no futuro do presente do indicativo, pede correlação com forma verbal
no futuro do subjuntivo.
Das opções apresentadas, apenas a letra E traz essa flexão. A forma “Se a pessoa vir...” corresponde ao futuro
do subjuntivo do verbo “ver”.
Resposta: E
O substituto da vida
Quando meu instrumento de trabalho era a máquina de escrever, eu me sentava a ela, escrevia o que tinha de
escrever, relia para ver se era aquilo mesmo, fechava a máquina, entregava a matéria e ia à vida.
Se trabalhasse num jornal, isso incluiria discutir futebol com o pessoal da editoria de esporte, ir à esquina comer
um pastel ou dar uma fugida ao cinema.
Se já trabalhasse em casa, ao terminar de escrever eu fechava a máquina e abria um livro, escutava um disco ou
dava um pulo rapidinho à praia. Só reabria a máquina no dia seguinte.
Hoje, diante do computador, termino de produzir um texto, vou à lista de mensagens para saber quem me
escreveu, deleto mensagens inúteis, respondo às que precisam de resposta, eu próprio mando mensagens inúteis.
Quando me dou conta, já é noite lá fora e não saí da frente da tela.
Com o smartphone seria pior ainda. Ele substituiu a caneta, o bloco, a agenda, o telefone, a banca de jornais, a
máquina fotográfica, o álbum de fotos, a câmera de cinema, o DVD, o correio, a secretária eletrônica, o relógio de
pulso, o despertador, o gravador, o rádio, a TV, o CD, a bússola, os mapas, a vida. É por isso que nem lhe chego
perto – temo que ele me substitua também.
(Ruy Castro. Folha de S.Paulo. 02.01.2016. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a forma verbal em destaque expressa a probabilidade de um fato ou um evento
ocorrer.
RESOLUÇÃO:
Na lera E, a forma “seria” está flexionada no futuro do pretérito do indicativo. Entre tantos empregos dessa
forma verbal, está a ideia de possibilidade concreta.
Resposta: E
Outra estatística
No poema, o eu lírico estabelece uma interlocução direta com o leitor, quando emprega o verbo no imperativo
em:
a) Mas isso deve ser para atenuar a situação.
RESOLUÇÃO:
O único trecho em que ocorre interação entre o autor da frase e o seu interlocutor é o da letra D. Uma das
características do modo imperativo, que expressa ordem, pedido ou conselho, é a interação entre falante e
interlocutor.
Resposta: D
Iniciando-se a frase – Retemos mais informações quando nos sentamos em um local fixo... – com o termo Talvez,
indicando condição, a sequência que apresenta correlação dos verbos destacados de acordo com a norma- padrão
será:
RESOLUÇÃO:
O advérbio de dúvida “Talvez” requisita uma forma verbal flexionada no modo subjuntivo.
A única opção que contém formas verbais flexionadas nesse modo é a letra B. As formas “retivéssemos” e
“sentássemos” estão flexionadas no pretérito imperfeito do subjuntivo.
Resposta: B
RESOLUÇÃO:
A forma de presente do subjuntivo “haja” requer na 3ª lacuna uma correlação com a forma de futuro do
subjuntivo “detiverem”.
Mantendo-se o paralelismo (semelhança) entre as frases, a combinação coerente para a 1ª e 2ª lacunas é
composta pelo futuro do subjuntivo do verbo ”vir” – “vierem” – e presente do subjuntivo - “subvertam”.
Resposta: C
A forma verbal destacada foi empregada, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, em:
d) Se haver participação dos cidadãos, construiremos uma sociedade mais justa para o Brasil.
RESOLUÇÃO:
Na letra B, é preciso empregar o acento diferencial na forma “têm”, para que haja concordância com o sujeito
de núcleo plural “As pessoas honestas”.
A disciplina do amor Foi na França, durante a Segunda Grande Guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os
dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde.
Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante
de volta à casa.
A vila inteira já conhecia o cachorro, e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava
a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o
momento em que seu dono apontava lá longe.
Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo?
Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao
menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e
levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um
relógio preso à pata, voltava ao posto de espera.
O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram
prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora, ele disparava para o compromisso assumido,
todos os dias.
Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não
voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros
amigos. Só o cachorro já velhíssimo continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, mas quem
esse cachorro está esperando?… Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para “aquela” direção.
(http://www.beatrix.pro.br/index.php/a-disciplina-do-amor-lygia-fagundes-telles/ Adaptado)
A forma verbal destacada indica ação realizada habitualmente pelo sujeito em:
d) ... e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte.
RESOLUÇÃO:
A descrição apresentada no enunciado corresponde ao tempo pretérito imperfeito do indicativo, que faz
menção a ações que tiveram continuidade, repetição no passado, ou seja, ações que eram habituais.
Esse tempo verbal é apresentado na letra A.
Resposta: A
Tu ias dormir e eu velava para que dormisses bem e profundamente. Tua irmã, embora menor, creio que ela me
embromava: na realidade, ela já devia pressentir que Papai Noel era um mito que nós fazíamos força para manter
em nós mesmos. Ela não fazia força para isso, e desde que a árvore amanhecesse florida de pacotes e coisas, tudo
dava na mesma. Contigo era diferente. Tu realmente acreditavas em mim e em Papai Noel.
Na escola te corromperam. Disseram que Papai Noel era eu — e eu nem posso repelir a infâmia e o falso
testemunho. De qualquer forma, pediste um acordeão e uma caneta — e fomos juntos, de mãos dadas, escolher o
acordeão.
O acordeão veio logo, e hoje, quando o encontrar na árvore, já vai saber o preço, o prazo da garantia, o fabricante.
Não será o mágico brinquedo de outros Natais.
Quanto à caneta, também a compramos juntos. Escolheste a cor e o modelo, e abasteceste de tinta, para "já estar
pronta" no dia de Natal. Sim, a caneta estava pronta. Arrumamos juntos os presentes em volta da árvore. Foste
dormir, eu quedei sozinho e desesperado.
E apanhei a caneta. Escrevi isto. Não sei, ainda, se deixarei esta carta junto com os demais brinquedos. Porque
nisso tudo o mais roubado fui eu. Meu Natal acabou e é triste a gente não poder mais dar água a um velhinho
cansado das chaminés e tetos do mundo.
b) brotava.
c) vinha brotando.
d) havia brotado.
e) eram brotados.
RESOLUÇÃO
A forma “brotara” corresponde ao pretérito mais-que-perfeito do indicativo na sua forma simples. Isso fica
bem evidente com a presença da desinência modo-temporal característica RA. A forma composta, mais
empregada no dia a dia, é formada pelo verbo auxiliar TER ou HAVER, acompanhado do verbo principal no
particípio, tal como se apresenta na letra D: havia brotado.
Resposta: D
As formas verbais sublinhadas mostram perfeita concordância de tempos; as formas verbais a seguir que
mostram inadequação são:
a) pintava / perdia.
b) pinte / tenho perdido.
RESOLUÇÃO
ALTERNATIVA A: CERTA – As formas “pintava” e “perdia” estão flexionadas no pretérito imperfeito do indicativo.
São formas adequadas para a frase, uma vez que fazem menção a ações ou eventos habituais no passado.
ALTERNATIVA B: ERRADA – Não há uma relação harmônica entre as formas verbais “pinte” e “tenho perdido”.
A primeira corresponde ao presente do subjuntivo, representando um fato hipotético. A concretização dessa
hipótese requer, na sequência, uma ação futura como resultado, algo que poderia ser representado pelo futuro do
presente “perderá”.
No entanto, surge na sequência a forma “perdia”, flexão de pretérito imperfeito do indicativo. Essa flexão faz
menção a uma ação o evento habitual no passado, não atendendo a necessidade de ação futura.
ALTERNATIVA C: CERTA- Trata-se da tradicional correlação entre o pretérito imperfeito do subjuntivo – tivesse
– e o futuro do pretérito do indicativo - teria.
ALTERNATIVA D: CERTA - Trata-se da tradicional correlação entre o pretérito imperfeito do subjuntivo – pintasse
– e o futuro do pretérito do indicativo - perderia.
ALTERNATIVA E: CERTA – Trata-se de duas formas de pretérito mais-que-perfeito do indicativo: uma simples –
pintara -; outra composta – tinha perdido. O emprego de ambas dá a entender que se trata de eventos anteriores
a outros eventos passados.
Resposta: B
a) “Nenhuma moralidade pode fundar-se na autoridade, mesmo que a autoridade fosse divina.”
b) “Se os teus princípios morais te deixam triste, podes estar certo de que estivessem errados.”
e) “Tenho a impressão de que a exclamação ‘A pátria corre perigo’ não seja tão terrível quanto ‘A cultura corre
perigo!’”
RESOLUÇÃO:
Analisemos as opções:
ALTERNATIVA A – ERRADA – Não há compatibilidade (correlação, correspondência) entre as formas de presente
do indicativo – pode – e pretérito imperfeito do subjuntivo – fosse.
Há duas maneiras de corrigir: ou se opta pelo par “pode” e “seja”; ou se opta pelo par “podia/poderia” e “fosse”.
ALTERNATIVA C – ERRADA – A presença do presente do indicativo “é” estabelece uma correspondência com o
presente do subjuntivo “eliminemos”. Outra combinação possível seria o pretérito imperfeito do indicativo “era”
em parceria com o pretérito imperfeito do subjuntivo “eliminássemos”.
ALTERNATIVA E – CERTA – O presente do indicativo nas formas “Tenho” e “corre” permite parceria com o
presente do subjuntivo “seja”.
Resposta: E
“... ela já devia pressentir que Papai Noel era um mito que nós fazíamos força para manter em nós mesmos.”
Se trocássemos a forma da oração reduzida sublinhada por uma oração desenvolvida, a forma adequada seria:
RESOLUÇÃO
As orações reduzidas, ainda a serem detalhadas nas aulas de Sintaxe, não são introduzidas nem por conjunção
nem por pronome relativo, estando seus verbos numa das três formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.
A oração reduzida em questão é “para manter em nós mesmos”.
Desenvolver uma oração é fazer aparecer uma conjunção, flexionando o verbo, obedecendo às corretas
correlações.
A presença das formas verbais de pretérito imperfeito do indicativo “devia”, “era” e “fazíamos” força o uso do
pretérito imperfeito do subjuntivo “mantivéssemos”.
Resposta: A
a) impunha;
b) impusesse;
c) imponha;
d) impuser;
e) impora.
RESOLUÇÃO:
“Os países com bom desempenho nessa habilidade têm estruturas de aula...”; a frase abaixo que mostra uma
forma verbal INADEQUADA de um verbo composto de “ter” é:
a) ela não se atinha ao tema indicado;
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “deveríamos ser” forma uma locução verbal como os vocábulos abaixo:
a) queremos ser;
b) mandamos ser;
c) deixemos ser;
d) vimos ser;
e) ouvimos ser.
RESOLUÇÃO:
Vamos relembrar como identificar uma locução verbal!
...
A locução verbal, apesar de ser formada por mais de um verbo, constitui apenas uma unidade de sentido,
formando apenas uma oração.
Mas, professor, como eu saberei se aqueles dois verbos juntinhos formam uma unidade de sentido? Em outras
palavras, como saber se aquela união de verbos forma uma locução? Essa pergunta é importantíssima e sua resposta
precisa ser bem elaborada, de modo a não ficar dúvida alguma.
A primeira e mais importante evidência da presença de uma locução verbal é que tanto o verbo auxiliar como o
verbo principal devem se referir ao mesmo sujeito. Na frase “O professor vai resolver muitos exercícios na aula.”,
tanto o verbo auxiliar “vai” como o principal “resolver” compartilham do mesmo sujeito. Se perguntarmos “Quem
vai?” ou “Quem resolverá?”, a resposta será a mesma: o professor!
Esse primeiro filtro já nos leva a importante conclusão: verbos causativos e sensitivos acompanhados de
infinitivos ou gerúndios nunca irão formar locuções verbais, pois os sujeitos são diferentes.
Veja a frase:
Note que o verbo sensitivo “vejo” tem como sujeito “eu”. Já a forma de gerúndio “trabalhando” tem como
sujeito acusativo (Lembra a definição de sujeito acusativo na aula passada?) o pronome oblíquo “me”. Portanto, não
ocorre uma locução verbal, pois os sujeitos são diferentes!
Mais um exemplo:
Note que o verbo causativo “mandar” tem como sujeito “eu”. Já a forma de infinitivo “fazer” tem como
sujeito acusativo o oblíquo “te”. Portanto, não ocorre uma locução verbal, pois os sujeitos são diferentes!
No entanto, mesmo constatando que os dois verbos que estão juntinhos possuem o mesmo sujeito, podem
restar algumas dúvidas! Ora, se formos capazes de desenvolver a oração introduzida pelo infinitivo ou gerúndio, fazendo
aparecer algum conector, provamos que não ocorre uma locução verbal. Veja:
Não nos cabe julgar a preferência alheia. (= Não nos cabe que julguemos a preferência alheia).
Portanto, para efeito de prova, teremos uma locução verbal quando os dois verbos – auxiliar e principal -
compartilharem do mesmo sujeito. No entanto, se houver a presença de um verbo sensitivo ou causativo ou se o
infinitivo ou gerúndio puderem ser desenvolvidos com o aparecimento de um conector, NÃO teremos locução verbal.
...
Isso posto, já eliminamos as letras B e C, haja vista que temos a presença de verbos causativos – mandar e
deixar. Também eliminamos as letras D e E, haja vista que temos a presença de verbos sensitivos – ver e ouvir.
Vale mencionar que existe divergência entre os gramáticos acerca de construções com o verbo “querer”.
Muitos consideram construções como “queremos ser” uma locução verbal, pois se trata uma única expressão
verbal. Outros atestam que se trata de duas formas verbais independentes, alegando que “queremos ser” equivale
a “queremos que seja”.
Resposta: A
Ressentimento e Covardia
Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma
legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de
comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como
a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e
outros recursos de apropriação indébita.
“Tenho comentado aqui na Folha”; o tempo verbal destacado nesse segmento inicial do texto indica uma ação
que:
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “tenho comentado” indica que a ação teve seu início no passado, não bem delimitado. No
entanto, a ação ainda não teve encerramento, pois perdura no presente. Em outras palavras, é o que descreve a
letra B.
Resposta: B
a) falseiamos;
b) falseias;
c) falseemos;
d) falseie;
e) falseiam.
RESOLUÇÃO:
Os verbos de final EAR – nomear, renomear, frear, pentear, etc. – apresentam a vogal “i” nas formas
rizotônicas do Presente do Indicativo e do Presente do Subjuntivo. Professor, formas o quê? Formas rizotônicas!
Deixe-me explicar!
Em algumas formas verbais, o acento tônico incide no radical, noutras na terminação. As primeiras chamam-
se rizotônicas (rizo > raiz), as últimas, arrizotônicas. Nas formas rizotônicas é que encontramos as maiores
irregularidades.
a) querem ser;
b) devem ser;
c) gostam de ser;
d) vão ser;
e) fazem ser.
RESOLUÇÃO:
Na letra E, temos o verbo causativo “fazer”. Logo, a construção “fazem ser” NÃO forma locução verbal!
Resposta: E
“Não sei ver nada do que vejo; vejo bem apenas o que relembro e tenho inteligência apenas nas minhas
lembranças”. (Rousseau)
b) trazer / trago;
c) requerer / requeiro;
d) deter / detenho;
e) reaver / reavejo.
RESOLUÇÃO:
Cuidado com os falsos cognatos VER e REAVER! As provas vão tentar empurrar para você o verbo REAVER
como derivado de VER. Cuidado! Eles não têm nada a ver um com outro! O verbo REAVER deriva de HAVER
Exemplos:
Resposta: E
ALTERNATIVA D – CERTA – É possível a parceria entre o presente do subjuntivo “fale” com o presente do
indicativo “acredita”.
ALTERNATIVA E – ERRADA – A presença da forma de futuro do pretérito “acreditaria” exige a presença de
uma condicionante no pretérito imperfeito do subjuntivo “falasse”.
Resposta: D
RESOLUÇÃO:
Há duas configurações possíveis para a voz passiva: a forma analítica, caracterizada pela presença do auxiliar
SER/ESTAR/FICAR acompanhado do verbo principal no particípio; a forma sintética, caracterizada pelo verbo
principal – VTD ou VTDI - acompanhado do SE pronome apassivador.
ALTERNATIVA A – ERRADA – Ocorre a presença de um SE, mas este não é partícula apassivadora, uma vez
que o verbo DAR está empregado como intransitivo, no sentido de “ocorrer” . O “se” em destaque é uma parte
integrante do verbo.
ALTERNATIVA B – ERRADA – A forma verbal “vem sofrendo” não se enquadra em nenhuma das
configurações possíveis para a voz passiva.
ALTERNATIVA C – CERTA – O “se” presente é uma partícula apassivadora. Isso pode ser atestado pela
companhia com um verbo transitivo direto – no caso, o verbo “generalizar”. O termo “a opinião” funciona como
sujeito paciente. Temos, portanto, um caso de voz passiva sintética.
ALTERNATIVA D – ERRADA – Não temos uma configuração de voz passiva analítica, pois carece a
construção de verbo principal no particípio.
ALTERNATIVA E – ERRADA – A frase não se enquadra em nenhuma das configurações possíveis para a voz
passiva.
Resposta: C
Outro post com mais de 40 mil compartilhamentos traz um vídeo mostrando que a troca ocorreu enquanto uma
deputada discursava sobre uma proposta.
A direção da casa legislativa confirmou que as imagens foram feitas durante a sessão da quarta feira e esclareceu
que elas mostram dois “assessores de deputados” trocando figurinhas durante a sessão. “O comportamento não
é justificável. Os gabinetes dos deputados aos quais os assessores pertencem, já foram informados, e cabe aos
parlamentares decidir como proceder”. (adaptado)
“O flagrante de dois assessores trocando figurinhas durante uma sessão foi divulgado pelas redes sociais e a cena
se espalhou”.
O segmento “foi divulgado pelas redes sociais” do texto é exemplo de voz passiva; se a mesma frase fosse
colocada na voz ativa, a forma verbal adequada seria:
a) divulgaram;
b) divulgaram-se;
c) divulgou-se;
d) divulgam-se;
e) divulga-se.
RESOLUÇÃO:
Temos a construção em voz passiva “O flagrante... foi divulgado pelas redes sociais.”. Nela, identificamos o
sujeito paciente “O flagrante”; o verbo principal “divulgar”; e um adjunto adverbial de meio “pelas redes sociais”.
O agente da passiva – quem de fato divulgou – não está explícito no texto, sendo, assim, indeterminado.
Logo, o sujeito agente na voz passiva será indeterminado. E uma das formas de se indeterminar o sujeito é
empregá-lo na 3ª pessoa do plural – no caso, “divulgaram”.
Resposta: A
Inteligência e sabedoria não são a mesma coisa. Entretanto, na linguagem cotidiana, usamos os dois termos
indistintamente. Vivemos em uma sociedade onde a eficiência e os resultados são valorizados. Aparentemente,
apenas os mais inteligentes estão destinados a obter sucesso. No entanto, apenas os sábios conseguem uma
felicidade autêntica. Eles são guiados por valores e preocupados em fazer uso da bondade, aplicando uma visão
mais otimista à vida.
Se procurarmos agora no dicionário o termo sabedoria, será encontrada uma definição simples: a faculdade das
pessoas de agir de maneira sensata, prudente ou correta. Sendo assim, a primeira pergunta que vem à mente é: a
inteligência não nos dá a capacidade de nos movimentarmos no nosso dia a dia da mesma maneira? Um QI médio
ou alto não nos garante a capacidade de tomar decisões acertadas?
É claro que sim. Também é claro que quando falamos de inteligência surgem diferentes nuances. Por isso, o tipo
de personalidade e a maturidade emocional são fatores que influenciam mais concretamente as realizações das
pessoas. Isso também é verdadeiro em relação à capacidade de investir mais ou menos em seu próprio bem-estar
e no dos outros.
Em vista disso, inteligência e sabedoria são dois conceitos interessantes. Assim, poderemos ter uma ideia mais
precisa e útil do que realmente são. Afinal, se queremos algo, além de ter um alto QI, é necessário desenvolver
uma sabedoria excepcional e moldar uma personalidade virtuosa. Isso vai um passo além do cognitivo e do
emocional.
“A verdadeira sabedoria está em reconhecer a própria ignorância.” Sócrates.
Disponível em https:amentemaravilhosa.com.br/inteligencia-e-sabedoria/
e) “Se procurarmos agora no dicionário o termo sabedoria, será encontrada uma definição simples”.
RESOLUÇÃO:
Há duas configurações possíveis para a voz passiva: a forma analítica, caracterizada pela presença do auxiliar
SER/ESTAR/FICAR... acompanhado do verbo principal no particípio; a forma sintética, caracterizada pelo verbo
principal – VTD ou VTDI - acompanhado do SE pronome apassivador.
ALTERNATIVA A – CERTA – Ocorre a presença do auxiliar SER – flexionado na forma “são” – acompanhado
do principal no particípio – no caso, “valorizados”. Trata-se de uma voz passiva do tipo analítica.
ALTERNATIVA B – ERRADA – Até ocorre a presença do auxiliar ESTAR – flexionado na forma “estão” –
acompanhado do principal no particípio – no caso, “destinados”. No entanto, não se tem voz passiva, pois o a
construção verbal “estão destinados” não solicita objeto direto. Lembremo-nos de que só é possível voz passiva
com verbos que solicitem objeto direto – VTDs ou VTDIs.
ALTERNATIVA C – CERTA – Ocorre a presença do auxiliar SER – na forma “ser” – acompanhado do principal
no particípio – no caso, “observados”. Trata-se de uma voz passiva do tipo analítica.
ALTERNATIVA D – CERTA – Ocorre a presença do auxiliar SER – flexionado na forma “são” – acompanhado
do principal no particípio – no caso, “guiados”. Trata-se de uma voz passiva do tipo analítica.
ALTERNATIVA E – CERTA – Ocorre a presença do auxiliar SER – flexionado na forma “será” – acompanhado
do principal no particípio – no caso, “encontrada”. Trata-se de uma voz passiva do tipo analítica.
Resposta: B
Assinale a opção em que a frase do texto mostra um exemplo de voz passiva verbal.
a) “O casamento foi a maneira que a humanidade encontrou de propagar a espécie sem causar falatório na
vizinhança.”
b) “As tradições matrimoniais se transformaram através dos tempos e variam de cultura para cultura.”
c) “O macho escolhia uma fêmea, batia com um tacape na sua cabeça e a arrastava para a sua caverna.”
d) “Em certas sociedades primitivas o tempo gasto nas preliminares do casamento – corte, namoro, noivado etc.
– era abreviado.”
e) “...quando ela estivesse distraída, bater com o tacape na sua cabeça e arrastá-la para a caverna.”
RESOLUÇÃO:
Há duas configurações possíveis para a voz passiva: a forma analítica, caracterizada pela presença do auxiliar
SER/ESTAR/FICAR... acompanhado do verbo principal no particípio; a forma sintética, caracterizada pelo verbo
principal – VTD ou VTDI - acompanhado do SE pronome apassivador.
ALTERNATIVA A – ERRADA – Não ocorre na frase configuração verbal que caracterize nem a forma
analítica nem a forma sintética da voz passiva.
ALTERNATIVA B – ERRADA – Ocorre a presença de um SE, mas este não é partícula apassivadora, uma vez
que o verbo TRANSFORMAR está empregado como de ligação. O “se” em destaque é uma parte integrante do
verbo.
ALTERNATIVA C – ERRADA – Não ocorre na frase configuração verbal que caracterize nem a forma
analítica nem a forma sintética da voz passiva.
ALTERNATIVA D – CERTA – Ocorre a presença do auxiliar SER – flexionado na forma “era” – acompanhado
do principal no particípio – no caso, “abreviado”. Trata-se de uma voz passiva do tipo analítica.
Resposta: B
Uma descoberta anunciada na semana passada joga mais luz sobre a origem da vida no universo. Em um artigo
publicado na revista Nature – uma das mais importantes publicações científicas do mundo –, pesquisadores
ingleses relatam a identificação de microfósseis de bactérias que teriam surgido entre 4,2 bilhões de anos e 3,7
bilhões de anos atrás. Se for confirmado, será o mais antigo registro de vida na Terra.
“...pesquisadores ingleses relatam a identificação de microfósseis de bactérias que teriam surgido entre 4,2 bilhões
de anos e 3,7 bilhões de anos atrás. Se for confirmado, será o mais antigo registro de vida na Terra”.
Em função da forma verbal “teriam surgido”, os leitores tomam conhecimento de que a informação da descoberta
é:
a) uma certeza dos estudiosos;
RESOLUÇÃO:
ALTERNATIVA A – ERRADA - Não se trata de uma certeza. Tanto é verdade, que está passível de comprovação,
com afirma o período seguinte.
ALTERNATIVA B – ERRADA – Não se trata de uma opinião, mas sim de uma hipótese, ainda a ser comprovada.
ALTERNATIVA C – CERTA – Não se trata de algo ainda certo, mas de uma possibilidade.
ALTERNATIVA D – ERRADA – A dúvida não reside na descoberta, mas sim no tempo de existência do fóssil.
ALTERNATIVA E – ERRADA – A hipótese ainda carece de confirmação, como bem afirma o período seguinte.
Resposta: C
Estou há pouco mais de dois anos morando na China, leitor, e devo dizer que a minha admiração pelos chineses só
tem feito crescer. É um país que tem coesão e rumo, como notou o meu colega de coluna neste jornal Cristovam
Buarque, que passou recentemente por aqui.
Coesão e rumo. Exatamente o que falta ao nosso querido país. E mais o seguinte: uma noção completamente
diferente do tempo. Trata-se de uma civilização milenar, com mentalidade correspondente. Os temas são sempre
tratados com uma noção de estratégia e visão de longo prazo. E paciência. A paciência que, como disse Franz
Kafka, é uma segunda coragem.
Nada de curto praxismo, do imediatismo típico do Ocidente, que têm sido tão destrutivos e desagregadores.
Esse traço do chinês é até muito conhecido no resto do mundo. Há uma famosa observação do primeiro-ministro
Chou En-Lai, muito citada, que traduz essa noção singular do tempo. Em certa ocasião, no início dos anos 1970,
um jornalista estrangeiro lançou a pergunta: “Qual é afinal, primeiro-ministro, a sua avaliação da Revolução
Francesa?” Chou En-Lai respondeu: “É cedo para dizer”.
Recentemente, li aqui na China que essa célebre resposta foi um simples mal-entendido. Com os percalços da
interpretação, Chou En-Lai entendeu, na verdade, que a pergunta se referia à revolta estudantil francesa de 1968!
Pronto. Criou-se a lenda.
Pena que tenha sido um mal-entendido. Seja como for, é indubitável que para os chineses o tempo tem outra
dimensão. Para uma civilização de quatro mil anos ou mais, uma década tem sabor de 15 minutos.
(O Globo, 15/9/2017)
“Estou há pouco mais de dois anos morando na China, leitor, e devo dizer que a minha admiração pelos chineses
só tem feito crescer”.
O emprego da forma verbal “tem feito” é perfeitamente adequada ao contexto, já que esse tempo verbal expressa
ações:
a) completamente passadas;
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “tem feito” dá a entender que a ação teve seu início no passado, mas ainda não se encerrou,
pois perdura no presente.
A frase abaixo (texto 4) que mostra uma voz verbal diferente das demais é:
d) “... todos esses animais, de uma forma ou de outra, rendem expressivos lucros”;
RESOLUÇÃO:
ALTERNATIVA A – ERRADA – O sujeito da forma verbal “desestabilizar” é agente da ação verbal, o que
caracteriza a voz ativa.
ALTERNATIVA B – ERRADA – O sujeito das formas verbais “afloram”, “provocaram” e “estão provocando”
são agente das ações verbais, o que caracteriza a voz ativa.
ALTERNATIVA C – CERTA – O verbo SER é de ligação. Por não expressar ação verbal, não faz sentido se
falar na flexão de voz nesse caso.
ALTERNATIVA D – ERRADA - O sujeito da forma verbal “rendem” é agente da ação verbal, o que caracteriza
a voz ativa.
ALTERNATIVA E – ERRADA - O sujeito da forma verbal “mencionam” é agente da ação verbal, o que
caracteriza a voz ativa.
Resposta: C
“Quebrado de cansaço pelo excesso de trabalho, o policial tinha adormecido na portaria da revista”.
a) havia adormecido;
b) adormecendo;
c) adormecia;
d) adormeceria;
e) adormecera.
RESOLUÇÃO:
A flexão “tinha adormecido” corresponde ao pretérito mais-que-perfeito na forma composta, o mesmo que
ocorre na letra A, com “havia adormecido”.
Note, no entanto, que o enunciado solicita a forma simples, ok? E esta é “adormecera”, listada na letra E.
Resposta: E
78. INÉDITA
RESOLUÇÃO:
A questão trata de um assunto muito caro aos concurseiros: correlação dos tempos verbais.
Devemos ter em mente que o objetivo desse assunto é estudar as corretas relações entre os verbos presentes
em um período composto. Em outras palavras, devemos avaliar se os tempos verbais são harmônicos entre si.
Antes de resolver a questão, apresento as principais correlações, as mais presentes no dia a dia e,
consequentemente, em nossas provas:
1) Presente do Indicativo – Presente do Subjuntivo
Exemplos:
Exemplos:
Caso fosse permitido apostas, seria necessário fiscalizar a origem dos recursos.
Exemplos:
Exemplos:
Você disse que iria ao encontro.
Observação:
Na linguagem coloquial, costuma-se usar o pretérito imperfeito do indicativo no lugar do futuro do pretérito.
Exemplo:
Muitos se recordariam da felicidade exultante com que eram ingeridos os pedaços da torta.
Muitos se recordam da felicidade exultante com que são ingeridos os pedaços da torta.
Muitos se recordaram da felicidade exultante com que foram ingeridos os pedaços da torta.
Vamos imaginar rupturas lógicas:
Muitos se recordariam da felicidade exultante com que são ingeridos os pedaços da torta.
Muitos se recordarão da felicidade exultante com que seriam ingeridos os pedaços da torta.
Muitos se recordam da felicidade exultante com que seriam ingeridos os pedaços da torta.
ALTERNATIVA B - CORRETO - Há uma harmonia entre o pretérito perfeito "foi", o pretérito imperfeito
"andava" e o pretérito mais que perfeito "ofuscara" (tinha ofuscado).
Foi promovida graças ao compadrio que andava na moda e que por muitos anos momento ofuscara a
meritocracia.
Será promovida graças ao compadrio que anda na moda e que por muitos anos momento ofusca a
meritocracia.
Seria promovida graças ao compadrio que andava na moda e que por muitos anos momento ofuscara a
meritocracia.
Era promovida graças ao compadrio que andará na moda e que por muitos anos momento estabelecia a
meritocracia.
Seria promovida graças ao compadrio que andara na moda e que por muitos anos momento estabelecerá a
meritocracia.
Um mal-intencionado sugere que se dê por encerrada a aula e comecemos logo as festividades do feriado.
Um mal-intencionado sugeria que se desse por encerrada a aula e começássemos logo as festividades do
feriado.
Um mal-intencionado sugeriu que se desse por encerrada a aula e começássemos logo as festividades do
feriado.
Um mal-intencionado sugere que se desse por encerrada a aula e começássemos logo as festividades do
feriado.
Um mal-intencionado sugeria que se dê por encerrada a aula e comecemos logo as festividades do feriado.
Um mal-intencionado sugeriu que se dê por encerrada a aula e comecemos logo as festividades do feriado.
ALTERNATIVA D - ERRADO
Não faz sentido o uso do pretérito mais-que-perfeito "acabara", pois não se trata de uma ação anterior a
outra já concluída.
Já informado do salvamento da paciente, o familiar não se conteve de alegria e se permitiu não comparecer à
reunião com o chefe.
Já informado do salvamento da paciente, o familiar não se contém de alegria e se permite não comparecer à
reunião com o chefe.
Já informado do salvamento da paciente, o familiar não se continha de alegria e se permitia não comparecer à
reunião com o chefe.
Vamos imaginar rupturas lógicas:
Já informado do salvamento da paciente, o familiar não se contém de alegria e se permitiu não comparecer à
reunião com o chefe.
Já informado do salvamento da paciente, o familiar não se conteve de alegria e se permite não comparecer à
reunião com o chefe.
Já informado do salvamento da paciente, o familiar não se conteve de alegria e se permite não comparecer à
reunião com o chefe.
Resposta: D
79. INÉDITA
“O Governo deve, em 2019, devido à carência de quadro efetivo nos órgãos-chave da Administração Pública,
contratar número expressivo de servidores públicos.”
A transposição desse período para a voz passiva terá como resultado a seguinte forma verbal:
a) devem ser contratados
e) está contratando
RESOLUÇÃO:
Na conversão da voz ativa para a voz passiva, os seguintes procedimentos devem ser observados:
O verbo principal na voz ativa assume a forma particípio na voz passiva analítica.
Na voz passiva analítica, acrescenta-se o verbo "ser" flexionado no mesmo tempo do verbo principal na voz
ativa.
O sujeito da voz ativa se converte em agente da passiva; e o objeto direto da voz ativa se converte em sujeito
na voz passiva.
Podemos resumir, dessa forma, o processo de conversão de voz ativa em passiva analítica da seguinte forma:
Assim, a forma O Governo (Sujeito Agente) deve contratar (Verbo) número expressivo de servidores
públicos (Objeto Direto Paciente) - na voz ativa - é equivalente à construção Número expressivo de servidores
públicos deve ser contratado (Verbo Auxiliar SER + Verbo Principal no Particípio) pelo governo... - na voz
passiva.
A forma verbal resultante é, portanto, “deve ser contratado”.
Observação:
O auxiliar que se encontra na voz ativa permanece na voz passiva analítica. O que ocorre nessa transposição
é o acréscimo do auxiliar SER. Dessa forma, podemos contabilizar sempre um verbo a mais na conversão da voz
ativa para passiva, e este verbo é o auxiliar SER.
Deve-se tomar o devido cuidado com a flexão do auxiliar “deve” e do particípio “contratado”, que devem
concordar com o núcleo do sujeito paciente “Número”.
Resposta: B
80. INÉDITA
c) Afirmam que o funcionário atribue toda aquela discussão a uma intolerância por parte dos militantes.
d) Intermedio o encontro entre os candidatos à Presidência da República, para que haja uma coerente moderação
durante o debate.
e) Sentiu-se ofendido com a proposta e pensou que, se propusesse alterações em algumas cláusulas do contrato,
teria um sucesso na negociação.
RESOLUÇÃO:
ALTERNATIVA A – ERRADO – O primeiro erro se refere à ausência da preposição “em” antes do pronome
relativo “que”, exigida pela regência da forma verbal “nos instalamos” (nos instalamos em algum lugar); o segundo
erro refere-se à forma verbal “mantessem”, cuja flexão correta seria “mantivessem” (se tivessem > se
mantivessem).
ALTERNATIVA B – ERRADO - A forma verbal “requis” está flexionada de forma equivocada. O correto seria
“requereu”. Há de se ressaltar que o verbo “requerer” não é derivado do verbo “querer”.
ALTERNATIVA C - ERRADO – A forma verbal “atribue” está flexionada de forma equivocada. O correto
seria “atribui”, padrão de conjugação de Presente do Indicativo de verbos terminados em –uir: ele possui; ele
constitui; ele obstrui; ...
ALTERNATIVA D – ERRADO - A forma verbal “Intermedio” está flexionada de forma equivocada. O correto
seria “Intermedeio”, padrão de conjugação de Presente do Indicativo dos verbos odiar, nomear, renomear, mediar,
remediar, ansiar: eu odeio; eu nomeio; eu renomeio; eu medeio; eu remedeio; eu anseio ...
81. INÉDITA
Alguns anos atrás, a palavra "conectividade" dormia em paz, em desuso, nos dicionários, lembrando vagamente
algo como ligação, conexão. Agora, na era da informática e de todas as mídias, a palavra pulou para dentro da
cena e ninguém mais admite viver sem estar conectado. Desconfio que seja este o paradigma dominante dos
últimos e dos próximos anos, em nossa aldeia global: o primado das conexões.
No ônibus de viagem, de que me valho regularmente, sou quase uma ilha em meio às mais variadas conexões: do
vizinho da direita vaza a chiadeira de um fone de ouvido bastante ineficaz; do rapazinho à esquerda chega a viva
conversa que mantém há quinze minutos com a mãe, pelo celular; logo à frente um senhor desliza os dedos no
laptop no colo, e se eu erguer um pouquinho os olhos dou com o vídeo − um filme de ação − que passa nos quatro
monitores estrategicamente posicionados no ônibus. Celulares tocam e são atendidos regularmente, as falas se
cruzam, e eu nunca mais consegui me distrair com o lento e mudo crepúsculo, na janela do ônibus.
Não senhor, não são inocentes e efêmeros hábitos modernos: a conectividade irrestrita veio para ficar e conduzir
a humanidade a não sabemos qual destino. As crianças e os jovens nem conseguem imaginar um mundo que não
seja movido pela fusão das mídias e surgimento de novos suportes digitais. Tanta movimentação faz crer que,
enfim, os homens estreitaram de vez os laços da comunicação.
Que nada. Olhe bem para o conectado ao seu lado. Fixe-se nele sem receio, ele nem reparará que está sendo
observado. Está absorto em sua conexão, no paraíso artificial onde o som e a imagem valem por si mesmos,
linguagens prontas em que mergulha para uma travessia solitária. A conectividade é, de longe, o maior disfarce
que a solidão humana encontrou. É disfarce tão eficaz que os próprios disfarçados não se reconhecem como tais.
Emitimos e cruzamos frenéticos sinais de vida por todo o planeta: seria esse, Dr. Freud, o sintoma maior de nossas
carências permanentes?
Assinale o trecho que contém uma passagem na voz passiva
a) ... a palavra pulou para dentro da cena...
RESOLUÇÃO:
A voz passiva indica que o sujeito sofre a ação verbal (sujeito paciente). Pode apresentar-se das seguintes
maneiras:
Exemplos:
Os exercícios foram feitos.
Exemplos:
Pelos exemplos acima, pode-se perceber que o verbo principal apresenta-se conjugado na terceira pessoa
do singular ou plural, de acordo com o sujeito paciente.
Observe que, tanto na forma analítica quanto na sintética, apenas os verbos transitivos diretos e transitivos
diretos e indiretos vão para a voz passiva. Em orações com verbos intransitivos ou transitivos indiretos ou de
ligação, a voz passiva não ocorre.
Analisemos letra a letra:
ALTERNATIVA A – ERRADO – Não ocorre a presença nem do verbo auxiliar “ser” nem do “se”, não havendo
possibilidade de se ter voz passiva.
No caso, o sujeito “a palavra” é agente da ação verbal “pular”, configurando voz ativa.
Já no trecho “eu nunca mais consegui me distrair”, temos uma voz reflexiva. Notemos a presença do pronome
reflexivo “me” (eu nunca mais consegui me distrair = eu nunca mais consegui distrair a mim mesmo).
Resposta: C
Lista de Questões
1. CESPE – Polícia Rodoviária Federal/2019
Não consigo pensar em um cargo público mais empolgante que o desse homem. Claro que o cargo, se existia, já
foi extinto, e o homem da luz já deve ter se transferido para o mundo das trevas eternas.
A correção gramatical e os sentidos do texto seriam mantidos caso a forma verbal “existia” fosse substituída
por “existisse”.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Liszt, no entanto, registraria que um erro tipográfico invertera, no programa do concerto, os nomes de Pixis e
Beethoven...
Os sentidos originais e a correção gramatical do texto 1A11-I seriam preservados se a forma verbal “invertera”
(R.20) fosse substituída por
a) inverteria.
b) teria invertido.
c) invertesse.
d) havia invertido.
e) houve de inverter
A corrupção é uma doença da alma. Como todas as doenças, ela não acomete a todos. Muitas pessoas são
suscetíveis a ela, outras não. A corrupção é uma doença que deve ser combatida por meio de uma vacina: a
educação. Uma educação de qualidade para todos os brasileiros deverá exercitar o pensamento e a crítica
argumentada e, principalmente, introduzir e consolidar virtudes como a solidariedade e a ética. Devemos preparar
uma nova geração na qual a corrupção seja um fenômeno do passado.
Nesse futuro não tão remoto, teremos conquistado a utopia de uma verdadeira justiça social.
Isaac Roitman. Corrupção e democracia. Internet: <https://noticias.unb.br> (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto apresentado, julgue o item a seguir.
( ) CERTO ( ) ERRADO
4. CESPE - PM MA/2018
Texto CG2A1BBB
A forma verbal empregada no trecho “ENTRE NESTA LUTA!” sinaliza a intenção do autor do texto de levar os
leitores a executarem determinada ação ou a desenvolverem determinado comportamento.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Texto 1A9AAA
Estas memórias ficariam injustificavelmente incompletas se nelas eu não narrasse, ainda que de modo breve, as
andanças em que me tenho largado pelo mundo na companhia de minha mulher e de meus fantasmas particulares.
Desde criança fui possuído pelo demônio das viagens. Essa encantada curiosidade de conhecer alheias terras e
povos visitou-me repetidamente a mocidade e a idade madura. Mesmo agora, quando já diviso a brumosa porta
da casa dos setenta, um convite à viagem tem ainda o poder de incendiar-me a fantasia.
Na minha opinião, existem duas categorias principais de viajantes: os que viajam para fugir e os que viajam para
buscar. Considero-me membro deste último grupo, embora em 1943, nauseado pelo ranço fascista de nosso
Estado Novo, eu haja fugido com toda a família do Brasil para os Estados Unidos, onde permanecemos dois anos.
O que pretendo fazer agora é apresentar ao leitor, por assim dizer, alguns diapositivos e filmes verbais dos lugares
por onde passamos e das pessoas que encontramos, tudo assim à maneira impressionista, e sem rigorosa ordem
cronológica.
Usei como título deste capítulo, dedicado a minhas viagens, uma expressão popular que suponho de origem
gauchesca: mundo velho sem porteira. Tenho-a ouvido desde menino, da boca de velhos parentes e amigos, de
tropeiros, peões de estância, índios vagos, gente da rua... Minha própria mãe empregava-a com frequência e
costumava pontuá-la com um fundo suspiro de queixa. As pessoas em geral pareciam usar essa frase para
descrever um mundo que se lhes afigurava não só incomensurável como também misterioso, absurdo, sem pé
nem cabeça...
Parece a mim, entretanto, que na sua origem essa exclamação manifestava apenas a certeza popular de que Deus
fizera o mundo sem nenhuma porteira a fim de que nele não houvesse divisões e diferenças entre países e povos
— gente rica e gente pobre, fartos e famintos, uns com terra demais, outros sem terra nenhuma. Em suma, o que
o Velho queria mesmo era um mundo que fosse de todo mundo. É neste sentido que desejo seja interpretada a
frase que encabeça esta divisão do presente volume.
Quem me lê poderá objetar que basta a gente passar os olhos pelo jornal desta manhã para verificar que o mundo
nunca teve tantas e tão dramáticas porteiras como em nossos dias... Mas que importa? Um dia as porteiras hão de
cair, ou alguém as derrubará. “Para erguer outras ainda mais terríveis” — replicará o leitor cético. Ora, amigo,
precisamos ter na vida um mínimo de otimismo e esperança para poder ir até ao fim da picada. Você não concorda?
Ô mundo velho sem porteira!
Erico Veríssimo. Solo de clarineta: memórias. Porto Alegre: Globo, v. 2, 1976, p. 57-58 (com adaptações).
Assinale a opção que apresenta uma forma / locução verbal do texto 1A9AAA que denota uma ação / um fato que
ocorreu repetidamente no passado e que se prolonga até o momento da narração do texto.
a) “tenho largado”
b) “fui possuído”
c) “tem”
d) “haja fugido”
e) “narrasse”
6. CESPE - AJ (STM)/2018
Texto CB1A1AAA
Não sou de choro fácil a não ser quando descubro qualquer coisa muito interessante sobre ácido
desoxirribonucleico. Ou quando acho uma carta que fale sobre a descoberta de um novo modelo para a estrutura
do ácido desoxirribonucleico, uma carta que termine com “Muito amor, papai”. Francis Crick descobriu o desenho
do DNA e escreveu a seu filho só para dizer que “nossa estrutura é muito bonita”. Estrutura, foi o que ele falou.
Antes de despedir-se ainda disse: “Quando chegar em casa, vou te mostrar o modelo”. Não esqueça os dois
pacotes de leite, passe para comprar pão, guarde o resto do dinheiro para seus caramelos e, quando chegar, eu
mostro a você o mecanismo copiador básico a partir do qual a vida vem da vida.
Não sou de choro fácil, mas um composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que
coordenam o desenvolvimento e o funcionamento de todos os seres vivos me comove. Cromossomas me animam,
ribossomas me espantam. A divisão celular não me deixa dormir, e olha que eu moro bem no meio das montanhas.
De vez em quando vejo passarem os aviões, mas isso nunca acontece de madrugada — a noite se guarda toda para
o infinito silêncio.
Acho que uma palavra é muito mais bonita do que uma carabina, mas não sei se vem ao caso. Nenhuma palavra
quer ferir outras palavras: nem desoxirribonucleico, nem montanha, nem canção. Todos esses conceitos têm os
seus sinônimos, veja só, ácido desoxirribonucleico e DNA são exatamente a mesma coisa, e os do resto das
palavras você acha. É tudo uma questão de amor e prisma, por favor não abra os canhões. Que coisa mais linda
esse ácido despenteado, caramba. Olhei com mais atenção o desenho da estrutura e descobri: a raça humana é
toda brilho.
Matilde Campilho. Notícias escrevinhadas na beira da estrada. In: Jóquei. São Paulo: Editora 34, 2015, p. 26-7 (com
adaptações).
Julgue o item, a seguir, com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto CB1A1AAA, no qual a autora
Matilde Campilho aborda a descoberta, em 1953, da estrutura da molécula do DNA, correalizada pelos
cientistas James Watson e Francis Crick.
A forma verbal “termine”, que denota uma ação incerta ou irreal, foi empregada para indicar que a carta que Crick
escreveu a seu filho, na realidade, não se encerra com as palavras ‘Muito amor, papai`.
( ) CERTO ( ) ERRADO
O Zoológico de Sapucaia do Sul abrigou um dia um macaco chamado Alemão. Em um domingo de Sol, Alemão
conseguiu abrir o cadeado de sua jaula e escapou. O largo horizonte do mundo estava à sua espera. As árvores do
bosque estavam ao alcance de seus dedos. Ele passara a vida tentando abrir aquele cadeado. Quando conseguiu,
em vez de mergulhar na liberdade, desconhecida e sem garantias, Alemão caminhou até o restaurante lotado de
visitantes. Pegou uma cerveja e ficou bebericando no balcão.
Um zoológico serve para muitas coisas, algumas delas edificantes. Mas um zoológico serve, principalmente, para
que o homem tenha a chance de, diante da jaula do outro, certificar-se de sua liberdade e da superioridade de sua
espécie. Ele pode então voltar para o apartamento financiado em quinze anos satisfeito com sua vida. Pode abrir
as grades da porta contente com seu molho de chaves e se aboletar no sofá em frente à TV; acordar na segunda-
feira feliz para o batente.
Há duas maneiras de se visitar um zoológico: com ou sem inocência. A primeira é a mais fácil e a única com
satisfação garantida. A outra pode ser uma jornada sombria para dentro do espelho, sem glamour e também sem
volta.
Os tigres-de-bengala são reis de fantasia. Têm voz, possuem músculos, são magníficos. Mas, nascidos em
cativeiro, já chegaram ao mundo sem essência. São um desejo que nunca se tornará realidade. Adivinham as selvas
úmidas da Ásia, mas nem sequer reconhecem as estrelas. Quando o Sol escorrega sobre a região metropolitana,
são trancafiados em furnas de pedra, claustrofóbicas. De nada servem as presas a caçadores que comem carne de
cavalo abatido em frigorífico. De nada serve a sanha a quem dorme enrodilhado, exilado não do que foi, mas do
que poderia ter sido.
Eliane Brum. O cativeiro. In: A vida que ninguém vê. Porto Alegre: Arquipélago, 2006, p. 53-4 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB4A1BBB, julgue o item que se segue.
A forma verbal “passara” denota um fato ocorrido antes de duas outras ações também já concluídas, as quais são
descritas nos dois períodos imediatamente anteriores ao período em que ela se insere.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Texto
O Juca era da categoria das chamadas pessoas sensíveis, dessas a que tudo lhes toca e tange. Se a gente lhe
perguntasse: “Como vais, Juca?”, ao que qualquer pessoa normal responderia “Bem, obrigado!” — com o Juca a
coisa não era assim tão simples. Primeiro fazia uma cara de indecisão, depois um sorriso triste contrabalançado
por um olhar heroicamente exultante, até que esse exame de consciência era cortado pela voz do interlocutor, que
começava a falar chãmente em outras coisas, que, aliás, o Juca não estava ouvindo... Porque as pessoas sensíveis
são as criaturas mais egoístas, mais coriáceas, mais impenetráveis do reino animal. Pois, meus amigos, da última
vez que vi o Juca, o impasse continuava... E que impasse!
Estavam-lhe ministrando a extrema-unção. E, quando o sacerdote lhe fez a tremenda pergunta, chamando-o pelo
nome: “Juca, queres arrepender-te dos teus pecados?”, vi que, na sua face devastada pela erosão da morte, a
Dúvida começava a redesenhar, reanimando-a, aqueles seus trejeitos e caretas, numa espécie de ridícula
ressurreição. E a resposta não foi “sim” nem “não”; seria acaso um “talvez”, se o padre não fosse tão compreensivo.
Ou apressado. Despachou-o num átimo e absolvido.
Que fosse amolar os anjos lá no Céu!
Com relação às estruturas linguísticas e aos sentidos do texto, julgue o item a seguir.
Caso a forma verbal “era” fosse substituída por seria, a respectiva afirmação sobre o comportamento de Juca seria
mais categórica que a que se verifica no texto.
( ) CERTO ( ) ERRADO
9. CESPE - TJ STJ/STJ/Administrativa/2018
Texto CB4A1AAA
As discussões em torno de questões como “o que é justiça?” ou “quais são os mecanismos disponíveis para produzir
situações cada vez mais justas ao conjunto da sociedade?” não são novidade. Autores do século XIX já procuravam
construir análises para identificar qual o sentido exato do termo justiça e quais formas de promovê-la eram
possíveis e desejáveis ao conjunto da sociedade à época. O debate se enquadra em torno de três principais ideias:
bem-estar; liberdade e desenvolvimento; e promoção de formas democráticas de participação. Autores
importantes do campo da ciência política e da filosofia política e moral se debruçaram intensamente em torno
dessa questão ao longo do século XX, e chegaram a conclusões diversas uns dos outros. Embora a perspectiva
analítica de cada um desses autores divirja entre si, eles estão preocupados em desenvolver formas de promoção
de situações de justiça social e têm hipóteses concretas para se chegar a esse estado de coisas.
Para Amartya Sen, por exemplo, a injustiça é percebida e mensurada por meio da distribuição e do alcance social
das liberdades. Para Rawls, ela se manifesta principalmente nas estruturas básicas da sociedade e sua solução
depende de uma nova forma de contrato social e de uma definição de princípios básicos que criem condições de
promoção de justiça. Já para Habermas, a questão gira em torno da manifestação no campo da ação comunicativa,
na qual a fragilidade de uma ação coletiva que tenha pouco debate ou pouca representação pode enfraquecer a
qualidade da democracia e, portanto, interferir no seu pleno funcionamento, tendo, por consequência,
desdobramentos sociais injustos. Em síntese, os autores argumentam a favor de instrumentos variados para a
solução da injustiça, os quais dependem da interpretação de cada um deles acerca do conceito de justiça.
Augusto Leal Rinaldi. Justiça, liberdade e democracia. In: Pensamento Plural. Pelotas [12]: 57-74, jan.-jun./2013
(com adaptações).
( ) CERTO ( ) ERRADO
Texto
No começo dos anos 40, os submarinos alemães estavam dizimando os cargueiros dos aliados no Atlântico Norte.
O jogo virou apenas em 1943, quando Alan Turing desenvolveu a Bomba, um aparelho capaz de desvendar os
segredos da máquina de criptografia nazista chamada de Enigma. A complexidade da Enigma — uma máquina
eletromagnética que substituía letras por palavras aleatórias escolhidas de acordo com uma série de rotores —
estava no fato de que seus elementos internos eram configurados em bilhões de combinações diferentes, sendo
impossível decodificar o texto sem saber as configurações originais. Após espiões poloneses terem roubado uma
cópia da máquina, Turing e o campeão de xadrez Gordon Welchman construíram uma réplica da Enigma na base
militar de Bletchey Park. A máquina replicava os rotores do sistema alemão e tentava reproduzir diferentes
combinações de posições dos rotores para testar possíveis soluções. Após quatro anos de trabalho, Turing
conseguiu quebrar a Enigma, ao perceber que as mensagens alemãs criptografadas continham palavras
previsíveis, como nomes e títulos dos militares. Turing usava esses termos como ponto de partida, procurando
outras mensagens em que a mesma letra aparecia no mesmo espaço em seu equivalente criptografado.
Gabriel Garcia. 5 descobertas de Alan Turing que mudaram o rumo da história. In: Exame, 2/fev./2015. Internet:
<https://exame.abril.com.br> (com adaptações).
Do emprego da forma “estavam dizimando” infere-se que a ação de dizimar foi contínua durante a época citada
no início do primeiro período do texto.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Ainda existem pessoas para as quais a greve é um “escândalo”: isto é, não só um erro, uma desordem ou um delito,
mas também um crime moral, uma ação intolerável que perturba a própria natureza. “Inadmissível”,
“escandalosa”, “revoltante”, dizem alguns leitores do Figaro, comentando uma greve recente. Para dizer a
verdade, trata-se de uma linguagem do tempo da Restauração, que exprime a sua mentalidade profunda. É a
época em que a burguesia, que assumira o poder havia pouco tempo, executa uma espécie de junção entre a moral
e a natureza, oferecendo a uma a garantia da outra. Temendo-se a naturalização da moral, moraliza-se a natureza;
finge-se confundir a ordem política e a ordem natural, e decreta-se imoral tudo o que conteste as leis estruturais
da sociedade que se quer defender. Para os prefeitos de Carlos X, assim como para os leitores do Figaro de hoje, a
greve constitui, em primeiro lugar, um desafio às prescrições da razão moralizada: “fazer greve é zombar de todos
nós”, isto é, mais do que infringir uma legalidade cívica, é infringir uma legalidade “natural”, atentar contra o bom
senso, misto de moral e lógica, fundamento filosófico da sociedade burguesa.
Nesse caso, o escândalo provém de uma ausência de lógica: a greve é escandalosa porque incomoda precisamente
aqueles a quem ela não diz respeito. É a razão que sofre e se revolta: a causalidade direta, mecânica, essa
causalidade é perturbada; o efeito se dispersa incompreensivelmente longe da causa, escapa-lhe, o que é
intolerável e chocante. Ao contrário do que se poderia pensar sobre os sonhos da burguesia, essa classe tem uma
concepção tirânica, infinitamente suscetível, da causalidade: o fundamento da moral que professa não é de modo
algum mágico, mas, sim, racional. Simplesmente, trata-se de uma racionalidade linear, estreita, fundada, por
assim dizer, numa correspondência numérica entre as causas e os efeitos. O que falta a essa racionalidade é,
evidentemente, a ideia das funções complexas, a imaginação de um desdobramento longínquo dos
determinismos, de uma solidariedade entre os acontecimentos, que a tradição materialista sistematizou sob o
nome de totalidade.
Roland Barthes. O usuário da greve. In: R. Barthes. Mitologias. Tradução de Rita Buongermino, Pedro de Souza e
Rejane Janowitzer. Rio de Janeiro: DIFEL, 2007, p. 135-6 (com adaptações).
Texto CB1A1BBB
Esse rapaz que, em Deodoro, quis matar a ex-noiva e suicidou-se em seguida é um sintoma da revivescência de
um sentimento que parecia ter morrido no coração dos homens: o domínio sobre a mulher. Há outros casos. (...)
Todos esses senhores parece que não sabem o que é a vontade dos outros. Eles se julgam com o direito de impor
o seu amor ou o seu desejo a quem não os quer. Não sei se se julgam muito diferentes dos ladrões à mão armada;
mas o certo é que estes não nos arrebatam senão o dinheiro, enquanto esses tais noivos assassinos querem tudo
que há de mais sagrado em outro ente, de pistola na mão. O ladrão ainda nos deixa com vida, se lhe passamos o
dinheiro; os tais passionais, porém, nem estabelecem a alternativa: a bolsa ou a vida. Eles, não; matam logo. Nós
já tínhamos os maridos que matavam as esposas adúlteras; agora temos os noivos que matam as ex-noivas. De
resto, semelhantes cidadãos são idiotas. É de se supor que quem quer casar deseje que a sua futura mulher venha
para o tálamo conjugal com a máxima liberdade, com a melhor boa- vontade, sem coação de espécie alguma, com
ardor até, com ânsia e grandes desejos; como é então que se castigam as moças que confessam não sentir mais
pelos namorados amor ou coisa equivalente?
Todas as considerações que se possam fazer tendentes a convencer os homens de que eles não têm sobre as
mulheres domínio outro que não aquele que venha da afeição não devem ser desprezadas. Esse obsoleto domínio
à valentona, do homem sobre a mulher, é coisa tão horrorosa que enche de indignação.
Todos os experimentadores e observadores dos fatos morais têm mostrado a insanidade de generalizar a
eternidade do amor. Pode existir, existe, mas excepcionalmente; e exigi-la nas leis ou a cano de revólver é um
absurdo tão grande como querer impedir que o Sol varie a hora do seu nascimento. Deixem as mulheres amar à
vontade.
Não as matem, pelo amor de Deus.
Lima Barreto. Não as matem. In: Vida urbana. São Paulo: Brasiliense, 1963, p. 83-5 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos gramaticais do texto CB1A1BBB, julgue o item que se segue.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Texto CG2A1AAA
A vida de Florence Nightingale, a criadora da moderna enfermagem, daria um romance. Florence estava destinada
a receber uma boa educação, a casar-se com um cavalheiro de fina estirpe, a ter filhos, a cuidar da casa e da família.
Mas logo ficou claro que a menina não se conformaria a esse modelo. Era diferente; gostava de matemática, e era
o que queria estudar (os pais não deixaram). Aos dezesseis anos, algo aconteceu: Deus falou-me — escreveu depois
— e convocou-me para servi-lo.
Servir a Deus significava, para ela, cuidar dos enfermos, e especialmente dos enfermos hospitalizados. Naquela
época, os hospitais curavam tão pouco e eram tão perigosos (por causa da sujeira, do risco de infecção) que os
ricos preferiam tratar-se em casa. Hospitalizados eram só os pobres, e Florence preparou-se para cuidar deles,
praticando com os indigentes que viviam próximos à sua casa. Viajou por toda a Europa, visitando hospitais. Coisa
que os pais não viam com bons olhos: enfermeiras eram consideradas pessoas de categoria inferior, de vida
desregrada. Mas Florence foi em frente e logo surgiu a oportunidade para colocar em prática o que aprendera.
Sidney Herbert, membro do governo inglês e amigo pessoal, pediu-lhe que chefiasse um grupo de enfermeiras
enviadas para o front turco, uma tarefa a que Florence entregou-se de corpo e alma; providenciava comida,
remédios, agasalhos, além de supervisionar o trabalho das enfermeiras. Mais que isso, fez estudos estatísticos (sua
vocação matemática enfim triunfou) mostrando que a alta mortalidade dos soldados resultava das péssimas
condições de saneamento.
Isso tudo não quer dizer que Florence fosse, pelos padrões habituais, uma mulher feliz. Para começar, não havia,
em sua vida, lugar para ligações amorosas. Cortejou-a o político e poeta Richard Milnes, Barão Houghton, mas ela
rejeitou-o. Ao voltar da guerra, algo estranho lhe aconteceu: recolheu-se ao leito e nunca mais deixou o quarto.
É possível, e até provável, que isso tenha resultado de brucelose, uma infecção crônica contraída durante a guerra;
mas havia aí um óbvio componente emocional, uma forma de fuga da realidade. Contudo — Florence era Florence
—, mesmo acamada, continuou trabalhando intensamente. Colaborou com a comissão governamental sobre
saúde dos militares, fundou uma escola para treinamento de enfermeiras, escreveu um livro sobre esse
treinamento.
Estranha, a Florence Nightingale? Talvez. Mas estranheza pode estar associada a qualidades admiráveis. Grande
e estranho é o mundo; grandes, ainda que estranhas, são muitas pessoas. E se elas têm grandeza, ao mundo pouco
deve importar que sejam estranhas.
Nos trechos “Florence preparou-se” e “Florence entregou-se” , a partícula “se” classifica-se como pronome
apassivador.
( ) CERTO ( ) ERRADO
O Brasil, durante a maior parte da sua história, manteve uma cultura familista e pró-natalista. Por cerca de 450
anos, o incentivo à fecundidade elevada era justificado em função da prevalência de altas taxas de mortalidade,
dos interesses da colonização portuguesa, da expansão da ocupação territorial e do crescimento do mercado
interno.
Durante o período do Estado Novo (1937-1945), no governo de Getúlio Vargas, foram adotados dispositivos legais
para fortalecer a família numerosa, por meio de diversas medidas: desestímulo ao trabalho feminino; facilidades
para a aquisição de casa própria pelos indivíduos que pretendessem se casar; complemento de renda dos casados
com filhos e regras que privilegiavam os homens casados e com filhos quanto ao acesso e à promoção no serviço
público.
O artigo 124 da Constituição Brasileira de 1937 afirmava: “A família, constituída pelo casamento indissolúvel, está
sob a proteção especial do Estado. Às famílias numerosas serão atribuídas compensações na proporção de seus
encargos”. Naquele período, além dos incentivos ao casamento e à reprodução, vigia uma legislação que proibia
o uso de métodos contraceptivos e o aborto: o Decreto Federal n.º 20.291, de 1932, que vedava a prática médica
que tivesse por fim impedir a concepção ou interromper a gestação, e a Lei das Contravenções Penais, sancionada
em 1941, que proibia “anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar o aborto ou evitar a gravidez”.
José Eustáquio Diniz Alves O planejamento familiar no Brasil Internet: <www ecodebate com br> (com
adaptações)
( ) CERTO ( ) ERRADO
Nesse caso, o escândalo provém de uma ausência de lógica: a greve é escandalosa porque incomoda precisamente
aqueles a quem ela não diz respeito. É a razão que sofre e se revolta: a causalidade direta, mecânica, essa
causalidade é perturbada; o efeito se dispersa incompreensivelmente longe da causa, escapa-lhe, o que é
intolerável e chocante. Ao contrário do que se poderia pensar sobre os sonhos da burguesia, essa classe tem uma
concepção tirânica, infinitamente suscetível, da causalidade: o fundamento da moral que professa não é de modo
algum mágico, mas, sim, racional. Simplesmente, trata-se de uma racionalidade linear, estreita, fundada, por
assim dizer, numa correspondência numérica entre as causas e os efeitos. O que falta a essa racionalidade é,
evidentemente, a ideia das funções complexas, a imaginação de um desdobramento longínquo dos
determinismos, de uma solidariedade entre os acontecimentos, que a tradição materialista sistematizou sob o
nome de totalidade.
Roland Barthes. O usuário da greve. In: R. Barthes. Mitologias. Tradução de Rita Buongermino, Pedro de Souza e
Rejane Janowitzer. Rio de Janeiro: DIFEL, 2007, p. 135-6 (com adaptações).
( ) CERTO ( ) ERRADO
Saiu a mais nova lista de coisas que devem ou não ser feitas, moda que parece ter contagiado o planeta. Desta vez,
Arthur Frommer e Holly Hugues elencam os 500 locais que precisamos visitar antes que desapareçam (500
places to see before they disappear). O livro traz lugares naturais e históricos, de antigos centros de culto a
paisagens em vias de extinção, assim como tesouros culturais únicos, como o Fenway Park, de Boston, inaugurado
em 1912: um dos últimos estádios norte-americanos que mantêm sua construção original, diz o Atlanta Journal
Constitution.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Texto CB1A1AAA
Não há dúvida de que a televisão apresenta ao público uma visão distorcida de como a ciência forense é conduzida
e sobre o que ela é capaz, ou não, de realizar. Os atores que interpretam a equipe de investigação, por exemplo,
são uma mistura de policial, detetive e cientista forense — esse perfil profissional não existe na vida real. Toda
profissão, individualmente, já é complexa o bastante e demanda educação, treinamento e métodos próprios. A
especialização dentro dos laboratórios tornou-se uma norma desde o final da década de 80 do século passado. O
cientista forense precisa conhecer os recursos das outras subdisciplinas, mas ninguém é especialista em todas as
áreas da investigação criminal. Além disso, os laboratórios frequentemente não realizam todos os tipos de análise
devido ao custo, à insuficiência de recursos ou à pouca procura.
As séries da TV retratam incorretamente os cientistas forenses, mostrando-os como se tivessem tempo de sobra
para todos os casos. Os programas mostram diversos detetives, técnicos e cientistas dedicando toda sua atenção
a uma investigação. Na realidade, cada cientista recebe vários casos ao mesmo tempo. A maioria dos laboratórios
acredita que o acúmulo de trabalho é o maior problema que enfrentam, e boa parte dos pedidos de aumento no
orçamento baseia-se na dificuldade de dar conta de tanto serviço.
No que se refere aos sentidos do texto CB1A1AAA, julgue os itens a seguir.
A substituição da forma verbal “dedicando” (R.19) por que dedicam manteria os sentidos originais do texto.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Texto 12A1AAA
A polícia parisiense — disse ele — é extremamente hábil à sua maneira. Seus agentes são perseverantes,
engenhosos, astutos e perfeitamente versados nos conhecimentos que seus deveres parecem exigir de modo
especial. Assim, quando o delegado G... nos contou, pormenorizadamente, a maneira pela qual realizou suas
pesquisas no Hotel D..., não tive dúvida de que efetuara uma investigação satisfatória (...) até o ponto a que chegou
o seu trabalho.
— Até o ponto a que chegou o seu trabalho? — perguntei.
— Sim — respondeu Dupin. — As medidas adotadas não foram apenas as melhores que poderiam ser tomadas,
mas realizadas com absoluta perfeição. Se a carta estivesse depositada dentro do raio de suas investigações, esses
rapazes, sem dúvida, a teriam encontrado.
Ri, simplesmente — mas ele parecia haver dito tudo aquilo com a máxima seriedade.
— As medidas, pois — prosseguiu —, eram boas em seu gênero, e foram bem executadas: seu defeito residia em
serem inaplicáveis ao caso e ao homem em questão. Um certo conjunto de recursos altamente engenhosos é, para
o delegado, uma espécie de leito de Procusto, ao qual procura adaptar à força todos os seus planos. Mas, no caso
em apreço, cometeu uma série de erros, por ser demasiado profundo ou demasiado superficial. (...) E, se o
delegado e toda a sua corte têm cometido tantos enganos, isso se deve (...) a uma apreciação inexata, ou melhor,
a uma não apreciação da inteligência daqueles com quem se metem. Consideram engenhosas apenas as suas
próprias ideias e, ao procurar alguma coisa que se ache escondida, não pensam senão nos meios que eles próprios
teriam empregado para escondê-la. Estão certos apenas num ponto: naquele em que sua engenhosidade
representa fielmente a da massa; mas, quando a astúcia do malfeitor é diferente da deles, o malfeitor,
naturalmente, os engana. Isso sempre acontece quando a astúcia deste último está acima da deles e, muito
frequentemente, quando está abaixo. Não variam seu sistema de investigação; na melhor das hipóteses, quando
são instigados por algum caso insólito, ou por alguma recompensa extraordinária, ampliam ou exageram os seus
modos de agir habituais, sem que se afastem, no entanto, de seus princípios. (...) Você compreenderá, agora, o
que eu queria dizer ao afirmar que, se a carta roubada tivesse sido escondida dentro do raio de investigação do
nosso delegado — ou, em outras palavras, se o princípio inspirador estivesse compreendido nos princípios do
delegado —, sua descoberta seria uma questão inteiramente fora de dúvida. Este funcionário, porém, se enganou
por completo, e a fonte remota de seu fracasso reside na suposição de que o ministro é um idiota, pois adquiriu
renome de poeta. Segundo o delegado, todos os poetas são idiotas — e, neste caso, ele é apenas culpado de uma
non distributio medii, ao inferir que todos os poetas são idiotas.
— Mas ele é realmente poeta? — perguntei. — Sei que são dois irmãos, e que ambos adquiriram renome nas letras.
O ministro, creio eu, escreveu eruditamente sobre o cálculo diferencial. É um matemático, e não um poeta.
— Você está enganado. Conheço-o bem. E ambas as coisas. Como poeta e matemático, raciocinaria bem; como
mero matemático, não raciocinaria de modo algum, e ficaria, assim, à mercê do delegado.
— Você me surpreende — respondi — com essas opiniões, que têm sido desmentidas pela voz do mundo.
Naturalmente, não quererá destruir, de um golpe, ideias amadurecidas durante tantos séculos. A razão
matemática é há muito considerada como a razão par excellence.
Edgar Allan Poe. A carta roubada. In: Histórias extraordinárias. Victor Civita, 1981. Tradução de Brenno Silveira e
outros.
A correção gramatical do texto seria mantida caso a forma verbal “compreenderá” (R.42) fosse substituída
por compreende, embora o sentido original do período em que ela ocorre fosse alterado: no original, o
emprego do futuro revela uma expectativa de Dupin em relação a seu interlocutor; com o emprego do
presente, essa expectativa seria transformada em fato consumado.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Texto 13A1AAA
No fim do século XVIII e começo do XIX, a despeito de algumas grandes fogueiras, a melancólica festa de punição
de condenados foi-se extinguindo. Em algumas dezenas de anos, desapareceu o corpo como alvo principal da
repressão penal: o corpo supliciado, esquartejado, amputado, marcado simbolicamente no rosto ou no ombro,
exposto vivo ou morto, dado como espetáculo. Ficou a suspeita de que tal rito que dava um “fecho” ao crime
mantinha com ele afinidades espúrias: igualando-o, ou mesmo ultrapassando-o em selvageria, acostumando os
espectadores a uma ferocidade de que todos queriam vê-los afastados, mostrando-lhes a frequência dos crimes,
fazendo o carrasco se parecer com criminoso, os juízes com assassinos, invertendo no último momento os papéis,
fazendo do supliciado um objeto de piedade e de admiração.
A punição vai-se tornando a parte mais velada do processo penal, provocando várias consequências: deixa o campo
da percepção quase diária e entra no da consciência abstrata; sua eficácia é atribuída à sua fatalidade, não à sua
intensidade visível; a certeza de ser punido é que deve desviar o homem do crime, e não mais o abominável teatro.
Sob o nome de crimes e delitos, são sempre julgados corretamente os objetos jurídicos definidos pelo Código.
Porém julgam-se também as paixões, os instintos, as anomalias, as enfermidades, as inadaptações, os efeitos de
meio ambiente ou de hereditariedade. Punem-se as agressões, mas, por meio delas, as agressividades, as
violações e, ao mesmo tempo, as perversões, os assassinatos que são, também, impulsos e desejos. Dir-se-ia que
não são eles que são julgados; se são invocados, é para explicar os fatos a serem julgados e determinar até que
ponto a vontade do réu estava envolvida no crime. As sombras que se escondem por trás dos elementos da causa
é que são, na realidade, julgadas e punidas.
O juiz de nossos dias — magistrado ou jurado — faz outra coisa, bem diferente de “julgar”. E ele não julga mais
sozinho. Ao longo do processo penal, e da execução da pena, prolifera toda uma série de instâncias anexas.
Pequenas justiças e juízes paralelos se multiplicaram em torno do julgamento principal: peritos psiquiátricos ou
psicológicos, magistrados da aplicação das penas, educadores, funcionários da administração penitenciária
fracionam o poder legal de punir. Dir-se-á, no entanto, que nenhum deles partilha realmente do direito de julgar;
os peritos não intervêm antes da sentença para fazer um julgamento, mas para esclarecer a decisão dos juízes.
Todo o aparelho que se desenvolveu há anos, em torno da aplicação das penas e de seu ajustamento aos
indivíduos, multiplica as instâncias da decisão judiciária, prolongando-a muito além da sentença.
Michel Foucault. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Trad. Raquel Ramalhete. Petrópolis, Vozes, 1987, p. 8-26
(com adaptações).
( ) CERTO ( ) ERRADO
Dir-se-á, no entanto, que nenhum deles partilha realmente do direito de julgar; os peritos não intervêm antes da
sentença para fazer um julgamento, mas para esclarecer a decisão dos juízes.
A expressão “Dir-se-á” (R.40) poderia ser corretamente substituída por Será dito.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Subentende-se a forma verbal “intervêm” (R.42) logo após o vocábulo “mas” em “mas para esclarecer a decisão
dos juízes” (R.43).
( ) CERTO ( ) ERRADO
Texto 1A1-I
Dói. Dói muito. Dói pelo corpo inteiro. Principia nas unhas, passa pelos cabelos, contagia os ossos, penaliza a
memória e se estende pela altura da pele. Nada fica sem dor. Também os olhos, que só armazenam as imagens do
que já fora, doem. A dor vem de afastadas distâncias, sepultados tempos, inconvenientes lugares, inseguros
futuros. Não se chora pelo amanhã. Só se salga a carne morta.
No princípio, se um de nós caía, a dor doía ligeiro. Um beijo seu curava a cabeça batida na terra, o dedo espremido
na dobradiça da porta, o pé tropeçado no degrau da escada, o braço torcido no galho da árvore. Seu beijo de mãe
era um santo remédio. Ao machucar, pedia-se: mãe, beija aqui!
Há que experimentar o prazer para, só depois, bem suportar a dor. Vim ao mundo molhado pelo desenlace. A dor
do parto é também de quem nasce. Todo parto decreta um pesaroso abandono. Nascer é afastar-se — em lágrimas
— do paraíso, é condenar-se à liberdade. Houve, e só depois, o tempo da alegria ao enxergar o mundo como o mais
absoluto e sucessivo milagre: fogo, terra, água, ar e o impiedoso tempo. Sem a mãe, a casa veio a ser um lugar
provisório.
Uma estação com indecifrável plataforma, onde espreitávamos um cargueiro para ignorado destino. Não se
desata com delicadeza o nó que nos amarra à mãe. Impossível adivinhar, ao certo, a direção do nosso bilhete de
partida. Sem poder recuar, os trilhos corriam exatos diante de nossos corações imprecisos. Os cômodos sombrios
da casa — antes bem- aventurança primavera — abrigavam passageiros sem linha do horizonte. Se fora o lugar da
mãe, hoje ventilava obstinado exílio.
Bartolomeu Campos de Queirós. Vermelho amargo. São Paulo: Cosac Naify, 2013, p. 5 (com adaptações).
Ainda a respeito de aspectos linguísticos e dos sentidos do texto 1A1-I, julgue o item que se segue.
No segundo parágrafo do texto, as formas verbais “caía”, “doía”, “curava” e “pedia” designam ações frequentes
ou contínuas no passado.
( ) CERTO ( ) ERRADO
trato desumano, em que a mercancia são homens! Oh mercancia diabólica, em que os interesses se tiram das
almas alheias, e os riscos das próprias!
Já se depois de chegados olharmos para estes miseráveis, e para os que se chamam seus senhores: o que se viu
nos dous estados de Jó, é o que aqui representa a fortuna, pondo juntas a felicidade e a miséria no mesmo teatro.
Os senhores poucos, e os escravos muitos; os senhores rompendo galas, os escravos despidos e nus; os senhores
banqueteando, os escravos perecendo à fome; os senhores nadando em ouro e prata, os escravos carregados de
ferros; os senhores tratando-os como brutos, os escravos adorando-os e temendo-os como deuses; os senhores
em pé apontando para o açoute, como estátuas da soberba e da tirania, os escravos prostrados com as mãos
atadas atrás como imagens vilíssimas da servidão, e espetáculos da extrema miséria.
Antônio Vieira. Sermão vigésimo sétimo do rosário. In: Essencial padre Antônio Vieira. Organização e introdução
de Alfredo Bosi. São Paulo: Penguin Classics, Companhia das Letras, 2011, p. 532-3 (com adaptações).
Com relação aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.
Preguiça e covardia são as causas que explicam por que uma grande parte dos seres humanos, mesmo muito após
a natureza tê-los declarado livres da orientação alheia, ainda permanecem, com gosto e por toda a vida, na
condição de menoridade. As mesmas causas explicam por que parece tão fácil outros afirmarem-se como seus
tutores. É tão confortável ser menor! Tenho à disposição um livro que entende por mim, um pastor que tem
consciência por mim, um médico que me prescreve uma dieta etc.: então não preciso me esforçar. Não me é
necessário pensar, quando posso pagar; outros assumirão a tarefa espinhosa por mim.
A maioria da humanidade vê como muito perigoso, além de bastante difícil, o passo a ser dado rumo à maioridade,
uma vez que tutores já tomaram para si de bom grado a sua supervisão. Após terem previamente embrutecido e
cuidadosamente protegido seu gado, para que essas pacatas criaturas não ousem dar qualquer passo fora dos
trilhos nos quais devem andar, os tutores lhes mostram o perigo que as ameaça caso queiram andar por conta
própria. Tal perigo, porém, não é assim tão grande, pois, após algumas quedas, aprenderiam finalmente a andar;
basta, entretanto, o exemplo de um tombo para intimidá-las e aterrorizá-las por completo para que não façam
novas tentativas.
Kant. Resposta à pergunta: Que é esclarecimento? Tradução de Pedro Caldas. In: Danilo Marcondes. Textos
básicos de ética: de Platão a Foucault. Zahar, 4.ª edição, 2008 (com adaptações).
( ) CERTO ( ) ERRADO
Texto
Pode-se dizer que a cidadania é essencialmente consciência de direitos e deveres e exercício da democracia:
direitos civis, como segurança e locomoção; direitos sociais, como trabalho, salário justo, saúde, educação,
habitação etc.; direitos políticos, como liberdade de expressão, de voto, de participação em partidos políticos e
sindicatos etc.
Não há cidadania sem democracia. O conceito de cidadania, contudo, é um conceito ambíguo. Em 1789,
a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão estabelecia as primeiras normas para assegurar a liberdade
individual e a propriedade. Nascia a cidadania como uma conquista liberal. Hoje, o conceito de cidadania é mais
complexo.
Com a ampliação dos direitos, nasceu também uma concepção mais ampla de cidadania. De um lado, existe uma
concepção consumerista de cidadania (direito de defesa do consumidor) e, de outro, uma concepção plena, que
se manifesta na mobilização da sociedade para a conquista de novos direitos e na participação direta da população
na gestão da vida pública, por meio, por exemplo, da discussão democrática do orçamento. Esta tem sido
uma prática, sobretudo no nível do poder local, que tem ajudado na construção de uma democracia participativa,
superando os limites da democracia puramente representativa.
Moacir Gadotti. Escola cidadã – educação para e pela cidadania. Internet: <http://acervo.paulofreire.org> (com
adaptações).
A correção gramatical, a coerência e o sentido do texto seriam mantidos caso a forma verbal “tem ajudado”
fosse substituída por
a) vem ajudando.
b) ajudou.
c) ajudaria.
d) vinha ajudando.
e) pode ajudar.
A principal finalidade da investigação criminal, materializada no inquérito policial (IP), é a de reunir(e) elementos
mínimos de materialidade e autoria delitiva antes de se instaurar o processo criminal, de modo a evitarem-se,
assim, ações infundadas, as quais certamente implicam(a) grande transtorno para quem se vê acusado por um
crime que não cometeu.
cada dia, com o objetivo de garantir(c) que o IP seja um instrumento imparcial de investigação em busca da verdade
dos fatos.
Acrescente-se que o estigma provocado por uma ação penal pode perdurar(d) por toda a vida e, por isso, para ser
promovida, a acusação deve conter fundamentos fáticos e jurídicos suficientes, o que, em regra, se consegue por
meio do IP.
Carlos Alberto Marchi de Queiroz (Coord.). Manual de polícia judiciária: doutrina, modelos, legislação. 6.ª ed. São
Paulo: Delegacia Geral de Polícia, 2010 (com adaptações).
O tom memorialista do primeiro parágrafo manifesta-se pelo uso predominante de formas verbais que denotam
o início de determinadas ações, das quais são exemplos “Jantava” e “almoçava”, e “Vivia”.
( ) CERTO ( ) ERRADO
A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto, julgue o próximo item.
Susanita emprega verbos no imperativo em todas as falas dirigidas a Mafalda, pois, a todo momento, dá ordens a
ela.
( ) CERTO ( ) ERRADO
No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir.
No terceiro período, “for” e “vir” são formas flexionadas no modo subjuntivo dos verbos de movimento ir e vir,
empregadas em um jogo de palavras que aproxima o campo semântico do movimento com o campo semântico
do transporte.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Há 28 anos um grupo de pessoas se reúne semanalmente na sede da ONG (organização não governamental) Anjos
da Noite, em um sobrado no bairro de Artur Alvim, na Zona Leste de São Paulo. Os voluntários dedicam-se a
aplacar as carências dos moradores de rua. Além de entregar cobertores e roupas, o grupo tem como principal
incumbência a distribuição de refeições. Aos sábados, os colaboradores se organizam para preparar 200 quilos de
comida. A distribuição de 800 marmitas tem início ao cair da noite. Anteriormente, os voluntários rodavam quatro
horas pelas ruas da região central até entregar a última quentinha. Hoje, o trabalho é feito em menos de uma hora.
Basta estacionar o carro, e um grupo de pessoas carentes faz fila para ganhar o alimento.
A experiência dos Anjos da Noite confirma a percepção que tem qualquer cidadão dos maiores centros urbanos
brasileiros: o número de pessoas que vivem nas ruas elevou-se, e muito, nos últimos anos. As estatísticas são
esporádicas e, por isso, não é fácil saber com exatidão a proporção desse crescimento.
(Giovanni Magliano. A rua como único refúgio. Veja, 6.12.2017. Adaptado)
Assinale a alternativa que substitui as expressões destacadas no trecho seguinte, em conformidade com a norma-
padrão.
Basta estacionar o carro, e um grupo de pessoas carentes faz fila para ganhar o alimento.
a) Bastava ... fez ... que ganhasse
b) Bastou ... faria ... que ganha
Há emprego correto das formas verbais e correlação adequada entre tempos e modos, conforme a norma -padrão,
em:
a) Talvez seja válido considerar que o que nos desagradasse na adaptação de determinado livro seja a ausência de
nossa própria leitura, pois sempre esperarmos ver nossas expectativas correspondidas na tela.
b) Por mais que uma adaptação se proposse a ser fiel à obra em que se baseou, sempre haveria aspectos de
divergência, uma vez que o filme tivera uma linguagem própria e traduzira uma leitura particular.
c) Considerando que os leitores tenham modos peculiares de pensar e sentir, a apreensão de um texto literário não
será a mesma para todos, ainda que determinadas interpretações possam ser partilhadas.
d) Se as pessoas manterem o hábito de ler textos literários,teriam muito a ganhar, pois a literatura não apenas é
fundamental para que desenvolvêssemos nosso intelecto mas também é importante para expandirmos a
imaginação.
e) Quando as pessoas passassem a dedicar mais tempo à leitura e à introspecção, será possível ampliar suas
potencialidades intelectuais e emocionais, de modo que isso alterará a maneira como elas executariam todas as
suas atividades cotidianas.
Black Friday? Levantamento feito pela Folha* mostrou que boa parte dos “descontos” oferecidos nesta sexta-feira
não passa de manipulações até meio infantis de preços, com o objetivo de iludir o consumidor.
Antes, porém, de imprecar contra a ganância dos capitalistas, convém perguntar se os consumidores não desejam
ser enganados. E há motivos para acreditar que pelo menos uma parte deles queira.
No recém-lançado Dollars and Sense (dinheiro e juízo), Dan Ariely e Jeff Kreisler relatam um experimento natural
que mostra que pessoas podem optar por ser “ludibriadas” voluntariamente e que, em algum recôndito do cérebro,
isso faz sentido.
A JCPenney é uma centenária loja de departamentos dos EUA que se celebrizou por jogar seus preços na lua para
depois oferecer descontos “irresistíveis”. Ao fim e ao cabo, os preços efetivamente praticados estavam em linha
com os da concorrência, mas os truques utilizados proporcionavam aos consumidores a sensação, ainda que
ilusória, de ter feito um bom negócio, o que lhes dava prazer.
Em 2012, o então novo diretor executivo da empresa Ron Johnson, numa tentativa de modernização, resolveu
acabar com a ginástica de remarcações e descontos e adotar uma política de preços “justa e transparente”.
Os clientes odiaram. Em um ano, a companhia perdera US$ 985 milhões e Johnson ficou sem emprego. Logo em
seguida, a JCPenney remarcou os preços de vários de seus itens em até 60% para voltar a praticar os descontos
irresistíveis. Como escrevem Ariely e Kreisler, “os clientes da JCPenney votaram com suas carteiras e escolheram
ser manipulados”.
Num mundo em que o cliente sempre tem razão, não é tão espantoso que empresas se dediquem a vender-lhe as
fantasias que deseja usar, mesmo que possam ser desmascaradas com um clique de computador.
Assinale a alternativa em que a forma verbal em destaque no trecho expressa a ideia de possibilidade de que um
fato ou evento se realize.
a) E há motivos para acreditar que pelo menos uma parte deles queira.
Se a frase do 2º quadrinho for reescrita na perspectiva de tempo futuro, em conformidade com a norma-padrão,
ela assumirá a seguinte redação:
a) Quando você querer escrever alguma monstruosidade, será possível comentar de forma anônima.
b) Quando você queira escrever alguma monstruosidade, é possível comentar de forma anônima.
c) Quando você quisesse escrever alguma monstruosidade, seria possível comentar de forma anônima.
d) Quando você quiser escrever alguma monstruosidade, será possível comentar de forma anônima.
e) Quando você quererá escrever alguma monstruosidade, é possível comentar de forma anônima.
Marieta
Sei que é falta de educação (mas pouca gente sabe hoje o que quer dizer falta de educação, ou mesmo educação)
falar em idade de mulher.
São múltiplas as teorias sobre idade feminina. Eu envelheceria ainda mais, se fosse anotar aqui todos os conceitos
alusivos a essa matéria; enquanto isso, as mulheres ficariam cada vez mais jovens. Depois, não estou interessado
em compendiar a incerta sabedoria em torno do tema incerto. Meu desejo é só este: contar a idade de Marieta,
por estranho que pareça.
E não é nada estranho, afinal. Marieta fazer 90 anos é tão simples quanto ela fazer 15. No fundo, está fazendo seis
vezes 15 anos, esta é talvez sua verdadeira idade, por uma graça da natureza que assim o determinou e assim o
fez. Privilégio.
Ah, Marieta, que inveja eu sinto de você, menos pelos seus 90, perdão, 6 x 15 anos, do que pelo sinal que iluminou
seu nascimento, sinal de alegria serena, de firmeza e constância, de leve compreensão da vida, que manda chorar
quando é hora de chorar, rir o riso certo, curtir uma forma de amor com a seriedade e a naturalidade que todo
amor exige.
Sei não, Marieta (de batismo e certidão, Maria Luísa), mas você é a mais agradável combinação de gente com
gente que eu conheço.
e) indicam, entre ações simultâneas, a que estava em processo quando a outra ocorreu.
A última crônica
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade, estou
adiando o momento de escrever.
A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco
no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto
da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina,
quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador. Sem mais nada para
contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso de um poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria
o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem
os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim, um casal acaba de sentar-se numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de
espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de
uma menininha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à
mesa. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade.
Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom e
aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta
para atendê-lo. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção
do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A menininha olha a garrafa de refrigerante e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Vejo que os três, pai,
mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante,
retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um
animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve o refrigerante,
o pai risca o fósforo e acende as velas. A menininha sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se
a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “parabéns pra
você, parabéns pra você...”. A menininha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-
lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo, limpa o farelo de bolo que lhe cai
ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da
celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila,
ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
e) ... mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.(6º parágrafo)
Sentado no coletivo, observo a roupa que cada um está usando e fico imaginando como escolheu aquele modelito
pra sair de casa.
Tem de tudo. Gente bem vestida, gente de qualquer jeito, bom gosto, mau gosto, roupa limpa, roupa suja.
Toda vez que penso nisso, lembro-me do poeta Paulo Leminski, com quem trabalhei no final dos anos 1980.
Leminski era o que chamamos de “figuraça”. Fazíamos o Jornal de Vanguarda juntos na TV Bandeirantes.
Lema, como o chamávamos, ia trabalhar de qualquer jeito. Uma calça Lee surrada, sem cinto, caindo, camiseta
branca encardida e muitas vezes aparecia na redação de chinelo franciscano.
Um dia, foi surpreendido no corredor da Band pelo comentarista de economia Celso Ming.
– Paulo Leminski, você percebeu que está usando uma meia de cada cor?
Lema levantou ligeiramente sua calça Lee e constatou que Ming – que ele chamava de Dinastia Ming – estava
certo. Não pensou duas vezes e respondeu na lata.
– Dinastia Ming, eu estou me lixando! Acordo, me visto no escuro e só vejo como estou quando chego na rua.
a) Há pessoas que escolhem com bom gosto a roupa que vestem, independentemente das circunstâncias.
b) No coletivo, alguns vestiam-se com cuidado, enquanto outros parecia ser mais displicente.
c) Roupas belas ou feias, limpas ou sujas, tudo levavam a imaginar como devia viver aqueles estranhos.
d) Muitos são os fatores que é levado em conta quando cada um de nós escolhem o que vestir.
e) São importantes lembrar que nossa personalidade e nossos valores não se define pela roupa que usamos.
Rafiki é um angolano, filho de uma economista e de um funcionário de multinacional. Veio para o Brasil estudar
medicina e foi surpreendido pela carga de preconceito que encontrou aqui. Já enfrentou o constrangimento de
perceber que pessoas fecham os vidros dos carros nos sinais quando o veem, ou mulheres se agarram a suas bolsas
ao cruzarem com ele na calçada.
O universitário Rafiki mora em um bairro de classe média alta e uma noite, quando estava para entrar em seu
prédio, viu um casal passar por ele, entrar e bater a porta.
O angolano entrou em seguida e encontrou o casal esperando o elevador. Como a mulher o encarava
insistentemente, ele perguntou:
Quando as pessoas, porém, ficam sabendo que Rafiki é estudante de medicina, mudam a forma de tratá-lo.
Rafiki também não compreende um comportamento que chama sua atenção no Brasil: as pessoas pedirem
informações na rua sem antes dizer “bom dia”, “por favor”, “com licença”. Mas ele não acredita que essa falta de
educação seja maior aqui do que em outros países. A gentileza tem sido pouco valorizada. Rafiki costuma dizer
ultimamente que o mundo todo está de patas para o ar.
(Leila Ferreira. A arte de ser leve. São Paulo: Globo, 2010. Adaptado)
No trecho – O universitário Rafiki mora em um bairro de classe média alta e uma noite, quando estava para entrar
em seu prédio... – as formas verbais destacadas estão, respectivamente, nos tempos
a) presente e futuro.
b) passado e presente.
c) futuro e presente.
d) presente e passado.
e) futuro e passado.
A revolução digital fortalece as previsões de que as casas ou lares inteligentes oferecerão mais conveniência e
menos dispêndio de energia em um futuro.
A definição de conveniência para esses novos lares tecnológicos, com redução ou eliminação de trabalhos
domésticos. Portanto, para que as edificações inteligentes tenham sucesso, elas deverão se estruturar com base
nessa visão de conveniência como solução para os que vivem em um mundo acelerado e estar ancoradas em uma
grande variedade de sistemas tecnológicos acessíveis e fáceis de operar, tornando a vida das pessoas mais simples.
Além da conveniência, outro relevante benéfico das casas inteligentes, para os consumidores é a sua capacidade
de incorporar aspectos relacionados à administração do gasto de energia, principalmente com iluminação,
condicionamento de ar eletrodomésticos. Um conjunto de sensores, adequadamente configurados para gerenciar
esses sistemas, pode gerar diminuição considerável nos gastos com energia, com reflexos ambientais e
econômicos importantes.
A tendência de crescimento desse mercado é clara. A empresa de pesquisa Zion Research prevê que a tecnologia
das casas inteligentes deve alcançar um faturamento de US$ 53 bilhões (R$170 bi) em 2022. O crescimento estará
calcado, principalmente, na conexão da casa com os ambientes digitais externos, como por exemplo, a conexão
do refrigerador com os equipamentos dos fornecedores de alimentos.
Naturalmente, a tecnologia das casas inteligentes continuará a evoluir, tornando-se acessível e barata. Com isso,
mais pessoas poderão utilizar-se dela, e novos padrões, modelos e estilos de vida devem se consolidar,
principalmente nas áreas urbanas.
(Claudio Bernades. Casas inteligentes trarão conveniência e reduzirão gasto de energia. Folha de S. Paulo. www.folha.uol.com.br. 22.01.18. Adaptado)
Considere a frase:
A empresa de pesquisa Zion Research prevê que a tecnologia das casas inteligentes deve alcançar, um
faturamento de US$ 53 bilhões (R$ 170 bi) em 2002.
b) obrigatoriedade
c) refutação
d) probabilidade
e) comprovação
A revolução digital fortalece as previsões de que as casas ou lares inteligentes oferecerão mais conveniência e
menos dispêndio de energia em um futuro.
A definição de conveniência para esses novos lares tecnológicos, com redução ou eliminação de trabalhos
domésticos. Portanto, para que as edificações inteligentes tenham sucesso, elas deverão se estruturar com base
nessa visão de conveniência como solução para os que vivem em um mundo acelerado e estar ancoradas em uma
grande variedade de sistemas tecnológicos acessíveis e fáceis de operar, tornando a vida das pessoas mais simples.
Além da conveniência, outro relevante benéfico das casas inteligentes, para os consumidores é a sua capacidade
de incorporar aspectos relacionados à administração do gasto de energia, principalmente com iluminação,
condicionamento de ar eletrodomésticos. Um conjunto de sensores, adequadamente configurados para gerenciar
esses sistemas, pode gerar diminuição considerável nos gastos com energia, com reflexos ambientais e
econômicos importantes.
apartamento de um dormitório, cozinha, sala de estar, sala de jantar e banheiro. O estudo concluiu que a economia
pode chegara quase 40% do consumo médio mensal de energia.
A tendência de crescimento desse mercado é clara. A empresa de pesquisa Zion Research prevê que a tecnologia
das casas inteligentes deve alcançar um faturamento de US$ 53 bilhões (R$170 bi) em 2022. O crescimento estará
calcado, principalmente, na conexão da casa com os ambientes digitais externos, como por exemplo, a conexão
do refrigerador com os equipamentos dos fornecedores de alimentos.
Naturalmente, a tecnologia das casas inteligentes continuará a evoluir, tornando-se acessível e barata. Com isso,
mais pessoas poderão utilizar-se dela, e novos padrões, modelos e estilos de vida devem se consolidar,
principalmente nas áreas urbanas.
(Claudio Bernades. Casas inteligentes trarão conveniência e reduzirão gasto de energia. Folha de S. Paulo. www.folha.uol.com.br. 22.01.18. Adaptado)
Considere o trecho:
a) Um estudo foi desenvolvido pelo departamento de engenharia da computação da Academia Árabe de Ciências
e Tecnologia.
b) Um estudo foi que desenvolveu o departamento de engenharia da Academia Árabe de Ciências e Tecnologia.
O modo verbal em “não digite” expressa um conselho, assim como ocorre com a expressão destacada em:
a) Como não haverá expediente bancário na sexta-feira, o boleto poderá ser pago na segunda-feira.
b) O morador não autorizou a entrada do técnico para a medição do consumo de gás no imóvel.
c) Atenção: não se esqueçam de usar o cinto de segurança também no banco de trás do automóvel.
O aspecto mais perverso da brutal recessão de 2014-16 – e da lenta recuperação que a sucedeu até agora – é o
custo desproporcional imposto aos mais pobres.
Como primeiro impacto, o fechamento de vagas no mercado de trabalho e a queda da renda reverteram uma
trajetória de avanços sociais que já completava uma década. Durante o longo ciclo de retração, a taxa de
desemprego subiu de 6,5% para 13,7%, ou, dito de outro modo, 5,9 milhões de pessoas perderam seus postos de
trabalho.
A retomada do crescimento econômico, iniciada no ano passado, tem se mostrado tímida e, embora a
desocupação tenha caído um pouco, a qualidade das vagas geradas deixa a desejar.
Não surpreende, pois, que os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE
mostrem um quadro deteriorado.
A partir deles, a consultoria LCA calculou que em 2017 a pobreza extrema se elevou em 11%. Conforme os números
publicados pelo jornal Valor Econômico, 14,8 milhões de brasileiros são miseráveis – considerando uma linha de R$
136 mensais. O Nordeste abriga 55% desse contingente.
Embora não se possa afirmar com certeza, uma vez que o IBGE alterou a metodologia da Pnad e ainda não divulgou
as novas séries históricas, é plausível que também a exorbitante desigualdade social brasileira tenha aumentado
com a recessão.
b) ... dito de outro modo, 5,9 milhões de pessoas perderam seus postos de trabalho.
c) ... é plausível que também a exorbitante desigualdade social brasileira tenha aumentado com a recessão.
e) ... reverteram uma trajetória de avanços sociais que já completava uma década.
Impassível e altivo, deixou que os monges despissem suas vestes sagradas. Permaneceu firme quando recebeu na
tonsura** o golpe simbólico da excomunhão. O carrasco já se preparava para o gesto fatal, quando recuou, com
o rosto pálido, dizendo que a Virgem Maria estava junto ao condenado. Veio então o ajudante do carrasco, que
também se recusou a executar Frei Caneca, diante da visão da Virgem Maria. Aí foram buscar dois escravos. E
esses, mesmo duramente açoitados, negaram-se a participar da execução. O juiz mandou trazer dois presos da
cadeia pública e lhes ofereceu a liberdade em troca da execução de Frei Caneca. E eles igualmente se negaram,
alegando a visão da Virgem Maria.
Mas era preciso matar Frei Caneca de qualquer jeito, como exemplo para desencorajar futuros conspiradores. O
juiz então ordenou que ele fosse fuzilado. Percebendo que os soldados tremiam com as armas na mão, Frei Caneca
procurou exortá-los:
– Vamos, meus amigos. Não me façam sofrer muito. Virgem Maria há de compreender os vossos temores. Tenham
fé, ela já os perdoou.
Observe a relação temporal entre as situações expressas pelos verbos destacados nos seguintes trechos: (I) No dia
13 de janeiro de 1825, um condenado caminhava com passos firmes na direção da forca, no centro do Recife. (II)
Ele tinha participado da revolta da Confederação do Equador. (III) Vestia o hábito da Irmandade da Madre de
Deus.
É correto concluir que
Considerando a correlação entre as formas verbais, conforme a norma-padrão, as lacunas devem ser preenchidas,
respectivamente, com:
a) visse ... reporta
A senhora – o que foi que tomou mesmo? Comprimidos. Não sabe que comprimidos? Gardenal. Tomou Gardenal.
Muitos? Cuidado, não pise no fio do microfone. Dez comprimidos. E o que foi que sentiu? Uma tontura gostosa!
Vejam só, uma tontura gostosa! Não é notável? Uma tontura gostosa. E foi por causa de quem? Olha o fio. Do
marido. O marido bebia. Batia também? Batia. Voltava bêbado e batia. Quebrava toda a louça. Agora prometeu
se regenerar. E ela não vai mais tomar Gardenal. Palmas. Olha o fio. Fica ali, à esquerda. Ali, junto com as outras.
Depois recebe o brinde. Aproveito este breve intervalo para anunciar que a moça loira da semana passada –
lembram, aquela que tomou ri-do-rato? Morreu. Morreu ontem. A família veio aqui me avisar. Foi uma dura lição,
infelizmente ela não poderá aproveitar. Outros o farão. E a senhora? Ah, não foi a senhora, foi a menina. Que idade
tem ela? Dez. Tomou querosene? Por que a senhora bateu nela? A senhora não bate mais, ouviu? E tu não toma
mais querosene, menina. A propósito, que tal o gosto? Ruim. Não tomou com guaraná? Ontem esteve aqui uma
que tomou com guaraná. Diz que melhorou o gosto. Não sei, nunca provei. De qualquer modo, bem-vinda ao nosso
Clube. Fica ali, junto com as outras. Cuidado com o fio. Olha um homem! Homem é raro aqui. O que foi que houve?
A mulher lhe deixou? Miserável. Ah, não foi a mulher. Perdeu o emprego. Também não é isto. Fala mais alto! Está
desenganado. É câncer? Não sabe o que é. Quem foi que desenganou? Os doutores às vezes se enganam. Fica ali
à esquerda e aguarde o brinde. E esta moça? Foi Flit? Tu pensas que é barata, minha filha? Vai ali para a esquerda.
Olha o fio, olha o fio. E esta senhora, tão velhinha – já me disseram que a senhora quis se enforcar. É verdade? Com
o fio do ferro elétrico, quem diria! E dá? Mostra para nós como é que foi. Pode usar o fio do microfone.
Fogo e Madeira
Não foi pouco para um único dia de fiscalização. Dois caminhões, um trator, uma camionete e uma pá carregadeira
foram inutilizados pelo Ibama*, por servirem à extração ilegal de madeira na divisa entre Rondônia e Mato Grosso.
Embora os agentes do instituto tivessem o que comemorar, seria incorreto qualificar como êxito o que ocorreu –
pelo menos de uma perspectiva mais alongada no tempo.
A facilidade com que se encontraram sinais flagrantes de desmatamento nada mais revela do que o extremo de
sem-cerimônia dos madeireiros ilegais na Amazônia.
Autorizada por decreto de 2008, a destruição dos equipamentos empregados nessa atividade predatória parece
ser uma das poucas punições efetivamente ressentidas pelos infratores. Levada a cabo por meio de helicópteros,
a ação do Ibama afugenta, pelo mero estardalhaço de sua aproximação, os responsáveis diretos pelo crime.
Porém, mal os helicópteros levantam voo novamente, o desmatamento prossegue. Operações dessa monta se
fazem de raro em raro, e os madeireiros não chegam a abalar-se da área protegida.
Além da óbvia extensão da floresta, outros fatores tornam complexa a fiscalização. Madeireiros possuem, por
exemplo, licença para a exploração sustentável do recurso natural, mas a utilizam para enveredar em áreas
protegidas.
Iniciativas mais extensas e difíceis, mas de maior alcance, envolveriam o engajamento da população em outras
atividades atraentes do ponto de vista econômico. A falta de alternativas de trabalho sem dúvida explica por que
madeireiros ilegais encontram algum apoio entre os habitantes da região. Ainda que fulgurante, a ação de poucos
fiscais será incapaz de interromper o desmatamento.
* Ibama: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
b) certeza.
c) ação concluída.
d) dúvida.
e) possibilidade.
Muitos acontecimentos se tinham passado entre eles nestes dois dias; há circunstâncias em que os sentimentos
marcham com uma rapidez extraordinária, e devoram meses e anos num só minuto.
Reunidos nesta sala pela necessidade extrema do perigo, vendo-se a cada momento, trocando ora uma palavra,
ora um olhar, sentindo-se enfim perto um do outro, esses dois corações, se não se amavam, compreendiam-se ao
menos.
Álvaro fugia e evitava Isabel; tinha medo desse amor ardente que o envolvia num olhar, dessa paixão profunda e
resignada que se curvava a seus pés sorrindo melancolicamente. Sentia-se fraco para resistir, e entretanto o seu
dever mandava que resistisse.
Ele amava, ou cuidava* amar ainda Cecília; prometera a seu pai ser seu marido; e na situação em que se achavam,
aquela promessa era mais do que um juramento, era uma necessidade imperiosa, uma fatalidade que se devia
cumprir.
Como podia ele pois alimentar uma esperança de Isabel? Não seria infame, indigno, aceitar o amor que ela lhe
oferecera suplicando? Não era seu dever destruir naquele coração esse sentimento impossível?
* imaginava
A passagem em que a primeira forma verbal destacada está flexionada de modo a expressar uma ação ocorrida
em um tempo anterior ao da segunda forma verbal destacada é:
d) ... prometera a seu pai ser seu marido; e na situação em que se achavam...
É difícil definir o status de uma época quando ainda se está nela, mas certamente uma das características
marcantes do momento atual é o imediatismo. Percebo a tendência de simplificação nos procedimentos e a opção
pelas ações que oferecem vantagens imediatas e menores riscos, sem considerar as consequências futuras.
Esse comportamento pode ser resultante da dificuldade de se lidar com as frustrações geradas, basicamente, por
três motivos: demora, contrariedade e conflito. Seus efeitos podem ser agressão, regressão e fuga.
Um experimento famoso feito na Universidade Stanford (EUA), no final dos anos 1960, testou a capacidade de
crianças resistirem à atração da recompensa instantânea – e rendeu informações úteis sobre a força de vontade e
a autodisciplina. Aquelas que resistiram tiveram mais sucesso na vida.
A atitude imediatista praticamente impacta todas as decisões, desde a vida pessoal à rotina das empresas,
chegando até à condução do país. O que importa é o hoje e o agora!
Muitas vezes, o valor da durabilidade e da consistência – o longo prazo – parece uma história fantasiosa.
Entretanto, a vida prática confirma que o investimento em educação de qualidade e a dedicação aos estudos, por
exemplo, geram bons resultados futuros. Profissionais bem qualificados e competentes em suas áreas de atuação,
ou seja, aqueles que se dedicaram, aprofundaram seus conhecimentos e os praticaram, costumam encontrar
melhores opções na vida profissional.
É preciso, todavia, acreditar nessa equação e investir tempo e dinheiro para colher seus frutos.
Os atalhos são tentadores, mas seus resultados a longo prazo tendem a ser frustrantes.
A lacuna dessa frase deve ser preenchida, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, com:
a) ter crença
b) pôr foco
c) querer apostar
d) poder crer
e) vir sentido
O substituto da vida
Quando meu instrumento de trabalho era a máquina de escrever, eu me sentava a ela, escrevia o que tinha de
escrever, relia para ver se era aquilo mesmo, fechava a máquina, entregava a matéria e ia à vida.
Se trabalhasse num jornal, isso incluiria discutir futebol com o pessoal da editoria de esporte, ir à esquina comer
um pastel ou dar uma fugida ao cinema.
Se já trabalhasse em casa, ao terminar de escrever eu fechava a máquina e abria um livro, escutava um disco ou
dava um pulo rapidinho à praia. Só reabria a máquina no dia seguinte.
Hoje, diante do computador, termino de produzir um texto, vou à lista de mensagens para saber quem me
escreveu, deleto mensagens inúteis, respondo às que precisam de resposta, eu próprio mando mensagens inúteis.
Quando me dou conta, já é noite lá fora e não saí da frente da tela.
Com o smartphone seria pior ainda. Ele substituiu a caneta, o bloco, a agenda, o telefone, a banca de jornais, a
máquina fotográfica, o álbum de fotos, a câmera de cinema, o DVD, o correio, a secretária eletrônica, o relógio de
pulso, o despertador, o gravador, o rádio, a TV, o CD, a bússola, os mapas, a vida. É por isso que nem lhe chego
perto – temo que ele me substitua também.
(Ruy Castro. Folha de S.Paulo. 02.01.2016. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a forma verbal em destaque expressa a probabilidade de um fato ou um evento
ocorrer.
Outra estatística
No poema, o eu lírico estabelece uma interlocução direta com o leitor, quando emprega o verbo no imperativo
em:
a) Mas isso deve ser para atenuar a situação.
Se as ideias de Abranches _______________ a ser adotadas, talvez elas _______________ a ordem estabelecida.
E, se os governos _______________ o avanço das mudanças climáticas, talvez haja esperanças para o futuro da
humanidade.
A forma verbal destacada foi empregada, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, em:
a) Para justificar a pobreza, os governantes põem a culpa na economia mundial.
A disciplina do amor Foi na França, durante a Segunda Grande Guerra: um jovem tinha um cachorro que todos os
dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde.
Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante
de volta à casa.
A vila inteira já conhecia o cachorro, e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava
a correr todo animado atrás dos mais íntimos. Para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o
momento em que seu dono apontava lá longe.
Mas eu avisei que o tempo era de guerra, o jovem foi convocado. Pensa que o cachorro deixou de esperá-lo?
Continuou a ir diariamente até a esquina, fixo o olhar ansioso naquele único ponto, a orelha em pé, atenta ao
menor ruído que pudesse indicar a presença do dono bem-amado. Assim que anoitecia, ele voltava para casa e
levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte. Então, disciplinadamente, como se tivesse um
relógio preso à pata, voltava ao posto de espera.
O jovem morreu num bombardeio, mas no pequeno coração do cachorro não morreu a esperança. Quiseram
prendê-lo, distraí-lo. Tudo em vão. Quando ia chegando aquela hora, ele disparava para o compromisso assumido,
todos os dias.
Com o passar dos anos (a memória dos homens!) as pessoas foram se esquecendo do jovem soldado que não
voltou. Casou-se a noiva com um primo. Os familiares voltaram-se para outros familiares. Os amigos, para outros
amigos. Só o cachorro já velhíssimo continuou a esperá-lo na sua esquina. As pessoas estranhavam, mas quem
esse cachorro está esperando?… Uma tarde (era inverno) ele lá ficou, o focinho voltado para “aquela” direção.
(http://www.beatrix.pro.br/index.php/a-disciplina-do-amor-lygia-fagundes-telles/ Adaptado)
A forma verbal destacada indica ação realizada habitualmente pelo sujeito em:
a) ... e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia...
d) ... e levava sua vida normal de cachorro até chegar o dia seguinte.
Este será o primeiro Natal que enfrentaremos, pródigos e lúcidos. Até o ano passado conseguimos manter o
mistério — e eu amava o brilho de teus olhos quando, manhã ainda, vinhas cambaleando de sono em busca da
árvore que durante a noite brotara embrulhos e coisas. Havia um rito complicado e que começava na véspera,
quando eu te mostrava a estrela de onde Papai Noel viria, com seu trenó e suas renas, abarrotado de brinquedos
e presentes.
Tu ias dormir e eu velava para que dormisses bem e profundamente. Tua irmã, embora menor, creio que ela me
embromava: na realidade, ela já devia pressentir que Papai Noel era um mito que nós fazíamos força para manter
em nós mesmos. Ela não fazia força para isso, e desde que a árvore amanhecesse florida de pacotes e coisas, tudo
dava na mesma. Contigo era diferente. Tu realmente acreditavas em mim e em Papai Noel.
Na escola te corromperam. Disseram que Papai Noel era eu — e eu nem posso repelir a infâmia e o falso
testemunho. De qualquer forma, pediste um acordeão e uma caneta — e fomos juntos, de mãos dadas, escolher o
acordeão.
O acordeão veio logo, e hoje, quando o encontrar na árvore, já vai saber o preço, o prazo da garantia, o fabricante.
Não será o mágico brinquedo de outros Natais.
Quanto à caneta, também a compramos juntos. Escolheste a cor e o modelo, e abasteceste de tinta, para "já estar
pronta" no dia de Natal. Sim, a caneta estava pronta. Arrumamos juntos os presentes em volta da árvore. Foste
dormir, eu quedei sozinho e desesperado.
E apanhei a caneta. Escrevi isto. Não sei, ainda, se deixarei esta carta junto com os demais brinquedos. Porque
nisso tudo o mais roubado fui eu. Meu Natal acabou e é triste a gente não poder mais dar água a um velhinho
cansado das chaminés e tetos do mundo.
a) brotou.
b) brotava.
c) vinha brotando.
d) havia brotado.
e) eram brotados.
As formas verbais sublinhadas mostram perfeita concordância de tempos; as formas verbais a seguir que
mostram inadequação são:
a) pintava / perdia.
b) pinte / tenho perdido.
d) pintasse / perderia.
e) pintara / tinha perdido.
a) “Nenhuma moralidade pode fundar-se na autoridade, mesmo que a autoridade fosse divina.”
b) “Se os teus princípios morais te deixam triste, podes estar certo de que estivessem errados.”
e) “Tenho a impressão de que a exclamação ‘A pátria corre perigo’ não seja tão terrível quanto ‘A cultura corre
perigo!’”
“... ela já devia pressentir que Papai Noel era um mito que nós fazíamos força para manter em nós mesmos.”
Se trocássemos a forma da oração reduzida sublinhada por uma oração desenvolvida, a forma adequada seria:
a) impunha;
b) impusesse;
c) imponha;
d) impuser;
e) impora.
“Os países com bom desempenho nessa habilidade têm estruturas de aula...”; a frase abaixo que mostra uma
forma verbal INADEQUADA de um verbo composto de “ter” é:
a) ela não se atinha ao tema indicado;
b) elas se entreteram com o filhote do animal;
“Até porque, nessa toada, a intolerância irracional ganha terreno, e nós vamos ficando cada vez mais
irracionalmente intolerantes com aquilo que não deveríamos ser”.
A forma verbal “deveríamos ser” forma uma locução verbal como os vocábulos abaixo:
a) queremos ser;
b) mandamos ser;
c) deixemos ser;
d) vimos ser;
e) ouvimos ser.
Ressentimento e Covardia
Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma
legislação específica que coíba não somente os usos mas os abusos deste importante e eficaz veículo de
comunicação. A maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam crimes já especificados em lei, como
a da imprensa, que pune injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos direitos autorais, os plágios e
outros recursos de apropriação indébita.
“Tenho comentado aqui na Folha”; o tempo verbal destacado nesse segmento inicial do texto indica uma ação
que:
b) falseias;
c) falseemos;
d) falseie;
e) falseiam.
“... que circulam por aí e que não podem ser desmentidos ou esclarecidos caso por caso”.
Nesse segmento do texto, a locução “podem ser” forma uma só oração por tratar-se de uma locução não verbal; a
forma abaixo que constitui duas orações por NÃO se tratar de locução verbal é:
a) querem ser;
b) devem ser;
c) gostam de ser;
d) vão ser;
e) fazem ser.
“Não sei ver nada do que vejo; vejo bem apenas o que relembro e tenho inteligência apenas nas minhas
lembranças”. (Rousseau)
A relação ver/vejo só NÃO se repete de forma correta no seguinte par:
a) rir / rio;
b) trazer / trago;
c) requerer / requeiro;
d) deter / detenho;
e) reaver / reavejo.
O emprego de tempos verbais nesse segmento do texto está correto, segundo a norma culta; a frase abaixo em
que se mantém a correção gramatical é:
No post, que teve mais de 16 mil compartilhamentos e 26 mil curtidas no Twitter, o internauta chega a especular
que seriam deputados, mas a direção da casa esclareceu tratarem-se de assessores. “Votação importante hoje
(19/02) e os deputados ao invés de estarem trabalhando e fazendo jus ao salário superior a 25 mil reais, estão
trocando e colando figurinha da Copa do Mundo em meio à votação. Se eu falasse, ninguém acreditaria”, diz o
post.
Outro post com mais de 40 mil compartilhamentos traz um vídeo mostrando que a troca ocorreu enquanto uma
deputada discursava sobre uma proposta.
A direção da casa legislativa confirmou que as imagens foram feitas durante a sessão da quarta feira e esclareceu
que elas mostram dois “assessores de deputados” trocando figurinhas durante a sessão. “O comportamento não
é justificável. Os gabinetes dos deputados aos quais os assessores pertencem, já foram informados, e cabe aos
parlamentares decidir como proceder”. (adaptado)
“O flagrante de dois assessores trocando figurinhas durante uma sessão foi divulgado pelas redes sociais e a cena
se espalhou”.
O segmento “foi divulgado pelas redes sociais” do texto é exemplo de voz passiva; se a mesma frase fosse
colocada na voz ativa, a forma verbal adequada seria:
a) divulgaram;
b) divulgaram-se;
c) divulgou-se;
d) divulgam-se;
e) divulga-se.
Inteligência e sabedoria não são a mesma coisa. Entretanto, na linguagem cotidiana, usamos os dois termos
indistintamente. Vivemos em uma sociedade onde a eficiência e os resultados são valorizados. Aparentemente,
apenas os mais inteligentes estão destinados a obter sucesso. No entanto, apenas os sábios conseguem uma
felicidade autêntica. Eles são guiados por valores e preocupados em fazer uso da bondade, aplicando uma visão
mais otimista à vida.
Se procurarmos agora no dicionário o termo sabedoria, será encontrada uma definição simples: a faculdade das
pessoas de agir de maneira sensata, prudente ou correta. Sendo assim, a primeira pergunta que vem à mente é: a
inteligência não nos dá a capacidade de nos movimentarmos no nosso dia a dia da mesma maneira? Um QI médio
ou alto não nos garante a capacidade de tomar decisões acertadas?
É claro que sim. Também é claro que quando falamos de inteligência surgem diferentes nuances. Por isso, o tipo
de personalidade e a maturidade emocional são fatores que influenciam mais concretamente as realizações das
pessoas. Isso também é verdadeiro em relação à capacidade de investir mais ou menos em seu próprio bem-estar
e no dos outros.
Em vista disso, inteligência e sabedoria são dois conceitos interessantes. Assim, poderemos ter uma ideia mais
precisa e útil do que realmente são. Afinal, se queremos algo, além de ter um alto QI, é necessário desenvolver
uma sabedoria excepcional e moldar uma personalidade virtuosa. Isso vai um passo além do cognitivo e do
emocional.
“A verdadeira sabedoria está em reconhecer a própria ignorância.” Sócrates.
Disponível em https:amentemaravilhosa.com.br/inteligencia-e-sabedoria/
e) “Se procurarmos agora no dicionário o termo sabedoria, será encontrada uma definição simples”.
O casamento foi a maneira que a humanidade encontrou de propagar a espécie sem causar falatório na vizinhança.
As tradições matrimoniais se transformaram através dos tempos e variam de cultura para cultura. Em certas
sociedades primitivas o tempo gasto nas preliminares do casamento – corte, namoro, noivado etc. – era abreviado.
O macho escolhia uma fêmea, batia com um tacape na sua cabeça e a arrastava para a sua caverna. Com o passar
do tempo este método foi sendo abandonado, por pressão dos buffets, das lojas de presente e das mulheres, que
não admitiam um período pré-conjugal tão curto. O homem precisava aproximar-se dela, cheirar seus cabelos,
grunhir no seu ouvido, mordiscar a sua orelha e só então, quando ela estivesse distraída, bater com o tacape na
sua cabeça e arrastá-la para a caverna. (fragmento)
Assinale a opção em que a frase do texto mostra um exemplo de voz passiva verbal.
a) “O casamento foi a maneira que a humanidade encontrou de propagar a espécie sem causar falatório na
vizinhança.”
b) “As tradições matrimoniais se transformaram através dos tempos e variam de cultura para cultura.”
c) “O macho escolhia uma fêmea, batia com um tacape na sua cabeça e a arrastava para a sua caverna.”
d) “Em certas sociedades primitivas o tempo gasto nas preliminares do casamento – corte, namoro, noivado etc.
– era abreviado.”
e) “...quando ela estivesse distraída, bater com o tacape na sua cabeça e arrastá-la para a caverna.”
Uma descoberta anunciada na semana passada joga mais luz sobre a origem da vida no universo. Em um artigo
publicado na revista Nature – uma das mais importantes publicações científicas do mundo –, pesquisadores
ingleses relatam a identificação de microfósseis de bactérias que teriam surgido entre 4,2 bilhões de anos e 3,7
bilhões de anos atrás. Se for confirmado, será o mais antigo registro de vida na Terra.
“...pesquisadores ingleses relatam a identificação de microfósseis de bactérias que teriam surgido entre 4,2 bilhões
de anos e 3,7 bilhões de anos atrás. Se for confirmado, será o mais antigo registro de vida na Terra”.
Em função da forma verbal “teriam surgido”, os leitores tomam conhecimento de que a informação da descoberta
é:
Estou há pouco mais de dois anos morando na China, leitor, e devo dizer que a minha admiração pelos chineses só
tem feito crescer. É um país que tem coesão e rumo, como notou o meu colega de coluna neste jornal Cristovam
Buarque, que passou recentemente por aqui.
Coesão e rumo. Exatamente o que falta ao nosso querido país. E mais o seguinte: uma noção completamente
diferente do tempo. Trata-se de uma civilização milenar, com mentalidade correspondente. Os temas são sempre
tratados com uma noção de estratégia e visão de longo prazo. E paciência. A paciência que, como disse Franz
Kafka, é uma segunda coragem.
Nada de curto praxismo, do imediatismo típico do Ocidente, que têm sido tão destrutivos e desagregadores.
Esse traço do chinês é até muito conhecido no resto do mundo. Há uma famosa observação do primeiro-ministro
Chou En-Lai, muito citada, que traduz essa noção singular do tempo. Em certa ocasião, no início dos anos 1970,
um jornalista estrangeiro lançou a pergunta: “Qual é afinal, primeiro-ministro, a sua avaliação da Revolução
Francesa?” Chou En-Lai respondeu: “É cedo para dizer”.
Recentemente, li aqui na China que essa célebre resposta foi um simples mal-entendido. Com os percalços da
interpretação, Chou En-Lai entendeu, na verdade, que a pergunta se referia à revolta estudantil francesa de 1968!
Pronto. Criou-se a lenda.
Pena que tenha sido um mal-entendido. Seja como for, é indubitável que para os chineses o tempo tem outra
dimensão. Para uma civilização de quatro mil anos ou mais, uma década tem sabor de 15 minutos.
(O Globo, 15/9/2017)
“Estou há pouco mais de dois anos morando na China, leitor, e devo dizer que a minha admiração pelos chineses
só tem feito crescer”.
O emprego da forma verbal “tem feito” é perfeitamente adequada ao contexto, já que esse tempo verbal expressa
ações:
a) completamente passadas;
b) que se repetiram no passado;
A frase abaixo (texto 4) que mostra uma voz verbal diferente das demais é:
a) “...desestabilizando completamente o ecossistema”;
d) “... todos esses animais, de uma forma ou de outra, rendem expressivos lucros”;
e) “Atualmente, quando se mencionam ‘espécies em extinção’...”.
“Quebrado de cansaço pelo excesso de trabalho, o policial tinha adormecido na portaria da revista”.
a) havia adormecido;
b) adormecendo;
c) adormecia;
d) adormeceria;
e) adormecera.
78. INÉDITA
Está incorreta a correlação entre tempos e modos verbais na seguinte frase:
a) Muitos se recordariam da felicidade exultante com que eram ingeridos os pedaços da torta.
b) Foi promovida graças ao compadrio que andava na moda e que por muitos anos ofuscara a meritocracia.
c) Um mal-intencionado sugere que se dê por encerrada a aula e comecemos logo as festividades do feriado.
d) Depois de haver adormecido por três dias na cama de um hospital, o paciente acabara sendo salvo por um
milagre divino.
e) Já informado do salvamento do paciente, o familiar não se conteve de alegria e se permitiu não comparecer à
reunião com o chefe.
79. INÉDITA
“O Governo deve, em 2019, devido à carência de quadro efetivo nos órgãos-chave da Administração Pública,
contratar número expressivo de servidores públicos.”
A transposição desse período para a voz passiva terá como resultado a seguinte forma verbal:
a) devem ser contratados
e) está contratando
80. INÉDITA
a) O apartamento que, na época, nos instalamos era o que tínhamos condições de pagar, porém havia um acordo:
se todos se mantessem em seus empregos durante razoável tempo, haveria chance de nos mudarmos para um
lugar mais espaçoso.
81. INÉDITA
Alguns anos atrás, a palavra "conectividade" dormia em paz, em desuso, nos dicionários, lembrando vagamente
algo como ligação, conexão. Agora, na era da informática e de todas as mídias, a palavra pulou para dentro da
cena e ninguém mais admite viver sem estar conectado. Desconfio que seja este o paradigma dominante dos
últimos e dos próximos anos, em nossa aldeia global: o primado das conexões.
No ônibus de viagem, de que me valho regularmente, sou quase uma ilha em meio às mais variadas conexões: do
vizinho da direita vaza a chiadeira de um fone de ouvido bastante ineficaz; do rapazinho à esquerda chega a viva
conversa que mantém há quinze minutos com a mãe, pelo celular; logo à frente um senhor desliza os dedos no
laptop no colo, e se eu erguer um pouquinho os olhos dou com o vídeo − um filme de ação − que passa nos quatro
monitores estrategicamente posicionados no ônibus. Celulares tocam e são atendidos regularmente, as falas se
cruzam, e eu nunca mais consegui me distrair com o lento e mudo crepúsculo, na janela do ônibus.
Não senhor, não são inocentes e efêmeros hábitos modernos: a conectividade irrestrita veio para ficar e conduzir
a humanidade a não sabemos qual destino. As crianças e os jovens nem conseguem imaginar um mundo que não
seja movido pela fusão das mídias e surgimento de novos suportes digitais. Tanta movimentação faz crer que,
enfim, os homens estreitaram de vez os laços da comunicação.
Que nada. Olhe bem para o conectado ao seu lado. Fixe-se nele sem receio, ele nem reparará que está sendo
observado. Está absorto em sua conexão, no paraíso artificial onde o som e a imagem valem por si mesmos,
linguagens prontas em que mergulha para uma travessia solitária. A conectividade é, de longe, o maior disfarce
que a solidão humana encontrou. É disfarce tão eficaz que os próprios disfarçados não se reconhecem como tais.
Emitimos e cruzamos frenéticos sinais de vida por todo o planeta: seria esse, Dr. Freud, o sintoma maior de nossas
carências permanentes?
Assinale o trecho que contém uma passagem na voz passiva
e) ... as falas se cruzam, e eu nunca mais consegui me distrair com o lento e mudo crepúsculo, na janela do ônibus.
Gabarito
01 E 02 D 03 E 04 C 05 A
06 E 07 E 08 E 09 C 10 C
11 E 12 E 13 E 14 C 15 E
16 E 17 C 18 E 19 C 20 C
21 C 22 C 23 C 24 C 25 C
26 A 27 B 28 E 29 E 30 E
31 D 32 C 33 A 34 D 35 B
36 B 37 A 38 A 39 D 40 C
41 D 42 A 43 C 44 C 45 A
46 D 47 D 48 E 49 D 50 E
51 E 52 D 53 B 54 C 55 A
56 A 57 D 58 B 59 E 60 A
61 E 62 B 63 A 64 D 65 A
66 E 67 E 68 D 69 C 70 A
71 B 72 D 73 B 74 C 75 D
76 C 77 E 78 D 79 B 80 E
81 C
Resumo direcionado
1ª conjugação
Assim são classificados os verbos com terminação –AR. Exemplos: amar,
falar, pular, etc.
2ª conjugação
Verbos quanto
Assim são classificados os verbos com terminação –ER e –OR (pôr e
à terminação derivados). Exemplos: fazer, vender, comer, pôr, repor, dispor, etc.
3ª conjugação
Assim são classificados os verbos com terminação –IR. Exemplos: proibir,
permitir, imprimir, etc.
Verbos Regulares
Assim são chamados os verbos que seguem um modelo estabelecido e
não se afastam dele em toda a conjugação. Em termos mais técnicos,
são verbos que preservam intacto seu radical.
Verbos Irregulares
Assim são chamados os verbos que se afastam do modelo geral, por
apresentarem alterações no radical em algumas flexões.
Verbos Defectivos:
Assim são chamados os verbos que não possuem conjugação completa,
ou seja, são defeituosos.
Verbos quanto Verbos Anômalos:
à conjugação Assim são chamados os verbos anormais, pois não possuem radical fixo.
Os exemplos mais citados de verbos anômalos são “ser” e “ir”
Classificação Verbos Abundantes:
dos Verbos Assim são chamados os verbos que apresentam duas ou mais formas
para uma mesma conjugação, normalmente no particípio
Verbos Pronominais
Assim são chamados os verbos empregados acompanhados de
pronome oblíquo átono, que pode exercer função reflexiva (= a mim
mesmo; a ti mesmo; a si mesmo...), recíproca (um ao outro, um para o
outro, um com o outro, etc.) ou simplesmente ser uma parte
integrante do verbo.
Verbos Auxiliares:
Assim são chamados os verbos que se juntam às formas nominais
(infinitivo, gerúndio ou particípio) de um verbo principal, flexionando-se
em número, pessoa, tempo e modo.
Verbos Principais:
Assim são chamados aqueles verbos que conservam seu significado
pleno nas frases em são empregados. Quando acompanhados de
auxiliares, apresentam-se numa das três formas nominais – infinitivo,
Verbos quanto gerúndio ou particípio.
à função Verbos Vicários
Assim são chamados os verbos que substituem outros verbos, com o
intuito de evitar repetições desnecessárias.
IMPORTANTE!
Deve-se tomar o devido cuidado com as conjugações de alguns verbos irregulares, principalmente os derivados de
ter, ver, vir e pôr
Exemplos:
Frases do tipo “Eles reveram antigos colegas no churrasco.” e “O governo interviu no preço dos combustíveis”
estão ERRADAS! Veja:
IMPORTANTE
No dia a dia, equivocadamente se utilizam as formas “chego” e “trago” como particípios, acompanhadas
geralmente pelos verbos auxiliares ter e haver. Muito cuidado! Os particípios de “chegar” e “trazer” são
“chegado” e “trazido”, respectivamente!
Exemplos:
As formas “chego” e “trago” até existem, mas são flexões de 1ª pessoa do singular do Presente do Indicativo – eu
chego; eu trago.
Eis uma lista dos principais verbos abundantes: aceitar (aceitado e aceito); acender (acendido e aceso); eleger
(elegido e eleito); entregar (entregado e entregue); expulsar (expulsado e expulso); extinguir (extinguido e extinto);
imprimir (imprimido e impresso); limpar (limpado e limpo); pagar (pagado e pago); pegar (pegado e pego); prender
(prendido e preso); salvar (salvado e salvo); soltar (soltado e solto); suspender (suspendido e suspenso).
Eis uma lista dos principais verbos que possuem apenas um particípio: abrir (aberto); beber (bebido); chegar
(chegado); cobrir (coberto); escrever (escrito); fazer (feito); trazer (trazido).
No caso de verbos com mais de um particípio (verbos abundantes), emprega-se a forma regular do particípio
(terminada em ADO ou IDO) com os auxiliares TER ou HAVER. Já a forma irregular é utilizada com a presença
dos auxiliares SER, ESTAR ou FICAR.
Exemplos:
No caso de um verbo possuir um só particípio, este deverá ser empregado com qualquer auxiliar.
Exemplos:
IMPORTANTE
Quando inserido numa locução verbal como um dos auxiliares ou como verbo principal, o infinitivo não
admite a forma flexionada. É obrigatório, nesse caso, o emprego da forma não flexionada por razões de boa
sonoridade.
Exemplos:
Eles devem analisarem com cuidado as informações. (ERRADO)
Cuidado com as redações em que o auxiliar é isolado do principal no infinitivo por alguma expressão intercalada!
Esse distanciamento entre auxiliar e principal pode mascarar erros de flexão do infinitivo. Observe:
Os alunos devem, a partir de hoje até o final da semana que vem, tendo em vista a necessidade de atualização
cadastral periódica, comparecerem aos postos de saúde munidos da documentação comprobatória.
A frase apresenta ERRO no uso da forma flexionada de infinitivo “comparecerem”. Note que ela integra uma
locução verbal, cujo auxiliar é a forma verbal “devem”. Esse erro é mascarado devido às expressões intercaladas
posicionadas entre o auxiliar e o principal. Elas poluem nossa visão e acabam nos induzindo ao erro. Fique atento,
pois é assim que as bancas tentarão enganar você! Se essas intercalações não estivessem presentes, ficaria bem
mais fácil perceber o erro em “Os alunos devem... comparecerem”.
Como dito, não se flexiona infinitivo em locução verbal. A redação correta, portanto, seria:
Os alunos devem, a partir de hoje até o final da semana que vem, tendo em vista a necessidade de atualização
cadastral periódica, comparecer aos postos de saúde munidos da documentação comprobatória.
Emprega-se a forma regular do particípio (terminada em ADO ou IDO) na voz ativa, formando os tempos
compostos com os auxiliares TER ou HAVER. Já a forma irregular (tendo diversas terminações) é utilizada ao
lado dos auxiliares SER, ESTAR ou FICAR.
Exemplos:
Exemplos:
tinha feito, havia feito, está feito, foi feito, tinha aberto, havia aberto, está aberto, foi aberto;
Aceitar (aceitado e aceito); Eleger (elegido e eleito); Entregar (entregado e entregue); Expulsar (expulsado e
expulso); Extinguir (extinguido e extinto); Prender (prendido e preso); Salvar (salvado e salvo); Soltar
(soltado e solto); Suspender (suspendido e suspenso).
ALGUNS VERBOS QUE POSSUEM APENAS UM PARTICÍPIO:
Abrir / aberto; Beber / bebido; Cancelar / cancelado; Chegar / chegado; Escrever / escrito; Esquecer /
esquecido; Estudar / estudado; Fazer / feito; Permitir / permitido; Trazer / trazido
Modos Verbais
Indicativo
O modo Indicativo apresenta o fato como certo ou real no momento da fala. Expressa, assim, uma realidade
do ponto de vista de quem fala ou escreve.
Exemplo:
Eu te ligarei depois da aula (Trata-se de um fato tido como certo no momento da fala).
Subjuntivo
O modo Subjuntivo apresenta o fato como duvidoso, provável, incerto no momento da fala. Expressa,
assim, uma hipótese, condição ou um desejo do ponto de vista de quem fala ou escreve.
Uma maneira rápida de se identificar verbos no Subjuntivo é perceber a presença de alguns sinalizadores
desse modo. E o que seriam esses sinalizadores, professor? Seriam palavras ou expressões que, por indicarem
dúvida, possibilidade, desejo, acompanham verbos no Subjuntivo. Seriam elas: se (condicional, equivalendo a
“caso”), caso, talvez, é possível, é provável, pode ser, quem sabe, etc. Aparecendo essas palavras ou
expressões, fatalmente o verbo que as acompanha estará flexionado no Subjuntivo.
Exemplo:
Talvez eu te ligue depois da aula (Trata-se de um fato tido como incerto no momento da fala).
Imperativo:
O modo Imperativo indica ordem, pedido, conselho. Os verbos de Imperativo são de interlocução, ou seja,
são verbos que se dirigem a um falante, expressando uma solicitação, uma sugestão ou um mandamento.
Exemplo:
Nos versos da cantora Pitty, os verbos em destaque estão no modo Imperativo, pois expressam ordem.
Tempos Verbais
IMPORTANTE!
As formas verbais de vir, ver e pôr e derivados no Pretérito Imperfeito e no Futuro do Subjuntivo costumam gerar
dúvidas.
Exemplos:
Quando você compor uma boa música, será recompensado pelo público. (ERRADO)
Quando você compuser uma boa música, será recompensado pelo público. (CERTO)
Se o Governo intervisse menos na economia, haveria mais crescimento econômico. (ERRADO)
Uma flexão que chama bastante atenção e a do FUTURO DO SUBJUNTIVO do verbo VER.
No dia a dia, são comuns as construções “Se eu ver... Quando eu ver ... Se você ver... Quando você ver ... Se nós
vermos... Quando nós vermos...”.
As flexões previstas pela gramática normativa são “Se eu VIR... Quando eu VIR... Se você VIR... Quando você
VIR... Se nós VIRMOS... Quando nós VIRMOS...”. Esse padrão será seguido por seus derivados. Observe:
Observação:
i) O Pretérito Mais-que-Perfeito indica um fato já concluído e anterior a outro também concluído em relação
ao momento da fala. Em outras palavras, pode-se dizer que se trata de um passado de um passado.
Exemplo:
A família terminara o jantar quando ele chegou.
ii) O Pretérito Mais-que-Perfeito costuma ocorrer com mais frequência em sua forma composta:
Exemplo:
Locuções Verbais
Mas, professor, como eu saberei se aqueles dois verbos juntinhos formam uma unidade de sentido? Em outras
palavras, como saber se aquela união de verbos forma uma locução? Essa pergunta é importantíssima e sua resposta
precisa ser bem elaborada, de modo a não ficar dúvida alguma.
A primeira e mais importante evidência da presença de uma locução verbal é que tanto o verbo auxiliar
como o verbo principal devem se referir ao mesmo sujeito. Na frase “O professor vai resolver muitos exercícios
na aula.”, tanto o verbo auxiliar “vai” como o principal “resolver” compartilham do mesmo sujeito. Se
perguntarmos “Quem vai?” ou “Quem resolverá?”, a resposta será a mesma: o professor!
Esse primeiro filtro já nos leva a importante conclusão: verbos causativos e sensitivos acompanhados de
infinitivos ou gerúndios nunca irão formar locuções verbais, pois os sujeitos são diferentes.
Veja a frase:
Eu me vejo trabalhando neste Tribunal.
Note que o verbo sensitivo “vejo” tem como sujeito “eu”. Já a forma de gerúndio “trabalhando” tem como
sujeito acusativo (Lembra a definição de sujeito acusativo na aula passada?) o pronome oblíquo “me”. Portanto,
não ocorre uma locução verbal, pois os sujeitos são diferentes!
Mais um exemplo:
No entanto, mesmo constatando que os dois verbos que estão juntinhos possuem o mesmo sujeito, podem
restar algumas dúvidas! Ora, se formos capazes de desenvolver a oração introduzida pelo infinitivo ou gerúndio,
fazendo aparecer algum conector, provamos que não ocorre uma locução verbal. Veja:
Maria finge ser sincera. (= Maria finge que é sincera)
Portanto, para efeito de prova, teremos uma locução verbal quando os dois verbos – auxiliar e principal -
compartilharem do mesmo sujeito. No entanto, se houver a presença de um verbo sensitivo ou causativo ou
se o infinitivo ou gerúndio puderem ser desenvolvidos com o aparecimento de um conector, NÃO teremos
locução verbal.
Um caso particular de locução verbal é o tempo composto: trata-se da locução formada pelos auxiliares
ter ou haver conjugados, acompanhados do verbo principal no particípio, fazendo parte da conjugação normal
de um verbo. Dessa forma, todo tempo composto é uma locução verbal, mas nem toda locução verbal é um
tempo composto, pois as locuções não restringem seus auxiliares aos verbos ter e haver nem impõem que seus
verbos principais estejam no particípio. Conheceremos, no detalhamento dos tempos verbais, as principais formas
compostas.
Principais Correlações
Exemplos:
Exemplos:
Outras Correlações
Há uma série de outras correlações. Você não precisa decorá-las, pois elas ocorrerão naturalmente. E
qualquer desvio resultará numa ruptura lógica na frase bem perceptível. É muito importante ler os exemplos de
redações e perceber a combinação entre os pares de tempos verbais. Vejamos:
Exemplos:
Eu espero que você me entenda.
Atenção: Construções do tipo “Você quer que eu faço isso?” são consideradas graves equívocos gramaticais e
mostram desconhecimento por parte do falante de regras básicas que regem a norma culta.
Exemplos:
Exemplos:
Exemplos:
Informaram que o técnico não daria entrevistas.
Decidiram que o caso seria arquivado.
Observação:
Na linguagem coloquial, costuma-se usar o pretérito imperfeito do indicativo no lugar do futuro do pretérito.
Exemplo:
VOZES VERBAIS
Podemos resumir, dessa forma, o processo de conversão de voz ativa em passiva analítica da seguinte
maneira:
Não importa a complexidade frase que se queira converter da ativa para a passiva, pois sempre precisaremos
dos mesmos elementos para fazer a conversão: o sujeito agente, o verbo principal (sozinho ou na companhia
de auxiliares) e o objeto direto paciente. Os elementos presentes na voz ativa além desses citados serão somados
à frase resultante após a conversão.
IMPORTANTE!
Só é possível voz passiva com verbos que possuam objeto direto, ou seja, os verbos precisam ser VTD
(transitivos diretos) ou VTDI (verbos transitivos diretos e indiretos). Você não precisa nem ficar muito
preocupado em classificar os verbos agora não, ok? Basta que checar se o verbo pede objeto direto. Se sim,
haverá voz passiva; se não, ela não será possível!
DIGA-ME COM QUEM O “SE” ANDA, QUE LHE DIREI QUEM O “SE” É.
Moçada, isso é muito sério. Se o “se” estiver grudado com um verbo que solicite OD, ele assumirá o papel de
PARTÍCULA APASSIVADORA ou PRONOME APASSIVADOR.
Em construções do tipo “Alugam-se casas.”, “Vendem-se apartamentos.”, “Contrata-se professor”, o
pronome SE está ladeado de verbos que pedem objeto direto (Quem aluga aluga ALGO; Quem vende vende
ALGO; quem contrata contrata ALGUÉM). Logo, o SE assume o papel de PARTÍCULA APASSIVADORA e as
frases se apresentam na VOZ PASSIVA SINTÉTICA OU PRONOMINAL.
Gente, continua valendo a máxima:
DIGA-ME COM QUEM O “SE” ANDA, QUE LHE DIREI QUEM O “SE” É.
Uma vez identificado que o SE é apassivador, vamos em busca do OBJETO DIRETO, esteja ele onde estiver
na frase. Esse objeto direto será convertido pelo SE apassivador em SUJEITO PACIENTE.
Vamos agora complicar um pouco mais, distanciando sujeito paciente e verbo na frase. Observe:
Descobriu-se, após minuciosa investigação conduzida pela Polícia Federal, em parceria com autoridades
do Ministério Público da Suíça, a fraude contábil na renomada estatal.
o O SE é apassivador, pois está ladeado de um verbo que pede OD (Quem descobriu descobriu
ALGO).
o O objeto direto do verb0 “descobrir” seria, numa situação normal, “a fraude contábil...” (Quem
descobriu descobriu a fraude contábil...).
o Com a entrada do SE apassivador, o OD “a fraude contábil” se converte em sujeito paciente.
FIM
NÃO DESISTA!
CONTINUE NA DIREÇÃO CERTA!