Desgravadas Organizadas de Oftalmologia - Inclui Desgr Antigas
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Casos Clínicos
Práticas Audiovisuais
1. História Clínica
2. Boas Práticas em Oftalmologia
3. Técnicas e Procedimentos I
4. Técnicas e Procedimentos II
5. Técnicas e Procedimentos III
Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 11 de Outubro de 2007
Disciplina: Oftalmologia Prof.: António Castanheira Dinis
Tema da Aula Teórica: Semiologia em Oftalmologia
Autores: Alexandra Faustino
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Abordagem ao doente
Sistema visual
Bases da semiologia em oftalmologia
Bibliografia
Anotadas correspondentes do ano lectivo 2006/2007.
Lang G, Ophthalmology a pocket textbook atlas, 2ª edição (2007), Thieme.
Bradford CA, BASIC OPHTHALMOLOGY for Medical Students and Primary
Care Residents, 8ª edição (2004), American Academy of Ophthalmology.
Seidel et al, Mosby’s Guide to Physical Examination, 6ª edição (2006),
Elsevier.
Miller Guerra, Semiologia do Sistema Nervoso.
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Semiologia em Oftalmologia
Abordagem ao Doente
História clínica (há algumas doenças sistémicas que podem afectar o olho,
tais como diabetes mellitus, hipertensão arterial, doenças infecciosas, artrite
reumatóide, doenças da pele, cirurgias);
História familiar (de modo a avaliar os factores de risco do doente para
doenças oftalmológicas como a cegueira, cataratas, glaucoma, tumor ocular,
descolamento da retina, estrabismo, degenerescência macular);
História oftalmológica (lentes de correcção; estrabismo; ambliopia1; história
de trauma ocular; inflamações oculares; cirurgias);
História da doença actual (a atitude do médico deverá ser a de direccionar a
entrevista de acordo com a hipótese de diagnóstico mais provável, de modo a
não se perder nas afirmações do doente ou dos pais).
1
Ambliopia – diminuição mais ou menos acentuada da acuidade visual, mono ou binocular, sem
causa orgânica detectável e em que a estrutura do olho se encontra normal.
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Semiologia em Oftalmologia
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Semiologia em Oftalmologia
OFTALMOLOGIA NA CRIANÇA
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Semiologia em Oftalmologia
Sistema Visual
GLOBO OCULAR
As estruturas…
Esclerótica
Coroideia
Retina
Corpo ciliar
Córnea
Câmara Anterior
Pupila Nervo
Íris Óptico
Cristalino
Câmara Posterior Mácula
Corpo vítreo
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Semiologia em Oftalmologia
Corpo Ciliar – Estrutura que produz o humor aquoso e contém os músculos que
controlam a acomodação. A contracção do músculo ciliar altera a tensão nas
fibras da zonula que supendem o cristalino (cristalino fica mais esférico),
permitindo ao olho focar de objectos distantes para próximos (acomodação).
Íris – Parte colorida do olho. Filtra a luz, principalmente através do seu epitélio
pigmentado. O orifício central da íris é a pupila, através da qual passam os feixes
luminosos. A íris tem fibras musculares lisas que constituem o músculo constritor
da pupila (circular e anterior) e o músculo dilatador da pupila (posterior),
responsáveis pelo controlo da quantidade de luz que entra através da pupila em
direcção à retina.
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Semiologia em Oftalmologia
Localização de patologias
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Semiologia em Oftalmologia
VIA ÓPTICA
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Semiologia em Oftalmologia
Existem outras estruturas que também fazem parte do sistema visual, para
além das referidas em relação ao globo ocular e via óptica:
Vasos.
2
Assim, tal como as lágrimas, todo o colírio que for administrado e instilado no fundo de saco
conjuntival vai acabar por chegar à mucosa nasal, a qual apresenta um componente vascula, com um
grande poder de absorção, podendo repercurtir-se em fenómenos sistémicos.
3
Os músculos rectos têm a sua inserção no globo ocular anteriormente ao equador, enquanto os
músculos oblíquos se inserem na porção temporal do globo, posteriormente ao equador. Esta
inserção vai determinar os movimentos pelos quais são responsáveis.
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Semiologia em Oftalmologia
4
Se o simpático for estimulado, por exemplo, ao nível do vértice do pulmão devido a um tumor de
Pancoast, que faz parte do trajecto da cadeia ganglionar simpática, pode exercer influência nos olhos,
provocando midríase, pela estimulação do dilatador da pupila.
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Semiologia em Oftalmologia
Avaliar a função,
5
Emetropia significa que não existe nenhum erro de refracção, é normal. As ametropias são erros de
refracção que incluem: miopia (elevado poder de refracção, que permite ver muito bem ao perto e
mal ao longe: os raios são focalizados à frente da retina); hipermetropia (o contrário da miopia);
astigmatismo (anomalias na curvatura da córnea e do cristalino); presbiopia (endurecimento
progressivo do cristalino, com perda da capacidade de acomodação; surge a partir dos 40 anos).
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Semiologia em Oftalmologia
ACUIDADE VISUAL
CAMPO VISUAL
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Semiologia em Oftalmologia
REFLEXOS PUPILARES
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Semiologia em Oftalmologia
MOTILIDADE OCULAR
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Semiologia em Oftalmologia
ANEXOS
6
Hordéolo é o mesmo que torçolho na linguagem popular.
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Semiologia em Oftalmologia
SEGMENTO ANTERIOR
Eversão palpebral
É importante saber que a conjuntiva deve ser avaliada em toda a sua extensão:
a conjuntiva bulbar (facilmente visível, visto que recobre o globo ocular), a conjuntiva
palpebral inferior (de fácil acesso: com o doente a olhar para cima, o observador
puxa a pálpebra para baixo) e conjuntiva palpebral superior (visível através da
eversão palpebral). A eversão palpebral pode ser necessária para verificar a
existência de corpos estranhos na conjuntiva ou outros sinais. O doente deve olhar
para baixo e o observador prende firmemente as pestanas da pálpebra superior
entre o 1º e o 2º dedo e auxilia a eversão da pálpebra com uma zaragatoa. Depois
da inspecção e limpeza da conjuntiva, a pálpebra deve voltar à sua posição normal,
pelo que se pede ao doente para olhar para cima.
7
O arco senil é composto por um depósito de lípidos na periferia da córnea.
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Semiologia em Oftalmologia
Reflexo córneo
Para a avaliação da
profundidade da câmara
anterior, o doente deve
olhar em frente, e o médico
faz incidir um feixe luminoso
lateral no olho do doente; o
feixe vai atravessar a
câmara anterior e iluminar
Fig. 10 – Avaliação da profundidade da câmara anterior difusamente a íris.
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Semiologia em Oftalmologia
FUNDO OCULAR
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Semiologia em Oftalmologia
TONOMETRIA
Palpação – Comparativa entre os dois globos oculares; o globo ocular deve ser
depressível. O globo ocular “rock-hard” só ocorre no glaucoma de ângulo estreito
agudo. Aumentos progressivos da pressão intra-ocular, como no glaucoma
crónico, não são palpáveis, não sendo um método rigoroso.
Jacto de ar – Não existe contacto, ou seja, existe um jacto de ar que vai até à
córnea, é reflectido, é avaliado e interpretado pelo equipamento; não necessita
de anestesia.
Equipamentos portáteis.
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 18 de Outubro de 2007
Disciplina: Oftalmologia Prof.: António Castanheira Dinis
Tema do Seminário: Hiperémia Conjuntival
Autores: Mário Góis
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Conjuntivite
Doenças inflamatórias dos anexos oculares
Hiperémia localizada
Doenças e traumatismos da córnea
Iridociclite aguda
Glaucoma agudo
Bibliografia
Anotadas correspondentes do ano lectivo 2006/2007.
Lang G, Ophthalmology a short textbook, Thieme.
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Hiperémia Conjuntival
Estrutura da Conjuntiva
conjuntiva bulbar,
conjuntiva palpebral,
fórnix ou fundo-de-saco
Figura 1 – Estrutura da conjuntiva
conjuntival.
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Hiperémia Conjuntival
conjuntivite,
doenças inflamatórias dos anexos oculares,
hiperémia localizada,
doenças e traumatismos da córnea,
iridociclite aguda,
glaucoma agudo.
Nos casos em que ocorre uma vasodilatação de ambos os plexos, diz-se que
há uma hiperémia global.
1
O livro de texto recomendado (Thieme) possui uma divisão mais elaborada em relação aos tipos de
hiperémia.
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Hiperémia Conjuntival
Conjuntivite
A. Quadro Clínico
B. Etiologia
Staphylococcus spp.
Streptococcus spp.
Pneumococos
Gonococos (recém-nascidos)
Corynebacterium diphtheriae
2
Numa conjuntivite viral, o intervalo de tempo livre é de 5 a 6 dias e o exsudado é aquoso.
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Hiperémia Conjuntival
C. Tratamento
Colírio durante o dia – durante o primeiro dia deve ser aplicado de duas
em duas horas, visto que a sua remoção é muito rápida em virtude do
exsudado e da hipersecreção lacrimal, para além de que a aplicação de
gotas permite a limpeza do olho. Pode ser feita instilação do colírio no
olho não afectado (três vezes ao dia) como medida profilática.
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Hiperémia Conjuntival
A. Etiologia
B. Sintomas e diagnóstico
Figura 2 – Corpos de
inclusão citoplasmáticos
basófilos (seta).
C. Tratamento
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Hiperémia Conjuntival
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Hiperémia Conjuntival
A. Etiologia
C. Tratamento
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Hiperémia Conjuntival
A. Quadro clínico
B. Tratamento
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Hiperémia Conjuntival
6. DERMATO-CONJUNTIVITE ALÉRGICA
A. Quadro clínico
Hiperémia conjuntival
Sensação de corpo estranho
Exsudado aquoso
Prurido
Dermatite palpebral (eventualmente da face também)
B. Tratamento
3
Todos os fármacos oftalmológicos de aplicação tópica, depois de abertos, têm uma duração de
apenas 30 dias! É por isso fundamental anotar, na embalagem, o dia de abertura do fármaco.
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Hiperémia Conjuntival
1. BLEFARITE
A. Quadro clínico
Hiperémia conjuntival
Sensação de corpo estranho
Descamação do bordo palpebral
“Conjuntivite crónica” (devido ao facto de
se verificarem conjuntivites agudas de
repetição, não sendo, portanto uma
designação correcta)
Figura 6 – Blefarite
B. Etiologia
C. Tratamento
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Hiperémia Conjuntival
2. CHALAZION
A. Quadro clínico
Hiperémia conjuntival
Tumefacção inflamatória da pálpebra
Nódulo firme e doloroso
Figura 7 – Chalazion
O tratamento é cirúrgico.
4
Glândulas inseridas na espessura dos tarsos palpebrais, cujos canais excretores se abrem no bordo
livre das pálpebras.
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Hiperémia Conjuntival
3. DACRIOCISTITE
A. Quadro clínico
Hiperémia conjuntival
Exsudado muco-purulento
Tumefacção inflamatória na pele da região lacrimal (pré-lacrimal)
Normalmente unilateral
Podem formar-se fístulas
Envolvimento dos gânglios linfáticos regionais
3.1.1 Etiologia
3.1.3 Tratamento
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Hiperémia Conjuntival
3.2.1 Etiologia
3.2.3 Tratamento
Dacriocistorrinostomia.
Figura 10 – Dacriocistorinostomia
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Hiperémia Conjuntival
4. CELULITE ORBITÁRIA
A. Quadro Clínico
Hiperémia conjuntival
Exsudado mucopurulento
Edema palpebral marcado e duro
Dor ocular
Proptose
Diminuição dos movimentos oculares
Diminuição da acuidade visual
Figura 11 – Celulite orbitária
É uma situação mais comum em crianças.
Laboratorialmente:
Leucocitose,
Aumento da velocidade de sedimentação eritrocitária.
B. Etiologia
60% dos casos (84% nas crianças) tem origem nas células etmoidais e no
seio frontal. Nas crianças, as infecções dentárias parecem assumir um papel
fundamental na etiologia. Menos frequentemente, esta patologia associa-se a
furúnculos faciais, erisipelas, hordéolo, panoftalmite, lesões da órbita e sepsis.
C. Tratamento
D. Evolução clínica
Pode existir uma progressão para neurite óptica, com consequente atrofia e
perda de visão. A tromboflebite das veias orbitárias pode causar trombose do seio
cavernoso, com meningite, abcessos cerebrais e sepsis.
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Hiperémia Conjuntival
Hiperémia Localizada
1. EPISCLERITE
A. Quadro clínico
Figura 12 – Episclerite
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Hiperémia Conjuntival
B. Etiologia
C. Tratamento
2. PINGUÉCULA
Figura 13 – Pinguécula
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Hiperémia Conjuntival
3. PTERÍGEO
Figura 14 – Pterígio
A. Epidemiologia
B. Etiologia
C. Sintomas
D. Tratamento
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Hiperémia Conjuntival
4. HEMORRAGIA SUBCONJUNTIVAL
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Hiperémia Conjuntival
A. Quadro clínico
Dor espontânea
Hiperémia ciliar
Fotofobia
Acuidade visual diminuída
Blefaroespasmo
Sensação de corpo estranho muito intensa
B. Sintomas
C. Diagnóstico
D. Tratamento
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Hiperémia Conjuntival
Iridociclite Aguda
A. Quadro clínico
Dor espontânea
Hiperémia ciliar
Epífora
Fotofobia
Acuidade visual diminuída
Alterações pupilares
Tyndall ++
Pressão intra-ocular normal ou aumentada
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Hiperémia Conjuntival
B. Etiologia
C. Sintomas
D. Tratamento
Oclusão
Cicloplégico (evita aderência inflamatória entre a íris e o cristalino)
Corticosteróides
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Hiperémia Conjuntival
Glaucoma Agudo
A. Quadro clínico
Dor retro-ocular
Hiperémia ciliar
Fotofobia
Acuidade visual diminuída
Edema da córnea (alterações da sua transparência)
Teste da fluoresceína negativo
Anisocória por midríase vertical
Pressão intra-ocular aumentada
B. Etiologia
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Hiperémia Conjuntival
C. Sintomas
D. Tratamento
Analgésicos
Diuréticos osmóticos
Inibidor da anidrase carbónica
Pilocarpina tópica
Iridotomia laser
É de recordar que:
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 18 de Outubro de 2007
Disciplina: Oftalmologia Prof.: António Castanheira Dinis
Tema da Aula Teórica: Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Autores: Arlindo Ferreira e Miguel Breda
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Introdução
Processos inflamatórios extra-oculares
Processos inflamatórios dos anexos oculares
Processos inflamatórios da cavidade orbitária
Processos inflamatórios intra-oculares
Terapêutica dos processos inflamatórios
Terapêutica tópica em oftalmologia
Critérios de urgência oftalmológica
Bibliografia
Anotada correspondente de 2006/2007, Marta Pereira e Maria Ana Túlio
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Introdução
Extra-Oculares Intra-Oculares
Conjuntiva Úvea
coroideia
Córnea corpo ciliar
Esclerótica íris
Retina
Vítreo
Anexos oculares:
pálpebras,
vias lacrimais;
Cavidade orbitária.
Idiopática,
Imunológica,
Infecciosa (bacteriana, viral, parasitária ou fúngica),
Alérgica (pólen, pó),
Tóxica,
Traumática.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
CONJUNTIVA
Conjuntivite
Dilatação vascular,
Infiltração celular,
Exsudação.
Bacteriana;
Viral (Adenovírus);
Chlamydia trachomatis (bactéria Gram – ), que pode causar:
1
A conjuntivite alérgica não é incluída dentro da conjuntivite infecciosa.
2
Constitui, juntamente com a gonorreia (Neisseria gonorrhoeae, outra bactéria intracelular), uma das
causas de conjuntivite neo-natal.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Purulento
Corrimento (“crostas”amarelas) Seroso (aquoso) Aquoso
4
Quemose ++ +/
5
Epífora ++
Folículos + ++
Adenopatias + ++ +
Queratite +/ +/ +
Prurido
3
Ver o Seminário “Hiperémia Conjuntival”.
4
Edema da conjuntiva.
5
Transbordar de lágrimas pela margem palpebral por perda ou alteração da drenagem normal pelo
canal lácrimo-nasal. Difere do lacrimejo, correspondente ao aumento da produção de lágrimas.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Tratamento
Conjuntivite bacteriana
O tratamento é feito durante seis dias com antibiótico tópico:
Colírio durante o dia – Nos dois primeiros dias, deve ser aplicado no
mínimo de duas em duas horas, visto que a sua remoção é muito rápida,
decorrente do exsudado e da hipersecreção lacrimal, para além de que a
instilação de gotas também lava o olho; nos dias seguintes, o período entre
administrações pode aumentar para as quatro horas; pode ser feita
instilação de colírio no olho não afectado como medida profiláctica6.
Pomada ao deitar – Composta por excipientes diferentes, não é eliminada
com tanta facilidade.
Conjuntivite viral
O tratamento é sintomático, através do uso de compressas frias. É
aconselhável vigilância intensa, devendo ter-se atenção à possibilidade de
aparecimento de conjuntivites bacterianas secundárias e à grande facilidade de
transmissão para o olho não afectado, como para o restante agregado familiar.
A utilização de antibióticos na conjuntivite viral pode ser problemática, por
provocar uma redução da flora indígena no olho, permitindo, deste modo, que
bactérias saprófitas do globo ocular possam causar infecção. É importante distinguir
a etiologia das conjuntivites para se poder prescrever um tratamento adequado.
Pterígeo,
Pinguécula.
6
A periodicidade do tratamento do olho não afectado é regida pelo bom senso, s endo s ufic iente
três vezes por dia.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
CÓRNEA
Queratite
Infecciosa:
7
Distonia focal que causa a contracção involuntária do músculo orbicular das pálpebras, responsável
pelo encerramento da fenda palpebral.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Queratite viral
Tratamento
Nas queratites herpéticas recorre-se a:
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Tratamento
É efectuado com:
Queratites Graves
8
Contudo, também o soro fisiológico, por ser isotónico, é um óptimo meio de cultura para as
bactérias, aconselhando-se a lavagem de lentes de contacto com embalagens individuais de soro
fisiológico.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
ESCLERÓTICA
Episclerite
“Olhos vermelhos”,
Dor ocular,
Fotofobia,
Epífora, Episclerite
9
Na queratite, querato-conjuntivite “sicca”, iridociclite e glaucoma, a dor é espontânea.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Esclerite
1 2 3
Esclerite anterior difusa severa – evolução com o tratamento
Caracteriza-se por:
10
Também na episclerite pode aparecer um nódulo na esclerótica mas, neste caso, é móvel.
11
É importante saber distinguir a dor que surge nos processos inflamatórios da esclerótica, muito
característica por surgir à palpação dos olhos, das outras dores oculares, como no glaucoma agudo,
que são espontâneas.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Episclerite Esclerite
Artrite reumatóide Artrite reumatóide
Lúpus eritematoso sistémico Lúpus eritematoso sistémico
Granulomatose de Wegener Granulomatose de Wegener
Policondrite recidivante Policondrite recidivante
Sarcoidose Esclerodermia
Espondilite anquilosante Polimiosite/ Dermatomiosite
Doenças inflamatórias intestinais
Doença de Behçet
Síndrome de Reiter
Tratamento
Corticosteróides e AINEs.
A esclerite necrotizante não inflamatória não tem tratamento eficiente.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
PÁLPEBRAS
Blefarite
A blefarite é um processo inflamatório do bordo livre
da pálpebra, caracterizado por:
Hiperémia conjuntival,
Blefarite
Descamação do bordo palpebral
(acompanhada de alterações inflamatórias).
Tratamento
Hordéolo
O hordéolo corresponde a uma inflamação aguda de uma ou mais glândulas
das pálpebras (sudoríparas ou/e de Meibomius), habitualmente com etiologia
bacteriana (Staphylococcus aureus). Inicialmente é caracterizado por:
Aparecimento de hiperémia,
Aumento da sensibilidade,
Dor no bordo palpebral.
Hordéolo
Posteriormente, evolui para a formação de uma pequena área arredondada,
dolorosa e edemaciada.
Tratamento
É efectuado com antibiótico e com a aplicação de compressas quentes.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Chalázion
O chalázion é uma inflamação granulomatosa crónica
Chalázion
de uma glândula de Meibomius (ou meibomiana), causada por
uma obstrução da sua abertura (células epiteliais multiplicam-se
no seu interior). Inicialmente apresenta os mesmos sintomas e
sinais que um hordéolo mas, após alguns dias, os sintomas
Chalázion
desaparecem, permanecendo um aumento de volume redondo
e indolor sobre a pálpebra, o qual cresce lentamente.
VIAS LACRIMAIS
Dacriocistite
A dacriocistite corresponde à inflamação do saco Dacriocistite
lacrimal, que resulta, na grande maioria das vezes, da
obstrução da via lácrimo-nasal. A retenção de fluídos
leva à infecção por estirpes de Staphylococcus,
Pneumococcus, Pseudomonas e outros.
Manifesta-se por:
Tratamento
Se o abcesso for flutuante, pode ser drenado. Caso contrário, recorre-se a
antibióticos locais ou sistémicos e analgésicos. A dacriocistorrinostomia é
aconselhável apenas após a diminuição dos sintomas agudos.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
12
O doente apresenta também outros sintomas como sensação de boca seca, desidratação da pele e
mucosas em geral e, por vezes, poliarterite.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
O diagnóstico, para além da clínica, pode ser realizado com a ajuda dos
seguintes testes:
Tratamento
O tratamento é sintomático, através da administração frequente de:
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Celulite da Órbita
A celulite da órbita define-se como a inflamação aguda do conteúdo da
cavidade orbitária. Surge mais frequentemente em crianças, em consequência de
uma sinusite não tratada13.
Manifesta-se por:
Celulite Pré-Septal
A celulite pré-septal apresenta sintomatologia semelhante à celulite da órbita.
No entanto, a inflamação é anterior ao septo orbitário.
Tratamento
Antibioterapia sistémica agressiva.
13
A infecção é pós-septal e o conteúdo orbitário está envolvido por um edema difuso e há infiltrado no
tecido adiposo por células inflamatórias e bactérias.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
ÚVEA
Anteriores: Irite/Iridociclite;
Intermédia: Ciclites (Doença de Lyme, esclerose múltipla, sarcoidose,
colite ulcerosa);
Posteriores: Coroidite;
Panuveíte (gravíssimo, envolve toda a úvea, relacionada com doenças
como a sarcoidose, doença de Behçet , sífilis e endoftalmite infecciosa).
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Sinais
Irregularidades nos contornos da pupila: provocadas
por adesões inflamatórias entre a íris e o cristalino
(sinéquias posteriores),
Hiperémia conjuntival, tipo ciliar,
Pupilas irregulares
Ligeira miose reactiva,
Fenómeno de Tindall +: ao biomicroscópio, incidindo luz lateralmente,
observam-se proteínas (opacificação) e células inflamatórias em suspensão na
câmara anterior,
Hipópion: acumulação de exsudado e sedimentação de células inflamatórias na
câmara anterior (asséptico), causada pelo aumento da permeabilidade vascular
ocorrente nos processos inflamatórios, podendo ser acompanhada de
hemorragia (hifema15).
Hipópion
Hifema
14
Dor por envolvimento do nervo ciliar.
15
A hemorragia para o interior da camada anterior pode ocorrer em infecções virais.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Principais etiologias
Idiopática,
Auto-imune (espondilite anquilosante, síndrome de Reiter, doença
inflamatória intestinal, artrite psoriática, artrite crónica juvenil),
Toxoplasmose, sarcoidose, tuberculose, sífilis, doença de Behçet
(vasculite)16.
Tratamento
Anti-inflamatórios, esteróides ou não-esteróides,
Cicloplégicos (causam midríase e repouso do músculo ciliar),
Penso ocular.
Visão desfocada,
Ausência de hiperémia conjuntival,
Ausência de dor (coroideia desprovida de fibras sensitivas).
Tratamento
Antibióticos ou esteróides (dependendo da etiologia).
16
Os agentes destas doenças causam uveíte granulomatosa mais frequentemente na coroideia –
coroidite.
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
RETINA
Retinite
Antibióticos Corticóides
+
Cicloplégicos
Fotofobia
(Queratite e Uveíte anterior) Oclusão ocular
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Processos Inflamatórios do Globo Ocular
Colírio – Tem uma acção mais fugaz, pelo que a sua aplicação deve ser repetida
frequentemente. É necessário ter em conta que, quando se aplicam dois colírios, deve-
se esperar um certo período de tempo após a aplicação do primeiro, para que o
segundo não se remova.
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 15 de Novembro de 2007
Disciplina: Oftalmologia Prof.: Walter Rodrigues
Tema do Seminário: Ametropias e Presbiopia
Autores: Catarina Custódio dos Santos
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Estruturas refringentes do olho
Emetropia e ametropia
Casos particulares de ametropias
Presbiopia
Tratamento
Casos clínicos
Bibliografia
Anotada correspondente de 2006/2007, Olga Alves e Graça Eleutério
Lang, G; Ophthalmology – a pocket textbook atlas; Thieme Flebibook; cap. 16.
http://www.clinicareinoso.com/conditns/qx_myop.htm (animação da cirurgia)
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Ametropias e Presbiopia
• Curvatura da córnea;
• Diferença do índice de refracção entre o ar e a superfície da córnea.
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Ametropias e Presbiopia
Emetropia e Ametropia
• Hipermetropia,
• Miopia,
• Astigmatismo.
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Ametropias e Presbiopia
Estas patologias são causadas por alterações no trajecto dos raios luminosos
no eixo óptico, incluindo:
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Ametropias e Presbiopia
HIPERMETROPIA
Etiologia
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Ametropias e Presbiopia
Sinais e sintomas
Exame oftalmológico
O fundo ocular pode evidenciar trajectos tortuosos dos vasos da retina1. Pode-
se evidenciar um disco óptico um pouco turvo mas sem alterações visuais. Pode-se
observar, para mais de 5D, um pseudo-edema da papila.
Estando sujeito a uma tensão aumentada, de forma crónica, o músculo ciliar
pode estar hipertrofiado. Esta hipertrofia latente do músculo ciliar impede o
observador de realizar o exame oftalmológico na ausência de acomodação a não ser
que se recorra à utilização de cicloplégicos. No entanto, estes devem ser usados
com precaução, já que alguns dos doentes com hipermetropia podem ter câmaras
anteriores baixas (risco de glaucoma).
Epidemiologia
A maioria dos recém-nascidos tem hipermetropia axial, em muitos casos
fisiológica, que diminui durante o primeiro ano de vida. 20% dos jovens adultos entre
os 20 e 30 anos têm hipermetropia que excede 1D.
1
Como se o espaço da retina fosse “pequeno” demais para os vasos “caberem direitos”.
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Ametropias e Presbiopia
MIOPIA
Etiologia
Formas clínicas
Miopia simples – Surge por volta dos 10 a 12 anos e raramente excede as 6D.
Pode agravar-se até aos 25-30 anos, com o crescimento do globo ocular,
estabilizando geralmente a partir desta idade.
Miopia patológica ou progressiva (alterações no fundo e globo oculares) –
Tem uma carga genética muito forte com transmissão recessiva. Está
associada a fenómenos degenerativos oculares, piorando progressivamente.
Mais prevalente em certas raças (Israelitas, Árabes, Chineses).
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Ametropias e Presbiopia
Sinais e sintomas
A miopia tende a estabilizar, mas não regride. No entanto, por volta dos 40 a 45
anos, com o aparecimento da presbiopia4, a miopia pode regredir cerca de 0,5 D,
devido à diminuição do poder acomodativo.
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Ametropias e Presbiopia
ASTIGMATISMO
Etiologia
Cristalino:
5
Os meridianos são semicírculos que passam pelos pólos anterior e posterior, podendo ter várias
inclinações (vertical, horizontal, etc.).
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Ametropias e Presbiopia
Formas clínicas
Astigmatismo regular: Se a córnea não for esférica mas antes elíptica, obtém-
se uma imagem focada por dois meridianos, um demasiadamente curto e outro
demasiadamente longo. Num astigmatismo regular, estes dois meridianos são
perpendiculares. Pode ser simples6 (míope ou hipermétrope), composto (míope
ou hipermétrope) ou misto.
Astigmatismo irregular: Os dois meridianos diferentes não são
perpendiculares ou há mais do que dois meridianos com diferentes dioptrias
envolvidos na focagem da mesma imagem, causando pontos de focagem
múltiplos. Pode ser causado por: cicatrizes da córnea (após ulceração ou
traumatismo da córnea), cataratas ou queratocone7.
Sinais e sintomas
• Visão turva com deformações da imagem;
• Cefaleias;
• Distúrbios nervosos reflexos (tonturas, irritabilidade, fadiga);
• Diplopia monocular e deslumbramento (sensação de estar encadeado);
• Efeito de buraco estenopeico (o astigmático semicerra os olhos para
modificar a curvatura corneana).
Epidemiologia
Cerca de 42% das pessoas têm astigmatismo maior ou igual a 0,5D. Em 20%
destas, este astigmatismo é maior do que 1D e requer correcção. 90% das pessoas
que usam óculos tem astigmatismo, podendo estar associado à miopia ou
hipermetropia.
6
Classificação não encontrada na literatura.
7
Doença degenerativa da córnea que a vai desgastando gradualmente, remodelando-a em formato
de cone. Esse formato impede a passagem precisa da luz na mácula. Como a doença é progressiva,
o cone torna-se mais saliente, causando uma visão cada vez mais distorcida.
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Ametropias e Presbiopia
Presbiopia
ACOMODAÇÃO
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Ametropias e Presbiopia
CARACTERIZAÇÃO
Fig.5
a) olho emétrope a focar um objecto distante
b) olho emétrope a focar um objecto próximo
c) situação de presbiopia, em que não ocorre a
acomodação correcta
d) situação de presbiopia após correcção com
lentes biconvexas
SINAIS E SINTOMAS
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Ametropias e Presbiopia
Tratamento
ÓCULOS
Hipermetropia
Fig.6 Correcção da
Hipermetropia com óculos (a)
e com lentes de contacto (c).
Presbiopia
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Ametropias e Presbiopia
Miopia
Astigmatismo
Apenas o astigmatismo regular pode ser corrigido com óculos, sendo o mais
fácil de corrigir. Neste caso, tenta-se eliminar o erro dióptrico de um dos meridianos
para que ocorra focagem em apenas um ponto. Para esse fim, usa-se lentes
cilíndricas.
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Ametropias e Presbiopia
LENTES DE CONTACTO8
8
Informação não aprofundada na aula.
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Ametropias e Presbiopia
CIRURGIA
Miopia
Hipermetropia
A cirurgia é semelhante mas, em vez de se retirar tecido da parte central da
córnea, faz-se a incisão perifericamente, para conseguir tornar a parte central na
córnea mais espessa (com maior poder de refracção).
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Ametropias e Presbiopia
Anisometropias
A cirurgia é fortemente indicada numa situação de anisometropia, na qual há
uma diferença muito marcada de poder refractivo nos dois olhos (p.e., 7D num
olho e 0D no outro), sendo pouco prático andar só com uma lente ou com duas
lentes muito diferentes.
Tirando esta situação, não há razões médicas que exijam cirurgia, pelo que a
sugestão e decisão de cirurgia deve partir do doente e não do médico.
Caso Clínico
• Doente do sexo feminino, 48 anos;
• Usa óculos desde os 25 anos de idade;
• Desde há 1 ano, vê melhor para perto sem os seus óculos.
A doente veio acompanhada pela sua mãe, de 80 anos, que refere uma
situação semelhante:
• Usa óculos para perto (lentes convergentes);
• A certa altura, quando quer ler, passou a ter de tirar os óculos.
1º diagnóstico – Hipermetropia
2º diagnóstico – Catarata que provoca uma miopia de índice
A doente tinha hipermetropia que corrigia com lentes que lhe aumentavam o
poder de refracção (convergentes). Com o aparecimento de cataratas, o índice de
refracção do cristalino aumenta (miopia de índice), acabando por compensar a falta
de refracção que esta doente hipermétrope tinha.
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 13 de Dezembro de 2007
Disciplina: Oftalmologia Prof.: M. Monteiro Grillo
Tema da Aula Teórica: Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
Autores: Teresa Guerra Carreira
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Introdução
Importância da oftalmoscopia
Fundo ocular normal
Hipertensão arterial – Diabetes mellitus
Bibliografia
Anotada correspondente de 2006/2007, Lídia Maria Roque Ramos
Lang, G; Ophthalmology – A Pocket Textbook Atlas, 1ª edição (2000) Thieme.
Seidel, et al.; Mosby’s Guide to Physical Examination, 6ª edição (2006) Mosby
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
Introdução
IMPORTÂNCIA DA OFTALMOSCOPIA
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
Disco óptico,
Vasos sanguíneos,
Mácula lútea,
Retina.
Vasos Sanguíneos
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
Mácula Lútea
A mácula lútea é uma mancha avermelhada abraçada pelos vasos temporais
localizada aproximadamente a dois discos ópticos da linha média, em direcção à
região temporal, ocupando, assim, uma posição mais externa no globo ocular, em
relação ao disco óptico. O centro da mácula apresenta uma depressão central mais
escura e vermelha, a fóvea central, avascular (sem vasos retinianos), irrigada por
difusão directa a partir dos vasos coroideus. Por não ser vascularizada, o que
permite que não haja interferência dos vasos na captação das radiações luminosas,
e só conter cones (não tem bastonetes), cada um com uma ligação neuronal
individual, a fóvea é a zona de maior acuidade visual.
Retina
A retina é uma estrutura transparente de pequena espessura e fácil acesso,
quer através do oftalmoscópio (amplia 16 vezes o fundo do olho), quer do
retinógrafo. É possível observá-la repetidamente em condições fisiológicas, sem
implicar lesão para o doente.
Através da fundoscopia, pode-se observar o epitélio pigmentar da retina. No
caso dos albinos, não existe pigmentação, ao passo que nas pessoas de raça negra
o pigmento é mais escuro e obscurece os vasos coroideus. Dado que a retina é uma
estrutura transparente, esta permite observar a coroideia e a coreo-capilar, que
confere ao fundo ocular a tonalidade laranja-avermelhada característica.
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
Retinopatia Hipertensiva
Vasoespasmo
Retinopatia Arterioesclerótica
Esclerose vascular
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
Indivíduos com 60-70 anos têm retinopatia arterioesclerótica, que cursa com
esclerose vascular (vasos mais rígidos), como consequência normal do
envelhecimento, pelo que não ocorre vasoespasmo clinicamente perceptível. Deste
modo, num idoso com HTA não muito elevada, encontra-se esclerose vascular, mas
é difícil afirmar pela oftalmoscopia que tem HTA. A HTA pode acelerar a esclerose
vascular, assim se explicando o aparecimento precoce de esclerose vascular em
indivíduos de meia-idade. Esta surge principalmente em doentes com a HTA não
controlada.
Hemorragias,
Exsudados duros (lipídicos),
Exsudados moles/algodonosos (isquémia).
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
CLASSIFICAÇÃO DE KEITH-WAGENER-BARKER
Grau I
Estreitamento arteriolar moderado – pode eventualmente estar
relacionado com o vasoespasmo mantido ou com esclerose vascular.
Grau II
Estreitamento arteriolar marcado – mais relacionado com esclerose
vascular que com vasoespasmo;
Aumento do reflexo – a parede arteriolar sofre um processo de fibrose e
espessamento, que origina a perda da sua transparência, pelo que a
coluna de sangue deixa de ser visível;
Cruzamentos artério-venosos patológicos – sinal de esclerose vascular.
Grau III
Hemorragias e exsudados moles e duros.
Grau IV
Edema do disco óptico.
1
Os oftalmologistas preferem fazer uma referência directa às alterações observadas no fundo ocular
(vasoespasmo, esclerose vascular…), embora a classificação KWB seja útil para a comunicação com
outros colegas, nomeadamente internistas.
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
2
Não tão importante no caso da retinopatia resultante da hipertensão arterial.
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
Angiografia Fluoresceínica
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
3
O sistema de classificação da RD tem, ao contrário da classificação KWB, muito interesse prático.
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
FOTOCOAGULAÇÃO
Na fundoscopia, as zonas de
fotocoagulação surgem como pequenos pontos
esbranquiçados (fig.15). Normalmente, a
técnica é utilizada em toda a retina –
fotocoagulação panretiniana – tentando poupar
o pólo posterior, zona de visão central.
Fig.15 Fotocoagulação.
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
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Hipertensão Arterial e Diabetes Mellitus
Em suma:
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 13 de Dezembro de 2007
Disciplina: Oftalmologia Prof.: Pedro van Zeller
Tema do Seminário: Perda Súbita e Progressiva de visão
Autores: Sandra Alves e Cristina Ornelas
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Perda súbita de visão
Anamnese
Exame objectivo
Causas
Opacidade dos meios ópticos
Doenças da retina
Doenças do nervo óptico
Alterações na via óptica
Perturbações funcionais
Descoberta súbita de perda visual crónica
Bibliografia
Anotada correspondente de 2006/2007, Sara Furtado e Tiago Lopes
Lang, G; Ophthalmology – A Pocket Textbook Atlas; 2ª edição (2007),
Thieme
http://www.eyeatlas.com
http://www.atlasophthalmology.com
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
2. Monocular ou binocular?
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
3. Há quanto tempo?
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
1. Acuidade visual
2. Teste de campos visuais
3. Observação com luz difusa
4. Reacções pupilares
5. Oftalmoscopia
6. Tonometria
1. Acuidade visual
Quando a acuidade visual está diminuída, por doença da retina, a 1/10, por
exemplo, significa que apenas 10% dos cones maculares, ou seja 650 mil,
se encontram funcionantes.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
5. Oftalmoscopia
Permite observar o fundo ocular e verificar se há patologia na câmara
posterior (humor vítreo e retina).
6. Tonometria
A tonometria é importante pois uma causa possível para uma perda súbita
de visão é o glaucoma agudo. Assim, este método permite diagnosticar
rapidamente uma situação de grande aumento da pressão intra-ocular.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Um quadro clínico de perda súbita de visão pode dever-se a várias causas que
interfiram na fisiologia visual, desde a superfície do globo ocular até ao córtex
occipital:
2. Doenças da retina
5. Perturbações funcionais
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
1. Hifema
2. Hemovítreo
3. Edema da córnea
4. Catarata
Hifema Traumático
Caso clínico
Doente, 35 anos
Acidente de viação
Traumatismo ocular
Acuidade visual – reduzida a percepção
luminosa
Biomicroscopia – sangue na câmara
anterior
Fig.1 Hifema
Hifema
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Hemovítreo
Caso clínico
Doente, 60 anos
Diabetes II
HTA
Acuidade visual – percepção luminosa
Biomicroscopia – hipotransparência do
vítreo
Oftalmoscopia – retina não observável
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Edema da Córnea1
1
Estes temas não foram desenvolvidos na aula.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Catarata1
duração,
antecedentes familiares,
desenvolvimento psicomotor,
caracterizar a gravidez e o parto – a rubéola, toxoplasmose, citomegalovírus
e vírus da hepatite são responsáveis pela formação de uma catarata
congénita; a toxoplasmose ainda pode originar uma cicatriz na fóvea do feto,
ao passo que a rubéola também pode induzir uma glaucoma congénito.
Isto porque, para além da catarata congénita, este sinal pode ter como
etiologia:
retinopatia da prematuridade,
retinoblastoma (um portador assintomático do gene Rb poderá apresentar
no seu fundo ocular retinomas),
toxocaríase (se não tratada, pode levar à cegueira),
persistência do vítreo primário (sendo vascularizado, é opaco) hiperplásico,
fibras mielínicas do nervo óptico,
doença de Coats (telangiectasias com exsudação).
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
DOENÇAS DA RETINA
1. Descolamento da retina
2. Doença macular/foveal
3. Oclusão vascular da retina
a. Artéria central
b. Ramo da artéria
c. Veia central
Descolamento da Retina
Caso clínico
Doente, 40 anos
Miopia (- 4D)
Perda de hemicampo inferior com perda de
visão central do OE
Oftalmoscopia – bolsa de retina superior
(contendo líquido) com rasgadura
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Traccionais
Desenvolvem-se a partir de forças exercidas por bandas fibrovasculares
pré-retinianas;
Um exemplo de descolamento traccional é o crescimento de neovasos em
direcção ao vítreo, na retinopatia diabética proliferativa. Estes, ao
proliferarem, arrastam a camada neurossensorial da retina, provocando
um descolamento traccional.
Exsudativos
Ocorrem quando há perda da integridade da barreira hematorretiniana,
permitindo o extravasamento de fluidos dos vasos para o espaço entre a
neurorretina e o epitélio pigmentar, levando à separação dos mesmos.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Fotocoagulação a laser
Da região à volta da rasgadura, de forma a criar
uma adesão coroido-retiniana e impedir que
entre fluido entre as duas camadas e as separe;
Reparação cirúrgica
“Empurra-se” o globo ocular na região do
descolamento, o que vai justapor as camadas
todas contra o vítreo permitindo a re-adesão das
duas camadas da retina.
Caso clínico
Fig.9 e 10 OD – fundo ocular normal; OE – Hematoma central, com nível, junto à retina
Doente, 49 anos
Recorre à urgência com perda súbita de visão no olho esquerdo
Fundoscopia – OD – fundo ocular normal
OE – hematoma junto à retina
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Vitrectomia
Se houver hemorragia no vítreo que não seja absorvida, é necessário
recorrer a uma vitrectomia (remoção do vítreo).
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Caso clínico
Doente, 72 anos
HTA, Enfarte agudo do miocárdio,
Fibrilhação auricular
Acuidade visual – percepção
luminosa do O.D.
Defeito pupilar aferente
Oftalmoscopia
o Palidez da retina
o Mácula – mancha em cereja
o Circulação retiniana intermitente
Fig.12 Oclusão da artéria central da retina
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Caso clínico
Doente, 68 anos
Diabetes, cardiopatia isquémica, placa de
ateroma da carótida interna esquerda
Acuidade visual – perda de hemicampo
superior e visão central
Oftalmoscopia – OE
o Palidez da retina sectorial
o Mácula – mancha em cereja
o Circulação retiniana intermitente
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Caso clínico
Doente, 77 anos
Diabetes, HTA, sindroma de
hiperviscosidade sanguínea2.
Hipertensão ocular
Acuidade visual – 1/103
Oftalmoscopia
o Retinopatia hemorrágica (rebentamento de
granada4)
o Exsudados algodonosos 5
o Edema da retina
Angiografia fluoresceínica da retina
o Hipoperfusão retiniana
o Hemorragias
o Edema difuso
2
Este sindroma pode ser causado por doenças como a DPOC e o mieloma múltiplo.
3
Apenas 10% dos fotorreceptores maculares estão a funcionar (de seis milhões para 600 mil).
4
As hemorragias irradiam do disco óptico para a periferia – sentido centrífugo.
5
O termo “exsudados moles” é errado. Deve dizer-se exsudados algodonosos.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Com uma oclusão total da veia central da retina, sendo esta a única fonte de
drenagem venosa da retina, toda a circulação a montante ficará lesada. Isto
provoca, inicialmente, aumento da pressão venosa, mais tarde capilar, arteriolar e
arterial, podendo, inclusivamente, perturbar a circulação arterial e levar à isquémia
do tecido retiniano. Por este motivo, a oclusão da veia central da retina divide-se em:
Oclusão isquémica – diagnosticada em angiografia, quando mais de
10 discos ópticos6 da retina não estão perfundidos;
Oclusão não isquémica.
6
As medidas no fundo ocular são feitas em discos ópticos.
7
Exsudados duros é o termo usado para designar os pontos amarelados circulares bem definidos,
que correspondem ao enfarte das células da retina mais profundas ou externas.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Hemorragias
Tendo em conta a acuidade visual deste doente, verifica-se que não houve
uma perda completa da acuidade visual. O doente tem 1/10 de acuidade visual
mantida, uma vez que não houve isquémia total da retina, há ainda alguma perfusão
arterial.
O tratamento da fase aguda da oclusão da veia central da retina deve ser feito
com redução do hematócrito para 35-38%, através de hemodiluição.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
1. Nevrite óptica
2. Nevrite óptica retrobulbar
3. Traumatismo
4. Neuropatia óptica isquémica
5. Arterite de células gigantes
Nevrite Óptica
Caso clínico
Doente, 31 anos
Doença desmielinizante – Esclerose em Placas (E.P.)
Perda súbita de visão do OD com escotoma centro
cecal
Reflexos pupilares
o Defeito pupilar aferente (DPA) OD
Oftalmoscopia – edema da papila
R.M.N
o Lesões hiperintensas (gadolíneo)
Nervo óptico
Periventriculares
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
No que diz respeito à etiologia, esta poderá ser de causa inflamatória (doença
de Lyme, malária ou sífilis), causa auto-imune (lúpus eritematoso, doença de Crohn,
colite ulcerosa ou granulomatose de Wegener) ou lesão tóxica (por metanol, chumbo
ou cloranfenicol). Também as doenças inflamatórias desmielinizantes do SNC como
a esclerose em placas, ou esclerose múltipla (como acontece neste caso clínico),
são importantes causas de nevrite óptica, sobretudo retrobulbar.
Papilite
Existe edema da papila. O disco óptico encontra-
se, frequentemente, hiperemiado e com perda dos
seus contornos. Esta situação pode ser
confirmada por angiografia fluoresceínica,
evidenciando uma rede capilar dilatada e eventual
extravasão da fluoresceína para fora dos vasos.
Fig.18 Angiografia de
Nevrite óptica retrobulbar nevrite óptica
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Traumatismo
Outra possível causa de perda súbita de visão consiste em, por exemplo,
fractura do pavimento da órbita, sobretudo se atingir o vértice, provocando secção
do nervo óptico.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Quanto ao diagnóstico:
8
Patologia não abordada na aula.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Caso clínico
Doente, 76 anos
Cardiopatia isquémica
Velocidade de sedimentação superior a 80 mm
Acuidade visual OD – percepção luminosa
Oftalmoscopia
o Neuropatia óptica isquémica
Biopsia da artéria temporal
Fig.20, 21 e 22 Neuropatia
óptica arterítica – fundo
ocular (em cima), artéria
temporal dilatada (em
baixo à esq.) e imagem
histológica da artéria
temporal com lúmen
preenchido por granulomas
Esta patologia surge, tipicamente, em idosos, geralmente por volta dos 70 anos
(raramente antes dos 60), ocorrendo enfarte agudo do disco óptico, devido a
obstrução decorrente de inflamação de artérias de pequeno e médio calibre.
A neuropatia óptica isquémica arterítica consiste na manifestação ao nível do
globo ocular de uma doença sistémica que é a Arterite de Células Gigantes. Esta é
uma vasculite granulomatosa que afecta, principalmente, artérias de pequeno e
médio calibre como as artérias temporal, oftálmica, ciliares curtas posteriores,
central da retina e porção proximal das artérias vertebrais. Deste modo, ao haver
acumulação de granulomas de células gigantes nestas artérias, poderá haver
oclusão total, o que levará, então, a enfarte das estruturas irrigadas por elas, sendo
uma destas o disco óptico.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
nervo óptico,
quiasma óptico,
fita óptica,
corpo geniculado externo,
radiações ópticas,
área visual primária.
Fig.23 Trajecto da via óptica
As lesões na via óptica podem ser divididas em três grupos, de acordo com a
sua localização:
Lesões pré-quiasmáticas
Ao nível do nervo óptico (abordadas no ponto anterior).
Lesões quiasmáticas
Ao nível do quiasma óptico, sendo, frequentemente, lesões compressivas por
tumores (adenomas pituitários, craniofaringiomas, meningiomas) ou
aneurismas (da artéria carótida interna); a principal manifestação das lesões
quiasmáticas consiste numa hemianópsia temporal bilateral.
Lesões retro-quiasmáticas
Na porção da via óptica posterior ao quiasma, que podem ser resultado de
tumores, alterações vasculares, meningite basal, aneurismas da artéria
comunicante posterior, abcessos, traumatismos ou vasoespasmo;
tipicamente, estas lesões manifestam-se por defeitos (hemianópsia ou
quadrantópsia) do campo visual homónimo mais, ou menos, extensos,
consoante a localização da lesão.
9
Assunto não desenvolvido na aula
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
PERTURBAÇÕES FUNCIONAIS
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
1. Glaucoma
2. Catarata
3. Degenerescência macular
4. Retinopatia pigmentada
5. Retinopatia diabética
GLAUCOMA
10
O glaucoma, a catarata, a degenerescência macular e a retinopatia pigmentada não foram
desenvolvidos na aula por serem tema de outras aulas. Foi dada importância apenas à retinopatia
diabética.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
CATARATA
DEGENERESCÊNCIA MACULAR
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
RETINOPATIA PIGMENTADA
Campimetria,
Análise da visão cromática,
Electrofisiologia.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
RETINOPATIA DIABÉTICA
Caso clínico
Doente, 76 anos
Diabetes tipo II (mais de 20 anos)
Hg A1c > 10%11
Acuidade visual OE – 0,2 (20% de visão)
Oftalmoscopia
o Edema Macular
o Hemorragias
o Exsudados duros em anel (circinados)
Angiografia
o Características isquémicas
o Microaneurismas
o Edema macular
11
O valor da hemoglobina glicosilada (Hg A1c) deve estar abaixo de 7%, normalmente entre 4 e 6%.
Neste caso, significa que a diabetes no doente está mal controlada.
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Caso clínico
Doente, 28 anos
Diabetes tipo I (insulino-dependente)
Hg A1c > 10% (DM mal controlada)
Oftalmoscopia
o Neovasos do disco óptico
o Hemorragia Retiniana
Angiografia
o Rede neovascular pré-papilar
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Perda Súbita e Progressiva de Visão
Fotocoagulação a laser
Incidindo sobre os fotorreceptores e o
epitélio pigmentar (zonas da retina que
consomem mais oxigénio). Os “spots” de
laser são dispersos por toda a retina
periférica, provocando ablação desta
parte da retina e melhorando as
condições de isquémia, havendo maior Fig.28 Visualização da retina após
controlo da neovascularização. fotocoagulação a laser
Vitrectomia
Se já houver hemovítreo ou descolamento traccional da retina.
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 15 de Novembro de 2007
Disciplina: Oftalmologia Prof.: Carlos Neves
Tema da Aula Teórica: Doenças Oftalmológicas da Criança
Autores: Berta Sofia
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Retinopatia da prematuridade
Cataratas congénitas
Retinoblastoma
Glaucoma congénito
Bibliografia
Anotada correspondente de 2006/2007, Diana Bernardes e Jorge Pires
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Doenças Oftalmológicas da Criança
Retinopatia da Prematuridade
A retinopatia da prematuridade representa uma patologia da retina com origem
na disrupção do desenvolvimento dos vasos retinianos, em recém-nascidos pré-
termo, com peso à nascença inferior a 2500g.
EPIDEMIOLOGIA
É uma patologia rara, tendo os recém-nascidos com peso à nascença inferior a
1000g um risco acrescido para o seu desenvolvimento. Apesar de uma prestação de
cuidados óptima e rigorosa monitorização da PaO2, não é possível prevenir o
desenvolvimento de Retinopatia da Prematuridade (RP) em todos os casos.
Tornou-se importante após o surgimento das incubadoras, que, apesar de
aumentaram a taxa de sobrevida dos prematuros, permitem a sua sujeição a uma
atmosfera hiperóxica, rica em oxigénio.
ETIOLOGIA
Esta patologia não é mais do que uma retinopatia vasoproliferativa.
A vascularização da retina tem início por volta das 16 semanas de gestação e
só termina completamente perto das 40, sendo que a vascularização da área
temporal da retina só termina após o sétimo mês de gestação. Desta forma, os
recém-nascidos muito prematuros apresentam isquémia desta zona da retina, pois
esta não possui vasos. A isquémia constante vai levar à libertação de factores
vasoproliferativos, os quais estimulam a formação de neovasos.
Estes neovasos são irregulares, pelo que é perfeitamente visível a diferença
entre a zona de vascularização normal e a zona de neovascularização.
Apesar da formação de novos vasos, estes não têm capacidade de formar a
Barreira Hemato-Retiniana1 (BHR), condicionando o desenvolvimento da
retinopatia. Estes neovasos apresentam endotélio fenestrado, do que resulta a
ocorrência de edema e exsudados. A proliferação de neovasos é contínua e dá-se
na direcção do vítreo, provocando a tracção da retina e, consequentemente, o seu
descolamento.
1
Existem duas barreiras hemato-retinianas, a interna, correspondente ao endotélio, não fenestrado e
firmemente unido, dos vasos retinianos (lesada na diabetes, com formação de vasos incompetentes,
do que resulta a formação de transudados proteicos), e a externa, correspondente ao endotélio dos
vasos coroideus.
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Doenças Oftalmológicas da Criança
↓
Neovascularização
FISIOPATOLOGIA
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Doenças Oftalmológicas da Criança
SINAIS E SINTOMAS
CLASSIFICAÇÃO
DIAGNÓSTICO
A retina deve ser examinada com a pupila em midríase, no máximo até quatro
semanas após o nascimento. Isto pode ser integrado no exame objectivo de rotina
do recém-nascido.
Observações subsequentes irão depender do grau de vascularização da retina.
Em cerca de 85% das crianças com Retinopatia Proliferativa nas fases I e II,
esta resolve espontaneamente.
2
Mais rapidamente identificada pelas avós.
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Doenças Oftalmológicas da Criança
TRATAMENTO
PROFILAXIA
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Doenças Oftalmológicas da Criança
Cataratas Congénitas
SINAIS E SINTOMAS
• Leucocória;
• Fenómeno óculo-digital – a criança pressiona o
seu dedo contra o(s) olho(s), criando padrões de
luz que a criança acha interessantes;
• Estrabismo – o primeiro sinal de compromisso
da visão;
• A criança chora quando o olho normal é tapado;
Fig.2 Criança com leucocória no
• Dificuldade em agarrar objectos; olho esquerdo
• Movimentos erráticos dos olhos presentes;
• Nistagmo;
• Uni ou bilateral.
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Doenças Oftalmológicas da Criança
ETIOLOGIA
Distrofia miotónica
Doenças Músculo-Esqueléticas
Osteogénese imperfeita
Dermatite atópica
Doenças Dermatológicas
Ictiose congénita3
Síndrome de Laurence-Moon4
Doenças do Sistema Central
Síndrome de Bardet-Biedl5
Síndrome de Pierre-Robin6
7
Disostoses Crânio-Faciais Síndrome de Alport
8
Síndrome de Crouzon
3
Ictiose congénita: forma seca de eritrodermia ictiosiforme congénita, caracterizada por ectrópio e
grandes escamas de textura grosseira na maior parte do corpo, com espessamento das regiões
plantares e palmares.
4
S. Laurence-Moon: caracterizada por atraso mental, retinopatia pigmentar, hipogenitalismo e
paraplegia espástica.
5
S. Bardet-Biedl: caracterizada por atraso mental, retinopatia pigmentar, polidactilia, obesidade e
hipogenitalismo. Esta síndrome deve ser diferenciada do S. Laurence-Moon, no entanto, estas já
foram parte de uma só síndrome sob a designação de S. Laurence-Moon-Bardet-Biedl.
6
S. Pierre-Robin: caracterizada por micrognatia e fenda palatina em forma de U, glossoptose,
frequentemente associada a obstrução das vias aéreas superiores e dificuldades na alimentação.
7
S. Alport: perturbação geneticamente heterogénea, caracterizada por nefrite associada a hematúria
microscópica e progressão lenta da insuficiência renal, perda auditiva neuro-sensorial e alterações
oculares, como lenticone e maculopatia.
8
S. Crouzon: craniossinostose com alargamento do fronte, hipertelorismo ocular, exoftalmia, nariz
em bico e hipoplasia do maxilar superior.
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Doenças Oftalmológicas da Criança
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Doenças Oftalmológicas da Criança
9
Ambliopia: deficiência visual provocada pelo anormal desenvolvimento das áreas visuais corticais,
em resposta a uma estimulação visual anormal durante o desenvolvimento inicial. Apesar de a
funcionalidade do aparelho ocular poder se encontrar mantida, há um problema na percepção visual.
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Doenças Oftalmológicas da Criança
FORMAS HEREDITÁRIAS
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Doenças Oftalmológicas da Criança
Retinoblastoma
ETIOLOGIA
É uma doença autossómica dominante causada por uma mutação no gene RB,
situado no cromossoma 13q (gene estrutural, cujo produto tem um papel importante
na regulação do ciclo celular). Nas formas hereditárias, geralmente é bilateral, com
múltiplas lesões no interior do olho; nos casos esporádicos, raramente isto se
verifica, sendo preferencialmente unilateral.
SINAIS E SINTOMAS
O retinolastoma manifesta-se, principalmente,
pela existência de leucocória (identificado em
fotografias) e estrabismo divergente10, com
diminuição significativa da visão no olho afectado.
No entanto, e apesar de serem sinais menos
comuns, o retinoblastoma também se pode
manifestar pela ocorrência de inflamação do globo
ocular com hiperémia conjuntival. A dor não é
Fig.5 Leucocória, com visualização
habitual e, para além do problema ocular, as dos vasos da retina a olho nu.
Trata-se de um Retinoblastoma que
crianças que sofrem desta condição são empurrou a retina para o cristalino.
perfeitamente saudáveis.
Existem formas exofíticas e endofíticas de retinoblastoma.
TRATAMENTO
A situação é extremamente grave mas, se detectada precocemente, tem
tratamentos locais e quimioterapia. Esta neoplasia não é metastática, mas é
muito invasiva, podendo alcançar o Sistema Nervoso Central; neste caso, o
tratamento é a enucleação (remoção completa do globo ocular).
10
Um olho que não vê desvia para a sua posição natural, não ortofórica, para fora.
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Doenças Oftalmológicas da Criança
Glaucoma Congénito
EPIDEMIOLOGIA
ETIOLOGIA
O glaucoma congénito é
um glaucoma de ângulo
fechado, uma vez que a íris se
insere mais anteriormente, na
rede trabecular. Por outro lado,
forma-se uma fina membrana
transparente, de tecido
mesodérmico embrionário, a
Membrana de Barkan, que
cobre a rede trabecular e impede
a drenagem do humor aquoso
Fig.7 Fisiologia e fisiopatologia do fluxo de humor aquoso.
para o Canal de Schlemm.
Outras causas possíveis são anomalias embrionárias e rubéola.
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Doenças Oftalmológicas da Criança
SINAIS E SINTOMAS
Fig.8 Megalocórnea
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
11
M. Descemet – camada acelular homogénea transparente, entre a substância própria e a camada
endotelial da córnea, considerada uma membrana basal muito desenvolvida.
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Doenças Oftalmológicas da Criança
CONFIRMAÇÃO DO DIAGNÓSTICO
Fig.9
À esquerda: disco óptico normal, com os vasos a saírem do centro do nervo óptico.
À direita: disco óptico com glaucoma, pálido devido à perda de tecido nervoso.
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Doenças Oftalmológicas da Criança
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Doenças Oftalmológicas da Criança
TRATAMENTO
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Doenças Oftalmológicas da Criança
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 10 de Janeiro de 2008
Disciplina: Oftalmologia Prof.: Ivone Cravo
Tema do Seminário: Traumatismo Ocular e Catarata
Autores: Ana Maçãs e Rita Nair Diaz
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Introdução
Traumatismo químico do globo ocular
Traumatismo ocular por radiação
Entrada de corpo estranho
Traumatismo contuso do globo ocular
Traumatismo contuso da órbita com fractura blow-out
Traumatismo contuso da órbita com neuropatia óptica
Traumatismo perfurante do globo ocular
Catarata
Introdução
Tipos de catarata
Sintomas
Etiologia
Bibliografia
Anotada correspondente de 2006/2007, Ana Aguilar
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Traumatismo Ocular e Catarata
Introdução
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Traumatismo Ocular e Catarata
CASO CLÍNICO 1
Homem, 32 anos
Trabalhador da construção civil
Atingido no globo ocular por uma
substância química
Fig.1 Opacidade da córnea.
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Traumatismo Ocular e Catarata
ETIOLOGIA
SINTOMAS
Epífora
Blefaroespasmo Lesões primárias
Dor severa
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Traumatismo Ocular e Catarata
TRATAMENTO
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Traumatismo Ocular e Catarata
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Traumatismo Ocular e Catarata
CASO CLÍNICO 2
Homem, soldador
Hiperémia
Dor
Fotofobia
Lacrimejo
ETIOLOGIA
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Traumatismo Ocular e Catarata
SINAIS E SINTOMAS
TRATAMENTO
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Traumatismo Ocular e Catarata
CASO CLÍNICO 3
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Traumatismo Ocular e Catarata
CASO CLÍNICO 4
Estudante, 25 anos
Traumatismo com bola de squash
Hiperémia ciliar.
Hemovítreo.
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Traumatismo Ocular e Catarata
Deve-se recomendar ao doente que não se deite, para que o sangue não
percorra toda a câmara anterior do globo ocular.
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Traumatismo Ocular e Catarata
CASO CLÍNICO 5
Neste caso, o olho lesado é o esquerdo (fig.12), uma vez que não se eleva
quando o doente olha para cima. Este “olho calmo” evoca um tipo específico de
traumatismo – o traumatismo contuso da órbita, que pode coexistir com o
traumatismo contuso do globo ocular – o traumatismo contuso do globo ocular
pode comprimir os conteúdos da órbita de forma tão severa que ocorra fractura da
parede da órbita.
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Traumatismo Ocular e Catarata
SINTOMAS
No caso de um traumatismo
contuso da órbita, o mais frequente é
ocorrer a chamada fractura blow-out –
fractura do pavimento da órbita dado
que esta é a zona de maior fraqueza (e
dentro desta a área mais frágil é a
postero-interna) da parede da órbita. Fig.13 Fractura blow-out – fractura do
pavimento da órbita com herniação do
conteúdo orbitário .
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Traumatismo Ocular e Catarata
DIAGNÓSTICO
Deve realizar-se um Rx
simples da face e, idealmente
uma TC (é mais precisa), onde
se pode observar o traço de
fractura (fig.14).
TRATAMENTO
Esta situação clínica constitui uma urgência médica que pode ou não requerer
cirurgia.
A cirurgia restauradora da anatomia normal da órbita e da integridade da
mesma deve ser realizada dentro de dez dias, minimizando o risco de dano
irreversível resultante da cicatrização do recto inferior afectado. Quando o
tratamento é rápido, o prognóstico é bom.
Deve-se também realizar a profilaxia do tétano e o tratamento com antibióticos.
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Traumatismo Ocular e Catarata
CASO CLÍNICO 6
Traumatismo da órbita
Diminuição da acuidade visual
TRATAMENTO
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Traumatismo Ocular e Catarata
CASO CLÍNICO 7
37 anos, bate-chapas
Sensação de algo embater no
olho esquerdo quando
martelava no chassis de um
automóvel
Horas depois, lacrimejo,
Fig.16 A córnea apresenta uma porta de entrada
fotofobia, visão turva causada pela penetração de um corpo estranho e
a pupila está desviada em direcção ao mesmo.
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Traumatismo Ocular e Catarata
DIAGNÓSTICO
A história clínica tem uma extrema importância neste casos, pois muitas
vezes a sintomatologia passa despercebida.
Nesta situação, é
fundamental a pesquisa do
corpo estranho intra-ocular
através de Rx da órbita
(fig.17), que permite a sua
observação imediata.
Fig.17 Rx da órbita.
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Traumatismo Ocular e Catarata
TRATAMENTO
Não manipular,
Não aplicar qualquer tipo de pomada,
Colocar um protector ocular (é mais duro que o penso ocular),
Enviar para um oftalmologista.
Pode-se ainda:
Conclusão:
Os traumatismos oculares e orbitários de emergência são:
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Traumatismo Ocular e Catarata
CATARATA
Introdução
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Traumatismo Ocular e Catarata
Tipos de Catarata
CATARATA SENIL
Caso Clínico 8
Etiologia
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Traumatismo Ocular e Catarata
Caso Clínico 9
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Traumatismo Ocular e Catarata
Sintomas
Localização da opacidade:
anterior anterior
Capsular Subcapsular
posterior posterior
Grau de opacidade
Imatura Diminuição da acuidade visual em 40-50%
Córtex transparente não totalmente opacificado
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Traumatismo Ocular e Catarata
Etiologia
Doenças Associadas
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Traumatismo Ocular e Catarata
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Traumatismo Ocular e Catarata
Traumatismo
Radiações
Doenças Neurológicas;
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Traumatismo Ocular e Catarata
Diagnóstico
glaucoma,
degeneração da mácula,
uveíte,
retinopatia diabética,
descolamento da retina,
atrofia do nervo óptico,
ambliopia.
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Traumatismo Ocular e Catarata
Tratamento
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Traumatismo Ocular e Catarata
Etiologia
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Traumatismo Ocular e Catarata
Caso Clínico 10
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Traumatismo Ocular e Catarata
1
Apresentada no livro.
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 29 de Novembro de 2007
Disciplina: Oftalmologia Prof.: Manuel Monteiro Grillo
Tema da Aula Teórica: Doenças Oftalmológicas do Idoso
Autores: Pedro Campos e Samuel Fernandes
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Presbiopia
Catarata senil
Sub-luxação e luxação do cristalino
Degenerescência macular ligada à idade
Neoplasias
Bibliografia
Anotada correspondente de 2006/2007, Rute Machado e Filipe Paula
Lang, G; Ophthalmology – a pocket textbook atlas; Thieme Flebibook
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Doenças Oftalmológicas do Idoso
Presbiopia1
Catarata Senil
Esta situação atinge grande parte da população a partir dos 70 anos, sendo
provocada por um envelhecimento do cristalino, com perda da sua transparência.
Esta é a forma mais frequente de catarata (mais de 90% dos casos), existindo
outros tipos de catarata, com diferentes etiologias
1
Assunto já abordado no seminário “Ametropias e Presbiopia”.
2
Abordada na aula teórica “Doenças Oftalmológicas da Criança”.
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Doenças Oftalmológicas do Idoso
CLASSIFICAÇÃO
• nuclear (central),
• cortical,
• sub-capsular (periférica). Fig.3 Tipos de Catarata
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Doenças Oftalmológicas do Idoso
DIAGNÓSTICO
Defeitos qualitativos da
gama do vermelho-verde podem
ser diagnosticados através de
imagens de Ishiara. Se houver
défice, o doente não conseguirá
identificar os números, ou verá
números diferentes.
Fig.5 Figuras de Ishiara
3
Situação que permitiu a alguns pintores de idade avançada realizarem obras únicas.
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Doenças Oftalmológicas do Idoso
TRATAMENTO
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Doenças Oftalmológicas do Idoso
FISIOPATOLOGIA
Nestas patologias, ocorre uma degeneração
senil dos ligamentos suspensores do cristalino
(fibras da zónula de Zinn), provocando uma
deslocação do cristalino (incompleta na sub-
luxação e completa na luxação4), a par da
formação de catarata.
Assim, ao examinar um indivíduo idoso com
Fig.7.Sub-luxação do Cristalino.
catarata, há que indagar uma possível sub- O cristalino está deslocado superior e
luxação do cristalino. internamente
5
A principal preocupação com a sub-luxação é o desenvolvimento de
glaucoma de ângulo fechado. Sempre que ocorre um descolamento do cristalino,
existe a possibilidade deste entrar em aposição com a parte posterior da íris ou com
a anterior (caso haja luxação total para a câmara anterior). Isto conduzirá a bloqueio
pupilar, pelo que deixa de existir drenagem do humor aquoso, desenvolvendo-se
glaucoma de ângulo fechado. Por outro lado, ao ocorrer luxação para a câmara
anterior, o cristalino poderá atingir a córnea, causando danos irreversíveis nas
células endoteliais, com subsequente edema da córnea.
TRATAMENTO
Caso ocorra luxação para a câmara posterior com inflamação, recorre-se à
extracção do cristalino (também realizada em caso se luxação para a câmara
anterior) e vitrectomia.
4
Poderá ocorrer a migração do cristalino para o vítreo ou, mais raramente, para a câmara anterior.
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Doenças Oftalmológicas do Idoso
FISIOPATOLOGIA
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Doenças Oftalmológicas do Idoso
• Não-exsudativa (Seca/Atrófica),
• Exsudativa (Húmida/Neovascular).
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Doenças Oftalmológicas do Idoso
TRATAMENTO
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Doenças Oftalmológicas do Idoso
Grelha de AMSLER
Este é um dos testes mais simples para
monitorizar a saúde da mácula. Consiste num
padrão de linhas que se intersectam com um ponto
negro no meio, onde o olho deve fixar. Se a visão for
normal, todas as linhas parecerão rectas,
intervaladas com espaços regulares, mantendo-se o
Fig.12 Grelha de Amsler
ponto central. Se houver lesão (como na DMLI), as
linhas aparecerão dobradas, distorcidas ou inexistentes.
Neoplasias
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Doenças Oftalmológicas do Idoso
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 29 de Novembro de 2007
Disciplina: Oftalmologia Prof.: Carlos Marques Neves
Tema do Seminário: LASER em Oftalmologia
Autores: Sandra Serrão e Sofia Almeida
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Propriedades e efeitos biológicos do LASER
LASER diagnóstico
• GDX
• OCT
LASER terapêutico
• Fototérmico
• Fotodisruptivo
• Fotoablativo
• Fotoquímico
Bibliografia
Anotada correspondente de 2006/2007, Eunice Rodrigues e Viviana
Manuel
Lang, G; Ophthalmology – a pocket textbook atlas; 2ª edição (2007),
Thieme Flebibook
http://www.abonet.com.br/abo/abo62501.htm
http://www.oftalmo.com/studium/studium1999/stud99-1/99a06.htm
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LASER em Oftalmologia
Propriedades do LASER
1
Colimação – processo de alinhamento das trajectórias das partículas constituintes do LASER.
2
Índice de refracção = (velocidade da luz no meio 1) / (velocidade da luz no meio 2)
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LASER em Oftalmologia
LASER Diagnóstico
A B C
Fig.1 Resultados do GDx
A. Camada nervosa da retina saudável
B. Perda moderada da camada nervosa da retina
C. Perda grave da camada nervosa da retina
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LASER em Oftalmologia
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LASER em Oftalmologia
Buraco macular
Membrana pré-macular
Edema macular
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LASER em Oftalmologia
LASER Terapêutico
• biológicos,
• fotoquímico,
• térmico,
• mecânico.
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LASER em Oftalmologia
Aplicação Clínica
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LASER em Oftalmologia
Caso Clínico 1
Observação
Apresenta uma miopia de 6D, bilateral. A acuidade visual está corrigida (10/10).
Biomicroscopia
Normal.
Análise
Nesta situação, existe uma rasgadura com forma de
“ferradura de cavalo” ao nível da retina, que oscila cada vez
que o globo ocular se move (provocando as fotópsias). Caso
este rasgo não seja tratado, pode-se acumular líquido na
zona sub-retiniana, o que leva à separação da camada
neurossensorial da camada pigmentar da retina, ocorrendo Fig.3 Rasgadura da retina
um descolamento da retina. O facto deste descolamento ter sido originado por um
rasgo faz com que seja classificado de descolamento regmatogenoso4 (que
equivale à maioria, 98%, dos casos de descolamento). Sabe-se que indivíduos com
miopia (referida no caso clínico) apresentam uma maior predisposição para as
rasgaduras, situando-se estas mais frequentemente na retina periférica.
Tratamento
O tratamento indicado para estas situações consiste na
fotocoagulação a LASER da área da retina, aplicada
circundantemente ao orifício/rasgo. Com este procedimento,
criam-se diversas cicatrizes, que vão aumentar a força de
aderência da camada neurossensorial à camada pigmentar,
prevenindo uma progressão do rasgo. Fig.4 Fotocoagulação
3
Sensação luminosa no olho, como faíscas, relacionado com um fenómeno de estimulação mecânica
retina (neste caso, a oscilação da retina descolada).
4
Existem outros tipos de descolamentos: traccional, exsudativo ou tumoral.
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LASER em Oftalmologia
Trabeculoplastia
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LASER em Oftalmologia
Aplicação Clínica
5
Tradução livre do termo excimer, que se refere a excited dimer (dímero excitado).
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LASER em Oftalmologia
Observação
Apresenta a seguinte acuidade visual:
Análise
Miopia unilateral.
Discreta diminuição de visão no olho esquerdo, o que pode ser explicado por
uma ambliopia6, visto que, mesmo com correcção, o olho esquerdo não atinge
uma acuidade 10/10.
Soluções Possíveis
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LASER em Oftalmologia
Cirurgia refractiva
• queratotomia radiária,
• queratectomia fotorrefractiva,
• queratomieleusia LASER in situ (LASIK).
Queratotomia radiária
Primeira cirurgia refractiva desenvolvida,
sendo, actualmente, um procedimento de
importância limitada, devido às inúmeras
desvantagens que apresenta.
É indicada para a correcção da miopia
moderada (inferior a 6D), através de 4 a 16
incisões radiais na córnea, de modo a achatar
a sua cúpula central e aumentar a inclinação da
Fig.6 Queratotomia radiária
periferia, reduzindo assim o seu poder refractivo.
Este método tem a vantagem de não interferir com o centro óptico da córnea.
No entanto, o resultado da cirurgia é influenciado pela refracção inicial, pressão
intra-ocular, espessura da córnea, idade e sexo do doente. As flutuações
refractivas, até 1,5D durante um dia, também podem ter uma influência negativa
nos resultados da cirurgia. No período de um ano, em 20% dos casos, a refracção
torna-se instável.
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LASER em Oftalmologia
Miopia Hipermetropia
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LASER em Oftalmologia
Está indicado para a correcção de miopia até -8D, ocasionalmente até -10D;
corrige a hipermetropia até +3D e o astigmatismo até 3D.
Tem a vantagem de ser um método com recuperação visual rápida,
resultados estáveis e indolor.
• olho seco (80% dos nervos corneanos são cortados pelo microquerátomo),
lacrimejo, ardor, vermelhidão, sensibilidade à luz;
• visão embaciada, agravamento da visão à noite, variação da visão com luz
fraca, normal ou intensa, halos em redor das luzes, clarões;
• cefaleias.
Para além destas, também poderão outras reacções adversas mais raras:
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LASER em Oftalmologia
• Capsulotomia posterior,
• Iridotomia,
• Membranas vítreo-retinianas.
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LASER em Oftalmologia
Caso Clínico 3
Análise
Ocorreu uma opacificação da cápsula.
Aproximadamente 30% dos doentes que são submetidos a tratamento cirúrgico de
catarata com extracção extracapsular da mesma desenvolvem uma catarata
secundária, visto que é removida apenas a porção central anterior da cápsula,
deixando células epiteliais intactas, que, por hiperplasia e migração celular, originam
uma opacificação da cápsula posterior do cristalino (a qual permaneceu quando a
catarata foi removida, para colocação da lente intra-ocular).
Isto pode comprometer a acuidade visual do doente, uma vez que ocorre no ponto
nodal do cristalino, onde os raios luminosos sofrem convergência.
Esta incidência depende de:
Tratamento
Esta situação pode ser corrigida através de capsulotomia posterior, durante a qual
se recorre ao Nd YAG LASER, para disrupção da porção central da cápsula
posterior opacificada do cristalino (emite energia capaz de formar um buraco na
cápsula posterior).
Deste modo, ocorre a desobstrução do eixo óptico, com melhoria imediata da
acuidade visual.
A lente intra-ocular não se desloca do seu local pois, entre a primeira cirurgia de
tratamento de catarata e a capsulotomia posterior, os suspensores da lente
fibrosaram (as lentes actuais ainda não permitem a acomodação), tendo esta ficado
suspensa na localização prévia do cristalino.
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LASER em Oftalmologia
Fotossensibilizante
Presença de Oxigénio
Um agente fotossensibilizante é um composto químico que pode ser excitado
por luz de determinado comprimento de onda. Na terapia fotodinâmica, um
fotossensibilizante ou um precursor metabólico é administrado ao doente. O
tecido é exposto a luz capaz de excitar o fotossensibilizante. Quando este se
encontra na proximidade de uma molécula de oxigénio, ocorre uma
transferência de energia, que permite ao fotossensibizante regressar ao estado
de repouso. Ocorre a formação de oxigénio singuleto 1O2, potente oxidante
que reage muito rapidamente com as biomoléculas vizinhas (os alvos
específicos dependem muito do fotossensibilizante escolhido). Estas reacções
destrutivas culminam na morte celular, por apoptose e necrose.
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LASER em Oftalmologia
Alvos celulares
• Membranas
• Mecanismos de transporte transmembranar
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LASER em Oftalmologia
Caso Clínico 4
Observação
Ortofórica, reflexos directo e consensual normais.
Acuidade visual: OD – 2/10; OE – 1/10 com correcção.
Biomicroscópio
Facoesclerose nuclear +/IV.
Retinografia
Edema difuso do pólo posterior, exsudados duros, hemorragias profundas.
Angiografia fluoresceínica
Extravasão de contraste, descolamento neurossensorial, neovascularização sub-
retiniana. Barreira hemato-retiniana interna incompetente (própria da
neovascularização da retinopatia) permite formação de exsudado para a retina.
Diagnóstico
Degenerescência macular ligada à idade.
Tratamento
Entre as opções terapêuticas disponíveis, encontra-se a Terapia fotodinâmica.
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LASER em Oftalmologia
A B
Fig.10 Terapêutica Fotodinâmica
A. A porfirina liga-se aos neovasos retinianos
B. A PDT actua no alvo marcado pelo pigmento
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LASER em Oftalmologia
Os instrumentos a
LASER são constituídos
basicamente por uma potente
corrente eléctrica que produz
um único e poderoso feixe
luminoso, que é concentrado
ao atravessar um tubo
contendo gases especiais,
como o árgon, o kripton ou o
Fig.11 Terapia por LASER
YAG.
8
Não abordado na aula.
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LASER em Oftalmologia
RETINOPATIA DIABÉTICA
No tratamento da retinopatia
diabética, não há evidências de que algum
tratamento clínico ou farmacológico tenha
sido eficaz. Apenas a fotocoagulação ou
a pan-fotocoagulação com LASER de
árgon tem mostrado bons resultados na
prevenção de alterações retinianas.
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LASER em Oftalmologia
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LASER em Oftalmologia
GLAUCOMA
conseguinte, a PIO.
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LASER em Oftalmologia
CATARATA
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LASER em Oftalmologia
ERROS DE REFRACÇÃO
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 10 de Janeiro de 2008
Disciplina: Oftalmologia Prof.: Carlos Neves
Tema da Aula Teórica: Glaucoma
Autor: Diva Trigo
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Fisiologia da Pressão Intra-Ocular
Humor aquoso
Pressão intra-ocular normal
Diagnóstico
Aumento da PIO
Razão “cup/disk” aumentada
Alterações (típicas) do campo visual
Glaucoma Congénito
Patofisiologia
Sinais e sintomas
Diagnóstico
Tratamento
Bibliografia
Anotada correspondente de 2006/2007, Alexandre Sepriano e Miguel Carracha
Lang, G; Ophthalmology – A Pocket Textbook Atlas, 1ª edição (2000) Thieme.
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Glaucoma
HUMOR AQUOSO
Produção
O corpo ciliar (fig.1-A) faz parte da úvea (túnica vascular do globo ocular),
situando-se entre a coroideia (posteriormente) e a íris (anteriormente). É
constituído pelos músculos ciliares e processos ciliares.
É no epitélio não-pigmentar dos processos ciliares que, mediante um processo
dependente da anidrase carbónica (secreção activa de bicarbonato), o humor
aquoso é produzido, a uma taxa de cerca de 2-6 μl/min. O seu volume total é de
cerca de 0,2-0,4mL, sendo, portanto, cerca de 1-2% deste volume substituído a cada
minuto. O humor aquoso tem como função assegurar a nutrição das estruturas
avasculares1 do globo ocular – a córnea e o cristalino.
1
A vascularização destas estruturas comprometeria a sua transparência.
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Glaucoma
Drenagem2
2
A maioria dos casos de glaucoma ocorre por diminuição da drenagem e não por aumento da
produção de humor aquoso.
3
Com pressão igual a zero ou até negativa, em condições fisiológicas, o que permite que funcionem
como válvulas, não permitindo a entrada de sangue venoso para o canal de Schlemm..
4
Veias episclerais aquosas » veias vorticosas » veias oftálmicas superiores e inferiores » seio
cavernoso.
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Glaucoma
Num doente com hipertensão ocular, importa prevenir lesões graves do nervo
óptico6.
Deste modo, numa primeira fase após o diagnóstico, a terapia tem como
objectivo reduzir em 20% a PIO detectada.
Daí a seis meses / um ano, o doente é reavaliado e, caso se detecte
progressão das lesões, a PIO deve ser reduzida mais 20%.
5
Em particular, a pressão nas veias jugulares (Pressão Venosa Central) que, quando aumentada (por
exemplo, durante uma manobra de Valsalva), condiciona uma aumento da resistência à drenagem do
humor aquoso.
6
Um doente com um nervo óptico particularmente bem vascularizado tolera maior PIO antes de
desenvolver lesões, do que outro doente com compromisso vascular.
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Glaucoma
Diagnóstico
Um indivíduo com hipertensão ocular pode ou não ter glaucoma, embora esta
constitua um factor de risco para o desenvolvimento da doença.
Da mesma forma, um doente normotenso a nível ocular, desde que cumpra os
dois requisitos seguintes, é diagnosticado como tendo glaucoma.
7
A seguir à diabetes mellitus.
8
Cujo corpo celular se encontra nas camadas mais superficiais da retina, indo sinapsar ao nível dos
corpos geniculados externos.
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Glaucoma
A B
Fig.2 Fundoscopia (olho direito): A) Disco óptico normal; B) Disco óptico glaucomatoso
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Glaucoma
Perimetria:
Perimetria Estática Computorizada (PEC),
Perimetria Cinética Manual (com movimento),
Método de avaliação segmentar, por meridianos.
9
Não esquecer que a imagem surge invertida e em espelho. Daí que imagens do campo visual nasal
superior tenham correspondência na área temporal inferior da retina.
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Glaucoma
Na rede trabecular:
indiferenciada
Indiferenciado;
GC 1% e/ou
aberto (gonioscopia)
com membrana
embrionária oclusiva
Aberto (estruturas
GPAA 90% visíveis e normais à Na rede trabecular
gonioscopia)
Fechado (estruturas
GPAE 5% não visíveis à Íris oclui rede trabecular
gonioscopia)
GC – glaucoma congénito; GPAA – glaucoma primário de ângulo aberto; GPAE – glaucoma primário
de ângulo estreito.
10
Esta aula incidiu apenas sobre glaucoma congénito e glaucomas primários do adulto (de ângulo
aberto e de ângulo estreito).
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Glaucoma
Glaucoma Congénito
PATOFISIOLOGIA
Esta doença consiste num defeito de drenagem do humor aquoso pela via
trabecular, pois existe uma membrana transparente de tecido embrionário –
membrana de Barkan – a recobrir a rede trabecular.
A criança nasce já com uma PIO muito aumentada.
SINAIS E SINTOMAS
A B
Fig.5 A) Buftalmos; B) Opacificação da córnea
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Glaucoma
DIAGNÓSTICO
Diagnóstico Diferencial
11
Devem-se evitar a anestesia geral, pois os barbitúricos e o halotano reduzem a PIO.
12
Estrias horizontais ou curvilíneas, resultantes de quebras na membrana de Descemet da córnea,
que podem exacerbar um edema da córnea (do estroma ou epitelial).
13
Isto porque o aumento da PIO só se dá após o desenvolvimento do olho (diferente mecanismo
fisiopatológico)
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Glaucoma
TRATAMENTO
Tratamento Cirúrgico
A) Trabeculotomia
Geralmente é o procedimento inicial, podendo ser realizada mesma se a
córnea estiver opacificada.
Fig.6 Trabeculotomia
B) Goniotomia
Não pode ser realizada se a córnea estiver opacificada.
Fig.7 Goniotomia
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Glaucoma
PATOFISIOLOGIA
SINAIS E SINTOMAS
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Glaucoma
DIAGNÓSTICO
Doentes com GPAA, com PIO normal, têm o chamado “glaucoma de pressão
normal”14 (preenchem os outros dois requisitos para diagnóstico). Geralmente
acompanha-se de história de crises hemodinâmicas (hemorragias gastrointestinais
ou uterinas, pressão arterial baixa e espasmos vasculares periféricos – mãos e pés
frios).
Diagnóstico Diferencial
PIO aumentada, mas sem qualquer dos outros dois critérios de diagnóstico:
Hipertensão ocular15.
TRATAMENTO
14
Do inglês: “low-tension glaucoma”.
15
A probabilidade de este doente vir a ter glaucoma aumenta quanto maior for a PIO, mais jovem ele
for e se tiver antecedentes familiares da doença.
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Glaucoma
Terapia Farmacológica
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Glaucoma
Efeitos secundários:
- Alteração da coloração da íris (16% dos doentes).
16
Também utilizados no GPAE, por promoverem a contracção do músculo ciliar e do constritor da
pupila, provocando miose que diminui a tensão ao nível do ângulo da câmara anterior.
17
Segundo o professor; porque, segundo o LIVRO: provocam contracção do músculo ciliar, com
aumento da esfericidade do cristalino que, por via mecânica, impulsiona o humor aquoso em direcção
à rede trabecular.
18
Só usado no Japão.
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Glaucoma
Directos
β-bloqueantes (timolol, betaxolol, carteolol, metipranolol, levobunolol)
Efeitos secundários:
- Diminuição da frequência cardíaca;
- Broncospasmos em doentes asmáticos.
Contra-indicações:
Usar com prudência em doentes com DPOC, insuficiência cardíaca ou arritmia
cardíaca (efeitos sistémicos, apesar de aplicação tópica).
Indirectos
Guanetidina
Efeitos secundários:
- “Red eye”
Efeitos secundários:
- Náuseas e anorexia;
- Depressão;
- Diminuição da líbido.
19
Também usados no GPAE.
20
Também actua na isoenzima renal.
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Glaucoma
Epinefrina e derivados
Efeitos secundários:
- Alergias;
- Depósitos de adenocromo na conjuntiva, que podem levar a obstrução dos
canalículos lacrimais.
Contra-indicações:
Usar com prudência em doentes com patologia cardiovascular (influenciam tónus
venoso).
21
Sem cristalino.
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Glaucoma
Tratamento Cirúrgico
B) Técnicas fistulizantes
Baseiam-se na criação de fístulas entre a câmara anterior e o espaço
subconjuntival, de forma a promover a drenagem de humor aquoso:
Trabeculectomia,
Esclerotomia profunda,
Viscocanulostomia.
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Glaucoma
PATOFISIOLOGIA
22
Segundo o LIVRO; o professor referiu ser frequente, mas penso que foi um lapso.
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Glaucoma
SINAIS E SINTOMAS
Surgem também:
Hiperémia conjuntival;
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Glaucoma
DIAGNÓSTICO
Diagnóstico Diferencial
Tumor cerebral.
PIO diminuída:
- Irite;
- Iridociclite.
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Glaucoma
TRATAMENTO
Se a PIO baixar nas primeiras seis horas, no dia seguinte intervém-se a nível
cirúrgico para eliminação da causa subjacente. A cirurgia imediata está indicada
quando não se consegue reduzir a PIO após seis horas de terapia farmacológica.
Terapia Farmacológica
Glicerina (oral)
Manitol (IV)23
Conta-indicações:
Usar com prudência em doentes com ICC.
23
Com acção renal, provocando a diurese hiperosmótica..
24
Também usados no GPAA.
25
Também actua na isoenzima renal.
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Glaucoma
Directos
Pilocarpina
C) Terapia sintomática
Morfina
C.2) Antieméticos
C.3) Sedativos
26
Também utilizados no GPAA, por diminuírem a resistência no canal de Schlemm.
27
A pressão no corpo vítreo é reduzida; logo, o deslocamento anterior do cristalino não é tão
pronunciado.
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Glaucoma
Tratamento Cirúrgico
B) Iridectomia
Pode ser realizada quando a córnea está opacificada; também utilizada se a
íris for demasiado espessa.
Notas:
Atenção às medicações cardiovasculares e anti-hipertensoras em doentes
com GPAA, devido à possível pioria ao nível dos campos visuais.
Atenção ao uso de antidepressivos em casos de GPAE.
28
Daí a importância do tratamento médico prévio.
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 24 de Janeiro de 2008
Disciplina: Oftalmologia Prof.: Conceição Neves
Tema do Seminário: Estrabismo na Criança e no Adulto
Autor: Ana Maçãs e Rita Nair Diaz
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Temas da Aula
Definição de estrabismo
Elemento motor
Elemento sensorial
Rastreio precoce
Casos clínicos
Subvisão
Bibliografia
Anotada do ano anterior
Slides da aula
Lang G, Ophthalmology - a pocket textbook atlas, 2ªedição (2007), Thieme
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Estrabismo na Criança e no Adulto
Definição de Estrabismo
Elemento Motor
TIPOS DE ESTRABISMO
Convergente
Divergente
Vertical
Estrabismo convergente
Estrabismo divergente
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Estrabismo na Criança e no Adulto
Foria – Tropia
Alternante – Unilateral
Intermitente – Constante
Concomitante – Incomitante
Foria
Há um desvio latente evidenciado com manobras utilizadas para estudar o
olhar. Ou seja, normalmente não se observa nenhum desvio, contudo, com o
aparelho óculo-motor em stress (ex. pelo efeito do cansaço, luz intensa, consumo
de substâncias, febre, etc.) o desvio revela-se – estrabismo latente. Uma
manobra que se utiliza para identificar este desvio é o cover test alternado.
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Estrabismo na Criança e no Adulto
Tropia
Quando um desvio é perceptível sem qualquer intervenção. Por exemplo,
quando um desvio divergente se encontra manifesto, utiliza-se o termo exotropia.
Já quando se trata de um desvio convergente, utiliza-se o termo esotropia ou
endotropia.
Alternante
Quando o olho fixador alterna consoante a
necessidade (quando a pessoa olha para a direita é o
olho direito o fixador, quando olha para a esquerda, é o
olho esquerdo que fixa). Este atributo será perceptível
nas crianças, uma vez que ainda mantêm uma boa
plasticidade cerebral, responsável pelos fenómenos de
supressão (assunto abordado mais à frente). É também Fig. 5 – Estrabismo
alternante.
posto em evidência com um simples cover test.
Unilateral
Ao contrário do anterior, o olho fixador é sempre o mesmo.
Constante
O desvio mantém-se constante ao longo do dia.
Intermitente
O desvio só existe nalguns momentos do dia. Este tipo de estrabismo não
deve ser confundido com foria, que é latente e se manifesta em situações de
stress.
Incomitante
O desvio varia consoante as posições do olhar (associado ao estrabismo
parético).
Concomitante
O desvio apresenta-se igual nas várias posições do olhar (associado ao
estrabismo infantil).
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Estrabismo na Criança e no Adulto
Elemento Sensorial
Confusão
Implica a projecção de duas imagens
diferentes na mesma área da retina, devido
a um desequilíbrio dos eixos visuais.
Traduz-se na percepção de dois objectos
diferentes na mesma localização espacial.
Supressão
Consiste num mecanismo cortical de
eliminação da imagem captada pelo olho
desviado. Origina um escotoma de supressão,
que é maior na região da fóvea, não existindo
na visão monocular (em que se vê os objectos
apenas de um olho, não ocorrendo conflito).
Esse escotoma de supressão é facultativo
(tapando o olho fixador, o outro olho deixa de
Fig. 7 – Mecanismo de supressão. ser inibido). É um fenómeno que ocorre apenas
na criança, em que ainda há plasticidade
cerebral.
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Estrabismo na Criança e no Adulto
Diplopia
Consiste na percepção do mesmo objecto
em duas localizações espaciais diferentes (na
retina). Na criança, a diplopia é periódica
levando à supressão1, após algum tempo No
caso de uma esotropia do olho esquerdo,
verificar-se-á um escotoma nasal de
supressão, no caso de uma exotropia do olho
Fig. 8 – Mecanismo de diplopia.
esquerdo verificar-se-á um escotoma temporal
de supressão.
Ambliopia
Caracteriza-se por uma diminuição da acuidade visual, como consequência
de um período prolongado de supressão. No estrabismo intermitente, não ocorre
ambliopia, uma vez que a supressão não é constante.
Apesar da diminuição da acuidade visual
(a supressão ocorre na área cortical
correspondente à fóvea, onde as imagens
são percepcionadas com maior detalhe), o
olho amblíope continua a ser útil porque
permite aumentar o campo visual (as áreas
correspondentes às regiões periféricas da
retina, principalmente as referentes ao campo
Fig. 9 – Mecanismo de ambliopia.
de visão monocular, não são suprimidas).
1
Os escotomas de supressão existem nas áreas de confusão e diplopia.
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Estrabismo na Criança e no Adulto
Rastreio Precoce
Método de Hirschberg
Consiste em fazer incidir um feixe de luz sobre a
córnea e verificar a posição do ponto de luz
provocado pelo reflexo da luz na mesma (reflexo
querático). Na ortoforia, o ponto de luz encontra-se
centrado no orifício pupilar em ambos os olhos.
Numa situação de estrabismo convergente, o ponto
de luz está para fora do orifício pupilar. Em caso de
Fig.10 - (A) reflexo querático
estrabismo divergente, o ponto de luz encontra-se em ortoforia, (B) esotropia, (C)
para dentro do orifício pupilar. exotropia.
2
O estrabismo é a segunda patologia mais frequente nas crianças, sendo a mais comum a patologia
dos erros de refracção.
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Estrabismo na Criança e no Adulto
“Cover Test”
Quando se tapa o olho
fixador, o outro, que
anteriormente estava suprimido,
passa a fixar o objecto,
observando-se um desvio nesse
olho. Essa leitura faz-se em dois
passos, ao longe e ao perto.
Com este teste, é possível
distinguir um estrabismo
alternante de um unilateral.
Fig.11
Videorefracção3
Avalia a refracção do olho do bebé.
3
Abordados em aulas de anos passados
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Estrabismo na Criança e no Adulto
Casos Clínicos
Estes factores evidenciam uma perturbação que se instalou muito cedo, não
sendo suficiente a correcção do elemento motor.
PSEUDO ESTRABISMO
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Estrabismo na Criança e no Adulto
ESOTROPIA ACOMODATIVA
EXOTROPIA CONGÉNITA
EXOTROPIA INTERMITENTE
Este é o tipo de estrabismo mais frequente, com início até aos 4 anos.
O ângulo de desvio está presente apenas quando o doente olha para o longe
(existe diplopia); o doente tem uma visão binocular normal para a fixação ao perto. A
imagem proveniente do olho desviado é suprimida.
Podem também existir queixas de astenopia.
Esta forma de estrabismo pode apresentar-se como uma desordem latente nos
casos menos graves, sendo que a exotropia intermitente apenas começa a
manifestar-se em determinadas situações tais como a fadiga, stress e ansiedade.
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Estrabismo na Criança e no Adulto
ESTRABISMO PARÉTICO
Miosite,
Pseudotumor da órbita,
Oftalmopatia tiroideia (exoftalmia na doença de Graves).
Subvisão
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Anotadas do 4º Ano – 2007/08 Data: 24 de Janeiro de 2008
Disciplina: Oftalmologia Prof.: António Castanheira Dinis
Tema da Aula Teórica: Neuroftalmologia e Órbita
Autor: Ana Sofia Figueira
Equipa Revisora: Carlos Vila Nova e Pedro Freitas
Órbita
Introdução
Exoftalmia – Quadros Clínicos
Bibliografia
Ophthalmology, A Pocket Textbook Atlas, Lang
Semiologia Médica, J. L. Ducla Soares
Neuroanatomia Clínica, Richard S. Snell
Semiologia do Sistema Nervoso, Miller Guerra
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Neuroftalmologia e Órbita
Neuroftalmologia
SISTEMA VISUAL
1. Nervo Óptico
É constituído pelos axónios das células ganglionares de cada retina.
2. Quiasma Óptico
Corresponde ao local de cruzamento das fibras ópticas nasais de cada
retina (incluindo as fibras nasais da mácula), continuando estas pela fita
óptica contralateral; as fibras provenientes da porção temporal de cada
retina (incluindo a mácula) não cruzam, continuando pela fita óptica
ipsilateral.
3. Fita óptica
Emerge do quiasma óptico, sendo constituída pelas fibras provenientes da
porção temporal da retina ipsilateral e pelas fibras provenientes da porção
nasal da retina contralateral; termina no corpo geniculado externo, embora
algumas das suas fibras passem para os núcleos pré-tectais e para o
tubérculo quadrigémio anterior ou colículo superior (estruturas envolvidas
nos reflexos pupilares).
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Neuroftalmologia e Órbita
6. Córtex visual
Localiza-se no lobo occipital e corresponde às áreas visuais primária e
secundária (de associação). A este nível, a metade direita do campo visual
está representada no córtex visual do hemisfério cerebral esquerdo e a
metade esquerda do campo visual está representada no córtex visual do
hemisfério direito. É ainda de referir que a porção superior do campo visual
está representada no lábio inferior do sulco calcarino e a porção inferior do
campo visual tem representação no lábio superior do sulco calcarino.
De notar que a visão não é estritamente occipital, envolvendo também
outras estruturas corticais e as conexões entre elas.
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Neuroftalmologia e Órbita
Inflamatória;
Auto-imune – neste grupo, são de realçar as doenças desmielinizantes,
em particular a esclerose múltipla, que pode ter como primeira
manifestação uma perturbação da acuidade visual1;
Vascular – é a etiologia mais frequente;
Tóxica – existem fármacos que podem afectar o SNC, o nervo óptico ou a
retina, como é o caso do Etambutol, que pode originar neuropatias, com
perturbação da acuidade visual;
Compressiva – por exemplo, um meningioma.
1
É importante considerar o diagnóstico de esclerose múltipla em casos de indivíduos jovens,
particularmente mulheres, que apresentem uma disfunção visual súbita.
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Neuroftalmologia e Órbita
Acuidade Visual
Motilidade Ocular
Fundo Ocular
Campos Visuais
Visão Cromática
Imagiologia – Rx simples, TC e RM
2
O conhecimento de todos os passos da avaliação oftalmológica de um doente é essencial para o
exame.
3
Embora não tenha sido referido na aula e não conste dos handouts disponibilizados, o atlas de
oftalmologia inclui ainda nos exames electrofisiológicos o OCT – tomografia de coerência óptica.
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Neuroftalmologia e Órbita
Nevrite Óptica
Neuropatia Óptica Isquémica
Neuropatia Óptica Compressiva
Nevrite Óptica
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Neuroftalmologia e Órbita
Apresentação clínica
4
Nesta situação, o doente não consegue ver nada devido à presença de um escotoma central. No
entanto, a fundoscopia revela um fundo ocular normal.
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Neuroftalmologia e Órbita
Pode ser Arterítica ou Não Arterítica. Caracteriza-se, de uma maneira geral, por
palidez e edema do disco óptico, perda súbita de visão e diminuição da perfusão
do disco óptico (este último visível através de angiografia fluoresceínica). Uma
afecção segmentar é sugestiva de causa não-arterítica, enquanto que uma afecção
difusa é sugestiva de causa arterítica.
Apresentação clínica
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Neuroftalmologia e Órbita
Apresentação clínica
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Neuroftalmologia e Órbita
MENINGIOMA
Apresentação clínica
Etiologia – Embora não exista uma teoria satisfatória para explicar a relação
entre o aumento da pressão intracraniana e o edema da papila pensa-se que esta
relação se baseará num modelo mecânico segundo o qual o aumento da pressão
intracraniana e o impedimento do fluxo axonal através da lâmina crivosa estreitada
originam edema das fibras nervosas. Contudo, não existe uma correlação definitiva
entre estes dois eventos, pelo que se considera o edema da papila como um sinal
inespecífico do aumento da pressão intracraniana.
5
Existem outras formas de papiledema (não referidas na aula) nomeadamente o papiledema
hipotensivo, que resulta de uma hipotensão intra-ocular secundária a trauma ou fístula.
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Neuroftalmologia e Órbita
Apresentação clínica
6
Pseudotumor cerebri corresponde a um aumento de pressão intracraniana sem causa conhecida,
que se acompanha de edema da papila. Este diagnóstico só deve ser considerado quando todas as
outras causas tenham sido excluídas; afecta principalmente mulheres obesas
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Neuroftalmologia e Órbita
Inferiormente a hipófise;
A definir o bordo externo a artéria carótida interna;
Superiormente o hipotálamo e a porção anterior dos hemisférios
cerebrais.
7
Tumores da bolsa de Rathke.
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Neuroftalmologia e Órbita
Adenoma da Hipófise,
Craniofaringioma,
Meningioma,
Aneurisma,
Outras causas.
Adenoma da Hipófise
Craniofaringioma
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Neuroftalmologia e Órbita
Meningioma
Aneurisma
Outras causas
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Neuroftalmologia e Órbita
Cegueira cortical
As lesões bilaterais do córtex visual originam alterações de ambos os
hemicampos visuais (nasal e temporal) e cursam com reflexos pupilares e
disco óptico normais.
Agnosia visual
Ocorre quando há lesão da área visual secundária ou de associação,
originando uma incapacidade de reconhecer ou interpretar a informação
visual. Os reflexos pupilares e o disco óptico encontram-se normais.
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Neuroftalmologia e Órbita
DISFUNÇÕES EFERENTES
No contexto dos defeitos pupilares eferentes foi feita referência à paralisia do III
par (cuja descrição se encontra adiante) e ainda ao Síndrome de Claude Bernard-
Horner (ver caixa seguinte)
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Neuroftalmologia e Órbita
Paralisia do IV par
É rara e difícil de revelar directamente; a diplopia é muitas vezes o único
sintoma.
Paralisia do VI par
A mais frequente; origina estrabismo convergente e diplopia.
Miastenia gravis
Consiste numa perturbação da transmissão neuromuscular caracterizada
pela existência de auto-anticorpos contra os receptores de acetilcolina.
Causa a paralisia dos músculos palpebrais e oculomotores, cursando com
ptose palpebral e diplopia. Acentua-se ao longo do dia.
Doença de Graves
Patologia auto-imune, que causa disfunção da glândula tiroideia. A nível
oftalmológico, cursa com exoftalmia bilateral (esta patologia encontra-se
descrita adiante, no contexto das doenças da órbita).
8
Pode ser considerada “providencial” para o doente, na medida em que impede a diplopia, resultante
do estrabismo divergente.
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Neuroftalmologia e Órbita
INTRODUÇÃO
Extracónica.
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Neuroftalmologia e Órbita
PROPTOSE – EXOFTALMIA9
9
o Professor deu uma grande importância a este tema
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Neuroftalmologia e Órbita
Acuidade Visual;
Motilidade Ocular;
Campos Visuais;
Fundo Ocular;
RMN;
10
Esta técnica não foi abordada na aula;
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Neuroftalmologia e Órbita
Hemangioma cavernoso,
Mieloma múltiplo,
Linfoma,
Rabdomiossarcoma,
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Neuroftalmologia e Órbita
Doença de Graves
Apresentação clínica
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Neuroftalmologia e Órbita
Celulite Orbitária
Apresentação clínica
Exoftalmia;
Quemose;
Hiperémia conjuntival;
Edema palpebral;
Limitação severa da motilidade ocular;
Dor ocular (exacerbada pelos movimentos oculares);
Febre;
Taquicardia;
Mal-estar geral;
Velocidade de sedimentação aumentada;
Leucocitose.
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Neuroftalmologia e Órbita
Deve ser feita distinção entre a celulite orbitária pré-septal (situação mais
frequente e de menor gravidade na qual estão ausentes a quemose e a limitação
dos movimentos oculares) e a celulite orbitária pós-septal. Esta última pode evoluir
para uma panoftalmite com neurite óptica, que conduz a atrofia e perda da acuidade
visual, trombose do seio cavernoso, meningite, abcesso cerebral ou sépsis.
Fístula Carótido-Cavernosa
Apresentação clínica
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Rotação Cirurgia – Anotada de Oftalmologia
Data: 15/11/2012
Docente: Drª Luisa Coutinho Santo
Tema: Fármacos em oftalmologia
Anotada por: Henrique Carvalho
Corrigida por: Miguel Duarte
Comissão de desgravadas 0915
Fármacos em oftalmologia
Em oftalmologia, a aplicação de fármacos é um aspecto importante. Os diversos tipos de
fármacos utilizados têm funções específicas para cada objectivo, seja ele terapêutico (ex:
antibióticos em processos infeciosos), o mesmo como auxiliar à realização de exames (ex: a
administração de midriáticos antes da realização de uma fundoscopia). Neste sentido, é
importante que sejam tidas em conta as seguintes premissas:
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As principais classes farmacológicas utilizadas neste contexto são então:
Generalidades
Os principais veículos de
administração dos fármacos em
oftalmologia são:
1. Colírios: as chamadas
“gotinhas” de fármaco em
solução;
2. Suspensão: o fármaco
não se encontra dissolvido no
colírio. É pois necessário agitar antes de utilizar;
3. Pomada ou gel: a pomada é mais consistente que o gel; este último tende a
dissolver-se no conteúdo líquido composto pela secreção lacrimal e filme ocular;
4. Preparações de libertação lenta;
5. Lipossomas: caso os fármacos tenham teor lipídico.
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Barreiras à penetração do fármaco
São inúmeras as barreiras que se opõe a penetração dos fármacos, ou que, em última
análise e por razões fisiológicas, determinam uma menor absorção local dos mesmos. Por
outro lado, é igualmente importante saber qual a estrutura do globo ocular na qual
pretendemos administrar o fármaco. Isto condiciona bastante as vias de administração. Assim,
consideramos são consideradas as seguintes
barreiras:
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Considerações relativas à aplicação de fármacos em oftalmologia.
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g. Ao utilizar dois colírios diferentes, dar um intervalo de 5 minutos de um para o
outro, para que cada um possa fazer seu efeito.
2. Pomada: a sua consistência mais pastosa e resistente permite uma maior estabilidade,
e portanto, efeito farmacológico mais prolongado no local de aplicação. Uma
consequência, tão importante quanto óbvia, e a impossibilidade de o doente ver pelo
olho onde lhe foi aplicada a pomada, razão pela qual é administrada sobretudo à
noite, em adultos. Pode também ser utilizado em crianças durante o dia, na medida
em que, por ser mais estável, obvia a necessidade de aplicação constante de colírios.
Quando aplicada diurnamente, é necessária a aplicação de um penso ocular).
Métodos de administração
específicas
1. Lentes de contacto terapêuticas: Servem
para tratar distúrbios não-refractivos do
olho. Costuma ser usado após cirurgias
corretivas;
2. Subconjuntival
3. Intracamerular: administração de fármaco
na câmera anterior; a injecção deve ser feita
com a agulha paralela à iris de modo a não lesar esta, nem o cristalino (se lesar
cristalino pode causar catarata); permite passagem da barreira hemato-retiniana;
4. Peribulbar: não penetra no cone muscular;
5. Retrobulbar: penetra no cone muscular, podendo ser usada para paralisar os músculos
peri-orbitários;
6. Intravítrea: consiste na administração de alguma medicação no corpo vítreo. A
injecção é feita a 4mm da pars plana de modo a atingir-se a câmera posterior sem
causar descolamentos da retina. Actualmente, as injecções são indicadas para o
tratamento de degeneração macular ligada a idade (DMLI) exsudativa e outras causas
de neovascularização. É uma via de administração usada normalmente em doenças da
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retina. A posição e a fisiologia da retina pouco
“isolado” e a concentração de drogas
administradas por via tópica (colírios) ou
sistêmica é em geral muito baixa no nível da
retina. A injecção intravítrea é um
procedimento invasivo e deve ser feito por
oftalmologista habituado ao mesmo e mesmo
assim não é isento de riscos. As principais
complicações relacionadas a injeção são o aumento da pressão intra-ocular
(normalmente, se se previr um aumento significativo da pressão ocular, retira-se
cirurgicamente e antes da administração, um pouco do humor aquoso), hemorragia
vítrea, descolamento de retina e endoftalmite. A injecção deve ser realizada em centro
cirúrgico com técnicas assépticas sob anestesia tópica ou local e o acompanhamento
após o procedimento deve ser rigoroso.
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3. Tropicamida: 6 h de efeito farmacológico (é o mais
utilizado em contexto de realização de fundoscopia)
ii. Agonistas α-adrenérgicos, semi vida-curta e efeitos simpáticos
vasculares e cardíacos
consideráveis. Não são
cicloplégicos
1. Fenilferina.
3. Antibióticos:
a. 1ª linha: Cloranfenicol:
Inibidor da síntese proteica por bloqueio ribossomal bacteriano (não afecta os
ribossomas humanos). Tem como grande contra indicação a administração em
recém-nascidos, por poder provocar a síndrome do bebé cinzento.
b. 2ª linha: Aminoglicosídeos
(gentamicina, becanamicina)
c. Quinolonas (ciprofloxacina,
norfloxacina e ofloxacina)
d. Ácido fusídico: bacteriostático,
frequentemente usado topicamente
em pomadas e gotas oftálmicas e
sobretudo em gel, em contexto
pediátrico.
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4. Lubrificantes oculares (metilcelulose, povidona, hialuronato de sódio):
i. A povidona tem
propriedades anti-sépticas e
bacteriostáticas;
ii. A metilcelulose é
bastante utilizada no
tratamento da
queratoconjuntivite ou
mesmo como revestidor de lentes de contacto (são inclusive
designadas de lágrimas artificiais);
Neste contexto, é desaconselhado o uso recorrente de monodoses, na medida em que
este procedimento acarreta custos e desperdícios evitáveis, tendo em conta que são
utilizados com alguma regularidade em doentes com queixa de “vista seca” ou com
lentes de contacto. Sugere-se pois a utilização de colírio, gel ou pomada, rejeitando
sempre a primeira porção de fármaco retirada, como forma de prevenção de utilização
de fármacos contaminados. As monodoses apenas devem ser utilizadas em contextos
de alergia a conservantes do fármaco.
5. Anti-inflamatórios: Utilizam-se
com a principal função de resolver
estados de inflamação ocular. Existem
as seguintes categorias:
a. AINE’s;
b. Corticosteróides:
utilizados no tratamento de
uveíte, escelrite e redução da
inflamação associada a
intervenções cirúrgicas
oculares. A sua utilização deve ser o mais precoce e apenas no tempo
estritamente necessário, sempre com vigilância rigorosa do oftalmologista.
Pelo facto de possuírem características supressoras imunitárias, anti-
inflamatórias e hiperglicemiantes, atrasam a resolução de infecções oculares,
atrasam a regeneração ocular fisiológica, promovendo o adelgaçamento da
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córnea e esclerótica, promovendo o risco de perfuração e aumento de
susceptibilidade a infecções. O seu uso indiscriminado pode promover o
glaucoma e a catarata. Por tudo isto, o seu uso em afecções oculares mal
caracterizadas não é aconselhado.
c. Antialérgicos: Inibem essencialmente a via das histaminas, envolvidas
na reacção alérgica atópica.
i. • Anti-histamínicos (azelastina)
ii. • Inibidores da desgranulação dos mastócitos (cromoglicato de
sódio)
iii. • Acção mista (cetotifeno, emedastina, epinastina)
6. Antiglaucomatosos: redução da
pressão intra-ocular
a. Mióticos: Pilocarpina
b. ß-Bloqueantes: Timolol,
Betaxolol, Carteolol
c. Simpaticomiméticos:
Apraclonidina, Brimonidina
d. Inibidores da anidrase
carbónica: actuam por redução
da secreção de humor aquoso. O
efeito sistémico mais importante
é uma diurese ligeira com hipocaliémia. Quando é indispensável o seu uso
prolongado, as alterações do equilíbrio hidro-electrolítico e a acidose devem
ser compensadas com a administração de hidrogenocarbonato de potássio:
i. Tópicos: Brinzolamida, Dorzolamida
ii. Sistémicos: Acetazolamida
e. Análogos das prostaglandinas: (Latanoprost, Travoprost, Bimatoprost):
reduzem a pressão ocular por aumento da drenagem de humor aquoso. Este
grupo de fármacos tem vindo a ocupar uma posição de destaque entre os
fármacos de primeira escolha. Apresentam uma baixa incidência de reacções
adversas. Parecem partilhar a capacidade de alterarem a pigmentação da íris e
embora tal não pareça prejudicar a visão, há o risco de surgir heterocromia,
permanente ou de regressão lenta, em doentes que instilem estes fármacos
unilateralmente. Provocam igualmente um aumento da pilosidade nas
pestanas.
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Bibliografia:
Apontamentos de colegas
Harrison’s, Principles of the Internal Medicine, 17th Edition, Mc Graw Hill
http://www.dgsaude.min-saude.pt/visao/prontuario_terapeutico-
Oftalmologia.pdf
www.wikipedia.com
www.Infarmed.pt
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Módulo IX - Oftalmologia
comissaodecurso1117@aefml.pt https://sites.google.com/site/comissaodecursofml20112017
Índice
1. Introdução
2. Caso Clínico 1
3. Caso Clínico 2
4. Caso Clínico 3
5. Lista de Doenças Oculares Hereditárias
6. Doenças Oculares Multi-génicas
7. Conclusão e Considerações Éticas
Bibliografia
- Slides da aula;
- LANG, G., Ophthalmology: A pocket textbook Atlas, Thieme, 2007;
- Medscape.
1. INTRODUÇÃO
A aula de hoje é uma aula que trata de conceitos básicos que foram já abordados na cadeira
de Genética e da cadeira de Farmacologia, nomeadamente quando foi abordada a área de
farmacogenética. O importante é usar as ferramentas já aprendidas para, na prática clínica,
especialmente na parte de Oftalmologia, saber identificar as doenças que devem ser
encaminhadas para uma consulta de genética e porque deve ser feito esse
encaminhamento.
condicionarem o aparecimento de
patologias, a presença de polimorfismos pode ser significativa para saber se um doente
responderá ou não a determinado tratamento (no momento de decisão terapêutica, depois
de se identificar a patologia, é por vezes necessário saber se o indivíduo responderá ao
fármaco X ou se a resposta será nula pois o alvo está pura e simplesmente bloqueado).
Portanto a área da genética intervém não só na fisiopatologia mas também na terapêutica,
pois é essencial para o desenvolvimento de terapêuticas taylor made para cada um dos
doentes. No caso da oftalmologia isto é muito importante, como será durante esta aula.
A maior parte das pessoas que vêm a consultas de oftalmologia tem 70 ou 80 anos, por
isso é muitas vezes difícil construir a sua árvore genealógica - a informação sobre o pai ou
o avô é muito escassa. Por vezes, nestes casos, é necessário interpretar informação como
‘cegou aos 40 ou 50 anos’ pois poderá fornecer-nos dados. Quando estamos perante uma
doença com início na infância ou em pessoas jovens, os padrões familiares são mais
facilmente reconhecíveis.
Se o doente for enviado para a consulta de genética já com um diagnóstico provável menos
genes serão testados e menos dispendioso será o estudo daquele indivíduo. O colega da
consulta de genética poderá pesquisar os sintomas de outros sistemas, mas na área
oftalmológica (sendo uma área muito específica) é essencial fazer uma descrição objetiva
e o mais detalhada possível. Caso isso não seja feito, o colega da genética vai ser induzido,
Exemplo: Um doente seguido em consulta que tem 250 micras de espessura da córnea
(metade do que a pessoa deve ter) e diz que tem 3 ou 4 pessoas da família cegas que
estão acamadas. Tem uma pressão intraocular elevada mas não é ainda possível fazer o
diagnóstico de glaucoma, no entanto, apresenta já uma perda de campo visual. Este doente
foi enviado para a consulta de genética com o diagnóstico possível de glaucoma – assim,
o colega de genética poderá estudar especificamente os genes relacionados com o
glaucoma congénito.
Mesmo quando os dados colhidos na consulta de oftalmologia são suficientes para fazer o
diagnóstico, se esse diagnóstico for de uma doença heredo-familiar o doente deve ser
sempre encaminhado para uma consulta de genética.
A consulta de genética é essencial não só para construir uma história familiar consistente
(recolha de todos os dados e construção de uma árvore genealógica detalhada) mas
também para determinar qual o gene envolvido e qual o prognóstico - o doente quer saber
se vai cegar em 5, 10, 15 anos, para eventualmente organizar a sua vida. Se o gene está
truncado em dois sítios ou apenas em um sítio, o prognóstico é diferente. Na consulta de
genética é possível determinar se o genótipo específico do indivíduos está associado a um
fenótipo de melhor ou pior prognóstico.
2. CASO CLÍNICO 1
Figura 3
2
Figura 4
Há doentes que estão constantemente a cair, têm de usar muletas, têm muitos acidentes e
só com idade bastante avançada vão a uma consulta. Do ponto de vista sintomatológico
este doente queixa-se de falta de visão periférica. Assim, é necessário realizar uma
dilatação das pupilas antes da observação do doente, pois o que queremos observar é a
retina periférica (sem dilatação pupilar o que se observaria seria só o pólo posterior, que,
considerando as queixas, estará provavelmente normal).
Ao exame objetivo, o doente apresenta uma perda marcada da acuidade visual central, tem
3/10 do olho direito, 2/10 do olho esquerdo. A perda de visão periférica podia ser indicativa
de uma doença como um glaucoma que dá perda de visão periférica primeiro - no entanto,
esta hipótese é excluída pois o doente apresenta pressões intra-oculares normais.
Figura 5
Este fundo ocular é praticamente patognomónico de uma Retinose Pigmentar, onde existe
uma hiperpigmentação periférica, ou seja, temos uma hipertrofia do epitélio pigmentar que
começa perifericamente (parecem pequenas espículas ósseas que começam a crescer
centripetamente). Com essa proliferação, o epitélio pigmentar começa a deixar de funcionar
pois o metabolismo da rodopsina1 fica comprometido – assim, vamos ter uma progressiva
perda de visão periférica. Gradualmente, vai-se instalando uma palidez papilar e vai criar-
se uma predisposição para o desenvolvimento de cataratas subcapsulares posteriores (que
nestes doentes acontecem muito cedo).
uma pessoa que apresente também uma alteração deste gene, e neste caso a criança pode
apresentar alterações clinicamente relevantes.
1A rodopsina é uma proteína transmembranar que se encontra nos bastonetes, encontrados no epitélio
pigmentar da retina.
Infelizmente não há nada a fazer, não temos forma de bloquear a progressão desta doença
pois não sabemos muitas vez qual o género específico - apesar de sabermos que é o
metabolismo da rodopsina que está alterado, não sabemos qual a parte que está alterada
(pode ser uma alteração na sua formação, no seu catabolismo, na própria GTPase). Assim,
não há muito a fazer a não ser explicar ao doente o prognóstico e fazer um rastreio à família,
não só para ele próprio conseguir perceber como se processa o planeamento familiar mas
também para tentar criar uma rede de apoio.
3. CASO CLÍNICO 2
Figura 7
Este é um caso relativamente fácil de
diagnosticar - uma criança que nasce com nistagmo, quais as patologias mais prováveis?
Nistagmo não implica, à partida, que seja uma patologia genética, mas sim de que a criança
não tem uma capacidade de captação. Até uma criança que nasça com cataratas
congénitas, por exemplo, apresenta um nistagmo (como não tem visão central, não
consegue maturar o córtex e vai existir sempre um movimento involuntário).
Há uma coisa que não devemos esquecer: se numa fase inicial houver pouca estimulação
do córtex visual isso deixará sequelas, mesmo que a situação regrida. Por exemplo, se
existir uma persistência do vítreo ou uma persistência da vasculatura fetal, mesmo que
passado algum tempo houver reabsorção (no primeiro caso) e regressão dos vasos por
normalização da Pa O2 (no segundo caso) e portanto o córtex volte a ser estimulado
normalmente, as sequelas irão sempre existir. Isto acontece pois a maturação do córtex
visual não foi completa.
Figura 8
O que está de anormal nesta fundoscopia? Serão normais todos estes vasos?
O que se observa são os vasos da coróide. Praticamente não há retina, ou neste caso, a
retina é transparente. Como não é possível observar o epitélio pigmentar, e sendo a retina
mais transparente, conseguem-se observar os vasos da coróide. A zona mais acastanhada
é a zona da retina que está mais poupada, onde há maior concentração de epitélio
pigmentar.
2
A observação do fundo ocular na criança tem que ser feita com recurso a um blefarostato, para
conseguirmos imobilizar as pálpebras.
Esta doença é uma doença autossómica recessiva e portanto há aqui mais uma vez uma
alteração do metabolismo intracelular não só do fotorreceptor, mas do epitélio pigmentar da
retina. Este fotorreceptor ainda pode, numa fase inicial, corresponder a um electro-
oculograma normal se o epitélio pigmentar da retina ainda estiver a funcionar, mas
eventualmente vai-se apagando. Uma das maneiras de fazer diagnósticos diferenciais entre
este tipo de doenças é realizar um electro-retinograma (funcionalidade do fotorreceptor) e
um electro-oculograma (funcionalidade do epitélio pigmentar da retina), e perceber se
atacam primariamente o fotorreceptor ou se o epitélio pigmentar ainda está a funcionar.
4. CASO CLÍNICO 3
Figura 10
É essencialmente nesta fase do desenvolvimento que estas doenças são evidenciadas pois
é nesta idade (6-7 anos) que a criança começa a escrever, a fazer cópias – vamos então
aperceber-nos de um defeito na visão central. A visão periférica, que faz com ele possa
correr, subir e descer escadas, fazer o seu dia-a-dia, não está afetada.
Figura 11
A figura 11 representa uma degenerescência macular, só que neste caso não está
relacionada com a idade – aparece logo após o nascimento. Tem as mesmas queixas que
a DMIL, e denomina-se Doença de Stargardt, sendo que não há qualquer espécie de
tratamento. É uma doença autossómica
recessiva, esta pessoa terá sempre visão
periférica e terá vida do quotidiano
independente. No entanto, a leitura e a escrita
estará sempre debilitada, visto que não há
visão central. É preciso treinar as crianças
com esta patologia e principalmente explicar
3
O professor apresentou uma lista com inúmeras doenças genéticas oculares, tendo destacado e explicado as que
considerou mais relevantes.
Grande parte destas caracterizações dos genes, quer sejam relacionados com a estrutura
central da córnea ou com a pressão intra-ocular, faz com que a pessoa esteja mais próximo
de um glaucoma com tensão elevada ou um glaucoma normotensional, que é um glaucoma
que se desenvolve apesar das pressões estarem aparentemente normais. O que vamos à
procura é de um gene que nos permita sinalizar estes doentes, isto porque doentes com
glaucoma normotensional têm geralmente um melhor prognóstico do que doentes com
glaucoma de tensões mais elevadas (aquele tipo de glaucoma em que se tiverem com 40
mm/Hg dificilmente se evita um avanço rápido da doença). Sendo assim, está a
desenvolver-se o GlaucoCard, em que os doentes são sinalizados e que nos diz que dado
os polimorfismos que o doente tem para os 20/30 genes que testámos irá responder melhor
ao fármaco A e não tanto ao B, com o intuito de dirigir da melhor forma a terapêutica.
Em conclusão, este é um campo que tem tido um avanço espetacular do ponto de vista
oftalmológico - em termos de publicações é um campo exponencial. Acima de tudo,
queremos chegar à fase em que enviando uma amostra nos devolvem um cartão que nos
diz, para os 20/30 polimorfismos associados ao metabolismo do fármaco que queremos
usar, se a terapêutica vai ou não ter uma resposta positiva.
É necessário perceber até que ponto é que isto é válido. Isto porque mais tarde ou mais
cedo, (imaginem que na Suécia já se pagam impostos consoante se é diabético ou não,
porque vai representar um custo acrescido para a sociedade) a partir do momento em que
nalguns países todo o sistema é baseado em sistemas de saúde privados e à medida que
ÍNDICE
1. Refratometria 2
2. Pressão intraocular 7
3. Acomodação e convergência 9
4. Cover/uncover test 10
5. Fundoscopia/oftalmoscopia 12
6. Retinografia 15
7. Fluoresceína 15
8. Pontos lacrimais 17
9. Eversão palpebral 17
10. Remoção de corpo estranho 20
11. Teste de Schirmer 20
12. Instilação de colírio 21
13. Penso ocular 22
BIBLIOGRAFIA
1. REFRATOMETRIA
Assim, se tivermos uma lente que foca a imagem a 1 m de distância focal, vamos ter uma lente com
1 dioptria. Da mesma forma, uma lente que foca a imagem a 0,5 m tem 2 D.
ERRO FORMAÇÃO DA
DEFEITO VISÃO LENTES CORRETORAS
REFRATIVO IMAGEM
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Pode considerar-se ainda a existência de dois grandes grupos de astigmatismo:
Astigmatismo Irregular – a curvatura e o poder refrativo dos meios de
refração oculares são completamente irregulares pelo que existem
múltiplos pontos focais na retina. Este fenómeno é provocado por
patologias como 1) úlceras da córnea com formação de uma cicatriz
subsequente, 2) trauma da córnea, 3) cataratas e 4) queratocone.
Fig 1: Múltiplos pontos focais
Astigmatismo Regular – envolve apenas 2 meridianos do globo ocular que são perpendiculares
entre si. A imagem não é focada num único ponto em cada meridiano, mas sim num segmento
linear.
Fig. 2: Os dois meridianos (I e II) são perpendiculares um ao outro. O objecto (o) é representado como um
segmento linear Y 'II e Y 'I nos pontos focais dos dois meridianos. A meia distância destes dois pontos focais
situa-se o “círculo de menor confusão” (Kr), o local onde há uma menor perda de definição da imagem.
Dentro do Astigmatismo Regular existem vários tipos, conforme ilustrado na tabela seguinte.
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O astigmatismo pode ser classificado também de acordo com a direção do meridiano astigmático
(meridiano com maior refração):
Astigmatismo a favor da regra /vertical – é o tipo de astigmatismo mais frequente. O
meridiano com maior poder refrativo é o meridiano vertical, entre os 70ºe os 110º. Este
astigmatismo é causado pela excessiva tensão da pálpebra sobre a córnea, o que faz com que o
meridiano vertical seja mais curvo e mais curto do que o meridiano horizontal.
Astigmatismo contra a regra/ horizontal– o meridiano com maior poder refrativo é o
horizontal, entre os 160º e os 200º.
Astigmatismo oblíquo – O meridiano com maior poder refrativo é oblíquo, entre os 20º e
70ºe entre os 110ºe 160º.
Astigmatismo
Vertical
Astigmatismo Astigmatismo
Oblíquo Oblíquo
Astigmatismo
Horizontal
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A medição do erro refrativo é feita através de testes de refração. Estes medem o poder refrativo
adicional que é necessário para formar uma imagem nítida na retina, através de uma avaliação
objetiva e de uma avaliação subjetiva.
Recorre a métodos manuais ou automáticos e tem como função acelerar a avaliação subjetiva,
sendo a única ferramenta de avaliação em doentes que não fornecem informações, como por
exemplo as crianças. Contudo, a avaliação objetiva nunca deve dispensar uma avaliação subjetiva
dos erros refrativos. Per si esta avaliação não serve para prescrever qualquer tipo de correção ótica
uma vez que é necessário aferi-la com a informação subjetiva, colhida do doente.
Métodos manuais
Fig.5: Na primeira imagem, o reflexo retiniano movimenta-se no mesmo sentido (hipermetropia) e na segunda
imagem, no sentido contrário (miopia)
Este método já não é muito usado, mas continua a ter aplicação no caso das crianças ou doentes
acamados, em que não é possível utilizar o autorefratómetro.
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Refratometria1
Baseia-se na observação oftalmoscópica de uma imagem teste projetada na retina do doente. O erro
refrativo é medido ao variar a distância entre a figura de teste e o olho até a imagem aparecer nítida
na retina.
Métodos automáticos
Autorefratometria
1
Não foi referida na aula mas vem descrita no livro recomendado.
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- Erros refrativos em cilindro (C) – informação relativa ao astigmatismo. Exemplo da figura: no olho
direito (R), o valor da média é -0.25, logo há um astigmatismo miótico.
- Meridiano com alteração refrativa no astigmatismo (A) Exemplo da figura: no olho direito (R), o
valor da média é 176º, logo estamos perante um astigmatismo contra a regra/horizontal.
- Distância interpupilar (PD) - Permite fazer coincidir o centro ótico da lente com o centro ótico do
olho (fóvea, local com maior acuidade visual). Importa salientar que o centro ótico do olho não
coincide com o centro geométrico do globo ocular. Uma vez que as pupilas estão ligeiramente
deslocadas no sentido nasal e inferior e podem ser assimétricas, pode ser necessário medir a PD
para o olho esquerdo e para o olho direito separadamente.
Consiste no teste sucessivo de lentes numa armação de prova até que o doente identifique o
conjunto que lhe permite atingir o máximo da sua acuidade visual. É guiada pelos valores obtidos na
avaliação objetiva.
2. PRESSÃO INTRAOCULAR
O humor aquoso é formado pelos processos ciliares e secretado na câmara posterior do olho a uma
taxa de 2–6µL/min. O humor aquoso passa através da pupila para a câmara anterior onde é drenado
ao nível da rede trabecular para o canal de Schlemm (85% do total de humor aquoso) e para o
sistema vascular úveo-escleral (25%). A pressão intraocular (PIO) resulta, assim, do equilíbrio entre a
produção e a drenagem do humor aquoso.
2.1. PALPAÇÃO2
A palpação comparativa dos dois globos oculares é um método grosseiro que pode detetar grandes
aumentos da pressão intraocular. Se for possível deprimir o globo ocular a pressão é inferior a
20mmHg. Um globo ocular duro à palpação terá uma pressão da ordem dos 60–70mmHg, indicador
de glaucoma agudo de ângulo fechado.
2
Não foi referida na aula mas optámos por incluir visto ser um procedimento com que contactamos nas aulas
práticas.
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2.2 TONOMETRIA DE APLANAÇÃO DE GOLDMANN
Este método de medição levanta logo uma questão: as córneas não são todas iguais. Assim, se
tivermos uma córnea de maior espessura, a força necessária para deprimir a córnea para a mesma
pressão intraocular é diferente. Portanto, as pressões intraoculares têm de ser aferidas em relação à
espessura da córnea. Qualquer patologia que implique uma redução da espessura da córnea (por
exemplo a cirurgia lasix para correção da miopia) ou aumento da espessura da córnea (por exemplo
o edema da córnea) vão falsear os resultados da medição da PIO.
A rigidez da esclerótica pode constituir outra fonte de erro. Contudo, a tonometria de aplanação, ao
aplicar pressão apenas na córnea, elimina a sua influência na medição.
O tonómetro eletrónico emite um sopro de ar com duração de 3 ms contra a córnea, regista a sua
deflexão e calcula assim a PIO.
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Importa ainda pensar no conceito de pressão intraocular normal, cujos valores se situam entre 10-
21mmHg. Como quase todos os parâmetros biológicos, a pressão intraocular descreve uma curva de
distribuição normal. Desta forma, ao descrever um intervalo de valores normais não podemos
esquecer-nos do desvio padrão. Isto quer dizer que apesar de se considerar que uma pressão acima
de 21mmHg já não é normal, uma pressão de 22mmHg não é necessariamente patológica.
Quando medimos a PIO temos de aferir o valor em relação à situação específica do doente (idade,
co-morbilidades, etc.). Se tivermos um doente com uma PIO de 23 mmHg, sem antecedentes
patológicos ou fatores de risco para glaucoma, sem antecedentes familiares, com o nervo ótico sem
alterações na observação oftalmoscópica, consideramos esta PIO normal para este olho. Da mesma
forma, se tivermos uma PIO de 18 mmHg numa pessoa com uma escavação de 0,5 mm no seu nervo
ótico e com perda de visão periférica consideramos esta pressão excessiva para este olho.
Concluindo, é sempre necessário aferir o valor da PIO para a situação particular daquele doente e
não dizer apenas que um dado valor é normal ou não.
Em relação à PIO também é de realçar o conceito de assimetria. Quando há uma diferença superior
a 3 mmHg na PIO dos dois olhos devemos ficar alerta. As assimetrias em oftalmologia são sempre
para valorizar.
3. ACOMODAÇÃO E CONVERGÊNCIA
Esta é uma avaliação simples e que pode ser útil em qualquer serviço de Medicina ou na Urgência.
A distância focal para a visão de longe (a mais de 6m) é diferente da distância focal necessária para a
visão de perto (a menos de 30 cm). O nosso olho tem que aumentar o seu poder dióptrico para
poder focar de forma nítida objetos a menos de 30 cm. Isto é possível através da acomodação, que
está relacionada com o cristalino. O cristalino altera a sua conformação, fica mais globoso e
aumenta o seu poder dióptrico, compensando, assim, a necessidade de mais dioptrias para a visão
de perto.
Contudo, para o processo de acomodação é necessário mais que a alteração da forma do cristalino.
Quando estamos a olhar para longe os nossos olhos estão em paralelismo. Para olhar para perto há
que perder esse paralelismo e por isso os olhos têm que fazer convergência, que vem acompanhada
de miose.
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Em situações em que é necessário testar os reflexos pupilares deve avaliar-se a resposta da pupila à
luz mas também a sua resposta à convergência. Isto é importante porque pode ocorrer uma
dissociação entre a reposta à luz e à convergência como, por exemplo, na neurosífilis onde surge o
sinal de Argyll-Robertson (abolição do reflexo fotomotor com preservação do reflexo de
acomodação).
Durante a avaliação deste reflexo deve ser evitada a iluminação da pupila de forma a evitar a miose
devido ao reflexo fotomotor.
4. COVER/UNCOVER TEST
Este teste é utilizado na avaliação da dinâmica binocular, sendo especialmente útil em crianças para
deteção de estrabismo latente. Existem, de uma forma muito geral, dois tipos de estrabismo:
Estrabismo concomitante/ Tropia – o ângulo de desvio do globo ocular permanece
inalterado em todas as direções do olhar. O olho desviado segue o movimento do olho normal com
um ângulo de desvio constante. O estrabismo é manifesto.
Heteroforia – só em visível quando há um desequilíbrio muscular entre os dois olhos que
favorece o desalinhamento dos seus eixos visuais (surge nas seguintes situações: stress, consumo de
álcool, fadiga e stress emocional). Caracteriza-se por eixos visuais inicialmente paralelos e visão
binocular completa. É um estrabismo latente que não se manifesta enquanto houver estímulo para
a visão de fusão.
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Fig.9: Resposta do olho desviante num cover test
unilateral
O estrabismo manifesto é fácil de identificar pela observação do indivíduo, contudo nos estrabismos
latentes o estímulo da visão de fusão tem de ser interrompido para que seja percetível o desvio do
eixo visual.
O estímulo de fusão é um estímulo muito forte que parte do olho dominante. O olho dominante
(existe em todas as pessoas, é o olho que utilizamos para apontar a uma mira por exemplo) foca a
imagem na sua fóvea estimulando o olho contralateral a alinhar-se de modo a que a imagem seja
focada também na sua fóvea, permitindo a geração de uma imagem final nítida. É desta forma que
se mantem o paralelismo ocular no estrabismo latente.
1 – Pedir ao doente para fixar um ponto ao longe ficando o observador no lado oposto ao do
paciente, de forma a conseguir alcançá-lo;
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O teste deve ser repetido para a visão de perto, utilizando um ponto de fixação de perto. Caso o
doente tenha graduação, repetir o teste com os óculos ou lentes.
Quando tapamos um olho podem ocorrer duas coisas: o olho mantem a fixação ou ocorre um desvio.
Se ocorrer desvio estamos perante uma situação de estrabismo. Caso não ocorra desvio podemos
estar perante uma de duas situações:
Não existe foria
Existe foria mas o olho destapado é o olho dominante.
Por este motivo é muito importante observar a posição do olho tapado antes de retirar o oclusor. Se
ao tapar o olho esquerdo não houver desvio nem no olho direito nem no olho esquerdo, então não
há foria. Se ao tapar o olho esquerdo ocorrer desvio do olho direito, então o olho esquerdo é o
dominante.
Muitas vezes, como o estímulo de fusão é muito forte, há necessidade de fazer um cover/uncover
alternado para que o estímulo de fusão seja verdadeiramente interrompido.
Em situação normal (ortoforia) não há qualquer movimento dos olhos, seja atrás do oclusor ou ao
destapar, pois ambos os olhos se mantêm alinhados com o ponto de fixação apesar da oclusão de
um deles.
Este teste permite detetar estrabismos latentes em crianças sem necessidade de recursos especiais.
Se uma criança não tem paralelismo ocular as imagens formada nas fóveas são diferentes num e
noutro olho e o cérebro não consegue juntar as duas imagens, eliminando a imagem com origem no
olho com desvio do eixo visual. Como durante a infância o sistema visual ainda não está
desenvolvido, se deixa de haver estimulação visual de um dos lados o sistema visual desse lado deixa
de se desenvolver e o olho torna-se amblíope. A partir dos 8/9 anos a ambliopia não é reversível.
Devido à sua importância o cover test deve ser tentado logo aos 6 meses de idade.
5. FUNDOSCOPIA/OFTALMOSCOPIA
Não é uma técnica específica da Oftalmologia, devendo ser feita em qualquer consulta de medicina.
Num serviço de urgência, utiliza-se o oftalmoscópio (oftalmoscopia direta), enquanto que no serviço
de Oftalmologia se recorre frequentemente à oftalmoscopia com a lâmpada de fenda
(oftalmoscopia binocular indireta).
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5.1. OFTALMOSCOPIA DIRETA:
O oftalmoscópio permite uma ampliação até 15x do fundo ocular. Apesar da boa ampliação, mostra
apenas uma pequena parte do fundo ocular (nomeadamente o disco ótico e o polo posterior),logo,
para compensar, é necessário efectuar a rotação do oftalmoscópio.
O princípio básico da fundoscopia é garantir que a luz está a incidir na direção correta, de forma a
entrar na pupila com 2-3mm de diâmetro. A luz do oftalmoscópio direto é focada rodando o disco de
Recoss, que contém lentes de maior ou menor potência, de acordo com o erro refrativo do paciente,
do observador (incluindo a acomodação involuntária) e a distância de trabalho.
O oftalmoscópio possui ainda um filtro verde (red-free) para a observação da camada de fibras
nervosas da retina, que se apresentam como estrias brilhantes que se afastam do disco ótico. A sua
observação deve ter início no local onde é mais visível, ou seja, na região temporal inferior junto ao
disco ótico. Depois o exame prossegue para a região temporal superior, nasal superior e nasal
inferior. Não é usual encontrar-se alterações na camada de fibras nervosas em olhos normais, com
exceção de sombras fusiformes entre os feixes.
Os passos da oftalmoscopia direta são os seguintes:
1 – O doente e o observador devem estar numa posição confortável, sendo habitual o primeiro
estar sentado e o segundo de pé ou ambos de pé;
2 – A sala deve estar escura, de forma a proporcionar a dilatação da pupila (por vezes é necessário o
recurso a midriáticos tópicos);
3 – Inicialmente a lente utilizada deve ser de zero ou de valor igual ao erro refrativo do observador;
4 – Testar a refração ótica utilizando a palma da mão;
5 – Para observar o olho direito, segurar com a mão direita e utilizar o olho direito. Para observar o
olho esquerdo, segurar com a mão esquerda e utilizar o olho esquerdo;
6 – Pedir ao doente para olhar em frente e ligeiramente para cima, fixando um ponto distante (de
forma a evitar a acomodação);
7 – Colocar do lado do olho a observar, apoiando a mão livre sobre o ombro ou a cabeça do dente;
8 – Começar a observação a 60 cm, apontando a luz em direção à pupila (incidência de cima para
baixo), de forma a identificar o reflexo vermelho;
9 – Aproximar do olho;
10 - Focar: utilizar lentes negativas caso o doente seja míope ou lentes positivas se for
hipermetrópico;
11 – Rodar o oftalmoscópio cerca de 15º temporalmente, de forma a encontrar o disco ótico;
12 – Observar de forma sistemática as estruturas (ordem: disco ótico, vasos sanguíneos do centro
para a periferia, mácula, restante retina).
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5.2. OFTALMOSCOPIA BINOCULAR INDIRETA (OBI)3:
CAMPO DISTÂNCIA DE
POTÊNCIA AUMENTO APLICAÇÃO
(GRAUS) TRABALHO (MM)
60D 1,15 X 76 11,0 Papila e mácula
3
Não foi aprofundada na aula mas optámos por incluir visto ser um procedimento com que contactamos nas
aulas práticas.
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6. RETINOGRAFIA
O retinógrafo permite fazer o registo do fundo ocular. Pode ser
importante numa primeira consulta para caracterizar o fundo
ocular e ficar com um registo fotográfico ou mesmo para a
telemedicina, por exemplo na vigilância de diabéticos, em que se
faz uma retinografia e esta é enviada a um centro de decisão, de
forma a definir qual o melhor acompanhamento para o doente.
Fig.12 : Retinógrafo
7. FLUORESCEÍNA
A fluoresceína (amarelo) é mais facilmente observada se se utilizar um filtro azul de cobalto, pois a
luz azul causa o reflexo da fluoresceína de um tom verde brilhante.
Caso existam soluções de continuidade na córnea estas aparecem coradas a verde. A zona de
aplicação da palheta sofre desepitelização, sendo normal visualizar uma zona mais esverdeada
junto ao fundo de saco inferior. Esta pequena lesão resultante da desepitelização não é dolorosa
para o doente e não traz consequências.
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Fig.13: Lesão herpética da córnea (dendrítica)
1 – Colocar fluoresceína nos dois olhos utilizando uma tira de fluoresceína humedecida ou
uma solução fluoresceínica a 2%;
2 – Observar com um filtro azul de cobalto, para garantir que a fluoresceína é visível no filme
lacrimal dos dois olhos;
3 – Esperar 5 minutos, o paciente pode pestanejar normalmente, mas sem limpar os olhos;
4 – Examinar os meniscos lacrimais:
a) Se o filme lacrimal estiver limpo indica o desaparecimento completo do corante.
b) Se as lágrimas ainda permanecerem amarelas o sistema de escoamento lacrimal tem
um bloqueio anatómico ou funcional.
c) Estar atento a qualquer assimetria entre os dois olhos e verificar qual destes retém o
corante por mais tempo.
4
Não foi referido na aula.
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7.5 BUT- BREAK UP TIME
Este teste avalia o tempo de ruptura do filme lacrimal, permitindo estudar a sua estabilidade. Após a
instilação de uma gota de fluoresceína, pede-se ao paciente para pestanejar algumas vezes e
posteriormente, examina-se o filme lacrimal com a lâmpada de fenda com filtro azul de cobalto. O
tempo entre o último pestanejar e o aparecimento do(s) primeiro(s) pontos secos é o BUT.
Normalmente, considera-se como normal o BUT de 10 ou mais segundos. É importante no estudo
de olho seco.
8. PONTOS LACRIMAIS
A lágrima é drenada para o canal lacrimo-nasal através dos pontos lacrimais superior e inferior. Para
que a drenagem ocorra corretamente, é necessário que os pontos lacrimais estejam na posição
anatómica correta, em contacto com o filme lacrimal. Em situações normais, os pontos não são
visíveis, sendo necessário fazer uma ligeira eversão das pálpebras para os identificar.
Nos idosos, a perda de elasticidade e laxidão dos tecidos pode levar à eversão da pálpebra inferior –
ectropion senil –, impedindo o contacto dos pontos lacrimais com o filme lacrimal. Nas crianças,
pode ocorrer agenésia dos pontos lacrimais. Em ambos os casos, como não há drenagem das
lágrimas, ocorre epífora.
É uma técnica bastante simples e que pode ser muito importante, mesmo noutras especialmente
que não a oftalmologia, por exemplo, em casos de corpo estranho.
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Fig. 17 : Eversão da pálpebra inferior
1 – Com o indicador e o polegar, agarrar algumas pestanas e puxar para baixo a margem
superior da pálpebra;
2 – Colocar um cotonete na prega da pálpebra superior, ao longo da margem tarsal superior, de
modo a que este funcione como suporte;
3 – Puxar a margem da pálpebra para fora e para cima;
4 – Retirar o cotonete, mantendo a pálpebra evertida.
O tarso confere rigidez à pálpebra. Exercendo pressão na sua porção superior torna-se mais fácil
mobilizar a pálpebra, fazendo a sua eversão.
5
A técnica referida nos documentos de apoio é mais complexa do que a explicada na aula, no entanto
optámos por manter a da professora, já que é de mais fácil compreensão.
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1 – Palpar a porção do tarso com o dedo médio;
2 – Fazer pressão para baixo;
3 – Com os dedos indicador e polegar puxar a pálpebra para fora e para cima com um único
movimento.
6
Não foi referida na aula, apesar de constar dos documentos de apoio e do livro recomendado.
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O corpo estranho mais frequentemente encontrado é uma limalha de ferro. Nas crianças que foram
à prai,a é frequente encontrar conchas pequenas, que fazem vácuo ficando fixas na conjuntiva tarsal
superior. São transparentes, por isso é necessário suspeitar dessa possibilidade.
Os passos para remoção de corpo estranho alojado na conjuntiva tarsal superior são os seguintes:
1 – Com o doente sentado (com o pescoço direito e cabeça apoiada na cadeira), ou deitado em
decúbito dorsal, colocar uma gota de anestésico tópico no olho;
2 – Aplicar fluoresceína no fundo de saco conjuntival inferior;
3 – Verificar se está presente uma solução de continuidade na parte superior da córnea;
Se estiver presente:
4 – Obrigatório fazer a eversão da pálpebra superior (quase de certeza que vamos encontrar o
corpo estranho);
5 – Retirar o corpo estranho com um cotonete.
7. TESTE DE SCHIRMER
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Fig. 21 : Teste de Schirmer
1 – Retirar todo o excesso de humidade das pálpebras do paciente com um lenço de papel ou
cotonete;
2 – Pedir ao doente para olhar para cima;
3 – Puxar suavemente a pálpebra inferior para baixo e colocar a tira de teste na junção dos dois
terços internos com o terço externo do fundo de saco inferior, nunca tocando na córnea;
4 – Pedir ao doente para olhar um pouco acima da linha média e permanecer com os olhos
abertos, pestanejando normalmente (se preferir pode fechar os olhos, mas sem fazer força);
5 – Contabilizar 5 minutos;
6 – Medir a distância da tira que ficou impregnada pela lágrima (sem contabilizar a zona
dobrada). O normal é pelo menos 15 mm em 5 min. Valores menores que 5 mm são
considerados anormais.
8. INSTILAÇÃO DE COLÍRIO
O colírio deve ser instilado no fundo de saco conjuntival inferior, após eversão da pálpebra inferior.
Para não tocar no olho (evitar lesões e contaminação do frasco), o doente deve estar em decúbito
dorsal ou sentado com a cabeça inclinada para trás e apoiada. De forma a obter um bom suporte,
deve apoiar-se a mão na face do doente.
O colírio deve ser aplicado no canto externo do fundo de saco, para garantir que a gota está mais
tempo em contacto com a superfície ocular, aumentando a absorção. Muitas vezes, quando se
aplicam anti-hipertensores oculares, pede-se ao doente para fazer pressão no canto interno para
manter ocluídos os pontos lacrimais, aumentando assim o tempo de absorção.
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Fig. 22 : Instilação de colírio
As lesões da córnea só se curam com a oclusão completa das pálpebras, sendo essencial a colocação
de um penso ocular.
1 – Limpar a testa e a região zigomática com uma compressa embebida em álcool, para
remover os óleos da pele, facilitando a aderência do adesivo;
2 – Pedir ao doente que olhe para baixo, facilitando o encerramento das pálpebras;
3 – Dobrar um penso ao meio e colocá-lo em cima da pálpebra, segurando-o com uma mão;
4 – Colocar um penso não dobrado por cima;
5 – Colar a fita adesiva, firmemente, na testa e na região zigomática (de cima para baixo e
de dentro para fora). Deve ser impossível o paciente abrir o olho;
6 – Remover o excesso dos adesivos (se o adesivo estiver colado sobre a mandíbula os seus
movimentos podem levar ao descolamento).
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Módulo IX - Oftalmologia
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Técnicas e Procedimentos 2
- Microscopia Especular
- Ecografia
- Eletrofisiologia
- Eletrorretinografia
- Potenciais evocados
- Campos visuais
- Perimetria de Goldmann
- Topografia corneana
Bibliografia:
- CREEL, J. DONNELL, The Electroretinogram and Electro-oculogram: Clinical
Applications, Webvision, 2014;
- Slides da aula;
- LANG, G., Ophthalmology: A pocket textbook Atlas, Thieme, 2007.
Esta técnica serve para avaliar uma das estruturas mais importantes da córnea – o
endotélio. A córnea é constituída, da sua superfície mais externa para a mais interna,
pelo epitélio, membrana basal de Bowman, estroma, membrana basal de Descemet e por
fim pelo endotélio.
O endotélio da córnea tem uma estrutura muito
característica, sendo constituído por células hexagonais cuja
função principal é regular o balanço hídrico do estroma, que
se deve manter desidratado, bem como, é responsável pela
transparência da córnea. Caso esta balanço esteja
comprometido, pode ocorrer edema do estroma e
consequentemente da córnea, diminuindo a sua transparência, Figura 1
o que impede a correta ocorrência dos fenómenos ópticos indispensáveis para a visão.
Para se visualizar o endotélio, tendo em conta que é a camada mais profunda, faz-
se incidir sobre a pupila um feixe de luz sob a forma de fenda que, ao ser refletido na
camada endotelial, possibilita a visualização das células desta camada.
Esta técnica vai permitir a obtenção de uma imagem (Figura 1) através da qual é
possível avaliar:
Eletrofisiologia
De uma forma básica, a eletrofisiologia avalia a atividade elétrica do olho, pela qual
são responsáveis os fotorrecetores. Para isso, temos a eletroretinografia. Pode-se
também avaliar a transmissão da atividade elétrica, uma vez que esta é produzida a nível
dos fotorrecetores e depois tem que ser transmitida para o córtex cerebral e para tal,
temos os potenciais evocados.
Eletroretinografia
Potenciais Evocados
Mais uma vez, é necessária a colocação dos mesmos elétrodos acima referidos.
No entanto, o elétrodo de referência é colocado na região occipital. De seguida, é criado
ou mostrado ao doente o mesmo estímulo visual.
Campos visuais
A retina tem diferentes pontos com sensibilidades diferentes aos estímulos visuais.
Obviamente, o ponto de sensibilidade máxima é a fóvea, ou seja, responde a estímulos
luminosos de mais baixa intensidade. No entanto, sem movimentar o globo ocular, é
possível ter a perceção de movimento à nossa volta. A partir da fóvea, e de forma mais ou
menos concêntrica, vão-se definir áreas de sensibilidade variável. À curva que une os
pontos de igual sensibilidade retiniana chama-se isóptera. Para definir estas isópteras, há
duas estratégias: uma dinâmica e uma estática.
Perimetria de Goldmann
Topografia Corneana
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Bibliografia:
- Lang G. (2006). Ophthalmology: A Pocket Textbook Atlas. Thieme Flexibook
- Riordan-Eva, Cunningham Jr E.T. (2011). Vaughan & Asbury’s General Ophthalmology.
McGraw-Hill
- Kanski J.J., Bowling B. (2011). Clinical Opthalmology: A Systematic Approach. Elsevier Saunders
- Hyvärinen L., Näsänen R., Laurinen P. (1980). New Visual Acuity Test for Pre-School Children.
Acta Opthalmologica 58:507-511.
Nota: Optámos por acrescentar alguns detalhes que nos parecem importantes para a compreensão
do que foi falado na aula. Estes foram inseridos em caixas para haver uma distinção fácil entre o
que foi e o que não foi visto durante a aula.
Tipos de LIO (fig.1). Hoje em dia temos lentes muito diferentes. Já não temos só as lentes
monofocais, dispomos actualmente de vários tipos de lentes:
- Lentes monofocais (fig.1A) – apenas com um foco específico (perto ou longe);
- Lentes multifocais (fig.1B) – com focos para objectos próximos e focos para
objectos afastados. São lentes que têm uns anéis concêntricos; ao terem estes anéis têm
zonas de poder dióptrico diferente, com degraus. A luz, ao incidir nestes degraus, é
distribuída por focos diferentes, daí serem também chamadas lentes difractivas. Daqui
resulta alguma correcção da incapacidade de acomodação do olho. É claro que, havendo
uma repartição da luz, cada um dos focos não vai ter intensidade luminosa total. Isto implica
que há uma certa perda de capacidade de visão de contrastes com estas lentes. E temos
ainda lentes bifocais, portanto distribuindo por dois focos (um foco para longe e outro foco
para ver ao perto) e lentes trifocais que distribuem por três focos (têm um terceiro foco para
uma distância intermédia, que é útil por exemplo quando se usa um computador).
- Lentes tóricas (fig.1C) – têm a capacidade não só de corrigir o erro refractivo em
esfera da miopia e da hipermetropia mas também o astigmatismo (até 3D) que aquele olho
apresenta. A orientação correcta da lente, feita através de marcas de orientação, é crucial.
Mas, tendo estas capacidades terapêuticas todas, actualmente, a verdade é que
temos um sistema de cálculo ainda um pouco precário e cada vez mais as pessoas
As LIOs acomodativas (fig.2) são desenhadas para se mover anteriormente e posteriormente no saco capsular para
permitir a acomodação. Ao mover-se anteriormente, aumenta o poder refractivo, permitindo a focagem de objectos
próximos. No entanto, com menos de 0,75D de acomodação, esta abordagem não corresponde actualmente às
expectativas.
exigem ficar bem corrigidas em termos refractivos. O cálculo do poder dióptrico da lente é
por isso extremamente importante.
Dados necessários para o cálculo. Para fazer o cálculo do poder dióptrico da lente há
vários factores que são importantes.
A refracção pode ser importante. Imagine-se que fazemos um implante de lente
intra-ocular para corrigir miopia, num indivíduo jovem sem catarata nem presbiopia. O que
se pode fazer neste caso é implantar uma LIO sem remover o cristalino. O olho não vai ficar
pseudofáquico, vai ficar bifáquico, vai ter duas lentes. Nesse caso sim, o erro refractivo é
importante, mas no caso da cirurgia da catarata isso já não é bem assim. Retira-se o
cristalino do olho, por isso o erro refractivo que ele tenha vai ficar completamente diferente.
De qualquer forma, teremos sempre de medir os outros pontos relacionados com a
refracção.
As distâncias focais são um dos pontos mais importantes relacionados com os erros
refractivos. Assim, um dos dados mais importantes é o comprimento axial do olho, ou
seja, temos de saber a que distância a luz que entra no olho vai ter de ser focada para ficar
focada exactamente sobre a fóvea.
Há algum tempo atrás – e em alguns serviços este ainda é o paradigma – a medida
de comprimentos axiais era feita por ultrassons. Se utilizarmos o modo A (fig.3) da
ecografia, que é um feixe único que interage com as diferentes estruturas, obtêm-se vários
picos sequenciais, correspondentes às diferentes estruturas (córnea anterior e posterior,
cristalino anterior e posterior, retina), que nos permitem fazer a medição do comprimento
Fórmula para a LIO. Com todos estes parâmetros obtidos, temos de escolher a fórmula
que vamos utilizar para fazer os cálculos. Estas fórmulas, como usam factores estatísticos,
são também chamadas fórmulas regressivas. Estes factores estatísticos funcionam muito
bem para o olho médio, mas nos casos extremos – nos olhos muito curtos, nos olhos muito
compridos, nos olhos que têm poderes dióptricos de córnea diferentes – vai haver um erro
muito maior. Existem diferentes fórmulas, das quais a mais conhecida é a SRK/T, que é
uma fórmula que usa dados teóricos de convergência e usa também dados estatísticos
para sabermos então onde é que fica situada a lente. Mas existem outras que têm evoluído,
e hoje em dia temos fórmulas – cerca de 30 – que funcionam melhor para o olho médio,
outras que funcionam melhor para os olhos muito pequenos, outras que funcionam melhor
para os olhos de altos míopes. Desta forma, podemos escolher a fórmula mais adequada
ao doente que temos à nossa frente.
Estas fórmulas incluem uma constante, a constante A, que consiste no resultado
dos estudos estatísticos para um tipo de lente específico. Quando escolhemos a lente que
pretendemos implantar, temos de ter em conta que lentes diferentes têm geometrias
diferentes, e por isso cada uma delas tem uma constante A diferente. O que é que a
constante A nos diz? É um poder dióptrico que tenta relacionar, em relação à geometria
daquela lente, onde é que ela se vai posicionar dentro do olho. Mudando a constante, assim
também vai mudar, discretamente, o poder dióptrico da lente que vamos escolher.
No programa usado no HSM, por defeito está seleccionada a fórmula SRK/T, mas
existe a opção de escolher, por lente, que fórmula é que vamos utilizar. E depois os
O poder dióptrico da LIO era normalmente determinado método da regressão empírica, através da análise estatística
de lentes de um único tipo em vários doentes. Destes estudos surgiram fórmulas matemáticas baseadas numa constante
para essa lente em particular (constante A), leituras médias de queratometria (K) e comprimento axial em milímetros
(L). Um exemplo simples é a equação SRK (Sanders-Retzlaff-Kraff):
No entanto, actualmente estas fórmulas regressivas são raramente usadas. Mais utilizadas são as fórmulas teóricas,
que utilizam uma constante para a lente, as leituras da queratometria, o comprimento axial e ainda a profundidade
estimada da câmara anterior pós-operatória. Nenhuma destas fórmulas permite obter o resultado perfeito para o doente
individual, mas a selecção da fórmula mais fiável para o comprimento axial do olho a tratar permite obter resultados
satisfatórios. Assim, existem as fórmulas:
- Hoffer Q para olhos com comprimento axial reduzido (inferior a 22 mm)
- Holladay para olhos com comprimento axial relativamente elevado (24.6-26 mm)
- SRK/T e Haigis para olhos com comprimento axial elevado (superior a 26 mm)
A fórmula SRK/T é comummente usada para olhos com comprimento axial superior a 22 mm.
olho, teremos erros nos cálculos. Há maior tendência para subestimar o poder dióptrico
necessário da LIO nestes olhos, mas o conhecimento do erro refractivo e das leituras de
queratometria anteriores à cirurgia queratorrefractiva ajudam a ultrapassar estas
dificuldades.
2. Angiografia
Vamos falar então agora de um novo exame complementar, também muito
importante, que é a Angiografia.
O que é que a angiografia nos permite valorizar? O que é que nós vemos numa
angiografia? A Vascularização. Na prática o que fazemos é a injecção de um contraste,
que entra em circulação, que vai chegar à circulação do olho e que nos vai permitir ver
todos os vasos e como é que é feita esta vascularização. Qual é o corante que usamos? A
fluoresceína.
Fig.6. Diferentes tempos da angiografia: (à esquerda) tempo arterial e (à direita) tempo venoso.
Indicações para angiografia. Em que situações é que é importante ter uma angiografia?
- Degenerescência macular ligada à idade
- Retinopatia diabética.
- Vasculites.
- Uveítes posteriores.
- Papilites.
- Oclusão vascular.
Os cones e os bastonetes na camada de fotorreceptores da retina são responsáveis pela transformação de estímulos
luminosos nos impulsos nervosos que são conduzidos pelas vias ópticas até ao córtex visual. Estes fotorreceptores
estão dispostos de forma a existir maior densidade de bastonetes na retina periférica e maior densidade de cones no
centro da mácula (fóvea).
Os cones são responsáveis pela resolução espacial (acuidade visual), percepção de cor e visão diurna (fotópica).
Existem três tipos de cones: azuis, vermelhos e verdes. Durante a noite, a midríase que acompanha a escuridão leva a
luz para a retina mais periférica, para os bastonetes, que são muito mais fotossensíveis que os cones. Estes são
responsáveis pelo contraste, percepção de movimento e visão crepuscular (mesópica) e nocturna (escotópica), em
detrimento da percepção de cor. Por isso, durante a noite, com maiores quantidades de luz a atingir a retina periférica,
observam-se vários tons de cinzento mas não tanto as cores em si.
São necessários pelo menos dois tipos de fotopigmentos (opsinas) nos cones para haver discriminação de cores, e
os três para haver visão cromática normal (tricromacia), mesmo que não funcionem normalmente. As opsinas
vermelha e verde são codificadas por genes adjacentes no cromossoma X. A opsina azul é codificada no cromossoma
7.
Os defeitos de visão cromática podem ocorrer como redução da sensibilidade a certas cores (protanomalia,
deuteranomalia ou tritanomalia) ou, muito mais raramente, como uma completa perda de percepção para certas cores.
Fala-se em dicromacia quando existe discriminação de cores mas uma das opsinas não funciona, e em monocromacia
quando não há discriminação de cores, seja por apenas uma opsina estar funcional ou por não existir nenhuma opsina
funcional.
Os defeitos de visão cromática adquiridos (ex: doença de Stargardt) variam em tipo e em gravidade, dependendo
da localização e origem da patologia ocular, e frequentemente afectam mais um olho que o outro. Homens e mulheres
são igualmente afectados.
Os defeitos congénitos são constantes em tipo e gravidade ao longo da vida e afectam ambos os olhos igualmente.
Pela presença de dois dos genes das opsinas no cromossoma X, estes defeitos são mais frequentes nos homens. O
defeito mais comum é a discromatópsia vermelho-verde, uma forma de dicromacia (apenas duas das três opsinas
funcionam normalmente), que resulta de uma mutação no gene da opsina vermelha (protanopia) ou verde
(deuteranopia). Tem transmissão recessiva ligada ao cromossoma X, afectando 8% dos homens e 0.4% das mulheres.
O terceiro tipo de dicromacia, tritanopia, em que há perda da discriminação azul-amarelo por um defeito na opsina
azul, é uma alteração autossómica dominante causada por uma mutação no cromossoma 7. É um defeito muito mais
raro (1:13 000 – 1:15 000).
Existem dois tipos de monocromacia: monocromacia de cones e monocromacia de bastonetes. Embora ambas
deixem o doente completamente sem discriminação de cores (acromatópsia), são duas entidades muito diferentes. Na
monocromacia de cones (1:100 000) a acuidade visual é normal mas não há discriminação de cores, dado que apenas
um tipo de opsina está funcional, geralmente a opsina azul. Na monocromacia de bastonetes (1:30 000), uma alteração
autossómica recessiva, não existem cones funcionais, resultando em acromatópsia, baixa acuidade visual, fotofobia e
nistagmo.
Fig.16. Resultados do teste de Farnsworth-Munsell D15 num indivíduo normal. As alterações observadas
não são patológicas, cada um tem uma sensibilidade à cor que pode ser diferente sem ser patológica.
Protanopia Deuteranopia
Em 1980, uma equipa finlandesa (Lea Hyvärinen, Risto Näsänen e Pentti Laurinen) desenvolveu um teste de acuidade
visual destinado às crianças em idade pré-escolar (3-5 anos), que acabou por receber o nome da sua criadora (Lea
Hyvärinen). Na altura da publicação do teste, a criança mais jovem a ler correctamente a primeira linha tinha 25 meses
de idade. Os símbolos deste teste incluem uma maçã, uma casa, um quadrado e um círculo, portanto escolhidos de
forma que a sua nomeação fosse fácil. A criança responde apontando ou nomeando o símbolo.
Este teste tem fiabilidade semelhante à tabela E de Snellen. A principal diferença encontra-se na distância a que
estão desenhados para ser usados: 6 m para a tabela E de Snellen, 3 m para o teste de LEA (portanto mais apropriado
para ser usado no consultório do Médico de Família ou numa visita ao domicílio).
5. Subvisão
Uma coisa é a acuidade visual, outra coisa é a nossa capacidade visual. E dentro da
nossa capacidade visual, mesmo que haja uma baixa da acuidade visual, pode haver uma
visão útil, funcional. Nesta área, a prevenção é muito importante.
As consultas de subvisão são escassas – praticamente não existem – mas são
extremamente importantes, porque muitas das pessoas com uma baixa da acuidade visual
têm algum grau de visão útil e funcional. Para tirar proveito dela são usados princípios muito
básicos, mas que têm de ser transmitidos às pessoas ou elas não serão capazes de os
explorar. É claro que isto é ainda mais relevante nas crianças: numa criança que tenha
dificuldades visuais todo o seu desenvolvimento psicomotor e cognitivo está comprometido.
Há etapas de aprendizagem, como o simples colocar de uma carta na ranhura, que são
aquisições de motricidade fina, que as crianças precisam de ter, e que se não têm
capacidade visual não vão adquirir. E é por isso que as consultas de subvisão são
Os doentes com subvisão tipicamente têm um défice no seu desempenho visual: a sua acuidade visual não é
passível de ser corrigida com óculos ou lentes de contacto convencionais. Podem ter “visão enevoada”, estreitamento
dos campos visuais ou escotomas de grandes dimensões, bem como outras queixas funcionais: sensibilidade à luz,
alterações da percepção da cor, diminuição do contraste. Alguns doentes têm diplopia.
A intervenção eficaz na subvisão começa assim que o doente começa a ter dificuldade em executar tarefas simples.
Se tivermos uma pessoa com uma baixa da acuidade visual, que por exemplo não
consegue ler um texto, como podemos dizer-lhe que pode melhorar a sua capacidade
funcional? Se se fizer um aumento do tamanho dos estímulos, eles passam a entrar nos
limites da capacidade discriminativa. Podemos fazer isso com recurso a lupas, e
actualmente temos um sistema de computadores que permitem facilmente ampliar as
imagens.
Outro gesto simples é o aumento da intensidade da luz. A intensidade da luz é
fundamental: quanto mais luz entrar, melhor capacidade visual nós temos.
Podemos diminuir os outros estímulos? Na prática o que podemos fazer é aumentar
o contraste do estímulo. A nossa capacidade tem a ver com o estabelecimento de
contrastes, por isso se melhorarmos o contraste podemos melhorar a capacidade funcional.
Como algumas pessoas têm alterações da visão cromática, dependendo da alteração
cromática que têm os contrastes podem também ser feitos com cores diferentes. Mudar
as cores pode ser uma funcionalidade simples que resolva o problema.
Outra questão levanta-se com pessoas que tenham metamorfópsias, por exemplo
um doente com uma membrana neovascular. Se esse doente tenta ler um texto, começa
uma linha, chega àquela zona de deformação da visão e, sem querer, vai ora para a linha
de cima ora para linha de baixo e nunca consegue acompanhar o texto. E é um gesto tão