História Do Direito 2016-2017
História Do Direito 2016-2017
História Do Direito 2016-2017
Bom estudo!
Brunner distingue:
- história geral do Direito: procura fornecer uma visão de conjunto do Direito de cada
época, uma apreciação em globo dos sucessivos sistemas jurídicos
- história especial do Direito: dedica-se ao estudo monográfico e pormenorizado das
várias instituições
Classificação
de história a
Método Definição Vantagens Desvantagens
que melhor se
adequa
Introduz
quebras
Consiste em expor
artificiais na
as fontes, as sua evolução,
Permite uma
instituições e o que só
visão de
pensamento existem no
conjunto das
jurídico, segundo discurso.
fontes,
Cronológico vários períodos História geral
instituições e O critério de
preestabelecidos,
modos de periodização
de forma a ficar-
pensamento mais
se com uma visão
jurídico adequado não
de conjunto de
cada um deles é o mesmo
para todas as
instituições.
PARTE I
ELEMENTOS DE HISTÓRIA DO DIREITO ROMANO
Época Período
130 a.C.
Pré-clássica 30 a.C. – ascensão da
jurisprudência
* afasta o antigo sistema processual das ações legais (legis actiones), integrado por atos
rígidos e orais, criando uma margem para o desenvolvimento do Direito Romano
c) Caraterização
Alguns traços caracterizam o Direito Privado Romano:
- desinteresse pela codificação: Roma não sentiu necessidade de codificar as fontes do
seu Direito (com exceção da Lei das XII Tábuas), dada a importância do costume
(práticas gerais) e da jurisprudência (baseada nas respostas dos juristas)
- prioridade da actio sobre o ius: o Direito processual surgiu com a prática – em vez de
se criar uma nova lei, fazia-se uma actio
- simplicidade de soluções e ausência de um sistema: a tendência para a utilização do
mesmo instituto jurídico para a obtenção de diversos fins práticos revela a naturalidade
e simplicidade das soluções jurídicas romanas
- diferenciação de conceitos: os jurisconsultos romanos utilizavam poucos conceitos
fundamentais, mas aqueles que utilizavam eram universais
- força da tradição: a evolução das instituições jurídicas e as transições políticas faziam-
se lentamente e com prudência, dado o respeito pela tradição; os romanos também
recorriam à tradição para decidir e resolver casos
- ponderação e coordenação entre liberdade e autoridade: liberdade e autoridade
pressupõem-se reciprocamente, a liberdade permite fazer aquilo que desejamos, mas a
autoridade impõe limites para criar segurança – António Santos Justo afirma que
“liberdade sem autoridade é anarquia e autoridade sem liberdade é tirania”
Disciplina e organiza a
Direito criado pelos órgãos política e os poderes
Ius publicum
estaduais públicos nas relações
nacionais e internacionais
Normas e princípios
Direito que disciplina as
Ius privatum elaborados e conservados
relações entre particulares
pela jurisprudência
Quanto ao Quanto ao
Quanto às Quanto ao
Distinção modo de âmbito
fontes conteúdo
operar processual
Costume, lei,
plebiscito,
Rígido, Eficácia Primeiro existe
senatusconsulto,
Ius civile formalista, automática e o ius e depois a
jurisprudência e
inflexível imediata actio
constituições
imperiais
Depende da
Poder Elástico, sem O ius só surge
atividade
Ius praetorium jurisdicional do formalidades, através da
processual do
pretor flexível criação da actio
pretor
3
2 2
1 1 1 1
4 4 4 4
7
6
5
Administração do
ager publicus
(fazenda pública,
elaboração das
listas dos senadores,
Censores 5 anos Comitia centuriata
organização do
recenseamento dos
cidadãos romanos e
tutela da moralidade
romana
Sucessores do rex,
poder de soberania
(imperium) –
comandar o
Consules exército, convocar o 1 ano Comitia centuriata
senado e as
assembleias
populares e
administrar a justiça
Administração da
justiça entre
cidadãos ou entre
Praetores cidadãos e 1 ano -
peregrinos e entre
peregrinos entre si,
presidiam à
Fiscalização da
limpeza da cidade,
manutenção das
vias e dos edifícios
públicos, vigilância
do trânsito,
Aediles curules 1 ano -
regulamentação dos
preços, organização
dos espetáculos,
guarda dos arquivos
do Estado e poder
punitivo (coercitio)
Administração da
justiça criminal, Comitia tributa
Quaestores cobrança de multas, 1 ano (assembleia das
confiscos e governo tribos)
da tesouraria estatal
Capítulo 4 – Compilações
26. Compilações pré-justinianeias
Em virtude do esgotamento da jurisprudência e da incerteza do Direito aplicável,
urgia a necessidade de promover e organizar compilações dos melhores textos jurídicos,
onde se incluíssem soluções jurisprudenciais (iura) e/ou constituições imperiais (leges).
As compilações pré-justinianeias (privadas) exclusivas de iura mais relevantes
são:
- Pauli Sententiae: pequena exposição de Direito Romano com base predominante ou
exclusiva nas obras de Paulus
- Epitome Gaii: síntese dos primeiros três livros das Institutiones de Gaius
- Gaio de “Autun”: resumo das Institutiones de Gaius, com propensão didática
direito de contrair
Ius connubii matrimónio e constituir
família legítima
Direito Privado
direito de celebrar
Ius commercii validamente negócios
jurídicos
I. Código de Eurico
Promulgado pelo rei Eurico, constitui a primeira coletânea sistemática de Direito
visigótico. Enquadra-se no grupo das leis dos bárbaros. Atém-se, sobretudo, ao Direito
Privado e reflete a receptividade ao Direito Romano vulgar.
II. Breviário de Alarico
Breviário de Alarico
Código de Leovigildo
Código de Recesvindo
Os argumentos utilizados são:
- não existe nenhuma fonte normativa que suporte o princípio da personalidade
- no Código de Eurico existem leis territoriais e leis que revogam os preceitos romanos
- o Código de Eurico foi revogado por uma espécie de circular (Commonitorium) que
acompanhou a promulgação do Breviário de Alarico
- inclusão, no Breviário de Alarico, da Lei de Teudis a que se confere caráter territorial
c) Posição atual do problema
Código de Leovigildo
Código de Recesvindo
O Código de Recesvindo revogou simultaneamente o Código de Leovigildo e o
Breviário de Alarico.
A discussão mantém-se, pois verifica-se a falta de fontes seguras que prejudica a
solução do enigma.
15.3. Direito consuetudinário visigótico
A possível subsistência de um direito consuetudinário visigótico assenta em dois
fatores:
- o sistema jurídico peninsular era dotado de uma relativa uniformidade
- este sistema era diferente do postulado no Código Visigótico e mais próximo do
direito germânico
Não terá havido uma discrepância total entre o direito oficial e a prática jurídica.
Todavia, parece ser de aceitar a possível sobrevivência de alguns costumes do antigo
direito germânico, sobretudo, nas regiões periféricas. No Estado Visigótico sempre terá
prevalecido tendencialmente o direito escrito, graças à conhecida atividade legislativa
que o marcou.
15.4. Direito canónico. Os concílios de Toledo
Verifica-se a importância do Direito Canónico no reino Visigótico, cujo âmbito
compreendia:
- estrutura da Igreja Católica
- assuntos espirituais
- aspetos da vida secular dos fiéis
II Semestre
Capítulo 4 – Período do domínio muçulmano e da reconquista cristã
Califa de Damasco
c) O Islão e os cristãos
A doutrina islâmica distinguia:
- os idólatras ou pagãos, obrigados a converter-se ao Islamismo sob pena de execução
PARTE III
O período fértil que se sucede desenvolve-se em torno da Academia Real das Ciências e
da Universidade de Coimbra. Na primeira, foram publicadas importantes obras da
autoria de António Caetano do Amaral, Frei Joaquim de Santa Rosa de Viterbo, José
Anastásio de Figueiredo, João Pedro Ribeiro e Segundo Visconde de Santarém. Da
Universidade de Coimbra provém a “Collecção da Legislação Antiga e Moderna do
Reino de Portugal” e outras obras da autoria de Luís Joaquim Correia da Silva, Ricardo
Raimundo Nogueira, António Ribeiro dos Santos e Coelho da Rocha.
Na sua obra “História da Administração Pública em Portugal nos Séculos XII a XV”,
Gama Barros procede ao estudo cuidado de múltiplas instituições públicas e privadas. É
evidente a sua formação jurídica. As suas perspetivas refletem uma combinação da
Escola Histórica do Direito, de Savigny e do positivismo.
Verifica-se uma grande variedade de forais quanto à sua dimensão e ao seu conteúdo.
Enquanto fontes de Direito local, eram instrumentos de garantia dos direitos individuais
e concretos das pessoas. Tratam-se de instrumentos particulares, concedidos em favor
de um grupo determinado. Continham normas de Direito Público, mas não de Direito
Privado.
A outorga de um novo foral tomava como modelo um foral anterior, surgindo, deste
modo, grupos ou famílias de forais.
IV. Costume
O costume é fonte de Direito, com vigência conservada após a fundação da
nacionalidade, sobretudo no que concerne ao Direito Privado.
Estas leis denotam a influência das compilações justinianeias e nelas foi incorporada
uma norma que dava prevalência ao Direito Canónico em caso de conflito.
De um modo geral, referiam-se a questões de proteção da fazenda da coroa, do combate
aos abusos dos funcionários régios, da garantia das liberdades individuais, da
condenação expressa da vingança privada e da defesa das classes populares.
A par dos forais, estas leis constituem exemplos de preceitos de aplicação geral,
destinados à garantia de direitos individuais e concretos.
Contudo, esta legislação ainda não era produto da vontade exclusiva do rei, sendo que a
promulgação das leis dependia de consulta prévia da Cúria. A partir do reinado de D.
Afonso II, os monarcas tendem a sobrepor a lei às normas consuetudinárias
inconvenientes.
II. Forais
Os forais constituem uma fonte de Direito local e a sua abundância deve-se à
necessidade de estabilização da independência do reino, com recurso à conquista e
povoamento de terras.
Com estes se facilita o acesso ao capital por parte de quem não o tem.
Uma norma humana positiva que fosse contrária à lei natural não possuía qualquer valor
– estava legitimada a desobediência, dado essa norma não ser lei, mas uma corrupção de
lei.
Realidade: o Digesto já era conhecido e citado antes do século XII e nunca um único e
pontual episódio poderia determinar todo um renascimento, antes assentando em várias
causas históricas e jurídicas:
- as tentativas de restauração do Império Romano do Ocidente procuraram restaurar, de
igual modo, o seu ordenamento jurídico; estas tentativas levaram ao agudizar das
Esta sistematização, que fracionou o Corpus Iuris Civilis em cinco partes, teve por base
a descoberta separada dos textos componentes e a natureza e dimensão distintas das
quatro partes originais.
c) Método de trabalho
I. A glosa e outros tipos de obras
O principal e predileto instrumento de trabalho dos membros da Escola de Bolonha era
a glosa. No entanto, não era o único:
- regulae iuris: definições que os Glosadores enunciavam, de forma sintética,
procurando nelas condensar princípios ou dogmas jurídicos basilares e que depois
reuniam em compilações
- casus: inicialmente, eram exemplificações de hipóteses concretas de aplicação das
normas jurídicas, tendo evoluído para verdadeiras exposições interpretativas
O auge da Escola dos Comentadores deu-se entre os séculos XIV e XV, com Cino da
Pistoia, Bártolo, Baldo, Paulo de Castro e Jasão. Bártolo, pela sua produtividade e
influência, foi o jurista mais eminente da Escola dos Comentadores.
Os comentários de Bártolo, pelo prestígio generalizado que mereceram, tornaram-se
fonte subsidiária de Direito nos diversos ordenamentos jurídicos europeus, tendo, em
Portugal, sido supletivamente aplicados a par da Glosa de Acúrsio, por força das
Ordenações.
Uma outra coletânea surgida foi a “Decretais de Gregório IX”, promulgada pelo Papa
Gregório IX, em 1234. Constituía uma coletânea de normas pontifícias posteriores ao
“Decreto de Graciano”, que abrangia âmbitos jurídico-eclesiásticos diversos e que
revogou normas canónicas subsequentes àquela coletânea que não haviam nela sido
incluídas.
Surge uma revisão revista das compilações anteriores, aprovada pelo Papa Gregório
XIII, o Corpus Iuris Canonici. Este incorporou as fontes básicas do Direito da Igreja
que vigoraram durante o período da Reforma católica.
Seria revogado pelo Codex Iuris Canonici, mandado elaborar pelo Papa Pio X e
promulgado pelo Papa Bento XV, em 1917. Este era já um código em sentido técnico,
com rigor científico, sintético e sistemático.
Já Guilherme Braga da Cruz e José Mattoso acreditavam que o Direito Canónico não
prevalecia sobre o Direito nacional, nem era aplicado imediatamente aos concretos
casos jurídicos, considerando que D. Afonso II pretendia apenas salvaguardar os
direitos específicos da Igreja.
O Direito Comum diferencia-se, assim, dos Direitos próprios que se iam desenvolvendo
nos ordenamentos jurídicos particulares dos Estados, formados por normas legislativas e
consuetudinárias.
Até então, a promulgação de leis gerais era um acontecimento raro, que exigia a
convocação da Cúria para a sua discussão e consequente aprovação (tradição da
monarquia limitada pelas ordens). Mas a partir do reinado de D. Afonso III, a lei passa a
ser vista como produto da vontade do soberano e também como sua atividade normal,
sendo elaborada sem o suporte político das Cortes. Os reis rodeiam-se de juristas de
formação romanística, com o propósito de melhorar a perfeição técnico-jurídica das leis
emanadas.
Não havia um regime fixo que determinasse a publicação e a entrada em vigor das
novas leis, manuscritas e copiadas, e registadas na chancelaria régia, que funcionava
como um mecanismo de fiscalização da autenticidade das leis e elemento de prova do
Direito em vigor.
A utilização dos tabeliães para dar publicidade aos preceitos legais, os quais foram
encarregues do seu registo e da sua leitura, tornou-se frequente. Normalmente, as leis
novas eram lidas semanalmente durante um ano e a prática corrente era a da aplicação
imediata da lei nova.
V. Concórdias ou concordatas
Perante as discórdias entre o poder espiritual e o poder temporal, era necessária a
celebração de acordos entre os dois poderes, com o objetivo de reconhecer os direitos e
deveres de ambas as partes.
Era exigida a ratificação pelo poder político das determinações pastorais da Igreja, antes
de circularem, respeitantes ao nosso país – beneplácito régio. Este constitui uma
violação grave da liberdade de autogoverno da Igreja Católica.
b) Ordenações de D. Duarte
c) Sistematização e conteúdo
As Ordenações Afonsinas apresentam-se divididas em 5 livros, que, por sua vez, se
dividem em títulos com rúbricas e, ainda certas vezes, com parágrafos. No início de
cada livro, verifica-se um proémio.
d) Importância da obra
A posterior evolução do Direito Português teve como base as Ordenações Afonsinas,
verificando-se uma mera atualização das mesmas nas Ordenações que lhes sucederam.
Esta obra denota o caráter precoce do movimento de centralização política em Portugal
e igualou o nível meritório das restantes obras estrangeiras da época.
Assumem-se um precioso elemento de investigação histórica, em virtude da forte
utilização do estilo compilatório.
e) Edição
As Ordenações Afonsinas não conheceram uma edição impressa durante a sua vigência.
Deste modo, a reforma das Ordenações Afonsinas deu origem a uma nova coletânea: as
Ordenações Manuelinas, cuja primeira edição data de 1514. No entanto, só em 1521 foi
editada a sua versão definitiva. Para evitar confusões, foi ordenada por Carta Régia,
neste último ano, a destruição dos exemplares anteriores e a aquisição dos novos.
c) Edição
A coletânea foi objeto de várias edições, sendo de destacar a edição de 1797 – edição
universitária para uso em investigação histórica.
45. Coleção das Leis Extravagantes de Duarte Nunes do Lião. Breve nota
Num contexto de grande produção legislativa, surgiu a necessidade de uma coletânea
que complementasse, de forma sistematizada, as Ordenações Manuelinas, permitindo,
assim, uma maior certeza e segurança jurídicas.
Deste modo, o Cardeal D. Henrique delegou em Duarte Nunes de Lião a tarefa de
organizar o Direito extravagante ( = legislação avulsa) num único repositório.
Assim, a Coleção das Leis Extravagantes de Duarte Nunes do Lião conheceu uma
versão impressa oficial em 1569.
Na sua elaboração, intervieram Jorge de Cabedo, Afonso Vaz Tenreiro e Duarte Nunes
de Lião. As Ordenações Filipinas foram aprovadas em 1595, mas só entraram em vigor
em 1603, já no reinado de Filipe II.
d) Os “filipismos”
A preocupação fundamental dos autores das novas Ordenações foi rever e coordenar o
Direito vigente, reduzindo ao mínimo as inovações:
- atualização por mero aditamento do novo ao antigo, sem uma reformulação adequada
dos preceitos
- surgimento de contradições resultantes da introdução de disposições opostas a outras
que não se eliminaram
Assim, “filipismos” é o nome pelo qual ficou conhecida esta falta de originalidade e as
contradições operadas pelas reformas legislativas da ocupação filipina. Estes
“filipismos” tiveram origem no respeito forçado pelo texto manuelino.
e) Edição
Entre as várias edições das Ordenações Filipinas, é de destacar a Edição Vicentina, de
1747, associada a uma tentativa frustrada de promulgação de umas novas ordenações.
Foram também editadas no Brasil, em 1870, por iniciativa de Cândido Mendes de
Almeida. Neste país, estiveram em vigor até 1916.
Em 1518, um alvará determinou que a eficácia das leis ocorreria três meses após a sua
publicação na chancelaria, independentemente da sua publicação nas comarcas.
As Ordenações Manuelinas encurtaram o período de vacatio legis para oito dias quanto
à Corte, ao passo que os restantes diplomas (não submetidos à chancelaria) entravam em
vigor na data da sua publicação.
Assim, o efetivo conhecimento das leis dependia da distância que separava as comarcas
da Corte.
b) Estilos da Corte
As Ordenações conferem aos estilos da Corte o estatuto de fonte de Direito, a par da lei
e do costume.
c) O costume
As Ordenações vieram regular expressamente a força jurídica do costume, que era
reconhecido não só quando era conforme à lei (secundum legem), como para além dela
(praeter legem) e mesmo contra ela (contra legem).
As Ordenações Afonsinas faziam uma mera referencia à vigência do costume, enquanto
que as Ordenações Manuelinas introduziram alguns detalhes:
- equiparação da validade dos costumes locais e gerais
- dependência da sua observância das situações em que a doutrina romanística e
canonística admitisse a sua vigência
As Ordenações Filipinas mantiveram estas regras.
Fontes Imediatas
Direito Romano-Canónico
Resoluções do rei
A sua designação advém do facto de serem instituições que se propunham realizar obras
de misericórdia. De acordo com a tradição cristã e a interpretação do Evangelho de S.
Mateus, essas obras eram em número de catorze - sete corporais e sete espirituais:
Sete espirituais:
A primeira é ensinar os ignorantes.
A segunda é dar bom conselho a quem o pede.
A terceira é corrigir com caridade os que erram.
A quarta é consolar os tristes desconsolados.
A quinta é perdoar a quem nos ofendeu.
A sexta é sofrer as injúrias com paciência.
A sétima é rogar a Deus pelos vivos e pelos mortos.
A SMCL foi criada como irmandade, sendo como todas as SCM vindouras apoiada
inicialmente pela Igreja. Em 1919 passou para a tutela do Estado, tendo em 1991 sido
constituída como Fundação, sendo o Estado o principal instituidor, e assumindo o
estatuto de Pessoa Colectiva de Utilidade Pública Administrativa.
49. Reforma dos forais
Verificou-se a desatualização dos forais, cuja maioria das disposições fora revogada
pela legislação geral ou estava absolutamente superada. O próprio suporte físico de
muitos deles se apresentava em estado de deterioração.
O estado obsoleto dos forais foi denunciado nas Cortes, tendo D. João II impulsionado a
sua reforma. Assim, determinou a recolha e envio de todos os forais à Corte para se
proceder à respetiva remodelação, ou perderiam a sua validade.
Já no reinado de D. Manuel I, o movimento de reforma dos forais intensificou-se. O
monarca ordenou o envio à Corte de todos os forais que ainda não lhe haviam chegado e
nomeou uma comissão revisora.
Em 1520, deu-se por concluída a reforma da qual surgiram os forais novos ou
manuelinos. Estes regulavam somente os encargos e tributos devidos pelos concelhos à
coroa e aos donatários das terras.
c) Jurisprudência Elegante
A Jurisprudência Elegante constituiu uma continuação da escola do humanismo jurídico
na Holanda, também com pouca influência em Portugal.
d) Iluminismo
O Iluminismo é um movimento de ideias que consiste na consideração da razão como
única fonte de conhecimento, o que levava a rejeitar toda a autoridade que não se
pudesse justificar perante o senso comum do pensador individual.
Os ideais iluministas exerceram muita influência em Portugal, através do pombalismo.
No contexto das monarquias absolutas do século XVIII, surge o despotismo iluminado,
característica dos governos de Luís XIV, Frederico II, José II e Marquês de Pombal: o
rei absoluto é o iluminado. O programa iluminista é, assim, o novo fundamento
ideológico das monarquias absolutas na Europa.
Os veículos das novas ideias são os estrangeirados, como Luís António Verney.
As reformas jurídicas de Pombal têm como objeto:
- modificações legislativas pontuais
- atividade científico-prática dos juristas
- ensino do Direito
O esclarecimento de alguns aspetos da Lei da Boa Razão deu-se através dos Estatutos
da Universidade (1772).
§ 2. Época do individualismo
Estes postulados foram refutados por Gény, que defendia a livre investigação científica
do Direito. Acreditava que a Escola da Exegese conduzia à estagnação da ciência
jurídica, que não respondia às exigências impostas pela prática.
Mais tarde, os postulados desta Escola seriam retomados por Kelsen e pelo seu
positivismo normativista.
Os partidários desta Escola defendem que o Direito tem, por pressuposto, uma
dimensão histórica, uma vez que brota espontaneamente do espírito do povo.
Surgem duas fações na Escola Histórica:
Distinção entre:
- codificação: intenção inovadora, no sentido de se proceder a uma autêntica
transformação jurídica, num certo ramo do Direito
- compilação: tradicionais coletâneas jurídicas, consistem na mera organização e
consolidação do Direito vigente (Corpus Iuris Civilis e Ordenações portuguesas)