Direito Processual Civil
Direito Processual Civil
Direito Processual Civil
Art. 1º, CPC: O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e as normas fundamentais
estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste Código.
Inicialmente, cabe dizer o óbvio: o direito processual civil deve ser lido a partir da normativa constitucional. A
informação consta expressamente no art. 1º, CPC, e também pode ser identificada no art. 8º, CPC, quando estabelece
que ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e
promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a
publicidade e a eficiência – alinhando-se com os princípios fundamentais da Constituição Federal.
Norma jurídica é a interpretação de determinado dado previsto no ordenamento jurídico. Por isso, não se pode
confundir norma jurídica e texto legal – que é o dispositivo positivado, pois apenas quando há a extração do sentido do
texto legal é que a norma legal passa a ser norma jurídica.
a) Objetiva
I. VETOR LEGISLATIVO: o legislador é atingido pelas normas princípios. Assim, ao elaborar normas
regras, o legislador deve estar atento aos princípios existentes no sistema.
II. VETOR INTERPRETATIVO: o aplicador do direito é atingido pelas normas princípios. Assim, os
juízes, na condução do processo, devem interpretar as normas jurídicas à luz dos princípios
existentes no sistema. Por exemplo, a Lei 10.259/01 (JEF) não traz em seu bojo a previsão de
contraditório na fase de cumprimento de sentença; porém, atentos aos princípios do
contraditório e da ampla defesa, os juízes do JEF facultam ao Estado a possibilidade de contestar
o cálculo trazido pelo autor.
b) Subjetiva
As normas princípios estabelecem uma posição jurídica de vantagem para quem se beneficia delas,
portanto atingem os sujeitos do processo.
Art. 2º, CPC: O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei.
a) Aplicação prática
Art. 141, CPC: O juiz decidirá o mérito nos limites propostos pelas partes, sendo-lhe VEDADO conhecer de questões
não suscitadas a cujo respeito a lei exige iniciativa da parte.
Art. 492, caput, CPC: É VEDADO ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como condenar a parte
em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.
TOME NOTA! A Segunda Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou acórdão da Segunda Turma Julgadora Mista
dos Juizados Especiais de Goiás que, DE OFÍCIO, condenou o Banco Bradesco S/A a pagar R$ 15 mil como INDENIZAÇÃO
POR DANO SOCIAL pelo fato de um cliente ter permanecido muito tempo na fila de atendimento. Segundo o ministro
Salomão, o Código de Processo Civil concretiza os princípios processuais da inércia e da demanda e estabelecem que a
atividade jurisdicional está submetida aos limites do pedido e da causa de pedir. Portanto, os danos sociais – difusos,
coletivos e individuais homogêneos – devem ser reclamados por quem tem legitimidade para propor ações coletivas .
Assim, ainda que o autor da ação tivesse apresentado pedido de fixação de dano social, haveria falta de legitimidade
para pleitear, em nome próprio, um direito da coletividade.
b) Mitigação
O art. 322, §2º, CPC, mitiga o rigor do princípio da demanda ao abrir a possibilidade de concessão de pedidos
implícitos. Por exemplo: Imagine que haja uma negativação indevida... Na ação, o autor pede indenização por danos
morais, mas esquece de pedir a declaração de inexistência do débito. Neste caso, o juiz pode entender que tal pedido
está IMPLÍCITO e, portanto, concedê-lo.
O princípio da demanda também sofre mitigação em face dos poderes instrutórios do juiz. Assim, apesar de ser
dever das partes o pedido das provas que desejam produzir; o art. 370, caput, CPC, estabelece que, ainda que as partes
não peçam determinadas provas, o juiz poderá determinar – de ofício – as provas necessárias ao julgamento do mérito.
c) Exceções
Art. 322, §1º, CPC: Compreendem-se no (pedido) principal os juros legais, a correção monetária e as verbas de
sucumbência, inclusive os honorários advocatícios – ainda que não conste expressamente.
Art. 323, CPC: Na ação que tiver por objeto cumprimento de obrigação em prestações sucessivas, essas serão
consideradas incluídas no pedido, INDEPENDENTEMENTE DE DECLARAÇÃO EXPRESSA DO AUTOR, e serão incluídas na
condenação, enquanto durar a obrigação, se o devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las.
Art. 278, CPC: A nulidade dos atos deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber à parte falar nos autos,
sob pena de preclusão.
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no caput às nulidades que o juiz deva decretar DE OFÍCIO, nem prevalece a
preclusão provando a parte legítimo impedimento.
Art. 485, §3º, CPC: O juiz conhecerá DE OFÍCIO, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o
trânsito em julgado, as seguintes matérias:
→ Ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo;
→ Existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada;
→ Ausência de legitimidade ou de interesse processual;
→ Ação considerada intransmissível por disposição legal em caso de morte da parte.
Art. 493, CPC: Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no
julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, DE OFÍCIO ou a requerimento da parte, no momento
de proferir a decisão.
Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir.
Art. 712, caput, CPC: Verificado o desaparecimento dos autos, eletrônicos ou não, PODE O JUIZ, DE OFÍCIO, qualquer
das partes ou o Ministério Público, se for o caso, PROMOVER-LHES A RESTAURAÇÃO.
Art. 730, CPC: Nos casos expressos em lei, não havendo acordo entre os interessados sobre o modo como se deve
realizar a alienação do bem, O JUIZ, DE OFÍCIO ou a requerimento dos interessados ou do depositário, MANDARÁ
ALIENÁ-LO EM LEILÃO (...).
Art. 738, CPC: Nos casos em que a lei considere jacente a herança, O JUIZ em cuja comarca tiver domicílio o falecido
PROCEDERÁ IMEDIATAMENTE À ARRECADAÇÃO DOS RESPECTIVOS BENS.