15 Anos Da Lei Maria Da Penha
15 Anos Da Lei Maria Da Penha
15 Anos Da Lei Maria Da Penha
GOIÂNIA
2021
CESAR JUNIO GUIMARÃES
DE PAIVA
GOIÂNIA
2021
15 ANOS DA LEI MARIA DA PENHA
BANCA EXAMINADORA
RESUMO ........................................................................................................................ 7
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 8
2. HISTORICO DA LEI MARIA DA PENHA .................................................................. 9
3. SUJEITOS DO CRIME DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ............................................ 16
3.1. CRIME ................................................................................................................ 17
3.2. O QUE É CRIME DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. ............................................... 18
3.3. SUJEITO ATIVO DO CRIME .............................................................................. 21
3.4. VÍTIMAS, SUJEITOS PASSIVOS DO CRIME. ................................................... 24
4. MEDIDAS PROTETIVA ........................................................................................... 28
5. OS AMPLOS ENFOQUES DO CONCEITO DE VÍTIMA DOS CRIMES DE
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. ...................................................................................... 36
6. CONCLUSÃO .......................................................................................................... 47
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................ 48
7
RESUMO
1. INTRODUÇÃO
em nossa sociedade. A lei não trata da violência de gênero no seu aspecto mais
abrangente, seu véu de aplicabilidade se estende a violência praticada pelo
homem contra a mulher, no âmbito doméstico ou familiar, ou até mesmo em
situações em que o homem impõe uma condição de superioridade a mulher.
Seu texto serviu de base para a legislação feminina vigente, e foi foco
de inúmeras discussões acerca do tema, haja vista a grande repercussão do
referido relatório, inclusive, internacionalmente, o que provocou grandes debates
que culminaram, 21 cerca de cinco anos após, com o advento da Lei nº.
11.340/06, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha.
[...]
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos reitera ao Estado
Brasileiro as seguintes recomendações:
1. Completar rápida e efetivamente o processamento penal
do responsável da agressão e tentativa de homicídio em prejuízo da
Senhora Maria da Penha Fernandes Maia.
2. Proceder a uma investigação séria, imparcial e exaustiva
a fim de determinar a responsabilidade pelas irregularidades e atrasos
injustificados que impediram o processamento rápido e efetivo do
responsável, bem como tomar as medidas administrativas, legislativas
e judiciárias correspondentes.
3. Adotar, sem prejuízo das ações que possam ser
instauradas contra o responsável civil da agressão, as medidas
necessárias para que o Estado assegure à vítima adequada reparação
simbólica e material pelas violações aqui estabelecidas,
particularmente por sua falha em oferecer um recurso rápido e efetivo;
por manter o caso na impunidade por mais de quinze anos; e por
impedir com esse atraso a possibilidade oportuna de ação de
reparação e indenização civil.
4. Prosseguir e intensificar o processo de reforma que evite
a tolerância estatal e o tratamento discriminatório com respeito à
violência doméstica contra mulheres no Brasil. A Comissão
14
Pela leitura do voto, extrai-se que uma das maiores conquistas da luta
feminina foi a tipificação da violência doméstica, tanto física, sexual, patrimonial,
psicológica como moral.
3.1. CRIME
Para o jurista Luiz Flávio Gomes, o delito pode ser interpretado como
injusto penal ou como injusto punível. Injusto penal é o fato típico e antijurídico.
O injusto punível seria os dois aspectos mencionados acrescentando um terceiro
que seria a punibilidade abstrata. Ou seja, após cometer um fato contrário a lei
e que tal fato não excluía qualquer ilicitude, tal agente deveria ser punido.
(GOMES, 2004).
dos maiores jurista do Brasil, Cleber Masson, considera crime qualquer conduta
que colida contra a norma penal, atendo-se ao sub especie iuris, considerando
todo ato humano proibido pela lei penal. Mas não apenas isso, pois o tal critério
observa o ponto de vista do legislador que nos direciona para o que é crime em
relação a infração penal, sendo ele, de acordo com o legislador, qualquer fato
que comine em pena de reclusão ou detenção (MASSON, 2015).
Que fique claro, nos dois casos, para a aplicação da Lei Maria da
Penha, deve estar constatada a vulnerabilidade da vítima pelo gênero. Nesse
sentido:
22
A lei ora estuda, em seu art. 1º, define como sujeito passivo do crime
de violência doméstica, a mulher:
4. MEDIDAS PROTETIVA
Foi criada mais uma hipótese de prisão preventiva (CPP 313 III),
que pode ser decretada por iniciativa do juiz, a requerimento do
Ministério Público ou mediante representação da autoridade
policial (LMP 20).
33
efetiva ameaça contra a igualdade de gênero requer. Nesse sentido não se pode
olvidar que houve a incessante busca para demonstrar a necessidade latente
das medidas especificas e consistentes no combate e prevenção aos crimes
cometidos contra mulheres que se encontram em situação de vulnerabilidade e
também levando em consideração as peculiaridades na violência de gênero.
De outro lado, não se pode aplicar uma legislação que não dispensa
tratamento processual adequado às vítimas de crimes de violência de gênero.
Vejamos:
(...)
VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER –
REGÊNCIA – LEI Nº 9.099/95 – AFASTAMENTO. O artigo 41 da lei
11.340/06, a afastar, nos crimes de violência doméstica contra a
mulher, a lei 9.095/99, mostra-se em consonância com o disposto no §
8º do artigo 226 da Carta da República, a prever a obrigatoriedade de
o Estado adotar mecanismos que coíbam a violência no âmbito das
relações familiares. (..)(ADC19, Relator o Ministro Marco Aurélio de
Mello, Tribunal Pleno, julgado em 09/02/2012, Dje 080, publicado em
29/04/2014).
Sobre tal contexto, Jesus (2012) preleciona que o gênero está além
do sexo, visto que o que realmente importa “na definição do que é ser homem
ou mulher, não são os cromossomos ou a conformação genital, mas a auto-
percepção e a forma como a pessoa se expressa socialmente” (JESUS, 2012,
39
p.8)
nome que lhe foi imposto por terceiro, não há o respeito pleno à
sua personalidade. 8. O Código Civil, em seu artigo 15,
estabelece que ninguém pode ser constrangido a se submeter,
principalmente se houver risco para sua vida, a tratamento
médico ou intervenção cirúrgica, caso aplicável à cirurgia de
redesignação de sexo. 9. A cirurgia de redefinição de sexo é um
procedimento complexo que depende da avaliação de
profissionais de variadas áreas médicas acerca de sua
adequação. 10. A decisão individual de não se submeter ao
procedimento cirúrgico tratado nos autos deve ser respeitada,
não podendo impedir o indivíduo de desenvolver sua
personalidade. 11. Condicionar a alteração do gênero no
assentamento civil e, por consequência, a proteção da dignidade
do transexual, à realização de uma intervenção cirúrgica é limitar
a autonomia da vontade e o direito de o transexual se
autodeterminar. Precedentes. 12. Recurso especial provido.
(STJ - REsp: 1860649 SP 2018/0335830-4, Relator: Ministro
RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Data de Julgamento:
12/05/2020, T3 - TERCEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe
18/05/2020)
6. CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GERHARD, Nadia. Patrulha Maria da Penha. 1. ed. Porto Alegre: Age Editora,
2014.
GOMES, Luiz Flávio. Direito Penal – parte geral. V. 3. São Paulo: RT, 2004.
PIOVESAN, Flávia. Temas de Direitos Humanos. 10ª ed., rev., ampl. e atual.
Saraiva, São Paulo, 2017. p. 430.
MASSON, Cleber. direito penal, volume 1, parte geral: (arts. 1º a 120) / Cleber
Masson. — 10. ed. — Método, 2015
VARIKAS, Eleni. Jornal das damas: feminismo no sec. XIX na Grécia. In:
SEMINÁRIO RELAÇÕES SOCIAIS DE GÊNERO VERSUS RELAÇÕES DE
SEXO. São Paulo:FFLCH/USP. 1989.
https://www.cidh.oas.org/annualrep/2000port/12051.htm
https://ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_alphacontent&ordering=3&limit
start=4460&limit=20#:~:text=S%C3%A3o%2021%2C9%20milh%C3%B5es%20
de%20fam%C3%ADlias%20chefiadas%20por%20mulheres.,%2C%20envelhec
imento%20populacional%2C%20entre%20outros.
EL PAÍS. América Latina é a região mais letal para as mulheres. Disponível em:
https://brasil.elpais.com/brasil/2018/11/24/actualidad/1543075049_751281.html
Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3914.htm
Disponível em:
https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=2020010
80290&dt_publicacao=16/11/2020
2021.