Viralizou
De Juan Jullian e Igor Verde
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Sobre este e-book
Péu Madruga, conhecido jornalista de fofocas, acabou de conseguir o furo que pode salvar sua carreira. Só que a notícia é justamente sobre Talitta Bumbum, a funkeira do momento e ex-amiga de infância de Péu. Mas… amigos, amigos, negócios a parte, né? Revoltada com a traição, Talitta resolve confrontar Péu e tirar as muito devidas satisfações.
No meio da briga chega a notícia bombástica: aquele estouro lá fora não era bala perdida. Eram ZUMBIS. É isso mesmo! O apocalipse zumbi chegou com tudo na cidade do Rio de Janeiro — segurem os seus biscoitos Globo. Sem mais alternativas, Péu e Talitta vão precisar se unir se quiserem ter qualquer chance de se manter vivos.
Em meio a uma cidade tomada (ainda mais do que o normal) pelo caos, com um presidente que jura que a situação não passa de um viruzinho, e com seus corpos a um triz de virarem fast-food de zumbi, será que os ex-amigos irão provar que o brasileiro consegue, sim, sobreviver a tudo?
Viralizou, de Juan Jullian e Igor Verde, é uma genial aventura de terror cômico em que antigas amizades precisarão se provar mais fortes do que tudo para salvar o mundo. E, claro, com uma boa dose de funk.
Classificação indicativa: 18 anos.
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Viralizou - Juan Jullian
CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO
SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ
Jullian, Juan
Viralizou [recurso eletrônico] / Juan Jullian, Igor Verde. - 1. ed. - Rio de Janeiro : Galera, 2022.
recurso digital
Formato: epub
Requisitos do sistema: adobe digital editions
Modo de acesso: world wide web
ISBN 978-65-5981-229-5 (recurso eletrônico)
1. Ficção brasileira. 2. Livros eletrônicos. I. Verde, Igor. II. Título.
22-80272
CDD: 869.3
CDU: 82-3(81)
Meri Gleice Rodrigues de Souza - Bibliotecária - CRB-7/6439
Copyright © Copyright © 2022 by Juan Jullian e Igor Verde
Todos os direitos reservados.
Proibida a reprodução, no todo ou em parte, através de quaisquer meios.
Os direitos morais dos autores foram assegurados.
Texto revisado segundo o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Direitos exclusivos de publicação em língua portuguesa somente
para o Brasil adquiridos pela
EDITORA GALERA RECORD LTDA.
Rua Argentina, 120 – Rio de Janeiro, RJ – 20921-380 – Tel.: (21) 2585-2000, que se reserva a propriedade literária desta tradução.
Produzido no Brasil
ISBN 978-65-5981-229-5
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Para todo brasileiro que sobreviveu ao apocalipse.
Jurei mentiras e sigo sozinho
Assumo os pecados
Os ventos do norte não movem moinhos
E o que me resta é só um gemido
Minha vida, meus mortos, meus caminhos tortos
Meu sangue latino
Minha’alma cativa
Rompi tratados, traí os ritos
Quebrei a lança, lancei no espaço
Um grito, um desabafo
E o que me importa é não estar vencido
— Sangue latino
— Secos e Molhados
Sumário
Prólogo
Diamantes são os melhores amigos de uma funkeira
Um segundo de paz
Bumbum bumbum bumbum
Morto-vivo vivo-morto
A fofoca do ano
Vai que é tua, péu madruga
Listerine faz mágica
Um cadáver na lixeira
5672 bonecos cabeçudos
Cafuné no fim do mundo
Skincare
De laje em laje
Pipoca de micro-ondas
Altinha
Zumbis veganos?
Malvadão
Vai ser na praia da barra que uma moda eu vou lançar
Barra Beach Lounge para os clientes Golden Black Star Plus
Pior que a morte
Ai, que carne humana!
O baile funk no fim do mundo
Estranhos no ninho
Orgias apocalípticas
Surubapalooza
Para sempre Volta Redonda
Te dou parabéns
Adeus
Engarrafamento zumbi
Trio elétrico
Água mineral
Garota bumbum
Prólogo
Toneladas e mais toneladas de rochas espaciais caem diariamente no planeta Terra. Essas pedras ficam por aí, vagando no espaço, até serem atraídas pela gravidade do nosso planeta e não resistirem, jogando-se com toda a força para cima dessa imensa massa azul. A maioria delas se desfaz quando atravessa a atmosfera, dando origem às estrelas cadentes. Essa informação será importante daqui a pouco, guarde-a aí.
Elizete e Fábio tinham se visto pela primeira vez naquela noite. Tocava um forró bom de bater coxa em uma das barracas sempre abarrotadas na Nova Holanda, uma favela às margens da Avenida Brasil. Elizete estava arrasando: batom vermelho, unhas carmim, um vestido tubinho azul-caneta que marcava os quadris, os peitos prontos para se jogar do decote tulipa um número menor do que o necessário.
Já Fábio não era um dos caras mais bem-vestidos por ali. Usava calça jeans, tênis colorido e blusa de um time qualquer de futebol. Elizete nem tinha notado sua presença. Mas a noite avançou, o álcool começou a subir à cabeça, Fábio tirou a camisa e Elizete reparou em uma pinta bem no bico do peito dele. Não tinha barriga tanquinho, o peitoral era fraquinho, as costas meio arqueadas por conta da escoliose, mas tinha uma bela pinta preta bem no meio do bico do peito direito.
Elizete amava pintas e, principalmente, bico de peito. Os dois juntos, bem juntinhos, grudadinhos, era uma visão que mexia com seus desejos mais profundos. Em um segundo deu um golão na latinha azul que continha uma venenosa mistura de gim, tônica e algumas centenas de químicos capazes de convertê-la em uma bêbada cheia de coragem, coragem o suficiente para fixar os olhos naquele cara com terríveis falhas estéticas.
Fábio estava meio perdido ali. Alguns amigos o chamaram e disseram que era por conta deles. Tinha terminado um namoro havia menos de um mês e ainda arrastava seu corpo franzino para fora da fossa em que se enfiou depois do pé na bunda. Os amigos prometeram que na Nova Holanda a fossa teria um fim: ele seria arrancado dela pela bebida ou por um novo amor. Ou pelos dois. Com isso em mente, escolheu sua melhor calça jeans, seu tênis Nike de cinco cores — três das quais ele não conseguia exatamente nomear — e sua camiseta preferida do Bayern de Munique, toda vermelha, original da Adidas, modelo usado na final da Liga dos Campeões de 2013. Número 10 do Robben, detalhe que ele fazia questão de sublinhar. As gatas piram – bom, pelo menos na cabeça dele. Tanto que quando Elizete foi se aproximando da mesa suas ações aconteceram na seguinte ordem: olhar, dar um gole na bebida, olhar de novo, não acreditar, o queixo cair, engolir em seco e vestir a camiseta. Elizete chegou.
— Poxa, vai vestir a blusa só porque eu cheguei?
Elizete ficou nitidamente chateada. Esperava poder ver um pouquinho mais da pinta no bico do peito dele.
— É, só tirei porque tava quente.
— Eu só vim porque tava quente.
A resposta assim, na lata, deixou Fábio sem ação. Ele se escondeu atrás de mais um gole enquanto passava levemente a mão no peito direito, ato reflexo que sempre repetia em situações de grande pressão… Elizete amou ver aquele gesto, fez subir uma vontade. O forró acelerou.
— Dança comigo? — Elizete convidou, enquanto Fábio só conseguiu fazer um gesto de concordância.
Fábio era terrível dançando, mas Elizete até se divertiu com o rapaz sem jeito, tentando aprender forró ali, na hora, no improviso. Apesar de mal arrumado, era cheiroso e tinha uma delicadeza que ela gostava. Fábio perdia a cabeça toda vez que sentia a coxa dela entre a sua, movimento que o fazia esquecer a concentração e errar o passo. Não que acertasse o passo quando estava concentrado: o máximo que fazia era garantir que não estava pisando no pé dela. Aquele exercício de dançar forró sem saber, cheio de tesão e calor, estava desconfortável demais para ele.
O desconforto foi cortado por um batidão de 150 BPM. Substituindo o forró, o funk de Talitta Bumbum tomou conta do lugar.
GAROTA BUMBUM - BUMBUM BUMBUM BUMBUM
EU SOU A GAROTA BUMBUM - BUMBUM BUMBUM BUMBUM
Todas as rabas se mexeram ao som daquela música. Todas menos a de Fábio, que se viu imóvel, hipnotizado pela dança de Elizete.
GAROTA BUMBUM - BUMBUM BUMBUM BUMBUM
EU SOU A GAROTA BUMBUM - BUMBUM BUMBUM BUMBUM
Sem controlar seu corpo diante do funk da Garota Bumbum, Elizete só percebeu a expressão de paspalho do Fábio quando o queixo do rapaz já estava próximo do chão. A imagem daqueles olhos vidrados no movimento só fez Elizete jogar a raba de um lado a outro com ainda mais vontade, intensificando o desejo do rapaz.
BUMBUM BUMBUM BUMBUM
OLHA PRO LADO ANTES DE ATRAVESSAR
QUE A MINHA RABA VAI TE ATROPELAR
ATRO-PE-LAR
As gotas de suor escorriam pelo rosto de Fábio, tenso ao perceber sua incapacidade de controlar a ereção que começava a se manifestar no meio da calça. Por isso, não percebeu quando despejou as palavras no ouvido de Elizete:
— Eu moro aqui perto.
Elizete ouviu e ficou em dúvida: era só uma informação? Um convite? Ela devia aceitar? Será que uma pintinha no bico do peito valia o risco de parar na casa de um estranho que acabou de conhecer? Ele prosseguiu:
— Você quer ir embora?
— Quero!
Ela parou de dançar e se empertigou, puxando Fábio para dar dois beijinhos, mas ele recuou.
— O que foi? Falei alguma coisa errada?
Fábio ficou muito confuso... mal sabia que Elizete estava se sentindo do mesmo jeito.
— Não, ué. Você quer ir pra casa e eu vou te deixar ir.
Fábio piscou e ficou encarando a menina à sua frente. Ele sorriu e ela repetiu o gesto.
— Mas você não quer vir junto?
Agora ela não tinha mais dúvidas, era um convite.
Elizete esperava alguma coisa melhor do que a laje, mas era melhor do que nada. Até que Fábio foi ajeitado, descolou uns edredons e dois colchonetes capazes de montar uma cama de solteiro. E qual o motivo de o casal escolher a laje? Pois bem, os dois caminharam algumas vielas por dentro da favela, Fábio guiando Elizete pela mão, como um bonito casal de namorados. Chegaram a uma porta estreita de alumínio que, ao ser aberta, revelava uma escada tão íngreme que Elizete não conseguiu evitar a pergunta:
— Você sempre precisa escalar para chegar em casa?
O som da televisão ligada na reprise noturna do programa de fofoca Veneno do Péu chegava até eles. Fábio deu um sorriso amarelo e uma explicação meia-boca: disse que o pedreiro tinha construído a escada daquele jeito para dar mais espaço à loja de material de construção que ficava embaixo. Fora que era um bom exercício e deixava o aluguel mais barato.
Foram os 22 degraus mais complexos da vida de Elizete, mas ela tirou o sapato, subiu descalça e os venceu. Fábio parecia acostumado, conseguia até mandar o papo furado do pedreiro enquanto escalava. Mas ainda pior que a escada era a situação da casa que surgia após ela. Debaixo de uma pilha de roupa, restos de comida, um videogame e papéis, Fábio jurava que tinha uma cama.
— Não repara a bagunça, é que acordei com pressa e não arrumei. Esqueci até a TV ligada.
Enquanto Fábio tentava organizar a bagunça do quartinho, Elizete se percebeu vidrada no programa de fofoca de Péu Madruga, o jornalista das celebridades. Com seu característico tom sensacionalista, anunciava tensões
no noivado de Talitta Bumbum.
— Ouvi falar que o casamento dela vai custar quase cinco milhões — comentou Fábio, segurando o bolo de camisetas.
— Cinco milhões? A menina é braba mesmo, de Nova Iguaçu para o mundo — respondeu Elizete, dando uma olhada no restante do cômodo. — Como você dorme em cima dessa cama toda entulhada?
Mais uma vez a resposta foi um sorrisinho amarelo seguido da pressa de tirar uma montanha de cima da cama e tentar esconder tudo. Mas quando Elizete viu uma baratinha escapando do meio do entulho, teve certeza de que não ficaria pelada ali em cima nem por um segundo. Daí foi um grito, um desarranjo, Fábio parecendo decepcionado e Elizete aceitando a laje.
A escolha parecia ter sido acertada. Enquanto os dois se beijavam e ela arrancava dele aquela camiseta horrorosa de time, passando as mãos pelo corpo magro mas gostosinho de Fábio, uma sucessão de meteoros cruzou o céu. Eu te disse para guardar essa informação, pois então, agora é a hora de resgatá-la. Algumas vezes as rochas são tão grandes que quando entram em contato com a atmosfera se desfazem em centenas de pedacinhos luminosos, uma chuva de estrelas cadentes que provocaram suspiros tanto em Elizete quanto em Fábio.
No entanto, um fragmento de rocha resistiu ao atrito e seguiu para a superfície da Terra. Uma pedrinha minúscula, bem pequena, tão pequena que caso você pisasse nela na rua usando um tênis novo ela ficaria presa nas ranhuras do solado. Essa pedrinha caiu bem na laje de Fábio, a alguns metros do casal que a essa altura gemia alto, aproximando-se do orgasmo.
Fábio, deitado, apertava as coxas de Elizete, que, revirando os olhos, controlava o movimento de sua cintura. Ela queria mais, mas daquele jeito o rapaz não ia aguentar tanto assim, apesar de empenhado em manter a concentração. Na verdade, os dois estavam tão concentrados que não perceberam o superminúsculo verme laranja que rastejou para fora de um dos buraquinhos da pedrinha caída do espaço. A verdade é que não notariam mesmo que estivessem fazendo outra coisa que não esfregando-se mutuamente até atingirem o clímax.
A respiração ofegante, o som dos gemidos, os olhos fechados e, finalmente, o orgasmo — tudo isso em questão de segundos, tempo suficiente para a asquerosa criatura alaranjada rastejar até a lateral da cabeça de Fábio. Satisfeita, Elizete jogou seu corpo sobre o do rapaz; os dois respiravam juntos. Ela foi fazer carinho no rosto dele, e teria esmagado a criaturinha asquerosa, não fosse a velocidade com que o inseto vindo do espaço saltou da lateral da cabeça para dentro do canal auditivo de Fábio.
Assim que o bicho invadiu seu corpo, Fábio deu um apertão em Elizete. Ela não reclamou; pelo contrário, interpretou aquilo como um sinal de que ele quisesse mais. Apoiou as mãos no peito do companheiro, que ainda estava com os olhos cerrados, e o encarou. Elizete estava pronta pra mais uma.
— Vem por cima? — ela perguntou.
Fábio abriu os olhos, as pupilas dilatadas, tingidas de um laranja-néon amedrontador, o tipo de cor que não deveria existir em um corpo humano. A respiração ofegante. Elizete fez uma careta de pavor e tentou se levantar, mas já era tarde demais. Em um movimento rápido, ele segurou a mão dela, trazendo-a até a boca. Com uma única mordida, arrancou-lhe o dedo indicador, fazendo sangue banhar todo o seu corpo.
Por um instante, o grito de Elizete ecoou por toda a favela, mas logo cessou, interrompendo-se abruptamente. Mas, para um ouvido aguçado no meio da noite, seria possível notar, naquele momento, o som da mastigação apressada do zumbi número zero daquela infecção.
No alto da laje, satisfeito com o banquete, Fábio recostava-se em um canto, digerindo. De seus olhos, nariz, boca e ouvidos outros vermes alaranjados se arrastavam, espalhando-se pela noite da cidade do Rio de Janeiro.
Diamantes são os melhores amigos de uma funkeira
Talitta tinha os olhos vidrados em um diamante. As várias faces lisas e extremamente brilhantes refletiam múltiplas Talittas em um caleidoscópio de alguns milhões de reais.
— Sabe o que é mais bonito nesse diamante, Maikon?
— Hum?
— Ele me multiplica. Muitas Talittas, muitas.
— Hum?
— Não entendeu?
— Hum?
— É que eu olho pra ele e vejo um monte de mim. Seria tudo mais bonito se tivesse um monte de mim por aí.
— Hum?
Já era muito resmungo até mesmo para Maikon. Talitta tirou os olhos das suas centenas de projeções e encarou o namorado, que estava com a cara enfiada no celular, escorregando freneticamente o dedo para baixo.
— Maikon, pode largar isso e prestar atenção?
— Eu mandei uma mensagem pro Neymar.
— E daí?
— Se ele responder, eu quero responder de volta na hora.
— Mas ele nunca te responde.
— Eu já fui numa festa de aniversário dele.
— E quem não foi? Maikon, larga isso. Só a equipe oficial do nosso documentário de casamento pode ter um equipamento de filmagem aqui dentro.
Talitta apontou para o canto do ateliê onde estava reunida uma equipe de filmagem. Ela deu um sorriso, apoiando-se na arara repleta de vestidos de noiva. O casal e a equipe de filmagem já estavam havia mais de oito horas juntos naquele ateliê chique e amplo, escolhendo o vestido perfeito para o casamento entre Talitta, a maior estrela em ascensão do funk carioca, e Maikon, um jogador que deveria ser a estrela do ataque do Vasco, mas acabou emprestado ao Volta Redonda e ali ficou como reserva.
— Talitta, meu amor, é só meu celular.
— Filma?
Maikon balançou a cabeça em um gesto afirmativo, confirmando o óbvio. Talitta, com um movimento mais suave que o do noivo, deu uma ordem silenciosa aos dois homens fortes em ternos pretos e sapatos brilhantes que mais pareciam estátuas paradas em cada lado da porta. Em passos coreografados, os dois caminharam até Maikon, cercando-o. O noivo, que estava sentado, ergueu os olhos, assustado com a proximidade daquelas duas massas de músculo. Um deles estendeu um saco plástico onde estavam algumas dezenas de aparelhos de celular.
— Sério? Eu sou o noivo!
O outro, que não estava segurando o saco, soltou um grunhido baixo, mas intimidador o suficiente para fazer Maikon desligar o aparelho e acomodá-lo junto aos demais sem fazer mais perguntas. Os dois saíram e Talitta sorriu, satisfeita. Atrás da câmera, uma mulher baixa e com trancinhas curtas no cabelo falava quase sussurrando. Era a diretora do documentário da estrela.
— Talitta, isso foi ótimo. É bom esse personagem pateta dele. Pode repreender mais uma vez? — A diretora deu um sorriso para soar mais amigável.
Maikon ergueu o rosto, indignado. A diretora cutucou o câmera, apontando para Maikon e exigindo que ele não perdesse aquele take maravilhoso. O câmera obedeceu, conseguindo a imagem do rosto contrariado do jogador. Mas na frente da lente surgiu, do nada, o enorme diamante.
— É esse! Eu vou levar esse!
Talitta segurava na frente do corpo um vestido tomara que caia, imóvel diante da câmera. No centro do peito um diamante imenso, vistoso, que parecia refletir toda a luz do ambiente na lente que o filmava. Interagindo com essa mesma lente, Talitta sorriu de maneira performática e curvou-se, deixando o rosto bem pertinho da lente. Ela sabia como produzir um belo close.
— Mas vocês, minhas preciosidades, só vão ver essa beleza no meu corpinho no dia da cerimônia. Vem, vem ver aqui no meu Insta a live do evento mais esperado da