Apostila ..
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O que é a Lógica?
Argumento – Os argumentos permeiam nossa vida. Eles estão presentes no trato com as pessoas
e na resolução de problemas. Através dos argumentos apresentamos razões que acreditamos
justificarem nossas afirmações, defendemos nossas posições e tentamos ganhar aliados. O
argumento é um discurso, em que encadeamos proposições de maneira a chegarmos a uma
conclusão.
3) sen π =1
4) tg 45° = 1
Ex.1
O que está se tentando provar é que as galinhas são ovíparas. O fato que está sendo usado é de
que as aves são ovíparas e que as galinhas sendo aves, são, portanto ovíparas. As palavras que
asseguram a relação entre os fatos são “ora”, que articula as duas primeiras proposições e “logo”
que expressa o caráter conclusivo do argumento.
Ex 2.
2
• O que se está tentando provar?
Um argumento pode assumir várias formas na linguagem cotidiana, não existindo regras seguras
que nos permitam localizá-los mecanicamente. O que nos faz ter certeza de que estamos diante de
um argumento é o fato de que uma conseqüência sempre é extraída
Quando dizemos:
“Preste atenção: alguns retângulos não são losangos”, estamos expressando a conclusão de um
fato que poderia ter sido expresso da seguinte maneira:
Os losangos são paralelogramos que possuem os quatro lados congruentes. Os retângulos, exceto
os quadrados, mesmo sendo paralelogramos, não possuem os quatro lados congruentes, Logo,
alguns retângulos não são losangos.
No exemplo, as premissas foram omitidas e apenas a conclusão foi exposta. A passagem das
premissas para a conclusão corresponde à inferência. A inferência (do latim “inferre” que significa
levar para) é portanto, um processo de pensamento através do qual passamos das premissas para
a conclusão.
Quando a relação entre antecedente e conseqüente existe, a inferência é dita válida. Quando a
relação entre antecedente e consequente é apenas aparente, não havendo condução do
antecedente para o consequente, estamos diante de uma inferência inválida.
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Uma inferência, porém, pode ser válida ou inválida e proposições podem ser verdadeiras ou falsas.
Dizemos que uma inferência é válida quando existe uma relação entre a premissa e a conclusão e
esta relação liga, de fato, o antecedente ao consequente. Neste caso dizemos que o argumento é
válido. Se ao contrário, a relação que existe entre premissa e conclusão é apenas aparente e não
conduz o antecedente ao consequente, a inferência é inválida e o argumento não é correto. Neste
último caso estamos diante de uma falácia.
Diante do que foi exposto perguntamos: um argumento que expressa uma inferência válida é
necessariamente verdadeiro, ou não? Vamos estudar alguns exemplos:
Inferência válida
Inferência válida
Consequente falso
Todo retângulo é quadrado.
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4. Todo quadrado é um paralelogramo.
Antecedente verdadeiro
Todo quadrado é um quadrilátero
Inferência não válida
Uma proposição é verdadeira quando corresponde ao fato que expressa. Um argumento é válido
quando sua conclusão é conseqüência lógica de suas premissas.
1.
Quadrado Retângulo
Paralelogramo
2.
retângulo quadrado
losango
3.
losango retângulo
quadrado
5
4.
quadrado
paralelogramo
quadrilátero
No exemplo 1 toda a classe dos quadrados está incluída na classe dos retângulos, que está
incluída em sua totalidade na classe dos paralelogramos. Por uma inferência lógica toda a classe
dos quadrados está incluída na classe dos paralelogramos. No exemplo 2 toda a classe dos
retângulos está incluída na classe dos quadrados que por sua vez está totalmente incluída na
classe dos losangos. Por uma inferência lógica, a classe dos retângulos está incluída na classe
dos losangos, o que torna o argumento válido. Chamamos a atenção para o fato de
antecedente e consequente serem reconhecidamente falsos.
No exemplo 3 toda a classe dos losangos está incluída na classe dos retângulos e também na
classe dos quadrados. Fica, portanto impossível determinar se a classe dos retângulos está
incluída na classe dos quadrados ou se a classe dos quadrados está incluída na classe dos
retângulos (ver figura a seguir). Assim não é possível estabelecer uma inferência lógica entre a
premissa e a conclusão. Neste caso antecedente e consequente são reconhecidamente
falsos.
Losango Retângulo
Quadrado
Losango Quadrado
Retângulo
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No exemplo 4 toda a classe dos quadrados está incluída na classe dos paralelogramos e na classe
dos quadriláteros, assim como no exemplo 3 fica impossível decidir se a classe dos
paralelogramos está incluída na classe dos quadriláteros, ou se a classe dos quadriláteros está
incluída na classe dos paralelogramos (ver figura a seguir). Nesse exemplo antecedente e
consequente são reconhecidamente verdadeiros. O que torna o argumento incorreto é o fato da
inferência não ser válida.
Quadrado Paralelogramo
Quadrilátero
Quadrado Quadrilátero
Paralelogramo
A lógica é a ciência que estuda os métodos e princípios da argumentação. Ela pode ser definida
também como a investigação das condições em que a conclusão de um argumento é sustentada
por suas premissas. Lógica, que vem do grego logos, significa “palavra”, “dito”, “argumento”,
“razão”, “justificação”, entre outras coisas. O principal objetivo da lógica é efetuar a análise lógica
dos argumentos, avaliando suas correções. O trabalho do lógico é recorrer às leis de inferência
para saber se um argumento está bem estruturado.
II – PRINCÍPIO DA NÂO CONTRADIÇÃO – Uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao
mesmo tempo.
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1. Verifique se são possíveis as combinações abaixo e apresente um argumento de cada.
2. Elabore uma tabela com todas as possibilidades de uma inferência válida e mostre um exemplo
de cada uma, utilizando argumentos matemáticos.
Troca-se a linguagem do argumento por uma linguagem simbólica, a fim de excluir qualquer
interferência do conhecimento do leitor sobre os conteúdos envolvidos;
Analisemos o argumento:
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Todo A é B.
Ora todo C é A.
Logo, todo C é B.
O argumento acima parte de uma sentença mais geral para uma menos geral. Todo losango é
paralelogramo é mais geral do que todo quadrado é paralelogramo pelo fato dos quadrado estarem
incluídos nos losangos. Esse tipo de argumento demonstrativo que parte de uma sentença mais
geral para uma menos geral é chamado de “argumento dedutivo”.
Todos os números inteiros que terminam por 0 são divisíveis por 5. (B)
Todos os números inteiros formados por três algarismos são divisíveis por 5. (B)
c) Substitua agora x por 40. O resultado encontrado é um número com a(s) mesma (s)
característica(s) dos números do item b?
d) Tente escrever esse exemplo como um argumento indutivo, mesmo que ele seja
falso.
“A indução é amplamente utilizada na Matemática, mas é preciso ter cuidado na sua aplicação,
pois precipitação pode levar a conclusões falsas” (SOMINSKI,I S)
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b) Explique de que tipo é a resposta do General.
Analogia
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A analogia fornece apenas a probabilidade de que algo aconteça. Mesmo não oferecendo certeza,
a analogia é importante para o conhecimento. Uma prova disto é que através dela experimentos
feitos em cobaias servem de apoio nas descobertas de vacinas e doenças dos seres humanos,
uma vez que as reações das cobaias podem ser estendidas para os humanos.
conectivos lógicos
As operações lógicas são operações realizadas sobre proposições e obedecem a certas regras de um
cálculo, denominado cálculo proposicional, semelhante ao da aritmética sobre os números. Analisemos
a seguinte sentença:
Existem dois termos de ligação que articulam as duas sentenças: “se” e “então”, que ligam “Pedro
chora” e “ Maria acorda” . A sentença “Se Pedro chora , então Maria acorda” é formada portanto, por
duas outras e por isso é chamada sentença complexa. Os termos que fazem a ligação entre as duas
sentenças (“Se ... então”) são chamados termos lógicos ou conectivos. Os principais conectivos são:
negação, conjunção, disjunção, condicional, equivalência ou bicondicional. Esses conectivos é que
estabelecem relações lógicas bem definidas entre sentenças. Estudaremos cada uma separadamente.
Negação (~)
Comecemos explorando o seguinte exemplo: Maria não dorme. Partimos da sentença contrária a esta:
Maria dorme.
Esta última não deixa dúvida quanto a negação do fato de que Maria dorme.
Se a nossa proposição é: Maria dorme, Maria não dorme ou Não Maria dorme tem o valor lógico oposto
da proposição inicial.
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Simbolicamente, se p é a proposição, a sua negação é ~ p (não p). Assim, ~ p tem valor lógico
oposto daquele de p.
Podemos obter uma tabela – verdade para o valor lógico da negação de uma proposição, tomando-se
como p a proposição, ~ p a sua negação, V verdadeiro e F falso:
p ~p
V F
F V
U
A ~A
Conjunção (^)
Analisemos agora as duas sentenças, Pedro chora e Maria acorda. A primeira sentença pode ser
verdadeira ou falsa e a segunda também. Porém, como as duas estão relacionadas pelo conectivo “e” o
valor lógico da proposição depende do valor de cada sentença, como mostra a tabela a seguir:
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e a segunda de q a tabela verdade para este caso é:
P q P^q
V V V
F V F
V F F
F F F
Aqui também podemos pensar em uma função, partindo dos valores de entrada de p e q obtemos um
valor de saída para p ^ q. No caso da conjunção, o valor de p ^ q só será verdadeiro se as duas
sentenças o forem.
Exemplos:
5. p: O número 2 é par ( V )
q: 5 < 7 ( V )
6. p: O número 2 é ímpar ( F)
q: 5 < 7 ( V )
q: 5 > 7 (F)
q: 5 > 7 (F)
A B
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Na linguagem dos conjuntos: A ∩ B = { x / x ∈ A e x ∈ B}
Pensando nestes dois conjuntos e nas possibilidades de um elemento x pertencer a eles temos:
x ∈A e x ∈B
x ∉A e x ∈B
x ∈A e x ∉B
x ∉A e x ∉B
Dessas possibilidades a única que representa a interseção dos conjuntos é a primeira. Isto equivale a
dizer que quando as duas sentenças são verdadeiras temos a única expressão da interseção.
Disjunção
A disjunção na lógica é indicada pela palavra “ou”. O seu caráter ambíguo é sua característica
principal. “Ou” tem tanto um caráter inclusivo quanto exclusivo.
A disjunção exclusiva talvez seja a mais utilizada na Matemática. Na disjunção exclusiva de duas
proposições apenas uma delas é admitida, não podendo ocorrer as duas ao mesmo tempo.
Não é possível que Mário seja mineiro e paulista ao mesmo tempo, ou ele é mineiro, ou ele é paulista.
Na tabela a seguir podemos ver as possibilidades dos valores para as sentenças e para a disjunção:
p q pwq
V V F
V F V
F V V
F F F
Aqui também podemos pensar em uma função P w q que é verdadeira ou falsa de acordo com os
valores de verdade para p e q. Com relação à teoria dos conjuntos a disjunção exclusiva está
relacionada com a operação entre dois conjuntos, como indicada no diagrama:
A B
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x ∈ A ou x ∈ B
( A ∪ B ) − ( A ∩B )
p q pvq
V V V
V F V
F V V
F F F
Relacionando a disjunção inclusiva com a teoria de conjuntos fica claro que ela significa a união de dois
conjuntos. De fato, se um elemento x pertence à união dos conjuntos A e B, então ele pertence ao
conjunto A ou ao conjunto B. Veja o diagrama:
A B
A ∪B ={x / x ∈a ou x ∈B}
Condicional ( ⇒ )
A condicional relaciona duas sentenças de maneira que se a primeira delas é verdadeira a segunda
também o é.
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Ex.1) p: A Lua é redonda. (V)
q: Marte é um planeta. (V)
Nesse caso, qualquer que fosse o antecedente o consequente sempre seria verdadeiro, ou seja,
qualquer fato poderia implicar no fato de Marte ser um planeta, pois ele já o é, independente de
qualquer outra informação. Portanto podemos concluir que se a Lua é quadrada, Marte é um planeta.
Observe que: “Se a Lua não fosse quadrada, então Marte não teria luz própria.” A implicação nesse
caso é verdadeira.
Podemos fazer uma tabela-verdade para a condicional:
p q p ⇒ q
V V V
V F F
F V V
F F V
B
Se x ∈A ⇒x ∈B.
A ⊂B
A
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Equivalência ou bicondicional ( ⇔ )
A equivalência ou bicondicional estabelece uma relação de sentido duplo nas sentenças envolvidas, por
isso o símbolo utilizado é a seta para os dois lados. Este símbolo também é conhecido como se e
somente se.
Observemos que a Terra é quadrada será sempre falsa, independente de a Lua é redonda ser
verdadeira ou falsa. A implicação ⇒ é falsa. Se observarmos que na bicondicional temos duas
implicações, se uma delas for falsa, a equivalência (bicondicional) será falsa. Pra ser verdadeira uma
bicondicional deve ter as duas implicações verdadeiras.
Observe que como estamos tratando da equivalência, temos que analisar a implicação ⇐ , que nesse
caso é falsa pela mesma razão do exemplo 2. Logo a equivalência é falsa.
p q p ⇔ q
V V V
V F F
F V F
F F V
As proposições podem ser combinadas de várias maneiras através dos conectivos lógicos.
Se duas proposições são p e q, podemos combiná-las:
p ∧q ;
p ∨q ;
p ∧~ q ;
~ p w q , etc.
O nosso objetivo nesse momento é estudar os valores lógicos dessas proposições quando combinadas.
Esse tipo de proposição é chamado proposição composta,
Para a verificação do valor de uma proposição composta utilizamos um recurso chamado tabela-
verdade.
1- P ( p, q ) = p ∧~ q .
1º) Abrimos uma tabela com as colunas p, q, ~q, p ∧~ q.
p q ~q p∧ ~ q
V V F F
V F V V
F V F F
F F V F
2- P (p, p) = p → p
p p →p
V V
F V
P (V, F) = (V,V)
3-
P(p,p) p → ~~p
P(p,p)~~p → p
P(p,p) = p ↔ ~~p
Nas três proposições acima os valores de verdade são V. Essas proposições são chamadas
tautologias.
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Tautologia é toda proposição composta onde o valor lógico é sempre verdadeiro.
As tautologias são ditas também proposições logicamente verdadeiras.
4- De acordo com a definição de tautologia, p ∨ ~p é uma tautologia, veja:
p q ~p p ∧ q p ∧ ~p p ∨ ~p
V V F V F V
V F F F F V
F V V F F V
F F V F F V
Proposições como p ∧ q, que apresentam valores verdadeiros e valores falsos são chamadas
contingências.
Proposições que apresentam somente valores falsos são chamadas contradições. No exemplo p ∧ ~p
é uma contradição.
Das três expressões as mais significativas são os tautologias, pois se aplicam a todos os casos
possíveis. Sua validade é universal. A contradição também é importante por indicar o que uma
expressão válida não pode ser. Podemos observar que a negação de uma contradição é uma
tautologia. A proposição que apresenta um interesse menor é a contingência, por oscilar em verdadeira
e valsa.
Podemos estabelecer uma relação entre as tabelas verdade e a idéia de função, tomando como
conjunto universo os valores das proposições simples e fazendo-os corresponder aos valores V OU F
do conjunto de chegada.
No exemplo 1 temos:
VV
V
VF
FV F
FF
No exemplo 4 temos:
VV
VF
V
FV
FF
Nesse exemplo observamos que os valores de p e ~~p são equivalentes. Isso é, negar uma negação
significa afirmar. Se dissermos “João não estudou nada” significa que “João estudou tudo”.
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Como os valores de verdade de p → ~~p; ~~p → pep ↔ ~~ p são todos verdadeiros, dizemos
que essas expressões são “tautologias”.
a) (p → q) ↔ ~(~p ∨ q) (tautologia)
p q ~p p → q ~p ∨ q ~(~p ∨ q) ↔
V V F V V F F
V F F F F V F
F V V V V F F
F F V V V F F
b) (p → q) → (~q → ~p)
c) (p ∨ q) → (p ∧ q)
Implicação Lógica
A partir de agora faremos uma distinção entre os sinais → (se ... então) e ⇒ (implicação lógica). A
condicional se refere a uma operação entre proposições e a implicação a uma relação lógica entre
proposições tautológicas.
Definição:
Diz-se que uma proposição P implica logicamente uma proposição Q, ou simplesmente implica uma
proposição Q se Q é verdadeira toda vez que P é verdadeira.
P ⇒ Q
1) P ⇒ P
2) P ⇒ Q
Q ⇒ R
P⇒ R
Exemplos:
1) Vamos construir a tabela-verdade para as seguintes proposições:
p ∧ q; p ∨ q; p ↔ q
p q p∧ q p∨ q p↔q
V V V V V
V F F V F
F V F V F
F F F F V
Observamos que p ∧ q é verdadeira somente na primeira linha, na qual as demais proposições são
verdadeiras. Portanto, podemos escrever:
p∧ q ⇒ p∨ q p∧ q → p↔q
p ∧ q ⇒ p; p ∧ q ⇒ q (Regra da simplificação)
p ⇒ p ∨ q; q ⇒ p ∨ q (Regra da adição)
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Como o próprio nome já diz podemos simplificar a conjunção ficando com uma das expressões.
p q p→ q q→ p p↔q
V V V V V
V F F V F
F V V F F
F F V V V
Exemplo: João lê se somente se Maria dorme implica que Maria dorme se João lê.
João lê se somente se Maria dorme implica que João lê se Maria dorme.
(p ∨ q) ∧ ~p ⇒ q p: João lê
q: Maria ri
Exemplo:
1) Se p então q
p
logo q.
21
2) Se José chora estão Maria ri
José chora.
Então Maria ri.
p q p→q ~q (p → q) ∧ ~q ~p
V V V F F F
V F F V F F
F V V F F V
F F V V V V
(p → q) ∧ ~q ⇒ ~p
Exemplos:
1) Se P então Q
Não Q
Então não P.
2) p: José chora
q: Maria ri
22
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Relação entre tautologia e implicação lógica
Verifique que ( p ↔q ) ∧ p ⇒q .
Equivalência lógica
Propriedades da equivalência
Reflexiva - P ⇔P
P ⇔Q, então
Simétrica –
Q ⇔P
P ⇔Q
Transitiva - Q ⇔R, então
P ⇔R
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Dada uma proposição p →q , chamam-se proposições associadas a p →q as três proposições
associadas que contêm p e q:
a) Proposição recíproca de p →q : q → p
b) Proposição contrária de p →q : ~ p → ~ q
c) Proposição contrapositiva de p →q : ~ q → ~ p
4- Construa uma tabela verdade para as proposições acima e verifique quais são equivalentes.
p ↓q ⇔~ p ∧~ q
p ↑q ⇔~ p ∨~ q
Propriedades da conjunção
1. Idempotente
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Seja p uma proposição simples qualquer. Vale a seguinte propriedade:
p ∧ p ⇔p
Ex. x ≤ −1 ∧ x ≤ −1 ⇔x ≤ −1
2. Comutativa
Sejam p e q proposições simples quaisquer. Vale a seguinte propriedade:
p ∧ q ⇔q ∧ p
Ex. x ≤ −1 ∧ x ≠ −2 ⇔x ≠ −2 ∧ x ≤ −1
3. Identidade
Propriedades da disjunção
1. Idempotente
Ex. x ≤ −1 ∨ x ≤ −1 ⇔x ≤ −1
A bicondicional p ∨ p ↔ p é tautológica. (verifique)
2. Comutativa
p ∨ q ⇔q ∨ p
Ex. x ≤ −1 ∨ x ≠ −2 ⇔x ≠ −2 ∨ x ≤ −1
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3. Associativa
(p ∨ q ) ∨ r ⇔ p ∨( q ∨ r )
4. Identidade
1. Distributiva
Sejam p, q e r proposições quaisquer.
p ∧ ( q ∨ r ) ⇔( p ∧ q ) ∨( p ∧ r )
p ∨ ( q ∧ r ) ⇔( p ∨ q ) ∧( p ∨ r )
2. Absorção
p ∧ ( p ∨ q) ⇔ p
p ∨ ( p ∧ q) ⇔ p
p ∧ ( p ∨ q ) ⇔q
Mostre que as equivalências acima são lógicas e que não são
p ∨ ( p ∧ q ) ⇔q
equivalentes.
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3. Regras de Morgan.
~ ( p ∧ q) ⇔ ~ p ∨ ~ q
~ ( p ∨ q) ⇔ ~ p ∧ ~ q
Você pode verificar a equivalência através das tabelas verdade de cada bicondicional
acima.
As regras de Morgan são interpretadas da seguinte maneira:
Negar que duas proposições dadas são ao mesmo tempo verdadeiras é
equivalente a dizer que pelo menos um delas é falsa.
Negar que pelo menos uma proposição de duas é verdadeira é equivalente a
dizer que as duas são falsas.
Negação da condicional
~ ( p →q ) ⇔ p ∧ ~ q
Negação da bicondicional
p ↔ q ⇔ ( p →q ) ∧ ( q →p )
~ ( p ↔ q ) ⇔~ [( p →q ) ∧ ( q →p ) ]
~ ( p ↔ q ) ⇔~ ( p →q ) ∨~ ( q →p )
~ ( p ↔ q ) ⇔( p ∧~ q ) ∨ ( q ∧~ p )
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Exercícios
Método Dedutivo
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Exemplo :Demonstrar a validade do argumento ~p → q , q →~ r , r ∨ s , ~ s → p
Demonstração :
1. ~p → q premissa
2. q → ~ r premissa
3. r ∨ s premissa
4. ~p → ~r Silogismo Hipotético
5. ~r → s Def. de implicação
6. ~p → s Silogismo Hipotético
7. ~s → ~~p Contraposição
8. ~s → p Negação
Demonstre: a) ( p ∨q ) ∧~ p ⇒q .
b) p ∧( p ∨q ) ⇔p
c) p ∨( p ∧q ) ⇔p
Exemplos.
1. Regra da adição
A partir de uma proposição p pode-se deduzir a sua disjunção com qualquer uma outra
proposição.
a) Premissa p c) Premissa p ∨q
Conclusão p ∨~ q Conclusão (r ∧ s ) ∨( p ∨ q )
2. Regra da simplificação
a) Premissa (p ∨ q) ∧ r c) Premissa p ∧ ~q
Conclusão p ∨q Conclusão ~q
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3. Regra da conjunção
a) Premissa (p ∨ q) c) Premissa x ∈A
Premissa ~r Premissa x ∉B
Conclusão (p ∨ q) ∧ ~ r Conclusão x ∈A ∧x ∉B
b) Premissa p∨ q d) Premissa x <1
Premissa q ∨r Premissa x > −5
Conclusão (p ∨ q ) ∧( q ∨ r ) Conclusão x <1 ∧ x > −5
4. Regra da absorção
a) p →q c) x ≠ 2 →x = y
Premissa Premissa
Premissa p Premissa x ≠2
Conclusão q Conclusão x =y
b) ( p ∨ q ) →r d) x ∈A →x ∉B
Premissa Premissa
Premissa p ∨ q Premissa x ∈A
Conclusão r Conclusão x ∉B
a) p →q c) x ≠ 2 →x = y
Premissa Premissa
Premissa ~q Premissa x ≠y
Conclusão ~p Conclusão x =2
b) ( p ∨ q ) →r d) x ∈A →x ∉B
Premissa Premissa
Premissa ~ r Premissa x ∈B
Conclusão ~ ( p ∨ q ) Conclusão x ∉A
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7. Regra do silogismo disjuntivo
a) ( p ∧ q) ∨ r c) x ≠2 ∨ x = y
Premissa Premissa
Premissa ~ r Premissa x ≠y
Conclusão ( p ∧ q ) Conclusão x ≠2
b) ~ p∨~q d) x ∈A ∨ x ∉B
Premissa Premissa
Premissa ~ ~p Premissa x ∈B
Conclusão ~ q Conclusão x ∈A
a) (p ∧ q ) →r c) x ≠ 2 →x = y
Premissa Premissa
Premissa r →t Premissa x =y →x = 3
Conclusão (p ∧ q ) →t Conclusão x ≠ 2 →x = 3
b) ~ p→~q d) x ∈A →x ∉B
Premissa Premissa
Premissa ~ q →t Premissa x ∉B →x ∈C
Conclusão ~ p →t Conclusão x ∈A →x ∈C
a) (p ∧ q ) →~ r c) x ≠ 2 →x = y
Premissa Premissa
Premissa s →t Premissa x ≠5 →x < y
Premissa (p ∧q ) ∨ s Premissa x ≠ 2 ∨x ≠ 5
Conclusão ~ r ∨t Conclusão x = y ∨ x <y
a) (p ∧ q ) →~ r b) x ≠ 2 →x = y
Premissa Premissa
Premissa s →t Premissa x ≠5 →x < y
Premissa ~~ r∨~ t Premissa x ≠ y ∨x ≥ 5
Conclusão ~ ( p ∧ q ) ∨~ s Conclusão x = 2 ∨ x =5
Exercícios
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a) p ∧ ( q ∨ ~ p ) →q
b) ( p →q ) ∧( p ∧~ q ) →s
c) ~ ( x <0 ∧ y ≠ x ) →x ≤ 0 ∨ y = x
Contra-exemplo
Para mostrar que uma proposição do tipo ∀x ∈A , p ( x ) é falsa, basta mostrar que a
sua negação é verdadeira, ou seja, ∃ x∈A , ~ p ( x ) é verdadeira. Isto significa mostrar
que existe pelo menos um elemento x0 de A de maneira que p(x0) é uma proposição falsa.
Exemplos:
( )
a) A proposição ( ∀ x ∈ℜ) x 2 > x é falsa, pois, para x =
1
2
1 1
, x 2 = < . Portanto,
4 2
1
x = é um contra-exemplo.
2
b) Sendo A ={3, 5, 7, 9} , (∀x ∈A )( x +3 ≥7 ) é falsa, pois, para
x =3, x +3 =6 <7 . Portanto, x = 3 é um contra-exemplo.
Exercícios
1. Sendo A ={2, 3, ..., 8, 9} dar um contra-exemplo para cada uma das seguintes
proposições:
a ) (∀ x ∈A)( x + 5 <12 )
(
b) (∀ x ∈A) x 2 >1 )
c ) (∀ x ∈A) (0 x
=0 )
d ) (∀ x ∈A)( x é primo )
e) (∀ x ∈A)( x é par )
f ) (∀ x ∈A)( x é divisor de 72 )
a) P1 ( a + b ) = 3 → a = b c) P1 x ≠ 4 →x > 4
P2 ( a + b ) = 3 P2 x > 4 → x = 8
b) P1 a + b = 3 ∨ ( a + b ) <3 d ) P1 x ≠ 3 →x < 4
P2 ( a + b ) ≥ 3 P2 x ≠ 4 → x < 5
P3 x ≥ 4 ∨ x ≥ 5
33
3. Construa três argumentos e demonstre-os através das regras de inferências estudadas.
Bibliografia
PINTO, Paulo Roberto Margutti – Introdução à Lógica Simbólica. Editora UFMG – 2006
ARANHA Mara Lúcia de Almeida, MARTINS Maria Helena Pires. Filosofando – Introdução
à
Filosofia. Editora Moderna. ed. 2003
FILHO, Edgard de Alencar. Iniciação à Lógica Matemática. Editora Nobel, 1986
SOMINSKI, I. S. Método de indução Matemática. (tradução de Gelson Iezzi) Atual
editora. 1996
34