Controle de Eficiência de Combustão
Controle de Eficiência de Combustão
Controle de Eficiência de Combustão
RESUMO:
Este trabalho objetiva demonstrar na prática as teorias para racionalização do consumo de óleo para caldeiras .
Os custos da queima de combustíveis industriais sempre foram muito dispendiosos e isto implica em elemento
operacional cuja variação de valor agrava a gestão econômica na indústria . Com o progresso tecnológico exigindo
sempre mais dos sistemas e equipamentos térmicos , surge a necessidade de uma regulagem mais fina e adequada de um
sistema de queima para se evitar perdas excessivas de calor e combustível .
Um depósito de l/8 de espessura de fuligem sobre os tubos pode aumentar o consumo de combustível em até 9 % .
CONTROLE
É fácil verificar que , para se ter uma economia na geração de vapor todo o processo de combustão tem que estar
ajustado dentro dos parâmetros pré estabelecidos .
O que mantém as variáveis no set-point desejável são instrumentos interligados formando as malhas de controle .
As malhas de controle de combustão mantém a pressão do vapor , variando a vazão de combustível e de ar de combustão
injetado no queimador . Quanto maior a vazão de combustível e de ar de combustão maior a troca de calor , maior a
produção de vapor . Estas malhas também procuram manter a relação ar/combustível na faixa mais estreita possível pois
, conforme visto anteriormente o excesso de ar influencia grandemente no rendimento da caldeira . O valor do excesso
de ar a ser utilizado depende dentre outros fatores da malha de controle de combustão utilizado .
ENCONTRADO IDEAL
CO2 4% 13%
O2 13% 4%
teor de 6 2
fuligem
A caldeira nessas condições apresenta eficiência de aproximadamente de 64% com perdas de gases pela chaminé de
34% . O ideal seria 87% de eficiência e perdas de gases pela chaminé de 12% .
CONDIÇÕES OPERACIONAIS
A caldeira estava operando em condições insatisfatórias . Os procedimentos até então utilizados , não faziam parte do
manual de operação da caldeira , com esta regulagem , o fornecimento de vapor ficava comprometido . Veja tabela
abaixo :
OPERAÇÃO PROJETO
PRESSÃO CORPO TUBULÃO 7,5 kg/cm2 10,0 kg/cm2
DIFERENCIAL DE ATOMIZ. 0.8 kg/cm2 1.5 kg/cm2
TEMPERATURA DO ÓLEO 90°C *105°C
NÍVEL DO TUBULÃO 75% 50%
EXCESSO DE AR 130% 20% Á 50%
EFICIÊNCIA DA CALDEIRA 64% 81% à 89%
PERDAS PELA CHAMINÉ 34% 12%
PRESSÃO DO VAPOR
O volume específico do vapor a pressão de 7,5 kg/cm2 é de 0,2317 m3/kg . Na pressão de projeto 10kg/cm2 o volume
específico é de 0,1808 m3/kg . Concluindo : quanto menor a pressão no tubulão maior o volume específico do vapor . Ou
seja , uma menor quantidade de vapor ocupando o mesmo espaço do tubulão .
Quando há um consumo de vapor repentino não existe vapor suficiente para manter a pressão no corpo da caldeira
estável . Consequentemente a pressão do corpo cai . Neste caso , os operadores eram obrigados a fechar as serpentinas
dos tanques amenizando o efeito da perda de pressão , direcionando todo o vapor para os trocadores de calor .
ATOMIZAÇÃO
A relação de 1,5 kg/cm2 no diferencial vapor/óleo é para se manter uma boa pulverização do óleo . O resultado de uma
pulverização incompleta são partículas de óleo que não foram atomizadas e por isso tem dificuldades de participar da
combustão .
TEMPERATURA DO ÓLEO
Todo maçarico é projetado para trabalhar com uma determinada viscosidade , sair fora desta especificação compromete
a pulverização . O fabricante fornece a viscosidade de trabalho . A temperatura ideal é conseguida com a análise do óleo
.
Com dois pontos de viscosidade a temperaturas diferentes traça-se uma reta de referencia no gráfico ASTM
VISCOSIDADE X TEMPERATURA CHARTS FOR LIQUID PETROLEUM PRODUCTS .
A temperatura ideal de queima obtem-se do encontro do viscosidade com a reta de referencia .
NÍVEL DO TUBULÃO
O nível do tubulão não compromete diretamente a combustão , no entanto se o nível estiver muito acima dos 50 % , tem-
se problema de arraste de condensado junto com o vapor , diminuindo o título do vapor , noutras palavras : diminui o
calor total do vapor . Para suprir a energia calorífica perdida , precisar-se-à de mais ar , mais óleo para se produzir mais
vapor .
EXCESSO DE AR
O oxigênio usado na reação química é retirado do ar atmosférico , sendo que o nitrogênio não participa da combustão ,
ou seja , quanto maior o volume de ar atmosférico introduzido na fornalha , maior também será o volume de nitrogênio
que será aquecido e este levará esta energia para fora através da chaminé . Fato facilmente comprovado no indicador de
temperatura localizado na chaminé da caldeira .
O resultado por se trabalhar em não conformidade com as especificações do projeto fica visível quando calcula se a
eficiência da caldeira 64% .
Durante um determinado tempo monitorou-se os valores de todas variáveis ligadas direta ou indiretamente com o
processo de geração de vapor com atenção especial para o CO2 , O2 e o teor de fuligem .
MANUTENÇÃO
- As palhetas do damper de ar estavam desreguladas , permitindo , mesmo quando totalmente fechadas ,a passagem
excessiva de ar .
- A PCV de abertura do damper foi calibrada e os braços de acionamento foram reposicionados para a nova
configuração .
- A válvula de atomização foi calibrada , permitindo uma boa pulverização .
- Reposicionado a lança do maçarico .
- Alterado o SET-POINT do controlador para que a pressão de operação da caldeira atingisse 10 kg/cm2.
- Recalibrado o controlador pneumático de razão ar/óleo .
CONCLUSÃO
A operação mediu o Tanque de óleo combustível durante trinta dias , assim acompanhamos de perto o consumo diário
da caldeira , o resultado foi animador .O consumo neste período de 30 dias o consumo foi de 20.000 litros de óleo
combustível a menos .
O custo do combustível sem frete , sem impostos , é de aproximadamente R$ 124,00 a tonelada . Portanto uma
economia de aproximadamente de R$ 2500,00 ao mês . Ao longo de um ano R$ 30000,00 . O custo na aquisição de
instrumentos foi na ordem de R$ 5000,00 . Outros instrumentos precisariam ser adquiridos para melhorar a malha de
combustão e a malha de abastecimento de água na caldeira .
Com a automatização supramencionada a eficiência seria melhorada em torno de 4% do consumo ( levando-
se em conta a média de consumo de 200 ton. de óleo mensal ) , mais 8000 litros ou seja , mais R$ 12000,00 ao ano .
Não estão computados os valores do condensado que não retorna ; purgadores com defeito ; perdas por efeito JOULE
;perdas de pequenos furos ; perdas pela descarga de fundo e outras perdas .
FINALIZANDO
Novos ajustes na instrumentação precisam ser efetuados , pois só assim conseguiremos melhorar a combustão e
consequentemente economizar mais combustível . É preciso investir nas malhas de controle comprando novos
instrumentos , possibilitando a malha de combustão trabalhar com menos excesso de ar e a malha de nível controla-lo
um pouco acima de 50 % .
A busca por melhores resultados na relação custo/benefício do gerador de vapor , deve continuar até se eliminar todos os
desperdícios . Não podemos esquecer também de treinarmos os operadores da caldeira , para que uma nova consciência
de operação seja formada , do contrário todo esse trabalho poderá se tornar inócuo .
BIBLIOGRAFIA
1- GERADORES DE VAPOR
Eng. HILDO PERA - Doutor em Engenharia pela EPUSP