Location via proxy:   [ UP ]  
[Report a bug]   [Manage cookies]                

Analise de Lucas 13.22-30

Fazer download em pdf ou txt
Fazer download em pdf ou txt
Você está na página 1de 16

Analise de Lucas 13.22-30 em vários comentários.

Silvio Silva Galli 27/06/2019

Comentário Expositivo Hagnos - Lucas. Pg. 286-287.


A porta estreita do reino de Deus (Lc 13.22-30)
A caminho de Jerusalém, onde consumaria sua obra, Jesus continuava seu
ministério de pregação itinerante, passando por cidades e aldeias (Lc 13.22).
Alguns fatos nos chamam a atenção na passagem em apreço.
Em primeiro lugar, uma especulação apresentada (Lc 13.23). Enquanto Jesus
percorria as cidades da Galileia e Pereia, um homem lhe pergunta: “Senhor,
são poucos os que são salvos?” Alguns estudiosos pensam que essa foi uma
pergunta honesta. Outros acreditam que estava implícita na pergunta a ideia
de que os judeus já estavam salvos e de que não havia esperança de salvação
para os gentios.5 Ainda outros pensam que o homem pressupõe na pergunta
que todas as pessoas que não seguissem à risca os preceitos do legalismo
judaico estavam excluídas automaticamente da salvação. A especulação
ainda hoje ocupa grande interesse na agenda das pessoas.
Em segundo lugar, um esforço a ser travado (Lc 13.24). Em vez de Jesus
tratar do assunto de forma teórica, dando guarida à especulação do homem e
alimentando sua curiosidade, voltou as baterias para ele, dizendo que, em
vez de ficar especulando sobre o número dos salvos, ele deveria se esforçar
para ser salvo. A palavra grega para “esforçar” deu origem ao verbo
“agonizar”. E um esforço que demanda toda a nossa energia. Isso, porém,
não significa que a salvação seja, afinal de contas, um produto do esforço
humano, e não da graça. Ela é totalmente de graça, a graça que capacita.6 A
pergunta pertinente, portanto, não é “Quantos serão salvos?” mas “Eu já
estou salvo?”7
Em terceiro lugar, uma oportunidade a ser aproveitada (Lc 13.23). A porta
do reino é estreita, mas é bastante ampla para admitir o principal dos
pecadores. A porta do reino é estreita, mas não estará aberta para sempre. O
tempo de entrar no reino é agora. Postergar essa decisão é cometer a maior
de todas as loucuras. Amanhã pode ser tarde demais.
Em quarto lugar, uma justificativa infundada (Lc 13.26). A proximidade
geográfica e física com Jesus e sua igreja no passado não é garantia de
segurança no futuro. Aqueles que estiveram na igreja, ouviram o evangelho
e tiveram comunhão com os salvos poderão se perder eternamente se não
entrarem pela porta estreita enquanto é tempo.
Em quinto lugar, uma rejeição proclamada (Lc 13.27,28). Aqueles que, à
semelhança das virgens imprudentes, não se prepararam, antes viveram na
prática da iniquidade, não entrarão na casa do Senhor (Lc 13.25). Ficarão de
fora das bodas (Mt 25.11,12), onde haverá choro e ranger de dentes. Ao
mesmo tempo, essas pessoas que ficarão de fora do reino de glória, verão os
salvos desfrutando da bem-aventurança eterna. Fica claro que, quando o
dono da casa fechar a porta, acabará o prazo da graça para o indivíduo.8
Então, o trono da graça será removido e, em seu lugar, será estabelecido o
trono do juízo.9
Em sexto lugar, uma ordem invertida (Lc 13.29,30). Jesus fala sobre aqueles
que virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul e tomarão lugares à mesa
no reino de Deus. Esses são os gentios que vêm de todas as raças, tribos,
línguas e nações (Ap 5.9). Sendo eles os últimos, virão a ser primeiros, e os
judeus com todos os privilégios que desfrutaram, por terem rejeitado o seu
Messias, virão a ser os últimos. A pirâmide está de ponta-cabeça. A ordem
está invertida. Jesus está golpeando de morte a presunção dos judeus,
especialmente a presunção dos escribas e fariseus!

Serie Cultura Bíblica. Pg. 212-213.


iii. Quem está dentro do reino? (13:22-30). O incidente seguinte aconteceu
noutra ocasião, mas há conexão quanto ao assunto. Jesus deixa claro que
haverá muitas surpresas quanto a membrezia do reino.
22* 23. A impressão transmitida por Lucas é que Jesus continuou viajando
em direção a Jerusalém sem pressa, e com muitas paradas para ensinar tanto
nas cidades grandes como nas aldeias pequenas. Nalgum lugar, alguém
perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos? A pergunta era muito
relevante, tendo em vista o estado confuso da religião daqueles tempos. Há
evidência de que era discutida (e.g. 4 Esdras 7:55ss.), e que os rabinos tinham
pontos de vista consideravelmente divergentes (e.g. Sanhedrin 97b). Mas
parece ter sido sustentado com firmeza que a totalidade de Israel seria salvo,
a não ser uns poucos pecadores desavergonhados que se excluíam (Sanhedrin
10:1).
24, 25. Jesus não responde diretamente, mas conclama quem fez a pergunta,
e outros com ele, a se assegurarem que farão parte do número, por maior ou
menor que este acabe sendo. Isto é muito mais importante do que fazer
aritmética sobre aqueles que serão salvos da perda eterna. Esforçai-vos é uma
palavra que denota ação feita de todo o coração.
É um termo técnico para competir nos Jogos (ver LS), e dele obtemos nossa
palavra “agonizar.” Não se trata de nenhum esforço desanimado. Não se quer
dizer com isto que a realização humana merece a entrada no reino: é a atitude
que está em mente. A porta estreita não é explicada, mas claramente é a
entrada para a salvação. Os muitos que não conseguirão entrar são aqueles
que nío procuram até que seja tarde demais, Há relevância no futuro do
verbo, procurarão, que é contrastado com o presente, Esforçai-vos. Os que
se esforçam agora, entram. Nem aqui nem em qualquer outro lugar há
qualquer indicação que os que buscam sinceramente se acharão excluídos do
reino. Há, porém, inevitavelmente, um limite de tempo quanto à oferta da
salvação. Quando a porta da oportunidade for finalmente fechada, será tarde
demais. As pessoas devem esforçar-se agora para entrar.
26. Jesus agora retrata alguns dos rejeitados insistindo que tinham conhecido
o Senhor. Comiam e bebiam onde Ele estava; Ele ensinava onde eles
estavam. Alguns rabinos, aliás, proibiam o ensino na rua aberta (Moed Katan
16a), mas Jesus, não. Ensinava abertamente a todos os homens, onde quer
que se achavam. Mas estes homens nada mais podiam pleitear do que a
proximidade física. Não podiam alegar que já entraram em entendimento
simpático daquilo que Ele ensinava.
27. Como conseqüência, serão totalmente rejeitados. O dono da casa diz que
não sabe donde são, e os marca como os que praticais iniqüidades (cf. SI
6:8). Nenhuma ação maligna específica foi mencionada. Mas, afinal das
contas, haverá apenas duas classes, os de dentro e os de fora. Visto que estas
pessoas não deram os passos necessários para entrar, serão numeradas com
os malfeitores fora.
28. Eles chorarão (expressando, assim, sua grande aflição) e rangerão os
dentes (na sua fúria). Estas expressões marcam o máximo da frustração e da
decepção. Mas estes homens não sentirão menos do que isto quando virem
os grandes heróis da fé no reino que sempre pensavam que seria deles
também, e se acham lançados fora. Esta última expressão parece indicar o
uso de alguma força. O resultado final da sua atitude é trazer sobre si a
oposição ativa de Deus.
29,30. O parágrafo termina, com o pensamento de que haverá muitas
surpresas quanto à membrezia final do reino. Os homens virão dos quatro
cantos da terra, o que significa que os gentios serão bem representados (cf.
Is 45:6; 49:12). Será uma surpresa para aqueles judeus que pensam que tem
um monopólio do reino. Tomarão lugares à mesa emprega a linguagem
figurada do banquete messiânico, um símbolo dos tempos do fim que os
judeus apreciavam grandemente. Devem ter ficado muito atônitos quando
ouviram falar de gentios tomando parte em tudo isto, enquanto eles mesmos
foram excluídos. Há uma dupla mortificação: sei excluídos eles mesmos, e
ver incluídos os desprezados gentios. A inversão pode ser completa,
conforme demonstram amplamente as palavras acerca dos primeiros e os
últimos. Os caminhos de Deus não são os caminhos dos homens.

Comentári Bíblico Esperança. Pg 194-196.


a) A resposta de Jesus à pergunta se poucos serão salvos – Lc 13.22-27
22 – Passava Jesus por cidades e aldeias, ensinando e caminhando para
Jerusalém.
23 – E alguém lhe perguntou: Senhor, são poucos os que são salvos?
24 – Respondeu-lhes: Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu
vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.
25 – Quando o dono da casa se tiver levantado e fechado a porta, e vós,
do lado de fora, começardes a bater, dizendo: Senhor, abre-nos a porta,
ele vos responderá: Não sei donde sois.
26 – Então, direis: Comíamos e bebíamos na tua presença, e ensinavas
em nossas ruas.
27 – Mas ele vos dirá: Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim, vós
todos os que praticais iniqüidades (ou: vós malfeitores!)
A menção de que Jesus peregrinava por cidades e aldeias permite depreender
que sua viagem seguia um plano. Ele ensinava em locais em que ainda não
estivera anteriormente. Durante toda a sua viagem ele sempre manteve diante
dos olhos o alvo de chegar a Jerusalém, a fim de ali sofrer e morrer.
A pergunta dirigida a Jesus, se poucos serão salvos, de forma alguma possui
relação histórica com o precedente. O pensamento expresso por Jesus nas
duas parábolas (Lc 13.18-21) deve ter levado Lucas a acrescentar aqui a
pergunta e a resposta de Jesus. Nas duas parábolas Jesus expressou
nitidamente que no momento o reino de Deus é um grupo pequeno e
insignificante. Enquanto o número de seus adeptos permanentes era pequeno
(Lc 12.32), o Senhor precisou lamentar muitas vezes a impenitência,
leviandade e incompreensão da grande massa e de seus líderes (Lc 7.31-35;
8.10; 11.29-32,37-52; 12.54-59). Por isso Jesus falou muitas vezes do futuro
do povo em tom de grave preocupação e profecia ameaçadora (Lc 10.12-15;
11.24-26). Sabia de antemão que o ódio das autoridades judaicas não
descansaria até que elas o tivessem aniquilado (Lc 9.22). Também sabia que
seus discípulos seriam igualmente perseguidos até que seu sangue fosse
derramado (Lc 9.23s; 11.49-51; 12.4-12). Para Jesus, porém, era certo que o
reino de Deus cresceria interiormente sem cessar e que chegaria à perfeição.
Os discípulos do Senhor na verdade terão de superar duras provas de fé em
todos os tempos. Por isso é compreensível a pergunta se todas as pregações
e todos os eventos de salvação de Deus resultariam apenas em um pequeno
grupo de redimidos?
Lucas não especifica a pessoa que pergunta. Da assustadora resposta do
Senhor pode-se concluir que a pergunta não foi feita por alguém que estava
atribulado ou desanimado. No entanto, pelo fato de o Senhor demandar uma
luta autêntica, a pessoa que perguntou não era um escarnecedor leviano, mas
alguém com intenções sérias.
Jesus não dá uma resposta aberta à pergunta levantada, mas desafia e orienta
a lutar para passar pela porta estreita. Portanto Jesus não se dirige
particularmente à pessoa que perguntou, mas fala ao povo com uma
exortação de buscar denodadamente pela entrada no reino de Deus enquanto
ainda houver tempo. Exorta os presentes (ao invés de tratar da pergunta
infrutífera sobre a possibilidade de poucos serem salvos) a se empenharem
seriamente para alcançar a salvação. A porta estreita é uma metáfora para a
seriedade do ingresso no reino. Como a porta é estreita e muitos tentam
passar por ela, é difícil entrar na casa à qual o reino de Deus é comparado.
Somente o persistente, às custas dos mais graves sacrifícios, consegue passar
pela porta estreita. No texto original o zelo sagrado é expresso pelo termo
agonizesthai, que significa “lutar com a morte” (cf. a palavra agonia, contida
no termo agonizesthai). Essa grave luta de vale-tudo é exacerbada pelas
palavras “eles tentarão ou buscarão”.
A cena trágica que o Senhor tinha em mente desde o começo é retratada pelo
dono de casa que não abre a porta aos que solicitam ingresso. Esse cenário
está baseado na concepção de que o dono da casa espera pelos convidados
até uma determinada hora. Vencido esse prazo ele se levanta, tranca a porta
e nega qualquer outra entrada. O ingresso é negado não por causa da chegada
atrasada, mas porque os suplicantes são desconhecidos. Quando o dono da
casa fechar a porta, acaba o prazo da graça para o indivíduo. A porta estava
aberta ao povo judaico enquanto Jesus ainda se encontrava no meio dele e os
apóstolos anunciavam o evangelho. A duração do prazo de clemência não é
definido com maior precisão no Novo Testamento, que limita-se a ensinar
que o retorno do Senhor para julgar e consumar seu reino encerrará este prazo
(Mt 25.10).
As palavras de Jesus “Não vos conheço, não sei donde sois” provavelmente
dirigem-se contra o orgulho nacional judaico. O povo judeu acreditava que,
por ser povo de Deus e descender de Abraão, as pessoas chegariam sem
problemas ao reino de Deus e não poderiam perder-se. A enorme gravidade
e alcance dessas palavras do Senhor mostram-se particularmente importantes
quando se pondera a palavra do bom pastor a suas ovelhas: “Eu sou o bom
pastor e eu conheço os meus e os meus me conhecem” (Jo 10.14).
A dupla referência na parábola a “ele não sabe de onde eles são” destroça a
presunção dos judeus ainda excluídos acerca de sua origem e descendência.
O Senhor não reconhece vantagens exteriores, ainda que sejam morais e
religiosas. Por meio das palavras “afastai-vos todos de mim, vós praticantes
da injustiça!” ele revela a dura situação de que eles não têm o direito de
invocá-lo como Senhor. A injustiça consiste em não terem dado ouvidos ao
chamado para o arrependimento e à pregação do evangelho. Esse juízo
severo sobre a multidão que o rodeava continua válida pelo tempo em que
desprezarem a exortação de Jesus para um arrependimento íntegro e
oportuno.
b) A exclusão do reino de Deus – Lc 13.28-30
28 – Ali haverá choro e ranger de dentes, quando virdes, no reino de
Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora.
29 – Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão
lugares à mesa no reino de Deus.
30 – Contudo, há últimos que virão a ser primeiros, e primeiros que
serão últimos.
A palavrinha ali designa o lugar em que se encontram os excluídos que são
interpelados e que baterão sem sucesso à porta da casa. Embora a metáfora
apenas negue o acesso aos que aqui estão distantes, essa negação não deixa
de ser uma expulsão da comunhão dos patriarcas e profetas. A presunção
judaica de ser descendência de Abraão não muda nada nesse triste fato.
Visto que o texto diz literalmente “o choro e o ranger dos dentes”, aponta-se
conscientemente para a desgraça que predomina na condenação (cf. Mt 8.12;
13.42,50; 22.13; 24.51; 25.30).
Ainda que muitos do povo judeu sejam excluídos da bem-aventurança, o
número dos que alcançam a salvação não será insignificante. As regiões do
Nascente e do Poente, do Norte e do Sul são uma descrição de todos os países
da terra (cf. Is 45.6; Ml 1.11), particularmente do mundo gentio mais
distante. “Deitar-se à mesa” com os patriarcas simboliza o prazer completo
da beatitude no reino de Deus.
O profeta Isaías também descreve a fruição total da bem-aventurança no
reino de Deus consumado por meio da ilustração de uma refeição com
comidas gordurosas e vinhos velhos, que o Senhor preparará a todos os
povos no monte Sião (Is 25.6). Em todas as passagens em que Jesus compara
a felicidade no reino de Deus a um banquete ou uma ceia nupcial (cf. Mt
22.1ss; Lc 14.16ss.; Ap 19.9,17) os principais cidadãos do reinado de Deus,
de cuja bem-aventurança todos participam, são constituídos pelos que se
tornaram seus filhos pela fé (Gl 3.7; Rm 4.16). Os compatriotas judaicos,
que pensavam ter o direito primordial de participar nas bênçãos do reino de
Deus por descenderem de Abraão e pertencerem ao povo da aliança,
permanecem excluídos porque não creram em Jesus Cristo, o descendente
prometido de Abraão (cf. Gl 3.16). Por conseqüência, agregam-se gentios
crentes em Cristo vindos de todas as regiões do mundo, que então
participarão do banquete festivo no reino de Deus.
A exclusão do reino de Deus e as muitas nações de todos os pontos cardeais
presentes à mesa são iluminadas de forma chocante pela expressa menção de
que “últimos serão primeiros, e primeiros serão últimos”. Essas palavras que
ocorrem em três passagens do Novo Testamento possuem um sentido diverso
nos diferentes contextos (cf. Mt 19.30; 20.16). Em cada uma das referências
o contexto é decisivo para a interpretação. Na primeira passagem do
evangelho de Mateus o Senhor ainda não tem em mente uma exclusão total
do reino de Deus, mas apenas uma preterição. Aqui, porém, acontece uma
rejeição completa. A segunda passagem da Escritura (Mt 20.16) fala de
servos ávidos por recompensa, mas aqui se fala de incrédulos que rejeitam o
reino. No presente texto Jesus não diz “os primeiros” e “os últimos”, mas de
forma geral, “primeiros” e “últimos”, a fim de revelar ao que perguntou (Lc
13.22) como é seu próprio coração, permitindo-lhe ponderar de que lado está.

Comentário Bíblico Handrisken. Pg. 237-241.


13.22-30 “Esforcem-se por Entrar pela Porta Estreita”
22. Ora, ele estava viajando pelas cidades e vilas, ensinando e caminhando
para Jerusalém.
O início dessa viagem foi indicado em 9.51. Parecia que Jesus não tinha
pressa. Ele se detinha nas cidades e vilas que ficavam em seu caminho. Aliás,
ele permaneceu tempo suficiente nesses lugares para poder ensinar neles.
Para uma possível conexão entre os versículos 20-30 e a seção
imediatamente precedente, veja a p. 19.
23a. Alguém lhe perguntou: Senhor, os salvos serão poucos em número?
Segundo uma opinião amplamente difundida entre os judeus, endossada
pelos rabinos, Israel como um todo seria salvo.76 Em contrapartida, segundo
o ensino de Jesus, a linha de demarcação entre salvos e não-salvos não era
de cunho nacionalista, mas distintamente espiritual. Veja Lucas 4.25-27;
6.20-38, 46-49; 7.9; 8.4-15; 11.29-52. Não surpreende que alguém
perguntasse a Jesus se os salvos seriam poucos em número. Não é verdade
que sempre que Jesus proclamava que somente aqueles cujo coração eram
comparáveis à boa terra, somente os que estavam dispostos a negar-se a si
mesmos, somente os que não só ouviam seu ensino, mas também o punham
em prática, seriam salvos?
Isso deixava fora a muitos. Portanto, não era legítima a inferência que
somente uns poucos entrariam pela porta do palácio da salvação?
23b, 24. Ele lhes disse: Esforcem-se por entrar pela porta estreita; porque eu
lhes digo que muitos buscarão entrar e não poderão. Jesus lidou com essa
pergunta como lidou com a de Pedro (12.41, 42). Ele não deu uma resposta
direta, mas fez algo muito mais importante e necessário: disse ao inquiridor,
bem como a toda a multidão reunida - note o plural “vocês” - que todos
deveriam se esforçar por entrar pela porta estreita. O verbo esforçar-se, na
forma como aparece no original, deu lugar ao verbo agonizar. Ele não nos
coloca no campo de batalha, mas na arena ou no ringue. A luta é feroz.
Nossos oponentes são Satanás, o pecado, o ego (a velha natureza
pecaminosa).
Esforçar-se significa empregar todas as forças, fazer intenso esforço na luta
contra todos os adversários.
A porta estreita de entrada que aqui é mencionada nos lembra Mateus 7.13,
14: “Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que
leva à perdição, e são muitos os que entram por ela. Como é estreita a porta,
e apertado o caminho que leva à vida! São poucos os que a encontram.”
(NVI)
As palavras “Muitos ... buscarão entrar e não poderão” constituem uma séria
advertência destinada a todos para que deixem a perversidade e a indiferença
imediatamente e recebam o Salvador e a salvação que ele oferece como um
dom gratuito. Em contrapartida, essas palavras não se destinavam a assustar
os filhos de Deus. Não significam que a entrada para o palácio da salvação é
tão-somente para quem está sem pecado. Todos os que lutam - obedientes à
ordem “esforcem-se por entrar” - entrarão.
É preciso destruir outro conceito incorreto. O mandamento “esforcem-se por
entrar” não significa que a salvação seja, afinal de contas, produto do esforço
humano e não da graça. Ela é totalmente de graça, graça que capacita. A
verdadeira situação é descrita em Filipenses 2.12, 13: “ponham em ação a
salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês
tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele”. (NIV)
25. Uma vez que o dono da casa tenha se levantado e fechado a porta, e vocês
começarem, do lado de fora da porta, a bater à porta, dizendo: Senhor, abre
[a porta] para nós, ele responderá e lhes dirá: Não sei de onde vocês vieram.
Chega o momento em que o dono do palácio da salvação – Jesus
pessoalmente; veja 26 b - fechará a porta. Aqueles que se recusarem a
esforçar-se, ficarão do lado de fora, batendo furiosamente à porta a fim de
entrarem. A cena descrita aqui nos lembra Mateus 24.1-13; veja
especialmente os versículos 10b, 11 dessa parábola.
26, 27. Então vocês começarão a dizer [ou: vocês dirão]: Nós comemos e
bebemos em tua presença, e ensinaste em nossas ruas.
Ele, porém, responderá: não sei de onde vocês vêm. Afastem-se de mim,
todos vocês malfeitores. O que temos nos versículos 25b até o 27 é uma
descrição do juízo final como ele afeta os perdidos.
Em conexão imediata com o pensamento do versículo 27, Jesus agora diz a
seus ouvintes: 28, 29. Haverá choro e ranger de dentes, quando vocês virem
Abraão e Isaque e Jacó e todos os profetas no reino de Deus, vocês, porém,
lançados fora. E virão do oriente e do ocidente, do norte e do sul, e se
reclinarão à mesa no reino de Deus. Para a expressão “choro e ranger de
dentes”, veja também Mateus 8.12; 13.42, 50; 22.13; 24.51; 25.30. Em Lucas
ela ocorre somente nessa única passagem. Algo semelhante é Apocalipse
18.19. O choro é o de miséria inconsolável, interminável, de desesperança
eterna e sumária. O ranger de dentes que o acompanha é motivado pela raiva
frenética, pela fúria desenfreada. Para esse choro e ranger de dentes há três
causas:
a. Eles “vêem” (estão conscientes da presença de) Abraão, de Isaque, de Jacó
e de todos os profetas no reino de Deus, isto é, o reino em sua consumação
final.
b. Além disso, notam o fato de que tantos outros, inclusive gentios
(convertidos), de toda região da terra - leste, oeste, norte e sul – estão
participando do banquete messiânico (cf. Mt 8.11, 12).
c. Eles mesmos são “lançados fora”; isto é, sua admissão não só é recusada,
mas também são forçosamente expulsos.
30. Além do mais, notem bem, [agora] há alguns últimos que [então] serão
primeiros; e [agora] há alguns primeiros que [então] serão últimos. Em
conexão com o contexto imediato, referindo-se às condições contrastantes
dos salvos e dos perdidos, os “últimos” que então serão “primeiros”
poderiam indicar as pessoas que a princípio precisavam dos meios de graça;
porém, quando os receberam, efusivamente os abraçaram. Semelhantemente,
os “primeiros” que então serão “últimos” poderiam indicar os que a princípio
possuíam esses meios de graça, porém os ignoravam. Em harmonia com esta
interpretação, entre os “últimos” que então serão “primeiros” haverá muitos
gentios. Entre os “primeiros” que então serão “últimos” haverá muitos
judeus. Não obstante, devemos ser cautelosos. Em vista do fato de que a
Escritura ensina claramente que não só há graus de sofrimento no inferno
(Lc 12.47, 48), mas também graus de glória no universo restaurado (ICo
15.42), não se deve excluir a possibilidade de que Jesus queira dizer que
mesmo entre os perversos finalmente haverá quem foi “primeiro” em honra,
prestígio etc., aqui, mas que será “último” em grau de glória, lá. Da mesma
forma, entre os que finalmente são salvos haverá quem foi “último” em
reputação, aqui, que será “primeiro”, lá.
É preciso levar em conta também o fato de que Jesus não diz que todos os
que são “primeiros”, agora, serão “últimos”, então; somente “alguns”. O
mesmo se aplica aos que são “últimos”, agora.

Comentário Bíblico NVI. Pg.1677.


c) Outras advertências (13.22-30).
A caminho, de novo, com Jerusalém como destino, Jesus ouve a pergunta de
se é verdade que som ente poucos serão salvos. Ele responde, não para
satisfazer a curiosidade, mas para aconselhar que se esforcem para entrar
pela porta estreita, pois senão vai haver o perigo de a entrada no Reino de
Deus lhes ser negada, e isso vai ser ainda mais irritante, pois se verá que as
nações dos gentios estarão entrando no seu lugar com os patriarcas.
As expectativas dos homens serão completam ente confundidas.
v. 23. Nada se sabe da identidade do questionador nem da motivação da sua
pergunta, se é que de fato foi causada por algo mais do que mera curiosidade,
v. 24. Esforcem- se: A palavra grega é cognata da palavra portuguesa
agonize, e é uma das palavras favoritas de Paulo; e.g., ICo 9.25; Cl 1.29;
4.12; v. tb. lT m 6.11 e 2Tm 4.7; nestas últimas duas referências, ocorre tanto
como verbo quanto como substantivo, “combata o combate”. Está associada
com a disputa atlética, em que competidores dão tudo de si para atingir a
vitória, porta estreita [...] muitos tentarão entrar e não conseguirão'. Um eco
de M t 7.13, 14, mas não um paralelo real; lá, há dois caminhos; aqui,
somente uma porta.
v. 25. O fato de o dono da casa negar a entrada daqueles que ele diz não
conhecer lembra a parábola das virgens em M t 25.10-12.
v. 26,27. Esses versículos lembram em termos gerais Mt 7.22, 23.
v. 28,29. Mateus acrescenta um dito sem elhante (8.11,12) ao seu relato do
centurião em Gafarnaum (Mt 8.5-13; cf. Lc 7.1-10). Descrevem-se as
condições em ambos os lados da porta. Dentro, patriarcas e profetas estão
sentados com gentios arrependidos no grande banquete messiânico; fora, há
desespero daqueles que tentaram depender de favoritismo (“Abraão é nosso
pai”, Lc 3.8), e não do arrependimento para a salvação. O castigo deles é pior
por perceberem o que poderia ter sido.
v. 30. Um breve resumo da seção; o último dia vai revelar muitas inversões
de valores humanos.

Comentário N.T Aplicação pessoal. Pg.415.


JESU S ENSINA SOBRE A ENTRADA N O REINO / 13.22-30 /153
Jesus respondeu a uma pessoa que perguntou se somente alguns poucos se
salvariam.
Jesus transformou esta pergunta teórica em uma pergunta prática. Em lugar
de permitir que a pessoa analisasse quem entraria no céu, e
conseqüentemente julgasse o processo e aqueles que entrariam, Jesus
perguntou àquela pessoa “você está salvo?”
13.22 Este é o segundo lembrete de que Jesus estava deliberadamente
caminhando para Jerusalém (o outro foi em 9.51).
Jesus sabia que estava a caminho da morte, mas continuava viajando e
ensinando. A perspectiva da morte não afastava Jesus de sua missão.
13.23-27 A pergunta sobre se são poucos os que se salvam era um tema de
debate e muita especulação entre os rabinos. Jesus recusou-se a ser levado a
escolher um lado nesta discussão; em lugar disto, Ele insistiu com seus
ouvintes para que estivessem entre os que seriam salvos, não importando
qual pudesse ser o número final. Ele disse aos seus ouvintes que porfiassem
para entrar.
A palavra “porfiar” significa dedicar-se completamente à tarefa de ouvir e
responder. Jesus não explicou a porta estreita, mas a imagem é de uma
passagem que é necessário descobrir e então passar por ela enquanto ainda
está aberta. Embora muitas pessoas conheçam algo a respeito de Deus,
somente alguns poucos reconhecem seus pecados e aceitam seu perdão.
Somente ouvir às palavras de Jesus ou admirar os seus milagres não é o
suficiente - todos devem se afastar do pecado e confiar em Deus para receber
a salvação. Independentemente de quantos possam ser os salvos, Jesus disse
que muitos procurarão entrar, mas não poderão porque será tarde demais. A
época para a decisão já terá passado.
Ter um conhecimento superficial de Jesus não terá importância quando
chegar o reino de Deus, e as pessoas correrem para fazer parte dele. Quando
a porta for cerrada, a época para a salvação já terá passado e elas não poderão
entrar. Embora muitos possam reivindicar ter comido com Ele e ouvido aos
seus ensinos, eles não se voltaram para Ele com fé para a salvação. Estas
pessoas serão completamente rejeitadas, pois Jesus irá dizer simplesmente
“Náo sei de onde vós sois”.
Estas palavras serão o pronunciamento final da rejeição daqueles que o
rejeitaram. Eles serão apartados de Deus e do seu reino.
13.28 Quando a porta for fechada e eles foram apartados, haverá um
sofrimento intenso (choro e ranger de dentes). Jesus os retratou olhando pela
janela para os antepassados em quem tinham confiado para a sua salvação -
os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Eles veriam também todos os profetas,
muitos dos quais tinham sido mortos por transmitir as mensagens de Deus.
Estes homens não tinham tido a oportunidade de ver o Messias mas tinham
amado a Deus, tinham crido nas suas promessas e confiado que Ele cumpriria
o que havia prometido. Assim, eles receberam lugares no reino. Por outro
lado, muitos destes judeus, que tinham tido a oportunidade de comer e beber
com o Messias e de ouvir os ensinos de sua própria boca (13.26),
subseqüentemente o rejeitaram. Por esta rejeição, eles seriam lançados fora
do reino.
13.29,30 O reino de Deus incluirá pessoas de todo o mundo. A rejeição de
Israel a Jesus como Messias não interrompeu o plano de Deus. A verdadeira
Israel inclui todas as pessoas que crêem em Deus (veja Is 49.12). A inclusão
dos gentios no reino de Deus foi profetizada, mas o público judeu de Jesus
ainda ficava assombrado de ouvir que os gentios participariam do reino de
Deus. Este era um fator importante para Lucas enfatizar, porque ele estava
dirigindo o seu Evangelho a um público gentio (veja também Rm 4.16-25;
G1 3.6-9). Ainda pior para os judeus, no entanto, era a afirmação de que
alguns deles poderiam não ter lugares no banquete.

Comentário Bíblico Beacon. Pg. 441-443


B. O Segundo Estágio, 13.22—17.10
E percorria as cidades e as aldeias, ensinando e caminhando para Jerusalém
(22). Este versículo serve tanto como uma introdução para o segundo estágio
do ministério na Peréia - a “Viagem para Jerusalém” - como uma lembrança
de que Jesus ainda tem Jerusalém como seu destino. Embora seus
movimentos não signifiquem de forma alguma uma linha reta, Ele está se
aproximando cada vez mais desse objetivo.
Como vimos antes,28 esta ‘Viagem para Jerusalém” não é simplesmente
uma viagem no sentido físico e geográfico, mas um movimento cada vez
mais próximo do grande compromisso de Jesus com a Cruz. Jesus está se
movendo naquela direção em um duplo sentido: 1) Ele está sistematicamente
completando seu tão importante e necessário ministério evangelístico, em
cada cidade e aldeia, e 2) Ele está se movendo ao longo do tempo - e o tempo
está se esgotando. Isto não é inconsistente com o fato de que durante esta
grande ‘Viagem para Jerusalém” Ele tenha feito várias viagens ocasionais
para Jerusalém.29
Esta parte do ministério de Jesus (13.23—17.10) parece ter ocorrido logo
após a sua presença em Jerusalém, na festa da purificação do templo
mencionada em João 10.22- 39. Naquela ocasião, após deixar Jerusalém, Ele
seguiu para a Peréia - a terra além do Jordão, “onde João tinha primeiramente
batizado” (Jo 10.40). Ele permaneceu ali até ser informado sobre a doença
de Lázaro (Jo 11.3-7).30
1. “São Poucos os que se Salvam?” (13.23-30)
E disse-lhe um (23). A vaga referência de Lucas a esta pessoa, com a
indicação no contexto seguinte de que ele está fora do Reino, indica que não
se tratava de um dos apóstolos, mas alguém dentre a multidão que seguia
Jesus.
São poucos os que se salvam? Não sabemos o que provocou esta pergunta,
nem conhecemos a atitude ou a personalidade do inquiridor. John P. Lange
está convencido de que este interrogador anônimo estava deixando implícito,
talvez em um tom de ridicularização, que um professo Salvador,
lamentavelmente acompanhado por um grupo tão pequeno de seguidores,
não poderia ser o Senhor que afirmava ser.31 Spence enxerga um reflexo do
exclusivismo judaico prevalecente - os judeus como aqueles poucos que
seriam salvos.32 Qualquer que fosse o motivo ou o preconceito por trás da
pergunta, o Mestre deu uma resposta séria e objetiva.
Porfiai por entrar pela porta estreita (24). A palavra grega aqui traduzida
como porfiai é a nossa palavra “agonizar” (um termo que vem do grego). A
palavra estreita denota aperto. Com uma porta estreita restringindo a entrada,
forçando aquele que entra a se livrar de qualquer peso ou bagagem, e com
forças opostas bloqueando a sua entrada, as pessoas deverão se esforçar
ardentemente (agonizar) para entrar. A passagem como um todo está
dizendo: “Quaisquer que sejam os obstáculos, você deve entrar porque o
preço do fracasso é muito alto”. Muitos procurarão entrar (quando for tarde
demais) e não poderão. Esta é uma referência à segunda vinda de Cristo, ao
final da era da graça, ou à morte como término do período de provação.
Quando o pai de família se levantar e cerrar a porta (25). A mudança da
imagem da porta estreita para a porta fechada é antecipada na última sentença
do versículo 24. Aporta estreita dificulta a entrada; a porta fechada
impossibilita a entrada. Quando na hora certa, no final do dia, o dono da casa
fechava e trancava a porta, esperava-se que todos os membros da casa
estivessem do lado de dentro; e se tivessem sido leais e obedientes realmente
estariam ali.
E começardes a estar de fora e a bater à porta. Dois pecados são
provavelmente responsáveis pela chegada dos atrasados: rebeldia e
presunção. O amor ao pecado os seguraria, e uma falsa esperança de que o
amor e a bondade do Mestre o levariam a abrir uma exceção para eles, os
impediriam de agir conforme uma boa consciência.
E, respondendo ele, vos disser: Não sei de onde vós sois. Neste ponto a
imagem física começa a desaparecer, e as palavras do Mestre se tornam mais
literais. Perdemos a visão do dono oriental da casa, e vemos no seu lugar o
Senhor do céu e da terra.
A palavra grega traduzida como sei tem um significado muito mais amplo e
profundo do que a sua contrapartida em português. Além da idéia de saber,
como usamos o termo, ela contém a idéia de experiência e
comprometimento. “Saber” ou “conhecer” alguém no seu sentido amplo é
ter um relacionamento íntimo, e estar profundamente comprometido com tal
pessoa.33 Mas observe que a responsabilidade de sermos conhecidos por
Deus não é dele, mas nossa. Se Deus não “nos conhece” a culpa é nossa.
Então, começareis a dizer: Temos comido e bebido na tua presença, e tu tens
ensinado nas nossas ruas (26) Veja novamente que a imagem desapareceu e
o próprio Mestre está inegavelmente presente em sua parábola. O
conhecimento superficial resultante de comer na mesma mesa com o Mestre,
e de estar presente quando ensinava em suas ruas, era algo muito diferente
de “conhecer” o Mestre ou de ser conhecido por Ele, no sentido pleno e
próprio da palavra grega. Tal conhecimento superficial estava longe de ser
suficiente para justificar os seus apelos para entrar.
E ele vos responderá: Digo-vos que não sei de onde vós sois (27). A súplica
pela entrada é firme e finalmente rejeitada pela repetição da sua significativa
acusação: Não sei de onde vós sois. O âmago da questão é visto através da
caracterização que o Mestre fez destes que o buscaram quando já era tarde
demais: o Senhor os classificou como obreiros da iniqüidade. As desculpas
e explicações pela indiferença em relação a Deus são inúmeras; mas a
verdadeira causa de tal comportamento é sempre o pecado.
Ali, haverá choro e ranger de dentes, quando virdes Abraão, e Isaque, e Jacó,
e todos os profetas no Reino de Deus e vós, lançados fora (28). Aqui temos
a aplicação fundamental da parábola. Os judeus, que com amor e senso de
dever aceitaram Abraão, Isaque, Jacó e os profetas, porém rejeitaram Jesus,
um dia verão estes ancestrais reverenciados no Reino de Cristo. Eles mesmos
serão lançados para fora, por não estarem preparados para se associar a esta
santa habitação.
O choro e o ranger de dentes, a fórmula hebraica mais forte para expressar
um intenso sofrimento, é uma medida do sentimento do Mestre. Ele retrata a
seriedade do seu tema, e a trágica finalidade da sua sentença.
E virão do Oriente, e do Ocidente, e do Norte, e do Sul (29). De cada raça e
nação virão cidadãos do Reino - pessoas que realmente são conhecidas pelo
Mestre, e que de fato o conhecem.
Derradeiros há que serão os primeiros; e primeiros há que serão os
derradeiros (30) Os primeiros são evidentemente os judeus (na aplicação
fundamental deste versículo), e os derradeiros são os gentios.
Observe, entretanto, que nem todos os gentios serão verdadeiramente os
primeiros, e nem todos os judeus serão realmente os derradeiros. Como
nação, os judeus dos dias de Jesus o rejeitaram, mas muitos judeus o
aceitaram ao longo dos séculos. Por outro lado, os gentios estão sempre longe
de ser bons exemplos de atitude em relação a Cristo.
A verdade permanente encontrada na fórmula deste versículo é que posição,
raça, ou qualquer coisa que faça com que o homem seja o primeiro aos olhos
dos homens é insuficiente para torná-lo o primeiro para com Deus. Em
última análise, só é primeiro aquele que dá a Deus o primeiro lugar no seu
coração e vida, e só é derradeiro aquele que rejeita ou negligencia a Deus e
as coisas espirituais.

Você também pode gostar