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Trabalho de Filosofia

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Os diálogos de Platão representam a filosofia platônica na sua forma escrita.

Ao
contrário de seus predecessores pré-socráticos (que escreveram ora em poesia, ora em
prosa) e de seu mestre Sócrates (que, deliberadamente, não deixou nenhum escrito),
Platão confiou ao diálogo a expressão e transmissão de sua filosofia. O diálogo
platônico tem sua origem na dialética socrática e visa reproduzi-la. Tradicionalmente,
trinta e cinco diálogos e treze cartas são atribuídos a Platão. No entanto, tanto a
autenticidade quanto a cronologia desses diálogos são temas de controvérsia e
discussão.

Em seus diálogos, Platão utiliza personagens fictícios, como Sócrates, para discutir
questões como a justiça, a virtude, a alma, a política e o conhecimento.

Por meio desses diálogos, Platão desenvolve uma profunda reflexão sobre as diferentes
formas de governo, a natureza da alma e a busca pela verdade. Alguns dos diálogos
mais importantes e conhecidos de Platão incluem "A República", onde ele discute a
natureza da justiça e idealiza um Estado perfeito, e "O Banquete", que aborda o amor e
a beleza.

A República é o segundo diálogo mais extenso de Platão (428-347 a.C.), composto por
dez partes (dez livros) e aborda diversos temas como: política, educação, imortalidade
da alma etc. Entretanto, o tema principal e eixo condutor do diálogo é a justiça.

No diálogo, Sócrates discute com outros personagens sobre como uma cidade ideal
deveria ser organizada e como os indivíduos podem alcançar a felicidade e a virtude.
Ele propõe a criação de uma sociedade baseada em classes sociais, com os governantes
buscando o bem comum, os guardiões protegendo a cidade e os trabalhadores
realizando tarefas produtivas. A obra também inclui a famosa alegoria da caverna, na
qual Platão explica a natureza da realidade e do conhecimento. A República é
considerada uma das primeiras obras de filosofia política e tem sido objeto de intensos
debates e interpretações ao longo dos séculos.

O banquete (também conhecido como Simpósio, no grego Sympósion) é um diálogo


fundamental na obra de Platão que traz como tema principal o amor e a amizade. Supõe-
se que o trabalho tenha sido escrito entre os anos 385 a.C. e 380 a.C. Durante O
banquete, Platão não estava presente para assistir o diálogo, apenas tendo ouvido relatos
de terceiros que testemunharam o evento. Por este motivo imagina-se que algumas
passagens da obra tenham sido inventadas ou até mesmo desvirtuadas.

O relato se inicia com Apolodoro e um companheiro. Apolodoro deseja saber como


ocorreu o encontro na casa de Ágaton, o banquete reuniu uma série de figuras ilustres da
sociedade grega e, por isso, despertou tamanha curiosidade.

Ágaton sai vencedor de um concurso de tragédias. No dia da entrega do resultado, as


cerimônias da vitória reuniram uma multidão, por isso, na noite a seguir, Ágaton decidiu
oferecer um jantar com os mais próximos para celebrar a ocasião.

O banquete acaba por se tornar uma espécie de competição onde cada intelectual
presente tece um discurso para elogiar o amor. "O banquete" é, ao mesmo tempo, um
elogio à filosofia e uma homenagem à Sócrates, mentor de Platão.
CRÍTICAS E INTERPRETAÇÕES CONTEMPORÂNEAS

Apesar de sua estatura indiscutível como um dos fundadores da filosofia ocidental,


Platão não esteve imune a críticas e controvérsias ao longo dos séculos. Suas ideias,
enquanto profundamente influentes, também geraram debates acalorados e análises
críticas rigorosas.

Platão foi criticado por filósofos contemporâneos e posteriores, como Aristóteles, que
discordava de muitas das ideias platônicas, especialmente em relação à teoria das ideias.
Aristóteles acreditava que as ideias não existem separadamente das coisas concretas,
como Platão afirmou. Além disso, o filósofo cético Pirro de Élis também criticou
Platão, especialmente em relação à sua teoria do conhecimento.

Filósofos modernos e pós-modernos, que questionam sua visão dualista do mundo, sua
distinção entre mundo sensível e mundo das ideias, e sua defesa do governo de
filósofos-reis. Críticos contemporâneos de Platão incluem Michel Foucault, Jacques
Derrida e Friedrich Nietzsche, que argumentam que as ideias platônicas são repressivas
e autoritárias.

Platão foi criticado por diversos filósofos ao longo da história, tanto de sua época como
de séculos posteriores. Alguns dos críticos mais conhecidos de Platão foram:

Bertrand Russell, filósofo britânico do século XX que criticou Platão por sua crença na
superioridade da razão sobre as emoções e sua visão hierárquica da sociedade,
argumentando que Platão era elitista e autoritário em suas ideias políticas.

No entanto, apesar das críticas, as ideias de Platão ainda são relevantes nos dias de hoje.
Sua teoria das Formas, por exemplo, influenciou diversas correntes filosóficas e ainda é
discutida e reinterpretada por filósofos contemporâneos. A ideia de que a busca pelo
conhecimento é essencial para o desenvolvimento humano e para a realização da
felicidade também se mantém atual, sendo valorizada em diversos campos do
conhecimento, como a educação e a psicologia.

Além disso, a ética platônica, que defende a busca pela virtude e a realização do bem,
continua sendo uma referência importante para a reflexão ética e moral. Suas ideias
sobre a justiça, a política e a educação também permanecem relevantes, servindo de
base para a discussão de problemas contemporâneos e para o desenvolvimento de novas
teorias filosóficas.

Assim, apesar das críticas e das mudanças ao longo dos séculos, as ideias de Platão
continuam a exercer influência e a desafiar intelectuais e pensadores a refletir sobre
questões fundamentais da existência humana.

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