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Decisão Monocratica Deferindo o Pedido

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Supremo Tribunal Federal

RECURSO EXTRAORDINÁRIO 1.075.412 PERNAMBUCO

RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO


RECTE.(S) : DIARIO DE PERNAMBUCO SA
ADV.(A/S) : CARLOS MARIO DA SILVA VELLOSO FILHO
RECDO.(A/S) : RICARDO ZARATTINI FILHO
ADV.(A/S) : RAFAEL DE ALENCAR ARARIPE CARNEIRO

Petição/STF nº 71.958/2017

DECISÃO

PROCESSO SUBJETIVO –
INTERVENÇÃO DE TERCEIRO –
ADMISSÃO.

1. O Gabinete prestou as seguintes informações:

A Associação Nacional de Jornais – ANJ, mediante petição


subscrita por advogado regularmente credenciado, requer o
ingresso no processo como terceira interessada. Afirma possuir
representatividade, considerado o objetivo da entidade em
proteger a liberdade de expressão do pensamento e da
propaganda. Sustenta a existência de usurpação de
competência do Supremo pelo Superior Tribunal de Justiça, no
que se refere à análise de questão constitucional. Tece
considerações sobre a liberdade de expressão e comunicação.

Menciona a Declaração Universal dos Direitos Humanos,


a Declaração Internacional de Chapultepec e a Declaração
Americana sobre Direitos Humanos. Discorre sobre a posição
preferencial da liberdade de expressão quando em cotejo com
os demais princípios constitucionais. Cita o pronunciamento do
Supremo na Arguição de Descumprimento de Preceito
Fundamental nº 130/DF, na qual o Tribunal assentou a não
recepção da Lei de Imprensa pela Lei Maior de 1988.

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 14222900.
Supremo Tribunal Federal

RE 1075412 / PE

Articula com o efeito multiplicador do pronunciamento


do Supremo. Diz da ofensa ao direito de informação e assevera
a identidade temática com os extraordinários nº 1.010.606,
relator o ministro Dias Toffoli, e nº 662.055, relator o ministro
Roberto Barroso, relator o ministro Roberto Barroso, os quais
versam sobre os contornos da liberdade de expressão.

Vossa Excelência, em 25 de setembro de 2017, negou


seguimento ao extraordinário. Eis o teor do pronunciamento:

RECURSO EXTRAORDINÁRIO MATÉRIA


FÁTICA INVIABILIDADE NEGATIVA DE
SEGUIMENTO.

1. O Superior Tribunal de Justiça, reformando o


entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de
Pernambuco, julgou procedente o pedido de indenização
por danos morais decorrente de matéria jornalística. No
extraordinário, o recorrente aponta a violação dos artigos
5º, inciso IX e 220, da Constituição Federal. Discorre sobre
o tema de fundo, sustentando a contrariedade à liberdade
de imprensa.
2. Observem o momento da interposição, para fins de
incidência da norma processual. A publicação da decisão
atacada pelo extraordinário é posterior a 18 de março de
2016, data de início da eficácia do Código de Processo
Civil, sendo a protocolação do recurso regida por esse
diploma legal.
A recorribilidade extraordinária mostra-se distinta
daquela revelada por simples revisão do decidido,
procedida, na maioria das vezes, mediante o recurso por
excelência a apelação. Atua-se em sede excepcional à luz
da moldura fática delineada soberanamente pelo Tribunal
de origem, consideradas as premissas constantes do ato
impugnado. A jurisprudência sedimentada é pacífica a
respeito, devendo-se ter presente o verbete nº 279 da

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
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Supremo Tribunal Federal

RE 1075412 / PE

Súmula deste Tribunal:


Para simples reexame de prova não cabe recurso
extraordinário.
Colho do acórdão recorrido o seguinte trecho:
Sobre o ato ilícito praticado pela ré, ora recorrida, há
que se observar que, de fato, ressentiu-se a ré do cuidado
necessário ao publicar entrevista concedida pelo
advogado Wandekolk Wanderley, apontando Zarattini
como o autor do atentado ao Aeroporto de Guararapes.
Confira-se, nesse sentido, trecho da referida
entrevista:"Depois as investigações chegaram a uma fabriqueta
de explosivos no bairro de Afogados, pertencente a
Zarattini. De outra parte, um amigo meu que estava no
Aeroporto pouco antes da ação criminosa, viu o Zarattini
sair apressado da estação de passageiros. Segundos após,
o artefato explodiu."
Observa-se que a matéria jornalística, tal como posta,
agride a imagem do recorrente causando-lhe dor e
constrangimento, o que viola seu patrimônio moral e
acarreta o dever de indenizar por parte do ofensor.
As razões do extraordinário partem de pressupostos
fáticos estranhos à decisão atacada, buscando-se, em
síntese, o reexame dos elementos probatórios para, com
fundamento em quadro diverso, assentar-se a viabilidade
do recurso.
3. Nego seguimento ao extraordinário.
4. Publiquem.

Encontra-se pendente de julgamento o agravo regimental


formalizado pelo Diário de Pernambuco em 18 de outubro de
2017.

2. Considerada a relevância da matéria e a adequada


representatividade da requerente, surge a conveniência de ouvi-la.

3. Admito a Associação Nacional dos Jornais como terceira

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RE 1075412 / PE

interessada no processo, recebendo-o no estágio em que se encontra.

4. Publiquem.

Brasília, 15 dezembro de 2017.

Ministro MARCO AURÉLIO


Relator

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