Location via proxy:   [ UP ]  
[Report a bug]   [Manage cookies]                

Acórdão RE 569056

Fazer download em pdf ou txt
Fazer download em pdf ou txt
Você está na página 1de 18

Supremo Tribunal Federal

Ementa e Acórdão

Inteiro Teor do Acórdão - Página 1 de 18

19/11/2014 PLENÁRIO

EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.056 PARÁ

RELATOR : MIN. JOAQUIM BARBOSA


REDATOR DO : MIN. DIAS TOFFOLI
ACÓRDÃO RISTF
EMBTE.(S) : UNIÃO
PROC.(A/S)(ES) : PPROCURADOR-GERAL FEDERAL
EMBDO.(A/S) : DARCI DA SILVA CORREA
ADV.(A/S) : MARIA DE FÁTIMA PINHEIRO DE OLIVEIRA E
OUTRO(A/S)
EMBDO.(A/S) : ESPÓLIO DE MARIA SALOMÉ BARROS VIDAL

EMENTA

Embargos de declaração em recurso extraordinário decidido pelo


Plenário. Recurso extraordinário. Repercussão geral reconhecida.
Competência da Justiça do Trabalho. Alcance do art. 114, VIII, da
Constituição Federal. Ausência de omissão ou de vícios. Modulação
incabível na espécie. Embargos rejeitados.
1. Não houve omissão no julgamento atacado, na medida em que o
venerando acórdão, de fato, não declarou a inconstitucionalidade do art.
876, parágrafo único, da CLT, porquanto o acórdão recorrido, da lavra do
Tribunal Superior do Trabalho, não reconheceu, de forma expressa, a
inconstitucionalidade dessa norma.
2. A pretensão da parte embargante de que seja reconhecida a
competência da Justiça do Trabalho para executar as contribuições
decorrentes de sentenças declaratórias e de sentenças homologatórias de
acordo sempre que houver determinação expressa de “comprovação das
contribuições incidentes sobre os salários pagos durante o período
contratual reconhecido e anotado na CTPS do obreiro”, além de possuir
caráter infringente, o que é defeso, colide diretamente com o cerne do
mérito julgado, o qual foi detalhado no voto vencedor.
3. Não se vislumbra a existência de interesse social ou público,

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 7505826.
Supremo Tribunal Federal
Ementa e Acórdão

Inteiro Teor do Acórdão - Página 2 de 18

RE 569056 ED / PA

tampouco de violação do princípio da segurança jurídica. Pedido de


modulação indeferido.
4. Embargos de declaração rejeitados.
ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do


Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do
Senhor Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do
julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, em
rejeitar os embargos de declaração, bem como o pedido de modulação
temporal dos efeitos do acórdão embargado..

Brasília, 19 de novembro de 2014.

MINISTRO DIAS TOFFOLI


Relator para o acórdão

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 7505826.
Supremo Tribunal Federal
Relatório

Inteiro Teor do Acórdão - Página 3 de 18

13/06/2012 PLENÁRIO

EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.056 PARÁ

RELATOR : MIN. JOAQUIM BARBOSA


EMBTE.(S) : UNIÃO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL
EMBDO.(A/S) : DARCI DA SILVA CORREA
ADV.(A/S) : MARIA DE FÁTIMA PINHEIRO DE OLIVEIRA E
OUTRO(A/S)
EMBDO.(A/S) : ESPÓLIO DE MARIA SALOMÉ BARROS VIDAL

RELATÓRIO

O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - (Relator):Trata-se


de recurso de embargos de declaração, com pedido de efeito
modificativo, interposto pela União de acórdão assim ementado:
“EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral
reconhecida. Competência da Justiça do Trabalho. Alcance do
art. 114, VIII, da Constituição Federal.

1. A competência da Justiça do Trabalho prevista no art.


114, VIII, da Constituição Federal alcança apenas a execução
das contribuições previdenciárias relativas ao objeto da
condenação constante das sentenças que proferir.

2. Recurso extraordinário conhecido e desprovido.”

Sustenta-se, em síntese, que:

1) Houve omissão, na medida em que a Corte não


declarou expressamente a constitucionalidade do art. 876, par.
ún., da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT, na redação
dada pela Lei 11.457/2007, que estabelece a competência da

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 2271849.
Supremo Tribunal Federal
Relatório

Inteiro Teor do Acórdão - Página 4 de 18

RE 569.056 ED / PA

Justiça do Trabalho para executar as contribuições sociais


devidas por decisões por si proferidas, inclusive sobre os
salários pagãos durante o período contratual reconhecido;

2) Os efeitos da decisão desta Corte devem ser modulados


no tempo, pelo temor da União de ser compelida a devolver
valores recolhidos mediante o ajuizamento de ações rescisórias;

3) Houve omissão, pois a Corte deveria ter reconhecido a


competência da Justiça do Trabalho para “executar as
contribuições decorrentes de sentenças declaratórios e de
sentenças homologatórias de acordo das quais conste
determinação expressa de comprovação das contribuições
incidentes sobre os salários pagos durante o período contratual
reconhecido e anotado na CTPS do obreiro” (Fls. 147).

O recurso, de relatoria originária do saudoso e eminente Ministro


Menezes Direito, foi distribuído à minha relatoria em razão do
falecimento de Sua Excelência (Fls. 204).
Aberta vista dos autos às partes-embargadas (Fls. 206), não houve
manifestação (Fls. 210).
É o relatório.

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 2271849.
Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. JOAQUIM BARBOSA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 5 de 18

13/06/2012 PLENÁRIO

EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.056 PARÁ

VOTO

O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (RELATOR): Inexistentes as


omissões apontadas.
A constituição judicial do crédito tributário por sentença trabalhista
meramente declaratória da relação de emprego não foi objeto do acórdão-
recorrido, prolatado pelo Tribunal Superior do Trabalho. Por falta de
prequestionamento, essa matéria era estranha ao debate e, coerentemente,
esta Suprema Corte nada decidiu sobre o tema.
Ademais, a acolhida do pleito modificativo da embargante tem o
potencial de contradizer o fundamento central do acórdão. Esta Suprema
Corte expressamente reconheceu a impossibilidade de execução sem
título judicial.
Sem a condenação, falta ao suposto crédito tributário um de seus
elementos essenciais, que é a base calculada. Parece-me temerário afirmar,
sem o necessário contraditório, ampla defesa e aprofundamento
instrutório, a constitucionalidade da outorga à administração fiscal de
competência para suprir elemento essencial do crédito tributário já com a
autoridade emprestada da sentença judicial que se limita a reconhecer o
vínculo empregatício[1][1].
Igualmente, inexiste omissão quanto a declaração da
constitucionalidade do art. 42 da Lei 11.457/2007.
Segundo argumenta a União, esta Corte foi omissa ao não declarar a
constitucionalidade do art. 42 da Lei 11.457/2007, que deu nova redação
ao art. 876, par. ún., da Consolidação das Lei do Trabalho.
O acórdão-recorrido, prolatado pelo TST, não declarou a
inconstitucionalidade do texto invocado pela embargante. Em atenção ao
quadro fático-jurídico definido pelo Tribunal de origem, o Supremo
Tribunal Federal limitou-se a interpretar o art. 896, §§ 2º e 4º da CLT
segundo o art. 114, § 3º da Constituição, para concluir que somente os

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 2271850.
Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. JOAQUIM BARBOSA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 6 de 18

RE 569.056 ED / PA

valores resultantes de sentença condenatória ou de homologação de


acordo pertencem à competência da Justiça do Trabalho para execução.
Portanto, a constitucionalidade do art. 876, par. ún. da CLT não era
matéria devolvida à esta Corte para apreciação.
Por fim, rejeito o pedido para modular temporalmente os efeitos
tanto da decisão como do precedente de eficácia ampla e geral.
Inicialmente, observo que a Corte não se pronunciou sobre a
constitucionalidade do art. 42 da Lei 11.457/2007, no que alterou o art.
876, par. ún., da CLT. Portanto, descabe cogitar a modulação temporal dos
efeitos de declaração de inconstitucionalidade que nem sequer existiu.
Por outro lado, nenhum dos requisitos autorizadores dessa medida
extrema está presentes.
Conforme dito pela própria embargante, a permissão para execução
irrestrita de contribuições previdenciárias era controvertida. O Tribunal
Superior do Trabalho adotou o Enunciado 368, contrário à pretensão da
embargante, de modo a enfraquecer a expectativa de confirmação da
validade da norma impugnada.
Além disso, a embargante foi genérica e imprecisa ao falar sobre a
extensão do risco alegado à fls. 141. Sob pena de completa descrença no
exercício jurisdicional e de perda da eficácia do controle de
constitucionalidade, compete ao postulante comprovar a irreversibilidade
ou o gravíssimo alcance dos danos que seriam causados pela aplicação
irrestrita da orientação firmada. A invocação de razões previdenciárias
para justificar o abrandamento do rigor do controle de
constitucionalidade parece-me insuficiente para alterar a conclusão.
Afinal, levado às últimas consequências, o argumento genérico de
risco levaria à total inviabilidade jurídica da repetição de qualquer
indébito tributário, devido à presunção neste processo inconteste de que
os valores arrecadados foram despendidos em prol do bem público.
Colateralmente, aumentaria o estímulo ao desrespeito constitucional.
Em se tratando de matéria tributária, há ainda que se ponderar que
qualquer dano seria de cunho patrimonial e, assim, plenamente
reversível (fungibilidade da moeda).

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 2271850.
Supremo Tribunal Federal
Voto - MIN. JOAQUIM BARBOSA

Inteiro Teor do Acórdão - Página 7 de 18

RE 569.056 ED / PA

A propósito, o temor da embargante sobre eventual ajuizamento de


ações rescisórias destinadas à repetição dos valores pagos em decorrência
de sentenças meramente declaratórias antecipa eventos incertos e
limitados ao menos pela prescrição quinquenal, contada a partir de cada
recolhimento indevido, insuficientes para justificar a plausibilidade de
risco grave à sociedade.
Portanto, rejeito o recurso de embargos de declaração, bem como o
pedido para modulação temporal dos efeitos do acórdão embargado.
É como voto.

[1][1] Ademais, não poderia o órgão jurisdicional obrigar o


contribuinte ao pagamento de valores alcançados pela prescrição ou pela
decadência tributárias, cujo prazo, de cinco anos, é em tudo semelhante
ao lapso de tempo de que dispõe o trabalhador para pleitear o pagamento
de verbas remuneratórias pretéritas.

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 2271850.
Supremo Tribunal Federal
Debate

Inteiro Teor do Acórdão - Página 8 de 18

13/06/2012 PLENÁRIO

EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.056 PARÁ

DEBATE

A SENHORA MINISTRA ROSA WEBER - Senhor Presidente, com


relação à questão de fundo, confesso a Vossa Excelência que tenho
compreensão diversa da adotada pelo Supremo Tribunal Federal.
Defendia, assim, no Tribunal Superior do Trabalho, junto com outros
Colegas, mas fomos vencidos e houve uma alteração na Súmula nº 368.
Estamos aqui julgando embargos de declaração. Vossa Excelência afirma
que não há omissões.
O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI:
Eu penso que aqui há algumas questões, sim, que mereceriam
análise. Trata-se de uma decisão tomada em ação que tramitava quando
adveio nova lei.

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 7559518.
Supremo Tribunal Federal
Extrato de Ata - 13/06/2012

Inteiro Teor do Acórdão - Página 9 de 18

PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA

EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.056


PROCED. : PARÁ
RELATOR : MIN. JOAQUIM BARBOSA
EMBTE.(S) : UNIÃO
PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL
EMBDO.(A/S) : DARCI DA SILVA CORREA
ADV.(A/S) : MARIA DE FÁTIMA PINHEIRO DE OLIVEIRA E OUTRO(A/S)
EMBDO.(A/S) : ESPÓLIO DE MARIA SALOMÉ BARROS VIDAL

Decisão: Retirado de mesa por indicação da Presidência.


Ausentes, justificadamente, os Senhores Ministros Celso de Mello e
Eros Grau. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário,
10.09.2009.

Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Joaquim Barbosa


(Relator), rejeitando os embargos de declaração, bem como o pedido
de modulação temporal dos efeitos do acórdão embargado, pediu
vista dos autos o Senhor Ministro Dias Toffoli. Ausentes o Senhor
Ministro Ayres Britto (Presidente), em viagem oficial para
participar da 91ª Reunião Plenária da Comissão Europeia para a
Democracia pelo Direito, em Veneza, na Itália, e, neste
julgamento, o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Presidência do Senhor
Ministro Joaquim Barbosa (Vice-Presidente). Plenário, 13.06.2012.

Presidência do Senhor Ministro Joaquim Barbosa (Vice-


Presidente). Presentes à sessão os Senhores Ministros Celso de
Mello, Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cezar Peluso, Ricardo
Lewandowski, Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux e Rosa Weber.

Vice-Procuradora-Geral da República, Dra. Deborah Macedo


Duprat de Britto Pereira.

p/ Luiz Tomimatsu
Assessor-Chefe do Plenário

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o número 2226210
Supremo Tribunal Federal
Voto Vista

Inteiro Teor do Acórdão - Página 10 de 18

19/11/2014 PLENÁRIO

EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.056 PARÁ

VOTO VISTA

O SENHOR MINISTRO DIAS TOFFOLI:


Cuida-se de embargos de declaração opostos pela União. Além da
tese de que teria havido omissão no julgamento atacado, os embargos
incluem pleitos de natureza infringente e, supletivamente, de modulação
dos efeitos do julgamento.
Após o voto do Ministro Joaquim Barbosa, que rejeitava os
embargos de declaração, bem como o pedido de modulação temporal dos
efeitos do acórdão embargado, pedi vista dos autos para melhor analisar
os temas então debatidos.
Destaco, como proêmio, que não houve omissão no julgamento
atacado, na medida em que o venerando acórdão, de fato, não declarou a
inconstitucionalidade do art. 876, parágrafo único, da CLT, porquanto o
acórdão recorrido, da lavra do Tribunal Superior do Trabalho, não
reconheceu, de forma expressa, a inconstitucionalidade dessa norma (cf.
acórdão de fls. 57/58).
Há que se salientar, inclusive, que não houve discussão nas
instâncias ordinárias sobre a constitucionalidade ou não do referido
dispositivo, porquanto o acórdão recorrido, datado de 11 de abril de 2007,
foi lavrado dias após a entrada em vigor da Lei nº 11.457/2007,
denominada de “Lei da Super-Receita”, a qual deu nova redação ao
dispositivo mencionado, ou seja, em 16 de março de 2007. Além de não
ter havido oposição de embargos de declaração perante o tribunal de
origem, somente no recurso extraordinário é que esse dispositivo foi
mencionado, o que configurou a ausência de prequestionamento.
Assim, como bem ressaltou o Ministro Joaquim Barbosa, Relator
dos embargos de declaração, o Supremo Tribunal Federal limitou-se a
interpretar a norma segundo o conteúdo jurídico do art. 114, § 3º, da
Constituição Federal, concluindo, como salientado no voto vencedor do
saudoso Ministro Menezes Direito, que somente o valor resultante de

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 7559517.
Supremo Tribunal Federal
Voto Vista

Inteiro Teor do Acórdão - Página 11 de 18

RE 569056 ED / PA

sentença condenatória ou de homologação de acordo - nesse caso, desde


que fixadas obrigações ao pagamento que possibilitem a execução das
contribuições previdenciárias atinentes ao vínculo de trabalho
reconhecido na decisão homologatória - é que pertence à competência da
Justiça do Trabalho, no que tange a sua execução ou cumprimento.
A pretensão da parte embargante de que seja reconhecida a
competência da Justiça do Trabalho para executar as contribuições
decorrentes de sentenças declaratórias e de sentenças homologatórias de
acordo sempre que houver determinação expressa de “comprovação das
contribuições incidentes sobre os salários pagos durante o período
contratual reconhecido e anotado na CTPS do obreiro”, além de possuir
caráter infringente, o que é defeso, colide diretamente com o cerne do
mérito julgado, o qual foi detalhado no voto vencedor.
O fato é que as decisões sobre as questões jurídicas postas não
padecem dos apontados vícios, sendo certo que o que se pretende,
efetivamente, é um novo julgamento do recurso, fim esse para o qual não
se prestam os embargos declaratórios (cf. RE nº 211.390-AgR-ED, Relator
o Min. Gilmar Mendes, DJ de 4/11/05; AI nº 543.738-AgR-ED, Relator o
Min. Sepúlveda Pertence, DJ de 14/10/05; AI nº 528.469-AgR-ED, Relator
o Min. Carlos Velloso, DJ de 30/9/05; RE nº 547063-ED, Relator o Min.
Dias Toffoli, DJe de 27/10/11).
No voto condutor, analisou-se a questão à luz das alterações trazidas
pela Emenda Constitucional nº 45/2004 e entendeu-se que as inovações
não tinham o alcance pretendido pela parte recorrente, tendo-se decidido
o seguinte:

“Com base nas razões acima deduzidas, entendo não


merecer reparo a decisão do Tribunal Superior do Trabalho no
sentido de que a execução das contribuições previdenciárias
está no alcance da Justiça Trabalhista quando relativas ao objeto
da condenação constante das suas sentenças, não abrangendo a
execução de contribuições previdenciárias atinentes ao
vínculo de trabalho reconhecido na decisão, mas sem
condenação ou acordo quanto ao pagamento de verbas

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 7559517.
Supremo Tribunal Federal
Voto Vista

Inteiro Teor do Acórdão - Página 12 de 18

RE 569056 ED / PA

salariais que lhe possam servir como base de cálculo” (fls. 119
– negrito nosso).

Em relação ao pedido de modulação, há precedentes desta Corte no


sentido de que, em sede de recurso extraordinário, possível se faz sua
aplicação, como se verifica do posicionamento firmado no RE nº
586453/SE, julgado em 20/02/13, em que o Plenário definiu, como questão
de ordem, a maioria necessária para sua aprovação, qual seja, a maioria
qualificada, exigindo-se votos favoráveis à modulação de 2/3 (dois
terços) dos membros da Corte Suprema.
Com o julgamento da ADI nº 3.601-ED, de minha relatoria, esta
Corte veio a admitir o cabimento de embargos de declaração como
instrumento processual para se autorizar a modulação de decisão da
Corte, independentemente da existência de requerimento do interessado.
Em seguida, veio a ser admitida a modulação também nos casos de
controle difuso. Nesse sentido, respectivamente:

“EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AÇÃO


DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. LEI DISTRITAL Nº
3.642/05, QUE “DISPÕE SOBRE A COMISSÃO PERMANENTE
DE DISCIPLINA DA POLÍCIA CIVIL DO DISTRITO
FEDERAL”. AUSÊNCIA DE PEDIDO ANTERIOR.
NECESSIDADE DE MODULAÇÃO DOS EFEITOS. 1. O art. 27
da Lei nº 9.868/99 tem fundamento na própria Carta Magna e
em princípios constitucionais, de modo que sua efetiva
aplicação, quando presentes os seus requisitos, garante a
supremacia da Lei Maior. Presentes as condições necessárias à
modulação dos efeitos da decisão que proclama a
inconstitucionalidade de determinado ato normativo, esta
Suprema Corte tem o dever constitucional de,
independentemente de pedido das partes, aplicar o art. 27 da
Lei nº 9.868/99. 2. Continua a dominar no Brasil a doutrina do
princípio da nulidade da lei inconstitucional. Caso o Tribunal
não faça nenhuma ressalva na decisão, reputa-se aplicado o
efeito retroativo. Entretanto, podem as partes trazer o tema em

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 7559517.
Supremo Tribunal Federal
Voto Vista

Inteiro Teor do Acórdão - Página 13 de 18

RE 569056 ED / PA

sede de embargos de declaração. 3. Necessidade de preservação


dos atos praticados pela Comissão Permanente de Disciplina da
Polícia Civil do Distrito Federal durante os quatro anos de
aplicação da lei declarada inconstitucional. 4. Aplicabilidade, ao
caso, da excepcional restrição dos efeitos prevista no art. 27 da
Lei 9.868/99. Presentes não só razões de segurança jurídica, mas
também de excepcional interesse social (preservação da ordem
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio –
primado da segurança pública), capazes de prevalecer sobre o
postulado da nulidade da lei inconstitucional. 5. Embargos
declaratórios conhecidos e providos para esclarecer que a
decisão de declaração de inconstitucionalidade da Lei distrital
nº 3.642/05 tem eficácia a partir da data da publicação do
acórdão embargado” (ADI nº 3.601-ED, Rel. Min. Dias Toffoli,
DJ de 15/12/10 e Informativo STF nº 591).

“CONSTITUCIONAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO


EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CABIMENTO.
MODULAÇÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO. CONCESSÃO.
EMBARGOS ACOLHIDOS. I – Conhecimento excepcional dos
embargos de declaração em razão da ausência de outro
instrumento processual para suscitar a modulação dos efeitos
da decisão após o julgamento pelo Plenário. II – Modulação dos
efeitos da decisão que declarou a inconstitucionalidade da
cobrança da taxa de matrícula nas universidades públicas a
partir da edição da Súmula Vinculante 12, ressalvado o direito
daqueles que já haviam ajuizado ações com o mesmo objeto
jurídico. III – Embargos de declaração acolhidos” (RE nº
500.171, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJ de 3/6/11).

Embora seja juridicamente possível a modulação no julgamento de


recursos extraordinários, na espécie, no entanto, não se encontram
presentes os requisitos para sua concessão.
Isso porque, além de não ter sido expressamente declarada a
inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 11.457/07, ou mesmo de parte
do parágrafo único do art. 876 da CLT, como sustentado não só neste voto

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 7559517.
Supremo Tribunal Federal
Voto Vista

Inteiro Teor do Acórdão - Página 14 de 18

RE 569056 ED / PA

vista, mas também pelo eminente Relator dos embargos, não se


encontram presentes os pressupostos da necessidade e do interesse social
para que se proceda à pretendida modulação.
No acórdão embargado, a decisão que gera efeitos erga omnes e que
vincula o Poder Judiciário, no exercício de sua função primária, encontra-
se assim ementada:

“A competência da Justiça do Trabalho prevista no art. 114,


VIII, da Constituição Federal alcança apenas a execução das
contribuições previdenciárias relativas ao objeto da condenação
constante das sentenças que proferir.”

É evidente que, sendo o recurso extraordinário instrumento


processual a possibilitar o controle difuso de constitucionalidade, seus
efeitos serão, no caso em julgamento, ex tunc e inter partes.
A pretensão de que a decisão proferida por esta Corte gere efeitos ex
nunc a partir de 26 de setembro de 2008, data em que o Pleno declarou a
existência de repercussão geral, além de não se encontrar adequadamente
fundamentada, não apresenta os requisitos exigidos para sua concessão.
Não se vislumbra a existência de interesse social ou público,
tampouco de violação do princípio da segurança jurídica. Os argumentos
trazidos no recurso declaratório no sentido de que, em alguns casos em
que restaram decididas judicialmente questões executórias ou em que
vieram a ser efetuados pagamentos por determinação de autoridades
incompetentes, poderiam ser propostas ações rescisórias ou de repetição
de indébito importam, com a devida vênia, em meras suposições. O fato é
que não há como se inferir que sejam concretas essas razões e que elas
demonstrem haver a necessidade de se restringirem os efeitos do
julgamento.
Volto a afirmar que o julgamento não declarou a
inconstitucionalidade da segunda parte do parágrafo único do art. 896 da
CLT. Limitou-se apenas a descrever e a declarar o conteúdo jurídico do
art. 114, § 3º, da Constituição Federal. Portanto, não tendo sido declarada
a inconstitucionalidade da referida norma, ainda que no controle difuso

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 7559517.
Supremo Tribunal Federal
Voto Vista

Inteiro Teor do Acórdão - Página 15 de 18

RE 569056 ED / PA

realizado, não há sequer a obrigatoriedade de se expedir comunicação ao


Senado Federal (cf. previsão do art. 52, X, da Constituição Federal e do
art. 178 do Regimento Interno do STF).
Embora não exista a obrigatoriedade de comunicarmos o Senado
Federal, podemos nos questionar se seria oportuno e conveniente fazê-lo.
A resposta, também, no meu entender, é negativa, na medida em que,
efetuada a leitura do parágrafo único do art. 876 da CLT, conforme o
dispositivo constitucional mencionado, podemos verificar que
aparentemente não há a necessidade de modificação do texto. Eis a sua
redação:

“Art. 876 (...)


Parágrafo único. Serão executadas ex officio as
contribuições sociais devidas em decorrência de decisão
proferida pelos Juízes e Tribunais do Trabalho, resultantes de
condenação ou homologação de acordo, inclusive sobre os
salários pagos durante o período contratual reconhecido.”

Essa norma espera-se que seja lida de acordo com o que esta Corte
decidiu, ou seja, do que se extraiu da interpretação do art. 114, § 3º, da
Constituição Federal.
É evidente que qualquer ator do Sistema de Justiça, assim como
qualquer indivíduo, ao interpretar uma norma, o fará de acordo com as
regras de hermenêutica – como há de se esperar. A mudança de
entendimento de um Tribunal sobre um determinado tema gera evidentes
consequências jurídicas. No entanto, não é por isso que toda decisão
judicial, ainda que gere efeitos erga omnes, como é o caso deste recurso,
na parte reconhecida como sendo de repercussão geral, deva ser objeto de
modulação.
Como foi bem lembrado nestes autos, a Justiça do Trabalho chegou a
adotar posicionamentos conflitantes e, inclusive, a modificar seus
precedentes sobre essas temáticas. Isto faz parte da própria evolução do
Direito.
Não há, outrossim, e com o devido respeito, indícios dos alegados

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 7559517.
Supremo Tribunal Federal
Voto Vista

Inteiro Teor do Acórdão - Página 16 de 18

RE 569056 ED / PA

riscos; tampouco se vislumbra a ocorrência de danos irreversíveis para a


sociedade ou estabilidade social que possam exigir a modulação.
Portanto, meu voto é para que, acompanhando as conclusões do
nobre Ministro Relator, conheçamos dos embargos de declaração e os
rejeitemos, assim como o pedido de modulação dos efeitos do acórdão
atacado.

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/ sob o número 7559517.
Supremo Tribunal Federal
Extrato de Ata - 19/11/2014

Inteiro Teor do Acórdão - Página 17 de 18

PLENÁRIO
EXTRATO DE ATA

EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.056


PROCED. : PARÁ
RELATOR : MIN. JOAQUIM BARBOSA
REDATOR DO ACÓRDÃO RISTF : MIN. DIAS TOFFOLI
EMBTE.(S) : UNIÃO
PROC.(A/S)(ES) : PPROCURADOR-GERAL FEDERAL
EMBDO.(A/S) : DARCI DA SILVA CORREA
ADV.(A/S) : MARIA DE FÁTIMA PINHEIRO DE OLIVEIRA E OUTRO(A/S)
EMBDO.(A/S) : ESPÓLIO DE MARIA SALOMÉ BARROS VIDAL

Decisão: Retirado de mesa por indicação da Presidência.


Ausentes, justificadamente, os Senhores Ministros Celso de Mello e
Eros Grau. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário,
10.09.2009.

Decisão: Após o voto do Senhor Ministro Joaquim Barbosa


(Relator), rejeitando os embargos de declaração, bem como o pedido
de modulação temporal dos efeitos do acórdão embargado, pediu
vista dos autos o Senhor Ministro Dias Toffoli. Ausentes o Senhor
Ministro Ayres Britto (Presidente), em viagem oficial para
participar da 91ª Reunião Plenária da Comissão Europeia para a
Democracia pelo Direito, em Veneza, na Itália, e, neste
julgamento, o Senhor Ministro Gilmar Mendes. Presidência do Senhor
Ministro Joaquim Barbosa (Vice-Presidente). Plenário, 13.06.2012.

Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por


unanimidade, rejeitou os embargos de declaração, bem como o pedido
de modulação temporal dos efeitos do acórdão embargado. Redigirá o
acórdão o Ministro Dias Toffoli. Ausente, justificadamente, o
Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo
Lewandowski. Plenário, 19.11.2014.

Presidência do Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Presentes


à sessão os Senhores Ministros Celso de Mello, Gilmar Mendes,
Cármen Lúcia, Dias Toffoli, Luiz Fux, Rosa Weber, Teori Zavascki e
Roberto Barroso.

Vice-Procuradora-Geral da República, Dra. Ela Wiecko Volkmer


de Castilho.

p/ Fabiane Pereira de Oliveira Duarte


Assessora-Chefe do Plenário

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o número 7401276
Supremo Tribunal Federal
Extrato de Ata - 19/11/2014

Inteiro Teor do Acórdão - Página 18 de 18

Documento assinado digitalmente conforme MP n° 2.200-2/2001 de 24/08/2001, que institui a Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira - ICP-Brasil. O
documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.stf.jus.br/portal/autenticacao/autenticarDocumento.asp sob o número 7401276

Você também pode gostar