Relatório de Política Monetária Abril 2019
Relatório de Política Monetária Abril 2019
Relatório de Política Monetária Abril 2019
Abril de 2019
BANCO DE CABO VERDE
http://www.bcv.cv
Relatório de Política Monetária
Índice
Sumário Executivo 3
2. Oferta e Procura 10
3. Inflação 13
4. Contas Externas 15
6. Finanças Públicas 19
Sumário Executivo1
As estatísticas disponíveis para 2018 apontam para um fortalecimento da atividade económica (com o
crescimento do PIB real estimado em 5,5 por cento, o que compara a 4,0 por cento de 2017), para a
manutenção da taxa de desemprego em 12,2 por cento e para um aumento da inflação média anual
de 0,8 para 1,3 por cento.
A melhoria consistente das condições nos mercados de trabalho nos principais parceiros do país e a
manutenção dos seus custos de financiamento em níveis historicamente baixos continuaram a
favorecer, igualmente, as exportações nacionais, as remessas dos emigrantes e a realização de
investimentos no país (apesar da redução observada nos influxos de investimento direto estrangeiro).
Os efeitos diretos e indiretos do aumento dos preços das matérias primas energéticas nos mercados
internacionais, entretanto, a par da redução da produção local de frescos, foram determinantes para
o aumento da inflação nacional.
As contas externas, por sua vez, melhoraram, com a redução do défice comercial de bens e serviços,
com a diminuição dos rendimentos pagos aos investidores não residentes e com a desmobilização de
ativos externos pelos bancos nacionais. As reservas internacionais líquidas do país registaram um
aumento de cerca de oito milhões de euros, passando a garantir cerca de 5,6 meses de importações
de bens e serviços.
A oferta monetária moderou, contudo, com a redução das disponibilidades líquidas da economia sobre
o exterior e o crescimento modesto do crédito ao sector privado (em 1,9 por cento face a 6,8 por cento
de 2017), reflexo, respetivamente, da deterioração das perspetivas de rendibilidade das aplicações no
exterior e da liquidação do crédito concedido a um grande promotor turístico através de um sindicato
de bancos nacionais.
O défice global das contas públicas, por seu turno, reduziu de 3,1 para 2,6 por cento do PIB, devido à
diminuição dos investimentos públicos e ao contínuo aumento das receitas fiscais. Em consequência
da contenção das necessidades de financiamento do Estado e do crescimento acelerado do PIB
nominal (na ordem dos sete por cento), o stock da dívida pública, excluindo os Títulos Consolidados de
Mobilização Financeira, reduziu dos 126,6 para 123,4 por cento do PIB.
1
O Relatório foi elaborado com base em estatísticas e indicadores disponíveis a 1 de abril de 2019.
Sector Real
PIB real variação em % 1,0 4,7 4,0 5,5 4,7 5,2
Sector Externo
Défice Corrente em % do PIB 2,7 3,6 7,0 4,5 5,9 6,6
RIL/Importações meses 6,7 7,1 5,9 5,6 5,8 5,4
Sector Monetário
Índice de Preços no Consumidor v.m.a. em % 0,1 -1,4 0,8 1,3 1,4 0,9
Ativo Externo Líquido variação em % 13,4 18,6 2,3 -6,6 3,9 2,9
Crédito à Economia variação em % 2,7 3,6 7,5 2,8 5,1 5,1
Massa Monetária variação em % 5,9 8,4 6,6 1,7 5,5 6,4
A taxa média anual de inflação deverá reduzir dos 1,3 por cento para 0,9 por cento, em 2019,
traduzindo, em larga medida, as expetativas e os consequentes impactos, nos preços no consumidor,
da evolução prevista dos preços das matérias primas energéticas e não energéticas nos mercados
internacionais.
O crédito à economia deverá crescer em torno de cinco por cento, dissipados os efeitos da liquidação
de um grande financiamento em inícios de 2018, em certa medida impulsionado pela implementação
de mecanismos públicos de partilha de riscos e de redução do custo de financiamento, num contexto
de contínua melhoria da confiança dos agentes económicos.
As estimativas preliminares do Eurostat sugerem que a economia da Área do Euro cresceu 1,8 por
cento em 2018, que compara ao crescimento de 2,4 por cento estimado para 2017. A moderação do
crescimento do principal parceiro do país refletiu, em larga medida, a redução dos contributos das
exportações e da formação bruta de capital fixo, numa conjuntura de arrefecimento do comércio
global (em boa medida resultado da política comercial atual dos EUA) e de condicionamento da
produção industrial (devido a condições meteorológicas adversas no primeiro semestre do ano,
ocorrência de numerosas greves em diversos países, introdução de novas normas de emissões de
poluentes para os veículos automóveis, que afetou particularmente a produção alemã, e incertezas
geradas por impasses na negociação da saída do Reino Unido da União Europeia).
O enfraquecimento da procura interna no espaço da moeda única europeia terá sido ampliado pela
deterioração do sentimento económico e da confiança dos consumidores, apesar das políticas
macroeconómicas, em particular a monetária, terem mantido uma orientação acomodatícia e da
contínua melhoria das condições no mercado de trabalho.
De notar que a taxa de desemprego na Área do Euro reduziu para 7,9 por cento em dezembro de 2018,
valor mais baixo desde outubro de 2008. Refira-se ainda que, não obstante ter mantido as suas taxas
de referência inalteradas desde 2016, o Banco Central Europeu deu sequência, ao longo do ano
passado, à sua política de redução gradual das aquisições mensais de títulos do seu segundo programa
de quantitative easing, que ficou concluído, conforme programado, em dezembro. No que se refere à
política orçamental, os esforços de consolidação orçamental por Estados sobreendividados foram
mantidos ou reforçados com maior arrecadação de receitas fiscais, enquanto outros Estados, em
Figura 1: Produto Interno Bruto e Desemprego nos Principais Parceiros Económicos do País
5,0 8,0 13,0
Cabo Verde (ei xo dto.)
Des emprego (em % da população ativa)
7,0
Produto Interno Bruto (t.v.h. em %)
Produto Interno Bruto (t.v.h. em %)
jul-14
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jun-18
set-14
set-15
set-16
set-17
set-18
Fonte: Eurostat; US Department of Labor; Officer for National Statistic; Instituto Nacional de Estatística.
Nota: t.v.h. – taxa de variação homóloga.
A performance económica dos EUA, outro importante parceiro do país, foi, por seu turno, mais
consistente. O crescimento do PIB acelerou de 2,2 para 2,9 por cento, em larga medida estimulado por
políticas orçamental e comercial em curso, que se consubstanciaram na redução de impostos sobre os
rendimentos de pessoas coletivas e singulares (respetivamente, de 35 para 21 por cento e em média
em dois pontos percentuais), no aumento, entre outros gastos discricionários, de gastos na defesa na
ordem dos 3,4 por cento, e de direitos aduaneiros, principalmente sobre importações da China.2 Os
estímulos orçamentais e comerciais terão impulsionado, por um lado, a formação bruta de capital fixo
e as exportações e, por outro, traduziram-se num agravamento do défice orçamental para 3,8 por
cento do PIB (3,4 por cento em 2017). Os estímulos comerciais foram, contudo, insuficientes para
conter a deterioração do défice comercial em 7,9 mil milhões para 59,8 mil milhões de dólares, nível
mais elevado desde 2008.
A política monetária dos EUA, ao contrário da orçamental, manteve uma orientação anti-cíclica em
2018, numa conjuntura de crescimento sustentado do emprego e de aumento de pressões
inflacionistas. Prosseguindo a normalização da política monetária, o Federal Reserve (FED) aumentou
a fed funds rate em quatro momentos ao longo do ano, fixando-a, em dezembro, no intervalo 2,25-
2,50 por cento e reduziu o limite de reinvestimento nos títulos adquiridos no quadro do seu segundo
programa de quantitative easing.
O desempenho do principal mercado emissor de turistas para Cabo Verde foi o pior do grupo das
economias parceiras do país. Penalizado por impasses nas negociações e incertezas que envolvem o
processo de saída do Reino Unido da União Europeia, o crescimento do PIB do Reino Unido abrandou
Figura 2: Taxas de Juro de Referência dos Principais Parceiros e Taxa Euribor e de Câmbio EUR/USD
1,8 5,0
Ta xa s de Juro (em %)
jul-14
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jul-15
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jul-16
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jul-18
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2 Refira-se que em abril de 2018 os EUA impuseram tarifas sobre o aço, alumínio e outros produtos (clínicos, de tecnologia
industrial e transporte) importados da China, num montante que ascendia a 60 mil milhões de USD. As tarifas foram
agravadas para 267 mil milhões de USD, em setembro, após a retaliação da China, que também impôs tarifas à importação
de produtos agrícolas dos EUA. Em dezembro, os dois países acordaram uma trégua comercial de 90 dias, que devia vigorar
até março de 2019.
de 1,8 por cento em 2017 para 1,4 por cento em 2018. Para o desempenho menos conseguido
contribuíram, em larga medida, a diminuição dos contributos do investimento, das exportações e do
consumo privado, num contexto de aumento de estímulos orçamentais, de redução do desemprego
de 4,4 para 4,0 por cento entre dezembro de 2017 e dezembro de 2018 e, no entanto, de deterioração
da confiança dos empresários e consumidores.
A melhoria consistente das condições nos mercados de trabalho nos principais parceiros de Cabo
Verde e a manutenção dos seus custos de financiamento em níveis historicamente baixos favoreceram
a procura externa e a realização de investimentos no país. Contudo, os efeitos diretos e indiretos do
aumento dos preços das matérias primas energéticas nos mercados internacionais (nomeadamente
na inflação no produtor e consumidor dos principais fornecedores do país) foram determinantes para
o aumento da inflação nacional.
O preço de barril do petróleo de referência para Cabo Verde (brent) aumentou cerca de 26,4 por cento
em 2018 para o valor médio anual de 69,9 dólares dos EUA, impulsionado sobretudo pelo corte acima
do programado da produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus parceiros,
pelo anúncio e posterior efetivação de sanções ao Irão pelos EUA e pela redução da produção pela
Venezuela.
Ao contrário das matérias-primas energéticas, a evolução dos preços das commodities alimentares
atenuaram as pressões inflacionistas domésticas decorrentes da redução da produção interna de
Figura 3: Preços das Matérias-primas nos Mercados Internacionais e Preços no Consumidor dos EUA, Área do Euro e
Cabo Verde
60,0 4,0
EUA
Preço de Ma térias-Primas (t.v.h. em %)
Brent
Ta xa de Inflação Homóloga (em %)
45,0 3,0
30,0 Área do Euro
2,0
15,0
1,0
0,0
0,0
-15,0
-1,0
-30,0 Cabo Verde
FAO Food
-45,0 Price Index -2,0
-60,0 -3,0
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out-18
frescos devido à severa seca de 2017. Com efeito, os preços de bens alimentares que compõem o food
price index da FAO contraíram 3,5 por cento em 2018, depois de terem aumentado 8,1 por cento em
2017, pressionados pela elevada disponibilidade, para exportação, de carnes, produtos lácteos, açúcar
e óleos vegetais.
Pese embora o perfil ascendente, a inflação nacional foi menor que a dos seus principais parceiros
comerciais, possibilitando ao país ganhos de competitividade-preço, que, em alguma medida, terão
contribuído para o aumento da quota de mercado das exportações nacionais (de 1,7 para 3,9 por
cento).3
3 A quota de mercado das exportações é o quociente entre o crescimento das exportações em volume e o crescimento da
procura externa. Sendo a Área do Euro o principal parceiro comercial de Cabo Verde, o crescimento real das suas importações
é considerado como representativo (proxy) da procura externa dirigida à economia nacional.
2. Oferta e Procura
De acordo com as estimativas das contas nacionais trimestrais do Instituto Nacional de Estatística
(INE), a economia nacional registou um crescimento em volume de 5,5 por cento, depois de ter
registado, em 2017, um abrandamento de 4,7 para 4,0 por cento. O crescimento económico foi
determinado, sobretudo, pela dinâmica do sector público (impostos líquidos de subsídios e
administração pública) e pelos desempenhos positivos do comércio, indústria transformadora,
imobiliária e outros serviços e eletricidade e água. De notar ainda uma recuperação assinalável da
construção e uma redução do contributo positivo de alojamento e restauração.
A atividade económica nacional continuou a beneficiar, em boa medida, dos efeitos da implementação
de reformas na administração tributária (nomeadamente, da consolidação do processo de declaração
eletrónica e dos sistemas de informação) e de regimes de recuperação de dívidas fiscais, que
conferiram espaço orçamental para ajustamentos de salários e benefícios sociais, assim como para a
Serviços Exportações
8,0 Impostos Líquidos de Subsídios 10,0 Importações 10,0
PIB (var. tri. em volume) (eixo dto.) PIB (var. tri. em volume) (eixo dto.)
em percentagem
em percentagem
30,0
6,0
-2,0
3ºT 14
1ºT 15
3ºT 15
1ºT 16
3ºT 16
1ºT 17
3ºT 17
1ºT 18
3ºT 18
Fonte: Instituto Nacional de Estatística; Direção Nacional de Receitas do Estado. Cálculos do Banco de Cabo Verde.
4 Refira-se que o sector das telecomunicações continuou a ressentir-se do uso massivo e crescente pelos utilizadores de
serviços de comunicação e multimédia designados over the top media services com base em internet e que o desempenho
do sector dos transportes foi igualmente constrangido pelo período que a Cabo Verde Airlines esteve sem efetuar voos devido
a atrasos no processo de certificação de aeronaves.
20 10
Resolução de Insolvência
5 -10 2017
0 Pagamento de Impostos
dez-17
dez-18
mar-16
mar-17
mar-18
jun-16
jun-17
jun-18
set-16
set-17
set-18
Acesso a Licenças de Construção
Iniciar um Negócio
Clima Económico
Confiança dos Consumidores 0 60 120 180
Índice de Oferta de Crédito a Empresas posição
Fonte: Instituto Nacional de Estatística, Banco Mundial, Banco de Cabo Verde. Cálculos do Banco de Cabo Verde.
Nota: (1) O índice de difusão de oferta de crédito às empresas agrega as respostas dos bancos ao Inquérito sobre o Mercado de Crédito, ponderadas pela
sua quota de mercado, assumindo valores entre -100 e 100. Valores entre 0 e +/- 50 representam um ligeiro aumento/redução da oferta, enquanto valores
entre +/-50 e +/-100 representam um aumento/redução considerável da sua perspetiva de oferta. (2) O ranking do Doing Business vai de 1 a 190, sendo 1
a melhor posição.
progressão e implementação de carreiras em diversos serviços do Estado (com destaque para o sector
da saúde).
A contínua recuperação dos rendimentos empresariais e salariais no país e nas economias parceiras, a
melhoria da confiança dos operadores económicos nacionais e das condições de financiamento
externo dos investimentos no país, a eliminação de constrangimentos à exportação de mercadorias
para o mercado europeu, bem como os incentivos orçamentais (particularmente para promover o
financiamento de projetos empresariais e compensar os efeitos da seca), refletiram-se, igualmente, na
dinâmica da atividade económica em 2018.5
Apesar do melhor desempenho, a atividade económica nacional continuou a ser condicionada por
constrangimentos infraestruturais importantes ao ambiente de negócios, de acordo com o Banco
Mundial (Doing Business 2019-Training for Reform).
Ainda, atendendo ao alargamento do spread bancário (diferencial entre as taxas de juro ativas e
passivas) e ao crescimento do crédito ao sector privado aquém do esperado, infere-se que o legado
do malparado no balanço dos bancos, pese embora a sua tendência descendente, terá igualmente
condicionado o financiamento e a performance da economia, numa conjuntura de aumento de
estímulos orçamentais e implementação de mecanismos de partilha de riscos de crédito pelo Estado,
através, nomeadamente, da assinatura do Protocolo do Ecossistema com os bancos e criação da Pró-
Garante.6
5 Recorde-se que as exportações de mercadorias foram em 2016 e no primeiro semestre de 2017 grandemente afetadas
pelo atraso na derrogação da cláusula de origem do acordo de pesca que o país mantém com a União Europeia. O aumento
das remessas dos emigrantes em cerca de sete por cento também contribuiu para o crescimento do rendimento disponível
das famílias cabo-verdianas em 2018.
6 A Pró-Garante foi criada enquanto empresa pública, com um fundo de 10 milhões de dólares, para garantir até 80 por cento
do valor dos investimentos de projetos elegíveis de valor até 40 milhões de escudos. No quadro do Protocolo de Ecossistema
foi criada uma linha de crédito com todos os bancos comerciais do sistema no montante cinco mil milhões de escudos, para
financiamento mais favorável de micro, pequenas e médias empresas. No quadro do Protocolo, os investidores beneficiarão
de uma taxa de juros inferior à estabelecida no quadro da análise de risco pelos bancos em um ponto percentual e
beneficiarão de um desconto de 25 por cento no valor das comissões e outras despesas com o crédito. O Estado ainda
garantirá 50 por cento do valor do crédito e bonificará os juros em 50 por cento.
3. Inflação
A inflação média anual, mantendo a tendência ascendente iniciada em fevereiro de 2017, fixou-se em
1,3 por cento em dezembro de 2018.
O comportamento dos preços no consumidor, ao longo do ano de 2018, refletiu em larga medida a
inflação da componente energética e dos bens alimentares não transformados do índice de preços no
consumidor (IPC), consequência dos impactos diretos e indiretos do aumento dos preços do petróleo
nos mercados internacionais e da redução da produção local de frescos. Com efeito, a inflação média
anual das classes de rendas de habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, de transportes
e de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas fixou-se, no final do ano, respetivamente, em 2,4,
4,0 e 0,4 por cento, que compara às taxas de 1,7, 1,7 e -0,2 por cento observadas em 2017.
2018
2016 2017 2018
Mar Jun Set Dez
Índice de Preços no Consumidor
Taxa de variação homóloga -0,3 0,3 0,9 1,0 1,6 1,1 0,9
Taxa de variação média dos últimos 12 meses -1,4 0,8 1,3 1,0 1,1 1,1 1,3
1,0 2,0
em %
0,0
1,0
-1,0
0,0
-2,0
-1,0
-3,0
-2,0
jan-14
jul-14
jan-15
jul-15
jan-16
jul-16
jan-17
jul-17
jan-18
jul-18
abr-14
abr-15
abr-16
abr-17
abr-18
out-14
out-15
out-16
out-17
out-18
jan-14
jul-14
jan-15
jul-15
jan-16
jul-16
jan-17
jul-17
jan-18
jul-18
abr-14
abr-15
abr-16
abr-17
abr-18
out-14
out-15
out-16
out-17
out-18
Taxa de Variação Homóloga do IPC IPC de Bens Transacionáveis
Taxa de Variação Média de 12 Meses do IPC IPC de Bens Não Transacionáveis
IPC Excluindo Energia e Bens Alimentares Não Transformados (t.v.h.) IPC Global
Fonte: Instituto Nacional de Estatística; Banco de Cabo Verde. Cálculos do Banco de Cabo Verde.
Nota: IPC – Índice de Preços no Consumidor; t.v.h. – taxa de variação homóloga.
Em consequência, o IPC administrado teve um maior contributo (58 por cento) que o IPC não
administrado para a inflação nacional em 2018.7
A inflação dos bens alimentares e bebidas não alcoólicas reforçou as pressões ascendentes sobre o
IPC, tendo se situado, no final do ano, em 0,4 por cento (-0,2 por cento em dezembro de 2017). Em
consequência da severa seca de 2017 e da ocorrência de fracas precipitações em 2018, a produção
interna de bens alimentares frescos reduziu, elevando a inflação dos bens alimentares não
transformados de -0,8 por cento, em 2017, para de 3,8 por cento, em 2018. Os bens alimentares e
bebidas transformados, essencialmente importados, por outro lado, registaram uma deflação de 1,2
por cento, que compara à inflação de 0,3 por cento de 2017.8
As restantes classes do IPC, com exceção da classe de vestuário e calçado que registou a partir de abril
um perfil deflacionário, apresentaram uma inflação positiva, embora inferior às taxas do ano anterior.
A taxa média anual do núcleo da inflação (que expurga a tendência das componentes mais voláteis do
IPC, designadamente, os bens alimentares não transformados e energia) fixou-se nos 0,2 por cento em
dezembro de 2018, 0,5 pontos percentuais abaixo do valor registado em período homólogo. O perfil
descendente da inflação subjacente observado em 2018 corrobora a tendência de alguma contenção
de pressões inflacionistas mais associadas ao comportamento (de moderação) da procura interna,
pese embora o aumento dos rendimentos salariais (nomeadamente, do salário mínimo nacional), das
remessas dos emigrantes e benefícios sociais.
7 O atual mecanismo de atualização dos preços administrados (mensal para os combustíveis e anual para eletricidade, água
e transportes coletivos) possibilita uma transmissão mais oportuna da inflação importada aos preços nacionais e suaviza o
impacto dos ajustamentos sequentes dos preços no produtor e consumidor no rendimento disponível das famílias.
8 A inflação média anual dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas transacionáveis (na sua maioria importados) e
não transacionáveis fixaram-se em -0,7 e 2,2 por cento, respetivamente, face a -0,1 e 0,2 por cento de dezembro de 2017. A
componente transacionável (essencialmente, importada) do cabaz de consumo dos cabo-verdianos ascende a 50,9 por cento
do total.
4. Contas Externas
A redução do défice da balança corrente, na ordem dos 27 por cento, foi determinante para o
comportamento positivo das contas externas. A melhoria do défice corrente resultou da diminuição
de rendimentos expatriados, do aumento das exportações de serviços (pese embora o crescimento
em desaceleração das receitas de viagens) e da redução ligeira do défice da balança de bens (devido à
dinâmica excecional das exportações).
Com efeito, o défice da balança comercial (de bens e serviços) reduziu 3,7 por cento em 2018 (depois
de ter aumentado 32,3 por cento em 2017), em função do crescimento das exportações e
reexportações de mercadorias e víveres nos portos e aeroportos do país, em termos agregados em
38,4 por cento, e das exportações de serviços de transporte (principalmente aeroportuários) e de
viagens, em 28,5 e 3,5 por cento, respetivamente. As importações de bens e de serviços (sobretudo
de transporte e em boa medida relacionado às despesas com irregularidades de voos da Cabo Verde
Airlines no terceiro trimestre) aumentaram 8,5 e 6,7 por cento, respetivamente.
em meses de i mportação
20,0
80,0 6,0
15,0
em % do PIB
em % do PIB
60,0
10,0 4,0
40,0
20,0 5,0
2,0
0,0 0,0
-20,0
-5,0 0,0
2014 2015 2016 2017 2018
2014 2015 2016 2017 2018
Juros da Dívida (Total)
Dividendos do IDE Expatriados Ativos Líquidos de Bancos
Remessas de Emigrantes Dívida Externa Privada
Receitas de Turismo Dívida Externa Pública
Importações de Bens e Serviços IDE
Balança Corrente Reservas Internacionais Líquidas (eixo dto.)
projetos financiados pelo Millenium Challenge Corporation dos EUA, reduziu de 1.576 para 1.432
milhões de escudos.
No que se refere a influxos de financiamento dos investimentos do Estado e do sector não financeiro,
de notar uma redução dos desembolsos líquidos de dívida externa pública (em 4.279 milhões de
escudos) e privada (em 2.234 milhões de escudos), bem como uma diminuição dos influxos de
investimento direto estrangeiro em ações e outras participações de capital (em 21 por cento,
correspondente a 2.236 milhões de escudos).
O comportamento do IDE está associado ao efeito de base relacionado aos investimentos que foram
concluídos em 2017 e nos primeiros meses de 2018, em particular no sector do turismo, bem como a
uma dinâmica mais fraca de execução de grandes projetos turísticos em curso, em parte devido a
constrangimentos no auto-financiamento. A performance da dívida privada também acompanhou a
execução aquém das expetativas dos investimentos aprovados e refletiu o efeito do financiamento de
um grande projeto pelo Afreximbank em finais de 2017. Quanto à divida pública, o seu comportamento
foi determinado pela baixa taxa de execução dos investimentos públicos e pela estratégia orçamental
de maior recurso ao financiamento interno.
A oferta monetária moderou com a redução das disponibilidades líquidas sobre o exterior e o
crescimento contido do crédito interno.
A oferta monetária expressa pelo crescimento do agregado M2 (constituída por moeda em circulação,
depósitos à vista, depósitos a prazo e de poupança e títulos do Tesouro em poder do público) registou,
em 2018, um abrandamento de 6,6 para 1,7 por cento, reflexo, em grande medida, da redução dos
ativos externos dos bancos comerciais (nomeadamente das aplicações em depósitos a prazo, incluindo
flutuação cambial, em 5.242 milhões de escudos) e da desaceleração do crescimento do crédito ao
sector privado dos 6,8 por cento observados em 2017 para 1,9 por cento.
Se, por um lado, a evolução das disponibilidades sobre o exterior dos bancos refletiu a sua perspetiva
de rentabilização da liquidez disponível (mais favorável para as aplicações na economia nacional),
numa conjuntura de melhoria do seu balanço (designadamente da qualidade dos seus ativos) e das
perspetivas macroeconómicas, o comportamento do crédito ao sector privado, por outro, traduziu,
em larga medida, o efeito da liquidação do crédito concedido a um grande promotor turístico através
de um sindicato de bancos nacionais.9
A moderação do crédito à economia (cresceu 2,8 por cento, o que compara ao crescimento de 7,5 por
Memo Itens
Inflação (var. média anual IPC em %) 0,1 -1,4 0,8 1,3
Tx. dos BT (a 91 dias, média em %) 0,99 0,60 0,73 1,00
TRM (14 dias, média em %) 0,35 0,31 1,01 1,50
Fonte: Bancos Comerciais; Banco de Cabo Verde. Notas: SPA – Sector Público Administrativo; IPC- Índice de Preços no Consumidor; BT
– Bilhetes do Tesouro; TRM – Título de Regularização Monetária; t.v.h. – taxa de variação homóloga.
9
Expurgando o efeito do referido financiamento, o crédito ao sector privado e o crédito à economia cresceram respetivamente, 4,4 e 5,3
por cento em 2018 (4,2 por cento e 5,0 em 2017).
em mi lhões de escudos
110.000
em milhões de escudos
4,0
em percentagem
80.000 11,0
em percentagem
105.000
60.000
3,0
10,0 100.000
40.000
2,0 95.000
20.000 9,0
90.000
1,0 0
jan-14
jul-14
jan-15
jul-15
jan-16
jul-16
jan-17
jul-17
jan-18
jul-18
abr-14
abr-15
abr-16
abr-17
abr-18
out-14
out-15
out-16
out-17
out-18
8,0 85.000
jan-14
jan-15
jan-16
jan-17
jan-18
jul-14
jul-15
jul-16
jul-17
jul-18
abr-14
abr-15
abr-16
abr-17
abr-18
out-14
out-15
out-16
out-17
out-18
Depósitos Remunerados Totais (eixo dto.)
Depósitos de Emigrantes Remunerados (eixo dto.) Crédito à Economia (eixo dto.)
Taxa de Juro Média Efetiva dos Depósitos
Taxa de Juro Média Efetiva dos Depósitos dos Emigrantes Taxa de Juro Média Efetiva do Crédito ao Sector Privado
cento de 2017), por conseguinte, refletiu a redução do financiamento a empresas privadas não
financeiras, num contexto de algum desagravamento da restritividade dos critérios de aprovação e dos
termos e condições de empréstimos de menor risco, mas de algum aperto nas condições dos
empréstimos de maior risco, conforme evidencia o aumento das taxas de juro ativas dos empréstimos
até um ano. Note-se que o stock de crédito às empresas públicas e aos particulares aumentaram
respetivamente 25,5 e 2,5 por cento, depois de terem crescido 28,2 e 6,4 por cento em 2017.
O crédito ao sector público administrativo, por sua vez, registou um aumento de 2,9 por cento (2,4 por
cento em 2017), alinhado com a tendência das necessidades de financiamento do Estado e explicado
pela preferência mais recente do Tesouro pela captação de fundos no mercado interno, através de
emissões a prazo mais alargado - obrigações do Tesouro. 10 O crédito bruto ao governo central
aumentou, em resultado, cerca de 11 por cento, dois pontos percentuais acima do crescimento de
2017.
10 As emissões do Tesouro junto às instituições bancárias em 2018 ascenderam a 89 milhões de escudos em bilhetes e 4.466
milhões de escudos em obrigações.
6. Finanças Públicas
As contas públicas melhoraram em 2018, tendo o défice global reduzido de 3,1 para 2,7 por cento do
PIB. O melhor desempenho das contas públicas ficou a dever-se à redução dos investimentos públicos
e ao contínuo aumento das receitas fiscais.
De acordo com o Ministério das Finanças, as receitas orçamentais aumentaram, com efeito, cinco por
cento, em boa medida impulsionadas, numa conjuntura macroeconómica favorável, pelos efeitos das
reformas que vêm sendo implementadas para aumentar a eficiência e a eficácia na arrecadação de
impostos, assim como em resultado dos regimes especiais de regularização de dívidas fiscais em vigor,
que se consubstanciaram no crescimento dos tributos pagos sobre o valor acrescentado, rendimentos
de pessoas coletivas e transações internacionais em 21,4, 27,5 e 7,0 por cento, respetivamente. As
receitas fiscais, por conseguinte, aumentaram 13 por cento, que compara ao crescimento de 11 por
cento de 2017.
Os donativos, contrariamente, decresceram 58 por cento, depois de terem crescido sete por cento em
2017, devido à queda combinada dos donativos diretos, da ajuda orçamental e da ajuda alimentar em
87, 61 e 60 por cento, respetivamente. O comportamento dos donativos em 2018 é explicado,
essencialmente, pelo término da execução do segundo compacto do Millenium Challenge Account e
pelos efeitos de doações excecionais realizadas em 2017 para fazer face aos estragos das chuvas de
2016 e à seca de 2017.
As despesas correntes, por sua vez, aumentaram sete por cento, quatro pontos percentuais acima do
crescimento registado em 2017, impulsionadas, sobretudo, pelo aumento das despesas com pessoal,
de outras despesas correntes, dos benefícios sociais e da aquisição de bens e serviços em 4,5, 27,7,
12,6 e 10,4 por cento, respetivamente.
Despesas com Aquisição de Ativos não Financeiros 5.040 9.665 8.194 91,7 -15,2
das quais:
Programa de Investimento 4.881 9.505 7.917 94,7 -16,7
Saldo Global (incluindo Donativos) -5.797 -5.361 -4.869 -7,5 -9,2
Saldo Primário (incluindo Donativos) -1.594 -887 -236 44,4 73,4
Os gastos correntes com a aquisição de bens e serviços ampliaram com a renovação e aumento do
parque automóvel, com o correspondente crescimento das despesas com combustíveis, assim como
com o aumento das despesas de deslocações e estadias de parlamentares e da liquidação de faturas
de serviços de comunicação em atraso.
Não obstante ter registado uma taxa de execução acima do orçamentado (107,2 por cento), as
despesas com aquisição de ativos não financeiros e, em particular, com a execução do programa
plurianual de investimentos públicos diminuíram 15,2 por cento em 2018 (tinham aumentado 91,7 por
cento em 2017). A contração do investimento público refletiu, essencialmente, o efeito associado à
assunção da gestão pelo governo (central numa primeira etapa e pelos governos locais
posteriormente) das habitações de classe A do Programa Casa para Todos, antes retrocedida ao IFH-
Imobiliária Fundiária e Habitat, S.A.
A melhoria das contas públicas resultou na redução das necessidades de financiamento do Estado e,
consequentemente, no crescimento do stock da dívida pública de 219,5 para 228,9 mil milhões de
escudos. Em dezembro de 2018, o stock da dívida pública, excluindo os Títulos Consolidados de
Mobilização Financeira, fixou-se em 123,4 por cento do PIB, menos 3,2 pontos percentuais do PIB que
o montante de 2017.
As atuais projeções do Banco de Cabo Verde para 2019 baseiam-se em pressupostos teóricos e no
conhecimento empírico da economia do país que fundamentam o exercício de programação
monetária e financeira. Enquadram os desenvolvimentos económicos e financeiros mais recentes, as
hipóteses técnicas de evolução do contexto externo, assim como a orientação das políticas
orçamental e monetária no horizonte das projeções.
Por conseguinte, o FMI justifica as suas projeções (corrigidas em baixa em janeiro último) de
moderação do crescimento económico da Área do Euro (de 1,8 em 2018 para 1,6 por cento em 2019),
principalmente com: os impactos no consumo privado e na produção industrial da Alemanha da
introdução de novos limites de emissão de poluentes por automóveis; o aumento dos custos de
financiamento e enfraquecimento da procura doméstica em Itália, em consequência do aumento dos
riscos orçamentais e financeiros; e os efeitos na procura agregada e produção industrial da França
das sucessivas greves e dos prolongados protestos dos coletes amarelos.
As incertezas que rodeiam o seu processo de saída da União Europeia continuam a penalizar, por seu
turno, as expetativas de desempenho económico do Reino Unido. O FMI manteve inalteradas as suas
projeções de crescimento económico para o Reino Unido, entretanto, sustentando-as no
alargamento dos estímulos orçamentais, numa conjuntura em que se configura possível a saída do
Reino Unido da União Europeia sem acordo.
O FMI também perspetiva uma menor dinâmica da atividade económica dos EUA em 2019, cujo
crescimento deverá manter-se, contudo, acima do seu estimado potencial (1,8 por cento). O
arrefecimento da economia do importante parceiro do país deverá resultar de alguma dissipação do
efeito dos estímulos fiscais de 2018 e do impacto (nos custos de financiamento) da manutenção da
fed funds rate acima do seu nível neutral.
Os custos de financiamento nos principais investidores no país (na Área do Euro, principalmente)
deverão manter-se em níveis historicamente baixos, atendendo às expetativas de manutenção das
taxas de juro de referências nos níveis atuais.
Refira-se que o Conselho de Governadores do Banco Central Europeu reiterou na sua reunião do
passado dia sete de março, que a sua postura deverá manter-se amplamente acomodatícia. O BCE
não prevê, com efeito, subir as suas taxas de referência em 2019, devendo continuar a renovar o
investimento em títulos adquiridos no quadro do seu último programa de quantitative easing por um
longo período após o início do processo de subida dos juros. Adicionalmente, o BCE vai lançar, em
setembro próximo (para finalizar em março de 2021), uma nova série de operações trimestrais de
refinanciamento de longo prazo, para favorecer as condições de financiamento bancárias e suavizar
os impactos da subida futura das taxas de juro.11
De acrescentar que as perspetivas de evolução das taxas de câmbio dos principais parceiros do país,
nomeadamente de estabilização da taxa de câmbio efetiva nominal do Euro, numa conjuntura de
manutenção de um diferencial negativo da inflação nacional face à dos pares, favorece a
competitividade-preço da economia nacional.
a. os efeitos de uma saída sem acordo do Reino Unido da União Europeia, com impactos
importantes no desempenho económico do Reino Unido e da Área do Euro;
b. os impactos de uma escalada de tensões comerciais, para além dos já incorporados no
cenário central das projeções do FMI, nomeadamente, os relacionados com as disputas entre
os EUA e a China e com os processos internos de ratificação do novo acordo de livre comércio
assinado entre os EUA, México e Canadá;
c. os resultados do agravamento da confiança do mercado financeiro, que poderá resultar da
materialização dos riscos acima mencionados (e ampliar os seus efeitos), assim como do
aumento do euro-ceticismo, no rescaldo das eleições europeias, e abrandamento além do
antecipado do crescimento da China.12 13
11De notar que a Reserva Federal dos EUA sinalizou uma postura mais contida de subida dos juros de referência em 2019,
que na sua perspetiva estão acima do seu valor neutral. O Banco de Inglaterra no seu Relatório de Inflação de fevereiro de
2019 defende uma posição mais avessa à inflação, antecipando subidas de juros para manter as expetativas de inflação
ancoradas, caso necessário.
12 O ritmo de crescimento da economia chinesa abrandou em 2018 em resultado, fundamentalmente, do reforço da
regulação para conter a atividade bancária paralela e da redução dos investimentos dos governos locais. O FMI antecipa
uma contínua desaceleração da atividade económica chinesa em 2019, não obstante as autoridades terem suavizado a
regulação financeira e anunciado estímulos orçamentais. O abrandamento do crescimento da economia chinesa poderá ser
maior, de acordo com o FMI, se as tensões comerciais com os EUA e outros parceiros aumentarem.
13 Entre outros condicionantes ao desempenho da economia mundial, o FMI aponta, igualmente, as incertezas da agenda
política das novas administrações, as tensões geopolíticas no Médio Oriente a Ásia Oriental, os impactos de eventos
climáticos extremos, as quais se acrescentam, as tensões sociais na Venezuela e Argélia.
Fonte: Fundo Monetário Internacional (WEO janeiro de 2019); Banco Central Europeu (dezembro de 2018); Banco de Portugal
(dezembro de 2018); Banco de Inglaterra (março de 2019); Ministério das Finanças.
Notas: E – Estimativas; P - Projeções; t.v.r. - taxa de crescimento real; t.v.h. - taxa de variação homóloga; t.v.a. - taxa de variação anual;
v.m.a. - valor médio anual.
A implementação destas medidas de política deverá resultar num crescimento das despesas
correntes na ordem dos 12 por cento (18,3 por cento em 2018) e das com a aquisição de ativos
financeiros perto de 80 por cento (-31,8 por cento em 2018). As boas perspetivas de arrecadação de
receitas fiscais e de outras receitas, bem como de forte recuperação dos donativos deverão conter o
aumento das necessidades de financiamento do Estado, devendo o défice global incluindo donativos
14 De acordo com o Ministério das Finanças, o aumento das receitas fiscais deverá resultar da contínua implementação de
medidas de combate à evasão e fraude fiscais e de recuperação de dívidas fiscais, além da introdução da faturação
eletrónica, num cenário de crescimento económico consistente (no intervalo de 4,5 – 5,5 por cento).
O crescimento do consumo privado deverá ser superior ao registado em 2018, impulsionado pelo
impacto positivo no rendimento disponível das famílias da atualização dos salários (na administração
pública, sobretudo) e benefícios sociais, da estabilização das remessas dos emigrantes e da
contenção da inflação.
As exportações deverão manter um sólido ritmo de crescimento, pese embora algum abrandamento
das exportações de mercadorias devido ao efeito de base. Perspetiva-se, por conseguinte, um
fortalecimento das receitas de viagens (após o abrandamento ocorrido em 2018), suportado por uma
consistente procura turística e um aumento de eventos de cariz regional, continental e mundial no
país. As projeções acomodam igualmente um crescimento importante das receitas de serviços de
transportes, com a gradual sedimentação do negócio do hub aéreo do Sal.
80,0
preços do ano anterior (em p.p.)
em % do PIB
5 60,0
40,0
20,0
0
0,0
2015 2016 2017 2018 2019P
-20,0
2015 2016 2017 2018 2019P
-5
Juros da Dívida (Governo, bancos e outros sectores)
Donativos
Remessas de Migrantes
-10 Consumo Investimento Receitas de Turismo
Importações de Bens e Serviços
Exportações Líquidas PIB real (t.v. %) Balança Corrente
Do lado da oferta, o crescimento deverá ser impulsionado em larga medida pelos desempenhos
positivos de eletricidade e água, comércio, indústria transformadora, transportes e construção.
Perspetiva-se alguma redução do contributo global do sector público não empresarial,
particularmente dos impostos líquidos de subsídios.
A balança de pagamentos deverá permanecer excedentária, não obstante, com o aumento dos
desembolsos líquidos da dívida pública e com a contínua desmobilização de aplicações no exterior
pelos bancos.
Em linha com os desenvolvimentos previstos nas contas externas, os ativos externos líquidos do país
deverão aumentar 2,9 por cento em 2019. O crédito à economia deverá crescer em torno de cinco
por cento, determinado pelo aumento dos empréstimos às empresas públicas e privadas, bem como
aos particulares. Dissipados os efeitos da liquidação de um grande financiamento ocorrido em inícios
Memo Itens
Inflação (var. média anual IPC em %) 0,8 1,3 0,9
A taxa média anual da inflação deverá reduzir dos 1,3 por cento para 0,9 por cento, em 2019,
traduzindo em larga medida as expetativas e consequentes impactos nos preços no consumidor da
evolução prevista dos preços das matérias primas energéticas e não energéticas nos mercados
internacionais. De notar que o FMI projeta para 2019 uma redução dos preços das matérias primas
energéticas e não energéticas em 14,1 e 2,7 por cento, respetivamente, que compara aos aumentos
de 19,9 e 1,9 por cento registados em 2018.
O balanço dos riscos à materialização dos cenários centrais de crescimento e inflação aponta para a
predominância de riscos descendentes, relacionados com:
A política monetária de Cabo Verde objetiva a estabilidade de preços, condição necessária para a
estabilidade macroeconómica.
O regime cambial de peg unilateral do escudo cabo-verdiano ao euro, que rege a política
macroeconómica do país desde finais da década de 1990, ancora a inflação nacional às expetativas de
inflação da Área do Euro, asseverando, para o efeito, um nível de reservas internacionais líquidas
suficiente para garantir a cobertura, a curto prazo, das responsabilidades contratuais e contingenciais
do país, fazer face a uma eventual escassez temporária de capital e preservar a estabilidade cambial.
Neste quadro, o banco central vem, desde maio de 2013, num contexto de reduzidas pressões
inflacionistas e na balança de pagamentos, implementando medidas com o objetivo de estimular a
procura interna, em particular o financiamento bancário de projetos viáveis, e melhorar o mecanismo
de transmissão monetária. O último pacote de medidas, implementado em junho de 2017, terá
contribuído para uma descida mais consistente das taxas de juro passivas e das ativas de maturidade
igual ao superior a um ano (que remuneram, sobretudo, os empréstimos para aquisição de bens
duradouros e habitação a particulares e investimentos a empresas) e um aumento gradual do crédito
a particulares e empresas não financeiras privadas.
O contexto de plena liberalização da balança de pagamentos requer uma contínua monitorização dos
riscos à estabilidade das reservas externas do país, bem como a implementação oportuna de medidas
de políticas macroeconómicas de mitigação dos referidos riscos, fundamentais à salvaguarda da
credibilidade do regime monetário do país.
Neste quadro, numa conjuntura de pressões contidas nos preços no consumidor e na balança de
pagamentos e de sustentada dinâmica da procura agregada, o Banco de Cabo Verde deverá manter,
nos próximos meses, a atual orientação de política monetária, permanecendo atento à eventual
materialização de riscos, ainda que remotos, à evolução das reservas internacionais do país e
acompanhando a evolução económica e financeira relevante a nível interno e externo, de modo a
tomar as medidas corretivas necessárias. O aperfeiçoamento dos mecanismos de transmissão
monetária continuará a merecer uma especial atenção da autoridade monetária.
1. Economia Internacional
2017 2018
2016 2017 2018
3º Tri 4º Tri 1º Tri 2º Tri 3º Tri 4º Tri
Área do Euro
Produto Interno Bruto (t.v.h.) 1,8 2,3 1,8 2,8 2,7 2,4 2,1 1,6 1,1
Consumo Privado 2,0 1,6 1,3 1,9 1,6 1,7 1,4 1,0 1,0
Consumo Público 1,8 1,2 1,0 1,3 1,2 1,1 1,1 0,7 1,2
Formação Bruta de Capital Fixo 4,6 3,5 3,1 2,4 2,5 3,3 2,8 3,5 2,8
Exportações 3,4 4,9 3,1 5,9 6,4 3,9 4,0 2,9 1,5
Importações 4,8 4,4 2,9 4,2 3,7 2,8 2,7 3,7 2,4
EUA
Produto Interno Bruto (t.v.h.) 1,6 2,2 2,9 2,3 2,5 2,6 2,9 3,0 3,0
Consumo Privado 2,7 2,5 2,6 2,4 2,7 2,4 2,6 2,9 2,6
Consumo Público 1,4 -0,1 1,5 -0,4 0,1 0,7 1,3 2,2 1,5
Formação Bruta de Capital Fixo -1,3 4,8 5,9 6,8 5,0 6,2 4,6 6,1 6,8
Exportações -0,1 3,0 4,0 2,1 4,7 4,3 5,7 3,5 2,3
Importações 1,9 4,6 4,5 4,1 5,4 5,0 4,2 5,8 3,4
Reino Unido
Produto Interno Bruto (t.v.h.) 1,8 1,8 1,4 2,0 1,6 1,2 1,4 1,6 1,4
Consumo Privado 3,2 2,2 1,8 1,6 2,0 1,7 1,9 1,8 1,7
Consumo Público 0,8 -0,2 0,4 0,0 0,0 0,8 -0,1 -0,3 1,0
Formação Bruta de Capital Fixo 2,3 3,5 0,2 2,6 3,9 2,1 -0,4 0,2 -1,1
Exportações 1,0 5,6 0,1 10,2 3,5 1,9 -0,3 -1,3 0,2
Importações 3,3 3,5 0,7 2,5 1,8 0,3 -0,2 -0,1 2,6
Fonte: Eurostat; US Department of Commerce (BEA) e Office for National Statistics (ONS).
Nota: t.v.h. - taxa de variação homóloga.
2017 2018
2016 2017 2018
Set Dez Mar Jun Set Dez
Área do Euro
Indicadores de Atividade
Índice de Produção Industrial (t.v.h.)
Total (exclui construção) 1,6 3,0 1,1 4,1 5,1 3,2 2,5 0,7 -4,2
Indicadores de Confiança (v.c.s.)
Ind. de Sentimento Económico (1990-2012 = 100) 104,2 110,8 111,3 112,8 115,2 112,0 111,8 110,4 107,4
Indicador de Confiança dos Consumidores (s.r.e.) -8 -2 -5 -1 1 -5 -5 -6 -8
Indicador de Confiança na Indústria (s.r.e.) -3 5 6 8 10 7 8 6 2
Indicador de Confiança na Construção (s.r.e.) -16 -4 6 -1 3 5 5 8 7
Mercado de Trabalho
Taxa de desemprego (v.c.s.) 10,0 9,1 8,2 8,9 8,6 8,5 8,2 8,0 7,9
Inflação
Índice Harmonizado de Preços no Consumidor
Taxa de variação homóloga 0,2 1,5 1,7 1,5 1,4 1,3 2,0 2,1 1,5
EUA
Indicadores de Atividade
Índice de Produção Industrial (t.v.h.) -1,0 2,0 3,9 1,2 2,9 3,6 3,5 5,6 4,0
Vendas no Comércio a Retalho (t.v.h.) 2,9 4,7 4,9 5,4 5,7 5,1 6,1 4,0 2,3
Mercado de Trabalho
Taxa Desemprego (v.c.s.) 4,9 4,3 3,9 4,1 4,1 4,0 4,0 3,7 3,9
Inflação
Índice de Preços no Consumidor
Taxa de variação homóloga 2,2 2,1 2,4 2,9 2,3 1,9
Taxa de variação média anual 2,1 2,1 2,4 2,0 2,1 2,0 2,3 2,4 2,4
Índice de Preços no Consumidor Core (t.v.h.) 2,2 1,8 2,2 1,7 1,8 2,1 2,3 2,2 2,2
Índice de Preços no Produtor (t.v.h.) 1,7 2,5 2,5 2,6 2,5 2,9 3,3 2,6 2,5
Reino Unido
Indicadores de Atividade
Índice de Produção Industrial (t.v.h.) 1,0 2,0 0,7 3,0 0,1 2,6 1,0 -0,5 -0,9
Vendas no Comércio a Retalho (t.v.h.) 4,7 1,8 2,7 1,4 2,0 1,4 3,0 3,4 3,0
Mercado de Trabalho
Taxa Desemprego (v.c.s.) 4,8 4,4 4,1 4,3 4,4 4,2 4,0 4,1 4,0
Inflação
Índice de Preços no Consumidor
Taxa de variação homóloga 3,0 2,9 2,4 2,4 2,4 2,1
Taxa de variação média anual 0,6 2,7 2,5 2,2 2,7 2,8 2,7 2,7 2,5
Índice de Preços no Consumidor Core (t.v.h.) 1,3 2,4 2,1 2,7 2,5 2,3 1,9 1,9 1,9
Índice de Preços no Produtor (t.v.h.) 0,5 3,4 2,9 3,3 3,1 2,5 3,3 3,1 2,4
Fonte: Eurostat; European Commission; Federal Reserve Board of Governors; US Department of Labor; Office for National Statistics.
Notas: t.v.h. - taxa de variação homóloga; v.c.s. - valores corrigidos da sazonalidade; s.r.e. - saldo das respostas extremas.
Índice de Preços no Produtor - Oferta Turística (t.v.h.) 10,9 0,8 -0,4 -0,3 2,3 2,5 0,8 1,5 -6,3
3. Sector Externo
2017 2018
2016 2017 2018
3º Tri 4º Tri 1º Tri 2º Tri 3º Tri 4º Tri
Balança Corrente -6 511 -11 088 -8 295 -3 079 -1 643 1 351 -3 511 -5 080 -1 055
Bens * -53 058 -64 330 -64 182 -16 627 -17 720 -13 527 -17 000 -16 929 -16 725
Mercadorias Gerais -53 058 -64 330 -64 182 -16 627 -17 720 -13 527 -17 000 -16 929 -16 725
Serviços 25 587 28 283 29 165 6 406 8 202 9 041 6 787 5 608 7 730
Transporte 1 122 -1 028 -1 532 -832 -551 -301 -221 -496 -515
Marítimo -4 432 -5 169 -4 643 -1 310 -1 301 -1 051 -1 162 -1 383 -1 047
Aéreo 5 542 4 131 3 067 477 747 743 920 886 519
Viagens 30 180 35 049 35 803 8 500 9 923 10 792 7 504 7 592 9 915
Rendimento Primário -5 926 -5 970 -4 062 -1 388 -833 -457 -1 351 -1 280 -974
Rendimentos de Investimento -6 658 -6 607 -5 286 -1 426 -991 -707 -1 528 -1 845 -1 206
Rendimentos Investimento Direto -2 847 -2 817 -2 194 -546 -207 -101 -421 -1 067 -605
Lucros Distribuidos -2 652 -2 477 -1 735 -545 -76 -100 -411 -956 -267
Lucros Reinvestidos -168 -329 -458 0 -131 0 -9 -111 -338
Rendimentos de Investimento de Carteira -57 -13 -6 -7 -2 -14 1 -6 13
Outros Investimentos -3 882 -4 016 -3 496 -937 -844 -662 -1 211 -886 -738
Juros do Trust Fund 267 35 34 0 35 0 0 34 0
Juros da Dívida Externa Pública -1 481 -1 896 -1 790 -71 -702 -293 -742 -459 -297
Juros das Responsabilidades/Dívida de Bancos e
-2 401 -2 622 -1 705 -150 -1 079 -369 -469 -427 -440
Outros Sectores
Rendimento Secundário 26 885 30 929 30 783 8 529 8 708 6 293 8 054 7 521 8 915
Transferências Oficiais 4 462 6 494 5 075 1 908 1 944 1 037 1 172 660 2 206
Remessas dos Migrantes 16 296 17 399 18 924 4 828 4 551 3 972 4 852 5 230 4 870
Balança de Capital 1 263 1 576 1 432 317 393 138 1 058 85 151
Transferências Oficiais 1 092 1 290 1 173 249 304 72 979 30 92
Balança Financeira ** -14 368 -10 953 -12 088 152 -6 593 -4 623 -1 919 384 -5 930
Investimento Direto -11 774 -9 538 -7 448 -1 976 -3 328 -1 666 -2 434 -1 544 -1 804
Participações 9 667 8 212 7 710 1 428 2 401 2 011 2 558 1 432 1 709
Investimento de Carteira 4 222 4 033 4 024 1 006 1 008 1 006 1 006 1 006 1 006
Outros Investimentos -6 815 -5 447 -8 664 1 122 -4 273 -3 963 -491 922 -5 132
Moeda e Depósitos -2 577 3 874 -4 982 2 985 3 949 -3 450 -2 108 30 546
Empréstimos -3 669 -9 796 -1 958 -3 945 -6 598 -15 8 139 -2 090
Dívida Externa Pública (Governo Central) -4 462 -6 968 -2 674 -2 529 -3 751 -48 -192 389 -2 823
Dívida Externa de Bancos e Outros Sectores 781 -2 827,8 715,9 -1 416 -2 847 34 200 -250 733
Créditos Comerciais -386 -1 440 100 -21 -411 640 -182 198 -556
Outros Ativos Líquidos -183 1 915 -1 824 2 102 -1 213 -1 139 1 791 555 -3 031
Activos de Reserva 9 143 -1 481 921 -2 002 3 288 4 203 -1 021 -4 177 1 916
Erros e Omissões 23 -2 922 -4 304 912 -2 055 -1 909 -487 1 201 -3 109
2017 2018
2016 2017 2018
Set Dez Mar Jun Set Dez
Taxas de Câmbio do CVE (valores médios)
USD 99,7 97,9 93,4 92,5 93,3 89,4 94,4 94,6 96,9
Libra 135,2 125,9 124,6 123,0 125,0 124,8 125,5 123,4 122,8
Índice de Taxa de Câmbio Efetiva Nominal (2001=100) 102,7 103,0 103,5 103,6 103,5 103,9 103,4 103,4 103,1
Índice de Taxa de Câmbio Efetiva Real (2001=100) 129,7 128,7 128,6 129,8 129,1 129,3 128,3 128,1 127,7