Mod I
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Unidade 1 - Introdução
Objetivo de aprendizagem
Ao final da unidade, você será capaz de relacionar a legislação vinculada aos processos licitatórios, aos
contratos e à fiscalização e identificar a importância de cada uma das leis aplicadas à fiscalização de
projetos.
Olá! Com o objetivo de encaminhar as atividades do curso de maneira didática, iniciaremos, neste
módulo 1, com a apresentação e introdução de alguns conceitos importantes. Certamente, prezado(a)
aluno(a), muitos dos conceitos que serão aqui desenvolvidos já são do seu conhecimento, ou mesmo
domínio. Outros, no entanto, podem ser novos e serão aqui apresentados. Para que possamos atender
inclusive aqueles(as) alunos(as) que não têm conhecimento aprofundado no tema, essa ação de
apresentação dos conceitos ganha grande importância e será constante até o final do curso. Assim,
desejamos a você uma excelente experiência, e que comecemos os trabalhos!
Qual é o conhecimento básico necessário aos profissionais que atuam no preparo do instrumento
convocatório, contrato e fiscalização?
Publicação do edital
O edital, como peça fundamental para as contratações de projetos e obras, é o instrumento que
norteará a relação entre Administração Pública e a proponente (dos serviços), e dele fará parte a minuta
do Contrato, como um dos seus anexos, exceto nas hipóteses de Dispensa de licitação em razão de valor
e compras com entrega imediata e integral dos bens adquiridos e dos quais não resultem obrigações
futuras, inclusive quanto a assistência técnica, independentemente de seu valor, em que o contrato pode
ser substituído por carta-contrato, nota de empenho de despesa ou ainda autorização de compra ou ordem
de execução de serviço (Lei nº 14.133).
O regime jurídico para tais contratos, conforme a Lei n° 14.133/202,1 Art. 95, inciso II, confere à
Administração Pública a prerrogativa de modificá-los unilateralmente para a melhor adequação às
finalidades do interesse público, respeitados os direitos do contratado de acordo com o Art. 104, inciso I.
Atualização
É muito importante que os profissionais que atuam nessas áreas detenham um conhecimento
básico de legislação relativa à elaboração de editais.
A Instrução Normativa n° 05, de 25 de maio de 2017 (opens in a new tab), da Secretaria de Gestão
do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, determinou a obrigatoriedade do
Gerenciamento de Riscos para as contratações públicas, com a elaboração de mapas de riscos, juntados
aos autos do processos em algumas etapas da licitação, entre elas ao final da elaboração do Termo de
Referência ou Projeto Básico. Esses conceitos serão desenvolvidos ao longo do curso.
Já a Portaria n° 389, de 23 de agosto de 2017, do Ministério da Fazenda, determina que devam ser
adotadas as minutas padronizadas da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional na elaboração de
instrumentos de contratação pública de serviços como projetos ou execução de obras pelos órgãos do
Ministério da Fazenda (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/consultoria-administrativa/minutas-padrao(opens
in a new tab)). Essa determinação foi acatada com a edição da Portaria RFB nº 2.363, de 06 de julho de
2017.
“Art. 25. O edital deverá conter o objeto da licitação e as regras relativas à convocação, ao julgamento,
à habilitação, aos recursos e às penalidades da licitação, à fiscalização e à gestão do contrato, à entrega
do objeto e às condições de pagamento.”
A Lei n° 14.133/2021, no seu artigo 102 estabelece que, na contratação de obras e serviços de
engenharia, o edital poderá exigir a prestação da garantia na modalidade seguro-garantia e prever a
obrigação de a seguradora, em caso de inadimplemento pelo contratado, assumir a execução e concluir o
objeto do contrato.
Qualquer pessoa é parte legítima para impugnar edital de licitação por irregularidade na aplicação
da Lei de Licitações e Contratos Administrativos ou para solicitar esclarecimento sobre os seus termos.
(Art.164. Lei 14.133/2021)
Edital
Por outro lado, uma análise detalhada da Gestão por Competências da Receita Federal do Brasil - RFB
(no caso dos servidores desse órgão), apresentadas na forma de uma Cadeia de Valor, através do Mapa
Estratégico da instituição, informa quais são as competências que se espera do servidor, em níveis
fundamental, gerencial (quando servidor ocupante de cargos de chefia) e específico.
A Gestão por Competências da Receita Federal do Brasil está vinculada à Política Nacional de
Desenvolvimento de Pessoal da Administração Pública Federal (PNDP), que foi instituída pelo Decreto
nº 9.991, de 28 de agosto de 2019 (opens in a new tab), sendo o referencial para a política de capacitação
do servidor.
Perceba que, das competências elencadas, os itens marcados devem ser observados com muito
cuidado, pois invocam grande responsabilidade do agente público já que tratam da responsabilidade
subsidiária que está vinculada ao servidor quando nomeado fiscal do contrato, na figura de especialista
(engenheiro ou arquiteto) e que será novamente tratada nos módulos 2 e 4. Eles estão diretamente ligados
à qualidade e segurança do ambiente construído.
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A observância às normas técnicas de arquitetura e engenharia, bem como à legislação vigente, são
objetos constantes de auditoria, frente à jurisprudência dos órgãos de controle.
Em relação aos órgãos superiores de controle, a não observância das suas normativas legais
(Acórdãos ou outras jurisprudências) por parte do fiscal do contrato, poderá implicar na sua
responsabilização, inclusive sanções são previstas nesses casos.
Dessa forma, é de vital importância que o fiscal proceda com todo o rigor na atuação da sua
fiscalização, devendo sempre fazer constar nos autos do processo administrativo do contrato todas os seus
atos relativos a tais quesitos, como exigências da observância de tais normas e, o mais importante, o seu
cumprimento.
Referências
BRASIL. Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021. Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Disponível em:
www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14133.htm(opens in a new tab)(opens in a new tab). Acesso
em: 09 fev.2023.
Instrução Normativa nº 5, de 26 de maio de 2017. Dispõe sobre as regras e diretrizes do procedimento de
contratação de serviços sob o regime de execução indireta no âmbito da Administração Pública federal direta,
autárquica e fundacional. Disponível em:
https://www.gov.br/compras/pt-br/acesso-a-informacao/legislacao/instrucoes-normativas/instrucao-normativa-no-5-
de-26-de-maio-de-2017-atualizada(opens in a new tab). Acesso em: 09 fev.2023.
Portaria nº 389, de 23 de agosto de 2017. Determina a adoção das minutas padronizadas da Procuradoria-Geral da
Fazenda Nacional na elaboração de instrumentos de contratação pública pelos órgãos do Ministério da Fazenda.
Portaria RFB nº 2.363, de 06 de julho de 2017. Decreto nº 7.746, de 05 de junho de 2012. Regulamenta o art. 3° da
Lei no 8.666, de 21 de junho de1993. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/decreto/d7746.htm(opens in a new tab). Acesso em: 09
fev.2023.
Decreto nº 9.178, de 23 de outubro de 2017. Altera o Decreto nº 7.746, de 5 de junho de 2012, que regulamenta o
art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, para estabelecer critérios, práticas e diretrizes para a promoção do
desenvolvimento nacional sustentável nas contratações realizadas pela administração pública federal direta,
autárquica e fundacional e pelas empresas estatais dependentes, e institui a Comissão Interministerial de
Sustentabilidade na Administração Pública – CISAP. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2017/decreto/d9178.htm(opens in a new tab) . Acesso em: 09
fev.2023.
Decreto nº 9.991, de 28 de agosto de 2019. Dispõe sobre a Política Nacional de Desenvolvimento de Pessoas da
administração pública federal direta, autárquica e fundacional, e regulamenta dispositivos da Lei nº 8.112, de 11 de
dezembro de 1990, quanto a licenças e afastamentos para ações de desenvolvimento. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D9991.htm(opens in a new tab). Acesso em: 09
fev.2023.
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Seção 3 de 5
Unidade 2 - O Termo de Referência (ou Projeto Básico, anexo ao Edital): os cuidados na elaboração
Objetivo de aprendizagem
Ao final da unidade, você será capaz de identificar o conceito de Termo de Referência, como apresentado
na legislação, e a sua elaboração de forma eficiente.
O termo de referência é etapa da fase preparatória da licitação (fase interna, ou seja, antes da
divulgação do seu edital), sendo a sua elaboração a atividade inicial logo após a definição do objeto.
A ele se sucedem o anteprojeto e o projeto básico - ou projeto executivo, conforme o caso. Previamente à
definição do objeto – e após a descrição da necessidade da contratação – é elaborado o estudo técnico
preliminar.
Constitui-se em importante etapa que antecede o projeto básico, a elaboração de estudo técnico
preliminar, conforme o art. 6º, inciso XXV, da Lei nº 14.133/2021:
“(...) XXV - projeto básico: conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão
adequado para definir e dimensionar a obra ou o serviço, ou o complexo de obras ou de serviços objeto
da licitação, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegure a
viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento e que possibilite
a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução, devendo conter os
seguintes elementos:...” (Grifo nosso).
Já para a contratação de serviço de elaboração do projeto básico da obra ou edificação, farão parte
de anexo do edital as diretrizes e especificações técnicas do projeto pretendido, onde estarão descritos
todos os requisitos (técnicos, de prazos, etc.) que deverão ser atendidos. Essas diretrizes devem ser dadas
por profissional habilitado, do próprio quadro da Administração, ou contratado para tal, e serão mais bem
detalhadas no módulo 2.
Para a contratação de serviços de execução de obras, onde já se tenha o projeto básico, estarão
descritas, em anexo ao edital, as diretrizes para a elaboração do projeto executivo, cuja elaboração, por
regra, a precedem (previsão dada pelo Art. 46, § 1º, da Lei nº 14.133/2021(opens in a new tab)), e as
providências que se espera da contratada quando da sua execução. Obviamente, não será descrito nesta
peça todo o roteiro técnico para a execução da edificação ou obra viária ou de infraestrutura, visto que
isso é tema do projeto de construção civil (documentos técnicos) que dela fará parte.
Nas diretrizes para a elaboração do projeto executivo, complementar ao projeto básico, estarão
descritos os elementos que devem ser entregues à Administração quando da execução ou finalização da
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obra (além do projeto executivo, os laudos, o “as built” , etc.), e as providências que devem ser tomadas
pela contratada para a execução do objeto (observância às normativas de sustentabilidade, à legislação
ambiental, cronograma de etapas, prazos, etc.).
a) definição do objeto, incluídos sua natureza, os quantitativos, o prazo do contrato e, se for o caso, a possibilidade de
sua prorrogação;
b) fundamentação da contratação, que consiste na referência aos estudos técnicos preliminares correspondentes ou,
quando não for possível divulgar esses estudos, no extrato das partes que não contiverem informações sigilosas;
d) requisitos da contratação;
e) modelo de execução do objeto, que consiste na definição de como o contrato deverá produzir os resultados
pretendidos desde o seu início até o seu encerramento;
f) modelo de gestão do contrato, que descreve como a execução do objeto será acompanhada e fiscalizada pelo órgão ou
entidade;
i) estimativas do valor da contratação, acompanhadas dos preços unitários referenciais, das memórias de cálculo e dos
documentos que lhe dão suporte, com os parâmetros utilizados para a obtenção dos preços e para os respectivos
cálculos, que devem constar de documento separado e classificado;
j) adequação orçamentária.
b) soluções técnicas globais e localizadas, suficientemente detalhadas, de forma a evitar, por ocasião da
elaboração do projeto executivo e da realização das obras e montagem, a necessidade de reformulações
ou variantes quanto à qualidade, ao preço e ao prazo inicialmente definidos;
c) identificação dos tipos de serviços a executar e dos materiais e equipamentos a incorporar à obra, bem
como das suas especificações, de modo a assegurar os melhores resultados para o empreendimento e a
segurança executiva na utilização do objeto, para os fins a que se destina, considerados os riscos e os
perigos identificáveis, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução;
e) subsídios para montagem do plano de licitação e gestão da obra, compreendidos a sua programação, a
estratégia de suprimentos, as normas de fiscalização e outros dados necessários em cada caso;
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As built - Expressão da língua inglesa que significa “como construído”. Forma final da apresentação de uma obra da
construção civil, tal como executado, através do registro em documentos técnicos.
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f) orçamento detalhado do custo global da obra, fundamentado em quantitativos de serviços e
fornecimentos propriamente avaliados, obrigatório exclusivamente para os regimes de execução previstos
nos incisos I, II, III, IV e VII do caput do art. 46 desta Lei.
"O detalhamento de todos os serviços da planilha orçamentária tanto motiva o preço referencial
proposto, como dá maior condição ao particular de melhor oferecer a sua proposta, ao conhecer todas
as nuanças da contratação. Além da necessária publicidade e motivação do referencial de preços
utilizado, tal medida instiga a competitividade e contribui para a economicidade do certame, uma vez
que, ao melhor conhecer o objeto, em tese, embutem-se menos riscos na contratação.
O particular, igualmente, deve apresentar o detalhamento de seus preços. Não se destina
desclassificar concorrente por sobrestimativa de eventual insumo, posto que tal rigorismo em nada
contribuiria para a obtenção da "melhor proposta". A demonstração objetiva de todos os custos do
empreendimento subsidia a Administração em eventuais análises de exequibilidade da oferta. Também
evita a ocorrência de duplicidade de encargos dispostos no orçamento e serve de lastro probatório para
o discernimento de futuros pleitos de reequilíbrio econômico-financeiro." (CAMPELO, Valmir;
CAVALCANTE, Rafael Jardim).
Por certo, essa condição remete àquela licitante toda e qualquer assunção de responsabilidade
pelos serviços que serão prestados e pelo preço ofertado e distribuição dos seus custos, inclusive para a
eventual celebração de aditivos ao contrato, conforme será estudado no módulo 3.
A Lei nº 14.133/2021 (nova lei de licitações) trouxe, no entanto, uma novidade, em comparação à Lei n°
8.666/1993 (antiga lei de licitações): o instituto do orçamento sigiloso. O Art. 24 da Lei nº
14.133/2021(opens in a new tab) assim define:
“Art. 24. Desde que justificado, o orçamento estimado da contratação poderá ter caráter sigiloso sem
prejuízo da divulgação do detalhamento dos quantitativos e das demais informações necessárias para a
elaboração das propostas, e, nesse caso:
I – o sigilo não prevalecerá para os órgãos de controle interno e externo; ...”
Perceba que o orçamento sigiloso deve ser justificado (ou seja, pode ser futuramente analisado o seu
mérito, em auditoria, podendo vir a ser julgado improcedente) e deve divulgar obrigatoriamente os seus
quantitativos.
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Cronograma físico-financeiro
A autoridade sempre deve se atentar para que a soma dos prazos de execução, de medição, de
fiscalização e para realização de correções na obra não ultrapasse o prazo de vigência contratual.
O orçamento detalhado, elemento integrante do projeto básico, não é obrigatório nas modalidades
de licitação contratação semi-integrada e integrada.
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Seção 4 de 5
Objetivo de aprendizagem
Ao final da unidade, você será capaz de identificar os limites de atuação e as responsabilidades legais dos
diferentes tipos de profissionais, reconhecer porque o profissional habilitado é importante para a
contratante, e quais as vantagens de possuir o profissional habilitado no quadro do órgão.
Nas seções de licitação, invariavelmente estão alocados servidores do órgão que apresentam
experiência na gestão de contratos e certames licitatórios, mas normalmente são servidores com pouca ou
nenhuma experiência na contratação de serviços específicos de engenharia e arquitetura.
Salvo se o órgão disponha de seções especializadas nessas áreas, tais processos licitatórios são
conduzidos pelas seções de licitação, que não raras as vezes têm pouca familiaridade para conduzir temas
tão específicos.
Para essa situação, a Lei nº 14.133/2021 prevê, no seu Art. 117, a possibilidade de assessoramento
técnico especializado:
“Art. 117. A execução do contrato deverá ser acompanhada e fiscalizada por 1 (um) ou mais fiscais do
contrato, representantes da Administração especialmente designados conforme requisitos estabelecidos
no art. 7º desta Lei, ou pelos respectivos substitutos, permitida a contratação de terceiros para assisti-los
e subsidiá-los com informações pertinentes a essa atribuição.”
“Art. 20. Caso seja necessário, a autoridade competente, mediante justificativa fundamentada, poderá
autorizar a contratação de profissional, empresa ou escritório técnico, especializados, para assessorar o
representante da Administração, assistindo-o e subsidiando-o com informações pertinentes a sua
atribuição.”
Da análise da legislação citada é possível identificar a diferença entre o servidor Fiscal de Contrato e o
servidor profissional habilitado na área de engenharia ou arquitetura. O servidor Fiscal de Contrato,
embora com experiência na sua gestão, não tem a experiência nas áreas específicas, salvo se habilitado. Já
o profissional habilitado em Engenharia ou Arquitetura, detém o conhecimento técnico específico.
Como a realidade da maior parte dos órgãos da Administração Pública é ter as atividades de
Engenharia e Arquitetura como áreas meio - e não finalísticas - é natural que nos seus quadros não
estejam presentes tais profissionais. Por conta disso é que a legislação traz explicitamente a possibilidade
da contratação desses, como assessoria, conforme já mencionado, pelos comandos da Lei nº 14.133/2021
(Art. 117) e, no caso da Receita Federal do Brasil, da Portaria RFB/SUCOR/COPOL nº 566, de 30 de
novembro de 2011.
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A presença desses profissionais nos quadros dos órgãos da Administração Pública cujas áreas de
atuação finalística não sejam a Arquitetura e Engenharia é, no entanto, recomendável. Isso se deve ao fato
de que somente tais profissionais têm condições técnicas de contratar, fiscalizar e receber serviços de
projetos e obras e, muito embora possa se dizer que essas atividades possam ser contratadas, na forma de
assessoramento, a vantagem de o órgão ter servidores nessas especialidades é muito grande. A razão é
simples: profissionais engenheiros ou arquitetos nos seus quadros, atuando nas áreas específicas, trazem
segurança técnica mesmo quando tais atividades sejam contratadas na forma de assessoramento ou
terceirizadas, visto que os servidores do quadro atuariam como revisores.
“XXV – projeto básico: conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão
adequado para definir e dimensionar a obra ou o serviço, ou o complexo de obras ou de serviços objeto
da licitação, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegure a
viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento e que possibilite
a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução, devendo conter os
seguintes elementos:
Já o IBRAOP (Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas), através da sua Orientação Técnica n°
01/2006(opens in a new tab), assim define projeto básico:
Projeto Básico é o conjunto de desenhos, memoriais descritivos, especificações técnicas, orçamento,
cronograma e demais elementos técnicos necessários e suficientes à precisa caracterização da obra a ser
executada, atendendo às Normas Técnicas e à legislação vigente, elaborado com base em estudos
anteriores que assegurem a viabilidade e o adequado tratamento ambiental do empreendimento.
Deve estabelecer com precisão, através de seus elementos constitutivos, todas as características,
dimensões, especificações, e as quantidades de serviços e de materiais, custos e tempo necessários para
execução da obra, de forma a evitar alterações e adequações durante a elaboração do projeto executivo
e realização das obras.
Todos os elementos que compõem o Projeto Básico devem ser elaborados por profissional legalmente
habilitado, sendo indispensável o registro da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica,
identificação do autor e sua assinatura em cada uma das peças gráficas e documentos produzidos. ”
E por fim, o sistema CONFEA/CREA assim conceitua o termo “projeto executivo” na sua
Decisão Normativa nº 106, de 17 de abril de 2015:
“II – o Projeto Executivo, que consiste no conjunto dos elementos necessários e suficientes à execução
completa da obra ou do serviço, conforme disciplinamento da Lei n°8.666, de 1993, e das normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.” ( CONFEA/CREA)
Perceba que a variação na conceituação dos termos “projeto básico” e “projeto executivo”, conforme a
legislação ou normativa consultada, e a adoção da Lei nº 14.133/2021 como referência principal aos atos
licitatórios da Administração Pública, têm causado muita confusão nas licitações dos órgãos públicos, em
relação àquilo que se exigirá das licitantes e àquilo que o contratado entenda devido.
O projeto executivo é item obrigatório para a realização de obras e serviços de engenharia, salvo na
contratação de serviços comuns de engenharia, hipótese em que a especificação do objeto pode ser
realizada apenas em termo de referência ou em projeto básico, desde que demonstrada a inexistência de
prejuízo para a aferição dos padrões de desempenho e qualidade almejados (Art. 18., § 3º, da Lei nº
14.133/2021). O projeto executivo deve ser elaborado pela Administração, ou seja, previamente à
licitação, salvo nas hipóteses dos regimes de execução por contratação semi-integrada ou integrada, em
que tal obrigatoriedade recai sobre o contratado.
Se considerarmos ainda o “as built”, identificam-se três termos vinculados à documentação
técnica, que deve ser gerada por ocasião do desenvolvimento do projeto ou da execução da obra.
Esse último, cujo conceito deriva da expressão da língua inglesa que significa “como construído”,
trata tão somente do registro da solução técnica efetivamente executada na obra. Conforme o Manual de
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Escopo de Projetos e Serviços de Arquitetura e Urbanismo – Indústria Imobiliária, da AsBEA
(Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura), “as built” é o jogo completo do projeto
arquitetônico e dos projetos das demais especialidades envolvidas, bem como dos pareceres de
consultorias, contendo todas as anotações de ajustes e/ou alterações ocorridas, devidamente assinadas e
assumidas pelos engenheiros e/ou arquitetos responsáveis pela obra e será a base para a elaboração do
Manual do Proprietário, obrigatório conforme a ABNT NBR 14037: 2011 – Versão Corrigida: 2014 -
Diretrizes para elaboração de manuais de uso, operação e manutenção das edificações — Requisitos para
elaboração e apresentação dos conteúdos.
Esses conceitos devem ser parte integrante do instrumento convocatório com clara e precisa
conceituação, devendo estar presentes no termo de referência ou projeto básico, anexo a esse.
Além do conhecimento dos conceitos anteriores, é importante o Fiscal de Contrato conhecer
também os conceitos de retrofit, compatibilização de projetos, e etiquetagem das edificações,
apresentados a seguir. Não se pretende encerrar este tema neste módulo. Outros conceitos, igualmente
importantes, serão definidos e apresentados ao longo do curso, conforme a sua aplicação.
Retrofit, conforme definido na Instrução Normativa nº 2, de 04 de junho de 2014 da Secretaria de
Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão “é qualquer
reforma que altere os sistemas de iluminação, condicionamento de ar ou envoltória da edificação”.
Segundo Qualharini (2004), retrofit “é o processo de interferir em uma benfeitoria, que foi
executada em padrões inadequados às necessidades atuais”.
Assim, retrofit, em sua forma original, é qualquer tipo de reforma, a renovação completa de uma
edificação, uma intervenção a um patrimônio, ou seja, colocar o velho em forma de novo preservando
seus valores estéticos e históricos originais, além de trabalhar com o conceito de sustentabilidade, na
medida em que busca preservar os elementos que caracterizam a edificação ao invés de simplesmente
descartá-los. Croitor (2009), define retrofit como a ação tomada quando há interesse do empreendedor
pela substituição de sistemas prediais ineficientes e/ou inadequados, pela mudança de uso do imóvel ou,
também, quando as edificações se encontram inacabadas e abandonadas.
A ABNT NBR 15575-1:2013 – Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 1: Requisitos
gerais, define retrofit como
“remodelação ou atualização do edifício ou de sistemas, através da incorporação de novas tecnologias e
conceitos, normalmente visando a valorização do imóvel, mudança de uso, aumento de vida útil e
eficiência operacional e energética” (Grifo nosso).
Note que o retrofit não se limita apenas a dar uma cara nova ao edifício, como é comumente
entendido, mas conceder-lhe renovação, necessariamente elevando o seu desempenho.
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Para tanto, por meio do Decreto, foi instituído o Comitê Gestor de Indicadores e Níveis de
Eficiência Energética - CGIEE e, especificamente para edificações, o Grupo Técnico para Melhoria da
Eficiência Energética nas Edificações no País (GT-Edificações), para regulamentar e elaborar
procedimentos para avaliação da eficiência energética das edificações construídas no Brasil, visando o
uso racional da energia elétrica(opens in a new tab).
A etiquetagem das edificações, no âmbito da Administração Pública Federal é obrigatória para
edificações novas ou que recebam retrofit, com área superior a 500 m² ou cujo valor da obra seja maior
que o equivalente ao Custo Unitário Básico da Construção Civil – CUB Médio Brasil aplicado a uma
edificação de 500 m², conforme o Art. 8º da Instrução Normativa n.º 2, de 04 de junho de 2014, da
Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Nesses casos, a etiqueta mínima deve ser a de classificação “A”.
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Síntese do módulo
Nesse módulo 1, você foi apresentado aos principais conceitos relacionados à fiscalização de
projetos e obras de engenharia. Buscou-se explorá-los de forma que seus significados sejam de fácil
compreensão para aqueles(as) alunos(as)/servidores(as) que não têm habilitação técnica específica nas
áreas de engenharia ou arquitetura, mas que, dentro das suas áreas de atuação, trabalhem vinculados a tais
atividades. Apresentou-se um panorama dos requisitos mínimos necessários para profissionais com essa
atuação e se fez uma distinção entre os conceitos de fiscal do contrato, fiscal administrativo e profissional
habilitado, com suas responsabilidades e deveres. Esse módulo o preparou para os módulos seguintes,
onde tais conceitos serão aprofundados e exemplificados.