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CLÁSSICOS DA TEORIA 'D A TRADUÇÃO ITAL~PORUGuts VOLUME 3 ISBN - 85-88464-05-5 ANTOLOGIA BILÍNGÜE CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO VOLUME 3 lTALlA O-PORTUGUÊS Universidade Federal de Santa Catarina Centro de Comunicação e Expressão Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras Núcleo de Tradução: Andréia Cuerini Cláudia Borges de Fa\'eri Marie-Hélene Catherine Torres Maria Lúcia Vasconcello Maria Teresa Arrigoni Markus). Weininger Mauri Furlan Philippe Humblé Ronaldo Lima Walter Carlos Costa Wemer HeidermaIm Endereço para corre pondência: Universidade Federal de Santa Catarina CCEIDLLE - Núcleo de Tradução Caixa Postal 5129 CEP 88040-970 Florianópolis -SC Fone: OXX48-331.9288 Fax: OXX48-331.9988 e-mail: andreia.guerini@gmail.com 2005 A TOLOGIA BrLÍ GÜE Clássicos da Teoria da Tradução VOLUME III lTALlA O-PORTUGUÊS Andréia Guerini Maria Teresa Arrigoni (Orgs.) Núcleo de Tradução UFSC Leitura e Revisão: Andréia Guerini Maria Teresa Arrigoni Walter Carl os Costa Revisão final: Andréia Guerini Maria Ter sa Arrigoni Mauri Furlan Projeto gráfico e editoração: AneGirondi Catalogação na fonte pela Biblioteca da Universidade Federal de Santa Catarina C61 4 Clássicos da teoria da tradução / Andréia Guerini , Maria Teresa Arrigoni (orgs .). - Florianópolis : UFSC, Núcleo de Tradução , 2005. v. : 21cm - (Antologia bilíngüe) Inclui bibliografia Conteúdo: v.3 - Italiano - Português 1. Tradução e interpretação. 2. Traduções . I. Guerini , Andréia. II. Maria Teresa Arrigoni. CDU : 82=03 Catalogação na fonte por: Onélia Silva Guimarães CRB- 14/071 íNDICE Prefácio _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ 11 D ANTE AUGHIERI Brani deI Convivio _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ 18 Trechos do Convívio Tradução de Maria Teresa Arrigoni 19 GrOVAN r BOCCAccro Proemio deI volgarizzatore _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ 28 Prefácio do vulgarizador 29 Tradução de Maria Teresa Arrigoni SEBASTIA O F AUSTO DA Lo GIANO Dialogo deI modo de lo tradurre d'una in altra lingua __ 34 Diálogo sobre o modo de traduzir de uma língua a outra _ 35 Tradução de Mauri Furlan G rAMBAlTlSTA Vrco Le traduzioni poetiche, iI "De rerum natura"di Lucrezio e 64 "L'antichità e nobiltà della medicina" As traduções poéticas, o "De rerum natura" de Lucrécio e a "Antigüidade e nobreza da medicina" 65 Tradução de Vilma de Katinszky Barreto de Souza VI CE ZO Mo TI Sulla diffjcoltà di ben tradurre __________ 74 Sobre a dificuldade de bem trad uzir 75 Tradução de Paulo Schiller UGOFOSCOLO Esperimento di traduzione dell'Iliade _______ 104 Experimento de tradução da Ilíada 105 Su la traduzione deI cenno di Giove Sobre a tradução do aceno de Júpiter 110 111 Lettera a Francesco Saverio Fabre (1814) Carta a Francesco Saverio Fabre (1814) 126 127 Intorno aUa traduzione dell'Odissea Em torno da tradução da Odisséia 132 133 Sulla Traduzione dello Sterne Sobre a Tradução de Sterne Tradução de Marzia Terenzi Vicentini 146 147 GIACOMO L EOPARD I Brani dello Zibaldone di Pensieri sull a traduzione Trecho do Zibaldone di Pensieri sobre tradução Tradução de Andréia Guerini 158 159 NICCOLO TOMMASEO DeI tradurre come possa giovare all'arte e anco deI ristampare 172 De como a tradução e a reedição podem favorecer a arte __ 173 Tradução de Carolina Pizzolo Torquato SE EDEITO CROCE Indivisibilità dell'espressione in modi o gradi Indivisibilidade da expressão em modo ou graus 194 195 L'intraducibilità della rievocazione A intraduzibilidade da evocação Tradução de Rodolfo Ilari Jr. 206 207 otas sobre os tradutores 219 PREFÁCIO A Itália poucas vezes está representada em antologias sobre a teoria da tradução, embora um significativo número de escritores tenha refletido sobre o assunto ao longo da história. Contrastando, pois, com esta tendência, a Antologia Bilíngüe Italiano/ Português, tercei ro volume da série "Clássicos da Teoria da Tradução" - os dois anteriores foram relativos aos idiomas alemão (2001) e francês (2004)apresenta alguns dentre os mais representativos autores italianos que refletiram sobre a prática da tradução. Esta antologia, sem a pretensão de ser exaustiva, reúne vários textos que, provavelmente, são pouco conhecidos ou mesmo desconhecidos de grande parte do público leitor por estarem diluídos no conjunto de uma produção literária ampla e variada, quer na prosa, quer na poesia, ou em ensaios dos diferentes autores escolhidos. Clássicos da Teoria da Tradução italiano/ português traz, em ordem cronológica, textos que vão do Trecento ao Novecento. Como os leitores poderão notar, o século XIX está representado por um número maior de autores, talvez porque tenha sido um dos períodos em que mais se refletiu de maneira sistemática sobre o assunto, e isto não apenas na Itália, mas também na Alemanha, Espanha, França e outros países. t pois, uma época em que, como afirma Mounin: nel ca mpo dclla traduzione (... ) si assiste anzitutto ai fiorire delle lingue na zionali e dei sentimento nazionale; si moltiplica no inoltre le rivendicazioni nazionali dei popoli pri\'i d'indipendenza o di unità, come i cechi , i greci, i bulga ri, gli ungheresi, i rumeni , i tedeschi, gli italiani, ecc. Da un lato, dunque, le traduzioni in inglese, in tedesco, in francese e in italiano sono molto piu frequenti perché si epiu curiosi dell 'intimo spirito di ogni nazione, d'altro lato, nei paesi oppressi si riporta in vita, o si sveg lia o addirittura si esalta, I'antica Iingua nazionale, essa stessa \'ittima dell'oppressione; e si trad uce molto per ravvi\'are lo spirito e la cultura nazionali, mettendoli in contatto con la cultura europca d'avanguardia (1965: 52). As reflexões sobre tradução aqui reunida ver am, de modo geral, sobre a tradução literária e quase todos os autores mostram-se preocupados com os fatores estéticos. Assim, Dante, no Conl'il'io, CLÁSSICOSD falará sobre a "impossibilidade" de se traduzir poesia, pois segundo ele "o que foi harmonizado pelo toque das musas não se pode transpor desua língua para a ouh'a sem quebrar toda a suavidade e a harmonia". Ao lado desta, que é talvez a sua contribuição mais conhecida, Dante observa, ao tratar da tradução em geral, que a dificuldade de traduzir reside na questão da evolução das línguas. O autor do Decameron fala da importância da tradução para que as pessoas monolíngües tenham acesso a textos importantes. E para tornar compreensível estes escritos não é necessário, de acordo com Boccaccio, "seguir rigorosamente e em tudo as palavras do Autor", pois desse modo, não se "poderia alcançar convenientemente a meta proposta, que é a de mostrar de forma clara", aos que não sabem, o modo de se entender as palavras e os conceitos do autor. Sendo assim, introduz em seu texto a questão da possibilidade de serem utilizados acréscimos e outros recursos para tornar o texto mais compreensível. Em "Dialogo dei modo de lo tradurre" de Sebastiano Fausto da Longiano, temos o primeiro tratado independente escrito em italiano sobre tradução, e um dos mais significativos do Renascimento europeu. Nesse texto, além de se refletirem as principais posições defendidas nas disputas sobre a tradução no período, como a não existência de vocábulos para a tradução do latim nas línguas neolatinas, a defesa do método 'palavra por palavra' ou segundo o sentido, requisitos para a tradução, tentativa de definição de trad ução e diferenciação desta de outros procedimentos análogos, também se encontram preceitos formadores da grande linha de pensamento que caracterizou a reflexão renascentista sobre a tradução, e que foi chamada por Mauri Furlan (2002) de 'teoria retórico-elocutiva da tradução', a partir do fato de que o código que plasma a concepção da linguagem no Renascimento, e, conseqüentemente, o da tradução, é o da eJocutio retórica. Famoso pela 5cienza NUOVél, Giambattista Vico, ao exercer o papel de crítico da tradução sobre uma versão feita por Pietro Belli da 5i!ilide de Girolamo Fracastoro, observa que o tradutor teve, principalmente duas coisas diante dos olhos, "a verdade dos sentimentos para ser fiel e a dignidade das expressões para ser tradutor exato. E, pelo interesse da verdade, em torno das palavras artísticas, que são melhor conhecidas pelos mestres das artes, ele, particularmente na botânica, como requeria a prudência, aconselhou-se com sapientes e especialíssimos professores". O autor reafirma, pois, a importância 12 PKEFACIO não apenas de ter excelente domÚlio da escrita, mas também de ser conhecedor da matéria a ser traduzida, consultando, se necessário, os especialistas no assunto. Tido por muitos como o melhor tradutor da Ilíada, Vincenzo Monti em "Considerações sobre a dificuldade de bem traduzir a prótase da Ilíada", apresenta algumas de suas reflexões a respeito das escolhas do tradutor, e da necessidade de se pensar também na harmonia dos versos na língua de chegada. Assim, constatava que determinadas palavras nos versos, "por mais que mudem de posição, causarão sempre uma sensação rude mantê-las no estado de coexistência original; e quando se traduz não é mais à língua do texto traduzido que se devem as considerações primeiras, mas à do tradutor". Eis que o autor se defronta com a escolha entre "sacrificar inteiramente o espírito da língua em que se traduz para preservar inviolado o do texto" de partida, ou a possibilidade de criar um compromisso em que nem o texto original nem o texto traduzido possam se impor. Ainda durante sua formação, Ugo Foscolo teve a ocasião de ser aluno de Cesarotti, tradutor italiano dos Cantos de Ossian, e ele próprio se dedicou a uma intensa atividade de tradução de textos clássicos gregos. Em suas reflexões, com base em seu profundo conhecimento do grego clássico, enfatiza a harmonia dos versos, aponta enganos ou distorções em várias traduções já conhecidas e busca esclarecer algumas nuanças de termos utilizados em grego. Em um desses momentos, afirma que vê "na palavra grega o brilho que emana do veludo preto, que os tintureiros embebem antes de corante azul para que não absorva todos os raios da luz. Mas como trad uzi-Ia?". Assim, nesses textos fosco lia nos, encontramos as idéias do autor sobre a tradução mais como uma defesa de suas próprias escolhas (como de resto também Cícero e Bruni, dentre outros) do que propriamente um ensaio produzido com rigor crítico. Relembrando uma de suas posições centrais, Foscolo afirma que "a uma tradução literal e cadavérica se submete apenas um gramático, e que para uma versão viva é preciso um poeta". Somente por volta de 1803, ao dedicar-se à Viagem sentimental de Steme, Foscolo vai aventurarse na tradução de uma obra moderna, dizendo acreditar que "todo e qualquer tipo de escrito tenha sua própria IÚlgua, necessária para que sua particular natureza não seja desvirtuada". Ao falar sobre tradução em mais de cem páginas das 4000 manuscritas que compõem o seu Zibaldone di Pensieri, no seu enorme CI.ÁSSICOS DA TEOR IA DA TRADUÇÃO - A,,'TOLOGIA B ILír,CUL/ 1fALlANo- PORTUGUEs 13 epistolário e nos prefácios às sua traduçõe, a preocupação de Leopardi está voltada para_a quali~d.e estét.ica _do texto traduz~o, o caráter artificial da traduçao e a dIflCII medlaçao na conservaçao de elementos do texto de partida e do texto de chegada, sintetizando as im a polêmica do Classicismo Francês, das "belles infidêles" e a do Rom antismo alemão. Es a que parece ser uma da melhores contribuições de Leopardi para a tradutologia, é, contudo, uma idéia ainda pouco conhecida em Teoria da Tradução. iccolo Tommaseo, famoso por seu Oizionario della jingua italiana (1858-1879) em sete volumes, apresenta, em parte, a mesma preocupação de Leopardi ao considerar que "o tradutor deva ser fiel sem ub erviência e livre sem licença, manter o espírito do autor e não renegar o próprio, conservar a índole da língua da qual traduz e não alterar a sua; fazer sentir inclu ive os defeitos do original, mas não ter demasiado cuidado; conservar a mesma colocação de voz mas não distorcer, porém, a natureza da própria língua; não ser nem claro demais nem conci o demais ... ". Além disto, aborda um aspecto bastante importante, e poucas vezes discutido em tradução, como é a questão da reedição de texto muitas vezes traduzidos e o quase esquecimento de muitos outros que permanecem praticamente desconhecidos. Na esteira das negações de Benjamin presentes em "A tarefa do tradutor" de que tradução não é recepção, não é imitação, não é comunicação, Croce em Aesthetica in nuce também nega ao dizer que a arte não é "um fato fí ico", como também não é "um ato utilitário", nem mesmo "um ato moral", para, ao final , afirmar que "a rte é intuição". Se arte é intuição, a tradução de poesia é impossível, pois "não é possível reduzir o que já recebeu forma estética numa outra forma também estética. Com efeito, qualquer tradução ou diminui e estraga, ou cria uma nova expressão, atira ndo a primeira para um crisol onde ela entra em composição com as impre sõe pessoais do indi víduo que chamamo tradu tor. o primeiro caso, a expres ão continua sendo uma só, a do original, sendo a outra mais ou menos falha, i to é, não propriamente expre são; no outro caso, haverá, im, duas expre ões, mas expressõe de conteúdo distinto. 'Feias fiéi ou belas infiéi ': este ditado proverbial capta bem o dilema que todo tradutor encontra pela frente. Por outro lado, as traduções não estéticas, por exemp lo, as que ão literais ou parafrásticas, devem se r consideradas simple comentários dos re pectivos originais". 1-1 PRII IlI\l Como se pode perceber, também na Itália, como no outros paíse europeus, a preocupação em e avaliar, compreender e definir a tradução existiu ao longo do séculos, e foram muitos aqueles que a manifestaram em seus escritos, às vezes sem método e sem aprofundamento. Embora possamos dizer que as reflexões mais orgânicas tenham sido fruto dos fermentos culturais do Ottocento, não podemos deixar de mencionar os novos debates em que se envolveram importantes autores do ovecen to, como Pirandello, Vittorini, Pave e, Montale, Quasimodo, Pasolini e Calvino, entre outro. Agradecemos aqui aos tradutores que aceitaram os desafios desta antologia, aos membro do UI, pelas leituras e revisões, bem como ao profes or Apostolo icolacópulos e a Roger Sulis pela colaboração e pela revisão dos termos em grego. Que esta antologia de textos clás icos da teoria da tradução proporcione prazer, como postulava Eliot em relação às antologias de poesia (1944: 57), mas sirva também para abrir as portas a uma parte pouco freqüentada da obra de alguns dos mais representativos escritore italianos. Andréia Guerini Maria Teresa Arrigoni CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A~ TOL(1l,IA BIlN ' U/ I TALl,o- P oRrt:G~CS 15 D ANTE AUCH IERl BRANI DEL CONVIVIO TRECHOS DO CONvivIO DANTE ALIGHIERI BRANI DEL CONVIVIa Dante Alighieri (l265 -1321) ha cerca to con iI Convivio, scritto tra il130-! e iI 1307, di aprire le porte della cultura dell'epoca aI maggior numero po sibile di lettori, pre entando le proprie riflessioni filosofiche e lingui tiche nella formul azione scolastica propria deI tempo. Nei brani che seguono, elezionati daI Trattato I, parti v, vii e x, teorizza circa la grande polemica dell'epoca: latino I'ersu volgare e vi inserisce la riflessione circa I'impos ibilità della traduzione poetica. (Al ighie ri , D. Com-il'io. Milano, Garzanti, 1987. Presentazione, note e commen ti a cura di Piero Cudini, pp. 21-2; 25-8; 36-8). v 7. [.. .] Per nobilità, perché lo latino eperpetuo e non corrutibile, e lo volga re e non tabile e corruttibile. 8. Onde vedemo ne le scritture antiche de le comed ie e tragedie latine, che non si possono transmutare, quello mede imo che oggi avemo; che non avviene dei volgare, lo quale a piacimento artificia to i transmuta. 9. Onde vedemo ne le cittadi d'ltalia, se bene volemo a agguardare, da cinquanta anni in qua moi ti vocabuli es ere spenti e nati e variati; onde se 'I picciol tempo co i transmuta, molto piu transmuta lo maggiore. Si ch'io dico, che se coloro che partiron d'esta vi ta già sono mille anni torna sero ale loro cittadi, crederebbero la loro cittade e ere occupata da gente strana, per la língua da loro discordante. 10. Di que to si parlerà aitrove piu compiutamente in uno libello ch'io intendo di fare, Dio concedente, di Volga re Eloqllenza. VII l. Pro va to che lo comento latino non sa rebbe stato se rvo conoscente, dirõ come non sa rebbe tato obediente. 2. Obediente e quelli che ha la buona di posizione che si chiama obedienza. La ve ra obedienza conviene avere tre cose, anza le qllali esse re non puõ: vuole essere dolce, e non ama ra; e co mandata DI 'fL A LlGHII RI DANTE ALIGHIERI TRECHOS DO CONvlvIO Dante Alighieri (1265 - 1321) bu cou com o seu COnl'ivio, composto entre BOi e 1307, levar a cultura da época ao maior número possível de leitore , apre entando suas reflexõe filosóficas e lingüísticas bem de acordo com a formulação escolástica de seu tempo. os trechos abaixo, selecionados do Tratado I, partes \', vii e x, teoriza a respeito da grande polêmica da época: latim ,'ersus vulgar e insere a reflexão sobre a impos ibilidade da tradução poética. (Alighieri, D. Conl'ivio. Milão, Garzanti, 19 7. Apresentação, notas e comentários de Piero Cudini, p. 21-2; 25-8; 36-8). v 7. [... ] Pornobreza, porque o latim é perpétuo e não está sujeito a mudanças e o vulgar não é estável e está sujeito a mudanças. 8. De modo que vemos nos textos antigos das comédias e tragédias latinas, que não se podem transformar, o mesmo latim que temos hoje; o que não acontece com o vulga r, que se modifica segundo o gosto de quem fala ou escreve. 9. Assim vemos nas cidades da Itália, se bem quisermos observar de cinqi.ienta anos para cá, que muito vocábulos se extinguiram, foram criados e se modificaram; e, por conseguinte, se um breve espaço de tempo modifica tanto, muito mais modifica um período longo. Assim, afirmo que se aqueles que partiram dessa vida há mil anos voltassem para as próprias cidades, pensariam que estivessem ocupadas por estrangeiros, por causa da diferença da língua. 10. Disso será falado de forma mais completa, Deus pemlitindo, em um tratado que eu pretendo fazer sobre a Língua Vulgar. [... ] VII Tendo provado que o comentário latino não teria sido servo conhecedor da língua vulgar, direi como não teria sido obediente. 2. Obediente é aquele que possui a boa dispo ição que e chama obediência. A verdadeira obediência precisa apresentar três coi a ,sem as quais não pode existir: deve ser agradável e não penosa; totalmente comandada e CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A 'TOLll(,1\ BII ""LE/ IT.\lI "O"PORlLCUb 19 interamente, e non spontanea; e con misura, e non dismi urata.3. Le quali tre co e era impos. ibile ad avere 10.latino coment?, e pera era impossibile ad e sere obediente. Che a lo latmo fo se tato Imposslbde, come detto e, si manifesta per cotale ragione. 4. Ciascuna cosa che da perverso ordine procede e laboriosa, e per consequente e amara e non dolce, SI come dormire lo die e vegghiare la notte, e andare indietro e non innanzi. Comandare lo ubietto a lo sovrano procede da ordine perverso - ché ordine diritto e lo sovrano a lo subietto comandare -, e cosi e amaro e non dolce. E pera che a I'amaro comandamento e impossibile dolcemente obedire, impos ibile e, quando lo subietto comanda, la obedienza dei sovrano es ere dolce. 5. Dunque se lo latino e sovrano dei volgare, come di opra per piü ragioni e mostra to, e le canzoni, che sono in per ona di comanda tore, sono volga ri, impossibile e la sua [obedienza] essere dolce. 6. Ancora: allora e la obedienza interamente comandata e da nu lia parte pontanea, quando quello che fa chi fa obediendo non averebbe fatto sanza comandamento, per suo volere, né tutto né in parte. 7. E pera se a me fosse comandato di portare due guarnacche in dos o, e sanza comandamento io mi portasse I'una, dico che la mia obedienza non e interamente comanda ta, ma in parte spontanea. Ecotale arebbe stata quella dei comento latino; e per consequente non sarebbe stata obedienza comanda ta interamente. 8. Che fosse stata cotale, appare per questo: che lo latino sanza lo comandamento di questo signore averebbe espo ite molte parti de la sua sentenza - ed espone, chi cerca bene le scritture latinamente scritte - che non lo fa lo volgare in parte alcW1a. 9. Ancora : e I'obedienza con mi ura, e non dismisurata, quando ai termine dei comandamento va, e non piü oltre; i come la natura particulare e obediente a la universale, quando fa trentadue denti a I'uomo, e non piü né meno; e I'uomo e obediente a la giustizia [quando fa pagar lo debito de la pena, e non piü né meno che la giustizia] comanda, ai peccatore. 10. é questo averebbe fatto lo latino, ma peccato averebbe non pur nel difetto, e non pur nel soperchio, ma in ciascuno; e cosi non sarebbe stata la sua obedienza misurata, ma dismisurata, e per consequente non sarebbe stato obediente. 11. Che non fo sse tato lo latino empitore dei comandamento dei uo signore, e che ne fo e stato soperchiatore, leggermente si pua dimostrare. Questo signore, cioe que te canzoni, a le quali questo comento e per servo ordinato, comandano e 20 não espontânea; comedida e não desmesurada. 3. Ao comentário latino não eria po sível ter es a três coisa, e portanto ser obediente era-lhe impossível; e que ao latim não fosse po sível, como foi dito, deve-se à razão que segue. 4. Qualquer coisa que proceda de uma perturbação da ordem traz problemas, e por conseguinte é desagradável e deixa de er agradável, assim como dormir de dia e ficar acordado à noite, e andar para trás e não para a frente. O inferior comandar ao superior seria uma perturbação da ordem - já que a ordem normal é o superior comandar ao inferior - e des e modo é amargo e não doce. E como a um comando amargo é impossível obedecer docemente, é impo sível, quando o inferior comanda, que a obediência do superior eja doce. 5. Logo, se o latim é superior ao vulgar, como ficou demonstrado acima, e a poesias que e tão no comando estão em vulgar, é impossível uma doce obediência. 6. E mais: a obediência é totalmente comandada e em nada espontânea, pois aquilo que faz quem faz obedecendo não teria sido feito, nem no todo nem em parte, sem um comando, por vontade própria. 7. Portanto e a mim fosse ordenado colocar duas vestes, e por minha vontade tivesse usado uma só, digo que a minha obediência não seria inteiramente comandada, mas em parte espontânea. E como tal teria sido a do comentário latino; e por con eguinte não teria sido uma obediência totalmente comandada. 8. Que seja des e modo, assim se demonstra: o latim sem o comando do vulgar teria mostrado - e mostra, como bem sabe quem estuda atentamente os textos latinosmuito do eu entido, o que o vulgar não faz de modo algum. 9. Ainda: é a obediência comedida, e não desmedida, quando cumpre os termo do comando, e nada além disso; assim como a natureza particular obedece à universal, quando coloca trinta e dois dentes no ser humano, nem mais, nem menos, e quando faz cinco dedo na mão, e nem mais, nem menos; e o homem obedece à ju tiça quando [faz pagar a dívida da pena] ao pecador, [e nem mais nem menos do que a justiça] ordena. 10. O latim não teria feito i 50, mas teria pecado não somente por pouca obediência, e não somente por demasiada obediência, mas em ambo os sentidos; e des a forma não teria sido comedida a sua obediência, mas desmedida, e, por con eguinte, não teria sido obediente. 11. Que o latim não fosse seguidor do comando de seu senhor, e que tivesse exorbitado, pode-se demon trar facilmente. E se senhor, ou seja, ssas poesias para as quais esse comentário está como servo, e tão no CLÁ I(OSDA TEORIA DA TRADCÇÃO- A" rnlt'<.11 Bn N u / l rlll "tl- P (lRT'~b 21 vogliono essere esposte a tutti coloro a li ~uali puote venire si lo loro intelletto, che quando parlano elle lano mtese; e nessuno dubita, che s'elle comandassero a voce, che que to non fosse lo loro comandamento. 12. E lo latino non l'averebbe espo te e non a' litterati, ché li altri non l'averebbero inte o. Onde con cio cosa che molti piu siano quelli che desiderano intendere quelIe non Iitterati che litterati, seguitasi che non averebbe pieno lo suo comandamento come 'I volgare, che da li litterati e non litterati e inteso.13. Anche, lo latino l'averebbe espo te a gente d'altra lingua, SI come a Tedeschi e lnghilesi e altri, e qui averebbe passato lo loro comandamento; ché con tra loro valere, largo parlando dica, sarebbe essere esposta la loro sentenza colà dov'elIe non la potessero con la loro belIezza portare. 14. E pero sappia ciascuno che nulIa co a per legame musaico armonizzata si puo de la sua loquela in altra tra mutare senza rompere tutta ua dolcezza e armonia. 15. E questa e la cagione per che Omero non si muto di greco in latino come l'altre scri tture che avemo da loro. E questa e la cagione per che li versi deI Salterio sono sa nza dolcezza di musica e d'armonia; ché e i furono tra mutati d'ebreo in greco e di greco in latino, e ne la prima trasmuta zione tutta quelIa dolcezza venne meno. 16. E COSI e conchiuso cio che si promise nel principio deI capitolo dinanzi a questo immediate. x. 10. [oo.] Onde pen ando che lo desiderio d'intendere queste canzoni, a alcuno illitterato avrebbe fatto lo comento latino transmutare in volga re, e temendo che 'I volgare non fosse sta to posto per alcuno che l'avesse laido fatto parere, come fece quelli che transmuto lo latino de l' Etica - cio fu Taddeo ipocratista - providi a ponere lui, fidandomi di me di piu che d'un altro. 11. Mo simi ancora per difendere lui da moi ti suoi accusatori, li quali dispregiano e 50 e commendano li altri, ma simamente quello di lingua d'oco, dicendo che e piu belIo e migliore quello che questo; partendo e in cio da la veritade. 12. Ché per que to comento la gran bontade deI volgare di SI [si vedràl; pero che si vedrà la sua vertu, SI com'e per e 50 alti simi e novissimi concetti convenevolmente, sufficien-temente e acconciamente, qua i come per esso latino, manifestare; [la quale non si potea bene manife tareI ne le cose rimate, per le accidentali adornezze che quivi ono connesse, 22 comando e querem ser interpretadas por todos aqueles que podem alcançar seu sentido, e querem que, ao falar, sejam compreendidas; e ninguém duvida que se elas ordenassem com voz própria, não seria esse o comando. 12. Eo latim as teria exposto somente aos eruditos porque os demais não o teriam compreendido. De fato, muito mais numerosos são aqueles que desejam compreender as poesias e não estudaram o latim, do que os eruditos; segue-se pois que latim seria obedecido somente em parte no seu comando, não como o vulgar, que é compreendido seja pelos eruditos, seja pelos não eruditos. 13. E mais, o latim as teria exposto a pessoas de outras IÚlguas, assim como Alemães, Ingleses e outros povos, e teria ultrapassado no seu comando, ou seja, teria e clarecido o sentido delas, contra o desejo das próprias poesias, porque não poderiam ser compreendidas em toda sua beleza naqueles países. 14. E saibam todos, pois, que o que foi harmonizado pelo toque das musas não se pode transpor de sua língua para a outra sem quebrar toda a suavidade e a harmonia. 15. Esta é a causa pela qual não se transpôs Homero do grego para o latim como os outros escritos que deles tivemos. E essa é a causa pela qual os versos do Saltério estão sem suavidade de música e de harmonia, já que eles foram transpostos do hebraico ao grego, e do grego ao latim, e na primeira transposição toda aquela suavidade foi perdida. 16. E dessa forma está conclLúdo o que foi colocado como premissa no início deste capítulo. x. 10. [... ] Assim pensando que o desejo de compreender essas poesias pudesse levar uma pessoa não erudita a transpor em vulgar o comentário latino e temendo que o vulgar fosse utilizado por alguém que o fizesse parecer feio, como fez quem transpôs o latim da Ética, ou seja Taddeo, comentarista dos textos de Hipócrates, cuidei de transpô-lo eu mesmo, achando-me mais capaz que outros.n. Fiz isso também para defendê-lo [o vulgar] de muitos dos seus acusadores, que o desprezam, mas louvam outros idiomas, principalmente a língua d'oc [o provençal] afirmando que é mais bela e melhor do que o vulgar itálico, e afastando-se assim da verdade. 12. Porque graças a esse comentário, a grande beleza do vulgar itálico [será percebida]; e ver-se-á também revelada toda sua virtude, da mesma forma que em latim, em profundos e novos conceitos de forma adequada, capaz e elegante, quase como o próprio latim; virtude que não se podia revelar nas composições rimadas, por causa dos adornos CLÁSSICOS DA TEORI A DA TR.ADUÇÃO - A'TOL( ,1.\ BILlI--Cl E/ I rAlIA"n- I'nKTl.'cLis 23 doe la rima e lo ri[ti]mo e lo numero regolato: si come non si puõ bene manifestare la bellezza d' una donna, quando li adornamenti de I'azzimare e de le vestimenta la fanno piu ammirare che essa medesima. 13. Onde chi vuole ben giudicare d'una donna, guardi quella quando solo sua naturale bellezza si sta con lei, da tutto accidentale adornamento discompagnata: si come sarà questo comento, nel quale si vedrà I'agevolezza de le sue sillabe, le proprietadi de le sue co[stru]zioni e le soavi orazioni che di lui si fanno; le quali chi bene agguarderà, vedrà essere piene di dolcissima e d'amabilissima bellezza. 24 DiII,TE AIICHIFRI formais acidentais que lhe são acrescentados, como a rima, o ritmo e a métrica: assim como não e pode revelar a beleza de uma mulher quando os adornos da maquiagem e da roupa causam mais admiração do que a ela própria. 13. Assim, quem quiser julgar bem uma mulher, olhe para ela quando somente sua beleza natural está presente, despida dos adornos acidentais: as im erá esse comentário, no qual se verá a de envoltura de suas sílabas, a propriedade de suas construçõe e as oraçõe suave que com esse idioma [vulgar] se produzem; e quem olhar bem para elas verá que são portadoras de beleza assaz suave e delicada. Tradução: Maria Tere a Arrigoni CLÁSSICOC; nA T J:(' H ~ 14 '")4 ' 0 .\ 1"'\1 I r ~ r. ... . - - GIOVA I BOCCACCIO PROEMIO DEL VOLGARIZZATORE PREFÁCIO DO VULGARIZADOR GIOVANNI BOCCACCIO PROEMIO DEL VOLGARIZZATORE* ln que to proemio dei quale pre entiamo un brano, Giovanni Boccaccio (13041374), volgarizzatore di c1assici la tini, com menta ii suo lavoro di traduttore di La quarta deca di Tito Lil'io, teorizzando la traduzione libera. II brano e ripreso da Folena, G. Volgarizzare e tradurre. Torino: Giulio Einaudi Editore, 1991 e 1994, pp. 3 -9 . ... con iderato che, econdo Aristotele vuole nel primo della Rettorica ua, ii sapere le antiche storie e utilissimo nelle cose civili, ho proposto di riducere di latino in volgare X libri di Tito Livio patavino, ... accio che da quello, ii quale d'alta grammatica e di forte costrutto molto ealli piú ad intendere difficile, po ano li non litterati prendere e delle storie diletto e delle magnifiche opere e virtuose grazio o frutto . [... ] é emio intendimento nella sposizione della predetta Deca seguire strettamente in tutto la lettera deli ' Autore: perocché cio facendo non veggio che io ai fine intento potes i venire acconciamente, ii quale e di voler far chiaro a' non intendenti la intenzione di Tito Livio . Perciocché non in un luogo uno ma in moi ti esso sí precisamente crive che se sole le sue parole, enza piu, si ponessono, si rimarrebbe tronco ii volgare a coloro, dico, i quali non sono di troppo sottile avvedimento, che cosí poco ne intenderebbero volgarizzato come per lettera. Adunque, accioché interissimamente ogni sua intenzione eziandio da ' piú materiali si comprenda, non partendomi dalla ua propria intenzione, e timo che utile ia in alcun luogo con piú parole alquanto le sue adam piare, e massimamente ove senza cosí fare non si po a; seguendo senza interporre ii suo tile dove chiaro iI vedro da eguire. E se di cotanto e tale affanno, quale col ui che già vide Tito Livio conoscerà meglio che alcun altro, onore alcuno o laude mi s'avviene, 28 GIOVANNI BOCCACCIO PREFÁCIO DO VULGARIZADOR" esse prefácio do qual apre entamo um trecho, Giovanni Boccaccio, (13041307), tradutor do latim ao vulgar de clássicos latinos, comenta o seu trabalho como tradutor de La quarta deca di Tito Lil'io, teorizando a tradução livre. Texto extraído de Folena, G. Volgarizzare e Tradurre. Turim: Giulio Einaudi Editore, 1991 e 1994, p. 38-9 . ... tendo em vista que, como quer Aristóteles no primeiro livro de sua Retórica, o conhecimento das histórias antigas é muito útil para a vida dos cidadãos, decidi transpor do latim ao vulgar dez livros de Tito Lívio de Pádua, cuja língua excelente e cuja sintaxe vigorosa são para um grande número de pe soas de difícil compreensão, a fim de que possam os não eruditos tirar proveito da histórias e colher os frutos generosos das ações magnificas e de grande valor. [... j em é meu propósito na exposição da citada Década eguir rigorosamente e em tudo as palavras do Autor, já que assim fazendo não vejo como poderia alcançar convenientemente a meta proposta, que é a de mostrar de forma clara, aos que não com preendem, a intenção de TI to Lívio. Porque não somente em um trecho, mas em muitos, ele escreve de modo tão exato que caso se utilizassem somente sua palavras, sem acré cimo, resultaria incompleto o idioma vulgar para aqueles, digo, que não possuem um entendimento muito perspicaz, que compreenderiam tão pouco o texto vulgarizado quanto o texto em latim. Portanto, a fim de que toda sua intenção seja perfeitamente compreendida também através de outro elementos, não me distanciando de sua própria intenção, acho que será útil em alguns trechos utilizar mais palavras do que as suas, principalmente onde não for po sível proceder de outra forma; e prosseguir sem interferir no eu e tilo onde for con iderado de fácil compreensão. E se de tão grande e intenso labor, que aqueles que já leram Tito Lívio conhecerão melhor do que qualquer outra pes oa, a mim couber LÁ SICOS DA TEOR IA DA TRADUÇÃO - A~ TOl<.1 BIII'CLE/ ITILLI'\O-PORfLCLÉS 29 non a me siano rendute, ma a colu i che a cio m'indus e, cioe ai nobile cavaliere messere O tagio da Polenta, spezialissimo mio ingore, ad istanza dei quale ad opera cosÍ grande mi dispo i, non tanto della mia poca virru confidandomi, quanto della grazia di Colui che liberamente e senza rimprovera re a tutti dona. della "quarta deca di Tito Livio patavino la quale dei bello macedonico tratta ". 30 GlOI \\" 13< ·C \Coo alguma honra ou louvor, não a mim sejam oferecidos, mas àquele que a esse trabalho me levou, isto é, ao nobre cavaleiro senhor Ostagio da Polenta, meu notabilíssimo senhor, a pedido do qual me dispus a enfrentar uma obra desse porte, não contando tanto com meu pouco valor, quanto com a graça d'Aquele que sem exceção e sem censuras a todos concede", Tradução: Maria Teresa Arrigoni o t ~s da qua rta Década de Ti to Lh'io de Pádua que trata do bra\'o macedônio, 'vulga rizador' pelo fato de traduzir do latim para o vulga r italia no e pelo fato de o termo 'trad uzir ' ter sido idealizado e utilizado somente no século seguinte, N.T. CLÁSSICOS DA TEORI A DA TRA DUÇÃO - A NTOLOGIA BIUr.:CUE/ ITi\UANo- PORTUCUB 31 - SEBASTIA o F AUSTO DA Lo e lA O DIALOGO DEL MODO DE LO TRADURRE D/UNA lN ALTRA LINGUA DIÁLOGO SOBRE O MODO DE TRADUZIR DE UMA LÍNGUA A OUTRA SEBASTIANO FAUSTO DA LONGIANO DIALOGO DEL MODO DE LO TRADURRE D/UNA lN ALTRA LINGUA II Dialogo dei modo de lo tradurre, pubblicato a Venezia ne11556, eii primo trattato autonomo sulla traduzione scritto in italiano. Attualmente viene considerato uno dei trattati piu completi che ii Rina cimento europeo ha prodotto sull'argomento. A causa dell'estensione dei testo ne pre entiamo in seguito oltanto una parte. II brano eripre o da Bodo Guthmüller (ed.) "Dialogo dei Fau to da Longiano dei modo de lo tradurre d'una in altra lingua econdo le regole mostrate da Cicerone", in Quaderni Veneti, 12, 1991, pp. 57-132. 157 INQUIETO - A la tradottione in particolare. OCCULTO - Alcuni comminciano con questa .divisione: tutti i componimenti che si togliono a tradurre o sono di parlare scientifico, o di popolare. Per lo scientifico intendono ogni arte e ogni scienza, per lo popolare dove non si tratti arte né cienza. Gli huomini di benigno giudicio pa sano con que ta divisione e approvanla per sofficientissima. 158 Altri, di so ttoli ss imo avedimento, ci trovano qualche oppositione. Molti distribuiscono in due parti le tradottioni : in quelle d'autori che trattino co e e di quelli che hanno olamente parole. E chi in cambio di cose dicono materie e chi facoltà, ma, e ben le parole paiono diver e, ii se nso e tutto un o, e I'opposi tioni che far i potrebbono a la prima converra nsi e a I'a ltra distintione ancora . 159 I Q. - Queste scrupolosità non mi piacciono: lascianle di gratia e veniamo ai fatto. OCc. Perché pos iamo andare con ordine e distintamente in que to ragionamento nostro e non ci confondere punto, vi dico che ogni compositione che i piglia per traducere d'una in altra favella 3-1 SEBASTIANO FAUSTO DA LONGIANO DIÁLOGO SOBRE O MODO DE TRADUZIR DE UMA LíNGUA A OUTRA o Dialogo deI modo de lo tradurre, publicado em Veneza em 1556, é o primeiro tratad o independente escrito em italiano sobre a tradução. É atualmente considerado um do tratados mai completo que o Renascimento europeu produziu sobre o assunto. Devido a sua longa extensão, apresentamo a seguir apenas Lun excerto do texto. O trecho encontra-se em BodoGuthmülJer (ed.) "Dialogo dei Fausto da Longiano dei modo de lo tradurre d'una in altra lingua secondo le regole mostrate da Cicerone", in Quademi Veneti, 12, 1991, p. 57-132. I QUIETO - Sobre a tradução em particular. OCULTO - Alguns começam com e ta divisão: todos os elementos que se tomam para traduzir ou ão de linguagem científica ou popular. Por científico entendem qualquer arte e qualquer ciência, por popular, quando não se trata nem de arte nem de ciência. O homens de bom juízo aceitam esta divi ão e aprovam-na como bastante suficiente. Outros, de utilíssima percepção, encontram algumas objeções. Muitos separam a tradução em duas partes: uma de autores que tratam das coisas, outra, dos que consideram omente as palavras. Há os que em vez de coisas dizem matéria e outros faculdade, ma embora as palavras pareçam di tintas, o entido é sempre um, e as objeções que se poderiam fazer à primeira ervem também à outra classi ficação . I Q. - Estas meticulosidades não me agradam; deixemo-las de lado e vamos ao fato. Oe.: Para que possamos seguir com ordem e claramente ne te nosso raciocínio e não confundi-lo, digo-te que qualquer composição que se tome para tradu zir de uma língua a outra normalmente pode er CLÁ SICOS DA 1 EOR IA Dr\ TRADUÇÃO - ch ,OllX,1\ BllI ' CLr/ 11 \1 1\W-PORTl(,LI' 35 regolarmente si puo dividere in soggetto, distributione, elocutione. Una piu che I'altra ha vrà poi particolarità e considerationi appartate. 160 INQ. - AI oggetto. OCc. - Soggetto, che per altri nomi puo si dire inventione, argomento, materia, pensiero, cosa, i dee considerare come generale e come particolare; ma sia comunque si voglia, di qualunque profes ione e scienza, quando i traduce, I'uno e I'a ltro ha da e sere quello uno, sempre in ogni lingua . Que to soggetto da altri fatto migliore i chiama illu trato, e non tradotto. 161 Soggetto generale intendiamo come per essempio gli Ufficii di Cicerone fi tre Jibri dil'isi. Soggetto particolare eogni periodo, ii quale costa de membri e d'incisi. Ad alcuni piaceva nomare questo soggetto particolare concetto, o senso, o sentimento, ma non importa. A tradurre que to soggetto particolare non epoca difficultà, perché overo especificato e chiaro ii enso e svelto, o no. Quando epuro e aperto e co a agevoli ima a farlo, ma, se non e manifesto ii sentimento, a I'hora si puo incorrere in qualche riprensione. 162 La o curità de le sentenze puo esser per molte cagioni: o quando ii concetto edei tutto ritenuto ne la mente e da la giacitura de le parole non se ne tragge risolutione, overo edetto velatamente, o sotto ambiguità, o sotto enimmi, o sotto aliene od improprie parole, o sotto certa maniera di collocatione, o otto imperfettione di senso, o solamente inteso da la persona con cui si parla, a cui poteva bastare ogni menomo cenno. 163 Puo imilmente es ere difficile que to soggetto per qualche cosa pertrattata e da' nostri tempi longamente rimota, o di qualche dottrina e scienza occulta, la cui cognition non epervenuta a I'età nostra, o d'arte dei tutto smarrita, o che habbia ritenuto le parole, e le cose si sieno perdute, come ne I'architettura. Ecausata ancora spesse volte la difficultà da la natura di certe cose che meglio s'intendono che si possino i primere, e que to non lo puo ciascuno asseguire. 164 36 r Q. - A la distributione. dividida em assunto, distribuição e elocução. Uma diferente da outra apre entará particularidades e considerações individuais. I Q. - Sobre o assunto. oe. - O assunto, que com outros nomes se pode chamar invenção, argumento, matéria, pensamento, coisa, deve ser considerado enquanto geral e enquanto particular; mas seja como for, de qualquer profissão e ciência, ao ser traduzido, tanto um como o outro deve permanecer o mesmo, sempre, em qualquer língua. Aquele assunto que foi melhorado por outros se chama ilustrado, e não traduzido. Por assunto geral entendemos, por exemplo, Dos Deveres, de Cícero. Assunto particular é qualquer período que conste de membros e incisos. Alguns gostam de nomear o assunto particular conceito, ou sentido, ou senso, mas isso não importa. Para traduzir o assunto particular não é pequena a dificuldade, porque o sentido ou é específico e claro e direto, ou não. Quando é puro e explícito é uma tarefa rapidíssima de realizar, mas se o sentido não é manifesto, podese incorrer então em algumas faltas. A obscuridade das orações pode ser devida a muitas razões: ou quando o conceito é completamente encerrado na mente e do encadeamento das palavras não se tira conclusões, ou quando é dito veladamente, ou com ambigüidade, ou com enigmas, ou com palavras estranhas ou impróprias, ou com certas formas de colocações, ou com imperfeições de sentido, ou apenas entendido pela pessoa com quem se fala, a quem podia bastar qualquer mínimo sinal. Do mesmo modo, pode ser difícil o assunto sobre algumas coisas tratadas e distantemente remotas para os nossos tempos, ou sobre alguma doutrina e ciência oculta, cujo conhecimento não sobreveio à nossa época, ou sobre uma arte completamente perdida, ou que manteve as palavras e as coisas se perderam, como na arquitetura. É causada ainda muitas vezes pela dificuldade da natureza de certas coisas que se entendem melhor do que podem ser expressas, mas isso não pode ser inferido por qualquer um . I Q. - Sobre a distribuição. CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUçAo - A,rnl.ocl \ 13ILl'lu/ 1riU ",l- PORILl.L ~" 37 occ. - La distributione, detta dispo itione, o risguarda la materia, e in questo non si dee partire da I'ordine o ia imitatione de la natura o de I'arte, o la collocatione de le parole e, perché ogni lingua ha i suoi modi di dire, hassi da seguire la vaghezza de lo idioma ne lo quale si traduce. 165 I Q. - A la elocutionc. OCc. - La elocutione considera le parole emplici e congiunte, o collocate, come vi piaccia nomarle. Le semplici ponno ricevere diverse distintioni. La generale distintione e che tutte le parole sono O proprie, O tra late. Le proprie i dividono in trite, inusitate e pri che. 166 Altri, ad altro modo distribuendole, dissero: tutte le parole sono o necessarie, od utili, od orna tive, e di que te alcune sono piu e meno sonanti, alcune languide, alcune trapo te; ad al tri piacque dirle hirsute, rabuffate, apre, dolci, molli, effeminate, languenti, sonore, trepito e, mute; molti le chiamarono per altri nomi nobili , citad ine, rustiche, plebee, viii, incivili, inhone te, honorate, gloriose e per altri nomi segondo la significanza loro. 167 [nutili non sono queste distintioni, ma per la trado tti one e neces ario di tinguerle in altra maniera. Tutte le parole o sono com muni a le Iingue, o no; le communi seranno come apre o' latini amor, studium, voluntas, animu , che ' italiani diranno amore, studio, \'oluntà, animo. 168 Quelle che non ono com muni, overo hanno lo scontro italiano, o no: ' la tini diranno ortus, interitu , ' italiani nascimento, morte. Quelle che non hanno lo scontro, come cliens, clientela, proquaestor e tal altre, si pongono come si trova no; e dirassi cliente, clientela, proquestore. 169 Le antiche vengono poi, le qual i ritengono de la ua maestà. E queste o sono dei tutto note e in bocca de tutti, come senatus, re publica, che si dirà sena to, republica, o ono dei tutto incognite, come teruntium, le us e molte altre. Quelle che non hanno lo scontro ele antiche note e incognite si chiamano parole neces arie. 38 oe. - A di tribuição, também chamada disposição, ou observa a matéria - e nisto não se de\'e partir da ordem, seja ela imitação da natureza ou da arte - , ou a colocação das palavra , pois cada língua tem o seu modos de expre ar e há de e seguir a graça do idioma no qual se trad uz. I Q. - Sobre a elocução. oe. - A elocução considera as palavra i olada e as combinadas ou colocadas, como te agrade chamá-Ia . As isolada podem receber diversas classificações. A classificação geral é que todas as palavras são ou próprias ou metafórica . As próprias se subdividem em usuais, inusitadas e antigas. Alguns, distribuindo-as de outro modo, disseram que todas as palavras são ou necessárias ou úteis ou embelezadoras, e destas, algumas são mais ou menos soantes, algumas lânguidas, algumas transposta; outros gostam de nomeá-Ias hirsutas, confusas, ásperas, doces, suaves, efeminadas, languescentes, sonoras, estrepitosas, mudas; muitos as chamaram com outros nomes: nobres, cidadãs, rústicas, plebéias, vis, incivis, desonestas, honrada, gloriosas e ainda com outros nomes segundo seu significado. Essas classificações não são inúteis, mas para a tradução é necessário distingui-Ias de outra maneira . Todas as palavras ou são comuns às línguas ou não; as comuns serão como as dos latino amor, studium, I'oluntas, animus, que os italianos dirão amare, studio, I'oluntà, animo. Aquelas que não são comuns, ou têm uma correspondência italiana ou não: os latinos dirão ortus, interitus, os italianos nascimento, morte. Aquelas que não têm correspondência, como c1iens, clientela, proquaestore outras tais, são colocadas como se encontram; e se dirá cliente, clientela, proquestore. As antigas vêm depois, conservando sua majestade. E estas ou são conhecida por todos e na boca de todos, como senatus, respublica, que se dirá sena to, republica, ou são desconhecidas totalmente, como teruntium, lessuse muita outras. Aquelas que não têm corre pondência e as antigas, conhecidas e desconhecidas, chamam-se palavras necessária . 170 Diransi necessarie quelle parole ancora, le quali nel suo natio idioma sono di piena significatione, e bisogna tolerarle, ancora che fussero e dure e aspre; ogni parola e dura e aspra con I'uso frequente diviene dolce e molle, e d'aliena fassi propria. 171 Vedete quante parole greche sono tramesse in la lingua latina, e non disconcertano punto, e ono i talmente dimesticate che' latini l'hanno per ue proprie, e non per aliene: i nomi de le scienze grammatica, retorica, dialettica, aritmetica, geometria, astrologia, musica, teologia, filosofia, metafisica, e simili i no mi de le infermità, e non pur la lingua latina le ha ricevute per sue, ma la nostra italiana ancora; e di piu che la italiana ha voluto in molte co e valerse deI vocabulo greco piü to to che dei latino: hydropisia e parola greca, iI latino dice aqua intercus, e lo italiano chiama questa infermità coI nome greco e non coI latino. Non havrei infiniti essempii di cio, ma tanto basti. 172 I Q. - A le parole congiunte. OCc. - Le parole congiunte ono o nomi a nomi, come aggettivi con sostantivi, o nomi con verbi, o verbi con averbii, o verbi con nomi. Quando sono congiunti i nomi e i verbi, insieme fanno locutione, la quale e chiamata modo, maniera, figura , forma di dire. Que ta locutione si parte in propria, traslata, e segondo alcuni in figurata. Lo tradottore in questo ha da stare molto avertito. 173 I Q. - Perché dite voi figurata egondo alcuni? OCc. Vi diro: quella che co toro chiamano figurata e la perifrasi, cioe la circoscrittione, e queste locutioni sono anch'esse traslate, ma gli hanno voluto dar questo nome per parere che sieno ritrovatori di co e nuove; altri hanno detto modo di parlare topico. 174 r Q. - Gran considerationi sono queste. Voi non havete mai parlato de la circunlocutione quando le parole non hanno lo suo scontro e sono difficilissime ad essere inte e. ~o OCc. - Voi dite bene. Ciceron nel tradurre la voce greca á~ I W~ o, interpreta ta da Marco Varrone profatum, proloquium [De lingua latina, XXIV, fr. 28, 2], s'affatico molto: Também sechamarão necessárias aquelas palavras que na ua língua mãe possuem significados plenos, e é preciso uportá-Ias, ainda que ejam duras e áspera; a palavra , tanto a duras como as ásperas, e tomam doces e sua\'es com o uso freqüente, e, de estrangeiras, se tomam próprias. Veja- e quanta palavras gregas pa saram à língua latina, e não de toam, e foram de tal forma dome ticada que os latinos a têm por suas próprias e não por estrangeiras, como, por exemplo, os nomes das ciências grammatica, retorica, dialettica, aritmetica, geometria, astrologia, mu ica, teologia, filosofia, metafisica, e semelhantemente o nome de enfermidade; e não apena a língua latina o recebeu como seus, mas também a língua italiana; e ainda mais, a italiana qui em muitas coisas servir-se do vocábulo grego ante que do latino: hydropisia é uma palavra grega, o latino diz aqua intercus, e o italiano chama e a doença com o nome grego e não com o latino. ão teria muitos exemplos deste tipo, mas este pode bastar. I Q. - Sobre as palavras combinadas. Oe. - A palavras combinadas são ou nome com nome, como adjetivo com substantivo, ou nome com verbos, ou verbo com advérbios, ou verbos com nomes. Quando estão combinados os nomes e os verbos, produzem juntos uma locução, que é chamada modo, maneira, figura, forma de dizer. Esta locução se divide em própria, metafórica, e, segundo alguns, em figurada . O tradutor deve estar muito atento a isto. INQ. - Por que dizes figurada segundo algun ? Oe. - Direi . O que chamam de figurada é a perífrase, isto é, o circunlóquio, e essas locuções são também metafóricas, ma quiseram dar-lhes este nome para parecer que são descobridores de coi as novas; outros as chamaram modo de falar tópico. I Q. - Estas são grande con iderações. ão falaste até agora da circunlocução quando a palavras não têm correspondência e são dificílimas de serem entendidas. Oe. - Muito bem dito. Cícero ao traduzir a palavra grega à~ l wl1o [axioma], interpretada por Marco Varrão como profatum, proloquium [máxima, narração] [De Língua Latina, XXIV, fr. 28,2], esforçou- e muito: CLÁ SICOS DA TEOR IA DA TRADLÇAO - 1"\, rol .I I BIII,c.;Ll / ITILII,tl-POR1L:(.LES -! 1 I'interpreta effatum, pronunCÍatum, enunCÍatum; a la fine dice: Utar post alio, si inl'enero melius [Tusculanae disputationes, I, VII,14]. ec tamen exprimi I'erbum e I'erbo necesse erit, ut interpretes indiserti solent, cum sit verbum quod idem declaret magis minusve usitatum. Equidem soleo etiam, quod uno GraeCÍ, si aliter non possum, idem pluribus verbis exponere [De finibus, III, IV, 15]; avertite che qui dice si ali ter non possum, 175 Altrove Cicerone: perché importa moI to. INQ. - L'haveva avertito. 176 OCc. - Quando non si po sa fare altrimen te. Soggiunge Cicerone: Et tamen puto concedi nobis oportere, ut Greco verbo utamur, si quando minus occuret Latinum. Considera te voi questo altro passo. INQ. - Considero. OCc. - Nec hoc ephippiis et acratophoris potius quam proegmenis et apoproegmenis concedatur. Piu sotto: Bene faCÍs, inquit, quod me adiuvas, et istis quidem quae modo dixisti utar potius Latinis, in caeteris subvenies, si me haerentem I'idebis [De finibus, III, IV, 16]. 177 I Q. à~IWO, on poco mi molesta quella difficultà in tradurre la voce che dopo molti incontri dice: Utar post alio, si invenero melius. . occ. - Questa ela difficultà: che la voce o. ~ I W ~ l a evoce pregna, che molto com prende sotto sé; o. ~ í WI! a eun parlare perfetto e intiero, un sentimento a cui nulla manca. 178 Apo ' dialettici significa una propositione generale, a cui nullo possa contradire. Disse Cicerone: fundamentum dialectices o.~IW1O [Academica, II, XXIX, 95J. Viene dai verbo à ~IOW, che vale dignum faCÍo; a ~ I W~1O vuol dire co a a cui si deggia dar fede per la degnità ua. 42 interpreta-a como effatum, pronuncia tum, enuncia tum [ entença, proposição, enunciado]; por fim , diz: U arei posteriormente de outra forma, se encon trar algo melllOr [Tusculanae Dispu ta tiones, I, VII, 14]. Ocero, em outro trecho: ão será, pois, necessário traduzir paJalrra porpalavra, como os tradutores não eloqiientes costumam fazer, quando houver uma palavra mais ou menos usual, que expresse o mesmo. Na verdade, quando não posso fazer de outro modo, também costumo apresentar com várias palal ras o mesmo que os gregos com uma [De Finibus, fi, rv, 15]; observa que ele diz quando não posso fazer de outro modo, porque é muito importante. INQ. - Já havia observado. oe. - Quando não se possa fazer de outro modo. Acrescenta Cícero: Acredito, conhldo, que nos é concedido apre entar uma palavra, como fazemo com algumas gregas, quando não se encontrar uma latina. Considera esta outra passagem. INQ. - Considero. oe. - Não seja isto permitido a palavras como "eph ippi um e "acratophorum mais do que a "proegmena e "apoproegmena ''/ . Mais adiante: Fazes bem, diz, porque me ajudas, e além disso, por estas coisas que disseste, agora usarei preferentemente latinas; em outras coisas me auxiliarás se me vires em dúvida [De Finibus, III, IV, 16]. II II II I Q. - Muito me incomoda aquela dificuldade em traduzir a palavra à~ I W~JO , quando, depois de vários correspondentes, diz: Usa rei posteriormente de outra forma, e encontrar algo melhor. Oe. - Essa é a dificuldade: que a palavra à~lwpa é palavra plena, o é uma expressão perfeita e que compreende muito em si; à ~ I W~l inteira, um sentido ao qual nada falta . Entre os dialéticos significa uma proposição geral, à qual ninguém pode contradizer. Disse Cícero: à ~ I w~ o éo fundamento da dialética [Academica, II, XX IX, 95] . Vem do verbo à ~ I o w, que significa tomar digno; à~ I W~ l o quer dizer coisa à qual se deve dar fé pela sua dignidade. CL AS (COS DA TrO ( ~(.-\ DA 1 R.-\[)l.!ÇÃO - k, fOI ('(,1.1 BIII\LU / 1f·ILII'{l-Pl1Rft:Cl:b ·B 179 Ce si in voi dunque la meraviglia perché Cicerone sopra io travaglia se. Voi ne cavate que ta conchiusione: che si dee trovare lo scontTo in altra lingua, o la ciar piu to to la voce de la lingua da la quale si traduce; quando ne segui e per cio qualche grande inconveniente, puossi ricorrere a la circunlocutione. 180 I Q. - Quando s'offerisce qualche cosa nuova e egli conceduto usar parole nuove? Perché ne ho sentito piu volte farne rumore. Occ. - Evero, sono hoggidl queste openioni: alcuni vogliono che lecito ia far parole nuove, altri lo niegano dei tutto. I Q. - Di quelli che ho udito molti con entono che far i possa in ogni Iingua viven te, come a noi italiani in la no tra favella, ma non lo concedono in le lingue morte, come ne la hebrea, ne la greca e ne la latina. 181 OCc. - e le parole fatte già usate, dicadute e ritornate a i primi honori I'uso tiene la tirannia, ma ci rca la innovatione de le parole altre considerationi vi sono. Quando una cosa non piu veduta né piu udita ci si rappresenta, non e dubbio alcuno che bisogna darle qualche nome, e questo e per necessità. iuno cio nega, e questo e stato e serà sempre in ogni lingua. Cicerone: Si enim Zenoni jicuit, cum rem aliquam invenisset inusitatam, inauditum quoque ei rei nomen imponere, cur non jiceatCatoni?[De finibus, III, IV, 15]. 182 I Q. - Questo non si verifica ne le lingue morte. OCc. - E io dico tanto ne le morte, come ne le vive circa le co e di nuovo offerte e inusitate. Se uno vuol scrivere ne la lingua hebrea o ne la greca o ne la latina alcuna cosa nuova, come che infinite sieno, sarà necessario trovarle qualche nome. ln questo non e scrupulo: ogniuno lo con ente come cosa neces aria. Ma non vogliono senza nece sità che far si possa e tolgono I'analogia in tutto e per tutto. 183 I Q. - Hor come? occ. - Voi sapete che Marco Varrone dice tutte le lingue essere povere, e questo estato per la impossibilità di poter haver ogni cosa in memoria. Deixa, pois, de admirar-te porque Cícero trabalhou sobre este ponto. Tira disso uma conclusão: que se deve encontrar a correspondência na outra língua, ou então deixar a palavra da língua da qual se traduz; quando re ultar disso um grande inconveniente, pode-se recorrer à circunlocução. I Q. - Quando aparece alguma coisa nova é permitido usar palavras novas? Porque ouvi muitas vezes tal rumor a respeito. oe. - Éverdade, hoje em dia existem essas opiniões: alguns querem que seja permitido criar palavras novas, outros O renegam completamente. I Q. - Dentre aqueles que ouvi, muitos consentem que se possa criá-Ias em qualquer língua viva, como nós italianos na nossa, mas não o permitem nas línguas mortas, como na hebraica, na grega e na latina . oe. - Nas palavras feitas já usadas, decaídas e retornadas às primeiras honras, o uso estabelece o poder, mas a respeito da inovação das palavras existem outras considerações. Quando se apresenta uma coisa nunca vista nem nunca ouvida, não há nenhuma dúvida de que é preciso dar-lhe algum nome, e isto por necessidade. Ninguém o nega: assim tem sido e sempre será em qualquer língua. Cícero: Se foi permitido, pois, a Zenão, ao criar uma coisa inusual dar-lhe também um nome inaudito, por que não será permitido a Ca tão ? [De Finibus, III, IV, 15]. I Q. -Isto não se observa nas línguas mortas. Oe. - Mas eu falo tanto nas mortas como nas vivas sobre as coisas criadas de novo e inusitadas. Se alguém quer escrever na língua hebraica ou na grega ou na latina alguma coisa nova, porque são como que infinitas, será necessário encontrar-lhe algum nome. Nisto não há dúvidas: qualquer um o percebe como necessário. Mas não querem que se permita fazê-lo sem necessidade e proíbem a ana logia em tudo e por tudo. INQ. - Ora, como? Oe. -Sabes que Marco Varrão disse serem pobres todas as línguas, e isso aconteceu pela impossibildade de poder guardar tudo na memória. CLASSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A'TOLOCLI BIL IM-; u :! Ir ILl.·,,(}- P ORTliGUE<; 45 INQ. - Si dice che la hebrea epoveri ima, la lingua latina alquanto piu ricca e la greca possiede una ricchezza infinita. 184 OCc. - Questo segondo i rispetti diversi e vero e falo. Quando Varrone dice le lingue esser povere, intende de le parole che egli cmama fonti, radiei, primigenie, come per e empio lego eparola primigenia, e da que ta voce per analogia si formano molte migliaia de voei [De língua latina, VI, 37], comprendendovi sotto i partecipii, gerundii, supini, verbi chiamati incoativi da' grammatici la tini, frequenta ti vi, meditativi, desiderativi, diminutivi e simili nomi verbali, gli averbii con tutti i composti e biscomposti. 185 Da le voei primigenie: facio, sum, specio, che non e piu in uso, e da infinite altre si formano poi i millioni de voei; e ancor che una lingua nel formare i composti e i biscomposti sia piu de l'altra felice, non ha pero piu de una voce primigenia e tutto iI resto discende per analogia; e questa non si chiama ricchezza maggiore. 186 Egli equi uno che ha uno ducato d'oro in oro; altri hanno per iI valore deI detto ducato monete d'argento, chi di maggior, chi di minor valuta, altri bezi, altri quatrini, altri baga tini: non e pero di questi l'uno piu che l'altro dovitioso. Ogni volta che una lingua possa isprimere i soi concetti, contentar i dee de la ricchezza. 187 Ma sapete come si puo chiamar una lingua piü ricca de l'altra? I Q. - Come? OCc. Per piü rispetti, ma gli principali sono dui, in cui la lingua latina e piü ricca de l'hebrea, e la greca de la latina: l'uno per la piegatura de le voei, de' casi, de' tempi, de' numeri e de simili. 188 Lo hebreo non considera se non tre tem pi: passa to, presente e futuro, segondo l'ordine de la natura . ' Latini aggiungono dui tempi: iI passa to non compiuto e iI passa to piü che compiuto. II greco ne' verbi attivi ne con idera tre di piü: hanno dui tempi I Q. - Dizem que a língua hebraica é muito pobre, a latina, um pouco mais rica e a grega possui uma riqueza infinita. Oe. - Isto, segundo opiniões diferentes, é verdadeiro e falso. Quando Varrão diz que a línguas são pobres, refere-se às palavras que ele chama fontes, radicais, primigênias, como, por exemplo, lego [ler] é palavra primigênia, e a partir dela, por analogia, se formam muitos milhare de palavras [De lingua latina, VI, 37], compreendendo-as junto aos particípios, gerúndios, supinos, verbos chamados incoativos pelos gramáticos latinos, freqüentativos, meditativos, desiderativos, diminutivos e outros nomes verbais semelhantes, os advérbios com todos os compo tos e bicompostos. Das palavras primigênias facio, sum, specio, que não se usa mais, e de outras inúmeras se formam, pois, os milhões de palavras; e ainda que uma língua, no formar os compostos e os bicompostos, seja mais feliz que outra, não tem, contudo, mais que um vocábulo primigênio e todo o resto descende por analogia; e a isto não se chama riqueza maior. Esta língua, aqui, é como aquele que possui um ducado de ouro em ouro; outras têm no valor do dito ducado moedas de prata, as que de maior, as que de menor valor, outras, bezzi, outras, quartos, outras, bagatelas: não é porém mais rica uma que outra. Cada vez que uma língua possa expressar os seus conceitos, deve contentar-se de sua riqueza. Mas, sabe em que sentido se pode chamar uma língua mais rica que outra? I Q. - Como? oe. - Por muitas razões, mas as principais são duas, pelas quais a língua latina é mais rica que a hebraica, e a grega que a latina: pelo encadeamento das palavras, dos casos, dos tempos, dos números e de outros. O hebraico considera apenas trê tempos: pa sado, presente e futuro, egundo a ordem da natureza. O latino acrescentam dois tempos: o pretérito imperfeito e o pretérito mais que perfeito. O grego, nos verbos ativos, considera ainda outros três: têm dois tempos passados CLASSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A>.;TllL IA BllIM.1 ,IITAI """,- PnuTO 'r o <c 117 passati indeterminati e ' I futuro doppiato, e ne ' verbi pas ivi un altro futuro poco dopo. 189 'G reci hanno tre numeri : singulare, duale, plurale. Latini non hanno que to duale. ' Greci poi non hanno piu che cinque casi ne i nomi, pronomi, articoli e partecipii, latini sei. La Iingua hebrea ha poi una felicità di cui mancano I/altre due: che ne' verbi sono aJcune voei serventi ai ma chio, alcune a la femina. lo voglio essere contento in questo primo rispetto di queste poche parole dette per un cenno. I I 190 I Q. - L/altro rispetto qual e? Occ. - Le facoltà pertrattate. Hebrei non hanno l'arte retorica, la filosofia morale e tanti poeti como latini; latini poi non hanno la filosofia naturale, sopra natura lei le matematiche, la medicina e tante altre scienze scritte dai greci autori. I I I 191 I Q. - Tomiamo a la innovatione de le parole. OCc. - Dicono alcuni che per analogia non e piu lecito hoggidl formare nove voei ne le lingue morte. DaI verbo rogo, -as viene roga tio; da laudo, -as laudatio; perché da amo, -as non si puo formare ama tio? Dirà un: /lSe ben Plauto disse acerba ama tio [Poenulus, v. 1096] e al trove cum tua amica cumque amationibus [Mercator, v. 794], non si deve usare". Perché? "Perché non si trova usato da altri , e Plauto e antico" . 192 Horsu. Da \fenor, -aris discende \fenator, e da \fenator venatrix; perché da amatornon si forma amatrix?Dirà uno: "E' non e u ato". Da corpus, -oris si forma corpusculum, perché da tempus, -oris non si puo trarre tempusculum? Da pernocto, -as deriva pernoctatio, perché da abnocto, -as non si dice abnoctatio? Che osta? Che repugna? Che refugge l'orrecchie? Dirà: /lE' non trova usa to da gli autori". I Q. - Son gran cose queste . .J 8 indeterminado e o futuro, e no verbos passivos um outro, O futuro anterior. o gregos têm três números: singular, dual e plural. Os latinos não têm este dual. Os gregos, pois, não têm mais do que cinco ca os nos nomes, pronomes, artigos e particípios, os latinos, seis. A língua hebraica tem, poi , uma felicidade que falta às outras duas: que nos verbos existem algumas formas que servem ao masculino, outras ao feminino. Eu me contento ne ta primera razão com estas poucas palavras ditas por alusão. I Q. - A outra razão, qual é? Oe. - A matéria tratada. Os hebreus não possuem a arte retórica, a filosofia moral nem tantos poetas como os latinos; os latinos, por sua vez, não possuem a filosofia naturat a sobrenaturat as matemáticas, a medicina e tantas outras ciência escritas por autores gregos. I Q. - Voltemos à inovação das palavras. Oe. - Dizem alguns que hoje em dia não é lícito formar por analogia palavras novas nas línguas mortas. Do verbo rogo, -as [pedir] vem rogatio [pedido]; de laudo, -as [elogiarL laudatio [elogio]; por que de amo, -as [amar] não se pode formar amatio [variante de amor, -oris]? Alguém dirá: "Embora Plauto tenha dito acerba amatio [amor amargo] [PoenuJus, v. 1096] e em outro lugar cum tua amica cumqueamatiolúbus [com tua namorada e teus amore ] [Mercator, v. 794L não se deve usar". Por quê? "Porque não se encontra usado por outros, e Plauto é antigo". Ora, vamo! De venOI; -aris [caçar] provém venator[caçadorL e de venator, venatrix [caçadora]; por que de amator[amante] não se forma amatrix? Alguém dirá: "É que não é usado". De corpus, -oris [corpo] se forma corpllsculum [corpinho Lpor que de templls, -oris [tempo] não se pode tirar tempusculum [tempinho]? De pernocto, -as [pernoitar] deriva pemoctatio [pemoiteL por que de abnocto, -as [pernoitar fora de casa] não se diz abnoctatio? O que obsta? O que repugna? O que o ouvido rejeita? Dirá: "É que não se encontra usado pelos autores". I Q. - Estas são grandes coi as. CLÁ SICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A "TllLOC.,I.\ BIIINC,Ll/ 11W,\/,;o-POR I LClf' 49 193 OCc. - Alcuni rispondono a questi tali che infiniti autori i sono perduti, onde se ci fussero troveremmo di queste e d'altre. Ma io soglio rispondere ad un altro modo. Avenga che gli autori non i trovino, e lecito, e sempre serà lecito, formare voei nuove per I'analogia, pur che non sieno talmente aspre che non le abhorriscono I'orecchie; e questa e sentenza di Marco Varrone, dottissimo di tutti gli romani. 194 e le publiche schole, di tutte le lingue che si leggono, le regole e i precetti de la grammatica sono dati da huomini dottissimi e prudentissimi. Quando vengono a le parti di cui si fa I'oratione perfetta, le dividono in due: che i piegano e non si piegano. 195 Circa 'I nome vi danno le regole dai genitivo singolare a conoscere tutti li nomi, che ono innumerabili; e circa ii verbo vi danno le regole de la segonda persona dei presente de lo indicativo dei numero dei meno a saper come si pieghino tutti gli altri consimili, da certi puochi in fuori . 196 Un fanciullo ha apparato di piegare tutto 'I verbo amo, amas per li tempi, per li numeri e per li modi. S'affronta nel verbo abnocto, -as; ii dottor dice che lo diclini tutto, per farlo esperto; segondo i precetti saprallo fare, perché e verbo soggiacente a la regola de amo, -as; e non serà punto ripreso. ondimeno tutte le voei di quel verbo non si troveranno apresso' autori, e non solo di quel verbo, ma né dei verbo amo, -as troverete tutte le voei apresso gli cri ttori. 197 INQ. - ln questo m'appigliarei ai parere di Marco Varrone, iI quale cri se i soi libri De Iingua latina a Marco Tullio Cicerone. OCc. - Havea inteso come a le cose nuove e neces ario trovare nomi nuovi. E ii nostro mae tro Horatio che dice? Quid autem / Caeci/io Plautoque dabit Romanus ademptum / Virgilio Varioque? Ego cw; acquirer pauca / Si possum, invideor? 198 Horatio formà ii verbo invideor, che non era stato udito ancora, e soggi unge cum lingua Ca tonis et Ennll / Sermonem pa tri um dita Ferit et nOl'a rerum / omina protuleri? Licuit semperque Iicebit / Signatufl1 praesente nota producere Ilomen [Ars poetica, vv. 53-59J. 50 oe. - Alguns respondem a esta pes oas que inúmeros autores foram perdidos e que, de fato, e ainda existis em, encontraríamo estas e outras palavras mais. Mas eu costumo responder de outro modo. o caso de os autores não mais exi tirem, é lícito, e sempre será lícito formar palavras novas por analogia, de de que não ejam de tal forma ásperas ao ponto de irritarem os ouvidos; e esta é a sentença de Marco Varrão, o mai douto entre todos os romanos. as e cola públicas, de todas as línguas que se lêem, as regras e os preceitos da gramática são dado por homens muito sábios e muito prudentes. Quando tratam das partes com as quais se constrói a oração perfeita, dividem-na em duas: a que se combinam e as que não se combinam. Sobre o nome, dão as regras do genitivo singular para conhecer todos os nomes, que são inumeráveis; e sobre o verbo, dão as regras da segunda pes oa do singular do presente do indicativo para saber como e conjugam todos os outros emelhantes, excetuados alguns poucos. Um garoto, que aprendeu a conjugar todo o verbo amo, -as em seus tempos, números e modos, defronta-se então com o verbo abnocto, -as [pernoitar]. O mestre manda que o conjugue completamente, para que se torne experto. Segundo os preceito , saberá fazê-lo, porque é um verbo pertencente à regra de amo, -as; e, assim, não será repreendido. ão obstante, não são todas as formas daquele verbo que se encontram nos autores, e não apenas daquele verbo, pois nem do verbo amo, -asencontrás todas as formas nos escritores. r Q. -Sobre isso me apoiaria no parecer de Marco Varrão, que escreveu os eus livros De Língua Latina dedicados a Marco Túlio Cícero. Oe. - Ele tinha entendido como é neces ária encontrar nomes novos para coisas novas. E o que diz nosso mestre Horácio? Concederá, pois, o romano a Cecília e Plauto o que foi proibido a Virgílio e Vário? Eu, por que sou invejado, se poucas coisas posso obter?{... } Horácio formou o verbo ÍJ1l'ideor, que ainda não havia ido ouvido, e pro segue {. .. } quando a linguagem de Catão e Ênio enriqueceu a lingua pátria e exibiu novos nomes de coi as? Sempre foi e será permitido criar um nome assinalado com a marca do presente [Ars Poetica, v. 53-59]. CLÁ SICOS DA TEORIA DA TRADUçAo - A'- T01OC/,\ Il ILl"C.I·' IIT\I ,.,,'\.. r>noT",.," ~ I I Q. - Anche Horatio parla chiarissimo. 199 OCc. - Udiste ancora come per l'analogia con la con ulta de l'orecchie ia lecito far parole nuove. Le parole s'innovano a l'uno de' quattro modi: per similitudine, per imitatione, per inflessione e per compositione. Quintiliano diste amente ne ragiona. I Q. - Cicerone avertisce ii suo oratore che non passi i confini de la mode tia in far parole nuove. 200 OCc. - Hor sapete come si deggia intendere. Solo resta che io vi dica in che non sia lecito innovare. r Q. - [n che cosa? OCc. - Le elocutioni sono quelle che non si posso no innovare: ma deves i seguire la proprietà dei parlare e servare le similitudini dimostrateci da gli antichi ne le opere lasciate da loro. 201 [ Q. - Voi dice ti essere altre particolarità e considerationi appartate ne le tradottioni. OCc. - Queste particolarità e considerationi ponno essere sette: de la età, de la lingua, de la facoltà, de la persona che parla e scrive, o de la persona a cui si parla e scrive; sonovi i proverbi ancora. e li quali si fanno le mede ime considerationi che ne' soggetti, ne le distributioni, ne le parole emplici e congiunte. 202 Voglio dimostrarlo con un esempio. ' Greci ne lo promettere od affermare a\cuna cosa haveano per solenne religione ii giuramento Vfl TOV' H pOKÀÉO, che vuol dire in latino per Hercu/em. ' Romani ad imitatione de' greci dissero Herde, Hercu/es, me Herde, me Hercu/e , e Cicerone me Hercu/e, che vuol dire agiutimi Herco/e. Come i dee tradurre? on suaderei che si dicessi in altro modo che me Herco/equando si dice me Hercu/e e Herco/e quando i dice Herde overo Hercu/e . 203 Ma venendo a gl 'individui de l'arti e de scienze vi dico essere necessario usare i termini soi, e le parole proprie espressive de i concetti di quella scienza e di quell'arte, altrimente non s'intenderà maio Pigliate pure qual arte e qual scienza che voi vogliate. 52 SFB.\'m \Ml Fo\lSTO Il\ Lo/-. ,10\"0 [ Q. - Também Horácio fala muito claramente. oe. - Ouviste ainda como, por analogia e consultando o ouvido, seja lícito criar palavras nova. As palavras se inovam por um dos quatro modos: por similitude, por imitação, por inflexão e por composição. Quintiliano reflete longamente sobre i soo I Q. - Cícero adverte o eu orador a que não ultrapasse o limites da modé tia ao criar palavras novas. Oe. - Agora sabes como se devia entendê-lo. Só falta que eu te diga em quê não seja lícito inovar. I Q. - Em quê? Oe. - As elocuções são aquelas em que não se pode inovar: deve-se, porém, seguir a propriedade do falar e conservar as semelhanças demonstradas pelos antigos nas obras deixadas por eles. INQ. -Disseste que há outras particularidades e considerações próprias das traduções. Oe. - Estas particularidades e considerações podem ser ete: da idade, da IÚlgua, da matéria, da pessoa que fala e escreve, ou da pessoa a quem se fala e escreve; também pertencem a elas os provérbios, aos quais se fazem as mesmas consideraçõe que aos assuntos, às distribuições, às palavras isoladas e às combinadas. Quero demonstrá-lo com um exemplo. Os gregos ao prometer ou afi rm ar alguma coisa tinham por religião solene o juramento vr] TOV . HpOKÀEO , que quer dizer em latim per Herculem . Os romanos, à imitação dos gregos, disseram Herde, Hercules, me Herde, me Hercules, e Cícero me Hercule, que quer dizer ajuda-me, Hércules. Como se deve traduzir? ão pretendo persuadir a que se diga de outro modo que me Hercole quando e diz me Hercule, e Hercole quando se diz Herde ou Hercules. Mas tratando de que tões de arte e de ciência, digo-te que é necessário usar os seus termos e as palavras própria que expre sam os conceitos de tal ciência ou de tal arte, pois de outra forma nunca e entenderá. Toma, pois, qualquer arte e qualquer ciência que quiseres. CLÁSSICOS DA TEORIA DA 1 RADUÇÁO - A 'lOLOCI \ BIIN .LE/ ITIIIAVl-PllHTU(;u':S 53 I Q. - Lo concedero facilmente, e pero non mi meraviglio se alcune cose tradotte de I'a rti e de le scienze paiono dure. OCc. - Di durezza fu nota to da Hieronimo Eusebio lo Economico de Xenofonte tradotto da Cicerone. 204 I Q. - Questa infelicità non cade in tradurre le narrationi historiche, le orationi, I'epi tole e simili. OCc. - Lasciando per hora ii parlare de la tradottione de le hjstorie e de I'epi tole, io ragionero de lo tradurre I'orationi, perché servirà questo discorso a I'historie e a le epistole ancora. lo vi dico essere maggiore difficultà tradurre I'orationi che altra compositione. 205 I Q. - e resto maravigliato per piu cagioni, ma le maggiori sono: perché in esse non si trattano facultadi e materie scientifiche; poi perché veggio ogniuno tradurre orationi. Ma in che consiste questa difficultà? OCc. - Ve 'I diro: in moltissime cose, ma le principal i eranno la compositione, la degnitade e 'I numero. 206 INQ. - A la compositione. OCc. - Voi sapete che Cicerone dice: Fons omnium est compositio [Grator, LlV, 181]. Questa compositione vuol havere tutte le sue parti ugualmente poli te. La compositione edifficilissima in tutte le lingue. Hor, non disse Cicerone que te gran parole che fanno arricciare i capelli a gli huomini savi e intendenti: Dif{jcilius est scriberesoluta orationequam versu?[Grator, LV, 1 4] . 207 r Q. - Perché epiu malagevole scrivere in pro ache in verso? OCc. - Tutta quella malagevolezza viene daI congiungere le parole insieme. II concorso, nel comporre le parole, de le voca li fa I'oratione detta da' la tini va ta e hians. II concorso de le consonanti sonore e di buono spirito falla trepitosa e aspra. Ne la prosa non havete scusa alcuna, onde nel verso la strettezza de' numeri concede moita libertà, etiandio improprietà di parlare. 208 Ritornando a lo traIa ciato proporumento:' greci non hanno parola che finisca in m, ii che gli e attribuito da alcuni a moita felicità . 5.t I Q. - Admitirei facilmente, e, contudo, não me admiro se algumas coisas tradu zida das arte e das ciências parecem á peras. Oe. - Áspero foi considerado por Jerônimo Eusébio o Económico de Xenofonte trad uzido por Cícero. I Q. - Esta infelicidade não acontece quando ele traduz os relatos históricos, o di curso , as epístolas e similares. Oe. - Deixando por ora de falar da tradução de história e de epístola, quero refletir sobre a tradução de discursos, porque isso servirá para a história e também para as epí tolas. Eu digo que é maior a dificuldade de traduzir discurso que outro tipo de composição. I Q. - Fico admirado por várias razões, mas as maiores são: porque neles não são tratados temas e matérias científicas; depois, porque vejo qualquer um traduzir discursos . Em que consiste esta dificuldade? Oe. - Direi. Em muitíssimas coisas, mas as principais são a composição, a dignidade e o ritmo. I Q. - Sobre a composição. Oe. - Sabes que Cícero disse: A composição é a fonte de tudo [Ora to" LIV, 181] . Esta composição quer ter todas as suas parte igualmente polida . A composição é dificílima em todas a língua . Ora, não disse Cícero estas grandes palavras que fazem arrepiar os cabelos de todos os homens sábios e experto: É mais difícil escrever em prosa que em verso [Grato" LV, 184]7 I Q. - Por que é mai difícil escrever em prosa que em ver o? Oe. - Toda esta dificuldade vem de agrupar as palavras. O encontro das vogais, ao compor as palavras, constitui a oração chamada pelos latinos vasta e hians. O encontro das consoantes sonoras e suaves a torna ruidosa e áspera. a pro a não tens nenhuma de culpa, onde no verso a regularidade dos ritmos permite muita liberdade e ainda impropriedade do falar. Voltando ao proposto anterior: os gregos não têm palavras que terminem em m, o que lhes proporciona, segundo algun , muita felicidade. CLÁSSICOS DA TEOR IA DA TRADLÇAO - AI'. TOLOCIA BIII\;CLl / l nuwl-PORTLGl.'t, 55 Infinite ne hanno ' latini terminanti in questa lettra. Se questa felicità, niun dubbio ha che non sia infelicità. e 209 INQ. - Perché efelicità quella de' greci, e quella de' latini infelicità? OCe. - iuno eche cio affermi. Potriasi per aventura dire: perché lo me lettera che finisce ne le labra chi use; quando si chiudono le labra esegno che ii parlare sia compiuto; ma eragione piu sottile che vera. 210 A lo lncontro molti contendono essere maggiore gravità ne la lingua latina che ne la greca, e ne la greca piu di dolcezza che ne la latina. La lingua greca e la latina hanno le sue voei ín maggior numero per aventura terminanti in consonanti piu che ín vocali. La lingua nostra d'ltalia finjsce tutte le sue parole ln vocali da cinque o sei ln fuore, la qual cosa eascritta a la felicissima felicità nostra. 211 Hor eccovi, come ne la compositione queste lingue tra sé non hanno una medesima ragione per la dissimiglianza nel finire de le voei, ii perché se una língua farà studiosamente una dolcezza od asprezza, a l'altre serà forse vietato ii poterle rendere. on pero fia che in tutte le lingue non si possa no fare asprezze e dolcezze, ma la tradottione ci tiene legati aI palo, né possiamo d'indi muoverci. 212 INQ. - Voi dite che la lingua italiana ha pochissime voei terminanti ín consonanti, e a me soviene d'haverne avertito moI te. OCe. - on seranno per aventura quante io v'ho detto: in con ii, per, non; penso che ne troverete poche altre piu. Voi leggerete bene espresso ' poeti e altri scrittori ancora parole term inanti in r, I, m, n ma questo e per troncamento e remotione di lettera o di sillaba. Troverete ancora altre parole finite ln d, in t, ma ne i libri nostri de la lingua italiana distesamente ne fu ragionato. 213 Conchiudentemente vi dico che ne la compositione latina, quando si piglia aJcuna forma, per essempio diro de la grandezza, havete le parole gravi, sonanti, piene, che l'italiana non COSI facilmente la potrà pareggiare; ne la latina seranno piú parole poste insieme ad amplificare, overo ad estenuare, che la nostra non le potrà forse ogni volta rispondere. 56 Inúmeras, porém, pos uem-na os latinos, que terminam com esta letra. Pode ser que isto seja felicidade, mas não há dúvida que não seja infelicidade. I Q. - Por que é felicidade a dos gregos, e infelicidade a dos latinos? Oe. - inguém afirma isso. Se poderia, por ventura, dizer: porque o m é uma letra que termina com os lábios fechados; quando os lábios se fecham é sinal de que a fala concluiu; mas é uma razão mais util que verdadeira . Por outro lado, muitos negam que há maior austeridade na língua latina que na grega, e na grega, mais suavidade que na latina. A língua grega e a latina, por ventura, têm grande parte de suas palavras terminadas em consoante mais que em vogais. A nossa língua da Itália termina todas as uas palavras em vogais, excetuando cinco ou seis, o que é atribuído à nos a felicíssima felicidade. Ora, eis que, na composição, e sas línguas não possuem entre si uma me ma razão para a diferença no terminar das palavras, o porquê de uma língua poder produzir estudadamente uma suavidade ou aspereza e à outra talvez ser proibido fazê-lo. Isso não significa, porém, que não se possam produzir asperezas e suavidades em todas as línguas, mas a tradução nos tem amarrados ao tronco, e nem podemos mover-nos daÍ. I Q. - Dizes que a língua italiana tem pouquíssimas palavra terminadas em consoantes, mas me ocorre de ter visto muitas. Oe. - ão serão por acaso quantas eu te disse: in, con, ii, per, non? Penso que não encontrarás muitas mais. Lerás bem expressamente em poetas e outros escritores palavras terminadas em r, I, m, n, mas isto é por truncamento e remoção de letras ou de sílabas. Encontrarás também outras palavras terminadas em de em t, mas nos nossos livros sobre a língua italiana i so foi longamente discutido. Finalmente te digo que na composição latina, quando se toma alguma forma , por exemplo falando da grandeza, tem-se palavras grave, soantes, plenas, que a italiana não tão facilmente poderá equiparar; na latina haverá mais palavras agrupadas para amplificar, ou debilitar, ao que a nossa não poderá talvez corresponder em nenhum momento. CLÃS ICOS DA 1 [ORlA DA TRADCÇÁO - A, fOllX.LI BllN;ll / IT\I W,;o- PORTL<.L [, 57 214 I Q. - Dunque non ha I'italiana parole gravi, onanti e piene? OCc. - on ho detto questo, anzi di sopra ne toccai una parola, ma cosi in fretta . Ogni lingua ha parole gravi, sonanti e piene, ma dico stare ne la tradottione in quel numero specificato che non sempre le riuscirà di corrispondere. 215 I Q. - A la degnitade. Occ. - La degnità per altri nomi si chiama es ornatione, forma, figura , schema, ornamento, lume, colore. La vertu sua e d'illustrare l'oratione e farla risplendente. Questa risguarda o le parole, o le entenze. Molte di queste essornationi sono, che l'italiana o non le potrà fare, o renderalle poco felicemente. 216 Vedete quello che greci dicono TT a p o' ~ o I o v, ó II o I o T E' " E U TO V. Ó~01 TTTWTov,ap'o ' latini: adsimile, sÍmiliter desinens, simiJiter cadens, come si potranno tradurre in italiano? Egli impossibile di poterlo far empre e succederà di rado aventurosamente. 217 Li colori campar membrum, ne' quali gl'incisi e i mebri s'agguagliano quasi nel numero de le sillabe, come si potranno fare? Male o di gratiatamente. Altre degnitadi sono di somigliante natura che ne l'italiana lingua o non si potranno rendere, o perderanno de la sua vaghezza. 218 I Q. - AI numero. Occ. - II numero e la terza parte principale de I'oratione e serà l'ultimo deI nostro presente discorso. Tolto via iI numero l' oratione resta debbole e zoppa, né puo caminare. [ ... ] 218 I Q. - Parlaste di sopra de la malagevolezza di tradurre l'orationi greche; resta a dire de l' orationi latine. OCc. - A tradurre queste, come potranno i numeri italiani rispondere a i numeri latini? Rendere iI iambo aI iambo, il dattilo aI dattilo, lo cretico aI cretico, iI dochimo aI dochimo non dico es ere difficile, ma impos ibile. 58 r Q. - Então não possui a italiana palavras graves, soantes e plenas? Oe. - ão foi isso que eu disse, apenas mencionei rapidamente a questão. Cada língua tem palavras graves, soantes e plenas, mas me refiro ao fato de que na tradução nem sempre se conseguirá uma correspondência no mesmo número específico. I Q. - Sobre a dignidade. oe. A dignidade com outros nomes se chama exomação, forma, figura, esquema, ornamento, luz, cor. Sua virtude é elucidar a oração e tomála resplandecente. Ela observa ou as palavras, ou as sentenças. Existem muitas destas exornações que a língua italiana ou não poderá fazer ou reproduzirá pouco felizmente. Vê aquilo que os gregos chamam TTOPO' f-I010V. e entre os latinos adsimiie, simiJjter desinens, simiJjter cadens1 , como poderão ser traduzidas em italiano? É impossível poder fazê-lo sempre, e raramente acontecerá de forma venturosa. OIJOtOTE· f..eUTOV ,óWO IÓTTTWTOV , As belezas de um campa r membrum [isocólon], no qual os incisos e os membros quase se igualam no número de sílabas, como se poderá fazer? Mal ou desprovido de graça. Existem outras dignidades de natureza semelhante que não poderão ser reproduzidas na língua italiana, ou perderão algo de seu encanto. I Q. - Sobre o ritmo. oe. - Oritmo é a terceira parte principal da oração e será o último do presente discurso. Eliminado o ritmo, a oração se torna débil e manca, e nem pode caminhar. [ ... ] I Q. - Falaste antes da dificuldade de traduzir as orações gregas; falta comentar sobre as orações latinas. Oe. - Para traduzi-Ias, como poderiam os ritmos italianos corresponder aos ritmos latinos? Reproduzir iambo com iambo, dátilo com dátilo, crético com crético, dócmio com dócmio não digo que seja difícil, mas impossível. CLÁSSICOS DA TEOR lt\ DA TRADUÇÃO - A ',OLOGIA BIU-':Gl:E / 1r IIIA,o- Pl1RTLl,Lt"> 59 219 I Q. - Haveva in animo di voler tradurre alcune cose, ma me n'havete fatto fuggire la voglia; teneva prima che la tradottione fusse uno scherzo, hora parmi la maggior cosa deI mondo. OCc. - Seguite pure iI vostro primo proponimento e fate come gl'altri fanno: studiate di giovare ogniuno e attendere a la commune utilità . 60 S lB.I~T1AO FIL'STO DA LO'CLII\O rNQ, - Tinha em mente traduzir alguma coisa, mas me afugentaste a vontade; antes pensava que a tradução fosse uma brincadeira, agora me parece a maior coisa do mundo, Oe. - Segue pois teu primeiro propósito e fa z como fazem os outros: esforça-te por ajudar a todo e por atender à utilidade comum , Tradução: Mauri Furlan otas I, "ephippiulll", cla do cavalo; "acmtophorulll ", pequena vasilha para vinho; "proeglllena ", as coisas preferívei , ben exteriores que, sem serem o bem oberano, o único que e deve buscar, não dei,am de estar entre as coisas preferÍ\'eis, segundo a moral estóica; ".JpopmegllleJ1.J ", coisas a rejeitar como meno, estimávei , na moral estóica, .T. 2. lia t,l, relaltva à pronunciação desagradá\'el, e hians, relati\'a ao encontro de duas vogai> pertencentes a duas palawas eguidas, .T. 3. Longiano e tá fazendo menção de algumas "figurae" que pertencem ao "ornatus", uma das partes da "e1ocutio", na retórica clássica. I .T. CLASSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A \lTOLOCIA Blu>.;cUE/ ITAUA 'o-PORTUcuf.s 61 GI AMB ATIISTA VI CO LE TRADUZIONI POETICHE, IL "DE RERUM NATURA" DI LUCREZIO E "L'ANTICHITÀ E NOBILT À DELLA MEDICINA" AS TRADUÇÕES POÉTICAS, O "DE RERUM NATURA" DE LUCRÉCIO E A "ANTIGÜIDADE E NOBREZA DA MEDICINA" p GIAMBATTISTA VICO LE TRADUZIONI POETICHE, IL "DE RERUM NATURA" DI LUCREZIO E "L'ANTICHITÀ E NOBILT À DELLA MEDICINA" Tra gli innllmere,·oli scritti di Giambattista Vico (1668 - 17ii), abbiamo scelto questo brano in cui I' ali tore i riferi ce alia traduzione. Pietro BelJi, nel 1730 andà a apoJi, ove incontrà Vico, che non solo scri e per lui questa prefazione come pure collaborà nella revi ione letteraria e tipografica dclla Sifilide, presentadola agJi studiosi. el presentare e commentare tale opera, Vico si dirige aI "di creto leggitore" come suo interlocutore. Questo bel testo si trova negli Scritti Minori Fi]oso{ici e Critici, sezione IV "Le Traduzionc Poetiche" item VII, em Opere di Giambatti ta Vico, a.c. di Fausto icolini, MilanoNapoli, R. Ricciardi Ed., 1953, pp. 9i 5-50. AI discreto leggitore Giambattista Vico II signo r don Pietro Belli, nato da una delle piu nobili famiglie che illustrano la città di Lecce -Ia qua le, dopo apoli, capitale di questo Regno, e per magnificenza di edifici e per frequenza di abitatori e per isplendore di civili costumi e per ricchezza di marittimi traffichi, ela piú riputata, - adorno di buone cognizioni di filosofia, assai bene inteso di lingua latina e nella to cana versa tissimo, ha tradotto la Sifilide di Girolamo Fracastoro, la qual ora, o per elezione o per fortuna, hai tu , disc reto leggitore, pre o tra le mani . Mi piace di ragguagliarti co í della cagione la quale l'ha mos o a far que ta trad uzione, come deI consiglio c'ha eguitato in condurla. La principal cagione, la qual l'ha indutto a farIa, e stata per profitta re nella tosca na poesia, la qual facu ltà non puo con piú util esercizio acquistarsi che cosí, traducendo, gareggiare i poeti migliori della lingua latina, tanto naturalmente eroica, sublime e grande quanto 64 GI .\\I B\TTlS r\ VICO GIAMBATTISTA VICO AS TRADUÇÕES POÉTICAS, O "DE RERUM NATURA" DE LUCRÉCIO E A "ANTIGÜIDADE E NOBREZA DA MEDICINA" Dentre os inúmeros escritos de Giambattista Vico (166 - 1744), selecionamos este texto em que o autor e refere à tradução. Pietro Belli, em 1730 foi a ápole onde encontrou Vico, que não só escreveu para ele e te prefácio, como também colaborou na revisão literária e tipográfica da Sifilide, apre entandoa aos estudiosos. Ao apresentar e comentar a obra, Vico dirige-se ao "di creto leitor" como seu interlocutor. Esse belo texto faz parte dos Escritos Menores Filo óficos e Críticos, seção IV "As Traduções Poéticas" item VII, em Operede Giambattista Vico, org. por Fausto icolini, Milano- apoli, R. Ricciardi Ed., 1953, p. 9-15-50. Giambattista Vico ao discreto leitor o senhor Dom Pietro Belli, de uma das mai nobres famílias que ilustram a cidade de Lecce - a qual, depoi de ápole, capital deste Reino por magnificência de edifícios, quantidade de habitante , pelo esplendor de costume civi e riqueza de tráfegos marítimos é amai bem reputada, - ornado de bons conhecimentos de filosofia, muito bom conhecedor do língua latim e versadís imo na língua to cana, traduziu a 5ifj/ide de Girolamo Fraca toro, que agora tu, di creto leitor, por escolha ou sorte tens em mãos. Agrada-me pôr-te, a im, a par da razão que o moveu a fazer essa tradução, bem como do con elho que seguiu ao levá-Ia adiante. A principal razão que o induziu a fazê-Ia foi valer-se da poe ia tosca na, faculdade essa que só se pode adquirir traduzindo com mais útil exercício e assim concorrer com os melhore poeta da língua latina, tão naturalmente heróica, ublime e tão grande como é terna, CLASSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A "rOl('ll.l I BIU,CUE/ ITIUI\:o- PORTl!(.l!ÊS 65 e tenera, gentile e dilicata volgarmente la greca. Perché, co í faccendo, le nobil maniere dei concepire poetico re tano piú altamente impresse nella fanta ia coi trattenervisi molto opra e coi procurare di renderle nella nostra favella con iguale plendore, ornamento e bellezza; ond'e avvenuto che gli piú valoro i toscani poeti dei Cinquecento ono stati anca chiari poeti latini, come lo furono Giovanni Casa, Pietro Bembo, Giacomo Sannazaro ed altri. ln sí fatto studio egli, com'era diritto e ragione, ha ammirato ii conte deli' Anguillara nella traduzione delle Metamorfosi d'Ovidio, Annibal Caro in quella deli' Eneide di Virgilio, ed in quella della Tebaide di Stazio I'eminentis imo cardinal Bentivogli, scrittore delle Guerre di fiandra. Con assai diritto giudizio, quella dei Marchetti non gli e paruta di tanto, accagionché Tito Lucrezio Caro tenne uno stile di ermon volgare latino, dello che merito pur una omma Iode d'aver portato nella Iingua latina, ed in ver i di piú, un'affatto nuova materia greca; ma, a riserva delle poetiche introduzioni a' suoi libri e d'una o d'a ltra digre sione - come quella nella nota dilicata inrumitabile de crizione della tenera giovenca c'ha perduta la madre, e quella nella nota grande incomparabile ove descrive la pestilenza d' Atene - dei rimanente tratta le materie fisiche con uno stile niente diverso da quello con cui si sarebbon insegnate in una scuola latina di filosofia naturale. Onde s'intenda quanto taluno, nonché degli stili poetici latini, ia affatto ignorante di e sa Iingua medesima, ii quale ragguaglia coloro che non hanno veduto !'opera che 'I padre Quinzi della Compagnia di Ge li abbia scritto i suoi nobili simi Iibri De' bagni alia maniera di Lucrezio: quando ed es o chiari simo autore apertamente professa d'avergli lavorati sull'esemplo della Georgica di Virgilio, ove tratta poeticamente di essa arte villereccia, e !'opera stes a, ad ogni colaretto c'ha nella cuola della gramatica Virgilio spiegato, manife tamente ii dimostra. Percio ii no tro avvedutissimo traduttore i ha eletto piú degli altri questo celebra tis imo poeta, ii quale sol di tanto ha da ceder agi i piú celebrati latini nel tempo; ma, per questo istesso, egli non dee loro ceder punto in valore, anzi, mi fo lecito dirlo, gli supera. Perché quelli avevano critto quando es a lingua vivente fioriva , e questi scrisse quando per lungo tratto di ecoli era già morta e scrisse poeticamente d'una materia affatto nu ova, nonché a' latini , a' medesimi tempi suoi. 66 gentil e vulgarmente delicada a grega. Porque, assim procedendo, as nobres maneira do conceber poético ficam mais altamente impre sas na fantasia por muito ocupar-se com elas e procurar passá-Ias para a nossa língua com igual esplendor, ornamento e beleza; porque aconteceu que os mais valorosos poetas toscanos do Quinhentos foram também preclaros poetas latinos, tais como Giovanni Casa, Pietro Bembo, Giacomo Sannazaro e outros. Em tal estudo ele, como era de direito e razão, admirou o Conde deli ' Anguillara na tradução das Metamorfoses de Ovídio, Annibal Caro na da Eneida e na Tebaida de Estácio, o eminentíssimo Cardeal [Cornelio] Bentivogli, somo e soberano ornamento da literatura italiana de nossos dias com respeito à poesia, quanto o foi em relação à pro a o outro Cardeal [Guido] Bentivogli, escritor das Guerras de Flandres. Com assaz reto juízo, a de Marchetti não lhe pareceu tão boa pela ra zão de que Tito Lucrécio Caro possuía um estilo de discurso em vulgar latino, pelo qual mereceu me mo um grande louvor por ter trazido para a língua latina, e ainda em versos, uma matéria grega absolutamente nova, à parte as poéticas traduções ao seus livros e uma ou outra digressão - como aquela na conhecida, delicada e inimitável descrição da terna novilha que perdeu a mãe, e na conhecida, grande e incomparável, onde descreve a peste de Atenas - do restante trata as matérias físicas com um estilo em nada diverso daquele em que teriam sido ensinadas numa escola latina de filosofia natural. Entenda-se o quanto alguém é totalmente ignorante dessa mesma língua e também dos estilos poéticos latinos, e se equipara aos que não viram a obra escrita pelo padre Quinzi da Companhia de Jesus, autor dos nobilíssimos livros Dos banhos, à maneira de Lucrécio: quando esse claríssimo escritor abertamente declara ter neles trabalhado a exemplo da Geórgica de Virgílio, onde trata poeticamente da arte campestre, e a mesma obra manifestamente demonstra ter explicado Virgílio a todo estudante de gramática. Por isso o nosso sagacíssimo tradutor elegeu mais do que os outros esse celebradíssimo poeta, que pouco tem de ceder no tempo aos mai decantados latinos; mas por esse mesmo nada deve ceder-lhes em valor, ao contrário, seja-me lícito dizer, supera-os. Porque eles escreveram quando tal língua viva florescia e esse, quando há muitos séculos ela já estava morta, e o fez poeticamente de maneira totalmente nova, como os latinos em seus respectivos tempos. CLASSICOS DA TEORI A DA1 RA JJCÇAO - A, fllUX .1I BIIN.Lf / 1f 11 1.I1\o- P ORTUGUEs 67 E tutto cio iI signor Belli ha egli fatto per avvezzare I'ingegno con simigliante esercizio non solo a parlare poeticamente di cio che deve, perocché quel poeta che parla di cio che vuole, egli eii triviale pittor d'Orazio, iI quale ... scit simulare cupressum; ma anca per accostumarlo ai piú difficile, perché piú grand e, lavoro della poesia, ii qual e con la novitá della materia strascinarsi dietro, come necessaria, la novitá della locuzione, e con entrambe de tare la maraviglia, la qual sola passione dei cuor umano e quella che coi silenzio acclama allo stil sublime. Pero egli embra ch'essa materia non abbia dell'eroico. Ma a chiunque leggiermente vi rifletta sopra e combini, si fa manife to ch ella lo ha pur benis imo. Perché la medicina negli antichissimi tempi fu professione d'eroi: onde tant'erbe ne serbano ancor i nomi fin ai dí d'oggi. Medea co' suo i rimedi rinnovella ii uo vecchio padre Esone. La moglie di Tomo, re d'Egitto, ad Elena rigala iI nepente. E di esse r lo dia della medicina fa vanto es o Apollo, iI quale nella Scienza nLlOl'a si eritruovato dia della luce civile o sia della nobiltá. Ed a' tempi barbari ricorsi ella fu olamente praticata da' grandi signori, de' quali insigne e Giovanni signor di Procida, che fu I'autore dei Vespro siciliano, e ne serba ancor i nome ii suo empiastro: com'altri medicamenti pur gli serbano di re e di grandi, quali sono ii "Mitridatico", l"' unguento della Contessa", e oggi e celebra ti simo purgante la "polve dei conte Palma". 11 qual costume eroico veggiamo rimasto tra ' potenti signori, ii quali si gloria no di graziosamente di pen are chi uno, chi altro efficace specifico per gli malori che travagliano la salute degli uomini; e gli re d'Inghilterra si pregiano d'esser principi della real Societá anglica, la quale per lo piú si compone di mediei, i quali in quel reame son nobilissimi; e la casa de' granduchi di Toscana, fra le altre, pone magnificenza nella sua Fonderia. II vero e che essa materia e trattata con princípi i quali ora non soddisfano ai buon gusto dei fisicare pre ente, perché l'autore siegue la vanità dell'astrologia e spiega le ragioni naturali di cotai morbo per "qualità". Ma, nientemeno, vi sfolgora di tempo in tempo alcuni grandi lumi di fisica e medicina: oltreché questi libri sono necessarissimi d'esser tra portati in tutte le lingue viventi, almeno per la storia naturale d'un tanto malore, c'ha dato ii guasto ad una 68 E tudo is o fez o senhor Belli para habituar o engenho com semelhante exercício, não só para expressar poeticamente o que deve, porque o poeta que fala do que quer é o pintor trivial de Horácio ', o qual 1 ...scit simulare cupressum ; mas também para acostumá-lo ao mais difícil porque maior, o trabalho da poesia, que é com a novidade da matéria arrastar consigo, como necessária, a novidade da elocução e com ambas despertar maravilha, a única paixão do coração humano que com o silêncio aclama o estilo sublime. Porém parece-lhe que essa matéria nada tenha do estilo heróico. Mas a alguém que ligeiramente reflita sobre ela e a ajuste, se toma manifesto que o tem e muitíssimo bem. Porque a medicina nos antiquíssimos tempos foi profissão de heróis: dos quais tantas ervas conservam ainda os nomes até hoje. Medéia com os seus remédios rejuvenesce o seu veU10 pai AetesJ. Amulher de Tomo, rei do Egito, presenteia Helena com o nepentes. E Apolo é louvado como deus da medicina, e na Ciência Nova foi reconhecido como deus da luz civil, ou seja, da nobreza. E no tempo bárbaros recorrentes (a Idade Média) a medicina foi apenas praticada pelos grandes senhores dos quais o insigne Giovanni, senhor da Prócida, autor do Véspera siciliano conserva ainda o nome do seu emplastro: outros medicamentos mantêm os nomes de reis e dos grandes como o "Mitridático", o "ungiiento da Condessa" e hoje é o celebrarussimo purgante o "pó do Conde Palma". Tal costume heróico vemos que permanece entre os senhores poderosos que se vangloriam de receitar graciosamente um e outro medicamento eficaz, específico para os males que afligem a saúde dos homens; e os reis da Inglaterra prezam-se de ser príncipes da Real Sociedade anglicana, que na maioria se compõe de médicos, que naquele reino são nobilissimos; e a casa dos grão-duques da Toscana, entre as outras, atribui grande magnificência à sua Fonderit. A verdade é que essa matériaSé tratada com princípios que agora não satisfazem ao bom gosto da ação presente de medicar porque o autor segue a vaidade da astrologia e explica as razões naturais de talou qual doença por "qualidade". o entanto refulgem, de tempo em tempos, alguns grandes lumes da física e da medicina: além do que é muitíssimo necessário que esses livros sejam traduzidos para todas as línguas vivas, pelo menos para a história nahlral de uma porção de doenças, que tantos CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - Ai'iTOLOCIA BILlr.:CUE/ 1rALl,Wl- PORl LC,l f' 69 gran parte ed ha gra\ emente infievolito I'altra di quasi tutto iI gener umano. Cio sia detto di'intomo all'elezione di tal fatica, c'ha fatto con saggio avvedimento iI nostro traduttore di tal poeta. Ora mi rimane poc'altro a dire deli a condotta che vi ha tenuto. Egli si e ristretto tra gli autori príncipi della tosca na favella , particolannente poeti, per apparecchiare all'idee poetiche la tine la materia piú pura e l'impronta migliore che posson unquemai avere le voei e le frasi nostre poetiche italiane. Quindi, nel tradurre questi aurei libri, ha avuto due cose principalmente dinanzi agli oechi: la verità de' sentinlenti peresser fedele, e la degnità dell'e pressioni per e ser esatto traduttore. E, per I'interesse deli a verità, d'intomo alie voei deU'arte, le quali non i sanno che da' mae tri deli' arti, egli, particolarmente nella bota nica, come la prudenza iI richiedeva, si e consigliato con saccenti espertissimi professori. Per la degnitá, poi, si ea tutto potere studiato dentro i medesimi tratti latini di dir in volgare né piú né meno né altrimen ti, per isperimentare quanto possa la nostra rendere deI nerbo e vigore c'ha la poetica latina favella; e, per cio fare, ha usa to, ove la bisogna il richiedeva, alcune maniere antiche, le quali, anca senza cotaI necessitá, a tempo e luogo adoperate, fanno grave e veneranda essa poetica loeuzione. Prendi adunque, o discreto leggitore, a leggere questa lodevolissima traduzione con animo di compiacertene, il qual animo certamente non puoi tu avere se non la prendi a leggere almeno con una indifferente curiositá di veder cio che dica. Eti priego a giudicame su questa riflessione: che dei tuo gi udizio ha a giudicare il comune de' dotti; e non voglio né debbo - né 1 voglio perché non debbo - estimarti che tu non sappia discemere i confini etemi delle cose le quali tra loro a mortecombattono,edlesiabbia tecoa ponerinconsulta la necessitá se tu ami meglio d'appruovarti appo gl'indifferenti per giudice di ruor diritto ed equanime o di accusarti per lm invidioso livido e dimagrato. Vivi felice, ch'i filosofi diffiniscono con salute e con sapienza. 70 danos causaram a uma grande parte e gravemente enfraqueceram uma outra de qua e todo o gênero humano. Seja dito isso sobre a escolha de tal esforço que teve com sábia prudência o nosso nobre tradutor de tal poeta. Agora falta-me pouco mais a dizer sobre a conduta que ele manteve. Restringiu-se ao autore príncipes da língua toscana, particularmente aos poetas para conformar às idéia poética latinas a matéria mais pura e a imagem melhor que jamais possam ter as nossas palavras e frases poéticas italiana. Portanto, ao traduzir e e Livros áill'eos teve, principalmente, duas coisas diante do olhos: a verdade do entimentos para ser fiel e a digrudade da expre sões para ser tradutor exato. E, pelo intere se da verdade, em tomo da palavras artística, que só se conhecem pelos me tres da artes, ele, particularmente na botânica como requeria a prudência, aconseUlou-secom sapientes e especialíssinlo professores. Pela digrudade, pois, e tudou profundamente nos mesmo tratado latinos da expres ão vulgar nem mai nem menos nem de outro modo para experimentar o quanto pode a nossa língua oferecer da energia e do vigor que pos ui a língua poética latina; e para fazê-lo usou, onde a precisão o exigia, algumas expressões antigas, até em tal nece idade adotadas em tempo e lugar que tomam severa e veneranda e a elocução poética. Empreende, então, ó di creto leitor, a leitura dessa louvabilíssima tradução com ânimo de comprazer-te, o que com certeza só podes ter se não a leres pelo menos com uma indiferente curiosidade de ver o que ela diz. E te peço que a julgues com esta reflexão: que da tua deliberação há de julgar o comum dos doutos; e não quero nem devo- não o quero porque não devo - achar que não sabes discernir os Limites eternos das coisa que entre i combatem até a morte, e que se submeta a necessidade à tua consulta se prefetires ser aprovado no conceito dos indiferentes por juiz de coração reto e equânime ou seres acusado por Lml invejoso Lívido e e quálidd. Vive feliz, que para os filósofos significa com aLIde e com sapiência. Tradução: Vilma de Katinszky Barreto de Souza Iq·20. N T. I. Ad P"'l/C~. 2. 'JN" rep""",'ntar um cirrestdAr, /",<'1;(.1, 19-20). \i 1. \ 'ico cllloca como nome de'-C'u H:olho pai, DOnCl'm IUgM de -\l'I(><; (il,ll Eelcl). EsonC' éo nome de um ce r ,lm~ t,l citlco. N,T. Lll'xuiltório. N 1 tI~ned,l-.: b. pur Frac,htom. '\ T E-quálido, ou "'1.1, rOido rela cn\'l'I" N. T CI ASSICOS D . ~ 1 [ORlA DA 1 RADL'ÇÀO - A,mt (~,I \ BII.I'l,U/ 1[1111" " PORTl'<ÜS 71 VI CE ZO Mo TI SULLA DIFFICOLT À DI BEN TRADURRE SOBRE A DIFICULDADE DE BEM TRADUZIR VINCENZO MONTI SULLA DIFFICOLT À DI BEN TRADURRE Considerato ii ma simo rappresentante dei neoclassicismo italiano, Vincenzo Monti (175-1-1828) studio nel seminario di Faenza e poi segui i corsi di legge e di medicina all'Università di Ferrara. Ma i uoi interessi erano rivolti alia letteratura e nel 75 entro in Arcadia. Eautore di diver e poesie, odi, tragedie, tra le quali la Prosopopea di Pericle; La bellezza delJ'un1ver: o, Seiolti aI PriIJcipe Sigismondo Chigi, Aristodemo, Caleotto Manfredi, Bassl'il/iana, Cracco, la Mascheroniana, 11 beneficio, /I bardo della Selva era, La srida di FedericolI, La Palingene i Politica. Pero ii uo capolavoro e enza dubbio la traduzione deli ' lliade (1 10). II te to qui di seguito e tratto da Valgimigli, Manara e Muscetta, Cario (a/c). Vincenzo Monti. Opere. Milano-Napoli: Riccardo Ricciardi Editore, / d., pp. 1027-10-10. Solevano i greci grammatici nel proludere ai loro studi propor i per tema dell 'orazione ii primo verso deJJ 'JIja deI (siccome i nostri predicatori ii memento homo), reputando es i mal augurate le loro scolastiche esercitazioni, se non prendevano religioso cominciamento da Omero. on sarà dunque, mi penso, cosa disconvenevole che, ponendomi a volgarizzarlo, segua io pure questa antica consuetudine, e prima d'innoltrarmi in si arduo tentamento esponga lealmente alcune mie considerazioni sulla difficoltà di ben tradurre in verso italiano la protasi di quel divino poema, onde sia manifesta sino dai bel principio la mia poetica religione. L' ira d'Achille e ii soggetto unico dell'JIjade. La voce ira e la prima che si presenta, che apre questo gran canto con maestà, che fissa altamente l'attenzione dell'ascoltatore; e ira nella ver ione dovrebbe esser pure la prima parola che ne percuote. Traducendo letteralmente, corre subito otto la penna per se medesimo que to ver o: L'ira, o Oea, canta dei Pelide Achille. el circuito di questo verso raccruudesi esattamente quello d'Omero. Ma ne conserva egli la bellezza e la dignità? L'emisticruo j'ira, o Dea, 7-1 VINCENZO MONTI SOBRE A DIFICULDADE DE BEM TRADUZIR Considerado o máximo representante do neoclassicismo italiano, Vincenzo Monti (175-1-1828) estudou no eminário de Faenza e depois eguiu os cursos de direito e de medicina na Universidade de Ferrara. Mas seus interesse eram voltados para a literatura e em 1775 entrou para a Arcádia. Éautor de diversos poemas, odes, tragédias, entre os quais, Prosopopea di Pericle; La bel/ezza delJ'wuI 'erso, io/ti ai PrincipeSigismondo Chigi, Aristodemo, GaJeotto Manfredi, Bass l'iJ/ia na, Gracco, Mascheroniana, II beneficio, 1/ bardo deI/a 5e/l'a Nera, La srida di Federicoll, La Pa/ingenesi Politica. Mas sua obra-prima é sem dúvida a tradução da J/íada (1 810). O texto abaixo é extraído de Manara Valgimigli e Cario Muscetta (ed.). VincenzoMonti, Opere, Milão- ápoles: Riccardo Ricciardi Editore, s/ d., p. 1027-10-10, Era costume dos gramáticos gregos, como ponto de partida de seus estudos, propor para tema da alocução o primeiro ver o da Ilíada! (como os nossos pregadores, o memento homo), e consideravam um mau presságio para os exercícios escolá ticos e não começassem religiosamente por Homero. Penso, portanto, que não será gesto inoportuno, ao vulgarizá-lo, que siga eu também esta antiga tradição e, antes de avançar em tão árdua tentativa, exponha com fidelidade algumas considerações sobre a dificuldade de bem traduzir a prótase do divino poema em verso italiano, para que se mostre desde o início a minha crença poética, A ira de Aquile é o tema único da Ilíada, O vocábulo ira é o primeiro qu se apresenta, que abre, maje toso, esta grande ode, que prende com força a atenção do ouvinte; e, na versão, ira deveria ser a primeira palavra a ecoar. Traduzindo literalmente, corre de pronto, por si próprio, sob a pena este verso: A ira, Ó Deusa, canta do Pélida Aquiles O limites deste verso encerram precisamente o \'erso de Homero. Mas preserva ele a beleza e a dignidade? O hemistíquio a ira, Ó Deusa, CLASSI(C)', D.\ 1[OR lA DA TRADL.:çAo - A ,TlIL(X.1 I BILN.LI / 11 III I'(l- PnRrLCu, 7S canta, affogato di quattro a, ognuno de' quali dimanda un'appoggiatura forte e distinta; poi di tre altre vocali molto sensibili, massimamente ii dittongo in Dea; un siffatto emistichio suona male all'orecchio; quindi male nel cuore. Ognuno che legge od ascolta una poesia, vi si appresta sempre con lo spirito preparato a ricever nell'anima le idee deI poeta ves tite di melodia; e in certo modo la poesia puo definirsi la musica delle idee2. Cicerone, che ben intendeva \'effetto di questa musica, ci ha lasciato nei libri dell'Oratore precetti assai rigorosi sulla collocazione e scompartimento delle parole, e chiaro ne fa comprendere che le idee, per buone e belle che iI nostro intelletto le concepisca, non produrranno mai la conveniente impressione in quello dell'uditore, se non vi entrino accompagnate da periodo numeroso, che e quanto dire dall'armonia 3 . Stretto dalla necessità e daI rigore della sentenza, non mi farei scrupolo di ammettere e due e tre desinenze uniformi in un verso poco osservato e disperso in mezzo ai poema; che anzi iI gettare di quando in quando nel corpo deI componimento versi insoavi e apparentemente negletti e finezza di arte, onde far risplendere piu vivamente qua\che idea principale nel verso consecutivo, ad imitazione deU'accorto pittore, che per dar risalto alia figura che piu gli preme, diminuisce la luce e l'effetto delle secondarie. Ma nel primo vestibolo deli'azione, ove ii lettore intende tu tti i nervi dell ' a ttenzione per gi udicarti, quell'emistichio mi si para dinanzi con poca grazia, e sempre chi mal si presenta male si raccomanda. Nondimeno se \'orecchio ii condanna, la ragione l'assolve; e se la fedeltà d'un traduttore in tutto ii resto puo emanciparsi, pare che qui nol possa, né iI debba senza rimprovero. Quell' ira, quel canto, quella Dea sono tre idee elementari che alterandosi o segregandosi, perderanno sempre forza e vaghezza. Ma nell 'idioma nostro, per quanto le si raggirino, faranno sempre un duro sentire, se le conservi nello stato di originale concomitanza; e quando si traduce, non epiu la lingua deI tradotto, a cui si debbano i primi riguardi, ma quella dei traduttore. Resta dunque a vedersi se tomi meglio iI sacrificare affatto lo spirito della lingua, in cui si traduce, per salvare inviolato quello dei testo, o se metta piu conto ii conciliarli ambedue con qua\che lor piccolo sacrificio, onde l'uno non trionfi a spese dell'altro. Abbiam detto, né puo avervi contrasto, che la poesia euna musica. Senza ritmo, senza metro, senza melas nessuna poesia. é basta che ii 76 VINCENZO M O\TI canta, oprimido pelos quatro a, cada um exigindo uma apojatura forte e distinta; a seguir, três outras vogais muito sensívei ,em especial o ditongo em Deusa; um hemistíquio assim soa mal aos ouvidos; portanto, mal ao coração. Cada um que lê ou ouve um poema se dispõe sempre com o e pírito pronto para receber na alma as idéias do poeta ve tidas em melodia; e de certo modo, a poe ia pode ser definida como a mLÍsica das idéias. 2 Cícero, que bem compreendia o efeito desta mú ica, deixou nos livros do Orador preceitos bastante rigoro os sobre a colocação e repartição das palavras, e faz compreender com clareza que as idéias, por boas e belas que o nosso intelecto a conceba, não produzirão a impressão apropriada no ouvinte se não forem acompanhadas de numerosas inflexões, o mesmo que dizer, de harmonia. 3 Constrangido pela necessidade e pelo rigor de uma sentença, não terei e crúpulos em admitir duas ou três desinências uniformes num verso pouco visível e disperso em meio ao poema; e mais, largar, vez ou outra, no corpo da composição versos rudes e aparentemente negligente é arte refinada que faz brilhar mais viva uma idéia importante no ver o seguinte, à imitação do ábio pintor que para realçar a figura que mais lhe importa reduz a luz e o efeito das figuras secundárias. Mas no primeiro recinto da ação, onde o leitor concentra todas as fibras de sua atenção para julgar-te, o hemistíquio se me afigura com pouca graça, e sempre quem mal se apresenta, mal se recomenda . Todavia, se os ouvidos condenam, a razão ab olve; e se a fidelidade de um tradutor em todo o restante pode se emancipar parece-me que aqui ela não pode nem deve sem ser digna de reprovação. A ira, o canto, a Deusa são três idéias elementares que modificadas ou segregadas sempre perderão força e beleza. Porém, no nosso idioma, por mais que se mudem de posição, causarão sempre uma sensação rude mantê-las no estado de coexi tência original; e quando se traduz não é mais à língua do texto traduzido que se devem as considerações primeiras, mas à do tradutor. Resta, portanto, avaliar se é melhor sacrificar inteiramente o espírito da língua em que se traduz para preservar inviolado o do texto, ou se vale mai a pena conciliar os dois com um pequeno sacrifício em que um não triunfa em detrimento do outro. Dis emos, e não cabe discussão, que a poesia é mú ica. Sem ritmo, sem métrica, sem melos não há poesia. em basta que o CLÁSSICOS DA 1 EORIA DA TRADt.:ÇÃO - A-':IOLOCI\ BI Ll GLl/ ITALlI,o-PORW(,Li, 77 verso, perché sia buono, abbia la cantilena, e tutta la sua misura. Fa d'uopo che questa cantilena e questa misura procedano libere d'ogni intoppo, e che la sintassi emerga bella e spontanea, quaJe insomma la chiede la naturale enunciazione deI sentimento. Mostriarnolo coll'esempio: el mezzo deI cammin di nostra vita. Questo verso esemplice, fluente ed armonico. Se ii poeta dirà : Di nostra vita nel cammino mezzo, ii verso avrà tutta la sua misura, ed anche la cantilena, ma sarà barbaro. Canto J'armi pietose e iI capitano. Ognuno sente ii numero, la pienezza, la magnificenza di questo verso. Sconvolgi l'ordine delle parole e metti, Le pietose armi e iI capitano canto, e l'ascoltatore dovrà turarsi gli orecchi. Vi ha talvolta sentenze che per la loro gravità ed evidenza fanno un'istantanea ed alta impressione nel nostro spirito, e ci percuotono d'ammirazione senza darci tempo a pensare se iI verso che le comprende, potevasi fare piu nobile e piu tomito. Un poeta unicamente sollecito dell'energia deI pensiero, e nu lia curante I'armonia delle parole dirà, per esempio: La vita, tu Romano, ami tu tanto? e questo timor della morte in petto romano sarà sentenza, che, ad onta deI ruvido suo involucro, correrà netta e pungente ai cuore di chi l'ascolta; e troveremo della forza in quel tu ripetuto, e in grazia della nobiltà deI concetto perdoneremo a quel duro tu tanto con cui finisce, né mancherà chi dica convenientissima I'asprezza dell'elocuzione all'asprezza deI sentimento. Ma se verrà Metastasio, e dirà: l Ami tanto la vita, e sei Romano? la sentenza prenderà nuovo spirito, si stamperà profondamente nel cuore, e ci farà accorti dell'empietà con cui era stata prima strozzata. 5 Diasi ancora piu lume a questa materia , che e di suprema importanza. Virgilio ha saputo arricchirsi, e tutti lo sanno, di pensieri 78 VINCENZO M Oi\'T1 verso, para que eja bom, tenha a cantilena e a métrica. É preciso que essa cantilena e essa métrica existam livres de todo obstáculo, e que a intaxe emerja bela e espontânea como demanda, em suma, a enunciação natural do entimento. Exemplifiquemos: A meio caminho da nossa vida Este verso é simples, fluente e harmônico. Se o poeta disser: De nossa vida a meio caminho o verso terá a métrica e também a cantilena, mas será grosseiro. Canto as armas piedosa e o comandante. Todos notam o ritmo, a plenitude, a magnificência deste verso. Subvertamos a ordem das palavras e façamos, As piedosas armas e o comandante canto, e o ouvinte terá de tapar o ouvidos. Existem sentenças que pela solenidade e clareza causam uma impressão instantânea e elevada em nosso espírito, e nos fazem vibrar de admiração em nos dar tempo de pensar se o verso que os transmite poderia ter sido mais nobre e mais torneado. Um poeta estimulado unicamente pela energia do pensamento e sem cuidar da harmonia das palavras dirá, por exemplo: A "ida, tu Romano, amas tu tanto? e esse temor da morte no peito romano será uma sentença que, malgrado a ru ticidade do invólucro, correrá precisa e pungente ao coração de quem a e cuta; e encontraremo força no tu repetido, e graças à nobreza da concepção perdoaremos o duro tu tanto com que termina, e não faltará quem considere apropriadíssima a aspereza da enunciação à aspereza do sentimento. Porém, virá Metastasio e dirá: Amas tanto a vida, e és Romano? 4 a frase ganhará novo espírito, estampar-se-á profundamente no coração, e nos fará notar a impiedade com que fora antes estrangulada.' Empre temos ainda mais luz a essa questão que é de suprema importância . Virgílio soube enriquecer-se, e todos o sabem, com CLÁSSICOS DA TEORIA DATRADUÇÃO - A, rOI OGI" BILI' GLl/ IT \ 1.1,1 o-PORfLC,Lts 79 involati in pieno meriggio a Ennio e Lucrezio; e avanti Virgilio i Romani erano tanto lungi dai credere che le sentenze di Ennio potessero migliorarsi, vestendole di parole piu scelte e piu nitide, che ognuno anzi stupivasi della pazienza di Virgilio a ravvolgersi in quello stabbio. 6 Quanto alie lucreziane, ognuno le aveva per ottime ed eleganti, e per tali le si hanno ancora da noi . Ma si prenda Macrobio/ e istituiscasi ii paragone delle sentenze che Virgilio ha imitate, e quasi ad verbum trascritte non pure da Lucrezio e da Ennio, ma da Catullo, da Furio, da Pacuvio, da Accio, e da tutti i Latini che ii precedettero. Si vedrà apertamente, che nel passare che fecero sulla bocca di quel divino poeta, ii loro sugo e midollo rimase certamente lo stesso; ma coi cangiare di poche, e bene spesso d'una sola parola, perdendo la rancida parte dei nativo loro inviluppo raddoppiarono lo splendore, e rapirono e rapiranno mai sempre di maraviglia. Una sentenza, un pensiero, un concetto, un'idea qualunque siasi, é dunque come la gemma di Golconda e di Visapur,8 a cui va tolta la scorza e applicata la rota, perché sfolgori ed avverta subito dei suo valore l' occmo di chi la mira .9 Né parmi sano giudizio ii legaria nel ferro, né ii portaria grezza nel dito, aspettando che ii riguardante pigli la lente e la trutina 10 per apprezzarla . Odo obbiettarmisi ii detto già divulga to d'un grande ingegno: pensar li fo. 1I Colla fronte per terra rispondo: Ii filosofo fa pensare, il poeta fa sentire. E l'uomo cessa di sentire quando comincia a ragionare, diceva profondamente Gian Giacomo. Dai fin qui detto, ogni nostro scrittore, che ben intenda l'indole della sua lingua (di questa lingua che, nata divina nella gran mente dell ' Alighieri, e poscia educa ta da cento e dugento altri sommi maestri dei buono stile, non ha bisogno né di puntelli, né di conati, né di caricature ond'essere concisa, forte e magnifica, e che, ben maneggiata da chi ben la conosca e abbondi di gusto, non cede a veruna delle modeme né di vigore né di precisione, e mille volte le supera di dolcezza, di splendore, di colori to, e di maravigliosa flessibilità a tutti i caratteri delle passioni), ogni italiano, io dico, che non voglia rendersi traditore della sua lingua, sentirà I'importanza di dare ai pensiero la piu lucida e libera veste che sia possibile, onde corra spedito, e si apra la via nel santuario dell'anima senza fame strider le porte; intendo dire senza lacerazione d' orecchi. La lingua italiana (e parlo precipuamente della poetica) é la 80 Vl r-ICENZO Mor-m pen amento roubado em plena luz a Ênio e a Lucrécio; e antes de Virgílio o romanos resistiam tanto em acreditar que a entenças de Ênio pudessem er melhorada, vestidas de palavras mais bem e colhidas e mais nítidas, que a todo espantava a paciência de Virgílio em revolver naquele lamaçal. 6 Quanto às lucrecianas, todos as consideravam ótimas e elegantes, e como tais as julgamo nós. Mas tomemos Macróbio' e façamo a comparação das entenças que Virgílio imitou e transcreveu quase ad verbum não apenas de Lucrécio e de Ênio, mas de Catulo, de Fúrio, de Pacúvio, de Ácio e de todos os latinos que o precederam. Ver-se-á claramente que na passagem pela boca do divino poeta, o sumo e a polpa permaneceram certamente os mesmos; ma com a mudança de poucas e muitas vezes a de uma única palavra, perdida a porção rançosa de seu invólucro original, redobraram o esplendor, enlevam e enlevarão sempre pela beleza. Uma sentença, um pensamento, um conceito, uma idéia qualquer é como a jóia de Golconda e de Visapur,B de que se retira a cro ta e se aplica o polimento, para que fulgure e assinale de pronto o seu valor aos olhos de quem a contempla. 9 ão parece de bom juízo encastoá-la no ferro, nem usá-la em estado bruto no dedo, e perando que quem a vê tome da lente e da balança lO para ap reciá-la. Ouço a objeção do dito bem conhecido de um grande intelecto: faço-os pensar. 1I Humildemente, respondo: o filósofo faz pensa" o poeta faz ouvir. E O homem deixa de ouvir quando começa a raciocinar, dizia com profundidade Gian Giacomo. Para o fim aqui expo to, cada um dos nossos escritores, que bem compreenda a índole de sua língua (desta língua que, nascida divina na grande mente de Alighieri e depois cultivada por cem e duzentos outros grandes mestres do bom estilo, não carece nem de escoras, nem de esforços inúteis, nem de caricaturas para ser concisa, forte e magnífica, e que bem manuseada por quem bem a conheça e tenha gosto em abundância não perde para nenhuma das modernas nem em vigor nem em precisão, e mil vezes as supera em doçura, em esplendor, em colorido, e em sua maravilhosa flexibilidade a toda as facetas das paixões), cada italiano, digo, que não queira tornar-se traidor de sua língua, saberá da importância de dar ao pensamento a mais lúcida e liberta ve timenta pos ível, onde ele corra veloz, e e abra o caminho para o santuário da alma sem fazer ranger as portas; quero dizer, sem ferir os ouvidos. A língua italiana (e falo especificamente da poética) é a CLASSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A:-'TOLO(.I ,\ BIUI\GLE/ l rAIIA\,(>- PoRrL(oLi, 81 Giunone d'Omero. Grandi occhi, forme maestose, incesso regale, e paludamento di porpora. La degraderebbe ii velo lascivo di Taide, ma la deturperebbe I'ispido saio di Diogene; e i nostri padri ci hanno lasciata immensa ricchezza di finissime lane per ben vestiria. Basta aver tatto, e saperle scegliere; e sempre bene si sceglierà, se la passione verrà dai cuore, non dalla testa. Applicando questi principii ai primo nostro proposito, non dico io già che ii verso in questione L'ira, o Dea, canta dei Pelide Achille, ben lontano dai meritare disprezzo, non abbia anzi in se stesso, e nel suo spartano andamento una certa aria di gravità che impone rispetto, considerata la sua perfetta corrispondenza coi testo; e confesso di essere stato fortemente tentato di ritenerlo nella mia traduzione. Ripeto soltanto che urtando egli sensibilmente le regole della cadenza italiana e venendo alia testa degli altri, mi fa temere che illettore non si disgusti, e rimanga mal prevenuto sul rimanente. DeI resto, un traduttore di piu coraggio che non son io, e che niente si curi di presentarsi bruscamente aI suo giudice, ben certo di ricuperarne in appresso la grazia coll'evidenza e la severità d'un poetare caldo e maschile, un tal traduttore puo dispensarsi, mi credo, da questi scrupoli. Ma io e per la coscienza della mia debolezza, e per quell'odio mortale che Virgilio mi ha inspirato contro ii verso privo di numero, e pel timore che gli orecchi italiani non mi sappiano perdonare ai primo aprire di bocca un'intonazione viziosa con una lingua tutta armonia, io lascerb gridare la logica, considerando che la poesia non é tutto affar di ragione, ma di ragione e di senso nel tempo stesso; e, seguendo la voluttà delI' orecchio, daro bando ai verso in contrasto, ricordandomi le brutte bocche di Minerva che suona la piva l2. Ma la natura dell'endecasillabo italiano, piu assai ristretto che I' esametro greco e latino, non consente che ira, canta, e Dea coi resto deI PeIide Achille si conservino dentro i confini d'un solo verso senza cadere in quella spiacente monotonia. Parmi adunque indispensabile cosa ii disgiungere queste tre idee, e portarne una ai secondo colla minore offesa dei gusto che sia possibile. Di molte guise, con che ho adempiuto questo traslocamento, sottopongo alia perspicacia dei mio lettore le due che mi sono sembrate le meno infelici, e aggiungero sopra di esse le mie censure. 82 Juno de Homero. Grandes olho, formas majestosas, andar real, e manto de púrpura. Degrada-la-ia o véu lascivo de Taí , mas a deturparia o tosco hábito de Diógenes; e os no so pais no deixaram uma imensa riqueza de finíssimas lãs para bem vesti-Ia. Basta ter tato e aber escolher; e empre se escolherá bem se a paixão vier do coração, não da cabeça. Aplicando estes princípios ao nosso propósito primeiro, não afirmo de pronto que o verso em que tão A ira, ó Deusa, canta do Pélida Aquiles bem longe de merecer desprezo, não tenha em si mesmo, e em sua cadência e partana um certo ar solene que impõe re peito, con iderada a perfeita correspondência ao texto; e confe o ter ido fortemente tentado a conservá-lo em minha tradução. Reitero apenas que ao chocar- e um tanto com a regras do ritmo italiano, e por me ocorrerem outros, ele me faz recear que o leitor sinta aversão e se indisponha frente ao restante. Por outro lado, um tradutor de maior coragem do que eu, e que não se importe de apresentar-se bruscamente diante de eu juiz, bem seguro de obter de pronto a graça com a clareza e a segurança de um poetar quente e masculino, um tal tradutor pode dispensar-se, creio, desse e crúpulos. Porém eu, pela con ciência dessa minha fraqueza, pelo ódio mortal que Virgílio me inspirou ao verso privado de ritmo, e por temer que os ouvidos italianos não me possam perdoar numa enunciação primeira uma entonação que e contraponha a uma língua toda ela harmônica, permitirei que grite a lógica, levando em conta que a poe ia não é toda questão de razão, mas de razão e de sentido ao mesmo tempo; e acompanhando a vontade dos ouvido, anunciarei um ver o em contraposição, recordando as feias bocas de Minerva ao fazer soar a cornamusaY Ma a natureza do hendecas ílabo italiano, bem mai restrito que o hexâmetro grego e latino, não consente que ira, canta, e Deu a com o Pélida Aquiles restante e mantenham nos limite de um só ver o sem cair numa desagradável monotonia . Parece-me portanto indispensável de membrar estas três idéia , e pa ar uma delas ao segundo com a menor ofen a possível ao gosto. Das muitas maneira em que levei adiante esta tran locação submeto à perspicácia de meu leitor as duas que me pareceram menos infelizes, e juntarei a elas a minha críticas. CLAS IC():, DA 1 EORIA DA TRADLÇÀO· A\ Tlll(l('I.\ BII N;lI / 11 \11."n·l'oR1L(.1I' 83 L'ira mi canta dei Pelide Achille sterminatrice, o Dea. ln questa versione ela Dea, che dai primo verso salta ai secondo. Tutte le altre parole sono alla testuale loro ituazione, I'addiettivo sterminatrice l.l, oltre ii rispondere pienamente all'omerico, ritiene anche I'andamento dei testo con la franca trasposizione che Omero gli ha data, e che ii bell'idioma italiano egregiamente comporta, e venustà n'acquista e vigore. Ma quella Dea dilungasi troppo dai posto in che l'impeto naturale dell 'invocazione la collocava. Se ne sente lo stento; e cio basti per eliminare questa versione. Piu disinvolta ed ingenua giudico la seguente Cantami, o Diva, dei Pelide Achille I'ira funesta. Qui I' ira perde, gli é vero; la sua preeminenza; ma I'idea che prende ii suo luogo equella dei canto, idea cardinale ancor essa, e la prima che dà cominciamento alla sempre bella Gerusalemme. COSI Orazio nella Poetica 14 , traducendo per incidenza la protasi dell'Odissea, sbalza via dai primo posto I'idea dell'Eroe per sostituirvi quella dei canto: Dic mihi, Musa, \·irum. L'oraziano Dic mmi, Musa, nell'Odissea é a capello ii mio Cantami, o Diva, nell'Iliade. L'addiettivo funesta sembrerà che non vaglia a tutto rigore quello d'Omero, ma ii vale certamente piu che I' atroce, ii cru dele, ii fatale prescelto da altri traduttori di grido. Anche ii Salvini 15 I'ha preferito. Un amico di squisitissimo gusto, ii professor cavo L. Lamberti 16 , in vece d' ira funesta, mi suggeriva ira omicida, e ii consiglio di un tanto conoscitore della nostra lingua ha per me molto peso. Ma due ragioni mi dissuadono. E la prima si eche adoprando ira omicida, ii contenuto dei terzo verso mandà all'Orco anzi tempo molte anime forti d'Eroi, diventerebbe nulla piu che una ripetizione e un commento della stessa idea. La seconda é poi che funesta nel suo vero significa to vale afferens funus, mortifera, portante strage e ruina. Cicerone, che ben ponderava le sue parole, non seppe dare altro epiteto che questo alla mannaia omicida di Verri: Qui ad C. Verris nefandam immanitatem, et ad eius securem funestam serl'ati sunt, e funesta latrocinia chiamo i rubamenti fatti con uccisione. 8.t A ira canta-me do Pélida Aquile exterminadora, ó Deusa. esta versão é Deusa que do primeiro verso salta ao segundo. Todas a demai palavras e tão em sua posição textual, o adjetivo exterminadora l.l , além de corresponder plenamente ao homérico, retém também o andamento do texto com a franca transposição que Homero lhe deu, que o belo idioma italiano egrégio comporta, e adquire venustidade e vigor. Porém Deusa distancia-se muito do lugar em que o ímpeto natural da invocação a situava. Percebe-se a debilidade; e isso basta para eliminar esta versão. Julgo a seguinte mais de envolta e ingênua Canta-me, ó Diva, do Pélida Aquiles a ira funesta Aqui, a ira perde, é verdade, a sua preeminência; mas a idéia que toma o seu lugar é a do canto, idéia também fundamental, e a primeira que dá início à sempre bela Jerusalém. Assim, Horácio, na Poética I., traduzindo como acessório a próta e da Odis éia, tolhe do primeiro plano a idéia do Herói para substituí-Ia pela do canto: Dic mihl~ Mu a, I'irum. O horaciano Dic mihi, Musa, na Odisséia é precisamente o meu Canta-me, ó Diva, da Ilíada. O adjetivo fune ta parecerá não valer rigorosamente o de Homero, mas vale certamente mais que o atroz, o cruel, o fatal escolhidos por outros tradutores notórios. Mesmo Salvini 'i o preferiu. Um amigo de finí imo gosto, o professor Cavalheiro L. Lamberti '6 , em vez de ira funesta, sugeriu-me ira homicida, e o conselho de tão grande conhecedor da nos a língua tem para mim muito peso. Mas duas razõe me dissuadem. E a primeira é que ao adotar ira homicida, o conteúdo do terceiro verso, enl'iou ao Hades ante do tempo muitas almas forte de Herói, tornar-se-á nada mais que uma repetição e um comentário da mesma idéia. A segunda é que funesta em eu verdadeiro ignificado vale por afferens funu , mortífera, portadora de extermínio e ruína . Cícero, que ponderava bem as palavras, não soube dar outro epíteto à lâmina homicida de Verres: Qui ad Verris nefandam immanitatem, et ad eius securem funestam serl'ati sunt, e funesta latrocinia chamou o roubos levados a cabo com morte. U .ASSllOS DA 1 rORIA DA 1 RADLÇÃO - t\, T()1(l(,J \ BILN,L1 / 1r \LI")- P ()RnGLi~ 5 Similmente funeste armi, funesti veleni, fune ste ferite, in vece di mortali, disse Ovidio in piú luoghi; e Lu crezio fune sti campi, le pianure deli' Attica coperte di mortl per pes tdenza, VI,1138-1139: ... Mortjfer aestus finibu' Cecropilis funestos reddidit agros. Ritengo adunque ira funesta perché abbraccia la stessa idea che I' ira omicida senza particolarizza rla, e anticiparmi quella che si sviluppa nel terzo verso. Finalmente la riunione di funesta con ira puo sembrare che diminuisca SI ai sostantivo che all'addiettivo quella vivezza che disgiunti mantengono, I'uno piantato ai principio dei primo verso, l'altro all 'entrar dei secondo. Ma la sintassi n'esce piu semplice, e coi riunire queste due idee toglie loro quell 'aria di fasto e d'orgoglio, che assumerebbero presentandosi separa te. Bene o male ho data ragione dei perché mi sono attenuto a questa versione senza pretendere d'aver fatto meglio degli aItri. Diro adesso ii difetto che parmi di ravvisare in quelle deI SaIvini, dei Maffei, dei Ridolfi, dei Cerati e dei Cesarotti. Lo sdegno canta deI Pelide Achille, o Dea, funesto. (Salvini) Anche ii Salvini ha sentita la necessità di scompagnare le tre idee e1ementari, e trasportame una ai secondo. Etoccato alia Dea l'andarsene dai suo posto; né il Salvini, per mio avviso,l'ha traslocata sgraziatamente. Ma sdegno non mi dipinge quella sregolata perturbazione di anima, che ad occhi chiusi, siccome I' ira, cerca vendetta e fe' dire ad Orazio ira furor brel'is est,17 sentenza ampliata poi dai Petrarca, Ira eun breve furor; e chi nol frena, e, un furor Iungo, IR quale appunto I'ira d'Achille. Lo sdegno insomma é un grado di collera che si puo accompagnare benissimo colla ragione, e sdegno guerrier della ragione 19 cantava I'a nima calda dei Tasso, iI quale sapeva la lingua dei sentimento un po' meglio de' gelati pedanti che 86 VI ;-':CENZo M (l~TI De modo simjla~ funestas armas, fLUlestos I'enenos, funestas feridas, em vez de mortais, disse Ovídio em diversos lugares; e Lucrécio fWlestos campos, as planuras áticas cobertas de mortos pela peste, 1. vt II37: ... Mortifer aestus finibu' Cecropolis funestos reddidit agros. Conservo, portanto, ira funesta porque contém a mesma idéia que ira homicida sem particularizá-la e sem antecipar a que se desenvolve no terceiro verso. Finalmente, a união entre funesta e ira pode parecer que diminua tanto no substantivo, quanto no adjetivo a vivacidade que possuem desmembrados, um, plantado no princípio do primeiro verso, o outro, na introdução do segundo. Mas a sintaxe se revela mais simples, e com a união destas duas idéias retira-lhes o ar de fausto e orgulho que assumiriam se apresentadas separadas. Bem ou mal apresentei a razão pela qual me ative a esta versão sem pretender ter feito melhor do que os outros. Exporei agora o equívoco que penso identificar nas versões de Salvini, Maffei, Ridolfi, Cera ti e Cesarotti. o desdém canta do r eleu Aquiles ó Deusa, funesto. (Salvini) O próprio Salvini percebeu a necessidade de desmembrar as três idéias elementares e transportar uma delas ao segundo. Tocou a Deusa mover-se de seu lugar; nem Salvini, a meu ver, a translocou desprovida de graça. Porém desdém não me retrata a desregulada perturbação da alma que de olhos cerrados, como a ira, busca vingança e fez Horácio di zer ira furor brellÍs est11 ; sentença depois ampliada por Petrarca, Ira é um breve furor; e a quem não a freia , e um furor prolongado, I precisamente como a ira de Aquiles. Em suma, o desdém é um grau de cólera que pode muito bem acompanhar-se da razão, e desdém g uerreiro da ra zão N cantava a alma ardorosa de Tasso, que conhecia a língua do sentimento um pouco melhor que os pedantes gélidos CI ÁSSICOS DA TEORI A DA TRADCÇÃO - A '\TllI (1<...1 ,\ BII.lr\(,UL/ IT \ LI \ '\o- PC1RTLLUÉS 87 lo trazia va no. L' ira ai contrario perde affatto di vista i confini della ragione, esta su quelli della forsennatezza. Quam bene Ennius iram illitium esse dixit in aniae, scrivea Cicerone nel quarto delle Tuscolane; e quando noi impropriamente diciamo ira di Dio, noi facciamo a rigor di termini un matto oltraggio alia divinità inacce sibile ad ogni perturbazione. Canta lo sdegno dei Peliade Achille, o Diva, atroce sdegno. (Maffei)20 L'autorità di tant'uomo non mi toglie ii coraggio di dar ai suo sdegno I'eccezione già data a quello dei Salvini. L'addiettivo atroce e infedele, né porta esizio e ruina come l'omerico. Ardisco ancora chiamar viziosa la ripetizione di sdegno. La protasi dev'essere semplicissima, e un artificio rettorico non puo che guastarla. on com prendo poi ii perché dei Peliade in vece di PeJide. Forse ii Maffei l'avrà messo per mutar qualche cosa ai verso salviniano copiato di netto, o piuttosto per grecizzare. Ma Pelides dissero sempre tutti i Latini, e Pelide gti eredi legittimi dei Latini, i poeti italiani, come Alcide, Atride, Tidide, da Alceo, Arreo, Tideo, e via discorrendo. Se inoltre Fedro e buon giudice, Peliadee generato non di Peleo, ma di Pelia padre di quelle stolte che, ingannate da Medea, fecero in pezzi quet misero. Ecco ii testo di Fedro, 1. 4, favo 7: Namque et lIperbi luget Aeetae domus, et regna Peliae seelero Medeae jaeent, quae saevlIm ingenium variis involvens modis, illie per artus fratris explieuit fugam, hie eaede patris Peliadum infecit manus. Ho riportato intero ii passo di Fedro per notare alia parola Pelias due errori dei Forcelin ~1 da non tacersi . E I'uno si e I'aver egli preso queste Peliadi per figlie di Peleo, e, cio ch'e piu strano, t'aver in prova citato I'esempio di Fedro, che evidentemente le denota per figlie di Pelia, ricordando la paterna toro carnificina. L'altro e I'erronea interpretazione ch'egli dà a quel verso d'Ovidio 88 que o torturavam . A ira, ao contrário, perde de vista os limites da razão, e situa-se nos da loucura . Qllam bene Ennills iram initium esse dixit insaniae, escrevia Cícero no quarto livro das Tu caianas; e quando impropriamente dizemos a ira de Deus, cometemos pelo rigor dos termos um ultraje à divindade inacessível a toda perturbação. Canta o de dém do Pelíade Aquiles, ó Diva, atroz desdém. (Maffei)20 A autoridade de um homem tão importante não me tolhe a coragem de fazer a esse desdém a objeção já apresentada ao de Salvini. O adjetivo atroz é infiel e não porta destruição e ruína como o homérico. Ardo por chamar viciosa a repetição de desdém. A prótase deve ser simplís ima, e um artifício retórico pode apenas enfeiá-la. Depois, não compreendo o porquê do Peiíade em vez do Pélida. Talvez Maffei o tenha introduzido para modificar alguma coisa no verso salviniano copiado por inteiro, ou quem sabe para grecizar. Porém Pelides disseram sempre os latinos, e Pélida os herdeiros legítimos dos latinos, os poetas italianos, como Álcida, Átrida, Tídida, de Alceu, Atreu, TIdeu e assim por diante. Se, por outro lado, Fedro é bom juiz, Pelíadese origina não de Peieu, mas de Peiia, pai daquelas tolas que, enganadas por Medéia, fizeram em pedaços o infeliz. Eis o texto de Fedro, 1. 4, fáb. 7: amque et superbi luget Aeetae domu , et regna Peliae scelero Medeae jacent quae saevum ingenium variis involven modis, illic per artus fratris explicuit fugam, hic caede patris Peliadum infecit manus. Reproduzi inteira a pas agem de Fedro para assinalar na palavra Peiias dois erro de Forcellini 21 que não podemos calar. Um é ter ele tomado e ta Pelíades por filhas de Peiea, e, o mais estranho, ter como prova citado o exemplo de Fedro que claramente os aponta como filhas de Pelia, evocando a carnificina paterna. O outro é a interpretação equivocada que confere ao verso de Ovídio cLAsslCOS DA TEOIHA DA TRADUÇÃO· A "roIlX;IA BILi'CLI/ IT.\IIN,o- PORfLccto, 89 Transeat Hectoreum Pelias hasta latus: hoc est, spiega ii Forcellini, hasta Achillis, fi]ji Pelei, avendo prima annunziato che Pelias e patronomico femminino derivativo di Peleo. Falsissimo. L'addiettivo Pelias colla prima sillaba lunga (a differenza deI sostantivo PeUas padre delle Peliam d1e la contrae)viene da Pelion, monte celebre neUa Tessaglia sul qual e fu tagliata l'asta d' Achillell. Quindi Pelias hasta da Pelio non da Peleo. Omero ci spiega tutta questa faccenda nel 1,6 deU' fliade, descri vendo Patroclo che si veste l'anni d' Achille: ... Alfin prese, atte ai suo pugno, valide lance, ed unica d' Achille l'asta non prese, immensa, grave e salda, cui nullo palleggiar Greco potea, tranne iI braceio aehilléo, massieeia antenna 3 sulle cime dei Polio un di recis/ daI buon Chirone, ed a Peleo dona ta perehé fosse in sua man strage d'Eroi. Per la stessa ragione Pelias arbor fu detta da Ovidio, e Pelias Pinus da Stazio la nave degli Argonauti perché costrutta coI materiale deI monte Pelio. Vedine gli esempi citati daI medesimo Forcellini, di cui protesto aver notato gli abbagli per solo amore di questi studii delicatissimi, non mai per difetto di riverenza aUa memoria d'un uomo, di cui nessuno ha maggiormente beneficato le lettere. Tomo aI Maffei. Questo incomparabile ingegno non ci ha data che la traduzione deI primo e secondo libro deli' Iliade, ed evoce ch'egli vi si accingesse per contrapporla alia Salviniana. Se tale fu ii suo divisamento, iI Maffei non ecaduto per vero nelle frequenti bassezze deI traduttor fiorentino; ma io cerco pure nei versi deI Veronese I'aura omerica, e non la trovo. Maffei protesta che la versione deI secondo libro, iI piu scabroso di tutta l'Iliade, non gli costa che otto giorni. Ha dunque pronuncia to egli stesso la sua condanna. ln poesia far presto e bene né Apollo né Ciove a ingegno umano iI concedono. 90 VII\:CENZO M OI\:TI Transeat Hectoreum relias ha ta latu ; hoc e t, explica Forcellini, hasta Achillis, {ilii Pelei, tendo primeiro anunciado que Pelias é patronímico feminino derivado de Peleo. Falsíssimo. O adjetivo Pelias, com a primeira sílaba longa (diferente do substantivo Pelias, pai das Pelíades que a contraI), vem de Pélion, monte famoso na Tessália no qual foi talhada a lança de Aquile :!2 . Assim, Pelias hasta de Pelio não de Peleo. Homero explica todo este assunto no I, 6 da ilíada, descrevendo Pátrocle que veste as arma de Aquiles: ... Por fim tomou, adequados ao seu punho, dardo poderosos, e de Aquiles somente a lança não tomou, imensa, pesada e rígida, que nenhum grego podia empunhar a não ser o braço aqui leu, haste maciça '1 sobre o cume do Pélion um dia talhadapelo bom Quíron, e a releu entregue para que fos e em suas mão exterminadora de Heróis. Pela mesma razão Pelias arbor foi chamada por Ovíctio, e PeJias Pinus por Estácio a nave dos Argonautas porque construída com material do monte Pélion. Vejam os exemplos citados pelo mesmo Forcellini, de quem declaro ter notado os erros somente pelo amor a esses estudos delicadíssimos, não por fa lta de reverência à memória de unl homem que beneficiou mais do que ninguém as letras. Volto a Maffei. Essa inteligência incomparável deu-nos apena a tradução do primeiro e egundo livros da lIíada, e diz-se que a preparou para contrapô-la à salviniana. Se tal foi seu propósito, Maffei na verdade não caiu na freqüentes baixezas do tradutor florentino; porém busco ainda nos versos do veronês a aura homérica e não a encontro. Maffei afirma que a versão do segundo livro, o mais escabroso de toda a Ilíada, não lhe custou mais do que oito dias. Assim, sentenciou ele próprio a sua condenação. Em poesia fazer com pressa e fazer bem nem Apolo nem Júpiter concederam à inteligência humana. elA SICOS DA TEORIA DA 1 RADL'çAo - A 'TlllCO\ BII "<U/ IT,\II."o- I\1Rl LeL h 91 Canta, o Dea, I'ira dei Pelide Achille, ira fatale. (Ridolfit Scorgo due vizi in questa versione. E deI primo ho già parlato aI principio di queste Considerazioni; dell'a ltro, che e la figura di ripetizione, nell'articolo superiore25 . é mi aggradisce l'addiettivo fatale. Questo vocabolo ha due tagli, perché risveglia l' idea deI danno egualmente che l'idea della salvezza coll'intervento d'un decreto deI Fato per l'una o per l'altra di queste due cose. Fatali a Troia erano le frecce di Filottete, e fatale ii simulacro di Pallade, quelle per distruggerla, e questo per conservaria. Ma in quel simulacro, dei pari che in quelle frecce, mi corre subito alla mente l'idea dell'oracolo che cosi ha profferito. Or dov'e l'intervento dei Fato nell'ira d' Achille ? Comprendo che, giusta ii com une modo d'intendere, ira fatalee un'ira che porta danno. Cio non toglie ii desiderio d'un vocabolo piu corrispondente a quello d'Omero, e giudico sempre doversi accordare ad un traduttore la libertà di allontanarsi dai rigore dei testo fuorché nelle idee fondamentali. L'Ilia de dei Ridolfi e senza nervi, senza calore, ma fluida , casta, fedele e scevra da pretensione. Dei figlio di Peleo le smanie, o Diva, canta, e I'ira crude I. (Cerutit Chi non sente l'infinito ridicolo di quelle smanie ha sul capo la maledizione d'Apollo e di tutte le nove Muse. Anche l'ira crudel e degna d' Arbace, e vale un gorgheggioY L' lliade dei Ceruti e tutta zeppa di queste lascivie drammatiche, che Dio perdoni a chi se le gusta. ° Dei figliuol di Peleo, d' Achille, Diva, cantami I'ira, ira fatal. (Cesarotti)28 II nome dell'immortale traduttore di Ossian suona si alto, che anche de' suoi difetti, ove pure sien tali, convien parlare con riverenza. E ii Cesarotti, che a migliaia e senza pietà ha nota to quelli d'Omero, il Cesarotti stesso m'insegna che si puo esser grande e peccare tutto ad un tempo. Apriro dunque liberamente la mia opinione, e l'onesta mia libertà mi renderà, ne son certo, piu degno deU'arnicizia di cui mi onora. 92 Canta, ó Deusa, a ira do Peleu Aquiles, Ira fatal. (Ridolfi/ ' Identifico dois vícios nes a versão. E do primeiro já falei no início destas Considerações; do outro, que é a figura da repetição, no parágrafo precedenteL' . em me agrada o adjetivo fatal. Este vocábulo tem duas vertente porque de perta a idéia do dano e igualmente a idéia da salvação com a intervenção de um decreto do De tino num ou noutro destes dois sentidos. Fatais para Tróia eram as flechas de Filocteto, e fatal a imagem de Palas, aquelas para destruí-la, esta para conservá-la. Mas pela imagem, bem como pelas flechas, me vem de súbito à mente a idéia do oráculo que assim profetizou. Ora, onde está a intervenção do De tino na ira de Aquiles? Compreendo que de acordo com a maneira costumeira de entendê-la ira fatal é uma ira que cau a dano. Isto não suprime o desejo de um vocábulo que corresponda melhor ao de Homero, e acredito que se deva sempre conceder a um tradutor a liberdade de se distanciar do rigor do texto, exceto nas idéias fundamentais. À Ilíada de Ridolfi falta tensão, falta calor, embora eja fluida, casta e isenta de pretensão. Do filho de Peleu a inquietações, ó Diva canta, e a ira cruel. (Ceruti)16 Quem não percebe o infinito ridículo dessas Í11quietaçàes tem sobre a cabeça a maldição de Apolo e de todas as nove Musas. Mesmo a ira cruel é digna de Arbace, e vale um gorgeioY A Ilíada de Ceruti é toda enxertada de sas lascívias dramáticas, e Deus perdoe a quem elas agradam. Do filho de Peleu, de Aquiles, ó Diva Canta-me a ira, ira fatal. (Cesarottit O nome do imortal tradutor de Ossian reverbera tão alto que mesmo de seus defeitos, onde de fato existam, convém falar com reverência. ECesarotti, que aos milhares e sem piedade notou os defeitos de Homero, o próprio Cesarotti me ensina que se pode ser grande e pecar ao mesmo tempo. Exporei, portanto, livremente a minha opinião, e a minha liberdade honesta me fará, tenho certeza, mais digno da amizade com que ele me honra. CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO· A,roLOCIA BILi'GLE/ 1f\LI .\Ncrl'oRrUGuts 93 Fermo nella entenza che la proposizione dei poema debba andar nuda e semplice quanto ma i,2<J trovo la ripetizione cantami f'ira, ira fatal, lontana da questa inculcata semplicità; e un tale raddoppiamento, che altrove avrebbe pur della grazia, dubito che qui non la perda, scoprendo I'arte dei poeta in un punto, in cui ebene ii nasconderla. é aprei commendare quel genitivo triplicato dei primo verso; e fosse anche semplice, non 50 se un genitivo possa dare buon cominciamento a un poema, ameno che non si abbia per bello I' inferni raptoris equos di Claudiano, che, prendendo a cantare profundae funonis thalamos, 3o ti pianta per primaria un'idea secondaria e momentanea, i cavalli di Plutone. Direi pure che ii primo ver o pro rompe troppo sfarzoso. Ma disdice a un minore ii fare piu oltre iI pedante aI maggiore; e in ogni conflitto d'opinione non eii ragionamento, ma iI sentimento che mette fine a tutte le dispute. La somma intanto dei mio discorso si equesta: tradurre la protasi delI' JIiade, conservare l'economia dei testo, eguagliarne la sublime semplicità, e contentare la critica, giudico ch'ella sia per poeti italiani opera disperata. E tante ciance intorno a SI poca lana? dirà taluno dei nostri venticinque mila sciorinatori di rime a suon di boccale. E ciance veramente sono state sempre chiamate queste cure dell'arte dagli ciaurati che della lingua di Ciove31 fanno una lingua di ciurmadore. Ma Orazio grida Hae nugae seria ducent ln malã12 se si trascurano, e queste sono le ciance che han fatto i versi divini di Virgilio e Racine. Havvi un giudice ignora to dall'armento poetico, un giudice inesorabile, che chiamasi Custo, iI quale condannà un tempo ii padre della romana eloquenza a stillarsi per piu giorni ii cervello sulla scelta d'un 010 vocabolo, e iI piu perfetto di tutti i poeti a lambire more atque ritu ursinou i suoi versi. Crazie ai buon genio italiano, la mia nazione, malgrado la sua moita quisquiglia, non eSI povera di eccellenti poeti, come tutto giomo si stampa. Scrivo per questi soli, espero che ii segreto delloro cuore sarà d'accordo coi mio. Considerazioni sul/a diffico/M di ben tradu rre la prota i del/'lIiade. - Queste considerazioni furono pubblicate coi primo libro deli' lIiade tradotto dai Monti, con la 94 E tou certo em afirmar que a oração do poema deve ser a mai s nua e simples pos íveF9, julgo a repetição canta-me a ira, ira fatal distante des a forçada simplicidade; em uma tal duplicação, que em outro lugar poderia ter sua graça, duvido que aqui não a perca, expondo a arte do poeta num ponto em que convém ocultá-la . Nem aberia recomendar aquele genitivo triplicado do primeiro ver o; e ainda que fo se simples, não sei se um genitivo pos a dar bom início a um poema, a meno que não se tenha por belo o inferni raptoris equos de Claudiano que encetando cantar profundae funonis thalamos1O semeia como primária uma idéia secundária e momentânea, os cavalos de Plutão. Direi também que o primeiro ver o irrompe por demais opulento. Porém é impróprio para um menor continuar a se fazer pedante para com o maior; e em cada conflito de opinião não é a razão, mas o sentimento que põe fim a toda disputa. Entretanto, a síntese do meu discurso é esta: traduzir a prótase da Ilíada, conservar a economia do texto, igualar sua sublime simplicidade, e contentar a crítica, julgo que seja para poeta italianos obra sem esperança. E tanta tagarelice por tão pouco? dirá um do nossos vinte e cinco mil ostentadores de rima em quantidade. E tagarelices realmente foram sempre chamados estes zelo pela arte por parte dos infelizes que fazem da língua de Júpiter'! uma língua de impostores. Porém Horácio brada Essas ninharias o levarão a gral'es males1! e descuidam-se, e estas são as tolices que fizeram o versos divinos de Virgílio e Racine. Há um juiz ignorado pelo grupo poético, um juiz inexorável que se chama Gosto, que condenou um dia o pai da eloqüência romana a quebrar a cabeça durante muitos dias pela escolha de um só vocábulo, e o mais perfeito de todos os poetas a lamber more atque ritu ursind3 seus versos. Graças ao bom gênio italiano, a minha nação, malgrado suas muitas intrigas, não é tão pobre de excelentes poetas como todo dia se propaga. E crevo para estes somente, e espero que o segredo de seu coraçõe esteja em conformidade com o meu. Tradução: Paulo Schiller Considerações sobre a dificuldade de bem tradu zir a prót,lse da Ilíada - Estas con iderações foram publicada com o primei ro li\'ro da J/íada traduzido por lonti, com ClA SICOS DA TEOR IA DA TRADUÇÃO - A'WLO( .IA BILlMU / 1r I 1.I,"O-PORTlJGLt., 95 traduzionc dei Foscolo e quella in prosa dei Cesarolti (Brescia, 1807). I. "Sesto Empirico contra i Gramma tici, cap. 6, c la nota che I'accompagna"[nota d. A.I· Dico in certo modo; perché volcndola definirc piú rigorosamente, direi: la poesia ela ragionC' personiFica/a. Gli é piuttosto I'arte di dar persona ai pcnsieri, di alluminarli, colorirli, dipingerli, arrnonizzarli collc parole, che sono I'abito e ii simulacro degli tcssi pensieri, I'artc in somma dclla versificazione, che puo chiamarsi musica delle idee. Per questo musicus pes fu delto ii piede dei \'erso (Diomed., I. 3, p. 41 ); c applicare se ad studium musicum, cioe alia poesia, dis e Terenzio ncl prologo dei Punitor di se stesso; e pen'crso cca nto, poeta e musico, intendcva Cicerone la stessa co anel terzo dcll'Oratore. Che anzi Pindaro ed Orazio e tutti i poeti grcci e latini davano frequentemente ai verso I'assoluto nome di melodia: Dic, age, tibia, Regina longum Calliope meios (Hor., 1. 3, Od. 4): c ii grave Ca tone \'oleva chc tutti gli uomini nel parlare ave sero un poco di melopeia: Omnes qui loquuntur, habere debent quocldam meios. Se piú ne desideri, vedi Ausonio, epi tola 11 e 21 Inota d. AI· Cicerone che ben intendel'a ecc.: Orator, L11 sgg. Catone in Vtica, a. II, sc.9. "Per non indurre so petto che io miri a condannare le trasposizioni , questa nota farã conoscere la mia mente. Le trasposizioni sono attissime senza dubbio a sollevar un'idea, e darle un grado di forza, che in se medesima non avrebbe eSpreS5<1 correntemente: Ambo le mani per dolor mi morsi. Ecco un verso fiero, bellissimo, d'un'armonia che i sente ai fondo dell'anima, e di un gran colorito, che d'una ola pennellata ti fa la pittura dei di pera to Ugolino; e tutto questo in virtú delle due semplicis ime traspo izioni dei verbo e dei caso obliquo. Volete voi troncare a questo verso i suoi nervi? Recidete la trasposizione dei verbo e dite: Mi morsi per dolor ambo le mani. II volete versaccio da colascione? Toglietegli I'una e I'altra traspo izione: Mi morsi ambo le mani per dolore. Le trasposizioni adunque sono spesso la vila dei verso e della sentenza; ma mal adoprate I'uccidono. Vediamolo in questo verso medesimo colle parole divcrsa mente distribuite: Per dolore mi morsi ambo le mani. Qui tanto ii verbo che ii caso obliquo sono trasposti; ma la sentenza ha perduto gran parte dei suo vigore; e perché? perché tutta la sua veemenza, tutta la sua evidenza sta nel verbo mi morsi, coi quale coppia la di perazione. el verso deli' Alighieri per tutto ii tratto ambo le mani per dolor, I'anima dell'a coltante re ta so pesa; e ii cuore palpita nelI'a pettazione, non potendo antivedere che debba succedere di quelle mani, delle quali io posso fare piú usi, solle\'arle ai cielo, cacciarle dentro ai capelli, o portarlc ad altro alto conveniente ai dolore che mi possiede. Viene finalmente quel di pera to mi mors/; e ti sollcva nell'anima tutto in un punto ii fremito dei terrore e della compassione. Otteniamo noi per intero questo patetico colla tra sposizione che abbiamo fatta? No certamente. II verbo adunque mi morsi tra posto nel mezzo della sentenza ne distrugge I'effetto; tra posto alia fine la chiude mirabilmentc e con un tratto di Michelangelo tcrmina ii quadro della dispe razione. Mettiamo adesso questo bcl \'e r o nelle mani d'una sci mia di Dante, o deli' Alfieri. La prima, pcr dargli ii sapore e la patina dell'antico, farà: Ambo le man per lo dolor mi morsi; o per far peggio, 96 a tradução de Foscolo e a tradução em prosa de Cesarotti (Brescia, 1807). "Sexto Empírico contra os gramáticos, cap. 6, e a nota que o acompanha" Inota d. AI. Digo de certo modo porque se quisesse defini-Ia com mais rigor, diria: ii poe~ia é a raZ<'io per onificada. t sobretudo, a arte de dar corpo ao pensamentos, iluminá-los, colori-los, pintá-los, harmonizá-los com as palavras, que são o hábito e o simulacro dos próprios pensamentos, a arte em suma da versificação, que pode ser chamada música das idéias. Por isto, musicus pes foi denominado o pé do verso (Diomed., 1. 3, p. ~18); e dedicar-se se ad studiummllsicllm, ou seja, à poesia, disse Terêncio no prólogo do Punitor di se stesso (O que se pune a si próprio) ; e por verso e canto, poeta e músico, entendia Cícero ii mesma coisa no terceto do Orador. Que também Píndaro e Horácio e todos os poetas gregos e latinos dal'am com freqüência ao verso o nome único de melodia: Dic, age, tibia, Regina longum Cal/iope meios (Hor., 1.3, Od. 4): e o severo Catão deseja\'a que todos os homens tivessem na fala um pouco de melopéia: Omnes qui loquuntur, habere debent quoddam melas. Se desejam mais, vejam Ausônio, epístolas 11 e 21 Inota d. AI· Cícero que compreendia bem, etc.: Orator, LlI, sego Catão em Útica, a.1I, (.9. "Para não levantar a suspeita de que eu pretenda condenar as transposições, esta nota dará a conhecer meu pensamento. As transposições são sem dÚl'ida adequadíssimas para destacar uma idéia e dar-lhe a força que por si mesma não seria comumente expressa. Ambas as mãos pela dor me mordi Eis um verso audacioso, belíssimo, de uma harmonia que se sente no fundo da alma e de grande colorido que de uma só pincelada nos retrata o desesperado Ugolino; e isso tudo em virtude das duas simplíssimas transposições do verbo e do caso oblíquo. Desejam truncar a tensão deste verso? Desfaçam a transposição do I'erbo e digam: Mordi-me pela dor ambas as mãos Desejam um grito gros eiro? Retirem uma e outra transposição: Mordi-me ambas as mãos pela dor As transposições são, portanto, a própria vida do I'erso e da sentença; porém mal empregadas, o matam. Vejamos este mesmo verso com as palanas diferentemente distribuídas: Pela dor mordi-me ambas as màos Aqui, tanto o verbo como o caso oblíquo estão transpostos; mas a sentença perdeu grande parte de seu vigor; e por quê? Porque toda a sua \'eemência, toda sua clareza está no verbo mordi, com que irrompe o desespero. o verso de Alighieri, ao longo de todo o ambas as mãos pela dor, a alma do ouvinte fica em suspenso; e o coração palpita à espera sem poder prever o que vai suceder às mãos, das quais posso fazer outros usos, erguêlas aos céus, enterrá-Ias nos cabelos, ou levá-Ias a um ato diferente que corresponda à dor que me possui. Vem, por fim, o desesperado me mordi, e desencadeia de súbito na alma o frêmito do terror e da compaixão. Obti\'emos por inteiro esse efeito patético com a transposição que fizemos? Certamente não. Portanto, o verbo me mordi transposto ao meio da sentença destrói o seu efeito; transposto ao final a encerra miraculosamente e com o traço de um Michelangelo arremata o quadro do desespero. Entreguemos agora este belo verso nas mãos de um arremedo de Dante ou de Alfieri. O primeiro, para darlhe o sabor e a pátina de antigo, fará: Ambas mãos pela dor me mordi ou para fazer pior, CLÁSSICOS DA TEORtA DA TRADUÇÃO - Ar-.TOLOGIA BILi"GUE/ IT,\lIi\t\()- PoRTUGuLs 97 Per lo dolor le mani ambo mi morsi; e nell'uno o nell'altro caso renderà affettato illinguaggio della pa sione, sempreabborrente dalle maniere di esprimersi riflettute. E la scimia deli' Alfieri? Per troppo cerca re la rapidità dell'espressione lel'erà ad ambo le mani I'articolo, vi caccerà dentro un bell'i' coll'apostrofo, che VOITà dir io, raddoppierà questo pronome per crescere un grado di rabbia all'atto dei mordere, e coi denti stretti dirá: Per dolor ambe mani i' mi morsi, io; ele colon ne si romperanno dai ridere. Se questa nota cadrà sotto gli occhi d'un giovi ne che si eserciti nella difficilissima arte dei ben poetare, I'edrà con che poco si alteri la bellezza delle sentenze, e praesectum decies Câstigabit ad unguem i suoi I'ersi. Concludo. La trasposizione si adoperi, ma sia spontanea e naturale. II troppo studiarla ne fa sentire la ricercatezza, e uno stile ricercato esempre cattivo. Dante ne fa rarissimo uso. Nominativo, verbo, accusativo; ecco ii suo soli to. Enondimeno qual forza, qual precisione l " Inota d. A.]. e al'anli Virgilio . . . slabbio: allusione ai detto attribuito a Virgilio, che "egli raccoglieva tra ii concime le perle di Ennio". Grammatico romano dei V sec. d. nel VI libro di quest'opera. c., autore dei Salumalia: discorre di Virgilio imitatore di Goleonda e di Visapur: nell'lnd ostan. "Escludasi da questa regola genera le la satira e I'epigramma, nei qual i componimenti I'aculeo della sentenza deve pungere di soppia tto" [nota d. A]. 10 lrutina: latinismo per "stadera ". " pensar li fo: verso dei noto epigramma di Alfieri: "Mi trovan duro? Anch'io lo so: - pensar li fo. Taccia ho d'oscuro? Mi schiarirá- poi libertà ". " le brulte bocche . .. piFa: Ovidio, Fasl., vI, 697 sgg. IJ Piú conforme all'interpretazione di tutti gli espositori ed anche piú temperato sarebbe I'addiettivo esiziosâ . Ma esixioso ed esixio, nobi lissi mi latinismi , non hanno ancor conseguito gli onori della Crusca accanto all'esiziale di Frate Giordano. Nondimeno esizioso cd esizio usarono frequentemente icolô Liburnio, Fausto da Longiano, Antonio Olivieri, e ii castiga to autore dei Corligiano, tutti scrittori dei cinquecento" Inota d. A.]. Cosi Orazio nella Poelica: Episl., II, 3, 1-1 I. II grammatico e letterato fiorentino Anton Maria Salvini (1653-1729), autore, tra I'altro, di una versione deli' lIiade. I, II grecisla Luigi L.1mberti (1785-1813), di Reggio Emilia. " Episl., I, 2, 62. Son. Vincilore AIc·ssandro. l' Ger. Lib., XVI, 3-1. !ll L' erudito veronese Scipione Maffei (1675-1755) tradusse i primi due libri deli' lIiade. " II veneto Egidio Forcellini (1688-1768), di cui é ben noto ii Lexicon totius 1alinilalis. 98 Pela dor as mãos ambas me mordi; e em um e outro caso tornará afetada a linguagem da paixão, que sempre tem aversão pelos modos de expressão renetidos. E o arremedo de Alfieri? Por muito buscar a agilidade de expressão retirará de ambas as mãos o artigo, enfiará uma bela mi'as com o apóstrofe, referida a eu, duplicará o pronome para acre centar um grau maior de cólera ao ato de morder, e com os dentes cerrados dirá: Pela dor ambas mi'as mãos me mordi, eu; e as colunas explodirão de rir. Se esta nota cair sob os olhos de um jovem que se exercita na dificílima arte de bem versejar, verá com que pouco se altera a beleza das sentenças, e praesectum decies c8stigabit ad unguem seus versos. Concluo. A transposição deve ser empregada, mas deve ser espontânea e natural. Estudála demais faz notar a busca, e um estilo rebuscado é sempre feio. Dante a utiliza rarissimamente. Nominativo, verbo, acusativo, eis o seu costume. E não obstante, que força, que precisão '" Inota d. A.]. e antes de Virgílio ... lamaçal: alusão ao dito atribuído a Virgílio, de que "recolilia em meio ao esterco as pérolas de Ênio". Gramático romano do séc. V d.e., autor das Satumálias: discorre sobre Virgílio imitador no livro VI dessa obra. de Golconda e Visapur: no Hindustão. "Exclua-se desta regra geral a sátira e o epigrama, composições em que a agudeza da sentença deve lacerar oculta" Inota d. A.] .T. 10 no original italiano - trutina: latinismo para "balança". " pensar é preciso: \-erso do célebre epigrama de Alfieri: "Acham-me difícil 7 Eu também o sei: faço-os pensar. Tacham-me de obscuro? Me esclarecerá a liberdade". 11 as feias bocas ... comamusa: Ovídio, Fast. , vi, 697, sego I) Mais de acordo com a interpretação de todos os expositores e também mais equilibrado seria, destruidora. Mas esixioso e esixio, latinismos muito nobres, não alcançaram ainda as honras da Crusca ao lado do destruidor de Frei Giordano. Todavia, destruidor e destruição foram freqüentemente usados por 'icoli> Liburnio, Fausto da Longiano, Antonio Olivieri, e o irrepreensível autor do Cortesão, todo escritores do "cinquccento". Inota d. A.] Assim Horácio na Poética: Epist., 11,3,141. I' O gramático e literato norentino Anton Maria Salvini (1653-1729), autor, entre outras obras, de uma versão da Ilíada. " o helenista Luigi Lamberti (1785-1813), de Reggio Emilia. Epist., I, 2, 62. " I" Soneto Vincitore Alessandro. ler. Lib., XVI, 3~ . O erudito veronês Scipione Maffei (1675-1755) traduziu os dois primeiros linos da Ilíada. O vêneto Egidio Forcellini (1688-1768) de quem é bem conhecido o Lexicon totius la tinita tis. CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A NTOLOGIA BIUr-:CÜE/ IT.\U Ar-:O-PORTUCUEs 99 L'a/lro é /'erronea eec,: "Questi errori furono corretti dai Furlanetto" (Fornaciari), l1 "Secondo uno coi ia te d'Omero pubblicato dai Villoison, fu alio stesso Achille che ii suo educatore Chirone feee ii dono d'un fra sinocon tutti ancora i suoi rami e le foglie, Minerva ln ri mondo, e ne feee una lancia, c Vulcano l'armo della punta" [nota d, A,I, II veneziano Cristoforo Ridolfi (1730-1 00), l' " nel/'arlic% superiore: nelle idee espostc prima, a propo ito dei Maffei. II torinesc Gioacchino Ceruti (173 -1792), autore di una ver ione dell'l/iade (1787- 9), Arbace" , gorgheggio: personaggio meta tasiano che rappre enta la parte dell'eroe innamorato nell' Artaserse e nel Catone. II Cesarotti, oltre a tentare una traduzione in verso, tradusse in prosa e annoto l' I/iade, rifacendola poi liberamente nel poema La notte d'Ettore. Fermo nel/a sentenza , , , mai: "Eprccetto d'Orazio, Epi 1., 11,3, 136-145" (Fomaciari), 11> Claudiano ccc. : allude ai principio dei Raptu Proserpinae di C. Claudiano (IV sec, d,e.): "Infemi raptoris equos . , ,caligantesque profundae Junonis thalamos" (v\'. 1-3), 1\ língua di GiOl'e la lingua delle Muse, figlie di Giove, Nel Monti c'e sempre questo conceito aulico e aristoeratico della forma poctica, Cfr, Feroniade, canto I, 158-159, 1l Episl., II, 3, 451-~2 11 more . .. ursino: detto di Aulo Gellio, a proposito di Virgilio, oet, Ati., XVII, 10, 2-3. 100 , -o outro é a equil'ocada etc.: "Estes erros foram corrigidos por Furlanetto" (Fornaciari). !1 Segundo um comentarista de Homero publicado por Villoison, foi o próprio Aquiles que o mentor Quíron entregou um freixo com todo os ramos e folha. Minen'a o limpou e fez uma lança, e Vulcano a dotou de uma ponta" Inota d. A·I· O \'cneziano Cristoforo Ridolfi (1730-1800). lO parágrafo precedente. nas idéia antes expostas, a propósito de 1affei. O turincs Gioacchino Cerruti (173 -1792), autor de uma versão da Ilíada (17 7- 9). Arta~e Arbace... gorgeio: personagem metastasiano que fa z a parte do herói enamorado no e no Catão. Cesarotti, além de tentar uma tradução em verso, traduziu em prosa e anotou a Ilíada refazendo-a depois livremente no poema A noite de Heitor. '. Estou certo ... mais: "É preceito de Horácio, Epist., 11,3, 136-145" (Fornaciari). C/audianoetc.: alude ao início do Raptus Proserpinae(O rapto de Proserpina), de C. C1audiano (séc. IV d. C.): "Infemi raptoris equos ... caligantesque profundae Junonis thalamos" (W. 1-3). língua de Júpiter. a língua das Musas, filhas de Júpiter. Em Monti encontra-se sempre este conceito áulico e aristocrático da forma poética. Cfr. Feroníadas, canto I, 15 -159. 1! Epist., II, 3, ~51-2 . More ... ursino: dito de Aulo Gellio, a propósito de Virgílio, CLÁ_StCOS DA TEORIA DA TRADL.:ÇÁO- A'lol oet. Ati., XVII, 10,2-3. 1\ Bu l'CLr/ IT\L1.",,,,PORTLLLE<- 101 Uco FOSCOLO ESPERlMENTO DI TRADUZlONE DELL 'ILIADE EXPERIMENTO DE TRADUÇÃO DA ILÍADA SU LA TRADUZIONE DEL CENNO DI GlOVE SOBRE A TRADUÇÃO DO ACENO DE JÚPITER LETTERA A FRANCESCO SAVERIO FABRE (1814) CARTA A FRANCESCO SAVERIO FABRE (1814) INTORNO ALLA TRADUZlONE DELL' ODISSEA EM TORNO DA TRADUÇÃO DA ODISSÉIA SULLA TRADUZlONE DELLO STERNE SOBRE A TRADUÇÃO DE STERNE UGO FOSCOLO ESPERIMENTO DI TRADUZIONE DELLA ILIADE DI OMERO Un particolare interesse rivestono questi scritti di Ugo Foscolo (1778-1827) sulla traduzione. Einizialmente come traduttore, infa tti , che Foscolo, in sintonia con i contemporanei fermenti dell 'investigazione filo ofica tedesca, acquisisce una nuova con apevolezza deI rapporto intrinseco e necessa rio tra creazione letteraria e la lingua in cui e tata concepita, e rinsalda quella risentita coscienza deI valore assol uto deli' espressione che si riconosce nella sua produzione poetica e critica. La traduzione delI' lliade, infatti, iniziata già negli anni giovanili, lo ved rà impegnato durante tutta la sua vita, né mai sarà portata a termine. ln vita saranno pubblicati appena i suoi "esperimenti"di traduzione deI [0 e deI llJolibro, nel1807 e nel 1821. li testo che segue fa da introduzione ali' Esperimento di traduzione deI/a Jliade di Omero. Principiis omen inesse solei. avido Fas., I. Brescia, per icolo Bettoni, MDCCCVII I Intendimenta deI traduttare GIi uomini nati alie belle arti cerca no in Italia una versione corrispondente alta fama di Omero. II Cesarotti, ingegno sommo de' nostri tem pi, che poteva egregiamente tradurlo, elesse d'imitarlo; e forse fa sospettare che ii pad re de' poeti non risplenderebbe nelle sue bellezze natie. Risplende nondimeno in altre lingue, e credo che I'ltaliana piu ch'altre pos a assumere le virtu di Omero senza studio di ornarle, e i suoi difetti senza timor d'avvilirsi. Pera imprendo a tradurre l' Iliade. Le immagini, lo stile e la passione sono gli elementi d'ogni poesia. - L'esatezza delle immagini Omeriche non pua derivare a chi le copia se non se dalla teologia, dalle ar ti, e dagli usi di quelle età eroiche; ne io scrivo ver o enza prima imbevermi a mio potere delle dottrine di tanti scri ttori intorno ad Omero. Chi mi trovasse 10-! Um FOSCOLO UGO FOSCOLO EXPERIMENTO DE TRADUÇÃO DA IL/ADA DE HOMERO Estes textos de Ugo Foscolo (1778-1827) sobre a tradução se revestem de um especial interesse. De fato, foi como tradutor que Foscolo, em sintonia com os fermentos da investigação filosófica alemã da época, adquire a consciência da relação intrínseca e necessária entre criação literária e língua na qual foi concebida e reforça a percepção do valor absoluto da expressão que se reconhece em sua produção poética e crítica. A tradução da Ilíada, iniciada de fato na juventude, vai ocupá-lo durante toda a vida, sem nunca ter sido concluída. Serão publicadas somente as suas "tentativas" de tradução do I e do III livro, em 1807 e 1821. O texto que segue sen'e de introdução ao Esperimento di traduzione del/a Iliade di Omero. Principiis omen ine se solei. Ovid . Fas., I. Brescia, per icolo Bettoni, MDCCCVII I Nota do tradutor 2 Na Itália, os tradutores que têm pendor poético procuram fazer uma versão de Homero que esteja à altura da fama deste. Cesarotti, espírito excelso da nossa época, que tinha as conctiçàes para traduzi-lo de modo excelente, preferiu imitá-lo, como se, na nossa lingua, o pai dos poetas não dlegasse a resplandecerem toda a sua beleza nativa. Resplandece, no entanto, nas outras linguas, e estou convencido de que o italiano, mais que outros ictiomas, pode incorporar as virtudes de Homero sem precisar orná-las e os defeitos sem temer de se aviltar com isso. Eé por tal razão que resoh~ traduzir a ilíada. As imagens, o estiJoe a paixão são os elementos de toda poesia. Aexatidão das imagens homéricas, por quem se propõe a reproduzi-las, só pode ser derivada da teologia, das artes e dos costumes daquelas épocas heróicas. Assim, eu também não traduzo verso algum sem ter antes procurado assimilar em profunctidade os ensinanlentos dos muitos estuctiosos que escreveram CLÃS ICOS DA TEORIA DA 1 RADUÇÀO - A~ roLOCIA BII "(,li / 1 1·"I.\()- P (1RIlJ;Ü~ 105 in ambiguità I'ascriva in parte alie tenebre di rimotissime tradizioni. - L'armonia, iI moto, ed ii colori to delle parole fanno risultare, parmi, lo sti/e: I'armonia si sconnette nelle versioni, e le minime idee concomitanti d'ogni parola e che sole in tutte le lingue dànno tinte e movimento ai significato primitivo, si sono smarrite per noi posteri con I'educazione e la metafisica di popoli quasi obbliati: i dizionari non ne mostra no che ii vocabolo esamine. 2 Onde io inerendo sempre ai significato mi studio di dar vita alie mie parole con le idee accessorie e con I'armonia che mi verranno trasfuse nella mente dall'originale. Ma varie sono le tempre intellettuali d'ogni uomo; vario ii valore di ciscuna parola, a chi troppo oscurata, a chi troppo magnificata dall'antichità; incostante la pronunzia delle lingue morte; diversi gli organi di tante orecchie nelle quali i versi suonano; quindi opposte sempre le sentenze sulla corrispondenza dello stile ne' traduttori. e io mi lusingo dell'assenso comune; che anzi sospetto d'aver dato ai poeta un andamento piu concitato, ed alia lingua italiana certa affettazione di antichità e di sintassi greca. Ma se i disegni della mente partecipano dei divino, la materia e i sensi con che si ritraggono sono, pur troppo, sempre umani . Per la passione, elemento piu necessario degli altri, e COSI universalmente diffuso nell' I1iade, s'io lasciero freddi i lettori, non sarà colpa delllncertezza deI gusto ne deUe storie, ma tutta mia e deli a natura dei mio cuore, dei cuore che ne la fortuna ne ii cielo ne i nostri medesimi interessi, e molto meno le lettere, possono correggere mai ne' mortali . E perche i principi e gli autori non odono la verità nelle loro stanze, io pubblico questo saggio per valermi delle sentenze de' dotti, e dei sentimento degl'ingegni educati. Ad agevolare ii confronto stampo la traduzione letterale dei Cesarotti postillando i passi ch'io per varietà di lezione o di congetture spiego altramente: le interpretazioni latine sono assai volte inesatte, noiose alia lettura, ne facili a tutti; e i grecisti che volessero giovarmi abbondano di testi . L'esame ch'io fo de' traduttori, che soli fra tanti o per necessità di versione o per favore do scuole evitarono I'obblio, giustificherà, spero I' impresa: continuando, non li nominero piu, che ad ogni modo le altrui colpe non mi sarebbero merito. Ma da quelle versioni, e da' retori e rimatori di quelle età 106 Ueo FC)<,( O[ll sobre Homero; e se alguém me achar pouco daro, deverá em parte atribuir tal resultado à obscuridade com que d1egaram até nós tradições tão remotas. A harmonia, o movimento e o colorido das palavras compõem, penso eu, o estilo. A harmonia desfaz-se nas traduções, e as mínimas idéias acessórias que acompanham cada palavra3 - e que, em todas as línguas, são as únicas responsáveis pela cor e pelo movimento do significado originário - perdemse para nós pósteros, juntamente com a educação e as crenças daqueles povos quase esquecidos. Os dicionários mostram apenas vocábulos exânimes,· de sorte que, ao traduzir, procuro, atendo-me sempre ao significado originário, dar vida às palavras mediante as idéias acessórias e a harmonia que o original me sugere. Mas diferentes são as características intelectuais de cada homem; diferente, para cada um, o valor de cada palavra, depreciada ou enaltecida em demasia em razão da sua antiguidade; incerta a pronúncia das Línguas mortas; diferentes os ouvidos aos quais OS versos soam, de mOOo que as opiniões dos tradutores sobre a justa correspondência do estilo só pOOem ser opostas. Entretanto, nem mesmo se a minha tradução obtivesse un1 consenso unânime pcx:leria ficar lisonjeado, pois tenho a in1pressão de ter in1presso ao poeta un1 ritmo mais intenso do que oseu e, à língua italiana, certa afetação de antiguidade, com o uso de construções sintáticas gregas. Isso porque, se os desígnios da mente participan1 da divindade, a matéria e os sentidos com OS quais, de fato, eles são realizados continuam sendo, infelizmente, apenas humanos. Quanto à paixão, elemento mais necessário do que os outros e presente de maneira tão marcada na Ilíada, se eu deixar os leitores frios, a culpa não será da falta de sensibilidade estética destes nem das histórias do poema, mas toda minha, da natureza do meu coração, do coração que, em nós mortais, nunca a fortuna, nem o céu, nem nossos próprios interesses e muito menos as letras podem chegar a modificar. E uma vez que os príncipes e os autores não têm acesso à verdade se permanecem fechados entre quatro paredes, publico este ensaio para valerme das opiniões dos doutos e do julgamento de intelectuais ilustrados. Para facilitar o cotejo, incluo a tradução literária de Cesarotti, com o comentário daqueles trechos que eu, por basear-me em outra lição ou em conjeturas diferentes, explico de outra maneira: as traduções latinas freqüentemente são inexa tas, enfadonhas à leitura e não fáceis para todos, e os estud iosos de grego que quisessem ajudar-me têm textos em abundância. O exame que faço dos tradutores, apenas daqueles que, entre muitos, não são esquecidos, quer pela necessidade de se ter uma tradução, quer pelo favor que eles encontraram nas escolas, deve justificar, espero eu, o meu empreendimento. CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A' TOLOGI ,\ BllIMoll / ITlII ,,,o- PORTU.LLS 107 parmi, che senza 1'05 ian deI Cesarotti, iI Ciorno deI Parini, l'Alfieri, e Vincenzo Monti la magnificenza della nostra poesia giacerebbe ancora sepolta con le ceneri di Torquato Tasso. Da indi in qua un secolo la inorpello, e l'altro la immiserl: ne mancarono ingegni ; ma le corti, le cattedre de' regolari, e le accademie prevaleva no : quindi moI ti i valenti, rarissimi i grandi. Forse 1'0ssian far à dar nello strano, iI Parini nel leccato, l'Alfieri nel secco, iI Monti nell'ornato; ma le umane virtu non fruttano enza I'innesto d ' un vizio: i grandi ingegni emuleranno; i piccoli scimiotteranno; e i mediocri, ammaestrati dallo studio a giudicare dell'a rte, ma impotenti per natura a conseguiria, si getteranno come corvi sulle piaghe de' generosi cavalli. 108 Uw FCN:OL() Em seguida, não os nomearei mais, pois, de qualquer forma, os defeitos dos outros não reverteriam em mérito meu. Mas examinando tais traduções, dos retóricos e dos rimadores daquela época, acho que se pode tranqüilamente concluir que, sem o Ossian de Cesarotti, o Giomode Parini, sem Alfieri e Vmcenzo Monti, a grandeza da nossa poesia estaria ainda sepultada debaixo das cinzas de Torquato Tasso. De lá para cá, um século vestiu-a de vãos ouropéis, outro a despojou totalmente. Não faltaram homens de talento, mas as cortes, as cadeiras professorais e as academias prevaleceram, de modo que, se houve grande número de literatos de valor, foram raríssimos os realmente grandes. Talvez o Ossian possa inspirar um estilo excêntrico, Parini, afetado, Alfieri, seco, Monti, ornamental, mas as virtudes humanas não frutificam sem o enxerto de um vício. As grandes inteligências por-se-ão a emular, os pequenos a macaquear e os medíocres, treinados pelo estudo a julgar a arte, mas impotentes por natureza para consegui-la, jogar-se-ão como urubus sobre as chagas de cavalos generosos. CLÁSSICOS DA TEORI A DA TRADUÇÁO - A NTOLOGI/\ BILiNCUE/ IT/\L1ANO- PORTUCUÉS 109 SU LA TRADUZIONE DEL CENNO DI GIOVE CONSIDERAZIONI DI UGO FOSCOL03 Testo pubblica to dallo stesso Foscolo in appendice alia traduzione dei 1° libro deli' [/jade, in Esperimento di traduzione della [/jade di Omerodi Ugo Foscolo. Brescia: Nicolà Bettoni, 1807, p.l06-108; poi in Esperimenti di traduzione deJJ'IJiade. Parte Prima. Edizione critica a cura di Gennaro Barbarisi. Firenze: Felice Le Monnier, 1961, pp. 59-69. Applichero iI mio parere intorno alia corrispondenza dello.j stiJe a tre versi di Omero che dipingono la maestà e l'onnipotenza d'Idiio. La sintassi e limpida,le frase schiette di tropi, e tutto vi pare SI evidente, che veruno de' commentatori li tormento. Chi mai troverà in questo quadro difetti da emendare, o nel proprio ingegno beIlezze da aggiungervi? La figura e una, I'attitudine riposata, i movimenti mastosi, I'effetto istantaneo. Ma a ricopiarlo niuno e riuscito, ne riucirà, temo. , KCI KUcvtnOlv tn ' O<!>PUOI VEÜOE Kpoviwv ' AiJf3póOIOI ó' opa xaiTOI tnEppwoavTo ovaKToç Kpmoç ó8avóTolo , iJtyav ó ' tAl\I~Ev "Ol\UiJnov ' ~ H cm' Ecai cyaneesin ep' ophrysi neuse Kronioon: Ambrosiai d'ara chaitai eperroosanto anactos. _ Kratos ap'athanatoio, megan d'elelixen Olympon'. A chi non sa di greco i minimi tuoni deU'armonia si smariscono, perche ai labbro italiano sono ignote le modificazioni deU e vocali ç ~ Õ, Y - LI 00: e deIle consonanti -:-, eh - e th. Chi legge come i greci moderni, o con la scuola Erasmiana sente un'armonia forse migliore, ma certo diversa daIla mia, ch'io attenuo ii suono delle consonanti â, b - ã g - a, d; espesso sciolgo i dittonghi, e li protraggo sempre. A questa varietà d'armonia accidentale s'aggiunge I'altra inerente aIle voei ed ai metro. Tutto ii secondo verso e moIle di vocali; la fine dell ' ultimo ha in se un tremito rapido e violento: la dignità deIl'esametro e appena adombrata neJl 'endecasiJlabo. I I I I 110 Ueo FCJ5(:oLO SOBRE A TRADUÇÃO DO ACENO DE JÚPITER CONSIDERAÇÕES DE UGO FOSCOL05 Texto publicado pelo próprio Foscolo no apêndice à tradução do livro I da Ilíada; ln: Esperimento di traduzione della Jliade di Omem di Ugo Foscolo, Brescia: Niccolo Bettoni, 1807, p. 106-08; posteriormente em Esperimenti di traduzione delf'lliade. Primeira Parte; edição crítica organizada por Gennaro Barbarisi, Firenze: Felice Le Monnier, 1961, p. 59-69. Aplicarei minhas idéias a respeito da justa correspondênda do estilo 6 a três versos de Homero que retra tam a majestade e a onipotênda de Deus. A sintaxe é dara, as frases livres de tropos e tudo se apresenta com tamanha evidênda que nenhum comentarista ousou submeter esses versos à tortura.Quem, com efei to, conseguirá adw neste quadro defei tos para corrigir ou encontrar em sua própria imaginação representações mais belas para serem acrescentadas? A figura é uma só,aatitudeserena,osmovimentosrnajestosos,oefeitoinstantâneo.E,noentanto, até agora ninguém conseguiu reproduzi-lo nem, temo eu, conseguirá no futuro. "H , Koi KUOvtnOIV En' Ó4>PuOI VEÚOE Kpoviwv · A~I1PÓO ó ' opa XOITOI tnq'>pwoavTo OVOKTOÇ Kpmoç ón ' à8avóTOlo , ~tyav ó' tÀÉI~EV · OÀu~nov · Tendo dito estas palavras, o filho de Cronos inclinou a cabeça, o cheiro de ambrosia espalhou-se, as escuras madeixas penderam a cabeça, imortal e ele fez o grande Olimpo treme/ Para quem não conhece grego os tons mínimos da harmonia se perdem, uma vez que o aparelho fonador italiano desconhece as modificações das vogais ç (ê), õ (u), u (ô) e das consoantes -:- (kh), e (th) . Quem lê como fazem os gregos modernos ou conforme a escola erasmiana talvez perceba uma harmonia mais próxima do original, mas certamente diferente da rninha,8 pois eu atenuo o som das consoantes â (b), ã (g), a (d), freqüentemente cindo os ditongos e sempre os arrasto. A esta variedade de harmonia acidental acrescenta-se a outra inerente às vozes e ao metro. Todo o segundo verso é suave em razão das vogais, o final do último contém em si um frêmito rápido e violento, a dignidade do hexâmetro mal se pressente no hendecassílabo, CL.ÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - AI\"TOLOCI,\ BILf'.:ct; E/ ITALL\l\o- PORTUCUÉS 111 [ vocaboli corrispondenti nelle lingue moderne langu iranno sempre per I'impossibilità di trasfondere in essi le minime idee acces orie che animano i greci. KpOVIWV, Saturnio. Kpóvoç suona Tempo; e Saturnio b eccita nel pensiero I'ignota origine de' secoli, la lor uccessione, e illoro termine, illimitato per I'umana immaginazione: quindi I'eternità; quindi ii religio o terrore della mente per questo attributo della divinità, alia quale gli uomini per I'opinione dell'immortalità deli 'anima si credono eternamente soggetti: e i popoli si sono sempre pasciuti di religione, di peranze e di terrore. Aggiungi che a' tempi omerici ii nome Saturnio era pregno di tradizioni teologiche, e della genealogia de' Numi; favole che ad ogni modo rappresentavano immagini, nutrivano passioni, e conferivano alio sti/e poetico. Ma Saturnio nella poesia moderna arà sempre parola esamine. NEÚOC Tutti ripetono che Giove mosse le ciglia: ma Giove non dice egli stesso che ii cenno solenne era fatto dai capo? Ogni moto dei capo si propaga naturalmente alia fronte ed agli occhi. II poeta dunque mostra I'effetto, poiche dianzi ci aveva avvertiti della causa. Pindaro I'imito; ma liricamente tace la causa: Gi'immortaii eon ie sopraeciglia annuirono ai eon iglio di Temide/ a e chi si ricorda d'Omero vede che gli Dei di Pindaro assentirono accennando coi capo. Or traduci ehinare /e ciglia, piegar/e, farfe muovere, inarearie, aeeennare, dar segno, non dipingerai mai ii rapidissimo consenso degli occhi e delle sopracciglia ai moto della testa; ne I' éspressione della fronte, da cui si emana tranquillamente, e s'effettua istantaneamente la volontà deli' onnipossente. KuavEnOlv. 1I poeta dà que to aggiunto anche all'alto mare: Mosco chiama eeruiea la notte enza luna 9: niuno ch'io sappia uso fra ' latini prima di Virgilio lO questo colore per nero; nondimeno la eoeru/ea Mors di Albinovano " ci trae di dubbio sul sen o che allora assegnavamo a questa parola. Ma noi raducendo nera, perdiamo ad ogni modo la grazia dei traslato ele idee concomitanti. Cig/ia eeru/ee e foseo-azzurre nella lingua italiana dis entono dalle immagini umane abbellite da' poeti nella divinità. lo vedo nella parola greca lo splendore che tramanda ii velluto nero che gli artefici imbevono prima di tinte azzurre onde non imprigioni tutti i raggi della luce; ma come tradurla? 112 U,,(l Fo,o(olll Os vocábulos das línguas modernas correspondentes aos gregos parecerão inevitavelmente esmorecidos em comparação a estes, sendo impossível transfundir neles aquelas mínimas idéias acessórias que dão vigor aos termos antigos. - Kpoviwv, filho de Saturno, satúrnio. Kpovoç (Krónos) soa Tempoe Kpoviwv evoca de imediato a origem desconhecida dos tempos, o fluir dos séculos e seu fim, ilimitado para a imaginação humana; faz pensar portanto, na etemidade, no temor religioso que suscita este atributo da divindade, à qual os homens que acreditam na imortalidade da alma julgam estar sujeitos para toda a etemidade - e os povos sempre se têm nutrido de religião, de esperanças e de temor. Acrescente-se a isso que nos tempos homéricos o nome Saturnio estava carregado de tradições teológicas e da genealogia dos deuses, mitos que, de qualquer forma, criavam imagens, alimentavam paixões e condiziam com o estilo poético. Mas na poesia modema Saturno sempre será uma palavra exânime. - NEÚOL Todos repetem que Júpiter franziu as sobrancelhas. Mas não é Júpiter mesmo que diz que o sinal solene foi feito com a cabeça?'! Todo movin1ento da cabeça propaga-se naturalmente à testa e aos olhos. O poeta, portanto,A mostra o efeito, uma vez que, antes, nos tinha dito a causa. Píndaro imitou-o, mas, Liricamente, deixou de anunciar a causa: Os imortais anuíram com assobrancell1as aoconse/ho de Témis, 1O e quem se lembra de Homero vê os deuses de Píndaro anuírem movendo a cabeça. Hoje, pode-se traduzir abaixar os dlios, inclinar ou franzir as sobrancelhas, movê-Ias, acenar ou fazer sinal com a cabeça, mas nunca vai se conseguü pintar o acordo rapidíssin10 dos olhos e das sobrancelhas com o movimento da cabeça, nem a expressão da testa, da qual emana tranqüilamente e se cumpre instantaneamente a vontade do todo-poderoso. - KuavEnmv. Homero usa esse atributo tan1bém para o mar alto;!! Mosca define cerúJea a noite sem luar .!~ Ninguém, que eu saiba, entre os latinos usou esta cor no sentido de preto antes de Virgílio!3 e, no entanto, a coenúea Mors de Albinovano!4 tira qualquer dúvida quanto ao sentido que naquela época atribuíam a esta palavra. Mas nós, ao traduzir 'preto', inevitavelmente perdemos a graça do traslado e as idéias concomitantes. Ciglia cerulee e fosco-azzLlITe [Cílios cerúleos e azul fosco 1, na língua italiana, destoam das imagens hun1anas que os poetas, ao atribuí-Ias à divindade, cuidam de tomar mais belas. a palavra grega eu vejo o brilho que emana do veludo preto, que os tintureiros embebem antes de corante azul para que não absorva todos os raios da luz. Mas como traduzi-Ia? CLAsSICOS DA TEORIA DA TRADt:çAO- '\TOL<~,J I BILI:\cH/ l r IUI'O-PORTLCLL, 11 3 A~póOl. Voce piena di fragranza, di mollezza, e di deità. Virgilio la derivo; 12 ma ne Servi o, grammatico della lingua latina vivente, sa dame idea precisa. Negli antichi l'ambrosia e cibo degli Dei; spesso ne' greci bevanda: talvolta unguento che fa incorrutibili i corpi Y Gl'interpreti tutti a questo luogo si ostinano a tradurre chiome divine, immortah dall'alfa privativo e da âiii"ôüb mortale. Ma questo significato primitivo e generale seconda gli accidenti delle cose alie quali si riferisce Ambrosia spesso si scambia con nettare, e nell ' Iliade le vesti degli Eroi sono nettaree. l-I La veste ambrosia in che fu involto ii cada vere di Achille pare che ardesse colla pira; ls e Silio attribuisce capelli ambrosii a un fanciullo morente. 16 L' olio ambrosio con che Giunone si fa bella per allettar Giove e soave e odoriFeroY La fragranza era a' mortali indizio d'un iddio presente,IS e Ippolito conosce Diana ali' odore celeste. 19 Omero dunque mirava in questi versi a quell'idea religiosa quasi che tutti gli elementi circostanti s'accorgessero della volontà di Giove. II che sento nella voce ambrosia, la quale non per tanto sarebbe indistinta nella lingua italiana, e la perofrasi la stempre rebbe. Ãpo. Particella ridondante che cospira all'armonia rappre-sentativa dei verso. iun interprete la spiega, niun traduttore saprebbe assumerla con garbo. ·AVOKTOÇ . Omero non dà ii titolo di Re che Giove, a Febo ed a pochissimi altri Dei, per eccellenza. oi lo confondiamo con âáóéea o perche non conosciamo la proprietà vera di questo attributo. 20 Kpa róç . Certamente capo; ma la mia fantasia non puo scompagnare da questa voce l'idea della potenza e delta sapienza dettatami dalla stessa voce KPOTOÇ forza, impero assoluto; idea forse deriva ta dalta superiorità delta regione umana. Mtyav. Questo epiteto, che esattamente si traduce grande, ha qui l'idea delt 'immensità, della sublimità, e della solidità dell'Olimpo: pero Virgilio tradusse totum. Ecco le traduzioni e le imitazioni di questi tre versi. Virgilio Annuit et totum nutu tremefecit Olimpum. « 114 Fidia effigiando Giove Olimpio interroga to da che modello UCO FO'COLO - A~pÓOla, ambrosíacos. Voz repleta de fragrância, suavidade e deidade. Virgílio!S a usa, mas nem mesmo Sérvio, gramático da língua latina viva, sabe dar uma idéia exata da sua conotação. Nos antigos ambrosia é manjar dos deuses, para os gregos, no mais das vezes, bebida, mas também ungüento que tomava os corpos incorruptiveis.!6 Os tradutores, todos sem exceção, neste lugar obstinam-se a traduzir cabeleira divina, imortal, em razão do alfa privativo diante de âtiioiià, mortal. Mas este significado primitivo e geral apenas reforça as propriedades das coisas às quais se refere. Ambrosia, freqüentemente, é substituída por néctar, e na ilíada as vestes dos heróis são nectáreas.!7 A veste ambrosíaca em que foi enrolado o cadáver de Aquiles parece que ardeu na pira;!8 Silio atribui cabelos ambrosíacos a um garoto que está morrendo.!9 O óleo ambrosíaco que Juno usa para se embelezar, com o intuito de seduzir Júpiter, é suave e perfumado. 1fJ Para os mortais, a fragrância era indício da presença de um deus2! e Hipólito reconhece Diana pelo perfume celeste.22 esses versos, então, Homero tinha presente essa idéia religiosa, como se todos os elementos circunstantes percebessem a vontade de Júpiter. Eu sinto o mesmo na palavra ambrosia, que não sem razão é indivisível em italiano, perdendo intensidade com a perífrase. - Apo. Partícula redundante que contribui para a harmonia dominante do verso. Nenhum intérprete a explica, nenhum tradutor saberia usá-la convenientemente. - ·AVOKTOÇ. Homero dá o titulo de Rei por excelência apenas a Júpiter, a Febo e a pouquíssimos outros deuses. Nós o confundimos com Âáóéeã õ porque não conhecemos a verdadeira propriedade desse atributo. - KpOTÓÇ. Sem dúvida, cabeça, mas a minha imaginação não pode dissociar deste termo a idéia de potência e de sabedoria que me sugere Saturnio, força, império absoluto. Idéia talvez derivada da superioridade da razão humana. - Mtyov. Esse epíteto, cuja tradução literal é grande, aqui contém a idéia da imensidade, da sublimidade e da solidez do Olimpo. Por isso Virgílio traduziu totum. Vejamos agora as traduções e as imitações desses três versos. Virgílio Anuiu e com tal movimento da cabeça fez tremer todo o Olimpo Macróbio: "Fídias, que devia retratar Júpiter Olímpio, à pergunta CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO· ANTOL .IA BILí GUE/ ITALlANo-PORTUGUÉS 11 5 trarrebbe la divinità, rispo e: da Omero; poiche dalle sopracciglia e dalle chiome di Giove egli avea idoleggiata tutta I'effigie » . Macrobio. Qui e l'onnipotenza senza la maestà. L'originale fa contemplare, l'imitazione immaginare. Virgilio, Orazio,21 e I' Alfieri 22 percotono iI lettore e fanno ammirare ii poeta. Ma in Omero l'autore si nasconde e non si vede che iI quadro. Ovidio Terrificam capitis concussit terque quaterque '1 Caesariem cum qua terram, mare, sidera mOI'it.- II lusso rettorico della chioma che a un tratto sembra iI primo agente ci distoglie dalla sublimità dell'idea. II terque quaterque appone troppa insistenza e troppo stento alia onnipotenza divina. Cunich Sic ait, et capite atque oculis pater annuit: almam Ambrosius f1uxit per frontem et regia crinis Tempora; contremuere arce et culmina Olimpi. Sic ritarda. Capite atque oculis cemail potere divino, emana to daI solo moto deI sopracciglio. Manca iI Saturnio. Pater ha nellatino l'idea della signoria, non dell'impero universale come iI Re nel greco. Crinis in singolare non dipinge le masse di ciocche; e crinis per frontem et tempora adombra troppo iI volto deI Dio. Contremuere, si potrae troppo, e non serba la violenza rapida del'EMAI~(v . Arces e parola qui inopportunamente metaforica, e culmen voce in origine umile, e presentano la stessa idea: ci arrestano sulle vette e ci distraggono daI centro e da' fondamenti deI grande Olimpo. Alegre Sic ait, et quasat caput immortale; per ora Perque humeros f1uxere comae, et tremit altus Olympus. Eccellente modello per uno scultore che volesse effigiare Giove con le spalle rivolte. 116 Uc;oF(XOIO acerca de qual modelo tiraria a imagem da divindade, respondeu: 'De Homero, que traçando apenas as sobrancelhas e a cabeleira de Júpiter chegou a delinear a efígie inteira.' " Aqui há onipotência sem majestade. O original faz contemplar, a imitação, imaginar. Virgílio, Horáci0 23 e Alfieri 24 impressionam o leitor e fazem com que se admire o poeta. Mas em Homero o autor se esconde e vê-se apenas o quadro. Ovídio Três, quatro vezes sacudiu sobre a cabeça a terrível cabeleira); com a qual costuma mover a terra, o mar e as estrelas O fasto retórico da cabeleira que surge como sujeito principal da ação nos desvia da sublimidade da idéia. O terque quaterque atribui insistência e esforço excessivos à onipotência divina. Cunich 26 Assim fala, e o pai anui com a cabeça e os olhos: o cabelo ambrosíaco cai sobre a nobre testa e as têmporas régias; tremeram os bastiões e os cumes do Olimpo Sic retarda, capde atque oculis diminui o poder divino, emanado wlÍcamente do movimento das sobrancelhas. Falta satúmio. Pater, em latim, contém a idéia de 'senhoria', não do império wlÍversal como Ré em grego. CriIlÍs, no singular, não chega a pintar a massa da cabeleira e crinis per frontem et tempora encobre demais o rosto do deus. Contremuere se arrasta demasiadamente e não mantém a violência rápida de EMAIÇEV. Arces, termo inoportunamente metafórico, e culmen, voz originariamente humilde, expressam a mesma idéia, detêm-nos nos cumes e desviam a nossa atenção do centro e dos pés do grande Olimpo. Alegre 27 Assim fala, e sacode a cabeça imortal; sobre a testa e os ombros ondula a cabeleira, e treme o alto Olimpo. Modelo excelente para um escultor que pretendesse representar Júpiter de costas. ( I.ASSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A~'TOlK.I B ILi~C ' F I II ,IU,I 'ier POKTUGuts 117 Salvini Dis e, e la prole di Satumio fece Dei suo ceruleo sopracciglio cenno, Crollã I'immortal testa, e le divine Chiome dell'alto Sir diero una scossa, Onde tutto tremonne ii vasto Olimpo. Disse - fece - deI suo - crollar - dar una scossa - alto Sir - la moltitudine e la brevità delle parole immiseriscono I'immagine, e proieassai piu; ceruieo einesatto; crollarla testa, non ed'Omero; vedi le osservazioni ai Ceruti. Maffei Disse, eco' neri cigli ii segno diede, Ele chiome si mossero immortali Dei divin capo, e ne tremã l'Olimpo. Cigii, parola troppo tenue a tanta mole; dar ii segno, toglie ii mirabile emanato da un verbo. Mancano ii Re, ii Satumio, la vastità dell'Olimpo, e /'ambrosia . I troppi e congiuntivi sconnettono l'unità. Ridolfi Disse, e coi nero sopracciglio Giove Fe' cenno; e nel crollar l'augusto capo Le immortali sue chiome si agitaro Onde tutto si scosse ii grande Olimpo. Eccoti ii retore che freddamente ragiona: nel crollar dei capo s'agitarono le chiome onde si scosse /'Olimpo. II poeta invece per guidarci ai mirabile dell' effetto non ci arresta su le cause. Da che ii nome d'Augusto fu disonorato da Ottaviano e da' suoi successori, questo attributo avvilisce la divinità. Capoeccita anche nell 'originale idee di mortalità, ma I'aggiunto immortaie dei testo correggendo questa idea, e posto dopo capo, e sorgente di meraviglia; onde a torto in questo luogo molti premettono l'attributo ai sostantivo. 118 UCO F05COLO Salvini 28 Falou, e a prole de Saturno fez com suas sobrancelhas cerúleas aceno, abanou a imortal cabeça, e a divina cabeleira da alta Majestade deu uma sacudida, de modo que tremeu o vasto Olimpo. Disse - fece - deI suo - crollar - dar una scossa - alto Sir, o grande número e a brevidade das palavras empobrecem a imagem, e prole ainda mais. Ceruleo é inexato, croUar la testa não é de Homero. Vejase mais adiante o comentário a Ceruti. Maffei 29 Falou, e com os cílios pretos deu o sinal, e mexeram-se as madeixas imortais da cabeça divina, e tremeu o Olimpo. Cigli, palavra demasiadamente tênue para tamanha mole. Estão ausentes Rei, satúrnio, a vastidão do Olimpo e a ambrosia. Os muitos e conjuntivos quebram a unidade. Ridolfi Falou, e com o sobrolho preto Júpiter acenou; e ao abanar a cabeça augusta a imortal sua cabeleira agitou-se de sorte que todo estremeceu o grande Olimpo. Aqui está um retórico que raciocina friamente: nel crollar deI capo s'agitarono le chiome onde si scosse I'Olimpo. O poeta, pelo contrário, para fazer-nos perceber o efeito extraordinário, não nos detém nas causas. Desde que o nome Augusto foi desonrado por Otaviano e seus sucessores, tal atributo envilece a divindade. Cabeça, mesmo no original, suscita a idéia de mortalidade, mas, nesse texto, o adjetivo imortal, que emenda tal idéia, não se referindo diretamente à cabeça, causa estranheza. Erra, no entanto, neste ponto, o grande número de tradutores que coloca o atributo antes do substantivo. 30 CLÁSSICOS DA TEOR IA DA TRADUÇÁO - ANTOLOGI/\ BILiNGUE/ IT'\UM,o- PORTl'GUEs 119 Ceruti Disse, e fe' cenno con le nere ciglia, (rollo ii capo immortal, scosse la fronte Ele chiome divine; e ne tremaro Le sfere e i gioghi dei sublime Olimpo. Tutti gli eHetti deI cenno divino nel testo derivano dall'azione unica di íãõóã, verbo dissillabo e di tenue pronunzia; ii che cospira ai sublime: in Omero si vede l'unico moto dei ciglio: qui Giove fa iI cenno - crolla il capo - scuote la fronte - scuote le chiome: qual maraviglia se a tanti sforzi segue tanto eHetto? Cesarotti Ei disse, E già dechina maestosamente Le imperiose ciglia; alto squassarsi Le tillanti d'ambrosia auguste chiome Sulla testa immortal; sentll'Olimpo ii cermo onnipossente e traballo. La maestà, I' impero, e I' onnipotenza di Giove risultano dall'eHetto; onde mi sembra che le troppe tinte aI pensiero ne ritardino iI moto. L' alto squassarsi ascrive troppa violenza alIe chiome, che nelI' originale si commovono mollemente coI doppio rr e coI doppio 00 dell'ÊmppwaavTo. II suono deI trabaJJà esagera forse la rappresentazione, e sente un po' troppo I'arte. Preavvertito dei sentimento delI'Olimpo, la meraviglia deI suo tremito mi riesce men improvvisa; e iI verso che non si chiude con la voce Olimpo cospira a scemarla. La scelta di parole polIisilIabe seconda I'armonia imitativa delI'originale. Pope He spoke, and awful bends his sable brows Shakes his ambrosial curls, and gives the nod; The stamp of fate, and sanction of the Cod: High Heav'n with trembling the dread sign~l took, And ali Olympus to the centre shook: 120 UCO F=OLO Ceruti 31 Falou, e acenou com os cílios pretos, abanou a cabeça imortal, sacudiu a testa e a cabeleira divina; tremeram assim as esferas e os picos do sublime Olimpo. Todos os efeitos do aceno divino, no texto homérico, derivam de uma única ação, de íaõóa, verbo dissílabo e de pronúncia tênue, e isso contribui para o sublime. Em Homero, vê-se um único movimento do cílio, aqui, Júpiter fa il cenno - crolla ii capo - scuote la fronte - scuote le chiome: depois de tantos esforços, como admirar que consiga tamanho efeito? Cesarottp2 Ele falou, e já abaixa majestosamente os cílios imperiosos; alto sacode-se estiland o ambrosia a augusta cabeleira sobre a cabeça imortal. Percebeu o Olimpo o sinal todo-poderoso e estremeceu. A majestade, o império e a onipotência de Júpiter resultam do efeito, daí, parece-me, tal emprego de muitos matizes retardam para a nossa apreensão o movimento da execução. Alto squassarsi confere uma violência despropositada à cabeleira, que, no original, ondula molemente graças aos r e o duplos de €.TIEppWaavTo. O som de trabaJJà talvez exagere a representação e deixa por demais evidente a intenção artística. Avisados com antecedência de que o Olimpo percebeu o sinal, menor é a nossa surpresa pelo tremor, surpresa que o verso que não se fecha com a palavra Olimpo também contribui para diminuir. A escolha de palavras polissílabas secunda a harmonia imitativa do original. Pope 33 Ele falou , e terrificante arqueia os sobrolhos pretos, sacode seus cachos ambrosíacos e faz o aceno, selo do destino, sanção de Deus; o alto Céu com tremor o terrível sinal recebeu e todo o Olimpo do centro tremeu. CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A NTOLOGIA B ILÍ/(GUt I T.~L1A/(o- P ORTUGf.5 121 « ln questi versi non si sente lo squassamento della capigliatura di Giove espresso cOSI maestosamente ne' versi Omerici. II ver o intruso sopra ii cenno dei capo divide mal a proposito la causa dell'effetto e fa sparire I'istantaneità dei tremore che e forse la principale bellezza dei testo. Finalmente ii verso sul cielo rende pressoche inutile I'altro sull'Olimpo, e avrebbe piuttosto dovuto porsi in ultimo per non trarre di seggio l'Olimpo che chiude con un bel colpo » . Cesarotti. Anche ii Pope ha traveduto coi Ceruti, e ii suo Giove fa tre azioni dirette. Gli aggiunti tremendo e formidabile conferiscono piu ai terrore che alia maestà: ma fore awful, e dread hanno nella poesia inglese idee accessorie che io non trovo ne' dizionari. ella teologia Omerica ii Fato governa i morta li e gl'immortali, e non 50 che i suoi decreti bisognassero della sanzione di Giove. Se non che la fantasia de' poeti troppo eleganti sentezia piu che non dipinge. Rochefort II dit, et fait mouvoir ses sourcils redoutables, Ses cheveux ondoyans en replis innombrables Se dressent lentement sur son front radieux, II ébranle I'Olympe et fait trembler les Dieux. «L'imitazione francese se non giunge all'armonia rappresentativa dei testo (e chi potrebbe giungervi) ha pera de' pregi singolari. II fait mouvoire un'espressione altamente enfatica che rappresenta la mole di un sopracciglio che sostiene ii destino dei mondo. Le chiome poi che si rizzano con una lenta maestà sulla fronte raggiante di Giove formano una bellezza invidiabile ad Omero stesso. lo non so essere egualmente contento dei fait trembler les Dieux. Giove anche in Omero fu ben mal accorto a far tanto strepito quando volea star occulto. E questa espres ione dei Rochefort fa sentir maggiormente I'inopportunità di questo movimento straordinario » . Cesarotti. Parmi: 1.0 che ii redoutable faccia come nell'ingle e piu terribile che maestosa la divinità; 2.° che I' innombrablescada nel minuto; certo che Fidia avrà effigiato Giove con poche e grandi masse di ciocche, non co' ricci d' Antinoo; 3.0 che ii capo dei Giove francese ci svegli I'immagine dell'i trice, e l'attitudine d'una furia anziche dei Dio che 122 UCO FOSCOLO Cesarotti:" esses versos não se tem uma percepção suficiente do sacudir da cabeleira de Júpiter, representado de forma tão majestosa nos versos homéricos. O verso a mais sobre o aceno da cabeça separa fora de propósito a causa do efeito e faz desaparecer a instantaneidade do tremor, que é, penso eu, a maior beleza do texto. o final, o verso sobre o Céu torna quase inútil o outro sobre o Olimpo, e teria sido preferível que viesse no fim para não destronar o Olimpo que fecha com um lindo golpe." Pope também viu coisas a mais, como Ceruti, e seu Júpiter efetua três ações diretas. Os adjetivos awful e dread condizem mais com o terror do que com a majestade, mas talvez contenham em inglês idéias acessórias que eu não encontro nos dicionários. a teologia homérica o destino governa os mortais e os imortais, e não sei se seus decretos precisassem da sanção de Júpiter. Mas acontece que nos poetas muito elegantes a imaginação mais profere sentenças do que descreve. RocheforPl Falou, e faz mover suas sobrancelhas terríveis, seus cabelos que ondeiam em inumeráveis dobras eriçam-se lentamente sobre a testa radiante, ele abala o Olimpo e faz os Deuses tremer. Cesarotti: "A imitação francesa se não chega à harmonia singular do texto (e quem poderia chegar a tanto?) possui porém seus méritos. Fait mOU\foiré expressão altamente enfática, chegando a representar a força de sobrancelhas que regem o destino do mundo. Os cabelos, então, que se eriçam com lenta majestade sobre a testa radiante de Júpiter, criam uma beleza invejável ao próprio Homero. Com fait trembler les Dieux, no entanto, não estou igualmente satisfeito. Júpiter, mesmo em Homero, foi bem pouco prudente em fazer tamanho estardalhaço se queria ficar escondido, e esta expressão de Rochefort faz perceber mais ainda a inoportunidade deste movimento extraordinário." A mim, parece que: 1. redoutable torna a divindade, como no inglês, mais terrificante do que majestosa; 2. innombrables cai em minúcias. Fídias, ao certo, terá representado Júpiter com poucas e grandes massas de mechas, e não com os caracóis de Antínoo; 3. a cabeça do Júpiter francês sugere a imagem de um porco-espinho e a CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO- AI\'-OLOGIA Blul\cUI'/ 1rALlAl\o-PORrucut5 123 posatamente puo cio che vuole; se la natura manjfe to empre gli affetti con le stesse apparenze, anche a' tempi d'Omero, I' orrore e ii raccapriccio sol tanto facevano irrigidire e rizzare le chiome. Finalmente che2j ii fait trembler les Dieuxaccusi la tirannide di Giove, ed avvilisca tutti gli altri Dei. Madama Oacier En même tems ii fi t un signe de ses noirs sourcils, les sacrea cheveux furent agitez sur la tê te immortelle du Dieu, et ii ébranla tout l'Olimpe. Bitaube Ainsi dit le fils de Satume, et ii baisse se noirs sourcils. La divine chevelure s'agite sur la tête immortelle du Monarque; le vaste Olimpe tremble. Alessandro Verri Dis e, e con le nere ciglia accenno di si. Le ambrosie spiranti chiome onndeggiarono sulla testa immortale; El'Olimpo ne tremo. Rispetto alla mia traduzione di questi tre versi, e di moltissimi altri, m'accorgo che si pua etimologizzare, sillogizzare, fantasticare sopra i grandi originali, ritrarli aI vivo non mai; e che le mie teorie condannano i miei esempi: pera epiu arrogante chi parla che chi fa. 12.+ Um FCl5C"OLO atitude de uma Fúria mais do que a de Deus que calmamente pode o que quer. Se a natureza sempre manifestou os sentimentos com as mesmas exteriorizações, também na época de Homero apenas o horror e o asco faziam enrijecer e eriçar os cabelos; por fim, fait trembJer Jes Dieux imputa a Júpiter o poder de um tirano e avilta todos os outros Deuses. Madama Oacier35 Ao mesmo tempo fez um sinal com suas sobrancelhas pretas, os cabelos venerandos agitaram-se sobre a cabeça imortal do Deus, e fez tremer todo o Olimpo. Bitaube 36 Assim falou o filho de Saturno, e abaixa as sobrancelhas pretas. A cabeleira divina agita-se sobre a cabeça imortal do Monarca; o vasto Olimpo treme. Alessandro VerrP7 Falou, e com os cílios pretos anuiu. Os cabelos exalantes ambrosia ondearam sobre a cabeça imortal; e o Olimpo tremeu. Observando a minha tradução destes três versos, e a de muitíssimos outros, dou-me conta de que se pode etimologizar, silogizar, fantasiar sobre os grandes originais, retratá-los ao vivo, nunca; e que minhas teorias condenam os meus exemplos. Mas quem fala é mais arrogante do que quem escreve. 38 CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - AKTOLCX:;lA BILÍr\GUE/ ITALlAl\o- PORTUGUfS 125 LETTERA A FRANCESCO SAVERIO FABRE (1814) Questa lettera, che Foscolo non ha mai pubblicato, doveva costihtire, assieme ad altre, una specie di introduzione alla traduzione dei II" libro deli' Jliade, contemplando la componente dei disegno in un'opera letteraria, dato che ii Fabre era pittore. Si trova, nello stato di abbozzo, tra i manoscritti foscoliani riuniti a Livorno. Pubblicata per la prima volta da F. S. Orlandini coi titolo spurio "D'Omero, dei vero modo di tradurlo e poetare. A Francesco Saverio Fabre"(ln Opere ineditee postume. Poesie. Firenze: Le Monnier, 1944, p. 315329), estata ripubblicata nell'Edizione azionale, già citata (Esperimenti di traduzione delJ'Iliade. Parte Prima, pp. 219-222). [ ...] Mio Signore ed Amico; Se disputandone spesso coi Conte Alfieri Elia non ha potuto confessare in coscienza che la Poesia sia non solo madre deli a pittura, ma impareggiabile madre della sua figlia, io non ardiro piu rimuovere la stessa questione, SI perche avendola tal volta apertamente rimossa, non m'e bastato lánimo di persuaderla, e SI perch'io credo che I'amare passionatamente la propria arte, e ii reputaria belissima fra tutte, sia una delle piu nobili fra le umane illusioni, e a sola che possa meglio chiudergli gli occhi alie noje e alie vanità della vita. E per 26 ... ed intendendo di far tammenda di quell'imprudenza le mando in questo volumett027 alcuni di Omero, ricopiati da me come ho saputo, affinch'ella non potendo vedere gli original i, ne vegga almeno le (var.: [vegga almeno] questi nelle) stampe in rame, e ne giudichi, tanto piu che oltre a' quadri 28... di grande composizione, come due assemblee, e29 ... popolari, troverà uniti 30 gruppi d'Eroi, simulacri di deità, 31 ".; Iride che fugge atteggiamenti pieni d'espressioni d'amore e di violenza; passioni, dolore, e tutto in un libro solo deli ' Iliade che puo parere ii men dovizioso di quadri, da che d j32 [900] esametri incirca che lo compongono, Omero ne spende piu assai di trecento [nel] catalogo delle navi, e in rassegne d'eserciti, ed e la parte giudicata aridissima deli' Iliade; e COSI mi 33 ". assai volte leggendola, ma sempre meno, e quando poi la tradussi, mi apparve feconda , e nel suo genere bella fra tutte l'altre di quel divino poeta. 126 U co F05(:oLO CARTA A FRANCESCO SAVERIO FABRE (1814) Esta carta, que Foscolo nunca publicou, deveria constituir, juntamente com outra , uma e pécie de introdução à tradução do Livro II da Ilíada, levando em conta a componente do desenho numa obra literária, do momento que Fabre era pintor. Encontra-se ainda em esboço entre o manuscritos de Foscolo reunidos em Livorno. Foi publicada pela primeira vez com o título espúrio "De Homero, obre o \'erdadeiro modo de traduzi-lo e de poetar. Para France co Saverio Fabre"(In Opere inedite e postume. Poesie. Firenze: Le Monnier, 1944, p. 315329), foi publicada novamente na Edição acional, já mencionada (Esperimenti di traduzione delJ'I1iade. Primeira Parte, p. 219-222). [ ... ] Meu senhor e amigo '9 , Se nas muitas conversas travadas com o conde Alfieri, o senhor, com toda a hone tidade, não pôde aceitar que a Poesia seja mãe da pintura nem, muito menos, que se possa igualar à filha, eu não tentarei mais levantar essa me ma questão, quer porque outra vezes, ao fazer isso, não consegui persuadi-lo, quer porque acreruto firmemente que amar a própria arte com paixão e considerá-Ia a mais bela entre todas é uma das ilusões mais nobres entre as que os homens nutrem, a que melhor os ajuda a esquecer um pouco os pesares e a vaidade da vida. E com o intWto de corrigir a minha atitude anterior, totalmente imprevidente, envio-lhe neste pequeno volume alguns quadros de Homero, que reproduzi como melhor soube, de modo que o senhor, não podendo ver os originais, veja pelo menos estes na impressão em cobre e, as inl, pos a fomlar sua opil)jão a respeito, que poderá ser tão mais ftmdada uma vez que, além dos quadros de grande composição, como duas a embléia e movimentos populares, encontrará também grupos de heróis, representações de divindades r.. ]; Íris que foge. Atitude cheia de expres ões de amor e de violência, paixão e dor, e tudo em apenas um livro da Ilíada que, aparentemente, devia ser o menos rico de quadros, já que, dos 900 hexâmetros que aproximadamente o compõem, Homero emprega mais de trezentos a catalogar os navios e a passar em revista os exércitos. Éa parte da Ilíada que se julga ser entre as mais áridas, e assim pareceu a mim também nas primeiras leituras, mas depoi sempre menos, até que, ao traduzi-Ia, percebi quão fecunda ela é e, no seu gênero, bela enh-e todas as outras daquele divino poeta. CLÁ S I C~ DA 1 LORIA D..\ 1RADt.:ÇÁO - A\ TOLOGII BII.NU/ I I.\I L"n- PoR1l:ui., 127 Ma prima Elia, Signor mio, mi conceda ch'io le scriva quanto piu brevemente, e ii cara ttere d'Omero considera to come pittore, e ii metodo che a me pare ii migliore a tradurlo, e finalmente una mia opinione sopra lo stile, la quale, sé non fosse nuova, fu ad ogni modo>1 e desunta da me. ln altre età, quando la pittura e le arti sorelle fiori va no davve ro, i pittori quand'anche si dessero per vinti a' poeti quanto ai pregio deli' arte, avrebbero potuto vendicarsi e ridere 35 dell'eterno vaniloquio teorico degli scrittori; ma oggi pur troppo, benche i scrittori non abbiano pur dimesso illor chiaccherare, le parti sono pari, da che il J6 delle belle arti e tutto assordato di teorie, e di trattati, e di controversie in guisa che tra i maestri che gridano, e gli allievi che ascoltano, e i dilettanti e mecenati che leggono, e gl'incisori che moltiplicano in infinito un quadro pochi sono i pittori di grido, pochi giovani di bella speranza, pochi veri quadri animano le città, e a' mecenati non importa essere magnifici, poiche possono con poche ore di lettura mostrarsi dottissimi. Cosi va anche per la nostra povera letteratura; e cosi sia; ma non si doveva incominciare, e quando i principi d'un arte sono stati confusi dalle scuole, dalle accademie, dalle università, da 'licei, e dalla moltitudine de' metafisici, dalle mogli de' dittatori, dalle 37 de' principi, bisogna pur continuare a parlare per sedare se non altro a forza di clamori ii tumulto, e ridurre i disputanti ad intendersi. Le nostre controversie di moi ti di noi educati e pur38 nati e spess039 a scrivere libri, ebbero origine da ' Poemi d'Omero, come ii piu antico, e il maggiore de' poeti; e chi ad (l/ar.: per) ogni verso deli ' [}jade e deli ' Odissea ponesse dieci volumi di chiose, sarebbe forse discreto, si immensa e la biblioteca degli scrittori-lO d'Omero dai secolo di Pisistrato ai nostro.-1 1 Quanto profitto n'a bbia ricavato la Poesia nostra (delle altre nazioni non parlo, perch'io anche nella letteratura coltivo e serbo con equità e con religione. L'alleanze con le altre nazioni, ma non ardisco giudicare delle loro faccende); quale profitto abbia [no 1in noi fatto tante lezioni d'ogni genere dall '-12 grammaticale, sino alie teorie metafisiche intorno ad Omero non veggo: da che dopo tanto non abbiamo una traduzione non dirà che risponda ne sensi all'originale, ma che desti nell' immaginazion e de ' lettori e 128 UW FOSCOLCl Mas antes, meu senhor, permita-me que eu lhe fale brevemente a respeito das características de Homero como pintor e do método de traduzi-lo que julgo ser melhor, e, por fim , da minha opinião sobre o estilo, que se não é original, é, no entanto, fruto de reflexões pessoais. Em outras épocas, em que a pintura e as artes irmãs floresciam de fato, os pintores, mesmo que tivessem que ceder aos poetas o mérito da arte, podiam vingar-se e rir do eterno vanilóquio teórico dos escritores. Hoje, infelizmente, embora os escritores não tenham deixado de despender muitas palavras, os dois lados se equivalem, e o campo das belas-artes também está todo atravancado de teorias, tratados e controvérsias, com a conseqüência de que entre mestres que gritam, alunos que escutam, diletantes e mecenas que lêem, gravuristas que multiplicam um quadro infinitas vezes, raros são os pintores de renome, raros os jovens promissores, raros os quadros de valor que dão vida às cidades, e aos mecenas não mais importa ser magnificentes, já que com umas poucas horas de leitura podem mostrar-se muito entendidos. E assim vai também em relação à nossa pobre literatura, e assim seja. Não se devia é ter começado, mas uma vez que os princípios de uma arte foram embaralhados pelas escolas, academias, universidades, liceus, pelo número enorme de pensadores abstrusos, pelas esposas dos ditadores, pelas protegidas dos príncipes, não se pode deixar de continuar a falar para aplacar, pelo menos com a força de quem fala mais alto, tal tumulto e obrigar os contendores a se entenderem. As controvérsias nascidas entre muitos de nós, educados para escrever livros, mesmo sem termos nascido para isso, tiveram origem nos poemas de Homero, como o mais antigo e o maior dos poetas, e se alguém a cada verso da Ilíada ou da Odisséia acrescentasse dez volumes de comentários, ainda assim seria discreto, em vista do que se tem escrito sobre Homero do século de Pisístrato até os nossos dias. Qual proveito tenha advindo à nossa Poesia - de outras nações não falo, pois, ainda que preze e procure guardar com eqüidade e respeito as alianças com as outras nações mesmo no campo da literatura, não ouso arbi trar em assuntos alheios -, qual proveito tiramos de tão grande número de lições de todo tipo, das que dizem respeito a aspectos gramaticais até às teorias filosóficas sobre Homero, eu não saberia dizer. Só sei que depois de tudo isso ainda não temos uma tradução que, não digo, corresponda em tudo ao original, mas que desperte na CLÁSSICOS DA TEOR IA DA TRADUÇÃO - AI\'TOLOGIA BILÍ1\GUE/h,llliINo- PORTUGUF5 129 specialmente de degni artefici una parte dell'impres ioni dell'originale. S'acqueterà 43 spero ogni controversia sul modo di tradurre, s'acqueterà spero in quest' unico assioma: Essere ottima fra le possibili traduzioni di poemi antichi in lingua modema, quella che generalmente ecciterà le stesse passioni nell'animo, e le stesse immagini alla fantasia con lo stes o effetto deli' originale. 44 I dispareri staranno accanitamente nel modo; e [ .. ·1 130 Ue,o F0'COLO imaginação dos leitores e especialmente de artistas dignos uma parte das impressões do original. Toda controvérsia acerca da maneira de traduzir poderá ser dirimida, espero eu, a partir deste único axioma: será ótima, entre as possíveis traduções dos poemas antigos em língua modema, a que, de modo geral, for capaz de fazer surgir as mesmas paixões em nossa alma e as mesmas imagens em nossa fantasia, com efeito igual ao do original. Todas as divergências, no entanto, continuariam encarniçadas quanto ao modo e [ ... ] •.j() CLÁSSICOS DA TEORI A DA TRADUÇÁü- A I\TOLOGIA BILlI\GUE/ ITALlAl\o- PORTUGUÉS 131 ARTICOLO CRITICO INTORNO ALLA TRADUZIONE DE' DUE PRIMI CANTI DELL' ODISSEA EC. [1809] Scritto in occasione deJla pubblicazione deJla traduzione dei primi due canti dell'Odissea dell'amico e poeta Ippolito Pindemonte (Verona: Gamberetti & Comp., 1809), questo articolo estato pubblicato inizialmente da F. S. Orlandini in Opere edife e po fume di Ugo Fo colo. Prose letterarie. VoI. II Firenze: Felice Le Monnier, 1850, pp. 203 -241. Ed e a questa edizione che si attiene la traduzione qui presentata. [ ... ) Questo nuovo saggio di versione d'Omero, si prossimo agli altri due recentissimi dell'Iliade, giustifica ognor piu l'opinione di chi dice, che gli uomini nati aIle belle arti cerca no ancora in Italia una versione corrispondente aIla fama d'Omero, e che la stima in che furono per alcun tempo i traduttori precedenti nacque si dai bisogno d'intendere come che fosse i primi poemi dei mondo si dalle sette delle scuole e deli e accademie. L'Odissea, considera ta sempre come poema minore, ebbe tra noi minore numero di traduttori, e nondimeno potrebbesi farne un lungo catalogo; cura che lasceremo a'benemeriti bibliotecari e bibliografi, de' quali la patria nostra e provveduta piu che di buoni scrittori. A noi basterà dire che I'Odissea non ottenne ancora in Italia un traduttore-poeta. E solo per giustificare la nuova impresa dei signor Pindemonte parleremo dei Salvini, dei Bacelli, dei padre Soave. II primo mantiene ancora la fama carpi ta di grecista dottissimo, di esatto scrittore italiano e di fedelissimo traduttore, e se la mantiene aiutato da una legione di vecchi accademici, d'insulsi grammatici e di grecisti impostori. II secondo fu resuscitato dall' obblío nella Collana de'poetí greci, stampata di fresco ii Livorno. II terzo e nelle mani di tutti i ragazzi che studiano lettere, perche i ragazzi sono per lo piu nelle mani de'Chierici regolari. Or, a parlare semplicemente, ii Salvini malgrado la sua plebea, sguaiata ed ignorantissima infedeltà in tutte le sue traduzioni dai greco (tranne ii romanzetto di Abrocome e delle Muse e d' Amore fuori dei vaglio di quel cruscante), malgrado lo scar o numero 132 Ue; Foscol.o ARTIGO CRíTICO SOBRE A TRADUÇÃO DOS DOIS PRIMEIROS CANTOS DA ODISSÉIA [1809] Escrito na ocasião em que foram publicados os dois primeiros cantos da Odisséia na tradução do amigo e poeta Ippolito Pindemonte (Verona: Gamberetti & Comp., 1809), este artigo foi inicialmente lançado por F. S. Orlandini em Opere edite e postume di Ugo Foscolo. Prose letterarie. Vol. U Firenze: Felice Le Monnier, 1850, p. 203-241. A esta edição se atém a tradução que ora apresentamos. [ ... ] Este novo ensaio de versão de Homero, tão próximo de outros dois da Ilíada, justifica ainda mais a opinião de quem afirma que "os homens nascidos para as belas-artes estão ainda esperando na Itália uma versão que faça jus à fama de Homero", e que o apreço em que foram tidos por algum tempo os tradutores anteriores nasceu, quer da necessidade de conhecer de qualquer maneira os primeiros poemas do mundo, quer das seitas das escolas e academias. A Odisséia, considerada sempre poema menor, aqui, entre nós, teve um número menor de tradutores e, no entanto, poder-se-ia compilar um longo catálogo: ocupação que deixaremos a bibliotecários e bibliógrafos eméritos, dos quais a nossa pátria é mais provida do que de bons escritores. Nós nos limitamos a dizer que a Odisséia, na Itália, não tem ainda um tradutor-poeta. E apenas com o intuito de justificar o novo empreendimento do senhor Pindemonte falaremos de Salvini, Bacelli e padre Soave. O primeiro, mantém ainda a fama imerecida de grande conhecedor de grego, de escritor italiano esmerado e de tradutor fidelissimo, e a mantém graças a uma legião de velhos acadêmicos, de gramáticos insulsos e de doutores de grego impostores. O segundo, foi ressuscitado do esquecimento na Coletânea de poetas gregos, que acabou de ser publicada em Livomo. O terceiro, está nas mãos de todos os garotos que estudam letras, porque esses garotos estão nas mãos dos clérigos. Agora, para falar claramente, Salvini, apesar de uma infidelidade ordinária, grosseira e de uma grande ignorância em todas as suas traduções do grego (com exceção do pequeno romance de Abrócomas e Ântio, prosa cheia de graça, que deve ter escapado por algtun milagre das Musas e do Amor da CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÁO - A ~TOLC I A BILll':cUF/ ITtI LlM,;o- PORTUCUÊS 133 d'edizioni e di lettori di quelle versioni, il Salvini fu ed ê anche a'dl nostri tenuto da'maestri di lettere per esattissimo traduttore. Invano molti, e primo di tutti lo Spallanzani in un opuscolo poco letto, perch'ê malissimo scritto, ha provato ai Salvini ch'egli straziava la sintassi d'Omero. Invano altri letterati dello Spallanzani hanno detto e ridetto che ne'versi Salviniani v'era la massima infedeltà, perchê, la parola essendo tradotta coI dizionario, ogni immagine, ogni frase della poesia rimanevasi muta d'ogni armonia, cieca, fredda di splendore e di fuoco, e l' lliadepareva cada vere. Invano recentemente fu scritto che messer Anton-Maria della Crusca non sapeva maneggiare la lingua italiana; sapeva bensl etimologizzare, e scrivere una prosa fiorentina ad ogni vocabolo; ma nelle sue traduzioni valevasi di modi plebe i, onde tutti i suai versi non potevano riescire se non plebei; esempio: Omero nell'inno a Mercurio canto che Febo intonso la cetra: Virgilio imito: Cithara crinitus jopas Personat aurata: ed ii Salvini per forza della propria natura antipoetica tradusse: E ii capelluto Apollo, Febo andava schitarrando. TI Salvini semino un sacco di parole antiqua te, come zambra per camera, e SI fatte; ed ogni periodo sentirà sempre d'oscurità pe' men letterati, di rancidume pe'lettori di gusto, e di affettazione pedantesca per tutti; esempio: Vino che Ulisse aveva, diva beva: e cio sia detto coi dovuto rispetto ad alcuni Messeri in frack che scrivono a'giorni nostri co'vocaboli vieti di fra Giuda e deI Sim intendi, e con gl'idiotismi de'Camaldoli, e tali nelle storie e nelle orazioni ti sfoggiano rede per erede, schermuggio invece di scaranuccia, e sorquidato per arrogante, e squarquoio per rimbambito, e piacentiere per adula tore, e gazzurro per allegria, e per malinconia, ribadea, che Domineddio gliene dea: chê altra cosa ê dar vigore ed aspetto di antica dignità all 'orazione con I'uso d ' antichi vocaboli di cui non si trova no equivalenti nell ' idioma corrente, e co'bellissimi modi de' Latini e de' padri 134 Ueo FOSCOLO peneira daquele cruscante),il apesar do número pequeno de publicações e de leitores, foi e continua sendo considerado até hoje por aqueles doutores em letras, acima mencionados, tradutor exímio. Em vão, militos e, primeiro entre todos, Spallanzani, num opúsculo pouco lido porque milito mal escrito, tem mostrado a Salvini que ele massacrava a sintaxe de Homero. Em vão, outro, muito mais letrado do que Spallanzani, tem dito e repetido várias vezes que nos versos de SaJvini havia uma grande infidelidade, porque, sendo as palavras traduzidas pelo vocabulário, toda imagem, toda frase da poesia ficava destituída de qualquer harmonia, cega, fria, sem brilho e sem vigor, fazendo a ilíada parecer um cadáver. Em vão, recentemente, alguém escreveu que o senhor Anton-Maria da Crusca não sabia manejar a lingua italiana; sabia, isto sim, etin1010gizar e passar todo vocábulo para a lingua falada florentina, mas, adotando em suas traduções modos triviais, seus versos só podiam resultar triviais. Veja-se, por exemplo, Homero, que no hino a Mercúrio canta que Febo intonso tocava a ófara. Virgílio irnitou-o e escreveu: Cithara crinjtus jopas personat aura ta; e Salvini, em razão da sua natureza anti-poética, traduziu: E o cabeludo Apolo Febo ia zangarreando. Salvini lançou mão de um monte de palavras antiquadas, como zambra por camera [câmara] e outras desse tipo, e todo período resultará obscuro aos menos letrados, saberá a ranço a leitores de bom gosto e parecerá afetado e pedante a todos. Vejam este, por exemplo: Vinhos que Ulisses havia, diva beba: e isso seja dito com o devido respeito para alguns senhores de fraque, que em nossos dias escrevem com vocábulos obsoletos de frei Judas e de Semintendi, com os idiotismos de Camaldoli,i2 assim que nas histórias e nas orações desfilam rede por erede [herdeiro], schermuggia no lugar de scaramuccia [escaramuça], sorquidato por arrogante [arrogante], squarquoio por rimbambito [caquético], piacentere por adulatore [bajulador], gazzurropor allegria [alegria] e, por malinconia [melancolia], ribadea, e que se salvem da rocha Tarpéia! Pois uma coisa é conferir dignidade e feição de antiguidade à oração com o uso de vocábulos antigos de que não há equjvalentes no idioma moderno, ou com os modos CLÁSSICOS DA TEOI~A DA T I ~ADUÇÁO - A NroLOGIA BILlNGUE/ ITALlANo- PORTUGUI'S 135 della lingua, arte maravigliosa segnatamente nel!' Ariosto e mel Caro; ed altro e andare accattando voci brutte, dimenticate, quando la lingua ne ha pure di bellissime, e intese da tutti. E non e molto che un Adone poetino tampo certi sonettucci Ioda ti a cielo da un prosa tore cruscante, ne' quali regala della madonna alia sua Laura, e scongiurala con I' unquanco, e con simili lascivie decrepite. E poiche ne ii pubblico legge quelle rime, ne madonna le intende, era pur meglio 'egli in quel tempo avesse imparato a cantarle sulla chitarra un'a rieta Metastasiana, o una canzonetta dei Rolli; poesie piu facili a cantarsi che ad imitarsi, e che all'orecchio delle amabili donne suonano piu care assai dell' unquanco. Finalmente ii Salvini non voleva, o non poteva, o piuttosto no sapeva studiare gli autori che traduceva, e piglia granchi da staffilate; esempio: Odiss., lib. II, v. 9: Tosto ai canori comando trombetti Trombare ed arringar gli Achei criniti; Trombavan quelli, e questi presto univansi ec., dove, prescindendo dallo sproposito dei comandareche in lingua italiana, ove non sia seguitato dai di o dai che, significa coi terzo caso raccomandare e non ordinare, e prescindendo dall'armonico verseggiare, da che ii Salvini non aveva orecchie ? orecchie eleganti ed armoniche, ? si veggono due piu brutti spropositi. Omero parla d'araldi, ed ii Salvini scrive trombetti; ma quanta differenza ci sia, vedilo nel 8erni, Orl. Innam. , lib. II, c. 27, st. 22: E fece a lui mandar tosto un araldo Là dove combatteva, ed un trombetta. Infatti I' araldo fu per gli antichi ii Messaggiere de 'Numi e de 'mortali, ed a'tempi della cavalleria ii trombetta lo precedeva per annunziare I'a rrivo di lui che recava ordini, ambasciate e disfide; e cosi anche a'di nostri ii trombetta precede ii parlamentario. Ma I'errore piu enorme si e, che ne'poemi di Omero non si trova ne orma pure di trombe o di trombetti che trombassero, e che gli araldi chiamavano a parlamento e sfidavano à guerra, gridando; come oggi i chierici turchi, che sono in guerra con le cam pane, chiamano ad alte grida dalle lor torri ii popolo alia moschea . E i poemi d'Omero, 136 Ueo FOSCOLO belíssimos dos latinos e dos padres da língua italiana, como souberam fazer magnificamente bem Ariosto e Annibal Caro; outra coisa é ir procurando palavras feias, esquecidas, quando a língua já dispõe de palavras equivalentes belíssimas, que todos entendem. ão faz muito tempo que um Adônis versejador publicou certos sonetilhos elevados às alturas por um escritor da Crusca, nos quais brinda a sua Laura com o apelido de madonna e a roga com um wlquanco [nunca] e afetações decrépitas desse gênero. E uma vez que, nem o público lê aqueles versos nem madonna os entende, teria sido bem melllor se ele tivesse usado o seu tempo para aprender a cantar em seu violão urna arieta de Metastasio ou uma cançoneta de Rolli, poesias mais fáceis de cantar do que de imitar, e que aos ouvidos das mulheres queridas soam mais agradáveis do que W1quanco. Finalmente, Salvini não queria, ou não podia, ou melhor, não sabia estudar os autores que traduzia e engana-se redondamente. Vejam esta tradução, da Odisséia, II, v. 9: Logo os canoros trombetei ros mandou trombetear e arengar os aqueus camadas; trombeteavam aqueles, e reuniam-se rápido estes, etc. onde, prescindindo do erro da construção do verbo comandare [mandar], que em italiano, quando não é seguido por "de" ou por "que", significa "recomendar" e não "ordenar", e prescindindo também da harmonia dos versos, pois Salvini não tinha bom ouvido para elegâncias e harmonias, se vêem dois erros ainda mais grosseiros. Homero fala em "arautos" e Salvini escreve "trombeteiros", mas quão grande seja a diferença pode-se ver em Berni, no Orlando innamorato, livro [l, canto 27, estância 22: Eordenou-lhe que mandasse logo um arauto lá onde combatia, e um trombeteiro. o"arauto", com efeito, para os antigos era o "mensageiro dos deuses o dos mortais", e, nos tempos da cavalaria, um tocador de trombeta o precedia para anw1Ciar a chegada desse oficial que transmitia ordens, embaixadas e desafios; e, assim, também nos dias de hoje, o trombeteiro precede o mensageiro de guerra. Mas o erro mais grave é que, nos poemas de Homero, não há nem sombra de trombeta ou de trombeteiros que trombeteavam; tampouco de arautos que convocavam para a assembléia e desafiavam a guerra gritando, como, hoje em dia, fazem os clérigos turcos que, em competição com OS sinos, convocam o povo para a mesquita gritando alto CLÁ SICOSDA TEORIA DA TRADUÇÃO- A\'TOI{1(.I,\ Blu,cn/ ITALI.\"o-PoRruüs l37 se non attestano la storia de' fatti, sono e saranno pur sempre preziosissimi monumenti della storia de'costumi, e dell 'arti, e della civiltà dei genere umano; ed ogni minima libertà de' traduttori in si fatte cose svela la loro ignoranza e la loro scarsa filosofia : pero ii Ceruti agli altri pregi della sua versione d'Omero agginge questo, d'essere un solenne seguace degli anacronismi dei fedele Salvini. A' tre versi sopra citati de' trombetti, che comandati trombare, trombal'ano, e che per far arrossire i verecondi lettori ricordano l' ultimo verso dei Canto XXI dell' Inferno, si paragonino questi dei sigo Pindemonte: Tosto gli araldi alla sonora voce Comando d'invitar gli Achei chiomati, Che a quelle grida incontanente accorsi Si ragunaro, s'affollaro. L'autore de!!' Esperimento della versione de!!' Iliade, chiamo i maestri, i cruscanti e i grecisti, e disse: questi sono fatti e prove di moi ti spropositi nel Salvini, e tutti nel solo canto primo d'Omero: ma i valenti uomini si rimasero nell'opinione della sapienza e della fedeltà Salviniana; argomento che a certi maestri, cruscanti e grecisti bisogna un idolo antico di cui si professano sacerdoti per partecipare della cieca venerazione e delle propine dei volgo. A noi che non siamo ne sacerdoti, ne credenti gioverà almeno di ridere; e davvero che un sorriso ci distoglie sovente dalla meditazione di questa malinconica vita: e basta aprire ii Salvini. ln Esiodo ii re giovedi Prese un falcione smisurato, lungo, Co' denti a sega, e ai caro padre in fretta Miete i negozi. Gran che, che un falcione smisurato sia fungo! ed era pur caro ai re Giove ii re Saturno suo caro padre! non solo gli taglio i negozi, ma per piu amore figliale e carezza glieli taglio co' denti a sega. Pedanti, pedanti! ii greco dice ó(5e'io, caro, e lo dice spesso; e cosi spiegano i dizionari: ma ó(5e'io, per chi legge le lingue antiche piu con la logica che con la grammatica, suona piu volte proprio: onde quando Achille fremeva nel caro cuore, vuol dire nel proprio cu ore; e quando i Greci legavano ai lito la nave con le care mani, vuol dire che si 138 Um FO"COLO de suas torres. Os poemas de Homero, é importante sublinhar, se não testificam a história factual, são e serão sempre monwnentos muito preciosos da história dos costumes, das artes e da civilização do gênero humano, e qualquer mínima liberdade dos tradutores nessas coisas revela sua ignorância e seu escasso conhecimento filosófico. Ceruti, no entanto, às outras qualidades da sua tradução de Homero acrescenta mais esta, de ser um seguidor solene dos anacronismos do fiel Salvini. Com os três versos acima citados dos trombeteiros que, mandados trombetear, trombeteavam, e que, para fazer corar leitores recatados, trazem à memória o último verso do Canto XXI do Infemo,.J3 comparem-se estes do senhor Pindemonte: Logo aos arautos de voz sonora ordenou que convidassem os aqueus comados, que, àqueles gritos acorrendo incontinenti, se reuniram, se apinharam. o autor do Experimento da \'ersão da Ilíadtfl chamou os mestres, os acadêmicos da Crusca e os especialistas em grego, e disse: esses são fatos e provas dos muitos despropósitos de Salvini, e todos apenas no canto primeiro de Homero. Mas os valentes homens mantiveram-se finnes na opinião sobre o grande conhecimento e da fidelidade de Salvini: demonstração evidente de que certos mestres, acadêmicos da Crusca e especialistas em grego, para ganharem a veneração cega e o favor do povo, precisam de wn ídolo antigo para venerar. Para nós, que não somos nem sacerdotes nem temos a mesma fé, poderá ser útil, pelo menos, rir um pouco, pois wn sorriso freqüentemente nos tira da meditação desta vida melancólica.45 Para tanto basta abrir Salvini. Em Hesíodo, o rei Júpiter: Pegou uma foice enorme, comprida, com lâmina dentada, e ao pai querido ceifou os testículos. Grande novidade que wna foice enonne seja comprida! E era tão querido, a Júpiter, o pai Saturno que não apenas lhe cortou os testículos, mas, por amor filial e ternura, lhos ceifou com serrote. Pedantes, pedantes! Em grego lemos b(séo palavra que se encontra várias vezes. Os dicionários a dão por 'querido', mas, para quem lê com o auxílio da sua lógica mais do que com o dicionário, b!5e'io freqüentemente, tem o sentido de 'próprio', de maneira que quando Aquiles fremia em seu querido coração, fremia em seu próprio coração, e quando os gregos amarravam o navio na costa com suas queridas CLASSICOS DA 1 EORIA DA TRADUÇÃO - A NTOLOGIA B ILlM.E/TA~o- P ORTUCÉS 139 valevano delle proprie mam. Ma ii Salvini sapeva di greco senza discernimento; e voi non avete ne sapere, ne discernimento, ne greco, ne vergogna, ne buona coscienza, pedanti come siete in corpo e.... stava per dire in corpo e in anima, ma voi per le lettere non avete scintilla d'anima . Dai capo ai fondo d'ogni pagina, ii Salvini, preso ii conto sottosopra, ha quindici versi simili ai riportati e peggiori. iuno lo legge, e vero; ma, torno a dirlo, i maestri e i dotti di mestiere lo lodano; e gl'imberbi de' collegi e de'licei a chi ponno credere se non a' mastri? aprono ii Salvini, e mandano ai corvi l' Iliadedivenuta carogna. Speriamo che ognuno ci crederà senza giuramento, esservi ne' dottori di greco moita impostura, e ne' maestri di lettere moita ignoranza mista a non poca venalità; taccio de'ciarlatani scienziati, scarnificatori di pesci, manigoldi d'animaletti, ceraunargiti, negromanti e rabdomanti. E molte lezioni delle cattedre di eloquenza, parlo di quelle dove ii professore e gli scolari non s'addormentano, sono piene degli esempi d' Angelo di Costanzo che faceva sillogismi in sonetti, e dell'eloquenza dell'orazione a Cario V dei Casa (ii Casa nel resto era bellissimo ingegno), e della sapienza poetica dei Muratori, e via cosi. Cosi s'accresce o almeno si mantiene ii numero della folla de'ciecchi credenti e paganti. II Salvini disse nella sua prefazione: Le mie traduzioni sono serra te ad un tempo ed eleganti: le Accademie e le Arcadie dissero: Cosi e; e la folla disse: Cosi dunque dev 'essere. Or a dir vero le Accademie e la folla non fanno male. Cosi e, cosi deve essere, sono sillabe spiccie e tagliano ii groppo: ma per imparare se COSI e, e come, e perche, bisogna fatica e meditazione: ed a che pro tanti libri se si puo divenire maestro, e far i suoi studi, con poche regole e con a\cune sentenze? L'Ecclesiaste lo ha detto: his amplius, fili mi, ne requiras... - Faciendi et legendi plures libras nullus est finis; frequensque medita tio carnis afflictio est. Cap. XII. Girolamo Bacelli tradu sse l' Odissea nel seco lo XVI, e fu pubblicata postuma ne11585; ne I'a utore ebbe vita da ripulirla ne da condurre a termine anche I' Iliade che' egli lascio tradotta sino ai settimo libro. Gli editori della Collana de ' poeti greci in Livorno ristamparono di fresco quest' Odissea, Iodando a cielo la Salviniana, ma posponendola . E certo che ii Bacelli paragonato ai Salvini appare Orlando rimpetto a Brunello . Ad ogni modo questa versione ha un non so che di languido e di negletto ne/ modi, di 140 Ueo Foscolo mãos, na realidade, o faziam com suas próprias mãos. Salvini sabia grego, mas não tem discernimento, vocês não têm nem conhecimento, nem discernimento, nem grego, nem vergonha, nem um pouco de consciênda, pedantes como são em corpo e ... estava para dizer em corpo e alma, mas vocês, para as letras, de alma não têm sequer uma centelha. Do inído até o fim de cada página, Salvini, contando a partir de baixo, tem quinze versos semelhantes aos que mendonamos, e até piores. Éverdade que ninguém o lê, mas, volto a dizer, os mestres e os doutores de profissão o elogiam, e os rapazes dos colégios e dos liceus em quem podem crer, se não nos mestres? Abrem Salvini, e deixam aos urubus a ilíada feito carniça. Acho que não é preciso jurar para que se acredite que há, nos doutores de grego, muita impostura, e nos mestres de letras muita ignorânda, misturada a não pouca venalidade. Edeixo de falar dos dentistas charlatães, dos destrinçadores de peixes, dos matadores de animaizinhos, dos ceraunomantes, dos necromantes e dos rabdomantes. Muitas aujas das cadeiras de Eloqüênda, refiro-me àquelas onde o professor e os alllllos não dormem, lançam mão dos exemplos de Angelo di Costanzo, que compunha silogismos em sonetos, da eloqüênda da Oração a Carlos Vde Della Casa (que, no mais, era pessoa de grande talento), da sabedoria poética de Muratori, e assim por diante. E dessa forma se aumenta ou, pelo menos, se mantém o grande número dos cegos que acreditam e que pagam. Salvini afirma em seu prefádo: II As minhas traduções são, ao mesmo tempo, condsas e elegantes As academias e as arcádias confirmam: IIÉ assim II, e o grande público repete: IIAssim, então, deve ser". Para dizer a verdade, as academias e a muJ tidão não cometem erro: IIÉ assim ll e II Assim, então, deve ser ll , são palavras rápidas e cortam o nó. Mas para saber se assim é, e de que maneira, e por quê, é preciso trabalho e meditação. Para que, então, tão grande número de livros, se é possível tomar-se mestre e completar os estudos com poucas regras e urnas poucas máximas? O Edesíastes diz: IIUm último aviso, filho meu: escrever livros e mais livros não tem limite, e o muito estudo desgasta o COrpOIl ..J6 Girolamo Bacelli traduziu a Odísséia no século XVI, e sua versão foi publicada póstuma em 1585. O autor não viveu o suficiente para acabar de aprimorá-la, tampouco para levar a cabo a ilíada, que deixou traduzida até o sétimo livro. Os editores da Coletânea de poetas gregos em Livorno reimprimiram recentemente esta Odisséia, elevando às alturas a de Salvini, mas considerando-a inferior a esta de Bacelli. E, certamente, este, diante de Salvini, parece Orlando em comparação com BrunelloY De qualquer forma, esta versão tem algo de lânguido e negligente nos modos, supérfluo ll • CLASSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A TOIOGt\ BILlI\GVE/ ITALlAI\<r PORTlJGUrs 141 superfluo nella lingua, e di me chino ne' versi che sembrano fatti tutti sul monocordo. e ii verso sciolto a que' tempi aveva ancora acquistata quella ricchezza di forza, di armonia e di frasi a cui giunse a' di nostri . II padre Soave faceva di tutto, e presto. Ove trattavasi di ragionamento e d'elementi riesciva utilissimo alie scuole, compendiando, spiegando e traducendo i libri di mastri di metafisica e di retorica, perche aveva ingegno paziente, penna andante e testa quadra; non sempre spregiudicata, ma questa era colpa forse dei suo vestimento talare. Ma le Muse non fanno avanzi se non dove trova no ignem, vigorem etcoelestem originem; onde il benemerito padre Soave maneggio J' Odissea come maneggio le Georgiche; e i suoi versi fatti a cento per giorno, ne piu ne meno, forse tra J'ora dell'ufficio divino e delle sue lezioni di logica, non fecero ne bene ne male. Tutti sanno ch' egli tradusse l'Odissea, e a niuno importa ch' ei J' abbia tradotta, ove non si vogliano eccettuare i Chierici regolari e i facitori di supplementi a' cataloghi deli' Argelati: gli uni trarranno compiacenza maggiore raccomandando a' lor collegiali un libro di piu dei loro dottissimo confratello; gli altri, occasione di sfoggiare la loro esattezza ed erudizione libraria. Ma prima di chiamare a confronto questi tre traduttori, da' quali chi legge un po' attentamente potrà ricavare piu frutto che dalle nostre opinioni, diremo dell'intendimento eol quale ii signor Pindemonte intraprese la sua versione. La prefazione non ha cose nuove, - e per nuOI'o intendiamo ii ri pensare originalmente quelle verità che da quando si pensa e si scrive devono essere già state pensate e scritte. Se non che ogni uomo avendo una tempra diversa d'ingegno e di cuore, ove egli abbia rischiarate coi proprio ingegno e riscaldate coi proprio cuore le idee, darà sempre un volto diverso alie piu trite sentenze; ii che non riesce a chi le ricava dagli altrui libri. Vero e che basta in SI fatte occasioni opinare giustamente, e sostenere I'opinione con buone ragioni; da che un poeta non dà un trattato nella ua prefazione, bensl dichiara ii modo ch'egli decreto di osservare scrivendo: cautela prudentissima, perche tali ti accusano nell'esecuzione dei libro di colpe che tu invece stimavi bellezze; bellezze e colpe che stanno in fine dei conto nell'opinione, e che non sono coronate o avvilite se non dali 'evento: onde bisogna prima combattere J'opinione da cui nacque ii metodo, anziche gridar la 142 Uco Foscolo na IÚlgua e pobre nos versos que parecem feitos, todos, no monocórdio. É preciso lembrar, no entanto, que, naquela época, os versos livres não tinham ainda adquirido aquela força, harmonia e riqueza de expressões que têm alcançado nos dias de hoje. Padre Soave fazia de tudo e rápido. Em se tratando de raciocínios e de noções rudimentares, ele servia muito bem às escolas, resumindo, explicando e traduzindo os livros dos mestres de metafísica e de retórica, porque tinha inteligência paciente, pena fluente e cabeça quadrada, nem sempre ousada, em razão, talvez, da sua veste talar. Mas as Musas não progridem senão onde encontram ignem, vigorem et coelestem origem, fogo, vigor e origem divina, de sorte que o benemérito padre Soave trabalhou com a Odisséia assim como fez com as Geórgicas. Seus versos, compostos em número de cem por dia, nem um a mais nem um a menos, talvez entre a hora do ofício divino e suas aulas de lógica, não fizeram nem bem nem mal. Todo o mundo sabe que ele traduziu a Odisséia, e a ninguém importa que ele tenha feito tal coisa, com exceção dos clérigos e dos compiladores dos catálogos de Argelati: 48 os primeiros terão a maior satisfação em recomendar a seus colegiais mais um livro de seu doutíssimo confrade, os segundos, a ocasião de exibir rigor e erudição bibliográfica. Mas antes de passarmos a comparar esses três tradutores, dos quais um leitor atento poderá tirar mais proveito do que das nossas opiniões, diremos a respeito do propósito com que o senhor Pindemonte empreendeu sua versão. O Prefácio não contém coisas novas - e por novo entendemos repensar com originalidade aquelas verdades que, desde quando se pensa e se escreve, já devem ter sido pensadas e escritas. Ocorre, no entanto, que cada homem, tendo índole, mente e coração diferentes, se chegar a esclarecer essas verdades com sua própria inteligência e a animá-las com suas próprias emoções, dará sempre uma feição diferente às idéias mais repisadas - o que não consegue quem se limita a extraí-las dos livros alheios. Nestes casos, é suficiente raciocinar corretamente e sustentar as próprias opiniões com boas razões, dado que um poeta, no Prefácio, não há de escrever um tratado, mas tãosomente expor o método que, ao escrever, entendeu observar. Cautela mais do que prudente, visto que alguns consideram, ao julgar o êxito do livro, culpas o que outros reputavam virtudes. Virtudes e culpas que, no final das contas, assentam em opiniões e que só são cumpridas ou desprezadas na execução. E é por isso que é preciso antes combater CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO· A i\TOLOGIA BILI:\GUEj I TALI,I No- PORTUGUts 143 crociata contro l'esecuzione, che, dato ii metodo, non poteva riescire diversa . [ ... ] Trattando, senza scomunicare anima nata, e lasciando ch'altri ne scomunichi, assicureremo che ii signor Pindemonte 5' attiene a giuste opinioni, poiche crede che ii tradurre la parola scrupolosa mente generi infedeltà, e che invece l'imbeversi dell'originale e ii \'enire come in giostra con esso, sia I'unico metodo di tradurre, benche molto piu malagevole. 10 ono 50, conclude I'autore, percM io non dica che la traduzione con un tal metodo lavorata diventa quasi una specie di inl'enzione, e che /'uomo facendosi traduttore non cessa, grazie aI cielo, d'essere poeta. E noi senza la modestia gentile dei non 50, diremo che sappiamo e vediamo che alia traduzione letterale e cdaverica non piu soggettar i se non un grammatico, e che alla versione animata vuolsi un poeta: or ii poeta sarà sempre piu fedele, perche poeta e grammatico non se la dicono SI bene tra loro come poeta e poeta. e spaiccia ai signor Pindemonte se noi tentiamo di a segnare i confini a questa libertà necessaria alie buone versioni, confini che sono stati spesso o non approssimati da'timidi, o sorpassati dagli animosi; e basteranno forse poche parole. La lingua deli a traduzione dovendo essere assolutamente diversa, la libertà di maneggiarla e d'accomodarla ali' originale dev'essere piena e assoluta; ma ii disegno de' pensieri, I'architettura dellibro, la passione dei poema, e tutti i suoi caratteri sono fondati su la natura dell'ingegno e dei cuore uma no, e la natura potendo rappresentarsi empre egualmente in tutte le lingue malgrado le loro infinite modificazioni, la fedeltà in queste pitture dev'essere serbata daI traduttore con cura e con religione. 14-1 Uco Frl"<::mo o modo de pensar do qual na ceu o método, no lugar de fazer uma cruzada contra a execução que, dado o método, não podia ser diferente. [... ) Agora, sem querer excomungar ninguém, e deixando que outros façam isso, dizemos com a maior convicção que o senhor Pindemonte se atém a opiniões justas quando afirma que traduzir as palavras conforme a letra redunda em infidelidade e que, pelo contrário, penetrar o original e jogar com ele é o único método de traduzir, ainda que muito mais trabalhoso. "Eu não sei - conclui o autor - por que eu não chegue a dizer que a tradução trabalhada com tal método se torna quase uma criação, e que uma pessoa, tornando-se tradutor, não deixa de ser, graças a Deus, poeta." E nós, deixando de lado a modéstia gentil do não sei, afirmamos com toda a certeza e conhecimento de causa que a uma tradução literal e cadavérica se submete apenas um gramático, e que para uma versão viva é preciso um poeta. E o poeta será sempre mais fiel, porque um poeta e um gramático não se entendem tão bem entre si como um poeta e outro poeta. E não desagrade ao senhor Pindemonte se tentarmos estabelecer certos limites para esta liberdade necessária para as boas versões, limites que, muitas vezes, mal tem sido abeirados pelos tímidos, enquanto foram ultrapassados pelos mais atrevidos. E serão suficientes poucas palavras. Sendo a língua da tradução totalmente diferente, a liberdade para manuseá-la e acomodá-la ao original deve ser plena e absoluta . Mas o encadeamento das idéias, a arquitetura do livro, a paixão do poema e todas as suas características assentam na natureza da inteligência e do coração humano, e como a natureza pode ser representada sempre por igual em todas línguas, apesar das variações infinitas destas, o tradutor deve manter com zelo e devoção a fidelidade a estas representações. CLÁ ICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - Al\lOL .IA BILI);GUE/ l r \ LlA,o- P (lRf ' CU~, 145 SULLA TRADUZIONE DELLO STERNE LETTERA A CAMILLO UGONI (28 OTTOBRE 1813) Questa lettera, pubblicata nel vol. XVII dell'Edizione azionale delle Opere deI Foscolo (Epistolario. IV, pp. 411-412), già citata, e riprodotta da Mario Fubini (in Ugo Foscolo. Firenze: La Nuova ltalia, 1988, pp. 525-534). La traduzione deI Viaggio sentimentale di Lawrence Steme, iniziata quando iI giovane Foscolo si trovava con le guamigioni napoleoniche a CaJais, esa ttamente nei luoghi dove aveva inizio iI romanzo, fu terminata ne11805, ma pubblicata solo ne11813. . [...] E meccanico sono stato io pure (né traducendo si puo far altro) in quella versione di Yorick, dove, per l'obbligo di provvedere di frasi e d'idiotismi gentili iI mio gracile testo, temo di essere incorso nell' affettazione cruschevole. Informatemi dell' effetto che quello stile ha fatto su le prime all'animo vostro; - su le prime - perché allora per quanto si vagheggino l'eleganze di lingua, si sente pur sempre I'affettazione se v'e; bensí alla seconda lettura I' affettazione par garbo; e allora in grazia deI merito cruschevole si perdona allo scrittore iI gravissimo difetto di non esprimersi con ingenua schiettezza, di cui fra ' latini e miracoloso esemplare appunto iI vostro Cesare, e que i deI Trecento fra' nostri; - poi, non già ii Boccaccio - bensí moltissimo iI Berni. Che se alcuno scrivesse oggi come il Caro quella divina versione di Longo, credete voi che avrebbe i lodatori ch'egli ha? Ed e perché in esso come in antico scrittore e naturale a' suoi tempi accarezziamo quelle sue ricercatissime grazie. Ma chi e mai degli illetterati che legge que libro? Vuolsi pur comporre de' libri per chi non sa, ed allettario ad intenderli ed a rileggerli; e quando trova pedanterie e lascivie di lingua raffreddasi e pianta illibro, e non e indulgente come voi siete quando in una pagina v'accorgiate d'erudizione accademica e di frasologia linda e forbita. Sí fatte frasi vanno messe quando la penna correndo le lascia inavvedutamente sgorgare; ma chi ci pensa a trovarle raffreddasi, quel suo intoppo arresta sul piu bello anche i lettori; perché senza che gli autori s'avveggano le modificazioni delle loro virtú e vizi intellettuali si trasfondono ne' loro scritti. Ora io ho iI cervello ghiribizzoso, - e vorrebbe pur abbellire ogni verso che mi 146 Um Foscol o SOBRE A TRADUÇÃO DE STERNE CARTA A CAMILLO UGONI (28 DE OUTUBRO DE 1813) Esta carta foi publicada no vol. XVII da Edição Nacional da Obra de Foscolo (Epistolário. IV, p. 411-412), já citada, e reproduzida por Mario Fubini (in Ugo Foscolo. Firenze: La uova ltalia, 19 8, p. 525-534). A tradução da Viagem Sentimental, de Laurence Steme, iniciada quando o jovem Foscolo encontravase com a guarnições napoleônicas em Calais, precisamente no lugares em que tinha início o romance, foi terminada em 1805, ma veio a público somente em 1 13. [... ] Eu também fiz um trabalho mecânico - pois, ao traduzir, não e pode fugir disso - naquela versão de Yorick, na qual, pela necessidade de encontrar para o meu texto, um tanto enxuto, frases e locuções nativas, receio ter incorrido na afetação à maneira dos acadêmicos da Crusca. Queira informar-me da primeira impres ão que tal estilo tem causado sobre seu espírito: da primeira, porque é imediatamente que, mesmo sendo cativados pelas elegâncias da língua, se percebe quando há afetação. Depois, numa segunda leitura, a afetação pode parecer graça e, então, em virtude do mérito de um estilo polido, perdoa-se ao escritor o defeito gravíssimo de não e expre sar num estilo singelo, direto, do qua l, entre os latinos, é exemplar exatamente o seu César e, entre os italianos, os escritores trecentistas, e, ucessivamente, não Boccaccio, mas, de modo especial, Berni. Se alguém, com efeito, escrevesse nos dias de hoje como Annibal Caro naquela sua versão divina de Longo, o senhor acredita que ele granjearia os louvores que Caro conquistou? É que nós, homens de letras, apreciamo neste escritor antigo aquelas elegância rebuscadas por serem própria e naturais de seu tempo. Mas quem, entre os não literatos, lê hoje e e livro? E, no entan to, escrevem-se livros para leitores comuns, exatamente para que procurem entendê-los e voltem a lê-los vária vezes. Este tipo de leitor, porém, quando encontra uma linguagem pedante e afetada, perde logo o entusiasmo e larga o livro, nem é indulgente como o seria o senhor quando chegasse a perceber numa página os vestígios de uma erudição acadêmica e a preocupação em escrever com esmero, compondo frases bem-acabadas. Frases dessa CLÁSSICOS DA TEORIA DA I RADC<,.ÃO - A\ TOLOG!.\ BIU\lU / ITAlI.\"o-Pom:l ,1I' 1~ 7 cada in prosa o in rima de' modi (vaghissimi in vero, ma vecchiuzzi O stranetti) di Guido Cavalcanti, e di Messer Cino, e d'altri a loro anteriori, che lessi a questi giorni attentissimo, e postilIai, Ma io voglio che queste reminiscenze di frasi si digeriscano nelIa mia testa, e svapori l'affettazione e la no\'ità troppa, e iI succo loro s'incorpori colla mia naturale maniera di sentire e di concepire; e quando scrivendo non mi parranno modi un po' strani, alIora li lascero correre, e senza pensarvi su, perch'io non sapro né dove né quando io li abbia accattati, e mi parranno tutti miei proprii e nativi, L'atticismo eun non so che simile ai sorriso quasi invisibile degli occhi gai d'una donna gentile che alletta graziosamente, e non pare; e l'eleganze grammaticali sono invece smorfie e moine d'un attempatella fraschetta; e chi non ecollegiale, o vecchio arrabiato d'amore, o castrato impotente, la pianta, é la lingua, per quanto sia nelIe sue voci purissima e propria, puo adattarsi a tutti i soggetti, quand'essa sente delIo studiato: anzi io credo, e credercredo ii vera, che ogni specie di scritto abbia iI proprio dialetto, necessario a non travisare la natura delIa sua specie .. , [ .. , ] 1. L'epigrafe e la ci tazione sono aggi unte a mano dai F. nell 'esemplare della Marucell iana. 2. Alia \'oce fante la Crusca spiega: serridore - anceJ/a - soldalo a piê - fanciuJ/o - crea tura umana - figura da giuoco, Ma nd l' All ighieri e deri va ta da fari latino, ed e animata dalle idee concomitanti di qualificare I'animale umano dalla laqueia, distinguendolo da ogni altra specie. Quando per volere dei tempo la lingua italiana non rispond erà che da ' vocabolari, s'intenderà mai per cssi quel \'erso di Dante, se oggi dobbiamo ribellarci da un 'accademia di grammatici e invcstiga rne ii senso dalla filosofia e dalle radiei d'un'altra lingua? E i dizionari grcc i non compilati, come i nostri, tre secoli dopo la morte dei nostro primo poeta, e nella sua patria, anzi inccrti da quali etimologie derivasse la lingua d'Omero, basteranno forse a' traduttori? Per tradurre quegli antichi poeti ci vuole molto greco, ma molto piu d'orecchio e moltissima logica: e non per tantoa ndrà pesso a chi meglio indovina. 148 Um Fosco LO ordem podem ser aceitas quando a pena fluente as faz surgir inadvertidamente, mas quando se tem a preocupação de introduzilas perde-se a naturalidade e tal interrupção acaba dificultando importunamente a leitura, pois, sem que os autores se dêem conta, sua virtudes e vícios intelectuais se transmitem para seus escritos. Ora, eu tenho um cérebro bizarro,49 e tenho a tentação de aperfeiçoar cada verso que me sai em prosa ou em rima com os modos (cheios de graça, é verdade, mas um tanto ultrapassados ou esquisito) de Guido Cavalcanti, de Cino da Pistoia e de outros poetas ainda, anteriores a eles, que li e anotei nesses dias com a maior atenção. Mas eu quero que estas reminiscências de frases sejam digerida em minha cabeça, que a afetação e sua estranheza excessiva desapareçam, e sua particularidade se incorpore à minha maneira natural de sentir e de pensar. Equando, ao escrever, não me parecerão mais modos esquisitos, então, os deixarei correr, sem pensar, porque não saberei mais de onde e quando os tomei emprestados, chegando a parecer-me todos meus, originais. A elegância e sobriedade de estilo é algo que se assemelha ao sorriso dos olhos alegres de uma mulher gentil, que seduz com graça, sem que se perceba. As elegâncias gramaticais, pelo contrário, são denguices e requebros de uma solteirona assanhada, e quem não é mais um colegial, nem um velho sequioso de amor, nem um castrado impotente, a larga. Tampouco a língua, se tiver algo de rebuscado, mesmo que suas palavras sejam purís imas e apropriadas, pode adaptar-se a todos os argumentos. Aliás eu acredito, e creio e tar com a verdade, que todo e qualquer tipo de escrito tenha sua própria língua, nece sária para que sua particular natureza não seja desvirtuada.[ ...] Tradução: Marzia Terenzi Vicentini Notas 1. A epígrafe c a citação foram acrescentadas à mão por Foscolo no exemplar da ed. Ma rucelliana. 2. ln Ugo Foscolo. Esperimenti di tr.1duzione de/rI/ia de. Primeira Pa rte. Edição crítica orga ni zada por Gennaro Barbarisi. Florença: Felice Le Monnicr, 1961 , p. ·10. Esta ata introduz o Esperimento di traduzione delllibro dell'l/iade, publicado em 1 07. 3. Esta terminologia é derivada de Locke, o autor do Ensaio acerca do entendimento humano, a que Foscolo atribui uma influência decisiva pa ra a sua formação intelectual. ~ . Ao \wbete infante a (rusca' explica: sen'idor, ancila, soldado de infantari,l, que c. tá na infância, criatura humand, I'alete das carta de jogar. Ma s em Dante tal termo é derivad o do latim (,lri, ter o u o da palavra, e adquire sua força de tal idéia secu ndária, pas~ndo CLA551COSDA TEOR IA DA TRADUÇÃO· A" TOLOC I,\ Bill (,l!E/ ITALlA\;o- PORT\;cuG 1-19 Vedrai all'lIltime pagine l'applicaziol1e di questo parere. QlIcste "considerazioni " dei F. 50110 precedute da quelle dei Monti e dei Cesarotti: "Sulla difficoltà di ben trad urre la protasi deli' I1iade considerazioni di Vincenzo Monti", pp. 89105; "Considera zioni di Melchior Cesarotti su l verso 'Oç ~1i TO!' (OVIO . Ia ,. WO~EV, TIPO" (ÓVlO", pp. 106-8. Un'altra nota colloco proprio all'inizio dei testo dei Cesarotti: "II Cesarotti interpreto nella sua prosa: Che conascel'a ció eh 'i!, che sar,7, eche fu. A tradurre pil1letteralmente andrebbe detto: II quale I'edea le essenti, II' future, le già essenti. Ma la manca nza dei neutro plurale ci stringe ad aggiugere cose, scorporando da ' nostri participi qllest'idea che vive ne' greci. La conillgazione irregolare dell'italiano es ere toglie nella voce future la somiglianza con essenti, somiglianza che sentita nell ' EOVTO , ed Eoaó!Jrvo fa comprendere con maggiore istantaneità ed lInità la l'irtu dei profeta ." 3. riu a\'anti, do\'e ii Cesa rotti cita Virgilio: 'novit namque omnia vates, Quae sint, quae fuerint , quae mox ventura trahantur ' Ceorg. IV, 392-3, ii F. aggiunse a mano: "E prima di Virgilio, Catullo e Lucrezio. , transactum quod sit in sevo Tum quae res instet: quod porro deinde sequatur. '" De Rer. Nat. I. 460-1. ~ . Vedi p. VIll e seg ». [qui p. 5 e segg.]. 5. Vedi vv. 628, e seg. 6. Da età sempiterna: Aristot. De Mundo, cap. VII. 7. lstmica VW, 99: ETTii3Àr41ópolç vrüaov à9avóTololV. lliad., lib. I, 89. /di/lia ad Espero. 9. 10. Eneide, lib. 11,55. II. Ad UI'iam, eleg. 1,93. 12. Enchi., lib. 1, 650. - Servio, i\'i. I3. Ceorg., IV, ~ I~ . 50 . Lib. XV III, 25. 15. Odissea, lib. XX IV, 59-67. 16. Lib. XII, 2~5 : Ambrosiae cecidere comae. 17. lliad., lib. XIV, 272. I . lliad., lib. XIV, 170; - Odissea, lib. VIII, ~. 19 Euripide, Ippa/., v. 1392 e seg. 20. A margine ii F. aggillnse: Cosi fra' la tin i Sanctlls e Sa nctissimu era sopra[n]nome di Ercole. Prop., lib. IV, eleg. IX lIbi vide Brollkusium . 150 UCO FOSCOLO a qualificM o animal humano pela fala, faculdade que o distingue de todas as outras espécies. Quando, então, pelo decorrer do tempo, o conhecimento da língua italiana depender exclusivamente de dicionários, como poderá ser entendido o verso de Dante, se hoje, para interpretá-lo corretamente, devemos rejeitar as instruções de uma academia de gramáticos e procurar inferir o seu Justo sentido da filosofia e das raízes de outra língua? Será que, para os tradutores, serão suficientes dicionários gregos compilados, não, como 05 nossos, apenas três séculos após a morte do nosso primeiro poeta e na sua mesma terra, mas quando já não havia mais nenhuma certeza da etimologia da língua de Homero? Para traduzir 05 antigos poetas gregos é preciso conhecer o grego muito bem, mas é preciso muito mais ter bom oll\'ido e fazer bom uso da lógica; e nem por isso se sairá melhor quem chegar a acertar os significados exatos. Ver-sc-á nas últimas páginas a aplicação deste parecer. 1 . d. A.I Foscolo refere-se ao famoso Vocabul,jrio da Cwsca, assim denominado em razão do propósito de seus compiladores, os acadêmicos florentinos do século XVI. de separar as palavras boas das impuras, assim como se separa a farinha do farelo, crusca em italiano. N.T. 5. Foscolo, conforme a tradição literária da época, adotava para 05 nomes gregos seus correspondentes latinos, assim, nesta tradução, para não perder a coerência das suas argumentações, manti\'emos tais denominações. N.T. 6. Veja-se a esse respeito o escrito anterior. 7. Ilíada, I, 528-530. Tradução de Fernando C. de Araújo Gomes, Rio de Janeiro: Ed. Ouro, 1965. 8. Foscolo nasceu em Zante, uma das ilhas Jônias, de mãe grega, N.T. 9. Nos versos imediatamente anteriores a estes, Júpiter, dirigindo-se a Tétis, anuncia a irrevogabilidade de suas decisões quando assinaladas com o movimento da cabeça. N.T, 10. Ístmica, VIII, 99. 11. Ilíada, I. 89. 12. Idílio a Héspero. 13. Eneida, II, 55. 14 . Ad Lil'iam, eleg, 1,93. 15 Eneida, I, 650. 16. Ceórgicas, IV, 450. 17. Livro XVIII, 25. 18. Odisséia, XXIV, 59-67. 19. Livro XII, 2~5: Ambrosiae cecidere comae. 20. Ilíada, XIV, 272. 21. Ilíada, XIV, 170; Odisséia, VIII, 364. 22. Eurípides, Hipólito, v. 1392 e sego 23. Cuncta supereilio mOI'('ntis·1 Com as sobrancelhas movendo todas as coisas.] 24. 5aul, ato III. Hino de David a Deus: Se iI capo accenni, trema f'unil·erso. ISe acenar com a CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - ANTOLOCIA BiliNGUE/ I rALlNo-p(~Uüs 151 II F. intende rim'iare alia nota aI I '. 71, p. 469 della seguente opera: " Sex. Aurelii Propertii Elegiarum libri quattuor, Ad fidem vcterum membrana rum, curis secundis Janis Brouchusii, sed ulo cast:gati, ecc. Amstelaedami, Apud Rod . 8 Gcth. Wctstenios, 1DCXXVII ». 21. Cuncta supereilio mOI'entis. ln fondo alia pagoII F. aggiunse: , Et aI Signor ch'i' ringrazio, Che pur coI ciglio iI ciel governa e foice.' Petr. Part. 2, on. ICCCLlII] E nuovamente iI maggiore de' no tri Pg., Xl. 106 canto: eh' e piu corto Spazio all'etterno, ch'un muover di ciglia AI cerchio che piu tardi in cielo e torto. 22. ell'inno di Davide a Dio: Se ii capo accenni, trema /'unil'erso. 23. Metamorf., lib. I, 179. H Giacitura delle parole: Ei disse, e tremendo inarco sue nere ciglia, Crolla sue ambrosi e eiocche e dà ii cenno, Impronta deI fato e sanzione d'iddio, L'alto cielo con tremito iI formidabile segno prese E tutto l'Olimpo daI centro crollo. 25. A margine ii F. corresse: "Finalment parmi che". 26. degnamente - La correzione e illeggibile. 27. un mig/iaio di I'ersi d'Omero. 28. Una parola aggiunta nell'interlinea e illeggibile. 29. Segue una parola illeggibile. 30. Segue un brel'e inilio di parola canc. IlIeggibile. 31. Segue una parola illeggibile. 32. trecento / 950 I'ersi. 33. Segue una parola illeggibile. 3-1 . desunta tutta da - L.1 correzione e illeggibile. 35. degli scrittori chiamando/i teorizzatori I'ani / qu. / teorizutori, e... 36. Segue una parola illeggibile. 37. Segue una parola illeggibile; sembrerebbe "protezioni ", ma iI Mayer legge "meretrici". 3 . Aggiunta interlineare illeggibile. 39. Seguono quattro parole illeggibili. -lO. Segue una parola illeggibile, equivalente a "commentatori" o simile. 152 Um FOSCOLO cabeça, treme o universo.1 25. Metamorfoses, I, 179. 26. Raimondo, 179-~ . Jesuíta dálmata, grecista e latinista, ensinou em várias cidades da Itália e traduliu a Ilíada em hexâmetros latinos. .T. 27. Francisco Ja\'ier, 1729-1788. Jesuíta me\icano, lecionou em Bologna e traduziu a Ilíada em latim. N.T. 28 Anton Maria, 1653-1729. Um dos compiladores do Vocabulário da Cmsca. 29. Scipione, 1653-1729. Grande emdito do século XVIII. .T. .T. 30. Foscolo tem presente, obviamente, a especificidade da colocação do adjetivo em italiano, que, quando anteposto ao nome, assume uma função qualificati\·a. .T. 31. 1735-180 .• .T. 32. 1elchiorre, 1730-180 . .T. 33. Alexander, 3~ .T. 168-7~t Guillaume Dubois De, 1731-1788. N.T. . 35. Anne, IM5-l720. .T. 36. Paul-Jéremie, 1732-1 O . N.T. 37. 1715-1816. N.T. 38. É esta a tradução de Fo colo: Disse; E accennó i neri sopraccigli: ai Sirel Satumio i crini ambro ii 'agitaronol Sul/a testa immortale, e dalle I'elle I A' fondamenti n'ondeggió I' Olimpo IFalou; e acenou as sobrancelhas pretas: ao Sire satúmio os cabelos ambro íacos agitaram-se sobre a cabeça imortal. e dos cumes às bases ondeou o Olimpol , a respeito da qual. num escrito de 1809, usando a terceira pessoa, chegou a dizer: "Conquanto se possa conceder que ele tenha traduzido o primeiro canto da Ilíada com toda a doutrina po sível. que se tenha embrenhado no original. que tenha conseguido dar força, calor, evidência e sobretudo, como alguém disse, grandíssimo mO\'imento às pinturas de Homero 1... 1, entretanto, deve-se admitir que, mesmo com todos esses méritos, nesta versão poética não há nem um mínimo sopro do espírito original. Com efeito, podem-se vi lumbrar todos os contornos, a mínimas particularidades do rosto, mas a expressão em sua totalidade é outra. Parece que outra pai\ão, outra alma movam aquele müsculos, com mais força e menos graça." N.T. 39. Esta carta, de 1 I~, juntamente com outras endereçadas a amigos e estudio os, e que deviam ser publicadas à guisa de introdução teórica ao segundo e\perimento de tradução do segundo livro da Ilíada, encontra-se de forma fragmentária no manu critos de Livorno. esta tradução, seguimos a Edição acional (Ugo Foscolo. E perimL'nti di traduzione dell'I1i.1dr. Cil., p. 219-222) que respeita a divisão dos fascículos manuscritos mantém as lacunas existentes. o entanto, em alguns casos e com o intuito de facilitar a leitura, reproduzimos, entre < >, pala\'Ta que F. S. Orlandini inseriu para preencher as falhas do manuscritos, ao organilar a edição de 19~ (Ugo Foscolo. Opere inrditr e postume. Poesie. Florença: Fclice Le Monnier, 194~ , p. 315-329.) N.T. ~O . Aqui o manuscrito se interrompe. Na segunda parte da carta, di tribuída em outros fascículos, Foscolo trata da poesia em geral e da importância da imitação da natureza. LÁS I(OS DA TEORIA DA TRADUÇÁO - Ar-. TOI ;1\ BUIr-;C;UE / ITAU,,,o- POKTLcuis 153 4J. Continua nel verso della carta. 42. Segue una parola illeggibile. 43. Aveva scritto: "S'acqueteranno". 44 ... . dllnqlle dei modo ; e qlli I. Una variante di tutto questo pa so credo si debba considerare ii frammcnto contenuto nell e. 6 r. dei fase. LVI, che non rientra negli argomenti probabili della lettera ai Monti (come appartenente a questa lo pubblica ii Viglione, op. cit., p. 254, n. 1): "Facilissimo forse (\'ar. : Ma quanto alia letteratu ra forse [facilissimoJ) era ii non cominciare le controversie, se di qllanti lIomini non avessero professa ta I'arte se non que' pochi che s'erano educ. Eran na ti, e s'erano educati alie lettere; ma chi non sape\'a poteva fare volle pur mostrare che sapeva giudicare (var.: volle pur mostrare che pote\'a sapeva fare), quindi la t. retori, i grammatici, e I'infinita turba di commentatori, ed agli esemplari si contrapposero spcsso le regole, e láutorità alia ragione, ele opinioni si divisero cosi accanite, che oggimai non sappiamo piú dove volgersi; ma incominciate. Ma poiche siamo a questi termini, non e per avventura agevole fatica questa di schiamazza re in mezzo agli altri, se mai si quetassero per alClln momento i c1amori non foss'altro per tanto spazio si breve ora, che i disputanti volessero una volta intendersi. [L'lIiade d'l Omero come [ii piúJ antico e ii maggiore de' Poeti, storico insieme, e padre universale d'ogni letteratura, fu ii piú antico campo (var.: luogo) deJle battaglie di tlltti l10i / J'origine ed e fel sa rà iI provoca tore di Mte le battaglie de' letterati. E chi dai tempo di Pisistrato in qlla facesse fare un indice degli scritti intomo ad Omero polemici da Pisistrato in qua, troverebbe piú volumi intomo ad Omero, che versi in tutti i suoi poemi. Quando abbiamo profittato le altre nazioni no 50, ma in ltalia non credo vedo che abbiamo data utilità". 154 Ur.o FOSCOLO 41 . Veja a nota 4. 42 . Pequeno lugarejo da Toscam, região que a Cru ca considerava o berço da língua italiana. N.T 43. No tom reles com que Dante retrata os demónios do Círculo VIll do Inferno, e, referindose ao sinal de partida feito por Barbariccia à sua patrulha, diz tal verso: "ed elli al'ea deI cul fafto lrombefta" le ele fez do cu trombeta). .T 44. Quer dizer, o próprio Foscolo. N.T 45. Referência à fra se de Tristram Shandy, personagem da obra de Lawrence Steme. .T. 46. Cap. XII, v. 12. NT. 47. Personagem do Orlando innamorato de M. M. Boiardo e do Orlando furioso de Ariosto, Brunello é uma espécie de herói ou gênio da arte de furtar. N.T 48. Filippo Argelati (1685-1755), erudito e numismata de Bolonha. Póstuma, em 1767, foi publicada a sua Biblioteca dos tradutores, com acréscimos de A. T. Villa. N.T 49. Significado do nome Shandy, protagonista da obra de Lawrence Sterne, no dialeto do Yorkshire. N.T CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADU\, Ao - A l':TOLOCIA B ILINGUE/ I TALIANO- PORTUGUÉS 155 GIACOMO LEOPARDI BRANI DELLO ZIBALDONE DI PENSIERI SULLA TRADUZIONE TRECHOS DO ZIBALDONE DI PENSIERI SOBRE TRADUÇÃO GIACOMO LEOPARDI BRANI DELLO ZIBALDONE DI PENSIERI SULLA TRADUZIONE Leopardi (1798 - 1837) ha dimostrato sin da moita giovane iI proprio va lore come traduttore. Le diverse traduzioni che ha realizzato sono servite da preparazione per la sua opera. Le sue prime osservazioni sulla traduzione si trova no già nel vasto epistolario e nei proemi alie traduzioni. Ma e nello Zibaldone di Pensieri (1817-1832), libro di saggi di oltre 4.000 pagine manoscritte su di una straordinaria varietà di temi, che Leopardi ha svolto le proprie idee sulla teoria e la critica della traduzione, poiché riflettere su questo argomento era una cosa importante, una necessità vitale per Leopardi. Appunto dallo Zibaldone sono stati scelti alcuni frammenti che presentiamo. Fonte: Zibaldonedi Pensieriin www.liberliber.it Un'osservazione importantissima intorno alie traduzioni, e che non so se altri abbia fatta, e di cui non ho in mente alcuno che abbia profittato, e questa . Molte volte noi troviamo nell'autore che traduciand p.e. greco, un composto, una parola che ci pare ardi ta, e nel renderIa ci studiamo di trovargliene una che equivalga, e fatto questo siamo contenho Ma spessissimo quel tal composto o parola comeche sai, non solamente era ardita, ma l'autore la formava allora a bella posta, e pero nei lettori greci faceva quel'impressione e risaltava nello scritto come fanno le parole nuove di zecca, e come in noi italiani fanno quelle tante parole dell ' Alfieri p.e. spiemontizzare ec. eco Onde tu che traduci, posto ancora che abbi trova to una parola corrispondentissima proprissima equivalentissima, tuttavia non hai fatto niente se questa parola non e nuova e non fa in noi quell ' impressione che facea ne'greci. E qui e cOSI comune I'inavvertenza che nulla piu. Perche se traducendo trovi quella parola e non la intendi, tu cerchi ne'dizionari, e per esser quella, parola di un classico, tu ce la trovi colla spiegazione in parola ordinarie, e con parola ordinarie la rendi e non guardi, prima se quell 'autore che traduce e ii solo che I'abbia usa ta; secondo se e ii primo; perche 158 G!ACO~ ! O LEOPARD! GIACOMO LEOPARDI TRECHOS DO ZIBALDONE DI PENSIERI SOBRE TRADUÇÃO Desde muito cedo, Leopardi (1798 - 1837) demonstrou talento como tradutor. As várias traduções que Leopardi realizou servi ram de preparação para sua obra. As suas primeiras observações sob re tradução já se encontram no seu vasto epistolário e nos prefácios às suas traduções. o entanto, foi no Zibaldone di Pensieri (1817-1832), livro de ensaios de 4000 páginas manuscritas sobre uma extraordinária variedade de temas, que Leopardi desenvolveu suas reflexões sobre teoria e crítica da tradução, pois refletir sobre este assunto era uma tarefa importante, uma necessidade vita l para ele. É, pois, do Zibaldone que foram ex tra ídos alguns dos fragmentos aqui apresentados. Fonte: Zibaldone di Pensieri in www.liberliber.it Uma observação importantíssima em torno das traduções, que não sei se outros já fizeram e da qual não me consta que alguém tenha aproveitado, é a seguinte. Muitas vezes nós encontramos no autor que traduzimos, por exemplo, grego, um composto, uma palavra que nos parece ousada, e ao traduzi-la nos esforçamos para encontrar uma palavra que lhe corresponda, e ficamos contentes. Mas freqüentemente o tal composto ou palavra, não somente era ousada, mas o autor a falsificava de propósito, e impressionava os leitores gregos e a destacava no escrito como fazem as palavras novas em folha, como para nós, italianos, impressionam as tantas palavras de Alfieri, por exemplo, despiemontezar etc., etc. De modo que você que traduz, mesmo que tenha encontrado uma palavra bem correspondente, própria e equivalente, não fez nada se essa palavra não é nova e não causa em nós aquela impressão que causava nos gregos. E aqui o descuido é muito comum. Se ao traduzir você encontra a palavra e não a entende, você procura nos dicionários, e por ser aquela palavra a de um clássico, você a encontra com a explicação em palavras simples, e com palavras usuais a traduz e não verifica, em primeiro luga r, se o autor traduzido é o único que a tenha usado; em segundo lugar, se é o primeiro, porque CLASSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO· A I\TOLOGIA BIlIi' CUE/ ITALlAr-.o- PORTUGUÉS 159 potrebbe anche dopo lui esser passa ta in uso e nondimeno non essere stato meno ardito ne nuovo ne esprimente iI suo primo usaria. Ecco un esempio. Luciano ne'Dial. De'morti; Ercole e Diogene; usa la parola ã í ô á í ti ii"lÍ. Cerca ne'Le sici; spiegano: succedaneus ec. ma se tu volti: sostituto, o che 50 io, non arrivi per niente all'efficacia burlesca e satirica di quella nuova parola di Luciano che vuol dire: contrappersona, e colla sua novità ha una vaghezza e una forza particolare specialmente di diridere. (N.B. io non 50 se questa voce di Luciano sia di lui solo: la trovo ne'Dizionari senza esempio, onde potrebbe anche esser propria della lingua: e bisogna cercare migliori dizionari che io per ora non ho; perche cadrebbe a terra quest'esempio, per altro sufficiente a dare ad intendere, vero o no che sia, la mia proposizione e osservazione). Quello che io ho detto delle parole va inteso anche dei modi frasi ec.ec.ec II posseder piu lingue dona una certa maggior facilità e chiarezza di pensare seco stesso, perche noi pensiamo parlando. Ora nessuna lingua ha forse tante parole e modi da corrispondere ed esprimere tutti gl'infiniti particolari deI pensiero. II posseder piu lingue e iI potere percio esprimere in una quello che non si puo in un'altra, o almeno cOSI acconciamente, o brevemente, o che non ci viene cOSI tosto trovato da esprimere in un'altra lingua, ci dá una maggior facilità di spiegarci seco noi e d'intenderci noi medesimi, applicando Ia parola all'idea che senza que ta applicazione rimarrebbe molto confusa nella nostra mente. Trovata la parola in qualunque lingua, siccome ne sappiamo iI significato chiaro e già noto per l'uso altrui, cOSI la nostra idea ne prende chiarezza e stabilità e consistenza e ci rimane ben definita e fi sa nella mente, e ben determinata e circoscritta. Cosa ch'io ho provato molte volte, e si vede in questi stessi pensieri scritti a penna corrente, dove ho fissato le mie idee con parole greche francesi latine, secondo che mi rispondevano piu precisamente alIa cosa, e mi venivano piu presto trova te. Perche un'idea senza parola o modo di esprimerla, ci sfugge, o ci erra nel pensiero come indefinita e mal nota a noi mede imi che l'abbiamo concepita. Colla parola prende corpo, e quasi forma visibile, e sensibile, e circoscritta. 160 G I , \ CO~ I O LWPARDI poderia também depois dele ter passado ao uso e, todavia, não estar sendo menos ousada, nem nova, nem exprimir o seu primeiro uso. Eis um exemplo: Luciano nos Diálogos dos mortos; Hércules e Diógenes usa a palavra ã í ô á í ti fi Yí. Procura nos dicionários, explicam: sucedâneo, etc., mas se você traduz: substituto, ou algo assim não se chega à eficácia burlesca e satírica da nova palavra de Luciano, que quer dizer: contrappersona e com a sua novidade possui algo vago e uma força particular, especialmente a de zombar. (N. B. eu não sei se essa palavra de Luciano é somente dele: encontro-a nos dicionários sem exemplos, podendo ser própria da língua. É necessário procurar em dicionários melhores, que eu, neste momento, não tenho; porque cairia por terra esse exemplo, suficiente para entender, verdadeiro ou não que seja, a minha proposição e observação). O que eu afirmei sobre as palavras, deve também servir para os modos, frases etc. etc. Dominar várias línguas traz uma maior facilidade e clareza de pensar consigo mesmo, porque nós pensamos falando. Ora, nenhuma ltngua possui tantas palavras e modos que exprimam e correspondam a todas as infinitas particularidades do pensamento. Dominar várias línguas e poder, em conseqüência, exprimir em uma o que não se pode exprimir em outra, ou ao menos tão ordenadamente, ou brevemente, ou que não nos ocorrem assim rapidamente para exprimir em uma outra língua, nos dá uma maior facilidade para podermos nos explicar e nos entendermos a nós mesmos, aplicando a palavra à idéia que, sem esta aplicação, ficaria muito confusa na nossa mente. Encontrada a palavra em qualquer língua, sabendo o significado claro e já conhecido pelo uso dos outros, a nossa idéia torna-se clara, estável e consistente, ficando bem definida, fixa, determinada e circunscrita na mente. Fato que eu experimentei várias vezes, e que se percebe nestes meus pensamentos, escritos ao correr da pena, onde fixei as minhas idéias com palavras gregas, francesas, latinas, segundo respondiam, para mim, mais precisamente à coisa, e me ocorriam mais rapidamente. Porque uma idéia sem palavras ou modo de exprimi-la nos escapa ou vaga no nosso pensamento como indefinida e mal conhecida a nós mesmos, que a concebemos. Com a palavra, ela ganha corpo e quase uma forma visível, sensível e circunscrita. CLÁSSICOS DA TEOR IA DA TRADL'ÇÃO· AI\"TOI OCIA BIUI\(,UE/ I TALlM,o- POR11J(,UfS 161 Dic Quintiliano, 1. lO, c. 1. Quid ego commemorem Xenophontis incunditatem illam inaffectatam, sed quam nulla possit aflectatio con equi? Ecerto ogni bellezza principale nelle arti e neUo scrivere deriva dalla natura e non dall'affettazione o ricerca. Ora il traduttore necessariamente affetta, cice si sforza di e primere il carattere e lo stile altrui, e ripetere ii detto di un altro aLIa maniera e gusto dei medesimo. Quindi osservate quanto sia difficile una buona traduzione in genere di bella letteratura, opera che dev'e ser composta di proprietà che paiono discordanti e incompatibili e contraddittorie. E similmente I'anima e lo spirito e l'ingegno dei traduttore. Massime quando ii principale o uno de' principali pregi dell'originale consiste appunto neU'inaffettato, naturale e spontaneo,laddove il traduttore per natura sua non puo essere spontaneo. Ma d'altra parte quest'affettazione che ho detto é COSI necessaria ai traduttore, che, quando i pregi dello stile non sieno ii forte dell'originale, la traduzione inaffettata in queUo che ho detto, si puo chiamare un dimezzamento dei testo, e quando essi pregi formino il principale interesse deU'opera (come in buona parte degli antichi classici) la traduzione non é traduzione, ma come un'imitazione sofistica, una compilazione, un capo morto o se non altro un'opera nuova. [ francesi si sbrigano facilmente della detta difficoltà, perche neUe traduzioni non affettano maio COSI non hanno traduzione veruna (e lasciateli pUf vantare il Delille, e credere che possa mai essere un Virgilio), ma quasi relazioni dei contenuto nelle opere straniere; ovvero opere origina li composte de' pensieri altrui. La stessa adattabilità e conformabilità che ho detto esser singolare nell 'uomo, non e propriamente innata ma acquisita . Essa e ii frutto dell 'assuefazione generale, che lo rende appoco appoco piu o meno adattabile ed assuefabile. Di lei non esiste originariamente nell'uomo, che una disposizione, la quale non e già lei. L'uomo stenta moltissimo da principio ad assuefarsi, a prender [1683] questa o quella forma, poi mediante l'assuefazione di farlo, appoco appoco se lo facilita . Cio si puo vedere ne' caratteri sociali. L' uomo che poco o nulla ha trattato, o da gran tempo non suol trattare, stenta moltissimo, anzi non sa punto accomodarsi ai carattere, ai temperamento, ai gusto, ai costume diverso delle persone, de'luoghi, de'tempi, delle occasioni. Egli non e dunque punto socievole, viceversa accade all'uomo solito a praticare cogli 162 G I"CO ~I O L WI'ARDI Diz Quintiliano, 1.10, c. 1 Quid ego commemorem Xenophontis incunditatem i/iam inaffectatam, sed quam /1ulla possit affectatio consequi? [O que direi daquela beleza não afetada de Xenofonte, mas que nenhuma afetação é capaz de alcançar?] O fatoéquea principal beleza das artes eda escrita deriva da naturalidade e não da afetação ou do rebuscamento. Ora, o tradutor necessariamente simula, isto é, esforça-se por exprimir o caráter e o estilo do outro, e repete o dito do outro à maneira e gosto deste. Observem, então, como é difícil uma boa tradução em se tratando de alta literatura, de uma obra que deve ser composta de propriedades que parecem discordantes, incompatíveis e contraditórias. O mesmo vale para a alma, o espírito e o engenho do tradutor. Sobretudo quando a principal, ou uma das principais qualidades do original, consiste no não afetado, no natural e no espontâneo, enquanto que o tradutor, pela própria natureza não pode ser espontâneo. Por outro lado, essa afetação é tão necessária ao tradutor, que quando as qualidades estilisticas não são o forte do original, a tradução não afetada pode dividir o texto, e quando essas qualidades constituem o principal interesse da obra (como em boa parte dos clássicos antigos) a tradução não é tradução, mas uma espécie de imitação sofistica, uma compilação, um capítulo morto, ou então uma nova obra. Os franceses resolvem facilmente essa dificuldade, porque nunca simulam nas traduções. Assim, não possuem nenhuma tradução (e deixemos que se vangloriem de DeWle e acreditem que possa ser um Virgílio), mas apenas relações de conteúdo nas obras estrangeiras; ou seja, obras originais compostas de pensamentos dos outros. A adaptação e conformidade que disse serem singulares no homem, não são propriamente inatas, mas adquiridas. São fruto do costume geral, que o torna paulatinamente mais ou menos adaptável e habitual. Originariamente, dela existe no homem apenas uma disposição, que ainda não é ela. O homem sofre muitíssimo, no princípio, para se habituar, para ganhar [1683] essa ou aquela forma , mas mediante o hábito de fazê-lo, pouco a pouco se torna mais fácil. Isso se pode observar nas características sociais. O homem que pouco ou nada fez, ou há muito não costuma fazer sofre muitíssimo, aliás não sabe adaptarse ao caráter, temperamento, gosto, costume diverso das pessoas, dos locais, dos tempos, das ocasiões. Ele então não é nada sociável. O contrário acontece ao homem acostumado a se relacionar com os CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A 'TOLOC I/\ BI UI-:GUE/ I TAUANo- PORTUGUEs 163 uomini. Egli si ada tta subito ai carattere ii piu nuovo eCo L'a suefazione deriva d-all'assuefazione. La facoltá di a suefarsi, dall'esser i assuefa tto. Percia appunto che la lingua francese non ammette se non ii suo proprio (unico) stile, e o e ammi ibile (non pera senza gua tarlo, quando si faccia senza giudizio), o certo piu uni ver ai mente facile ad es ere ammesso in tutte le lingue, che qualunque altro. Perch'ella e incapace di traduzioni, ella e piu facilmente di qualunque altra, traducibile in tutte le lingue coIte. Viceversa per le contrarie ragioni [1684] accade proporzionatamente alle altre lingue, e sopra tutte le moderne all'italiana, perch'ella sovrasta a tutte nella moltiplicità degli stili, e capacità di traduzioni. Le altre lingue contengono in certo modo lo tile francese, come un genere, il qual genere nella lingua francese e tutto. Vero e che in questo tal genere ella primeggia di gran lunga su tutte le antiche e moderne. Sviluppate e dichiarate questo pensiero: ed osservate che infatti le bellezze le piu minute della lingua france e i ponno facilmente rendere; e com'ella abbia corrotto facilmente quasi tutte le lingue d'Europa, ed insinuatavisi; laddove ella (quale ora e ridotta) non sarebbe stata certo corrompibile da niun'altra, nernn1eno in qualsivoglia circostanza si possa immaginare (12 sett. 1821). La lingua italiana e certo piu atta alle traduzioni che non sarebbe stata la sua madre latina. Fra le lingue ch'io conosco non v'e che la greca alla quale io non ardi ca di anteporre la nostra in questo parti colare, nel quale pera poca esperienza fecero i greci della loro lingua (16 Ott. 1821). Ho detto che la lingua italiana e suscettibile di tutti gli stili, e ho detto che la conver azione francese non si pua mantenere in italiano. Que ta non e contraddizione. L'indole della nostra lingua e capace di leggerezza, spirito, brio, rapidità eco come di gravità, eCo e capace di esprimere tutte le nuances della vita sociale, eCo ma non e capace, come nessuna lingua lo fu, di [19-l7]un'indole forestiera. CosI riguardo alie traduzioni. Ell'e capace di tutti i piü disparati stili, ma conservando la sua indole, non già mutandola; altrimenti la nostra lingua converrebbe che mancasse d'indole propria, ii che non sarebbe pregio ma difetto sommo. L'originalità (ch'e marcatis ima) non deve soffrire, applicandola a qual ivoglia stile o materia. Questo appunto 164 GI ,ICO\lO LWJ'IRDI homens. Ele se adapta imediatamente ao caráter mais novo etc. O hábito deriva do hábito. E a capacidade de se acostumar, de ter se acostumado. É por isso precisamente que a língua francesa não admite senão o seu próprio (único) estilo, isso é admissível (não, contudo, sem danificálo, quando se atua sem critério), ou universalmente mais fácil de ser admitido em todas as línguas que qualquer outro. Já que ela é incapaz de traduções, ela é, mais que qualquer outra, facilmente traduzível em todas as línguas cultas. O contrário, por razões opostas, [1684J acontece proporcionalmente às outras línguas, e entre as modernas, à italiana, porque ela impõe-se sobre todas com a multiplicidade de estilos e capacidade de tradução. As outras línguas contêm, em certo sentido, o estilo francês, como um gênero, que na IÚ1gua francesa é tudo. É certo que nesse tal gênero ela se sobressai há tempo sobre todas as antigas e modernas. Desenvolvam e declarem esse pensamento: observem que, de fato, as belezas mais recônditas da língua francesa são facilmente trad uzidas; como ela, insinuando-se facilmente corrompeu quase todas as línguas da Europa, como ela certamente (no estado atual e reduzida) não teria sido corrompida por nenhuma outra, em qualquer circunstância que se possa imaginar (12 de setembro de 1821). A língua italiana é certamente mais apta às traduções do que foi a sua mãe latina. Entre as línguas que conheço, não existe outra além da grega, à que eu não ousaria antepor a nossa nesse particular, em que, contudo, os gregos tiveram pouca experiência de sua língua (16 de outubro de 1821). Disse que a língua italiana é suscetível de todos os estilos, ainda que a conversação francesa não possa ser mantida em italiano. Nenhuma contradição nisso. A índole da nossa língua é capaz tanto de leveza, espírito, brio, rapidez, etc., como de gravidade etc.; é capaz de exprimir todas as nuances da vida social, etc., mas não é capaz, como nenhuma língua o foi, de [1947J uma índole estrangeira. O mesmo vale para as trad uções. A língua é capaz dos mais variados estilos, mas conservando, não mudando, a sua índole; caso contrário, à nossa língua conviria não ter ú1dole própria, o que não seria um valor, mas grande defeito. A originalidade de nossa língua (que é muito marcada) não deve sofrer quando aplicada a qualquer estilo ou matéria. Isso é exatamente aquilo CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A,\TOI (1(;1,1 BI Llr-:CUE/ IT,III·I "O-POR ILcuis 165 e cio di cui ella e capace, e non di perderia ed alterare ii suo carattere per prenderne un altro forestiero, dei che non fu e non e capace nessuna lingua senza corrompersi. E ii pregio della língua italiana consiste in cio che la sua indole, senza perdersi, si puo adattare a ogni sorta di stili. Il qual pregio non há ii tedesco, che há la stessa adattabilità e forse maggiore, non pero conservando ii suo proprio carattere. Or questo e cio che potrebbero fare tutte le lingue le piu restie, perche rinunziando alia propria indole, e in somma corrompendosi, facilmente posso no adattarsi a questo o quello stile forestiero. [... ] Questo dWlque non si chiama esse r buona alie traduzioni. Cio vuol dir solo che una tallingua puo senza incomodo e pregiudizio delle sue regole gramaticali adattarsi alle costruzioni e all'andamento di qualsivoglia altra lingua con somma esattezza. Ma I'esattezza non importa la fedeltà eCo ed un'altra lingua perde ii suo carattere e muore nella vostra, quando la vostra nel riceverla, perde ii carattere suo proprio, benche non violi le sue regole gramaticali. Omero dunque non e Omero in tedesco, come non e Omero in una traduzione latina letterale, giacche anche illatino cOSI poco adattabile, pur si [1950] adatta benissimo alie costruzioni eCo massimamente greche, senza sgrammaticature, ma non senza perdere ii suo carattere, ne senza uccidere e se stesso, e ii carattere dell'autore COS! tradotto. Ed ecco come si puo unire in una stessa lingua ii carattere flexibilee rude, o restio. Fine. Laddove la lingua italiana, che in cio chiamo única tra le vive, puo nel tradurre, conservare il carattere di ciascun autore in modo ch'egli sai tutto insieme forestiero e italiano. Nel che consiste la perfezione ideale di una traduzione e dell'arte di tradurre. Ma cio non lo consegue com la minuta esattezza dei tedesco, benche sai capace di moita esattezza essa pure (come si puo vedere nell'italiano dei Monti); bensl coll'infinita pieghevolezza e versatilità della sua indole, e che costituisce la sua indole. Tornando ai proposito, i costumi forestieri introducono in una nazione e nella sua lingua I'indole forestiera . Quindi e che la lingua italiana non e adattabile, come nessun'altra, (e la tedesca meno di ogni [1951] altra) Stael passim, alia conversazione precisamente francese, qual e quella che i costumi francesi introducono, bens! a tradurla, e pareggiarla. Questa facoltà pero finora non e in atto ma in potenza. Se gl'italiani avessero piu società, dei che sono capacissimi, (come lo furono ne1500) e se conversassero non in francese ma in italiano, essi bem presto riuscirebbero a dare alia loro lingua le parole e qualità 166 C I ICO\IO LfOPARDI do que ela é capaz e não de perder e alterar o seu caráter para adquirir um outro estrangeiro, do que não foi e não é capaz nenhuma língua sem se corromper. Eo valor da língua italiana está naquilo que na sua índole, sem se perder, pode er adaptado a qualquer tipo de estilo. O alemão não possui esse valor, pois possui a mesma ou talvez maior adaptabilidade, mas, não conserva o seu próprio caráter. Ora isso é tudo que poderiam fazer toda as línguas mais restias, porque renunciando à própria índole, e, em suma, corrompendo-se, facilmente podem se adaptar a este ou àquele estilo estrangeiro. [... ] Isso, portanto, não é bom para as traduções. Isto quer dizer somente que uma determinada língua pode, sem incômodo e dano de suas regras gramaticais, adaptar-se às construções e ao andamento de qualquer outra língua com grande exatidão. Mas a exatidão não importa a fidelidade etc e uma outra língua perde o seu caráter e morre na sua, quando a sua ao recebê-la perde o seu próprio caráter, mesmo não violando as suas regras gramaticais. Homero, portanto, não é Homero em alemão, como não é Homero em uma tradução latina literal, uma vez que o latim, embora tão pouco adaptável, se [1950] adapta muito bem às construções, etc., especialmente gregas, sem agramaticalidades, mas não sem perder o seu caráter, nem sem se destruir e sem destruir o caráter do autor assim traduzido. E eis como se pode unir em uma mesma língua o caráter flexÍlrel e rudeou restio. Fim. Enquanto a língua italiana, que eu considero nisso a única entre as vivas, pode, ao traduzir, conservar o caráter de cada autor de modo que ele seja ao mesmo tempo estrangeiro e italiano. isso reside a perfeição ideal de uma tradução e da arte de traduzir. Mas isso não se consegue com a exatidão minuciosa do alemão, mesmo que seja capaz de muita exatidão ele também (como se pode ver na italiano de Monti), mas com a infinita flexibilidade e versatibilidade da sua índole, e que constitui a sua índole. Voltando ao propósito, os costumes estrangeiros introduzem em uma nação e na sua língua a índole estrangeira. Por isto é que a língua italiana não é adaptável, como nenhuma outra, (e a alemã menos que qualquer [1951] outra) Stael passim, precisamente à conversação francesa, que éa que os costumes franceses introduzem, masa traduzi-la e comparála. Essa capacidade, contudo, até agora não existe em ato, mas em potência. Se os italianos fossem mais sociáveis, e disso são capaze , (como o foram no século XVI) e se conversassem não em francês, mas em italiano, eles bem rapidamente conseguiriam dar à ua língua as palavras e qualidades LI.AS ICOS DA nORIA DA TRADUçAo - AI\TOLC1CI\ BllI'l.LI Ilr\lI \\(l- PllRwcl:i, 167 equivalenti a quelle della francese in questo genere, e non per tanto parlerebbero e scriverebbero in italiano: riuscirebbero a creare un linguaggio sociale italiano tanto polito, raffianto, pieghevole e ricco e gaio ec. quanto iI francese. Non pero francese, ma proprio e nazionale. E in questo si potrebbe bem tradurre allora illinguaggio francese o scritto o parla to, che oggi non traduciamo, ma trascriviamo, come fanno i traduttori tedeschi. Questa capacità e dell'indole dell 'italiano, e quindi inseparabile da esso, non pero puo ridursi ad atto, senza le necessarie circostanze, come solo in questi ultimi tempi la lingua o la poesia italiana, e stata, non resa capace, ma effetivamente applicata allo splendore ec. dello stile virgiliano (19 Ott. 1821). La perfezion della traduzione consiste in questo, che l'autore tradotto, non sia p. e. greco in italiano, greco o francese in tedesco, ma tale in italiano o in tedesco, quale egli e in greco o in francese. Questo e iI difficiIe, questo e cio che non in [2135] tutte le lingue e possibile.ln francese e impossibile, tanto iI tradurre in modo che p.e. un autore italiano resti italiano in francese, quanto in modo che Egli sai tale in francese quale in italjano. ln tedesco e facile iI tradurre in modo che l'autore sia greco, latino italiano francese in tedesco, ma non in modo ch'egli sia tale in tedesco qual e nella sua lingua. Egli non puo essere mai tale nella lingua della traduzione, s'egli resta greco, francese ec. Ed allora la traduzione per esatta che sia, non e traduzione, perche I'autore non e quello, cioê non pare p.e. ai tedeschi quale ne piu ne meno parve ai greci, o pare ai francesi, e non produce di gran lunga nei lettori tedeschi quel medesimo effetto che produce I'originale nei lettori francesi ec. Questa e la facoltà appunto della lingua italiana, e lo sarebbe stata la greca. Per questo io preferisco l'italiana a tutte [2136J le viventi in fatto di traduzioni. Quello che io dico degli autori dico degli stili, dei modi, dei linguaggi, dei costumi, della consersazione. La conversazioni francese si dee tradurre nell'italiano parlato o scritto, in modo che ella non sia francese in italiano, ma tale in italiano qual e in francese; tale iI linguaggio della conversazione in italiano, qual e in francese, e non pero francese (21 Nov. 1821). 168 equivalentes às da língua francesa nesse gênero, e portanto não falariam e escreveriam em italiano: conseguiriam criar uma linguagem social italiana tão polida, refinada, flexível, rica, clara etc. quanto o francês, porém não francesa, mas própria e nacional. Ecom isso bem se poderia traduzir, então, a linguagem francesa, escrita ou falada, que hoje não traduzimos, mas transcrevemos, como fazem os tradutores alemães. Essa capacidade é da índole do italiano, e portanto inseparável dele, porém não pode se reduzir em ato, sem as circunstâncias necessárias, como somente nesses últimos tempos a língua ou a poesia italiana foi, não capaz, mas efetivamente aplicada ao esplendor, etc. do estilo virgiliano (19 de outubro de 1821). A perfeição da tradução consiste em que o autor traduzido não seja, por exemplo, grego em italiano, grego ou francês em alemão, mas que seja em italiano ou em alemão como é em grego ou em francês. Isso é o difícil, isso é o que não é [2135] possível em todas as línguas. Em francês é impossível traduzir de modo que, por exemplo, um autor italiano permaneça italiano, de modo que seja em francês como é em italiano. Em alemão é fácil traduzir de modo que O autor seja grego, latino, italiano, francês em alemão, mas não de modo que ele seja em alemão como é na própria língua. Ele nunca pode ser como é na língua da tradução se permanece grego, francês, etc. E então a tradução, por mais exata que seja, não é tradução, porque o autor não é aquele, isto é, não parece, por exemplo, aos alemães o que pareceu aos gregos ou parece aos franceses, e não produz nos leitores alemães o mesmo efeito que produz o original nos leitores franceses, etc. Essa é precisamente a capacidade da língua italiana e teria sido a da grega. Por isso, eu prefiro a italiana a todas [2136] as outras línguas vivas com relação à tradução. O que eu afirmei sobre os autores, afirmo também dos estilos, dos modos, das linguagens, dos costumes, da conversa. A conversação franc esa se deve traduzir ao italiano falado ou escrito, de modo que ela não seja francesa em italiano, mas que seja em italiano como é em francês; a linguagem da conversa em italiano como é em francês, mas sem ser francesa (21 de novembro de 1821). Tradução: Andréia Guerini CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÁO - A 'TOlllGI,\ B I " cur / I T"LI , \;-"o P ORT~ G uts 169 NICCOLà T OMMASEO DEL TRADURRE COME POSSA GIOVARE ALL' ARTE E ANCO DEL RISTAMPARE DE COMO A TRADUÇÃO E A REEDIÇÃO PODEM FAVORECER A ARTE NICCOLà TOMMASEO DEL TRADURRE COME POSSA GIOVARE ALL' ARTE E ANC O DEL RISTAMPARE Scrittore e critico italiano, iccolo Tommaseo (1802 - 1874) curo la prima edizione dei Dizionario dei sinonimi (1830). Pubblico anche un volume di versi (Confessioni, 1836), ii racconto storico li duca d'A tene (1837). e11840 com pose Fede e bellezza, una delle sue opere piu importanti. A Venezia pubblico la prima edizione dei Dizionario estetico (1840), due volumi di Studi filosofici (1840) e due volumi di Studi critici (1843). Suo eanche I'importante Dizionario della lingua italiana (1858-1879) in sette volumi, realizzato in collaborazione con B. Bellini, e termina to da G. Meini. Tommaseo ha lasciato un 'opera vastissima e come si poteva aspettare ha anche teorizzato sulla traduzione.lI testo qui di seguito etfatto dallibro Della Bellezza Educatrice. Venezia: Co'tipi dei Gondoliere, 1838, pp. 262-70. Si potrebbe, chi nol vede?, scrivere un trattato assai largo e profondo sull'arte ele regole deI tradurre; dove insegnare in capitoli molto lunghi e divisi in moI ti paragrafi, come iI traduttore debba essere fedele senza servilità e libero senza licenza, ritenere lo spirito dell'autore e non rinnegare iI suo proprio, conservare I'indole della lingua da cui traduce e non travi are la sua; dar sentore anca de' difetti deli' originale, ma non porre troppa cura a ri trarli; conservare la stessa collocazione di voce ma non falsare pero la natura della favella propria; non essere né troppo chiaro ne troppo conciso; si potrebbe provare ogni cosa felicemente con passi felici e infelice di traduttore celebri, recare un fascio di quegli esempi che insegnano poco, e contessere una testuggine di quelle regole che non insegnano nulla. E da ultimo, potrebbe uno di quegli uomini semplici che non intendono discorsi lunghi, venirci a domandare se sia util cosa tradurre d'una lingua in un'altra scrittori iI cui pregio principale consiste nello stile, o in certa vena d'affetto che in altra lingua non si puo derivare, e di cui non occorre porgere esempi stranieri, poiche ciascun secolo, ciascun popolo, ciascun uomo ha e deve avere iI suo modo proprio di veder le cose e d'amarle. Certamente chi pensa che lo spirito d'un libro e la cosa piu 172 N ICCOLO T OM\I \SI o NICCOLà TOMMASEO DE COMO A TRADUÇÃO E A REEDIÇÃO PODEM FAVORECER A ARTE Escritor e crítico italiano, Niccolo Tommaseo (1802 -1874) organizou a primeira edição do Dizionario dei sinonimi (1830). Publicou um volume de poemas (Confessioni, 1836) e o conto histórico Il duca d'Atene(1837). Em 1840 escreveu Fede e bellezza, uma de suas mais importantes obras. Em Veneza publicou a primeira edição do Dizionario estetico(1840), dois volumes de Studi filosofiei (1840) e dois volumes di Studi aitiei (1843). Seu é também O importante Dizionario della língua italiana (1858-1879) em sete volumes, realizado em colaboração com B. Bellini, e concluído por G. Meini. Tommaseo deixou uma obra vastíssima e, como era de se esperar, também teorizou sobre tradução. O texto que segue foi extraído do livro Della Bellezza Educatrice. Venezia: Co'tipi dei Condoliere, 1838, p. 262-70. Poder-se-ia, quem não o vê?, escrever um tratado bem amplo e profundo sobre a arte e as regras de traduzir; no qual ensinar em capítulos muito longos e divididos em muitos parágrafos, como o tradutor deva ser fiel sem subserviência e livre sem licença, manter o espírito do autor e não renegar o próprio, conservar a índole da língua da qual traduz e não alterar a sua; dar indícios inclusive dos defeitos do original, mas não ter demasiado cuidado em suprimi-los; manter a mesma colocação das palavras mas não distorcer, porém, a natureza da própria língua; não ser nem claro demais nem conciso demais; poder-se-ia provar cada coisa oportunamente com trechos oportunos e inoportunos de tradutores célebres, formar um fascículo daqueles exemplos que ensinam pouco, e compor um robusto repertório daquelas regras que não ensinam nada. E por fim, um daqueles homens simples que não compreendem discursos longos, poderia vir nos perguntar se é coisa útil traduzir de uma língua para outra escritores cuja qualidade principal consiste no estilo, ou em certo quê afetivo, que em outra língua não se pode derivar, e do qual não é necessário dar exemplos estrangeiros, dado que cada século, cada povo, cada pessoa tem e deve ter o seu próprio modo de ver as coisas e de amálas. Certamente quem pensa que o espírito de um livro é a coisa mais CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A :-"TOLOGIII B ILlr\G l l f/ I TILlA~o- P ORTUGÉ5 173 preziosa deI libro, e che lo spirito non si puo tradurre, perch'e un misto delI'indole dell'uomo, dell'indole della lingua, dell'indole della nazione e deI seco lo, deve sentirsi un po' sgomentato daI battere codesta via. Non sarebbe pedanteria a chi ci parla delI e beUezze o dei difetti d'Omero e di Sofode, senza saperne la lingua, rispondere: !'oi non conoscete iI greco. COSI dicasi deI latino; COSI delle lingue moderne; sebbene la maggiore conformità e delle idee e delle favelle permetta d'indovinare piu facilmente nella traduzione iI vera senso delle espressioni e lo spirito delI 'opera intera. Ma tornando agli antichi, egli e COSI stretto iI vincolo delIa parola coI pensiero, e d'un pensiero con tutte le relazioni civili, mora li, domestiche dell'autore, che iI credere di poter giudicare rettamente un antico senza conoscerne la lingua, senza studiare la storia della sua nazione e deI suo tempo, e folIia. Giova nondimeno che traduzioni si facciano; e poi che si fanno, sarebbe buono che lasciando gli autori tante volte tentati, i traduttori si volgessero a'que'molti son quasi intatti, e co'quali lottare e piu facile, o piu glorioso. I frammenti de'poeti anteriori a Lucrezio, le commedie di Plauto, i commentarii di Cesare, le opere tutte di Cicerone, i Fasti e i Tristi d'Ovidio, alcuni tratti scelti di Catone, di Varrone, di emesiano, di Plinio, di Manilio, di Grazio, di Fedro, di Columella, di Seneca iI Tragico, di Stazio, di Silio, di Petronio, di Marziale, di Valerio Flacco, di Avieno, di Claudiano, e VelIeio Patercollo e Seneca iI Filosofo a Giovenale e Quitiliano e Svetonio e Valerio Massimo e Giustino e Gellio e Apuleio, e gli altri biografi delle basse età e sopra tutti i primi difensori deI cristianesimo; ecco (senza parlare de' Greci) ecco a' traduttori valenti immensa messe. Le opere storiche segnatamente, e le familiari, che chiudono la parte piu riposta e sovente piu preziosa della storia, giova che incontrino traduttori valenti. DeI resto se tanti scritti degli antichi ci fossero a noi resta ti , quanti ce ne resta no de'moderni, si vedrebbe che in que'tempi beati non erano minori le inezie, ne la mediocrità men feconda. E tra quelli stessi che noi chiamiam classici, quanti non ve n'ha che se fossero a noi piü vicini, si terrebbero, come sono, per ingegni nulla piü che mediocri? Quante, ne'Classici stessi piu sommi, le cose che se un moderno ne dicesse e di simili, 174 ICCOI oTO ~ I M ASEO preciosa do livro, e que o espírito não se pode traduzir, porque é um misto da índole dos homens, da índole da língua, da índole da nação e do século, deve se sentir um pouco atônito por insistir nesse rumo. Não seria pedantismo a quem nos fala das belezas ou dos defeitos de Homero e de Sófocles, sem conhecer-lhes a língua, responder: vós não conheceis o grego. Assim diga-se do latim, como das línguas modernas; ainda que a maior concordância das idéias e das línguas permita adivinhar mais facilmente na tradução o verdadeiro sentido das expressões e o espírito da obra inteira. Mas, voltando aos antigos, é tão estreito o vínculo da palavra com o pensamento, e de um pensamento com todas as relações civis, morais, domésticas do autor, que pensar em poder julgar corretamente um antigo sem conhecerlhe a língua, sem estudar a história da sua nação e do seu tempo, é loucura. Ainda que seja útil que se façam traduções, e já que se fazem, seria bom que, deixando os autores várias vezes traduzidos, os tradutores se voltassem àqueles muitos que estão quase intactos, e com os quais lutar é mais fácil, ou mais glorioso. Os fragmentos dos poetas anteriores a Lucrécio, as comédias de Plauto, os Comentários de César, todas as obras de Cícero, Fastos e Tristes de Ovídio, alguns fragmentos selecionados de Catão, de Varrão, de emesiano, de Plínio, de Manílio, de Grácio, de Fedro, de Columela, de Sêneca, o Trágico, de Estácio, de Sílio, de Petrônio, de Marcial, de Valério Flaco, de Avieno, de Claudiano, e Veleio Patérculo e Sêneca, o Filósofo e Juvenal e Quintiliano e Suetônio e Valério Máximo e Justino e Gélio e Apuleio, e os outros biógrafos das idades antigas e sobre todos os primeiros defensores do cristianismo; eis (sem falar dos Gregos), eis aos tradutores corajosos imenso plantio. As obras históricas particularmente, e as familiares, que preservam a parte mais secreta e freqüentemente mais preciosa da história, merecem encontrar tradutores corajosos. De resto, se tantos escritos dos antigos tivessem a nós chegado, quantos temos dos modernos, ver-se-ia que naqueles bons tempos não eram menores as tolices, nem a mediocridade menos fértil. E entre aqueles mesmos que nós chamamos clássicos, quantos não existem que se fossem a nós mais próximos, seriam considerados, como são, engenhos nada mais que medíocres? Quantas, nos próprios Clássicos mais excepcionais, as coisas que se um moderno dissesse ou de similares, CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A "TOLOGIA BILlr-;GUE/ I TALlANcr PORTUGUEs 175 né avrebbe durissimo ii biasimo? I progressi della civiltà non istanno ne nel numero di opere belle, ne nella veste della bellezza; stanno nell'essenza sua, nelle cose. E certo la letteratura moderna, quanto a profondità, a moralità, e da preferire ali' antica . Una scena dei Shake peare, due versi di Dante, una strofa dei Manzoni, bastano a provare siffatto progresso; qui ne la quantità delle opere, ne la loro estrinseca leggiadria non ha parte nessuna. ln educazione compiuta non sol i gli autori dei secol d'oro debbano e ser fatti conoscere: giacche, chi spiega solo Virgilio e Cicerone non intenderà bene tutto Giovenale ne Tacito; e gli stessi difetti de'grandi scrittori de'secoli men felici, son degni d'esame. Quegli ammiratori, si ardenti insieme e i freddi, che gridano ad ogni tratto oro e cJassici, cJassici e oro, ignorano o fingono d'ignorare che negli scrittori dei secol d'oro si possono osservare frasi riprovevoli, e buone in quelli deI secol di ferro. Ma non e percià a conchiudere che lo studio dei Latini si debba cominciare da Eutropio e da'pari suoi. Havvi nella semplicità e nella proprietà degli autori dei tempo d' Augusto una ragionevolezza si profonda, che merita d'essere proposta ad esempio. Se i nostri precettori nol fanno, se si contentano di gridare che i Classici sono classici, e di commentarli goffamente e di farli martoriare imitando, non e già per questo che sia tutta in tutti pedanteria la venerazione che a tali scrittori e dovuta. Poi, molt'opere storiche e poetiche, importantissime, conta I'Italia dei medio evo, e la moderna, scritte in latino, che gioverebbe o per intero o in parte almeno tradurre, per dimostrare che le ricchezze della nostra letteratura non sono tutte secondo ii giusto valore apprezzate. E cosi coloro che ci danno a conoscere i frutti delle letterature moderne si rendono benemeriti della nostra, non solo perché ci addestrano a meglio sentirne le ricchezze, e i bisogni, e ad allargarne i confini senza distruggerne gli argini , ma si perché ci danno nelle mani una tessera ospitale con cui riconoscere i lontani fratelli, aggiungono un vincolo a quell 'aurea catena d'amore che tutti deve stringere i popoli, dispongono I'umanità a riguardare le cose in sempre nuovi aspetti, e da una sola idea a svolgerne innumerabili. 176 I(COLO T O\l\I ISlO receberiam duras críticas? Os progressos da civilização não estão nem no número de belas obras, nem na aparência da beleza; estão na sua essência, nas coisas. E claro que a literatura moderna, quanto à profundidade, à moralidade, é preferível à antiga. Uma cena de Shakespeare, dois versos de Dante, uma estrofe de Manzoni, bastam para provar tal progresso; aqui nem a quantidade das obras, nem sua extrínseca graça vêm ao caso. Numa educação completa não apenas os autores do século de ouro devem ser conhecidos: pois quem explica só Virgílio e Cícero não entenderá bem toda a obra de Juvenal nem de Tácito; e mesmo os defeitos dos grandes escritores dos séculos menos felizes, são dignos de análise. Aqueles admiradores, tão ardentes e ao mesmo tempo tão frios, que clamam a cada momento OLlJO e clássÍcos, clássÍcos e OLlJO, ignoram ou fingem ignorar que nos escritores do século de ouro podem-se observar frases reprováveis, e frases belas naqueles do século de ferro. Mas nem por isso deve-se concluir que o estudo dos Latinos deva começar por Eutrópio e seus contemporâneos. Houve na simplicidade e na propriedade dos autores do tempo de Augusto uma racionalidade tão profunda, que merece ser proposta como exemplo. Se os nossos preceptores não o fazem, contentam-se em clamar que os Clássicos são clássicos, e em comentá-los tolamente e em martirizá-los imitando-os, não é por isso que em todos seja apenas pedantismo a veneração que é devida a esses escritores. Além disso, a Itália da Idade Média, e a modema, conta com muitas obras históricas e poéticas, importantíssimas, escritas em latim, que seria oportuno traduzir, ou por inteiro ou ao menos em parte, para demonstrar que as riquezas da nossa literatura não são todas apreciadas segundo seu justo valor. E assim aqueles que nos fazem conhecer os frutos das literaturas modernas tomam-se beneméritos da nossa, não apenas porque nos habilitam a apreender-lhe melJ10r as riquezas e as carências, e a alargarlhe as fronteiras sem destruir as margens, mas também porque nos colocam nas mãos uma carta de hospitalidade 1 com a qual reconhecer nossos irmãos distantes, acrescentam um vínculo àquela áurea corrente de amor que deve estreitar todos os povos, convidam a humanidade a rever as coisas sob aspectos sempre novos, a desenvolver inumeráveis idéias a partir de uma só. CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÁO - ANTOLOC1A B1 U1\GU[/ ITAUA1\o- PORTUGUÉS 177 Traducendo scrittori men ga tigati moita destrezza ci vuole ad appianare le inuguaglianze, gli equivoci brogliare, le membra dei periodo troppo lega te comporre, senza che lo stile dell'autore sia tutto falsato. ell'affrontar i poi con scrittori potenti, non tanto I'artifizio e pregio desiderabile quanto la semplicità, non tanto I'eleganza po ticcia quanto la chiarezza; e che non rie ca sciacquato ii concetto. Difficile congiungere con la fedeltà la franchezza. Ma le bellezze piu difficili a rendere, le inimitabili (e quelle che i piu s'incocciano a volere imitare) ono le bellezze che vengon dai cuore. Difficile la traduzione della prosa greca, dai ver o piu: ii cui spirito e chietto come un raggio d'aurora, tranquillo come un soffio di zefiro, limpido com'acqua che scorra tra margini ombrati e fiorenti. Dai latino piú facile. Chi de' traduttori biasima lo sciolto, e chi maledice alia rima. Si lasci libertà e della rima e dello sciolto, e la questione efinita. Libertà: questa parola e la piu semplice so lu zione delle questioni piú imbrogliate e piu lunghe. Certo non e facile infondere nello sciolto tutta la vita dei numero, ma vie men facile si e conciliare la fedeltà con la rima. Temano i traduttori specialmente ii timore di chiamar le co e coi proprio e com une vocabolo; e non facciamo come I'Omero padovano, a cui le mule sono le padreggianti figlie di bigenere prole. E quanto avrà sudato I'abate per cercare questa nobile perifrasi che demorsos sapit ungue . é la traduzione delle lingue moderne con note che le illustrino ele correggano e le ornino efacile: correttezza e decenza bastano alie piü: ma ii tradurre dai france e e difficilissimo, appunto per I'affinità delle lingue. E in quella affinità le differenze son tante! di frase, di costrutto, di numero, di concetto. Si nel tradurre e i nel ri tampare, i' vorrei che poche opere si dessero intere (Ie bellissime e le utilissime); molte a squarci. Perche poche son le opere dove I'impressione che si ri ceve dall'intero sia piu dolce, e diver a da quella che viene da alcune parti belle. Un libro intero puo e sere tentazione, contagio; un frammento di libro tale puo e sere edificazione e conforto. Cosi la mediocrità piú tediosa si vedrebbe a\'ere anch'essa i uoi meriti ed i suoi vanti. E in tanto ammontarsi di \'olumi, le antologie diventano non pure utili ma necessarie: ed e giuocoforza ingegnarci di risparmiare ii 17 Ao traduzir escritores menos aprimorados é preciso ter muita agilidade para aplainar as disparidades, desembaraçar os equívocos, compor os membros do período desunidos demais, sem que o estilo do autor seja totalmente desvirtuado. Ao confrontar-se com escritores eminentes, o artifício não é qualidade tão desejável quanto a simplicidade, nem a elegância artificial quanto a clareza; e que não resulte sumário o conceito. Difícil conjugar a franqueza com a fidelidade. Mas as belezas mais difíceis de gerar, as inimitáveis (e aquelas que a maioria se obstina a querer imitar) são as belezas que vêm do coração. Difícil a tradução da prosa grega, do verso mais ainda: cujo espírito é puro como um raio de aurora, tranqüilo como um sopro de vento, límpido como a água que escorre entre margens sombreadas e floridas. Do latim, mais fácil. Quem dentre os tradutores desaprova o verso livre, e quem maldiz a rima. Deixe-se a liberdade da rima e do verso livre, e a questão está resolvida. Liberdade: essa palavra é a mais simples solução das questões mais complicadas e mais extensas. Certamente não é fácil incorporar no verso livre toda a vida do metro, mas caminho menos fácil é conciliar a fidelidade com a rima. Devem temer os tradutores especialmente o medo de chamar as coisas com o vocábulo apropriado e comum; e não façamos como o Homero paduano, a quem as mulas são as paternizantes filhas de bissexuada prole. E quanto terá suado o abade para procurar essa nobre perífrase que demorsos sapit ungues [tem sabor de unhas roídas l. Nem a tradução das línguas modernas com notas que as ilustrem e as corrijam e as enfeitem é fácil: retidão e decência bastam à maioria; mas traduzir do francês é dificílimo, justamente pela afinidade das línguas. E nessa afinidade as diferenças são tantas I de frases, de construção, de número, de conceito. Tanto em traduzir quanto em reeditar, eu gostaria que poucas obras se publicassem inteiras (as muito belas e as muito úteis); muitas em fragmentos. Porque poucas são as obras em que a impressão que se recebe do todo é mais doce, e diferente daquela que advém de algumas partes belas. Um livro completo pode ser tentação, contágio; um fragmento desse livro pode ser edificação e consolo. Assim ver-se-ia que também a mediocridade mais tediosa tem os seus méri tos e as suas vantagens. Ecom uma quantidade tão grande de volume, as antologias tomam-se não apenas úteis, mas necessárias: e é imprescindível engendrar-se em economizar o CLÁSSICOS DA TEOR IA DA TRADUÇÃO - Ai\TOLOGIA BILN,u. / ILI! L\\:O- POK rLCLÉS 179 , piu possibile carta, spazio, tempo, parole, pazienza. Che non ogni corpo per la reci ione d'un membro perde vita, e per tal modo i malati sovente acquistano anità. L'eleganza dello stile, la profondità delle idee, la pienezza dell'erudizione, la singolarità della maniera on pregi che, anco disgiunti, allettano noi tanto avvezzi a rincontrarli disgiunti; ma gioverebbe che disgiunti non fossero. E tali scelte gioverebbe aggiungere come soprappiu alie opere maggiori che avvantaggiano ed ornano la scienza e I'arte; le quali alia misera Italia in que ti miseri tempi non mancano; e pagano in parte almeno ii debito da ciascuna nazione contratto ver o la com une civiltà. Ma ii vedere ai dl d'oggi moltiplicarsi tanto fra noi queste cei te, e ii trovarle, la piu parte, sl imperfette e SI male ordinate, ci fa entire piu vivo ii de ide rio d'una ben meditata raccolta che s'intitolas e: fi fiare delf'italiana letteratura, accompagnata da brevi illustrazioni, dirette ola mente a far risaltare le principali bellezze degli scritti trascelti, e a toccarne i difetti. Diretta da un solo, eseguita da piu letterati concordi, quest'impresa sarebbe dei pari onorevole che lucrosa: giacche rimitterebbe nel commercio europeo nomi e critti degnissimi di memoria; ed entrerebbe di necessità a formar parte di tutte le ben fondate biblioteche delle nazioni piu coite. Quaicosa s'e tentato già, ma non degno ancora che se promova ii successo e se ne segua I'esempio. II modo di scegliere e cosa facilissima, quando si vada d'accordo nelle cosa da seegliere. E questo e ii punto, ai quale lo seeglitore stesso suol pensar meno che ad altro. Chi vorrà scegliere d'un autore tutto ii bello, si troverà molto imbrogliato, perehé converrà che eominei dalla definizione dei Bello: ma chi in quella veee si mettes e in capo di volere seegliere (parlando per e empio di lettere) le piu morali, o le piu istruttive, o le piu eleganti, o le piu facete, o le piú urbane, quegli e n'andrà per la piu pia na, e otterrà meglio ii uo scopo: impereioeehe tutti quelli ehe stampano si suppone ehe stampino per uno scopo. E aproposito appunto di lettere, gli e un dolore, vedere in luogo di lettere vere di buoni autori, stampati eerti modelli di lettere imaginarie, imili ai luoghi eomuni dei retori. Finehe si tratta di faecende mercantili, di congratulazioni o simili, vada: ma dar modelli per domande in matrimonio, e per biglietti d'amore? Que to mi rammenta i dotti segretarii ehe stanno a Venezia appie della cala 1O máximo possível de papel, espaço, tempo, palavras, paciência. Poi nem todo corpo pela amputação de um membro perde a vida, e de tal modo o doent muitas vezes obtêm a cura. Aelegância do estilo, a profundidade das idéias, a plenitude da erudição, a singularidade do modo são qualidades que, ainda que eparadas, no seduzem, aco tumados que e tamos a encontrá-Ias separadas; mas eria melhor que não estive sem separadas. E seria oportuno incluir tai e coUlas como um acréscimo à obras maiores que engrandecem e realçam a ciência e a arte, que à mísera Itália de ses mí eros tempos não faltam; e pagam ao menos em parte o débito contraído por cada nação com a civilização comum. Ma ver, nos dias de hoje, multiplicarem-se tanto entre nós essas escolhas, e encontrá-las, na maior parte, tão imperfeitas e tão mal organizadas, no faz sentir mais vivo o de ejo de uma bem meditada coletânea que se intitula e: A fina flor da Jjteratura italiana, acompanhada de breve ilustrações, direcionadas somente a ressaltar as principais belezas dos escritos selecionados, e apontar de leve os seus defeitos. Organizada por um só, realizada por alguns literatos concorde, essa tarefa seria igualmente honro a e lucrativa: já que recolocaria no comércio europeu nomes e escritos muito digno de memória; e ocasionaria a necessidade de fazer parte de todas as bem fundadas bibliotecas das nações mais cultas. Alguma coisa já se tentou, ma não digna o bastante para que se u'e promova o sucesso e se u'e siga o exemplo. O modo de selecionar é coisa muito fácil, quando se concorda nas coisas a selecionar. E e e é o ponto, no qual o próprio organizador costuma pensar pouco. Quem quiser selecionar todo o belo de um autor, e sentirá muito confu o, porque eria conveniente começar pela definição do Belo; mas quem, ao contrário, tive se a idéia de querer selecionar (falando por exemplo de carta) as mais morais, ou as mai instrutivas, ou as mais elegantes, ou as mais espirituosas, ou a mai corteses, esse seguirá o caminho mais simples, e atingirá melhor o seu objetivo: enquanto todos aqueles que editam e supõe que editem com um objetivo. Ea propósito, justamente, de cartas, é um desgosto ver no lugar de cartas verdadeiras de bons autore, erem editado certos modelos de carta imaginária, semelhantes aos lugares-comuns dos oradores. Enquanto se trata de práticas comerciais, de congratulações ou afins, é aceitável: mas oferecer modelos para pedidos de casanlento, ou para cartas de amor? Lsso me lembra o sábios secretários que ficam em Veneza aos pés da escada dos r i \ cc lrf"'lC'n 'TrnO I\ f"\. 'n. ,.....",.. .. _ .\ ~ .. ~ _. o .... .... _/ l r . . . . . .... n .... ~_ . .,...,,.... lQl de'Giganti, a pettando la donnicciuola e ii galantuomo illetterato che venga per farsi elaborare lUla upplica, oppure lUla dichiarazione amorosa. E io mede imo ho voluto riportare un saggio della loro eloquenza; e ho, per lUl prezzo alquanto maggiore dei solito, ottenuta lUla dichiarazione nelle fom1e, ben llUlga e ben calda (perche tale era la commis ione), neUa quale ii mio amore era paragonato all'incendio di Troia. Quand'anche siffatte lettere fo sere modelli di grazia e d'eleganza, quell'es ere cOSI generali le renderebbe non solo inutili ma triste a chi vole se imitar/e. Un libro di lettere tali conosco io, che sono modelli di tutt'altro, fuorche di rispetto alle regole della grammatica. Ed e veramente doloroso che i librai ci abbiano a lucrar sopra. Una celta di lettera vorr'io riguardanti i piu comuni affari e accidenti della vita, scritte da Ita liani, o tradotte in vero italiano; con un indice in fine, delle frasi dell'uso presente, non barbare e non antiquate, atte ad e primere cose di commercio, d'arti, e tutti gli oggetti ele idee che occorrono ad ogni tratto nella vita civile e nella domestica. Possibile che un Iibro ben fatto avesse a fruttare meno d'un libro pessimo? Invito i Iibrai a farne la prova. Questa digressione sui libri scipiti, tocca specialmente i librai delle città di provincia. AI parere di moi ti tra costoro, nulla piu facile d'una ri tampa. - Si compra una edizione, qualunque, dell'opera; la piu corretta, la piu ricca, non importa: basta la piu economica. Se l' opera intera e voluminosa, se ne compra intanto una parte; ovvero si cominicia a ristampare un 'edizione, che in altra vicina provincia d'Italia non e ancora compiuta. Ristampare non vuol dir certamente perfezionare, correggere: queste sarebbero pretese ridicole de'soscrittori: basta dar loro l'opera a minor prezzo. Ecco adunque nella nuova ri tampa ricopiati fedelmente gli errori, riportate tutte le inutilità della prima: a cio fare, qual bisogno di letterato che consigli, d'uomo coito che corregga le stampe? Spese inutili: e un bravo libraio italiano non e cOSI sciocco da moltiplicare gli enti senza necessità. Quest'e I'assioma ch'egli saprebbe piu dottamente commentare di qualunque ora tore eloquente. Se annunzia dunque la ristampa di un'opera; si pubblica ii primo tomo: se i soscrittori non vengono, i lascia da parte l'impresa; nulla di piu ragionevole, di piu giusto. Questi (se e lecito ridurre in monologo le consuetudini, come soglion fare certi poeti tragici con gran diletto degli ascoltanti), on questi i pensieri che molti fra'librai d'Italia mostra no di nutrire intorno alia 182 Gigantes, esperando a senhorita e o cavallleiro iletrado que vem para se fazer elaborar uma súplica, ou uma declaração amorosa. E eu mesmo quis adquirir uma amostra da eloqüência deles; e obtive, por um preço muito mais alto que o usual, uma declaração na fomla devida, bem longa e bem ardente (porque esse era o pedido), na qual o meu amor era comparado ao incêndio de Tróia. Ainda que essas cartas fossem modelos de graça e de elegância, aquele aspecto tão generalizante as tornaria não só inúteis mas lamentáveis a quem as quisesse imitar. Um livro de cartas assim conheço eu, que são modelos de tudo, exceto de respeito às regras da gramática. E é realmente deplorável que os editores" lucrem com isso. Gostaria de LUna seleção de cartas a respeito dos negócios e fatos comLU1S da vida, escritas por Italianos, ou traduzidas em verdadeiro italiano; com um índice no fin, das frases do uso presente, nem bárbaras nem antiquadas, capazes de exprinUr coisas do comércio, das artes, e de todos os objetos e idéias quesão necessárias em cada momento da vida civil e da vida doméstica. Será possível que um livro bem feito possa ser menos rentável do que um péssimo livro? Convido os editores a fazer esse teste. Esse desvio para os livros insípidos refere-se especialmente aos editores das cidades das províncias. Na opinião de muitos deles, nada mais fácil que uma reedição. - Compra-se uma edição qualquer da obra; a mais correta, a mais rica, não importa: basta a mais econôrnica. Se a obra inteira é volumosa, compra-se inicialmente uma parte; então começa-se a reeditar uma edição, que numa outra província vizinha da Itália ainda não está completa. Sem dúvida reeditar não significa aperfeiçoar, corrigir: essas seriam pretensões ridículas dos assinantes: basta dar a eles a obra a um preço menor. Eis então na nova reedição recopiados fielmente os erros, transferidas todas as inutilidades da primeira: para fazer isso, qual a necessidade de um literato que aconseille, de LUn homem culto que corrija as impressões? Despesas inúteis: e um bom editor italiano não é tão tolo assim para multiplicar os gastos sem necessidade. Esse é o axioma que ele saberia comentar mais sabiamente do que qualquer orador eloqüente. Anuncia-se, portanto, a reedição de uma obra; publica-se o primeiro tomo:se os assinantes não aparecem, deixa-se de lado o projeto; nada mais sensato, mais justo. - Esses (se é licito reduzir em monólogo os costumes, como têm por hábito certos poetas trágicos com grande satisfação dos ouvintes), esses são os pensamentos que muitos editores da Itália demonstram ter em relação à dignidade da delicada arte deles. A maioria CLÁSSICOS DA TEORI A DA TRADucAo· A NTnI ()(; IA fJ II I\lCIIF /I rA II .\"n· PnRTI ,mc< 183 dignità della delicata arte loro. I piu (non parlo di coloro che null'altro cerca no se non libri frivoli, o buoni 010 a pascere gli occhi con la vaghezzza o con la tranezza delle incisioni), i piu, tra i libri da tampare scelgono i men atti a migliorare iI popolo o ad educarlo. Molti di que' che frequentemente e per non o gual cieca e sterile rivalità si ristampano, son libri pregevoli, ma non tali che iI piu de'lettori ne possa trarre immediato profitto, possa convertirsene ii buono e ii bello in propria ostanza, po a ridurne a sentimento profondo ed a pratica le decJamazioni, le discus ioni e le teorie. Egli e pur tristo a vedere come le opere piu ricercate e piu lette dalla moltitudine, sieno guasi sempre tra noi le piu mi ere; come ii diritto di parlare alia piu rispettabil parte della società sia quasi sempre affidato ai men atti; come i veri dotti della nazione non degnino neppur d'un pensiero guella che propriamente si dice nazione, e restringano ii limite dei doveri non meno che della gloria loro ai farsi intendere bene o male da guella piccolissima frazione d'umanità cui compete ii titolo di cortes i lettori; come la morale e la scienza paiano nei libri italiani indivisibili da guella gravità che e sinonimo di freddezza e di noia; come dai piu di coloro che tengono un linguaggio diverso, si creda di non poter iare deIJo spirito enza dir delle inezie. Considerati da questo lato, anche gli almanacchi presentano dei pensieri importanti: giacche ii molto spaccio di questi libri nel volgo potrebbe esser mezzo non impotente di bene, e non fa d'ordinario che confermare la docilità dei contentarsi in ogni co a di notizie imperfette. Se i letterati considerassero la profession loro, non come pas atempo o lucro, ma come dovere, gli almanacchi, con tutti altri libri, acguisterebbero una dignità ed un'amabilità tutta nuova fra noi; allora la scienza perderebbe I'antico diritto d'esser noiosa; e la facezia I'antica licenza d'esser imprudente ed inetta. Ringraziamo frattanto gue'libri che s'ingegnano, quanto e in loro, di scemare ii male, e d'inserire negli almanacchi qualche cognizione pratica gualche non inutile verità. Poi mantenere nelle associazioni tipografiche quello che si e promesso, e maraviglia tale che merita bene d'esser nota ta con gratitudine: giacche pare che in sim iii imprese i librai piglino sovente per legge ii consiglio di Federigo di Montefeltro: Lunga promes a con J'attender corto. 1.j (não falo daqueles que não procuram senão livros frívolos, ou bons apenas para alentar os olhos com a imprecisão ou com a peculiaridade das estampas), a maioria, dentre os livros a reeditar, escolhem os menos propícios para melhorar o povo ou para educá-lo. Muitos daqueles que freqüentemente e não sei por qual cega e estéril rivalidade se reeditam, são livros de valor, mas não de tal forma que a maioria dos leitores possa deles tirar proveito imediato, possa converter o bom e o belo em patrimônio próprio, possa transformar em sentimento profundo e em prática suas declamações, seus discursos e suas teorias. E no entanto é triste ver como as obras mais procuradas e mais lidas pela maioria, sejam quase sempre as mais mÍseras entre nós; como o direito de falar à parte mais respeitável da sociedade seja quase sempre confiado aos menos preparados; como os verdadeiros sábios da nação não tenham a complacência nem mesmo de um pensamento por aquela que propriamente se denomina nação, e restrinjam o limite dos próprios deveres e da própria glória em fazer-se entender bem ou mal por aquela mínima fração da humanidade a quem compete o título de prezados leitores; como a moral e a ciência parecem nos livros italianos indissociáveis daquela importância que é sinônimo de frieza e de tédio; como da maioria daqueles que possuem uma linguagem diferente, se acredita que não possam fazer ironia sem dizer bobagens. Vistos sob esse aspecto, até os almanaques apresentam pensamentos válidos: já que a grande venda desses livros entre o povo poderia ser um meio eficaz de utilidade, e normalmente confirma a docilidade de contentar-se sempre com conhecimentos incompletos. Se os literatos considerassem a própria profissão não como um passatempo ou lucro, mas como um dever, os almanaques, com todos os outros livros, adquiririam uma dignidade e uma delicadeza completamente novas entre nós; então a ciência perderia o antigo direito de ser tediosa, e a argúcia a antiga licença de ser imprudente e inconveniente. Agradecemos nesse meio tempo aqueles livros que se engendram, na medida do possível, em reduzir o mal, e em inserir nos almanaques algum conhecimento prático, alguma verdade útil. Além disso, manter nas associações tipográficas aquilo que se prometeu é tão admirável que merece ser observado com reconhecimento: já que parece que em tarefas semelhantes os editores freqüentemente tomam por lei o conselho de Federigo di Montefeltro: Promessa muita e cumprimento pouco. CLÁSSICOS DA TEOI<IA DA TRADUçAo - Ar-:TOLOGIA B ILlr-:(,jE/ I TW , \lo- P ORTL,('~ 185 La scorrezione delle stampe non e de'men gravi torti de'nostri librai . La punteggiatura segnatamente e negletta, parte importante negli scrittori accurati: parte, dico, e dell 'eleganza e deI numero. Molti degli stampatori no tri non si sono ancora avveduti che iI permE.ttere ad ogni particella congiuntiva una virgola, imbroglia iI senso piu molto che non lo rischiari. Anco nelle virgole c'entra l'arte. Gli accennati mali pero vengono già scemando. E gli almanacchi anch'essi lo provano, non piu tanto inetti, belIi taluni, e opera quasi d'arte e proprio da festeggiare iI nuov'anno. I minori potrebbero spargere nel popolo la cognizione di molte arti perfezionate o innovate; e giochi di chimica e fisica essere sostituiti a quegl'indovinelIi SI mal pensànti e scritti che, dopo sciolto l'enimma, rimane un altro enimma da sciogliere: che relazione corra tra le parole e l'intenzion delI'autore. Ce delle riforme che fanno risaltar meglio l'abuso. Le gioie nuziali facevano gemere i torchi italiani! E i nobili e i ricchi d'Italia, prima di dar nome a figliuoli, davano vita ad opuscoli. Strano genere di fecondità! Primo iI padre Roberti, insegno smettere l'uso sciocco delI e raccolte per nozze o simili solennità, e vi sostituIl'edizione di qualche libro d'importante soggetto. oi dobbiamo esser grati aI buon senso deI padre Roberti: ma resta ancora da domandare e sia necessario, quando due animal i ragionevoli si maritano, stampare un libro. Ripeto; le scelte migliori son quelle che dividono la materia per generi: e in questa guisa spartito si farà maneggevole iI sapere; e per materie vorre'io divi o ogni cosa, fino i giornali, che ciascuna disciplina in Italia avesse iI suo. COSI e l'lItilità degli stlldiosi, e l'onore de' giornali, e iI diletto de'lettori diverrebbe maggiore. Troppo piccolo spazio egià un volume periodico a contenere tutte le notizie di rilievo riguardanti una scienza, un'arte ola: e siccome negli intelIettuali cosi ne'lavori meccanici e mezzo insieme e indizio di perfezionamento l'opportuna suddivisioni degli uffizii. II simile vorrei vedere negli impre e tipografiche riguardanti le arti deI bello visibile: le gallerie per esempio, non istampate a caso, ma postovi un ordine, e fatto quasi psicologico quelIo stlldio: e COSI delIe vedute de'paesi confortate da illustrazioni statistiche, morali, poetiche; e COSI d'ogni cosa. 186 NICCOLO T O\I\I \<ro A inexatidão das impressões não é O erro menos grave dos nossos editores. A pontuação é particularmente negligenciada, embora seja parte importante nos escri tores refinados: parte, digo, seja da elegância como do metro. Muitos dos nossos impressores ainda não perceberam que permitir uma vírgula a cada partícula conjuntiva, confunde o sentido mais do que o esclarece. Até as vírgulas têm a ver com a arte. Os males mencionados, porém, já estão diminuindo. E os almanaques também o demonstram: não são mais tão inadequados, alguns são belos, quase obras de arte, e apropriados para festejar o novo ano. Os menores poderiam difundir no povo o conhecimento de muitas artes aperfeiçoadas ou inovadas; e jogos de química e física poderiam ser substituídos àquelas charadas tão mal elaboradas e escritas que, depois de revelado o enigma, resta um outro enigma a revelar: que relação haverá entre as palavras e a intenção do autor. Há modificações que ressaltam melhor o abuso. As alegrias nupciais geravam produção às prensas italianas! E os nobres e os ricos da Itália, antes mesmo de dar nome aos filhos, davam vida a opúsculos. Estranho tipo de fertilidade! Primeiro o frei Roberti ensinou a cessar o costume tolo das coletâneas para casamento e solenidades semelhantes, e as substituiu por uma edição de um algum livro com tema importante. Devemos ser gratos ao bom senso do frei Roberti: mas ainda resta perguntar se é necessário, quando dois animais racionais se casam, editar um livro. Repito: as melhores seleções são aquelas que dividem a matéria por gêneros: e dessa forma, dividido, tomar-se-á maneável o saber; e por matérias eu gostaria que tudo fosse dividido, inclusive os jornais, que cada disciplina na Itália tivesse o seu espaço. Assim a utilidade dos estudiosos, e a honra dos jornais, e o prazer dos leitores seria maior. É espaço pequeno demais um periódico contendo todas as notícias relevantes a respeito de uma ciência, de uma só arte: e assim como nos trabalhos mecânicos, também naqueles intelectuais é, ao mesmo tempo, instrumento e indício de aperfeiçoamento a oportuna subdivisão das tarefas. O mesmo eu gostaria de ver nos trabalhos tipográficos referentes às artes do belo visual: as obras de arte por exemplo, não impressas ao acaso, mas com uma ordem pré-estabelecida, e com um estudo quase psicológico: e assim um panorama dos países com o apoio de ilustrações estatísticas, morais, poéticas; e assim de todas as coisas. CLASSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - AI\TOL ,L\ BILI'tH / I T\11 \-,:o- PORlUcufs 187 Oramai che tutti comprendono, non potersi conoscer bene le cose moderne senza saper delle antiche, e a vicenda; ne le corporee senza le spirituali, ne le spirituali senza le corporee; oggidi che la geografia senza la storia e la statistica par quasi scheletro senza polpe, e la statistica alle scienze politiche e a tutte e non piu serva ma insegnatrice; oggidi le edizioni fornite di stampe, colle stampe illustrate dalla parola vengono piu opportune che mai. oi conosciamo la lupa di Romolo e i furti di Venere; ma le effigie e i fatti de 'nostri antena ti, non tanto. Cosi le vedute de'paesi giovano a far meglio intendere I'ltalia a noi che non la conosciam veramente ne tutta ne in tutto, ne nel suo meglio. La conoscenza reciproca servirà poi a stringere vincoli nuovi . E le pitture degl'italiani costumi, in quel ch'hanno di piu italiano, cioe di piu antico e di men guasto, assenneranno gli stranieri, faranno piacere a quelli di loro che le portano ii tributo di un'ammirazione e d'un compianto sinceri, renderanno, men tracotanti quegli altri che in ltalia vengono a far tesoro d'insulti, per poi scaricarli sovr'esso da Parigi e da Londra. Ma gli e quasi giustizia che coloro che gli avi nostri chiamavano barbari, prendano vendetta cosi delle antiche superbie nostre . Per meglio dar a conoscere l'Italia alle altre nazioni ele altre a lei gioverebbe che in Parigi, in Londra a Berlino, alla uova York fosse un centro di corrispondenza che ponesse in diretta comunicazione i dotti e gli artisti nostri con gli esteri, che agevolasse ii cambio di notizie, di documenti, di macchine, d'istrumenti, di libri. Ma a cio le forze d'un libraio non bastano: vuolsi ii soccorso di molti ricchi, ii qual sia guarentigia e della solidità e della innocenza politica di tale impresa. Se la parte piu agia ta della nazione non provvede a'bisogni nostri intellettuali, ogni cosa e perduta. Codesta e I'unic'arte di prendere parte attiva nel destino de'popoli: per codesto gl'inglesi son forti. Gioverebbe che i possessori di monumenti greci, etruschi, romani, dei medio evo, i possessori di storici e scientifici manoscritti, o d'altra cosa qualsiasi degna della pubblica luce, ovvero i comuni, si unissero per regalarne la nazione, per farle meglio conoscere nelle sue antiche glorie e ricchezze i suoi presenti diritti e doveri . Gioverebbe altresi, che un'associazione permanente dai ricchi si aprisse a tutti i libri buoni italiani o tradotti. II cui catalogo si verrebbe 188 T Já que todos compreendem que não se pode conhecer bem as coisas modernas sem saber das antigas, e vice-versa; nem as corpóreas sem as espirituais, nem as espirituais sem as corpóreas; hoje em dia que a geografia sem a história e a estatística parece quase esqueleto sem carne, e a estatística para as ciências políticas e para todas não é mais serva e sim mestra; hoje em dia as edições dotadas de figuras, com as figuras explicadas pela palavra, são mais oportunas do que nunca. Nós conhecemos a loba de Rômulo e as insídias de Vênus; mas os retratos e os fatos dos nossos ascendentes, nem tanto. Assim um panorama dos países nos ajuda a entender melhor a Itália que não conhecemos verdadeiramente nem toda nem em tudo, nem no que tem de melhor. O conhecimento recíproco servirá então para estreitar vínculos novos. E as pinturas dos costumes italianos, naquilo que têm de mais italiano, isto é, de mais antigo e de menos corrompido, instruirão os estrangeiros, deixarão contentes dentre eles, aqueles que lhe dedicam a homenagem de uma admiração e de um lamento sinceros; deixarão menos arrogantes aqueles outros que vêm à Itália colecionando insultos para depois soltá-los sobre ela de Paris e de Londres. Mas é quase uma justiça que aqueles aos quais nossos ascendentes chamavam bárbaros, se vinguem assim da nossa antiga soberba. Para que a Itália melhor se faça conhecer às outras nações, e as outras a ela, seria conveniente que em Paris, em Londres, em Berlim, em Nova York houvesse um centro de correspondência que colocasse em comunicação direta os nossos eruditos e os nossos artistas com os do exterior, que facilitasse o intercâmbio de notícias, de documentos, de máquinas, de instrumentos, de livros. Mas para isso as forças de um editor não bastam: é necessário o socorro de muitos ricos, que seja ga rantia da solidez e da inocência política de tal empreendimento. Se a parte mais abastada da nação não provê às nossas necessidades intelectuais, tudo está perdido. Esse é o único meio de tomar parte ativa no destino dos povos: por conta disso os ingleses são fortes. Seria oporhmo que os possuidores de momunentos gregos, etruscos, romanos, da Idade Média, os possuidores de manuscritos históricos e científicos, ou de qualquer outra coisa digna do conhecimento público, ou seja do bem comum, se unissem para presenteá-los à nação, para fazê-la conhecer melhor nas suas antigas glórias e riquezas os seus direitos e deveres presentes. Seria igualmente oportuno que uma associação permanente se abrisse pelos ricos a todos os bons livros italianos ou traduzidos, cujo CLÁSSICOS DA TEOR IA DA TRADUÇÃO - Ar-:rOl.OGIA BILi:-':CL'E/ ITALlAr-:(}- PORTUGUEs 189 ogni anno dai direttore della ocietà pubblicando; e la stampa sarebbe destinata a vicenda or all'uno or all'altro de'librai della città, della provincia, dello stato. Non edizioni di lusso, ma pulite ed accessibili fino alia capanna dei povero. Con quest'associazione perpetua avreste assicurato alie opere utili uno smercio, agli autori un incoraggimento, un compenso; uno stimolo insieme ed un freno all'interesse, sovente si cieco e si sordido, de'librai . - Ma e chi sarà chi dovrà giudicare quali sien l'opere degne d'entrare in questa biblioteca? - II pubblico grido, ii voto dei dotti, la fama dell'autore, I'indole e lo scopo deli' opera. - Cosi costituitisi tutti i ricchi, quasi in com une consorzio, perpetui e necessarii mecenati degli autori e de'libri degni, sarebbe restituita agl'ingegni la loro dignità; alia parte piu scelta della nazione, una innocua, operosa influenza sulla civiltà, sulla educazione. 190 Iceol b TOIIII ,'.w catálogo seria publicado a cada ano pelo diretor da sociedade; e a impressão seria destinada a turno ora a um ora a outro dos editores da cidade, da província, do país. Não edições de luxo, mas corretas e acessíveis até ao casebre do pobre. Com essa associação perpétua terse-ia asseg urado às obras úteis uma comercialização, aos autores um encorajamento, uma compensação, um estímulo e ao mesmo tempo um freio ao interesse, muitas vezes tão cego e tão torpe, dos editores. - Mas quem deverá julga r quais sejam as obras dignas de entrar nessa biblioteca? - O público, grito, o voto dos eruditos, a fama do autor, a índole e o objeti vo da obra. - Assim constituídos todos os ricos, quase em comum consórcio, perpétuos e necessários mecenas dos autores e dos livros dignos, seria devolvida aos gênios a própria dignidade; à parte mais refinada da nação, uma inócua e produtiva influência sobre a civilização, sobre a educação. Tradução: Carolina Pizzolo Torquato Notas 1. °Bernardo concei to de tessera ospitale é definido no dicionário compilado por Tommaseo e por Bellini, recentemen te reeditado, da seguin te forma: "Aqueles quadros de madeira que serviam de testemunho da amizade estabelecida entre pessoa de países diferentes, e que eram cortados em dois pedaços para que os dois hóspedes pude sem conservar cada um o seu, e assim, passado muito tempo, comparando-os, reconhecer-se. (... ) Algo semelhante àqueles símbolos ou quadros chamados pelos antigos de carta de hospitalidade." (ln TOMMASEO, Nicolo e BELLlNI, Bernardo. Dizionario della lingua italiana. Bolonha: Zanichelli Editore, 2004). N.T. 2. ° termo libraio pode ser entendido como livreiro, editor ou impressor. a tradução optouse pelo termo ('ditar por corresponder de forma mais abrangente ao significado definido pelo próprio Tommaseo (como indica a letra T que antecede a definição) no dicionário: "Tempos atrás se distinguia editor, impressor, livreiro. Atualmente quem imprime um li\"fo, essencialmente, às próprias custas, chama-se edi tor, assim como quem o imprime para comercializá-lo. Há impressores editores e livreiros editore .(ln TOMMASEO, Nicolo e BELLlNI, Bernardo. Dizionario della linglla italiana. Bolonha: Zanichelli Editore, 2004) . . I.T. CL,\SSICOS DA TEOt<tA DA TRADUÇÃO· Ar-TOI.OGIA BILI'\GJ:E/ ITALlA\io-PORTUGlJi:s 191 BENEDETTO CROCE INDIVISIBILIT À DELL'ESPRESSIONE lN MODIO GRADI INDIVISIBILIDADE DA EXPRESSÃO EM MODOS OU GRAUS L'INTRADUCIBILIT À DELLA RIEVOCAZIONE A INTRADUZIBILIDADE DA EVOCAÇÃO BENEDETTO CROCE INDIVISIBILIT À DELL'ESPRESSIONE lN MODI O GRADI Le opere di Benedetto (roce (1866 - 1952) hanno segnato la cultura dei XX secolo e non soltanto in Italia. Tra gli innumerevoli e vari scritti crociani che van no dalla storia della cultura alia fil osofia, alia storiografia, ali a lettera tura e alia linguistia, questo saggio ci propone alcune riflessioni sulla traduzione. E a partire dalla "somiglianza delle espressioni" I'autore indica una via d'uscita che la renderebbe possibile. ln: Estetica come scienza del/'espressíone e linguística generale. Bari, Latem [1902J 1928,6" ed. ri v., ca p. IX, pp. 75-82. Si sogliono dare lunghi cataloghi dei caratteri dell'arte; ma a noi, giunti a ques to punto della tratta zione, dopo aver consid era to I'arte come attività spirituale, come attività teoretica e come speciale attività teo retica (intuitiva), edato agevolmente scorgere che quelle numerose e svariate determinazioni di caratteri, tutte le volte che accennano a qualcosa di rea le, non fanno altro che ripresentare cio che abbiamo già conosciuto come genere, specie e indi vidualità della forma estetica. Alia determina zione ge neri ca si riducono, come si e osserva to, i ca ratteri, o l11egli o, le va rianti verbali dell 'unità, dell 'unità nella va rietà, delJa sel11plici tà, dell 'ori ginalità, e via dicendo; alia specifica, la verità, la schiettezza, e sil11ili; alia indivi duale, la vita, la vivaci tà, I'animazione, la concretezza, I'individualità, la ca ratteristicità. Le parole possono ca ngia re ancora, ma non apporteranno scientifica mente nulla di nuovo. L'a nalisi dell 'espressione in quanto tale eesa urita coi ca ratteri esposti sopra. Si potrebbe invece domandare a questo punto se vi siano modi o grad i dell'espressione; se, distinti nell 'a tti vi tà dell o spirito due gradi, ciascuno dei quali suddi viso in altri due, uno di questi, I'intuiti voespressivo, non si suddi vida a sua vo lta in du e o piü mod i intuitivi, in un primo, secondo o terzo grado di espressione. Ma questa ulteri ore di visione eimpossibi le; una c1assificazione delle intuizioni-espressioni ebens! lecita, ma non efilosofica; i singoli fatti espressivi sono altrettanti 19-1 BENEDETTO CROCE INDIVISIBILIDADE DA EXPRESSÃO EM MODOS OU GRAUS As obras de Benedetto Croce (1866 - 1952) marcaram a cu ltura do século XX, e não somen te na Itália. Dentre os incontáveis e variados escritos crocianos, que vão da história da cultura à filosofia, à historiografia, à literatura e à lingüística, es e ensaio no propõe algumas reflexões em torno da tradução. E a partir da "semelhança das expressões", o autor aponta uma saída que a tomaria possível. ln: Esfetica come scienza del/'espressionee linguistica generale. Bari, Laterza [1902]192 ,6" ed. revista, cap. IX, p. 75-82. É hábito dar longas listas dos caracteres da arte; mas para nós, a esta altura de nossa exposição, tendo considerado a arte como uma atividade espiritual, como uma atividade teorética e como uma atividade teorética especial (intuitiva), é possível perceber que aquelas numerosas e variadas determinações de caracteres, sempre que apontam para algo real, nada mais fazem do que reapresentar aquilo que já reconhecemos como gênero, espécie e individualidade da forma artística. À detemUnação genérica se reduzem, conforme já foi observado, o caracteres, ou melhor dizendo, as variantes verbais da unidade, da unidade na variedade, da simplicidade, da originalidade, e assim por diante; à determinação específica, a verdade, a sinceridade e análogas; à determinação individual, a vida, a vivacidade, o fato de er animado, concreto, singular, característico. As palavras podem mudar muito mais do que isso, mas não trarão cientificamente nada de novo. A análise da expressão enquanto tal esgota-se nos caracteres já expostos. Por outro lado, poder-se-ia perguntar a esta altura se existem modos ou graus da expressão; se, W11a vez clistinguidos, na atividade do espírito, dois graus, cada W11 dos quais se subcti\'ide a seguir em dois graus, um destes, o intuitivC>-€xpressivo, não se subctivide por sua vez em dois ou mais mexios intuitivos, num prinleiro, segundo ou terceiro grau de expressão. Mas esta outra divisão é impossível; uma classificação da intuições-expre5SÕes é sem dúvida permitida, mas não é filosófica; os fatos expressivos singulares são ClASSICOS DA TEORIA DA 1 RADL'ÇÃO - A\l(ll(lC' I BIU\( ,L1 / Ir Ill.l\0- PORWCLlS 195 individui, I'uno non ragguagliabile con I'altro se non nella com une qualità di espressione. Per adoperare ii linguaggio delle scuole, l'espressione e una specie, che non puo fungere a sua volta da genere. 'variano le impressioni ossia i contenuti; ogni contenuto e diverso da ogni altro, perché niente si ripete nella vita; e ai variare continuo dei contenuti corrisponde la varietà irriducibile delle forme espressive, sintesi estetiche delle impressioni. Corollario di cio e I'impossibilità delle traduzioni, in quanto abbiano la pretesa di compiere ii travasamento di un'espressione in un'a ltra, come di un liquido da un vaso in un altro di diversa forma. Si puo elaborare logicamente cio che prima era stato elabora to in forma estetica, ma non ridurre cio che ha avuto già la sua forma estetica ad altra forma anche estetica. Ogni traduzione, infatti, o sminuisce e guasta, ovvero crea una nuova espressione, rimettendo la prima nel crogiuolo e mescolandola con le impressioni personali di colui che si chiama traduttore. Nel primo caso I'espressione resta semp re una , quella dell'originale, essendo I'altra piu o meno deficiente, cioe non propriamente espressione: nell'altro, saranno, si, due, ma di due contenuti diversi. "Brutte fedeli o belle infedeli "; questo detto proverbiale coglie bene ii dilemma, che ogni traduttore si trova innanzi . Le traduzioni inestetiche, come quelle letterali o parafrastiche, sono poi da considerare semplici commenti degli originali. L'indebita divisione delle espressioni in vari gradi e nota in letteratura coi nome di dottrina dell 'ornato o delle categorie rettoriche. Ma anche negli altri gruppi di arte simili tentativi di distinzione non mancano: basta ricordare le forme realistica e simbolica, di cui cosi di frequente si parla in pittura e scultura. E realistico e simbolico, oggettivo e soggettivo, c1assico e romantico, semplice e ornato, proprio e metaforico, e le quattordici forme delle metafore, e le figure di parola e di sentenza, e ii pleonasmo, e I'ellissi, e l'inversione, la ripetizione e i sinonimi e gli omonimi, queste e tutte le altre determina zioni di modi e gradi dell 'espressione scoprono la loro nullità filosofica quando cerca no di svolgersi in definizioni precise, perché allora o annaspano nel vuoto o cadono nell'assurdo. Esempio tipico, la comunissima definizione della metafora , come di un'altra parola messa in luogo della parola propria. E perché darsi quest'incomodo, perché sostituire alia parola 196 outros tantos indivíduos, e um não se equipara ao outro a não ser por compartilharem a qualidade de serem expressão. Para usar o linguajar das escolas, a expressão é uma espécie que não pcxie, por sua vez, ter função de gênero. Mudam as impressões, isto é, OS conteúdos; cada conteúdo é distinto de qualquer outro porque nada se repete na vida; e à variação contínua dos conteúdos corresponde a variedade irredutivel das formas expressivas, sínteses estéticas das impressões. É corolário disso a impossibilidade das traduções, se tiverem a pretensão de transvasar uma expressão em outra, como se transvasa um líquido de um recipiente para outro de forma diferente. É possível elaborar logicamente aquilo que havia sido elaborado antes em forma estética, mas não é possível reduzir o que já recebeu forma estética numa outra forma também estética. Com efeito, qualquer tradução ou diminui e estraga, ou cria uma nova expressão, atirando a primeira para um crisol onde ela entra em composição com as impressões pessoais do indivíduo que chamamos tradutor. No primeiro caso, a expressão continua sendo uma só, a do original, sendo a outra mais ou menos falha , isto é, não propriamente expressão; no outro caso, haverá sim duas expressões, mas expressões de conteúdos distintos. "Feias fiéis ou belas infiéis"; este ditado proverbial capta bem o dilema que todo tradutor encontra pela frente. Por outro lado, as traduções não estéticas, por exemplo as que são literais ou parafrásticas, devem ser consideradas simples comentários dos respectivos originais. A subdivisão indevida das expressões em diferentes graus é conhecida em literatura como doutrina do ornato ou das categorias retóricas. Mas existem tentativas semelhantes de estabelecer distinções também nos outros grupos de artes; basta lembrar as formas realista e simbólica, de que se fala tão freqüentemente em pintura e escultura. E o realístico e o simbólico, o objetivo e o subjetivo, o clássico e o romântico, o simples e o ornado, o próprio e o metafórico, e as catorze formas das metáforas, e as figuras de palavra e de pensamento, e o pleonasmo, a elipse, a inversão, a repetição, os sinônimos e homônimos, tudo isso e todas as outras determinações de modos e graus da expressão deixam transparecer sua própria nulidade filosófica quando procuram desdobrar-se em definições exatas porque, nesse momento, ou bracejam no vazio ou caem no absurdo. Um exemplo típico é a definição, comuníssima, da metáfora como uma segunda palavra colocada no lugar da palavra própria. Para que tanto trabalho? para que substituir a CL.ÁSSICOS DA TEORI A DA TR ADUÇÃO· AÕ\,OLllCIA BIU'CUE / I],lu""o- PORTUGLE.<' 197 propria la impropria e prendere la via piu lunga e peggiore, quando e nota la piu corta e migliore? Forse perché, come si suol dire volgarmente, la parola propria, in certi casi, non e tanto espressiva quanto la pr€tesa parola impropria o metafora? Ma, secosl e, la me,afora e appunto, in quel caso, la parola 'propria'; e quel che si suol chiamare 'propria', se fosse adoperata in quel caso, sarebbe poco espressiva e percio improprissima. Simili osservazioni di elementare buon senso si possono ripetere aproposito delle altre categorie e di quella stessa, generale, dell'ornato, e qui, per esempio, domandare come un ornamento si congiunga con I'espressione. Esternamente? e rimane sempre diviso dall 'espressione. Internamente? e in questo secondo caso o non serve aII' espressione e la guasta, o ne fa parte, e non e ornamento ma elemento costitutivo dell'espressione, indivisibile e indistinguibile nella unità di essa. Quanto male abbiano prodotto le distinzioni rettoriche non ocorre dire: contro la rettorica si e già abbastanza declama to, quantunque, pure ribellandosi contro le conseguenze, se ne conservino in pari tempo preziosamente (forse per dare saggio di filosofica coerenza) i principio ln letteratura le categorie rettoriche hanno contribuito, se non a far prevalere, almeno a giustificare teoricamente quel particolare modo di scriver male, ch'e lo scriver bene o secondo rettorica. I vocaboli, che abbiamo menzionati, non uscirebbero dalle scuole, nelle quali ciascuno di noi li ha appresi (salvo poi a non trovare ii modo di valersene nelle discussioni strettamente estetiche, o a ricordarli solo scherzosamente e con una tinta comica), se talvolta non fossero adoperati in uno dei seguenti tre significati: (1) come varianti verba li dei concetto estetico; (2) come indicazioni dell'antiestetico; o infine (ch'e I'uso piu importante) (3) in servigio non piu dell'arte e dell'estetica, ma della scienza e della logica. (1) Le espressioni, considerate direttamente o positivamente, non si dividono in classi; ma vi sono, per altro, espressioni riuscite e altre restate a mezzo o sbagliate, le perfette e le imperfette, le valide e le deficienti. I vocaboli ricordati, e gli altri della stessa sorta, possono dunque indicare, talvolta, I'espressione riuscita e le varie conformazioni di quelle sbagliate; benché sogliono fare cio che nel modo piu incostante e capriccioso, tanto che ii medesimo vocabolo serve ora a designare ii perfetto, ora a condannare I'imperfetto. 198 BI "I nmn CWG palavra própria por uma imprópria, tomando o caminho mais longo e pior, quando é conhecido o mais curto e melhor? Seria porque, como se costuma dizer popularmente, a palavra própria, em certos casos não é tão expressiva quanto a assim chamada palavra imprópria ou metáfora? Mas se é esse o caso, então a metáfora é precisamente a palavra "própria", e aquela que se costuma chamar de própria, se fosse usada nesse caso, seria pouco expressiva, e portanto "improprÍssima". Observações de elementar bom senso como essa podem ser feitas a propósito das outras categorias, inclusive a categoria geral do ornato, perguntando, nesse caso, pelo modo como ornato se articula com a expressão. Externamente? então ficará sempre separado da expressão. internamente? então, ou ele não é adequado à expressão, e a estraga, ou dela faz parte, e não é um ornamento senão um de seus elementos constitutivos, inseparável e indistinto na unidade da própria expressão. ão é preciso dizer quantos males causaram as distinções retóricas: já se clamou muito contra a retórica, mesmo que a revolta contra suas conseqüências não tenha impedido que se conservassem ao mesmo tempo seus princípios (talvez para dar demonstração de coerência filosófica). Em literatura, as categorias retóricas contribuíram se não para impô-lo, pelo menos para justificar aquele modo particular de escrever mal que é escrever bem, isto é, como manda a retórica. Os termos que acabamos de mencionar não sairiam das escolas, em que os aprendemos (à parte a possibilidade de empregá-los em discussões estritamente estéticas, ou de evocá-los somente por brincadeira, ou com um matiz cômico), se não fossem usados ocasionalmente com um destes três significados: (1) como variantes verbais do conceito estético; (2) como indicações do antiestético e (3) por fim, e mais importante, a serviço não mais da arte e da estética, mas sim da ciência e da lógica. (1) As expressões, consideradas diretamente ou positivamente, não se dividem em classes; mas há, por outro lado, expre sões bem sucedidas e outras que ficaram incompletas ou falhas, há as perfeitas e as imperfeitas, as válidas e as deficientes. Os termos lembrados e outros do mesmo tipo podem pois indicar, às vezes, a expressão bem sucedida, e as diferentes conformações das expressões falhadas; embora costumem fazê-lo da maneira mais inconstante e volúvel, a tal ponto que o mesmo termo se presta ora para designar a perfeição, ora para condenar a imperfeição. ( LÁSSICOS DA 1 EORIA DA TRADUÇÃO - A 'H1LC(;1\ 1311 N ";Ul / 1r\IIA,o- P(1RlLC,UF<; 199 Per esempio, ci sarà chi, innanzi a due quadri, l'uno privo d'ispirazione, nel quale l'autore ha inintelligentemente copiato oggetti naturali, e l'altro, bene ispirato ma che non trova riscontro ovvio in oggetti esistenti, chiamerà ii primo realistico e ii secondo simbolico. Per contrario, altri innanzi a un quadro fortemente senti to, raffigurante una scena della vita ordinaria, pronunzierà la parola realistico, e innanzi a un quadro che freddamente allegorizzi, quella di simbolico. E evidente che nel primo caso 'simbolico' significa artistico, e 'realistico' antiartistico; laddove, nel secondo caso, 'realistico' e sinonimo di artistico e 'simbolico' di antiartistico. Quale meraviglia se alcuni sostengano poi calorosamente che la vera forma artistica ela simbolica, e che la realistica e antiartistica; e altri che artistica e la realística, e antiartistica la simbolica? e come non dare ragione e agli uni e agli altri, una volta che ciascuno adopera quelle parole in significati tanto diversi? Le grandi dispute intorno ai classicismo e ai romanticismo si aggiravano di frequente sopra equivoci di questo genere. Il primo veniva inteso talora come l'artisticamente perfetto, ii secondo come ii disarmonico e imperfetto; ma, altra volta, 'classico' valeva freddo e artificioso, e 'romantico', schietto, caloroso, efficace, ve ramente espressivo. CosI si poteva sempre con ragione parteggiare per iI classico contro iI romantico o per iI romantico contro ii c1assico. Accade ii medesimo per la parola stile. Talora si asserisce che ogni scrittore deve ave re stile; e, in questo caso, stile esinonimo di forma o espressione. Tal altra si qualifica priva di stile la forma di un codice di leggi o di un libro di matematica; e qui si ricade nell 'errore di porre due modi diversi di espressioni, e un'espressione ornata e un'altra nuda, perché, se stile eforma, si deve ammettere, parlando con rigore, che codice e trattato di matematica abbiano anch'essi illoro stile. Altra volta ancora si ode dai critici biasimare chi 'mette troppo stile', chi 'fa dello stile'; e qui echiaro che stile significa non la forma né un modo di questa, ma l'espressione impropria e pretenziosa, una specie di antiartistico. (2) fi secondo uso no dei tutto vuoto di queste distinzioni e vocaboli s'incontra allorché, per esempio, nell 'esame di una composizione letteraria , si ode notare: - ln questo punto e un pleonasmo, in quest'altro un' elíssi, in quest'altro una meta fora, in quest'altro ancora un sinonimo o un equivoco. E s'intende dire: - Qui e un errore 200 BEI\EDITIO CROCE Por exemp lo, haverá quem, diante de dois quadros, um deles desprovido de inspiração, no qual o autor copiou inteligentemente objetos naturais, e o segund o bem inspirado mas sem correspondência com objetos existentes, chamará o primeiro de realista e o segundo de simbólico. Ao contrário, alguém mais, diante de um quadro de fortes sentimentos, que representa uma cena da vida corrente, usará a palavra "realista", e diante de outro quadIO que alegoriza friamente, usará a palavra "simbólico". É evidente que no primeiro caso "simbólico" significa artístico e "realista " anti-artístico; e que, no segundo caso, "realista" é sinônimo de artístico e "simbólico" de anti-artístico. Não admi ra se, em decorrência disso, alguns sustenta m calorosamente que a verdadeira forma artística é a simbólica, ao passo que a realista é anti-artística; e se outros sustentam que a forma artística é a realista, e que antiartística é a simbólica. E não há como não concordar com ambos, já que cada um usa as palavras em sentidos tão distintos. Os gra ndes debates acerca do classicismo e do romantismo giravam freqüentemente em torno de equívocos desse tipo. Algumas vezes, o primeiro era entendido como o artisticamente perfeito, o segw1.do como o desarmônico e imperfeito; mas outras vezes "clássico" estava por frio e artificioso, e "romântico" por sincero, caloroso, eficaz, verdadeiramente expressivo. Assim, era sempre possível estar certos, tomando partido pelo clássico contra o romântico, ou pelo romântico contra o clássico. O mesmo acontece com a palavra estilo. Afirma-se às vezes que todo escritor deve ter estilo; e neste caso estilo é sinônimo de forma ou expressão. Outras vezes, qualifica-se como desprovida de estilo a forma de um código de leis ou de um livro de matemática; e aqui se recai no erro de postular dois modos diferentes de expressões, e de postular uma expressão ornada e outra despojada, porque se o estilo é forma, para falar com rigor, será preciso admitir que wn código de leis ou um tratado de matemática também têm seu estilo. Outras vezes ainda, ouve-se que os críticos censuram quem "pôs muito estilo", quem "fez estilo"; e aqui fica claro que estilo não significa nem a forma nem um modo da forma, mas a expressão imprópria e pretensiosa, uma espécie do antiartístico. (2) O segundo uso não de todo vácuo destas distinções e destes term os se encontra quando, por exe mplo, no exa me de uma composição literária, se depara com uma nota como: - neste ponto há um pleonasmo, neste ou tro há uma elipse, em mais este uma metáfora, e neste outro ainda um sinônimo ou um equívoco. E com isso se quer CLÁSSICOS OA 1 EORIA DA TRADUÇÁO - A '\TOL()CIA B ILlJ\CL'[/ I L\L1AJ\o- POR rUGUE.< 201 con istente nell 'aver messe un numero di parole ma ggiore dei necessario (pleonasmo); qui invece, I'errore nasce dall 'averne messe troppo poche (ellissi); qui, da una parola impropria (metafora); qui, da due parole, che sembrano dire cose diverse, laddove dicono lo stesso (sinonimo), qui, per contrario, da un'unica parola che sembra dire lo stesso, laddove dice due cose diverse (equivoco). Per altro, siffatto, uso peggiorati\'o e patológico dei vocaboli della rettorica e piu raro dei precedente. (3) Finalmente, quando la terminologia rettorica non ha nessun significato estetico, simile o analogo a quelli passati in rassegna, e pur si avverte che non e vuota e che accenna a qualcosa che merita di essere tenuto in conto, vuol dire che e adoperata a servigio della logica e della scienza. Posto che un concetto nell ' uso scientifico di uno scrittore sia designato con un determinato vocabolo, e naturale che altri vocaboli che quello scrittore trova adoperati, o incidentalmente adopera egli stesso per significare ii medesimo concetto, diventino, ri spe tto ai vocabolo da lui fissato come esatto, metafora , sineddoche, sinonimo, forma ellittica e simili. Anche noi , nel corso di questa trattazione, ci siamo valsi piu volte (e intendiamo valerci ancora) di cotesto modo di dire per chiarire ii senso delle parole che veniamo adoperando o che troviamo adoperate. Ma questo procedimento, che ritiene il suo valore nelle disquisizioni critiche della scienza e della filosofia, non ne possiede alcuno nella critica letteraria e d 'a rte . Per la scienza, vi sono parole proprie e metafore : uno stesso concetto si puo formare psicologicamente tra varie circostanze e percio esprimere con varia intuizione; e nel costituirsi della terminologia scientifica di uno scrittore, fissato uno di questi modi come ii retto, gli altri appaiono tutti impropri o tropici. Ma nel fatto estetico non si hanno se non parole proprie; e una stessa intui zione non si puo esprimere se non in un sol modo, appunto perché e intuizione e non concetto. Alcuni, concedendo I' insussistenza estetica dell e categorie rettoriche, soggiungono una riserva circa I'utilità di esse e i servigi che renderebbero, specie nelle scuole di letteratura. Confessiamo di non intendere come l'errore e la confusione possano educare la mente alia distinzione logica o servire all'apprendimento di quei principi di sc ienza che da essi vengono turbati e oscurati. 202 BrMUI [TO C KOC I dizer: "aqui foi cometido um erro que consistiu em colocar mais palavras do que o necessário (pleonasmo); aqui, ao contrário, o erro resulta de ter usado palavras de menos (elipse); aqui a causa do erro foi uma palavra imprópria (metáfora); aqui, são duas palavras que parecem dizer coisas diferentes quando dizem o mesmo (sinônimo), aqui, ao contrário, é uma palavra que parece dizer a mesma coisa, quando diz duas coisas diferentes (equívoco). Seja como for, esse uso pejorativo e patológico dos termos retóricos é mais raro do que o anterior. (3) Por fim, quando a terminol ogia retórica não tem nenhum significado estético, semelhan te ou análogo aos que acabamos de passar em resenha, e ainda ass im se percebe que não é vácua, pois aponta para algo que merece ser levado em conta, então ela é usada a serviço da lógica e da ciência. Supondo que um conceito, no uso científico de um escritor, seja designado por meio de um determinado termo, é natural que outros termos que aq uele escritor encontra empregados, ou emprega ele próprio, ocasionalmente, para indicar o mes mo conceito, se tornem relativamente ao termo que ele fixou como exa to metáfora, sinédoque, sinônimo, forma elíptica e semelhantes. Nós mesmos, no decorrer da presente exposição, já nos valemos várias vezes (e pretendemos valer-nos mais vezes) desse modo de falar para esclarecer o sentido das palavras que empregamos ou que encontramos empregadas por outros. Mas esse procedimento, que conserva seu va lor nas disputas críticas da ciência e da filosofia, não tem valor nenhum na crítica literária e na crítica de arte. Para a ciência, há palavras próprias e metáforas: um mesmo conceito pode formar-se psicologicamente em meio a circunstâncias variadas, e por isso pode ser expresso com intuições va riad as; e no processo pelo qual se constitui a terminol ogia científica de um escritor, uma vez fixado um desses modos como o correto, todos os outros aparecem como impróprios ou figurados. Mas no fato estético só há palavras próprias; e uma mesma intuição só pode ser ex pressa de um único modo, precisamente porque é intuição e não concei to. Alguns, admitindo a insubsistência estética das categorias retóricas, acrescentam uma ressa lva acerca de sua utilidade e dos serviços que prestariam, especialmente no ensino de literatura. Confessamos que não consegu imos compreender como o erro e a confusão poderiam ed uca r a men te para a distinção lóg ica ou contribuir para a ap rendi zage m dos princípios de ciência que eles confundem e CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A"TOI.(X.1 I BIUM.l!f / l r,\U.IM1-PORTl( ,Lfs 203 Ma forse si vorrà dire che quelle distinzioni, in quanto c1assi empiriche, possono agevolare I'apprendimento e giovare alIa memoria, in modo conforme a quanto si e ammesso di sopra circa i gene ri letterarí' e artistici: su di che, nessuna obiezionf'. Per un altro fine le categorie rettoriche debbono, di certo, segui tare a comparire nelle scuole: per esservi criticate. on e lecito dimenticare senz'altro gli errori deI passa to; né le verità si riesce a tenere in vita in altro modo che coI farle battagliare contro gli errori. Se non si dà notizia delle categorie rettoriche accompagnandola con la critica relativa, c'e rischio che rinascano; e si puo dire che già vadano rinascendo presso alcuni filologi come freschissime scoperte psicologiche. Parrebbe che, a questo modo, si volesse negare ogni legame di somiglianza delle espressioni o delle opere d'arte tra loro. Le somiglianze esistono, e in forza di esse le opere d/arte possono essere disposte in questo o quel gruppo. Ma sono somiglianze quali si avvertono tra gl'individui, e che non e dato mai fissare con determinazioni concettuali: somiglianze, cioe, alie quali mal si applicano l'identificazione, la subordinazione, la coordinazione e le altre relazioni dei concetti, e che consistono semplicemente in cio che si chiama aria di famiglia, derivante dalle condizioni storiche tra cui nascono le varie opere, o dalle parenteIe d'anima degli artisti . E in siffatte somiglianze si fonda la possibilità relativa delle traduzioni; non in quanto riproduzioni (che sarebbe vano tentare) delle medesime espressioni original i, ma in quanto produzioni di espressioni somiglianti e piu o me no prossime a quelle. La traduzione, che si dice buona, e un'approssimazione, che ha valore originale d'opera d'arte e puo stare da sé. 20-l BE:--WITTO CROCI obscurecem. Mas talvez se queira dizer que aquelas distinções, enquanto classes empíricas, podem facilitar a aprendizagem e ajudar a memória, de modo análogo ao que admitimos acima para os gêneros literários e artísticos: quanto a isso, não cabem objeções. A finalidade com que as categorias retóricas precisam continua r a aparecer nas escolas é outra: para que se tornem aí mesmo objeto de crítica. Não é lícito esquecer pura e simplesmente os erros do passado; nem se consegue manter viva a verdade a não ser pondo-a a batalhar contra os erros. Se não se der notícia das categorias retóricas, acrescentando a respectiva crítica, corre-se o risco de que renasçam; e pode-se dizer que elas já estão renascenrlo em alguns filólogos como descobertas filosóficas recentíssimas. ' Poderia parecer que, com isso, se pretenda negar qualquer laço de semelhança das expressões ou das obras de arte entre si. As semelhanças existem, e é por força dessas semelhanças que as obras de arte podem ser incllúdas neste ou naquele grupo. Mas são semell1anças como as que se percebem entre os inclivíduos, e que não é nunca possível fixar por meio de determinações conceituais - a saber, semelhanças às quais se aplicam mal a identificação, a subordinação, a coordenação e as outras relações próprias dosconceitos-e que consistem sin1plesmentenaquilo que se costuma chamar ar de família", que deriva das conclições históricas em meio às quais nascem as diferentes obras, ou do parentesco de alma dos artistas. Nessas semelhanças se fundamenta a possibilidade relativa das traduções; não enquanto reproduções (que seria inútil tentar) das mesmas expressões origi nais, mas enquanto produções de expressões semelhantes e mais ou menos próximas daquelas. A tradução que dizemos boa é uma aproximação, que tem valor origina l de obra de arte, e pode subsistir por si. /I Tradução: Rodolfo Ilari Jr. CLASSICOS DA TEOR IA DA TRADUçAo - A NTOLOGIA BILlI<CU[ / ITALlAt'O- PORTUCU(s 205 BENEDETTO CROCE L'INTRADUCIBILITÀ DELLA RIEVOCAZIONE I titoli delle sezioni che costituiscono ii volume La Poesia danno un'idea ai lettore circa gli argomenti affrontati da Croce nel corso delle sue riflessioni teoriche sulla poe ia. Ecconealcuni: "L'espressione poetica", "La 'poesia pura"', "I domini della letteratura", " La bellezza unica categoria deI giudizio estetico". La scelta deI brano che egue si giustifica da sé: parla di poesia e di traduzione, dell'intuizione che crea la poesia e impossibilita la traduzione. In: La poesiaIntroduzione alIa critica e storia deI/a poesia e deI/a letteratura. Bari, Laterza, 1936, pp. 100-106. L'interpretazione storico estetica, ricreando la poesia fa rivivere le immagini deI poeta nei suoni articolati in cui primamente si espressero e che sono loro stesse, nella loro concretezza; e tutto lo sforzo di quel vario lavoro si appunta a questo fine unico e supremo. Domandarsi dunque se essa sia traducibile in diversi suoni articolati o in altri ordini di espressioni, come sarebbero i toni musicali e i colori e le linee della pittura e della scultura, e una domanda che quasi non si arriva neppure a pronunziare, perché porta già con sé la ri posta negativa, che I'inibisce. L'impossibilità della traduzione e la realtà stes a della poesia nella Sua creazione e nella sua ricreazione. Le questioni da muovere su questo punto sono altre, non po te in quella domanda e, se anche oscuramente avvertite, non formolate. Cioe, donde sia attinto cotesto concetto di "traduzione", poiché nella sfera della poe ia non e ne trova la fonte; e che cosa siano veramente quelle che pur si fanno e debbono farsi, e che si chiamano "traduzioni delle opere poetiche". on v'ha dubbio che la sfera in cui ha luogo ii tradurre sia quella dell'espressione pro a tica, che si adem pie per simboli o segni . Questi segni sono permutabili, secondo che torna comodo; e non solo quelli della matematica, della fisica e delle altre scienze, ma anche quelli della filosofia e della stori a, potendosi dire: Cio che i tedeschi chiamano "Begriff", noi chiameremo "concetto»; cio 206 BENEDETTO CROCE A INTRADUZIBILIDADE DA EVOCAÇÃO Os títulos das eções que compõem o volume A Poesia fornecem ao leitor uma idéia dos assuntos tratados por Croce ao longo de suas reflexões teóricas sobre a poesia . Vejamo alguns:" A expressão poética ", "Poesia pura", "Os domínio da literatura ", "A beleza, única ca tegori a do juízo estético". A escolha do texto que seg ue se justifica por si me mo: fala de poe ia e de tradução, da inspiração que cria a poesia e imposs ibilita a tradução. ln: La poesia - Introduzione aI/a critica e storia deI/a poesia e deI/a letteratura. Bari, Latem, 1936, p. 100-106. A interpretação histórico-estética, recriando a poesia, faz reviver as imagens do poeta nos sons articulados em que elas primeiramente se expressaram, e que são essas mesmas imagens, em sua concretude; e todo o esforço daquele variado trabalho está voltado para esse fim único e supremo. Portanto, perguntar se ela seria traduzível em sons articulados diferentes, ou em outras ordens de expressões, como o seriam os tons musicais, e as cores e as linhas da pintura e da escultura, é uma pergunta que não se chega quase a pronunciar, porque ela já traz consigo a resposta nega tiva, que a inibe. A impossibilidaçie da tradução é a própria rea lidade da poe ia na sua criação e recriação. As questões que cabem levantar obre esse ponto são outras, não incluídas naquela pergunta e, embora obscuramente percebidas, não formuladas, a saber, de onde foi tirado esse conceito de "tradução", já que ele nã o tem sua fonte na esfe ra da poes ia; e o que são \'erdadeiramente as trad uções que têm sido chamadas "traduções das obras poéticas", que afinal são feitas e precisam ser feitas. ão há dúvida de que a esfera na qual acontece o traduzir é a esfera da prosa, que se realiza por meio de símbolos ou sinais. Esses sinai s pod em ser trocados uns pelo outros, a depender da comodidade, e isso vale não só para os da matemática, da física e das outras ciências, mas também para os da filosofia e da história, de modo que se pode dizer: - Aquilo que os alemães chamam "Begriff", CLASSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A~TLl( ..... IA BIII"GLI / I TAI . \:(l-rORT~Gfs 207 che chiamano "Pflicht", chiameremo "dovere", e in questi vocaboli pen eremo le ste se categorie spirituali che quelli pensa no nei loro. Similmente, nell'ambito di una stessa Iingua nazionale, cio che ii Vico chiamava ii "certo dei diritto", noi modernamente diremo "momento dell'imperio o della forza politica", e cio che chiama\'a ii "certo dei conoscere" e distingueva e contrapponeva ai "vero", diremo "intuizione", distinguendola da "concetto"; e cosí ci faremo piú agevolmente intendere. E questo soltanto e veramente "tradurre ", e consiste nello stabilire I'equivalenza dei egni per la reciproca comprensione e intelligenza; l'equivalenza che si adopera a togliere gli equivoci della varietà, la quale in questo caso certamente non giova all'economia delle forze , né ai piú agevole andamento dell'indagare e dell 'a pprendere. La tendenza della cienza e della filosofia va verso I'unificazione dei segni o, come si dice, della terminologia, e ad una sorta di lingua internazionale (una dotta "lingua franca"), non potendosi piú tornare ai secoli nei quali componenti della "respublica litteraria" si valevano della veneranda lingua latina. Ma, ebbene le proposte di unificazione abbiano avuto qualche pratica attuazione nelle scienze astratte, e ebbene le altre naturali si aiutino coI latino e co i greco, e sebben e la compenetrazione delle culture renda in certo sen o d'uso internazionale le stesse lingue nazionali, tanto da non far sentire urgente iI bisogno di artificial i unificazioni, la varietà dei segni, e la conseguente necessità delle traduzioni, persi terà sempre, perché i nuovi concetti sorgono sempre, nonché nella diversità dei popoli e dei loro linguaggi, negli individui, che, in ieme coi nuovi concetti, creano nuovi segni. La prosa, dunque, si puo tradurre; ma questa proposizione e da restringere alia prosa che sia meramente prosa, alia prosasticità della prosa, perché se la si estendes e, come tal uni sbadatamente hanno fatto, alia prosa letteraria, non sarebbe piú vera. La pro a letteraria, come ogni altra forma di letteratura, ha di piú un'elaborazione di carattere e tetico, che pone ai tradurre lo tesso non superabile ostacolo che gli pone la poesia. Pia tone e Ago tino, Erodoto e Tacito, Giordano Bruno e Montaigne non sono a rigore traducibili, perché nessun altro linguaggio puo rendere iI colori to e I'armonia, ii suono e iI ritmo dei linguaggi loro propri. Anch'essi, in quanto scrittori, richiedono, come i poeti, una ri creazione, che li faccia rivivere nell'intraducibile loro tono personale. 208 BEI-. wrrro CROn nós chamaremos "conceito"; aquilo que eles chamam "Plicht", nós chamaremos "dever", e nesses vocábulos nós pensaremos as mesmas categorias espirituais que eles pensam nos deles. Analogamente, no âmbito de uma mesma língua nacional, onde Vico dizia "o certo do direito" (iI certo deI diritto), nós modernamente diremos "momento do império ou da força política", e àquilo que ele chamava o "certo do conhecer", distinto e contraposto em relação ao "verdadeiro" nós chamaremos "intuição", em oposição a "conceito" e, desse modo, seremos mais facilmente compreendidos. Na verdade, traduzir nada mais é do que isso, e consiste em estabelecer a equivalência dos signos para a compreensão e inteligência recíproca - equivalência que se empenha em desfazer os equÍvocos da variedade, a qual, neste caso, certamente não contribui para a economia de esforços, nem para facilitar o proceder da indagação e da aprendizagem. A ciência e a filosofia tendem para a unificação dos signos ou, como se diz, da terminologia, e para uma espécie de língua internacional (uma "língua franca " douta), já que não é mais possível voltar aos séculos em que os participantes da "respublica litteraria" se valiam da veneranda língua latina. Mas, embora as propostas de unificação tenham tido alglill1 efeito prático nas ciências abstratas, e embora as naturais se socorram no latim e no grego, e embora a compenetração das culturas internacionalize, em certo sentido, o uso das próprias línguas nacionais, a tal ponto que não se sente como urgente a necessidade de unificações artificiais, a variedade dos signos, e a conseqüente necessidade das traduções persistirão sempre, porque os novos conceitos surgem continuamente, tanto na diversidade dos povos e de suas linguagens, quanto dos indivíduos, que, junto com novos conceitos, criam novos signos. Então, a prosa pode ser traduzida; mas esta proposição tem aplicação limitada à prosa que é meramente prosa, à prosaicidade da prosa, porque se ela for estendida, como fizeram desavisadamente alguns, à prosa literária, ela não será mais verdadeira. A prosa literária, como qualquer outra forma de literatura, tem além do mais uma elaboração de caráter estético, que cria para o traduzir o mesmo obstáculo não superável que a poesia. Falando rigorosamente, Platão e Agostinho, Heródoto e Tácito, Giordano Bruno e Montaigne são intraduzÍveis, porque nenhuma outra linguagem pode dar conta do colorido e da harmonia, do som e do ritmo da linguagem de cada um deles. Eles também, enquanto escritores, requerem, como os poetas, W11a recriação que os faça reviver em seu tom pessoal intraduzível. CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - A MOLOCIA BILlNGUE! 1[;lLlA O-PORTUGUÊS 209 E che cosa sono allora le traduzioni, di cui si e di sopra implicitamente ammesso ii diritto, delle opere poetiche e letterarie? Sono, anzitutto, due cose diverse, secondo che non abbiano o che abbiano autonomia, secondo che siano mezzi ad altro o siano in sé compiute. lei primo caso , so no semplici strum ent i per I'apprendimento delle opere originali, coi quali queste vengono praticamente analizzate e schiarite nei loro elementi ve rbali, preparando cosi l'ulteri ore sintesi, che e da ricercare solo nella parola originale. Si puo bene, con esagerazione di sensibilità estetica, lamentare e scongiu rare lo stra zio che si usa o si usava fare dei poeti nelle scuole, mettendoli in prosa; ma sta di fatto che non e dato imparare a leggere Orazio e Pindaro senza passare attraverso quelle letterali version i in prosa, che conviene, di tanto in tanto, adoperare anche per l'intelligenza dei poeti na zional i, per certe stanze dei nostri dei dugento, e magari per alcuni tratti dei Foscolo, dei Leopardi e dei Carducci , che pure so no dell'Ottocento. Siffatte traduzioni letterali e prosastiche, o ritmiche altresi, e imitanti, non senza sforzi e contorsioni, i ritmi degli originali, domandano di essere integrate con gli originali; e quando cio non si fa , perché non si evoluta o non si epotuta apprendere la lingua dell 'originale, come accade di frequente per le traduzioni dalle lingue orientali, potranno servire a dare , non già la conoscenza vera e propria di quelle opere nella loro indi vidua fisionomia , ma un vago sentore di esse, onde si dice che la poesia vera persiste anche nelle tradu zioni letterali e in prosa. Per iste e tramanda la sua forza , ma ai modo dell'anima di Adamo, invisibile tra i raggi di cui era fa scia to, o, piuttosto, dell'animale a cui Dante in quel punto lo paragonava, che "broglia ", si agita, nel panno in cui estato avviluppato: "sí che I'a ffetto convien che si paia , per lo seguir, che face alui, la 'nvoglia ". Tutt'altra cosa sono le tradu zioni dei secondo genere, le traduzioni poetiche, perché esse, movendo dalla ricreazione della poesia originale, I'accompagnano con gli altri sentimenti che sono in chi la rice ve, ii quale, per diversa condizionalità storica e per diversa personalità individuale, e diverso dall 'a utore; e su questa nuova situazione sentimentale sorge quel cosiddetto tradurre, che eii poetare di un'antica in una nuova anima. Se fosse un poetare dell'anima stessa dei poeta da cui si prendono le mosse, non potrebbe esprimersi se non 210 B n\Fi)L fTO C ROCE Mas, então, o que são as traduções de que, implicitamente, se admitiu acima a legitimidade, para as obras poéticas e literárias? São, antes de mais nada, duas coisas diferentes, conforme têm ou não têm autonomia, conforme são meios para algo mais ou são completas em si. No primeiro caso, são meros instrumentos para o aprendizado das obras originais: por seu intermédio, as obras originais são analisadas praticamente e esclarecidas em seus elementos verbais, em preparação para a síntese, que hca além, e que só pode ser procurada na palavra original. Com algum exagero de sensibilidade estética, bem que se pode lamentar e esconjurar a tortura a que se costumava submeter os poetas nas escolas, pondo-os em prosa; mas é fato que não se consegue aprender a ler Horácio e Píndaro sem passar por aquelas versões literais em prosa e que, de tempos em tempos, é oportuno utilizá-Ias também para a compreensão dos poetas nacionais, para algumas estrofes de nossos escritores do século XIII e, quem sabe, para alguns trechos de Foscolo, de Leopardi e de Carducci, por mais que estes sejam do século XIX. Semelhantes traduções literais, em prosa ou rítmicas, que imitam os originais à custa de esforços e contorções, precisam ser integradas com os originais; e quando isso não acontece, porque não se quis ou não se pôde aprender a língua do original, como é freqüentemente o caso para as línguas orientais, poderão ser úteis para dar não o conhecimento propriamente dito daquelas obras em sua fisionomia individual, mas um vago indício das mesmas, razão por que se diz que a poesia sobrevive mesmo nas traduções literais e em prosa. Sobrevive e transmite sua força, mas à maneira da alma de Adão, invisível entre os raios que o envolviam, ou melhor ainda, do animal com o qual o compara Dante, na passagem em questão!. , que se agita confusamente (" broglia"), se debate, nos panos em que foi envolvido, de tal modo que entendemos o que sente pela maneira de se mexer da manta que o cobre (l/sÍ che J'affetto coI1l'ien che si paia, - per lo seguir che face a lui la 'I1voglia 'j. Bem outra coisa são as traduções do segundo tipo, as traduções poéticas, porque estas, tendo como motivo a re-criação da poesia original, lhe acrescentam os outros sentimentos que há na pessoa que a recebe, a qual, devido ao condicionamento histórico diferente, e à diferente personalidade individual, é diferente do autor; e a partir dessa situação sentimental nova, surge aquele assim chamado traduzir que é o poetar de uma alma antiga em uma alma nova. Se fosse um poetar da mesma alma de que se parte, só poderia expressar-se nos CLASSICOS DA 1 EOR IA DA TRADUÇÃO - A"TOLOCI,\ BIII'>;CL'E/ IT,\lI \,>o- PORTUCUEs 211 nei suoni stessi in cui già si espre se, e la traduzione poetica non nascerebbe. Cosí Vincenzo Monti tradusse I'[fjade, e ne venne un capolavoro; e co i altri (ma non moi ti) traduttori, poeticamente ispirati, produssero opere belle, aventi valore artistico per sé, che non giustamente sono messe nelle storie letterarie in una medesima sezione con le traduzioni impoetiche o prosastiche, o con quelle, e sono le piú, che confondono i due diversi reggimenti e hanno rese sospette le traduzioni e data mala fama ai traduttori in generale. Con graziosa e assai significativa immagine noi italiani chiamiamo le traduzioni dei primo genere "brutte fedeli", e quelle dei secondo "belle infedeli"; ma quelle dei mediocri traduttori sono dei terzo e non sopportabile genere delle "brutte infedeli". Le artistiche traduzioni, e aspiranti alia infedeltà della bellezza, non sono solamente quelle, a cui finora si eavuto I'occhio, di una in altra lingua, né quelle che procurano di tradurre le opere di poesia in variazioni musicali, pittoriche e scultorie e nelle "illustrazioni" grafiche che fregiano o sfregiano le edizioni dei poeti; ma anche le altre che sembrano renderne piú viva e concreta I'espressione: le rappresentazioni teatrali dei drammi composti dai poeti. Di queste, a parlare esattamente, autori non sono già Guglielmo Shakespeare, ma Garrick e Salvini; non I' Alfieri, ma Gustavo Modena; non ii Dumas figlio o ii Sardou, ma Eleonora Duse. La poesia dei drammi non si gusta se non coi leggere da solo a solo ii dramma, che potrà essere artisticamente uperiore, o anche inferiore, alia rappresentazione che se ne faccia , ma certamente e diverso. La stessa declamazione o recitazione di una poesia non equella poesia , ma un'altra cosa, bella o brutta che si giudichi nella sua cerchia; e i poeti mal sopportano i declamatori dei loro versi, ed essi stessi non li recitano volentieri (all'opposto, anche in questa parte, dei Suffeni, che, per ii già descritto loro carattere, sono pronti, anzi smaniosi di recitarli); e quando si risolvono a dame lettura, non li gesticolano, non li drammatizzano, non li tuonano né li canta no, ma preferiscono dirli in tono basso, con certa monotonia, badando solamente a spiccarne bene le parole e a batterne ii ritmo, perché essi sanno che quella poesia e una voce interiore, a cui nessuna voce umana epari: eun "cantar che nell'anima si sente". Questa ragionata e radicale negazione della traducibilità della poesia portata fino all'autore stesso e ai timbro discordante della 212 BlMIJEnn C R l( F mesmos sons em que já se expressou, e a tradução poética não nasceria. Foi assim que Vincenzo Monti traduziu a llíada do que resultou uma obra-prima; e assim outros (mas não muitos) tradutores poeticamente inspirados produziram obras belas, que têm valor artístico por si mesmas e que nas histórias literárias são colocadas injustamente nas mesmas seções que as traduções impoéticas e prosaicas, ou, com aquela (que são maioria) que, confundind o as duas normas, tornaram suspeitas as traduções e deram má fama aos tradutores em geral. Com uma imagem graciosa e bastante significativa, nós, italianos, chamamos as traduções do primeiro tipo de "feias fié is", e as do segundo tipo "belas infiéis"; mas as dos tradutores ruins pertencem a um terceiro e, intolerável tipo, o das "feias infiéis". Entre as traduções artísticas que aspiram à infidelidade da beleza não há apenas aquelas, que ti vemos em vista até aqu i, as trad uções de uma língua para outra, ou aq uelas que procuram transpor as obras de poesia em va ria ções mu sicais, pictóricas e esc ulturais, ou as "ilustrações" gráficas que enfeitam ou enfeiam as edições dos poetas, mas também aquelas que parecem tornar mais viva e concreta sua expressão: as representações tea trais dos dramas escritos pelos poetas. Aqui, para sermos exatos, os autores já não são William Shakespeare e Alfieri, mas Garrik e Salvini ou Gusta vo Modena; não Dumas Filho ou Sardou mas EJeonora Duse. A poesia dos dramas não é apreciada senão por quem lê o drama, de si para si; e o drama poderá ser artisticamente superior ou mesmo inferior à representação que se possa fazer dele, mas certamente é outra coisa. A própria declamação de um poema não é aq uele poema, mas uma outra coisa, bela ou feia que a ju lguemos em seu próprio âmbi to; e os poetas suportam maIos declamadores de se us versos, e os recitam a contragosto (ao contrário, aqui também, dos Suffeni, que, devido a seu temperamento, que já foi aqui descrito, vivem dispostos, aliás, ansiosos por recitá-los); e quando os poetas se decidem a fazer sua lei tura de seus versos, não os ges ticul am, não os dramati za m, nem trovejam nem cantam, mas preferem dizê-los em voz baixa, com alguma monotonia, cuidando apenas de articular bem as palavras e marcar o ritmo, pois sabem que aquela poesia é uma voz interior, a que nenhuma voz humana se iguala: é um "cantar que se sente na alma" (cantarche nell'anima si sente). Esta negação radical e pensada da traduzibilidade da poesia - que levamos até o próprio autor e ao timbre destoante de sua voz quando CLÁSSICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO· A"OLOCL\ BIII"CUF / I TALl"<r r ORTUGut~ 213 sua voce quando prenda a tradurla in uoni parlati dimostra I'inanità di una teoria, seguita da piú d'uno in Italia ai gio rni no tri, secondo la quale le traduzioni sono tanto effettive, che noi non leggiamo mai una poesia senza tradurla nel nostro lingua ggio, né intendiamo e parliamo una lingua traniera enza, nell'atto stesso, tradurla nella no tra. Ma qui lo stesso appello ai fatto attesta ii contrario, perché leggere una poesia, leggerla veramente (e non già esercitarsi a compitarla per leggerla poi quando che sia), e ricevere unicamente i uoni originari e in essi rivivere le immagini della poesia originale; e intendere e parlare una lingua straniera e immaginare e concepire in quella lingua, senza di che la lingua non e stata ancora imparata; laddove ii tradurla e atto co í diverso che niente e piu frequente dello sperimentare in sé e dell 'udire da altri che ben si sente quel che una frase in língua traniera dice ma non si puo tradurla, e anzi e questa la ragione per cui 'i ntroducono vocaboli e frasi di lingue straniere nei discorsi in lingua nazionale. Quanto poi alia necessità, per intendere, di tradurre nel proprio linguaggio, essa e da riferire non alia poesia ma alia filosofia , per la quale intendere un pensiero altrui o dei filosofi dei tempi passa ti importa includerlo nel no tro, cioe non veramente tradurlo (come si dice per metafora) nel nostro "Iinguaggio", ma nel no tro "pensiero" presente. el fondo di siffatto falso teorizzare circa ii tradurre si nascond e sempre ii fenomenismo o contingenti mo, che, nella cerchia estetica, porta inevitabilmente tra le braceia dei praticismo e dell 'edonismo, e nella cerchia della logica e della verità a vanificare tutti i pensatori e tutti i loro pensieri risolvendoli in un cosiddetto nuo\'o pensiero, che non si distingue da un qualsiasi moto vitale. ln quella necessità che abbiamo enunciata dei pensiero nostro per intendere I'a ltrui e dei pensiero presente per intendere ii pas ato, gli altrui pensieri, i concetti dei filosofi delle età passa te sono cono ciuti nella loro genuina realtà attraverso ii nostro e presente, come di Platone e di Ari totele, momenti eterni della storia dei pen ier o; laddove nel fenomenismo e contingentismo Platone e Ari totele sono oltanto quelli che ogni individuo si foggia di volta in volta a suo modo, e che, fuori di questa individuale immagina zio ne, non hanno alcuna realtà. Dei pari non ha , per cote to superficiale osservare e ofistico filosofare, realtà alcuna la poesia, alia quale coi negare la costanza della 21-1 tenta traduzi-la em sons falados - demonstra a inanidade de wna certa teoria, seguida por mLÚtos hoje em dia na Itália, segundo a qual as traduções são tão eficazes que nós nunca lemos lU1l poema sem traduzi-lo em nossa própria linguagem, nem entendemos e falamos uma língua estrangeira sem traduzi-Ia, no mesmo ato, na nossa própria, Mas aqLÚ o próprio retomo ao fato atesta o contrário, porque ler um poema, lê-lo de verdade (e não fazer sua recitação silabada como h'eino para lê-lo depois, a qualquer momento), é receber apenas os sons originários, e reviver neles as imagens do poema original; e compreender e falar uma língua estrangeira é imaginar e conceber naquela língua, sem o que ela ainda não terá sido aprendida; ao pas o que traduzi-Ia é um ato tão diferente que nada é mais comum do que ter ou ouvir contar por outro a experiência de perceber o que diz uma frase em lú,gua estrangeira, sem conseguir traduzi-Ia; é aliás por este motivo que se introduzem termos e frases em língua estrangeira no discurso em lú,gua pátria, Quanto à necessidade de traduzir para a própria ILnguagem para entender, ela precisa ser referida não à poesia, mas à filosofia, pois para a filosofia, entender um pensamento de outrem, ou dos filósofos dos tempos passados implica inclui-lo no nosso, isto é, traduzi-lo não exatamente em nossa linguagem (como se diz, metaforicamente), mas no nosso "pensamento" presente, o fundo dessa falsa teorização acerca do traduzir se esconde sempre o fenomenismo ou contingentismo, que, no âmbito da estética, leva inevitavelmente para os braços do praticismo ou do hedonismo, e no âmbito da lógica e da verdade leva a esvaziar todos os pensadores e todos os seus pensamentos, resolvendo-os num assim chamado novo pensamento, que não se distingue de um movimento vital qualquer. Na necessidade aqui enwICiada, do nosso pensamento para entender o pensamento de outrem, e do pensamento presente para entender o pensamento passado, os pensamentos dos ouh'os, os pensamentos dos filósofos das eras passadas são conhecidos em sua reabdade autêntica através do nosso e atual, como sendo de Platão e Aristóteles, momentos eternos da história do pensan,ento; ao passo que no fenomenismo e contingentismo, Platão e Aristóteles são somente aqueles que cada indivíduo cria para si à sua maneira, a cada momento, e que, fora dessa imagLnação individual, não têm realidade alguma Da mesma forma, para esse modo superficial de observar, e esse modo sofístico de filosofar, não tem realidade nenhuma a poesia, a qual, uma vez negada a constância da evocação, uma vez transformada a evocação numa sucessão infindável de variações e traduções, é CLASSICOS DA TEORI A DA TRADC(ÀO - A r\HlL(1CIA BILI,C,L'E/ ITAIIAMl- PORTUC,UÊS 215 rievocazione, coi farne una sequela perpetua di variazioni e traduzioni, si nega ii carattere ideale, serbando di lei ii mero nome per darlo ai sempre nuovi ma sempre irrazionali e bruti mo ti vitali. 216 destituída de seu caráter ideal, conservando-se apenas como um nome, que é então dado aos sempre novos mas sempre irracionais e brutos movimentos vitais. Tradução: Rodolfo Ilari Jr. Nota I. Croce est~referindo aqui à passagem da DiI'inà CaInmedi,1 em que se narra o encontro de Dante com ,\dão. Dante encontra Adão elll"oh-ido em raios de luz, e pede-lhe que fale. O entusiasmo com que Adão se dispõe a satisfazer e se pedido manifesta-se, antes mesmo que Adão comece a falM, pelos reflexos luminosos dos raios que o envolvem. Por um símile tipicamente dantesco, a rcação de Adão é comparada à de um animal que se agita sob um pano sob o efcito de algum impulso. As estrofes rele\'antes para a compreensão do texto de Croce (Paraíso, Canto XXVI, versos 97-102) são estas: Talvolta un animal CO\'erto broglia Sí che I' affetto convicn che si paia Pcr lo seguir che face a lui la 'l1\'oglia; e similmente I' anima primaia mi facea transparer per la cm'erta quant' ella a compiaccrmi vmía gaia N.T (I A<;SICOS DA TEORIA DA TRADUÇÃO - /\-";lOLOl.I ,\ Brr 1",l'I / l r \""No-PORTUGUEs 217 NOTAS SOBRE OS TRADUTORES ANDRÉIA GUER INI (andreia.guerini@gmail.com) é professora do cur o de italiano do Departamento de Línguas e Literaturas Estrangeiras da UF C, atuando igualmente nas Pós-graduações em Literatura e Estudos da Tradução, onde ensina teoria, crítica e história da trad ução e teoria li terária. Dou tora em Li tera tura pela Universidade Federal de Santa Catarina com a te, e A poética de Leopardi: gênero e tradução no Zibaldone di Pen ieri. Eeditora-chefe da revi ta Cadernos de tradução e tem publicado regularmente artigos obre tradução e literatura italiana. CAROL! A PIZZOLO TORQUATO (pizzolo@estadao.com .br), doutoranda em Teoria Literária no Programa de Pós-graduação em Literatura da UFSC, vem pe guisando sobre a literatura brasileira traduzida na Itália. Publicou artigos e resenhas de tradução em revistas da área. MARIA TERESA ARRIGONJ (teresa@c1icdata.com.br) é doutora pela Unicamp, Lingüí tica Aplicada - Área da Tradução com a tese O abismo, o monte, a luz. Os símiles na leitura / tradução da Dil'ina Commedia. Foi profe sora de Língua e Literatura Italianas no DLLE da Universidade Federal de Santa Catarina-UFSC. Coordenadora do Curso de Italiano por diversas vezes, e uma das idealizadoras e fundadoras do úcleo de E tudos Interdisciplinare de ItalianoEIITA. Atualmente apo entada, continua atuando no cur o de Pósgraduação em Literatura na UFSC, orientando dissertações e ministrando cursos sobre autores italianos, com ênfa e nos estudos sobre Dante, c em e pecial, obre a Divina Comédia. MARZIA TERENZI VICE TI J (ma\'icen@uol.com.br), docente de Língua e Literatura Italianas na U ESP, UFSC e UFPR, atualmente aposentada, apresentou em 1992, para o Concur o de Professor Titular na Área de Literatura Italiana da UFPR, a tesg "Foscolo e le discussioni CLASSICOS DA 1 rORI \ D,\ 1 R\DLÇ.\O - "\, 11>1\1\.1 \ BIII".LI / 11 III ",,-PORlcwt, linguistiche dei Settecento". Dedica-se atualmente à tradução. Tem publicado, além de vários artigos sobre assuntos ligados à pesquisa na área de Literatura Italiana, traduções de obras como Da moeda (1751), de Ferdinando Galiani, Colônia Cecília e outras utopias e Brel'e tratado das causas que podem fazer os reinos desprol'idos de minas ter abundância de ouro e prata (1613), de Antonio Serra. MAURI FURLA (maurif@brturbo.com.br) é professor de Latim no Departamento de Língua e Literatura Vernáculas da UFSC e professor de Teoria e História da Tradução no Programa de Pós-Graduação em Estudos da Tradução. Doutorou-se pela Universidad de Barcelona com a tese La retórica de la traducción en el Renascimiento. É coordenador do Núcleo de Tradução da UFSC, e membro da comissão editorial da revista Cadernos de Tradução. Além de seu interesse pela tradução na Antigüidade e no Renascimento participa dos grupos de pesquisa Literatura Traduzida (NUT /UFSC) e Mapeamentos nos Estudos da Tradução (NUT-NET /UFSC-UFMG). Tem publicado regularmente artigos sobre tradução e autores do Renascimento que escreveram sobre o assunto. PAULO SCHILLER (pschil ler@terra.com.br) é pediatra com graduação e especia lização pela Faculdade de Medicina da USP. Psicanalista, coordenador do Serviço de Psicologia do Instituto de Oncologia Pediátrica da Universidade Federal de São Paulo. Autor de A vertigem da imortalidade - segredos, doenças, Companhia das Letras, 2000. Tradutor do húngaro: O legado de Eszter (prêmio de melhor tradução de 2001 pela APCA) e Veredicto em Canudos, de Sándor Márai, Companhia das Letras, 2002, O companheiro de viagem, de Gyula Krúdy, Cosac e aify, 2003, e Sem destino, de Imre Kertész, Planeta, 2003, Rebeldes, de Sándor Márai, Companhia das Letras (no prelo); do inglês: A megalomania de Freud, 2001, de Israel Rosenfield e Mapas, de Nuruddin Farah, Companhia das Letras, 2003. Membro do Conselho Consultivo e colaborador dos Cadernos de Tradução. 220 T R.\DUTORb - N OTAS BIOGRII' ICA, RODOLFO lLARl ]R. (ilari@iel.unicamp.br) atuou como pesquisador e foi professor titular na Unicamp até 1997, ano em que se aposentou. Foi Diretor do Instituto de Estudos Ja Linguagem-IEL, chefe do Departamento de Lingüístic .. '" Presidente .. ':rupo de Estudos Lingüísticos do Estado de S50 Paulo-GEL. A homenagem que recebeu de colegas de área: Sentido e Signihcação - em torno da obra de Rodolfo lIari (Contexto, 2004) é mostra da importância das inúmeras obras que produziu no campo da lingüística. Dedica-se também à trad ução (Prêm io Jabu ti de Trad ução, 1998), e tem vários trabalhos publicados, do Brel'iário de Estética de B. Croce ao Dicionário de Linguagem e Lingiiística de R. L. Trask. v VILMA DE KATINSZKY BARRETO DE SOUZA (vilka@usp.br) é Doutora em Filologia Românica e docente de Língua e Literatura Italianas no Curso de Pós-Graduação em Letras da Universidade de São Paulo-USP. Trabalha também com o italiano no contexto românico no curso de Filologia Românica. Realizou o Pós-doutorado na Università degli Studi di Pisa. Atualmente dedica-se ao estudo da obra de Giambattista Vico, do qual está terminando a edição da Scienza Nuol'a. É autora de diversas traduções de obras italianas, dentre as quais o História da Artede CarIo Giulio Argan, além de outros clássicos da literatura. CL.ÁSSICOS DA TEORI A DA TRADUÇÃO· ;\\;rol (X:;I,\ BILI\;LUI j ITA LI.'No- PORTUGUÊS 221 i . .,;...~ . '••: .. ~ ." Ainda que seja l1til que se ;. fàÇam traduções, e já que se fazem, seria bom que, deixando 06 várias vezes traduzidos, os tradutores se vol~àque!s muitos que estão quase inoldas, e com os quais lutar é mais fácil, OI1mais glorioso. (... ) As ob~ históricas ~cularment, e auwres as (arojJjares, 'lw.!.preservam a parte mais secreta e ~temn mais preciosa da ' história, merecem encontrar tradutóres corajosos." .!. ...• :" Niccoló Tommaseo Nessas semelhanças se iundamenta a possibilidade relativa das traduções; não enquanto reproduções (que seria inútil tentar) das mesmas expressões originais; ~as enquanto produções de expressões semelhantes e mais ou menos pr6~ daquelas. A tradução que dizem~ roa é uma aproximação, que tem valór.l' ri~ de obra de arte, e pode sul:í~pori. Benedetto Croce Esta Antologia de Clássicos da Tradução, publicada pelo Núcleo de Tradução da Universidade Federal de Santa que não é Catarina, visa preencher ~ uma grave l~cuna, apenas nacional. A prática da tradução é tão antiga quanto as línguas e sua crítica e teoria também têm uma longa história que é preciso conhecer em seus detalhes. Os textos reunidos neste e nos próximos volumes visam entregar ao leitor alguns dos resultados de séculos de meditação sobre o fenômeno tradutório no Ocidente e no Oriente. Estes textos, que gerações de estudiosos foram selecionando como representativos, sãb muitas vezes de difícil acesso, mesmo nos países onde foram originalmente publicados. . .. .. Os volumes incluem textos originalmente escritos em uma variedade de línguas, entre outras, latim, alemão, inglês, francês, italiano e espanhol. A edição é bilíngüe, o texto original sendo apresentado ao lado de sua tradução ao português. As traduções e sua revisão foram fruto de um trabalho conjunto de professores e pesquisadores da UFSC e de outras instituições brasileiras e estrangeiras, assim como de tradutores profissionais. Estes clássicos da teoria e da crítica da tradução, alguns deles traduzidos pela primeira vez ao português, constituem um instrumento importante para todos os interessados em Estudos da Tradução, que poderão, assim colocar em perspectiva as teorias mais recentes. O leitor curioso também encontrará aqui farto material de informação e reflexão sobre o fascinante processo pelo qual boa parte da cultura humana nos é transmitida. ISBN 85~46-l0 L.,", """